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A Constituiçãoo Cidadã Islandesa congelou

Temos seguido com especial interesse o que passa na Islândia. Não só pela forma como responderam à pressão dos especuladores financeiros e da União Europeia, mas também porque encetaram um processo de revisão constitucional com base cidadã.

O problema é que pouco se tem ouvido falar desta inovadora revisão constitucional…

Muitos islandeses que participaram neste processo estão agora desiludidos e acusam os políticos do país de terem congelado a revisão.

O este processo de revisão constitucional cidadã começou em 2009 no auge da crise financeira que assolou o país e que arrastou a economia da ilha para uma abrupta recessão económica. A proposta para uma revisão constitucional deste tipo surgiu no ano seguinte, por iniciativa da então primeira ministra islandesa, Johánna Sigurdardóttir, tendo sido então criado um “Conselho Constitucional Cidadão” composto por 950 cidadãos aleatoriamente escolhidos. Daqui, apuraram-se 522 candidatos, que depois foram a eleições nacionais, tendo sido eleitos 25 delegados que pouco tinham em comum, provenientes de uma grande diversidade de origens sociais, económicas e culturais.

Os problemas neste processo começaram quando o Supremo Tribunal islandês invalidou o processo por alegados “defeitos de forma”. Esclarecida esta polémica, a Câmara Baixa do Parlamento criou um “Conselho Constitucional” com o apoio da maioria parlamentar socialdemocrata e os 25 delegados eleitos. Aos 25 foi dado um prazo de quatro meses para mudarem a constituicao e em julho de 2011, o Conselho entregaria 114 artigos divididos em 9 capítulos, distribuidos por vários temas, como a soberania popular, mudanças no sistema eleitoral, separação de poderes e propriedade dos recursos naturais, entre outros).

Este texto esteve nas mãos do governo islandês durante mais de um ano até que finalmente foi levado a referendo em outubro de 2012. Neste referendo votaram menos de 50% dos islandeses, aprovando-o com 66%.

A nova constituição aguarda agora à vinte meses a revisão por parte do Parlamento, algo que é entendido por alguns dos seus apoiantes como uma forma de atrasar todo o processo já que alguns dos seus artigos (por exemplo, o artigo sobre soberania dos recursos naturais do país) incomoda alguns dos deputados mais conservadores. E, recentemente, o Parlamento apareceu mesmo com a exigência do apoio de dois terços dos deputados, para além da exigência de uma participação de pelo menos 40% da população e a repetição desse nível de participação na legislatura seguinte para que seja confirmada qualquer mudança à lei constitucional.

Na prática, quer através do recurso a subterfúgios manhosos (como a lentidão), quer através da tentativa de imposição de novos limites legislativos, a partidocracia islandesa conseguiu retardar todo este inovador processo de revisão constitucional de base cidadã e participativa…

Fonte:
http://vientosur.info/spip.php?article7839

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A Islândia prossegue o seu processo de revisão constitucional por crowsourcing: um exemplo para Portugal?

Depois de ter dado o exemplo ao mundo pela forma corajosa com que enfrentou a crise financeiro e alavancou uma saída firme da depressão económica (e sem aplicar a perigosa receita austeritária que Merkel impôs a Portugal), eis que a Islândia torna a dar um exemplo de cidadania: em 2011 convidou os seus cidadãos a participarem no processo de redação da nova constituição do seu país usando técnicas de crowdsourcing e aceitando contributos via Twitter e Facebook, num total de 3600 e mais de 300 comentários no site especialmente criado para esse efeito.

O produto deste trabalho colaborativo foi apresentado a votos este ano e, compreensivelmente, logou recolher um apoio de dois terços da população num referendo recentemente apresentado à população islandesa.

Este processo islandês de revisão constitucional começou no decurso da crise financeira de 2008 quando os cidadãos do país exigiram à classe política uma total reorganização do sistema político.

A fase seguinte será levar esta nova constituição a uma votação parlamentar que colocara por fim a nova constituição em vigor.

Ainda que todo este processo tenha decorrido num pais com apenas 320 mil habitantes, em tese, com mais tempo e mais recursos, nada obsta a que seja também aplicado num país da escala de Portugal, conseguindo-se no processo, um quadro legislativo mais próximo e sufragado por um grande número de cidadãos, independente de negociatas mais ou menos obscuras entre partidos políticos e os interesses económicos que se movem na sua sombra.

Fonte:
http://www.scientificamerican.com/podcast/episode.cfm?id=iceland-crowdsources-its-constituti-12-11-15

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Seis aviões F-16 portugueses patrulham os céus da Islândia

Atualmente, a responsabilidade pela vigilância do espaço aéreo da Islândia compete a uma esquadrilha de seis aviões F-16 da Força Aérea Portuguesa. No total, um grupo de 70 militares, entre pilotos e pessoal de apoio está a vigiar o espaço aéreo deste país nórdico (sem força aérea) a partir da base aérea de Keflavic.

A missão portuguesa na Islândia começou em finais de agosto e vai estender-se até meados de setembro.

A necessidade de missões de vigilância aérea na Islândia surgiu com a saída dos norte-americanos das suas bases nesta ilha em 2006. Em consequência, a Islândia – membro da NATO – pediu a ajuda desta organização para patrulhar o seu espaço aéreo, uma necessidade especialmente aguda agora que a Rússia retomou as suas missões de patrulha de longa distância… apesar disso, os aviões portugueses ainda não intercetaram nenhum avião russo, nomeadamente os Tu-95 Bear que os russos utilizam nestes missões aeronavais de longa distância.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=58134

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A “resposta Islandesa” à Recessão Global e o seu mais recente adepto: o FMI

Islândia (http://go.hrw.com)

Islândia (http://go.hrw.com)

A Troika anda toda ufana a propalar que a receita austeritária é a única via possível para os países intervencionados. E apesar de a Troika ser dominada em dois terços pelos alemães (“imperadores” da CE e do BCE) o FMI parece estar a afastar-se cada vez mais do mantra austeritário: com efeito, o FMI acaba de apontar a Islândia como um exemplo a seguir para os países europeus em crise!

Segundo Daria Zakharova, chefe da missão do FMI na Islândia: “A Islândia atingiu objetivos significativos desde o início da crise. Temos perspetivas muito positivas para o crescimento económico do país, especialmente para este ano e para o próximo, porque parece-nos que esse crescimento é sustentado” e disse mesmo mais: “tendo em conta a profundidade da crise no final de 2008, a recuperação da Islândia foi impressionante”.

E qual foi a natureza da resposta islandesa à crise financeira de 2008?… o país – resistindo à pressão internacional (inglesa e holandesa, sobretudo) recusou assumir as dívidas ruinosas dos seus bancos e ao contrário do que se fez e faz hoje por toda a Europa fora em fez de proteger os credores (estrangeiros) deu prioridade aos seus próprios cidadãos. Em consequência, a moeda islandesa tombou de forma espetacular, aumentando assim pela via desta desvalorização a dívida externa do país de uma forma automática. Mas a Islândia não se limitou a recusar assumir as dívidas externas dos Bancos e a deixar desvalorizar a sua moeda. Lançou também uma série de barreiras à fuga de capitais… coisa que não se fez ainda em Portugal e na Grécia, razão pela qual temos hoje fugas massivas de capital para Paraísos Fiscais no norte da Europa.

A “resposta islandesa” colheu frutos: a economia da ilha nórdica cresce hoje a uns confortáveis 2.4% ao ano, o desemprego está abaixo daquele valor a que os economistas chamam de “pleno emprego” (4.8%) e até as caprichosas Agências de Rating começam a melhorar as notações do país…

Moral da história: recusar pagar dívidas impagáveis (a divida total dos bancos era superior ao PIB, como em Portugal), desvalorizar a moeda e bloquear a saída de capitais é a solução. Pelo menos, para o FMI. Falta agora o FMI conseguir influenciar os “imperadores” germânicos que mandam hoje na Europa, e consequentemente, na Troika e fazer com que: Portugal e os demais países intervencionados sigam o conselho de muitos economistas de primeiro plano (como Stiglitz e Krugman) e que reestruturem as suas dívidas, declarando bancarrota parcial (como a Islândia), que o Euro se desvalorize (imprimindo moeda e diminuindo para pelo menos 5% o patamar máximo de inflação) e que se todos os Paraísos Fiscais que hoje prosperam em plena União Europeia (Gibraltar, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Suécia, etc) sejam alvo de uma proibição de transferências bancárias. Depois desta reação tríplice, talvez a Europa possa começar a tornar a crescer e a gerar Emprego… talvez… mas terá sempre que resolver o seu grande problema, que é o da destruição do seu tecido produtivo e a sua deslocalização massiva para o estrangeiro e esse problema, não tem solução fácil… exige soluções ainda mais radicais e corajosas que nenhum líder europeu atual quer assumir.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/fmi-apresenta-islandia-como-exemplo-para-paises-resgatados_150180.html

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A Islândia já perdeu todo o entusiasmo em aderir ao Euro e à União Europeia

Pouco depois do colapso do seu sistema financeiro em 2008, a Islândia procurou aderir rapidamente à União Europeia, como forma de impedir a recorrência de turbulências futuras do mesmo tipo. Mas a atual confusão no sistema financeiro europeu fez os islandeses mudarem de opinião… isso e o facto de a sua economia estar a recuperar rapidamente. Nas ruas, e entre as elites económicas e políticas o sentimento dominante tornou a ser contrário à integração política e monetária na Europa. O turismo está em franco crescimento, beneficiando do facto de a Coroa islandesa valer hoje metade do que valia em 2008, o que tornou o país muito atrativo ao turismo estrangeiro. A indústria da pesca também está de boa saúde, com os stocks piscícolas em bom estado e as exportações beneficiando do baixo valor da moeda nacional. De facto, a imposição de partilha das águas islandesas, determinada por Bruxelas, está até a funcionar como um dissuasor contra a adesão…

Com efeito, com a adesão ao Euro, a Islândia perderia a moeda competitiva que hoje possui e que lhe permitiu recuperar de forma muito sensível as suas exportações e tornar mais atrativo do que nunca o setor do Turismo. Com a adesão à União Europeia, veria as suas reservas piscícolas invadidas pelas frotas de arrastões espanholas, britânicas e francesas. E esse setor é estratégico para esta ilha, já que 3% do seu PIB depende diretamente da Pesca, enquanto que a média europeia é de apenas 1%.

A Islândia, depois de em 2008, nos ter dado a lição de que é preferível deixar os credores perder os seus investimentos especulativos a reduzir pensões, benefícios sociais e criar o caos na sociedade. Em vez de salvar os seus Bancos a todo o custo e sacrificando em seu nome toda a sociedade, a Islândia preferiu deixá-los falir de forma controlada, salvando a economia.

Fonte:
http://www.voanews.com/content/iceland-turns-away-from-eu-as-economy-grows-again/1381587.html

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Dívida Externa e Bancarrota: As lições da Argentina e da Islândia

Portugal entrou – de facto – em Bancarrota em abril de 2011. O pedido de “ajuda” ao FMI/FEEF/BCE sucedeu em decurso desse processo, e vivemos hoje de facto, já nessa situação concecional. Portugal iludiu essa bancarrota transferindo essa dívida para uma dívida à Troika. Daqui a dois anos, quando a “ajuda” acabar, não é crível que Portugal esteja pronto para dispensar novo endividamento, nem que esteja pronto para começar a amortizar a divida anterior. Pelo contrario, em 2013 a opção de declarar bancarrota tornara a estar sobre a mesa.

Importa assim estudar o que se passou na Argentina em 2000 e 2001. O que aconteceu com a bancarrota argentina e qual é a situação atual de um país que em 2000 parecia completamente acabado?

A Grécia – depois de muita volta e revolta – acabou por conseguir um perdão de 50% da sua dívida. A Argentina em 2000 decidiu unilateralmente não pagar a sua. Os efeitos foram os mesmos, mas em escala diversa… O governo Passos Coelho mantém o discurso “politicamente correto” do “bom aluno” e recusar qualquer Incumprimento. Mas importa descartar os dogmas que nos são atirados para os olhos a partir do norte da Europa e que interessam aos banqueiros holandeses, austríacos e alemães, mas que colidem com o supremo (?) interesse nacional português.

Mas há alternativa. Há sempre o exemplo Argentino. Em 2000, o país sul-americano declarou a sua incapacidade de pagar a dívida externa de 95 mil milhões de dólares e recusou a proposta “ajuda” do FMI que a Europa impôs a Portugal. Foi o fim da economia argentina? Não. Desde então o país não tem parado de recuperar, ano após ano. Esta coragem (que faltou a Sócrates e a Passos) demonstrada pela presidente Cristina Kirschner, agora reeleita, e antes pelo seu marido, Néstor criaram as bases para uma economia saudável, prospera e resiliente. Desde 2000, o PIB cresceu 94%, muito acima de qualquer uma das economias regionais. A pobreza conheceu uma descida sem precedentes, caindo 4 pontos percentuais para 21.5%, quase o mesmo que a muito badalada economia brasileira com o seu índice de 21.4% (dados de 2009) e muito melhor que o México com os seus humilhantes 51.3%.

Cumprindo um percurso diametralmente oposto ao português, a Argentina triplicou as despesas sociais, a desigualdade de rendimentos (onde Portugal é um dos 3 piores exemplos europeus) caiu para metade. Hoje, na Argentina, os 5% mais ricos ganham 17 vezes que a media dos cidadãos. Em 2000, ganham
34 vezes.

O exemplo argentino desfaz desde logo um mito: que uma Recessão criada por uma crise financeira implica sempre uma recuperação lenta e plena de sacrifícios. Depois do incumprimento, a Argentina esteve apenas 3 meses em recessão. Portugal deverá estar pelo menos 3 anos. Com sorte. Em 2003, a economia estava já em regime de cruzeiro e assim permaneceu até aos dias de hoje.

Portugal deve assim contemplar a via argentina. E de seguida, olhar para a grega: Três anos depois da “ajuda” da Troika, a Grécia contraí a uma média de 5% por ano.

Não serei, contudo, demagogo. A via argentina deve ser ponderada, mas riscos. Desde logo, implica um afastamento automático dos Mercados financeiros por um prazo que nunca será inferior a dez anos. É também seguro que no dia em que o Incumprimento for declarado o valor real do dinheiro depositado ou investido em Fundos cairá entre 50% a 75%. Há indícios de que alguns números oficiais do governo de Buenos Aires podem estar “apimentados”, como os da inflação e é por isso mesmo que país está no top 25 do Clube da Bancarrota…

Não olhemos assim para a Argentina com uma visão excessivamente cor-de-rosa e otimista. Mas cruzêmo-lo com o algo semelhante exemplo islandês. Na Islândia, a tremenda dívida da Banca não foi absorvida pelos contribuintes. A economia também recuperou de forma robusta e estável e o desemprego está em queda depois da declaração de Incumprimento. O país investiu de novo no setor produtivo (o mesmo que Cavaco mandou desmantelar) e liberto de uma dívida impagável e do seu pesado serviço de divida pode refinanciar essa recuperação.

Daqui se conclui que alem da opção “mais dívida”, transferindo a divida externa para “dívida à troika”, sem mudar realmente o seu peso, nem a estrutura inquinada da economia, não vai resolver nada. Cedo ou tarde, chegara o momento de declarar bancarrota. E então, as lições (boas e mas) da Argentina e da Islândia têm que ser aprendidas.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/o-que-pode-a-grecia-aprender-com-o-default-argentino_129803.html

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A “alternativa islandesa” para sair da Crise

Islândia (http://skvots.net)

Islândia (http://skvots.net)

A Islândia, país que na Europeu sofreu primeiro e como ninguém as consequências da grande crise financeira global de 2008, começa a dar provas ao mundo que o seu original modelo de resposta à crise funcionou: em inícios de junho, o país conseguiu vender mais de 700 milhões de euros a um juro de 4.9%.

Desta forma, os Mercados deram sinais de que acreditam na recuperação islandesa e que a opção islandesa de ter resistido às pressões dos banqueiros e especuladores e de não ter permitido que o Estado assumisse as obrigações da falida banca islandesa e que em 2008 ultrapassavam já dez vezes o PIB da Islândia.

Em resultado da opção islandesa, os seus bancos não têm hoje qualquer representação no estrangeiro e toda a economia se reorientou do setor terciário para o primário, embora a um custo de uma contração significativa da sua economia. Com efeito, a Islândia reorientou a sua economia para a produção de energia, de alumínio e as pescas.

A Islândia desvalorizou a sua moeda (a coroa islandesa) e assim incentivou as exportações o que para além do regresso ao setor primário criou condições para um aumento do PIB na primeira metade de 2011 de 2%. O país – no curto prazo – teve que depender de um empréstimo do FMI para fazer face a necessidades de curto prazo, mas a um juro mais baixo que o juro “punitivo” imposto como castigo a Portugal pelos seus “amigos” norte-europeus.

O sucesso do modelo islandês deveria fazer refletir todos os países europeus que hoje enfrentam a crise da dívida soberana:
1. deixar falir os Bancos falidos
2. a economia reorientou-se do setor terciário para o primário
3. a moeda islandesa foi desvalorizada
4. a Islândia conseguiu um empréstimo do FMI a juros mais baixos que Portugal conseguiu do FEEF

1. Portugal não tem, contudo, o mesmo nível de independência e soberania que este país nórdico. Desde logo, os nossos “amigos” europeus são também os mesmos cujos bancos detêm a maioria da nossa dívida externa (Espanha, França e Alemanha) e estes pressionaram os seus governos a não abdicarem dos seus créditos, obrigando o país a assumir os mais de 2 mil milhões de euros do BPN.

2. A reorientação para o Turismo, os Serviços, a Banca e os Seguros foi imposta pela Europa, que assim destruía a competição industrial, agrícola e pesqueira abrindo (em troca de subsídios) o nosso mercado às importações do norte da Europa.

3. A moeda portuguesa é o Euro e a sua desvalorização não interessa aos “senhores da Europa”, a Alemanha, que não tem pejo em levar o BCE a – inclusivé – aumentar as taxas de juro e assim a agravar ainda mais a crise dos países periféricos.

4. A União Europeia obrigou Portugal a incluir na intervenção externa o seu FEEF, com juros especulativos e que concederam aos países do norte que nos “ajudaram” juros muito interessantes. A muitos trechos, como o juro e até nas medidas impostas, a Europa impôs a Portugal condições muito mais draconianas e recessivas que o FMI.

Estes quatro respostas islandesas estão assim vedadas pela União Europeia a Portugal. Seguir o bom exemplo da Islândia é assim impossível.

A menos que o país saia da União Europeia.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=4A6FC079-3EB5-4B21-B218-3E491C5BADAE&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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As duas vias para a solução da crise financeira portuguesa: Islândia e Argentina

Tumultos na Argentina em 2001 (http://www.verdant.net)

Tumultos na Argentina em 2001 (http://www.verdant.net)

A “solução” para a crise atual não pode passar por dez anos de restrições orçamentais severas para manter os Bancos que – de forma ávida e desbragada – nos emprestaram dinheiro. Com efeito, se o Lucro deve recompensar o Risco, então não se compreende porque é que têm que ser os Estados e o total da população a impedirem que os Bancos espanhóis (são eles os nossos maiores credores) percam dinheiro com os nossos empréstimos.

Portugal tem assim duas opções: Empréstimos draconianos e recessão durante dez anos ou Bancarrota. Parcial (Portugal em 1911) ou Total (Argentina em 2001).

A alternativa argentina (a bancarrota):

As Bancarrotas de Estados não são de alguma forma uma ocorrência rara na História. Em épocas recentes, a Rússia declarou-a em 2004, a Alemanha também o havia já feito em 1923 e 1945.

Quando um país declara bancarrota sacrifica durante anos qualquer regresso aos mercados financeiros uma vez que ao declarar que é incapaz de honrar os seus compromissos financeiros em juros ou amortizações de dívida, os mercados deixam de confiar (compreensivelmente) nele como recetor de novos empréstimos.

Uma das consequências mais comuns de uma Bancarrota estatal são elevados níveis de inflação, os quais serão, aliás, intensificados pela política cegamente monetarista do Banco Central Europeu. Se Portugal declarar bancarrota podemos contar com o mesmo fenómeno que se observou em 2001 na Argentina: uma deslocação massiva de “homens de negócios” com malas de viagem cheias de dólares formando filas nos bancos espanhóis e marroquinos. Foi isso que aconteceu em 2001, com os mais abastados argentinos que inundaram os bancos uruguaios com milhões de dólares e será isso que acontecerá também em Portugal caso o país declare bancarrota. Após este previsível êxodo de capitais, todas as contas bancárias serão previsivelmente congeladas pelo governo, como sucedeu em 2001 na Argentina, após o que dias depois serão reabertas com levantamentos limitados. Isto significa que os pequenos depositadores serão os mais afetados. Será de esperar quedas dos níveis de consumo da ordem dos 60%, e vagas de saques a lojas comerciais. Portugal está na sua maior crise financeira dos últimos cem anos. Em 2001, a Argentina também estava. Mas em 2001, a Argentina podia deixar flutuar a cotação do peso (antes esta tinha estado fixada à do dólar) e em resposta a esta crise foi isso que fez. Em consequência, muitas empresas – que tinham créditos da época em que o peso valia o mesmo que o dólar – abriram falência. O desemprego, que já era elevado, subiu acima dos 25%. A instabilidade política argentina nesta época foi tremenda, com cinco presidentes em apenas duas semanas até que o último, Kirchner declarou oficialmente que o país não conseguia pagar os 115 mil milhões de dólares que devia ao exterior. Curiosamente, um valor que é cinco vezes inferior ao português, com os seus impressionantes 507 mil milhões de euros (2009).

A alternativa islandesa:

As consequências de uma bancarrota podem assim – como se viu no exemplo argentino – ser terríveis. Importa assim observar a alternativa à “solução” argentina: a Islândia. A sua via não tem sido divulgada devidamente porque consistiu numa corajosa resistência ao complexo financeiro-político que hoje governa ademocraticamente a União Europeia. A opção islandesa não serviu os interesses dos bancos europeus, logo estes têm todo o interesse em que se não fale dela nem que esta possível via chegue aos ouvidos dos cidadãos.

Quando em 2007, a Islândia foi o primeiro país europeus a soçobrar perante a crise mundial, declarando bancarrota por causa da falência do seu maior banco muitos desconsideraram o impacto de tal crise alegando que se tratava apenas de um pequeno país com pouco mais de meio milhão de habitantes e que seria facilmente “socorrido” por um empréstimo do FMI. O problema foi que na Islândia a “ajuda” do FMI foi levada a referendo e… derrotada.

Qual será a melhor para Portugal? Ou melhor: qual será aquela que os nossos “amigos” europeus nos vão deixar seguir?… Nenhuma das duas, claro.

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A lição islandesa sobre deixar ou não os Bancos Falidos Falirem…

Islândia (http://go.hrw.com)

Islândia (http://go.hrw.com)

Se há país que hoje demonstra o insucesso do modelo neoliberal e globalizador este país é a Islândia. A bancarrota da Islândia foi o primeiro alerta para que estava muito podre no sistema financeiro mundial e que esta podridão irá rapidamente contaminar outros países desenvolvidos, já que ninguém acreditou que os desmandos bancários islandeses não fossem também regra no resto do Ocidente.

De certa forma o fenómeno de colapso do sistema bancário islandês, repetiu-se de forma muito semelhante, de novo, na Irlanda. Na Islândia, a falência do sistema bancário, fez com que mais de 500 mil depositantes britânicos, alemães e holandeses perdessem as suas poupanças.

Mas há uma licao a tirar. Hoje, a dívida soberana islandesa é de apenas 280 pontos, enquanto que a portuguesa passa os 450. Segundo Gylfi Zoega, professor de Economia na Universidade da Islândia, a razão para esta notável recuperação a partir de uma situação tão negativa foi, na opinião deste economista islandês “deixar os bancos entrar em default em relação com as obrigações para com os bancos estrangeiros” e que “O principal fator por detrás do arrepiar de caminho da Islândia foi a depreciação das taxas de câmbio e o facto de grande parte dos custos da bancarrota do sistema bancário ter recaído sobre os credores estrangeiros e não sobre os contribuintes islandeses. (…) Esta é a estratégia correta para os contribuintes em outros países com sistemas financeiros em crise – o povo nada teve a ver com as decisões dessas instituições financeiras sofisticadas e não há razão alguma para resgatar quem quer que seja”.

Além de terem deixado falir os Bancos falidos (como de resto, também sucede nos EUA), a Islândia permitiu também uma bancarrota parcial nos proprietários de obrigações islandesas em moeda islandesa e deixou desvalorizar a sua moeda em 35% num só ano (2008).

Na altura, a Islândia deixou falir os bancos, sem ter tentado salvá-los, porque não encontrou financiamento internacional, não porque o tivesse realmente escolhido fazer. Mas isso teria colocado a economia islandesa ainda mais difícil: teria défices semelhantes aos irlandeses (mais de 30%!!!). Se a Islândia tivesse aderido ao Euro teria perdido flexibilidade na sua resposta cambial e sacrificaria a competitividade das suas exportações.

A Islândia ainda nas está totalmente recuperada desde o colapso de 2008… e só recentemente é que reencontrou o rumo do crescimento e mesmo este, pela via do aumento do consumo interno gerado pelo regresso ao aumento do crédito. A Islândia tem que prosseguir o caminho de transformar uma economia de base especulativa e financeira numa economia produtiva e exportadora. Mas é já possível tirar do seu exemplo algumas soluções para os problemas financeiros de Portugal: pressão para que o euro realinhe a sua cotação internacional ou até (se a Europa do Norte recusar) a saída da moeda europeia e, sobretudo, deixar simplesmente falir os Bancos que foram mal geridos acima de todos os limites, pagando com fundos do Estado os depósitos particulares e das empresas, e punindo os gestores e acionistas que – cúmplices ou agentes – deixaram os seus Bancos chegar ao estado de BPNs ou BPPs.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/islandia-saiu-do-radar-da-bancarrota=f620951

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Lições a tirar da Crise Irlandesa

Apesar das rápidas, radicais e decisivas medidas decididas pelo governo irlandês, este país continua a estar no top mundial de países com risco de incumprimento. Os sucessivos orçamentos e pacotes recessivos insistem em não acalmar os nervosos mercados financeiros quanto à segurança da dívida pública irlandesa.

As notações da dívida irlandesa não param de cair, tendo descido de A- para BBB+, ou seja a apenas três degraus do “lixo” onde está atualmente a cotação grega. Isto deveria dizer aos irlandeses e aos europeus em geral que a “receita” clássica de lançar pacotes de contenção da despesa e orçamentos recessivos simplesmente não só não “acalma” os mercados, como não faz mais do que criar recessões. Os juros de 5,8% dos empréstimos do FMI e do Fundo de Emergência europeu são também demasiado elevados em momento de crise e acabarão por revelar-se mais parte do problema do que da solução…

As opções ao dispor dos Estados devem assim ser repensadas. Reembolsar por inteiro todos os credores dos Bancos falidos foi manifestamente um erro, no caso irlandês. E a opção islandesa, de recusar pagar aos investidores estrangeiros parece ter sido – a prazo – mais adequada, já que permitiu anular muito do “lixo tóxico” que contaminava o setor financeiro da ilha nórdica e transferiram o Risco para quem o devia assumir: os Investidores e não o Estado.

Mais lições devem ser tiradas da crise irlandesa: nunca um sistema bancário pode ser deixado livre ao ponto de possuir ativos ao nível dos 900% do PIB que foram registados em 2009, o que criou um buraco monumental e ficou o Banco Central Irlandês a injetar na sua Banca um valor superior a todo o PIB do país num único ano.

A crise irlandesa recorda-nos que a regulação bancária deve ser muito mais vigilante e atuante do que tem sido na Europa, que os Bancos falidos devem ser deixados falir e que uma economia não pode fazer assentar o seu crescimento na especulação financeira e através de uma dívida externa crescente e completamente insustentável para o crescimento da economia real e das exportações. Lições a tirar por todos os países europeus. E especialmente por Portugal de forma a não somar todos os seus problemas o problema da Bolha bancária que assolou de forma tão intensa estas duas ilhas do Atlântico.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/crise-do-tigre-celta-nao-acalma=f620657

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