Posts Tagged With: Susan Boyle

Susan Boyle: O Hoax do “Britain’s Got Talent”?

Um dos maiores fenómenos da atualidade, pelo menos na Internet e na televisão é a revelação de uma cantora lírica escocesa de nome “Susan Boyle”. Os seus vídeos no Youtube contam-se já entre os mais vistos de sempre:

Contando, todos,  já mais de 130 milhões de Views!

Tamanho estrondoso por parte de alguém com tão improvável aspecto causa surpresa e… faz suspeitar que esta história tenha mais “cabelo” do que parece à primeira vista. E uma rápida investigação pela Internet reforça essa convicção. Mas antes, eis uma pequena introdução a este “hoax” (Mito): Susan Boyle teria sido revelada num dos mais populares programas de televisão britânicos, de nome “Britain’s Got Talent“. Em 2007, o programa já tinha alcançado um sucesso extraordinário na Internet através da performance de Paul Potts, outro improvável vencedor, como Susan Boyle… Esta alegada virgem de 47 anos terá conquistado o júri e audiência do concurso através do indiscutivelmente extraordinário desempenho que se pode avaliar no parágrafo anterior. Tudo parecia normal, até que o jornal NY Times publicou um artigo onde apresentava suspeitas de que Susan Boyle não passasse de uma criação de Simon Cowell , o antigo produtor das Spice Girls, que efetivamente parece ter um forte móbil financeiro nesta história, estando agora a assinar um contrato de exclusividade com Cowell.

A escocesa conquistou o juri e audiência em estúdio logo que começou a cantar o tema “I Dreamed a Dream“, extraído do conhecido musical Les Miserables. O seu desempenho foi comentado pelos juízes do programa como sendo “extraordinário” (Simon Cowell) e como “estarrecedor” (Piers Morgan), acrescentando ainda ser Susan Boyle “a maior surpresa dos últimos três anos”.

Na entrevista realizada frente aos jurados do programa, Susan Boyle terá confessado “nunca ter sido beijada”. E de facto, esta escocesa, viveu com a mãe até esta falecer em 2007 e com um gato de nome Pebbles.

Indícios que “o sucesso de Susan Boyle no Britain’s Got Talent” é um mito:

0. Antes do mais, temos que referir que “Britain’s Got Talent” não é um documentário, factual, imparcial e desinteressado. É um programa de entretenimento, gravado em diferido, cuidadosamente coreografado e realizado de uma forma muito profissional. Espontaneidade, surpresas, inesperados, são palavras que não são compatíveis com o quadro anteriormente traçado.

1. Seguindo quase fielmente a mesma matriz de sucesso de Paul Potts, o que é de per si desde logo suspeito… Ambos visualmente discretos, com peso a mais, ocupados em profissões cinzentas (Paul) ou desempregados (Susan Boyle), tendo em conta o sucesso comercial que Paul Potts representou para o programa, em 2007, nada mais natural que a produção do programa procurasse reeditar o sucesso de 2007 em 2009. Esta tentativa (bem sucedida) de reedição do fenómeno Potts torna-se evidente, logo na expressão de um dos juízes do desempenho que Boyle, Piers Morgan que comentando-a refere ser a cantora “a maior surpresa dos últimos três anos”. Ora 2009 – 3 = 2007… O ano em que Paulo Potts foi revelado. Porque tinha Morgan esta data em tão clara memória? Não ouvir mais nenhuma revelação durante estes três anos?

2. Quando Susan Boyle sobe ao palco, com sapatos rasos e o seu vestido domingueiro, a populaça acolhe-a com um riso sarcástico. A mesma atitude é exteriorizada pelo juiz Simon Cowell. Quando confessa que deseja vir a ser uma cantora lírica, o ruído aumenta de intensidade. No total o ambiente é de autêntico linchamento e produz na audiência televisiva um imediato sentimento de empatia e identificação com a vítima de tal tratamento de polé, que a orienta cuidadosamente para uma posição em que fica receptiva ao desempenho de Susan Boyle. De facto, tudo se assemelha a um circo romano, com a populaça clamando pelo sacrifício dos cristãos aos leões e com o “imperador” Powell pronto a apontar o dedo para o solo (historicamente, de facto, a palma da mão). Trata-se de uma evidente coreografia objetivando a dilatação do desempenho de Boyle.

3. Outra alusão a um mito cristão é utilizada pelos produtores do programa quando recorrem à exaltação do poder absoluto de Powell contra a insignificância indumentária e visual de Boyle. O Grande (Golias) enfrenta o Pequeno (David) e a vitória bíblica final deste produz o reforço do fenómeno de identificação forjado no parágrafo anterior, pelo acolhimento arrogante da plateia e do próprio júri.

4. Sejamos, contudo, bem claros: Susan Boyle enquanto cantora lírica não é um hoax. Não é um mito ou uma simples construção artificiosa à laia dos Milli Vanilli mas uma excelente cantora, com um reconhecimento merecido. Mas o seu comportamento em palco parece demasiado adequado para potenciar a imagem de “cordeiro no circo” para ser realmente espontâneo e sincero. Como acreditar que Cowell desconhecia em absoluto o seu talento antes de a ver no palco? Não fazem despistagem e audições antes dos concorrentes cantarem pela primeira vez? Porque é que Boyle escolheu precisamente um tema tão adequado ao tipo de personagem (real ou não) que assumiu em palco “sonhei um sonho”, cantado na ópera por um desempregado, como Susan Boyle, uma “ocupação” que aparece em rodapé enquanto ela canta? Não parece sobre-coreografado?

5. Uma das regras para a admissão de um concorrente ao Britain’s Got Talent é nunca ter gravado um disco comercial. Ora o jornal escocês “Daily Record” descobriu que Susan Boyle tinha gravado um tema num CD na década de 90 intitulado “Cry Me a River”. Ainda que tivesse sido um CD para uma organização de caridade e tivessem sido apenas produzidas mil cópias, estas foram vendidas, pelo que – tecnicamente – foi mesmo uma gravação comercial. Anos antes, Susan Boyle era captada por uma câmara, num concurso em 1984: http://www.youtube.com/watch?v=uxES80FbRmM, outra indicação que ela não começou a cantar, propriamente na véspera desta audição no Britain’s Got Talent.

6. O aspecto descuidado de Susan Boyle não seria… demasiado descuidado? Os maquilhadores nos bastidores não a teriam preparado antes de aparecer em palco, se tivessem mesmo recebido instruções para o fazer??? E se assim foi, então a sua apresentação “descuidada” em palco, não seria antes pelo contrário, muito cuidada e objetivando a criação de um efeito muito preciso junto da audiência televisiva?

Motivações para este embuste/hoax:
1. Audiências, Audiências, Audiências…
2. Dinheiro (de facto, a primeira motivação): O grande ator nesta orquestração foi o júri Simon Cowell, precisamente gestor da BMG britânica e que negociou com ela um contrato de gravação de um album e de um filme…

Fontes:
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,susan-boyle-e-criacao-de-produtor-das-spice-girls–diz-jornal,358165,0.htm
http://www.nypost.com/seven/04182009/postopinion/opedcolumnists/fairytale_ending_165066.htm http://en.wikipedia.org/wiki/Britain’s_Got_Talent

http://www.cnn.com/2009/SHOWBIZ/TV/04/15/talent.show/index.html

Categories: Hoaxes e Mitos Urbanos, Sociedade | Etiquetas: | 7 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade