Posts Tagged With: aquecimento global

O Ciclo Solar engasgou

(Manchas Solares em http://www.ciencia-cultura.com)

As Manchas Solares são regiões mais escuras do Astro Rei que podem ser tão grandes que caberiam nelas dez planeta Terra. As Manchas Solares são a expressão mais visível do magnetismo solar e no dito “máximo solar” ou seja no pico de atividade magnética do Sol desencadeiam na superfície do Sol tempestades com protuberâncias com velocidades superiores a 100 km por segundo. Após esta época de turbulência, o Sol entra num período de tranquilidade. Ora, depois da sua última época calma, a superfície do Sol continua calma. O primeiro ciclo solar registado pelo Homem data de 1761, mas é possível seguindo fontes mais antigas, recuar até pelo menos 1610.

O problema é que o ciclo atual não deu ainda ares da sua graça. Supostamente, o ciclo devia ter começado em começos de 2008, mas tal de facto, ainda não aconteceu. Alguns astrónomos vieram depois dizer que o novo ciclo solar iria afinal começar em 2009. Mas parecem ter também falhado… De facto, o ciclo já começou em janeiro de 2008 como indicam as observações da inversão da polaridade do campo magnético das raras regiões ativas que hoje existem no Sol.

O satélite europeu Ulysses mediu uma queda superior a 20% da pressão do vento solar desde os anos 90, uma diminuição de 0,02% da radiação solar desde 1996. Não nos preocupemos, contudo, excessivamente: o Sol continua a ser uma estrela muito estável, especialmente se comparada com outras. E vai continuar a ser estável durante mais 4 ou 5 biliões de anos. Mas o ciclo de inversão de polaridade do campo solar de onze anos que consiste no transporte progressivo de gás magnetizado do equador para os polos está agora a acontecer com uma intensidade anormalmente baixa, isso é certo, e a ter um inesperado (e positivo) no Aquecimento Global, dando à Humanidade um bónus inesperado que esta tem que aproveitar. O trabalho de dois cientistas norte-americanos: Mattew Penn e William Livingstone indica que se a tendência atual de queda de temperatura das manchas solares continuar, já em 2015, todas as manchas poderão ter desaparecido definitivamente do Astro Rei e as próximas gerações não as verão mais.

Fonte:
Science & Vie, novembro de 2009

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Sobre a tremenda massa mundial de… pcs ligados sem fazerem nada e do seu impacto no clima

Estima-se que existam em todo o mundo centenas de milhões de computador permanentemente ligados, mas sem qualquer uso… Esta massa de computadores irá emitir em 2009 mais de 20 milhões de toneladas de CO2, ou seja, a mesma quantidade de carbono emitida por quatro milhões de automóveis, segundo as ONGs 1E e “Alliance to Save Energy“. No total, as empresas e organismos do Estado irão gastar mais de 2,8 biliões de dólares para manter ligados perto de 108 milhões de computadores que não são usados.

Ainda há o mito de que ligar e desligar um pc ou servidor consome mais energia do que tê-lo sempre ligado. Outro mito, diz que isso reduz a vida útil e a fiabilidade dos seus componentes. Na verdade, nem um nem outro têm fundamento e são puros “hoax” ou “mitos urbanos” ao contrário do impacto de os manter sempre ligados a qual é bem mensurável e pode ser observada todos os meses nas contas de eletricidade… Nos EUA e naturalmente, por cá também.

Quantos pcs nestas condições tem você em casa ou no emprego?…

Fonte:
http://hardware.slashdot.org/article.pl?sid=09/03/26/0355241&from=rss

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Biocarvão e Bio-óleo: Duas promessas ecológicas

Uma das formas mais simples e eficientes para combater o Aquecimento Global poderá ser a multiplicação do uso de “biocarvão”. Os agricultores podem ser instruídos e fiscalmente incentivados a produzir “biocarvão” a partir da biomassa que produzem nos seus campos. De forma idêntica, podem ser localmente fabricados – pelos próprios agricultores – “fertilizantes de carvão” que podem melhorar a fertilidade natural de vários tipos de solos. Se estas medidas se generalizarem centenas de milhões de toneladas de biomassa que não são aproveitadas todos os anos poderão gerar riqueza para esses agricultores e impedir a dissipação para a atmosfera de milhões de toneladas-ano de CO2.

O “biocarvão” é um resíduo rico em carbono que pode ser produzido facilmente a partir de técnicas com milhares de anos de existência e que podem ser tão simples como a cobertura de uma massa de resíduos vegetais com uma camada de terra e deixando-a decompor até ao uso de tecnologias sofisticadas como o “processo de pirólise”. Os métodos de combustão e decomposição tradicionais emitem todos os anos grandes quantidades de CO2 para a atmosfera contribuindo de forma muito significativa para o Aquecimento Global. O “biocarvão” pode conservar uma parte desse CO2 no solo, reduzindo o Aquecimento Global e melhorando a fertilidade dos solos aumentando a quantidade de nutrientes que podem ser usados pelas plantas, retendo mais água e reduzindo o uso de fertilizantes químicos de consequências tantas vezes nefastas para o meio ambiente local. Adicionalmente, o seu produto pode ser usado como fonte de energia local, autónoma e eternamente renovável.

O método tecnologicamente mais evoluído conhecido como “pirólise” ainda é mais promissor. De igual forma aos métodos tradicionais, permite processar os resíduos agrícolas, desperdícios de madeira e resíduos urbanos produzindo energia limpa na forma de biocarvão, bio-óleo ou gás.

Existem dois métodos industriais de pirólise: o rápido e o lento. No lento, são necessárias varias horas para produzir carvão, no rápido apenas alguns segundos bastam, mas a produção de biocarvão é de apenas 20% do total da matéria processada, enquanto que no primeiro é de 50%. No processo rápido uma temperatura muito alta exige uma alimentação de biomassa constante e regular, assim como um pré-processamento que a reduz a pequenas partículas de tamanho uniforme.

O bio-óleo é um líquido cinzento escuro com uma composição idêntica à da biomassa. É composto de uma mistura muito complexa de hidrocarbonetos oxigenados com uma densidade muito superior à da madeira. Esta compressão permite reduzir o espaço de armazenamento e os custos de transporte e usar este material para combustões lentas. O bio-óleo não é contudo adequado a combustões rápidas, como aquelas que ocorrem nos motores de combustão que utilizam biocombustíveis “tradicionais”.

Fontes:
http://news.mongabay.com/2008/1217-zafar_biochar.html
http://e-geonews.blogspot.com/2008/12/biocharcoal-helps-check-global-warming.html

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Efeitos do SPAM no… Aquecimento Global

Segundo um relatório publicado pela McAfee, só no passado ano de 2008, o correio não-solicitado (spam) terá alcançado a astrónomica quantidade de… 62 triliões de mensagens de spam! Um tal volume tem muitas consequências, desde milhões de horas perdidas a ler estas mensagens, ao custo de sistemas de anti-spam para impedir a sua entrada até – sobretudo – a consequências mais ou menos imprevistas quanto ao Aquecimento Global. A empresa de segurança informática avalia que a energia despendida pelo envio destas mensagens seria suficiente para alimentar 2,4 milhões de residências durante o ano. Obviamente, esta energia está a enviar CO2 para a atmosfera, já que a maioria das fontes de energia elétrica do mundo emitem CO2.

A McAfee estima que cada mensagem de spam emite 0,3 gramas de gases com efeito de Estufa, pouco, é certo… mas há que multiplicar este valor por 62 triliões… algo que resulta assim na emissão de 17 milhões de toneladas métricas de CO2, ou seja, 0,2% de todas as emissões mundiais! A McAfee estima que 80% destas emissões sejam consumidas quando no computador que recebe o spam este é lido, identificado e apagado. Estas operações levam em média 3 segundos e assim ao multiplicarmos esse tempo por 62 triliões chegados ao tempo total despendido de mais de 180 triliões de segundos consumidos por ano, no mundo, a deitar fora spam! Felizmente, que na maioria das organizações começa a ser comum encontrar sistemas antispam, filtrando e rejeitando os 90% de correio eletrónico que se estima hoje serem spam, ainda assim, essa atitude é rara nos utilizadores particulares, razão pela qual o impacto do spam no Aquecimento Global é ainda tão sensível.

Fontes:

http://abcnews.go.com/Technology/GlobalWarming/Story?id=7343518&page=

http://www.carbonfund.org/

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Fertilizando os oceanos para reduzir o Aquecimento Global

(O quebra-gelos alemão Polarstern in www.awi.de)

(O quebra-gelos alemão Polarstern in http://www.awi.de)

Existem duas abordagens para lidar com o problema do Aquecimento Global: reduzir as emissões, ou reduzir o impacto das mesmas. Bem, de facto, há três opções, se contarmos com a “negação fantasista” dos neoliberais do Blasfémias para sermos mais exatos… Mas regressemos ao foco deste artigo, e abordemos um interessante projeto conjunto entre a Alemanha e a União Indiana que realizarão uma experiência de fertilização dos mares do Atlântico Sul através do lançamento de ferro, o qual, espera-se, deverá favorecer o desenvolvimento de microalgas capazes de absorver CO2 da atmosfera e, assim, reduzir os efeitos perniciosos do Aquecimento Global.

O projeto foi designado como “Lohafex”, um neologismo decorrente do cruzamento das palavras indianas para ferro “loha” e das inglesas “Fertilization EXperiment” e tem como objetivo avaliar a praticabilidade de tais lançamentos, assim como a sua eficácia. O navio está já a lançar as seis toneladas de ferro dissolvido que transporta nos mares do sul e os cientistas indianos, alemães, italianos, espanhós, britânicos, franceses e chilenos que estão no navio oceanográfico “Polarstern” estão já a registar os efeitos da experiência.

Existem atualmente outros projetos em estudo que procuram também combater por formas “técnicas” ou científicas o Aquecimento Global. Alguns já propuseram o lançamento de milhares de espelhos para órbita terrestre que poderiam deflectir a radiação solar e assim permitir que a Terra dissipasse lentamente o seu calor em excess. Como os espelhos poderiam incluir alguma forma de controlo remoto, poderiam ser ligados e desligados a comando e assim possibilitar um controlo quase absoluto do sistema, algo que não garante nem um outro projeto semelhantes que é o que colocar centenas de toneladas de poeira reflectiva na alta atmosfera nem este projeto de fertilização de algas. Qualquer um dos três projetos poderá ter consequências imprevisíveis no clima e na ecoesfera terrestre, a qual depende de um conjunto complexo de equilíbrios que o Homem tem vindo a perturbar nas últimas décadas com uma intensidade crescente. Estas tentativas de correção poderão ser perigosas e introduzir no sistema uma ainda maior imprevisibilidade, como prevê aliás a Teoria do Caos mas… será que ainda temos tempo para hesitar?

Fontes:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1356975&idCanal=13

http://www.lohafex.de
http://www.guardian.co.uk/environment/2007/jan/27/usnews.frontpagenews

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Produzindo eletricidade a partir do… alcatrão

Uma das ideias mais originais dos últimos tempos, foi a que esteve na base do trabalho de uma equipa de investigadores do “Instituto Tecnológico de Massachusetts” e que consiste na produção de energia a partir do… calor do asfalto. O calor, resultante do aquecimento por via dos raios solares penetra no alcatrão e aquece uma rede de tubos de água instalada sob estes, produzindo assim energia elétrica. O sistema, apresentado no “International Symposium on Asphalt Pavements and Environment” realizado recentemente em Zurique consegue ser aparentemente mais eficiente em aquecer água do que os painéis solares convencionais. De facto, estradas e parques de estacionamento passam a maior parte do tempo expostos à luz do Sol e o asfalto permanece quente, mesmo muitas horas depois do Sol se ter posto.
Mais uma ideia simples e original desencadeada pela pressão desencadeada pela tomada de consciência do problema do Aquecimento Global…
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A “Internet dos Carros” proposta pela União Europeia

(Um carro do futuro… com Internet? in http://cache.jalopnik.com)

A Comissão Europeia reservou no continente uma parcela do espectro de rádio para comunicações entre veículos automóveis. O objetivo é reduzir o número e a escala de acidentes de viação, assim como reduzir os engarrafamentos de trânsito nas grandes cidades. A ideia é criar uma plataforma para que empresas europeias possam desenvolver sistemas de comunicação entre veículos que usem tecnologia wireless para que estes veículos possam trocar mensagens uns com os outros e receber e enviar mensagens para a infraestrutura rodoviária.

Um tal sistema criaria uma “internet dos automóveis”, alertando os condutores para acidentes que tenham ocorrido quilómetros para adiante na estrada onde seguem, poupando horas em intermináveis filas ou poupando combustível com o inevitável pára-arranca e reduzir os consequentes “acidentes secundários” que ocorrem aos milhares todos os anos pela Europa fora, quando alguém abranda para ver um acidente ocorrido à sua frente. O mesmo sistema poderia também regular a atividade dos semáforos em cruzamentos muito concorridos, programando-os em função da quantidade de veículos em cada fila automóvel. Economicamente, os custos da instalação de um tal sistema pelas estradas europeias serão tremendos, evidentemente.

A reserva será feita em todos os países da União Europeia e pode ter um impacto muito significativo também na “pegada de carbono” já que a Comissão estima que os europeus passem em média cerca de 24% do seu tempo enquanto condutores em engarrafamentos de trânsito, o que corresponde a um custo anual de 80 biliões de euros (o mesmo custo daquela babilónica basílica em Fátima).

Fontes:

http://www.futurenergia.org/ww/pt/pub/futurenergia/chats/carbon_imprint.htm

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Aquecimento Global: Idade do Gelo ou… Idade do Gelo: Aquecimento Global?

Num comentário o nosso comentador  M4Jor deixou a pergunta:
“Se desde 1850/1900 já deveríamos estar em declínio na temperatura devido ao ciclo da idade do gelo (deveríamos ter temperaturas muitíssimo mais baixas), que já deveriamos estar a iniciar, o aquecimento global, apesar de prejudicial, não nos tem safado de temperaturas negativas, ou à geração seguinte?

Essa pergunta também já rondou aqui a mente do dito redactor e merece uma boa resposta, que tentarei dar na escassa medida das minhas capacidades e conhecimentos…

Existem sinais de que se possa estar a instalar uma espécie de “Idade do Gelo“. No ano passado o “U.S. National Climatic Data Center” (NCDC) reportou que muitas cidades da América do Norte tinham registado temperaturas frias recorde no começo desse ano, de facto, as temperaturas médias dessas cidades eram inferiores em 0,3 graus F à média de 1901-2000. E extremos semelhantes foram também registados nalgumas regiões da China. Estes dados foram apresentados por Gilles Langis, do “Canadian Ice Service” de Ottawa ao Senado dos EUA em 2008 e marcham contra a maioria da opinião dos climatologistas, defendendo que o gelo do Ártico, em vez de estar a recuar, pelo contrário, nalguns sectores está 10 a 20 cm mais grosso que no ano passado… É verdade que em muitos locais do mundo se registaram neste ano temperaturas baixas recorde: em Bagdad nevou, a China registou o inverso mais frio dos últimos cem anos e nos EUA, nevou como não nevava há mais de 50 anos, em muitos Estados… Nesta visão da situação, os gelos do Oceano Glacial Ártico estariam aos níveis mais baixos jamais registado apenas porque estes registos datam apenas de 1972, havendo além do mais provas históricas e geológicas de recuos da camada gelada em tempos anteriores e a níveis ainda mais intensos que os atuais. Do lado da Rússia, o professor Oleg Sorokhtin é de opinião de que o incomum (mas não raro) atraso no surgimento de manchas solares e de um novo ciclo solar poderia significar que estávamos perante um novo ciclo de arrefecimento do nosso Astro Rei, uma vez que da última vez que o Sol passou por um tal período de redução de atividade, na Terra tivemos que enfrentar com a dita “Pequena Idade do Gelo” de 1850, com colapsos de colheitas um pouco por todo a lado, fomes generalizadas e problemas sociais diversos. Nesta opinião, o professor russo é secundado por outros astrónomos especializados na investigação do Sol, como o norte-americano Kennet Tapping do “National Research Council” do Canadá. É claro que os dados que apontam para esta nova “Idade do Gelo” são ainda frágeis e escoram-se fundamentalmente nos dados recolhidos em 2007, os quais contradizem os dos anos anteriores. Ou seja, ainda é cedo para deitarmos no caixote do lixo das “especulações infundadas” o Aquecimento Global e passarmos a acreditar numa nova tragédia global, a da “Idade do Gelo”. É cedo, porque por exemplo, existem estudos como os de Robert Toggweiler do “Geophysical Fluid Dynamics Laboratory” de Princeton e de Joellen Russell da Universidade do Arizona que conceberam modelos de computador climáticos que indicam que o derretimento dos gelos polares vai arrefecer os oceanos, interromper a circulação das águas mais quentes, no Equador até às latitudes mais elevadas e desencadear assim uma nova “Idade do Gelo”. Ou seja, ambos os grupos têm razão. Sendo que assim, o “Aquecimento Global”, induzido pelo Homem ou não, irá ter como consequência um dano profundo no equilíbrio térmico do planeta e desencadear uma nova Idade do Gelo.

É um facto que na história geológica do planeta e até do Homem, o período atual corresponde a um “periodo interglacial”, isto é, a um período entre duas glaciações. Os gelos do norte já estiveram muito mais a Sul e irão regressar, algures num tempo futuro. A questão está em saber se estamos ou não nas vésperas desse futuro que parece ser determinado em grande medida pela redução da atividade solar, que agora alguns especialistas receiam estar a começar a verificar-se.

Sabe-se que a chamada “Corrente do Golfo” (“Gulf Stream”) que banha o noroeste da Europa com águas quentes que vêm das Caraíbas induz nestas regiões temperaturas muito mais altas do que aquelas que seriam de esperar encontrar nestas latitudes e explica o contraste da vegetação entre a relativamente verde Noruega e a quase árida península canadiana do Labrador. Estima-se que graças à “Gulf Stream”, as temperaturas sejam cinco graus mais elevadas do que seriam sem a dita… Ou seja, os mesmos cinco graus que a temperatura destas regiões desceu nas últimas duas “mini idades do Gelo”, no século XVIII e XIX. E há qualquer coisa como há dez mil anos atrás, a corrente enfraqueceu tanto que as temperaturas destas regiões desceram mais de dez graus centígrados e, por exemplo, a maioria do Reino Unido tornou-se num deserto gelado, e isto porque a “Corrente do Golfo” tinha apenas menos 30% da sua força atual… Ora, a maioria dos modelos teóricos do Aquecimento Global apontam precisamente para uma consequência notável: o enfraquecimento da “Corrente do Golfo” pelo derretimento de extensas secções de gelo flutuante no Ártico e pelo derrame de imensos caudais de água fria no Atlântico norte, um processo que segundo todas as evidências está já a ocorrer neste Verão e que vai colocar perante as águas quentes da “Corrente do Golfo” uma gigantesca massa de água fria que vai inevitavelmente (por transferência termodinâmica) a temperatura da primeira massa de água. Estudos noruegueses, conduzidos pelo professor Bogi Hansen indicam que a água que retorna às Caraíbas desceu em volume 20% desde 1950, o que parece querer dizer que este movimento de arrefecimento ocorre há muito mais tempo do que se pensava inicialmente.

Os climatólogos sabem que em cada cem mil anos, a Terra atravessa um período glacial, uma “Idade do Gelo”, com os acima indicados períodos “interglaciais” que demoram entre 15 a 20 mil anos, dentro de um dos quais nos encontramos nós, atualmente. Sabendo que estamos já há perto de 18 mil anos no último destes períodos interglaciais, então, teoricamente, devíamos estar a aproximar-nos a passo acelerado da próxima glaciação, mesmo sem o “empurrão” que está agora a ser dado pelos efeitos do Aquecimento Global na “Corrente do Golfo”. Na década de setenta, o climatologista Stephen Schneider do “National Center for Atmospheric Research” dos EUA declarou que estávamos à beira de uma nova Idade do Gelo devido à poluição atmosférica e ao bloqueio dos raios do Sol provocado por ela. Schneider baseava-se na conhecida redução das temperaturas médias que se registava desde 1940. Contudo, pouco tempo depois deste aviso de Schneider, as temperaturas começaram a subir e os receios de que estivessemos perante uma nova Idade do Gelo transformaram-se no receios de um “Aquecimento Global”. Ou seja, o mesmo fenómeno, a poluição atmosférica que por via do bloqueio dos raios solares poderia antecipar ou intensificar a próxima Idade do Gelo, estaria agora (a partir da década de 80) a criar um Aquecimento Global, por via do Efeito de Estufa.

M4jor: sei que ainda não respondi cabalmente ao teu pedido… mas mais posts virão…

Fontes:
http://www.guardian.co.uk/environment/2003/nov/13/comment.research
http://www.sciencemag.org/cgi/content/summary/304/5669/400
http://www.geocraft.com/WVFossils/ice_ages.html
http://www.nationalpost.com/opinion/columnists/story.html?id=332289
http://www.csmonitor.com/2004/0318/p13s01-sten.html
http://epw.senate.gov/public/index.cfm?FuseAction=Minority.Blogs&ContentRecord_id=5ceaedb7-802a-23ad-4bfe-9e32747616f9
http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrente_do_Golfo
http://www.ncar.ucar.edu/

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Sobre a proposta da semana de trabalho de 4 dias (e 10 horas diárias)

(Isto… mas apenas 4 vezes por semana in http://www.bl.uk)

Os problemas colocados às economias nacionais e familiares pelo aumento imparável e explosivo do preço dos combustíveis, a pressão que o aumento de produção de cereais para biocombustíveis contra o preço dos alimentos, e o próprio problema das emissões de CO2 e do seu impacto para o Aquecimento Global deviam estar a levar a uma reflexão global sobre aquilo que todos e cada um de nós poderia fazer para contribuir para a solução destes problemas.

Neste sentido, reduzir os nossos padrões de consumo não pode deixar de ser um passo incontornável e neste contexto, reduzir o consumo familiar de combustíveis fósseis. Nos Estados Unidos ganha força um movimento espontâneo para mudar a forma como funciona a economia americana… Algumas pequenas empresas estão a mudar a sua semana de trabalho para semanas de quatro dias e para dias de trabalho de dez horas cada. Desta forma, as empresas conseguem reduzir custos de funcionamento, os funcionários passam mais tempo com a família (fins de semana de três dias), patrões e empregados gastam menos dinheiro em combustíveis e tempo em filas de trânsito e o próprio país pode reduzir as importações de petróleo e os níveis de emissões de CO2 e de poluição atmosférica.

Este noção nasceu não agora, mas na década de 70, como resposta ao primeiro Choque Petrolífero. Na altura, a ideia chegou a ser adoptada por algumas empresas norte-americanas, mas hoje, com os preços do barril de crude a baterem até esses recordes de há 40 anos e com a urgência provocada pela emissões de CO2 no Aquecimento Global, a ideia torna a ganhar relevância e deve merecer a todos nós uma maior reflexão… Na Internet há hoje já várias petições que defendem uma semana de trabalho de quatro dias e algumas cidades do Nevada e da California começaram já a fazer os seus primeiros ensaios nesta direcção… A escala de poupança global potencialmente contida nesta proposta é notável: trabalhar 4 dias em vez de 5 implica uma redução de 20% das viagens de e para o trabalho, quer estas sejas feitas em transportes públicos saturados ou em veículos individuais. Há estimativas apontam para que esta medida possa cortar até 65 milhões de GALÕES de gasolina por cada dia… Ou seja, vários milhões de euros e muitos ziliões de dólares ao preço a que o câmbio euro-dólar está hoje…

A medida parece simples e razoável. Alguns poderão argumentar que um dia de trabalho de dez horas pode levar a uma maior taxa de erros – alguns dramáticos e fatais – especialmente quando o trabalhador de aproxima mais do fim desse período proposto de dez horas de trabalho diárias, mas esse problema pode ser controlado pelo estabelecimento de pausas frequentes ao longo dessas horas e evitando trabalhos e tarefas repetitivas… De qualquer forma, os ganhos potenciais desta adopção da semana de trabalho de 4 dias são tremendos: poupanças para as empresas, poupanças para os trabalhadores, aumento do tempo dedicado à família, redução das importações de petróleo e das emissões de poluentes e de CO2… Contudo, adoptar isoladamente uma tal jornada semanal de trabalho pode representar para a empresa adoptante algumas dificuldades. Desde logo, o quadro legal não é suficientemente flexível para o comportar, e além do mais as empresas que são parceiras ou clientes ou até os próprios clientes directos da empresa não estariam em necessária sintonia com esta alteração. Um e outro factor poderiam perturbar o bom curso da empresa que adoptasse o regime de 4 dias de trabalho e potencialmente poderiam produzir até uma quebra da sua actividade económica e do seu rendimento. A medida teria assim que ser aplicada com alguma moderação e contenção… mas se fosse adoptada por um município ou até a nível nacional, a maioria dessas potenciais desvantagens desapareceriam já que todos, nessa área geográfica, cumpririam as mesmas 10 horas, durante os mesmos 4 dias e obterse-iam todos os benefícios da medida, sem pagar por nenhum dos seus prejuízos. É pois, o tipo de medidas ideais para serem adoptadas a nível de uma autarquia, tivessem elas a autonomia bastante para as tomarem, que não têm, neste nosso Estado infelizmente tão centralista…

Fonte:

http://www.msnbc.msn.com/id/24355274/

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As emissões de gases de Efeito de Estufa nos 27 países da União Europeia cairam 7,7% entre 1990 e 2006


(http://www.smartplanet.com)

As emissões de gases de Efeito de Estufa nos 27 países da União Europeia cairam 7,7% entre 1990 e 2006, declarou recentemente a Agência para o Ambiente da União Europeia. Se a UE conseguir manter este ritmo, conseguirá cumprir as promessas de Kyoto de reduzir as emissões destes gases em 8% antes de 2012.

Em toda a Europa têm aumentado as emissões de CO2 provenientes da exploração de carvão para fins de produção de eletricidade (especialmente devido à Polónia), mas as emissões globais de CO2 estabilizaram e houve sérias reduções nas emissões de outros gases de Efeito de Estufa, o que produziu um efeito total de estabilização em 2006. De entre os 27 Estados-membros, a Dinamarca e a Finlândia foram os países que contrariam esta tendência, com aumentos de emissões entre os 10% e os 17%, também por causa do aumento da queima de carvão.

Os maiores ganhos foram obtidos nas emissões provenientes da indústria química, que está a deslocalizar a sua produção em praticamente todos os países europeus.

Recordemo-nos de que a União Europeia assumiu, para além do Protocolo de Kyoto, o compromisso de reduzir as suas emissões em 20% em 2020, impondo a si própria um limite ainda mais exigente do que o acordado na cidade japonesa.

Portugal está claramente entre os piores países europeus, estimando-se que aumente as suas emissões em mais de 40% até 2012, sendo na altura o maior poluidor europeu, um fruto dos aumentos registados no nosso país desde 2005 e só os recentes investimentos em Renováveis poderão estancar parcialmente… Em que grau? Saberemos em 2012… Se ainda estivermos acima do nível do mar, claro.

Fonte:

http://www.physorg.com/news133237054.html

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Um estudo britânico defende que o comboio é a forma mais ecológica de viajar


(O Shinkansen, o famoso “Comboio Bala” japonês in http://inventorspot.com)

Um dos temas favoritos dos nossos “competidores blogoesféricos” do Blasfémias (agora também ele migrado para o WordPress) tem sido a defesa do transporte rodoviário contra o comboio… (sim, causas absurdas não rareiam por estas neoliberais bandas). Ora, um estudo recente do “Institution of Mechanical Engineers (IMechE)” britânico conclui que o governo do Reino Unido deve mudar rapidamente as suas políticas quando aos preços de energia e dos transportes, assim como o planeamento urbano.

Cliff Perry, o vice-presidente do Instituto afirma na apresentação das conclusões do estudo que “85% das emissões de transportes surgem nas estradas e se estamos mesmo a ser sérios sobre a fazer alguma [contra o Aquecimento Global] temos que atingir o transporte rodoviário”. E isto num momento em que uma parcela crescente das mercadorias transportadas na Europa recorre precisamente a esta forma de transporte e que o transporte de mercadorias por via ferroviária decresce em praticamente todos os países europeus!…

Os defensores neoliberais do transporte rodoviário têm baseado as suas posições em questões que se prendem com a eficiência dos motores, o número de pessoas em cada composição ferroviária e, sobretudo, na forma como a electricidade é gerada para fundamentarem as suas posições contra o transporte ferroviário de mercadorias e passageiros, mas o estudo do ImechE indica que numa viagem média de Londres até Paris um carro vai emitir duas vezes e meia mais CO2 do que um comboio, enquanto que um avião vai emitir a módica quantia de… Dez vezes mais CO2! Estes valores, que calculam a “pegada de carbono” de cada passageiro transportado nestes meios indicam que a aposta dos governos deviam assentar no transporte ferroviário e renova a motivação ecológica para apostar na Alta Velocidade contra a expansão dos aeroportos existentes (como o de Heathrow) ou pela construção de novos e dispendiosos novos aeroportos (como o de Alcochete). A opção mais razóavel, em termos climáticos, devia ser estancar o crescimento do tráfego aéreo (impondo quotas de voo e travando novos aeroportos e pistas), aumentar a carga fiscal sobre o transporte rodoviário individual e de mercadorias e usar as verbas cativadas desta última forma para investir nas redes ferroviárias urbanas (para transporte individual) e nas redes de alta velocidade (para substituir os voos de médio e curto curso). O mesmo estudo sublinha que para além de emitir por passageiro menos CO2 do que qualquer outra forma de transporte de massas, o comboio eléctrico é também de per si menos danoso, porque a energia que o alimenta provêm geralmente de fontes energéticas de baixa pegada de carbono… Uma frase que no Reino Unido significa “Energia Nuclear”… Mas que em Portugal significa “Energia Eólica” e “Hídrica”.

É claro que no caso concreto do país deste estudo muito há a fazer para devolver as pessoas aos comboios… O processo de privatização generalizado registado na década de 90 nesse sector no Reino Unido transformou aquela que era uma das melhores e mais seguras redes ferroviárias europeias numa das mais mal mantidas e mais perigosas da Europa Ocidental. Aqui, muito há a fazer pela entidades de regulação e fiscalização… E muito há a aprender pelos outros países, Portugal nomeadamente… E o problema dos preços, que no médio e longo curso podem ser até mais altos do que as tarifas aéreas tem que ser corrigido. Os impactos ambientais do voos de avião têm que ser reflectidos nos preços dos bilhetes, aplicando nomeadamente as “taxas de carbono” que muitos começam a acreditar serem necessárias para corrigir comportamentos e processos que ainda que possam parecer “baratos” a curto prazo, a médio e longo contribuem para o fim da Terra tal como a conhecemos.

Fonte:

BBC

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“Goze a vida enquanto pode. Porque terá sorte se passaram vinte anos antes de chocar contra a ventoínha”


(“A Vingança de Gaia” de James Lovelock, da Gradiva)

Uma das personalidades mais fascinantes do mundo ciência é James Lovelock. Mais conhecido por ter criado a “Teoria de Gaia“, uma teoria revolucionária e fascinante que defendia que a Terra é um ser vivo, capaz de se auto-regular e de adaptar o seu meio ambiente às suas condições. A teoria nasceu da observação feita por Lovelock e pela bióloga Lynn Margulis de que a atmosfera da Terra era diferente da dos outros planetas porque era a própria vida que a tornava adequada à sua própria existência. Ainda que a teoria não seja muito respeitada pelos meios científicos, a sua abordagem tem-se mostrado útil para compreender a actual crise climática e pode ensinar-nos que… se não corrigirmos a forma como tratamos o Globo ele… tratará de nós, expulsando-nos ou eliminando-os como um animal expulsa ou elimina um parasita incómodo.

Embora seja admirado por muitos grupos e tendências ecologista, Lovelock defende a Energia Nuclear, no que segue em contracorrente com a opinião dominante neste campo… Tenha ou não razão neste ponto (e note-se que a nossa posição pessoal sobre este tema não é absoluta) o certo é que as previsões que realiza no seu último livro, “A Vingança de Gaia” são assustadoras… Lovelock estima que em 2020 o clima extremo será a regra (com muito frio ou muito calor, inundações alternando com secas, etc.), que por volta de 2040 a maioria da Europa seja desértica e que partes de Londres estejam submersas… E mais… Lovelock acredita que o ponto de não-retorno para o clima já foi ultrapassado e que nada do que seja feito daqui em diante poderá alterar este inevitável rumo das coisas:

“É simplesmente tarde demais.” Afirma o cientista ao jornal britânico The Guardian. “Se tivessemos feito alguma coisa em 1967, talvez isso tivesse ajudado. Mas já não temos tempos. Todas essas coisas verdes, como o desenvolvimento sustentado, creio que não passam de palavras que não significam nada.” Lovelock acredita que sendo já impossível fazer algo para travar esta espiral descontrolada de Aquecimento, o Homem devia começar a preparar-se para o enfrentar de frente de forma a ter alguma possibilidade de lhe sobreviver. Em consequência, defende o Nuclear como forma de sustentar as novas comunidades humanas, provavelmente subterrâneas e dependendo totalmente da síntese de alimentos. Só assim, os remanescentes 20% de população que prevê sobreviverem em 2100 poderão deixar descendência…

Na verdade, Lovelock deixa neste livro uma conclusão de cândida mas talvez final clareza (no mais pleno sentido da palavra):
“Goze a vida enquanto pode. Porque terá sorte se passaram vinte anos antes de chocar contra a ventoinha.”

Fonte:
The Guardian

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SUVs e Pick-Ups: Uma questão de atitude?

Hummer
(http://www.imagerentacar.com)

Nos Estados Unidos cerca de 40% do consumo diário de petróleo é resultado da utilização de veículos particulares de transporte, consequentemente, 21% das emissões de gases de efeito de estufa, resultam também da mesma origem. É certo que um motor de gasolina moderno consome menos 91% da gasolina por litro que consumia um Ford T, mas hoje, com grandes consumidores de combustível como os SUVs e as Pick-ups a comporem metade do mercado automóvel americano, esses ganhos de eficiência diluem-se e ilustram que o problema do consumo de petróleo e das emissões de CO2 é antes do mais… um problema de atitude. Todas estas pessoas que nos EUA e aqui mesmo, em Portugal, se passeiam de SUVs, Pickpups e carros de sete e nove lugares… Precisarão mesmo deles ?

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A cidade solar do Abu Dhabi (Masdar Sustainable City)


(A “Masdar Sustainable City“, um projecto para uma “cidade verde” no Abu Dhabi in http://www.inhabitat.com)

Um dos países mais dinâmicos do mundo… nem sequer é um país, já que se encontra inserido nos “Emirados Árabes Unidos“, mas é neste, o maior geográficamente e financeiramente, tendo também a sua capital homónima a sede dos Emirados. Abu Dhabi é provavelmente o local onde mais e mais depressa se constrói por metro quadrado, tendo a cidade duplicado a sua linha de costa por meio de grandes obras de engenharia, fruto de uma injecção massiva de dinheiro do petróleo, mas também de um ambiente de desregulação ambiental e laboral (a última área conheceu as primeiras leis apenas em 2005). Local em franca explosão económica, o emirado anunciou recentemente a intenção de começar a utilizar energias limpas para suportar esse seu crescimento e o emir Shaikh Khalifa ibn Zaid al-Nahayan vai disponibilizar 15 biliões de dólares para financiar programas locais de desenvolvimento de energias alternativas durante cinco anos.

O valor anunciado – a aplicar em apenas cinco anos – é o mais ambicioso alguma vez anunciado por qualquer governo do mundo, e inclui os custos de construção da maior fábrica de hidrogénio do mundo e também os custos de construção de uma “cidade verde” (Masdar Sustainable City) capaz de albergar mais de cinquenta mil habitantes, mas que não vai emitir gases de efeito de estufa e que não vai ter… automóveis. A cidade terá o grosso da sua energia fornecida por painéis solares fotovoltaicos, estima-se. Por seu lado, a fábrica de hidrogénio utilizará gás natural (abundante no emirado), mas produzirá além de hidrogénio, também… CO2, o que é um contrasenso resultante do estado ainda embrionário da tecnologia actual e pode indicar que tal construção poderá ser – no mínimo – prematura… Ou seja, será este o momento adequado para construir uma fábrica, quando a tecnologia que pretende dispensar a emissão de CO2, ela própria o produz? Diz-se que o CO2 resultante será injectado no subsolo, o que é interessante, porque poderá ser uma alternativa à injecção actual de água em poços de petróleo onde a pressão desceu bastante e que – a médio prazo – compromete a próprio extracção, ainda mesmo antes que o poço tenha menos de 50% de petróleo (um problema grave que afecta já os maiores campos sauditas). Assim, o projecto já começa a fazer algum sentido… Mas não existe conhecimento sobre os efeitos ou necessidades técnicas da injecção de CO2 em campos petrolíferos, e falta aqui algum trabalho de investigação, que, pelo menos… no Abu Dhabi pode ser facilmente financiado com os tais 15 biliões de dólares.

Mas mesmo que o CO2 possa ser injectado no subsolo, resta outro problema… É que a geração por electrólise de hidrogénio (o processo actual) implica o consumo de combustíveis fósseis (gás natural, neste caso), eles próprios já perto do Pico de produção, e logo, num processo de custos altos e crescentes a muito curto prazo. Por isso… Não ficamos particularmente entusiasmados. Embora a injecção de tal verba na investigação científica possa de facto contribuir para avanços tecnológicos inéditos a muito curto prazo.

Fonte:

BBC

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A Amazónia perde 7 mil Km2 em apenas 5 meses !… e Furacões no Brasil

Amazónia
(Imagem de satélite da Amazónia in http://www.cnpm.embrapa.br)

A Amazónia continua perder cada vez da sua cobertura florestal, verdadeiro pulmão do mundo e… derradeiro travão contra o Aquecimento Global. Com efeito, o governo Lula da Silva anunciou uma taxa recorde de deflorestação nos últimos cinco meses de 2007, com uma perda total superior a mais de três mil quilómetros quadrados. A proporção do desastre é inaudita, admitindo Gilberto Câmara do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial brasileiro: “nunca vimos antes tamanha desflorestação neste período do ano” (BBC ).

Mas na verdade, a informação da BBC está errada!… Uma vez que nesta se fala dos supracitados: In the last five months of 2007, 3,235 sq km (1,250 sq miles) were lost.”, mas no site do INPE se pode ler – na fonte original – que a escala do problema é afinal ainda maior! “Estimativa baseada no Sistema DETER – Detecção do Desmatamento em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), aponta que o desmatamento na Amazônia pode ter atingido 7.000 km2. A maior parte dos desmatamentos se concentra nos estados de Mato Grosso (53,7%), Pará (17,8%) e Rondônia (16%). Os novos desmatamentos detectados pelo DETER entre Agosto e Dezembro de 2007 somaram 3.235 km2. Nos anos recentes, a área mapeada pelo DETER representou entre 40% a 60% do que é registrado pelo PRODES, nosso sistema que faz o cálculo anual detalhado da área desmatada. Deste modo, o INPE considera que entre agosto e dezembro de 2007 o desmatamento é da ordem de 7 000 km2, com uma variação para mais ou para menos de 1.400 km2″

Sendo assim, a escala da devastação é ainda maior e a área afectada já se aproxima de uma décima parte da área total de Portugal continental! E isto em apenas cinco meses!

O que se está a passar no Brasil que está a provocar esta devastação de proporções apocalípticas? O preço da soja, e o crescente interesse do mundo e do próprio governo Lula da Silva pelos biocombustíveis pode estar a levar os agricultores das regiões mais afectadas (Mato Grosso, Pará e Rondônia) a conquistar terreno à floresta virgem. A escala deste problema expõe também o gritante fracasso das medidas anunciadas por Lula da Silva em 2005 em que prometia um conjunto de medidas para reduzir a desflorestação e o abate ilegal de árvores (ver AQUI). Na época, o pacote de medidas era uma resposta de urgência a um recuo da Amazónia de mais de 26 mil km2, entre Agosto de 2003 e Agosto de 2004 (1/3 de Portugal). O desaparecimento da Amazónia está a contribuir para o Aquecimento Global, já que sendo esta a maior mancha florestal do mundo, é o maior meio de absorção de CO2 do planeta, e além do mais um importante centro regular do próprio clima na região… A sua redução, acelera a rapidez do fenómeno do Aquecimento Global, e de facto, uma das formas que o Homem poderia ter para travar a progressão desta ameaça poderia ser multiplicar a plantação de árvores e a recuperação de florestas. Contudo, a pressão provocada pelo esgotamento do petróleo que leva ao aumento da produção de biocombustíveis (menos) e a grande procura de soja no mercado internacional (mais) está não a contribuir não para o combate ao Aquecimento Global, mas a intensificar ainda mais os seus assassinos efeitos! E estes estão muito mais próximo do próprio Brasil do que se pensa… Não falo aqui da fatidicamente famosa seca do Nordeste, mas da inédita aproximação de furacões à costa brasileira (ver AQUI), anunciando que agora… até o Brasil está na rota dos furacões.

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Vulcões por debaixo dos gelos do Pólo Sul…

pineisland
(Uma imagem de satélite da NASA mostrando o local da erupção, por debaixo do gelo, claro)
Um grupo de cientistas britânicos descobriu vestígios de um vulcão e provas de uma sua erupção recente (ocorrida à cerca de dois mil anos), assim como indícios de que este se encontra ainda activo e contribuindo para o cada vez mais evidente (e preocupante) fenómeno da redução da calota polar. A notícia surge no jornal “Nature Geoscience” sendo ESTE o artigo citado. Os dois cientistas que lideraram o projecto da “British Antarctic Survey” identificaram – pela primeira vez – um vulcão activo sobre os gelos polares, e tão activo que conseguiu mesmo penetrar a densa cobertura de gelo polar. De facto, esta actividade vulcânia pode explicar parte da espantosa redução de gelo registada nos últimos anos no Pólo Sul, e sobretudo a redução do glaciar “Pine Island” que cobre este vulcão. Ou seja, para além de toda a actividade humana para o Aquecimento Global, agora teremos também que equacionar este factor da vulcanologia polar como possível contribuinte para a redução desta calota, logo do aumento dos níveis do mar, da redução dos índices de reflexão para o Espaço de luz solar, etc, etc. Ou seja. Mais uma má notícia para o Aquecimento Global… E mais uma razão para continuarmos todos a reduzir o nosso consumo de energia e de carbono e para manter elevada a pressão sobre os Governos e as Empresas para reduzirem a parcela humana para o agravamento deste fenómeno.
A área onde esta erupção foi localizada tem estende-se por cerca de 23 mil metros quadrados e data de entre 207 e 240 anos a.C.
Fonte:
New York Times

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“A electricidade de origem renovável representou 39,7 por cento dos consumos nacionais em 2007, superando a meta europeia de 39 por cento para 2010”


(http://amadeo.blog.com)

A electricidade de origem renovável representou 39,7 por cento dos consumos nacionais em 2007, superando a meta europeia de 39 por cento para 2010, revelou ontem a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

Este valor deveu-se “à crescente importância que a electricidade renovável independente tem vindo a ter, ultrapassando os 13 por cento em 2007”.

Segundo o comunicado da APREN, o país vai depender cada vez menos das grandes centrais hídricas, face ao crescimento de outras fontes, como a energia eólica. O ano que passou foi, segundo dados da REN – Redes Energéticas Nacionais, muito seco.

Com a produção de electricidade de origem renovável evitou-se a emissão para a atmosfera de 9,3 milhões de toneladas de dióxido de carbono, um dos gases com efeito de estufa.

“Estaremos no bom caminho, aumentando a nossa sustentabilidade ambiental e a independência energética do país, desde que as políticas para o sector – designadamente as tarifárias ou procedimentos no licenciamento – não venham a comprometer o actual ritmo de investimento”, considera a APREN.

Fonte: Público

Sem já em 2007, a electricidade com origem em fontes renováveis alcançou o notável valor de 39,7% do consumo total, batendo até o objectivo definido pela União Europeia apenas para 2010, de 39% (ver AQUI um extenso artigo sobre o uso de energias renováveis em Portugal). Simultaneamente e talvez devido ao aumento recente (e continuado) dos preços da Energia, mas também por causa da crise financeira vivida muito intensamente por muitas famílias, o crescimento consumo cresceu em 2007, menos do que em 2006 (ver AQUI), alcançando de consumo total inferior ao do ano de 2002. Esta redução cumpre um dos três critérios ecológicos tradicionais (Reduzir, Reciclar e Reutilizar), sendo que contudo, pode não ser somente o produto de uma atitude mais conscienciosa por parte das famílias portuguesas, mas também (se não sobretudo…) o produto das deslocalizações industriais dos últimos anos e da casualidade do ano de 2006 ter sido um ano especialmente moderado, no que respeita às temperaturas e chuvas… Uma pouparam em ar condicionado, as outras aumentaram a produção das hidroeléctricas. Mas houve também um notável e muito exemplar ganho de eficiência energética, já que com um crescimento económico de 1,9% do PIB (ver AQUI), o consumo energético subiu menos que o PIB, o que indica que o país está a produzir mais, por menos, logo, que está a trabalhar com mais eficiência energética. Esta tendência poderá confirmar-se e até melhorar se a estima de crescimento do PIB se confirmar para os 2%.

Na área energética, o Governo Sócrates está a fazer não um bom, mas um excelente trabalho (por vezes, nem sempre pelas melhores razões, como vimos no que concerne às deslocalizações). Por este caminho, vamos alcançar ainda antes de 2010 o objectivo de produzir 45% de toda a energia consumida em Portugal por fontes renováveis, algo de muito notável que nos tornará o líder europeu nessa área. Iremos assim reduzir ainda mais a nossa dependência das importações de petróleo e gás natural, o nosso deficit comercial e – sobretudo as emissões de CO2 e o nosso contributo para o Aquecimento Global, algo a que os países mais ricos e com maior grau de desenvolvimento técnico deviam de olhar de uma forma mais séria e conscienciosa. A aposta na eólica – uma das áreas de eleição de Sócrates – foi especialmente forte, tendo sido Portugal o país europeu que mais subiu a produção de energia por essa via em 2005 e o segundo maior em 2006, com um notável crescimento de 60%.

Nos próximos anos, Portugal tem que saber manter esta boa caminhada – tão rara num país onde tantas coisas correm mal – e reforçar a aposta nos parques eólicos, simplificando o processo de autorização dos mesmos e expandindo as facilidades fiscais e de financiamento para particulares que a queiram utilizar. Os biocombustíveis não devem ser uma grande aposta… Portugal não tem – ao contrário do Brasil – boas condições para os produzir em condições económicamente favoráveis e objectivo de colocar 10% de biocombustíveis nos transportes até 2010 é possível, mas não será positivo, já que se sabe que ecologicamente têm também os seus problemas e que essa redução pode ser alcançada de outras formas, nomeadamente pela via da redução da circulação de veículos particulares, pela via fiscal. A energia das ondas (ver AQUI) é um campo especialmente promissor, onde a tecnologia e a indústria nacional estão na área de ponta e onde o retorno pode ser muito elevado…

Mas é no campo da energia hídrica que o governo devia focar a sua atenção… manter o esforço na geração eólica e expandir o mesmo na área das hídricas. Para além de permitirem a armazenagem e o regulamento dos cursos dos rios quando se espera que o clima venha a ficar cada vez mais inconstante nos próximos anos em consequência do Aquecimento Global (com mais secas e inundações em anos alternados e menos clima temperado do que estamos habituados), a energia das barragens pode ser a grande aposta dos anos vindouros. Em 2006, a REN afirmou que as suas barragens produziram a 68% da sua capacidade máxima e isto quando 54% do potencial hídrico está ainda por explorar, em resultado do desinvestimento neste sector registado nas últimas décadas.

Portugal e os portugueses estão a fazer um bom trabalho na área energética. Mas continua a competir a cada um de nós o comprometimento para reduzirmos o consumo energético nas nossas casas e empresas e pressionarmos o governo na continuação da aposta na eólica e na hídrica… sem se deixar seduzir pelo lobby nuclear.

Ver também:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1354759&idCanal=57


Categories: Ecologia, Economia, Política Nacional, Portugal | Etiquetas: , , , | 19 comentários

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