Posts Tagged With: tibete

A contestação tibetana contra a ocupação chinesa continua

Nos últimos meses têm-se sucedido os casos de monges e monjas budistas tibetanos que se imolam pelo fogo como derradeira forma de protesto contra a ocupação chinesa do Tibete. Pequim, a potência invasora acusou os monges de “atos de terrorismo” patrocinados pelo Dalai Lama.

Desde maio de 2011, nove tibetanos tentaram suicidar-se pelo fogo, em protesto contra a colonização Han. Destes, cinco vieram a falecer. Todos, tinham menos de 24 anos. O ultimo caso ocorreu com a freira Tenzin Wangmo que enquanto se imolava, clamava contra a ocupação chinesa, pela liberdade religiosa e pelo regresso do exílio do Dalai Lama.

Este fenómeno é completamente novo na tradição tibetana, embora existam registos históricos de ter sido seguida no passado, no budismo. Como forma de protesto, representa também algo de novo e que revela um desespero profundo das populações locais provocado pela ocupação colonial de Pequim. Como causa próxima, esta dramática forma de protesto parece radicar na obrigação da participação de monges tibetanos em “sessões de educação patriótica” em que os participantes eram forçados a renegar o Dalai Lama e a estudar a doutrina comunista. Simultaneamente, Pequim instalou postos de policia dentro dos mosteiros e cortou o fornecimento de agua e eletricidade aos mosteiros que albergam monges mais contestatários. A cada nova imolação, a policia chinesa envia forças anti-motim com extintores.

Apesar de o mundo e os Media internacionais estarem a fazer praticamente tábua rasa destes acontecimentos eles demonstram que os tibetanos mais jovens estão a chegar aos limites e que a opressão colonial de Pequim no Tibete é hoje mais severa do que nunca. Perante este clamoroso silencio mediático cabe aos cidadãos de todo o mundo cumprirem o dever de divulgarem estes trágicos eventos no Tibete, a natureza cada vez mais opressiva da ocupação colonial chinesa e a complacência e timidez das democracias perante esta situação.

Fonte:
http://www.voanews.com/english/news/asia/Tibetan-Activists-Adopt-Self-Immolation-As-Political-Tool-132517228.html

Anúncios
Categories: China, DefenseNewsPt | Etiquetas: | Deixe um comentário

Prossegue a aculturação Han no Tibete: Desta feita pela via linguística

Monjes tibetanos

Monjes tibetanos

O processo de aculturação e repressão cultural acentua-se no Tibete sob ocupação chinesa. Vários milhares de estudantes desafiaram as tropas de ocupação e manifestaram-se contra uma nova política linguística imposta por Pequim e que tem como objetivo afastar a língua tibetana de todos os graus de ensino, tornando a língua nativa apenas numa disciplina entre muitas outras.

Esta nova ofensiva contra a cultura tibetana resultou das declarações de Quang Wei, chefe do Partido Comunista na província de Qinghai, que aludiu à necessidade de se utilizar uma “língua única” no Ensino. Como esta província é de língua predominantemente tibetana, nas será difícil ver posteriormente esta política aplicada a todos os territórios tibetanos que a China invadiu na década de 50.

A China prossegue assim com os seus planos para transformar todo o Tibete em mais uma “região” do seu Império, povoada maioritariamente por chineses da etnia Han, falando Mandarim e onde as comunidades locais se deixam suprimir e perdem a identidade nacional e linguística, enquanto os seus recursos são explorados por vagas crescentes de colonos e se aplicam às populações locais o mesmo princípio do “filho único” que Pequim aplica nas suas grandes cidades. Aqui, contudo, o objetivo não é o controlo demográfico, já que se tratam de regiões essencialmente desérticas e habitadas apenas por antigas comunidades indígenas, mas de controlo imperial pela via do desaparecimento dos povos locais e da sua substituição por dóceis e fiéis colonos Han. Processo onde a “substituição linguística” se coadunaria na perfeição…

Fonte:
http://www.pglingua.org/noticias/babel/2942-protestos-contra-o-ensino-monolinguee-chines-no-tibete

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: | 2 comentários

Xinjiang, o “Outro Tibete” chinês: censura, colonização e repressão

Tumultos raciais entre colonos Han e Uigures locais em http://blog.cleveland.com

Tumultos raciais entre colonos Han e Uigures locais em http://blog.cleveland.com

Durante todo o mês de julho a polícia chinesa tem dispersado manifestações em Urumqi, a capital da região “autónoma” chinesa de Xinjiang à força de bastonadas e gases lacrimogéneos. A maioria dos ataques são conduzidos por colonos de etnia Han, migrantes que vieram da zona de Pequim e Xangai, sob “convite” governamental para repovoarem esta província chinesa e o Tibete, procurando assim esmagar demográfica e cultural as populações locais, e condicionar os impulsos autonomistas locais. Neste sentido, a situação em Xinjiang tem muitos paralelismos com a ocupação do Tibete.

Desde que começaram os tumultos já terão morrido mais de duas centenas de pessoas, a maioria das quais da etnia indígena uigur, vítimas de ataques das multidões Han, armadas com bastões, bestas, armas de fogo e armas brancas de todos os tipos.

Vários grupos – por vezes com milhares de Han – varrem as ruas de Urumqi, destruindo lojas e residências de indígenas, perante a incapacidade intencional ou incompetente da polícia chinesa.

Toda esta violência começou quando no começo do mês alguns Han foram atacados por uigures numa fábrica, depois da morte não esclarecida de dois uigures. A etnia uigure é predominantemente muçulmana e de língua turca e segundo o governo de Pequim – que ocupa este país desde finais do século XVIII – existe um grupo ligado à Al Qaeda de origem uigure ativo nesta região “autónoma”.

Os media governamentais chineses – todos eles altamente controlados pelo Governo – estão a publicar notícias sucessivas dando conta da responsabilidade de exilados uigures na gestação da atual crise. Como fez no passado recente com a revolta tibetana, Pequim fechou as fronteiras da região a jornalistas e cortou o acesso à Internet, tentando impedir que imagens dos tumultos cheguem ao mundo exterior.

A região tem sido alvo de um intenso e continuado processo de colonização Han que fez com que hoje em dia, a população indígena Uigure tenha menos de 50% do total. O Governo recorre a formas mais ou menos sub-reptícias para impedir o acesso dos uigures a cargos políticos, mesmo nas regiões onde são a maioria. O processo de assimilação de Xinjiang começou em 1949, quando os comunistas invadiram um país que ainda que fosse teoricamente administrado a partir de Pequim, gozava de grande autonomia, como o Tibete. A partir desse ano, Pequim passou a governar o país com mão de ferro e enviando milhões de colonos Han que ocupam em exclusivo os melhores empregos, postos na Administração e na Polícia e todos os cargos políticos.

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390706
http://aeiou.expresso.pt/policia-chinesa-usa-a-forca-para-controlar-tumultos-etnicos=f524815http://www.voanews.com/english/2009-07-07-voa79.cfm?rss=topstories
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1297420
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1302982&seccao=%25C1sia

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: , | 3 comentários

“GhostNet”: Uma botnet do Exército Chinês que controla as webcams e os microfones dos computadores infectados…

O governo chinês foi obrigado a ter que vir a público alegar que nada tinha a ver com uma rede de ciberespiões conhecida no meio da Segurança Informática como “GhostNet”.  A botnet visa alvos muito específicos – ao contrário da maioria que visam simplesmente invadir o maior número possível de computadores – e terá atacado centenas de computadores muito judiciosamente instalados em embaixadas, a Deloitte & Touche, instalações da OTAN, Bancos e… grupos de apoio à causa tibetana. No total, o exército chinês terá infectado mais de 1300 computadores e mais de 100 países, focando especialmente as suas vítimas no Irão, Índia, Coreia do Sul, Alemanha, Paquistão e Taiwan.

A botnet foi descoberta por investigadores da Universidade de Cambridge, da equipa “Information Warfare Monitor ” (IWM), liderada por Ron Deibert e Rafal Rohozinski que também identificaram o seu centro de controlo no sul da China. A investigação começou quando alguns membros canadianos da equipa foram chamados a um escritório de representação do Dalai Lama, em Ottawa, no Canadá. Foi nos computadores deste escritório que encontraram um vírus ativo e seguiram o rasto dos pacotes TCP/IP enviados a partir daqui até um servidor situado na ilha chinesa da Hainan, precisamente o local onde o exército chinês instalou um centro de informações, na base aérea de Lingshui. O vírus depende do envio de um mail, mas foi tão eficaz em infectar um grupo específico de máquinas-alvo, porque parece estar a ser enviado manualmente e apenas após uma aturada investigação dos hábitos, rotinas e intereses dos visados. No caso do gabinete tibetano no Canadá, quem envio a mensagem de correio terá seguido os temas debatidos por um determinado monge tibetano num fórum de discussão na Internet e depois, enviado-lhe uma mensagem com um anexo com um título com o exato tema que ele acabara de abordar no fórum…

O vírus militar chinês (termo bem cyberpunk… versão pequinesa!) contaminou estes computadores através do envio de um anexo de correio eletrónico e, após infecção, começa a capturar ficheiros de volta para o seu centro de comando, tendo alguns deles sido simplesmente apagados. O vírus consegue ligar também a Webcam e o microfone dos computadores afectados, captando som e imagem vídeo, que depois é enviada para a China continental.

Obviamente, responsáveis do governo chinês negam estas alegações (que admiração!…) acusando o governo canadiano de “estar a soldo do governo tibetano no exílio”. Sejamos justos: se de facto eu trabalhasse para uma agência de espionagem que está a criar uma botnet de guerra cibernética, tudo faria para fazer passar os meus pacotes por um proxy ou uma rede de zombies na China ou na Rússia, países onde estas redes (privadas e criminosas) existem em relativa impunidade devido à incompetência ou conluio descarado das autoridades, pelo que sim. Existe uma possibilidade de os chineses estarem a aparecer nesta história como os maus da fita, injustamente. Mas tendo em conta o historial da China neste campo (ver AQUI) e, sobretudo, o tipo dos alvos (grupos tibetanos no exílio, visados manualmente) temos que admitir que as hipóteses de o exército chinês estar mesmo por detrás da “GhostNet” são mesmo muito elevadas…

Fontes:

http://www.thefirstpost.co.uk/46883,features,china-denies-involvement-in-ghostnet-cyber-attacks

http://www.f-secure.com/weblog/archives/00001637.html

http://128.100.171.10/

http://www.timesonline.co.uk/tol/news/uk/article5993156.ece

Categories: China, DefenseNewsPt, Informática | Etiquetas: | 9 comentários

A China, o Tibete e o PCP: um chorrilho de contradições e asneiras

(http://pwp.netcabo.pt/corujeira/25%20de%20Abril/1975_Pela_defesa_das_liberdades_vota_PCP_Henrique_Matos)

Continuam desaparecidos mais de 1200 tibetanos, depois das várias prisões arbitrárias e ocorridos a coberto da calada da noite um pouco por todo o Tibete ocupado. A maioria destes tibetanos estão desaparecidos desde os tumultos de março e a sua ausência é um factor determinante no clima de medo que se sente ainda hoje, em Lhasa, havendo rumores de que alguns dos desaparecidos teriam sido executados e que praticamente todos teriam sido torturados. Essa informações constam de um relatório da ONG “International Campaign for Tibet” e baseia-se em publicações proibidas na China e no relato de várias testemunhas locais sendo que algumas delas descrevem técnicas de tortura como “espancamentos, joelhos e cotovelos partidos, eletrocussões e cravamento de bambu sobre as unhas”.

A “International Campaign for Tibet” estima que tenham morrido mais de 200 pessoas no decurso das 130 manifestações ocorridas desde março de 2008, sobretudo na região de Lhasa.

Em Portugal, temos um grupo político que se move em favor da ocupação chinesa do Tibete. Este procura manter um apoio o mais discreto possível, limitando ao máximo as aparições públicas de apoio, pelo natural embaraço que a “causa universalista” causa nos seus próprio militantes e pela impopularidade geral da defesa de um dos regimes mais autocráticos e opressivos do mundo: o da China comunista. Empurrado pela cega aderência ao regime chinês, apenas porque o partido único que a rege ainda inclui a palavra sacro-ssanta “comunista”, os dirigentes do PCP, vão acriticamente em apoio da tirania de Pequim, e defendem o regime de uma forma automática e sempre em “baixo perfil”, para minimizarem os impactos no seu eleitorado de tal defesa… Empurrados pelos Media por vezes têm que emitir declarações públicas de apoio. Como as três que passaremos a comentar, mais abaixo.

Tibete: Declaração de voto do PCP na AR
Senhor Presidente,

Senhores Deputados,

O voto apresentado sobre acontecimentos no Tibete, traz considerações das quais discordamos, assentando em pressupostos que, reproduzindo mensagens difundidas internacionalmente (incluindo imagens de acontecimentos de fora da China apresentadas como tendo aí ocorrido), não correspondem com rigor à realidade.

Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.

O que está em causa de forma cada vez mais clara, é estar em curso uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim, real mola por detrás de uma escalada de provocação e de muitas das falsas indignações a que vamos assistindo na cena política internacional.

É curioso aliás que continue a falar-se do Tibete como território ocupado pela China quando nem as potências que instigam e apoiam movimentos de orientação separatista que estão na origem das acções violentas, de que até o Dalai-Lama já se demarcou, põem em causa a integridade do território da República Popular da China, incluindo o Tibete como Região Autónoma.

Isso vem aliás acompanhado em geral de uma sistemática deturpação dos acontecimentos históricos. Seria preciso lembrar, para reintroduzir algum rigor, que desde o século XIII que o Tibete está unido, com diversos graus de autonomia à China, e que no início do século XX a região foi invadida pela Grã-Bretanha a partir da Índia. Seria até preciso lembrar que, à época da revolução popular chinesa, em 1949, vigorava no Tibete um regime feudal onde a maioria da população era constituída por servos e escravos, com uma forte concentração da terra e dos meios de subsistência, ou que o actual Dalai-Lama, antes de se assumir como dirigente do chamado governo no exílio, integrou ele próprio a 1ª Assembleia Nacional Popular da China que elaborou a constituição chinesa.

Neste processo invocam-se e inventam-se argumentos para justificar actuais e futuras linhas de confronto e de afronta ao direito internacional com origem nos mesmos de sempre, aqueles que já há cinco anos não se coibiram de também inventar a existência de armas de destruição em massa, como suporte de uma guerra que destruiu o Iraque e impôs incontáveis sacrifícios ao seu povo.

É por isso que assume especial importância neste caso o respeito pelo direito internacional, tantas vezes violado para dar lugar a acções de ingerência directa ou indirecta procurando impor interesses estratégicos e económicos.

É por tudo isto que não votamos o voto apresentado.

Disse.”

http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=31646&Itemid=120

as imagens de acontecimentos de fora da China apresentadas como tendo aí ocorrido), não correspondem com rigor à realidade”

O deputado comunista refere-se aqui às prisões dos manifestantes que junto à embaixada chinesa em Catmandu. Estas foram da direta responsabilidade da polícia anti-motim nepalesa e não das forças militares ou policiais chinesas. Mas se foram tão violentas (depois dos nepaleses terem assistido impávidos e serenos a manifestações que não os afectavam diretamente) foram-no apenas uma semana depois destas manifestações terem começado e porque resultatam de pressões diretas de Pequim, para que o Nepal lhes pusesse cobro! Isso surgiu em vários media!

“Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas”

Se não está, parece. E em política, o que parece é. É que o discurso público do PCP quanto a este tema da ocupação do Tibete alinha constantemente pelas posições públicas do regime de Pequim, e nunca pelas posições das pessoas que fora e dentro do Tibete se manifestam a favor da maior autonomia do território (recordemo-nos que a posição oficial do governo tibetano no exílio é favorável apenas à autonomia, não à independência!)

conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos”

A ocupação do Tibete pela China leva já mais de 50 anos. Isto é uma resolução rápida? Ainda não há muito tempo estas imagens foram tornadas públicas. Mostram menores desarmados a serem abatidos e cumprindo o único “crime” de estarem a tentar sair do Tibete ocupado. Estas imagens são apenas a ponta do iceberg porque é certo que é frequente que as tropas de fronteira disparem sobre pessoas que tentam deixar o Tibete a caminho do Nepal, mas nem sempre (como desta vez) estava perto uma câmara de video para filmar o assassinato. Esta é a “resolução pacífica” e respeitadora dos “direitos humanos” que o último partido comunista estalinista da Europa advoga?

estar em curso uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim”

era possível ao PCP ecoar de forma mais literal o discurso diplomático da autocracia chinesa? Toda a contestação no Tibete está a ser manipulada a partir do exterior apenas com o soez objetivo de prejudicar o resultado de marketing que a China espera recolher da realização triunfal dos Jogos Olímpicos, dessa repetição plena dos Jogos de Berlim, que em 1936 consagraram internacionalmente o prestígio internacional do regime nazi. Os tibetanos não protestam contra o fluxo contínuo e esmagador de migrantes Han que são hoje já a maioria da população tibetana (60%), nem contra a cega ou torpe aplicação da política de “filho único”, nem contra as esterilizações forçadas, nem contra a repressão política e religiosa, nem contra a destruição do rico património cultural e religioso tibetano, transformando em relíquia turística e esvaziada tanto quanto o possível. Não os tibetanos protestam apenas para prejudicar os Jogos Olímpicos de Pequim. Essa é apenas a “cruel” intenção dos tibetanos. Esta é pelo menos a visão dos dirigentes do PCP. E, por coincidência, também as dos dirigentes do PC chinês. Mundo pequeno, este…

“É curioso aliás que continue a falar-se do Tibete como território ocupado pela China quando nem as potências que instigam e apoiam movimentos de orientação separatista que estão na origem das acções violentas, de que até o Dalai-Lama já se demarcou, põem em causa a integridade do território da República Popular da China, incluindo o Tibete como Região Autónoma.”

É também curioso quanto a obsessão pelo seguidismo ideológico pode deturpar até o pensamento dos mais inteligentes dos Homens… O Tibete é ocupado militarmente, como demonstram aliás cabalmente as forças militares e paramilitares que Pequim transferiu para o território em 2008 para abafar a revolta e que sendo responsáveis pelos mortos e pelos desaparecimentos, continuam ainda hoje nos mesmos números no Tibete. E que “potencias que instigam”, são estas? São os EUA ou a França? A Índia ou o Japão? Que alusão envergonhada é esta? Se o PCP tem provas de que esta revolta teve o “telecomando” estrangeiro porque não referiu explicitamente a sua fonte? Tão lestos (corretamente) a apontar os pecadilhos dos EUA no Iraque e na Sérvia, porque são tímidos os dirigentes do PCP na elucidação destas fontes? Será que é porque estas… não existem?

O Dalai Lama não se demarcou da “orientação separatista”… Ele sempre se demarcou dela e defende desde à muito a simples autonomia, que Pequim se recusa a ceder apenas para manter no Tibete um jugo apertado, uma exploração profunda das suas riquezas minerais e uma constante colonização…

Seria preciso lembrar, para reintroduzir algum rigor, que desde o século XIII que o Tibete está unido, com diversos graus de autonomia à China, e que no início do século XX a região foi invadida pela Grã-Bretanha a partir da Índia”

E daí? Durante a sua existência, houve várias ocasiões em que o Tibete foi completamente independente, ao contrário do que sugere o texto enganador do PCP tendo sido o mais recente entre 1912 e 1950, o ano da invasão chinesa. Mas mesmo que isso fosse verdade, o que alteraria na justeza da causa da luta tibetana? Portugal, ele próprio, também esteve submetido a potencias estrangeiras durante uma parte significativa da sua História. Isso significa porventura que o PCP defende a sua incorporação na Espanha (como Saramago, o comunista português mundiamente mais conhecido), no Marrocos ou na República francesa pós-napoleónica?

Seria até preciso lembrar que, à época da revolução popular chinesa, em 1949, vigorava no Tibete um regime feudal onde a maioria da população era constituída por servos e escravos, com uma forte concentração da terra e dos meios de subsistência, ou que o actual Dalai-Lama, antes de se assumir como dirigente do chamado governo no exílio, integrou ele próprio a 1ª Assembleia Nacional Popular da China que elaborou a constituição chinesa.”

Correto. O mesmo se verificava na China – que o PCP tanto defende – até à vitória de Mao Tse Tung na guerra civil chinesa, em 1949. E o mesmo se passa agora, com a reduzida quantidade e qualidade de direitos cívicos, laborais, humanos e políticos de que gozam os chineses comuns no seu próprio país… e em defesa destes ainda ninguém ouviu o PCP pronunciar-se…

O Dalai Lama integou a Assembleia, sim, antes da revolta popular de 1959 contra a ocupação chinesa e a destruição sistemática de mosteiros budistas. Perante tal repressão violenta e o agudizar da ocupação chinesa, teve que retirar-se para manter viva a chama da autonomia. Se foi iludido, sob a promessa de respeito da autonomia cultural e religiosa, quando esta se revelou completamente falsa, optou pela única solução válida: o exílio.

Neste processo invocam-se e inventam-se argumentos para justificar actuais e futuras linhas de confronto e de afronta ao direito internacional com origem nos mesmos de sempre, aqueles que já há cinco anos não se coibiram de também inventar a existência de armas de destruição em massa, como suporte de uma guerra que destruiu o Iraque e impôs incontáveis sacrifícios ao seu povo.”

Mas que “mesmos de sempre são estes”? Os EUA? É a CIA que anda a inflamar os jovens tibetanos desde 1959? Sejamos sinceros… Quantos agentes da CIA acham que a China deixa operar no Tibete? E que relação há entre as armas de destruição massiça que não existiam no Iraque e uma invasão mal-fundamentada e pior planeada e os acontecimentos no Tibete? Não é compara o incomparável? Não é procurar desempenhar um sacríficio demasiado grande à lógica e ao bom senso de quem ouve este discurso? Se não foram os insurgentes tibetanos que plantaram armas falsas de destruição em massa no Iraque então o que faz aqui, em jeito de conclusão, este parágrafo extemporâneo e inoportuno?

Em suma, a posição de apoio do PCP a um dos regimes que na atualidade tem piores pergaminhos do domínio das liberdades individuais e de expressão não pode ser esquecida… Assim como a forma absoluta como este partido se alinha ao lado dos ocupantes do Tibete, daqueles que destroem o seu povo, a sua cultura e a sua religião, colonizando o território com vagas sucessivas e constantes de colonos Han. Se o PCP pretende manter alguma credibilidade no seu discurso nacional de defesa dos direitos dos trabalhadores e dos oprimidos, então deve procurar manter esse discurso consistente e defender as mesmas posições no quadro internacional, não deixando que os interesses de outro partido comunista estrangeiro (o Chinês) sejam mais importantes do que esses princípios.

E esta mudança de política não é apenas da responsabilidade da gerontocracia que rege o PCP: é de todos os militantes a que esta posição pública não pode senão humilhar.

Fontes:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1368338 http://eutibet.typepad.com/tibet_interg

roup_blog/2008/06/press-conferenc.html

Categories: China, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , | Deixe um comentário

Continua a repressão chinesa no Tibete

Forças de ocupação chineses em patrulha no Tibete em http://i.dailymail.co.uk

Forças de ocupação chineses em patrulha no Tibete em http://i.dailymail.co.uk

Continua a revolta tibetana… Em começos de março, a polícia do ocupante chinês dispersou à bastonada uma manifestação de monges tibetanos, detendo alguns deles. Os acontecimentos terão tido lugar na cidade de Rabgya e no mesmo dia em que se comemorava a data de 10 de março, o dia em que o Dalai Lama deixava o Tibete. As fontes noticiosas chinesas – internacionalmente conhecidas pela sua isenção – afirmam que os monges assaltaram uma esquadra, atacando e ferindo os polícias. A imprensa chinesa admite contudo que o ataque aconteceu depois de um tibetano ter sido detido por ter defendido em público a independência do Tibete e pouco depois, ter desaparecido no opaco sistema prisional chinês.

A policia chinesa diz que o detido “fugiu da esquadra”, e que não era um monge, ao contrario do que alegam fontes tibetanas. Toda esta opacidade resulta também da proibição imposta por Pequim da entrada de jornalistas estrangeiros (ou seja, que possam publicar em jornais não-censurados) e só demonstram que o regime colonial chinês tem algo a esconder quanto à forma como administra o território desde 1959, já que quem não deve… Não teme!

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370331

Categories: Budismo, China, DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: | 13 comentários

Perante a intransigência chinesa, os líderes tibetanos requacionam as suas posições…

Os líderes dos exilados tibetanos estão a debater a sua futura estratégia depois do Dalai Lama ter admitido o fracasso da sua estratégia de diálogo com a China em prol de uma autonomia alargada para o território. Apesar de décadas de insistência, o regime chinês não tem revelado qualquer sinal de estar disposto a consentir ao Tibete um grau de autonomia suficientemente extensa que possa garantir a sobrevivência das especificidades culturais e religiosas do Tibete… E recordemo-nos que os exilados tibetanos não pedem a independência, como tantos povos ocupados ou colonizados pelo mundo fora, do Sara Ocidental a Timor, mas pediam apenas uma espécie de autonomia que lhes garantisse a sobrevivência da sua Cultura…

Perante a constatação do colapso da linha moderada, os líderes tibetanos reunidos na cidade indiana de Dharamsala irão avaliar “novos rumos” para a causa tibetana.

A ultima ronda negocial entre exilados tibetanos e membros do governo chinês começou em 2003 e consistiu em oito reuniões absolutamente estéreis, tal era a atitude intransigente do regime de Pequim. Esta intransigência ira agora provavelmente dar a força necessária aqueles tibetanos que defendem a independência por contraposição à posição do Dalai Lama da “via do meio”, de uma simples autonomia religiosa e cultural. Este impulso para a independência foi reforçado pelas recentes revoltas no Tibete, que foram severamente reprimidas e que encontraram a sua maior justificação no aumento notório da colonização do território por elementos da etnia Han, provenientes da China. É esta colonização e a progressiva extinção da identidade cultural tibetana que esteve na base das revoltas que começaram em Marco e que provocaram mais de 140 mortos entre os insurgentes tibetanos e dezenas de milhares de prisões, com centenas de “desaparecidos” no interior do sistema prisional chinês.

Dir-se-ão que estão agora criadas as condições entre os tibetanos para começarem a defender a independência da China. A incapacidade em dialogar ou ate em produzir qualquer tipo de cedência em negociações que têm como único objetivo aplacar as criticas da comunidade internacional demonstram a inviabilidade da “via do meio” e não há duvidas que agora os lideres tibetanos vão clamar por uma posição mais radical… A China vai assim ter que lidar com uma escalada na impopularidade internacional pela sua ocupação e colonização no Tibete… Em resposta vai lançar para a arena toda a sua crescente influencia económica e poder militar, como sempre tem feito entre ameaças mais ou menos veladas. Cabe aos Homens de bem deste mundo, pertençam a que religião ou cultura for alinhar ao lado dos oprimidos e da liberdade e enfrentar os golias que Pequim queira colocar em cena… E nesta luta moral que se avizinha, os povos lusófono, solidários e conhecendo ainda recentemente o idêntico caso de Timor devem estar na primeira linha deste combate pela independência do Tibete.

Fonte:
Bbc.co.uk

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: | 13 comentários

Grupo de Apoio ao Tibete (PRESS RELEASE)

“Grupo de Apoio ao Tibete

PRESS RELEASE

24 Setembro

Face às recentes declarações do Sr. Primeiro-Ministro José Sócrates, quando do encontro com Wang Gang (oficial sénior do Partido Comunista Chinês), congratulando a República Popular da China pela organização de sucesso dos Jogos Olímpicos, que decorreram no passado Agosto, vimos desta forma manifestar a nossa indignação pela ausência de qualquer referência à situação vivida no Tibete, no que diz respeito às violações dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da liberdade de reunião, verificadas antes, durante e depois dos Jogos Olímpicos.

O Sr. Primeiro-Ministro, preocupado apenas com questões económicas, ignorou deliberadamente a vaga de protestos em toda a comunidade internacional, bem como o facto de a Assembleia da República ter discutido e aprovado, por larga maioria, um voto de condenação da política repressiva do governo chinês em relação ao Tibete, solicitado por uma petição que reuniu mais de onze  mil assinaturas de cidadãos portugueses.

Com estas declarações, o sr. Primeiro-Ministro mostra continuar a atitude de subserviência perante a China que contraria a melhor tradição portuguesa de defesa dos direitos humanos.”

 

CONTACTOS (Media)

91 811 30 21 / 93 435 3961 / 96 016 12 54

Grupo de Apoio ao Tibete

Categories: China, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , | Deixe um comentário

Petição: Pelo BOICOTE às emissões televisivas dos Jogos Olímpicos de Pequim

(http://www.pbs.org)

Contra a utilização dos Jogos Olímpicos como uma ferramenta de propaganda de um dos regimes mais autoritários do mundo, que apoia outras tiranias como a do regime sudanês, da ditadura militar de Burma, o regime da ZANU-FP do Zimbabwe e que age de forma predatória contra os recursos naturais do planeta sendo hoje o seu maior poluidor. Contra um regime que usa contra o seu próprio povo da censura, de prisões arbitrárias e por delito de opinião e que executa por ano mais de 8 mil dos seus cidadãos.Pelo povo tibetano, vítima de um terror constante e de um genocídio cultural e social violento e implacável.
Não consintamos que a arrogância do regime chinês utilize a chama olímpica e os seus Jogos como um intrumento de afirmação:MUDE DE CANAL quando vir emissões dos Jogos Olímpicos de Pequim. Não alimente esta arrogância assassina, nem as multinacionais que com a sua publicidade insensível a alimentam.

Faça ZAP e…


Categories: China, Sociedade | Etiquetas: , | 18 comentários

Várias organizações pró-Tibete e de Defesa dos Direitos Humanos na China estão a ser alvo de ciberataques

(http://therawfeed.com)

Foram registados – um pouco por todo o mundo, mas especialmente nos EUA – uma série de ciberataques a grupos de apoio à causa tibetana. Todos estes ataques partiram dos mesmos servidores de acesso à Internet que foram identificados no passado (ver AQUI) como tendo sido originados algures no interior da China Popular. Como os primeiros ataques, existe uma grande probabilidade que estes estejam a ser conduzidos por unidades de guerra cibernética do exército chinês e são aparentemente uma repetição de ataques realizados no passado recente contra outro dos “espinhos” na política externa chinesa: o Darfur dos seus aliados fundamentalistas islâmicos do Sudão.

Os ataques oriundos da China contra o grupo activista “Save Darfur Coalition” tiveram (segundo esta organização) como objectivo: monitorizar, sondar e perturbar as actividades do grupo e foram uma espécie de prenúncio para uma ofensiva muito mais alargada – que decorre neste preciso momento – contra organizações ligadas à defesa dos direitos humanos e à autonomia do Tibete.

Estes ataques consistem fundamentalmente no envio para caixas de correio destas organizações pró-tibetanas de mensagens com “Cavalos de Tróia” que roubam nos computadores de destino dados de mails e contactos, passwords e várias outras informações não especificadas. Os dados assim são reunidos são enviados para servidores situados algures na China, provavelmente imersos nalguma caserna do exército chinês e depois seguem para os serviços de informação onde os elementos sobre opositores internos e externos vão alimentar bases de dados de opositores ao regime.

O argumento de que se tratam de hackers chineses agindo por conta própria, um argumento que o Governo Russo usou no passado para explicar a ciberguerra lançada a partir da Rússia em Maio de 2007 contra a Estónia não colhe, uma vez que a Chioa mantêm um dos controlos mais apertados do mundo sobre a actividade dos seus cibernautas… Uma “guerra privada” e autónoma de um grupo de hackers chineses passaria desapercebida das polícias e dos serviços de informação chineses? E sobretudo, temos que seguir a este respeito uma das regras básicas da criminalística: procure quem beneficiou do crime para encontrar o criminoso. E não é precisamente do mais alto interesse das autoridades chineses identificar dissidentes em actividade no interior do seu território, no Tibete Ocupado ou no Estrangeiro?

Em suma… Se colabora, participa ou conhece alguém envolvido em actividades pró-Tibete e em defesa dos Direitos Humanos na China, cuidado com as mensagens de correio electrónico com anexos em Word, Powerpoint, Acess, Excel (mais uma razão para migrar para o Openoffice 2…) e até em Adobe PDF, mesmo se estas venham de fontes aparentemente confiáveis. É que eles andam aí e querem os vossos dados pessoais, assim como os dos vossos amigos que mantêm nos contactos do Outlook, Firefox, etc.

Eis, no original e em inglês a republicação do alerta SANS para este incidente:

Published: 2008-03-24,
Last Updated: 2008-03-24 20:40:40 UTC
by Maarten Van Horenbeeck (Version: 1)


On Friday we reported on targeted attacks against various pro-Tibet non-gouvernmental organizations (NGO) and communities, as well as Falun Gong and the Uyghurs. In this somewhat long diary entry, I’ll break down those attacks and identify the things we’ve seen in working on these since early 2007.

This hopefully helps you identify the risk similar attacks would pose to your organization. The diary does not deal with one incident, but looks at overall findings.

1. The message

The sole goal of the message is to transport the exploit, and to convince the reader to click on it, so the malicious code can execute.

Several social engineering tricks have been seen:

  • Messages make a strong statement on a well known individual or group, but do not mention its name. The attachment is then named after that individual. A state of ‘cognitive dissonance’ arises between the reader’s pre-existent beliefs and the statement. This urges the reader to click the message;
  • The writing style of the purported sender is well researched and mimicked;
  • The content of the document matches the topic of the e-mail message;
  • Legitimate, trusted, users are sometimes convinced to actually forward along a message back to specific targets;
  • In a number of cases, “memes” distributed within the community have been reused. For instance, in a “viral” Word document was grabbed from a forum, edited to include the exploit and Trojan code, and forwarded onto other members of the community.

Here’s a sample. This message was sent to someone very active within the Tibetan community, and was spoofed as originating from the Secretary of International Relations of the Central Tibetan Administration, the government in exile in Dharamshala, India. The name and contact details of the official were accurate:

All,
Attached here is the update Human Rights Report on Tibet issued byDepartment of State of U.S.A on March 11, 2008.
You may also visit the site:
Tashi Deleg,
Sonam Dagpo
Secretary of International RelationsDepartment of Information & International RelationsCentral Tibetan AdministrationDharamshala -176215H.P., INDIAPh.: [obfuscated]Fax: [obfuscated]E-mail: [obfuscated]@gov.tibet.net or diir-pa@gov.tibet.netWebsite: http://www.tibet.net/en/diir/

In some cases, messages were sent which addressed the recipient by his first name, and provided “clarification on a topic” which had previously been discussed between the sender and the recipient. While not evidence, there are specific instances in which it appears previously compromised accounts were re-used to engage in better social engineering.

2. The exploit

The messages contain an attachment which exploits a client side vulnerability. The most common vectors so far have been:

The file exploits the vulnerability, and executes shellcode which generally unpacks at least two embedded components:

  • The actual Trojan binary: Which can be packed (using UPX, Armadillo, FSG or PE-ARMOR), but in most cases is unpacked and easily retrievable from the file. It is described further in chapter 3 of this diary entry.
  • A benign, non-malicious document of the same file type: upon successful execution of the exploit code, it generally “cleans up” and instead of showing an indication that the application has crashed, it drops a clean file to disk (be it either RAR, DOC, PPT or any of the other files affected) and opens it.

The second file shows context very valid to the message initially sent. An example image is included for reference below. This was grabbed from what was sent as a promotional flyer on a book on Tibet. In the background, it dropped a Trojan. Both the flyer and the book exist in real-life form, unbugged. This was an example of taking something which “exists” within the community, and republishing it with trojaned contents.

These files usually have very low AV coverage. Below is sample Virustotal output for the malicious PDF sample:

China’s Tibet.pdfMD5 70d0d15041a14adaff614f0b7bf8c428
AhnLab-V3 2008.3.22.1 2008.03.21 -AntiVir 7.6.0.75 2008.03.21 -Authentium 4.93.8 2008.03.20 -Avast 4.7.1098.0 2008.03.21 -AVG 7.5.0.516 2008.03.21 -BitDefender 7.2 2008.03.21 -CAT-QuickHeal 9.50 2008.03.20 -ClamAV 0.92.1 2008.03.21 -DrWeb 4.44.0.09170 2008.03.21 -eSafe 7.0.15.0 2008.03.18 -eTrust-Vet 31.3.5631 2008.03.21 -Ewido 4.0 2008.03.21 -F-Prot 4.4.2.54 2008.03.20 -F-Secure 6.70.13260.0 2008.03.21 -FileAdvisor 1 2008.03.21 -Fortinet 3.14.0.0 2008.03.21 -Ikarus T3.1.1.20 2008.03.21 -Kaspersky 7.0.0.125 2008.03.21 -McAfee 5257 2008.03.21 -Microsoft 1.3301 2008.03.21 -NOD32v2 2966 2008.03.21 -Norman 5.80.02 2008.03.20 -Panda 9.0.0.4 2008.03.21 -Prevx1 V2 2008.03.21 -Rising 20.36.42.00 2008.03.21 -Sophos 4.27.0 2008.03.21 Mal/JSShell-BSunbelt 3.0.978.0 2008.03.18 -Symantec 10 2008.03.21 -TheHacker 6.2.92.250 2008.03.19 -VBA32 3.12.6.3 2008.03.21 -VirusBuster 4.3.26:9 2008.03.21 Exploit.PDF.AWebwasher-Gateway 6.6.2 2008.03.21 Exploit.PDF.ZoneBac.gen (suspicious)
3. The backdoor

Upon successful exploitation, the dropper installs a Trojan. We have monitored over 8 different Trojan families in use. Quite common are Enfal, Riler and Protux. In addition, control over some machines is maintained using the Gh0st RAT remote access tool.

These trojans generally allow close to unrestricted access to the system under the user account which installed the Trojan. Many machines involved in this incident are home desktops, as such this is often the administrator account. The Backdoor generally triggers a few generic signatures, but has very low AV coverage at the time of distribution.

Below is a sample extracted from a malicious Excel document:

event_0310_result.exeMD5 7d62cec8f022e9599885ad7d079d2f60
AhnLab-V3 2008.3.4.0/20080310 found nothingAntiVir 7.6.0.73/20080310 found [HEUR/Malware]Authentium 4.93.8/20080307 found nothingAvast 4.7.1098.0/20080309 found nothingAVG 7.5.0.516/20080310 found nothingBitDefender 7.2/20080310 found nothingCAT-QuickHeal 9.50/20080308 found nothingClamAV None/20080310 found nothingDrWeb 4.44.0.09170/20080310 found nothingeSafe 7.0.15.0/20080309 found nothingeTrust-Vet 31.3.5597/20080307 found nothingEwido 4.0/20080310 found nothingF-Prot 4.4.2.54/20080309 found nothingF-Secure 6.70.13260.0/20080310 found [Suspicious:W32/Malware!Gemini]FileAdvisor 1/20080310 found nothingFortinet 3.14.0.0/20080310 found nothingIkarus T3.1.1.20/20080310 found nothingKaspersky 7.0.0.125/20080310 found nothingMcAfee 5247/20080307 found nothingMicrosoft 1.3301/20080310 found nothingNOD32v2 2935/20080310 found nothingNorman 5.80.02/20080307 found nothingPanda 9.0.0.4/20080309 found nothingPrevx1 V2/20080310 found [Heuristic: Suspicious Self Modifying File]Rising 20.35.02.00/20080310 found nothingSophos 4.27.0/20080310 found [Mal/Behav-116]Sunbelt 3.0.930.0/20080305 found nothingSymantec 10/20080310 found nothingTheHacker 6.2.92.239/20080309 found nothingVBA32 3.12.6.2/20080305 found nothingVirusBuster 4.3.26:9/20080309 found nothingWebwasher-Gateway 6.6.2/20080310 found [Heuristic.Malware]
4. The control connection

In order for the Trojan to be effective, it needs to “phone home”. This usually (but not always) consists of two steps:

  • A DNS lookup to acquire the address of the control server;
  • The actual connection.

The DNS lookup occurs for a hostname embedded in the Trojan. So far, we have tracked over 50 unique hostnames. Some are used against a single organization or individual, others are used across the spectrum to many different targets.

Interestingly, attacks are “timed”. Let’s look at some DNS resolution logs:

+ 2008-03-22 06:05 | dns3.westcowboy.com | 210.162.89.242- 2008-03-22 06:05 | dns3.westcowboy.com | 127.0.0.1+ 2008-03-22 15:07 | dns3.westcowboy.com | 127.0.0.1- 2008-03-22 15:07 | dns3.westcowboy.com | 210.162.89.242+ 2008-03-23 07:18 | dns3.westcowboy.com | 210.162.89.242- 2008-03-23 07:18 | dns3.westcowboy.com | 127.0.0.1+ 2008-03-23 09:54 | dns3.westcowboy.com | 127.0.0.1- 2008-03-23 09:54 | dns3.westcowboy.com | 210.162.89.242

When the hostname resolves to one of the above IP addresses, a connection is set up. When it resolves to 127.0.0.1 however, the compromised machine will no longer connects out.

As several IDS rules are available to trigger on lookups that result in 127.0.0.1, we are also seeing samples that contain a check for a specific ‘code’ IP. When the control server resolves to this address, the Trojan holds for a few minutes, then does another lookup. These “parking addresses” have included 43.44.43.44 and 63.64.63.64.

In the above example, this indicates that the team behind these attacks was busy gathering data from 06:05 till 15:07, only to start again almost exactly one day later, 07:18.

In a few cases, the control connection has been regular HTTP or HTTPS, set up using code injected into the Internet Explorer process. This allows the Trojan to be proxy-aware. In other instances, there have been control connections that were fully binary (such as Gh0st RAT) or encrypted using an obvious XOR key.

Some control connections can be detected on the network or proxy level, such as those of certain Riler and Enfal families:

When started, Enfal issues HTTP POST requests to the controller for:

/cgi-bin/Owpq4.cgi/cgi-bin/Fupq9.cgi

The Riler Trojan family can also be identified through its connection protocol (bold is the infected client submitting data):

NAME:NAME: [hostname].VER: Stealt h 2.6 MARK: fl510 OS: NT 5.0.L_IP: 10. 2.0.18.ID: NoID.LONG:0501_LOG.txtNULLAUTOERR code = 02SNIFERR code = 02WAKEWAKE

It also has a recognizable command set:

LOCK SEND WAKE NAME MOON KEEP DISK FILE DONE DOWN LONG MAKE ATTR KILL LIKE SEEK READ DEAD DDLL AUTO READY
5. The control server

The vast majority of control servers were identified on Chinese netblocks. However, servers have been identified in the USA, South Korea and Taiwan. The host names pointing to these servers are often configured on dynamic DNS services such as 3322.org. While these services in themselves are not malicious, they are heavily used in these specific attacks.

At the moment, it appears at least a number of the control servers have been compromised using open Terminal Services (RDP/3389) combined with weak passwords.

Based on the technical data, it is impossible to say who is the culprit in these attacks. What is however clear is that these NGOs are systematically hampered using malicious code, either with as goal to gain access to their communications, or to make them reluctant to use e-mail to begin with.

While this is not the full picture on the attacks, we hope this overview already proves useful, and please get in touch if you have questions or additional feedback.

Fonte:
Information Week
SANS
http://www.theinquirer.net/en/inquirer/news/2007/05/18/russias-cyber-war-with-estonia-rocks-nato

Categories: China, Ciência e Tecnologia, DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: | 2 comentários

Sobre a declaração de voto do PCP a propósito do Tibete

Bernardino Soares
A declaração de voto do PCP na Assembleia da República é um verdadeiro primor de demagogia, inconsistências internas e deveria ser para todo o sempre afixada nos anais da infâmia de modo a servir de exemplo para as gerações futuras.

Intitulada:
“Tibete: Declaração de voto do PCP na AR”
Quinta, 27 Março 2008″

A peça é da autoria do deputado Bernardino Soares e pretende dar expressão à Teoria da Conspiração segundo a qual a revolta popular no Tibete não é espontânea, mas o fruto de uma elaborada conspiração elaborada por esse arqui-vilão maquiavélico e imensamente cerebral que é o Dalai Lama. Por estranha e rara coincidência a posição pública do PCP coincide com a do Politburo do Comité Central do Partido Comunista chinês. Coincidências.

No essencial, o PCP acredita que tudo não passa de “uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim“. Ora, se o é, então é uma “operação” que começou em 1959 com a invasão do exército Vermelho…

Eis a dita declaração, comentada ponto a ponto:

“Senhor Presidente,
Senhores Deputados,”

“O voto apresentado sobre acontecimentos no Tibete, traz considerações das quais discordamos, assentando em pressupostos que, reproduzindo mensagens difundidas internacionalmente (incluindo imagens de acontecimentos de fora da China apresentadas como tendo aí ocorrido), não correspondem com rigor à realidade.”

Bernardino Soares (BS) refere-se às imagens de manifestações na Índia e no Nepal onde os exilados tibetanos têm sido severamente reprimidos (especialmente no Nepal). Temos seguido essas notícias e não me recordo de ter visto em nenhum canal de televisão essa confusão. É certo que como a China fechou a fronteira tibetana e não há agora jornalistas estrangeiros a trabalhar no Tibete ocupado, as imagens da revolta escasseiam e as agências internacionais apresentam aquilo que conseguem captar, que são imagens de manifestações fora do Tibete. Talvez se não houvesse Censura na China, BS se pudesse queixar menos de imagens de manifestações captadas apenas fora do Tibete… Mas as poucas imagens que conseguem passar o bloqueio da censura chinesa dão boa mostra da violência e intensidade da repressão chinesa. Imagens captadas por telemóveis com câmara, principalmente, uma razão que explica porque é que aliás, os paramilitares estão a revistar mosteiros budistas em busca de imagens do Dalai Lama e de… telemóveis para confiscar. Este é o modelo de sociedade que o PCP defende para Portugal? Um Estado que confisca telemóveis?

“Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.”

Efectivamente não está. Não há memória de o PCP ter alguma vez defendido a Democracia e os Direitos Humanos no Tibete ou na China. Bem, pelo contrário, sempre que a questão do Tibete se torna mais aguda, o PCP lá vem fazer o frete pelos seus amigos chineses e defender a “Causa” da ocupação imperial Han no Tibete. Ainda recentemente, aquando da visita a Portugal do Dalai Lama, Jerónimo de Sousa tornou a bater-se pela sua garbosa causa da Defesa de um dos regimes mais tirânicos e opressivos do mundo:As instituições devem respeitar, no quadro do direito internacional, as relações diplomáticas com outros países e, nesse sentido, não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com certos países e depois procurar contrariar essa perspectiva justa do prestígio das instituições com uma visita de circunstância“, ou seja, não importa que a China tenha invadido o Tibete em 1959 e que desde então tenha executado uma severa política de repressão e de genocídio étnico (pela via da colonização e da esterilização forçada). Ou será que esse “Direito Internacional” também inclui a ocupação militar de um país vizinho? E a repressão tirânica e violenta – até à extinção – de todo um povo? Então, em nome das sacrossantas “relações diplomáticas” com a Indonésia também devíamos ter deixado os timorenses entregues a si próprios? Ou… Espera. Esse caso era diferente. Não havia nenhum PC no poder na Indonésia na altura. A isto chamo eu dualidade de critérios…

O que está em causa de forma cada vez mais clara, é estar em curso uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim, real mola por detrás de uma escalada de provocação e de muitas das falsas indignações a que vamos assistindo na cena política internacional.”

Pois claro. O próprio Dalai Lama tem-se esgotado em declarações públicas a favor da realização dos Jogos Olímpicos de Berlim (perdão, Pequim, não sei porque estou sempre a fazer esta confusão) e estas manifestações surgiram de uma forma espontânea, desorganizada e sem coordenação a partier do governo no exílio, que aliás tem mantido a linha oficial de as criticar e de repudiar tudo o que é expressão violenta contra o opressor chinês.

“É curioso aliás que continue a falar-se do Tibete como território ocupado pela China quando nem as potências que instigam e apoiam movimentos de orientação separatista que estão na origem das acções violentas, de que até o Dalai-Lama já se demarcou, põem em causa a integridade do território da República Popular da China, incluindo o Tibete como Região Autónoma.”

É curioso, pois, BS. É curioso que a China nem procure sequer o diálogo com o Dalai Lama e o insista em designar de “fantoche religioso”, o que é aliás uma atitude muito diplomática e nada arrogante para abrir negociações…. O Tibete foi um país independente durante a maior parte da sua história, até à invasão chinesa de 1950 (vivendo em relativa liberdade autonómica até à ocupação de 1959). E BS deve actualizar-se… O Dalai Lama e o governo tibetano no exílio não defende a “separação” da China, apenas um grau de autonomia que preserver a tradição, a cultura e a religião tibetanas numa região que tem muito pouco de “autónoma” e que é governada com mão-de-ferro por governadores enviados directamente de Berlim (perdão, Pequim).

“Isso vem aliás acompanhado em geral de uma sistemática deturpação dos acontecimentos históricos. Seria preciso lembrar, para reintroduzir algum rigor, que desde o século XIII que o Tibete está unido, com diversos graus de autonomia à China, e que no início do século XX a região foi invadida pela Grã-Bretanha a partir da Índia. Seria até preciso lembrar que, à época da revolução popular chinesa, em 1949, vigorava no Tibete um regime feudal onde a maioria da população era constituída por servos e escravos, com uma forte concentração da terra e dos meios de subsistência, ou que o actual Dalai-Lama, antes de se assumir como dirigente do chamado governo no exílio, integrou ele próprio a 1ª Assembleia Nacional Popular da China que elaborou a constituição chinesa.”

Falso. A menos que para o PCP os imperadores mongóis que conquistaram no século XIII a Ásia e entre ela a própria China e o Tibete, fossem chineses… E se depois houve vários graus de autonomia no Tibete, mas sempre mantendo a independência do governo local ainda que com tropas chinesas, após a invasão anglo-indiana de 1906, o Tratado sino-britânico de 1906 estipulava que “o Governo da Grã Bretanha compromete-se a não anexar o território tibetano nem interferir com a administração do Tibete. O governo da China também se compromete a não permitir que nenhum outros Estado estrangeiro possa interferir com o território ou com a administração interna do Tibete.” De qualquer forma, o tal “regime feudal” que efectivamente vigorava então não é hoje o defendido pelo governo tibetano no exílio e dizer tal coisa é a mesma coisa que dizer que a Rússia comunista também defendia um regime feudal porque este era o vigente ao tempo da queda do Czar…

“Neste processo invocam-se e inventam-se argumentos para justificar actuais e futuras linhas de confronto e de afronta ao direito internacional com origem nos mesmos de sempre, aqueles que já há cinco anos não se coibiram de também inventar a existência de armas de destruição em massa, como suporte de uma guerra que destruiu o Iraque e impôs incontáveis sacrifícios ao seu povo.

Portanto, segundo esta teses a presença de 8 milhões de chineses Han no Tibete (contra 7,5 milhões de tibetanos), a repressão cuja memória está ainda tão viva no contexto destes incidentes recentes e que têm resistido a todas as pressões e ao reforço massiço de contingentes militares, assim como o genocídio cultural e religioso de todo um povo são “maquinações dos EUA”?

“É por isso que assume especial importância neste caso o respeito pelo direito internacional, tantas vezes violado para dar lugar a acções de ingerência directa ou indirecta procurando impor interesses estratégicos e económicos.”

E porque não tem manifestado de forma tão veemente o PCP a propósito da repressão e aos massacres no Darfur e à repressão da revolta popular na Birmânia? Será porque esses dois países estão na esfera dos “interesses estratégicos e económicos” de Pequim?

“É por tudo isto que não votamos o voto apresentado.”

Por tudo isso e porque o PCP ainda continua a acreditar que o modelo de sociedade que defende tem sempre que ter um “exemplo prático” algures. Antes era a Rússia estalinista, depois a de Gorbachov… Agora a China comunista. Se ela caísse, onde encontraria o seu modelo de “paraíso na Terra”?

Fonte:
PCP

Categories: Budismo, China, Política Internacional | Etiquetas: | 8 comentários

Sobre os “seguranças” chineses em Londres

(http://image.guardian.co.uk)

Nos recents distúrbios registados em Londres aquando da passagem da chama olímpica pela capital britânica foi imossível não deixar de reparar naqueles chineses vestidos de fatos de treino azuis, idênticos. Estes “seguranças”, com evidente treino militar e ferozmente preocupados em proteger a chama olímpica de qualquer manifestante a favor do fim da repressão e ocupação do Tibete e dos Direitos Humanos na China.

A sanha protectora destes militares de fato de treino era tamanha que nem mesmo quando a chama se aproximou do primeiro ministro britânico Gordon Brown se distanciaram algums centímetros, porventura com receio que ele também a tentasse roubar…

A questão não é contudo esta. É antes: Porque é que um país soberano – como o Reino Unido – deixa que agentes de “segurança” de um outro país exerçam “segurança” no Reino Unido? Não é essa a missão, competência e objectivo da polícia britânica? Ao deixar tão patente, gritante e chocante violação da soberania britânica (e decorrentemente, europeia) não cedem demasiado fácilmente às pressões chinesas e dão mostra de uma atitude servil e passiva de “senhoreamento” perante a força económica e demográfica do “Império Han” (vulgo China)?

Caramba se até deixam que elementos do exército popular faça segurança da chama olímpica no seu próprio território, como se pode esperar que apliquem pressão contra a China a favor do respeito desta pelos Direitos Humanos e contra a repressão, genocício e colonização do Tibete?

Fonte:

The Guardian

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: | Deixe um comentário

Prosseguem as mortes no Tibete: Desta feita por causa de um retrato do Dalai Lama encontrado num mosteiro


(Tibetanos mortos por forças militares chinesas no mosteiro de Kirti, em Sichuan, no Tibete Ocupado in http://www.freetibet.org)

Apesar de uma intensificação da repressão por parte de forças de polícia e de declarações públicas de que “a situação está controlada” e de um crescente número de forças militares no local, a revolta no Tibete prossegue. A 5 de Abril, o jornal Público noticiou mais manifestações em Sichuan, tendo sido disparados por parte das forças de ocupação chinesas vários tiros de “aviso”.

Nestes incidentes, as forças chinesas terão morto oito tibetanos. Segundo a “Free Tibet Campaign” estes incidentes terão ocorrido no mosteiro de Kirti, e estas trágicas mortes vão juntar-se aquelas que têm acontecido neste mosteiro e cujas fotos (muito chocantes) podem ser vistas AQUI. Estas imagens têm andado arredadas das agendas mediáticas, por causa do atávico receio de afrontamento ao gigante chinês (os mesmos media que não hesitam em mostrar imagens igualmente gráficas de massacres em África ou no Iraque) e representam apenas algumas das baixas provocadas pelos disparos por parte de um grupo de mil paramilitares chineses. Os manifestantes cometiam o grave crime (punível com a Pena de Morte, para o “Império Han”) de se manifestarem publicamente contra a prisão de um monge e de um empregado do mosteiro porque tinham sido encontradas no quarto do monge de 74 anos (de nome Cichen Danzeng) fotografias do Dalai Lama. Uma posse que no Tibete Ocupado é considerada “Crime Grave” e tem estado na causa de várias prisões nos últimos anos e que têm sido o maior propósito de buscas que as forças chinesas executam regularmente nos mosteiros tibetanos.

Como dissemos, na imediata causa destes protestos está a posse de fotografias do Dalai Lama no quarto de um monge de 74 anos. Quando as imagens foram encontradas, os paramilitares atiraram-nas para o chão. O monge protestou e considerou o acto como um insulto dessacralizante. Um empregado do mosteiro, Chiceng Pingcuo, que viu a cena, protestou igualmente e ambos foram detidos… Horas depois, todos os monges do mosteiro reuniram-se e foram até a um acampamento militar provisório (estabelecido porque estas forças paramilitares tinham vindo recentemente da China central) perto de um rio local para pedirem a libertação dos dois detidos. Pouco depois, os chineses estavam a disparar contra a multidão desarmada e dispersando assim pela força os manifestantes.

Ou seja… Tudo na mesma. E demonstrando que a realização das Olímpiadas na China, longe de “amassar” os ímpetos repressivos da China, pelo contrário parece ter ainda aumentado a sua sanha assassina e imperial, um assanhamento directamente motivado pela necessidade de demonstrar ao mundo que a revolta tibetana contra a ocupação e colonização chinesa está já controlada.


Fontes:
Público
Times

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: | 5 comentários

A censura na Internet e no Youtube na China quanto aos protestos no Tibete contra a ocupação e colonização chinesas


(Reportagem da BBC expondo a censura chinesa em acção e a acção repressiva em curso no Tibete)

A versão chinesa do Youtube, o qual é, não esqueçamos, parte da Google, a mesma empresa que tem feito cedências sucessivas à ditadura chinesa (ver AQUI) está a ser censurada pelo regime comunista chinês. A China está a encerrar vários sites de partilha de vídeos que contenham conteúdos que o governo chinês considerem ter aspecto “pornográfico”, “violento” ou… e agora é que chegámos ao cerne da questão, que “coloquem uma ameaça à segurança nacional” aka, à “segurança de se manter no poder por parte do partido comunista”. Esta declaração governamental aparece no mesmo momento em que desaparecem da versão chinesa do YouTube (Google) vários videos sobre as recentes manifestações no Tibete contra a ocupação e colonização chinesas e pouco depois do próprio site principal do YouTube ter sido barrado na China durante alguns dias em resposta a terem aqui aparecido alguns filmes sobre a repressão chinesa no Tibete. E é também estranho que se acedermos hoje ao Youtube e se escrevermos na caixa de busca “tibet repression” o que aparce é… Um video pró-ocupação, com linguagem verbal extremamente agressiva e dando eco às pretensões coloniais de Pequim… Acasos? Não satisfeito com estas manobras, o gerno comunista chinês aumentou a pressão censurante até uma tal escala que hoje, e utilizando o seu controlo apertado e permanente sobre todo o tráfego Internet que sai da China para o mundo, o governo chinês está mesmo a bloquear acessos a videos sobre as manifestações no Tibete em sites estrangeiros… O grau zero de censura em vigor, em suma…

Localmente, um dos sites mais castigados foi o site chinês de partilha de videos tudou.com (podem clicar, mas não tem versão em inglês…) que teve que retirar videos e pagar uma coima não especificada. Actualmente, e de acordo com leis que estão em vigôr desde Janeiro de 2008, qualquer site que acolha informação ou conteúdos que possam “danificar a reputação da China” ou “promover a instabilidade social” devem auto-delatar-se e enviar essa informação, assim como a informação de quem produziu esses conteúdos ao omnipresente e omnipotente “Ministério do Comércio e da Televisão”. Estas medidas de reforço e incremento da censura na Internet começaram ainda antes das recentes manifestações no Tibete e de facto enquadram-se na preparação do país para os Jogos Olímpicos que o regime encara como uma forma de legitimar aos olhos do mundo uma “nova China mais harmónica e próspera” numa evidente manobra política de marketing internacional e utilizando os Jogos como uma ferramenta para alcançar esses fins… Ou seja, muito antes de algum activista tibetano ter procurado “instrumentalizar” um Boicote (Justo!) aos Jogos de Pequim, já Pequim aumentava a pressão da sua repressão para que os Jos cumprissem melhor os seus objectivos de… Propaganda Política!

É claro que nada disto está a acontecer aos olhos do nosso Partido Comunista… Toda esta repressão, censura e mortes no Tibete (que já ascendem a mais de 140 mortos) não passam de torpes manobras do Dalai Lama para impedir a realização dos Jogos Olímpicos na China. Algo que fica muito mal aos pergaminhos de resistência ao fascismo por parte do PCP e que insulta pessoalmente todos aqueles que deram a vida e que sacrificaram o seu bem estar em prol da causa da Democracia em Portugal e contra o regime salazarista.

Fonte:
Bloomberg

Categories: China, Política Internacional | Etiquetas: | 13 comentários

Jerónimo de Sousa e a Revolta no Tibete: Contradições e Interrogações


(http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Dizem-me que existe tamanha anomalia como ser budista e comunista e eu pasmo. Pasmo porque ouvindo as declarações do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tal monstruosidade não parece possível. Como pode um militante do PCP, doutrinado e seguindo sempre fiel e fervorosamente a bitola compassada emanada a partir do Comité Central divergir do pensamento de grupo e acreditar que os presentes acontecimentos no Tibete não emanam directamente de ordens elaboradas, de um plano maquiavélico e calculista definido em Dharamsala, pelo governo tibetano no exílio?

Não que este tipo de declarações sejam uma novidade por parte do PCP ou dos seus dirigentes… Durante décadas os partidos comunistas mais ou menos estalinistas elegeram países “comunistas” como sociedades-modelo, e quando estes tombaram um após outro, depois do colapso da URSS, partidos mais ortodoxos como o “nosso” PCP ficaram reduzidos a admirar os dúbios modelos sociais das autocracias norte-coreanas e do imperialismo chinês. Agora, confrontados com uma revolta popular generalizada no Tibete contra a ocupação chinesa (Han) e contra uma colonização demográfica, cultural e religiosa galopante, nada mais resta aos dirigentes do PCP (e aos seus fiéis e acefalizados militantes) do que repetir o Dogma sagrado da defesa dos interesses do regime “comunista” chinês e alegar que a revolta dos tibetanos nada mais é do que uma tentativa de “comprometer” a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim.

Para o ortodoxo Jerónimo de Sousa, a revolta tibetana (mais uma entre centenas, raramente noticiadas, desde 1959) é uma “tentativa política de comprometer os Jogos”. Como “política” refere-se a que a revolta não brota dos sentimentos e frustações de um povo tornado em minoria étnica dentro do seu próprio país, mas como uma orquestração calculada “politicamente” para alcançar determinados fins que seriam os de abalar o prestígio internacional desse autêntico portento dos direitos humanos, da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, esse país que não auxilia economicamente nem militarmente nenhuma ditadura ou regime tirânico como o de Burma ou do Sudão, que é a… China.

O mais curioso é que Jerónimo de Sousa emitiu estas declarações precisamente na inauguração de uma exposição sobre a invasão americana do Iraque. Estupidamente, anulou com elas, qualquer efeito que a mesma pudesse ter, já que a absurdidade e acefalia das mesmas fez esquecer qualquer efeito da exposição. E expondo algumas das numerosas contradições comunistas, segundo as quais há “invasões boas” e “iinvasões más”. Ou seja, a invasão chinesa do Tibete foi “boa” (para o PCP) e a invasão americana do Iraque foi “má” (para o PCP), quando de facto, qualquer invasão é má, porque viola o Direito Internacional (que contraditoriamente o PCP também defende no Kosovo) e os direitos nacionais dos povos invadidos.

Jerónimo afirmou ainda que era preciso “não haver precipitação no julgamento dos factos”, não sem antes se ter precipitado a concluir que “se tratava de uma manobra política para prejudicar os Jogos”. Ou seja, para além de “invasões boas” e de “invasões más”, também há “precipitações boas” e “precipitações más”, no entender do Secretágio-Geral…

Não satisfeito, Jerónimo continuo o voo a pique nas suas declarações… Falou de “notícias contraditórias” aludindo provavelmente aquelas oriundas dos media estatais e censurados chineses (entre os quais os “jornais tibetanos” e as “televisões tibetanas” da RTP e da SIC que de facto não passam de instrumentos do ocupante chinês no Tibete) e referindo ainda o hipotético “respeito pelo Direito Internacional”, comparando o incomparável, ou seja a declaração de indepêndencia do narco-estado kosovariano com um Estado que era independente quando a China o invadiu em 1959. Aqui, de novo, há o “respeito bom” e o “respeito mau” ao Direito Internacional, aparentemente…

E prosseguindo a estratégia de voo picado a-la-Stuka, Jerónimo concluiu declarando que o “Dalai Lama já não defende os protestos”, como se alguma vez SS o Dalai Lama, tivesse defendido protestos violentos nalgum lado ou Tibete, em particular e como se… Jerónimo de Sousa fosse agora o porta-voz do governo tibetano no exílio.

Fonte:
Público

Categories: Budismo, China, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , | 6 comentários

Mortos, feridos e violência em Lhasa, a capital tibetana sob ocupação chinesa

Testemunhas no local relatam que vários locais da capital tibetana, Lhasa, estão em chamas. Existem também relatos não confirmados que dão o templo Jokhang, um dos locais mais sagrados para o budismo tibetano como estando em chamas. Tiroteios nas ruas, militares e polícias do ocupante chinês a disparar sobre manifestantes e monges nas ruas da capital, mas também mosteiros nas zonas rurais e em pequenas cidades desse país da Ásia Central ocupado militarmente pela China desde 1949.


A própria agência noticiosa chinesa Xinhua (severamente censurada, como todos os media na China) admite que a violência alastra pelas ruas de Lhasa e que existem vários feridos hospitalizados e pelo menos cem mortos pela polícia na capital, um número que seria ainda maior, segundo outras fontes. De facto, os confrontos na cidade decorrem já há três dias e a capital tibetana foi cercada por milhares de polícias e militares chineses na tentativa de conter esta contestação e de reduzir o número de notícias sobre a mesma nas vésperas da realização dos Jogos Olímpicos.


A polícia e os militares chineses estão a fazer revistas a mosteiros, a deter monjes indiscriminadamente, emulando idênticas atitudes dos seus aliados da ditadura birmanesa de à meses atrás e, como eles, a usar munições reais e gás lacrimogénio contra manifestantes pacíficos e a provocar entre estes mortos e feridos. Esta onde de protestos aparenta ser espontânea e escalou hoje depois de vários mosteiros terem sido encerrados e cercados pela polícia chinesa e militares. Recordemo-nos de que a China mantêm desde à longos anos uma política de colonização massiva com a chegada de colonos do interior da China ao Tibete e que essa política, para além de uma política de esterilização, repressão política e cultural tem conseguido tornar os tibetanos uma minoria étnica no seu próprio país…

Assine ESTA petição, já com mais 1646 assinaturas, para que os nossos dormentes deputados exprimam na Assembleia a sua posição contra estas violências, assassinatos e esta continuada prepotência e arrogância por parte do invasor chinês!
E…

Bombardeie a caixa de correio da repressora China com mensagens reclamando contra esta continuada opressão e contra a violência e os assassinatos registados nos últimos dias:


chinaemb_pt@mfa.gov.cn

Fontes principais:
http://www.voanews.com/english/2008-03-14-voa7.cfm
http://www.studentsforafreetibet.org/article.php?id=1268

Categories: Budismo, China, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional | Etiquetas: , | 9 comentários

MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE

No próximo dia 10 de Março, aniversário da revolta do povo tibetano, em 1959, contra a ocupação e repressão chinesa, serão realizadas marchas pacíficas e acções de protesto em todo o mundo, exigindo o respeito pelos direitos humanos no Tibete, o reconhecimento do direito do povo tibetano à autonomia, a libertação dos presos políticos por parte da China, país que procede a um genocídio étnico e cultural no Tibete e que viola brutalmente os mais elementares direitos de homens e animais.
Estas acções acontecem também no dia em que começará a marcha pacífica de regresso de muitos tibetanos ao Tibete, a partir de Dharamsala, na Índia, inspirada na Marcha do Sal promovida por Gandhi. Estas acções não são contra o povo chinês, mas apenas contra a política do actual governo chinês, que oprime o seu próprio povo e não está à altura da sua grande tradição cultural, onde avultam os valores da milenar sabedoria confucionista, taoista e budista.
Cabe aos portugueses, com uma tradição de humanismo universalista, que tanto se mobilizaram por Timor e que recentemente tão bem receberam Sua Santidade o Dalai Lama, não permanecerem indiferentes a esta nem a nenhuma forma de opressão existente no mundo.
Vimos por isso convidar todos a aderirem à MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE que se realizará no dia 10 DE MARÇO, 2ª feira,:
Em Lisboa: com concentração no Rossio junto à estátua, pelas 18.30, de onde seguirá para o Largo de Camões e de seguida para o Cais do Sodré.
No Porto: concentração nos Leões pelas 18h30, seguindo pela Avenida dos Aliados, Santa Catarina até à Praça da Batalha.
Em Aveiro: Conferência de Imprensa da União Budista Portuguesa (Delegação de Aveiro) e da Amnistia Internacional, pelas 18.30, no Hotel Imperial, sobre a situação de violação dos Direitos Humanos no Tibete.
No Funchal: concentração no Parque de Santa Catarina, pelas 18h30.
Convidamos também todas as associações cívicas e humanitárias a aderirem a esta manifestação.
CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA ! DIVULGUE ESTA INICIATIVA !
Não permaneça cúmplice, pela indiferença e pela abstenção, desta e de outras injustiças que há no mundo
Encontra-se disponível em
Petição a favor da aprovação pela Assembleia da República de uma moção que condene a violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.
ORGANIZAÇÃO:
União Budista Portuguesa Tel: 21 363 43 63 (www.uniaobudista.pt)
Songtsen – Casa da Cultura do Tibete Tel: 21 390 40 22 (www.casadaculturadotibete.org)

CONTACTO (Media):
Tm: 91 811 30 21
APOIO:
Amnistia Internacional
Associação Agostinho da Silva


Songtsen – Casa da Cultura do Tibete
Avenida Infante Santo, Nº366, RC Esqº
1350-182 Lisboa
www.casadaculturadotibete.org
Info@casadaculturadotibete.org

Projecto Siddhartha- Apoio à população dos Himalayas
projectosiddhartha@casadaculturadotibete.org

Categories: Budismo, China, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: , | 18 comentários

Site no WordPress.com.

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

Moradores do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Moradores do Areeiro

AMAA

Associação de Moradores e Amigos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

O Vigia

O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)