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Dos malefícios da expansão da produção de óleo de palma na Indonésia

Existe hoje em dia uma atitude cada vez mais negativa em relação aos biocombustíveis. Se esta é exagerada em relação a alguns deles (como aqueles fabricados a partir de cana-do-açúcar no Brasil), a verdade é que outros, como o milho nos Estados Unidos e o trigo na Europa têm uma efetiva “pegada de carbono” e um balanço energético negativo. Isto é particularmente verdadeiro no que diz respeito à exploração dom óleo de palma para produzir biocombustíveis.

As empresas que exploram plantações de óleo de palma, na Indonésia, têm procedido a violentos e extensos desmatamentos de floresta virgem nas regiões da Papua, de forma a expandirem os seus terrenos de cultivo. Esta expansão resulta de concessões obtidas nem sempre pelo meios mais legítimos de entidades governamentais indonésias. A expansão da atividade destas empresas está a levar as florestas desta outrora ainda selvagem região do arquipélago indonésio para o mesmo caminho do Borneo e de Sumatra, onde as plantações fizeram já danos irreparáveis nas florestas dessas ilhas, colocando em ameaça de extinção diversas especiés, entre elas um dos mais próximos parentes do Homem, o Orangotango.

Se não começarmos já a proteger as últimas florestas tropicais, preservando o mais possível a sua capacidade para absorver CO2, não faremos mais do que acelerar ainda mais o problema do Aquecimento Global, e com ele, a extinção da espécie humana. É neste contexto que o salvamento das florestas virgens na Papua, são importantes e essenciais. A intensidade da desflorestação na Indonésia é outro problema: é tão intensa hoje em dia, que só a queima de árvores neste grande arquipélago bastou para transformar a Indonésia no terceiro maior emissor mundial de gases de efeito de estufa.

Um pouco por todo o lado, graças sobretudo ao trabalho da Greenpeace, está a crescer a consciência dos malefícios da exploração do óleo de palma na Indonésia. A Ferrero, que importa esse óleo da Indonésia para os seus produtos Nutella tem sido pressionada para parar com essas importações. E também em resultados destas pressões, a petrolífera sueca OKQ8, que estava a ponderar a incorporação de uma percentagem de óleo de palma indonésio nos seus biovombustível comerciais, já abandonou a ideia.

Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/Palm_oil_clearing_swathes_of_forest_in_Indonesias_Papua_Greenpeace_999.html
http://www.greenpeace.org/international/footer/search?q=palm+oil

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Algas que… produzem bio-óleo: uma promessa que pode substituir de forma total e barata o petróleo?

Uma empresa norte-americana está a desenvolver um tipo de algas capazes de produzir um óleo que pode ser refinado em gasolina ou em outros combustíveis semelhantes e que promete ser “neutral em carbono”, isto é, não emitir mais carbono do que aquele que é necessário ao seu crescimento. A alga deverá resultar numa solução comercial dentro de cinco anos.

Tão cedo, este método não poderá satisfazer nem uma pequena parcela dos gigantescos 20 milhões de barris que os EUA consomem todos os dias, mas se o método fôr desenvolvido o suficiente poderá eliminar uma parte significativa das importações de petróleo dos EUA. Segundo Jason Pyle, o CEO da empresa http://sapphireenergy.com/ afirma que este óleo será idêntico em propriedades ao chamado “petróleo leve“, o que significa que poderá utilizar toda a infraestrutura de transformação e distribuição atualmente existente para o petróleo.

Por “neutral em carbono” entende-se uma técnica que emite tanto dióxido de carbono quanto é recuperado no processo de produção através do processo da fotosíntese, já que a transformação da alga em óleo irá emitir tanto carbono quanto um combustível convencional, derivado do petróleo.

As promessas da Sapphire, de usar algas para produzir combustível são idênticas às já emanadas de outras empresas, mas têm a novidade está em que produzirão um combustível de 91 octanas quimicamente idêntico aos combustíveis atuais e que, logo, poderá utilizar diretamente toda a estrutura logística de armazenagem e distribuição atualmente existente… E isto sem criar as questões mais ou menos embaraçosas levantadas pelos biocombustíveis e pelo seu papel na atual alta de preços dos alimentos.

A empresa espera produzir 10 mil barris do seu bio-óleo até 2012, muito pouco para um país como os EUA que consome 20 milhões de barris por ano, mas um princípio, ainda assim, especialmente se a sua tecnologia for licenciada a uma grande corporação ou se a Sapphire for adquirida por uma delas, como certamente irá acontecer se a tecnologia provar a sua viabilidade e eficiência.

Fontes:
http://blog.wired.com/cars/2008/05/making-renewabl.html
http://sapphireenergy.com/

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Ainda sobre os biocombustíveis… e a Cimeira de Roma

Na recente cimeira de Roma, a questão do biocombustível tornou a estar na mesa… Muitos países acreditam que a massificação da produção de biocombustíveis é a verdadeira fonte da presente alta do preço dos alimentos. Contudo, como afirma Alexander Müller, da FAO “não há um acordo entre os especialistas quanto ao impacto nos biocombustíveis à base de grãos nos preços finais dos alimentos”. Existem estudos que apontam para um impacto de 10%, outros que indicam 60%, como um da OCDE que afirma que os biocombustíveis de grãos (milho e trigo) foram responsáveis por um aumento de 60% nos preços dos alimentos. Outro estudo, desta feita um produzido pelo “Food Policy Research Institute” (IFPRI) refere um peso de 30 por cento nesta inflação de preços. No extremo, esta a Administração Bush, cujo Secretario para a Agricultura, Ed Schafer admitiu recentemente que esta percentagem era de apenas três por cento… E claro que os EUA são o pais que mais subsidia biocombustiveis (milho, sobretudo) pelo que a imparcialidade desta crença terá que ser altamente questionável

O Brasil não tem cessado de levar a esta discussão nos mais variados fóruns internacionais a questão do “bom etanol” (de cana do açúcar) e do “mau etanol” (milho e cereais). Lula da Silva declarou a este propósito: “O etanol de cana do açúcar do Brasil não é uma ameaça à Bacia do Amazonas, não retira terra arável à produção alimentar, nem tira comida das nossas mesas… Há o bom etanol e há o mau etanol. O etanol de milho pode competir com o etanol de cana do açúcar quando lhe injetam subsídios e o protegem com barreiras alfandegárias“. A declaração foi proferida em Roma, frente ao Secretario norte-americano, que contestou afirmando que o Brasil subsidia a sua cana do açúcardécadas, enquanto que os EUA agora começavam a trilhar esse caminho… O que não deixa de ser verdade, mas requer a contextualização de que os subsídios brasileiros datam do primeiro Choque Petrolífero da década de setenta e que na época o Brasil não tinha a produção petrolífera atual…

Por fim, será que os biocombustiveis são realmente um “combustível verde”, isto é, ecológico? O já citado estudo do IFPRI alega que o etanol de milho reduz as emissões de gases de efeito de estufa entre 10 e 30 por cento, mas que o etanol de cana pode reduzir em ate 90 por cento essas emissões… O que explica porque defendemos desde há longo tempo o etanol de cana como um biocombustível viável e não somente por um qualquer sentimento de “nacionalismo lusófono” os biocombustiveis na versão etanol de milho ou de celulose.

Mas a médio prazo devemos esperar uma revolução tecnológica nesta área, que deve fazer cessar todas estas polemicas… Trata-se dos biocombustiveis de segunda geração, que resultam do processamento de partes não-alimentares da produção agrícola de colheitas de trigo, milho, etc, assim como do aproveitamento de folhas, troncos enfim, de qualquer resíduo vegetal da agricultura industrial contemporânea. O uso destas matérias-primas não iria criar qualquer tipo de pressão sobre os preços dos alimentos e aumentaria significativamente os rendimentos dos agricultores, para alem de ser ainda uma solução para a presente alta dos combustíveis fosseis. Contudo, a produção de biocombustiveis de segunda geração não seria tão elevada como a produção dedicada de toda uma colheita de milho ou trigo. Mas seria uma solução complementar, uma parte da resposta para o problema da alta de preços de combustíveis ao lado das importações de etanol de cana, de reduções de consumo pela via de veículos mais eficientes, do aumento do uso veículos elétricos, e de políticas concertadas e sistemáticas de apoio aos transportes públicos.

Fonte:
http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/IRIN/6a190e4cd9f2bd3ef66556f77221045b.htm

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Na forja um acordo União Europeia-Brasil para a importação de biocombustíveis

(http://www.bendbiofuels.com)

A União Europeia esta a ultimar um acordo comercial com o Brasil para a compra de biocombustiveis. A decisão resulta de uma correção de percurso em relação à política de introduzir 10 por cento de energias renováveis nos combustíveis usados nas redes de transporte europeias. A decisão de apostar mais nas importações brasileiras e menos na produção local (altamente subsidiada) surgiu na reunião de Paris dos ministros do ambiente da EU. Nesta reunião, a meta de 10 por cento – muito criticada por contribuir para a presente alta dos preços dos combustíveis – vai ser revista em baixa, compensando-a com diversos incentivos para a aquisição e utilização de veículos elétricos e híbridos.

A sugestão para o estabelecimento de acordo com o Brasil nasceu de uma proposta do eurodeputado francês Claude Turmes o qual terá afirmado que o Brasil “é o único pais do qual podemos comprar de forma sustentável quantidades substanciais de agrocombustíveis neste momento é o Brasil. Um acordo desse tipo seria um precedente, com critérios rígidos tantos em temas sociais como de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o Brasil teria que comprovar que pode deter a deflorestação”. Assim, a EU favoreceria o desenvolvimento do Brasil, reduzia o seu consumo interno em subsídios agrícolas e reduzia as suas emissões de CO2 e a sua dependência das importações de combustíveis fosseis.

Não existe consenso mundial sobre qual será a parte dos biocombustíveis na presente alta dos preços dos alimentos, mas alguns especialistas acreditam que poderá ser tão alta como 75 por cento… Mas este será um argumento adicional a favor deste acordo União Europeia-Brasil.

Fonte:
www.dw-world.de

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Segundo um perito norte-americano: “As células de combustível e o hidrogénio serão as únicas tecnologias para veículos motorizados que poderão contribuir de forma decisiva para a resolução ou atenuamento do problema do Aquecimento Global”

Segundo um novo estudo publicado por um perito norte-americano em combustíveis alternativos, o Dr. C. E. Thomas>, as células de combustível e o hidrogénio serão as únicas tecnologias para veículos motorizados que poderão contribuir de forma decisiva para a resolução ou atenuamento do problema do Aquecimento Global.

Este estudo aponta que somente o uso generalizado do hidrogénio como combustível para veículos motorizados poderá resolver efectivamente o problema do Aquecimento Global. Segundo o perito, só o hidrogénio pode conseguir alcançar o ambicioso objectivo de reduzir os gases de Efeito de Estufa em 60% dos valores de 1990. Para além do hidrogénio, só o etanol celulósico pode obter um ganho semelhante, mas de apenas 20% de redução. O investigador estima também que o custo económico de migrar a estrutura de produção e distribuição da gasolina para o hidrogénio será menor do que manter a estrutura actual, num contexto de explosão dos preços do petróleo

O Dr. C. E. Thomas conclui que “só os veículos propulsionados a células de hidrogénio poderão virtualmente eliminar a poluição do ar urbano do sector dos transportes por 2100; todas as outras opção de veículos/combustíveis incluindo quer a gasolina, quer o etanol produzirão essencialmente a mesma ou ainda maior poluição do ar que a frota automóvel actual devido ao aumento do número de milhas viajadas.

Os trabalhos do perito recorreram a várias ferramenta de análise e modelos teóricos comparando várias configurações de híbridos, híbridos que se podem ligar à rede eléctrica pública, biocombustível e hidrogénio. As conclusões destes trabalhos foram apresentadas no congresso anual da “National Hydrogen Association”, realizado em Abril de 2008 na Califórnia.

O hidrogénio consolida-se como o verdadeiro “combustível do futuro”, apresentando um número crescente de vantagens competitivas frente ao seu melhor concorrente, o biocombustível fabricado a partir de cana do açúcar brasileira, já que o criado a partir de milho só é economicamente viável à custa da injecção massiva de subsídios. Resta, contudo, um grande problema que tem que ser resolvido para que o hidrogénio possa ser verdadeiramente um combustível de massas: a produção… De facto, o processo industrial mais eficiente para o produto, depende do… petróleo, e enquanto outros métodos promissores (como a geração a partir de algas OGM) não surgirem dificilmente será rentável converter a rede de refinação e distribuição de gasolina para o hidrogénio…

Fonte:
Energy-Daily.com

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A União Europeia está a preparar-se para permitir que restos de suínos sejam utilizados para alimentar frangos

(http://blogs.ec.europa.eu)

A União Europeia está a preparar-se para permitir que restos de suínos sejam utilizados para alimentar frangos. Aparentemente, os “senhores da Europa”, do alto da sua sapiência “alta e loira”, não aprenderam nada com a crise da BSE há dez anos atrás e com o papel que aqui desempenhou a utilização dos restos de vacas (em farinha) para alimentar outras vacas. Então, a natureza fez reflectir no Homem (e nos próprios animais, claro) as consequências dessa violação flagrante do ciclo natural, agora, pressionados pelo aumento do preço dos cereais utilizados para fabricar as farinhas consumidas pelas criações avícolas europeias, pretendem repetir tudo outra vez, na vã ânsia de manter os rendimentos elevados, sacrificando de permeio a nossa saúde.

De permeio, os muçulmanos (cuja religião proíbe o consumo de carne de porco, considerado como um “animal impuro”), estão furiosos, levantando um outro aspecto não desprezível da equação, dado que vivem na Europa 21de milhões de muçulmanos (ver AQUI), os quais, assim, não poderiam comer livremente carne de aves sem saber quando desse frango era… porco.

A proposta vem da própria “Comissão Barroso” e é mais uma mancha no currículo do nosso InDesejado “Fujão Barroso”, mas está já a ser acolhida com reservas pelo menos pelo governo britânico, muito (demasiado) experiente em problemas com a produção de alimentos… O seu ministro do Ambiente, da Alimentação e dos Assuntos rurais declarou que só apoiaria tal medida se houvesse um denso programa de testes para controlar o uso dessas proteínas na alimentação avícola. Um projecto que já decorre e que deverá apresentar as suas conclusões em 2009.

Recordemo-nos que desde 1994, que a Europa declarou proibida a utilização de restos animais na alimentação de outros animais que não fossem omnívoros ou carnívoros (como as vacas). É certo que as galinhas são omnívoros, e logo, a medida não é tão contra-natura como a prática anterior a 1994 de alimentar vacas com vacas. Mas é igualmente certo que o argumento economicista cego que advoga que é “um absurdo não utilizar essas proteínas e deitá-las fora” não colhe, porque elas poderiam ser usadas – por exemplo – na geração de electricidade por biomassa e porque todas as medidas que podem impactar na Saúde colectiva devem ser especialmente ponderadas, especialmente se por detrás elas existem puros argumentos economicistas… E se o problema profundo é alta dos preços dos cereais, porque não atacar directamente este problema, impondo limites estritos ao plantio de biocombustíveis na Europa e nos EUA (onde 60% do milho tem esse destino), travando a especulação bolsista com os preços dos cereais e – como faz agora a Índia – impondo uma moratória na alta dos preços dos cereais?

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/science/2008/may/04/foodtech.food?gusrc=rss&feed=science

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Biocombustíveis: Importar ou Subsidiar?

(http://psdblog.worldbank.org)

“Poucos refinadores europeus conseguirão colocar biodiesel no mercado ao preço do que é refinado na Argentina ou etanol tão barato como o que é fabricado no Brasil com bagaço de cana-de-açúcar. Por isso, já há quem considere que, além das isenções fiscais praticadas na União Europeia para o biodiesel, será preciso passar a subsidiar o “diesel vegetal” adicionado ao gasóleo, para que o seu preço de venda ao público seja “moderado”.
(…)
“Actualmente, uma tonelada de biodiesel custa à saída de uma refinaria portuguesa cerca de 1050 euros, enquanto uma tonelada de gasóleo custa cerca de 586 euros”
(…)
“Além disso, o biodiesel argentino comercializado pelos EUA – o designado Bgg, um biodiesel quase puro a que é adicionada uma parte residual de gasóleo, é vendido na Europa a um preço que ronda os 850 euros por tonelada.”
(…)
“Perante a vontade política de introduzir uma maior componente de biocombustíveis, a única solução para continuar a ter combustíveis mistos ao preço dos refinados fósseis poderá ser subsidiar a compra de refinados vegetais. Se assim não for, o preço final ao consumidor dispara.”
(…)
“Paralelamente, mantém-se a pressão internacional sobre as matérias-primas. Em 2006, o óleo de soja custava 500 dólares por tonelada e agora disparou para os 920 dólares.”
J.F. PALMA·FERREIRA

Expresso, 16 de Fevereiro de 2008

Ou seja, na Europa, a utilização generalizada de biodiesel só poderá ser economicamente viável se houver lugar a uma subsidiação intensa por parte dos governos ou da União Europeia. Mas porque deverá haver lugar a esta subsidiação, dada no articulista como inevitável se esse etanol já é mais barato se fôr importado da Argentina ou do nosso lusófono Brasil? Porque não importar do Brasil, simplesmente? É certo que os custos ambientes e financeiros da importação têm que ser equacionados, mas numa escala comparativa desta grandeza (1050 euros versus 850 euros) os custos do transporte são anulados… e se os custos de emissões forem comparáveis, o que não parece suceder. Dois estudos diferentes, conhecidos em Fevereiro de 2008. Segundo David Tilman um dos autores do estudo: “as emissões do etanol são 93% superiores às da gasolina”. Este estudo publicado na Science referem-se ao Etanol produzido a partir do milho. Outro estudo, coordenado por Timothy Searchinger aponta a na mesma direcção. O segundo estudo aponta claramente o problema no que concerne à desflorestação resultante da conversão desses terrenos para a produção de biocombustíveis ao estimar que seriam precisos 423 anos a produzir biodiesel para anular a dívida de carbono decorrente do abate dessas árvores.

Mas ainda assim, a confirmarem-se estes preços, a solução para o problema dos altos custos do biodiesel não é subsidiar a sua produção na Europa, mas importar de onde este é mais barato (e ecologicamente menos danoso, como sucede no caso da cana-de-açúcar brasileira). Pelo menos enquanto o biodiesel fôr sendo a melhor alternativa aos galopantes preços do petróleo e dos seus derivados… Como parece ser… Pelo menos até se descobrir uma forma económica de produzir hidrogénio.

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Sobre o aumento drástico dos preços dos alimentos, biocombustíveis, multinacionais e… subsídios

(Programa “Right to Food” da ONU in http://www.fao.org/righttofood)

Segundo o presidente da Nestlé, Peter Brabeck, declarou recentemente que o aumento da área de cultivo de milho e trigo para a produção de biocombustíveis está a colocar em risco a produção mundial de alimentos. Brabeck referia-se nesta entrevista ao jornal suíço NZZ am Sonntag que o “objectivo estabelecido por alguns governos de incorporar até 20% de biocombustíveis nos combustíveis actuais iria aumentar a Procura por derivados de óleo, não restando nada para comer“. E Brabeck focou aqui no ponto que julgo ser essencial neste problema: “Conceder subsídios enormes para a produção de biocombustíveis é moralmente inaceitável e irresponsável“, referindo-se obviamente às políticas que nos EUA e na UE pressupões e já subsidiam fortemente essas produções, sacrificando para elas alguns dos campos mais produtivos dos EUA e da Europa… É claro que podemos perguntar porque é que o CEO da Nestlé levanta agora esta questão… E podemos questionar também o seu interesse humanitário, já que a sua multinacional tem garantido boa parte dos seus lucros sobre preços de matéria-prima que estava muito baixos… Nomeadamente açúcar e xarope de milho.

Sem estes subsídios que distorcem o Mercado agrícola, a produção de milho, trigo e soja continua a ser primariamente reservada para alimentos. Com estes subsídios, não só haverá uma tendência dificilmente controlável para a conversão de campos já existentes como para a instalação de novos campos, com o decorrente aumento do consumo de água (um bem cada vez mais escasso, em muitos países do Ocidente) e limitando severamente as produções cerealíferas que hoje partem do Ocidente para o Terceiro Mundo e que são a parte essencial dos alimentos que o PAM (“Programa Alimentar Mundial”) da ONU distribuí nas regiões em Crise ou assoladas por fomes endémicas. De facto, o problema é muito sério na Europa (não me refiro aqui à produção de biocombustíveis no Brasil ou na Argentina) já que segundo um relatório da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda, para cumprir o objectivo de incorporar 10% desses combustíveis será necessário dedicar a essa produção entre 20 a milhões de hectares nos campos europeus! O problema é grave é teve que merecer ao PAM um apelo dramático por fundos de emergência para poder enfrentar este aumento de preços (ver AQUI):

WFP letter of appeal to Government donors to address critical funding gap
The World Food Programme is today issuing an extraordinary emergency appeal to address the critical funding gap in our programmes created by soaring food and fuel prices. We urge your Government to be as generous as possible in helping us to close this gap – which stood at US$500 million on 25 February and has been growing daily. As you know, WFP is charged with meeting the urgent hunger needs of the world’s most vulnerable. We operate across the globe with communities reeling from the shock of storms, drought, conflict or other disasters. Today, we meet the emergency needs of up to three million people a day in Darfur alone, and of 70 million more in up to 80 nations. The price of food and fuel has soared to record levels in recent years, and entered an aggressive pace of increase in June of last year. WFP has taken many steps to mitigate these increases, including making 80 percent of our food purchases – US$612 million – in local and regional markets of the developing world. In 2007 alone, we increased our local purchases by 30 percent. This not only saves on food and transport costs but is a win for local farmers, helping to break the cycle of hunger at its root. But even with our mitigation efforts, the cost of our food purchases has risen 55 percent since June 2007. This decrease in purchasing power led us to announce on 25 February a US$500 million shortfall in our budget for food rations. In the three weeks since that announcement, food prices have increased another 20 percent and such increases show no sign of abating any time soon.” (formulário de doação AQUI)

O PAM é organismo fiável e devemos confiar nele quando refere um aumento a partir de Junho de 2007 de 55% dos preços de alimentos…

O que está por detrás deste fenómeno que começa a criar uma nova série de problemas sociais, por exemplo, no Haiti, onde as forças brasileiras tiveram dificuldades em conter a multidão irada pelo aumento dos preços dos alimentos?

Existem vários factores que estão a concorrer para este aumento de preços generalizado e crescente. Por um lado, o aumento da exploração de milho nos EUA para fins de produção de biocombustíveis está a aumentar consideravelmente o preço deste produto alimentar em mais de 100% (de 2 USDs para 4 USDs, num ano), e decorrentemente, aumentando também o preço da carne, já que as sias rações contêm milho e aumentaram de 82,50 USDs para 91,15 USDs, no mesmo período, a partir daqui toda a cadeia de preços foi afectada, reflectindo-se no preço final ao consumidor de uma série de produtos derivados, incluindo o leite. O mesmo se passa com a soja e o trigo, também por pressão dos biocombustíveis, mas também porque muitos agricultores nos países desenvolvidos estão a abandonar cultivos para alimentos e substituindo-os por campos para biocombustíveis, com esses produtos, ao reduzir assim a produção de alimentos, os que continuam a ser produzidos, pela sua maior raridade, aumentam de preço. A corrida aos biocombustíveis está também a tornar a terra agrícola (que está a reduzir, em todo o mundo) mais rara e a água é também um bem em clara redução e cada vez mais requisitado agora com as novas produções. O Aquecimento Global, e o aumento de tempestades, inundações, furacões, etc que dele resultam estão a destruir colheitas e irá inundar algumas das regiões mais férteis do globo, as quais se situam precisamente em zonas mais baixas, afectando muito intensamente a produção de arroz, da qual dependem centenas de milhões de asiáticos…

A situação é grave e tende a agravar-se ainda mais no futuro próximo. Se no Ocidente é comum, que uma família gaste apenas 10% dos seus rendimentos em alimentos, nos países em desenvolvimento essa percentagem pode ascender aos 80% ou mesmo mais! E assim se compreende a gravidade que pode ter para essas familias o aumento do trigo em 130% ou do milho em 100%… Implicará necessariamente ter que comer metade do que se comia em 2007, simplesmente.

Jean Ziegler, um perito das Nações Unidas para o programa “Right for Food” pediu uma moratória de cinco anos sobre todas as iniciativas para desenvolver a produção de biocombustíveis de forma a impedir aquilo que avalia como poderem vir a ser uma “terrível escassez de alimentos”.

Mas embora a produção de biocombustíveis seja um factor que está a contribuir para o aumento dos preços dos alimentos, não devemos sobrevalorizar este factor, como começa agora a ser moda nalguns círculos. O seu peso é sensível, mas não é o mais importante. Estima-se, por exemplo, que somente 2% da produção de trigo no mundo seja usada para biocombustíveis e os acidentes naturais nos países exportadores (nos EUA, nomeadamente) estão a reduzir muito mais a produção do que a conversão dos campos para biocombustíveis.

Por fim, não gostaria de concluir este texto sem deixar uma pergunta: Será que este aumento do preço dos combustíveis não existe também porque nos últimos 20 anos os preços dos mesmos desceram a patamares insuportáveis para os produtores, levando muitos a falirem e a venderem os seus terrenos às multinacionais agrícolas? Será que agora que estas multinacionais – como a Monsanto – controlam a produção de alguns destes alimentos estão a combinar preços entre si e a subirem artificialmente os preços?

Fontes:
http://www.physorg.com/news125509418.html http://news.yahoo.com/s/afp/20080323/sc_afp/switzerlandenergyenvironmentcompanynestlefood_080323204158 http://www.energy-daily.com/reports/World_cooling_on_biofuel_solution_to_climate_change_999.html http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2007/06/14/AR2007061402008.html
http://www.fao.org/righttofood/

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Será mesmo boa ideia incorporar 10% de biombustíveis?


(http://www.bendbiofuels.com)

Embora sejam frequentemente citados como uma solução para o Aquecimento Global, e como tal, sejam sujeitos a pesados subsídios nos EUA e na UE, os quais pretendem multiplicar o seu uso como combustíveis, crescem as indicações provenientes da comunidade científica de que, do ponto de vista ambiental, os biocombustíveis não são uma forma eficiente de reduzir as emissões de gases com Efeito de Estufa e que, efectivamente, podem até vir a ser tão ou mais caros que os combustíveis fósseis tradicionais…
Essas foram as conclusões de um painel de cientistas reunido pelo parlamento britânico (o “The Environmental Audit Committee“). Os cientistas além de não identificarem os biocombustíveis como uma forma de reduzir as emissões de CO2, afirmaram ainda que estas emissões podiam ser reduzidas e os recursos gastos em promover os ditos poderiam ser mais eficientes se fossem realizados outros tipos de investimentos. Isto para além do facto insofismável de que o desvio de campos de cultura para estas produções está a criar um aumento generalizado dos bens alimentares e, logo, um consequente e proporcional agravamento das condições de vida das populações mais pobres do mundo. Isto quer dizer que a política europeia de apostar fortemente nos biocombustíveis pode ser prejudicial não só no que respeita ao severo agravamento dos preços de alimentos (milho, sobretudo), mas até no aspecto ambiental. Assim, o objectivo de incorporar até 10% de biocombustíveis até 2020 pode ter um impacto muito negativo… especialmente se não forem tomadas medidas que impeçam a transformação de zonas de floresta em campo de cultivo para biocombustíveis ou mesmo campos agrícolas actuais. É que a aplicação pura e simples destas decisões vai produzir necessariamente uma de coisas: ou o abate de mais florestas ou a conversão de campo agrícolas ocupados hoje com produção de alimentos e uma ou outra opção serão muito negativas!…

O curioso é que este painel britânico, o The Environmental Audit Committee recomendou que os biocombustíveis fossem usados não em transportes – como recomenda a UE – mas em aquecimento de edifícios, algo que julga ser energeticamente muito mais eficiente… Em suma: os biocombustíveis retiram espaço de floresta… reduzem a área cultivada para alimentos, e logo, aumentam e muito o consumo de água e os níveis de poluição química nos solos, aumentam os preços, representam (segundo este painel) um investimento ineficiente e… segundo alguns estudos aumentam até as emissões de CO2 ! (ver AQUI)… Sei que os nossos irmãos brasileiros acreditam que tal sucede porque nos EUA esses biocombustíveis são fabricados a partir do milho e não da cana do açúcar, mais eficiente e não subsidiada… mas… as restantes objecções ficam válidas, mesmo se excluirmos essa da eficiência energética.

Fonte:
News.bbc.co.uk

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A Amazónia perde 7 mil Km2 em apenas 5 meses !… e Furacões no Brasil

Amazónia
(Imagem de satélite da Amazónia in http://www.cnpm.embrapa.br)

A Amazónia continua perder cada vez da sua cobertura florestal, verdadeiro pulmão do mundo e… derradeiro travão contra o Aquecimento Global. Com efeito, o governo Lula da Silva anunciou uma taxa recorde de deflorestação nos últimos cinco meses de 2007, com uma perda total superior a mais de três mil quilómetros quadrados. A proporção do desastre é inaudita, admitindo Gilberto Câmara do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial brasileiro: “nunca vimos antes tamanha desflorestação neste período do ano” (BBC ).

Mas na verdade, a informação da BBC está errada!… Uma vez que nesta se fala dos supracitados: In the last five months of 2007, 3,235 sq km (1,250 sq miles) were lost.”, mas no site do INPE se pode ler – na fonte original – que a escala do problema é afinal ainda maior! “Estimativa baseada no Sistema DETER – Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta que o desmatamento na Amazônia pode ter atingido 7.000 km2. A maior parte dos desmatamentos se concentra nos estados de Mato Grosso (53,7%), Pará (17,8%) e Rondônia (16%). Os novos desmatamentos detectados pelo DETER entre Agosto e Dezembro de 2007 somaram 3.235 km2. Nos anos recentes, a área mapeada pelo DETER representou entre 40% a 60% do que é registrado pelo PRODES, nosso sistema que faz o cálculo anual detalhado da área desmatada. Deste modo, o INPE considera que entre agosto e dezembro de 2007 o desmatamento é da ordem de 7 000 km2, com uma variação para mais ou para menos de 1.400 km2″

Sendo assim, a escala da devastação é ainda maior e a área afectada já se aproxima de uma décima parte da área total de Portugal continental! E isto em apenas cinco meses!

O que se está a passar no Brasil que está a provocar esta devastação de proporções apocalípticas? O preço da soja, e o crescente interesse do mundo e do próprio governo Lula da Silva pelos biocombustíveis pode estar a levar os agricultores das regiões mais afectadas (Mato Grosso, Pará e Rondônia) a conquistar terreno à floresta virgem. A escala deste problema expõe também o gritante fracasso das medidas anunciadas por Lula da Silva em 2005 em que prometia um conjunto de medidas para reduzir a desflorestação e o abate ilegal de árvores (ver AQUI). Na época, o pacote de medidas era uma resposta de urgência a um recuo da Amazónia de mais de 26 mil km2, entre Agosto de 2003 e Agosto de 2004 (1/3 de Portugal). O desaparecimento da Amazónia está a contribuir para o Aquecimento Global, já que sendo esta a maior mancha florestal do mundo, é o maior meio de absorção de CO2 do planeta, e além do mais um importante centro regular do próprio clima na região… A sua redução, acelera a rapidez do fenómeno do Aquecimento Global, e de facto, uma das formas que o Homem poderia ter para travar a progressão desta ameaça poderia ser multiplicar a plantação de árvores e a recuperação de florestas. Contudo, a pressão provocada pelo esgotamento do petróleo que leva ao aumento da produção de biocombustíveis (menos) e a grande procura de soja no mercado internacional (mais) está não a contribuir não para o combate ao Aquecimento Global, mas a intensificar ainda mais os seus assassinos efeitos! E estes estão muito mais próximo do próprio Brasil do que se pensa… Não falo aqui da fatidicamente famosa seca do Nordeste, mas da inédita aproximação de furacões à costa brasileira (ver AQUI), anunciando que agora… até o Brasil está na rota dos furacões.

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