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A Índia vai começar a construir um Reator Nuclear a Tório

A Índia está a trabalhar numa central nuclear que usa um combustível mais seguro que o Urânio: o Tório. Atualmente, decorre o processo de identificação do local onde a central será construída até 2020.

Já foram feitos vários estudos sobre centrais a Tório nos EUA e na antiga União Soviética, mas sempre sem que se produzisse um reator viável. O facto do Urânio ser uma das matérias primas para bombas nucleares fez também preferir os reatores a Urânio sobre todas as outras alternativas, como o Tório. O conceito é uma espécie de “santo graal” da física nuclear moderna, quer pela maior segurança, quer pela abundância relativa do mineral.

Os trabalhos estão a ser conduzidos pelo “Bhabha Atomic Research Centre” (BARC) de Bombaim, que  terminou com sucesso uma serie de testes ao conceito de um reator a Tório e que ultima agora a conceptiva de um reator comercial, sobretudo na questão tecnicamente mais difícil: a da ignição do reator, que deverá ser realizada através do uso de Urânio. Este primeiro gerador deverá ser capaz de produzir 300 MW de eletricidade, ou seja, cerca de metade de um reator convencional.

Os reatores a Tório, além de serem mais baratos, da sua matéria-prima ser mais abundante e da sua operação ser mais simples, apresentam ainda duas outras vantagens: o seu subproduto não pode ser usado para construir armas nucleares e, sobretudo, não cria os resíduos radioativos com a duração de milhares de anos, mas resíduos de vida muito mais curta. É assim uma tecnologia muito interessante que seguiremos com especial atenção aqui no Quintus…

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/environment/2011/nov/01/india-thorium-nuclear-plant

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Sobre os atrasos e problemas da primeira central nuclear de 3ª geração: em Olkiluoto (Finlândia)

A Energia Nuclear é uma das alternativas mais ecológicas e “limpas de CO2” da atualidade. Disso não há dúvida, especialmente quando falamos de centrais nucleares de “Terceira Geração” muito diferentes daquelas que deram tantos problemas em Chernobyl e Three Mile Island. Não há dúvidas, ou… Há. Muitos especialistas e decisores em todo o mundo têm acompanhado muito cuidadosamente a construção da primeira central nuclear de Terceira Geração que está em construção na Europa, a central de Olkiluoto, um projeto que já excedeu os 3 mil milhões de euros e que é – nada mais, nada menos – a primeira central nuclear nova a ser construída na Europa desde 1986.

A central começou a ser construída em 2005 e foi notícia em 2009 quando se soube que – volvidos quatro anos – a autoridade nuclear finlandesa ainda não tinha recebido os documentos detalhando o desenho do reator. Note-se que seriam estes que apresentariam às autoridades nucleares finlandesas os princípios básica de segurança oferecidos pelo reator… A questão está longe de ser meramente académica, já que se trata de uma tecnologia completamente nova e fundamentalmente ainda por testar numa escala tão grande como a do reator de Olkiluoto e tais omissões têm feito levantar muitas dúvidas sobre a transparência da Areva quanto à verdadeira escala dos problemas de construção que está a enfrentar com o novo reator. Os custos já foram ultrapassados várias vezes e há vários problemas com a qualidade da construção e suspeitosas vagas de afastamento de pessoal e técnicos envolvidos na construção do reator.

A central de Olkiluoto está a ser construída pelo gigante francês do ramo, Areva, e tem no seu coração o novo reator EPR “European Pressurised Reactor” e se for bem sucedida pode significar uma sucessão de novas encomendas de novas centrais. O problema é que a construção está a ser afetada por uma multiplicidade de problemas. Os atrasos não param de se multiplicar e a inauguração da central (inicialmente prevista para 2009) foi agora novamente adiada para 2011 e parece certo que será novamente adiado para 2013… A construção tem estado sob o intenso escrutínio da Greenpeace que já reportou mais de mil “incidentes de segurança” durante a construção da central e um fracasso – eventualmente catastrófico – da central ditaria o fim do maior construtor nuclear francês e o adiamento para as calendas gregas de projetos EPR hoje na calha em praticamente todo o mundo, desde França, à China, passando pelo Reino Unido e por Itália…

Fontes:
http://weblog.greenpeace.org/nuclear-reaction/2009/05/problems_with_olkiluoto_reacto.html

http://aeiou.expresso.pt/o-grande-ibluffi-atomico=f576408
http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_nuclear
http://en.wikipedia.org/wiki/Three_Mile_Island_accident
http://en.wikipedia.org/wiki/European_Pressurized_Reactor

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Surgem preocupações de segurança com os reatores nucleares de 3ª geração EPR…

Esquema de um reator EPR em (http://www.euronuclear.org)

Como saberão, sou um adepto moderado da energia nuclear civil. Assim, sigo com relativa atenção todas as noticias que dizem respeito à última geração de reatores, por isso a notícia que afirma que as autoridades de segurança nuclear britânicas, francesas e finlandesas estavam a colocar em causa a segurança do novo reator de terceira geração que está a ser construído em França e na Finlândia são muito preocupantes.

O novo reator é um produto da Areva, uma das maiores empresas mundiais do ramo, e é conhecido pela sigla EPR que significa “reator europeu pressurizado” e os governos destes três países pediram à Areva que “melhore a concepção inicial” do sistema.

As dúvidas residem precisamente no importante sistema de segurança do reator, a ativar em caso de acidente grave. Em abril, uma inspecção de uma entidade governamental britânica tinha expresso dúvidas sobre o sistema, acusando-o de estar demasiado “ligado” ao reator, quando devia ser completamente independente deste, isto aumentaria as hipóteses de ambos colapsarem em simultâneo resultando num acidente de proporções catastróficas.

A Areva respondeu reafirmando a segurança do EPR, mas não negou que pretendia melhorar o reator, admitindo assim de forma implícita a justeza das críticas. Mas não se vê como poderá haver uma tão radical restruturação do projeto tão em cima da entrada em funcionamento do primeiro EPR. Em França, já em 2012… O que pode significar que… Este primeiro EPR não vai contemplar essas alterações, para mal dos franceses e de todos os países vizinhos, Portugal incluído!

Estas notícias são um sério revés para a opção nuclear como alternativa viável às convencionais formas de eletrogeração, como o carvão, o fuel-óleo ou o gás natural, e foi a proposta que Patrick Monteiro de Barros apresentou no passado recente para Portugal… E que tendo em conta que a Energia Nuclear se posiciona cada vez mais como uma resposta ao Aquecimento Global, se reveste de grande importância.

O primeiro EPR está em construção, na Finlândia, pelo que pode ser já tarde para alterar radicalmente a sua concepção, o que confirma os nossos receios de que nada de substancial será alterado e que, logo, esta fragilidade latente irá persistir. Outro problema que o EPR está a revelar é o custo… Inicialmente previsto para custar 3300 milhões de euros, agora já ronda os 5000… A este custo, a amortização será longa e esse factor é mais contra a opção nuclear… Pelo menos aquela que contempla este reator de 3a geração da Areva.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/reactor-nuclear-europeu-com-problemas-de-seguranca=f545372

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Espanha estende (perigosamente?) a vida útil das suas centrais nucleares

Há cada vez mais países a reavaliarem opções no que concerne à energia nuclear. Depois da Suécia, também a nossa vizinha Espanha se prepara para abandonar… O abandono do Nuclear. O Governo socialista atualmente em funções tinha inscrito no seu programa o abandono da Energia Nuclear decidiu agora estender durante mais 2 anos a utilização da central nuclear de Garoña. Esta Central deveria ser encerrada em 2011, mas agora irá manter-se ativa durante mais dois anos.

A decisão não deixa de encerrar em si, um certo factor de risco, porque as centrais nucleares espanholas são uma herança do Franquismo e tão velhas como ele… Isto quer dizer que os reatores destas centrais irão ser utilizados durante muito mais tempo do que aquele para que foram originalmente concebidos e por muito bem mantidos que estejam (e estão) e bem monitorizados que estejam (e também o estão) há um risco acrescido que não pode ser escamoteado.

O Governo socialista está a ser pressionado para perigosa extensão da vida útil dos reatores pelos elevados níveis de Desemprego, já que as seis centrais e oito reatores empregam milhares de pessoas por central e que a dependência espanhola das importações petrolíferas iria aumentar ainda mais com estes encerramentos, já que não existem fontes renováveis ainda instaladas para substituir os 20% de energia com que o Nuclear contribui para o consumo espanhol.

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390124

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A Rússia está a planear construir uma frota de centrais nucleares flutuantes ou submersíveis

A Rússia está a planear construir uma frota de centrais nucleares flutuantes ou submersíveis para explorar o petróleo e o gás natural do Ártico.

A construção do protótipo de uma central nuclear flutuante está quase terminada no estaleiro SevMash em Severodvinsk. O estaleiro tem um contrato para mais quatro centrais idênticas para a corporação estatal russa Rosatom.

Estas centrais terão a capacidade para produzirem 70 megawatts através de dois reatores instalados sobre duas plataformas de aço os quais serão usados pela Gazprom, a empresa russa que explora petróleo e gás nessas paragens nortenhas. As centrais transportarão o seu próprio combustível e conservarão os desperdícios radioativos durante os 12 a 14 anos estimados para o seu funcionamento. Há também planos para construir centrais nucleares submarinas para fornecerem energia a poços de perfuração oceânicos.

O projeto, contudo, está a preocupar seriamente alguns grupos ecologistas, como a Bellona que criticou a ideia alegando que se ocorresse um acidente nuclear numa dessas centrais os impactos no meio ambiente da emissão de radioatividade seriam tremendos. Há também o receio de que os resíduos radioativos dessas centrais pudessem ser simplesmente depositados no fundo do oceano, com os riscos de contaminação a longo prazo daqui decorrentes. Aqui, não estaríamos propriamente perante uma novidade já que ainda que vários países ocidentais tenham doado à Rússia durante os anos noventa biliões de dólares para que esta desativasse os reatores de mais de 160 submarinos nucleares ex-soviéticos, alguns teriam acabado simplesmente no fundo do oceano Ártico.

O problema é que há estimativas de que 25% de todas as reservas de gás e petróleo do mundo se situam no Ártico. Até agora, as incrivelmente exigentes condições do Ártico, com temperaturas extremas e oceanos de gelo, têm impedido esta exploração, mas com a devida pressão dos preços do petróleo, logo que retoma vier, e a escala de energia produzida por uma central nuclear permite este tipo de exploração. Não é só a Rússia que está nesta corrida… A Noruega, os Estados Unidos e até a Dinamarca têm feito reclamações territoriais no Ártico, antecipando o degelo permanente que aqui irá ocorrer por causa do Aquecimento Global nas próximas décadas, a começar já com o degelo total durante o Verão ártico numa data que não deverá exceder 2015.

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/world/2009/may/03/russia-arctic-nuclear-power-stations

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A Opção Nuclear na Europa

“A Rússia cortou o abastecimento de gás, este Inverno, e milhões de europeus, da Eslováquia até à Bulgária, tiritaram de frio. O braço-de-ferro comercial entre Moscovo e a Ucrânia, no passado mês de janeiro, evidenciou que as carências do modelo energético de muitos países europeus.”

Pelo segundo ano consecutivo, a Rússia – no decurso de um longo conflito com a Ucrânia – cortou o gás à Europa. O ato continuado reflecte a falta de fiabilidade russa como parceiro económico europeu e expõe as vantagens usufruídas pelos países do sul da Europa que recebem o seu gás da – paradoxalmente – mais fiável Argélia. A Rússia acusa a Ucrânia de desviar para si o gás que devia deixar transitar para a Europa, e a Ucrânia, acusa a Rússia de cortar simplesmente o gás. De uma forma ou de outra, é certo que a Europa tem que repensar a sua estratégia de dependência do gás russo.

“A Suécia foi o último país a renovar a sua confiança nos reatores (nucleares). Um referendo realizado há três décadas fixou 2010 como ano de encerramento de todas as centrais. Mas o Governo de centro-direita decidiu (em fevereiro) manter as suas dez centrais em funcionamento e dotá-las de novos reatores. Segundo uma sondagem publicada pelo jornal “Dagens Nyheter”, dois terços dos suecos apoiam esta iniciativa.”

A Suécia reavaliou o seu abandono do nuclear mais por impacto do aumento dos custos da energia por fontes de combustíveis sólidos do que por causa do gás russo. Em época de receios generalizados pelas consequências catastróficas do Aquecimento Global, a opção nuclear está a ser reavaliada em praticamente todo o mundo e até aqueles países que tinham optado pelo abandono do nuclear – como a Suécia e a Espanha – estão por de novo tudo sobre a mesa.

“Mas não é só a Suécia. A França, campeã nuclear da Europa, com cerca de 80% da eletricidade gerada através da temida energia, construiu um reator de nova geração. A Finlândia também. E o Reino Unido convidou diversas empresas, no ano passado, a construir novos reatores em centrais já em funcionamento.”

E este é efetivamente o rumo um pouco por toda a Europa. Não advogamos o seguidismo acéfalo adoptado pelos nossos políticos do “Bloco Central” que tudo fazem apenas “porque já se faz em vários países europeus”, mas acreditamos que perante o problema energético todas as opções devem ser reavaliadas.

“A última sondagem da União Europeia sobre a atitude dos cidadãos relativamente à energia, publicada em julho de 2008, registava um empate técnico entre favoráveis e contrários ao nuclear.(…) A preocupação com a mudança climática faz com que muitos se inclinem para uma energia que, pelo menos durante o processo de produção, não emite dióxido de carbono. “Os riscos nucleares (acidentes, problemas com o armazenamento dos resíduos no futuro) são apenas hipotéticos.”

A decisão de construir ou não uma central nuclear é mais técnica e cientifica do que política ou popular. A opção tem que se fundamentar em critérios de segurança e eficácia energética e menos em popularidade ou na fátua e geralmente mal informada “opinião pública”. Os riscos de um acidente nuclear são tremendos (como demonstraram Tree Mille Island, nos EUA, ou Chernobyl, na União Soviética), e o problema da armazenagem a longo prazo dos resíduos nucleares ainda está essencialmente por resolver. É certo que os reatores de Terceira Geração, como aqueles que hoje se constroem em França resolvem parte dos problemas dos resíduos e levam a segurança do sistema a um novo patamar, em que o acidente de graves consequências se torna praticamente impossível. Mas “praticamente” não é impossível… Se se construírem um número suficientemente grande destes reatores, se estes operarem por tempo suficiente, então, mesmo essa remota possibilidade de acidente deixa de o ser.

Sejamos claros: os riscos de um acidente nuclear numa central de última geração são muitíssimo baixos. O problema dos resíduos ainda permanece, mas estas centrais produzem muito menos do que as centrais atuais. Mas construí-las é ainda um pesadelo financeiro… E enfermam da mesma lógica centralista dos “grandes projetos” que marcaram os últimos decénios da industrialização. Em vez destas “megacentrais” devíamos apostar numa rede de pequenas e médias centrais, dispersas pelo território, para reduzir os custos de distribuição e as perdas daqui decorrentes, aumentando a flexibilidade e resiliência do sistema à falha de uma única “central faraónica”. Esta rede de pequenas centrais, hídricas, solares, eólicas, de maré, de biomassa pode até ser complementada por aqueles micro-reatores nucleares autónomos e sem manutenção que empresas como a Toshiba estão hoje a ultimar. Mas dependermos de grandes centrais nucleares… Isso já me parece mais perigoso, a todos os níveis.

Em suma: nuclear, sim. Mas pequeno e pouco…

Fonte:
Courrier Internacional, abril de 2009

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A Suécia desiste dos planos para parar com a produção de energia nuclear

Um pouco por todo o mundo, a crise económica e a crise energética (camuflada provisoriamente pelo declínio do consumo) estão a levar muitos governos a reavaliarem a suas estratégias energéticas. A Suécia, que decidira recentemente encerrar todos os seus reatores nucleares, agora está a avaliar não o seu encerramento simples, mas a sua substituição.

Em 1980, um referendo popular havia optado por encerrar todas as centrais num prazo de trinta anos. Mas o governo atual – no poder desde 2006 – reavaliou a decisão redescobrindo no nuclear a solução para a dependência energética da Suécia (dois dos atuais reatores produzem metade de toda a energia consumida no país) e para as emissões de CO2 que o país precisa reduzir para cumprir os limites de Kyoto.

Com a aparição dos reatores nucleares de 3a geração, muito mais seguros e de manutenção mais simples que os anteriores e com a multiplicação de soluções de reactores nucleares de baixa potência e sem manutenção, como aqueles japoneses (Toshiba) e sul-africanos (Peeble) que temos noticiado aqui no Quintus a posição anti-nuclear que foi a nossa durante décadas foi reavaliada. Isso e o reconhecimento de que uma central nuclear é uma forma de produção de energia eléctrica quase sem impactos ambientais e sem emissões de CO2 fazem com que a nossa posição seja atualmente a e defender o encerramento de todos os reatores nucleares de 1a e 2a geração que ainda funcionam hoje no mundo e a sua substituição por reatores modernos ou por células de mini-reactores autónomos, em prol do Clima, da Economia e sem dispensar a complementaridade com energias renováveis, como a Sola ou Eólica e até que – pelo menos – estas não alcancem a maturidade bastante para dispensar completamente o recurso ao nuclear.

Fonte:
Euronews – 2009

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Sobre os mini reactores nucleares que estão agora em desenvolvimento

//www.euronuclear.org)

(Os nódulos de urânio do Pebble Reactor in http://www.euronuclear.org)

Desde a construção dos primeiros reactores nucleares civis, na década de 50, que a sua potência média subiu desde os 60 MWe para mais de 1600 MWe. Simultaneamente, a necessidade de construir pequenas unidades para alimentação de energia a unidades navais como submarinos e porta-aviões fez aumentar o conhecimento sobre a forma de construir reactores nucleares compactos e de manutenção simples ou semi-automática.

Existe hoje um impulso para parar de construir grandes centrais nucleares, não só porque é particularmente difícil reunir o tipo de capital necessário, mas também porque o apoio popular a estas grandes instalações é muito escasso. Assim, assiste-se um pouco por todo o mundo a renovar do interesse pelos pequenos reactores nucleares com potencias inferiores aos 4 GWe. A possibilidade de montar vários pequenos reactores em série, construindo uma unidade maior, também é apelativa, dada a sua maior simplicidade de manutenção e um menor custo operacional do que um grande reactor.

Entre os diversos projetos hoje em curso, talvez o mais notável de todos seja o do consórcio sul africano “Pebble Bed” que trabalha sobre o “Pebble Bed Modular Reactor”, agrupando vários pequenos reactores com uma capacidade total de 170 MWe. Estes pequenos reactores são moderados por grafite e arrefecidos a gás (Hélio, Azoto ou Dióxido de Carbono) e alimentados por partículas de combustível TRISO um conjunto de solução que permite assegurar ao sistema um elevado nível de segurança. Aliás, a designação “Pebble” (seixo) vem precisamente das partículas de combustível, que se assemelham a pequenos seixos de material físsil, como o U235 envolvidos numa camada de cerâmica para manter a coesão estrutural do “Pebble”. O reactor é arrefecido pela circulação interna dos gases e sobrevive a situações de acidente grave, devido ao seu desenho autónomo e funcional.

A tecnologia foi desenvolvida inicialmente na Alemanha, mas atualmente a África do Sul e a China são líderes neste campo, sendo que o reactor chinês HTR-10 é o único atualmente em operação em todo o mundo.

Existe um impulso para produzir e comercializar esta nova geração de mini-reactores nucleares, EUA, Japão e África do Sul, lideram neste domínio e irão colocar no mercado dezenas se não mesmo centenas destes reactores. Grandes empresas, como refinarias e grandes unidades industriais terão interesse em libertar-se da dependência da rede publica. E o mesmo tipo de interesses terão por exemplo bases militares no Estrangeiro ou até reactores a manter em reserva e passíveis de serem transportados até locais onde ocorram emergências humanitárias que interrompam a distribuição de eletricidade. Existe é claro o sempre latente risco de estes reactores serem violados e de os materiais radioactivos no seu interior serem usados para construir “bombas sujas”… Sim, estes reactores podem dispensar manutenção e serem seguros, mas serão totalmente seguros contra operações terroristas que busquem o seu conteúdo em urânio enriquecido? E havendo esta reserva, deveremos mesmo multiplicar a instalação deste tipo de unidades nucleares?

Fontes:
http://www.world-nuclear.org/info/inf33.html
http://www.pbmr.co.za/
http://en.wikipedia.org/wiki/Pebble_bed_reactor

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A Eslováquia vai reativar o seu antigo reactor nuclear da era soviética em plena “crise do gás”

(Os dois reactores nucleares eslovacos in http://insp.pnl.gov)

A recente “crise do gás russo” e a sua anterior, expõe a vulnerabilidade europeia perante um tão inconstante fornecedor e a sua vulnerabilidade quanto ao profundo e insanável conflito entre ucranianos e russos. Uma opção alternativa seria aumentar as importações de gás argelino, através de Portugal e Espanha, ou lançando tubagens no fundo do Mediterrâneo.

Outra abordagem poderá ser a de encontrar alternativas ao gás, pelo menos na sua vertente de fornecedor de centrais de produção de energia eléctrica, recorrendo a uma das opções mais usadas na altura do primeiro choque petrolífero: a multiplicação de centrais nucleares. Essa foi a opção da Eslováquia, exatamente um dos países que mais afectado pela atual “guerra do gás”, que decidiu reativar um reactor nuclear. O problema é que este fora encerrado por ser inseguro e em resultado de grandes pressões europeias. Agora, a reactivação pode colocar em causa a própria adesão do país, já que esta fora uma das exigências do tratado de adesão… Perante esta renovada pressão, resistirá a Eslováquia? E o velho reactor russo eslovaco? Será ele igualmente resistente à pressão europeia?

Fontes:
Euronews

http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7822556.stm

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Sobre a aposta francesa nos reactores nucleares EPR

Diagrama de reactor nuclear da Areva in bbc.co.uk

Diagrama de reactor nuclear da Areva in bbc.co.uk

A França vai construir um segundo reactor nuclear de terceira geração (“EPR”) e prosseguir assim com a sua aposta na energia nuclear como uma forma de responder à alta dos preços dos combustíveis fósseis. Este EPR vai ser construído pela “Electricité de France” (EDF), no norte de França e deverá estar operacional em 2012.

Atualmente, a França já possui a tecnologia nuclear mais avançada do mundo, a EPR, que significa “European Pressurised Water Reactor”, um reactor de novo tipo, dos quais em todo o mundo apenas dois estão em construção, sendo o outro o AP1000 da Westinghouse Electric Company norte-americana e que conquistou em 2007 um contrato na China para construir 4 reactores deste tipo por 8 biliões de dólares.

A construção é uma resposta à presente crise energética e revela uma aposta no Nuclear como uma resposta à mesma: “Os dias de petróleo barato terminaram. Mais do que nunca, o nuclear é a indústria para o futuro e uma fonte de energia indispensável”, declarou Sarkozy e acrescentando ainda: “Não é uma escolha entre energia nuclear e renováveis, mas nuclear e renováveis”. Em termos absolutos, a energia nuclear consegue produzir electricidade a um custo inferior entre 30 a 50% o custo decorrente da produção via carvão (como é comum na China) ou a partir do gás (como existe em Portugal e em muitos outros países). Por outro lado, a estimativa oficial para uma substituição de uma central a carvão por uma nuclear EPR é que com a troca se poupem perto de 11 milhões de toneladas de emissões de CO2 por ano…

A tecnologia EPR foi desenvolvida em 1990 pela Siemens e pela Areva e apresenta várias vantagens em relação aos reactores nucleares anterior. Desde logo, é mais eficiente, consumindo pelo 17% de combustível, em segundo lugar, o reactor é concebido para funcionar durante pelo menos 60 anos… E embora pessoalmente eu seja um defensor do desmantelamento de reactores nucleares com mais de 20 anos (como aquele que recentemente deu problemas na Eslovénia), quanto aos EPRs continuo convencido da sua segurança e eficiência. Não serão a solução definitiva para o problema energético (esta passa muito mais pela contenção de consumos e pela multiplicação de fontes alternativa limpas enquanto não chega a Fusão Nuclear), mas para os próximos 20-30 anos… Os EPRs são a única forma conhecida atualmente de resolver o problema, mantendo níveis de consumo energético semelhantes aos atuais.

Atualmente, a França dispõe já de 58 centrais nucleares e já o segundo produtor mundial de energia por via nuclear, atrás apenas dos EUA, sendo 87% da electricidade consumida em França de origem nuclear.
Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/France_to_build_second_latest-generation_nuclear_plant_999.html http://economictimes.indiatimes.com/International_Business/France_to_build_second_latest-generation_nuclear_plant/articleshow/3194353.cms http://en.wikipedia.org/wiki/Pressurized_water_reactor

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Os problemas na central nuclear eslovena e o primeiro alerta nuclear europeu jamais emitido

(http://chromatism.net)

Embora tenha passado desapercebido à maioria dos media portugueses e europeus, no começo do mês de Junho, a Eslovénia emitiu um alerta nuclear sobre uma avaria na única central deste país da europa central. Contudo, no dia seguinte, representantes do governo esloveno retirariam de forma mais ou menos misteriosa o alerta e diziam que “estava tudo bem”.

O alerta utilizou um sistema europeu especial de emergência para notificar da ocorrencia de uma fuga de agua no sistema de refrigeração no seu reator nuclear de Krsko. Segundo a Eslovenia, a fuga teria surgido “numa verificacao de rotina” (deja vu em relacao ao acidente de Chernobyl…) e teria ocorrido num circuito de arrefecimento do reactor. Ou seja, num dos sistemas mais criticos da central e onde os efeitos de uma falha catastrofica seriam maiores…

A central eslovena pertence a uma geracao de reactores onde não havia ainda as garantias de seguranca das instalacoes atuais, tendo sido construida em 1981… Um acidente nuclear de proporcoes identicas ou mesmo aproximadas as de Chenobyl seria de grande relevancia para a Europa, dada a situacao central da Eslovenia em relacao a Europa, e isso alias deve ter estado na origem do alerta, sendo esta a primeira vez que o sistema foi estreado… O governo esloveno diz que se tratou de uma avaria pouco grave, mas se foi assim porque encerraram a Central e, sobretudo, porque ativaram o sistema europeu de alerta nuclear? Por outro lado, o primeiro alerta esloveno mencionava tratar-se de “um exercicio”, um erro depois corrigido, mas que levanta suspeitas de encobrimento… Especialmente quando sabemos a idade deste reactor e o facto de por diversas vezes nos ultimos anos ter sido encerrado devido a avarias diversas.

Apesar de se tratar de um dos reatores nucleares mais antigos da Europa, não há planos para o desligar antes de 2023 apesar de uma vaga crescente de protestos nos paises vizinhos e de uma sucessao de acidentes de que este é apenas o mais recente… Este acidente – tenha havido ou uma tentativa de encobrimento – reflete a natureza dos desafios perante os quais esta confrontada a Europa de hoje… O aumento dos precos do petroleo esta a levar alguns governos a considerar o prolongamento da vida dos reactores nucleares mais antigos, como sucede em Espanha (apesar da oposicao do governo Zapatero) e isso pode explicar a vontade eslovena em diminuir a escala das avarias com o seu único reactor… Mas tendo em conta a proporcao que uma dissolução do nucleo, provocada precisamente por uma falha no sistema de arrefecimento, não se devia impor da propria União Europeia uma decisão que definisse um prazo (e um quadro de apoios) que determinasse o encerramento a muito curto prazo de reactores desta geração no espaço europeu? Quer isto implicasse a sua substituição por novos reactores, quer não… Mas sendo certo que deviam ser encerrados, de uma forma ou de outra.

Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/Slovenia_nuclear_plant_back_on_after_alert_999.html

http://www.msnbc.msn.com/id/24971614

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Vai ser construído um novo cofre em torno do reactor 4 da central nuclear de Chernobyl

(Cobertura metálica do novo cofre do reactor 4 de Chernobyl in http://arkiblog.net)

Finalmente, depois de décadas de hesitações e recuos, a central nuclear de Chernobyl vai ter um novo cofre para abrigar o seu famoso 4º reactor, o tal que explodiu em 26 de Abril de 1986… O cofre anterior foi construído à pressa, sobre a pressão do momento e sem qualquer tipo de preparação ou planeamento e à custa do sacrifício de muitos militares soviéticos que com tal deram a vida e pagaram o preço de uma morte atroz.

(Estado atual do cofre de cimento do reactor in http://blog.kievukraine.info)

(Equipamento militar radioactivo abandonado após ter sido usado na contenção do reactor in http://eyeball-series.org)

Ora o cofre atual começava a dar sinais da passagem do tempo… as fissuras acumulavam-se e a necessidade imperativa de construir uma nova protecção ao reactor acidentado era cada vez maior… O novo cofre foi criado para durar pelos menos cem anos. O projecto foi entregue pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) ao consórcio francês Novarka e o projecto foi delineado por engenheiros franceses, precisamente aquele país que tem hoje a melhor tecnologia nuclear do mundo.

O novo cofre deverá custar perto de 1 bilião de dólares e foi financiado por vários países e vai consistir num arco de cem metros de altura com uma extensão de quase 250 metros e vai deslizar por um conjunto de ralis de forma a cobrir o cofre de cimento construído em 1986 o qual abriga o conteúdo perigoso de 200 toneladas de combustível radioativo. Uma vez coberto este cofre com mais de 20 anos, terá início a delicada tarefa de desmontar o cofre de cimento e chegar ao combustível radioativo de forma a extraí-lo do reator.

Os desafios impostos pela alta do preço dos combustíveis fósseis levaram muitos países a reforçar a produção eléctrica a partir de fontes nucleares. Tal foi o caso da França, que hoje produz assim 87% da sua energia e, mais recentemente, da Rússia que decidiu construir até 2020 sete novas centrais.

A tecnologia nuclear russa, entretanto, está a progredir e garantir níveis de segurança inéditos… Os seus últimos reactores têm “unidades de contenção”, construídas por debaixo do reactor e que devem servir como formas de recolher o conteúdo do reactor, em caso de fissão descontrolada (“meltdown”) do núcleo tendo sido o primeiro sistema destes instalado na central chinesa de Tianwan. Por outro lado, os reactores modernos são muito mais fiáveis que os da geração dos de Chernobyl, estimando-se que a probabilidade de um acidente seja hoje inferior numa parte de um milhão.

Fonte:

http://www.energy-daily.com/reports/Outside_View_Work_on_Chernobyl_continues_999.html

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A empresa russa Atomenergoprom e a japonesa Toshiba formaram uma aliança para a produção de energia nuclear

(Central nuclear japonesa de Kashiwazaki-Kariwa, construída pela Toshiba)

A empresa russa Atomenergoprom e a japonesa Toshiba formaram uma aliança para a produção de energia nuclear. Segundo este acordo, a empresa russa vai enriquecer o urânio extraído de minas no Casaquistão e a Toshiba vai produzir combustível nuclear e conceber e construir centrais nucleares. Desta aliança vai resultar o líder mundial neste sector, um dos que mais desenvolvimento vai conhecer no futuro, dado que a pressão dos preços dos combustíveis fósseis está a levar muitos países – como o Reino Unido e os EUA – a reforçarem a parcela de energia que é gerada por essa fonte.

Antes desta aliança, o mercado era divido entre a aliança franco-germânica Areva-Siemens, dois grupos nipónico-americanos a Toshiba-Westinghouse and GE-Hitachi e a russa Atomenergoprom. A empresa russa foi cortejada por vários interessados, mas Sergei Novikov esclareceu o porquê da escoolha da empresa japonesa: “Os japoneses têm a engenharia para construir centrais nucleares em três anos. Eles são os líderes mundiais reconhecidos nesta área; enquanto que para nós, são precisos cinco anos para construir uma central nuclear. Assim, nós vamos aprender com eles se esta aliança fôr firmada. Podemos também cooperar em equipamentos de grande dimensão. A aliança permitirá também que a Rússia possa emergir no mercado global de combustível nuclear.”

Contudo, que não se depreenda daqui que os russos estão atrasados no domínio da tecnologia nuclear. A Atomenergoprom domina completamente o ciclo de produção de combustível e constrói centrais nucleares “chave-na-mão” a clientes de todo o mundo. Domina também a tecnologia de ponta de reactores água-água e o acesso a algumas das jazigas mais ricas de urânio do mundo, no casaquistão, não foi o único argumento que levou a Toshiba a aproximar do gigante corporativo russo.

Na verdade, a área da tecnologia nuclear é uma área que, apesar de todos os receios quanto à sempre pendente possibilidade de um acidente e da existência do problema ainda insolúvel dos resíduos radioactivos de longa vida deveremos esperar muita actividade nos próximos anos… à medida que o petróleo fôr subindo, e peritos há que avaliam a possibilidade deste chegar aos 240 dólares em menos de 2 anos, cada vez será menos rentável produzir energia para a rede pública a partir de centrais de diesel. A opção nuclear – preferível ao carvão, porque não emite mais do que água quente – está na mesa e será cada vez mais interessante para alimentar as cada vez mais sôfregas redes públicas de todo o mundo.

Fontes:

http://www.energy-daily.com/reports/Outside_View_A_Russia-Japan_nuclear_pact_999.html

http://en.rian.ru/business/20080320/101782462.html

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O reactor nuclear “doméstico” da Toshiba

(O reactor nuclear “doméstico” da Toshiba in http://www.nextenergynews.com)


A Toshiba, no Japão, está a construir um protótipo de um reactor nuclear pequeno e de baixa potencia desde 2005. O reactor será capaz de fornecer energia eléctrica a blocos de apartamentos ou a pequenas bases militares instaladas em locais remotos. O reactor mede apenas 10 metros de comprimento por 3 de largura e usa reservatórios de Lítio 6 líquido, em vez das conhecidas barras de urânio dos reactores convencionais. O Lítio 6 um isótopo eficaz a absorver neutrões e o seu uso permite automatizar completamente a operação do sistema. O sistema consiste num grupo de seis reservatórios ligados entre si até ao núcleo do reactor. Todo o processo é auto-sustentado e dispensa qualquer tipo de manutenção. O combustível no seu interior é suficiente para manter o reactor activo por 14 anos e a 5 cêntimos de dólar por kw/h produz energia a cerca de metade do preço a que ela fica quando é comprada à rede eléctrica e vai gerar até 200 KW durante quarenta anos.

O primeiro reactor deverá ser instalado no Japão ainda em 2008, e a Toshiba espera começar a comercializar o equipamento nos EUA e na Europa logo no ano seguinte. O sistema tem várias vantagens… Desde logo, não produz resíduos radioactivos (a minha grande objecção contra a Energia Nuclear)… Por outro lado, não produz também combustível passível de ser usado em armas nucleares, como sucede com os reactores de fissão a Urânio da actualidade… E é auto-sustentado, isto é, pode ser operado sem necessidade de controlo técnico… Parece bom demais para ser verdade, não é?… Enfim, veremos ainda este ano se esta promessa se cumpre ou não. E de qualquer maneira… A Toshiba está mesmo a precisar de deitar cá para fora alguma coisa de radical e inovadora… Depois do flop que foi a sua fugida da guerra HD-DVD / Blu Ray, ela logo, que era a grande campeã do primeiro formato.

 

Fonte:

Engadget

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O Reactor/Bateria Nuclear de Otis Peterson

(Reactor/Bateria Nuclear de Otis Peterson in http://keetsa.com)

Está em desenvolvimento um reactor nuclear portátil, do tamanho de uma banheira e que será capaz de alimentar de energia eléctrica até vinte e cinco mil habitações durante pelo menos cinco anos. O reactor seria enterrado no sub-solo e usaria um sistema de auto-regulação, dispensando assim a necessidade de um operador ou de qualquer tipo de manutenção ou peças móveis, como sucede actualmente nos reactores nucleares em operação nas centrais nucleares do mundo. A potencia deste gerador deverá rondar os 27 MW.

O reactor foi inventado por Otis Peterson, um físico do prestigiado “Los Alamos National Laboratory” que registou a patente em 2003 e que usado um núcleo de urânio hídrido, rodeado de hidrogénio assegura uma reacção nuclear que alimenta uma turbina a qual, por sua vez, cria energia eléctrica. O conjunto é encerrado dentro de um cofre de cimento e enterrado no subsolo.

Os geradores serão fabricados por uma fábrica que será construída no Novo México e a partir de 2012 começarão a ser vendidos reactores deste género a um ritmo potencial de 200 a 400 unidades por ano. A fábrica, que recebeu a designação de Hyperion Power Generation. Compreensivelmente, e para evitar receios de proliferação de materiais radioactivos para “bombas sujas” ou para uso no próprio processo de fabrico de uma arma nuclear, a Hyperion designa o conjunto como “bateria” ou “módulo” e não como o reactor nuclear, que, de facto, é… Ainda que seja concebido para nunca permitir o acesso ao interior do equipamento.

Em termos de utilizadores potenciais de um sistema deste género, eles são – desde logo – as multíplas bases militares que os EUA estabelecem no mundo e sobretudo aquelas que são montadas de forma urgente e improvisada em cenários de guerra. Um reactor/bateria destes poderia servir de sustentáculo energético a estas instalações, mas poderia também ser usado por ONGs intervindo em cenários de crise humanitária, como um terremoto de grandes porporções ou um desastre da escala do Katrina.

Contudo, este reactor/bateria ainda que pudesse ser crucial em situações de emergências de grande escala onde ocorram a interrupção de produção de electricidade em grandes cidades, como sucedeu ainda recentemente em Nova Orleães, não devem ser disseminados em larga escala… Por muito seguros que sejam e ainda que esteja garantida a impossibilidade técnica de um “meltdown” capaz de emular a catástrofe do filme o “Síndroma da China” (de 1979), a economia aparente do reactor não contempla os custos ambientes da mineração, transporte e mineração do urânio, assim como os custos da armazenagem dos detritos radioactivos… É certo que este reactor poderia ser uma solução de transição para outras formas de energia alternativas, enquanto não aprendemos a reduzir os nossos consumos e enquanto o hidrogénio e a fusão nuclear não amadurecem… mas há aqui um risco adicional: o reactor foi concebido para não permitir o acesso ao seu interior, nem aos detritos nucleares (subproduto da fissão) que vai ali acumulando… Mas este não é impossível e poderia fornecer a um terrorista suficientemente persistente e arrojado o material suficiente para construir uma “bomba radioactiva” capaz de interditar durante décadas uma grande cidade escolhida como alvo… E esse argumento somente, faz-me opinar contra esta tecnologia.

 

Fonte:

 

Digital Journal

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