Posts Tagged With: petróleo

BP: Lenta, ineficiente, incompetente e… a caminho de se safar

A BP não conseguiu ainda travar a fuga de petróleo que já é a maior catástrofe ecológica do género de SEMPRE, deixando já muito além a tragédia do Exxon Valdez que aniquilou toda a costa do Alasca durante anos. Mas este desastre tem por detrás de si muito mais do que os Media estão a revelar (como sempre). Nas semanas que antecederam o desastre, várias multinacionais petrolíferas mantiveram reuniões na Suiça procurando formas de aumentar os preços…. Agora, com este desastre, a produção no Golfo diminuiu e a suspensão de novas plataformas já fez aumentar o preço do barril de petróleo.
Por outro lado, a plataforma acidentada não é realmente da BP (sabiam?) mas sim de uma empresa sul-coreana, uma tal de Transocean. É esta empresa a responsável pela plataforma e foi com ela que a criminosa BP assinou um contrato (que tem certamente, como sempre, uma clausula de proteção da BP). O que vai acontecer é que a BP vai “assumir” agora os custos, mas é a obscura Transocean que vai arcar realmente com os custos e abrir falência porque não vai conseguir suportar os 25 a 45 biliões que custará a operação de limpeza! É este o golpe da BP para se safar!
Nota: estranhamente, na véspera deste “acidente” a Transocean entrou em cotação bolsista… Coincidência (também) ou… golpe nos Futuros?
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O Petróleo regressa à agenda… e com ele, o Pico Petrolífero

É isso… Já nos tínhamos esquecido, mas por muito que se atire para debaixo do tapete o problema do Pico Petrolífero insiste em regressar. Apesar da redução de consumo mundial, provocada pela Recessão, é cada vez mais evidente que o pico da produção já foi ultrapassado e que se avizinha um declínio acentuado da produção e, como ela, um agravamento brutal dos preços dos derivados do petróleo.

O jornal britânico The Guardian publicou recentemente um artigo em que se admite que o fim das reservas pode estar mais próximo que se admite publicamente e onde também se afirma que rapidamente se assistirá a um declínio brutal da produção. O artigo do The Guardian alega que a “Agência Internacional de Energia” (AIE) tem omitido a verdadeira situação das reservas mundiais e que a agência tem realizado uma sobreavaliação das reservas petrolíferas mundiais.
Esta sobreavaliação da AIE foi intencional – e isso é o mais grave – já que foi motivado pelo receio do pânico nos sempre instáveis e caprichosos mercados financeiros e o receio que anunciar da verdadeira gravidade da situação levasse os produtores a fecharem as portas às empresas petrolíferas ocidentais.

O The Guardian revela ter tido acesso a uma fonte oficiosa da AIE que lhe terá confidencializado que o pico da produção teria sido alcançado em 2009, enquanto oficialmente este número deveria ser alcançado apenas em 2030. Ora ainda num dos últimos relatórios da AIE se escrevia que era possível aumentar nos próximos anos a produção de petróleo!

A fonte do The Guardian revela que estes relatórios falsos da AIE são “soprados” a partir dos EUA, que indicaram aos relatores da agência para exagerarem nas suas descobertas estimadas de novos poços. O objetivo seria não aumentar o pânico dos mercados e dar uma falsa tranquilidade que permitisse alavancar uma recuperação económica que apesar de tudo (ou talvez por tudo, antes…) parece ainda demasiado débil e insegura para vingar. Estes relatórios exprimem também a urgência de aproveitar o momento de grave crise económica atual, para reformar a Economia e abandonarmos o petróleo – além do mais fonte privilegiada de emissões de CO2 – a favor de outras fontes de energia renováveis e mais ecológicas.

Se a notícia do The Guardian se confirmar – como acreditamos – estaremos à beira de uma subida sustentada e dramática dos preços do barril de petróleo nos próximos anos, em que os duzentos dólares anunciados por Chávez em 2008, não tardarão a chegar… Esperemos assim que as economias prossigam – e inclusivamente acelerem – o rumo para as energias renováveis e para a redução da “pegada de carbono”, isto porque essa outra crise esquecida chamada “alterações climáticas” também está longe de ser resolvida…

Fonte:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1416071

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Angola torna-se num dos maiores fornecedores de petróleo aos EUA

Atualmente e segundo as últimas estatísticas do governo norte-americano, a Nigéria (com 769 mil barris/dia) e a lusófona Angola (com 400 mil barris/dia) seriam respetivamente o quinto e oitavo maiores exportadores de petróleo para os EUA.

Esta origem africana de uma parcela crescente do petróleo consumido pelos EUA revela uma inclinação para quebrar as dependências tradicionais de países do Médio Oriente – que tanto têm condicionado a política externa dos EUA nos últimos anos – e reforçam a influencia internacional de Angola, estando na base de um novo interesse americano pelo país e inclusivamente a recente visita de Hillary Clinton e o seu discurso de “promoção da democracia”, num país onde esta é ainda severamente condicionada pelo predominância social, política e económica do antigo Partido Único e por níveis de corrupção absolutamente incompatíveis com aqueles que se esperam de um país Desenvolvido… O aumento da exposição internacional angolana pode assim ser positivo, ao expor também as fragilidades do seu regime e ao propiciar à sua superação. Algo que, contudo, caberá inteiramente aos angolanos fazer, sendo para isso inúteis (e provavelmente contraproducentes, por invocando discursos “neocoloniais”) todas as pressões que queiramos lançar sobre os angolanos.

Fonte:
http://africasacountry.wordpress.com/2009/08/31/where-do-american-oil-imports-come-from/

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O que vai acontecer ao preço do barril de petróleo em 2009?

Talvez se recordem ainda do tempo, algures em 2008, em que o preço do barril de petróleo estava a 147 dólares. Agora, o mesmo encontra-se no valor mais baixo dos últimos quatro anos. A grande questão, que vale literalmente triliões de dólares está em saber… Se a coisa é para ficar assim durante muito tempo e o que se vai passar nos próximos anos. Nos últimos anos, antes de meados de 2008, os preços estavam a ser inflacionados por dois factores: a entrada massiva de especuladores que buscavam refúgio no mercado das commodities e o aumento de consumo nas potencias emergentes (China, sobretudo). Com a saída dos especuladores e a aparição dos primeiros sinais de recessão na China, as condições que sustentavam a anómala subida dos preços deixaram de existir e os preços regressaram aos valores reais, ou seja, bem de 50 dólares. Por seu lado, os EUA – já em plena recessão – reduziram o seu consumo num milhão de barris por dia, nos últimos meses de 2008 e deverão continuar a reduzir ainda mais até pelo meados de 2009.

A OPEP tenta controlar os preços do lado da Oferta, reduzindo a produção, mas sem conseguir grandes resultados, especialmente porque a Rússia, o segundo maior exportador mundial, não faz parte da organização. Outra causa reside na desvalorização do valor da moeda norte-americana. Em 2009, o dólar deverá cair ainda mais, com o aumento de emissões monetárias por parte do Fed. O efeito do “pacote de estímulos” desenhado por Obama poderá reverter a queda, se for bem sucedido. E tem que ser logo nos primeiros meses de 2009, caso em que o maior exportador para os EUA, a China entrará seguramente em recessão. Se assim, há quem preveja que os preços do petróleo descerão até aos 25 dólares por barril… Recentemente, o governador do banco de Inglaterra, Mervyn King avisou que o Reino Unido poderia conhecer a deflação em 2009 e se assim for não será certamente o único país europeu nessa situação, a qual será mais um factor a arrastar para baixo o preço do petróleo. Em suma: os preços altos não para já… Talvez para 2017, quando a produção russa passar claramente o pico da sua produção… Veremos! Até lá e neste contexto económico é muito duvidoso que vejamos os preços de petróleo subirem acima dos 80/90 dólares.

Fonte:
http://www.telegraph.co.uk/finance/financetopics/oilprices/4014817/Will-oil-prices-recover-after-tanking-in-2008.html

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Sobre as múltiplas (11) razões da presente alta dos preços dos combustíveis fósseis

(http://graphics8.nytimes.com)

Em contexto de um apelo mais ou menos generalizado ao boicote a várias empresas do ramo da distribuição e da refinação de combustível importa talvez procurar determinar a estrutura de preços do combustível que chega às bombas de gasolina:

1. Na fonte, o preço de compra do petróleo não refinado (em bruto) varia em direta razão das flutuações de preços nos mercados internacionais e, sobretudo do aumento da procura de combustível resultante do aumento de poder de compra registada na última década na Índia e na China, onde se multiplicam as vendas de automóveis particulares e nos países exportadores de petróleo como Angola e a Rússia. O aumento registado nalguns países desenvolvidos das áreas de cultivo alocadas ao cultivo de soja, óleo e milho nos Estados Unidos e na Europa levou ao aumento dos consumos de combustível necessário para estas produções agro-industriais intensivas, assim como daquele gasto em transportar os seus produtos e nos fertilizantes necessários a estes.

2. Há cerca de 3 semanas que os preços do crude têm vindo a cair… mas no mesmo período ocorreu nos preços finais ao consumidor uma única – e ligeirissima – descida. Onde está esta diferença? No bolso das petrolíferas, naturalmente…

3. Existe uma falta crónica – em todo o mundo – da capacidade de refinação de petróleo. Em resposta a esta lacuna, constroem-se em praticamente todos os países do mundo (excepto em Portugal, como sempre…) refinarias modernas e eficientes… A escassa e insuficiente capacidade de refinação atual faz com que a produção de refinados seja insuficiente. Contudo, estas novas refinarias não estão perto de entrar em laboração, já que se tratam de estruturas muito complexas e de grande dimensões que levam entre 5 a 10 anos a construir. E o ritmo da sua construção não é idêntico ao ritmo a que cresce o consumo mundial, especialmente na China e na Índia, pelo que ainda que se resolvam os problemas de produção de crude, não é expectável que a refinação seja capaz de acompanhar este hipotético aumento nos próximos dez anos. Ainda não há ruptura de abastecimento. Simplesmente, a capacidade de refinação mundial anda perigosamente perto das necessidades de consumo e isso está a pressionar os preços e a fazer lucrar muitos especuladores que investem na construção de refinarias e no armazenamento de produtos refinados que vende em poucas semanas, não introduzindo qualquer valor na cadeia de produção.

4. Os desperdícios na exploração e transporte em oleodutos e no armazenamento, especialmente importantes em países como a Nigéria (o maior produtor africano) ou a Rússia (o país que na última década mais tem sustentado o aumento do consumo mundial).

5. A cartelização de preços, imposta pelo OPEC e que esteve já na origem da primeira crise petrolífera tem agora um papel importante também a jogar agora… Os limites de produção determinados pela organização têm como objectivo uma elevação dos preços pela via da contenção das produções pelo estabelecimento de quotas máximas de produção.

6. A guerra no Iraque é responsável pela reduzida capacidade de produção dos campos iraquianos, um país que tem das reservas mais importantes do mundo… Os ataques a oleodutos, postos de bombagem e de silos de armazenamento são menos comuns hoje do que eram antes do “Surge” de forças americanas de 2007, mas a estrutura de produção continua em muito mau estado e os ataques ainda ocorrem pontualmente, especialmente a Sul, na região de Bassorá.

7. A presença de líderes de elevado perfil mediático em países que são grandes produtores e exportadores de petróleo como sucede atualmente no Irão e na Venezuela também contribui para a presença alta dos preços… A cada declaração bombástica de Chavez ou de Ahmadinejad os investimento bolsistas dos especuladores e os cofres das companhias petrolíferas regozijam, já que aumentam as expectativas de eclosão de conflitos regionais que perturbem os canais de exportação de combustível ou que afectem os locais de exploração de petróleo.

8. Ainda recentemente, o ministro argelino dos petróleos, atualmente presidente da OPEP declarou que “na Europa, 85% do preço dos combustíveis eram taxas e só 25% provinha do preço do petróleo”. Ainda que exagerada, a afirmação não está destituída de validade… Em Portugal, o cruzamento, em dupla tributação (manifestamente ilegal) do ISPP (Imposto sobre os Produtos Petrolíferos) e do IVA distorcem violentamente o preço final pago pelo consumidor. E como se tratam – um e outro – de impostos relativos, calculados a partir do valor bruto variável, quando este aumento, estes aumentam igualmente, arrecadando no processo o Estado com um valor crescente (e imprevisto) de novos rendimentos. Esta anomalia moral explica a falta de interesse e empenho que os governos europeus têm manifestado no que concerne ao controlo da alta dos preços e no controlo da cartelização do mercado. E a razão é simples e evidente: quanto mais subirem os preços, mais impostos são arrecadados. Esta óptica cega e contabilística há de contudo acabar por se refletir negativamente no rendimento do fisco, já que os níveis de consumo começa a descer demasiado para poderem continuar a compensar o aumento da carga fiscal relativa… É que claro que quem pode optar, irá usar transportes públicos cada vez mais, mas aqueles que por obrigação profissional (por exemplo, camionistas ou taxistas) ou porque residem em regiões sem cobertura por transportes públicos irão pagar inevitavelmente cada vez mais… pelo menos enquanto o Estado não alterar esta forma de cobrar os seus impostos. E cessar não somente com a imoral dupla tributação do ISP e do IVA, mas sobretudo com a flutuação destas taxas e estabelecendo anualmente um valor fixo e não relativo ao preço-base do combustível, de forma a que cada aumento deste não venha a corresponder automaticamente um aumento da cobrança fiscal. Este automatismo faz com os governos sejam os maiores interessados no aumento do preço base dos combustíveis o que explica a sua apatia perante este grave problema…

9. Em Portugal, o sector da venda a retalho de combustíveis não funciona bem, de acordo com as regras da concorrência porque a Galp domina o mercado grossista e a propria distribuicao, dado o monopólio que está possui no primeiro e a posicao dominante que detem no segundo.

10. A Galp tem apresentado resultados muito positivos nos últimos anos muito devido as suas exportações de refinados para os EUA, a preços inferiores aos que pratica em Portugal, o que por si só prova a sua presença monopolista no mercado nacional.

11. A refinação de petróleo em Portugal está sob o monopólio da Galp, já que todas as refinarias existentes em Portugal são suas. O único projeto que existia para quebrar o monopolio da Galp, foi o de Patrick Monteiro de Barros, em Sines, e foi abortado por “razoes ambientais”, mas que efetivamente se traduziram numa proteção ao monopólio da petrolífera portuguesa. Isto explica a estranha coincidência de subidas de preços praticada pelas várias petrolíferas presentes no mercado português: todas compram o seu petróleo nas refinarias da Galp…

Em conclusão:

São estas as razões que nos levam a crer que é necessário concentrar a nossa atenção – enquanto consumidores – sobre a Galp, e reforçar e relembrar o nosso apelo a UM BOICOTE A COMPRAS DE COMBUSTÍVEL NA GALP, já que esta pela sua posição dominante e monopolista é a verdadeira “chave” para a atenuação deste problema da alta dos combustíveis e dizemos atenuação porque o verdadeiro problema é de fundo e reside na já evidente – a partir de 2007 – ultrapassagem do pico de produção de petróleo…

O problema deste exagero da alta dos preços, não reside, nem na escalada dos lucros das petroliferas nem sequer no fim do pico da produção… Ele reside na influência perniciosa dos especuladores bolsistas nos preços do barril de crude. Contudo, é imoral e economicamente injustificável que em tal contexto de dificuldades, algumas (poucas) multinacionais lucrem mais do que seria normal em circunstâncias menos adversas, e em Portugal esse problema é o problema chamado “Galp”.

Outro problema correlacionado com este, é o da carga fiscal sobre os combustíveis… Mais alta do que em paises europeus mais ricos.

Ps.: Segundo um artigo do Correio da Manha, cada administrador da Galp ganhava… 1413 euros por dia. Fica logo percebido para onde estão a ir estes lucros…

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É o fim do Pico de produção de petróleo…

(http://www.geolsoc.org.uk)

Em 2007, a produção mundial de petróleo terá sofrido uma queda de mais de 130 mil barris por dia, ou seja, 0,2 por cento menos do que em 2006, a esta queda, que parece confirmar já não somente que a produção do “ouro negro” está no “Pico”, como até já o ultrapassou… Paralelamente, e para agravar ainda mais a atual alta de preços dos combustíveis, as economias emergentes, China e Índia, não têm parado de aumentar as suas importações e contribuiram muito significativamente para um aumento de 1,1 por cento do consumo mundial… Tudo isto, mais a pressão de especuladores e intermediários contra os quais os governos e as organizações internacionais parecem incapazes de agir, está a contribuir para a presente escalada de preços.

Contudo, as reservas mundiais de petróleo, têm-se mantido estáveis, sobretudo devido a novas descobertas, no Ártico e na costa brasileira, estando hoje na ordem dos 1,24 triliões de barris. É preciso contudo ter em conta que muitos países têm as suas reservas muito inflacionadas, já que a OPEP concede quotas de exploração em função da dimensão estimada das reservas e que, por exemplo, o Iraque que possui das maiores reservas mundiais as proclamou, sem bases cientificas, em plena guerra do Golfo, contra o Irão.

Fonte:

Euronews

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O Iraque está a recuperar a sua produção petrolífera…

(http://www.thecolorawards.com)

O Iraque esta a colocar quantidades crescentes de petróleo nos mercados internacionais, à medida que a situação de segurança interna estabiliza. O pais alcançou novos recordes de produção, desde a invasão norte-americana e estes novos níveis de produção têm muito a ver com a colocação em pleno funcionamento do oleoduto do norte, na região autónoma do curdistão. Sendo que este oleoduto é agora seguro em grande medida porque as tribos sunitas que antes o atacavam agora são pagas para… O proteger. Dando razão aqueles que acreditavam que a chave para o problema iraquiano reside não no empenho de mais forcas estrangeiras, mas na “localização” da guerra civil e, sobretudo, fazendo com que as populações locais sejam as primeiras beneficiarias das riquezas do subsolo.

Atualmente, as exportações iraquianas pelo norte ultrapassam já o limite dos dois milhões de barris diários e continuam a subir a ritmo constante. A sul, o Iraque tem mais campos e reservas mais generosas, mas a produção esta ainda estagnada nos 1,92 milhões de barris diários, devido à existência de uma situação de segurança ainda critica.

Estas noticias – que não têm merecido o devido foco mediático – são importantes porque indicam que numa época em que o consumo de hidrocarbonetos começa a ser mais intenso que a produção, existem países com capacidade para injetar mais petróleo no mercado. As noticias de ataques de rebeldes na Nigéria, de tempestades no Golfo do México ou de ataques iminentes (mas nunca realizados) contra o Irão, contribuem, a cada noticia ou rumor, para um aumento dos preços do barril de crude e para a dilatação escândalos dos lucros de especuladores e intermediários. Mas existe um silenciamento quase suspeito das boas noticias – como esta – que fariam diminuir a febre nas bolsas e descer os preços – muito inflacionados – do petróleo… Haverá relação entre este silenciamento e o facto de a maior parte dos grupos de media (que compraram hoje quase todos os media independentes) serem detidos direta ou indiretamente por grande grupos financeiros com grandes presenças nas Bolsas de todo o mundo?

Fonte:

http://www.energy-daily.com/reports/Analysis_Security_allows_Iraqi_oil_output_999.html

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Angola ultrapassa a Nigéria como o maior produtor africano de petróleo


(Campo Offshore de Takula em Cabinda in http://www.baumpub.com)

Pela primeira vez, a produção total de petróleo de Angola vai ultrapassar a da Nigéria, tornando este país lusófono o maior produtor africano de petróleo. Angola é um dos membros mais recentes da OPEP e conseguiu ultrapassar este grande país da África Ocidental com uma produção de 1,873 milhões de barris diários em Abril de 2008, mais 55 mil que a Nigéria. A produção angolana tem vindo a crescer de forma constante, devido à abertura de novos campos offshore ao largo de Cabinda, enquanto que a produção nigeriana tem sido afetada por uma diversidade de problemas nos poços, avarias, danos nos oleodutos e até ataques de forças de guerrilha e danos intencionais nas condutas provocados por populares para extrairem e venderem no mercado negro o petróleo assim recolhido. Estima-se que a capacidade de produção nigeriana atual não seja mais do que 40% da sua capacidade máxima instalada e este desfasamento indica bem a escala do problema nigeriano…

A Nigéria, embora mantivesse desde 1978 o título de maior produtor africano é um dos exemplos mais claros de incompetência na gestão dos fundos do petróleo e de corrupção generalizada. Em resposta a estes problemas, grupos de guerrilha das regiões onde se situam os poços têm vindo a reclamar uma maior transferência de verbas do governo federal e o combate à corrupção que atravessa praticamente todos os segmentos da sociedade nigeriana. Estes problemas estão aliás na base da revolta do “Movimento para a Emancipação do Delta do Níger” (MEDN) que tem sido responsabilizado pela maioria destas ações de sabotagem. Os rebeldes afirmam que os níveis de vida da população desta zona são dos mais baixos da federação nigeriana e que a degradação do meio ambiente deixada pelas companhias petrolíferas estrangeiras, nomeadamente a Shell, está a afetar a exploração agrícola e a atividade píscicola no Níger.

A vantagem angolana, contudo, não deverá durar muito tempo… A greve dos trabalhadores da Exxon Mobil na Nigéria já terminou e com o seu fim, a Nigéria vai injetar no mercado mais 800 mil barris diários. A Shell também já declarou que tinha recolocado em produção as suas instalações danificadas por ataques de guerrilha, contudo, não tendo havido qualquer alteração estrutural, nem ao nível de um incremento das ajudas às populações locais, nem no combate à corrupção, nem sequer no aumento da eficiência das forças policiais e militares da Nigéria no combate contra o MEDN, tudo indica que estes problemas de produção irão regressar num futuro mais ou menos próximo, e logo, que Angola irá retomar esta liderança… Não somente porque a sua produção continua a dar sinais de poder ainda aumentar, mas sobretudo porque como se trata de uma produção offshore está mais protegida de eventuais ataques da guerrilha da FLEC que reclama a independência do território de Cabinda, o qual mantêm um quadro de reclamações (justificadas) que não é muito diferente do MEDN… Com a diferença de que os seus campos estão longe demais para poderem ser atacados, ao contrário dos campos nigerianos.

Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/Analysis_Angolan_oil_output_tops_Nigeria_999.html
http://www.africanews.com/site/list_messages/18285

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Petróleo, Gás Natural e o seu Pico de Produção e… algumas vantagens do aumento do preço do petróleo


(Instalação no Brasil de rede de gasodutos in http://www.camposgeraisemais.com.br)

“A produção de gás natural da Europa deverá atingir o seu ponto de viragem este ano. Para muitos analistas é um primeiro sinal de mais um choque energético no futuro. Por ora, menos mediático que o petrolífero.”

(…)

“A situação começa a ser preocupante em 2015, o que já não está muito distante. Segundo um estudo da AT Kearney, as importações entre 2005 e 2020 vão crescer quase 100%, enquanto que a produção europeia cairá 43%. Ou seja, em quinze anos, de um lado da balança temos uma duplicação, e do outro quase uma quebra para metade!”

(…)

“A Rússia exporta apenas 1/3 da sua produção, e o principal destinatário é a Europa. Os seus principais campos de produção na Sibéria estão em declínio, pelo que os analistas duvidam que a Rússia possa “salvar” a Europa, tanto mais que o seu próprio consumo interno está a aumentar, num ambiente geral de ineficiência energética.”

(…)

“As importações de gás pela Rússia aumentaram mais de 200%.”

Jorge Nascimento Rodrigues

Expresso, 5 de Janeiro de 2008

 

Ou seja, o gás natural, tido por muitos como a grande salvaguarda para quando a partir de 2010-2030 o petróleo começar a entrar em força na sua curva descendente (já adivinhada hoje), não pode sequer ser considerado como alternativa ao petróleo, porque ele próprio está também a entrar em Pico de produção! E nem a Rússia, que no petróleo é também a grande salvaguarda para o declínio da produção (juntamente com a mítica “capacidade de reserva” saudita) poderá acudir já que o seu consumo interno está em ascendente – fruto da melhoria sensível das condições de vida, e logo, dos padrões de consumo – e que ela própria está a começar a importar gás natural do estrangeiro.

E o problema não é apenas europeu, já que o consumo mundial cresce a um ritmo de 5% ao ano (comparativamente o consumo de petróleo cresce a “apenas” 2,25%/ano). Uma das soluções para este esgotamento iminente poderia ser reduzir o desperdício de cerca de 9% na produção e no processo de transporte da produção, um problema especialmente agudo na Federação Russa… Ainda que as reservas russas possam ascender ou não (é uma questão polémica a 30% do total das reservas mundiais de gás) este é um valor impressionante… a verdade é que ao ritmo a que o consumo interno russo sobe cada vez haverá menos gás natural disponível para exportação. Será então persistir nesta crença absurda da infinitude do gás russo e fazer depender a política energética das grandes nações europeias desta fonte? Portugal também tem os seus problemas… O nosso gás vem da Argélia, não da Rússia, mas este é um dos países mais instáveis do Norte de África… A rede de gasodutos é extensa e pode ser sabotada em muitos sítios semidesérticos e a… Al Qaeda parece ter transformado o norte de África na sua nova frente de combate contra os “Cruzados”… As reservas argelinas são as oitavas do mundo e este país é hoje o quarto maior exportador mundial, o que dá segurança a Portugal no contexto da escolha estratégica feita a partir de 1997, tornando o Gás Natural a segunda fonte de energia primária, cujo aumento de importação tem efectivamente satisfeito quase totalmente o aumento de consumo verificado desde 1997. Mas o aumento do preço do Gás desde 2000 está a afectar ainda mais a competitividade da economia portuguesa, ao aumentar os seus custos de produção.

A própria ligação – cada vez mais forte – entre os preços do petróleo e os do gás natural (tradicionalmente indexados) implica que o gás natural não poderá ser nunca uma verdadeira alternativa ao petróleo.

Embora este aumento dos preços do gás natural e do petróleo possam ter apenas uma faceta negativa, na verdade não é assim!

1. O aumento destes preços cria condições para a necessária redução de consumos (Portugal, por exemplo, aumentos em mais de 260% o consumo energético entre 1995 e 2004, quando o PIB cresceu nesse período apenas uma fracção desse valor)

2. Criar condições para o aumento da eficiência energética. Um grande problema português, especialmente no consumo doméstico, e no grande produtor de gás russo… que além de grande produtor é também o campeão mundial da ineficiência energética.

3. O aumento dos preços dos combustíveis sólidos propicia também a que as energias alternativas, mais limpas e com menor impacto para o Aquecimento Global sejam mais rentáveis que as energias convencionais. O preço por Watt dos painéis solares da nanosolar, por exemplo, já é inferior ao preço de produção de electricidade por queima de carvão, por exemplo…

4. Os preços elevados facilitarão assim a transição para um novo paradigma energética: com padrões de maior eficiência, maior ecologia e menor dependência de alguns dos pontos mais instáveis do globo (Golfo do México com um crescente número de furacões e Médio Oriente com o rastilho do islamismo militante).

5. Os preços elevados vão a prazo reduzir as importações de produtos petrolíferos da Rússia e do Médio Oriente e, logo, estancar o aumento da despesa militar russa e dos países do Médio Oriente.

 

 

Fonte:

Energy Bulletin

 

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