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“Em setembro, quando entrar em funcionamento o fundo de resgate permanente – o mecanismo de estabilidade europeu (MEE) – Portugal será obrigado a contribuir financeiramente”

Rajoy (http://n.i.uol.com.br)

Olé! Rajoy (http://n.i.uol.com.br)

“Em setembro, quando entrar em funcionamento o fundo de resgate permanente – o mecanismo de estabilidade europeu (MEE) – Portugal será obrigado a contribuir financeiramente para os futuros resgates na Zona Euro, a que Espanha é o primeiro candidato. A matemática é fácil de fazer: se o MEE emprestar 500 mil milhões de euros a Madrid, Portugal terá de entregar 12.5 mil milhões de euros.”
SOL de 27 de julho de 2012

Curiosamente, a quota lusa é maior que a finlandesa (12.5 mil milhões e que a Irlandesa (11.1 mil milhões)… e isto apesar de o PIB per capita da Finlândia ser de 34769 euros e o de Portugal ser de apenas pouco mais de 21 mil euros. Mais um tratado bem negociado, portanto… por outro lado, como é? Estamos em regime de protetorado europeu, suando a estopinhas para suportar as doses e camadas sucessivas que lá de Berlim nos mandam cumprir (e a malta cumpre, obediente) e agora também temos que pedir emprestado (a juros especulativos, sempre) para emprestar a quem ainda há uns meses atrás andava a dizer que “não somos Portugal!”?… e a alguém que (ainda por cima) nos ocupa território nacional (os concelhos de Olivença) e nos rouba a água dos rios internacionais?!…

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“Até nos resgates financeiros a Europa um princípio escrito por George Orwell no Triunfo dos Porcos: todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros”

“Até nos resgates financeiros a Europa um princípio escrito por George Orwell no Triunfo dos Porcos: todos são iguais, mas uns são mais iguais que outros. A ajuda a Espanha é mais favorável do que o apoio a Portugal. O empréstimo de cem mil milhões à Banca espanhola, à taxa de juro de 3%, não obriga à draconiana austeridade portuguesa, com exames regulares.” (…) “não há razões para o resgate dos vizinhos ser melhor que o nosso.”
Armando Esteves Pereira
11 de junho de 2012
Correio da Manhã

Ainda não se conheciam os detalhes do resgate espanhol e já o Primeiro Ministro Passos Coelho vinha repetir o seu estafado mantra: “não renegociamos”. Passos Coelho deu assim mostras de uma teimosia e de um autismo que tem um – je ne sais pas quois – de socrático, já que os irlandeses (menos socráticos que Passos) se apressaram a vir a terreno anunciar que queriam as mesmas condições muito favoráveis dos espanhóis.

As condições do empréstimos português são absurdas: a “ajuda” cobra juros agiotas, muito superiores aos dos resgate espanhol e, sobretudo, exigindo um pagamento num prazo mais compacto… e, sobretudo, os espanhóis não terão associado a este resgate nenhum pacote adicional de austeridade.

Obviamente, agora, com o exemplo espanhol, há que renegociar o empréstimo português. A única razão para não o fazer passa por este estar a ser usado (e a austeridade que lhe está associada) como pretexto para neoliberalizar a nossa sociedade e destruir o Estado Social…

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A Europa flexibiliza as regras orçamentais para Espanha

“A decisão de flexibilizar as regras para com Espanha abre um rombo nas novas regras europeias, que demoraram quase dois anos a serem negociadas e entraram em vigor há apenas três meses, com sanções bem mais severas e automáticas para os países incumpridores, de modo a evitar o tipo de negociação política que rebentou com o pacto de estabilidade em 2003.
O problema é que a partir do momento em que resolveram politicamente o problema espanhol,  os Dezassete terão grandes dificuldades em explicar por que é que não flexibilizam igualmente a trajetória de consolidação fixada para Portugal,  ou Grécia, cuja recessão económica e esforço de ajustamento são bem mais sérios do que em Espanha. “

Publico,  14 de março de 2012

É nestes momentos que os povos com memoria (uma qualidade cada vez mais rara nos dias que correm) se devem recordar que os primeiros países a quebrarem os limites do défice orçamental público foram precisamente os dois “maiores” países da União Europeia,  Alemanha e França. Então (como hoje) a Europa tem dois pesos e duas medidas: para os pequenos, como Irlanda,  Grécia ou Portugal exige rigor,  austeridade e cortes.  Para os “grandes” como França e Alemanha,  antes e Espanha, agora mostra tolerância e flexibilidade.

São atitudes como esta que demonstram que esta é uma europa bastarda,  com “e” pequeno,  onde a coesão e a solidariedade inter-estados são conceitos ocos e esvaziados de sentido. Os que pertencem aos “grandes” recebem carta branca para todas as tropelias e aleivosias, os demais estão basicamente tramados.  A conclusão é óbvia e está à frente de quem a quiser ver: os “pequenos” devem deixar os “grandes” brincando onanisticamente entre si e partir à sua vida,  recentrando sobre si mesmos os seus próprios rumos e rejeitando uma “união” cada vez mais dos “grandes e ricos” e ciosa dessa exclusividade ou buscando formar uma “união dos povos do sul” que terá pelo menos o mérito de não poder contar com estes egóticos povos do norte (e onde “grandes” como Itália e Espanha se depois poderão juntar) ou saindo: reconstruindo o destruído tecido produtivo e buscando alem mar (por exemplo: Portugal na Lusofonia) um seu destino maior e menos mesquinho do que o desta “união” europeia.

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António Marques Bessa: “A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes”

“Os laços mais apertados com a Espanha decorrem naturalmente da política europeísta e da opção da União Europeia. Capitais espanhóis começaram a afluir a Lisboa e a sua poderosa agricultura asfixia a incipiente agro-pecuária existente no país. A política externa espanhola assenta na invasão de capital com as contrapartidas conhecidas no controle de empresas chave, mobiliárias e imobiliárias, terras de regadio e na difusão da cultura castelhana por meio do Instituto Cervantes. A política externa portuguesa não percebeu ainda que tem a montante um gigante económico, que pode cortar a agua, impedir a passagem de eletricidade e colonizar numa ou duas gerações Portugal.”

António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

A grande consequência – nunca admitida – da adesão à União Europeia (ex-CEE) para Portugal foram efetivamente não o afluxo dos fundos estruturais, nem a abertura de fronteiras, nem sequer a incorporação das diretivas europeias no corpo legislativo nacional, mas a abertura escancarada fronteiras económicas com Espanha.

Portugal afirmou a sua identidade nacional sempre contra Espanha. Espanha, por sua vez tentou varias vezes anexar o nosso país, buscando incorporar na sua colecção privativa de Nações ibéricas castelhanizadas. Diz Agostinho da Silva que o grande feito da Historia portuguesa não foram os Descobrimentos nem a Expansão, mas essa resistência ao intenso magnetismo castelhano.

Ora se alguém aproveitou com a abertura de barreiras comerciais em Portugal, esse alguém foi Espanha. Nunca se destruíram tantas empresas agrícolas nacionais, substituindo-as pela produção agro-industrial espanhola, nem comércio, nem industria e, sobretudo, nem pesca, aproveitando Espanha a operação setores onde a “invasão” espanhola foi absolutamente avassaladora. Mas supremamente malsana e imbecil de destruição da nossa frota pesqueira (patrocinada por Cavaco Silva). O deserto assim criado foi rapidamente preenchido pela frota pesqueira espanhola que aproveitou a abertura do nosso Mar para  saquear os seus recursos piscicolas.

Portugal tem que despertar desta seu vício europeu e recordar-se de todas as afrontas que Espanha nos fez: que ocupa ainda e sempre os dois concelhos portugueses de Olivença, de todos os milhões de litros de água potável que rouba aos nossos rios, das suas pretenso anexadoras das Ilhas Desertas e do seu mar, e sobretudo recordar-se de todos os entraves que Madrid coloca à entrada de empresas lusas no mercado espanhol e da forma colonial como – de forma oposta – as empresas de retalho espanholas ocupam cada vez mais o setor terciário português.

De Espanha nem bom vento, nem bom casamento. Especialmente se este for patrocinado pela União Europeia e Espanha insistir sendo uma potencia colonial e intolerante, com bem se constata hoje na sanha que deita sobre a Galiza procurando sob todos os meios destruir a identidade nacional dos nossos irmãos. Da outra banda do rio Minho.

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Atenção ao que Espanha se prepara para fazer aos rios portugueses

Atenção ao que Espanha se prepara para fazer aos rios portugueses. Madrid já delineou uma estratégia de desvios massivos de água dos rios internacionais e há muitos anos que não cumpre os mínimos de passagem de água em praticamente nenhum rio internacional. A situação só não tem sido mais grave porque a pluviosidade tem sido mais intensa em Portugal do que Espanha, o que tem compensado os desvios espanhóis…

A situação tem sido particularmente grave no Guadiana, onde a agricultura intensiva (que ironicamente abastece a maior do consumo de alimentos em Portugal) exige a água que Espanha desvia do Guadiana e que agora – segundo os planos de Madrid – será também desviar para a Andaluzia a água dos rios internacionais do centro e norte da Península, prejudicando ainda mais Portugal.

A fraqueza e timidez de Lisboa perante uma tão grave ameaça a Portugal é atroz: Estes desvios irão colocar a causa a agricultura portuguesa, o que resta de produção agrícola que a Europa nos deixou e ameaçará a própria população das grandes cidades portuguesas. No total, esta ameaça espanhola pende sobre 3 milhões de portugueses e sobre a importante barragem de Alqueva e toda a agricultura alentejana que dela depende.

Espanha tem sido surda aos interesses portugueses, cuja diplomacia tem optado por uma atitude discreta que não tem provado eficácia alguma (basta atentar ao caudal do Guadiana em anos de seca). Perante a atitude de flagrante violação dos Tratados e a vontade de prejudicar seriamente Portugal, resta a Portugal exigir coragem e frontalidade aos seus governantes (ademais, grandes “amigos de Espanha” desde Sócrates a Passos) e apelar à Comissão Europeia que faça o seu dever e que bloqueia os planos espanhóis. Isso ou dar um murro em cima da mesa e exigir que Madrid cumpra a sua palavra.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/agua-provoca-conflito-com-espanha=f618906

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Por vezes, dizem-me que “não gosto de Espanha”

Por vezes, dizem-me que “não gosto de Espanha”. Nada mais incorreto. Não aprecio esta Espanha centralista, unitária e excrescente de Castela que se transferiu para Madrid desde o Franquismo e que a erupção da monarquia parlamentar não fez mais que moderar.

Detesto a Espanha que tentou forjar uma “espanholidade” à custa de tudo e de todos, nomeadamente pela asfixia cultural e linguística dos povos que senhoriou e que busca hoje definitivamente acultural.

Admiro e anseio por uma Espanha onde se possam contar todos os povos da Ibéria, lado a lado e em situação de absoluta paridade. Por uma Espanha onde todas as derivas centralistas (de Madrid e Lisboa) sejam condicionadas às legítimas aspirações de liberdade, independência, identidade nacional e autonomia de todos os povos hispânicos.

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Zapatero Humilhado em público por Berlu

Berlusconi deixa plantado frente à imprensa um Zapatero desorientado e gozado (sem que se perceba realmente porquê). A prova como não é só o Presidente que é gozado no estrangeiro, por presidentes boçais e ignorantes e que Espanha não é ainda uma grande potencia… ou acham que isto aconteceria com Putin ou Obama? Aliás, acham mesmo que qualquer um dos dois se prestaria a esta figurinha ridícula de ficar sozinho em pleno palanque e olhar para Berlu saindo pelos fundos? Haja dignidade, Senhor Zapatero e pense que ao ser humilhado deixou humilhar todo o seu país. Galiza Lusófona e Olivença ocupada, incluídas.

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Joan Laporta: “Ter um Estado próprio não é uma utopia. A Catalunha morre, estão a matá-la”

Raramente (nunca?) falo por aqui do que disseram líderes desportivos. Especialmente de Futebol… Mas vou abrir uma honrosa excepção para as declarações de Joan Laporta, o presidente do Barcelona que prepara a sua candidatura às eleições autonómicas na Catalunha. Laporta vai apresentar-se nas listas do
“Reagrupament”, um partido independentista catalão, um partido nacionalista que defende a formação de um exército e uma diplomacias próprias e o reconhecimento de duas línguas oficiais, o catalão e o aragonês, retirando ao castelhano esse papel.

O partido de Laporta tem, contudo, apenas 1,4% dos votos nas sondagens…. O novo partido é o resultado de uma cisão na Esquerda Republicana (ERC), acusado por muitos por ter feito demasiadas cedências a Madrid na negociação do Estatuto da Catalunha. E ainda que as sondagens sejam desanimadoras, Laporta acredita que potencialmente pode recolher uma parcela muito significativa dos 30 a 40% de defensores da independência catalã.

Laporta é muito popular na Catalunha e pode cativar o voto de muitos que como ele acreditam que “ter um Estado próprio não é uma utopia. A Catalunha morre, estão a matá-la”, referindo-se indiretamente ao Estatuto. A independência da Catalunha, o seu apoio e concretização por meios pacíficos são deveres históricos de Portugal. Se em 1640, os Tercios espanhóis não tivessem sido desviados para reprimir a revolução catalã em vez da portuguesa, hoje, estaríamos tão colonizados por castelhanos como a Galiza ou a Catalunha e, a par do Estatuto da Catalunha, falaríamos igualmente do “Estatuto de Portugal”. É, pois, dever de reciprocidade, defender que os povos e nacionalidades ibéricas busquem a sua sobrevivência longe das aspirações assimiladoras de Madrid e Castela e que encontrem as energias anímicas bastantes para sacudir o jugo da língua castelhana e do centralismo cinzento e cultural e economicamente opressivo de Madrid. Assim, em nome de todos os lusófonos da Península, junto a minha voz a galegos e oliventinos e clamo: Viva Catalunha!

Fonte:
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1526593&seccao=Europa

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Ainda sobre o Proteccionismo Espanhol

Multiplicam-se as alusões ao “proteccionismo espanhol”. Agora é o presidente do grupo Barbot que a propósito deste proteccionismo, “se [Espanha] o faz, faz muito bem” e que “era boa ideia o Governo português fazer o mesmo”. E Carlos Barbot sabe do que fala. Em 2009, a empresa portuguesa conseguiu comprar uma empresa do ramo em Espanha. Barbot admitiu “ser verdade” que existe um proteccionismo em Espanha, contra as empresas portuguesas e que explica a diminuição das nossas exportações para Espanha em 27% e disse ainda que “não sei se o Governo espanhol o fez ou não, mas se o faz, faz muito bem. Não me admira” e acrescentou ainda que “era boa ideia o Governo português fazer o mesmo”. Se não olharmos pelas nossas empresas, quem o vai fazer? Façamos o mesmo aqui, copiemos o que eles fazem”, disse, acrescentando. Ser acusado de defender as nossas empresas é o mesmo de ser acusado de defender a nossa casa e o nosso jardim. Devíamos deixar de ser bons meninos e simpáticos e olhar mais pelos nossos e de que forma podemos proteger o ambiente”.

Fonte:
http://economia.publico.pt/Noticia/presidente-da-barbot-defende-proteccionismo-espanhol_1425161?utm_source=feedburner&utm_medium=feed

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Proteccionismo: Porque não segue Portugal o exemplo espanhol?

Ainda que Portugal insista em continuar a ser um “bom aluno europeu”, os países economicamente mais fortes do que nós, como a França e a nossa (má) vizinha Espanha já perceberam que do “comércio livre” se deve manter apenas a retórica.

A Federação da Construção (FEPICOP) pediu recentemente ao governo português que exija a Espanha alguma reciprocidade, de forma a ultrapassar um crescente muro proteccionista que tem impedido a ação das empresas portuguesas em Espanha. Ricardo Gomes, da FEPICOP afirmou que “Em rigor, por cada milhão de euros que uma empresa espanhola fizer em Portugal, tem que haver uma empresa portuguesa a fazer um milhão de euros em Espanha. Tem que ser assim”. Mas não é. Os nossos supermercados estão atulhados de produtos alimentais e de grande consumo fabricados em Espanha, ocupando e destruindo muitas empresas nacionais que operavam neste setor com práticas de dumping fiscal e empresarial que em pouco mais de dez anos, arruinaram todo um setor industrial outrora próspero em Portugal. Em Espanha, são raríssimos os produtos portugueses presentes no comércio, com excepção das zonas fronteiriças, especialmente a sul e apenas devido à presença de grandes números de turistas portugueses.

Este proteccionismo espanhol tem-se intensificado com a queda do país vizinho em crise, como declara o presidente da Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS) que sublinha que esta vertente proteccionista crescente e que respondeu por uma parcela significativa do decréscimo das exportações portuguesas para Espanha.

Portugal e, sobretudo o governo português, nada têm feito para reagir a este proteccionismo espanhol. Sublinhe-se que o problema é especialmente grave no setor da construção civil, onde há uma profusão de empresas espanholas a operar em Portugal, contra raras empresas portuguesas em Espanha, já que segundo a FEPICOP, no sector da construção “nunca foi permitida a entrada de empresas” não espanholas em Espanha e somou ainda que “a verdade é que, em Espanha, existe uma série de mecanismos na contratação pública que tornam difícil a penetração das empresas não espanholas. Pelo contrário, entre nós, sucede “exactamente o oposto: temos, neste momento, muitas pequenas empreitadas de contratos públicos ganhos por empresas espanholas em que os donos de obra portugueses até fazem, às vezes, gala em entregar as obras a empresas espanholas, mesmo que seja por uma diferença de preço reduzida”.

Até quando? Até quando vamos insistir em desproteger a nossa economia contra este fechamento crescente do nosso principal parceiro comercial? Até quando os nossos partidocratas vão insistir em seguirem uma bitola formal que os seus criadores já abandonaram – na prática – há muito e que apenas estes seus servos do sul seguem religiosamente? Durante quanto mais tempo vamos tolerar que Madrid dificulte a vida às nossas empresas, enquanto que as suas ocupam paulatinamente uma posição cada vez mais “imperial” sobre setores inteiros da nossa economia, da Banca, à Construção Civil, passando pelo setor comercial e de construção civil e energia? Até quando, Portugal, vamos acreditar que o proteccionismo saiu de moda?

Fonte:
http://economia.publico.pt/Noticia/federacao-da-construcao-quer-que-governo-portugues-exija-reciprocidade-nos-negocios-com-espanha_1425191

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CARTA ABERTA AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA “IBÉRIA”

Excelentíssimos Senhores:

1. Como devem saber, as empresas de aviação civil que operam em Portugal são obrigadas a cumprir a legislação nacional e a respeitarem a cultura e a língua nacionais. Para poderem realizar as suas operações entre nós, recebem um alvará, emitido pela ANA e é a ASAE que é responsável pelo estrito cumprimento da lei nas suas operações. Daí, por exemplo, uma recente queixa à ASAE relativa à “Easyjet”, dado que a empresa britânica recusava as reclamações de perda de bagagens que não usassem a língua espanhola ou inglesa, conforme foi amplamente noticiado nos meios de comunicação social.

2. Embora opere em Portugal e tenha que cumprir a legislação portuguesa, a Ibéria mantém no nosso país apenas um escritório de vendas. Fazem reservas de segunda-feira a Domingo, mas, ainda que estejam a vender em Portugal e a portugueses, não se dignam a falar em português fora deste período conforme se constata na sua página web:

“Portugal

Reservas

707 200 000 (Português) De 09:00 a 20:00 horas locais de Segunda a Domingo.

(Inglês e Espanhol) 24 horas de Segunda-Feira a Domingo.”

3. Mas isto não é o mais grave: se um cliente português quiser apresentar uma reclamação pelo mau serviço prestado, o escritório da Ibéria em Portugal não o aceita. Nem aceita um correio eletrónico, nem um fax nem uma carta. Obriga os clientes portugueses, que compram e pagam os seus bilhetes em Portugal a uma empresa certificada para operar em Portugal, a enviarem uma carta em inglês ou em castelhano.

4. Nessa medida, o MIL, enquanto entidade que, sem complexos, defende, de forma coerente e consequente, a Lusofonia, irá apresentar uma reclamação junto do Instituto do Consumidor, da ANA e da ASAE:

i) Porque a Ibéria não cumpre a lei do consumidor em vigor e recusa a apresentação de reclamações em língua portuguesa;

ii) Porque a Ibéria mantém um serviço de venda (reservas) em língua não portuguesa, em Portugal (o número verde é de uma operadora nacional);

iii) Porque ainda que sejam portugueses uma parcela muito significativa dos seus clientes, a empresa não mantém a língua portuguesa no seu serviço de comunicações. Algo que, de resto, seria muito fácil, tendo em conta que na própria Espanha há já 3 milhões de falantes do Português da Galiza (língua galega).

Muito cordialmente

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

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O “Lusitanismo” existe mesmo?

Segundo um artigo na Wikipedia portuguesa, o “”Lusitanismo” é uma doutrina nacionalista estremenha (da Extremadura Espanhola) que defende uma união política com Portugal, para criar uma Federação Lusitana, cuja bandeira seria verde, branca e vermelha.” Este artigo é acompanhado por um artigo idêntico, mais extenso e provavelmente anterior ao português.

Esta lacónica frase é repetida – quase sem alterações – em vários fóruns e grupos de discussão na Internet, sendo usada sempre por portugueses e nunca por espanhóis ou habitantes da Extremadura.

A teoria é que tal federação permitiria reencontrar a tradição perdida da Lusitânia pré-romana, uma região de cultura e língua próprias e que sob Viriato chegou a colocar em causa o domínio de Roma na Península. Após a romanização, a província perdeu esse carácter único e latinizou-se como poucas, com excepção talvez da Bética. Mais tarde, sob os muçulmanos, terá aqui existido o “reino de Badajoz” que reunia sob a mesma bandeira territórios hoje sob administração portuguesa e espanhola da antiga Lusitânia. Existe atualmente na Extremadura um inusitado interesse pela língua portuguesa, havendo aqui mais de trinta mil alunos de português. É na também aqui que se encontram os três concelhos de Olivença, ocupados ilegalmente por Espanha desde 1801. Na Extremadura há um caracter identidário forte com a existência da “língua da Extremadura”, usada com especial incidência numa região entre o vale de Xálima (ou Jálama) e o vale do rio Ellas (ou Eljas), a noroeste da província de Cáceres.

Segundo o artigo da Wikipedia espanhola sobre o “Lusitanismo” extremenho, esta corrente de opinião estaria ativa a norte da província de Cáceres, desde San Martín de Trevejo (San Martín de Trevelhu) até Valverde del Fresno (Valverde do Fresno). O artigo reconhece que em Olivença – onde apesar de tudo ainda se fala a língua de Camões – o “Lusitanismo” não teria praticamente apoiantes.

O problema é que além destes dois artigos na pouco fiável Wikipedia (qualquer anónimo pode criar e alterar textos aqui, na maior das impunidades) e de referencias a ambos em fóruns de discussão, nada mais se encontra. Nenhum blogue, nenhum sitio da “corrente”, e sobretudo nenhuma referencia ao “Lusitanismo” nos meios de comunicação oficiais pode ser encontrada… Será que existe mesmo o Lusitanismo? E os Lusitanistas? Serão reais ou… Irmãos do Monstro do Loch Ness?

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Espanha está a secar os rios portugueses. Impunemente. De novo.

Depois de décadas em que os governos portugueses se têm limitado a ecoar um gritante silêncio perante sistemáticas violações por parte de Madrid de todos os acordos e tratados internacionais, finalmente aparece um governo (e ainda por cima minoritário) que lá ensaia um leve arrufo e faz saber que “Espanha não cumpriu o acordo das águas e reteve 200 milhões de metros cúbicos do Tejo.”

Este primeiro vago suspiro de protesto ocorre no momento em que os níveis de água do Tejo alcançam valores recorde. Zonas do rio há muito submersas, são expostas pelo baixo caudal e pragas de algar verdes estendem-se por dezenas de quilómetros.

A continuação da redução dos caudais dos rios internacionais – que nascem em Espanha – está já a colocar em risco os ecosistemas que grande parte do nosso território e se estes colapsarem, é a ruína para o que resta da economia do interior de Portugal. Orlando Borges do Instituto da Água admite que só nos primeiros dias de outubro, os espanhóis só deixaram passar 2500 milhões de metros cúbicos de água, menos 200 milhões do que se tinham comprometido no Tratado. E isto mesmo sem que os Espanhóis tenham os novos transvases do Tejo que estão agora a planear no seio da Junta da Extremadura para “salvar” o parque natural de “Tangas” (perdão: “Tablas”) de Daimiel. De facto, os espanhóis tencionam é desviar ainda mais água do Tejo para alimentar a sua agricultura industrializada, sacrificando o Tejo a um tal ponto que irá comprometer a própria existência de qualquer caudal significativo que chegue a Portugal.

Espanha, através de uma agricultura intensiva e industrial tão destrutiva e desregrada que levou Bruxelas a lançar um processo contra Madrid por “catástrofe ecológica”.

Se estes perniciosos planos espanhóis se concretizarem, Portugal tem o direito de apelar a Bruxelas, mas em negociação, pode prescindir de o fazer assim como – por exemplo – prescindiu de fazer valer os seus direitos quanto a Olivença… Espanha gosta de partilhar com Portugal tudo o que lhe dá benefícios, como o TGV (fundos de Bruxelas e empreitadas para empresas espanholas), um Mundial de Futebol (onde os estádios espanhóis terão muito mais espectadores), Mercados “ibéricos” da Energia e do Retalho onde as empresas espanholas exportam para Portugal e blindam a sua economia contra as nossas exportações. E agora querem tirar ao Tejo a água que lhe resta. A questão é: irão os nossos governantes persistir na sua docilidade canina aos interesses de Madrid, mesmo à custa do assassinato do maior rio português?

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/espanha-tira-agua-a-portugal=f544175

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A Iberia: uma companhia aérea inimiga da língua portuguesa

As empresas de aviação civil que operam em Portugal são obrigadas a cumprir a legislação nacional e a respeitarem a cultura e a língua nacionais. Isso parece evidente a toda a gente. Para poderem realizar as suas operações entre nós recebem um alvará, emitido pela ANA e é a ASAE que é responsável pelo estrito cumprimento da lei nas suas operações.

Isso contudo não acontece sempre… O caso recente da Easyjet – que motivou uma queixa da DECO à ASAR – em que a empresa britânica recusava as reclamações de perda de bagagens que não usassem a língua espanhola ou inglesa foi amplamente discutido nos meios de comunicação. Mas a prática – ou práticas idênticas – são muito comuns em Portugal.

Na última visita que realizei à Galiza, fui forçado a recorrer aos serviços da companhia de bandeira espanhola, a Iberia. Digo forçado porque os seus preços eram inferiores aos da concorrência e porque Madrid na sua eterna sanha que tudo fazer para dificultar os contactos diretos entre a Galiza e Portugal impede qualquer voo direto entre o Porto ou Lisboa e Santiago de Compostela, obrigando todos os portugueses e galegos que se visitam mutuamente a passar antes pela capital “imperial”: Madrid. Ora bem, nessa escala de trânsito, no confuso e lotado terminal de Barajas, os nossos “amigos” castelhanos fizeram-me o favor de dar matéria a este artigo perdendo as malas na ida e depois, novamente, na volta… Depois de horas ao telemóvel, num call center ineficiente, confuso, que só falava castelhano e que me custou uns bons 20 euros em chamadas, as malas lá apareceram.

Obviamente, pelo incómodo pelo dia e meia sem bagagens, pela roupa que teve que ser comprada e pelo dinheiro gasto em chamadas, há que reclamar à Iberia. Mas. Mas esta tudo faz para bloquear qualquer reclamação.

Embora opere em Portugal e tenha que cumprir a legislação portuguesa a Iberia mantêm no nosso país apenas um escritório de vendas. Fazem reservas de segunda a domingo, em português mas – ainda que estejam a vender em Portugal e a portugueses, não se dignam a falar em português fora deste período conforme se constata na sua página web:

“Portugal
Reservas
707 200 000 (Português) De 09:00 a 20:00 horas locais de Segunda a Domingo .
(Inglês e Espanhol) 24 horas de Segunda-Feira a Domingo.”

Mas isto não é o mais grave: se um cliente português quiser apresentar uma reclamação pelo mau serviço prestado, o escritório da Iberia em Portugal não o aceita. Nem aceita um mail, nem um fax nem uma carta. Obriga os clientes portugueses, que comprem e paguem o seu bilhetes em Portugal a uma empresa certificada para operar em Portugal, a enviarem uma carta em inglês ou castelhano, para uma morada em Madrid, onde, naturalmente, a carta há de ter a desatenção merecida….

Assim, há que apresentar uma reclamação junto do Instituto do Consumidor, da ANA e da ASAE:
1. Porque a Iberia não cumpre a lei do consumidor em vigor e recua a apresentação de reclamações em língua portuguesa
2. Porque a Iberia mantém um serviço de venda (Reservas) em língua não portuguesa, em Portugal (o numero verde é de uma operadora nacional)
3. Porque ainda que sejam portugueses uma parcela muito significativa dos seus clientes, a empresa não mantêm a língua portuguesa no seu call center. Algo que seria muito fácil, tendo em conta que na própria Espanha há já 3 milhões de falantes do Português da Galiza (língua galega).

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Sobre o ensino do português na Extremadura Espanhola e a questão de Olivença

A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entre Portugal e Espanha que possibilita o ensino da língua portuguesa nessa Comunidade. Neste âmbito, o português será ensinado nas escolas da Estremadura por 14 professores portugueses enviados para Badajoz e 3 outros enviados para Cáceres.

O objetivo do governo autónomo é dentro de alguns anos, todos os alunos conheçam língua portuguesa. Do lado português, a situação recíproca está mais avançada, havendo perto de 60 mil alunos de castelhano em Portugal, muitos dos quais no ensino privado e fora de qualquer cobertura institucional, como sucede em Espanha.

A Extremadura coloca-se assim na vanguarda da aplicação deste acordo Luso-Espanhola, bem à frente da Galiza, onde a Xunta (recentemente transitada para o Partido Popular) se mantêm ainda no bífido terreno das promessas…

A introdução do ensino do português na Extremadura reveste-se de especial importância se tivermos em conta que é precisamente nesta Comunidade que se situam os 3 concelhos portugueses ocupados ilegalmente e ao arrepio de tratados internacionais nunca honrados por Espanha desde 1801. Badajoz situa-se muito próximo dos concelhos de Olivença e estes professores de português poderão contribuir para o renascimento da língua de Camões depois de séculos de repressão e de apoio isolado, mas abnegado por parte da associação local Além Guadiana.

A situação da língua portuguesa em Olivença é hoje dramática. Até aos começos da década de cinquenta, a maioria dos habitantes dos três concelhos ainda usavam o português de forma corrente e quotidiana. Mas por volta dessa época o Estado Espanhol começou a introduzir o castelhano, no ensino e na administração local. Usando métodos muito semelhantes à máscara do bilinguismo na Galiza, Madrid conseguiu reduzir a língua destes territórios portugueses ocupados a uma expressão praticamente museográfica. Na década de 60, todos os habitantes eram bilingues – antecipando a plena aculturação – e hoje em dia, em grande medida devido ao afluxo contínuo de colonos e de repressão linguística por parte do Estado central, o português quase desapareceu.

Existem muitos paralelismos entre os concelhos de Olivença e a presente situação da Galiza: o Bilinguismo, o poder do Ensino e da Administração Publica aplicado contra a língua local por parte dos espanholistas e a indução de mitos infundados e desprestigiantes que buscam associar na mente dos habitantes locais o uso do português à ruralidade e à incultura, são instrumentos que já conhecemos e que seguem hoje sendo aplicados na Galiza, sempre com o mesmo objetivo: aculturar a população local e substituir a língua portuguesa pelo castelhano.

Fontes:
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1039:portugues-sera-segunda-lingua-do-ensino-na-estremadura&catid=2:informante&Itemid=74http://pt.wikipedia.org/wiki/Extremadura
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318336
http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm
http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/

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Sobre a Deflação em Espanha

Um dos indicadores da inflação em Espanha – o Índice de Preços de Consumo Harmonizado (IPCH) – em março deste ano registou pela primeira vez uma variação negativa de 0,1 por cento. A informação provém do Instituto Nacional de Estatística (INE) espanhol e é a primeira vez que tal acontece desde que em 1997 se começou a medir este índice.

Os preços ao consumidor têm estado em queda acentuada nos últimos meses e isso é aqui refletido no IPCH. Como o índice geralmente acompanha a inflação geral, isso quer dizer que a economia espanhola brevemente vai conhecer o perigoso fenómeno da deflação… Reflectindo sobretudo a descida do preço do petróleo e dos alimentos. A descida favorece aqueles que em Espanha ainda pertencem ao numero daqueles que conseguem nesta crise manter o seu emprego. Mas Espanha tem hoje o maior índice de desemprego dos países da EU a 15, com mais de 15% de desemprego (quase o dobro de Portugal) e há sinais que esse valor ainda poderá crescer até bater o mítico limite dos 20% do tempo de Felipe Gonzalez… É que a economia espanhola fez quase tudo errado durante mais de trinta anos: concentrou o seu modelo económico no sector imobiliário, desregulado, corrupto e irracionalmente expandido para além de tudo o que é razoável, tendo atualmente a mais alta taxa de casas por família do mundo (1,5 por família). O problema é que ao fim de algum tempo, ou os melhores terrenos já foram todos tomados (e falamos de um período de mais de 20 anos) ou toda a gente já comprou uma, duas e até três casas, e não há mais compradores… Esta estagnação, emparelhada com um sector financeiro que se deixou enredar nas malhas cinzentas da especulação financeira e do subprime americano revela agora um “tigre europeu” com pés de vidro que é já dos países na EU que mais vai sofrer com a presente recessão mundial e que já não tem para os portugueses o mesmo poder atrativo de antigamente… Nem como pólo migratório, nem como exemplo de boa governança (qual?) e muito menos com uma entidade política que devemos deixar que nos digira e a que devamos ser englobados (Saramago).

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1371596

Categories: Economia, Política Internacional | Etiquetas: | 3 comentários

A Espanha aumenta a sua participação na força “anti-pirataria” na Somália

A Espanha enviou um avião de patrulha Orion P-3 para a costa da Somália de forma a cumprir missões de apoio à atividade anti-pirataria que vários países estão agora a tentar executar nesta região, a pedido da ONU.

O avião espanhol vai operar a partir da base aérea francesa em Djibuti e vai reforçar o contingente multinacional composto por forças de 16 países (entre os quais a Espanha) que responderam a um apelo consubstanciado na Resolução número 1816 do Conselho de Segurança da ONU que permite que os países que a ela respondam possam entrar com os seus vasos de guerra nas águas territoriais da Somália. Os piratas somalis atacam navios mercantes praticamente todos os dias e ou capturam a carga ou exigem um resgate para a libertar, como sucedeu recentemente com um cargueiro transportando 33 tanques T-72.

É de uma Resolução idêntica e de uma força multinacional semelhante que a Guiné-Bissau precisa para fazer frente ao crescente poder dos narcotraficantes colombianos que usam as suas águas e portos como o maior entreposto atual para fazer chegar os seus produtos aos mercados europeus. Como a Somália, a Guiné-Bissau é um estado sem meios para fazer valer a sua soberania nas suas aguas territoriais, como ela, é um pais imerso num problema cujos ecos se fazem repercutir em muitos outros. Como a Somália, também já se ouviram vozes internas pedindo auxilio. Então, porque não se faz nada e porque é que ESTA força de paz lusófona não está já no terreno?

Fonte:

Air Forces Monthly, novembro de 2008

Categories: DefenseNewsPt | Etiquetas: , , | 6 comentários

Sobre a manutenção das Taxas de Juro na Europa, pelo BCE

“O presidente do BCE justificou a opção da sua instituição de manter as taxas de juro da eurolândia inalteradas ao nível de quatro por cento desde o início da crise dos mercados de crédito imobiliário de alto risco (subprime), quando a Reserva Federal americana (FED) baixou as suas seis vezes no mesmo período, situando-as em 2,25 por cento este mês.”

“Se mantivermos as nossas taxas de juro nos níveis actuais é porque acreditamos que correspondem ao que é necessário para manter a estabilidade dos preços a médio prazo”, afirmou, definindo este período de tempo “entre 18 e 24 meses”, “Acreditamos que a política monetária actual contribuirá para atingir este objectivo”.

“Ao invés, frisou, “se tivéssemos reduzido as taxas de juro sem razão do ponto de vista da inflação, estaríamos a pedir aos nossos cidadãos para financiar os bancos

Isabel Arriaga e Cunha; Público; 27 de Março de 2008

Não é difícil de perceber que nos Media existe uma pressão mais ou menos sistemática, mais ou menos subliminar para levar o BCE a baixar as taxas de juro. A Banca está claramente a conter do público e a optar por não expôr o impacto que as suas especulações no Subprime americano desmioladas tiveram nos seus balancetes, isso mesmo foi declarado recentemente pelo G-7… E como o impacto do Subprime dos EUA está a afectar não somente a banca americana, mas a de todo o mundo, e este problema está agora a somar-se o pré-colapso do mercado imobiliário espanhol, mesmo aqui ao lado, e precisamente o nosso maior investidor externo e também o nosso maior parceiro comercial, não é difícil de estabelecer a certeza de que banca lusa cedo estará a clamar por uma descida das taxas, ainda antes que qualquer outra banca europeia (excepto, talvez a espanhola).

É preciso ter cuidado com a descida das taxas de juro. A inflação não é um bem absoluto e sacrossanto, mas em contexto de aumentos explosivos dos preços dos combustíveis e dos alimentos (relacionados entre si, como por aqui já escrevemos) e num contexto de uma inflação já acima dos patamares recomendados não deve ser pressionada ainda mais por um aumento das taxas de juro. Isso poderia facilitar a vida à Banca e limitar algumas das suas perdas por causa dos seus erros dos últimos anos, mas não seria do interesse do resto da sociedade que pagaria assim pelos seus erros. E teríamos uma das situação economicamente mais perigosas que podem ser concebidas: Estagflação: Inflação com Recessão. É isso que queremos? Sim, porque parece ser isso que quer a Banca.

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