Posts Tagged With: Nuclear

O Brasil vai recomeçar a construção do reator nuclear Angra III

A empresa brasileira Electronuclear arrancou recentemente com os trabalhos de construção de um terceiro reator para a Central Nuclear de Angra dos Reis. Este terceiro reator estava no papel desde há 24 anos, mas somente agora, por impulso do governo federal é que a sua construção começou.

O custo total da construção de Angra III deverá ascender a mais de 4,9 biliões de dólares. A construção deverá terminar em 2015. Uma vez construído, o novo reator será capaz de produzir até 1405 megawatts de energia elétrica.

Além de Angra III, o Brasil pretende também construir 8 novas centrais nucleares durante os próximos vinte anos.

O nuclear entra assim como uma fonte estrategicamente importante de energia, fornecendo uma parcela mais importante dos consumos crescentes de um país em desenvolvimento acelerado e sustentado. Atualmente, 85% da energia brasileira é de origem hidroelétrica e apenas 5% de origem nuclear, um desiquilíbrio que este ambicioso plano irá alterar significativamente.

Temos as nossas reservas quanto à Energia Nuclear, mas somos defensores moderados e cuidadosos da adopção do Nuclear Civil… Sem dúvida que as consequências de um acidente nuclear são tremendas e que mesmo os sistemas mais seguros e redundantes podem falhar… mas num país de necessidades energéticas crescentes – como o ,Brasil – e desde que se assegurem o cumprimento estrito de todas as medidas de segurança, teremos o direito de negar o recurso à Energia Nuclear e ao baixo custo por watt e nulas emissões de CO2 que implica? O maior risco do Nuclear nao reside na construção de novas (e modernas) centrais…. reside na sua militarização e, sobretudo, nas dezenas de reatores nucleares obsoletos (alguns com mais de 40 anos) que ainda hoje estão em funcionamento um pouco por todo o mundo.

Fonte:
http://www.nuclearpowerdaily.com/reports/Work_starts_on_Brazils_third_nuclear_reactor_999.html

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O desastre da BP, no Golfo do México permite reequacionar a Questão Nuclear?

Com aquele furo da BP a deitar 4 barris de petróleo por segundo e depois de semanas de envio massivo de petróleo para o oceano, a energia nuclear começa a parecer cada vez mais uma alternativa melhor para muitos… E que estamos aqui perante algo que – apesar da suspeitosíssima mutez dos media – tem um potencial destrutivo muito superior ao de qualquer desastre precedente. Por exemplo, se o Exxon Valdez tinha “apenas” 8 milhões de barris de petróleo (que derramou nas praias do Alasca) este furo já largou mais 20 milhões de barris e tem ainda (pelo menos!) mais outros 60 milhões no seu interior!

Ora, além dos muito evidentes problemas decorrentes da ocorrência (improvável, mas de terríveis consequências) de um novo acidente semelhante ao de Chernobyl, a construção de novas centrais nucleares coloca uma série de questões e de custos que tendem a ser externalizados pelos seus defensores. Desde logo, um país que siga por essa via sabe que se está a sujeitar a deixar que os técnicos assim formados possam rapidamente serem recrutados para o domínio militar, e nem sempre pelo país ou organizações que os formaram e treinaram… o mesmo pode suceder com os materiais e equipamentos nucleares. E por muito seguros que sejam os reatores modernos (e são-no) continuam a produzir resíduos que ninguém sabe como tratar e que – sobretudo – podem facilmente ser usados como “bombas atómicas sujas”.

É verdade que o combustível nuclear descartado pelas centrais nucleares ainda tem uns teóricos 90% de energia por utilizar e pode ser reprocessado. So nos EUA há mais de 60 mil material nuclear passível de ser reprocessado e se lhes somarmos as 900 mil toneladas de urânio criadas pelo programa nuclear militar, então estamos perante uma quantidade de energia ainda maior, de facto, trata-se de uma quantidade de energia superior a todas as reservas de carvão e petróleo combinadas.

Os custos da energia nuclear (sem externalizações) foram avaliados em 2008, nos EUA, como sendo de 1.87 centimos por kw contra 2.75 no carvão e 8.09 no gás natural. E com a instalação dos vários reatores portáteis, de manutenção automática que estão agora em desenvolvimento um pouco por todo estes custos podem descer ainda mais. Compensará assim uma aposta séria e continuada no nuclear? Será que os tremendos riscos que todos corremos caso algo corra (muito) mal num reator nuclear compensam os baixos custos desta energia e a maior segurança ambiental (CO2 e poluição) e as ínfimas emissões de CO2 que o Nuclear garante? Começo a inclinar-me nesse sentido, especialmente quando falamos de reatores de última geração e se fizer um esforço de desmemorização de Chernobyl…

Fonte:
http://www.scientificamerican.com/blog/post.cfm?id=maybe-nuclear-power-isnt-so-bad-aft-2010-05-11

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