Sociedade

Prometheus, o filme de Riddley Scott: Alguns comentários, críticas e análises

O filme Prometheus do realizador Ridley Scott e escrito por Jon Spaihts e o produtor de “Lost”, Damon Lindelof é, sem dúvida, um dos acontecimentos cinematográficos do ano. Bom ou mau, é algo que veremos depois dos comentários que aqui deixarei nas próximas linhas…

1. A nave Prometheus é enviada para o Espaço, até a um Sistema Solar identificado através de testemunhos arqueológicos em todo o mundo e com cerca de trinta mil anos por uma mega corporação, a Weyland Corporation: Neste mundo do futuro, as corporações e multinacionais parecem deter muito mais meios e recursos que os governos… no filme, o governo (presume-se que o norte-americano) não aparece, de todo, não regula a expedição, nao a organizou nem monitorizou. A ideia é realista… tendo em conta o seu crescente poder e o enfraquecimento dos Estados que torna o mundo de hoje numa espécie de gigantesca corporotocracia.

2. Todo o enredo parte do princípio de que o desenho de uma constelação presente na arte de varias culturas passadas serviu de argumento único para a organização de uma dispendiosas expedição interestelar. Parece pouco convincente… por muito uni-pessoal que fosse a decisão de um dono de uma gigantesca mega-empresa, seria sempre difícil justificar tal opção perante um conselho de administração, por muito dócil que este fosse, na base de argumentos tão escassos…

3. A tese segundo a qual o ser humano é o produto de um processo de “engenharia genética” é de alguma forma apelativa, já que não existam dúvidas na comunidade científica quanto ao valor da teoria da Evolução de Darwin (o que aliás é recordado pelo biólogo da expedição), a verdade é que os testemunhos fósseis indicam que esta se processou através de grandes saltos, de grandes modificações morfológicas e não pelos pequenos passos que a teoria clássica sugere. A teoria imanente no filme será a de que estes “grandes saltos” foram o produto de engenharia genética extra-terrestre… mas assim, os “engenheiros” teriam que ter visitado a Terra várias vezes, e não apenas à 25 mil anos… fica também por explicar porque não repetiram a viagem posteriormente, se consideravam a nossa destruição uma prioridade assim tão importante.

4. Prometheus é de facto, “Alien 5”… foi assim que o projeto começou a ser desenvolvido em 2000, na forma de uma prequela para o primeiro Alien (de 1979). Em 2003, foi adiado pelo avanço do “Alien vs Predator”, sendo recuperado em 2009 num argumento que era muito mais próximo da série “Alien” que aquele que haveria finalmente por ser produzido, a partir de abril de 2010. Na verdade, preferia que não fosse assim… é como se vivêssemos numa espécie de anos finais do Baixo Império Romano em que já não se fazia mais do que imitar a arte e as realizações culturais do século passado, sem espaço para a imaginação e inovação. Será impossível produzir hoje um novo Alien, Star Trek, Star Wars e estaremos condenados a ver apenas prequelas, sequelas e afins?…

5. De notar que a Fox aceitou um argumento revisto por Lindelof não só porque a estimativa de custos era inferior (de 250 milhões de USDs para 150) mas também porque “o produto final era menos adulto”… presumo em cenas de sexo, já que cenas de “soft terror” há q.b…. como aquela operação feita ao vivo, por exemplo…

6. O filme foi rodado em Inglaterra, Islândia (o vulcão no meio do gelo), Espanha (?) e Escócia (a primeira cena)… a boa notícia é que tendo sido gravado em 3D, é possível vê-lo sem essa tecnologia na maioria das salas de cinema. Curiosamente, as cenas na garagem da Prometheus foram gravadas nos “Pinewood Studios” de Inglaterra, onde também se filmavam os episódios da série Espaço 1999…

7. A primeira cena mostra um extra-terrestre na Terra, sacrificando-se para que o seu ADN modificado se espalhasse pela água e assim chegasse a uma forma de pré-humanóide (o Homo Erectus?). Ora, na verdade seria impossível a que uma frágil cadeia de ADN sobrevivesse sozinha, sem uma proteção dada por uma parede celular (bactéria ou vírus) em qualquer tipo de meio, quanto mais no aquático, como sugere o filme…

8. O android David segue demasiado de perto, nas cenas iniciais o percurso e atividades dos astronautas da Odissey, no clássico de Kubrick “2001”. Não é um plágio, mas é pelo menos um pastiche muito forte, um traço que de resto é comum a todo este filme: a falta de imaginação. Aliás, a “estásis” dos tripulantes é outro ponto comum aos dois filmes. A existência de uma “agenda secreta” de Meredith Vickers é outra semelhança demasiado próxima.

9. Não há qualquer referência ao efeito da distorção temporal provocado pelo Efeito da Relatividade numa nave viajando perto da Velocidade da Luz. Tudo decorre como que o tempo-Terra fosse sincrónico com o tempo-nave, o que obviamente seria impossível.

10. Os pontos de contacto com a saga Alien são numerosos, o que é normal (mas negativo) tendo em conta que se trata de um filme concebido para encaixar neste ciclo. Mas isto sacrifica a imprevisibilidade da ação. Pessoalmente, por exemplo, fiquei muito desiludido quando vi a sala cheia de “ovos” na Pirâmide. Via-se logo o que eram e o que iria sair deles….não seria possível ter imaginado uma forma diferente de contentor? Sim, claro. Se houvesse imaginação e não uma obsessão comercial e emular o sucesso dos outros filmes da saga. E os pontos comuns continuam: a gravidez indesejada de Shaw… a criatura no seu ventre… e, claro, o Alien no final, assumindo-se assim que este foi o produto de engenharia genética e uma “arma” criada para destruir a espécie humana. Tudo isto torna o filme demasiado previsível… numa entrevista, Lindelog assume aliás, isso mesmo:  “If the ending to [Prometheus] is just going to be the room that John Hurt walks into that’s full of [alien] eggs [in Alien], there’s nothing interesting in that, because we know where it’s going to end. Good stories, you don’t know where they’re going to end.”

11. Se os “ovos” contêm uma arma biológica concebida para destruir a humanidade e se esta foi desenvolvida por uma civilização superior, então esta não foi capaz de conceber nada melhor que uma “sopa” que exige ser ingerida para ser letal?… nem um vírus que se dissemina por aerossol, uma bactéria de contacto, nada de minimamente eficaz, como o SIDA (de incubação lenta, logo eficaz) ou o Ébola (letal, mas demasiado rápido)?…

12. Não fica claro (pelo menos para mim), porque é que os “engenheiros” programaram na nave a viagem para a Terra e depois não a executaram… Podemos admitir que os outros 3 tripulantes morreram nos seus sarcófagos de hibernação por causa do “vírus” e que apenas o piloto saiu incólume, mas se assim foi, porque não estava ele na cadeira do comando (que aparece em Alien 1 e neste Prometheus)?

14. Não se percebe como é que o geólogo Fifield não morre da contaminação, mas sofre uma mutação (ele é atacado por um ácido segregado por uma criatura nativa, recordam-se?) e entra em “mutação”. A cena parece encaixada à pressa, apenas para aumentar o nível de tensão e estresse na história, mas não é consistente com o resto do enredo.

15. Posso presumir que David tem uma fonte de energia interna… teoricamente um gerador nuclear como o do Terminator. Mas como consegue continuar a funcionar e a emitir ondas de rádio (até à cápsula de resgate) sem essa fonte de energia?…

No global, o filme apresenta efeitos especiais muito competentes, um desenho de naves, ruínas alienígenas e fatos muito credíveis, mas tem uma história particularmente fraca, altamente previsível demasiado obcecada em deixar “pontas soltas” que venham a justificar uma nova sequela, algo que em junho de 2012, estava longe de estar garantido…

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A revolta…

…Só vai suceder quando esta juventude entorpecida e alienada, que vive em casa dos pais, entre discotecas, jogos vídeo e álcool deixar de o poder fazer quando ambos os pais estiverem na falência e incapazes de os sustentar.

Esta juventude entorpecida pela (falsa) abundância induzida pelo credito cronico, pelos meios de comunicação ao serviço de holdings e offshores obscuras com as suas mensagens alienantes e inteletualmente entorpecedoras só se revoltará quando a fome for mais forte que a indolência. Mas então poderá ser já tarde demais para reformar a sociedade de uma forma ordeira e pacifica. Talvez esta necessária reforma humanista e re-humanizante da sociedade e economia contemporânea só possa já ser feita por meios violentos, através de uma sucessão descontrolada e caótica de revoltas sociais, de saques, de mortes e de colapso generalizado das estruturas que mantêm a coesão das nossas sociedades. O sistema socioeconómico erguido pelos obreiros da globalização neoliberal depois da década de 1990 está demasiado blindado para poder ser reformado de uma forma profunda e radical, e tentará sempre manter o Status Quo favorável de que beneficia hoje pela via ilusória da palavra e de “reformas” cosméticas e superficiais… Resta assim esperar que ele colapse, esmagado pelo peso das suas próprias contradições internas (alto desemprego, desemprego cronico, desigualdade de rendimentos, recessão, tercialização das economias, sobrepeso do setor financeiro, etc) e esperar que essa transição se realize com o menor grau de violência possível.

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O envelhecimento da revolução

Existe um ponto comum em todas as revoluções e revoltas sociais de todos os tempos, eras e locais: a sua vanguarda, o seu ponto focal e o seu detonador é sempre constituído por um grupo inicial – relativamente reduzido – de jovens, estudantes ou desempregados que a dado momento decide que chegou ao limite da sua paciência ou passividade e parte para a rua, impondo a sua vontade, com sucesso diverso.

Apesar das manifestações dos “indignados” e de outros fenómenos relativamente isolados ou inconsequentes, nada de paralelo decorre agora no Ocidente. O hedonismo ou um epicurismo decadente materializados em varias formas de alienação química, sensorial ou de manipulação de massas entorpeceu e anulou o essencial da capacidade de reação da maioria da juventude ocidental. Apesar de notáveis exceções, a maioria dos jovens deixam-se vegetar numa torpe inatividade, adiando o seu futuro com vidas académicas cada vez mais longas e perdidas e recusa cumprir o papel de renovação urgente que a falta de perspetivas pessoais a prazo lhes poderia tornar evidente como única saída. Os níveis de participação cívica (não remunerada), de voluntariado e de vida cívica, são extremamente baixos entre os jovens de hoje. Sem esta vanguarda jovem, não há condições para realizar uma modificação do quadro económico e social que levou o Ocidente (Europa e EUA) à situação de hoje e as condições para uma erupção social violenta, desenquadrada e improdutiva tornam-se cada vez mais pesadas.

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Da insustentável situação demográfica portuguesa

“Em 2007, pela primeira vez nas ultimas cinco décadas, o saldo natural (diferença entre o numero de nascimentos e de óbitos) da população residente foi negativo. Quer isto dizer que, nesse ano, o número de óbitos ultrapassou o número de nascimentos em mil indivíduos.”
Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

A situação entretanto melhorou um pouco, mas Portugal continua com uma de substituição muito inferior aquela que seria necessário alcançar para que o pais não alcance dentro de algumas (poucas) décadas uma situação insustentável em que por cada jovem haverão três idosos, cenário que se estima estar ao alcance já no ano de 2050.

Urge criar políticas de estimulo à natalidade e de proteção à família, reduzir os custos associados à educação de crianças e jovens, prolongar a vida útil dos mais velhos, garantir que se pagam pensões dignas, mas paritárias a todos, atrair mais imigrantes e combater o êxodo de jovens para o estrangeiro. E fazer tudo isto com grande sentido de urgência e maior competência, porque a prazo é do próprio futuro de Portugal que falamos.

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Sobre as Migrações em Portugal

Portugal: Os Números (http://images.portoeditora.pt)

Portugal: Os Números (images.portoeditora.pt)

“Foi em 1993 que Portugal passou a apresentar saldos migratórios continuadamente positivos, significando um número anual de entradas no território superior ao número de saídas (que se mantém na primeira década deste século, de acordo com o INE). Contudo, nem a emigração perdeu a sua atualidade, nem a imigração é uma marca exclusiva dos anos recentes.”

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

Portugal sempre foi um país de emigrantes. O fenómeno perdeu algum vigor nas últimas décadas, mas regressou em força desde 2008. Nos últimos anos os principais destinos da emigração portuguesa foram o Reino Unido e Espanha, mas mais recentemente o eixo desviou-se para a Holanda, Suíça e Angola. Nos próximos anos tudo indica que o componente lusófono da emigração portuguesa se irá reforçar, para Angola, que ainda carece de muitos quadros qualificados, para Moçambique, que conhece uma situação económica cada vez mais florescente e, sobretudo, para o Brasil onde existe uma carência de 8 milhões de empregos altamente qualificados. Em Portugal, o Brasil e Cabo Verde são já duas das três maiores comunidades de imigrantes e contribuem decisivamente para compensar a baixa demografia nacional.

Portugal é cada vez mais um país de imigrantes e emigrantes, dando assim cumprimento à herança da diáspora hebraica que é tão forte na cultura portuguesa.

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Sobre o aparente imobilismo da Sociedade Civil em Portugal

Se refletirmos sobre as razões que explicam o estado de Bancarrota efetiva desde abril de 2011, o imobilismo democrático e os elevados níveis de abstenção crónicos na democracia portuguesa, temos que colocar a questão: Porquê?

Qual será a justificação para estes baixos níveis de participação cívica, esta inerte Sociedade Civil que deixa eleger e manter no Poder uma elite politica e económica triplamente inepta, corrupta e ignorante? Não pode, naturalmente, haver uma explicação única, que tudo esgote ou agregue. Mas elaborando um diagnóstico, encontramos as raízes para esta displicência cívica em vários eixos.

Esta quase total ausência de participação cívica e de uma sociedade ativa, com os decorrentes baixos níveis de associativismo, intervenção cívica e politica e voluntariado encontra raízes numa estrutura de longo prazo da sociedade portuguesa e, mediterrânea, em geral. As origens desta estrutura mental são obscuras, mas encontram eco em Roma, e antes dela nos modelos autoritários de Esparta e Tebas, sem serem contudo uma sua invenção, já que o autoritarismo latente na região do Mediterrâneo tem raízes mais profundas (e por isso muito sólidas) nas monarquias absolutas de Creta e nos regimes tribais solares e guerreiros da Idade do Ferro. A norte, a matriz civilizacional sempre foi muito mais “solta” (raiz etimológica de “celtas” e “eslavos”), individualista e libertária do que nas sofisticadas e muito estratizadas sociedades hidráulicas do Mediterrâneo.

Esta matriz autoritária muito antiga foi profundamente enraizada na mentalidade portuguesa, onde a romanização foi muito profunda e duradoura, após a resistência inicial (a qual, de resto foi protagonizada pelos elementos mais celtizados da população) e permeou todas as fases da História portuguesa tornando excepcionais as revoluções sociais de base realmente popular.

Estão assim Identificados, estes eixos principais para o estado latente da Sociedade Civil portuguesa, importa agora elaborar um programa de ação, simultaneamente corretivo e inovador para nos fazer sair deste torpor.

Não há obviamente soluções rápidas ou sem custo. O grau de ausência de vida cívica ou politica na nossa sociedade é hoje tão grande que qualquer reversão será sempre lenta e complexa, tendo que vencer um sem número de inércias e resistências. Mas o desespero em que a grave crise económico mergulhou muitos de nós, o desemprego galopante, os sucessivos apelos governativos à emigração e a falta de perspetivas de vida estão a levar os portugueses a uma situação de limite que criará condições para um despertar da sociedade civil da atual condição dormente e diminuída em que esta se encontra.

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Alguns Extratos do vídeo de Miguel Gonçalves no TEDxYouth@Braga que merecem reflexão

Algumas citações deste vídeo de Miguel Gonçalves:

“Em 2001 houve 18 mil pessoas que terminaram licenciaturas em Portugal. Em 2010 este número passou para 80 mil.” (…) “A regra do mercado determina que a abundância de um produto determina o seu valor. Quando há muito, vale pouco. Ora, nós vivemos atualmente num contexto de inflação académica.
As licenciaturas não são mais que a chave de fendas (na analogia do técnico) que depende de seu utilizador valorizar e transformar num recurso maravilhoso.”

“O nosso problema não é a chave de fendas, que essa é das melhores do mundo. Hoje, competimos em células estaminais com os japoneses. Somos iguais aos melhores e damos cartas no mundo todo. O nosso maior problema é a tradução de valor. Falta consciência comercial e entender que o mercado de trabalho é um mercado de transações.”

“O que interessa se há um match entre o que vendes e o que eu preciso, saber que valor acrescentas à organização. Precisamos de um drive de entusiasmo de força e de energia nas organizações. As empresas precisam de gente que se apaixone, com sede. Temos muita gente fim do dia, fim do mês. É preciso chegar mais cedo e sair mais tarde, querer fazer mais, “não sei mas descubro, mas encontro”. Um estudo recente do MIT demonstra que as pessoas com menos competências técnicas, mas muita mentalidade e foco para resolver foram preferidas em 96% pelos 400 CEO aqui inseridos.

“As empresas usam varias formas de chegar as pessoas e de todas a menos lida é a newsletter, sendo que o cv é a newsletter, e os cv neste momento são spam com taxas de retorno muito pequenas.”

“Se o que estamos a vender (o nosso currículo) não está a ter saída, devemos fazer como as empresas, procurar vender outra coisa. Vejam o exemplo da rapariga que ficou agrafada à ideia de que pertencia a uma “área”, a do seu curso de “artes cenográficas” para onde não encontrara emprego depois de sete anos de buscas… As universidades devem dizer às pessoas que a “área” não é para a vida. “Área” é o que fazes bem, é o que te aquece por dentro.”

“Se forem a uma ATM na Alemanha, reparem que aquilo só dá para levantar dinheiro. Quando falava lá fora do Magalhães que todos os miúdos aqui tinham eles não acreditavam. É isso que nós somos aqui. Mas também somos o país do “um mal nunca vem só”, do “tu sonhas muito vais cair escada abaixo”. Porque existem estes códigos imobilistas que nos botam abaixo?! Não alinhem nesse discurso que bota para baixo! Os gregos diziam que o verbo era o princípio de tudo e que a nossa substância se transforma à medida que nós o dizemos: quando dizes que não acontece, não acontece!”

“O que se faz pela primeira vez faz-se com erro. Só não comete erros o que faz sempre a mesma coisa. O meu avô dizia que “se não os tens a tremer, não está a acontecer.”

“Nós até agora estivemos a educar empregados, gente que olha para baixo, para a sua secretária, mas agora temos que educar empreendedores, gente que quer crescer. O problema não está na falta de Talento, o que nos falta é descaramento, não ter medo de falhar. De facto, nós temos talento como poucos!”

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Sobre a ACN (American Communications Network), “marketing de rede” e outras… coisas a ter com muito cuidado

Sede da ACN nos EUA (http://stevenszabomlmsystem.com)

Sede da ACN nos EUA (http://stevenszabomlmsystem.com)

Com o agravar do desemprego, aparecem cada vez mais “oportunidades” de negócio, centradas nos desempregados de longa duração, desesperados porque as empresas bloqueiam imoral e estupidamente todos os recrutamentos acima dos 35 anos e desprovidos agora que o Estado bloqueou as admissões todas as suas hipóteses de regressarem a uma vida profissional ativa. Sabedores deste “mercado”, muitos “empresários” criaram empresas, mais ou menos fictícias, mais ou menos ilegais, todas imorais para obterem a essas pessoas, encostadas à parede pela crise económica mas que pela sua idade e longa carreira profissional lograram acumular algumas poupanças. Este é o mercado preferido pela florescente indústria do “marketing de rede”.

Uma destas empresas que agora, em Portugal, está particularmente ativa é a norte-americana ACN (American Communications Network). A ACN depende do crescimento constante do número de distribuidores, os quais, por sua vez, tentam recrutar novos distribuidores. A percentagem de colaboradores com sucesso é obscura, mas há quem estime que ronde os 5%. Embora o discurso oficial e de recrutamento da empresa não o diga, é preciso ser muito dotado para a área de vendas para singrar na ACN. Antes de alguém pensar em aderir a esta rede tem que ir à Internet, procurar informação sobre a ACN e ler atentamente todas as queixas que encontrar sobre ela, descartar todo o discurso panegírico dos agentes e representes da ACN e tomar a sua decisão em boa e devida consciência.

Segundo quem já estava na ACN, os representantes podem ganhar entre 2 a 8% da faturação residual total, uma variação que oscila consoante com os níveis de vendas. As mesmas fontes mencionam a existência de 7 patamares de prémios, mas os primeiros 4 correspondem a apenas 1%. Ou seja, para ganhar os 8% de topo é preciso ser mesmo muito bom vendedor… e manter esse ritmo ao longo de muito tempo, bem para além do círculo de amigos e familiares que serve de reservatório de clientes para a maioria dos representantes da ACN.

Em termos de futuro, a ACN será capaz de sobreviver nos próximos anos? Uma empresa que baseia o seu modelo de negócios no crescimento contínuo de representantes e que não apresenta inovações em ritmo constante e frequente está claramente a entrar numa espiral descendente que não pode ser reversível.

A ACN fala muito na sua documentação (que é toda vendida aos “representantes independentes”, por sinal) de “banda larga”… Mas é claro que em Portugal não vende esse serviço, não sendo um ISP com rede funcional em Portugal. Nas reuniões de recrutamento de novos representantes falam muito de “banda larga” e de “voIP” (voz sobre IP), como se isso fosse uma grande descoberta e não existissem já mais de 500 milhões de contas Skype…

Quem esteve na ACN diz que o plano de remunerações depende dos objetivos mensais (que mudam frequentemente), mas que cada um tem que “investir” cerca de 500 euros em troca de uma pasta com um CD-ROM, contratos de rede fica e documentação vária.

Quanto ao crescimento da pirâmide de representantes da ACN, os números variam de fonte para fonte (provavelmente no tempo), mas parece que cada “representantes independente” tem que recrutar cinco clientes e dois agentes, sendo que cada um destes tem que – por sua vez – encontrar cinco novos clientes. Só se este ambicioso objetivo for alcançado é que a ACN paga um bónus que será variável e entre os 400 e os 700 euros.

O modelo da ACN baseia-se também naquilo que na gíria da empresa se classifica como “residuais”: a ideia é clássica nos esquemas piramidais: quando a rede cresce acima de um determinado patamar, o representante inicial passa a receber uma pequena parcela até que chega a um ponto em que cresce até se recebe sem que se tenha que produzir realmente muito trabalho.

A estratégia da ACN proíbe que os seus representantes procurem vender os seus serviços fora da rede familiar e de amigos. Uma opção comum a todas as empresas de MLM (Multi Level Marketing) que operam mais ou menos impunemente em Portugal e que levanta serias duvidas sobre a legitimidade das suas operações… Que têm elas a temer do mercado se os seus produtos são realmente superiores, mais baratos ou originais? Se obrigam os seus representantes a vender apenas no circulo mais íntimo será porque sabem que os seus produtos e serviços nunca sobreviveriam contra a concorrência?…

Não digo que não assistam a uma sessão da ACN. Digo que vão, pelo contrario, que ouçam e pensem. Há quem faça algum dinheiro, durante algum tempo, e enquanto não esgota o seu circulo de familiares e amigos (que depois fica consideravelmente menor, diga-se), mas um esquema para o resto da vida?… Isso já parece altamente improvável…

Fontes:
http://arbyte.us/blog_archive/2005/0…amid_Scam.html
http://users.tns.net/~mpat/scam/
(entre outros fóruns nacionais)

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Sobre o interessante movimento “Provo” na Holanda da década de 60

White Bycicle Plan (http://georgemckay.org)

White Bycicle Plan (http://georgemckay.org)

Em época de contestação social em ascensão e espelhada nos EUA pelos movimento “Occupy”, na Europa pelos movimentos de “Indignados” e no mundo Árabe pela “Revolta Árabe” importa utilizar uma ferramenta caída em desuso nos últimos anos: a Memória Histórica e recordar-nos de um dos movimentos contestatários mais interessantes do século XX: o Movimento Provo.

O Movimento Provo nasceu na Holanda, em meados da década de 60. As suas influências radicam no Movimento Hippie Nozem e no próprio – mais difuso – Movimento Hippie. O provo foi fundado oficialmente a 25 de maio de 1965 por um quarteto formado por Robert Jasper, um filósofo e conhecido ativista anti-tabaco, pelo artista plástico Rob Stolk e Roel van Duyn, inteletuais conotados com o Anarquismo. O empresário e inventor Luud Schimmelpennink é também associado em algumas fontes à fundação dos Provos. O movimento empenhava-se particularmente em desafiar todo o tipo de autoridade, mas focava as suas atenções na polícia e na monarquia holandesa, que foi desde o seu princípio, até ao fim, o seu principal alvo.

O termo “Provos” pode ser encontrado numa dissertação do filósofo Wouter Buikhuisen de 1965 onde descreveu a ação de “jovens causadores de problemas, os provos”. O grupo foi sempre mais ativo na cidade de Amesterdão, cidade onde se concentravam a maior parte das suas atividades e das suas reuniões, as quais tinham geralmente lugar em cafés de Jazz.

Segundo o manifesto Provo, escrito em 1965: “Os Provos escolheram entre a resistência desesperada ou perecer de forma apática. Os Provo sabem que eventualmente serão perdedores, mas não vão deixar escapar a última oportunidade de incomodar e provocar as bases mais profundas desta sociedade. Os Provos encaram o anarquismo como uma fonte de inspiração para resistirem. Os Provo queriam renovar o anarquismo e torná-lo mais bem conhecido junto da juventude.”

Embora exista uma data “oficial” de fundação, um manifesto e uma liderança mais ou menos incontestada, a verdade é que os Provos eram fundamentalmente anarquistas: Não tinha existência formal. Não realizam reuniões ou encontros formais, não tinham uma estrutura ou organização formal, nem sequer “listas” de membros ou simpatizantes. Todas as suas decisões eram tomadas em conjunto, por votação de todos os indivíduos que estavam presentes. Esta desorganização anárquica espantava muito as forças policiais, que até à sua extinção formal sempre acreditaram que existia uma “direção secreta” com uma correspondente cadeia de comando, algo, que de facto, os Provo nunca tiveram, nem quiseram ter…

O principal objetivo era o ataque à autoridade. Fortemente republicanos, na monarquia holandesa apontaram baterias ao rei e à rainha. As cerimónias reais eram um dos seus alvos favoritos sendo a sua intervenção no casamento real da Princesa Beatrix com Claus von Amsberg, especialmente detestado pelos Provos devido ao seu passado como membro de organizações juvenis nazis como a Deutsches Jungvolk e da Juventude Hitleriana, mais tarde em 1944 serviria na 90ª Divisão Panzergrenadier em Itália. Para perturbar o casamento, os Provos puseram a correr o rumor de que teriam contaminado a água pública da cidade com LSD e que os cavalos da carruagem real teriam sido drogados. Obviamente, nenhum dos alertas era verdadeiro, mas a confusão que geraram nas forças da ordem foi muito notável… Não satisfeitos, fizeram correr a notícia de que a Rainha Juliana (mãe de Beatrix), se confessava anarquista e que estava a negociar a transferência do poder para os Provo. Estes rumores faziam parte de um plano, o “Plano do Rumor Branco” e foram a razão pela qual o exército teve que enviar 25 mil homens para guardarem o casamento real. Apesar deste contingente, vários militantes Provo conseguiram infiltrar-se na multidão que assistia ao casamento e lançar bombas de mau cheiro. A polícia reagiu violentamente e carregou sobre a multidão, transformando o casamento numa imensa confusão. Nas semanas subsequentes, a reação exagerada da polícia foi muito criticada, conseguindo assim alcançar-se o objetivo inicial dos Provo: denegrir a imagem das autoridades.

Um dos textos programáticos dos Provos descreve que o seu militante estava “contra o capitalismo, o comunismo, o fascismo, a burocracia, o militarismo, o profissionalismo (!), o dogmatismo e o autoritarismo.”

A legalização das drogas leves foi outra das principais causas dos Provos: para provocarem as autoridades, começaram a espalhar o rumor de que consumiam “chá de marijuana”, chamando de seguida a policia denunciando-se depois a eles próprios… De facto, tratava-se de inócuos chás de ervas. Em certa ocasião, um grupo de Provos alugou um autocarro e partiu para a Bélgica, mas antes telefonaram à polícia dizendo-lhe havia droga no veículo: esta intercetou o autocarro na fronteira levando consigo vários jornalistas e numa busca encontrou o que os Provos lhe diziam ser haxixe, mas que na verdade era apenas comida de cão e alguns chás de ervas perfeitamente legais.

Mas os Provos não foram apenas um movimento de contestação de rua. Chegaram a eleger cinco representantes para o concelho municipal de Amesterdão e tentaram aqui implementar uma serie de medidas muito originais e criativas a que intitularam de “Plano Branco”, que se compunham de facto, de vários “Planos Brancos” setoriais:

“Plano Bicicleta Branca”: Este foi o Plano Branco mais famoso. Concebido por Luud Schimmelpenninck em 1965, propunha a proibição total de veículos poluentes da cidade de Amesterdão e a sua substituição por bicicletas, que seriam gratuitamente fornecidas pelo município. As bicicletas seriam brancas e o uso de cadeados seria proibido, por forma a serem sempre de uso livre. O objetivo era aumentar a frequência dos transportes públicos em 40%, reduzir custos em combustíveis e a poluição urbana. Os Táxis teriam que ser substituídos por veículos elétricos e não poderiam circular a mais de 50 km/h. O Plano previa a disponibilização de 20 mil bicicletas publicas por ano. Infelizmente, a proposta foi recusada pelo município… Isso não fez desistir os Provos, que compraram eles próprios 50 bicicletas, pintaram-nas de branco e as colocaram-nas à disposição dos munícipes. A policia – contudo – confiscou as bicicletas, alegando que violavam o regulamento municipal que proibia os cidadãos de Amesterdão de deixarem bicicletas sem cadeados. Quando, por fim, as bicicletas foram devolvidas aos Provos, estes instalaram-lhes cadeados e pintaram as combinações dos mesmos nas bicicletas…

“Plano Branco das Casas”: Com a partilha de residências vazias. A especulação imobiliária seria proibida. Incluía também a transformação de uma região de Amesterdão (Waterlooplein) como um mercado livre a céu aberto e o abandono dos planos de construção de uma nova sede para o município.

“Plano Branco das Crianças”: Oferecendo Centros de Dia infantis informais gratuitos. Os centros seriam formados pela agregação de grupos de cinco casais, que depois e por turnos tomariam conta das respetivas crianças a dias diferentes da semana ou a horas diferentes do dia.

“Plano Branco das Chaminés”: Impondo impostos especiais aos poluidores e pintando de branco as suas chaminés.

“Plano Branco das Mulheres: Oferecendo cuidados médicos gratuitos a mulheres. Esta proposta rede de clínicas seria especializada em consultas de planeamento familiar, disponibilizando aconselhamento e contracetivos, com a intenção de reduzir a taxa de gravidez indesejada. O Plano defendia também a existência da Educação Sexual nas escolas.

“Plano Branco das Vítimas”: Todos os que tivessem provocado uma morte, enquanto ao volante deviam construir com as suas próprias mãos um memorial no local do acidente gravando o contorno da vitima no pavimento e preenchendo-o a tinta branca.

“Plano Branco do Carro”: Tratava-se de um projeto de partilha de automóveis proposto por Schimmelpennink. Tratava-se de disponibilizar por parte do município de carros elétricos que podiam ser usados gratuitamente pelos seus cidadãos. O projeto chegou a ser implementado de forma limitada em 1974 pelo sistema Witkar e funcionou de forma limitada até 1986. O Witkar tinha 3 rodas era pintado de branco e foi uma das primeiras aplicações do conceito de “car sharing” de sempre. O Witcar, contudo, não era gratuito, mas disponível por assinatura. A cooperativa Witkar iniciou a sua atividade em 1968, mas como nunca obteve o necessário apoio municipal nunca se tornou realmente parte do sistema de transportes públicos de Amesterdão. Ainda que de forma limitada, continuou a funcionar até 1986, quando a cooperativa declarou a sua extinção.

Porque nunca conseguiram mais do que cinco deputados municipais, nenhum destes planos viu a luz do dia. Muitos deles, contudo, foram inspiração para medidas semelhantes, noutras cidades do mundo. Por exemplo, a cidade Aveiro implementou um projeto semelhante em torno da partilha gratuita de bicicletas.

Os Provos decretaram o seu fim em 13 de maio de 1967. Não tendo conseguido o grau de impacto que ambicionavam estiveram por detrás de uma serie de iniciativas que, depois da sua extinção, se tornaram úteis a outros movimentos e até a partidos políticos. A atual tolerância holandesa para com as Drogas, deve muito à sua influencia, por exemplo. O mesmo se diga dos planos públicos de partilha de bicicletas em pratica em muitas cidades no mundo e das varias empresas de “car sharing” hoje ativas. Os provos foram também o primeiro grupo político com um grande foco no Ambiente e na Ecologia. Pela sua grande originalidade, ousadia e criativa, os Provos foram certamente um dos movimentos sociais mais interessantes do século XX e o seu exemplo e propostas continuam tão atuais hoje, como o eram na década de 60… e num contexto em que as condições para a erupção de níveis inéditos de revolta social, as suas políticas, iniciativas e propostas devem ser estudadas muito atentamente como aquilo que de facto são: Exemplares.

Fontes:
http://www.cuzproduces.com/drupal/node/116
http://www.lib.umich.edu/netherlandic-treasures/provo.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Provo_%28movement%29
http://en.wikipedia.org/wiki/Luud_Schimmelpennink

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Temos 5 anos para fazer algo sobre o Aquecimento Global. Ou então é tarde demais.

Um relatório recente da “Agência Internacional da Energia” (International Energy Agency) indica que temos apenas cinco anos para impedir uma mudança climática irreversível. Esta informação – a confirmar-se – não podia vir em pior altura. O Ocidente (EUA e União Europeia) está paralisado por uma “crise da dívida soberana” que vai demorar nunca menos de dez anos a resolver… a China tomou recentemente algumas medidas, mas ainda de forma tímida e inconsistente e o resto do mundo está basicamente expectante quanto ao que a Europa vai fazer. Ora como esta está paralisada…

A situação ainda é mais grave do que parece, porque embora a economia mundial esteja anémica, o consumo de energia subiu 5% entre 2009 e 2010. Este aumento de consumo implicou um aumento das emissões de CO2 e, logo, do Efeito de Estufa que ameaça colocar em risco a sobrevivência do Homem neste planeta.

Ainda não é tarde. E a descida muito significativa dos preços dos painéis solares registada nos últimos anos pode ser decisiva. Infelizmente, além da gigantesca dificuldade que seria converter a economia mundial para fora do Carbono num prazo tão curto (inferior a 5 anos!) o recente desprestígio da Energia Nuclear, depois do desastre de Fukushima e as grandes dificuldades orçamentais dos países do Ocidente (que liderava no mundo o processo de combate às alterações climáticas) não auguram nada de bom…

Fonte:
http://science.slashdot.org/story/11/11/10/037228/iea-warns-of-irreversible-climate-change-in-5-years

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Contestação Popular, Impostos e Cortes da Despesa Social

A receita que em resposta ao problema das Dívidas Soberanas está a ser aplicada na Europa é a da Austeridade. Este é o Mantra imposto pelos anónimos “Mercados” e recomendado pelos neoliberais que tecem as políticas impostas pelo FMI e pelo FEEF a todos os países que se deixam emaranhar nas suas redes.

Mas Austeridade leva sempre a contestação social. E quanto mais se corta nos benefícios sociais (Despesa), mais contestação se cria. A História demonstra que uma subida compensatória nos Impostos (Receita) não produz os mesmos efeitos, curiosamente. De facto, a contestação social é tipicamente inversa aos benefícios sociais existentes. Um seu aumento, diminui a contestação. Uma sua redução, aumenta-a, numa flutuação observada varias vezes nas ultimas décadas na Europa.

Estas são as conclusões do estudo “Austeridade e Anarquia: Cortes Orçamentais e Agitação Social na Europa, 1919-2009” e que comparam o grau de despesa com benefícios sociais com ocorrências classificadas de “contestação social”: “motins, manifestações, greves gerais, assassinatos políticos, crises governamentais e tentativas de revolução, ao longo de 90 anos, em 26 países, incluindo Portugal.”

Os investigadores concluem que a Paz Social beneficia mais do aumento da carga fiscal do que da redução das Despesas Sociais. O fenómeno explica-se, para os investigadores porque “Quem paga impostos tem emprego e portanto, tem muito a perder, enquanto quem recebe transferências sociais – grande parte da despesa pública nos países observados – tem pouco a perder”.

Obviamente, estas conclusões não podem ser lidas de forma absoluta. Os Impostos não podem ser aumentados a partir de um certo nível. Se este patamar máximo for ultrapassado, a Economia tende a deslocar-se para o subsolo e escapa à alçada do Fisco. Impostos demasiado elevados dissuadem também ao crescimento e permitem que se criem estruturas despesistas no Estado. Esse teto máximo varia de economia para economia, mas quando excede os 50% estamos certamente perante tal tipo de limite. Outra conclusão que importa evitar é a de que este aumento da Contestação Social pode ser evitado aumentando a Despesa: Há despesa e há despesa social. A despesa sumptuária, em investimentos estruturais inúteis (TGV, CCB, Ota, etc) ou dificilmente reprodutíveis (auto-estradas, transportes, etc) e sobretudo a despesa intermédia (despesas com pensões e salários elevados na Função Pública) pode e deve ser contida até aos níveis de riqueza gerados pela economia. Mas o Estado Social deve ser preservado. Porque uma sociedade em guerra consigo própria não pode jamais reencontrar o rumo da prosperidade.

Fonte:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2103175

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Segundo uma pesquisa de um grupo de cientistas canadianos e britânicos, as condições de vida durante a infância teriam impactos significativos no ADN que persistiriam até bem dentro da idade adulta

Segundo uma pesquisa de um grupo de cientistas canadianos e britânicos, as condições de vida durante a infância teriam impactos significativos no ADN que persistiriam até bem dentro da idade adulta. Os investigadores procuram mutações associadas a fatores económicos e sociais registados nas fases iniciais de vida dos indivíduos que pertenciam a famílias de rendimentos extremos (ou muito abastadas ou muito pobres).

As conclusões apontaram para a existência de mutações ligadas a esses contextos sócio-económicos. E que este numero de mutações em idades menores era de pelo menos o dobro das mutações registadas em adultos provocadas por esses fatores económicos e sociais de contexto.

O estudo aponta na direção de que os efeitos das condições de vida das crianças podem ser geneticamente determinantes para os padrões de vida que irão experimentar mais tarde, enquanto adultos. Suporta também – pela genética – um fenómeno que socialmente já é bem conhecido e que se traduz na tendência para os filhos manterem enquanto adultos os mesmos padrões de vida dos progenitores. O estudo sublinha também a necessidade criar mecanismos de apoio ao desenvolvimento social e económico das famílias com crianças, favorecendo-as em detrimento das – cada vez mais comuns – núcleos familiares sem crianças, do pontos de vista fiscal (sobretudo) e da subsidiação (menos).

Fonte:
http://scienceblog.com/48584/your-dna-may-carry-a-%E2%80%98memory%E2%80%99-of-your-living-conditions-in-childhood/

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Merritt Ruhlen e Murray Gell-Mann descobriram a “mãe de todas as línguas”?

Merritt Ruhlen (http://www.syncopatedprod.com)

Merritt Ruhlen (www.syncopatedprod.com)

Uma das maiores questões da paleolinguística é a de saber qual foi a “mãe de todas as línguas” e como seria esta língua. Desde à algum tempo que se sabe que palavras como “ma” (mãe) e “i” para denota proximidade do orador, “ku” (quem), “pal” (dois), “boko” (braço), “sum” (cabelo), entre outras pertencem aos chamados “cognatos globais” estariam já presentes nessa proto-língua.

A linguística atual acredita que esta proto-língua era usada à cerca de 50 mil anos atrás, mas além dos cognatos do parágrafo anterior e de mais alguma mão cheia de outros pouco mais se sabia. Até agora.

Dois investigadores norte-americanos, Merritt Ruhlen e Murray Gell-Mann agruparam mais de 220 línguas pela forma como usam sons semelhantes para designar objetos e conceitos identicos. Os dois investigadores tambem concluiram que as línguas com a construcao sujeito-verbo-objeto (por exemplo, “tu-viste-oceu”) estão ligadas geneticamente umas às outras, e que, consequentemente, a língua original das línguas atuais também seguia essa construção.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/dn21028-language-50000-bc-our-ancestors-like-yoda-spoke.html?DCMP=OTC-rss&nsref=online-news

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O Megatsunami de Cumbre Vieja (Canárias)

Tsunami do Cumbre Vieja (http://donsnotes.com)

Tsunami do Cumbre Vieja (http://donsnotes.com)

Existem cada vez mais indícios de que estamos prestes a assistir a um Tsunami de proporções históricas. O problema reside num vulcão das ilhas Canárias que os vulcanologistas acreditam estar prestes a entrar em erupção.

O vulcão em questão é o Cumbre Vieja, cuja erupção pode provocar um deslizamento de terras de proporções históricas o qual criaria um mega-tsnunami nunca antes visto. Esta onda gigante deslocar-se-ia pelo Atlântico a uma velocidade de 500 km/h.

A erupção do Cumbre Vieja pode ser desencadeada pela do El Hierro, a apenas 128 km de distância que está agora em alerta de erupção. Será esta erupção que vai atirar para o oceano uma grande parte da ilha criando uma onda com mais de 50 metros de altura. Em menos de dez minutos, a onda chegará a Portugal e destruirá numa proporção inimaginável – mesmo comparando com 1755 – a nossa costa.

Não se trata de saber se este mega-tsunami vai acontecer ou não. Trata-se de saber quando vai acontecer, concordando nisto todos os vulcanologistas. Perante esta ameaça, que, ainda por cima, pode estar iminente, devemos todos precavermos, mantermos em casa um kit de urgência, com medicamentos, mantimentos e água engarrafada e se vivermos em zonas costeiras… estejamos atentos.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Could_a_Mega_Tsunami_Wipe_Out_the_Eastern_Seaboard_999.html

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A Wikileaks está em dificuldades

Julien Assange (infoescola.com)

Julien Assange (infoescola.com)

Quando, em dezembro do ano passado, a Wikileaks divulgou que uma “Santa Aliança” da grande Banca internacional, liderada pela Visa, Mastercard e pelo Paypal estava a bloquear todos os financiamentos à organização. De facto, quase um ano volvido, a Wikileaks está de joelhos e o seu líder, Julian Assange declarou que teria que suspender o site enquanto durasse esse bloqueio. Se o problema não se resolver até meados de 2012, o Wikileaks terá mesmo que fechar definitivamente as portas, avisa Assange.

O silenciamento do Wikileaks cumpre assim o propósito de alguns senadores e congressistas norte-americanos que instaram os Bancos a fazerem este bloqueio contra a organização de Assange. Para já, não serão publicados os 251 mil documentos diplomáticos e os ficheiros dos prisioneiros de Guantanamo, que tanto temia o Poder norte-americano.

Curiosamente, a Visa, Mastercard ou a Paypal nunca bloquearam os pagamentos para o Ku Klux Klan ou outros grupos extremistas. Aparentemente, a Wikileaks é mais perigosa.

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/oct/24/bankers-wikileaks-free-speech

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Não chegámos à maior crise financeira dos últimos cem anos sem mais nem menos

Não chegámos à maior crise financeira dos últimos cem anos sem mais nem menos, fruto do infeliz acaso das circunstâncias ou da má vontade alheia. Chegámos aqui, à beira de um precipício económico e financeiro porque falhámos enquanto comunidade e nação.

O problema tripartido:

1. Falhámos ao deixar crescer um abstencionismo cívico e político. Portugal é dos países desenvolvidos que menores taxas de voluntariado, associativismo e militância apresenta. Habituada, desde os tempos do Estado Novo, a ser passiva e indolente, a Sociedade Civil portuguesa é amorfa, imóvel e desmobilizada. Incapaz de organizar uma voz comum ou de exigir em consonância um melhor desempenho da classe política, a sociedade civil portuguesa vegeta, como se fosse um zombie.

2. Falhámos ao re-eleger os mesmos políticos eleição após eleição, desprezando sempre o resultado das suas políticas e considerando apenas as campanhas de “marketing politico”, a sua imagem mediática ou o voto por tradição. Desde 1975, não renovámos o sistema político-partidário, no que fomos em contraciclo com praticamente toda a Europa e num imobilismo que explica parte do abstencionismo crónico das últimas eleições.

3. O grau de cultura cívica e politica do dito “português médio” é extremamente baixo. A Escola republicana trazia no cerne do seu quadro reformista a transformação da Escola numa forja de cidadãos ativos e comunitariamente entrosados. Mas falhou. Portugal tem nos índices internacionais uma posição muito negativa: consome 8% do PIB no setor (a Alemanha consome 4%), tem dos índices de remunerações por aluno e de alunos por turma mais elevados do mundo, mas fica atrás de todo os países desenvolvidos, por exemplo nos testes PISA.

A solução tripartida:

1. O abstencionismo cívico tem que ser combatido. O Estado e as Autarquias devem criar incentivos à aparição, desenvolvimento e promoção da vida associativa e à pertença dos cidadãos a associações ou movimentos cívicos. As autarquias devem inaugurar “fóruns cívicos”, espaços partilhados onde as associações e movimentos possam partilhar serviços administrativos (secretariado, telefones, internet, limpeza, salas de reunião ou de conferencia, etc). O Estado deve criar incentivos fiscais e dotações regulares (cuidadosamente monitorizadas no seu retorno social) que permitam a sustentação financeiras destas organizações. Sobretudo, os donativos a associações ou movimentos de reconhecido interesse público devem poder ser deduzidos por inteiro no IRS.

2. O abstencionismo deve ser encarado pelas instituições democráticas como aquilo que ele efetivamente é: a mais seria ameaça à democracia dos nossos tempos. Devem ser determinadas formas de combater este abstencionismo eleitoral: voto obrigatório (com coimas), reforma do sistema político-administrativo que aproxime o eleito do eleitor, voto eletrónico, referendo, círculos uninominais, etc. devem ser avaliados como formas de reduzir o abstencionismo crónico da nossa sociedade.

3. O divórcio crescente entre a Sociedade Civil portuguesa resulta também numa lacuna no que respeita à educação cívica. Por princípio, discordamos da multiplicação de cadeiras leccionadas no primeiros dois níveis de ensino, defendo uma concentração da carga horária nas disciplinas de matemática, português e música (na esteira deitada por Agostinho da Silva). Mas uma disciplina de “Educação Cívica” deve ser presente – como opção – em todo o Secundário. E estas matérias devem ser o cerne de qualquer passagem pela formação de militares ou agentes da forças de segurança.

Conclusão

Uma Sociedade Civil desperta, vigilante e ativa pode corrigir os percursos nefastos onde gerações sucessivas de políticos e partidos gastos e estafados nos têm conduzido. Onde têm falhado as elites politicas e económicas das últimas décadas, pode suceder a sociedade civil, desperta e ativa, capaz de regenerar essas mesmas elites com sangue novo, dinâmica e fazendo transpor para a agenda política uma série nova de desígnios e uma estratégica para o desenvolvimento e o progresso que seja mais do que uma transposição acéfala e obediente de normativas europeias ou de frios ditames dos “Mercados”.

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Alerta sobre a “Petição CONTRA as comissões sobre Levantamentos em ATMs (Multibanco)”

Existem vários emails em circulação na Internet sobre os quais não tenho qualquer responsabilidade. Todos contêm links para esta minha petição, mas estão cheio de inverdades (valor de 1,5 euros, por exemplo) e omitem além do mais que a Assembleia da República em 2000 acabou por legislar proibindo a Banca de cobrar este imposto…

Exemplo de e-mail que não é de minha responsabilidade (havendo outras versões em circulação):

*POR FAVOR, ISTO DIZ RESPEITO A TODOS NÓS! REENCAMINHE PARA O MAIOR NÚMERO
DE PESSOAS POSSÍVEL!*

É preciso ultrapassar o 1.000.000 *
Levantamentos nas caixas ATM vai  custar ** **1,50?*

Os bancos preparam-se para nos  cobrarem 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM.
Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta. Este ‘imposto’ (é mesmo uma imposição, e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Este é um assunto que interessa a todos os que não são banqueiros e não têm pais ricos.

Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.

http://www.petitiononline.com/bancatms/

DIVULGUE ESTE EMAIL, P. F. JÁ CHEGA DE SERMOS ROUBADOS PELA  BANCA AO COBRO DA LEI. JÁ SÓ FALTA UMA PETIÇÃO PARA MUDAR A LEI.”

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Fim ao Proibicionismo

Os danos provocados pelo uso de Drogas nas sociedades modernas são conhecidos de todos… assim como as suas consequências no que respeita à sua utilização por via intravenosa, como a Hepatite C e o HIV. Em todo o globo dezenas de milhões de seres humanos vêm as suas vidas destroçadas por causa deste terrível flagelo.

Mais de metade de todos os detidos nas prisões portuguesas (numa proporção que, de resto, segue de perto as médias mundiais) está nessa condição precisamente por crimes diretamente ligados ao tráfico de estupefacientes. Terminar com este problema libertaria uma proporção relativamente importante de recursos no sistema judicial, policial e prisional, diretamente e, indiretamente reduziria consideravelmente todos os dramas sociais, familiares e individuais que a Droga inevitavelmente arrasta consigo. Num contexto global de apertos financeiros a poupança assim obtida seria crucial para libertar recursos para áreas prioritárias ligadas à amortização da dívida, ao estímulo ao emprego e à produção local e permitiria que os próprios legisladores se concentrassem nessas áreas cruciais. As cidades seriam muito mais seguras e, sobretudo, a transferência de recursos do combate para o seu tratamento e prevenção permitiria a prazo, realizar uma sensível e duradoura redução dos afetados por este flagelo.

As sociedades modernas nunca serão “sociedades livres de drogas”, como defendem os proibicionistas. Nunca o foram, e nunca o serão. Cinquenta anos de Guerra aberta e incapaz de lograr uma só vitória decisiva já deviam ter ensinado isto. Mas os interesses de manter o Proibicionismo são muito fortes… desde logo aos poderosos cartéis globais de Droga interessa sobremaneira manter o seu negócio clandestino, isentando-o de impostos e mantendo altos os seus preço. Os políticos (muitos deles corrompidos pelos cartéis) querem manter o proibicionismo porque isso permite-lhes impor leis “contra a criminalidade” fundadas no medo coletivo que, de outro modo, não conseguiriam impor. Até as corporações judiciais, policiais e a certos grupos no funcionalismo o Status Quo convêm, já que justifica muitas das suas despesas e empregos… Não será nunca fácil “proibir o proibicionismo” nas Drogas. Mas tal é cada vez a única forma de acabar com uma “guerra” que já demonstrou cabalmente que não pode ser vencida.

Fonte principal:
http://www.alternet.org/story/151424/why_ending_the_war_on_drugs_is_a_social_justice_imperative/?page=2

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Motins em Londres (agosto de 2011): O Princípio do Fim?

Em breve, estes motins irão acalmar. Mas as suas motivações vão persistir. Brevemente, irão ressurgir, noutras cidades, noutros locais de Londres e contaminar outros países europeus, estando aqui, França e Alemanha, na linha da Frente.

Os motivos estão aí:
1. sociedades culturalmente desintegradas
2. polícias ineptas, sem meios, sem autoridade e força para imporem a sua autoridade
3. desemprego crónico ou emprego cronicamente precário entre os jovens
4. famílias disfuncionais e pais que não são responsabilizados pelos crimes dos filhos
5. menores que cometem crimes como maiores, impunemente
6. líderes de opinião que insistem nos Direitos e omitem os Deveres de todos nós para com a sociedade
e…
7. meios de comunicação social que exultam com estas notícias e que propagam o discurso da “revolta” e da “indignação” para desculpar saques a propriedade privada, invasões de casas particulares, vandalismo e piromania pura.

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O relatório da “Global Commission on Drug Policy” e liberalização do consumo e comercialização de Drogas

É por demais evidente que a longa, tortuosa, custosa e trágica “guerra contra o narco-tráfico” foi perdida. Perante tal constatação, os Governos de todo o mundo deviam começar a trabalhar na legalização das drogas leves. Essa é a minha convicção pessoal e a de uma comissão que produziu a mesma conclusão e que inclui vários antigos chefes de Estado e o antigo secretário-geral da ONU, Kofi Anan, entre varias outras personalidades.

A “Global Commission on Drug Policy” menciona os terríveis efeitos na criminalidade e nas sociedades do comércio clandestino de drogas e o facto de nunca num país este combate ter sido vencido, havendo apenas interregnos seguidos de transferências de sedes do narcotráfico, como sucede atualmente entre a Colômbia e o Peru.

Segundo o texto do relatório que sumariza as suas conclusões: “os líderes políticos e as figuras públicas devem agir corajosamente por forma a articular publicamente o que muitos afirmam em privado: que as provas demonstram de forma esmagadora que as estratégias repressivas não vão resolver o problema das drogas, e que a guerra contra as drogas não foi vencida e nao pode, nunca, ser vencida”.

Se a nível global – e teria que ser assim – vários ou pelo menos vários países limítrofes acordassem entre si na liberalização total do consumo e venda de drogas, o incrivelmente rico e poderoso submundo do narcotráfico seria destruído de uma só assentada e seria forçado a transferir os gigantescos capitais de que dispõe (muitas máfias da droga têm mais recursos do que os seus próprios governos) para a economia real. A legalização do comércio e do consumo faria com que de um dia para o outro, os preços e os lucros do narcotráfico se eclipsassem e taxando-os, os Estados recuperariam os recursos que depois poderiam investir em redes de recuperação de tóxico-dependentes e em campanhas informativas divulgando os malefícios do consumo de drogas.

A legalização radical do comércio e consumo de drogas não resolveria o problema do consumo, de certo. Mas esse problema (o verdadeiro, aqui) não se resolve pela repressão policial, mas criando sociedades mais justas e que abram mais oportunidades aos jovens para expressarem as suas capacidades… O fim da repressão não curaria milagrosamente nenhum tóxico-dependente, mas tira-lo-ía do mundo do crime (pela drástica queda dos preços das drogas) e daria aos Estados recursos (libertados da guerra contra a droga e da redução da criminalidade) para procurar curar muito mais pessoas das dependências. Baixaria também para níveis inéditos na História os níveis de criminalidade, já que se sabe que mais de 60% de toda a criminalidade radica precisamente no narco-tráfico ou em atividades ou necessidades a ele ligadas. Razões bastantes, para apoiar esta recomendação do “Global Commission on Drug Policy”.

Fonte:
http://www.msnbc.msn.com/id/43248071/ns/us_news-crime_and_courts/

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O que fazer se… lhe roubam comida do frigorífico, no trabalho?

Sabe aqueles frigoríficos partilhados que algumas empresas têm nos escritórios e onde há uma inusitada tendência para desaparecerem coisas? Pois, na minha há uma coisa dessas e fenómenos desse jaez… razão pela qual andei na Internet em busca de inspiração (ver fonte) e matutei sobre formas de impedir tais roubos mesquinhos mas… irritantes.

Há várias maneiras de combater este fenómeno… eis algumas dicas:

1. Coloque a sua refeição num saco selado e opaco antes de o colocar no frigorífico. Se o ladrão não vir o conteúdo estará menos motivado para o roubar.

2. Coloque num autocolante o seu nome e a data. Alguns serão dissuadidos simplesmente por saberem que estão a roubar a uma pessoa específica e não a qualquer anónimo.

3. No autocolante mencionado em 2, coloque uma data que pareça indicar que o alimento já não está em condições, por exemplo, que tem mais de uma semana, mas faça sempre essa correção você próprio, mentalmente, claro…

4. Coloque a sua refeição o mais longe possível no frigorífico, ou nas últimas prateleiras, ou nas primeiras, e sempre ao fundo… a maioria dos ladrões são calaceiros e roubam aquilo que é mais fácil (e rápido).

5. Coloque um texto na porta do frigorífico denunciando o que se está a passar, envie mensagens de correio interno ou publique tal informação no portal corporativo. Expor a situação publicamente vai dissuadir alguns destes ladrões, porque a questão deixa de ser entre “você e ele” para ser uma questão pública.

6. Compre em conjunto com os seus colegas caixas com fechaduras e ocupem o frigorífico com elas. Se o espaço for preenchido totalmente com estas caixas e se estas forem suficientemente grandes, ninguém se atreverá a levar consigo uma caixa grande pelos corredores fora…

7. Em cada roubo, deixe um post-it colado no frigorífico descrevendo o que, quando, e a quem foi roubado. Personalizar o roubo dissuade alguns ladrões

Fonte principal:
http://www.ehow.com/how_5707668_stop-stealing-food-office-refrigerator.html

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Hoax: O Mito da “Experiência Socialista” de Adrian Rogers

Já recebi várias vezes uma mensagem que – oculta sob diversos títulos – pretende ser uma mensagem de um certo “professor de economia” de nome Adrian Rogers. O texto circula há anos sob a forma de corrente de mail, em várias línguas e é de facto da autoria de alguém que tinha esse nome, mas que – ao contrário do que alega a corrente – não só não era economista como nunca fez a dita “experiência” na sala de aula como (sobretudo) não era economista e professor da Universidade Texas Tech mas… pregador evangélico.

O mito urbano (hoax) que circula por aí alega que ele teria conduzido esta experiência social em 1931. Ora aqui está, desde logo, a primeira mentira… já que 1931 foi o ano em que nasceu Adrian Rogers.

O personagem em si, foi um dos mais conhecidos tele-evangelistas da sua geração, tendo falecido em 2005. Entre 1972 e 2005 o evangelista multiplicou o número se fiéis que atendiam aos seus sermões na igreja Batista de Bellevue, na cidade de Memphis a um ponto tal que em 1989 essa congregação tinha bens imobiliários avaliados em mais de 80 milhões de dólares. Data dessa época a formação da sua própria seita cristã, a “Convenção Batista do Sul” que hoje tem mais de 16 milhões de seguidores em todo o globo.

Adrian Rogers era um orador muito dotado e um politicamente muito conservador tanto que chegou a organizar um boicote contra a Walt Disney por esta conceder benefícios aos companheiros de trabalhadores gays.

Este é o texto original (em inglês) do mito urbano (hoax):
“You cannot legislate the poor into freedom by legislating the wealthy out of freedom. What one person receives without working for, another person must work for without receiving. The government cannot give to anybody anything that the government does not first take from somebody else. When half of the people get the idea that they do not have to work because the other half is going to take care of them, and when the other half gets the idea that it does no good to work because somebody else is going to get what they work for, that my dear friend, is about the end of any nation. You cannot multiply wealth by dividing it.”

Fontes:
http://www.quatrocantos.com/LENDAS/419_adrian_rogers_experimento_socialista.htm
http://www.lwf.org/site/PageServer?pagename=abt_AboutAdrianRogers
http://pt.wikilingue.com/es/Adrian_Rogers
http://nequidnimis.wordpress.com/2009/12/15/adrian-rogers-1931/

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Bom Ano Novo de 2011 a todos os Comentadores, Visitantes e Amigos do Quintus !

Bem Hajam! Lusófonos de todo o Globo!

Um ano que será realmente “novo” a muitos níveis… quer pela eleição – pela primeira vez – de um Candidato de fora do Sistema da Partidocracia, quer pela gravidade da crise em que os Partidos nos meteram… e cujas consequências ainda não podem ser inteiramente percepcionadas!

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Sam Cyrous: “A Cultura do Consumismo”

“A cultura do consumismo, não obstante, pretende reduzir seres humanos a homúnculos, competitivos e insaciáveis consumidores de bens, a objetos de manipulação pelo mercado querendo sempre mais, sem mesmo saber porquê!”
Sam Cyrous
Revista Nova Águia
Número 6

A encarnação atual desse demónio resiliente e eternamente (?) mutável chamado “Capitalismo” assume efetivamente hoje uma expressão muito assente no consumo massificado e sempre crescente. Segundo as métricas universalmente adotadas o crescimento da produção e do consumo são permanentes e a crise aparece desde logo, não quando o crescimento se torna em diminuição, mas apenas logo que este abranda!

A prazo o grande paradigma do Capitalismo atual tem em si mesmo o gérmen da sua própria destruição: a impossibilidade material e lógica de que algo possa crescer sem limite e eternamente. O Capitalismo – que exige recursos materiais e energia crescentes – não pode manter-se na sua forma atual durante muito mais tempo. Simplesmente não há “Terras” em número suficiente nem Energia para que persista neste ritmo durante muito mais tempo… Quando, enfim, essa contradição for demasiado evidente, então o Sistema irá colapsar em si mesmo, violentamente e em permeio de muita violência.

O momento do tremendo impulso que leva o Capitalismo é enorme, tamanha é a influência do Capitalismo em todas as atividades humanas atuais, desde a Cultura, à Segurança e Defesa até, sobretudo, à Política. Mas quando este enorme, omnipresente e (aparentemente) omnipotente Monstro cair no abismo da raridade de matérias-primas e energia, o eco da queda será tão grande quanto o é hoje a dimensão do Monstro… e se surgir na nossa geração todos o conheceremos de frente… a menos que consigamos transformar as nossas sociedades em economias sustentáveis, com baixos padrões de consumo, é para este abismo que caminhamos. Impedir este colapso violento é ainda algo que está ao nosso alcance. Ainda. Mas não durante muito mais tempo…

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Sobre a ligação entre Religião e Subdesenvolvimento Económico

Segundo um estudo realizado pela conhecida empresa Gallup há uma estranha (ou não) correlação entre os níveis de religiosidade de um país e os patamares de prosperidade material.

A revelação não é propriamente inédita, sendo aliás sobejamente conhecida na sociologia, desde o século XIX e tem raízes na presença nas religiões, de uma forma quase completamente transversal, de um discurso pacificador e que tem uma tonalidade geral de tornar o indivíduo satisfeito e conforme com a sua posição na escala económico-social. Pela concentração de esforço e tempo nas causas transcendentes, as religiões retiram foco ao progresso económico dos seus crentes e fazem-nos cumprir uma série de tarefas que podendo até ser socialmente úteis, do ponto de vista económico não produzem qualquer riqueza, consumindo-a apenas… Prometendo riquezas e felicidade para o Além, enfim, as religiões acabam por assumir a naturalidade e necessidade de uma existência terrena oposta, prosperando assim quanto maior for a pobreza e a miséria de uma sociedade.

Se o Conformismo e a crença na necessidade imperativa da Fatalidade divina, por oposição às capacidades e ao engenho dos povos explicam a relação entre Pobreza nos países europeus de matriz católica, já nos islâmicos do norte de África e do Médio Oriente estamos perante um fenómeno diferente: o atraso económico é explicado pelo desinteresse na Ciência e na Educação criados pelo fanatismo islâmico, captando Capitais financeiros e humanos à economia real e parasitando-a com pesadas e opressivas “taxas” diretas e indiretas.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/805103-quanto-mais-religioso-mais-pobre-tende-a-ser-um-pais-diz-pesquisa.shtml

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O “Open Data” uma aplicação cidadã à democracia baseada nos conceitos do Código Aberto

Um dos termos recuperados – em boa hora – pela candidatura presidencial do Dr. Fernando Nobre – é o da Cidadania. O termo é eminentemente político, mais político do que cívico porque traduz a ação dos cidadãos na “cidade” pela escolha dos seus líderes através das vias democráticas. Esta ação confere legitimidade democrática aos governos e radica diretamente nas obras de Rousseau e Montesquieu. Com efeito, é no pensamento destes teóricos franceses do século XVIII que reside o conceito de que a verdadeira liberdade se traduz na sujeição à Lei, sujeição que liberta, porque é o cidadão que está na direta raiz da formação da Lei.

Contudo, o conceito pós-clássico de que Liberdade implica Sujeição à Lei está obsoleto. Atualmente, encontra um sinónimo mais adequado noutras paragens, por volta do domínio da esfera do individualismo, da definição de uma fronteira legítima e sólida entre o Poder do Estado e a autonomia do cidadão.

Nas últimas décadas, tem-se observado por todo o mundo uma multiplicação das condições de sujeição da liberdade individual do individuo: as empresas privadas e públicas, enquanto entidades piramidais autoritárias intrinsecamente anti-democráticas têm invadido um espaço pessoal – em tempo e disponibilidade familiar – crescente, ocupando com a sua não-democracia um espaço crescente na vida de cada um de nós.

Perante esta contenção do espaço de manobra democrático dos cidadãos, resta então todo um universo de expressão no campo dos direitos e deveres de cidadania que urge promover e desenvolver. Uma forma que quebrar esta contenção passa pela intervenção noutras instâncias – menos convencionais – do espaço público pela participação ativa do cidadão na produção colaborativa de serviços e bens de interesse público.

Foi neste contexto e recorrendo a conceitos que nasceram no seio do movimento informático do “Código Aberto” que surgiu o inovador conceito de “Open Data”. O “Open Data” é um termo que designa a produção colaborativa de bens e serviços públicos em que os governos nacionais e as autoridades municipais colocam à disposição de todos os seus cidadãos os dados recolhidos ou produzidos no decurso da sua ação governativa. Em consequência, permite-se que todos os cidadãos possam – com essa informação pública e aberta – produzir bens e serviços de interesse público.

Desta forma o “Open Data” permite que se abram novos espaços à intervenção cidadã de todos os membros da comunidade, permitindo que ONGs onde estes participem possam produzir bens e serviços de novo tipo e de âmbito social mais extenso e de efeitos mais duradouros que o habitual ao quebrar o ciclo Produtor-Consumidor e anulando a perniciosa exclusividade decorrente do obsoleto “Sistema Internacional de Patentes” que tem destruído tanta da criatividade e criado tantas dificuldades à produção de medicamentos no Terceiro Mundo, para citar apenas alguns exemplos entre os mais conhecidos. O “Open Data”, o recentramento nas Economias Locais pela via da introdução de Moedas Locais e as explorações agrícolas comunitárias poderão assim assumir-se como aspectos essenciais de uma “Nova Economia” sustentável, com baixa pegada de carbono, ecológica e humana que importa instaurar e fazer florescer.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/pensar-a-cidadania-moderna=f599701

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Outplacement: A última moda

Uma das “modas de gestão” da atualidade emprega um anglofonismo que é cada vez mais comum no meio empresarial: “outplacement”.

As numerosas empresas de “recursos humanos” (termo detestável, como se os seres humanos fossem “recursos”…) que agora vivem do Outplacement estão a viver um período de plena euforia, sendo procurados pelas grandes empresas portuguesas que tentam reduzir o seu quadro de pessoal de uma forma que – acreditam ou querem fazer crer – ser mais suave e ligeira.

Os despedimentos que recorrem ao outplacement são o resultado de vários problemas desde dificuldades financeiras da empresa até à incapacidade do trabalhador em cumprir as suas funções. Embora o quadro legal nacional ainda dificulte os despedimentos, há cada vez mais empresas que recorrem às empresas de Outplacement para reduzirem de forma amigável o seu pessoal.

Por detrás do conceito de “outplacement” está o de “responsabilidade social”, mas estas empresas que se movem nesta área estarão a agir de acordo com as regras da “responsabilidade social”? No essencial, a empresa de Outplacement devia criar condições para aliviar a tensão emocional e psicológica do momento traumático que é sempre, necessariamente, o do Despedimento (frequentemente nestes casos mascarado sob o nome de “rescisão amigável”). Mas este serviço tem custos… frequentemente, as empresas que recorrem aos serviços das empresas de outplacement cobram (bem) pelos seus serviços e quem paga essa fatura é o próprio trabalhador, que vê esse custo ser deduzido do valor total da sua indemnização. Cuidado portanto, ao aceitar um serviço de outplacement como parte do seu processo de “rescisão amigável”… não se deixe enganar.

Uma empresa de Outplacement não deve também substituir-se aos deveres da direção da empresa despedidora: a entrevista em que a decisão de prescindir com os serviços de um dado colaborador tem que ser assumida totalmente pela direção: nessa entrevista não devem estar presentes nem “consultores”, nem advogados nem – muito menos – membros da empresa de Outplacement.

As empresas de Outplacement têm como maior missão acalmarem o colaborador e devolverem-lhe alguma da autoconfiança perdida. Para o bom cumprimento dessa missão recorrem a psicólogos e treinadores especializados na identificação de uma segunda carreira para o trabalhador “reestruturado” e na elaboração de um bom curriculum vitae. Estas atividades dependem tudo da boa qualidade dos consultores que assistem ao ex-trabalhador e esta – infelizmente – nem sempre é suficiente entre as empresas deste ramo que operam em Portugal… É também demasiado frequente ver estas empresas empurrarem as pessoas que lhes são entregues para formarem negócios próprios – especialmente se tiverem mais de 40 anos – ou para a primeira oferta profissional que receberem, já que tais aceitações representam para si um “sucesso”, mesmo que essa auto-empresa declare falência em menos de 12 meses ou que esse novo emprego represente menos de metade do anterior salário. Mas é assim que estas empresas de Outplacement exibem as suas “médias de sucesso” sempre mais ou menos “marteladas” e nunca verificadas por entidades terceiras.

Sejamos claros: ainda que um ex-trabalhador submetido aos serviços de uma empresa de Outplacement possa encontrar emprego mais rapidamente do que um que não recorre a uma empresa deste tipo há que verificar se a empresa despedidora não está a usar o dinheiro da rescisão para pagar os seus serviços, nunca embarcar nas propostas imediatas que aparecem sem pensar duas vezes e exigir sempre o melhor serviço possível.

Fonte:
http://tek.sapo.pt/opiniao/opiniao_outplacement_despedir_a_pensar_nos_tr_1085012.html

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No século XVI, Lisboa tinha 10% de população negra e do que devemos aprender daí

No século XVI surgiriam duas Irmandades Dos Homens Negros em Portugal, uma em Lisboa e outra em Lagos. Na altura 10% da população portuguesa era constituída por escravos africanos, segundo o historiador Cristóvão de Oliveira.

Esta mesma percentagem surge mais tarde, em pleno século XIX aquando da visita de Lord Byron a Portugal e hoje, não estará muito longe da verdade, se à população urbana da capital se somar a população migrante dos subúrbios. Portugal sempre soube, portanto, integrar demográfica e culturalmente estas populações de origem africana, porque não seria assim capaz de o tornar a fazer hoje em dia? O fenómeno migratório está aliás gravado bem fundo na própria forma portuguesa de estar no mundo, onde os casamentos mistos foram fundamentais para a sobrevivência durante quase meio milénio da presença portuguesa no oriente e em África. Portugal tem também sido ao longo de toda a História europeia um dos maiores fornecedores de correntes migratórias do globo havendo hoje qualquer coisa como 5 milhões de portugueses no exterior, ou seja, um terço da população nacional…

Perante tal condição migratória, perante um problema demográfico nunca satisfatoriamente endereçado pelo regime democrático, e que se traduz numa das taxas de substituição demográfica mais baixas do mundo: 1.3 filhos por casal, quando essa taxa devia ascender a pelo menos 2.1 para que a população se pudesse manter aos mesmo níveis que os atuais. Perante tal bem sucedido passado de integração – pela via da miscigenação – porque haveremos hoje de temer os fenómenos imigratórios atuais? Aliás, tendo em conta o aspecto migrante da própria portugalidade, como rejeitar a imigração, sobretudo num grave contexto, não apenas de estagnação, mas até de recuo demográfico?

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