Posts Tagged With: Guiné Conacri

A Guerra Colonial na Guiné Portuguesa: A Operação Mar Verde

A Operação Mar Verde foi uma operação militar secreta levada a cabo pelo exército português e executada em 22 de novembro de 1970.







(Segmentos do excelente documentário “A Guerra” da RTP)

A operação foi executada pelo destacamento de fuzileiros especiais nº 21 sob o comando direto de Alpoim Galvão e tinha como principal objetivo realizar um ataque anfíbio a Conacri, a capital da República da Guiné-Conacri para libertar vários priosioneiros de guerra portugueses aqui detidos. Como objetivos secundários, a Mar Verde devia destruir as lanchas rápidas que o PAIGC mantinha em Conacri e a deposição do regime do presidente deste país, Sékou Touré e a instalação no poder de um grupo oposicionista local.


A Força Aérea no conflito da Guiné Portuguesa (1963-1974)

As primeiras operações de reconhecimento do território a atacar são realizadas por um avião de patrulha marítima Lockheed P2 V5 Neptune.


(Ataque de um comando do PAIGC a um quartel do exército português, na Guiné)

As forças guineenses e portugueses reunidas na ilha guineense de Soga recebem apenas na véspera a informação da natureza da missão para a qual se tinham treinado nas últimas semanas e nem todos recebem bem essa notícia… As forças portuguesas e de insurretos guineenses recebem armas bulgaras compradas no mercado negro pela PIDE e novos uniformes. Os navios portugueses que tomarão parte na operaçao sao pintados de forma a mascarar a sua origem. A frota empenhada na Mar Verde é composta por 4 LFGs (classe Argos), Cassiopeia, Dragão, Hidra e Orion (navio-chefe), e 2 LDGs, a Bombarda (da classe do seu nome) e a Montante (da classe Alfange). Foram as LFGS Dragao e Cassiopeia que recebem as equipas com a missão de atacar os alvos do PAIGC em Conacri.

No total, a força de desembarque ascendia a 400 homens, entre membros dos Comandos Africanos e insurretos guineenses.



(Os Comandos Africanos)

A operação começaria pela destruição das lanchas, de forma a obviar qualquer tipo de reação contra a frota portuguesa, após a qual seriam tomados vários pontos essenciais da capital e destruídos os MiG que se esperavam estar estacionados no aerodromo de Conacri e que em virtude da quase nula capacidade anti-aerea da frota portuguesa lhe poderiam
constituir uma seria ameaça.

A primeira equipa a tocar em terra é a VICTOR que com 14 fusileiros e um guia da FLNG larga da Orion. Quando chegam a terra julgam reconhecer a silhueta de uma fragata soviética, mas esta primeira má notícia não se confirma: eram afinal duas lanchas sobrepostas. Pouco depois todas as lanchas do PAIGC seriam destruidas a granada pelos comandos não sem terem que enfrentar dura oposição das suas tripulacoes e de alguns guardas. Cumpridos os seus objetivos, a VICTOR regressa de bote pneumático à Orion. No total, a equipa sofrera apenas um ferido ligeiro tendo destruído 6 lanchas e provocado cerca de 20 baixas no inimigo. Quando os primeiros comandos regressavam à Orion, já todos os restantes elementos do grupo de desembarque estavam em Conacri.

A equipa OSCAR é formada por 40 militares, comandos africanos e revoltosos guineenses desembarca junto ao quartel da guarda republicana, a elite do exército guineense. Embora esta tenha oposto resistencia inicialmente, rapidamente se mete em fuga ou é abatida. Pouco depois, serão aqui libertados mais de 400 opositores aqui detidos. A força evacua mas deixa no local 20 membros dos revoltosos guineenses.

Simultaneamente, as equipas INDIA e MIKE saiem da Montante para terra mas os homens da FLNG nao querem sair e apenas depois dos Comandos Africanos darem o exemplo é que saiem todos. A INDIA com 10 comandos e um guia da FLNG têm como objetivo a central elétrica onde eliminam duas sentinelas e desligam a energia, cortando a eletricidade a toda a capital.

A equipa MIKE com os seus 15 comandos africanos e 35 elementos da FLNG parte para o campo militar de Samory, a 1 km de distancia com a missao de capturar um importante arsenal do exercito guineense. A guarda do campo reage mas o fogo dos comandos anula-a e o campo é tomado sem dificuldade. As forças invasores apossam-se assim de 15 blindados ligeiros de reconhecimento, 50 jipes e de mais de uma centena de camioes. Varias armas ligeiras sao capturadas no arsenal, que seriam essenciais ao golpe militar que a FLNG queria montar. Praticamente logo depois da tomada das instalações começam a chegar forças da Guiné Conacri e a equipa MIKE é obrigada a responder ao fogo num tiroteio que se prolonga durante mais de 3 horas. As forças governamentais perdem aqui mais de 30 militares mas as forças da FNLG mostram a sua inabilidade militar demonstrando que o objetivo de fazer tombar o regime de Sékou Touré só muito dificilmente poderá ser cumprido… os comandos sofrem 2 baixas (no total, a Mar Verde traria 3 mortos às forças portuguesas). Cumprida a sua missão, as forças portuguesas retiram e deixam no campo as forças da FNLG e mais de cem mortos das forças governamentais.

A equipa ZULU, formada por fuzileiros e comandos africanos chega a terra e divide-se em 3 grupos. Um deles dirige-se à prisão onde estao detidos os 26 prisioneiros portugueses que sao rapidamente libertados e que após uma caminhada de 400 metros embarcaram nas lanchas pneumáticas não sem terem sido atacados por militares de Conacri, que são repelidos.

O segundo grupo da equipa ZULU é formado apenas por comandos africanos e tem como missão atacar o quartel general do PAIGC. Vários elementos do PAIGC sao mortos no assalto. O terceiro grupo ZULU alinha com 21 fuzileiros e um guia da FLNG e deve tomar a Villa Silly, uma das residencias do presidente da Guiné Conacri com o objetivo de o eliminar fisicamente. As sentinelas sao abatidas e o complexo tomado sem que seja vistos traços do presidente. As casas são destruídas e equipa retira e desloca-se para o Campo da Milícia Popular, a situado a cerca de 100. Alguma oposição é aqui encontrada e vencida sem baixas havendo várias dezenas de baixas entre os guineenses.

A equipa HOTEL larga da LDG Bombarda e tem como missao capturar a mais importante radio da capital. Mas desorienta-se e fica na praia atée receber ordem de reembarque.

Através de duas vagas distintas, a Bombarda coloca em terra as restantes equipas: ALFA, BRAVO, CHARLIE, DELTA, ECHO, FOXTROT e GOLF. Formadas por comandos africanos e elementos das FLNG têm como objetivo a tomada de instalacoes governamentais que sao tomadas com relativa facilidade, encontrado fraca resistencia.

A operação foi um sucesso, mas Sékou Touré manteve-se no poder porque estava fora do país e o esperado levantamento popular que as forças oposicionistas na FLNG esperavam não ocorreu devido à resistência das forças do PAIGC na capital contra o ataque português e da FLNG e depois, pela chega de forças fiéis do interior e à presença de um destacamento cubano. Sékou Touré exerceu uma severa e cruel repressão após a tentativa falhada de golpe, apoiada pelo exército português.

Uma vez estabilizado o país o regime de Conacri protesta formalmente nas instancias internacionais. Perante esta reação, o governo português optou pela via da negação mas não consegue evitar 2 resoluções do Conselho de Segurança condenando a Operação Mar Verde e a Nigéria chega a oferecer o envio de tropas para dissuadir novos ataques portugueses. A União Soviética – principal aliado internacional de Conacri – envia 3 navios de guerra para a capital. Até os EUA ficam furioso tendo Kissinger dito: “Esta porcaria desta ditadura só nos traz problemas!” O próprio Spínola viria aliás expressar a sua frustacao para com os resultados da operacao: “o Calvão actuara como para realizar um golpe de mão, sem ter percebido que o fundamental ali era o golpe de Estado”.

Do ponto de vista estritamente diplomático, a Mar Verde é um desastre. O país fica mais isolado do que nunca e as relações com o mais importante aliado internacional – os EUA – nunca irão recuperar. O PAIGS aproveita o escândalo internacional para aumentar as importações de armas soviéticas e chinesas. Em particular, a Marinha do PAIGC sofreu um aumento substancial: para o lugar das 6 lanchas Komar recebeu 6 lanchas P6 e mais outras 6 lanchas de patrulha costeira.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Operação_Mar_Verde
http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde4.html
http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=639170
Segmentos do excelente documentário “A Guerra” da RTP

Categories: DefenseNewsPt, Defesa Nacional, História, Portugal | Etiquetas: , , | 16 comentários

Site no WordPress.com.

Eleitores de Portugal (Associação Cívica)

Associação dedicada à divulgação e promoção da participação eleitoral e política dos cidadãos

Vizinhos em Lisboa

A Vizinhos em Lisboa tem em vista a representação e defesa dos interesses dos moradores residentes nas áreas, freguesias, bairros do concelho de Lisboa nas áreas de planeamento, urbanismo, valorização do património edificado, mobilidade, equipamentos, bem-estar, educação, defesa do património, ambiente e qualidade de vida.

Vizinhos do Areeiro

Núcleo do Areeiro da associação Vizinhos em Lisboa: Movimento de Vizinhos de causas locais e cidadania activa

Vizinhos do Bairro de São Miguel

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern all with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade