Posts Tagged With: Geórgia

Israel estaria a preparar um ataque às instalações nucleares do Irão usando bases na Geórgia

Segundo algumas fontes, os Estados Unidos teriam cancelado uma grande remessa de armamento para a Geórgia, quando souberam que este país do Cáucaso estava a colaborar com Israel na preparação de um ataque aéreo ao Irão. A remessa (cancelada pelo próprio Obama) incluiria uma grande quantidade de armamento ligeiro, helicópteros e algum armamento pesado não identificado. Outra possível fonte deste cancelamento pode ter sido uma pressão russa, agora que o clima entre Putin e Obama é de “degelo”.

Mas a tese mais interessante é de facto aquela segundo a qual Israel estaria a preparar o uso de aeródromos junto a Tbilisi como ponto de apoio para um ataque aéreo às instalações nucleares do Irão. Isso explicaria aliás a presença de três “consultores” israelitas na Geórgia…

A ser verdade, isso implicaria a conivência turca, já que para chegar à Geórgia, os aviões israelitas teriam que atravessar a Anatólia e – o mais importante – implicaria igualmente que este plano israelita está em curso e que não será esta revelação que o irá parar… E de facto, posso admitir que prefiro um mundo em que Israel bombardeira as instalações nucleares do Irão, a um mundo em que o Irão dos Ayatollahs está armado com ogivas nucleares.

Fonte:
http://defensetech.org/2010/01/06/intel-us-shuts-down-arms-shipment-to-georgia/

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A Guerra do Gás: um novo capítulo da Guerra da Geórgia?

Com o fecho das válvulas de gás das tubagens que atravessavam a Ucrânia a caminho da Bulgária, Grécia, Turquia e Macedónia, a Rússia abre um novo capítulo da… Guerra da Geórgia. Embora estes países da periferia da Europa sejam os mais afectados pela intransigencia russa – sempre pontilhada por acusações de que a Ucrânia estaria a desviar para si própria este gás – a verdade é que outros paises da Europa Central estão já a sofrer com o corte russo. Esse é o caso da Áustria, Alemanha, Itália, França, Eslovénia, Polónia, Croácia e Hungria. Uma lista que inclui os dois mais influentes e poderosos países da União. O grau de redução é variável, com países como a Eslovénia a perder 90% do seu gás e a Polónia

Fontes ucranianas (a empresa Naftogaz), a Rússia teria reduzido em dois terços os fornecimentos de gás com destino à Europa. O problema – recorrente – começou em 1 de janeiro quando a empresa russa Gazprom cortou o abastecimento de gás ao seu vizinho ucraniano depois de as negociações para o pagamento de uma dívida de 2 biliões de dólares. Supostamente, em 30 de dezembro, o governo ucraniano deu ordem para que a empresa nacional de gás obtivesse um empréstimo a partir de dois bancos estatais e com a garantia do banco central para que esse dinheiro fosse entregue à Gazprom, só que esta disse que… nunca viu a cor desse dinheiro. Mesmo que esse dinheiro apareça (o que é duvidoso), há ainda a questão do preço do gás, que a Ucrânia diz ser demasiado elevado.

Uma coisa é certa: a situação atual interessa à Ucrânia e à Rússia, simultaneamente. E não interesse à União Europeia, que se deixou enredar nesta trama nebulosa e que depende perigosamente de um fornecedor instável e caprichoso, exatamente como depende demasiado do petróleo produzido no Médio Oriente (os EUA e a China têm fornecedores de petróleo muito mais diversificados). A Ucrânia – ou melhor, os ucranianos – sofrem as agruras do Inverno, sem o gás para os aquecer, e as suas empresas têm que lidar com mais um problema, num dos países mais afectados pela crise global do mundo, mas o seu governo encontra no conflito uma justificação externa para o seu mau desempenho económico, reforça a crença popular no “perigo russo” e assim congrega apoios internos e… culpabiliza a Rússia e desvia parte do gás que precisa alegando que os russos não o estão a enviar e assim aumenta as suas ligações com a UE e reforça as suas hipóteses de aderir à NATO e à UE. A Rússia, por sua vez, “disciplina” os seus vizinhos ucranianos e pune-os pela sua vontade de aderir à NATO e pelo apoio que deram à Geórgia nesse conflito…

Felizmente, Portugal está isento de toda esta turbulência já que todo o nosso gás é de proveniência argelina.

Fontes:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355123&idCanal=11
http://www.euronews.net/en/article/07/01/2009/eu-gets-caught-up-in-gas-row-as-members-feel-chill/
http://www.reuters.com/article/marketsNews/idUSLU15776220081230
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355211&idCanal=11

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Geórgia, NATO e as promessas vazias (e perigosas) da senhora Merkel

(Merkel na Geórgia in http://i1.turkishpress.com)

A chanceler alemã Angela Merkel exprimiu recentemente o seu desejo de permitir a adesão da Geórgia à NATO: “A Geórgia será um membro da NATO se o desejar ser – e ela quer ser“. Já no passado mês de Abril, na última cimeira da NATO em Bucareste, na Roménia os líderes da NATO tinham admitido que a Geórgia e a Ucrânia poderia juntar-se à NATO num futuro próximo e o excesso de confiança resultante desta declaração esteve na direta razão da tentativa do presidente georgiano de retomar o controlo sobre a região rebelde da Ossétia do Sul.

Na verdade, estas renovadas declarações de apoio continuam a exprimir uma grande falta de consciência por parte dos líderes da NATO. Desde logo, renovam o excesso de confiança georgiano que ao fim ao cabo esteve na direta razão deste conflito, e depois, garantem algo que não pode ser garantido! Pode Merkel ou Bush assegurar que todos os atuais membros da NATO vai concordar com esta polémica adesão? A Grécia bloqueia a adesão da Macedónia e a Turquia a de Chipre, nenhum membro atual da NATO tem objeções à entrada da Geórgia? Merkel pode falar com autoridade em nome deles todos? Certamente que não… E o que sucede ao famoso artigo 5º do Tratado fundador da NATO (ver AQUI)?

Artigo 5

As Partes concordam em que um ataque armado contra uma ou várias delas na Europa ou na América do Norte será considerado um ataque a todas, e, consequentemente, concordam em que, se um tal ataque armado se verificar, cada uma, no exercício do direito de legítima defesa, individual ou colectiva, reconhecido pelo artigo 51.° da Carta dias Nações Unidas, prestará assistência à Parte ou Partes assim atacadas, praticando sem demora, individualmente e de acordo com as restantes Partes, a acção que considerar necessária, inclusive o emprego da força armada, para restaurar e garantir a segurança na região do Atlântico Norte.
Qualquer ataque armado desta natureza e todas ais providências tomadas em consequência desse ataque são imediatamente comunicados ao Conselho de Segurança. Essas providências terminarão logo que o Conselho de Segurança tiver tomado as medidas necessárias para restaurar e manter a paz e a segurança internacionais.

Que meios tem atualmente o exército georgiano para resistir a nova ofensiva russa, especialmente agora após os russos terem passado boa parte desta semana a dinamitarem navios de guerra, aviões e blindados capturados neste conflito e – sobretudo – depois de todas as perdas sofridas pelos georgianos neste conflito? A Geórgia não terá nos próximos 10 ou 15 anos meios suficientes para alinhar um qualquer tipo de resposta minimamente credível a qualquer ataque russo e sendo assim, será totalmente dependente de meios externos (da NATO) para se defender. É isso que queremos? Um membro pleno indefeso que depende totalmente dos meios da Aliança? É que como pode a Geórgia cumprir com o Artigo 3 do Tratado:


Artigo 3
A fim de atingir mais eficazmente os fins deste Tratado, as Partes, tanto individualmente como em conjunto, manterão e desenvolverão, de maneira contínua e efectiva, pelos seus próprios meios e mediante mútuo auxílio, a sua capacidade individual e colectiva para resistir a um ataque armado.”

De qualquer forma, se novo país aderir à NATO esta tem que fazer cumprir o seu mais vital artigo, o 5º que indica claramente que um ataque contra um país membro é um ataque contra todos os demais (Portugal incluído). Se a ideia é não reagir imediatamente com todo o vigor, e não apenas com palavras vazias como aquelas que abundaram nestas últimas semanas.

Fonte:
http://www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=982210

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Guerra Geórgia-Rússia: O exército georgiano colapsa e recua em todas as frentes

Uma questão me tem assolado nas últimas horas… Se o exército terrestre da Geórgia tem 5 brigadas de infantaria, uma de artilharia, um batalhão de tanques ligeiros, um batalhão de tanques, agrupando num total 28,739 homens, não contando com os perto de 200 mil reservistas mobilizados desde domingo e se estas forças alinham 280 T-72 (vários modelos), 80 BMP-1, 120 BMP-2, 75 BTR-80, para além de numerosa artilharia fixa e um invulgarmente elevado número de pelas de artilharia autopropulsionada (quase 100 unidades), então… como se explica que a Geórgia tenha perdido já o controlo de mais de metade do seu território, esteja dividida em duas pelas colunas russas e que haja já forças adversárias a menos de 50 Km da capital, Tbilissi, sendo calmamente entrevistas pelos jornalistas? Até sábado, a Geórgia tinha reconhecido ter perdido 50 soldados e ter 450 dos seus militares feridos, o que não explica este colapso em todas as frentes…

Há assim sinais claros de que o exército georgiano está simplesmente a desertar em massa e a retirar da frente mesmo sem receber ordens para tal… No mesmo momento em que forças especiais russas Spetnaz e unidades paraquedistas entravam em Tskhinvali, no Sábado, alinhando entre 1500 a 2500 homens, as forças georgianas começavam a abandonar a cidade “unilateralmente”, isto é, sem travarem combates diretos além de duelos de artilharia. Após esta conquista, e nos arredores desta cidade, os russos teriam perdido cerca de 30 blindados (BMPs, sobretudo), segundo fontes georgianas, mas omitindo números de soldados mortos ou feridos de ambos os lados…

A força aérea georgiana não aparece no cenário de guerra, deixando os Su-25 (fabricados na Geórgia no tempo da URSS…) e os Tu-22 russos de mãos livres para bombardear o seu país. O que se explica quando se nota que os interceptores MiG-21 e MiG-25 que anos antes constavam do seu inventário agora desapareceram e que a Geórgia… não tem um único interceptor para colocar no ar, já que os Su-25 são aviões de ataque ao solo! A Geórgia afirma ter abatido 10 aviões russos, mas está claramente a exagerar, já que não está a exibir as suas carcaças ou então está a contabilizar também UAVs, seguindo a tradição do antigo ministro da informação iraquiano… Os russos confirmam apenas a perda de dois aparelhos, afirmando também ter abatido 5 aviões georgianos, (3 Su-25 KM e 2 2 L-29).

Na Abkhazia, as forças independentistas, apoiadas por Su-25 e artilharia russas (e 135 blindados russos, segundo a AP), expulsaram o exército da Geórgia do último fragmento que esta ainda ocupava nas montanhas a leste nesta república separatista e isto apesar do envio de comboios carregados com tropas e blindados georgianos desde o porto de Batumi até à Abkhazia no passado sábado. Na verdade, forças rebeldes abkhazes ergueram até a sua bandeira no rio Inguri, já bem dentro do território georgiano e completamente além da fronteira da sua “república”, exprimindo assim a total derrota das forças georgianas… Por seu lado, as forças russas, ocupam aliás a cidade de Senaki, perto da fronteira abkaze…

Na verdade, a estratégia dos comandos militares georgianos revela uma incapacidade quase absoluta para cumprir a sua missão de defender o país… Depois de terem cometido erros clamorosos ao não terem bloqueados vias de comunicação essenciais entre a Ossétia do norte, russa e a a capital da Ossétia do sul que acabavam de tomar, agora, ou decidem retirar de todas as frentes a caminho de Tbsilisi ou deixam que as forças na frente desertem e recuem em massa para o interior do território deixando espaço livre às colunas militares russas. Oficialmente, a estratégia é retirar para a capital, e os 2000 soldados da brigada de élite que estão a caminho desde o Iraque serão estacionados precisamente na capital.

Os russos estão entretanto a violar as suas próprias promessas e aproximar-se mais e mais da capital georgiana, estando a menos de 60 minutos de Tbilisi (no momento em que escrevo estas linhas) e sem sinal de oposição pela frente. Gori, uma importante cidade georgiana a norte de Tbilisi, foi tomada hoje sem um tiro por perto de 50 blindados e menos de 7000 soldados russos. Zugdidi, na Geórgia ocidental está também conquistada, assim como as cidades de Zugdidi e Kurga, na mesma região. As forças georgianas que retiraram destas cidades apressam-se a caminho de Tbilisi, acenando aos civis que encontram para retirarem com eles, também…

Curiosamente, o único local onde o exército georgiano parece ainda empenhado em se bater é a Ossétia do sul, onde os seus snipers ainda estão muito ativos e onde ontem foram vistos 6 helicópteros de ataque Mi-25 atacando alvos russos.

Em suma. O exército georgiano evaporou-se e as posições que está a ocupar em torno de Tbilisi serão abandonadas logo que as colunas russas estiverem à vista.

Fontes:
http://georgiandaily.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5578&Itemid=65
http://en.wikipedia.org/wiki/Military_of_Georgia#Land_Forces
http://www.armytimes.com/news/2008/08/ap_russia_georgia_081208/
http://network.nationalpost.com/np/blogs/fullcomment/archive/2008/08/11/tom-philip-georgia-s-firecracker-president-loses-control-of-his-fuse.aspx http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/europe/article4509692.ece

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Sobre o afundamento de um “navio lança-mísseis” georgiano e do andamento atual da guerra Rússia-Geórgia


(A corveta lança-mísseis “Tbilisi” da marinha georgiana in http://redbannernorthernfleet.blogspot.com)

Ontem os media foram inundados de referências a um afundamento de um “lança-mísseis” georgiano por parte da marinha russa. A notícia intrigou-me porque não é todos os dias que temos relatos de confrontos navais (são mesmo muito raros na história recente) e ainda mais por referirem o afundamento de um navio “lança-mísseis”, coisa que eu não me lembrava de ver no inventário desse país do Cáucaso… A notícia dos nossos media era muito lacónica, mas noutras fontes internacionais dizia-se que o afundamento tinha ocorrido perto da costa da região separatista da Abkhazia e depois de um grupo de navio georgianos ter por duas vezes tentado atacar navios russos, isto segundo um porta-voz do ministério da Defesa russo, claro: “os navios russos abriram fogo e como resultado um dos navios georgianos afundou-se”. Hum. Não vejo aqui referencia a “navio lança-mísseis”…

A marinha georgiana tem dimensões modestas, mesmo para a extensão de costa do país e efetivamente tem como unidades mais notáveis duas “corvetas lança-mísseis”, o Tbilisi e o Dioskuria. O resto dos navios combatentes é composta por pequenos patrulhas, armados com canhões, que não se enquadram nesta tipologia de “lança-mísseis”.

Segundo uma fonte iraniana, as forças russas envolvidas teriam pertencido à 41ª Brigada de Navios Lança-mísseis composta pelos navios:
966 Missile Boat R-44 Matka Mod 1978
955 Missile Boat R-60 Tarantul-III Mod 1985
962 Missile Boat R-71 Tarantul-II Mod 1985
952 Missile Boat R-109 Tarantul-III 1991
953 Missile Boat R-239 Tarantul-III 1991
954 Missile Boat Ivanovetc Tarantul-III 1988

Ou seja, por seis corvetas lança-mísseis de classe Matka e Tarantul II e III. Segundo algumas fontes, o navio georgiano teria atacado os navios russos com foguetes (ou mísseis? estes jornalistas confundem sempre…), falhado e recebido de volta uma salva que a teria afundado. Há a possibilidade de ter sido um encontro de curta distância e de este afundamento ter ocorrido por via de canhões, mas sendo os navios envolvidos lança-mísseis e sabendo que transportam apenas 1 AK-176 76.2mm/59cal DP e dois AK-630M gattl. AA (6 x 30 mm; r: 6’000 rds/m/mount) não me parece que tenham poder de fogo para afundar um navio de médias dimensões a tiro de canhão…

A citação do militar russo refere também um “grupo de navios”, o que quer dizer que além do navio afundado, outros participaram da ação e sairam ilesos… Ou danificados, mas não o suficiente para serem afundados, o que é improvável, dado que se tratam de pequenos navios e que os mísseis das Tarantul são os eficientes (e pesados) 4 x P-15 Termit/SS-N-2 Styx ou 4 x P-270 Moskit/SS-N-22 Sunburn ou 8 x Kh-35 Uran/SS-N-25 Switchblade. Na Rússia consta que o navio afundado teria sudo o Tbilisi, comprado à Ucrânia em 1999, mas a informação não foi ainda confirmada por fontes georgianas. Este navio é um antigo navio soviético (“project 206MR“), armado dois lançadores “Termite” e armado com mísseis SS-N-2C Styx. Ironicamente este navio antes de servir na armada georgiana chamava-se “U-150 Konotop” e servia na… frota russa do Mar Negro (até 1981). A outra corveta lança-mísseis georgiana é a “Dioskuria”, de origem francesa e da classe La Combattante II que a Grécia vendeu à Geórgia em 2004. Este navio está armado com 4 MM38 Exocet e é considerada o navio mais poderoso da pequena armada georgiana, mas não encontrei nenhuma referência ou rumor que a desse como o navio envolvido neste incidente… Por isso, o navio afundado deve mesmo ter sido a “Tbilisi”.

Por outro lado, a guerra está a correr mesmo mal para a Geórgia… A cidade de Gori foi tomada pelas forças russas e estas continuam a avançar bem dentro do território georgiano, aparentemente sem encontrarem oposição significativa. Colunas russas estão prestes a tomar várias cidades da Geórgia ocidental e segundo o próprio presidente deste país do Cáucaso, conseguiram já cortar o país em dois, tudo isto depois de um general russo ter declarado ontem que a Rússia não tencionava penetrar no território georgiano, apenas “libertar” a república separatista da Ossétia do Sul… Aparentemente o colapso da frente georgiana é tão profundo que as forças russas estão a explorar ao máximo a sua vantagem, e as forças blindadas georgianas (os perto de 130 T-72 que dispõe) ou já foram completamente batidos (têm sido vistas várias carcaças destes tanques) ou estão a ser guardados para um eventual avanço contra Tbilisi, a capital georgiana, algo que agora parece ser provável, especialmente depois de ontem, Putin ter declarado que “o problema era o presidente georgiano”… Terão assim, como objectivo depôr o presidente (eleito) da Geórgia, e assim, ocupar todo o país?

Fontes:
http://lenta.ru/news/2008/08/10/destroy1/index.htm http://www.turkishdailynews.com.tr/apdetailspage.php?id=d91c1f3c96da09395e2337e4c0e8620109ea5e9 http://uk.news.yahoo.com/itn/20080810/twl-russians-sink-georgian-boat-41f21e0.html
http://www.breakingnews.ie/world/mhqlmhkfojkf/rss2/ http://hosted.ap.org/dynamic/stories/G/GEORGIA_SOUTH_OSSETIA?SITE=CADIU&SECTION=HOME&TEMPLATE=DEFAULT http://redbannernorthernfleet.blogspot.com/2008/05/russian-mil-blogger-turns-his-gaze-on.html http://edition.cnn.com/2008/WORLD/europe/08/11/georgia.russia/index.html

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Da barbárie em curso na Geórgia e da agressão russa

Surgem notícias que dão como certa a retirada das forças georgianas da capital da Ossétia do Sul (ver aqui), assim como do envio de novas forças blindadas russas para a região. Simultaneamente, a Rússia está a bombardear alvos militares, aerodromos, fábricas, portos e até edifícios civis um pouco por toda a Geórgia do norte. O objectivo parece duplo:

1. destruir as vias de comunicação de forma a impedir o envio de reforços georgianos para a linha da frente,

2. intimidar a Geórgia com uma demonstração de força que retire o apoio popular à tentativa de recuperação da Ossétia do Sul.

As imagens mais cruas do conflito continuam a ser bloqueadas nas nossas televisões… Que passam as mesmas imagens de forças georgianas reunindo-se e partindo em pickpups e autocarros, assim como alguns soldados com ferimentos ligeiros. As imagens que a Al Jazeera está a passar desde esta madrugada não surgiram ainda e revelam amplos danos em edifícios civis, mulheres e crianças feridas e forças pesadas georgianas (T-72 e BMPs) a caminho da frente, assim como vetígios de blindados (presumivelmente russos ou ossetas) em ruas de cidades na Ossétia do Sul. Estaremos a assistir a uma “limpeza mediática” desta guerra? No passado conflito do Líbano, os media não hesitaram em passar imagens de vítimas civis dos bombardeamentos israelitas, porque o fazem agora, com a Rússia? Porque utiliza tais tácticas – dignas das mais bárbaras ditaduras do 3º mundo – a Rússia? Já se sabe porque o pode fazer: fraqueza dos EUA, incapazes de usarem mais do que palavras pelo seu fiel aliado georgiano, assento no CS da ONU, armas nucleares, etc… Mas onde está a moral e a honra destes senhores do Kremlin? E porque não estamos também a ver estas imagens nas televisões?

Talvez estejam demasiado ocupadas a fazer o panegírico olímpico do regime chinês…

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A Guerra entre a Rússia e a Geórgia: algumas variações sobre o tema

A resposta russa à retomada de controlo por parte da Geórgia do seu território na Ossétia do Sul é a primeira intervenção no estrangeiro do exército russo após a humilhante retirada do Afeganistão, em 1989. Esta atrevida reacção à operação do exército georgiano no seu próprio território só é possível no atual contexto internacional de reforço da Rússia pela via das exportações de petróleo e gás e devido à presente situação dos EUA no mundo, agastados com uma guerra no Iraque que lhe consome todos os recursos e governados pelo presidente mais impopular de sempre.

A Geórgia tem no seu território duas províncias rebeldes que gozam desde a guerra de 1992 de uma independência de facto: a Ossétia do Sul e a Abkhazia. Ambas, são regiões habitadas predominantemente por russos. Segundo a Lei Internacional, esses territórios são parte integrante da Geórgia, ainda que a maioria da sua população deseje a independência e seja etnica, cultural e linguísticamente distinta da restante população da Geórgia. Como… sucedia com o Kosovo, que a maioria das nações europeias se apressaram a reconhecer e que logrou ver a sua independência da Sérvia reconhecida sobretudo pela pressão dos EUA. Agora, a Rússia invoca o mesmo princípio para defender a independência (ou futura anexação na Rússia) destes dois territórios “russófilos” e torna-se flagrante que todos aqueles que criticiaram a independência do narco-estado Kosovar, pelo perigoso precedente que este impunha tinham razão… a caixa de Pandora está aberta e agora a Rússia usa os mesmos argumentos a seu favor.

A guerra em si mesma, tem o desfecho assegurado. Embora o exército georgiano não seja tão fraco como têm feito querer algumas notícias, não tem meios para suster uma guerra de elevada intensidade contra um exército como o russo durante muito tempo. Logo, as operações militares vão começar a abrandar nos próximos dias e fa-lo-ão apenas quando os russos declararem que os seus objectivos estão alcançados. E isso consistirá na expulsão da Ossétia do Sul de todas as forças georgianas que nela penetraram.

As forças georgianas têm impressionado os seus aliados no Iraque, pelo seu profissionalismo e elevado grau de prontidão. Estes dois mil homens que aqui estão destacados, são proventura dos mais bem preparados do exército georgiano, mas não são a excepção. Recordemo-nos que este país trava uma guerra de baixa intensidade com a Rússia e os separatistas do norte desde a sua separação da União Soviética e que as suas forças estão geralmente bem preparadas e treinadas. As imagens recentes de soldados sendo transportados em pickups e autocarros públicos são normais num contexto de guerra total, em que importa levar para a frente a maior quantidade possível de forças. Mas estas imagens – que passam sem cessar nas TVs – também são acompanhadas por colunas de tanques T-72, dos quais a Geórgia tem mais de 200 unidades, bem que os 140 que a Rússia terá feito entrar pela Ossétia do norte… E se temos visto muito as viaturas de reconhecimento de fabricação turca Otokar Cobra, a Geórgia não deixa de poder alinhar também com 200 BMP-1 e 2, assim como mais de 70 BTR-80. Nesta guerra, a decisão do vencedor será ditada – com em todas as outras – pela capacidade de concentrar meios e de os abastecer… No primeiro aspecto, a Geórgia tem a vantagem de estar mais próxima das suas bases, e o mesmo vale para os abastecimentos… Mas não tem a força aérea capaz de controlar os seus céus e de assim impedir os ataques aéreos que a Rússia já está a conduzir contra estradas, pontes e portos numa estratégia de “guerra global” que não víamos desde a Guerra do Kosovo, da NATO contra a Sérvia… É que além de um numeroso grupo de 35 aviões de ataque ao solo Su-25 (fabricados localmente na época soviética), apenas pode contar com os obsoletos 18 MiG-21 e com excelentes mas talvez inoperacionais 12 MiG-25… Um alinhamento incapaz de enfrentar com sucesso os conhecidos Su-27 da Força Aérea Russa.

Esta guerra é uma afronta russa na face da NATO. Em Abril, a NATO prometeu que deixaria que a Geórgia aderisse – provocando a ira russa, que assim se sente cada vez mais cercada – e esta guerra tem aqui também uma forte motivação… As forças da geogira combatem no Afeganistão e no Iraque ao lado das forças dos EUA, e este apoio (raro) carece de contrapartidas… mas atualmente, os EUA estão em declínio e Bush pouco pode prometer aos seus aliados caucasianos do que vãs e ocas palavras que a Rússia sabe que nunca poderão passar disso mesmo.

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