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Mais problemas com o desenvolvimento do F-35

A Lockheed Martin fez recentemente um balanço sobre o polémico programa F-35. Segundo o CEO da empresa norte-americana? a fase de desenvolvimento de sistemas e de demonstração está a cerca de 80% e dos 19 protótipos previstos, 15 já foram entregues, sendo que 9 destes já realizaram 136 voos: 56 a versão F-35A, 74 a versão F-35B de “short-takeoff and landing version” e a versão F-35C de porta-aviões 6.

Contudo, estes 74 voos estão abaixo daquilo que neste momento já devia ter sido realizado… Com efeito, até agora o aparelho devia ter voado já 95 vezes e este hiato deve-se a “falhas de componentes mais comuns que o previsto”. A Lockheed está a tentar apurar a causa destas falhas nas suas próprias instalações e nos seus fornecedores.

Existem nas linhas de produção 31 aparelhos em fases diferentes de montagem, afirmando a empresa que se observam melhorias constantes dos custos de produção, um dos maiores problemas com um avião que supostamente devia ser uma versão acessível das tecnologias muito dispendiosas do F-22A Raptor.

Fontes:
http://defensetech.org/2010/07/28/f-35b-stovl-flight-tests-behind-schedule-due-to-failing-parts/

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O primeiro demonstrador Boeing F-15 Silent Eagle realizou o seu primeiro voo

O primeiro demonstrador Boeing F-15 Silent Eagle realizou o seu primeiro voo. A plataforma propõe uma oferta de um dos aparelhos mais bem sucedidos e com o melhor registo de combate das últimas décadas. Concebido a pensar em clientes fora dos Estados Unidos este Demonstrador oferece um avião reputado, com tecnologia inovadora e custo controlado.

O primeiro voo do Silent Eagle F-15E1 teve lugar a 8 de julho e durou 80 minutos. O voo provou que todos os sistemas estão funcionais em condições de voo e durante as próximas semanas será realizado um segundo voo, lançando desta vez um míssil AIM-120.

O F-15SE incorpora uma série de inovações aerodinâmicas, de avionica e de assinatura no radar que aumentam a furtividade em comparação ao seu antecessor e a uma fração do custo unitário de aparelhos como o F-22 ou o F-35. Com o fim da fabricação do F-22 Raptor (o avião mais caro da História) e com a insatisfação quanto ao F-35 abrem-se nos próprios EUA uma série de janelas de oportunidade para o Silent Eagle, mesmo tendo em conta que o F-15SE foi especificamente concebido para ser exportado.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Boeing_F_15_Silent_Eagle_Demonstrator_Makes_1st_Flight_999.html

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Nos EUA, os ricos alteraram a composição, forma e calendário dos seus rendimentos para se furtarem aos aumentos de impostos

Warren Buffet (http://babble.com)

Warren Buffet (http://babble.com)

Segundo um artigo do Wall Street Journal, os norte-americanos mais abastados alteraram a composição dos seus rendimentos como forma de se adaptarem ao aumento da carga fiscal. Mais exatamente, alteraram o volume, a localização e a composição dos seus rendimentos em função da modificação das políticas governamentais lançadas em resposta à atual crise financeira.

Assim se explica porque é que os 9 Estados dos EUA onde as taxas de rendimento mais subiram são também aqueles que atraíram mais pessoas de elevados rendimentos nos últimos anos. São também estes os contribuintes mais hábeis a pagarem menos impostos. Por exemplo, os dois norte-americanos mais ricos da atualidade: Bill Gates e Warren Buffett têm o essencial das suas fortunas sob a forma de “Futuros” escapulindo-se assim aos impostos…

Um dos “truques” mais usados pelos norteamericanos mais ricos foi também o de antecipar rendimentos. Por exemplo, quando em 1993 souberam que os impostos sobre os rendimentos iam subir anteciparam o pagamento de dividendos e bónus para os finais de 1992 e assim fizeram com que o governo federal recebesse algo estimado em… 15 biliões de dólares a menos em 1993. Em Portugal sucedeu agora algo de muito semelhante: apesar dos PEC 1 e 2 e de todos os cortes nas ajudas sociais aos desempregados e aos mais desfavorecidos, as fortunas dos portugueses cresceram e os ricos – em 2010 – estão já mais ricos do que estavam em 2009, apesar do o país e de a sociedade no seu todo estarem claramente mais empobrecidos.

Fonte:
http://online.wsj.com/article_email/SB10001424052748704113504575264513748386610-lMyQjAxMTAwMDAwNzEwNDcyWj.html

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A DARPA quer saber o que pensamos para… saber o que vamos fazer a seguir (Projeto SMITE)

DARPA (tf.nist.gov)

DARPA (tf.nist.gov)

Nos Estados Unidos, um projeto da DARPA – A entidade federal que rege os projetos de investigação militares – está a trabalhar num projeto chamado SMITE ou “Suspected Malicious Insider Threat Elimination”.

Aparentemente, parece tratar-se de criar uma base dados de ações que correspondam a um “comportamento malicioso”, nomeadamente… espionagem ou terrorismo. A ideia é assim detectar comportamentos perigosos antes mesmo deles terem lugar. É claro que um tal projeto coloca toda uma série de questões… Desde logo, porque pressupõe uma recolha massiva de dados – de vários tipos e origens – sobre a vida de todos os cidadãos de uma sociedade, ou seja, uma sociedade intensamente vigiada e escutada, bem ao género dos regimes autoritários da China e do Irão, mas (supostamente) inadequada a uma sociedade democrática como a dos Estados Unidos.

Há também outro factor ético a ter em conta no projeto SMITE: Como impedir que os dados e a projeções comportamentais assim recolhidas não seriam usadas para fins diversos aos inicialmente previstos? Por um Governo sem escrupúlos para perseguir opositores, para antecipar ações de partidos na oposição, em suma, para se eternizar no Poder através de uma rede secreta, neomaçónica, de manipulação dos Media e em conluio com os grandes grupos económicos? Soa-lhe familiar? Espero que sim, porque é já isto que se passa hoje na maioria das Democracias Ocidentais e em Portugal com o Rotativismo do Bipartido PS-PSD.

Fonte:
http://www.engadget.com/2010/05/23/darpa-program-will-detect-your-anomalous-behavior-eliminate-you/

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Das motivações reais da polémica “Lei da Imigração” no Arizona

Muro de fronteira entre o Arizona e o México (http://morrisonworldnews.com)

Muro de fronteira entre o Arizona e o México (http://morrisonworldnews.com)

Tem-se falado muito sobre a “racista” lei estatal aprovada no Estado norteamericano do Arizona e que permite que qualquer agente da autoridade aborde um indivíduo que tenha “uma aparência estrangeira” pedindo-lhe a sua identificação. Mas esse é apenas um aspecto desta questão. O outro lado é o facto de que o Arizona é atualmente um dos Estados norteamericanos mais perigosos. Phoenix, a sua capital tornou-se nos últimos anos a “capital dos raptos”. De facto, em todo o mundo, apenas a perigosíssima Cidade do México tem mais raptos por ano, um segundo lugar justificado pelos mais de 400 raptos anuais.

Segundo Andy Anderson, o chefe de polícia da cidade: “estamos no olho da tempestade” devido a uma intensa vaga de crime violento criado pela presença de vários gangs sulamericanos no Estado, mas sobretudo dos cartéis mexicanos da droga que passaram a fronteira e se estabeleceram no Arizona.

O problema é que em termos de prioridade de Segurança houve um foco tão intenso no Terrorismo Islâmico que os gangs da Droga mexicanos (severamente acossados agora no seu país) perceberam que tinha além fronteiras (EUA) um excelente campo para prosperarem e multiplicarem as suas atividades: extorsão, tráfico de droga e armas e… raptos. Esta lei do Arizona foi criada para responder a esta questão que tornou já esse remoto Estado dos EUA num dos Estados mais perigosos e sendo certo que estas atividades estão na mão de indivíduos de etnias sulamericanas a lei começa já a fazer algum sentido e não parecer tão “racista”, certo?

Fonte:
http://www.nationalterroralert.com/updates/2009/02/13/kidnapping-capital-of-the-usa-phoenix-arizona/

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Foi divulgado um relatório dos EUA com… 32 acidentes diferentes com armas nucleares

Segundo um relatório do Departamento de Defesa dos EUA, nas últimas décadas houve pelo menos 32 acidentes com armas nucleares. E “pelo menos” quer dizer que podem ter havido ainda mais, especialmente porque o próprio relatório indica que se refere apenas a acidentes ocorridos depois de 1980.

Entre estes 32 acidentes contam-se bombas nucleares deixadas cair de aviões, um disparo acidental de um retrofoguete de um míssil balístico, a dispersão de materiais radioativos e até a perda de bombas nucleares, das quais algumas até hoje nunca foram encontradas.

Os locais destes acidentes foram muito diversos) Groenlândia, Espanha, Inglaterra, Marrocos, uma base militar não identificada, e em 16 Estados dos EUA, para não falar de três oceanos.

Alguns dos acidentes nucleares incluídos neste relatório já eram conhecidos, mas outros são completamente novos e a maioria reportam-se a acidentes com o programa “Airborne Alert” que mantinham permanentemente no ar uma série de bombardeiros B-52 sempre prontos a largarem as suas bombas sobre a União Soviética, caso esta atacasse os EUA. Como este programa terminou em 1968 estes incidentes também diminuíram.

O relatório assume um tom tranquilizante ao mencionar que “nunca houve detonação nuclear total ou parcial”, ainda que admita que em várias ocasiões material radioativo entrou em contacto com o meio ambiente…

O relatório lista alguns dos acidentes mais notáveis com engenhos nucleares:

1957: Uma bomba nuclear caiu pela baía de bombas de um bombardeiro B-36 perto da base aérea de Kirkland, no Novo México. A bomba caiu no solo e os explosivos do seu detonador rebentaram, mas como não estava armada, não detonou.

1958: Um B-47 ejetou acidentalmente uma bomba nuclear que caiu no jardim da família Gregg em Mars Bluff, na Carolina do Sul. A explosão do detonador criou uma cratera de várias dezenas de metros de largura e profundidade e a casa da família Gregg foi completamente destruída. Cinco casas próximas e uma igreja sofreram também alguns prejuízos mas houve apenas feridos ligeiros entre os Gregg.

1960: um míssil antiaéreo com ogiva nuclear incendiou-se e ardeu durante 45 minutos na base aérea de McGuire (Nova Jérsei) e derreteu-se. A carga atómica caiu do míssil em chamas.

1961: um B-52 com duas bombas de 24 megatoneladas cada partiu-se em pleno voo perto de Goldboro, na Carolina do Norte. Uma das bombas caiu num depósito de água de uma quinta, enterrando-se mais de 30 metros no solo. A Força Aérea acabou por comprar o terreno. Segundo um relatório do Pentágono, cinco dos seis mecanismos de segurança falharam e foi apenas o bom funcionamento do sexto que impediu a explosão da arma nuclear.

1966: um B-52 com quatro bombas nucleares colidiu com um KC-135 sobre Palomares, em Espanha. Duas destas bombas foram recuperadas do oceano mas outras duas caíram no solo e detonaram os seus explosivos convencionais, largando então grandes quantidades de radiação. Para resolver o problema, os EUA tiveram que remover mais de 1400 toneladas de solo e vegetação e transportá-los para os EUA.

E estes são apenas alguns dos acidentes mais mediáticos… E apenas aqueles que aconteceram nos EUA. Não é difícil adivinhar que um número ainda maior (e mais grave) sucesso na URSS e na China… Já para não falar das outras potenciais nucleares, como a França e o Reino Unido.

Fonte:
http://nsarchive.wordpress.com/2010/04/02/document-friday-narrative-summaries-of-accidents-involving-nuclear-weapons/

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O HTV-2 pode estar mais atrasado do que se pensava…

O novo veículo espacial da USAF, o “Hypersonic Technology Vehicle 2” ou HTV2 que a Força Aérea dos EUA esperava poder ter pronto a ser empregue pouco depois do último voo do Space Shuttle, afinal poderá não estar tão perto de estar operacional… Com efeito, no seu primeiro lançamento, o HTV2 perdeu o contacto com a base de terra apenas 9 minutos depois da sua separação com o foguetão lançador.

O veículo (batizado de “Falcon”) deveria tocar a superfície do Pacífico depois de um voo de 30 minutos, mas ainda que pareça ter conseguido voar de forma controlada ainda na atmosfera a uma velocidade ligeiramente superior a Mach 20, algo aconteceu que terá destruído o engenho antes deste completar os dez minutos de voo autónomo. Apesar desta fracasso parcial, a USAF mantém o plano de fazer voar um segundo HTV2 no início de 2011, altura em que se saberá se há ou não um problema significativo com este programa.

O HTV2 foi construído pela Lockheed Martin para a DARPA e deverá ser capaz de lançar bombas convencionais sobre alvos em qualquer ponto do planeta após um voo de apenas uma hora, devendo ser também capaz de lançar pequenos satélites. Em suma o veículo irá dar aos EUA uma nova capacidade: a colocação rápida de satélites (essencial num mundo em que a Índia e a China desenvolvem armas anti-satélite) e a de atacar alvos situados a distancias intercontinentais sem usar mísseis balísticos nem mísseis de cruzeiro.

Fonte:
http://gizmodo.com/5526308/air-forces-falcon-hypersonic-glider-disappears-mysteriously

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Estradas Inteligentes: Reduzindo a sinistralidade rodoviária

A velocidade é – já se sabe – o factor isolado mais importante da sinistralidade rodoviária. Por isso, decorrem atualmente muitos trabalhos sobre a forma de criar estradas capazes de encorajar os automobilistas a conduzir mais devagar, reduzindo a sinistralidade e até os consumos de energia e as emissões de CO2.

Neste campo foi dado um avanço decisivo pela Universidade do Connecticut que num estudo recente demonstrou que alterações relativamente subtis no ambiente rodoviário podem produzir reduções de velocidade nos automóveis que nelas circulam. As alterações consistiram em colocar estacionamentos ao longo das estradas, menores distancias entre os edifícios e a estrada e um uso comercial mais intensivo das margens das estradas. Estas técnicas fazem com que – de uma forma subconsciente – os condutores dirijam mais devagar, isto segundo um estudo que abrangeu centenas de estradas municipais no Connecticut.

A experiência recorda a teoria aplicada na Holanda sobre “estradas auto-explicativas”, que resultou de uma série de experiências que revelaram que os condutores respondiam melhor a arranjos nas estradas (como bermas mais estreitas e árvores plantadas junto à estrada) do que a reduções de velocidade impostas por via legislativa. A implementação destas medidas produziu uma redução significativa da sinistralidade rodoviária na Holanda a um tal ponto que hoje os condutores holandeses têm menos de metade da probabilidade que os norte-americanos de falecerem num acidente rodoviário.

A grande conclusão destes estudos é que é possível obter uma significativa redução de velocidade pela colocação de estacionamentos ao longo da estrada, aproximando os edifícios da estrada e colocando tantos estabelecimentos comerciais nas suas margens quanto o possível. Lições importantes a reter e que pelo uso de métodos inteligentes podem lograr efeitos bem mais eficazes e duradouros do que arbitrárias reduções de velocidade.

Fonte:
http://www.infrastructurist.com/2010/03/23/can-roads-control-your-driving-the-truth-about-safety-enhancing-road-design/

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Taurus 2: A resposta da Orbital à reformulação da política espacial dos EUA

Taurus 2: a resposta da Orbital (http://www.nasa.gov)

Taurus 2: a resposta da Orbital (http://www.nasa.gov)

Existem atualmente nos EUA, várias empresas empenhadas em estabelecer programas viáveis de lançamentos comerciais de satélites. Uma das mais importantes é a Orbital Sciences, ativa já há mais de 30 anos e que trabalha atualmente num novo veículo espacial capaz de fazer voos de abastecimento para a Estação Espacial Internacional.

O veículo da Orbital é conhecido como Cygnus e o seu lançador é o Taurus 2 devendo ser lançado pela primeira vez já em 2011. A empresa emprega mais de 3500 pessoas em várias instalações nos EUA e foi responsável no passado pelos lançamentos Pegasus para clientes comerciais e pelos lançamentos Minotaur para a USAF.

A Orbital tem agora um contrato no valor de 1,9 biliões de dólares para enviar oito voos de reabastecimento para a Estação Espacial Internacional (ISS). A SpaceX tem um contrato semelhante para os seus foguetões Falcon 9 e cápsulas Dragon no valor de 1,6 biliões.

O foguetão Taurus 2 depende de um motor de combustível líquido AJ26 no seu primeiro estádio, um motor que tecnologicamente é um descendente direto do foguetão pesado russo N-1 que deveria ter colocado um cosmonauta russo na Lua, antes dos EUA, não tivesse sido este grande foguetão sido desenvolvido de forma tão apressada… O primeiro Taurus 2 e o módulo Cygnus serão enviados para o local de lançamento em Wallops Island, Va., onde o lançamento terá lugar até ao final deste ano.

O módulo Cygnus da Orbital será capaz de levar cargas pressurizadas até à ISS com até 2700 kg e embora tenha sido desenhada “com padrões de segurança humanos”, não deverá levar astronautas até à ISS.

Em março passado, Obama anunciou o cancelamento do programa Constellation como sucessor do Space Shuttle e para reorientar os recursos alocados a este programa às empresas privadas como a Orbital e a SpaceX. O problema é que no processo os fornecedores normais da NASA, como a Boeing ou a Lockheed Martin, também são “empresas privadas” e parecem ter sido excluídas deste bolo, com um grande impacto potencial no emprego mais qualificado e nos resultados financeiros destas empresas.

Fonte:

http://www.space.com/businesstechnology/orbital-sciences-new-spaceship-100316.html

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Um estudante chinês publica um estudo sobre… as vulnerabilidades da rede elétrica dos EUA

Um estudante graduado chinês, com o nome de Wang Jianwei, publicou uma investigação sobre as vulnerabilidades da rede pública de distribuição dos EUA. A sua investigação desenha um plano completo para um ataque cibernético à rede elétrica norte-americana e revela o quanto este tipo de operações estão presentes na mente muitos jovens chineses… E porque é recentemente mais de cem grandes empresas dos EUA (da Boeing, à Google, passando pela Intel e pela Adobe) foram atacadas por hackers chineses.

O ataque sugerido por Wang tem algumas falhas técnicas, conforme já apontaram alguns peritos de segurança, mas expõe o quanto este tipo de operações e este tipo muito específico de alvos e, sobretudo, o quão elevados eles estão na escala de alvos do Exército Chinês.

Fonte:
http://hardware.slashdot.org/story/10/03/21/1242221/Chinese-Researcher-Says-US-Power-Grid-Is-Vulnerable-Strategist-Overreacts

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Obama continua a empatar no estabelecimento de um novo pacote de regulação financeira

Obama teve durante a sua campanha eleitoral um discurso muito crítico quanto à atitude de ganância desregrada e de arrogância solipsista que estiveram na base da atual recessão global. Após uma eleição que sufragou as suas palavras, seria de esperar que – após mais de um ano – já tivesse tomado medidas sérias para obstar a que o setor financeiro dos EUA regresse ao mesmo tipo de práticas e nos arraste a todos para nova crise. Seria de esperar, mas em vão, porque ainda não o fez.

Obcecado – como Guterres – com o “diálogo e o estabelecimento de pontes entre posições antagónicas, Obama paralisou-se e o lento e fraco progresso no Dossier da Saúde (a primeira prioridade da sua Administração) indica que algo de semelhante se passará com a reforma da regulação ao sistema financeiro. Dezenas de Bancos receberam mais de 2 triliões de dólares dos cofres federais, mas até hoje ignora-se que quantias foram exatamente transferidas e para que Bancos o foram. Há sinais de que uma parcela muito significativa deste dinheiro foi entregue a bancos estrangeiros como o holandês ABN ou o Bank of Scotland, mas em que montantes é segredo… E há inclusivamente sinais de que existem grandes interesses por detrás do ocultamento desta informação com – inclusivamente – a morte suspeita de um jornalista da Bloomberg que estudava este dossier…

Espera-se que agora que o pacote legislativo sobre a Saúde está finalmente em marcha, o Congresso se concentre na legislação financeira e de facto, há sinais que possa existir já algo sobre a mesa até finais de abril.

As negociações de bastidores que agora decorrem são chefiadas pelo congressista democrata Christopher Dodd e concentram-se agora na criação no seio da Reserva Federal que uma divisão com a missão de defender o consumidor, ativa sobretudo nas áreas do crédito imobiliário e dos cartões de crédito, os dois epicentros da crise de 2008. A FED, segundo o novo quadro legislativo em negociação, terá também autoridade para fiscalizar as empresas que detêm Bancos e impor a estes medidas que reduzam o risco e travem práticas que tantos prejuízos causaram a tanta gente, menos aos banqueiros e especuladores que – como sempre – se safaram quase incólumes e sem terem aprendido praticamente nada.

Fonte:
http://economia.publico.pt/Noticia/congresso-prepara-aperto-das-regras-para-a-supervisao-do-sistema-financeiro-dos-eua_1430798

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Cinco mitos sobre o Mercado Laboral dos EUA

Durante décadas (literalmente) os economistas longamente citados e adulados pelos meios de comunicação não se cansaram de utilizar o exemplo norte-americano como um exemplo de sucesso no mercado de trabalho. Diziam que o seu modelo de elevada flexibilidade permitia manter níveis de desemprego muito baixos – virtualmente de “pleno emprego” com taxas de desemprego de 5% – e que todos os países do mundo o devia seguir, especialmente aqueles onde a legislação era “rígida” e onde as taxas de desemprego eram cronicamente mais elevadas. Contudo, este modelo não se revelado tão exemplar como parecia, agora em plena recessão global, tendo os EUA uma taxa de desemprego atual já superior a 9.7% (janeiro de 2010) este mito de “sucesso” já não tem nem metade do apelo de outrora… e toda uma série de mitos quanto ao sucesso do mesmo começam também a cair.

Mito: O trabalho será cada vez mais trabalho qualificado e de formação universitária. As restantes atividades serão outsourced para o estrangeiro (Índia e China, sobretudo).
Rebate: Ainda que seja verdade que o progresso tecnológico e a globalização do comércio vão continuar a suprimir postos de trabalho, mas um estudo dos professores Harry Holzer da Georgetown University e Bob Lerman da American University concluíram que mais de metade de todo o Emprego nos EUA ainda é gerado nas áreas de qualificações médias, como Saúde, Construção, Polícia, Escritórios, Comércio, etc.

Mito: A falta de qualificações universitárias é o maior obstáculo à obtenção de um bom nível de vida.
Rebate: Na verdade, aqueles que se revelam como melhor sucedidos enquanto empreendedores e empresários (não confundir com o termo “empresário” atribuído a especuladores bolsistas como Berardo) são na realidade muito frequentemente aqueles que na Escola foram mais rebeldes, mais conflitos criaram com colegas e professores e que geralmente, ou tiveram dos piores desempenhos escolares ou simplesmente, abandonaram a Escola antes de ingressaram numa Faculdade ou de aí terminarem o seu curso.

Mito: as chamadas “soft skills” não podem ser ensinadas. Na verdade, existem formas de ensinar, medir e certificar comportamentos “soft” tais como “responsabilidade” e “interpretação de informação” e há vários estudos académicos nos EUA e no Canadá que comprovam esta capacidade.

Mito: Numa contratação, “apenas importam as competências no que concerne a decisões de contratação”. Treta. Frequentemente, é preciso ter ligações dentro da organização para ser recrutado

Mito: A melhor monitorização para um sistema vem sempre do seu interior. Mito que foi desfeito pela clamorosa incapacidade do sistema financeiro em se auto regular, como ficou cabalmente demonstrado pelo escândalo do subprime, da Enron, da Arthur Andersen, etc…

Fontes:
http://articles.baltimoresun.com/2009-09-04/news/0909030041_1_myth-1-skills-middle-skill/2
http://www.bls.gov/news.release/empsit.nr0.htm
http://explore.georgetown.edu/people/hjh4/?PageTemplateID=179
http://www.urban.org/about/RobertLerman.cfm

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NASA: Há um “Plano B” para salvar o programa Constellation?

O responsável da NASA, Charles Bolden vai debater com o presidente Obama os planos para desmantelar o programa Constellation. A deslocação surge no momento em que aparecem documentos internos da agência em que o diretor do Johnson Space Center em Houston, instrui especificamente subordinados seus para delinearem um “Plano B” de desenvolvimento de um veículo espacial tripulado.

O que a NASA está a tentar salvar do Constellation é a construção de uma cápsula tripulada, de um lançador pesado e de programa de testes de tecnologias para novos lançadores de satélites. Estes seriam implementados dentro do orçamento atribuído à agência por Obama, e permitiram que os EUA se mantivessem como líderes no campo espacial.

A decisão de Obama de acabar com o Constellation enfrentou severa oposição entre Republicanos e Democratas, havendo mesmo que propôs o adiamento do último voo do Space Shuttle de 2010 para 2012, como forma de compensar o fim do Constellation e assim manter os empregos altamente especializados que de outra forma se perderiam.

O novo programa pós-Constellation receberia uma nova designação e seria alimentado pelo aumento de 6 biliões de dólares do orçamento da NASA durante os próximos cinco anos. Há sinais contraditórios quanto à aceitação por Obama deste “Plano B”. Por um lado, muitos senadores se pronunciaram contra o fim do Plano A, o polémico duo Constellation-Orion e estariam dispostos a aprovar um seu regresso, menos ambicioso e financeiramente mais contido, em troca de Emprego e de continuação de investimento. Por outro lado, a planeada presença chinesa na Lua em 2020. Irá certamente pressionar o governo federal a manter um programa lunar paralelo, e os privados (como a SpaceX e a Orbital ou Taurus) não parecem ter os recursos financeiros e técnicos para erguerem um programa lunar comparável ao Constellation ou mesmo ao cuidadoso e cerebral plano chinês, pelo que a NASA, terá que ter aqui um papel determinante… A lógica de privatizar quase totalmente o Espaço, pode revelar-se perniciosa a muitos títulos e é aqui que o Plano B da NASA se pode revelar muito útil.

Fonte:
http://www.space.com/news/nasa-budget-plan-b-sn-100304.html

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O USS Freedom (LCS 1) foi enviado para sua primeira missão

USS Freedom (www.naval.com.br)

USS Freedom (www.naval.com.br)

O primeiro “Littoral Combat Ship”, o USS Freedom (LCS 1), foi enviado para sua primeira missão. A colocação acontece dois anos antes do calendário inicial, o que é muito raro, num meio onde os atrasos e deslizes orçamentais consequentes são comuns.

O primeiro LCS1 foi concebido e construído pela divisão naval da Lockheed Martin, empresa que agora concorre à construção de mais navios da mesma classe, prometendo manter a lógica de baixo custo unitário por navio e rapidez de construção. Em teoria, os EUA, vão construir mais 55 navios deste tipo, especialmente concebidos para operaram em águas costeiras.

Fonte:

http://www.defpro.com/news/details/13218/

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Mais atrasos e aumentos de custos com o F-35 Lightning II

O F-35 conheceu novos atrasos, dilatando ainda mais os custos do programa mais dispendioso da atualidade. Os últimos planos incluem a compra de 2456 aparelhos a um custo total que será superior a 246 biliões de dólares, um valor estapafúrdio que prova que a intenção original de criar um aparelho “económico” que beneficiasse das economias de escala resultantes da partilha de tecnologia furtiva se gorou. Com efeito, desde 2002, mais de 100 biliões de dólares já foram somados ao preço original. Em suma, atualmente, cada F-35 deverá custar perto de cem milhões de dólares… Dificilmente um “caça económico”, portanto, já que tem um preço quase triplo ao Gripen NG!

E em cima disto tudo, o Pentágono admitiu agora um deslize de mais de um ano de todo o programa. Ou seja, os Marines já não vão receber os seus primeiros F-35 em 2012, mas, na melhor das hipóteses, apenas em 2013… A Leste nada de novo, em suma. Ou melhor, a Ocidente nada bom de novo.

Fonte:
http://defensetech.org/2010/02/18/f-35-delayed-again/

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F/A-18E/F Super Hornet: Uma resenha sumária

Para muitos o Super Hornet é o melhor caça do mundo… Algo que resulta mais do se custo unitário, do que das suas características “brutas” e sobretudo porque se tornou a peça fundamental da força aérea embarcada e porque tem permitido colmatar a fraca disponibilidade de Raptors na USAF.

O avião tem a capacidade de funcionar em rede (ao contrário do Raptor) incluindo um Link 16 Datalink e um aumento de capacidade em relação ao Hornet original de um maior raio de ação resultante de depósitos 33% maiores. Por isso o avião é mais longo e largo de asas. Foram também instalados mais dois suportes para armamento, que agora são um total de 11.

O avião utiliza uma turbina General Electric F414-GE-400, uma variante do F404.

O primeiro Block II foi entregue em setembro de 2003 com uma parte frontal redesenhada e mudanças necessárias para que pudesse acolher o radar Raytheon APG-79 AESA. Futuramente, todos os Super Hornet serão atualizados para o padrão Block II.

Em 2012, a US NAVY terá 493 Super Hornets e este será o ano em que a construção do aparelho será encerrada. Contudo, a Boeing propôs à US Navy a entrega de 170 novos aviões para que esta mantivesse a sua operacionalidade até à entrega dos F-35. Cada um destes aviões custaria apenas 49,9 milhões de dólares. A maior vantagem do avião, já que devido aos problemas com as turbinas F414 não ganhou boa reputação e que pela ausência de características stealth não é um verdadeiro aparelho de 4,5 geração…

Fonte:
Air Forces Monthly, outubro de 2009

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A Isthmus Engineering e o modelo de gestão de “Cooperativa de Trabalhadores”

O último documentário de Michael Moore: “Capitalism, a Love Story” depois de se concentrar nas (numerosas) maleitas de que padece e nos faz padecer o sistema Capitalista passa de uma forma mais ou menos superficial a questão dos métodos empresariais alternativos de gestão. Moore concentra-se no modelo das “Cooperativas de Trabalhadores” abordando vários exemplos de sucesso em atividade nos EUA.

Usando o exemplo concreto de uma destas “Cooperativas de Trabalhadores”, a Isthmus, que se dedica à área de conceber e fabricar robots e sistemas de automação, vamos deitar nas próximas linhas uma visão sumária sobre este tipo de organizações:

1. A empresa é detida pelos próprios trabalhadores e o seu sucesso – que deriva necessariamente do desempenho de toda a equipa – é igualmente repartido
por todos que nele efetivamente participam.
2. A empresa é organizada sob o modelo de uma cooperativa, uma organização desenhada para agregar os recursos representados pelos indivíduos que a compõem de forma a alcançar um objetivo comum. Existem vários tipos de cooperativas: de Produção, de Consumidores e de Trabalhadores. A “Isthmus Engineering” escolheu o modelo de “Cooperativa industrial de Trabalhadores”.
3. Uma “Cooperativa de Trabalhadores” é um tipo de cooperativa onde os cooperantes são os mesmos que nela trabalham. As decisões de gestão são sempre tomadas de forma democrática em que cada membro tem um voto, na melhor aplicação do princípio fundamental das democracias: “um Homem, um Voto”.
4. Existe uma distribuição equitativa dos lucros da cooperativa entre todos os seus membros, independentemente das funções que desempenham na organização.
5. As Cooperativas de Trabalhadores têm um enfoque muito forte nas áreas de formação e na educação dos seus cooperantes.
6. Este tipo de organizações também mantêm laços de solidariedade entre os seus membros e as suas famílias, assim como preocupações de responsabilidade social para com a comunidade em que estão inseridos.

Acreditamos que a melhor forma de gerar riqueza e emprego não reside nas empresas públicas ou estatais, mas no empreendedorismo particular, na livre iniciativa em suma no Capitalismo. Mas um Capitalismo de pequena ou média escala e de âmbito local e não multinacional, de Empresas Locais, feitas para e a partir da Comunidade e das pessoas que a compõem e não de e para “conselhos de Administração” egóticos, babilonicamente remunerados e completamente irresponsáveis no que concerne aos efeitos das suas más decisões. Este modelo de gestão privado, apresentado pelas “cooperativas de trabalhadores” é uma opção que hoje nos é apresentado como possível pelo sucesso vincado das empresas que nos EUA e em outros países o escolheram. E sendo um modelo de gestão plenamente democrático é também melhor garantia contra os desmandos e loucuras de gestão a que os “gestores modernos” nos habituaram e porque exige empresas de pequena ou média escala e sempre de âmbito local, muito adequado ao paradigma das “Economias Locais” do economista alemão E. F. Schumacher que por aqui temos vindo a defender.

Fonte:
http://isthmuseng.com/aboutus/workerownedcoop/workerownedcoop.aspx

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O “Plano Obama para o Espaço”

O recentemente apresentado “Plano Obama para o Espaço” representa uma viragem radical no programa espacial tripulado dos EUA. A grande orientação governamental é agora a de fazer residir estas missões em naves espaciais construídas por privadas e não mais naquelas construídas pela NASA.

Um outro aspecto do Plano Obama é o (esperado) prolongamento da vida da Estação Espacial Internacional (ISS) e o (igualmente esperado) abandono do projeto de regressar à Lua até 2020.

Esta alteração da política espacial dos EUA vai implicar a entrega de mais seis biliões de dólares às empresas norte-americanas capazes de entregar foguetões e cápsulas tripuladas, como o SpaceX e a Orbital, algo que além de radical, é também muito arriscado, já que até agora e embora a SpaceX esteja muito perto, ainda nenhuma delas conseguiu colocar um só astronauta em órbita. Seis biliões de dólares podem, contudo, fazer toda a diferença, já que estas empresas nunca tiveram tal escala de capital à sua disposição…

O abandono desse legado eternamente subfinanciado da Era Bush, o Ares-Constellation e a transferência destes objetivos para empresas privadas irá também libertar recursos para que a NASA possa enviar astronautas para um asteróide ou para uma das luas de Marte.

A decisão de retirar à NASA a missão de conceber e produzir um novo lançador e cápsula tripulada terá certamente impacto no emprego gerado indiretamente pela agência nas empresas suas subcontratadas, como a Boeing ou a Lockheed Martin, especialmente na Florida onde essa industria é particularmente vigorosa.

A visão de Obama passa também pela concepção pela NASA de um novo lançador pesado, a ser usado nas missões tripuladas a asteroides e às luas de Marte.

Já se sabia que Barack Obama não era um “homem do Espaço”. O tempo que demorou a nomear um novo administrador para a NASA, depois da demissão de Griffin já disse, aliás, isso mesmo… Agora, e com o inevitável último voo do Space Shuttle, o fim do Ares-Constellation e a aposta arriscada nos lançadores privados, estaremos no ocaso dos EUA, enquanto potencia espacial?

A decisão pode soar a acertada no clima atual de recessão e de défice orçamental galopante, mas custará milhares de empregos de alta tecnologia a curto prazo e implicará o prolongamento quase certo dos pagamentos à Rússia em troca de lugar para astronautas americanos nas cápsulas Soyuz. A entrega de 6 biliões de dólares a empresas norte-americanas poderá recuperar alguns destes empregos, mas sempre com um défice final considerável, já que SpaceX e Orbital empregam muitos menos que as grandes e tradicionais empresas aeroespaciais norte-americanas.

Fontes:
http://news.discovery.com/space/nasa-former-administrator-weighs-in-on-obama-no-moon-plan.html
http://www.spaceref.com/news/viewpr.rss.html?pid=30099
http://www.space.com/news/obama-nasa-space-plan-reactions-100128.html

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Obama começa finalmente a avançar contra os Megabancos. Os tais que eram “grande demais para falhar”

Obama finalmente parece ter despertado da sua modorra quanto a ações contra o setor financeiro que com os seus desmandos e comportamentos irresponsáveis afundou a economia mundial em 2008: Os EUA irão assim limitar a dimensão e a área de ação dos Bancos dos EUA, o que irá obrigar Bancos com o JP Morgan e a Goldman Sachs a venderem empresas que controlam noutros setores.

A medida vai ter impacto nestes “Bancos Grandes Demais para Falhar”, que foram salvos da falência com dinheiro dos contribuintes e que findo o momento da crise se apressaram a distribuir parte desse dinheiro na forma de bónus a gestores. O impacto representará para a JP Morgan uma perda que este estima ser superior a 13 mil milhões de dólares nos Bancos JP Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Crédit Suisse, UBS e Deutsche Bank. Todos estes acumulavam atividades especulativas e de exóticas “engenharia financeira” com atividades de retalho convencionais, criando as condições para novo colapso.

A separação entre Banca de Investimento e Banca da Retalho, desejada por Obama nada de original, já que é no essencial a resposta de Roosevelt à crise semelhante da década de Trinta e, se hoje, voltamos a falar desta separação foi apenas porque os lobbistas conseguiram inverter estas regulações do New Deal, nos mandatos presidenciais de Clinton e Bush. E passa apenas pela reposição de uma separação saudável para as instituições financeiras e a prazo, para as economias mundiais… Mas é apenas o primeiro passo, já que não prevê que os Megabancos se dividam nos Bancos que têm comprado incansavelmente nas últimas décadas, chegando à escala atual, tornando-se imensos geradores de desemprego (cada fusão leva a novos desempregados) e de risco sistémico de falha global. Agora após a separação, falta conjugar um novo advérbio: a divisão…

Fonte:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1419284

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Segundo uma reportagem da ABC: O sexo oral e a prostituição ocasional banalizam-se entre os adolescentes norte-americanos

Uma reportagem televisiva da ABC News está a chocar a América. O tema é chocante e versa sobre a antecipação da vida sexual dos adolescentes norte-americanos e a forma como o estão a fazer, recorrendo ao sexo oral como forma de impedirem a gravidez e de evitarem (supõem) doenças venéreas.

O documentário foi realizado pela realizadora canadiana Sharlene Azam e demorou mais de quatro anos a concluir recebendo o nome muito apropriado “Good Morning America”. A sua mais espantosa conclusão é de que o sexo oral entre os adolescentes é atualmente tão banal como beijar e que a prostituição ocasional que já assolar as escolas secundárias japonesas desde finais de 1990 é muito mais comum do que se poderia acreditar.

Muitos adolescentes seguem a mesma linha de pensamento de Bill Clinton e acreditam que o sexo oral, não é sexo. E de facto, existem estudos do CDC que indicam que mais de 50% dos adolescentes entre os 15 e os 19 já praticaram sexo oral.

A prostituição casual é outro problema em explosão. Muitos adolescentes admitem receberem dinheiro ou favores diversos em troca de roupa, dinheiro ou de trabalhos de casa. A reportagem inclui testemunhos de raparigas que praticam sexo em troca de 100 dólares, tiram t-shirts por 20 e fazem striptease por 100.

Este fenómeno da prostituição casual é especialmente grave entre as raparigas, especialmente as de famílias de classe média e é o produto direto de uma sociedade tornada materialista e consumista até ao mais alto grau, onde o sexo é considerado uma mercadoria e se banaliza ao ponto de deixar de ser considerado enquanto tal. Não existem estudos idênticos para Portugal e para a Europa, mas tendo em conta a presente “globalização cultural” que hoje uniformiza praticamente todos os jovens no Ocidente, não espantaria se a situação entre nós fosse muito diferente: prostituição casual e antecipação da idade de iniciação sexual… E redução do período “criança” da vida dos seres humanos atuais. Para redução decorrente da sua consolidação como adultos plenos e realizados, porque a precocidade de alguém não pode contribuir para a sua transformação num adulto mentalmente são e completo.

Fonte:
http://abcnews.go.com/GMA/Parenting/story?id=7693121&page=1

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A nova “Estratégia para o Espaço” de Barack Obama

Resumo da nova estratégia para o Espaço, delineada por Barack Obama:

1. Os abastecimentos e substituição de astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) serão da responsabilidade de voo comerciais, muito provavelmente a cápsula Dragon com os seus lançadores Falcon 9.

2. A NASA vai focar os seus esforços e recursos no desenvolvimento de um lançador pesado não sendo ainda claro se este será o Ares V Lite ou um veículo desenvolvido a partir do atual Space Shuttle. Um ou outro deverá estar pronto antes de 2018.

3. A estratégia de Obama apela também a parceiros para prosseguir com o seu programa lunar. Neste campo, a Europa, o Japão e o Canadá, deverão representar um papel central tendo em conta a experiência de cooperação passada assim como o envio de varias missões robóticas bem sucedidas para a Lua. Assim, a NASA deixa de estar sozinha no desenvolvimento de um Lunar Lander e de uma base lunar modular para – segundo o documento de Obama – passar a poder contar com estes parceiros.

4. O orçamento da NASA para 2011 será aumentado em um bilião de dólares em relação ao ano anterior.

Estes são os quatro pontos essenciais de uma “estratégia para o Espaço” que custou a ser conhecida e que continua a ser muito lacunar… Obama nunca expressou em campanha um grande interesse pelo Espaço e o longo hiato que a NASA teve de atravessar (quase um ano) antes de ser nomeado o novo administrador indica que a agência não está nas prioridades do novo presidente norte-americano… Isso explica porque é que esta estratégia é parcial e deixa ainda por responder algumas questões fundamentais:
A. A ISS vai continuar a funcionar depois de 2020?
B. O Space Shuttle realizará o seu último voo em
2011?
C. A NASA não vai trabalhar no sentido de enviar uma missão tripulada a um asteroide?
D. A NASA vai manter um esforço de exploração a Marte e, ultimamente, enviar uma missão humana para o Planeta Vermelho?

São quatro perguntas que ainda não têm resposta e ao fim de um ano de mandato, já era tempo… O Espaço – durante tanto tempo a maior bandeira do estatuto de superpotência dos EUA – não está claramente na lista de prioridades de Obama. Até certo ponto, tal baixa prioridade até pode ser compreensível, já que os EUA continuam imersos na maior recessão desde 1929 e que as causas fundamentais desta continuam – no essencial – todas presentes. O Desemprego, o Aquecimento Global e a Crise no Afeganistão são outros três enormes problemas que Obama tem que enfrentar e onde – como na Reforma do Sistema de Saúde – tem encontrado um apoio muito tíbio e incerto nos seus pares Democratas no Congresso… De sublinhar, contudo, que um verdadeiro e ambicioso programa lunar ou marciano poderia resolver boa parte destes problemas: um novo “programa Apollo”, orientado para a Lua ou para Marte poderia gerar Emprego, Riqueza, Moral e Prestígio onde todos estes hoje faltam.

De qualquer forma, agora parece haver uma “visão obâmica para o Espaço”. Imprecisa, pouco ambiciosa, mas… Existente.

Fonte:
http://www.examiner.com/x-21670-Houston-Space-News-Examiner~y2009m12d17-More-possible-details-of-Obama-space-plan-for-NASA-emerges?cid=channel-rss-News

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Foram escolhidos os três finalistas do programa “New Frontiers” da NASA: Lua, Vénus ou um Asteroide

Vénus: um dos destinos prováveis do New Frontiers da NASA (http://pacificempire.org.nz)

A NASA selecionou três projetos candidatos. A escolha final será realizada até meados de 2011 e deverá determinar o destino da próxima missão ao Espaço exterior da agencia espacial norte-americana.

Na final está uma missão para estudar a atmosfera e a crosta de Vénus; uma missão para recolher e trazer para a Terra uma amostra de um asteroide e uma terceira missão para colocar um missão na Lua capaz de recolher amostras do Pólo Sul e regressar a Terra.

Os trabalhos de seleção começaram em 2010 e o lançamento da missão vencedora deve ocorrer antes do final de 2018. A missão deverá custar menos de 650 milhões de dólares.

1. A missão venusiana SAGE ou “Surface and Atmosphere Geochemical Explorer” pretende lançar uma sonda que desça através da densa atmosfera marciana, recolhendo dados sobre a sua composição. Esta sonda aterrará depois na superfície, recolhendo mais dados, desta feita do solo venusiano.

2. A missão a um asteróide será a “Origins Spectral Interpretation Resource Identification Security Regolith Explorer” ou Osiris-Rex, que terá como principal objetivo o estudo local e recolha de material de um asteróide para análise em Terra.

3. A Missão “MoonRise” ou “Lunar South Pole-Aitken Basin Sample Return Mission” quer colocar um Lander no pólo sul lunar e trazer para Terra amostras.

As três propostas fazem parte de um grupo de propostas mais numeroso que foram entregues à NASA a 31 de julho de 2009 no âmbito do programa “New Frontiers”. Este programa da NASA tem como objetivo explorar o Sistema Solar com missões frequentes e de custo médio. A primeira missão deste programa foi lançada em 2006 e chegará a Plutão em 2015 e depois partirá a caminho da Cintura de Kuiper, para estudar os cometas que se estimam serem aqui abundantes. A segunda missão, é a Juno que irá orbitar Júpiter pela primeira vez e que será lançada em agosto de 2011.

Fonte:
http://www.space-travel.com/reports/Venus_Asteroids_And_Moon_To_Compete_For_Next_New_Frontiers_Mission_999.html

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Sobre a estratégia de Obama para o Afeganistão

A estratégia de Obama para o Afeganistão passa por uma abordagem em três fases:
1. Um reforço militar
2. A afeganização da guerra
3. Uma estratégia de retirada.

Este plano em três fases é pelo menos lógico e coerente, o que é muito diferente da confusa e desnorteada estratégia de Bush. E bem precisado está o Afeganistão de uma nova estratégia, com uma situação militar que se agrava todos os dias e com parcelas crescentes do território afegão a caírem nas mãos dos talibãs.

Um dos pontos fulcrais para a fase dois (a “afeganização”) seria a legitimidade do governo democraticamente eleito. Infelizmente, aí Obama errou rotundamente, comprometendo no processo o sucesso de toda a estratégia. As presidenciais de agosto de 2009 foram manchadas por suspeitas generalizadas de fraude e por corrupção galopante em todos os níveis da administração e das forças de segurança. Em tal clima, o envio de mais trinta mil homens (fase um) encontrará o devido ambiente para ser bem sucedido? Se o governo local é cada vez mais ilegítimo, como pode Obama esperar que o seu inepto e corrupto exército seja capaz de aqui a cinco anos suportar totalmente o esforço de guerra? Sem uma limpeza do governo, novas (e legítimas) eleições e uma profunda reorganização do país, nas bases locais e tribais que sempre o formataram, não haverá jamais um Afeganistão pacífico. Se Obama quer sair do Afeganistão terá que começar por retirar o apoio norte-americano ao corrupto governo de Hamid Karzai, tornar o país num Estado federal muito descentralizado e apoiar esta estratégia com a visão em três fases acima indicada. Mas com “aliados” locais com outra credibilidade e num tipo de Afeganistão radicalmente diferente daquele que conhecemos…. Ou a fase de “afeganização” de Obama será tão bem (mal) sucedida como a de Gorbachev, depois da retirada das divisões soviéticas…

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/2010afeganistao-ultima-missao-com-nova-estrategia-e-mais-homens-no-terreno=f554829

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Sobre o concurso “Light Attack Armed Reconnaissance” da USAF

O Embraer EMB-314 Super Tucano, um dos concorrentes ao LAAR (www.copswiki.org)

A USAF recebeu o financiamento inicial para o programa de 2 biliões de dólares que será o responsável pela aquisição de 100 Light Attack Armed Reconnaissance para operações irregulares como aquelas que a USAF cumpre no Iraque e no Afeganistão. O LAAR deverá estar operacional até 2013, apenas um ano depois das primeiras entregas.

Entre os aviões já propostos à USAF estão o At802U, o Alenia Aermacchi M-346, o Embraer EMB-314 Super Tucano, o Hawker Beechcraft AT-6L e o Pilatus PC-6 Porter.

A USAF quer um aparelho que tenha um custo de hora inferior aos mil dólares. Um avião de combate como o F-16C custa 7 mil dólares e o F-15E 44 mil.

O LAAR deverá ter uma ou duas metralhadoras de 7,62 mm duas bombas guiadas de 227 kg e capacidade para levar lançadores de rockets ou o míssil ar-terra Hellfire.

O programa LAAR poderá ser uma forma de vermos aviões brasileiros na USAF, depois destes estarem já nos EUA, sendo operados pela empresa de mercenários Blackwatter, mas agora de uma forma mais “oficial”… Este concurso é vital para manter na USAF o tipo de apoio aéreo de proximidade que o A-10 disponibilizava e que agora – com a sua iminente saída de serviço – se está a perder, para insatisfação dos comandantes no terreno (no Iraque e no Afeganistão) que ressalvam a necessidade de um aparelho – simples e barato – que possa ser empregue em abundância e com menos reservas do que aviões mais sofisticados e difíceis de manter como aqueles que restarão no inventário da USAF, após o último voo do A-10.

Fonte:
Air Forces Monthly, dezembro de 2009

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Oito comentários ao último documentário de Michael Moore: “Capitalism, a love story”

O último filme de Michael Moore merece uma reflexão… Trata-se de uma visão crítica do Capitalismo, atualizada após o colapso financeiro de Wall Street de 2008 e a consequente recessão global que se lhe seguiu e que cobrou miséria, fome e desemprego em todo o mundo.

Não deixaremos aqui uma resenha extensa de todos os pontos abordados no filme, mas apenas os mais importantes, recolhidos em notas que fizemos numa sala que teria talvez menos de 30 espetadores, graças ao écran luminoso e teclado extensível deste velho (e não muito fiável) qtek 9100…

1. Prisões Privadas
Existem já hoje várias prisões privadas nos EUA. Estas prisões foram construídas e são exploradas por empresas privadas em regime de concessão durante extensos períodos de tempo. Neste modelo, assume-se a tese de que os privados conseguem gerir de forma economicamente mais rentável uma prisão do que o Estado. A tese é uma derivação direta e acrítica das teses neoliberais e como Moore demonstra está inquinada desde a sua mais fundamental base: como impedir que estas concessionárias subornem juizes que enviem para as prisões inocentes, em troca de “prémios” financeiros por cada novo detido? E como impedir que as empresas gestoras da prisão não estendam arbitrariamente, mas com fins comerciais as penas que cumprem os “criminosos” que são colocados à sua guarda? M. Moore dá exemplos destas contradições e arrasa com um modelo que insidiosamente se começa a introduzir também em Portugal, pela mão dos nossos neoliberais de serviço, no seio do bipartido PS-PSD…

2. Seguros de Vida empresariais
Nos EUA – e provavelmente em muitos outros países – as grandes empresas estão a fazer seguros de vida secretos aos seus empregados. Os próprios não têm conhecimento da sua existência, nem as suas famílias e sobretudo, desconhecem que em caso de virem a falecer ainda jovens, as empresas que os empregam podem encaixar vários milhões de dólares. Os patrões tornam-se assim diretos beneficiários com a morte dos seus empregados, sendo então grandes interessados em criar condições para que estes morram prematuramente e que possam encaixar milhões quando as famílias – frequentemente – com crianças menores empobreçam com a morte súbita de um dos progenitores! Se isto não é o “grau zero” de ética corporativa, então não sei o que seja…

3. Plutocracia
O filme de Michael Moore faz referencia a um memorando interno enviado pelo Citybank a uma restrita lista dos seus melhores clientes e onde o Banco referia que o sistema democrático dos EUA estava a transformar-se numa Plutocracia, isto é, num regime político onde o essencial da autoridade e do exercício de poder está nas mãos de um pequeno grupo de indivíduos extremamente abastados. O documento admite que atualmente 1% da população dos EUA tinha tanta riqueza concentrada como 95%, num tom congratulatório, evidente tendo em conta o tipo de audiência para este memorando… Mas o memorando também apontava para um risco de instabilidade: o de as massas cada vez mais empobrecidas, com empregos com menos condições e mais escasso se rebelarem contra este estado de coisas…

4. Os produtos financeiros opacos
Sem dúvida que no epicentro direto da atual recessão global se encontram os produtos financeiros que ninguém compreende na totalidade e que tendo sido completamente “virtualizados” e desligados da economia real se tornaram, de facto, imprevisíveis. Os Derivados, os Futuros, muitos Fundos de Investimento são opacos no sentido em que não se compreende claramente de que são compostos. E não é preciso ir muito longe: fale com o seu Banco, pergunte-lhes por Fundos de Investimento e depois faça a “pergunta proibida”: mas qual é a composição exata destes fundos? A maioria começará a gaguejar e – no máximo – derramarão sobre si uma torrente de palavras ocas e genéricas. Cuidado, assim, ao comprar um produto deste género certifique-se de que o vendedor sabe pelo menos o que lhe está a vender antes de comprar. Foi precisamente a falta deste cuidado que esteve na base da presente recessão global… Que 2010 não fará mais do que agravar, aliás, com novas e grandes falências bancárias iminentes nos Estados Unidos.

5. Um modelo alternativo de gestão: as cooperativas de trabalhadores
Após derramar uma tão intensa (e bem fundamentada) crítica ao sistema capitalista contemporâneo, Michael Moore, apresenta uma das várias alternativas, na forma de algumas das empresas cooperativas, bem sucedidas, que hoje existem nos Estados Unidos, estas empresas são geridas pelos seus próprios trabalhadores, que têm direito de voto no conselho de administração e que dividem entre si os lucros anualmente gerados pelo seu próprio trabalho. O modelo em si mesmo tem demonstrado a capacidade suficiente para funcionar em empresas de várias áreas de atividade, como, por exemplo com a Isthmus, uma empresa especializada em desenvolver e construir robots industriais. O conceito em si mesmo, é de facto muito interessante: resolve o problema crónico da má distribuição dos rendimentos do trabalho entre executivos e trabalhadores, ao estabelecer salários iguais e distribuição parietária de lucros, motiva todos, porque todos recebem a sua parte nos lucros gerados ou dos prejuízos resultantes de erros de gestão, votados em conjunto. O sistema instala também os mecanismos democráticos no derradeiro campo onde a democracia ainda não conseguiu penetrar: a atividade empresarial. É de certa forma paradoxal que precisamente naquele local onde a maior parte de nós passa o uma parte maioritária do seu dia (desperto) seja precisamente onde as práticas democráticas ainda não penetraram… Com as vantagens de controlo e monitorização que a Democracia oferece! Por exemplo: os desmandos dos gestores financeiros que arrastaram o mundo para a recessão teriam sido permitidos se tivessem sido levados a votos pelos seus trabalhadores? Os investimentos ruinosos (e criminosos) da dupla Oliveira e Costa-Dias Loureiro? A gestão fraudulenta da Enron e Arthur Andersen?

6. A crise do sistema educativo nos EUA
O documentário aponta claramente na direção onde reside a maior parcela de responsabilidade pelo declínio dos EUA: a crise na Educação. Esta crise responde em primeiro lugar pelo recuo da maior potencia (ainda) mundial em todas as estatísticas internacionais nesta área. O ensino dos EUA está hoje profundamente doente… Nas faculdades privadas, o dinheiro é cada vez mais o fator principal para obter uma licenciatura, nas públicas, já não é raro ver o exemplo da Caltech (na Califórnia) replicado noutras universidades públicas estaduais: aumentos de propinas de 30% até aos 600 dólares mensais e a presença de um número crescente de estudantes estrangeiros que pelas suas “extra fees” são ainda mais rentáveis para a Universidade mas que ocupam um número crescente de lugares nas salas de aula. Tudo isto é agravado por uma erosão dramática das profissões ligadas à Informática (ainda o principal símbolo do domínio tecnológico dos EUA no mundo), em que a maioria dos alunos fogem a este curso e os melhores talentos em matemática preferem carreiras no setor financeiro a carreiras científicas ou em informática. As primeiras são recompensadas com remunerações muito inferiores ao que se cobra nos meios empresariais e as segundas são cada vez pior remuneradas e forçam a horários desumanos e quase sempre a horas extraordinárias não remuneradas. Como se não bastasse, o sistema de ensino privado norte-americano baseia-se muito nos chamados “empréstimos de ensino” que agora também começaram a aparecer em Portugal e na Europa e que a troco do pagamento por empréstimo bancário da sua formação superior colocam reféns do seu pagamento milhões de jovens que dedicam os seus primeiros anos de trabalho à amortização dessa dívida!

7. No auge do quase colapso financeiro de 2008 deram-se 700 biliões a troco de nada
O sétimo e último que queria sublinhar no documentário de Michael Moore é algo sobre o qual já escrevi varias vezes, em vários fóruns: quando o governo dos EUA e tantos outros pelo mundo fora decidiram entregar biliões de dólares nas mãos dos financeiros que tinham levado os seus bancos – tantas vezes centenários – não impuseram nenhuma contrapartida. Em consequência, apenas poucas semanas depois já surgiam notícias que davam conta de reuniões de gestores da AIG em resorts de megaluxo, do pagamento de bónus milionários a gestores de bancos antes falidos, etc, etc. E grande responsabilidade desta situação cabe a Obama: a decisão de passar um cheque em branco coube à Administração Bush e aos seus membros que tinham vindo da Banca de Investimentos (e que cumpriam a sua agenda privada), mas Obama participou, anuiu e executou esta política. E além de belos discursos eloquentes, não fez ainda rigorosamente nada para travar estes desmandos com dinheiros públicos nem – sequer – para forçar os Bancos a reintroduzirem esse dinheiro na economia real quer criando moratórias de dívida para as famílias ameaçadas de despejo porque os empréstimos das suas casas duplicaram de um ano para o outro, nem para as empresas que abrem falência em catadupa por falta de empréstimos bancários. Para além de belas palavras, nada foi feito para levar a Banca a reintroduzir uma parte desses 700 biliões na Economia real, e sabe-se hoje que uma parte de Leão destes recursos (que não podem ser mobilizados uma segunda vez) foram canalizados para… O Mercado de Ações!

8. O filme de Michael Moore deve fazer-nos pensar e agir.
A atual recessão mundial – que está muito longe de ter terminado – devia fazer-nos refletir a todos sobre o modelo de economia e sociedade que queremos ter e queremos legar aos nossos filhos. Até ao momento, e mesmo depois da crise económica mais grave desde 1929, os dogmas neoliberais da Escola de Chicago continuam a dominar e a desregulação do setor financeiros é ainda quase absoluta: em consequência os desequilíbrios na distribuição de riqueza são cada vez maiores, mesmo na Europa onde o “Estado Social” tinha conseguido aplacar os seus efeitos mais perversos. Moore parece ser mais radical do que nós na “receita” que propõe para sair da recessão: uma socialização das economias… Os modelos de empresas cooperativas são sem dúvida muito interessantes, mas não são a única alternativa a um modelo organizacional esgotado e injusto ao mais alto grau porque concentra os direitos e regalias numa elite de “gestores” à custa da quase-escravização dos “colaboradores”. Entre o oito e o oitenta há muitas matizes… Falta Moral, Justiça (célere) e Democracia nas organizações onde a maioria de nós passa a maior parte do seu tempo. Todos estes fatores devem ser introduzidos na forma como desenhamos e gerimos as organizações privadas e públicas que geram o essencial da riqueza e onde a maioria de nós passa a sua vida. O documentário de Michael Moore põe a nu a necessidade urgente de uma reforma do capitalismo. Não suprimindo-o ou substituindo por modelos “pseudo-utópicos” falhados como o sovietismo ou estalinismo (não confundir com “comunismo”) mas buscando novas formas de organização das empresas e do trabalho.

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Os “Bancos demasiado grandes para falirem” têm direito à existência?

“O governador do Banco de Inglaterra] tem razão: os bancos demasiado grandes para falirem também são demasiado grandes para existirem. Para existirem, terão de adoptar o modelo de gestão das empresas públicas, o qual pressupõe uma regulação apertada.”
Joseph Stiglitz, Prémio Nóbel da Economia em 2001, “Diário Económico”, 18-12-2009

Muito bem. E agora, senhor Nobel e senhor Governador? Para quando a imposição de leis efetivas que ressuscitem as leis anti-trust e que as apliquem ao setor bancário? Todos sabemos que nos últimos 20 anos se assistiu em todo o mundo a um fenómeno de concentração bancária, com bancos comprando bancos nacionais e estrangeiros que acabou por criar aquelas estruturas ciclópicas que são hoje os grandes Bancos internacionais como o Bank of America com os seus notabilíssimos Total assets de 2.25 triliões de dólares em 2009! Bancos assim, colocam como reféns os Estados onde estão sediados e onde estendem as suas operações, pois se falirem (por erros da sua gestão privada e independente) forçam a que as Finanças Públicas acorram em sua salvaguarda, injetando neles dinheiros públicos, de forma a bloquear um “efeito cascata” como aquele que as falências bancárias em 1929 criaram, na altura, perante a passividade liberal-irresponsável dos governos da época. Perante a iminência da falência de um grande Banco de Retalho (de Investimento já é outra coisa…) os Governos têm o dever de intervir de forma a impedir que surja uma onda de choque que abale toda a Economia: Um Banco falido, faz desaparecer todas as poupanças que nele estão residentes e impede a concessão de empréstimos que financiem a normal atividade empresarial e do próprio Estado. Na iminência de um colapso, há assim que intervir. Os dogmas neoliberais que hoje formam o essencial do “Pensamento Único” advogam que os Estados devem limitar ao máximo possível a sua intervenção nas economias, e a Administração Bush e depois dela a Obama, optaram por seguir esses ditames (apesar do colossal fracasso das políticas económicas defendidas pelos teorizados deste sistema) e intervindo ao mínimo no sistema financeiro escolheram por entregarem 700 biliões de dólares de dinheiros dos impostos nas mãos dos mesmos banqueiros que criaram a Crise. Sem contrapartidas. Sem exigirem a demissão dos gestores incompetentes, sem exigirem a reintrodução desse dinheiro na economia real ou sem os forçarem a estabelecerem moratórias de dívidas para casos dramáticos como aqueles que levam os Bancos a encerrarem empresas cujo controlo detêm ou a expulsarem de suas casas famílias que não podem continuar a pagar os aumentos sucessivos de juros.

A solução para o problema dos megabancos é clara. É a mesma que em 1974 – por ordem do Departamento de Tesouro dos EUA – levou à separação da megaempresa telefónica AT&T em sete empresas menores: quebrar estes megabancos, norte-americanos e não só, em Bancos menores, mais próximos dos seus investidores e emprestadores e menos distante em longínquas e virtuais torres de cristal virtual. A cisão destes Bancos é assim indispensável para que os fatores que levaram à eclosão desta pesada recessão global sejam corrigidos. O tempo dos belos discursos à La Obama, já terminou, é agora o tempo de agir… Os legisladores de todos os países do mundo ainda estão a tempo – porque os momentos de crise são os ideias para quebrar estruturas doentes – para intervirem e corrigirem a causa da Recessão atual: forçando a cisão destas gigantescas organizações financeiras, em organizações menores, de caráter regional e local, fazendo regressar uma escala humana ao setor financeiro e possibilitando novas intervenções de capitais públicos, se estas forem novamente necessárias.

Ao ritmo de fusões que vínhamos assistindo nos últimos anos (e que a recessão apenas atrasou, por virtude da falta de liquidez) não faltaria muito tempo para que tivéssemos apenas um megabanco por continente e, anos, depois, um único em todo o globo… Esta caminha autofágica tem que parar, para bem de todos (porque estas “sinergias” implicariam ondas de desemprego sucessivas) e da solidez das economias do globo.

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O F-35: breve resenha

O F-35 pode não ser em termos meramente unitários o caça mais caro de sempre. Mas globalmente, é efetivamente o programa mais caro da História… Com efeito, com 1763 aviões pedidos pela USAF, 680 pela US Navy, 150 pelo Reino Unido e centenas de outros aparelhos pedidos pelos outros parceiros no programa: Austrália, Canadá, Dinamarca, Israel, Itália, Holanda, Singapura e Turquia, estaremos perante um total de perto de 3000 aparelhos.

Existem várias versões do F-35:
O CTOL (Conventional Take-Off and Landing) F-35A; o STOVL (Short take-off and Landing) F-35B e o F-35C que será usado em porta-aviões. A versão F-35B ainda não foi capaz de provar que poderia funcionar e a versão F-35C também ainda não foi testada e só deverá voar pela primeira vez em finais de 2009.

Uma das decisões mais polémicas foi a escolha por um avião com um só motor, um Pratt & Whitney F135, que equipará todas as versões do aparelho. O motor também não é dos pontos mais apreciados no aparelho, já que muitos preferiram um motor mais moderno, como o F136. Há também informações de que será medíocre em manobrabilidade… A sua velocidade máxima é de apenas 1,6 Mach (por comparação a do F-15 é de 2,5 Mach). Mas o ponto mais criticado é a reduzida carga militar que transporta, já que para manter as suas características stealth, apenas pode transportar essa carga internamente, sem os abundantes suportes externos da maioria dos aviões militares atualmente em uso, numa escala de 1 para 4, se o compararmos com o F-15!

Fonte:
Air Forces Monthly, outubro de 2009

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F-15 Eagle C e D: uma sumária resenha…

O F-15 Eagle C e D continua a ser o caça imbatível que sempre foi desde a sua primeira presença em combate. Atualmente, o avião tem um rácio de 105 para 0… Notável.

O Eagle é ainda hoje a peça central da força de superioridade aérea da USAF, e isto porque não há, nem haverá, F-22 suficientes para substituir o F-15.

Um dos elementos cruciais para a superioridade do avião reside no seu radar APG-63, assim como na sua manobrabilidade, resistência e numa impressionante capacidade de carga de armamento de múltiplos tipos.

Os F-15C e D que estão hoje em dia ao serviço da USAF são propulsados por dois reatores Pratt & Whitney F100-PW-220 de 10880 kg.

O maior problema do aparelho é a idade média dos Eagles da USAF… Tem havido muitas actualizações, mas em 2007 em 191 aviões deste tipo foram encontradas fissuras graves que levaram a que todos os F-15 estivessem colados ao solo durante algum tempo… Em suma, dificilmente poderá ser possível continuar a usar os C e D durante mais do que 2 ou 4 anos…

Fonte:
Air Forces Monthly, outubro de 2009

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