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O presidente da República de Cabo Verde ao regressar da última cimeira da CEDEAO defendeu que a força desta comunidade regional devia ser “inclusiva”, no sentido de que deveria incluir forças de outras entidades transnacionais, como a CPLP

O presidente da República de Cabo Verde ao regressar da última cimeira da CEDEAO defendeu que a força desta comunidade regional devia ser “inclusiva”, no sentido de que deveria incluir forças de outras entidades transnacionais:
A CEDEAO entendeu que deveria criar uma força na África Ocidental. Mas esta força é também inclusiva, pois é criada em concertação com a União Europeia, União Africana, Nações Unidas e CPLP, bem como até pelos Estados Unidos e França, que fornecerão outro tipo de apoios”. Portugal surge ausente desta lista, ainda que um país sem ligações ao território (mas ambições históricas) como França apareça em destaque nesta declaração do Chefe de Estado caboverdiano. A esta lista, o governante somou ainda o Brasil: “Há questões de pormenor, de força, de ajustamentos. Por exemplo, não está excluída a participação do Brasil nos esforços de intervenção. Mas se me fala de Angola, havendo lá o problema da Missang que já esteve e vai sair, não estará excluída, como país africano ou da CPLP, mas talvez se deva perceber que seria mais fácil estarem tropas de outros países”.

Poderá chocar a alguns a ausência de Portugal nesta lista, e outros acusarao caboverdianos e guineenses de ingratidao, mas concordamos que Portugal (assim como França) deve estar afastado de uma presença militar direta nesta força multinacional de interposicao: existem ainda demasiados equivocos historicos datados da época da Guerra do Ultramar e a presença portuguesa no território – ainda que pudesse ser bem acolhida pela maioria da população – acicataria os animos mais violentos do narcoexercito guineense e poderia contribuir mais para o agravamento do conflito do que para a sua solução. Contudo, Portugal deve disponibilizar as forças que já tem na região (uma fragata, uma corveta, um navio abastecedor e um avião de reconhecimento) para dar apoio aéreo e naval a essa força multinacional. Não defendemos a presença de militares portugueses no terreno (excepto para resgatar portugueses, em caso de ameaça à sua integridade física), mas a sua presença como apoio de retaguarda, suporte logístico e até para eventuais operacoes especiais pode vir a fazer toda a diferença num conflito onde a presença dominante dos reputadamente incompetentes militares nigerianos não augura nada de bom.

Entretanto, em apoio desta presença da CPLP nesta força de interposicao na Guiné-Bissau, já assinou esta Carta Aberta do MIL? http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=cplpgb

Fonte:
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article75604&ak=1

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Cabo verde está à procura de uma parceria lusófona para comprar aviões de patrulha naval

Cabo Verde tem uma extensa zona económica marítima mas nenhuns meios para a patrulhar. A cada vez mais frequente presença de arrastões chineses e sul coreanos nas aguas da Guiné-Bissau e, também, de Cabo Verde torna particularmente urgente a formação de meios aéreos e navais de patrulha das águas destes dois países lusófonos e, particularmente, de Cabo Verde. As aguas de Cabo Verde são também usadas cada vez mais frequentemente pelos narcotraficantes que usam a Nigéria e a Guiné-Bissau como plataforma intermédia para os mercados europeus.

Este país lusófono procura assim estabelecer parcerias com o Brasil ou com Portugal por forma a comprar aviões de patrulha naval. Isto mesmo admitiu o  porta-voz do Conselho do Ministério da Defesa cabo-verdiano, o major António Silva Rocha, que disse brevemente o ministro Jorge Tolentino iria ao Brasil negociar a aquisição de aparelhos deste tipo ainda em 2012. A Cabo Verde vai também contactar Portugal com a mesma intenção, no quadro do grupo técnico de trabalho com o ministro de Defesa português sobre a Economia do Mar.

Estes aparelhos – provavelmente da Embraer – irão assim reunir-se aos helicópteros de origem chinesa que estão em fase final de negociação. Cabo Verde não tem recursos suficientes para adquirir sozinho estes meios e por isso está em busca de uma parceria lusófona que deverá produzir frutos ainda antes do final de 2012.

Na verdade e havendo esta e a necessidade da Guiné-Bissau e uma total ausência de meios na Guiné e escassa no Cabo Verde o bom senso mandaria que estes meios aéreos deviam ser adquiridos em comum, usados em comunhão, com o apoio logístico português (manutenção, gestão e treinamento) e material (aviões) e financeiro do Brasil. Estes poderiam ser assim os primeiros de uma verdadeira “força aérea lusófona”, rentabilizando ao máximo estes meios, garantindo negocio no Brasil (Embraer) e em Portugal (Ogma) e defendendo a soberania destes dois países lusófonos da África Ocidental aos quais se poderia depois juntar São Tomé e Príncipe, numa fase posterior.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=FA951D5E-F9E1-41E3-836B-256572D3D7AD&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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“Cabo Verde deve voltar a fazer uma aposta na pesca, não só pelo papel central do sector na cultura e história do país, mas porque é uma área estratégica no combate ao desemprego e à pobreza”

“Cabo Verde deve voltar a fazer uma aposta na pesca, não só pelo papel central do sector na cultura e história do país, mas porque é uma área estratégica no combate ao desemprego e à pobreza. (…) A pesca tem hoje uma expressão marginal na economia cabo-verdiana, representando apenas 0.7% do PIB. Este valor compara com o peso da agricultura (9.6% do PIB) e, sobretudo, com os serviços, que valem 73.5% da economia. (…) Segundo estimativas da ES Research, a economia cabo-verdiana terá crescido 5.4% em 2010 e deverá expandir-se 5.9% este ano e 6.8% em 2012.”
Sol 11 de março de 2011

Cabo Verde é um exemplo para toda a África de língua portuguesa no que concerne a estabilidade democrática, boa governança e desenvolvimento económico e social. Para que siga no bom caminho, a aposta no Turismo tem que ser complementada com uma abordagem num setor produtivo, não terciário. A agricultura, dada a pobreza dos solos das ilhas do arquipélago nao será nunca um setor essencial, mas as pescas, têm todas as condições para o serem especialmente num mundo onde a produção de alimentos será cada vez mais indispensável, sobretudo se existirem excedentes para exportação.

Como em Portugal, o Mar deverá ser o setor mais estratégico para o desenvolvimento da economia caboverdiana a longo prazo. O Mar será assim um campo onde os dois países podem estabelecer parcerias e crescer em conjunto, aproveitando sinergias e, todo o trabalho já desenvolvido nesse campo por Portugal.

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Sobre a aposta Solar em Cabo Verde

Ilha da Praia, em Cabo Verde (http://www.ventosul.com)

Ilha da Praia, em Cabo Verde (http://www.ventosul.com)

“Em 2010 foram inauguradas no Sal e na Praia as duas maiores centrais fotovoltaicas do continente africano até à data. Em curso, a construção de 4 parques eólicos, em Santiago, São Vicente, Sal e Boavista. Tais projetos inserem-se no audaz objetivo avançado pelo Governo de aumentar a taxa de penetração das renováveis para cerca de 25% até 2012 e 50% até 2020.”
Sol 11 de março de 2011

África tem condições ímpares no mundo para o aproveitamento da energia solar. Em termos de fotovoltaica, as maiores dificuldades residem na segurança que é necessário garantir para impedir os furtos que assolam muitas destas instalações em África. Em termos de custos, o elevado investimento que exigem as instalações fotovoltaicas são um obstáculo de monta, especialmente em África, onde esses capitais escasseiam… É assim muito positivo vir a saber que Cabo Verde – exemplo continental de boa governação – está na vanguarda do aproveitamento da energia solar em África.

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Breve resenha da situação económica de 4 países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde e Moçambique

Através de uma análise realizada pela “Espírito Santo Research” eis uma análise do estado da economia de alguns países, onde destacamos a situação económica em alguns países da Lusofonia:

Angola:
Com uma população que ronda já os 18 milhões e um PIB per capita de 4792 euros, Angola é hoje uma das maiores potencias económicas da Lusofonia. A economia deste país está, contudo, perigosamente dependente dos hidrocarbonetos, que alimentam toda a economia. Há, decerto, um grande dinamismo na construção civil que se propagou aos serviços e até ao setor agrícola, mas tudo depende do petróleo e esta dependência acentuou-se até no último ano. Recentemente, o FMI emprestou a Luanda 1.4 mil milhões de dólares, o que veio equilibrar
a balança corrente angolana.

Brasil:
Os quase 194 milhões de habitantes do Brasil fazem deste país o grande país da Lusofonia. Apesar dos muito notáveis avanços, o PIB per capita continua com um valor que ainda deixa a desejar de 7500 euros. O desemprego no Brasil recuou mesmo durante a atual recessão global e encontra-se agora bem perto do limite apontado como “sistémico” de 5% com os 6.7% de agosto de 2010.

A economia brasileira floresce com uma forte procura interna e apesar de uma inflação que começa a preocupar os economistas menos otimistas. A atual guerra cambial em que a China e os EUA recentemente se envolveram está a perturbar as exportações brasileiras e se esta se agravar (por exemplo, com a entrada do Euro nestas lides) o crescimento do Brasil poderá ficar comprometido.

Cabo Verde:
Este país lusófono está muito dependente das importações de energia e alimentos, dois setores onde existe um grande défice entre o consumo e a produção. Esta situação decorre não somente do facto de o país ter solos muito pobres e escassas capacidades de produção de energia, mas também de ser a Economia mais tercializada de todo o espaço económico lusófono com mais de 70% do PIB pertencem ao setor do Turismo (Portugal, outro país lusófono severamente tercializado retira do Turismo apenas 13% do PIB). As remessas dos emigrantes (a maioria dos caboverdianos vivem fora do seu país) compensam contudo este défice comercial que um débil setor industrial (têxteis, calçado e pescas) não consegue ter um peso significativo. Apesar destas limitações, a estabilidade governativa, a boa governança e o crescimento do investimento direto estrangeiro, tornam Cabo Verde no país africano lusófono com melhores perspetivas de desenvolvimento económico e social a curto prazo.

Moçambique:
Em tempo de recessão, Moçambique apresenta valores elevados do crescimento económico, que se manterão a médio prazo, principalmente devido aos mega-projectos em torno do aproveitamento dos recursos minerais. A diversificação sectorial da economia, relevante para o perfil exportador do país, relativamente concentrado, incentivará o dinamismo da economia moçambicana, gerando um crescente número de oportunidades.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=454525

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Cabo Verde comemorou recentemente 35 anos de independência e de… sucesso

Cabo Verde comemorou recentemente 35 anos de independência e de… sucesso. No contexto africano, o país lusófono é um autêntico caso de sucesso. As instituições democráticas estão aqui solidamente instaladas e o Turismo não tem parado de crescer, assim como o investimento estrangeiro.

Portugal é, desde sempre, o principal parceiro económico e comercial de Cabo Verde, algo que se prende diretamente com o facto de ser também o destino favorito da numerosa emigração caboverdeana e dos seus jovens que buscam no estrangeiro formação universitária.

A taxa de alfabetização é hoje de 83% (98% entre os jovens) e tem níveis de expetativa de vida comparáveis a muitos países europeus mais desenvolvidos. No total, o país é o nono país africano mais desenvolvido e teve em 2009 um invejável crescimento económico de 8.9%.

Esta situação de grande maturidade cívica e económica da sociedade caboverdeana torna-a num parceiro ideal para qualquer projeto de aprofundamento da CPLP até à sua transformação num protótipo da União Lusófona, cuja promoção é um dos eixos fundadores do MIL: Movimento Internacional Lusófono. Sob que forma poderia surgir essa parceria? Uma federação com Portugal? : estabelecimento de uma rede de tratados bilaterais cobrindo áreas transversais e diversas? Uma aproximação estritamente no seio da CPLP, expandindo as suas atividades e competências para os países que quisessem aderir a esse “clube da frente” e incluindo neste os países social e economicamente mais avançados da CPLP: Brasil, Cabo Verde e Portugal? De uma forma ou de outra, algo parece certo: não é crível que se funde uma União Lusófona sem que esta comece por incluir – logo desde o primeiro momento – esse caso de sucesso africano que é Cabo Verde.

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O misterioso desaparecimento e… aparecimento do cargueiro Arctic Sea

O misterioso cargueiro Arctic Sea

O misterioso cargueiro Arctic Sea

Ninguém esperaria ouvir falar de piratas – em pleno século XXI – ao largo das costas portuguesas… Mas aí estão eles de novo.

Este pode ser o estranho caso do cargueiro “Arctic Sea” de 98 metros de comprimento, registado em Malta e tripulado por uma equipagem russa que largou de um porto finlandês a 23 de julho de 2009 com uma carga de madeira para o porto argelino de Bejaia. Perto da ilha sueca (no Báltico) de Oland, o navio teria sido abordado por um grupo de 10 homens, armados, e vestidos como polícias (segundo a agência noticiosa russa Tass). Os piratas teriam dominado a tripulação, detido a tripulação e levando vários artigos não especificados e um telefone de satélite Iridium. Ao que parece, nesse incidente, três marinheiros teriam ficado ligeiramente feridos, abandonando o navio pouco depois. Surge contudo aqui o primeiro sinal de estranheza… É que este ataque foi comunicado à Interpol apenas 10 dias depois do estranho assalto! Porquê este atraso? Estaria o navio ainda nas mãos dos piratas quando reportaram o ataque?

A última comunicação do navio ocorreu às 15:00 de 29 de julho, quando contactou a Guarda Costeira britânica, informando que estava nos Estreitos de Dover e a caminho da Argélia, o seu destino “oficial”. Esta informação foi confirmada pelo sistema AIS de “automatic identification system”, que corrobou a localização. Foi essa comunicação omitiu completamente o ataque. No dia seguinte, a 30 de julho, o navio saiu do AIS, quando estava a norte do porto francês de Brest. O desaparecimento do sinal pode ser normal, já que se sabe que o sistema por vezes perde o sinal, desligado manualmente (pelos assaltantes?) ou… afundado. Mas mais tarde, um avião P-3P Orion da Força Aérea Portuguesa ainda o haveria de avistar no limite da área marítima sob a responsabilidade portuguesa. Esta foi a última pista sobre a localização do navio.

Uma coisa é certo: o navio não chegou ao seu destino. Devia ter aportado à Argélia a 4 de agosto. E Espanha confirma que o navio nunca atravessou os Estreitos de Gibraltar…

A Marinha Russa enviou cinco navios de guerra e três submarinos para o Atlântico, em busca do Artic Sea, complementando o esforço português que o procura com navios e aviões de patrulha P-3. Meios que não serão insuficientes se o navio continuar com o AIS desligado, num oceano tão extenso como o Atlântico…

O jornal russo Tvoi Den dá como certo que o Artic Sea foi atacado por piratas uma segunda vez, por piratas, já perto de águas portuguesas, pouco depois do seu último contacto rádio, isto é, quando estava ao largo de Brest ou a entrar em águas portuguesas. Pelo menos essa é a informação de “uma fonte da Comissão Europeia”, não confirmada…

O navio é de construção recente (1992) e pertence a um armador finlandês e terá que se abastecer novamente de combustível nos próximos dias ou ser reabastecido no mar, talvez esteja agora a receber esse combusível, por transbordo no mar ou a aproximar-se de um porto africano nos arredores, já que uma fonte militar da Guarda Costeira Caboverdiana afirmou há horas que o Arctic Sea se encontrava a 400 milhas da ilha de Santo Antão. Mas como foi localizado? A marinha de Cabo Verde, não tem meios para detectar o navio. A corveta portuguesa Batista de Andrade esteve em julho em exercícios em Cabo Verde no âmbito do Programa-Quadro 2009/2011 de “Projeto 4 – Apoio à Guarda Costeira “GC)”. O navio pode estar ainda no arquipélago e ter localizado o cargueiro, ou um P-3 português, operando no limite do seu alcance, ter localizado o navio e informando as autoridades responsáveis pela região do avistamento, Cabo Verde.

A marinha russa já fez desviar para Cabo Verde a fragata Ladny da classe Krivak, preparando um cenário de resgate e assalto ao navio.

O que se terá passado com o Arctic Sea?

1. Teria sido atacado pela mafia russa, em busca da madeira que transportava

2. Carga secreta, da mafia, incluindo itens nucleares para a Argélia (Governo) ou para os Islamitas locais, interceptada por:

2.1. Mossad

2.2. FSB russo

2.3. Outro grupo de mafiosos

3. Carga secreta de estupefacientes, furtado por um grupo concorrente

4. Um “golpe na Seguradora”, por parte do Armador, como se suspeitou em tempos para com o Bolama…

5. O navio ter-se-ía afundado… Tese abandonada agora que o navio parece ter sido localizado ao largo de Cabo Verde.

Fontes:

http://aeiou.expresso.pt/cargueiro-desaparecido-foi-atacado-perto-da-costa-portuguesa=f530912

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1396210&idCanal=11

http://www.guardian.co.uk/world/2009/aug/11/arctic-sea-missing-ship-pirates
http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1335139&seccao=Europa
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1335128
http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/africa/Corveta-Marinha-portuguesa-exercicios-com-fuzileiros-cabo-verdianos,3030db43-33fd-4190-9791-8e3a79491f92.html

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Cabo Verde: “uma das faces mais otimistas de África”

Na última comemoração da independência de Cabo Verde, o presidente deste país lusófono afirmou o orgulho por estar à frente dos destinos de “uma das faces mais otimistas de África”.

Pedro Pires tem razões para estar satisfeito. Apesar de Cabo Verde ser um dos países mais pequenos do continente e de não ter – além do mar e das suas riquezas – recursos naturais significativos, o país tem sido um exemplo de boa governança. Os EUA reconheceram recentemente a importância do trabalho das forças de segurança cabo-verdianas numa região onde o narcotráfico já domina países inteiros (como é o caso da Guiné-Bissau). Do ponto de vista cultural o arquipélago tem sabido construir uma sólida reputação assente em grandes valores, como o poeta Arménio Vieira que recebeu o Prémio Camões em 2009 e com a atribuição da “Cidade Velha” da categoria de Património Mundial. Num país em que a pobreza da terra é apenas parcialmente compensada pela riqueza piscícola do mar e pelas remessas dos emigrantes da numerosa diáspora, o papel da Cultura tem sido cada vez maior. Os músicos, poetas e escritores cabo-verdianos começam a ser um produto de exportação de nome feito e os recursos assim captados podem ser reinvestidos na dita “economia real”. A estabilidade governativa, a existência de baixos níveis de corrupção e de criminalidade, contrastam também com tantos outros países africanos, imersos como o Congo e a Somália em infindáveis guerras civis. Cabo Verde tem paz, aparenta níveis sólidos e sustentados de crescimento humano e económico. Todos estes factos tornam aguda uma questão que alguns cabo-verdianos defendem: uma re-aproximação a Portugal, formando eventualmente uma federação com a antiga potência colonial e tornando-o na parcela de território da União Europeia situada mais a sul. Os benefícios que o país poderia obter nesta aproximação são evidentes, e os de Portugal também, já que isso iria aumentar a sua influencia numa regiões mais estratégicas de África e – logo – do mundo. Mas… Haverá vontade política, ambição e visão estratégica suficientes por parte dos governantes dos dois países lusófonos?

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/cabo-verde34-anos-cabo-verde-e-face-mais-optimista-de-africa-pr-pedro-pires=f524526

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Sobre a “parceria especial” de Cabo Verde com a União Europeia

A Parceria entre Cabo Verde e a União Europeia foi debatida entre 10 e 11 de Setembro, em Bruxelas, no âmbito de uma palestra sobre a “Parceria Especial União Europeia/Cabo Verde” organizada pelo Euro deputado Ribeiro e Castro e intitulada “Dois olhares, uma visão comum”. A parceria especial tem sido objeto de raro consenso entre governo e oposição cabo verdianos, e entre Cabo Verde e a União Europeia.
Esta “Parceria Especial” que data da última presidência portuguesa da União Europeia pretende ir muito para além da pura convergência económica e das tradicionais relações doador-recepcionário que têm caracterizado as relações entre antigas potencias europeias e colonizados africanos. O modelo está esgotado e o estado atual da maioria dos países africanos que têm beneficiado destas relações “neocoloniais” indica que este modelo de auxílio é ineficiente e que não tem contribuído para o melhoramento da vida da maioria dos africanos. A “parceria especial” deve focar o auxílio europeu nas áreas da boa governança, estabilidade social e política, assim como no desenvolvimento da sociedade do conhecimento e da informática.
O reconhecimento da existência de uma “relação especial” entre a Europa e Cabo Verde, consagrado em 2007, é determinante para aproximar ainda mais Portugal de Cabo Verde, o país lusófono que mais próximo tem estado da diplomacia portuguesa e cuja colaboração na missão naval portuguesa de auxílio à Guiné-Bissau na guerra de 1998 foi tão importante.
Neste sentido, as notícias mais recentes que dão como estando a ser cuidadosamente avaliada pelas autoridades caboverdianas a introdução do Euro como moeda de circulação corrente no arquipélago são mais um passo para a aproximação entre este país lusófono e a União Europeia. Já há dez anos que existe um acordo de convertibilidade entre a então moeda portuguesa, o Escudo (hoje, o Euro) e o escudo caboverdiano (CVE) e o crescimento sólido da economia do país encontrou aqui boa parte da sua sustentação. Em 2004, o atual Presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso anunciou que Cabo Verde iria integrar a “área de influência da União Europeia”, pela via do reforço das suas ligações com Portugal.
Como saberão aqueles que mais nos frequentam, somos fervorosos defensores das virtualidades do estabelecimento de uma “União Lusófona”, uma forma de re-unificação polítca, económica e cultural entre os países que compõem atualmente a CPLP (a que se poderia juntar depois a Galiza). A forma percusora que poderia tomar esta união poderia passar pela religação dos dois países da CPLP que têm níveis de desenvolvimento económico, político e social mais semelhantes entre si, que são Portugal e o Brasil. Mas o bom sucesso de Cabo Verde, a vontade expressa de muita da sua população e até a presença de uma tão grande comunidade caboverdiana migrante em Portugal abrem portas a uma outra possibilidade: a aproximação entre Portugal e Cabo Verde e até talvez o estabelecimento entre Portugal e Cabo Verde do mesmo protótipo de “União Lusófona” que também advogamos para Portugal e para o Brasil.
Publicado também na Nova Águia.
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Cabo Verde… na União Europeia e “associado” a Portugal?

Cabo Verde
(Arquipélago de Cabo Verde in http://www.embcv.pt)

“Desde o início deste ano, este pequeno país (Cabo Verde) deixou de ser considerado um País Menos Avançado (68% dos países da África Sub Saariana fazem parte deste grupo, como todos os PALOP) para passar a ser considerado um País de Rendimento Médio, perdendo assim um certo tratamento favorável.”

Manuel Ennes Ferreira

Expresso, 5 de Janeiro de 2008

 

Cabo Verde cumpre assim mais um passo para alcançar um patamar de desenvolvimento raro em África. Exemplo para muitos outros países africanos, imersos em eternos conflitos étnicos e militares contra parcelas de si próprios, ou contra países vizinhos, Cabo Verde tem em relação a estes duas grandes vantagens que fazem neste contexto três importantes diferenças: pela sua condição insular não apresenta questões de fronteira: não tem aquelas imensas e inconsistentes extensões geométricas e lineares de fronteira como têm o Congo e Angola; pela inexistência de um povoamento anterior à ocupação pelos portugueses, não apresenta etnias diversas dentro de si, caracterizando-se o seu povo pela existência de uma suave mestiçagem, muito ao gosto brasileiro e dos portugueses que Quinhentos. Por fim, pela própria inexistência de riquezas naturais que despertem os apetites dos Grandes deste mundo ou que gerem apetites predatórios internos, como sucede infelizmente em Angola, ou no melhor exemplo mundial deste problema, na Nigéria.

 

Cabo Verde reúne assim as condições para se tornar num exemplo africano, sacudindo o grande monstro que devora África, que é a Corrupção endémica e generalizada, estrutural e estruturante, mantendo-se simultaneamente como exemplo de Paz interna e externa, num continente empobrecido e envolvido em guerras permanentes e tornar-se assim no melhor exemplo do legado português em África.

Desta forma, esta antiga colónia portuguesa reforça a crença daqueles que defendem a sua integração na União Europeia… Se há – entre os europeus do norte – quem defenda que países com quem a Europa mantêm relações de vizinhança e proximidade geográfica como o Marrocos, a Turquia e o Azerbeijão ou a Arménia… E até Israel, porque não recordar a sugestão lançada por Adriano Moreira e, mais tarde, Mário Soares em 1994, de ligar Cabo Verde aos demais arquipélagos portugueses no Atlântico. A ideia foi bem acolhida em 2004, quando foi reiterada ao governo cabo verdiano, no decorer do Simpósio Amílcar Cabral.

O artigo 49º do Tratado da União Europeia menciona que “qualquer Estado Europeu que respeite os princípios enunciados (…) pode pedir para se tornar membro da União Europeia” (ver AQUI e AQUI). Cabo Verde, não se encontra no território continental da União… Mas a bem ver, nem a Madeira, nem a impopular (mas real) candidata Turquia estão… É claro que existe uma solução clara para este dilema, que é o de acordar entre Portugal e Cabo Verde alguma espécie de “federação” ou uma forma elevada de “associação entre Estados”… Isso satisfaria as eventuais pretensões caboverdianas e o legalismo de Bruxelas… Em termos culturais, Cabo Verde, é das nações mais “europeias” de África… Em termos raciais, também, já que a mestiçagem é aqui regra, e já que muito sangue judeu e português navega pelas veias caboverdianas, consideradas durante séculos como o ninho por excelência dos administradores coloniais que Portugal espalhava pelo seu Império, de Moçambique a Timor…

Uma tal forma de associação poderia ser um primeiro passo para o nosso mais querido projecto, que é o de reestabelecer alguma forma de União política (Federação ou Confederação) com o Brasil, já que seria mais fácil – dada a dimensão do arquipélago, e os laços históricos e culturais – absorver essa União nos espíritos sempre cépticos das gentes… E por outro lado, com a existência de mais caboverdianos em Portugal do que no seu próprio país, os laços étnicos e pessoais são já muito fortes… E ninguém esquece o apoio logístico e humano que Cabo Verde cedeu à frotilha portuguesa comandada pela Vasco da Gama nas suas operações na Guiné-Bissau…

Concordaria com a adesão de Cabo Verde à União Europeia?
1) Sim
2) Não
3) Sim, mas só no âmbito de uma associação com Portugal

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