Posts Tagged With: Rafale

O primeiro Rafale F3 dispara com sucesso mísseis Meteor

Em outubro de 2012, foi entregue o primeiro Rafale de produção equipado com o primeiro radar AESA RBE2 e foi lançado pelo aparelho francês o primeiro míssil Ar-Ar Meteor. O aparelho é o Rafale B301 e no começo de outubro realizou dois lançamentos do Meteor.

Em finais de 2010, o governo francês encomendou duas centenas de Meteor, pouco depois um contrato de integração do míssil no Rafale era assinado, permitindo assim que o aparelho seja agora capaz de atingir alvos a muito longas distâncias. O míssil, fabricado pela MBDA, tem uma propulsão ramjet e juntamente com o MICA (de curtas distâncias) serão os dentes do Rafale F3, cujo primeiro modelo de produção foi entregue nos começos do mês de outubro. O Rafale consolida-se assim como um aparelho de combate cada vez mais capaz e com provas de fogo real já amplamente prestadas no cenário afegão e líbio.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/aesa-radar-meteor-missile-firings-advance-rafale-fighter-45152/

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | Deixe um comentário

Líbia: mais uma exportação para o Dassault Rafale?…

Dassault Rafale (http://www.defencetalk.com)

Dassault Rafale (http://www.defencetalk.com)

A Líbia é um dos países mais ricos de África e – simultaneamente – um dos mais mal armados do continente… Nem sempre foi assim, mas décadas de bloqueio e a recente guerra civil destruíram ou tornaram inoperacional a maior parte do equipamento das forças armadas líbias.

Ainda sob Kadafi, em 2007 assinou-se um contrato com França que ascendia a mais de 4.5 mil milhões de euros que previa a venda de caças Rafale, que (como tem sido hábito com os Rafale…) não se viria a concretizar. Depois de 2007 houve algumas noticias sobre contratos de manutenção com a Rússia.

Pouco antes da guerra civil, a força aérea Líbia contava com alguns F1 recuperados e (possivelmente) cerca de 30 MiG-23. Todos os MiG-21 estavam já inoperantes…

Este cenário abre boas perspetivas aquela que poderá ser a segunda exportação do Dassault Rafale… A presença determinante deste modelo nas operações de suporte aéreo da NATO na guerra civil, a existência de aparelhos franceses (o Mirage F1) e até a decisão de Kadafi em 2007, tudo joga a favor do aparelho francês… Vai uma aposta?…

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/the-french-connection-libya-seeking-arms-deals-04417

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , | Deixe um comentário

A HAL indiana prepara-se para construir aviões Rafale

A empresa aeronáutica estatal indiana  Hindustan Aeronautics Limited (HAL) está a preparar-se para fabricar o Dassault Rafale que ganhou o concurso de 126 aparelhos para a força aérea indiana.

A HAL vai construir num terreno em Bangalore uma nova fábrica para construir os componentes e integrar os mesmos com outros vindos de França para montar localmente os Rafale indianos.

Os primeiros 18 Rafale virão já prontos de França até 3 anos depois da data de assinatura formal do contrato. No entretanto, a HAL deverá ter a linha de fabricação e montagem pronta e todo o know-how francês devidamente transferido.

Além destes primeiros 18 Rafale, 108 aviões serão montados a partir de kits enviados de França. Posteriormente, a HAL começará a fabricar fuselagens e outras partes. No total, o Rafale indiano deverá representar para a HAL uma compensação financeira de quase 5 mil milhões de dólares, o que é notável uma vez que representa metade do custo total do programa. Supõe-se que os 5 mil milhões remanescentes serão pagos à Dassault e à Snecma (fabricante dos motores).

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/HAL_prepares_to_manufacture_Rafale_combat_jet_in_India_999.html

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , | Deixe um comentário

Afinal, a venda de 60 Dassault Rafale para os Emiratos Árabes Unidos não está tão segura como isso…

Até ao momento – e com o adiamento do F-X2 brasileiro – a encomenda externa do Rafale mais provável era a dos Emiratos Árabes Unidos. Os franceses tinham como certa – até às umas semanas atrás – a venda de 60 Rafale. Mas em 16 de novembro soube-se que os Emiratos pensavam que o preço proposto pela Dassault “pouco competitivo e impossível de corrigir”.

Os termos financeiros do acordo estão a ser debatidos desde 2008, mas tornou-se claro que os árabes estavam a perder a paciência quando pediram ao eterno rival do Rafale, o Eurofighter Typhoon, uma proposta concorrente.

Será que apesar de toda a influencia política e diplomática jogada dos EAU pela França a Dassault vai acabar por perder a sua primeira exportação do Rafale? Pelas palavras do príncipe regente, não: “A Dassault parece incapaz de perceber que toda a pressão política e diplomática do mundo não pode vencer termos comerciais pouco competitivos e impossíveis de trabalhar”. Outras fontes locais referiram que a Dassault estava a tratar de toda esta questão com “arrogância”… se depois disto, a França não perder esta primeira exportação do Rafale, então é porque os porcos voam e as galinhas têm dentes.

Fonte:
http://www.aviationweek.com/aw/generic/story_channel.jsp?channel=defense&id=news/awx/2011/11/16/awx_11_16_2011_p0-395135.xml

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: | Deixe um comentário

O Rafale e o Typhoon são os finalistas do concurso indiano M-MRCA

Eurofighter Typhoon (http://www.defencetalk.com)

Eurofighter Typhoon (http://www.defencetalk.com)

O Ministro da Defesa indiano convidou os dois finalistas do concurso indiano: o Eurofighter e o Rafale para a 4 de novembro apresentarem formalmente as suas propostas comerciais por forma a que o seu governo tome a decisão final de compra.

O vencedor será quem oferecer um preço mais baixo e receberá a encomenda de 126 “Multi-role Combat Aircraft” (M-MRCA) .

Recentemente, em Abril, a Lockheed Martin, a Boeing, a MiG e a Saab tinham sido excluídas do concurso por serem incapazes de cumprirem os requisitos técnicos indianos. Os dois sobreviventes europeus, têm agora a hipótese de vencer aquele que é nos círculos de Defesa chamado de “A Mãe de Todos os Contratos”. Ou seja, um contrato que seria muito interessante para assegurar umas centenas de postos de trabalho nas fábricas da EADS no Reino Unido, Alemanha e Itália. E crucial para assegurar a sobrevivência a prazo do Rafale, avião que ainda não conseguir assegurar um único cliente internacional.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/combat-aircraft-deal-eurofighter-dassault-rafale-shortlisted-37883/#ixzz1brxeQYGB

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | 4 comentários

A Índia coloca o Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale na lista de finalistas do seu concurso “Medium Multi-Role Combat Aircraft”

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Aproxima-se (finalmente) o desfecho com concurso indiano “Medium Multi-Role Combat Aircraft” (MMRCA) no valor de 12 mil milhões de dólares por 126 aparelhos: em setembro, o governo vai começar a seleção final no começo de setembro. Nos finalistas ficaram o Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale, uma seleção que resultou das transferências de know-how e de participação industrial.

Depois da escolha entre o Typhoon e o Rafale, a Índia tomará a decisão se aumenta a encomenda de 126 para 189 (uma opção contratual que poderá ser antecipada) com o subsequente aumento para 20 mil milhões.

Fonte:
http://www.aviationweek.com/aw/generic/story_channel.jsp?channel=defense&id=news/awst/2011/08/08/AW_08_08_2011_p37-355148.xml

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | 7 comentários

MMRCA: O “F-X2” indiano tem agora dois novos finalistas: Rafale e Typhoon

MiG-35: menos um no MMRC indiano (http://defense-update.com)

MiG-35: menos um no MMRC indiano (http://defense-update.com)

A Índia anunciou finalmente os finalistas do seu já longo (ainda que não tão longo como o F-X2 brasileiro…) programa “Medium Multirole Combat Aircraft” (MMRCA): o  Eurofighter Typhoon e o Dassault Rafale. O Saab Gripen foi excluído, assim como terão sido também afastados o Boeing F/A-18E/F, o Lockheed Martin F-16 e até o MiG-35 (que muitos acreditavam ser um dos favoritos a ganhar o MMRCA).

Nesta seleção além da surpreendente rejeição do avião russo (uma derrota que colocará a MiG em grandes dificuldades financeiras) surpreende igualmente o afastamento dos dois aviões norte-americanos, dada a imensa pressão diplomática e económica que os norte-americanos derramaram na Índia nos últimos anos.

A decisão final entre o Typhoon e o Rafale dependerá agora das contrapartidas comerciais e industriais e deverá ser conhecida nos próximos meses. O programa prevê a aquisição de 126 aparelhos, mas este número deverá depois ser dilatado, tornando-o no programa mundial mais importante tendo em conta as verbas envolvidas e a quantidade de aviões que estão em equação.

Fonte:
http://www.aviationweek.com/aw/generic/story_generic.jsp?channel=aerospacedaily&id=news/asd/2011/04/28/02.xml

Categories: DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , , | 17 comentários

O Rafale já não é o favorito no programa brasileiro F-X2…

As lutas entre a opção Rafale (favorecida pelo poder político) e a Gripen (preferida pela força aérea brasileira) parecem ter esmorecido com a estagnação de toda a evolução do programa F-X2 que se registou após a chegada de Dilma Rousseff a Brasília.

Com efeito, o programa de mais de 6 mil milhões de dólares está parado desde que Lula da Silva adiou esta decisão até depois da tomada de posse de Dilma. Dilma prolongou o processo de seleção durante mais alguns meses e é provável que o programa F-X2 seja reponderado por forma a ser compatível com a redução de despesa que o governo brasileiro colocou como prioritária por forma a travar as tendências inflacionistas que se registam hoje na economia do Brasil. O ministério da Defesa, por exemplo, terá que cortar 26% do seu orçamento mas não é  ainda claro se este corte vai ter ou não impacto no F-X2.

Em fevereiro, surgiram notícias de que Dilma teria confidenciado ao Secretário do Tesouro dos EUA que preferia o Super Hornet da Boeing sobre o Rafale (que parecia ser o favorito de Lula da Silva) uma inclinação que concorda com a do CEO da influente Embraer que admitiu o mesmo tipo de inclinação, segundo se veio a saber através do Wikileaks. Isto coloca o Rafale em muitos maus lençóis já que a Força Aérea prefere o Gripen NG e Lula da Silva (que preferia o Rafale e uma aliança global de Defesa com França) já não está em Brasília…

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2011/04/04/355044/waiting-continues-for-brazils-f-x2-contract-decision.html

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 23 comentários

Emiratos e Koweit: Dois possíveis clientes do Rafale?

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Com a suspensão da decisão brasileira no concurso F-X2 onde o caça Dassault Rafale é favorito, os franceses estão a aumentar os seus esforços para conseguirem a primeira encomenda externa do seu avião. Com a decisão brasileira em suspenso, a Dassault está empenhada em garantir encomendas nos Emiratos Árabes Unidos e no Kuwait que possam permitir que a linha de produção do seu caça não seja encerrada. Os Emiratos têm sido um operador tradicional de aviões franceses e poderão agora comprar até 60 Rafale. Já o Kuwait poderá ser um cliente mais difícil, uma vez que desde a Primeira Guerra do Golfo que compra apenas material dos EUA… De qualquer modo, compraria também menos aparelhos, menos de 20, possivelmente. Recentemente, no Kuwait, aviões Rafale passaram uma bateria de testes, mas a compra (no valor de 4 biliões de euros) está longe de ser garantida, havendo a ferrenha competição do Gripen e do F/A-18. Os mesmos concorrentes desafiam o Rafale nos Emiratos…

Se estes dois clientes não se materializarem (como sucedeu no passado com Marrocos e Singapura) o Estado francês poderá ser obrigado a comprar mais aparelhos se quiser manter a linha de produção aberta… repetindo aliás algo que já decidiu recentemente ao comprar mais 11 aparelhos apenas para esse fim e dando assim sinais claros do desespero francês quanto à – ainda – crónica incapacidade em exportar este excelente, mas dispendioso, caça.

Fonte:

http://www.spacewar.com/reports/France_desperate_for_Rafale_sales_in_gulf_999.html

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 4 comentários

No concurso indiano MMRCA, o Typhoon e o Rafale levam vantagem…

Dassault Rafale, o provável vencedor do MMRCA indiano (http://defense-update.com)

Dassault Rafale, o provável vencedor do MMRCA indiano (http://defense-update.com)

A força aérea indiana já concluiu a sua avaliação técnica dos seis aparelhos que lhe foram submetidos a concurso no âmbito do “Medium MultiRole Combat Aircraft” (MMRCA) que há de levar à aquisição de 126 aviões por 10 biliões de dólares, com a opção para mais 63.

Os seis aviões em concurso eram o Typhoon, o Rafale, o MiG-35, o Gripen E/F, o Super Hornet F/A-18 E/F e o F-16 E/F Fighting Falcon.

Segundo algumas fontes, os indianos terão classificado o Rafale e o Typhoon como seus eleitos, tendo ficado o Super Hornet como “opção marginal”. O Gripen foi considerado redundante em relação ao programa indiano Tejas. O MiG-35 e o F-16 foram rejeitados porque se baseavam em “plataformas obsoletas”.

Existe na Índia uma longa tradição de uso de aviões franceses, pelo que a opção Rafale é bem provável e poderia aumentar as possibilidades de vitória da construtora francesa no Brasil, tornando simultaneamente o Rafale de um dos aviões menos exportados do mundo num dos mais… a EADS precisa de compensar as recentes reduções de encomendas anunciadas pelos governos britânico e italiano (num total, menos 90 aparelhos!) e assim financiar com esta encomenda o desenvolvimento do Typhoon Tranche 3.

A decisão final quanto ao vencedor do MMRCA será conhecida apenas depois de 2011 com as primeiras entregas a decorrerem logo em 2012 ou 2013.

Fonte:
http://www.defence-update.net/wordpress/20100810_mmrca_shortlist_typhoon_rafale.html

Categories: Brasil, DefenseNewsPt, Política Internacional | Etiquetas: , , | 18 comentários

Estado atual do projeto F-X2: Dassault Rafale; Saab Gripen e Boeing Super Hornet

1. Introdução

A decisão de recomeçar o programa F-X2 por parte do presidente brasileiro Lula da Silva, data de janeiro de 2008. A intenção era e continua a ser a de adquirir 36 aviões de 4,5 geração para substituir os aparelhos mais idosos do inventário da Força Aérea Brasileira, como os AMX, os F-5BR e os 12 Mirage 2000.

O programa F-X2 segue-se ao F-X, de 2001 e cancelado em 2003, por dificuldades orçamentais. O orçamento inicial era de 2,2 biliões de dólares, mas havia a possibilidade latente de uma quadruplicação deste montante, de forma a adquirir até 120 aparelhos.

Este grau de grandeza era imperativo devido à literal evaporação da componente de Defesa Aérea da Força Aérea Brasileira com a retirada dos Mirage III em 2005 e a sua polémica substituição por 12 Mirage 2000 franceses em segunda mão, entregues a partir de 2006. Obviamente, tal combinação de aparelhos – com uma idade média de vinte anos – não contribuiu para a credibilidade da força aérea brasileira… A situação é tanto mais grave quanto se sabe que quase 40% dos aviões em inventário na FAB estão fora de serviço, devido à sua idade e difícil manutenção no inclemente clima tropical brasileiro. Tal situação é insustentável num continente onde o armamento chavista é cada vez mais notório, com um aliado importante na Bolívia, precisamente o principal fornecedor brasileiro de gás natural.

O hiato de qualidade entre o Brasil e os seus vizinhos é particularmente flagrante nos chamados “caças de linha”. Contra a dúzia de Mirage 2000 em segunda mão, os vizinho do país lusófono alinham aviões de 4,5 geração como os SU-30mk2 venezuelanos, os MiG-29 peruanos ou os F-16 de última geração chilenos.

2. Rafale

O concurso F-X2 decorre ainda e até outubro. À partida a vantagem continua a ser francesa. O Rafale precisa desesperadamente de ser exportado, depois dos fiascos que foram a derrota do aparelho em Marrocos, Holanda, Noruega, Arábia Saudita, Singapura, Coreia do Sul, EAU, etc, etc… A vitória no concurso brasileiro seria assim o primeiro sucesso de exportação francês e um sinal claro da competitividade do caça. Para que o Rafale triunfe no F-X2, a transferência de tecnologia é fundamental. Isto mesmo reconheceu o ministro da Defesa brasileiro Nelson Jobim: “Qualquer que seja o contrato final deve estar ligado de perto ao desenvolvimento nacional, de forma a ajudar ao avanço e à criação de uma indústria de Defesa forte”.

Quando Lula convidou Sarkozy para as comemorações do Dia da Independência e terá dito que gostaria de assinar nesse dia vários acordos de Defesa, muitos interpretaram a afirmação como um sinal da vantagem do Rafale no F-X2… Atualmente, a França é o maior fornecedor de armamento ao Brasil e essa vantagem não é de somenos, tornando o Rafale num adversário formidável.

3. O “defunto” Typhoon

No concurso, um dos concorrentes mais forte era o Typhoon da EADS… Este aparelho é hoje, a par do SU-30 russo, o único avião que conseguir opor alguma paridade ao melhor avião de combate do mundo: o F-22A Raptor, mas tem como preço unitário uns notáveis 130 milhões de dólares e isso estava muito aquém das possibilidades brasileiras.

4. O Gripen

O JAS-39 Gripen da Saab sueca tem conseguido uma série de sucessos na exportação em boa parte devido à sua disposição em transferir tecnologia, um dos pontos chaves no F-X2, como já vimos… Os Gripen são aviões muito flexíveis, sendo capazes de descolar de auto-estradas e como estes aviões suecos já operam na África do Sul com os mísseis A-Darter isso facilitaria a integração na FAB. A futura versão do Gripen, a Gripen Demo utilizará o radar Selex Galileo Vixen 500. Os seus motores F404 e F414 são de origem norte-americana e ainda que sejam de bom desempenho implicam que cada Gripen terá sempre que receber um aval de exportação dos EUA… Uma dificuldade que no passado recente impediu a exportação de CN-295 espanhóis à Venezuela e Super Tucanos brasileiros ao mesmo país sul-americano. Provavelmente, a maior fraqueza do Gripen neste concurso é o facto de ter apenas um motor. Isso preocupa os militares brasileiros que o julgam incapaz de patrulhar as extensões águas e territórios do país. Para tentar reduzir estas desvantagens o diretor de marketing da Saab anunciou recentemente que a Gripen International estava preparada para transferir para o Brasil até 50% de toda a produção futura do caça. Ou seja, futuras exportações para países terceiros viriam em metade da Suécia, metade do Brasil. A perspetiva é atraente e estará certamente a ser devidamente pesada em Brasília.

5. O Super Hornet

A proposta da Boeing é o F/A-18E/F Super Hornet, Block II. Como o Rafale é um aparelho passível de ser embarcado no porta-aviões São Paulo. Possível mas ainda que de forma incerta, já que como o Rafale poderá ser operado apenas de forma limitada a partir de um porta-aviões tão pequeno como o SP. A transferencia de tecnologia poderia também ser intensa, pela existência de um forte ramo civil da Boeing que poderia estabelecer interessantes parcerias com a Embraer. A versão Block II já demonstrou ser capaz de voar com um moderno radar AESA APG-79, um factor que não pode ser menosprezado… Contudo, o Super Hornet tem a reputação de uma pobre capacidade aerodinâmica, especialmente frente aos melhores aviões do mundo nesse campo, como o F-22 e o SU-30. É claro que o preço que ronda os 80 milhões de dólares por unidade é uma vantagem invejável, tornando mais barato que qualquer concorrente… Mas adquirir um avião que depende da autorizações do senado para cada compra ou reexportação será uma boa ideia?

Numa movimentação recente, a Boeing reforçou consideravelmente a sua proposta ao somar aos Super Hornet, um nível de detalhe único entre todos os proponentes:
28 F/A-18E Super Hornet,
8 F/A-18F Super Hornet,
76 F414-GE-400 motores: 72 instalados, 4 extra
36 AN/APG-79 AESA Radares
36 M61A2 canhões de 20mm
44 Joint Helmet Mounted Cueing Systems (JHMCS)
144 LAU-127 Lançadores
28 AIM-120C-7 Advanced Medium Range Air-to-Air Mísseis (AMRAAM)
28 AIM-9M Sidewinder short range air-air mísseis.
60 GBU-31/32 Joint Direct Attack Munitions (JDAM)
36 AGM-154 Joint Standoff Weapon (JSOW) precision glide
10 AGM-88B HARM mísseis anti-radar
36 AN/ASQ-228v2 Advanced Targeting Forward-Looking Infrared (ATFLIR) pods de vigilância
36 AN/ALR-67v3 Radar Warning Receivers
36 of BAE’s AN/ALQ-214 Radio Frequency Countermeasures systems
40 of BAE’s AN/ALE-47 Electronic Warfare Countermeasures systems
112 AN/ALE-50 Towed Decoys

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/brazil-embarking-upon-f-x2-fighter-program-04179/?utm_campaign=newsletter&utm_source=did&utm_medium=textlink#more-4179

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , , , , | 10 comentários

A decisão do F-X2 foi adiada até 2 de outubro

A força aérea brasileira (FAB) concedeu aos três finalistas do programa F-X2 (Boeing, Dassault e Saab) mais dez dias para apresentarem as suas propostas finais dos 36 caças para a FAB.

A atividade dos representantes da Boeing, Dassault e Saab em Brasília (onde todos têm estado nas últimas semanas) vai então intensificar-se… Até 2 de outubro. Este prolongamento parece resultar das novas propostas – muito competitivas – de norte-americanos e suecos e é surpreendente porque todos esperavam que o F-X2 terminasse em 7 de setembro. Especialmente quando nesse dia Lula e Sarkozy anunciavam publicamente a vitória do Rafale! Mas logo no dia seguinte, Jobim vinha desmentir Lula e garantir que o concurso continuava aberto! Que confusão!… Terá Lula falado cedo demais, ou estarão os brasileiros à procura de obterem mais vantagens da França? Saberemos alguma vez o que realmente se passou?

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2009/09/22/332588/brazil-extends-final-bid-deadline-for-fx-2-fighter-deal.html

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , , , | 5 comentários

Afinal o F-X2 dá Rafale ou… Gripen? Sobre o contra-ataque regateante Viking


(Saab Gripe NG no F-X2: os Viking contra-atacam…)

Como dizia Mark Twain: “as notícias que dão conta do meu falecimento, têm sido largamente exageradas”… E neste caso, diria eu: “As notícias que dão como certa a vitória do Rafale no F-X2 têm sido largamente exageradas”…

Pois é. Afinal de contas, o processo negocial ainda decorre e se assim é, este ainda pode falhar e os franceses perderem este tão ambicionado concurso. Nos dias que correm, toda a gente vai para a Brasília, tentar puxar a brasa para a sua sardinha e agora – depois de Sarkozy – é a vez de Hakan Jevrell, o vice-ministro sueco da Defesa proclamar que a atual proposta Sueca para levar o Saab Gripen NG de vencida é montar totalmente os 36 aviões no Brasil, e incorporando já pelo menos 40% de componentes fabricados localmente, em empresas brasileiras e onde a Embraer seria o fornecedor principal. A oferta tornaria a opção Gripen na financeiramente mais vantajosa para o Brasil, e por uma larga margem… Já que segundo os suecos o preço de aquisição e operação de cada aparelho Gripen NG desceria para quase metade da melhor oferta: Em moeda brasileira, cada Gripen ficaria a 127,5 milhões de Reais, contra o 182 do Super Hornet da Boeing e 254,8 do Rafale.

O tempo para jogadas deste teor está a esgotar-se. Teoricamente, o vencedor do concurso internacional que por aqui já fez correr tanto rio de tinta eletrónica termina já na próxima segunda-feira e os corredores de Brasília estão cheios até mais não… Tendo-se o ministro sueco cruzado várias vezes com os dois vice-presidentes que a Boeing tem na capital brasileira, cumprindo os mesmos objetivos…

Por aqui, a opção sempre foi a do Rafale… Por várias razões, desde a economia de escala que se realizaria se fosse também usado no porta-aviões São Paulo, ao mais prosaico argumento de que seria um caça mais puro de 4,5 geração que o Gripen e… que last but not least incorporava uma total autonomia de tecnologia e know-how, desde a eletrónica, à motorização e ao armamento… Coisa de que não se podem gabar os suecos, já que ainda que operem um avião de custo de construção e manutenção inferior, de facto, está recheado de tecnologia made in USA, e logo, sujeita a eventuais caprichos e embargos… E os argentinos que o digam, e os australianos também que se forçaram a, na década de 80, fazerem engenharia reversa dos códigos dos seus F-18…

Horas depois, o ministro da Defesa brasileira, Nelson Jobim dizia  que o prazo para a entrega das propostas, inicialmente previsto para 21 de setembro, poderia agora ser prorrogado pela FAB… Jobim alegou desconhecer a última cartada sueca:  “Estou sabendo disso por vocês [da imprensa], cada dia com sua agonia“, mas é certo que esta eventual prorrogação serve a quem está a rever a sua proposta…

Fontes:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u625747.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u625842.shtml

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 17 comentários

Rafale: o vencedor declarado do F-X2


Dassault Rafale em Le Bourget 2009

Para quem – como eu – sempre defendeu a opção Rafale, no concurso internacional brasileiro F-X2, contra o Super Hornet norte-americano ou o Gripen NG sueco, a notícia segundo a qual Lula da Silva confirmou durante uma entrevista a 6 de setembro que as “negociações com a França a propósito da venda de 36 caças Rafale estão muito avançadas” são uma boa notícia. Se isto não significa que o avião francês leva vantagem sobre os aparelhos da concorrência, então não sei o que significará… Estas declarações foram proferidas horas antes da chegada de Sarkozy ao Brasil, algo que só reforça a vantagem do Rafale.

Lula colocou o acento no ponto central das negociações ao afirmar “Todo mundo sabe que uma das exigências do Brasil é ter acesso à tecnologia”, algo a que os EUA nunca souberam responder com plena sinceridade e onde os suecos não podem, porque dependem dos reatores norte-americanos que equipam os seus Gripen. A França, pelo contrário, domina toda a tecnologia dos seus Rafale e logo, está em melhores condições para transferir tecnologia, já que, simplesmente, a tem para transferir, e não receia perder a liderança tecnológica para uma potencia emergente longínqua dos seus interesses estratégicos tradicionais (África e Médio Oriente).

O Brasil cumpre neste projeto F-X2 o seu papel. Desde cedo que uma das maiores exigências do país lusófono era a transferência de tecnologia, que capacitasse a induístria aeronáutica brasileira a reforçar o domínio da Embraer nalguns setores comerciais e de Defesa (reconhecimento, treino e contra-guerrilha/COIN) com o domínio da tecnlogia de motores e de aviação que o Rafale exibe. Assim, se esta é uma boa notícia para a França – que nunca tinha conseguido exportar o seu caça, ao contrário dos comercialmente bem sucedidos Mirage – é também uma boa noticia para a Embraer… Isso mesmo diz Lula, nesta entrevista: “Não podemos comprar um avião caça sem possuir a tecnologia e é justamente porque pensamos em produzir uma parte deste avião no Brasil. Temos uma importante empresa que é capaz de fazê-lo”.

O contrato entre o Brasil e a França envolve 4 biliões de dólares por 36 aviões e a chegada do presidente francês neste contexto só pode significar que a França triunfou. E com ela, o Brasil já que a sua indústria consegue a tecnologia que outros levaram décadas a desenvolver, a Embraer que poderá dar um verdadeiro “salto quântico” com esse novo know-how e até a França, que agora tem mais um argumento para convencer a Índia – onde decorre o mais importante concurso internacional da atualidade – das capacidades do seu caça.

Fonte:

AFP

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , | 24 comentários

Pequena atualização sobre o programa F-X2 brasileiro (Super Hornet, Rafale ou Gripen)

(O Dassault rafale… A minha escolha pessoal no F-X2)

O programa F-X2 brasileiro, reactivado em janeiro de 2008, depois da paragem do programa F-X1 em 2003, tem agora como objetivo equipar com 36 novos caças de 4+ geração a muito envelhecida FAB. O estado de obsolescência é flagrante, com apenas 12 Mirage 2000, construídos na década de oitenta a servirem como “ponta de lança” num continente onde a FAB já foi líder incontestada.

Atualmente, a FAB terá 37% dos seus 719 aparelhos no solo devido a problemas técnicos, provocados pela idade generosa da frota e pelo inclemente clima tropical do extenso país.

A situação da FAB não é tão grave, porque os Super Tucano e os AMX, nos seus nichos respectivos são bastantes competentes. Mas a frota de F-5 e os escassos (para a dimensão continental do país) Mirage 2000C não poderão jamais assegurar uma superioridade aérea suficiente em caso de conflito com a Bolívia, Paraguai ou Venezuela, países com os quais há tensões latentes.

Atualmente, a França, com o seu Dassault Rafale, parece bem posicionada para ganhar o F-X2. O deputado federal José Genuíno do PT declarou recentemente que “a França será sempre o melhor parceiro. No que respeita à Rússia, todos conhecemos as dificuldades e não sabemos o que vai acontecer daqui a dez anos e se seremos capazes de garantir peças sobresselentes. Os EUA, tradicionalmente, não transferem tecnologia… E nós queremos ter o preço mais baixo com a maior transferência de tecnologia possível.”

Este sinal de esperança é vital para a sobrevivência do Rafale. Depois de um sucesso estrondoso com as varias gerações de Mirage, a França viu perder uma sucessão de concursos internacionais no Marrocos, Holanda, Noruega, Singapura, etc)

O Rafale é também capaz de operar no porta-aviões São Paulo (ex-Foch), há uma longa experiência brasileira em operar aviões de caça franceses, como os Mirage III e agora, os Mirage 2000C. Isto permite algumas poupanças em peças e em treinamento. A França é também um parceiro estratégico e político de confiança, com interesses comuns no Atlântico Sul e com fronteira comum na Guiana Francesa. E sobretudo… Depois de tantos fracassos de exportação, os franceses estão mais motivados do que ninguém em oferecer um preço baixo e uma generosa transferencia tecnológica.

O Super Hornet Block II é um outro finalista do F-X2. O aparelho pode também ser utilizado a partir de porta-aviões, equivalendo-se ao Rafale neste aspecto, mas não é certo se poderia operar normalmente e sem limitações num pequeno NAE como o São Paulo. A versão Block II inclui o incrível radar APG-79 AESA, talvez o seu ponto mais interessante e a atual cotação (baixa) do dólar implica que o preço unitário do Super Hornet é atrativo. Contudo, o aparelho não é famoso pela sua performance aerodinâmica e o governo brasileiro (ver acima) já fez saber que não acredita que a Boeing queira (ou possa) fazer as transferências de tecnologias que serão cruciais para escolher o vencedor do programa.

O terceiro finalista é o JAS-39NG. Esta versão – ainda inexistente – aumenta o medíocre alcance do Gripen da versão atual, inclui um radar AESA e outras melhorias menores. A Saab promete ao Brasil uma participação direta no desenvolvimento e produção do Gripen NG, assim como uma generosa transferência de tecnologia (um dos pontos centrais do interesse brasileiro).

Pela capacidade operar a partir de um pequeno porta-aviões, como o São Paulo, pelo inferior custo unitário, pelo comparativamente maior alcance e independência tecnológica de vetos norte-americanos às exportações que também assolar o Gripen NG, com a sua tecnologia “made in USA” e, sobretudo pela disponibilidade em transferir tecnologia e em estabelecer parcerias estratégicas, a proposta francesa parece mais bem colocada que qualquer das outras… Veremos se este aparente favoritismo se concretiza ou não.

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | 193 comentários

Rafales F2 no Theodore Roosevelt e… alguns resultados de combates simulados entre SH e Rafales

Entre 18 e 31 de Julho mais de quinze mil militares dos EUA, Reino Unido e França participaram nos exercícios JTFEX 08 ao largo da costa oriental dos EUA. Nestes, a França enviou duas esquadrilhas de Rafales navais, a 12F e a 4F.

O encontro entre os Super Hornet e os Rafale F2 foi muito interessante para os pilotos de ambos os aparelhos: “foi espantoso ver os canards movendo-se em pleno voo”, disse Mike Tremel, da VFA-31 e acrescentando: “o Rafale é um avião altamente manobrável, com uma incrível capacidade para apontar o seu nariz a qualquer direção do céu. Os pilotos franceses pareciam muito satisfeitos com as suas capacidades e com uma concepção do cockpit muito moderna, com MFDs e um side stick. Contudo, eu nunca voei num Rafale, e logo não sei o que estou a perder.”

Os Rafales e os Super Hornet do Theodore Roosevelt encontraram-se varias vezes em BFM (1 para 1 em Basic Figher Maneuvering) e em 2 para 2 em missões ar-ar. “O Rafale é definitivamente um caça mais ágil, mas os pilotos da 12F sublinharam que o Super Hornet não fora concebido para dog fighting. O avião da Boeing era um impressionante cargueiro de bombas. Por outro lado, é um avião pesado que não pode acelerar tão depressa com alto angulo de ataque.”

Nos exercícios, os Super Hornet utilizaram o novo AIM-9X e alguns com o novo capacete JHMCS (Joint Helmet Mounted Cueing System). Ambos podem oferecer uma vantagem decisiva em combates a curta distancia, embora – segundo os pilotos dos Rafales – existam técnicas para a anular…

Esta noticia, assim como outra que deu conta da capacidade dos Rafales F2 para bater os Super Hornet em 6 contra 2 no ultimo Red Flag indica que na competição F-X2 em que Gripen NG, Rafale F3 e Super Hornet participam dos dois últimos, o Rafale é o mais manobrável e definitivamente o superior em dogfight e em combate aéreo a curta distancia. Não consegue carregar a mesma quantidade de armamento, nem é no atual padrão F2 um avião tão amadurecido como o Hornet, que se encontra hoje na sua recta final de desenvolvimento. Mas é certamente, o melhor avião dos dois…

Mais uma noticia que os decisores do vencedor do F-X2 devem ter na devida conta lá para começos de 2009 quando escolherem o vencedor da competição…

Fonte:

Air Forces Monthly, Novembro de 2008

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | 11 comentários

O programa F-X2 do Brasil (atualização): Rafale, Typhoon, Gripen, Super Hornet ou Sukhoi SU-35?

(Rafale F2 operando num Porta-aviões da US Navy)

O programa F-X2 foi inicializado em Janeiro de 2008, a partir das cinzas do defunto F-X abandonado em 2004 por dificuldades orçamentais. O objetivo é agora o de adquirir 36 aviões de 4ª ou 4,5ª geração capazes de – a prazo – substituirem uma série de aparelhos atualmente em utilização na força aérea brasileira.

O cancelamento do F-X teve custos quase imediatos, já que a desativação dos velhos Mirage III BR em 2005 levou à necessidade da compra urgente de 12 antigos Mirage 2000C franceses de forma a não deixar a FAB sem aviões interceptores. Mas esta solução intermédia não resolve verdadeiramente nada. Existem indicações (ver AQUI) de que 37% dos 719 aviões da FAB estão permanentemente no solo devido ao envelhecimento da frota. E isto num contexto em que várias forças aéreas da região se estão a modernizar, como sucede no Chile e especialmente na Venezuela, onde os novos Sukhoi russos vieram introduzir um factor novo no equilíbrio regional. Este desiquilíbro forçou o governo Lula a aumentar o orçamento de Defesa dos 3,5 biliões de dólares de 2007 para 5,65 biliões, um valor que será agora repartido pelas três armas, cabendo ao F-X2 um segmento importante desta verba. De facto, esta verba que parece impressionante à primeira vista é apenas uma tentativa de recuperar o domínio tecnológico que o país teve durante as décadas de setenta e oitenta quando produzia e desenvolvida localmente MBTs (o saudoso Osório), mísseis e lançadores (como o Astros II) e aviões de combate sofisticados como o Tucano ou o AMX. Todo esse balanço se perdeu quase inteiramente na última década e se o Tucano evoluiu para o Super Tucano, este foi infelizmente apenas um feito isolado…

Não deixa de ser paradoxal, que a FAB tenha nalgumas classes dos mais modernos e eficientes aparelhos do mundo (AMX e Super Tucano no ataque ao solo e aviões AWACs baseados no EMB-145), mas que depois, no que concerne à intercepção e defesa aérea tenha como “ponta de lança” os já vetustos Mirage 2000C ex-franceses… Um desiquílibrio que resulta do cancelamento do F-X1 em 2004. Com efeito, até recentemente (2005) o seu caça primário de defesa aéreo era ainda o Mirage IIIBR que serviram na FAB durante mais de três décadas e atualmente para contrapôr às mais recentes aquisições venezuelanas de aparelhos Sukhoi Su-30MKV e F-16 pelo Chile, o Brasil tem apenas 12 Mirage 2000C ex-franceses.

O aumento em 50% do orçamento de Defesa brasileiro já estava a ser antecipado pelo investimento em diversas áreas da indústria de Defesa… Pela parceria com a África do Sul para desenvolver o míssil de curto alcance e de 5ª geração A-Darter.

Atualmente, a competição pela vitória no F-X2 decorre entre o Rafale da francesa Dassault, o Typhoon da EADS, o JAS-39 Gripen da Saab e o Su-35 da Sukhoi, uma lista à qual se juntou recentemente o F/A-18E/F Block II Super Hornet da Boeing. Os rumores deixados no ar pelo ministro da Defesa brasileiro Nelson Jobin recentemente dão crédito aqueles que (como eu) suspeitam que o vencedor será o Rafale. O PT parece também inclinado a favorecer os franceses da Dassault, já que segundo o jornal “O Estado de São Paulo” José Genoíno teria declarado que “a França sempre foi um parceiro melhor. No que respeita à Rússia, todos conhecem as dificuldades e não sabemos o que vai acontecer daqui a dez anos de forma a que possamos garantir as nossas peças de substituição. Os Estados Unidos, tradicionalmente, não transferem tecnologia… Só temos que procurar o preço mais baixo com a maior transferência de tecnologia possível.” Genoíno colocou aqui de facto, o dedo na ferida… O essencial para defender os interesses do Brasil, reforçar a já muito dinâmica industria aeronáutica brasileira é garantir uma adequada transferência de tecnologia.

A França está também numa posição negocial frágil. As suas tentativas para exportar o Rafale para Marrocos, Holanda, Noruega, Arábia Saudita, Singapura, África do Sul, EAU, etc têm sido todos frustados, perdendo concurso atrás de concurso, pelas mais diversas razões.

O Typhoon poderá apresentar também algumas dificuldades no que concerne ao requisito de transferência de tecnologia, mas o maior obstáculo é, de longe, o elevado custo unitário de cada aparelho: 130 milhões de dólares cada, muito longe dos 2,2 biliões disponíveis para 36 caças (61 milhões é o limite disponível por cada aparelho). O Typhoon garantiria uma grande vantagem no que respeita a superioridade aérea, mas o preço elevado afasta o Typhoon dos favoritos do F-X2…

O JAS-39 Gripen da sueca Saab tem oferecido aos seus clientes boas contrapartidas industriais e o “Gripen NG” antecipado pelo demonstrador “Gripen Demo”. O facto de se tratar de uma excelente solução tecnológica, robusta e acessível tem seduzido muitos no Brasil, especialmente entre os nossos mais frequentes comentadores. Contudo, mesmo o Demo/NG continua a oferecer um avião pouco adequado para países continentais e o recurso ao motor norte-americano F414 expõe o aparelho às autorizações de exportação dos EUA, o que pode condicionar o fabrico local da turbina e até eventuais futuras re-exportações de Gripen fabricados localmente.

O Dassault Rafale é a escolha preferida por muitos, contando aqui o próprio redactor do Quintus, admito… Sem me alongar muito na defesa do Rafale, gostaria de listar o facto de ser o único concorrente capaz de operar em porta-aviões, e que o único NAE brasileiro o ex-Foch São Paulo está em estaleiro, substituindo o eixo, e logo é um navio que estará operacional ainda mais alguns anos… E que os A4 já não são um vector adequado para o século XXI… O facto de o Brasil ser um utilizador satisfeito dos Mirage III e dos 2000 (que hoje são a ponta de lança da FAB) aponta também o Rafale como favorito, assim como a disponibilidade francesa para transferir tecnologia (motivada pelo desespero de não haver ainda exportações do aparelho). De facto, a maior fragilidade do Rafale é a relativa raridade de armas integradas, algo que contudo pode ser ultrapassado com relativa facilidade pela via do estabelecimento de parcerias com outros fabricantes-

A opção russa está corporizada no Sukhoi SU-35. Em termos tecnológicos, é provavelmente a opção mais interessante e os russos, prometem transferir tecnologia, ainda que recentemente tenham surgido ecos de alguma reserva neste domínio… A opção pelo SU-35 tornaria o Brasil como a FA com melhores aviões na região, muito superiores aos F-16 chilenos e até aos SU-30 venezuelanos, dando uma vantagem que, de facto, a FAB nunca teve… O preço é excelente, mas o suporte pós-venda e em peças tem uma péssima reputação, a que a FAV venezuelana tem dado aliás amplo eco.

A opção norte-americana está agora reduzida ao F/A-18E/F Super Hornet, Block II da Boeing. Este é, além do Rafale, o único que pode também operar a partir de um porta-aviões como o São Paulo (teoricamente). Em termos de contrapartidas, a Boeing poderá estabelecer algum tipo de transferência de tecnologia civil para a Embraer, compensando assim o tradicional secretismo dos EUA no que respeita a transferências de know-how militar (uma vantagem que compartilha com a EADS/Airbus do Typhoon, aliás). O preço do Super Hornet é interessante, assim como o seu pacote tecnológico, pelo que a opção tem colhido alguns bons ecos entre muitos interessados pelo F-X2. Mas o avião é tido como inferior em manobrabilidade e o preço continua a ser superior ao do SU-35 e do Gripen, mas muito inferior ao do Typhoon.

Uma adição interessante a esta questão foi introduzida aqui pelos comentadores Gaitero e Nosle: Aparentemente, para responder à generosa oferta russa de participação no seu caça de 5ª geração PAK-FA + SU-35, a França estaria a oferecer ao Brasil um pacote de Rafales F3 + UCAV. Estes UCAV são tidos por muitos como o verdadeiro futuro da aeronáutica militar de combate, como a tal 6ª geração de aparelhos que irá tomar o lugar do F-22 Raptor da USAF, do T-50 russo-indiano e dos aparelhos idênticos em desenvolvimento na China e no Japão. Seria uma opção muito interessante e inédita… Mas a tese de que os UCAV poderão ser efetivamente a dita “6ª geração” de aviões de guerra ainda está por provar no terreno…

Fontes:
http://www.defenseindustrydaily.com/brazil-embarking-upon-f-x2-fighter-program-04179/#more-4179?camp=newsletter&src=did&type=textlink
http://militaryzone.home.sapo.pt/osorio-file.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dassault-Breguet_Mirage_2000
http://www.areamilitar.net/DIRECTORIO/TER.aspx?nn=23&p=15
http://en.wikipedia.org/wiki/Embraer_EMB_312_Tucano
http://www.combataircraft.com/aircraft/famx.aspx
http://defesabr.com/blog/index.php/02/09/2008/brasil-pode-fechar-su-35-com-pak-fa/

Categories: Brasil, DefenseNewsPt | Etiquetas: , , , , | 1.045 comentários

Create a free website or blog at WordPress.com.

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

Moradores do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Moradores do Areeiro

AMAA

Associação de Moradores e Amigos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern everything with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

O Vigia

O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)