união europeia

Pedro Cipriano: “A Europa – mesmo a dita “rica” – começa lentamente a redescobrir lentamente a necessidade de tornar a produzir aquilo que os “economistas do sistema” lhe disseram ser incontornável: destruir o seu setor produtivo e passar a fabricar tudo no Oriente”

Lançamento da revista Nova Águia (http://www.porto.taf.net)

Lançamento da revista Nova Águia (http://www.porto.taf.net)

“O poder instituído faz-nos crer que uma economia e moeda globais são a solução para a crise. No entanto, é notório que isso apenas servirá para aumentar o fluxo de riqueza para aqueles que já são ricos, sem que isso melhore em nada a vida dos restantes. Tendemos perigosamente para os ricos ficarem mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.”

Uma das explicações para o estado a que chegou a União Europeia é – para além da conhecida incompetência dos seus líderes – é o facto de a crise ter sido planeada e orquestrada a partir dos círculos ocultos de poder que entre a Tripartida e o Grupo de Bilderberg governam o mundo: o seu plano é – sabe-se há muito – construir uma “união mundial” não democrática e governada pelos Grandes Interesses que representam: as “uniões” regionais (NAFTA, Mercosul, UE, ASEAN, etc) são assim passos necessários e graduais para esse modelo malévolo de governação global e a presente recessão global pouco mais que um pretexto para a instaurar, depois de levados os povos – por doses massivas de medo – a aceita-lo como incontornável e como “saída única” para a recessão e para os crescentes níveis de desemprego atuais.

“Um exemplo atual é o caso da União Europeia, em que os estados membros são obrigados a importar produtos que podiam produzir por si mesmos, fazendo com que a sua dívida externa cresça sem parar. As pessoas são obrigadas a aceitar empregos que não querem para pagar os empréstimos que contraíram. Certos países estão lentamente a tornar-se fonte de mão-de-obra barata para outros mais ricos, inclusive dentro da Europa. Os pobres são mantidos pobres para, através do medo, impedirem a classe média de se libertar desta prisão laboral. Em suma, esse ultra-neoliberalismo económico é a escravatura do século XXI.”

Simultaneamente, as Multinacionais ganham fortunas enquanto deslocalizam a produção para a China e entregam o Emprego que ela gera a hordas de escravos passivos e manietados por um regime corrupto e ditatorial. No Ocidente, os Bancos (agentes primeiros desses Grandes Interesses) acumulam imensas fortunas à custa de doses massivas de endividamento, sempre com a benévola cobertura dos Estados e dos impostos (cobrados de forma cada vez mais voraz) dos seus cidadãos.

“A Europa – mesmo a dita “rica” – começa lentamente a redescobrir lentamente a necessidade de tornar a produzir aquilo que os “economistas do sistema” lhe disseram ser incontornável: destruir o seu setor produtivo e passar a fabricar tudo no Oriente. Esta brilhante equação produziu as astronómicas dívidas externas que agora assolam a maioria dos países europeus e tornam evidente hoje que urge reverter esse processo e passar a produzir localmente a maior parte daquilo que foi deslocalizado nas últimas décadas.”

O “Regresso às fábricas” será assim a única via possível para que a Europa possa se livrar das dívidas externas (para o Mundo Árabe e China) que acumulou nas décadas de desregulação comercial e de deslocalizações. Mas esse Regresso vai enfrentar uma furiosa oposição por parte dos Grandes Interesses (sobretudo das Multinacionais) que tudo farão para manter um Status Quo que lhes é muito favorável e que lhes permite continuar a produzir os seus produtos a preços muito baixos, sem considerandos de tipo laboral, humano ou ambiental e abrindo espaço desta forma para elevadas margens de lucro. As Multinacionais tudo farão para impedir a reindustrialização da Europa, não excluindo o – já existente – financiamento de Partidos políticos conformes aos seus interesses e a imposição de “protetorados tecnocráticos” como aqueles que recentemente a UE impôs à Grécia e à Itália.

“Na outra ponta da mesa há a economia e moeda locais, prevendo que a riqueza de uma dada comunidade se mantenha relativamente constante, limitando o fluxo de produtos entre comunidades ao mínimo essencial, sendo exatamente o oposto da economia global, na qual se promove um fluxo contínuo de todo o tipo de bens. “

Pedro Cipriano concorda aqui com aquele que é um dos desígnios económicos mais antigos do MIL: a promoção das virtudes das Economias Locais e da ferramenta indispensável ao seu sucesso que é a Moeda Local. Resposta adequada a esta voragem globalizante, que desumaniza a economia e impõe um foco no “global” e financeiro em vez de na Comunidade e no Homem, um modelo que favoreça a produção para consumo local, coadjuvado regionalmente e usando moedas locais para estimular as trocas económicas intra-comunitárias tem várias vantagens que merecem longa reflexão…

Fonte:
Ensaio sobre o futuro de Portugal, do seu povo e da sua cultura
Pedro Cipriano
Nova Águia, número 8

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Sobre a Estratégia de Empobrecimento e a Desigualdade Galopante em Portugal

As doses massivas e crescentes de austeridade que o governo PS-PSD está a aplicar sobre os portugueses a mando da troika (dois terços europeia, é preciso recordar) estão a provocar uma consequência social que agrava ainda mais a situação: estão a agravar a desigualdade económica entre os extremos de rendimentos da nossa sociedade.

Portugal não para de cair nas tabelas que medem a desigualdade de rendimentos. Em 2011 Portugal ultrapassou mesmo a Bulgária e a Lituânia e tornou-se o país mais desigual da União Europeia. O aumento recente do número de trabalhadores que recebem apenas o salário mínimo e os altos (e explosivos) números do desemprego indicam que estamos ainda apenas na infância deste problema e que nos próximos anos ele se irá agravar ainda mais.

A continuação da lógica de uma austeridade em camadas sucessivas e sem fim à vista , com o aumento dos impostos indiretos, cortes de salários no privado e na função pública e o aumento dos preços de vários serviços públicos vão aprofundar ainda mais este fosso ja que incidem especialmente nas classes de rendimentos mais baixos.

Especialmente graves são as restrições em vigor (e em intensificação) na Educação e na Saúde, já que é precisamente aqui que os cortes têm mais impacto nas camadas mais baixas de rendimentos desde logo porque foi devido aos investimentos públicos nas décadas do pós-25 de abril mais avanços na desigualdade se fizeram.

O propósito assumido da Troika e obedientemente seguido pelo Governo é o de empobrecer os portugueses, diminuindo os salários e reduzindo o seu consumo. Não é objetivo assumido realizar esta redução de forma proporcional ou equitativa. Destruir rendimento, para poder subir mais tarde, ganhando assim um impulso que permita recuperar a queda que nos colocou nos níveis de rendimentos que existiam em meados da década de 1990 seria o objetivo. Mas sem inscrição da desigualdade nesse objetivo, com um exagero na sua aplicação através de uma compressão excessiva dos rendimentos e de uma sanha fiscal sem precedentes (onde até os fiscais já andam armados!) não só não se conseguirão os objetivos de longo prazo como a turbulência social, o sentimento de injustiça, a motivação coletiva e o apoio a estas camadas sucessivas de austeridade vão colocar tudo em causa.

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A necessidade de realizar uma reestruturação da divida externa portuguesa começa a introduzir-se até nos economistas mais próximos do governo, como… Manuela Ferreira Leite

A necessidade de realizar uma reestruturação da divida externa portuguesa começa a introduzir-se até nos economistas mais próximos do governo… Manuela Ferreira Leite, a antiga líder do PSD, num livro recente admite a necessidade de reestruturar a dívida, através de prazos de pagamento mais longos e juros mais baixos, a economista chega a dizer que “não há qualquer hipótese de este país, ou de qualquer país numa situação semelhante, pagar a dívida pública nos prazos ou juros que foram estabelecidos pela troika. É absolutamente impossível.”

Contudo, Ferreira Leite não vai ao ponto de propor uma bancarrota parcial ou haircut (como se fez este ano na Grécia), defendendo esse modelo mais suave (para os credores…)

Mas mesmo nesta resposta suave de reestruturação, o BCE teria que intervir, garantindo aos Mercados a liquidez portuguesa para os pagamentos remanescentes…

Ferreira Leite defende também que quando acabar o acordo com a Troika o país não estará em condições de ir buscar financiamentos a custos aceitáveis, admitindo taxas da ordem dos 5%, insustentáveis num país que então terá mais de dois milhões de desempregados e muito mais empresas falidas que atualmente… ou seja, com um PIB ainda mais enfraquecido que o de 2012. Mas mesmo se for possível esse levar a cabo esse retorno ao financiamento nos Mercados, será duvidoso que se consigam mais do que os 800 milhões de euros de que o Estado carece mensalmente para pagar pensões e salários… e que hoje vai buscar ao dinheiro da troika e que antes ir buscar ao Mercado. Essa despesa tem que descer até níveis sustentáveis, compatíveis com o (alto) nível de fiscalidade atual. Isto é, há que contemplar sempre uma redução das pensões e dos salários mais elevados. A par, há que desenhar e implementar um ambicioso programa de estímulo que – se Portugal ainda fizer parte da União Europeia – tem que ter uma base europeia.

Mas atenção, um programa desse tipo não pode assentar em obras públicas não reprodutíveis nem em meios ou vias de transporte… essa receita foi a do Cavaquismo (e Ferreira Leite é uma das maiores admiradoras de Cavaco) e não funcionou. Esse grande programa de estimulo deve ser dirigido às empresas, exportadoras, inovadoras e capazes de gerar emprego. De facto esse programa deve apenas abranger empresas – privadas ou públicas – que cumpram certos requisitos nesses três campos.

Fonte:
http://economia.publico.pt/Noticia/ventura-leite-sistema-misto-escudoeuro-permitiria-promover-a-economia-e-as-poupancas-1556939

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Entrevista a José Maria Castro Caldas

“Na famosa quinta revisão do memorando (…) a dita complacência da troika não se irá concretizar: espera-se o aumento das taxas médias do IVA, o que provavelmente levará a uma contração da receita fiscal.”

> Nesta pequena, mas muito curiosa entrevista, o economista José Maria Castro Caldas mostra mais uma vez porque é que é um dos pensadores económicos mais ousados e independentes do meio… Começa por desfazer o mito – longamente propagandeado por Passos Coelho e Cavaco Silva – segundo o qual se continuarmos a suportar doses massivas e crescentes de austeridade com a passividade bovina que carateriza tradicionalmente a sociedade portuguesa, no final, os europeus nos vão “premiar” e dar mais tempo ou dinheiro… perante o impossível de evitar o incumprimento da meta de 4.5% do défice, tudo indica que apesar dos “melhores desejos” de Passos e Cavaco a opção a seguir para corrigir o défice será novamente a mais fácil: aumentar o IVA ou, pior o IRS. A Defesa mais fácil de cortar (salários e pensões) está agora protegida pela “equidade” defendida pelo TC e resta apenas, de novo, mais um aumento da canga fiscal.

“Defendo uma taxa sobre a propriedade, aí poderia haver ativos financeiros e imobiliários para repor a justiça fiscal. E medidas de combate à fraude fiscal, como seja fechar todas as portas abertas à evasão de capitais para paraísos fiscais.”

O problema das taxas sobre a propriedade é que além de serem injustas podem levar pessoas que herdaram casas dos pais ou avós, terrenos abandonados algures no Interior, prédios arruinados, etc e que não tendo rendimentos (por estarem desempregados ou terem a mulher ou o marido desempregados) não têm simplesmente meios para pagar esses impostos! Qual seria então a opção do Estado? Confiscar esses bens? Coloca-los a leilão por uma fração do seu real valor? E quem ganhará com isso para além de algum eventual especulador especialmente abonado?

“Temos de escolher entre a reestruturação da dívida agora, a curto prazo, ou um default (incumprimento) a médio prazo. Não é preciso fazer mais experiências para vermos que a via recessiva de ajustamento não produz as consequências previstas e a dívida vai aumentando a um ritmo que a torna insustentável: é o momento em que o peso dos juros é de tal ordem que toda prestação pública de serviços, nomeadamente a nível da reparação de infra-estruturas, começa a entrar em colapso.”

Com efeito, o desastroso exemplo grego (uma queda de 7% do PIB só este ano!) Já devia ter ensinado aos fanáticos monetaristas do Bundesbank (que mandam, de facto, na Troika) que o modelo austeritário não funciona. Aliás, as estatísticas demonstram até o contrário, com os Mercados a subirem mais os juros DEPOIS da aplicação dos pacotes austeritários do que ANTES.

O limite da exaustão dos povos perante esta obsessão de compressão do Estado Social está a aproximar-se muito rapidamente e a ser multiplicado porque a “moda” se estende até aos países mais ricos (no norte da Europa) que poderiam compensar esta onda sulista de austeridade comprando bens e serviços aos países do sul (por exemplo, através de um pacote de estímulo europeu). Quando as estradas, as pontes, os hospitais, os postos de policia e os blindados e navios de guerra deixarem de funcionar porque a austeridade os fez parar então, será chegado o ponto terminal e a inevitável dissolução do Estado vai necessariamente precipitar o fim desta louca moda anti-keynesiana.

“O problema coloca-se a nível do défice externo. Tal exigirá medidas que podem não passar pela saída do Euro, na fronteira do que é admissível na União Europeia. Passam por derrogações de cláusulas da livre concorrência de modo a limitar algumas importações. Impostos especiais que limitem algumas importações, como os combustíveis. E agir da mesma forma sobre as exportações de modo a aliviar alguma carga fiscal e de setores que substituem importações.”

É de facto impossível permanecer nas mesmas regras que a Europa hoje nos impõe e reconstruir a nossa economia: as portas comerciais escancaradas impedem-nos de reconstruir empresas industriais e agrícolas capazes de resistirem às grandes agro-industriais de Espanha e do norte da Europa. Há que proteger a produção nacional desses gigantes desproporcionados e compensar todos os múltiplos dumpings com que concorrentes estrangeiros nos esmagam e isso só pode ser feito criando mecanismos aduaneiros de compensação: taxas alfandegárias que favoreçam a aparição local de indústrias de substituição e implementando estímulos fiscais às exportações… mas umas e outras contrariam as regras e regulamentos europeus, razão porque estes têm que ser suspensos. Ou porque Portugal têm que sair da União Europeia ou, pelo menos, suspender a sua pertença durante alguns anos.

“Não existe nenhuma saída fácil para uma crise de grandes proporções do capitalismo. Agora, há uma grande diferença entre pseudo-saídas que pretendem manter a hegemonia do sistema financeiro e umas saídas igualmente difíceis, mas que tenham como objetivo preservar o estado social e procurar corrigir as duas principais entorses: a repartição do rendimento e a hegemonia do sistema financeiro.”

Quando se constata o gigantesco volume de verbas desviadas todos os anos para Paraísos Fiscais e a preponderância da Finança sobre a Política (escravizada pelos financiamentos e lobbys) e a Economia Real, juntamente com o grande problema do desenvolvimento económico dos últimos anos: a cada vez pior distribuição dos rendimentos. Desde a década de noventa (em Portugal) ano após ano, quase sempre sem parar os salários do trabalho estagnam, abaixo da inflação, enquanto que os rendimentos do capital sobem sem cessar, desviando mais e mais capital de investimentos reprodutivos e bens transacionáveis e concentrados no opaco mundo dos “mercados” e da Finança.

“Os super-ricos guardam 17 triliões de euros em paraísos fiscais…
Bastaria que se decidisse que não haveria transferências entre bancos da Zona Euro e paraísos fiscais para que estes entrassem em colapso. Isso seria suficiente para desencadear uma atitude semelhante em outros países, nomeadamente emergentes que têm tanto a perder. Falta é vontade.”

E esta Europa será capaz de tamanha (e devida) ousadia e frontalidade? Aparentemente, não. Os alemães, que lideram de forma imperial o BCE e indiretamente a Troika que estende um tape de protetorado sobre um número crescente de Estados membros, estão acima de tudo preocupados em “castigar” os europeus do sul, esquecendo que a sua atual riqueza se deve em grande medida às suas exportações precisamente para os países do sul e que na década de 1950 beneficiaram eles próprios de um generoso perdão da dívida (e que nunca devolveram o saque do Banco central grego, aliás).

SOL
27 de julho de 2012

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Em 2010, os super-ricos do mundo tinham uma fortuna tinham mais de 32 triliões de euros em Paraísos Fiscais

“Um estudo de um ex-consultor da McKinsey, o economista James Henry, para a Tax Justice Network, uma rede independentes preocupados com a evasão fiscal, apresentou uma conclusão estonteante sobre o dinheiro em Paraísos Fiscais. Em 2010, os super-ricos em todo o mundo tinham uma fortuna avaliada em 21 triliões de dólares nas Ilhas Caimão. Henry avisa que serão 32 triliões, um valor similar ao das economias americana e japonesa. Os números são eloquentes quanto aos motivos por que as Paraísos Fiscais continuam a existir.”
Carla Hilário Quevedo
SOL
27 de julho de 2012

Quantas “austeridades” caberiam neste imenso poço sem fundo que os Paraísos Fiscais representam para a economia europeia? Quantos “choques fiscais” (sempre prometidos, nunca cumpridos) estariam aqui, se apenas 5% destas quantias realmente astronómicas fossem submetidas aos mesmos níveis de taxação a que estão submetidos os trabalhadores por conta de outrem? Quanta corrupção, quanto tráfego de droga veria os seus mecanismos de branqueamento de capitais bloqueados se estes Paraísos Fiscais fossem encerrados?…

É do máximo interesse de todo o planeta resolver de vez este grande problema que são os Paraísos Fiscais. Os países emergentes são espoliados todos os anos por quantias imensas, desviadas pelos seus políticos corruptos e que nunca chegam a contribuir para o verdadeiro desenvolvimento dos seus países. Se não fossem estes mesmos políticos que lideram estes países, estaríamos hoje a ver os emergentes (e na sua vanguarda, os BRIC) liderando um processo global de extinção dos Paraísos Fiscais… O mesmo se pode dizer do Ocidente, com a notável exceção de que aqui, os principais beneficiários são novamente políticos corruptos e, não esquecer, os especuladores e financeiros que têm acumulado fortunas crescentes desde a desregulação financeira e comercial que começou na década de 1990. Esta densa rende de cumplicidades e interesses cruzados explica porque ainda há hoje Paraísos Fiscais e porque é que no primeiro aperto orçamental a classe política prefere ir buscar recursos aos pensionistas e aos trabalhadores e não coloca sequer em equação a recuperação de uma parte destes 32 triliões de euros “lavados” nos Paraísos Fiscais.

Mas este artigo de Carla Quevedo (na revista do SOL) peca por uma imprecisão: Não é preciso ir às Ilhas Caimão para encontrar Paraísos Fiscais. Aqui mesmo, na soberba Europa, temos países inteiros, Estados Soberanos de pleno direito e que se arrogam a supremos defensores da Lei e da Justiça funcionando como autênticos Paraísos Fiscais: Além da já conhecida Suíça (que recebeu calorosamente as fortunas dos gregos ricos), também o Liechstein, o Monaco e o Vaticano funcionam como Paraísos Fiscais. No seio do próprio território europeu da União Europeia, Gibraltar. Jersey, Gueneysey, Sark e Alderney, Ilha de Man (Reino Unido) aparecem nas listas internacionais de Paraísos Fiscais mais opacos. Dois Estados membros inteiros, Malta e Chipre, constam também nesta vergonhosa lista… e noutros critérios (menos exigentes) países como a Suécia, a Holanda e até a arrogante Alemanha são considerados como Paraísos Fiscais. Isto mostra, que havendo vontade política (não há), a Europa podia resolver este problema que estrangula toda a economia e que porque reduz a exposição fiscal aos trabalhadores por conta de outrem e exclui desta os mais ricos acabará por comprimir de tal forma os rendimentos dos Estados que o colapso económico global será inevitável e terrível. Sejamos mais claros: não é impossível continuar a cortar despesas aplicando o sagrado mantra austeritário e deixar de fora destes cortes e destes aumentos desbragados de impostos os mais ricos, refugiados nos seus Paraísos Fiscais dourados. Vamos chegar a um ponto em que o aumento brutal de impostos sobre o trabalho e as reduções de salários e pensões deixam de produzir aumento das receitas e passam a reduzi-las cada vez mais. Portugal, teve no primeiro semestre de 2012 uma amostra deste refluxo que devia ser estudado com grande cuidado pelos economistas e defensores fanáticos da minarquia… ou pagamos todos (pelo menos um pouco) ou vamos todos ao ar. A escolha é dos políticos e daqueles que os elegem: comecem por proibir Paraísos Fiscais no território europeu e depois, bloqueiam todas as transações bancárias de bancos europeus tendo como destino Paraísos Fiscais… e o problema acabará (por arrasto) por se resolver também no resto do mundo. Cabe à Europa esse papel de liderança moral. Estarão os líderes europeus à altura?

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Mario Monti, o Sátrapa europeu em Itália e a “chatice” da democracia

Mario Monti, o Sátrapa (http://imediata.org)

Mario Monti, o Sátrapa (http://imediata.org)

É preciso estar muito atento a todas as entrelinhas daquilo que é dito no decurso da atual crise europeia… é quase sempre muito difícil o que pertence a um “plano” longamente gisado e pleno de pequenos passos, consequentes e previstos e aquilo que resulta da descoordenação, incompetência ou nacionalismos anacrónicos, mas nesta confusão há que estar especialmente atento a Mário Monti. Antigo quadro do tenebroso Goldman Sachs – considerado por alguns como parte do “governo secreto” mundial – Monti quando abre a boca não fala sozinho: repercute o pensamento desses “grandes interesses” que movem o mundo e que hoje governam Itália por sua própria interposta pessoa.

Assim, quando Monti diz que “para garantir a “sobrevivência da União Europeia os governos devem ser capazes de dispensar a ligação aos seus parlamentos nacionais”, não fala apenas em seu nome, mas derrama uma gota da torrente que vem aí e que faz parte do “plano” que gisaram para nós e que nos estão a apresentar como saída “inevitável” para a atual crise europeia. O sátrapa italiano (nomeado indiretamente pela CE) disse ainda mais exprimindo um nítido desconforto perante as “chatices” da democracia e desabafando que “se se tivesse prendido às considerações do parlamento italiano não teria sido possível acatar com as decisões já tomadas em sede europeia.”

Estas afirmações perfeitamente notáveis – e que não mereceram entre nós grande eco, por causa dos ronaldismos e pintocostismos do costume – são de uma extrema gravidade e num país realmente democrático deveriam ter conduzido a uma demissão automática e a uma negação veemente por parte da Comissão Europeia. Mas Itália, como Portugal, a Grécia e a muito desgovernada Espanha de Rajoy já não são “países a sério”, no sentido em que já não gozam dos mesmos níveis de soberania dos países do norte (que lançam sobre eles o protetorado da Troika) e não passam hoje de ensaios para um federalismo desequilibrado que se lança hoje sobre a Europa.

Se esta Europa “passa melhor” sem a chatice dos parlamentos, dos representantes eleitos, das democracias e da cidadania, então não quero esta europa e desafio os europeístas a saíram agora em defesa das declarações deste sátrapa norte-europeu.

Fonte:
Elisabete Joaquim
http://economico.sapo.pt/noticias/o-preco-do-federalismo_150517.html

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O modelo Euro-Escudo de Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite (http://cdn1.beeffco.com)

Manuela Ferreira Leite (http://cdn1.beeffco.com)

Se compararmos a última valorização do Escudo com a atual valorização do Euro, observamos que a economia portuguesa foi obrigada a absorver uma valorização da sua moeda internacional de troca de mais de 400%! Obviamente, tal movimentação teve efeitos catastróficos ao nível dos setores primário e secundário, destruindo dezenas de milhares de empresas e centenas de milhares de empregos… em troca, tivemos duas décadas de crédito barato e de tercialização da economia.

Mas agora, que o Euro revela as suas fragilidades e que a Europa dá provas sucessivas da sua incapacidade para as resolver, o país tem que começar a procurar alternativas. Entre elas, encontra-se o “Escudo CPLP”, uma moeda internacional de troca (que invoca o ECU da CEE), o regresso puro e simples ao Escudo e uma terceira hipótese, recentemente Ferreira Leite lançou uma interessante terceira hipótese: o relançamento do Escudo, “como moeda instrumental, não convertível. A função dessa moeda não é como antes do euro, com desvalorizações para compensar os aumentos salariais da ordem dos 20%. A desvalorização seria apenas em duas circunstâncias: no caso de haver alguma pressão das importações, e voltar a haver um desequilíbrio comercial que tenha impacto no défice externo e endividamento, ou se Portugal tiver exportações para um determinado mercado que estejam a ser negativamente influenciadas por uma valorização do euro.”

Neste modelo híbrido, Escudo-Euro, haveria um estímulo natural a comprar artigos produzidos ou incorporando produção portuguesa, simultaneamente, o Estado teria reservas internacionais, em moeda forte, que lhe serviriam de reserva e usada nas transações externas (o Escudo teria apenas curso interno).

Esta moeda dupla permitira evitar a perda de nível de vida que se estima ter que ser superior a 70% e estimularia a poupança (feita em Euros) e – na visão de Ferreira Leite – permitiria que Portugal tivesse não um, mas dois orçamentos: um em Euros, o outro em Escudos. No primeiro, teriam que respeitar-se todos os compromissos financeiros (défice, inflação e dívida externa), no segundo, estes limites não existiriam, pelo que seria possível lançar um grande programa de estímulo económico usando apenas Escudos. Este programa seria alimentado por empréstimos obrigacionistas, comprados pela Banca e comprados pelo Banco de Portugal, muito na forma de funcionamento da Reserva Federal. Este programa faria crescer a dívida externa, mas em Escudos, mas se fosse contraído apenas para financiar a economia real e sobretudo empresas dos setores primário e secundário, seria sustentável, a prazo, pelo decorrente crescimento do PIB.

Fonte:
Entrevista de Manuela Ferreira Leite ao jornal Público

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O petróleo grego e a dívida externa deste país da União Europeia

Estimativas recentes dão como certa a existência de reservas petrolíferas em águas territoriais gregas que devem ascender a dez mil milhões de barris (1 de janeiro de 2012). Esta estimativa baseia-se em dados geológicos e possuem um elevado grau de certeza. Este montante torna a Grécia no país europeu com maior potencial petrolífero, mas não confirma uma mensagem que tem vindo a circular na Internet lusa e que proclama:
“A Grécia é o país da UE e do Euro com o maior potencial prospetivo de exploração de petróleo, com cerca de 22 mil milhões de barris no Mar Jónico e 4 mil milhões de barris no Mar Egeu. Por comparação, o poço Lula no Brasil (uma das maiores descobertas da última década) tem cerca de 8 mil milhões de barris.
Este facto é conhecido pela Troika do FMI, UE e BCE desde 2010. Em vez de promover a produção petrolífera para reequilibrar as contas gregas e aumentar a autonomia energética europeia, a ordem é privatizar a única via que o Estado grego dispõe para pagar aos credores.
Eis a razão pela qual russos e chineses digladiam-se para controlar os portos gregos: passam a controlar terminais de distribuição de petróleo e gás para os Balcãs e centro da Europa, e conquistam uma inédita presença estratégica no mediterrâneo.
Ciente desta ameaça, os EUA não dormem e Hillary Clinton deslocou-se recentemente à Grécia para tentar acertar condições de E&P com a Turquia, com o envolvimento da empresa americana Noble Energy. O problema reside em que a Grécia não dispõe de uma ZEE e por isso não tem garantido o direito soberano sobre os recursos no solo marinho. Por isso, Clinton foi tentar um acordo de repartição entre Grécia, Turquia e a Noble Energy. Na semana seguinte, os russos foram bater à porta dos gregos com proposta semelhante.
Se considerarmos que Israel será um exportador líquido de gás ainda nesta década e que Chipre também uma bacia rica em petróleo, concluem-se dois factos:
O Mediterrâneo será um foco de tensão geopolítica em torno dos recursos petrolíferos
A UE sofre de uma cegueira estratégica extrema ou a Alemanha já desistiu da Europa”
Desde logo, a Grécia não tem “22 mil milhões em reservas” mas menos de metade desse valor (sendo verdade, que os dez mil milhões podem ser pessimistas). Por outro lado, o Brasil (ainda que se fale apenas do “Poço Lula”) tem não metade desses alegados 22 mil milhões de barris, mas 123… De facto, a Grécia tem grandes reservas de petróleo, por exemplo, a Noruega tem 5,67, ou seja, pouco mais de metade das reservas gregas, o que mostra o quanto estas são impressionantes, apesar destes exageros. A questão é: se estes recursos são conhecidos (pelo menos desde janeiro deste ano) porque não estão já a ser explorados, abatendo assim a dívida externa helénica? Desde logo, porque com o país em Bancarrota é difícil cativar investimentos externos, por outro lado, não é propriamente fácil montar uma exploração de petróleo no Mar em larga escala… são processos tecnológicos complexos e que demoram anos até estarem em plena produção e, de facto, em julho, os gregos conseguiram colocar em curso oito bancos na sua região ocidental aos quais responderam as multinacionais Edison International, Melrose Resources, Petra Petroleum, Schlumberger, Arctic Hunter Energy e Chariot Oil and Gas. Em tese, e aos preços atuais, estas reservas podem ascender a mais de 300 mil milhões de euros, numa exploração que deve prolongar-se durante 25 anos, mas a dívida externa total grega era em junho de 2011 de mais de 500 mil milhões de euros, ou seja, mesmo depois destes 25 anos de exploração, a Grécia conseguirá pagar apenas metade deste montante, sem juros!
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Breve antevisão de uma eventual saída de Portugal do Euro

É cada vez mais provável que a Grécia tenha que sair do Euro… essa é a tese que é dada com elevada certeza nos meios financeiros mundiais e se a Grécia sair, não há dúvidas que Portugal entrará logo na primeira linha de fogo dos especuladores, o que (especialmente depois do fim do programa da Troika, em meados de 2013) poderá obrigar o nosso país a regressar ao Escudo, ou, numa hipótese mais moderada e recentemente sugerida por Manuela Ferreira Leite adotar um sistema híbrido Escudo-Euro (Escudo para uso interno, e Euro para externo).

Mas imaginemos que regressávamos ao Escudo. E que o fazíamos em clima de Bancarrota e de iminente rotura de pagamentos internacionais. Qual seria o cenário?

Desde logo, poderíamos contar com uma explosão nos números do desemprego. Dos quase 20% de desemprego efetivo, poderíamos passar muito rapidamente para 30% ou mesmo 40%. A pressão sobre a Segurança Social forçaria a uma alteração rápida do valor dos subsídios pagos ou da sua duração, com um notável feedback em famílias já muito prejudicadas pela Recessão… Esta, aliás, seria intensificada, sendo provável superior a -7% do PIB só no primeiro ano. Nestas condições, e dependendo da situação em Espanha, seria de esperar uma explosão na emigração de portugueses para a Europa e para o mundo lusófono. A prazo, isso iria pressionar ainda mais o sistema de pensões, naturalmente, e levar ao seu colapso ou à aplicação de uma série de reduções muito draconianas. Portugal, como a Grécia representam – juntos – pouco menos de 5% de toda a economia europeia, mas perante o seu colapso, a onda choque (sobretudo se ambos falissem e saíssem do Euro) teriam uma escala continental, tamanha é volatilidade e nervosismo dos Mercados… ou seja 5% derrubariam facilmente todo o continente e tem sido apenas por esta única razão que alemães, finlandeses e holandeses ainda não defendem publicamente a expulsão do Euro dos países do sul.

Regressando a Portugal, a saída do Euro evaporaria de um dia para a noite mais de 20% do PIB e atiraria a inflação para valores da ordem dos 30 a 40% e colocaria o Escudo em pelo menos 30% do valor do Euro (estas projeções resultam de um estudo recente de Ferreira do Amaral e de paralelismos com projeções semelhantes para a Grécia). Consequentemente, se não estivesse ainda em bancarrota, esta teria que ser declarada.

Em termos mais práticos, na véspera do dia em que fosse declarada (uma sexta-feira), o Governo irá declarar o congelamento de todas as contas bancárias e criar barreiras a transferências online para contas no estrangeiro. Nos dias seguinte, uma Lei definindo a nova moeda e antecipadamente preparada será votada de emergência e promulgada pelo Presidente. Nesse fim-de-semana já a Casa da Moeda deverá estar a imprimir notas e a cunhar moeda ao seu ritmo mais alto… para começar a distribuição logo a partir da segunda-feira seguinte. O exemplo eslovaco é a esse exemplo bem ilustrativo: quando o país se separou da República Checa, já o seu Banco Central estava a imprimir a nova moeda há seis meses… O mesmo pode de resto estar a acontecer em Portugal e na Grécia neste preciso momento… não sabemos!
A quebra súbita de liquidez aquando da saída do Euro pode levar o governo a patrocinar a criação de novos bancos, provavelmente públicos, para compensar os Bancos que o difícil processo de recuperação de soberania monetária pode criar. Isso foi o que aconteceu na Islândia, em 2008, com os bons resultados que hoje se conhecem.
A turbulência social e económica da saída do Euro será tremenda. O isolamento comercial e o fecho de fronteiras com Espanha será muito provável e as falências de pequenas empresas – sobretudo comerciais – serão sem precedentes. A Recessão irá transformar-se em Depressão, com quedas dos já baixos níveis de consumo que poderão ser superiores a 40%, mas o valor pode ser ainda maior… o caso argentino é neste contexto, exemplar: a maior bancarrota jamais registada (93 mil milhões de dólares) levou a uma quebra de 60% do consumo interno e dos preços do imobiliário, assim como uma explosão da inflação. Portugal, com uma dívida externa de mais de 550 mil milhões, seria um caso ainda mais grave… comparável apenas com o previsível colapso grego.
A depreciação relativamente ao Euro, do novo Escudo tornaria – de um dia para a noite – todos os bens importados mais caros, isto levaria a uma inflação sistémica que rapidamente contaminaria também os produtos fabricados localmente (por indução e devido à estrutura de custos implícita). As empresas industriais e agrícolas que trabalhassem com margens mais curtas seriam levadas à falência em grande escala e isso somaria à explosão do desemprego criada pelas falências das empresas comerciais levando ao aumento do desemprego e à multiplicação das saídas de emigrantes, especialmente, jovens sem família constituída. As fugas de capitais na Bolsa e nos Títulos de Dívida seriam notáveis e levariam para a estratosfera os juros de dívida no mercado secundário. Na prática, Portugal estaria fora dos Mercados durante pelo menos dez anos, como sucedeu recentemente com a Argentina. Em resultado, teria que recorrer ao FMI durante esse período (com os correspondentes pacotes austeritários durante esse período) ou reduzir para cerca de metade a despesa corrente… da qual 60% são salários da função pública e pensões. Consequentemente, ou reduzia em mais de 50% o funcionalismo público ou aplicava uma redução de salários e de pensões equivalente.
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A AIG está a vender dívida soberana alemã

AIG (w.globomidia.com.br)

AIG (w.globomidia.com.br)

Os sinais de que a tormenta financeira ainda não chegou na sua forma mais perigosa começam a multiplicar-se: notícias quase diárias de grandes Bancos multinacionais envolvidos em atividades criminosas ou “branqueamento” de contas, desregulação financeira que subsiste mesmo depois do crash de 2008 e, mais recentemente, sinais do que bancos alemães e holandeses, fundos de dívida soberana holandesa e até a imoral AIG estão a reduzir a sua exposição ao Euro.

E a AIG não se está a limitar a sair da dívida soberana dos países do sul, esta pérfida seguradora (que esteva na direta razão do colapso do Sub-prime) está agora apressadamente a vender tudo o que no inventário tem algo a ver com a Europa: divida soberana dos países intervencionados, ações de Bancos da Eurozona e até… divida soberana alemã e francesa.

A tempestade está finalmente a chegar aos garbosos países do norte que começam agora a pagar os efeitos das suas palavras e ações irresponsáveis. De forma diametralmente inversa, a AIG aumentou o seu investimento em dívida pública britânica… sinal que a AIG confia mais na política monetária do Reino Unido (com constantes injeções de capital na economia e sem o pavor da inflação que paralisa o BCE) do que na do BCE.

Sinais de que o petróleo sujo começa a chegar às praias germânicas…

Fonte:
http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/insurance/9470907/AIG-latest-to-make-capital-flight-from-eurozone.html

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Paul Krugman: “A desastrada combinação de união e desuniao no seio da Europa – a adoção pela maior parte das nações de uma moeda única sem se ter chegado a criar o tipo de união política e económica que tal moeda comum exige – tem-se revelado uma gigantesca fonte de enfraquecimento e de crise renovada”

“A desastrada combinação de união e desuniao no seio da Europa – a adoção pela maior parte das nações de uma moeda única sem se ter chegado a criar o tipo de união política e económica que tal moeda comum exige – tem-se revelado uma gigantesca fonte de enfraquecimento e de crise renovada.
Na Europa, tal como na América, a recessão atingiu desigualmente as regiões: os locais que tinham as bolhas especulativas maiores antes da crise estão agora a sofrer as maiores recessoes – pensemos no caso da Espanha como sendo a Florida da Europa, da Irlanda como sendo oo Nevada da Europa. Mas a legislatura da Florida não precisa de se preocupar em arranjar os fundos necessários para pagar ao Medicare e à segurança social, que são pagos pelo governo federal. A Espanha encontra-se entregue a si mesma, bem como a Grécia, Portugal e a Irlanda. Por conseguinte, na Europa a economia em depressão tem causado crises orçamentais e os investidores privados já não estão dispostos a emprestar dinheiro a uma série de países. E a resposta a estas crises orçamentais – tentativas selvagens e desesperadas para cortar nas despesas – empurrou os níveis de desemprego ao longo da periferia da Europa para os níveis da Grande Depressao de 1929, e parece estar também a arrastar a Europa para uma recessão absoluta.”

Fonte:
“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)

A conclusão que decorre do pensamento de Krugman é fácil de obter: a Moeda Única na presente situação de “desuniao” da União Europeia é insustentavel. A saída para este beco sem saída em que os decisores (ou melhor, os indecisores) europeus nos colocaram só poda assim passar por uma via dupla, mas completamente divergente: ou mais União, fiscal, orcamental e economica ou menos, abolindo efetivamente a União Europeia, transformando-a num formalismo sem grande papel político ou economico ou pura e simplesmente abolindo-a.

A primeira via é a da federação europeia, uma via que para ser trilhada com sucesso implicaria um amplo apoio popular e uma liderança politica decidida e competente. Ora na Europa de hoje não encontramos sinais nem do primeiro requisito, nem do segundo. Vários inquéritos de opinião realizados nos últimos meses no norte da Europa dão sinais precisamente do fenómeno oposto com um avolumar do discurso anti-países do sul, com reflexos eleitorais diretos e levando os politicos do norte da Europa a um discurso e ação cada vez mais xenofobos.

A segunda via é a da Desuniao Europeia… a inacao, lentidao e evidente desnorte da eurocracia e dos políticos que estão hoje à frente dos países membros aponta cada vez com mais intensidade nessa saída. A insistência suicida na “receita” ideológica dos neoliberais (que dominam o FMI e o BCE) segundo o qual a presente Depressao resulta unicamente dos excessos dos gastos dos Estados e não da desregulacao financeira e comercial desde a decada de 1990 está a arrastar o continente para uma Depressao, quew nao sendo ainda uma segunda “Grande Depressao” ja alcançou os níveis de desemprego da Grande Depressao da década de 1930. A intensificacao dos orcamentos austeritarios, em Espanha, França, Grécia e Portugal está a arrastar cada vez mais para baixos as economias destes países, começando agora a refletir-se também nos países do norte, pela diminuicao constante e interminavel nos níveis da Procura (por via credit crunch e da explosão do desemprego). Numa Europa que caminha decididamente para o abismo de uma segunda Grande Depressao, pela via da redução do Estado a uma minarquia neoliberal e da compressao da Procura e dos Salarios está a criar-se um ambiente propício à erupção de um Caos Social de amplitude e duração difíceis de antever e que, certamente, conduzira à implosão da União Europeia, concretizando assim esta segunda via de saída para o presente beco…

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Paul Krugman e a necessidade de estimular a Procura para sair da Depressão

“Demos por nós num mundo onde a falta de uma procura suficiente se tinha convertido no problema económico fundamental, e onde as limitadas soluções tecnocráticas, como os cortes na taxa de juro de referencia da Reserva Federal, não eram adequadas para essa situação.para enfrentarmos a crise de um modo eficaz, precisamos de políticas governamentais para sustentar o emprego, como de esforços para reduzir o sobre-endividamento hipotecário.”

Fonte:
“Acabem com esta crise, já!”
Paul Krugman (Nobel da Economia)

Precisamos portanto de um “programa de estímulo” virado para a economia real e a para a produção de bens transaccionáveis, protegido de importações pela derrogação temporária (pelo menos) das leis europeias da concorrência e por benefícios fiscais às exportações. Este pacote de estímulo deve ter um volume significativo em relação ao PIB, não sendo nunca inferior a 5% e estar enquadrado numa reajustamento da dívida externa (componente de juros) e numa contenção draconiana nas despesas em Fundações e nas PPPs que pode passar nos casos mais graves pela pura e simples nacionalização.

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“Em setembro, quando entrar em funcionamento o fundo de resgate permanente – o mecanismo de estabilidade europeu (MEE) – Portugal será obrigado a contribuir financeiramente”

Rajoy (http://n.i.uol.com.br)

Olé! Rajoy (http://n.i.uol.com.br)

“Em setembro, quando entrar em funcionamento o fundo de resgate permanente – o mecanismo de estabilidade europeu (MEE) – Portugal será obrigado a contribuir financeiramente para os futuros resgates na Zona Euro, a que Espanha é o primeiro candidato. A matemática é fácil de fazer: se o MEE emprestar 500 mil milhões de euros a Madrid, Portugal terá de entregar 12.5 mil milhões de euros.”
SOL de 27 de julho de 2012

Curiosamente, a quota lusa é maior que a finlandesa (12.5 mil milhões e que a Irlandesa (11.1 mil milhões)… e isto apesar de o PIB per capita da Finlândia ser de 34769 euros e o de Portugal ser de apenas pouco mais de 21 mil euros. Mais um tratado bem negociado, portanto… por outro lado, como é? Estamos em regime de protetorado europeu, suando a estopinhas para suportar as doses e camadas sucessivas que lá de Berlim nos mandam cumprir (e a malta cumpre, obediente) e agora também temos que pedir emprestado (a juros especulativos, sempre) para emprestar a quem ainda há uns meses atrás andava a dizer que “não somos Portugal!”?… e a alguém que (ainda por cima) nos ocupa território nacional (os concelhos de Olivença) e nos rouba a água dos rios internacionais?!…

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Os dois navios de combate à poluição (NCP) encomendados pelo Governo em 2004 continuam por construir

Projeto NCP (http://www.envc.pt)

Projeto NCP (http://www.envc.pt)

Em 2004, no rescaldo do incidente na Galiza com o petroleiro “Prestige” de 2002, o governo de Barroso-Portos haveria de tomar a decisão (correta) de encomendar aos Estaleiros de Viana do Castelo a conceção e construção de dois “Navios de Combate à Poluição” (NCP). Desde então, gastaram-se mais de 18 milhões de euros no projeto do NCP sobretudo na compra de materiais e (menos) na adaptação do projeto dos NPO2000 para esta função. Os dois NCP deveriam custar ao Estado Português cerca de 100 milhões de euros mas seriam os primeiros meios do tipo ao dispor da Marinha numa das costas mais movimentadas da rotas marítimas que servem o continente europeu e, além do mais, representariam um importante “balão de oxigénio” para os Estaleiros (que embora em processo de privatização continuam a ser estatais). Curiosamente, os NCPs foram concebidos não para serem “apenas” navios de combate à poluição podendo ser usados também em missões de patrulhamento, graças ao canhão embarcado de 40 mm (idêntico ao dos NPO2000).

Infelizmente, a construção dos navios está suspensa desde 2004… Petroleiros gigantes continuam a passar todos os dias pela costa portuguesa colocando em grave risco um dos grandes recursos económicos do país: o Turismo, hoje 11% do PIB, 15% futuramente nos planos do governo… Segundo parece esta prioridade não é prioritária para o Governo tendo em conta o estado (parado) da construção destes navios… Uma das saídas para este impasse – no presente clima de draconiana contenção orçamental – poderia ser a ajuda europeia. Atualmente, a Agência Europeia de Segurança Marítima (AESM) tem a responsabilidade no quadro europeu por estas missões, e em 2007 requisitou a construtores europeus três navios de combate à poluição, que se somaram aos nove já operacionais. Em 2007, nesta frota europeia constava já o “Galp Marine” que baseado em Sines cumpria missões de combate à poluição por todo o continente europeu, algumas delas no norte da Europa. Normalmente, o navio está em Sines, podendo ser usado rapidamente caso surjam emergências na nossa costa, mas é um recurso limitado e muito especializado a um dado tipo de poluição…

Uma das maiores marinhas europeias, a francesa possui atualmente 4 navios de combate à poluição (classes UT710 e UT711), para operar naquela que é a segunda maior ZEE do mundo (precedida apenas pela dos EUA), com uns impressionante 11,035,000 km2. Portugal tem a décima (contando com o pedido de extensão de 2009), com uns muito notáveis 3,877,408 km2, mas temos das rotas mais movimentadas no globo… com petroleiros a atravessarem constantemente as nossas águas, enquanto que a maior parte das águas francesas se situam nos territórios ultramarinos, em regiões de fraco tráfego marítimo. Assim, dois NCP poderiam não ser inadequados. Esses meios, de resto, poderiam ser construídos em Portugal, no modelo previsto (NCP), e depois alugados à Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), juntando-se ao “Galp Marine” e ao velho NRP “Bacamarte”, o único navio da Marinha com capacidade de combate à poluição do mar, uma lancha de desembarque adaptada

Fontes:
http://www.publico.pt/Pol%EDtica/governo-gastou-18-milhoes-em-navios-de-combate-a-poluicao-que-estao-por-construir–1557820
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prestige
http://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Viana_do_Castelo
http://www.turismodeportugal.pt/portugu%C3%AAs/Clipping/Pages/Tecnologiass%C3%A3ope%C3%A7acrucialparaoTurismonacional.aspx
http://www.incineracao.online.pt/poluicao-do-mar-europa-precisa-de-mais-navios
http://www.revistademarinha.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1391:espadarte-2009&catid=101:actualidade-nacional&Itemid=290
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_current_French_Navy_ships
http://www.envc.pt/marinha/ncp2000/ncp2000.htm

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Viriato Soromenho Marques: “Os mesmos políticos que criaram a UEM, cujo centro nevrálgico é Banco Central mutilado, que deixa as economias nacionais mais isoladas, totalmente dependentes do crédito, são os mesmos que vociferam contra as agências de rating, e contra a insubmissão do capital”

Viriato Soromenho Marques (http://www.viriatosoromenho-marques.com)

Viriato Soromenho Marques (http://www.viriatosoromenho-marques.com)

“Os mesmos políticos que criaram a UEM, cujo centro nevrálgico é Banco Central mutilado, que deixa as economias nacionais mais isoladas, totalmente dependentes do crédito, são os mesmos que vociferam contra as agências de rating, e contra a insubmissão do capital. A Fitch e a Morgan Stanley concluíram que só o renascimento do projeto europeu, numa clara viragem em direção aos “Estados Unidos da Europa” poderia garantir o regresso a uma prosperidade sustentável. A mensagem é clara: no ponto de corrosiva desconfiança a que chegamos só haverá investimento para projetos europeus se os políticos forem capazes de pensar a uma escala europeia. O problema da Europa não é falta de crédito, que abunda nos mercados, mas sim a absoluta e incorrigível incompetência de uma classe política.”

Viriato Soromenho Marques
Diário de Notícias, 10 de maio de 2012

Há duas hipóteses: ou os políticos europeus são sumamente imbecis e incompetentes e ainda não perceberam que ter uma Moeda Única e não ter um quadro fiscal e orçamental únicos é incompatível ou então não o são e estar intencionalmente que esta crise se agrave sucessivamente, cada vez mais, até que os povos estejam moralmente desmoralizados e acabem por aceitarem a imposição de um federalismo dominado pelos germânicos e onde a democracia será pouco mais que um formalismo esvaziado de prática.

Esta é a “escala europeia” que as agências de rating defendem como a única saída para a crise europeia: a transformação da União Europeia, com todos os seus mecanismos de consenso e enquadramento das soberanias nacionais numa gigantesca federação continental dominada imperialmente pelos países do norte.

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Baptista Bastos: “O caso grego é complexo e estimulante”

A Evangeline Lilly não é o Baptista-Bastos mas fica bem melhor...

A Evangeline Lilly não é o Baptista-Bastos mas fica bem melhor…

“O caso grego é complexo e estimulante. O povo não quer nada do que se lhe impõe, e o que se lhe impõe é, simplesmente, um ato de servidão e de subserviência. De contrário, ou vai embora do euro ou procedera a eleições sucessivas até que o resultado seja coincidente com as normas. Aqui, o desprezo pela democracia, operado pelo “governo invisível dos poderosos”, chega a ser infame e obsceno.
A insistência dos gregos em lutar contra a fantasmagoria dos “mercados”, que impõe implacavelmente as suas leis, abre novas perspetivas de acareamento com o modelo de sociedade que nos infundem.
(…)
A Grécia pôs em causa a perfídia doutrinaria do “empobrecimento” e da inevitabilidade de passarmos a ser “democracias de superfície”, mandadas do exterior por esse inquietante “governo invisível dos poderosos”.
Não é o caso de Portugal?”

Baptista Bastos
Diário de Notícias, 9 de maio de 2012

Não deixa de ser irónico que seja um dos mais pequenos e pobres países membros da União Europeia que esteja agora a colocar de joelhos a – aparentemente – megapoderosa europa. Obviamente, os “grandes” do norte da europa, que se arrogam ao direito de mandar sobre os pequenos e de os empurrar para a pobreza, para um retrocesso de décadas da sua qualidade e nível de vida, enquanto enriquecem cada vez mais, à custa de taxas de juro de 0.0%, da desindustrialização do sul e de um egoísmo sem nome nem moral.

Obviamente, os povos que são assim empurrados para este beco sem saída, para uma caminhada desesperante de desemprego crónico e duradouro, de um recuo generalizado do Estado Social e a um empobrecimento inédito nos últimos séculos sacodem o jugo. Pressionados, insultados, desprezados e constantemente vilipendiados pelos europeus do norte, os gregos reagem.

E os portugueses?…

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A Islândia já perdeu todo o entusiasmo em aderir ao Euro e à União Europeia

Pouco depois do colapso do seu sistema financeiro em 2008, a Islândia procurou aderir rapidamente à União Europeia, como forma de impedir a recorrência de turbulências futuras do mesmo tipo. Mas a atual confusão no sistema financeiro europeu fez os islandeses mudarem de opinião… isso e o facto de a sua economia estar a recuperar rapidamente. Nas ruas, e entre as elites económicas e políticas o sentimento dominante tornou a ser contrário à integração política e monetária na Europa. O turismo está em franco crescimento, beneficiando do facto de a Coroa islandesa valer hoje metade do que valia em 2008, o que tornou o país muito atrativo ao turismo estrangeiro. A indústria da pesca também está de boa saúde, com os stocks piscícolas em bom estado e as exportações beneficiando do baixo valor da moeda nacional. De facto, a imposição de partilha das águas islandesas, determinada por Bruxelas, está até a funcionar como um dissuasor contra a adesão…

Com efeito, com a adesão ao Euro, a Islândia perderia a moeda competitiva que hoje possui e que lhe permitiu recuperar de forma muito sensível as suas exportações e tornar mais atrativo do que nunca o setor do Turismo. Com a adesão à União Europeia, veria as suas reservas piscícolas invadidas pelas frotas de arrastões espanholas, britânicas e francesas. E esse setor é estratégico para esta ilha, já que 3% do seu PIB depende diretamente da Pesca, enquanto que a média europeia é de apenas 1%.

A Islândia, depois de em 2008, nos ter dado a lição de que é preferível deixar os credores perder os seus investimentos especulativos a reduzir pensões, benefícios sociais e criar o caos na sociedade. Em vez de salvar os seus Bancos a todo o custo e sacrificando em seu nome toda a sociedade, a Islândia preferiu deixá-los falir de forma controlada, salvando a economia.

Fonte:
http://www.voanews.com/content/iceland-turns-away-from-eu-as-economy-grows-again/1381587.html

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Porque é que Passos Coelho não defendeu Portugal na última cimeira europeia?

A última cimeira europeia não foi tão vácua em termos de resultados como tem sido tradição (muito devido a uma coligação entre Espanha e Itália que dobrou os joelhos a Merkel). As decisões saídas da cimeira podem fazer descer – de forma duradoura – os juros de financiamento pagos por Espanha e Itália e a Irlanda está também entre os grandes beneficiados. A péssima prestação dos representantes portugueses na Cimeira (onde anda Portas?!) deixou o país de fora na lista de beneficiários da cimeira, de forma absolutamente incompreensível, mas que apenas um seguidismo acéfalo e bovino aos interesses da Alemanha pode explicar.

Porque é que a Irlanda conseguiu a inscrição no texto final da cimeira onde se promete “uma melhoria da sustentabilidade do programa de ajustamento irlandês, que está a revelar um bom desempenho” e Portugal – que proporcionalmente está a realizar um esforço muito maior – não obteve o mesmo resultado?!

Porque é que Espanha conseguiu uma capitalização direta da sua Banca, enquanto que Portugal tem que a obter através da agiotica “ajuda da Troika”, com juros e pesados pacotes recessivos de austeridade?

Porque é que Itália saiu com a garantia de que a sua dívida soberana será comprada nos mercados primário e secundário (ainda que de uma forma indeterminada)? Até a Grécia – que tem falhado sistematicamente nos seus compromissos – obteve a promessa de “ajustamentos” no seu programa…

Perante esta vaga de sucessos, Portugal e os seus representantes na cimeira parecem – no mínimo – ter dormido na forma. Podíamos (devíamos) ter beneficiado da ajuda direta à Banca. Podíamos (devíamos) ter recebido também a garantia de compra de dívida, que seria essencial para fazer baixar os juros especulativos que ainda pagamos.

Passos Coelho, parece ter vestido a pele de “ovelha negra” imposta pela sua dona, Merkel e assumido – em nome de todos nós – o jugo da austeridade, percebida já (os resultados da execução orçamental provam-no) mais como castigo que receita para nos curar da recessão. Na melhor das hipóteses, o Governo espera apenas que a europa conceda uma extensão de um ano no prazo do ajustamento-castigo que nos foi imposto pelos nossos “amigos” europeus.

Da cimeira, o governo parece ter saído apenas com uma redobrada convicção de seguir o caminho de uma austeridade fundamentalista que trouxe a maior recessão das ultimas décadas, níveis recorde de desemprego (mais de metade sem subsídio: 444 mil pessoas!) E um desvio colossal na execução orçamental. Mas Merkel está contente com Passos e aparentemente só isso importa. Não alinhar com este novo eixo Madrid-Roma-Paris que se desenha no horizonte, ou, pelo menos concertar posições comuns com Irlanda e Grécia. Não, para Passos e para o invisível Portas, importa apenas alinhar com o jugo que de Berlim nos mandam vestir.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/solucoes-para-os-paises-perifericos-deixam-portugal-de-fora_147508.html

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Miguel Frasquilho: “Ao ponto a que a crise da dívida soberana europeia chegou, não há fundo de resgate que consiga acalmar os receios dos mercados, e só uma “grande bazuca” resta à Zona Euro: permitir que o BCE anuncie que está pronto a comprar ilimitadamente dívida soberana dos Estados-Membros”

Miguel Frasquilho (http://bairradadigital.pt)

Miguel Frasquilho (http://bairradadigital.pt)

“Ao ponto a que a crise da dívida soberana europeia chegou, não há fundo de resgate que consiga acalmar os receios dos mercados, e só uma “grande bazuca” resta à Zona Euro: permitir que o BCE anuncie que está pronto a comprar ilimitadamente dívida soberana dos Estados-Membros. Ou seja, que se torne o seu lender of last resort. Porquê?… Com Grécia, Irlanda e Portugal ao abrigo de Programas de Assistência Económica e Financeira, as atenções dos ditos mercados viraram-se para Espanha e Itália, que representam quase 28% do PIB da Zona Euro. Só Espanha tem necessidades públicas de financiamento próximas de 500 mil milhões de euros nos próximos três anos, exatamente a quantia de que dispõe o novo fundo de resgate.”
(…)
“Estaria o BCE afinal a adotar a mesma postura do FED, do Banco de Inglaterra, do Banco do Japão ou do Banco da Suíça.” (…) E sejamos claros: mesmo que fosse preciso emitir muita moeda, as pressões inflacionistas – que tanto preocupam a Alemanha – na atual conjuntura recessiva seriam… quase nulas!…”

Miguel Frasquilho
SOL 20 de abril de 2012

O BCE tem contudo resistido com todas as suas forças – e contando nessa resistência com o crucial apoio do Bundesbank – nesse movimento para se tornar num verdadeiro banco central, pedra basilar e firme das economias que dele dependem e capaz de emitir moeda, emprestar diretamente ao Estado e de influir diretamente no curso das economias sem estar completamente obcecado e enredado nos traumas nacionais de um dos seus vinte e oito Estados-membros, que é a Alemanha e a sua obsessão em manter a inflação baixa.

O BCE tem agora nas mãos não mais o problema grego (cuja saída do euro e consequente bancarrota podem ser acomodadas com relativa facilidade), mas o espanhol e italiano. Com efeito, na Grécia,tudo se encaminha neste momento para que o governo que saía (se sair algum…) seja contrário à aplicação de mais um pacote de austeridade e que essa recusa leve à saída do euro. Perante tal desafio, os mercados irão apontar as suas baterias para o seguinte “ponto fraco” do Euro. E este não serão nenhum dos outros países intervencionados (Portugal e Irlanda), mas Espanha, Itália e Bélgica. Nesse momento, as opções serão evidentes: ou o BCE continua a aplicar os dogmas monetaristas ou assistimos a um colapso massivo do Euro, com perdas continentais que sai muito difíceis de avaliar,  mas que ascenderão certamente a muitos triliões de euros.

Estamos a chegar muito rapidamente ao ponto em que o BCE tem que decidir se quer ou não salvar o Euro e continuar – ele próprio – a existir… Porque sejamos claros: se a moeda única acabar,  acaba com ela o BCE e todo o projeto da União Europeia. É exatamente isto que está em jogo.

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A Grécia vai sair do Euro

A saída da Grécia do Euro parece cada vez mais impossível de evitar, apesar de todas as declarações em contrário de Bruxelas e de muitos líderes europeus. Sabe-se que a Alemanha já tem preparada essa saída desde finais do ano passo e o seu ministro das Finanças (Wolfgang Schaeuble) admitiu recentemente que tal saída implicaria perdas, para a Europa, em torno dos cem mil milhões de euros o que – nas suas palavras – seria suportável…

A ideia do abandono grego do Euro começa a ser muito referida na Alemanha. Tabu ainda há não muito tempo atrás, consta agora de todos os cenários e em muitos círculos é dada tanto como segura, como iminente. Sinal desses tempos é um artigo recente da revista “Der Spiegel” onde se escreve que é “tempo de admitir a derrota. O plano de resgate falhou. As melhores esperanças para a Grécia estão, agora, no regresso ao dracma”. A revista constata o evidente: mesmo depois de uma reestruturação e dois resgates sucessivos a dívida grega continua a explodir, a economia afunda constantemente ano após ano. O resgate da troika não funcionou, e isso hoje é particularmente evidente. Quando os gregos recusaram liminarmente a continuação do ciclo interminável austeridade-resgate-austeridade nas últimas eleições e agora a saída do Euro é a única opção.

A Grécia vai assim regressar ao Dracma, num prazo que pode estar por semana ou até por dias. Sem dúvida que o momento de transição será muito duro, com um acentuado e brusco colapso do nível de vida e uma explosão dos preços das importações. Mas a médio prazo, Atenas pode recuperar competitividade internacional, libertando-se do Euro, uma moeda que sempre esteve sobreavaliada, e que sempre serviu mais os interesses da Alemanha do que os dos países do Sul. Idêntica posição tem Paul Krugman, que acredita que a Grécia vai regressar ao Dracma, o mais tardar em junho.

O artigo da “Der Spiegel” termina afirmando que sair do Euro seria a única forma de a Grécia: “reconquistar a dignidade”.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=556601

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Cadilhe: “A UE teria de fechar os olhos a excecionais e temporárias derrogações de regras de concorrência, porque um plano de correção estrutural do défice externo e do desemprego careceria de políticas e medidas discriminatórias, durante cinco a dez anos, a favor da produção portuguesa de transaccionáveis”

“Primeiro,  precisaríamos de convencer a UE… Ela teria de fechar os olhos a excecionais e temporárias derrogações de regras de concorrência,  porque um plano de correção estrutural do défice externo e do desemprego careceria de políticas e medidas discriminatórias,  durante cinco a dez anos, a favor da produção portuguesa de transaccionáveis. Segundo,  precisaríamos de financiamento adequado às necessidades de muito e bom investimento nacional e estrangeiro, digo,  portanto financiar montantes elevados e prazos longos num plano que já não teria a assistência da troika.”

Miguel Cadilhe
Diário Económico
5 de abril de 2012

Gosto tanto de Cadilhe como gosto da Peste ou do Cavaquismo (fenómenos equivalentes no dano que deram a Portugal) mas não deixa de curioso (e encorajador) ver que a mensagem de que é necessário restaurar – ainda que provisoriamente – algum tipo de controlo das fronteiras comerciais de Portugal em relação à Europa.

A Europa não pode simultaneamente exigir-nos austeridade e o pagamento das dividas externas enquanto envia produtos agrícolas e pesqueiros a preços abaixo do custo que os mesmos assumem quando são produzidos em Portugal. Se precisamos (e como!) de recuperar o nosso setor produtivo,  por forma a substituir localmente importações e assim reduzir o desemprego e o crónico desequilibro da balança de pagamentos então precisamos que a Europa nos ajude e suprima – temporariamente – essa abertura total de fronteiras. Se não o fizer e num contexto em que o Euro se mantém demasiado elevado e que a Europa nos continua a inundar com os seus produtos não restarão muitas saídas alem da saída da União Europeia,  ja que a declaração simples de bancarrota não será capaz de resolver esses desequilibras a prazo.

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A Europa espera um “líder visionário”. Em vão.

União Europeia (http://www.suapesquisa.com)

União Europeia (http://www.suapesquisa.com)

Os movimentos da História não se compadecem da necessidade de uns certos indivíduos, são imperativos e inamovíveis. Quando num dado momento é necessário que surge. Um indivíduo “providencial, ele surge. A História não é fulanista, não se move por o “José”, o “Antonio”, o “Dom Henrique” ou o “Adolfo” quiseram, são os próprios movimentos e fluxos intercomunicantes da Historia que fazem surgir à superfície indivíduos que dão eco a certos fenómenos, necessários, imperativos e incontornáveis. Não os indivíduos (nem sequer “os grandes líderes”) que fazem a História. Pelo contrário, é a História que faz os lideres.

Se os europeístas de hoje clamam ansiosos por um grande líder, como Monet, Shumman ou Delors, clamam em vão. Se fosse o momento desse líder chegar à superfície, já o teríamos conhecido. Este é, pelo contrario, o tempo dos Merkels e dos Sarkozies, dos “lideres” sem ambição e visão de longo prazo, dos políticos sem estofo nem carisma que se preocupam apenas no horizonte das próximas eleições. A ausência de um “líder providencial” é um dos sintomas desse “homem doente” do panorama internacional que é hoje a europa. Não existe um líder à altura do projeto europeu, porque simplesmente, ele não deve existir. Não, pelo menos, na situação e condição em que o continente se encontra.

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Petros Markaris: “O que foi precioso para a Europa foi a diversidade”

“O que foi precioso para a Europa foi a diversidade. A diversidade de tradições, de processos históricos, a diversidade de cultura em cada país da UE. Sacrificámos tudo isso à moeda comum, que por natureza é contrária a qualquer diversidade. Agora pedem-nos para, em nome da moeda comum, adoptarmos uma forma única de vida, que é maioritariamente alemã. Mas não nos podemos todos tornar alemães, da mesma forma que os alemães não se podem tornar portugueses ou gregos. Estamos a mover-nos rumo a uma Europa uniformizada e isto é mau para os países e também para a Europa.”
Petros Markaris
Jornal de Negócios
13 de janeiro de 2012

É esta pulsão muito germânica de tudo formatar ao mesmo modelo que está a destruir o sonho europeu. Criado inicialmente num modo de partilha de soberania, coexistência, coesão e entre-ajuda, vemos hoje a Europa e as suas instituições a usaram ameaças de “punições”, “fiscalizações”, “limitações de soberania” e “protetorado”, como formas de exercer domínio. A europa dos chamados “pais fundadores” do Tratado de Roma não era esta europa… Era uma europa dominada por preocupações morais, filosóficas e politicas, não pelas ditaduras da economia e finanças e sobretudo, não estava ao serviço dos interesses dos especuladores e dos mercados.

Uma europa que seja aglutinadora, que tudo destrua em nome de um “ideal” imperial, imposto a partir da Alemanha, administrado e por ela aplicado não será certamente a mesma europa que esteve nos projetos que levaram à sua fundação e que tornaram a União Europeia num exemplo de prosperidade, democracia e desenvolvimento. Mas infelizmente é para esta conceito recauchutado de “europa” que estamos a caminhar em passo muito acelerado…

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Dos resultados da austeridade obsessiva na Zona Euro

http://assets2.exame.abril.com.br

assets2.exame.abril.com.br

“A receita da austeridade obsessiva deu já resultados,  nomeadamente,  o default grego.  E Portugal é o senhor que se segue,  dado que mais tarde ou mais cedo terá que reestruturar a sua dívida e avançar com novo pedido de resgate.  Como se não bastassem já as históricas taxas de desemprego,  deveríamos também questionar os Governos quanto à razão por que insistem numa política que nega um futuro às gerações mais novas,  onde o desemprego ronda os 35%. Noutros tempos este números fariam cair qualquer Governo.  Não! As coisas não estão OK. Apenas se adiou o inevitável! Revoltantemente,  a cimeira do emprego da UE, tendo e,  perspetiva promover o emprego, foi um flop. “

Vivemos uma autêntica “paz podre” social. Os números de desemprego na Europa alcançam valores socialmente incomportáveis e apenas a existência de sociedades civicamente entorpecidas por doses massivas de manipulação mediática e por sistemas democráticos e participativos cada vez mais fechados e ritualizados explicam porque não está hoje a Europa em chamas.

Mas esta “paz podre” pode estar a viver hoje os seus últimos dias. Os níveis de desemprego jovem estão a ser absorvidos pelo prolongamento absurdo das carreiras académicas e pelas famílias,  que acolhem hoje os jovens para além de tudo aquilo que seria razoável, não sendo hoje raros os casos de jovens de 40 anos que permanecem em casa dos progenitores e constituem até família nestas novas “casas alargadas”. Mas o desemprego crescente (e crónico) acima dos 45 anos está a corroer a base económica destas “famílias alargadas” e não faltara muito tempo até que estas estejam de tal modo bloqueadas que não poderão mais assumir esse papel de “almofada social” para este desemprego jovem cada vez maior e mais esmagador. Quando isso acontecer: estarão criadas as condições para a erupção de um nível de conflitualidade social inédito no continente europeu.

Fonte:
Domingos Ferreira
Público 14 de março de 2012

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A Europa flexibiliza as regras orçamentais para Espanha

“A decisão de flexibilizar as regras para com Espanha abre um rombo nas novas regras europeias, que demoraram quase dois anos a serem negociadas e entraram em vigor há apenas três meses, com sanções bem mais severas e automáticas para os países incumpridores, de modo a evitar o tipo de negociação política que rebentou com o pacto de estabilidade em 2003.
O problema é que a partir do momento em que resolveram politicamente o problema espanhol,  os Dezassete terão grandes dificuldades em explicar por que é que não flexibilizam igualmente a trajetória de consolidação fixada para Portugal,  ou Grécia, cuja recessão económica e esforço de ajustamento são bem mais sérios do que em Espanha. “

Publico,  14 de março de 2012

É nestes momentos que os povos com memoria (uma qualidade cada vez mais rara nos dias que correm) se devem recordar que os primeiros países a quebrarem os limites do défice orçamental público foram precisamente os dois “maiores” países da União Europeia,  Alemanha e França. Então (como hoje) a Europa tem dois pesos e duas medidas: para os pequenos, como Irlanda,  Grécia ou Portugal exige rigor,  austeridade e cortes.  Para os “grandes” como França e Alemanha,  antes e Espanha, agora mostra tolerância e flexibilidade.

São atitudes como esta que demonstram que esta é uma europa bastarda,  com “e” pequeno,  onde a coesão e a solidariedade inter-estados são conceitos ocos e esvaziados de sentido. Os que pertencem aos “grandes” recebem carta branca para todas as tropelias e aleivosias, os demais estão basicamente tramados.  A conclusão é óbvia e está à frente de quem a quiser ver: os “pequenos” devem deixar os “grandes” brincando onanisticamente entre si e partir à sua vida,  recentrando sobre si mesmos os seus próprios rumos e rejeitando uma “união” cada vez mais dos “grandes e ricos” e ciosa dessa exclusividade ou buscando formar uma “união dos povos do sul” que terá pelo menos o mérito de não poder contar com estes egóticos povos do norte (e onde “grandes” como Itália e Espanha se depois poderão juntar) ou saindo: reconstruindo o destruído tecido produtivo e buscando alem mar (por exemplo: Portugal na Lusofonia) um seu destino maior e menos mesquinho do que o desta “união” europeia.

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É a Alemanha que se está a europeizar ou a Europa que se está a germanizar?

União Europeia (http://dre.pt)

União Europeia (http://dre.pt)

“Na década de 1990, quando era estudante universitário, durante as minhas aulas de cultura alemã e não só, questionava-me se era a Alemanha que se estava a europeizar ou a Europa que se estava a germanizar.”

Rumar Portugal, Considerar a Europa, Pensar a Lusofonia
António Jose Borges
Nova Águia, número 8

Se algo parece claro nos últimos meses é precisamente a esta questão: a Europa está a germanizar-se e de forma acelerada. França continua a iludir-se a si própria julgando que ocupa ainda um local central no quadro europeu. Mas de facto, o jogo da austeridade, que propicia a uma fuga massiva de capitais da periferia para a Alemanha, Suíça e Holanda, empobrece todo o continente, impondo uma contenção orçamental que muito agrada a alemães, mas sem a abundância de capitais de que ela goza.

A Europa perde carácter e torna-se cada vez numa “Grande Alemanha”, em que todos os demais Estados transferem parcelas crescentes de soberania para a Alemanha, o papel e a influencia da Comissão Europeia desvanece-se e os países periféricos transformam-se cada vez mais em gigantescos “club meds” sem real influencia ou condução nos destinos da cada vez menos “comum” casa europeia.

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António Marques Bessa: “A política externa portuguesa passou a desenvolver uma obsessão pela Europa e depois uma obsessão na Europa: a construção da Federação Europeia”

União Europeia (http://dre.pt)

União Europeia (http://dre.pt)

“A política externa portuguesa passou a desenvolver uma obsessão pela Europa e depois uma obsessão na Europa: a construção da Federação Europeia. Pequeno país pretende ter a sua defesa acautelada pela Nato, a sua economia dominada pelas grandes potências, o seu financiamento garantido por um Orçamento Federal. Como se diz, em muitas terras donde vieram os vossos antepassados: “fidalguia sem comédia é gaita que não assobia”. O despesismo extremo dos governos, a incúria em matérias-chave de formação de pessoal qualificado, o esquecimento do agro e das pescas, a glutonica pelos programas europeus de convergência que faziam entrar dinheiro fresco, tornou Portugal num país extremamente vulnerável que a sua diplomacia já não pode mais disfarçar.”

António Marques Bessa
As Grandes Linhas da Política Externa Portuguesa nos Últimos Anos
Finis Mundi, número 3

Nunca na História uma pequena ou média potência conseguiu assegurar a sua soberania fazendo-a assentar unicamente sob os seus próprios recursos. Não resulta assim desonroso, querer que Portugal construa uma teia de alianças defensivas e ofensivas tendo em vista a defesa da sua integridade territorial ou dos seus interesses de soberania. Essa rede é atualmente – gostemos ou não – providenciada pela OTAN e pela União Europeia. Futuramente, até pela patente desagregação da União Europeia e enfraquecimento constante dos EUA, Portugal deve buscar outros apoios externos.

As grandes estratégias não se traçam e aplicam de um momento para o outro. Não se aplicam ao sabor das modas ou circunstancias nem dos lideres políticos ou dos caprichos mediáticos do momento. Traçam-se em prazos de décadas e objetivam-se ainda para mais longe. Dito isto, este é o momento para começar a lançar os alicerces para uma nova fase das relações internacionais e diplomáticas de Portugal. Uma nova fase que responda à decadência europeia e que explore a vocação atlântica e Lusófona de Portugal. Uma via estratégica, larga e ambiciosa, que dê cumprimento às profecias e ao destino de Portugal, lançando a “ideia de ser Portugal” pelo mundo fora… E realizando assim o Quinto Império dos poetas e sonhadores de todas as gerações.

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O problema do desemprego em Portugal tem um outro nome e esse nome é “Euro”

O problema do desemprego em Portugal tem um outro nome e esse nome é “Euro”. Desde que Portugal aderiu ao Euro a economia nunca mais tornou a conhecer os níveis de crescimento precedentes, perdeu produção industrial a um ritmo sem precedentes e assistiu a um crescimento do desemprego quase sempre, anos após ano.

Na verdade, desde a adesão ao Sistema Económico e Monetário, em 1999, ainda antes da adoção da Moeda Única (Euro) Portugal conheceu uma evolução do Desemprego ainda mais negativa que o crescimento do PIB. Esta evolução indica que dois fatores principais confluem para a cada vez mais grave situação do desemprego em Portugal: a estagnação económica e o Euro. Na verdade, se tivermos em conta que a perda de competitividade internacional do nosso setor de bens transaccionáveis resulta em grande parte do Euro, esses dois fatores podem muito adequadamente reduzir-se a apenas um: o Euro.

Aquando da adesão ao Euro houve quem alertasse para os riscos decorrentes: convite a um endividamento descontrolado, criado pela baixa radical das taxas de juro; perda de competitividade internacional devido à alta cotação relativa do Euro (sobrevalorizado desde o primeiro dia); impossibilidade de realizar desvalorizações da moeda, etc. A soma de todos estes fatores haveria de impactar negativamente nos números do desemprego e agora a correção dessa analise está bem à vista de todos: estima-se que perto de 1.2 milhões de portugueses (números reais) estejam desempregados ou tenham simplesmente desistido de encontrar trabalho.

O problema não é assim conjuntural, não é uma consequência de um ou outro mau governo, nem da recessão global, do crash do suprime de 2008 ou da divida soberana. O problema é o uso de uma moeda completamente inadequada a Portugal, imposta pela pressão europeia (que nos queria tercializados e dependentes) e pela miragem doentia do crédito barato. Perante esta constatação só resta uma solução: Sair do Euro. Suportar o embate violento durante dois ou três anos; reestruturar a divida em Euros (recusando todo o pagamento de juros e dilatando os pagamentos de capital); regressar à soberania monetária e fazer tudo para permanecer na União Europeia enquanto, simultaneamente se abrem portas para o mundo lusófono e se procura rentabilizar o crescimento das suas economias para alavancar o crescimento das exportações lusas. Com este quadro, Portugal terá condições para ajustar a sua economia, os seus padrões de consumo e divida à sua real capacidade, sem abrir nunca bancarrota total e descontrolada e honrando o essencial dos seus compromissos internacionais.

Fonte:
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=538869

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