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Ainda sobre a Crise Imobiliária nos EUA e a descida das Taxas de Juro

(http://blog.estadao.com.br)

O Sector Imobiliário dos EUA tem os seus níveis de vendas actuais nos valores mais baixos dos últimos doze anos, com valores inferiores a 22% dos registados desde Dezembro de 2007. A situação é aliás ainda mais grave, do que a anterior crise imobiliária dos anos 80, já que os preços actuais conseguem ser – em média – inferiores em 8% aos da recessão de começos da década de 90. Tudo isto, e sobretudo porque durante anos o essencial do crescimento económico dos EUA assentou (como Espanha) no crescimento especulativo e insustentado do sector imobiliário assentava precisamente aqui. Isto implica que os EUA estejam já em recessão, ou até mesmo num problema mais grave e estrutural do que uma mera e cíclica recessão. Se assim fôr, em lugar de um abrandamento económico durante um ou dois anos, seguido de uma expansão, poderemos ter nos EUA vários anos de estagnação e desemprego, resultantes da aposta de décadas numa economia especulativa, que não promove o crescimento económico sustentado nem o desenvolvimento das economias locais, mas apenas o reforço dos lucros dos grandes especuladores bolsistas e do sector financeiros, para além das grandes multinacionais.

O corte radical das taxas de juro realizado pela FED pode ter ajudado no curto prazo o mercado bolsista, mas se tal ajudou ou não a economia real é algo totalmente diferente. Não vai ajudar quem perde a casa ou está soterrado em dividas de consumo. O programa de estímulo fiscal que dará até cerca de 800 dólares a cada família americana de devoluções fiscais, mas devolver oitocentos dólares a cada família americana, de forma cega, a todos, e não concentrar este esforço naqueles que mais precisam ou porque estão no Desemprego ou porque perderam a sua casa ou estão em vias de a perder, é uma medida cega e que pouco mais fará do aumentar o já suicida ritmo consumista americano que tanto tem feito pelos défices comerciais sucessivos.

Desde Dezembro que o valor real das habitações nos EUA desceu 10%, e a perda total equivale hoje a mais de 3 triliões de dólares. A este valor deve somar-se o declínio dos mercados financeiros que deverá ascender a qualquer coisa como 4 triliões de dólares. A este volume monstruoso de 7 triliões de dólares de perda desde Agosto de 2007, a Administração Bush responde com um pacote de incentivos fiscais cego de 180 milhões de dólares… E que de qualquer modo, vai ainda demorar mais quatro meses a chegar aos cidadãos (seis meses desde que foi anunciado), o tempo que o IRS americano leva a processar e a enviar pelo correio os cheques de devoluções… Muitos dos quais aliás serão enviados para moradas onde já ninguém mora, precisamente aqueles que deles mais precisariam e que acabaram de perder as suas casas por incapacidade de honrarem as suas dívidas.

Ou seja, enquanto que a Administração opta por concentrar esforços a tentar conter as perdas do sector financeiro ao tornar o dinheiro praticamente gratuito para os Bancos e concede uma devolução fiscal tardia, limitada e cega. Mas o que causa mais estranheza na contudo desta Administração e da direcção de um FED manifestamente desorientado após a saída de Greenspan é que a FED ainda que tivesse agido em concertação com os outros grandes bancos centrais da União Europeia, do Japão e do Reino Unido, agora parece em pânico e declarou a recente e radical descida da taxa de juro sozinho e em completa descoordenação com estes bancos. Nenhum outro banco central parece tão despudoradamente do lado do sector financeiro e especulativo, e por todo o lado, crescem as preocupações com a inflação que está a regressar e cujos ímpetos na Europa podem ameaçar a sua estabilidade e desenvolvimento e que estão a impedir – justamente – o Banco Central europeu de imitar o FED e descer a taxa de juro, como tantos pedem, nomeadamente a Esquerda portuguesa mais radical. É que descer a taxa de juro, para que os Bancos pudessem emprestar mais ao público só iria aumentar uma taxa de endividamento das famílias já demasiado elevada, padrões de consumo e de importações excessivos. Aumentar o consumo seria uma forma estranha e absurda de resolver um problema que nos EUA e na Europa começou precisamente por um consumo massivo não sustentado que dura já há mais de 20 anos…

Fonte:
Podcast de Doug Henwood, Behind the News

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Categories: Economia, Política Internacional, Sociedade | Etiquetas: | Deixe um comentário

“O director-geral do Consumidor, José Ribeiro, desvalorizou ontem o estudo que aponta para a existência de cerca de 100 mil famílias em grande dificuldade financeira”

(http://www.seattleu.edu)

“O director-geral do Consumidor, José Ribeiro, desvalorizou ontem o estudo que aponta para a existência de cerca de 100 mil famílias em grande dificuldade financeira. A divulgação da estimativa, feita pelo Diário Económico, provocou embaraço no Governo”

(…)

“José Ribeiro salientou ainda que “a taxa de esforço das famílias não está em níveis preocupantes comparada com outros países. O director-geral defendeu que os bancos também são “responsáveis pelo endividamento das famílias” e de serem pouco sensíveis “à iliteracia financeira”.

(…)

“os portugueses continuam a recorrer cada vez mais ao crédito, apesar da deterioração económica e da incerteza, porque querem manter o seu padrão de consumo, mas a situação não se pode prolongar por muito tempo, avisa o responsável do Gabinete de Endividamento.”

Público, 26 de Março de 2008

Deve estar escrito, algures no “manual do governante” que perante uma má notícia o governante envolvido deve sempre recusar a existência do problema. Essa foi a atitude seguida ainda recentemente pela Ministra da Educação a propósito do famoso caso do “telemóvel da Carolina Michaelis” e agora, desta feita, pelo director-geral do Consumidor, José Ribeiro, ao negar o sobrendividamento de muitas (100 mil!) famílias portuguesas! Apesar do discurso “diminuidor”, repare-se como não negou, nem contestou o número de 100 mil famílias em iminente incapacidade de cumprir com as suas obrigações financeiras, mas esgrimou com estatísticas globais que dão Portugal como “não sendo o mais endividado” da Europa. Mas e daí? Ainda que sejam verdadeiras, Portugal é também dos países europeus onde o rendimento médio é mais baixo, logo o seu nível de endividamento não pode ser comparado em bruto com o de uma Alemanha ou de uma Dinamarca. E, existe aqui algo muito importante, a que o director-geral não respondeu: 100 mil famílias implicam pelo menos 100 mil crianças, e perto de 400 mil portugueses! O número torna-se astronómico e dá uma boa medida da dimensão do problema social que este sobrendividamento poderá criar a muito curto prazo…

Mas num ponto, José Ribeiro tem razão. Este nível de endividamento resulta em primeiro grau da Banca que numa gestão de muito curto prazo, não acautelou a solvência dos seus clientes e procurou todos os meios – uns mais agressivos, outros menos – comercializar toda uma série de produtos financeiros. Os lucros podem ter aumentado no curto prazo, mas imaginemos que esta multiplicação dos empréstimos de habitação (antes de 2006) e dos empréstimos de consumo (a partir de 2007) começa a corresponder a uma multiplicação de insolventes e de famílias em falência financeira? Teremos em Portugal, então, uma reedição da crise americana do Subprime… Só que a Banca lusa não tem em caixa os mesmos valores que detinham os grandes bancos americanos, já que até para a concessão de empréstimos locais dependiam de empréstimos inter-bancários contraídos no exterior.

Urge impôr um regramento no sector financeiro: a corda está já demasiada esticada para continuarmos a assistir impávidos e serenos à multiplicação de empresas de empréstimos de consumo, cada vez mais agressivas. E a Banca tem que começar a criar provisões para sustentar o estouro deste massa crescente de insolventes. É que depois de décadas de lucros crescentes e fabulosos, agora, mercê da irracionalidade dos mesmos e dos erros de gestão (excessivamente focada no Curto Prazo) da Banca o encaixa, a correcção em baixa terá que ser feita. E não é ético que esta seja feita à custa do Estado e dos nossos impostos, sobretudo depois de tantos anos de lucros sucessivos que a Banca gostou de exibir despudoradamente em anos de estagnação e recessão… E espero que não consigam convencer o Banco Central Europeu a baixar a Taxa de Juro! Isso permitiria manter o forró, mas iria transferir para o consumidor (pela via da inflação) a absorção de parte significativa dos erros de gestão do sector, e isso não seria justo nem economicamente razoável.

Categories: Economia, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | Etiquetas: | 12 comentários

A Bolha Imobiliária nos EUA… O estouro, a baixa de taxa de juros e a mudança de paradigma


(http://homepage.mac.com/juanwilson)

“Com a crise grave que lhe ronda a porta, a América respondeu com estímulos à economia. Primeiro, estímulos monetários: a Fed reduziu os juros para 3%, com a inflação em 2,8%, o que significa taxas reais praticamente nulas. Depois, estímulos fiscais: Bush vai propor ao Congresso uma devolução significativa de impostos, para aumentar o consumo. O risco é enorme: um descontrolo da inflação poderá transformar esta crise numa crise ainda maior. Questão de fundo: deveria a Europa fazer o mesmo?”
(…)
“Resposta de um optimista: aparentemente, não, porque a Europa não tem os problemas que tem a América. Não tem a bolha imobiliária, não tem a moeda fraca. e, sobretudo, não tem aquele défice monstro das transacções correntes americanas.”
(…)
“Europa rondava os 3,2%, claramente acima do objectivo fixado pelas autoridades monetárias, segundo as quais não devemos exceder os 2%.”

Daniel Amaral
Expresso, 16 de Fevereiro de 2008

Esta redução dos juros de curto prazo promovido pela nova Fed não vai resolver nada a médio prazo. A curto teve efeitos nos mercados, é certo, mas não afectou em absolutamente o problema sério que afecta milhões de americanos que ao contrário dos especuladores financeiros não vivem num qualquer mundo virtual, mas num mundo bem real, e numa economia cuja realidade lhe é agora dolorosamente patente. Estas reduções da taxa de juro de curto prazo servem apenas para que os grandes bancos e especuladores obtenham dinheiro gratuito e tornem a tentar reinjectar no mercado, tentado transformá-lo em novas dividas de consumo. Se a resposta do FED ao estouro da bolha da Internet em 2000, foi baixa a taxa de juro e se a consequência financeira foi levar a que as empresas financeiras (a Banca americana, sobretudo) tudo fizessem para que os americanos contraíssem novas dívidas, já não na Bolsa em investimentos em empresas de Internet, mas desta feita, comprando as suas casas… Agora, para onde vão tentar levar os bancos esse dinheiro que estão a obter de graça? Para que nova Bolha querem empurrar os EUA, e com eles, o resto do mundo?

Será que ainda não perceberam que não é possível andar eternamente neste ciclo bolha-estouro-baixa de taxas? O verdadeiro problema não estará antes num sistema económico e social que favorece o Consumo desbragado e insustentado e na falta de uma mudança deste paradigma de consumo e vida para um outro que favoreça mais a realização pessoal e a criatividade em lugar da pura e cega compra e acumulação-exibição de bens e propriedades?

Categories: Economia | Etiquetas: | 16 comentários

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