Posts Tagged With: goa

“Em 1961, Nehru anunciou que “a Índia não estava disposta a tolerar a presença dos portugueses mesmo que os goeses os quisessem lá”

Controlo de fronteiras em Goa (1961) (http://www.film.queensu.ca)

Controlo de fronteiras em Goa (1961) (http://www.film.queensu.ca)

“Em 1961, Nehru anunciou que “a Índia não estava disposta a tolerar a presença dos portugueses mesmo que os goeses os quisessem lá.”
John P. Cann “Contra-Insurreição em África”

A suprema estupidez do regime de Salazar na questão da Índia portuguesa consistiu precisamente em não dar aos goeses a oportunidade de livremente se exprimirem – na forma de um Referendo livre e isento – sobre a sua vontade quanto à continuação da presença portuguesa, de uma autonomia muito ampla, da independência plena ou da pura e simples integração na Índia.

Historicamente, a União Indiana não tinha (nem tem) a legitimidade para “libertar” Goa já que nem a cidade, nem Damão, nem Diu faziam de facto parte de uma “Índia” passada ou até mítica que nunca existiu historicamente a não ser depois de 1947. Mas se Salazar tinha razão ao sustentar a ilegitimidade das pretensões indianas não a tinha ao não dar aos locais a opção de escolherem os seus destinos. Nehru admitia que um referendo na Índia Portuguesa poderia dar a vitória à continuidade da presença de Portugal, mas Salazar nunca poderia consentir num referendo em Goa… Desde logo porque isso abriria a mesma hipótese às restantes províncias ultramarinas e até à própria metrópole onde as eleições eram pouco mais que formais e a democracia uma ilusão. Como lançar assim um referendo em Goa se um referendo democrático colidia tão frontalmente com os princípios autoritários do regime?

Categories: História, Política Internacional, Portugal | Etiquetas: | 11 comentários

Goa: O lento definar da língua portuguesa…

Pangim
(Rua de Pangim, capital do Estado de Goa em http://www.janelanaweb.com/)

Goa, a outrora “Roma do Oriente” é, ainda hoje, um dos derradeiros bastiões da língua portuguesa na Índia… É claro que actualmente esse bastião está muito reduzido… O Concani é a língua falada por todos os habitantes da antiga colónia e o português é apenas falado nas pouco concorridas cerimónias religiosas praticadas na nossa língua.

Um dos últimos jornais publicados em língua portuguesa (“A Voz de Goa”) terminou a sua circulação no final de década de oitenta, por falta de solvência e com ele morreu a última forma pública corrente do uso da língua. Continua ainda a ser falada entre algumas famílias mais antigas, especialmente aquelas que tinham elementos que estavam de alguma forma ligados à administração colonial pré-1961. Não que antes dessa data o português fosse a língua dominante no território, longe disso, já que se estima que menos de 1,5% da população a utilizasse como “língua materna”. Muitos goeses usavam contudo o português como a sua segunda língua, pressionados pelo seu uso obrigatório na administração do Estado e nas actividades religiosas. As tentativas realizadas no final do século XVII para proibir o uso do concani tinha sido frustadas.

Actualmente, segundo a Fundação Oriente existe um interesse crescente de jovens goeses em aprenderem a língua de Camões, tendo o número de estudantes aumentado ligeiramente desde 2003. A Fundação é aliás hoje o principal veículo da portugalidade no território suportando aulas dadas por 20 professores de português em Goa e apoiando cursos livres da “Indo Portuguese Friendship Society” e do “Xavier Centre of Historical Research”. Mas a situação do português em Goa é aflitiva… Dentro de dez anos, todos os derradeiros falantes “originais” do português já poderão ter falecido já que ainda que a maioria das escolas sejam privadas, os professores de português (cadeira opcional) são pagos pelo Estado, mas apenas continuarão a leccionar se houver um número mínimo de 15 alunos, valor que não tem sido alcançado e logo, que teria suspendido as aulas, não fosse a Fundação Oriente a compensar a perda de alunos e a financiar as despesas de cada aula de português… E de facto, os jovens goeses não têm, retorno num investimento no português… As perspectivas de carreira locais são nulas, o apelo da emigração reduzido e os intercâmbios económicos entre a antiga colónia e Portugal são insuficientes para gerar qualquer massa crítica sendo a Caixa Geral de Depósitos a única empresa portuguesa presente…

Fonte:
Super Goa

Publicado também em Nova Águia

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Categories: História, Movimento Internacional Lusófono, Nova Águia, Portugal | Etiquetas: | 7 comentários

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