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Estado (miserável) do programa MLU dos F-16 da Força Aérea Portuguesa

F-16A da FAP em http://www.zap16.com

F-16A da FAP em http://www.zap16.com

A Força Aérea Portuguesa vai modernizar mais… 3 caças Lockheed Martin F-16 A (Block 15) para o padrão Lockheed Martin F-16 AM aplicando aos mesmos o programa MLU “Mid Life Upgrade”. A notícia resulta de uma declaração pública do ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, que a proferiu durante uma visita à Base Aérea nº 5, onde uma parcela do upgrade é realizada. Segundo o ministro, desde 2003, 15 F-16 A já teria sido convertidos para o padrão F-16-AM, graças à instalação do MLU, um trabalho que estará concluído até 2012, ano em que todos os F-16 da FAP estarão nesse padrão. O programa irá custar aos cofres do Estado mais 20 milhões de euros e será executado pelas OGMA. Cada F-16MLU deverá assim ficar próximo dos 20 milhões de euros por aparelho, ou seja, menos de metade de um Typhoon novo… Aparelho menos versátil, contudo.

Desde logo, é patente uma manipulação de “marketing político” quanto aos números apresentados. Severiano Teixeira fala de “já foram modernizados 15 aviões, prevendo-se chegar ao final do ano com 18” evitando diretamente mencionar que o número de F-16 atualizados é de apenas 3, a que se somam os 7 já modernizados no passado! É que uma declaração do género: “vamos modernizar 3 F-16” não gera sound-bytes tão sonantes como mencionar a diferença entre dois números maiores e esperar que a maioria das pessoas não se dê ao trabalho de fazer a aritmética entre os dois….

O padrão F-16MLU é exteriormente muito semelhante ao F-16OCU, mas capacita o F-16 para missões ao mesmo nível dos melhores aviões em operação nas melhores forças aéreas do mundo, incluindo um novo computador e novo software; um redesenho do cockpit e do interface piloto-máquina; um radar melhorado no uso ar-ar e ar-solo; um novo identificador eletrónico de aeronaves; um sistema GPS, assim de um Data Modem e de um Link16, comunicações criptográficas e de óculos de visão noturna e Helmet Mounted Sight, entre outras alterações de menor monta. O upgrade MLU torna possível o cumprimento de todo um novo leque de missões desde a deteção de alvos terrestres e aéreos a longas distâncias, à operação sob quaisqueres condições meteorológicas; à identificação eletrónicas de outras aeronaves e à integração do aparelho em redes de campo de batalha, assim como a utilização de todo um novo leque de mísseis de longo alcance e de bombas guiadas por Laser e GPS. A instalação do MLU vai aumentar o tempo de vida da célula dos F-16 e torná-los aviões Block 50 standard, uma versão bem mais compatível com a norma OTAN do que a obsoleta atual Block 15 standard. Os pacotes MLU M2 comprados por Portugal foram fabricados na Bélgica em 2003.

Para além da modernização dos aparelhos, há duas questões que não vi ainda mencionadas pelos políticos que nos regem: é verdade que os pilotos da FAP não estão a cumprir as horas de voo mínimas estabelecidas e isso está a começar a erodir seriamente os seus padrões operacionais. Algo que pode vir a revelar-se fatal se os seus aviões forem empenhados numa missão internacional, como as missões de escolta que foram cumpridas pelos F-16 na Sérvia, porque não podiam operar armamento moderno como mísseis BVR ou bombas guiadas.

Na atualidade, apenas 10 F-16 Block 15 e 15 F-16 MLU estão disponíveis na FAP, mas um número indeterminado dos Block 15 já não voam há bastantes meses pelo que poderiam ser vendidos a um preço bastante interessante (como aliás chegou a ser noticiado), o problema é que os EUA obrigam a um acordo prévio, e isso tem dificultado as vendas dos aparelhos… Ou seja, além de termos um número reduzido de aviões de primeira linha, quase metade operam num padrão obsoleto, um número significativo destes (5-10) não voam há meses, os pilotos não recebem as devidas horas de voo exigidas para manter a sua operacionalidade, e, não há prazo qualquer plano para modernizar toda a frota e muito menos, planos para substituir estes aviões por um aparelho idêntico na sua classe aos nossos parceiros da OTAN, como o Rafale ou Typhoon! Que panorama!

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/F-16_Fighting_Falcon

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377509http://www.ogma.pt/defense_pt.html

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As OGMA duplicaram os seus lucros em 2008

Instalações das OGMA, em Alverca em http://www.ogma.pt

Instalações das OGMA, em Alverca em http://www.ogma.pt

Apesar da crise económica e em contracorrente com muitas empresas portuguesas, as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico (OGMA) terminaram 2008 registando um lucro de 5,5 milhões de euros, o que corresponde a uma duplicação dos lucros em relação a 2007. O resultado reflecte a boa saúde financeira da empresa, resultante de uma reorganização interna que parece ter sanado os problemas que vinham caracterizado a empresa nos últimos anos e que se traduziram numa nova disciplina na contenção de custos.

A estabilidade financeira das OGMA é importante para que a empresa se possa transformar numa verdadeira empresa aeroespacial europeia, capaz de participar de pleno direito e com totais capacidades em projetos internacionais, muito especialmente no projeto de cargueiro militar Embraer KC-390 que começa agora a ganhar balanço depois do contrato recentemente assinado entre a construtora e o governo brasileiro. Tendo em que a Embraer é detentora de parte do capital das OGMA, e que a frota de cargueiros C-130H da FAP está a entrar em obsolescência, a montagem ou a construção de componentes para um eventual sucessor dos Hércules na FAP que fosse esse novo cargueiro da Embraer poderia revelar-se uma boa ideia, quer para alavancar a saúde financeira de uma empresa estrategicamente tão importante para Portugal como a OGMA e para reequipar a frota de transporte da FAP.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/509850

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Já está no Afeganistão um avião de transporte C-130H da Força Aérea Portuguesa

//www.emfa.pt)

(O C-130H da FAP no Afeganistão in http://www.emfa.pt)

Já está no Afeganistão um avião de transporte C-130H da Força Aérea Portuguesa. Esta é a terceira vez que a FAP envia este tipo de aparelhos para o complexo cenário afegão. O avião, que pertence à Esquadra 501 está agora em Kabul, juntamente com 42 militares em apoio à missão.

A deslocação da FAP foi uma resposta a um apelo da NATO para que os países que compõem a Aliança Atlântica aumentassem o seu grau de empenho no Afeganistão, pelo menos durante mais quatro anos. A FAP está no Afeganistão desde 2002 tendo desde então transportado mais de dez mil passageiros e um milhão de kgs de carga, em missões militares e de teor humanitário.

Portugal assume-se assim como um peão no difícil quadro da luta contra a queda do Afeganistão novamente nas mãos dos “estudantes de teologia” e dos seus aliados da Al Qaeda. Os Talibans prometem uma dura campanha de inverno, e as suas ações estão num crescendo de ousadia e de meios que tem levado a repetidos apelos por parte das chefias da ISAF por mais meios e forças militares. Infelizmente, países como a Alemanha não tem sabido estar à altura do seu dever e insistem em manter as suas forças em posições de retaguarda. Portugal, pelo contrário, tem mantido no terreno forças de apoio e unidades combatentes até em Kandahar, numa das zonas “mais quentes” do Afeganistão. Pela mesma altura, devem também chegar os Panavia Tornado italianos de reconhecimento e onde se juntarão aos 2400 militares italianos já no terreno

Se já houvesse a “força lusófona”, cuja criação advogamos AQUI, poderia haver hoje no Afeganistão uma força militar menos suspeita de parcialidade e de alinhamento com os “cruzados” do Ocidente cristão e que se pudesse realmente dedicar às tarefas da reconstrução e da pacificação interna de um país que durante toda a sua história recente não conheceu mais do que uma década de paz.

Fonte:
Air Forces Monthly, novembro de 2008

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