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O que se passa no Mali já não é apenas a revolta dos tuaregues contra o corrupto Estado maliano sediado em Bamako

Dois APCs franceses no Mali (http://www.csmonitor.com)

Dois APCs franceses no Mali (http://www.csmonitor.com)

Quem segue o Quintus sabe que não tenho pudor em defender o uso da força armada sempre que entendo que esta moralmente se justifica. Ora, o que hoje se passa quer na Síria, quer no Mali, justifica o uso ético desta força. Na Síria, apenas a cumplicidade assassina da autocracia russa e da ditadura pequinesa permite que o regime persista no poder. No Mali, contudo, os islamitas radicais do norte não têm esse tipo de apoio… apesar disso, durante meses, nada se fez, e as grandes “potencias” mundiais deixaram que os radicais instalassem confortavelmente um Estado dentro do fraco, corrupto e ineficiente Estado maliano.

Não muito longe das suas fronteiras do sul, a União Europeia deixou que se instalasse no norte do Mali um regime medieval, retrógrado e profundamente violento: destruição de património histórico não-muçulmano ou não conforme à tendência islâmica dominante na coligação islamita, massacres de civis, prepotências várias, aplicação dos aspetos mais cruéis da Lei Islâmica (Sharia), com cortes de mãos e outras barbaridades medievais, tudo financiado com o dinheiro da droga que chega ao Mali pelas estradas que começam no narco-estado impune da Guiné-Bissau.

O que se passa no Mali já não é apenas a revolta dos tuaregues contra o corrupto Estado maliano sediado em Bamako. O ataque às instalações de extração de gás na Argélia mostrou combatentes islâmicos oriundos de todos os países que habitualmente fornecem recrutas à Al Qaeda e de outros que nem tanto (p. ex. O grupo que atacou o campo de gás argelino era chefiado por um canadiano). Com efeito, esta Coligação islamita já é muito mais que um “grupo tuaregue” e agrega militantes e combatentes de praticamente todo o mundo islâmico, com armas capturadas ao extenso arsenal de Kadafi e batidos dos conflitos líbio, iraquiano e afegão. Boa parte destes combatentes islâmicos no Mali, de facto, já tem mais experiência de combate que as forças terrestres francesas que os combatem hoje no norte do Mali…

O conflito do Mali, a incapacidade em devolver a Guiné-Bissau à “normalidade institucional e democrática e a atitude tíbia e inconstante da CPLP, da ONU e da CEDEAO em relação a estas duas crises expõe as fragilidades do atual sistema internacional de segurança e a necessidade imperativa da sua reforma: desde logo, o Conselho de Segurança tem que ser estendido além daqueles que hoje têm aí assento permanente e o direito de veto tem que ser revogado e substituído por um voto de maioria simples. E tem que haver forças semipermanentes prontas a intervir rápida e decididamente em situações de crise… se a crise no Mali é hoje tão grave isso deve-se precisamente ao tempo que os islamitas do norte tiveram para consolidar posições e preparar a atual marcha para sul.

Por outro lado, os islamitas do Mali tem duas fontes de rendimentos para sustentar as suas guerras: uma menos importante e que são os resgates cobrados a raptos de ocidentais. E outra, a maior, que são as comissões no tráfego de cocaína colombiana, e cujo circuito começa na Guiné-Bissau. Se a CPLP tivesse intervido atempadamente e deposto o narcoregime militar em Bissau talvez agora a comunidade internacional não tivesse em mãos a crise maliana. Talvez.

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O exército francês encontra obstáculos imprevistos na sua ofensiva contra os islamitas no Mali

Militares franceses em Bamako (Mali)

Militares franceses em Bamako (Mali)

Apenas alguns dias depois do arranque da ofensiva francesa no Mali os rebeldes islamitas dão provas de uma resiliência que não era esperada por todos. Bem treinados, equipados com armamentos capturados na Guerra Civil líbia e experimentados nessa guerra civil, os combatentes do MUJWA, a coligação islâmica que ocupa o norte do país e que ameaça agora o sul dessa nação africana, estão a resistir mais ativamente do que se esperava.

Respondendo ao avanço francês contra Konna, as forças do MUJWA avançaram para o flanco, invadindo a cidade de Diabaly, a 400 km de Bamako, a capital do Mali, numa operação bem planeada e melhor executada, com pequenos grupos de rebeldes passando o rio durante a noite e concentrando-se na manhã seguinte, tomando a cidade de assalto a um exército governamental muito desmoralizado e desorganizado.

Sem poder contar de forma efetiva com o exército governamental, os franceses esperam a chegada de uma força multinacional composta por países da região para receberem o tipo de apoio que localmente não conseguem obter. A operação está assim ameaçada pela ineficiência do exército local, pela lentidão e impreparação das forças africanas que deverão começar a chegar ao Mali nos próximos dias e, sobretudo, pela escassez de meios empenhados por França neste cenário: algumas centenas de soldados, cerca de dez Rafale e meia dezena de helicópteros de ataque ao solo Gazelle, dificilmente serão suficientes para inverter a vantagem islamita no território de um país tão extenso como o Mali.

Sem mais meios, a instalação do “O Estado Islâmico de Azawad”, dos rebeldes tuaregues que servem de cerne a essa aliança islamita que nas últimas semanas tem destruído o património cultural de Tumbuktu e que começou agora a conquistar cidades no sul e a avançar paulatinamente para o sul, até Bamako, parece impossível de impedir.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/contraataque-islamita-coloca-franca-em-dificuldades_160172.html

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O primeiro Rafale F3 dispara com sucesso mísseis Meteor

Em outubro de 2012, foi entregue o primeiro Rafale de produção equipado com o primeiro radar AESA RBE2 e foi lançado pelo aparelho francês o primeiro míssil Ar-Ar Meteor. O aparelho é o Rafale B301 e no começo de outubro realizou dois lançamentos do Meteor.

Em finais de 2010, o governo francês encomendou duas centenas de Meteor, pouco depois um contrato de integração do míssil no Rafale era assinado, permitindo assim que o aparelho seja agora capaz de atingir alvos a muito longas distâncias. O míssil, fabricado pela MBDA, tem uma propulsão ramjet e juntamente com o MICA (de curtas distâncias) serão os dentes do Rafale F3, cujo primeiro modelo de produção foi entregue nos começos do mês de outubro. O Rafale consolida-se assim como um aparelho de combate cada vez mais capaz e com provas de fogo real já amplamente prestadas no cenário afegão e líbio.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/aesa-radar-meteor-missile-firings-advance-rafale-fighter-45152/

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A França prossegue a sua retirada militar do Afeganistão

A França prossegue a sua retirada militar do Afeganistão. No dia 11 de julho, foi realizada a última patrulha aérea, realizada por dois Mirage 2000D, lançada para proteger um comboio da coligação na província de Farah.

Os primeiros aparelhos franceses chegaram ao Afeganistão a 23 de outubro de 2001 para realizarem missões de reconhecimento. Inicialmente operavam a partir de bases aéreas no Golfo Pérsico. A partir de 2006 basearam-se em Kandahar. No Afeganistão, a França utilizou aviões Mirage 2000D, Mirage F1 CR, Rafale e, até, aviões da Marinha do tipo Super Etendard. Desde 2001, o tipo de missões foi mudando, acrescendo às de reconhecimento, o apoio aéreo, presença aérea e vigilância de área.

No total, os aviões franceses realizaram mais de 7200 saídas, tendo sido 380 missões de combate efetivo.

Fonte:
http://www.defense.gouv.fr/operations/afghanistan/actualites/afghanistan-derniere-mission-pour-les-avions-de-combat-francais

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Dívida Pública Europeia = Bancarrota a prazo (a situação francesa)

“Em 2001, só o reembolso dos juros da dívida de França (46,9 mil milhões de euros) terá representado a segunda maior despesa orçamental do Estado, após a Educação, muito à frente da Defesa e da Segurança. Por si só, os juros absorverão a totalidade dos impostos sobre as empresas.”
O Ano de 2012 será terrível! Divida Pública: Como os Estados se tornaram prisioneiros dos Bancos
Alain de Benoist
Finis Mundi, número 3

Quando o pagamento de juros de divida externa passam nos orçamentos de um grande pais (como a Franca, neste caso) ultrapassam rubricas estrategicamente tão centrais às mais centrais funções de soberania, como a Educação ou a Defesa então estamos numa situação terminal. A prazo (curto) a saída é clara e passa pelo Incumprimento total ou seletivo, com os credores a assumirem as consequências dos riscos que aceitaram ao realizarem os empréstimos.

A situação resulta dos efeitos da terceira globalização, aquela que se instalou no mundo como “pensamento único” e que escancarou as fronteiras do Ocidente aos produtos baratos do Terceiro Mundo, sem assegurar que nos locais de fabrico se respeitassem as mais basilares regras de humanidade, ambiente ou respeito pelos direitos laborais. A selvajaria capitalista conseguiu assim – por múltiplos dumpings simultâneos – deslocalizar a industria europeia e dos EUA, para a China, engordando assim as multinacionais e exaurindo de Capital o Ocidente (como recentemente alertou o Nobel da Economia, Paul Samuelson). A deslocalização, perda de Emprego e de exportações só podia ser compensada pelo embaratecimento massivo do crédito. E foi isso que aconteceu. Com as consequências que agora estão à vista de todos.

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Emiratos e Koweit: Dois possíveis clientes do Rafale?

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Dassault Rafale (http://www.aerospaceweb.org)

Com a suspensão da decisão brasileira no concurso F-X2 onde o caça Dassault Rafale é favorito, os franceses estão a aumentar os seus esforços para conseguirem a primeira encomenda externa do seu avião. Com a decisão brasileira em suspenso, a Dassault está empenhada em garantir encomendas nos Emiratos Árabes Unidos e no Kuwait que possam permitir que a linha de produção do seu caça não seja encerrada. Os Emiratos têm sido um operador tradicional de aviões franceses e poderão agora comprar até 60 Rafale. Já o Kuwait poderá ser um cliente mais difícil, uma vez que desde a Primeira Guerra do Golfo que compra apenas material dos EUA… De qualquer modo, compraria também menos aparelhos, menos de 20, possivelmente. Recentemente, no Kuwait, aviões Rafale passaram uma bateria de testes, mas a compra (no valor de 4 biliões de euros) está longe de ser garantida, havendo a ferrenha competição do Gripen e do F/A-18. Os mesmos concorrentes desafiam o Rafale nos Emiratos…

Se estes dois clientes não se materializarem (como sucedeu no passado com Marrocos e Singapura) o Estado francês poderá ser obrigado a comprar mais aparelhos se quiser manter a linha de produção aberta… repetindo aliás algo que já decidiu recentemente ao comprar mais 11 aparelhos apenas para esse fim e dando assim sinais claros do desespero francês quanto à – ainda – crónica incapacidade em exportar este excelente, mas dispendioso, caça.

Fonte:

http://www.spacewar.com/reports/France_desperate_for_Rafale_sales_in_gulf_999.html

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Pont-Saint-Esprit: Uma experiência da CIA em 1951 realizada no sul de França?

 

Pont-Saint-Esprit (http://i.dailymail.co.uk)

Pont-Saint-Esprit (http://i.dailymail.co.uk)

 

Um dos mistérios da Guerra Fria foi a causa dos estranhos acontecimentos registados em 1951 no sul de França, na aldeia de Pont-Saint-Esprit e que se traduziram na “insanidade temporária” dos seus 500 habitantes e na eventual morte de 5 deles, entre os quais dois por suicídio.

Na época atribuiu-se oficialmente a explicação do sucedido a envenenamento através do pão o qual teria sido contaminado com uma variante psicadélica de trigo (a base do LSD) ou através de envenenamento de mercúrio. Mas já na época, um grupo de médicos britânicos que estudara o caso exprimira reservas quanto à credibilidade dessas teses, provenientes de um grupo de técnicos enviados ao local pela empresa química suíça Sandoz Chemical.

O mistério começa agora a ser aclarado com um livro recentemente publicado nos EUA e que já lançou chispas entre os governos norte-americano e francês… O livro inclui entrevistas com antigos membros da CIA hoje reformados e com conhecimento direto sobre estes acontecimentos. Segundo eles, a causa desta “loucura de massas” seria não natural mas o resultado de uma operação secreta da agência de espionagem intitulada “Operation Span”. A “Operation Span” era uma parte do projeto MK/NAOMI, um subprojeto do muito mais conhecido projeto MK/ULTRA e é agora revelada ao mundo através do livro “A Terrible Mistake: The Murder of Frank Olson and the CIA’s Secret Cold War Experiments” da autoria de H.P. Albarelli Jr.

O livro explica que os acontecimentos de 1951 foram o resultado da dispersão de um aerosol com LSD executada pela “Special Operations Division” de Fort Detrick, em Maryland. Segundo o autor do livro, os cientistas da Sandoz foram parte de uma operação de encobrimento já que a empresa na época era uma fornecedora habitual do US Army e da CIA de LSD para estes programas ligados ao MK/ULTRA.

As visões experimentadas pelos habitantes desta aldeia do sul de França foram então descritas em termos muito gráficos: “pacientes que deitavam o lixo nas suas camas, que gritavam que havia flores vermelhas a crescer de dentro do seu corpo, que as suas cabeças se haviam tornado em levedura, etc”. Apenas nesse dia, o hospital registou 4 tentativas de suicídio, todas em consequência deste tipo de alucinações.

Na época, o LSD era estudado como uma arma psicológica que seria espalhada para além da linha de frente, desorientando o inimigo e tornando a sua população e militares psicóticos e logo, inofensivos. Segundo este livro, a CIA terá estudado vários  testes possíveis a este conceito a realizar através da colocação de LSD nos depósitos de água de uma cidade dos EUA, mas o plano seria abandonado devido aos trágicos resultados de uma experiência em pequena escala realizada no sul França, este lançamento em 1951. Além de um reservatório de água de cidade média norte-americana, a CIA terá também avaliado a dispersão de um aerossol de LSD no metro de Nova Iorque.

Fonte:
http://www.theoneclickgroup.co.uk/news.php?start=3200&end=3220&view=yes&id=4304#newspost

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Sobre a recente onda de xenofobia contra os ciganos romenos

Embora se tenha falado muito da expulsão de ciganos romenos feita em França, a verdade é que este tipo de fenómenos tem vindo a ser realizado – de forma muito menos ostensiva – noutros países europeus: Alemanha, Dinamarca, Itália e Suécia têm feito várias expulsões de cidadãos de nacionalidade romena e etnia cigana sem que isso tenha vindo ao foco dos Media.

A verdade é que logo que se aceitou a adesão da Roménia na União Europeia em 2007 que se ergueram várias vozes protestando contra o que isso iria criar grandes fluxos migratórios da Roménia para a Europa ocidental e temendo sobretudo uma migração massiva de famílias ciganas que se dedicariam à mendicidade e à pequena criminalidade.

O problema é que estes receios se vieram a revelar fundados, especialmente em Itália, Reino Unido e França (precisamente)… Agora, e porque tais fenómenos facilmente previsíveis não foram devidamente acautelados em 2007 pelos negociadores europeus temos agora todo este escândalo e pedidos à Comissão Europeia para que esta force a Roménia a travar na fonte este êxodo da sua etnia cigana.

Sabe-se que a questão do “êxodo cigano” será o tema principal de uma cimeira sobre o tema da imigração a realizar a 6 de setembro em Paris e que reunirá ministros de Itália, Espanha, Bélgica, Grécia, Alemanha, Reino Unido e, claro França e até o extra-comunitário, Canadá, país que também tem acolhido uma onda crescente de imigrantes de etnia cigana, mas mais de origem checa e húngara do que romena.

Esta “coligação anti-migração cigana” em gestação tem todas as condições para entrar em colisão frontal com as normas europeias de livre circulação de pessoas e bens e logo, deverá ser alvo de protestos mais ou menos velados por parte das instituições europeias que ainda que tenham estado na base desta adesão apressadamente combinada têm agora também o papel de defensor da livre circulação. As criticas da Comissão serão contudo severamente moderadas pelo facto de todos os “grandes” europeus estarem neste grupo… e aliás isso já é patente nos pífios e pouco entusiasmados protestos produzidos pela Comissão a propósito da expulsão dos ciganos de França.

Sejamos otimistas: nesta Europa cada vez menos solidaria e que só de forma muito reticente acabou por acorrer às dificuldades gregas, erguer um discurso coeso e uniforme de protesto contra as expulsões de ciganos é altamente improvável. É assim de prever que da reunião de 6 de setembro surja um apelo (mais ou menos vinculativo) à Roménia para que estanque este êxodo cigano.

Mas a Roménia de hoje é um país praticamente na bancarrota, com um Estado minado pela corrupção, nepotismo e pela falência da maioria dos serviços do Estado, desde a saúde, educação e, sobretudo, polícia e justiça. Um país assim não tem recursos para criar condições económicas que obstem à fuga dos seus cidadãos, ciganos ou não, e quando existe discriminação instituída e raras possibilidades de sucesso económico é natural que os ciganos romenos tudo façam para deixar o seu país e recorrendo a redes mafiosas de mendicidade e pequena criminalidade.

Se a Europa quer travar este êxodo cigano tem duas abordagens: ou suspende indefinidamente a entrada da Roménia no Espaço Schengen ou faz com que os 4 mil milhões de euros de transferências europeias anuais para a Roménia sejam bem aproveitados e não dispersos em redes de corrupção e em ineficiências administrativas e incompetência crassa.

O problema é que os ciganos – enquanto comunidade – não têm também feito um esforço sério e honesto de integração nos países de acolhimento… recorrem sistematicamente à mendicidade infantil e juvenil como forma de subsistência de famílias inteiras e não são raros os que se integram em redes de tráfico de droga ou de pequenos furtos de dimensão transnacional. A Europa se quer efetivamente resolver este problema (e não usá-lo como bode expiatório numa época de rompante xenofobia) tem que forçar o governo romeno a gerir melhor os fundos europeus e a criar mais condições para a permanência da sua população cigana. Mas os ciganos que imigram para a Europa também não podem continuar a dar argumentos a todos os xenófobos europeus que os julgam em bloco e não como indivíduos e erguerem-se contra estas máfias que destroem a reputação da sua etnia. De permeio, enquanto uma e outra coisa não sucedem – por impopular que isso possa ser – há que travar nas fronteiras esta migração e exercer a Lei sobre todos aqueles que já as atravessaram, sem ter em conta etnias, credos ou convicções políticas.

Fonte:
http://www.publico.pt/Sociedade/cinco-paises-da-ue-expulsaram-romenos-de-etnia-cigana_1452941

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A França encomendou mais 3 fragatas FREMM

A França encomendou mais 3 fragatas FREMM Aquitaine aos estaleiros DCN. Dois destes navios serão na versão anti-submarina e uma na versão de Defesa Aérea. O custo total deste contrato não deverá ser inferior a 1,2 biliões de euros.

A França deverá receber brevemente duas fragatas deste tipo, mas encomendou 11 unidades, um número que agora passa a 14. A Itália, por sua vez, encomendou 6 e Marrocos uma. A primeira fragata francesa deverá ser entregue em 2012 e as restantes sê-lo-ão até 2022.

Decorrem agora negociações com outras nações para exportar os navios havendo interesse confessado por parte da Argélia (entre 4 a 6 navios), a Grécia (seis) e a Arábia Saudita (3). Constam que o Brasil estaria também interessado em fabricar sob licença as FREMM, numa quantidade indeterminada.

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/France-Orders-3-FREMM-Frigates-05848/?utm_campaign=newsletter&utm_source=did&utm_medium=textlink

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Corvetas Gowind para a Bulgária. Ou não.

Corveta Gowind 200 (http://i110.photobucket.com)

Corveta Gowind 200 (http://i110.photobucket.com)

Em outubro de 2006, depois de um encontro entre Sarkozy e o primeiro ministro búlgaro, tudo parecia encaminhado para que a Bulgária comprasse 4 corvetas Gowind. A venda deveria ficar em perto de 900 milhões de euros, mas em meados de 2007, a Bulgária voltaria atrás, alegando não ter condições financeiras para honrar o contrato. E de facto, ainda antes do fim desse ano a Bulgária pagou 54 milhões de euros por duas fragatas e um draga-minas ex-belgas. Um excelente preço e talvez mais ajustado às necessidades búlgaras do que os 900 milhões de euros das Gowind…

As corvetas Gowind estão entre aquilo que de melhor se fabrica hoje em dia na sua classe. Foram concebidas para utilizar “Unmanned Surface Vehicles” (USVs) e “Underwater Unmanned Vehicles” (UUVs). Podem operar helicópteros ou UAV a partir de uma plataforma na retaguarda.

Tem 16 células de lançamento vertical que podem ser fornecidas com vários tipos de mísseis ar-ar como os Aster 15, Mica-VL, e Crotale-VT1. O navio pode também ser armado com 8 mísseis anti-navio MM40 Exocet ou Harpoon e ainda um canhão anti-naval.

As corvetas foram também desenhadas para um perfil stealth, com os sensores concentrados num único mastro. A propulsão das corvetas consiste num CODAC “Combined Diesel and Diesel”, mas sem chaminé e utilizando os gases de combustão para impulso em águas baixas e oferecendo uma baixa exposição a sensores de infravermelhos.

Existem três variantes das Gowind: a Gowind-200, a Gowind-120 e a Gowind-170. Os navios distinguem-se desde logo pelo tamanho e logo, pelo equipamento embarcado, sobretudo pela adição de armamento anti-submarino.

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/bulgaria-orders-4-gowind-200-frigates-from-dcns-03951/

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Rafale: o vencedor declarado do F-X2


Dassault Rafale em Le Bourget 2009

Para quem – como eu – sempre defendeu a opção Rafale, no concurso internacional brasileiro F-X2, contra o Super Hornet norte-americano ou o Gripen NG sueco, a notícia segundo a qual Lula da Silva confirmou durante uma entrevista a 6 de setembro que as “negociações com a França a propósito da venda de 36 caças Rafale estão muito avançadas” são uma boa notícia. Se isto não significa que o avião francês leva vantagem sobre os aparelhos da concorrência, então não sei o que significará… Estas declarações foram proferidas horas antes da chegada de Sarkozy ao Brasil, algo que só reforça a vantagem do Rafale.

Lula colocou o acento no ponto central das negociações ao afirmar “Todo mundo sabe que uma das exigências do Brasil é ter acesso à tecnologia”, algo a que os EUA nunca souberam responder com plena sinceridade e onde os suecos não podem, porque dependem dos reatores norte-americanos que equipam os seus Gripen. A França, pelo contrário, domina toda a tecnologia dos seus Rafale e logo, está em melhores condições para transferir tecnologia, já que, simplesmente, a tem para transferir, e não receia perder a liderança tecnológica para uma potencia emergente longínqua dos seus interesses estratégicos tradicionais (África e Médio Oriente).

O Brasil cumpre neste projeto F-X2 o seu papel. Desde cedo que uma das maiores exigências do país lusófono era a transferência de tecnologia, que capacitasse a induístria aeronáutica brasileira a reforçar o domínio da Embraer nalguns setores comerciais e de Defesa (reconhecimento, treino e contra-guerrilha/COIN) com o domínio da tecnlogia de motores e de aviação que o Rafale exibe. Assim, se esta é uma boa notícia para a França – que nunca tinha conseguido exportar o seu caça, ao contrário dos comercialmente bem sucedidos Mirage – é também uma boa noticia para a Embraer… Isso mesmo diz Lula, nesta entrevista: “Não podemos comprar um avião caça sem possuir a tecnologia e é justamente porque pensamos em produzir uma parte deste avião no Brasil. Temos uma importante empresa que é capaz de fazê-lo”.

O contrato entre o Brasil e a França envolve 4 biliões de dólares por 36 aviões e a chegada do presidente francês neste contexto só pode significar que a França triunfou. E com ela, o Brasil já que a sua indústria consegue a tecnologia que outros levaram décadas a desenvolver, a Embraer que poderá dar um verdadeiro “salto quântico” com esse novo know-how e até a França, que agora tem mais um argumento para convencer a Índia – onde decorre o mais importante concurso internacional da atualidade – das capacidades do seu caça.

Fonte:

AFP

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A Ilha de Mayote, referenda regressar à França

A pequena ilha de Mayote, no oceano Índico e situada não muito longe do extremo norte de Moçambique irá tornar-se de novo num território ultramarino francês. Com efeito, este país islâmico votou recentemente tornar-se o 101º Departamento (município) gaulês numa votação cujo resultado foi absolutamente esmagador.

Não deixa de ser irónico que este “regresso à mãe colonizadora” ocorra no mesmo momento em que as possessões francesas na Caraíbas, como Guadalupe, Martinica e até à Guiana (com fronteira com o Brasil e local de lançamentos dos foguetões Ariane) se deixam submergir por distúrbios populares de grande violência.

Ainda que seja um pequeno país, Mayote é estrategicamente vital para a França não só porque pode servir de uma base de apoio para as operações militares gaulesas no Afeganistão e na Somália, mas também porque pode servir de exemplo de paz e democracia para os países vizinhos onde a influência radical islâmica não pára de crescer, como demonstra o interesse iraniano no vizinho arquipélago das Comores que o presidente iraniano visitou recentemente e onde o Irão financiou a construção de escolas e mesquitas reforçando laços já fortes e que recuam ao tempo em que o presidente das Comores Ahmed Abdallah Mohamed Sambi estudava em Teerão.

Mayote tornou-se independente de França em 1975, mas optou por manter-se sob administração francesa ao contrário do resto do arquipélago das Comores, imerso numa sucessão de golpes de Estado desde essa época. O resultado deste referendo irá fazer cessar o modelo de “administração” e enquadrar a ilha como território francês de pleno direito, com direitos de saúde, educação, segurança social e todas as demais regalias comuns na Europa. Em troca, os habitantes de Mayote terão que abdicar da… Poligamia islâmica. O que apesar de tudo ainda pode pesar bastante na balança de alguns mayotianos…

É claro que as outras ilhas independentes das Comores (exemplos negativos de estabilidade e desenvolvimento) estão furiosas e emparelham com a União Africana num coro de críticas a este suposto regresso do “colonialismo europeu”. Talvez o que mais irrite os líderes comoranos é o facto de haver uma grande corrente migratória desde as suas ilhas para Mayote onde – mercê da administração francesa – as condições de vida são muito melhores que no resto do arquipélago.

Agora, uma pergunta… Se idêntico referendo corresse em São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde, questionando sobre a reintegração desses países como “regiões autónomas” portuguesas, quantos nacionais destes países não votariam no mesmo sentido dos cidadãos de Mayote?

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/world/2009/mar/26/mayote-referendum-polygamy-islam

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Sobre as causas da colisão entre os dois submarinos nucleares: “HMS Vanguard” e “Le Triomphant”

Le Triomphant in http://www.nti.org

Le Triomphant in http://www.nti.org

Soube-se agora que dois submarinos nucleares, um francês e outro britânico, chocaram algures no oceano Atlântico. O “acidente” terá tido lugar no começo do mês de fevereiro e envolveu os submarinos “HMS Vanguard” e o “Le Triomphant”. Segundo fontes militares, os dois submarinos carregariam o seu armamento nuclear normal e estariam em patrulha no Atlântico quando ocorreu a colisão que por ter ocorrido a baixa velocidade, provocou apenas danos ligeiros.

Não terá havido feridos nem danos no armamento ou na propulsão nuclear dos dois navios. Os sonares terão ficado danificados, sabendo-se que o submarino francês regressou à sua base escoltado por uma fragata. O submarino britânico parece ter ficado em pior estado, tendo sido rebocado até à sua base com sinais evidentes de danos no casco.

Segundo a Royal Navy – ligeiramente mais informativa – a colisão teria ocorrido quando o seu submarino estava em “patrulhas nacionais de rotina”.

A colisão é estranha. Estranha porque ambos os países fazem parte da NATO e ainda que a sua operação seja secreta e, sobretudo, a sua localização exata, existem protocolos que impedem que estes navios se aproximem demasiado e algo, na sua aplicação, correu mesmo muito mal… Ambos os navios possuem também dos sonares mais sofisticados do mundo, mas sendo navios tão furtivos, estes podem não ter sido suficientes para detectar o seu parceiro, especialmente se ambos os navios navegavam em modo “furtivo” como indica a baixa velocidade da colisão. Todos estes factos apontam para que os dois navios estavam a jogar um perigoso “jogo do gato e do rato”, numa provocação que parece ter ocorrido perto (ou no limite) das aguas territoriais britânicas, como indica a lacónica declaração britânica e que reflete que a velha rivalidade naval entre britânicos e franceses está ainda hoje muito longe de ter ido ao fundo em Trafalgar…

É uma sorte para todos nós que nada de mais grave tenha acontecido. Alguma mais velocidade – em qualquer dos dois navios – podia ter provocado uma catástrofe nuclear única, tal é a carga nuclear dos dois navios. A perda dos dois navios seria também uma redução dramática da capacidade das duas marinhas, tendo o Reino Unido apenas quatro submarinos nucleares. Para a França, a situação de perda do Le Triomphant seria ainda mais grave.

Fontes:

Bbc.co.uk
Euronews – 2009

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Os Rafale da Marinha Francesa foram imobilizados pelo vírus Conficker

//www.aerospaceweb.org)

(Dassault Rafale: imobilizado pelo Conficker in http://www.aerospaceweb.org)

O vírus Conficker/Downadup que contaminou já mais de seis por cento de todos os computadores do mundo a ritmo que chegou a alcançar o milhão de novas infecções diárias, está também a alastrar aos sistemas militares…

Entre as vítimas, contam-se também computadores da Marinha francesa e impediu que os caças Dassault Rafale embarcados não pudessem levantar voo por vários dias, o que levou ao cancelamento de exercícios militares já previstos, já que os aviões recebem por via informática (e de sistemas Windows) os seus planos de voo. A medida foi meramente preventiva, para evitar que o vírus chegasse aos sistemas informáticos dos aviões. O vírus terá entrado na rede informática da Marinha através de um stick USB infectado introduzido algures num computador da rede correndo Microsoft Windows.

A infecção foi detectada a 21 de janeiro, levando à ordem de que os sistemas informáticos fossem desligados e a rede da Marinha isolada das restantes redes informáticas das forças armadas francesas.

A rede infectada terá sido a “Intramar”, a Intranet da Marinha Francesa. Não há informações de perda de dados deste vírus que em Portugal atingiu as redes de vários Bancos e até do Ministério da Justiça e da Polícia Judiciária, o que é aliás consistente com o seu padrão de ação. A Marinha francesa admitiu que durante alguns dias evitou comunicações eletrónicas e regressou ao telefone, fax e correio convencional, por precaução.

Há não muito tempo atrás, fora a vez da Royal Navy ser vítima, também ela, de um vírus informático… No começo do mesmo mês de janeiro, 24 bases da RAF e a maioria dos navios de guerra, incluindo o porta-aviões Ark Royal, foram atacados por um vírus que pela sua descrição parece ser novamente o Conficker…

No passado, houve vários porta-aviões e cruzadores lança-mísseis norte-americanos afectados por outros vírus. Todos corriam variantes de sistemas Microsoft, alvos preferidos de todos os Hackers e piratas informáticos do mundo… São sistemas mais baratos e fáceis de manter que os sistemas proprietários do passado (os mísseis Tomahawk e Patriot ainda correm versões de VMS), mas a nova fragilidade que revelam a este tipo de vagas de malware devia, logo nessa década de oitenta, ter levado à reavaliação da introdução destes sistemas… E a sua substituição por “distros” de Linux adaptadas às necessidades militares e muito mais baratas (são gratuitas) e imensamente mais seguras (com menos exploits e quase sem vírus conhecidos). Uma alteração que não interessa aos interesses das grandes corporações como a Microsoft e às grandes empresas de suporte que dependem de tecnologia Microsoft…

Fontes:
http://au.ibtimes.com/articles/20090123/conficker-downadup-time-bomb-virus.htm
http://vil.nai.com/vil/content/v_153464.htm
http://www.itbusiness.ca/it/client/en/home/News.asp?id=51680
http://www.f-secure.com/f-secure/pressroom/news/fs_news_20090107_01_eng.html

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O porta-aviões francês Clemenceau (irmão gémeo do São Paulo) aproxima-se do seu fim…

O porta-aviões francês “Clemenceau” começou a sua última viagem para a doca seca do Estaleiro de Hartlepool, no Reino Unido. Aqui, o navio será “des-amiantado” (ou seja, removido todo o amianto) e desmantelado.

O navio foi desarmado em 1997, e conheceu vários problemas com os ecologistas da Greenpeace que criticavam o seu desmantelamento em França devido à existência de setecentas toneladas de amianto, razão pela qual o navio seria agora rebocado até estes estaleiros britânicos, onde existe a tecnologia para recuperar este produto cancerígeno.

Assim termina de forma algo inglória a carreira daquele que a par do Foch – hoje o NAE São Paulo, da Marinha Brasileira – já foi um dos dois melhores navios de guerra franceses, equipado com aviões caça-bombardeiros Super Etandard, aviões de reconhecimento e combate submarino Breguet Alizé e interceptores de origem norte-americana Crusader. No outro extremo do Atlântico, o São Paulo (ex-Foch) recebeu nos estaleiros brasileiros uma considerável reforma, incluindo novas catapultas e garantiu assim uma extensão da sua vida útil durante pelo menos mais dez anos… Havendo inclusivamente a possibilidade mais ou menos de vir a operar caças Rafale ou Super Hornet.

Fonte:
Le Monde

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