Sociedade

“As pessoas que não se qualificaram como médicos, e que vão de enfermeiros até máquinas inteligentes, podem fazer muito do trabalho mais rotineiro”

“As pessoas que não se qualificaram como médicos, e que vão de enfermeiros até máquinas inteligentes, podem fazer muito do trabalho mais rotineiro, especialmente no caso de doenças crónicas, as quais, segundo a McKinsey, consomem até 60% da despesa global em cuidados de saúde. Os assistentes dos clínicos na América podem fazer cerca de 85% do trabalho de um médico de clínica geral, segundo James Crawley da Universidade George Washington. Mas os médicos estão interessados em defender o seu quintal”
A Quarta Revolução, a Corrida Global para reinventar o Estado
John Micklethwait e Adrian Woolddridge
“A Internet está a tornar a monitorização das doenças crónicas muito mais fácil. Há já sensores diminutos que, presos ao nosso corpo, ou dentro dele, podem informar o nosso médico (ou os seus sucedâneos computorizados) do nosso nível de insulina e sinalizar quaisquer problemas. Isto não significa apenas que precisamos de ir ao médico com muito menos frequência; também reduz as possibilidades de que uma condição crónica derive para uma emergência. Na Grã-Bretanha, uma experiência aleatória de controlo à distância examinou 6000 pacientes com doenças crónicas: as admissões nas Urgências desceram 20% e a mortalidade caiu a pique, 45%. O Centro Médico Montefiore de Nova Iorque reduziu as baixas hospitalares de pacientes mais velhos em mais de 30% por meio do uso de monitorização à distância para seguir os pacientes”
A Quarta Revolução, a Corrida Global para reinventar o Estado
John Micklethwait e Adrian Woolddridge
“Um estudo do Instituto Wolfson de Medicina Preventiva verificou que cerca de 43% dos casos de cancro britânicos eram causados por factores ambientais e de estilo de vida. Quanto menos grandes fumadores e bebedores houver numa sociedade mais baixas as contas dos seus cuidados de saúde”
A Quarta Revolução, a Corrida Global para reinventar o Estado
John Micklethwait e Adrian Woolddridge
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Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)

“Os Vedas dizem que “todas as inteligências acordam com a manhã”. A poesia e a arte, assim como as mais belas e memoráveis acções humanas, datam de tal hora.”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“Milhões estão despertos o suficiente para o trabalho físico, mas apenas um em cada milhão está desperto o suficiente para o verdadeiro esforço intelectual, apenas um em cada cem milhões para a vida poética ou divina. Estar desperto é estar vivo. Nunca encontrei até agora um homem desperto a cem por cento.”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
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Henry David Thoureu, Onde vivi e para que vivi (1854)

“Todos os homens desejam, em vez de algo com que fazer, algo para fazer ou antes algo para ser.”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“Os nossos trajes mais resistentes, constantemente usados, são o nosso tegumento celular ou córtex”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“A maior parte dos homens leva uma vida de mudo desespero. O que é apelidado de resignação é na verdade um desespero incurável.”
Henry David Thoureu, Onde vivi e para que vivi (1854)
“Não existe um modo de pensar ou de agir que possa ser aceite cegamente. O que hoje todos repetem ou o que é transmitido em silencio sob forma de verdade pode revelar-se falso amanhã.”
Henry David Thoureu, Onde vivi e para que vivi (1854)
“Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se for necessário, comei apenas uma. Em vez de uma centena de pratos, cinco. Reduzi, ainda as outras coisas proporcionalmente.”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“As necessidades da vida (…) poderiam ser resumidas, com suficiente precisão, através dos seguintes conceitos: alimento, abrigo, vestuário e combustível. Apenas quando asseguramos estes bens estamos preparados para nos dedicarmos aos verdadeiros problemas da vida”
Henry David Thoureu, Onde vivi e para que vivi (1854)
“A nossa vida é desperdiçada em pormenores. Um homem honesto dificilmente precisa contar para lá dos seus dez dedos, podendo, em casos extremos, acrescentar os dez dedos dos pés e que o resto se acumule. Simplicidade, simplicidade, simplicidade!”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi
(Sobre as nações) “A única cura é uma economia rígida, uma simplicidade de vida e elevação de propósitos austeros e mais que espartanos. Vive-se demasiado depressa.”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi
“O tempo nada é a não ser o riacho onde vou pescar”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi
“Cada geração troça das antigas modas, mas segue religiosamente a nova”
Henry David Thoreau, Onde vivi e para que vivi (1854)
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Citações sobre emigração em 2013

“mais de 30 mil portugueses emigraram para o Reino Unido em 2013. Este movimento de ida traduz um aumento de 47% comparativamente com os 20,4 mil portugueses que já tinham em 2012 escolhido aquele destino para trabalhar. Num e noutro caso, são maioritariamente profissionais de saúde, sendo que a percentagem de licenciados entre os emigrantes portugueses que vão para o Reino Unido é muito elevada comparativamente com outros destinos. A Noruega é um dos países onde a taxa de qualificação dos emigrantes portugueses é mais elevada, sobretudo de engenheiros.”
Público, 4 dezembro 2014
“Até 2010, a emigração qualificada aumentou na medida exacta em que aumentaram as qualificações da população portuguesa. Depois disso, a qualificação dos emigrantes passou a ser superior à da população portuguesa em geral”
Rui Pena Pires

Público, 4 dezembro 2014
“Portugal é hoje o segundo país com mais emigrantes em percentagem da população: 20,8%”
Público, 4 dezembro 2014
“O aumento da emigração está a fazer-se a um ritmo muito acima da evolução da população portuguesa, o que está a provocar uma quebra demográfica importante na população portuguesa”
Rui Pena Pires

Público, 4 dezembro 2014
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Movimentos Sociais e Utopia

“Um movimento social apresenta duas faces articuladas. Uma face ofensiva, capaz de definir um contra-projecto, ou mesmo uma utopia. Capaz de destacar uma identidade positiva (…) O actor, aqui, é um negociador que se apoia na sua identidade para entrar em discussões com o seu adversário social. Outra face defensiva, popular, preocupada em evitar a destruição do actor.”
Michel Wieviorka
Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris

Isto significa que, por detrás de um movimento social está sempre uma utopia, um lugar no espaço-tempo das realidades sociais que não tem ainda hoje concretização material. O “movimento” então é isso mesmo, a deslocação do ponto onde nos encontramos, da nossa realidade político-social, a partir de um impulso de critica e oposição na direção de uma sociedade utópica ou desejável e na direção da qual se pretende levar a sociedade.

Um movimento social é assim, sempre uma visão utópica e a materialização do desejo de mudança de uma sociedade nessa direção.

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Da vida e da morte dos Movimentos Sociais

“A desestruturação de um movimento social (ocorre quando) alguns dos seus membros optam por uma institucionalização precoce, ou extrema; outros privilegiam a ação puramente política; outros, ainda, entregam-se a uma violência social que impede qualquer negociação. (…) a decomposição pode rapidamente desembocar num estado de anti-movimento.
O anti-movimento social converte o actor numa seita ou num grupo terrorista que destrói em vez de tentar impor, pelo conflito, a sua própria visão da historicidade. Já não há contra-projecto nem utopia mas um apelo a um além, o que coloca a fé, a religião, a ideologia no coração do anti-movimento. Também já não há adversário mas um qualquer estranho, ao qual se é indiferente.”
Michel Wieviora

A esta descrição, há contudo que somar ainda a via da extinção por erosão dos membros destes movimentos ou por via da infiltração por parte de partidos políticos organizados.

A via da extinção advém naturalmente da grande dificuldade que estes movimentos sociais têm em penetrar no espaço mediático e em manterem os seus membros unidos em torno de um ideal que, muitas vezes, é de curto prazo ou muito objetivo e concreto. Quando esse alvo de curto prazo se esgota ou quando a atenção dos seus membros é captada por outra causa ou movimento, a erosão dos seus membros é inevitável e a extinção impossível de travar…

A outra via de extinção de movimentos sociais é a da captura dos seus membros mais ativos por parte de partidos políticos. O processo foi usado recentemente por alguns partidos de Esquerda em Portugal, com um sucesso assinalável na infiltração desses movimentos, mas um fracasso clamoroso na credibilidade destes movimentos infiltrados, o que os esvaziou de participantes até à efetiva irrelevância onde hoje vegetam…

Os movimentos sociais inorgânicos são necessariamente fátuos e duradouros apenas durante o período em que tal corresponder aos desejos e aspirações dos seus membros. Para serem perenes, têm que se encontrar em renovação permanente, quer de Causas, quer de membros. Têm que mostrar atividade, para fora, e renovar lideranças, para dentro. Têm que manter um cerne de ativistas estável, mas permeável, robusto, mas diversificado, basista e profundamente democrático.  Em suma, para que sobrevivam, a prazo, os movimentos têm que se encontrar permanentemente em… movimento.

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A sociedade portuguesa é um barril de pólvora prestes a explodir?

São cada vez mais numerosas as vozes que alertam para a iminência de uma explosão social descontrolada e sem precedentes em Portugal em face ao crescimento descontrolado e sem fim à vista do Desemprego. Na verdade, como em tantos fenómenos sociais falta apenas o “momento rastilho”, espontâneo, imprevisível no seu momento exato e incontrolável por qualquer sistema de segurança.

Com o desemprego real já bem acima dos 20% há cada vez mais pessoas desesperadas, sem apoio social (recordemo-nos de que a maioria dos desempregados são já de longa duração e não recebem subsídio) e que estão a perder as redes familiares de apoio devido à violenta compressão de ordenados e reformas imposta pela carga fiscal imposta pelo governo e pela troika.

Esta explosão social tem sido, contudo, adiada pela confluência de dois fenómenos: por um lado, o desemprego de longa duração está associado à depressão, o que contribui para a inação e passividade social e política por parte dos afetados por esse flagelo. Por outro lado, o desemprego jovem (já acima dos 40%) tem tido duas válvulas que impedem a eclosão de conflitos sociais: a emigração e o facto de muitos jovens estarem a adiar a sua entrada no mercado de trabalho permanecendo em casa dos pais. É certo que quem emigra são precisamente os elementos potencialmente mais dinâmicos e ativos de uma sociedade. É também certo que isso explica a insistência do atual governo para que os portugueses emigrem, mas haveremos de chegar a um ponto em que esse escape se esgota. Que os pais quem mantêm esses jovens em casa, sem rendimentos, perdem em massa o seu Emprego ou reformas. Um momento em que a carga fiscal se torna tão opressiva que todos começam a perder a paciência para com este governo do tripartido PSD-PS-PP (sim, porque através do Memorando negociado por si, o PS também governa). Falta uma oportunidade, um momento, um pretexto para pegar fogo a este perigoso rastilho.

E quando o fogo chegar ao barril de pólvora, que se cuidem a Europa e os Interesses financeiros que ela está a defender. Os portugueses são – dizem – um povo de brandos costumes, mas estão a perder a paciência com o tripartido e com essa “europa” que se move por detrás deles. Talvez seja ainda possível travar esta explosão: restaurando a credibilidade da democracia, renovando a democracia representativa pela introdução de mecanismos e ferramentas de democracia direta e participativa. Pelo reforço do papel da Sociedade Civil na governação democrática da comunidade, pelo despertar de milhões de cidadãos que hoje – voluntariamente – se encontram em anemia cidadã.

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Essa catástrofe demográfica que se avizinha

Maria João Valente

Maria João Valente

“Nunca desde que há registos (1886) houve tão poucos nascimentos até ao fim de novembro foram 83098, menos 6160 do que em igual período de 2011. (…) A crise económica é a causa mais apontada para a descida acentuada de 2011. Mas a demografa Maria João Valente pede cautela na análise: “a natalidade está a descer à décadas, mesmo em períodos de expansão económica. O declínio da fecundidade é comum a toda a União Europeia e a tendência é esta”.
(…)
“A quebra mais acentuada deste ano pode ser causada pelos movimentos migratórios que a crise gerou. Empurrados pelo desemprego, emigram cada vez mais jovens em idade fértil, que vão ser pais noutros países, e partem cada vez mais imigrantes, responsáveis por 14% dos nascimentos anuais.”

Expresso 15 dezembro 2012

Este fenómeno do declínio da natalidade não é, com efeito, exclusivamente português, mas comum a todo o mundo desenvolvido. Mas Portugal é uma das suas manifestações mais graves e onde – simultaneamente – menos respostas por parte do Estado têm sido registadas.

Sucessivos governos do bipartido PS/PSD têm ignorado a gravidade da verdadeira tempestade demográfica que se prepara abater sobre nós e que tornará insustentável a nossa sociedade nas próximas décadas. Agravando esta tendência, temos – ainda por cima – um governo que multiplica criminosamente os apelos à emigração jovem, impulsionando à saída daqueles que poderiam obstar ao agravamento da nossa baixa natalidade e deixando que levem para fora do nosso país o investimento que as presentes gerações neles fizeram.

Portugal, enquanto Governo e Sociedade, tem que encetar uma corajosa e audaz política geracional de estímulo à natalidade e de retorno dos jovens abandonaram o país (sem perspetivas de retorno) nas últimas décadas. Para tal, é preciso instalar a Demografia no cerne da estratégia política e de uma abordagem ao desenvolvimento, quer através de estímulos fiscais, quer através de uma Escola pública forte e universal, que através de um sistema de Saúde público, mas sustentável. A Demografia deve ser o cerne da estratégia política das próximas décadas, ou tudo está em risco: a economia não terá braços para a sustentar, os idosos não terão sistema de pensões e o pais não terá gente. Ou elegemos a demografia como o grande desafio dos próximos anos ou acabamos enquanto sociedade e Estado.

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Manuel Pinto Coelho: “Pela impossibilidade de controlar a dose, os ingredientes e a potência, o fumo (da marijuana) nunca poderá ser um modo seguro de administrar uma droga”

Manuel Pinto Coelho

Manuel Pinto Coelho

“Pela impossibilidade de controlar a dose, os ingredientes e a potência, o fumo (da marijuana) nunca poderá ser um modo seguro de administrar uma droga. (…) existe uma já há muito suspeitada ligação entre cannabis e a esquizofrenia por estudos recentes, de tal forma que hoje ela é comparada com a conhecida ligação ao cancro do fumador de tabaco. Além de inquestionáveis danos no cérebro e aparelhos respiratório e reprodutor, estudos também recentes têm vindo a comprovar, no seio dos seus utilizadores, descidas do QI que podem ir até aos oito pontos.”

Manuel Pinto Coelho
Público
15 dezembro 2012

A ser assim, temos alguns poderosos argumentos a favor da continuação da proibição da comercialização das ditas “drogas leves” e em particular, da Cannabis. Argumentos clínicos e científicos que, contudo, não podem ser os únicos levados a uma verdadeira e plena ponderação deste problema do Proibicionismo. Como com o álcool e com o tabaco, estas consequências da Cannabis produzem-se a partir de certo nível de consumo, sendo relativamente inócuos quando estamos perante um consumo moderado ou contido.

Continuamos a defender a liberalização das drogas leves (haxixe e cannabis), como forma de combater a proliferação de redes clandestinas e criminosas de distribuição e comercialização, mas não defendemos o excesso, assim como não o defendemos para com o álcool e o tabaco, de resto. Em todos estes casos,os custos sociais e económicos de manter um sistema repressivo (pouco eficaz e lento) são mais altos do que os de manter a batida e esgotada lógica proibicionista das últimas décadas.

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O Problema do Financiamento e Sobrevivência das Associações da Sociedade Civil em 2013

Em 2013, as associações em Portugal, sejam elas humanitárias, culturais ou cívicas, vão enfrentar um tremendo desafio que acabará por ditar o fim a muitas delas. Não sabemos quantas das cerca de quarenta mil associações continuarão a existir no final de 2013, mas sabemos que serão muito menos que aquelas hoje existem.

Em consequência desta redução, Portugal que já tem hoje dos mais baixos índices de participação cívica e associativa do mundo desenvolvido ficará ainda mais pobre. As funções sociais cumpridas pelas associações humanitárias, de solidariedade social e culturais não poderão ser compensadas por um Estado que por pressão dessa torpe “união” europeia parece apenas obcecada com nosso empobrecimento coletivo.

O próximo ano será um ano fatal para muitas associações portuguesas. Pressionadas por cinco frentes, muitas não irão sobreviver:

1. Perda de sócios:
Em Portugal sempre existiu um baixo nível de participação associativo, mas agora a redução demográfica, a demissão voluntária da vida pública por parte de muitos cidadãos e de quase todos os jovens, parece maior do que nunca. Uma Sociedade Civil amorfa, desorganizada e em severa erosão abre espaço a todo o tipo de abusos por parte do poder político representativo e do Poder Económico. Sem associados, não podem existir associações e sem associações não pode haver uma Sociedade Civil organizada que possa constituir-se como contrapoder contra toda a sucessão de abusos que os austeritários do Poder lançam sobre nós.

2. Sócios que não podem pagar quotas (desemprego):

Num país onde o desemprego já alcança mais de 1.2 milhões de cidadãos é evidente que a capacidade para continuar a pagar quotas ou para aderir e contribuir para novas associações é muito limitada. Imersos num mar de dificuldades financeiras, os portugueses cortam todas as despesas não essenciais e entre estas estão naturalmente, as quotas das associações. Em consequência, muitas associações sofreram nos últimos anos uma compressão drástica do seu principal financiamento e navegam hoje claramente abaixo da linha de água arriscando um afundamento definitivo a muito curto prazo, a menos que algo venha inverter radicalmente a situação nos próximos meses.

3. Depressão coletiva:

Em virtude de uma sucessão interminável de cortes, de camadas sucessivas de novos impostos, de desvios constantes às previsões e de erosão da “rede social de apoio do Estado, instalou-se (muito por culpa de um discurso catastrofista do regime) uma autentica depressão coletiva que paralisa a vontade individual em participar ativamente na Sociedade Civil e na efetiva recuperação económica do pais. A depressão (pela via do desemprego galopante, da eternização da recessão e do aumento brutal da fiscalidade) arrasta os cidadãos para a bovinidade. Empurrados pelo Medo (do Desemprego, de perseguições policiais caso apareçam em manifestações, da perda de rendimentos devido à fiscalidade desbragada, etc), os cidadãos eclipsam-se da vida cívica. Com esta demissão coletiva, perdem as associações e com elas perde vida a Sociedade Civil. A passividade, o bovinismo, o abstencionismo instalam-se, propulsados pela Depressão coletiva que se instala de forma duradoura entre nós.

4. Fim ou redução drástica de subsídios:
Para o exercício das suas funções sociais, humanitárias ou culturais muitas associações recebiam contributos na forma de subsídios. Nos últimos dois anos registou-se uma queda brutal neste tipo de ajudas estatais, entre os vinte e os sessenta por cento, em consequência, e num contexto de severa redução de pagantes de quotas e de recessão (que reduziu os proveitos de atividades “comerciais” que exercem algumas associações), muitas associações vivem hoje em graves dificuldades. Aquelas associações que empregam colaboradores (e estima-se que a Economia Social tenha mais de cem mil empregos) têm dificuldades crescentes em pagarem estes salários, já que boa parte era proveniente precisamente desses subsídios que agora o Governo central e os municípios reduziram a um mínimo absolutos.

5. propostas para que as quotas passem a pagar IVA:

Alem de todas estas dificuldades (erosão demográfica da base associativa, redução das quotas, compressão dos subsídios, depressão coletiva) paira sobre as associações uma ameaça ainda maior: insaciável na sua voracidade para aumentar a base fiscal do orçamento, pondera-se em círculos próximos do Governo a introdução do pagamento do IVA nas quotas pagas pelos associados. A confirmar-se, este ataque sem precedentes à Sociedade Civil organizada terá consequências trágicas num tecido associativo já muito ameaçado pelos problemas acima listados. Queremos crer que ainda resta alguma racionalidade neste governo tão empenhado a ir “além da troika”, “custe o que custar”, empobrecendo sempre mais e mais este país, na mira apenas de exílios dourados em Bruxelas ou no FMI para os seus dóceis executantes. Queremos crer, mas duvidamos da racionalidade dessa crença.

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Moedas Locais, Bancos do Tempo e LETS

A Depressão que se instala paulatinamente pelo mundo está a levar por uma procura por soluções que ainda que existam já há algumas décadas (tendo estado muito ativos na Grande Depressão) são inovadoras e podem contribuir para a resolução de alguns dos problemas que nos assolam hoje a (quase) todos. Uma destas soluções são os “Bancos do Tempo”.

Os Bancos do Tempo são uma forma de Moeda Local que incentivam os cidadãos a procurarem formas de repensar o trabalho e a como obtêm bens e serviços sem recorrerem a moedas convencionais, como o euro.

Os Bancos do Tempo erguem-se em torno de um conceito relativamente simples: quando se trabalha durante uma hora, recebe-se um crédito de uma hora, a qual depois é gasta num dado serviço a alguém da comunidade de aderentes. Os Bancos do Tempo não são afetados por voracidades fiscais (como aquela que atualmente vivemos) uma vez que são apenas organizações voluntárias de ajuda mútua e não moedas orientadas para os mercados nacionais ou internacionais. Sobretudo, orientam-se apenas para a comunidade local de aderentes e não extravasam para fora dela até à “economia exterior”.

Os Bancos do Tempo permitem que todos nós utilizemos o nosso pleno potencial adormecido por uma economia “exterior” em declínio e asfixiada por um Estado desleixado e inepto, incapaz de comprimir a sua Despesa e que opta – sempre – por comprimir os rendimentos dos seus cidadãos. Todos temos algum tipo de conhecimento ou competências que podemos oferecer aos outros por forma a criar Saúde, Bem Estar, Conhecimento ou a suprimir alguma necessidade. Essa rede pode ser um sustentáculo crucial para uma comunidade local esmagada pela opressão fiscal do Estado central, desenvolvendo conceitos como comunhão, igualdade, reciprocidade e civismo.

É relativamente simples começar um Banco do Tempo. Basta começar por abrir um sistema de registo de pedidos e ofertas num diretório de competências profissionais e depois uma segunda lista que agregue os membros e o seu balanço pessoal de Horas. Tudo isso pode – numa versão básica – ser feito em alguns minutos usando ferramentas online como formulários e folhas de cálculo Google Drive. Outra opção é a de imprimir “papel moeda”, numa nova unidade, que corresponde a uma Hora trabalhada para o Banco do Tempo. Esse foi, por exemplo, o modelo adotado pela ONG norte-americana Ithaka, com as suas notas “Ithaka Hours”. Existe ainda a opção de criar cheques ou vouchers que são enviados por correio e armazenados na sede do Banco do Tempo.

Uma variante menos conhecida dos Bancos do Tempo são os LETS (“Local Employment Trading Systems”) que têm um estilo mais adaptado à economia de mercado que usam unidades que representam a divisa nacional, permitem a negociacao de preços e que para alem de indivíduos isolados, envolvem também PMEs.

Plataformas Gratuitas:

Existem algumas soluções gratuitas, livremente disponíveis na Internet, e que permitem a instalação e adoção fácil deste tipo de soluções.

Uma delas é a “Community Exchange System” que permite realizar trocas básicas sem dinheiro ou sem a exigência de uma assistência técnica profissional. Desenvolvida na África do Sul, o sistema é usado por mais de trinta países.

Outra opção é o hOurworld uma ONG não lucrativa que oferece software para Bancos do Tempo completamente livre de custos.

Outra ainda é a “Open Source Currency” da ONG norte-americana “Austin Time Exchange Network” que tem vários “spin-offs” pelo território dos EUA. Que, pelas suas caraterísticas e alojamento gratuito é provavelmente a melhor alternativa disponível.

O “Community Forge” é mais um LETS que um Banco do Tempo, mas pode ser configurado para funcionar dessa forma.

Fonte:
http://www.shareable.net/blog/just-in-time

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Portugal precisa de um verdadeiro Plano Nacional para a Informática

Portugal é um dos poucos países do mundo desenvolvido onde grande parte dos estudantes do primeiro ciclo possuem um computador pessoal portátil (o “Magalhães”). As virtualidades que daí poderiam advir são tremendas, mas fica a sensação desagradável (como se de uma comichão se tratasse) de que essa ferramenta não só não está a ser explorada em todas as plenitudes das suas potencialidades, como está – pior – a ser mal usada.

Portugal tem hoje entre as suas mais dinâmicas e saudáveis empresas exportadoras algumas empresas de TI. Em termos globais, o setor das Tecnologias de Informação e das Comunicacoes tem uma importancia cada vez maior, mas fica a sensação de que o país não está a crescer tanto neste setor como podia. Apesar do crescimento aparentemente descontrolado dos números do desemprego, há muitas vagas por preencher no setor das TI e sendo certo que esse desafasamento deve muito aos salários que se pretendem atribuir, existe também um nítido fenómeno de insuficiencia universitaria em fornecer a quantidade necessária de licenciados nesta área vital para o desenvolvimento do país.

Portugal precisa de um verdadeiro Plano Nacional para a Informática: que abranja todos os graus de ensino, desde o básico até ao universitario, sem esquecer o secundário. É preciso que os Magalhães e demais laptops fornecidos a preços reduzidos sejam efetivamente usados como verdadeiros computadores que são e não como “máquinas estúpidas” que pouco mais fazem que correr jogos Flash, Chat e Facebook.

Este Plano Nacional de Informatica deve:
1. No Básico promover a utilização de software aberto e novas releases do Magalhães (hoje suspensas) devem incluir apenas sistemas operativos abertos Linux, como o português Caixa Mágica. As distros não podem incorporar por defeito aplicações de Chat, jogos ou outras distracoes. As editoras devem trabalhar em conjunto numa plataforma que preserve os direitos autorais que possibilite a total virtualizacao dos manuais escolares, poupanndo em custos de impressao, distribuição e armazenamento e reduzindo a pegada de carbono do país. Noções básicas de programacao devem ser ensinadas às crianças, desenvolvendo nos meios universitarios (se necessário) uma nova linguagem de programacao adequada a esse fim.

2. As limitacoes quanto ao uso de Chat e Jogos nestes computadores de meio escolar devem manter-se, assim como a utilização exclusiva de software aberto no nível Secundário de ensino. Os objetivos da utilização da informatica neste nivel devem ser – naturalmente – mais ambiciosos, passando pela produção de conteúdos originais (p.ex. para a Wikipédia portuguesa), e, sobretudo, pelo desenvolvimento de competências de programacao que levem à produção de aplicações que corram em diversas plataformas, como o Android, iPhone, ou em webservers e computadores desktop.

3. Nos níveis mais elevados de ensino (licenciaturas, mestrados e doutoramentos) devem manter-se as mesmas lógicas dos níveis anteriores (foco no Código Aberto e nas competências de programacao), incorporando métricas de sucesso (número anual de novos licenciados, de novas empresas de TI, de exportacoes e emprego gerado neste setor), recebendo as universidades públicas incentivos financeiros em função do sucesso obtido em cada uma dessas métricas.

Como caso de estudo neste Plano Nacional para a Informatica Portugal deve estudar o sucesso israelita, país de dimensao demografica e economica comparavel e que deve o seu sucesso atual nessa area a um plano idêntico desenvolvido nesse país do Médio Oriente na decada de noventa. Em particular, a transformacao da disciplina de Informatica, como curricular, ao lado da Matemática e do Português deve ser ponderada, assim como um aumento exponencial da exigência dos programas, nomeadamente ao nível das competencias de programacao e redes.

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Porque é a Sociedade Civil portuguesa tão passiva?

Perante uma vaga tão sistemática e crescente de sacrifícios induzidos a partir do exterior e que não estão a ser repartidos por toda sociedade seria de esperar que a conflitualidade social fosse mais intensa.

A recessão – cada vez mais profunda – está a ser intensificada pela erosão do Estado Social que em Portugal foi construido não na década de 60 (como no resto da Europa) e que está profundamente associado ao regime democratica. O termo do Estado Social ou, pelo menos, a sua compressao até um “Estado Social Mínimo” muito do agrado dos neoliberais deveria estar a provocar uma severa ebulição social. Mas nada se observa. Além de uns quantos sincalistas mais ou menos profissionais e que desconexas e improdutivas manifestacoes de rua, nada se observa nem dá sinais sequer de despontar.

Dois fenómenos concorrem para explicar esta passividade social portuguesa:
1. As revoluçoes nascem, desenvolvem-se e produzem efeitos sempre nas camadas jovens das sociedades (dos 18 aos 30 anos), ora Portugal, devido a uma das mais baixas taxas de substituicao demografica do mundo, tem uma das piramides demograficas mais invertidas do mundo: isto é, tem poucos jovens e, ainda por cima, respondendo ao agravamento da crise e aos criminosos apelos governamentais, os seus elementos mais dinâmicos e audazes não vão fazer nenhuma revolução porque estão a emigrar massivamente!

2. O outro fenomeno social que explica o facto de a ultima revolta social ter sido em… 1383 (a Maria da Fonte não conta, já que se inseriu no contexto muito especifico das Lutas Liberais). Existe algo na mentalidade portuguesa que não propicia a revoltas sociais. Seja uma herança do fatalismo judaico (que compoem um quarto da nossa massa genética comum), das perseguicoes castradoras da Inquisição ou do Ultracatolicismo de Dom João III, dos cinquenta anos de Salazarismo ou do entorpecimento mediatico atual, o certo é que algo no temperamento luso não propicia a revoltas sociais.

Mas isso não quer dizer que os Poderosos do norte da Europa (que são, recordemos, dois terços da Troika) consigam prosseguir a sua agenda de destruição do Estado Social português. Os quarentoes podem revoltar-se se o fenómeno do Desemprego crónico os levar à exigida dose de desespero e se a fome das suas famílias os levar a tal extremo. De facto, é aqui que reside hoje o verdadeiro detonador da Revolta Social que se desenha hoje de forma cada vez mais nítida no horizonte: no desemprego crónico de cidadãos seniores.

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+D = Democracia em Movimento

+D = Mais DemocraciaAdira ao +D = Democracia em Movimento enviando uma mensagem para

adiro@maisdemocracia.org

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Em Defesa de uma adoção generalizada por parte do Estado de Software de Código Aberto

No momento em que Portugal atravessa a mais grave crise financeira e orçamental dos últimos cem anos, é no mínimo estranho que não se saiba exatamente quanto gasta o Estado e as instituições sob a sua direta alçada (fundações, empresas públicas, poder local, etc) em licenciamento e em software fechado.

Urge conhecer a quanto ascende anualmente esse montante, para se conhecer quanto poderia ser poupado através da sua substituição por sistemas e soluções de Código Aberto, desenvolvidas (ainda que parcialmente) em Portugal, instaladas e mantidas por empresas nacionais (que gerem Emprego e Riqueza em Portugal). Desconhecer quanto se gasta anualmente em licenças de software fechado, dependências diversas de multinacionais opacas e avaras serve apenas os seus interesses egoístas e os das unhas que elas untam em diversos estratos do funcionalismo público, por mais ou menos encapotada corrupção e tráfico de influências.

O Estado e todas as suas entidades dentro da sua esfera devem lançar um programa global de substituição de todo o tipo de software licenciado e fechado, seja ele o Microsoft Exchange, o SQL Server ou o absurdamente caro Oracle, o Windows, o Office e substituir cada uma destas onerosas peças pelos seus equivalentes de Código Aberto (LibreOffice, Linux, Firefox, MySQL, Moodle, Drupal, etc). O processo de substituição seria fortemente objetado pelas grandes multinacionais que tanto têm lucrado do Estado português nas últimas décadas, mas a curto prazo representaria uma poupança muito significativa e poderia conduzir ao desenvolvimento de muitas empresas nacionais de Código Aberto, de suporte e desenvolvimento, geradoras de emprego e de impostos pagos localmente (e não numa qualquer offshore na Holanda ou em Curaçao…).

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O desprestígio inédito do atual Presidente da República Cavaco Silva devia ser alvo de reflexão urgente por parte da Sociedade Civil

O desprestigio inédito do atual Presidente da República Cavaco Silva devia ser alvo de reflexão urgente por parte da Sociedade Civil. O facto estranho de na sua reeleição terem sido recolhidos um número ineditamente baixo de votos e de agora este presidente ser vaiado e apupado em praticamente todas as suas aparições públicas devia merecer também outra reflexão, igualmente urgente.

A função presidencial está hoje seriamente erodida e não existem à vista formas de a regenerar, pelo menos não com as escassas funções efetivas que hoje lhe competem e não com a personalidade diminuída do atual detentor do cargo.

Prestigiar a importante função presidencial é assim um desígnio nacional potenciando o facto de ser o único cargo de eleição uninominal e – teoricamente – partidariamente independente. Simultaneamente, é também o cargo que maior sufrágio exige para recolher a função. Paradoxalmente, é também o cargo político mais esvaziado de responsabilidades e funções efetivas. Essa contradição fragiliza a representatividade democrática e afasta os eleitos dos eleitores. Urge repensar quer as funções presidenciais, quer o seu modelo eleitoral.

Ainda no âmbito desta necessária profunda reflexão sobre a natureza e eficácia da função presidencial é também preciso avaliar a criação de um mecanismo constitucional de “impeachment” por exemplo através de uma petição/subscrição com mais de 150 mil subscritores ou de um mecanismo parlamentar alternativo. A simples existência dessa possibilidade (atualmente inexistente) credibilizaria a instituição presidencial junto dos cidadãos, num movimento positivo que prestigiaria uma função que tanto tem sido prejudicada pelo atual detentor do cargo.

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O Ciberativismo e a ferramenta de cidadania ativa “petição online”

A Internet pode ser usada como uma ferramenta para amplificar a vida cívica dos cidadãos. A tecnologia pode e deve ser usada como um amplificador para a participação do individuo na sociedade civil e como forma de reconstruir o quadro de participação democrática que hoje em dia se encontra tão diminuído e degradado, levando a que autores como Adriano Moreira falem de “Estado Exíguo” para descrever o atual estado da democracia portuguesa.

Os primeiros movimentos sociais organizados em torno da Internet podem ser identificados na contestação anti-globalização de Seattle. Provaram ser possível que a Internet fosse usada para organizar indivíduos em torno de projetos comuns, simplificando a sua capacidade para criarem e participarem em eventos que requerem a sua presença física. Atualmente, este tipo de atividades recorrem cada vez mais frequentemente às redes sociais. A campanha presidencial de 2011 demonstrou as suas virtualidades e a campanha do “candidato revelação” de então, Fernando Nobre, dependeu em muito do facebook para se organizar e divulgar a mensagem do seu candidato.

Cada vez mais cidadãos de todo o mundo usam a Internet para trocarem informação de forma livre e autónoma, fora dos quadros de intervenção cívica e política convencionais e devolvendo ao eleitor um papel cada vez mais ativo, apesar das várias resistências que o sistema democrático representativo e excessivamente partidarizado tem oferecido. Este fenómeno reveste-se de uma imensa importância para as sociedades modernas, dado que nunca como hoje tantos produziram tantos conteúdos, de forma tão fácil e acessível e chegando a tantos. Os processos de produção de informação e de cultura massificaram-se e democratizaram-se numa forma que apenas é possível com a Internet. Entre estas formas de participação cívica potenciadas pela Internet encontram-se as Petições Online, um movimento que não tem parado de aumentar na sua amplitude e onde fomos um dos primeiros a participar criando em 2000 aquela que é ainda hoje a petição online mais votada de sempre, a http://www.petitiononline.com/bancatms/petition.html que a 14 de junho tinha 452461 e que durante largos meses esteve na lista de dez petições mais votadas durante largos meses, estando durante algum tempo no primeiro lugar naquele que é o site de petições mais usado do mundo. A petição não foi inconsequente… entre vários artigos em jornais e revistas, mereceu também uma peça televisiva e acabou, por fim, por merecer um Decreto Lei, no Parlamento que haveria de legislar de acordo com a intenção dos subscritores.

A Internet permite que o esquema atual, hierárquico, em que a informação circula a partir do topo, de entidades controladas pelo poder económico e financeiro e a disseminam pela sociedade. Mas este esquema é incapaz de controlar este fluxo de informação quando se multiplicam os portais independentes, os blogues e as páginas de facebook. Hoje, qualquer pessoa pode criar na Internet a atenção e o foco suficientes para bater em atenção qualquer meio de comunicação social convencional, por maior e mais poderoso que este seja. A questão está sempre no público e na capacidade para congregar grupos de amigos, parceiros e uma audiência cibernética que possa tornar viral este conteúdo.

Existem vários sites de petições, mas aquele que atualmente é o mais promissor é o http://www.avaaz.org/en/ que levou o ciberativismos a um novo nível. O termo “avaaz” significa “voz” em Urdu e Persa e é muito adequado a um site que além das convencionais petições online já agrega mais de 14 milhões de membros em todo o globo. A este propósito, lançámos aqui a http://www.avaaz.org/en/petition/Against_all_forms_of_age_discrimination_affecting_workers_with_more_than_40_years/ estando agora a aferir do seu sucesso…

Além do já referido sucesso da petição contra o pagamento de comissões em operações por Multibanco, existem muitos outros exemplos globais do sucesso deste tipo de ferramentas de cidadania online: a petição com mais de 250 mil assinaturas, entregue ao Primeiro Ministro do Japão, Yasuo Fukuda, pedindo a adoção de metas até ao ano de 2020 e que reduzissem as emissões de CO2. Como o governante nipónico não respondeu, dois mil membros do Avaaz juntaram-se para pagar uma anúncio de página inteira no Financial Times com uma sátira em que três políticos, entre os quais o Primeiro Ministro e George Bush apareciam vestidos como “Hello Kities”. Mais recentemente, a Ministra das Relações Exteriores da Serra Leoa, Zainab Bangura, fez pessoalmente um vídeo e colocou-o no site apelando a uma campanha de apoio contra a fome no seu país. A petição haveria de somar 340 mil assinaturas e seria entregue em mãos ao secretário-geral da ONU.

O grande problema com as petições online reside na sua validade jurídica. Em Portugal, o seu valor depende essencialmente da vontade e disponibilidade dos partidos políticos representados na Assembleia da República para as tornarem em Lei, havendo várias formas de os partidos nada fazerem perante uma dada petição, se não aderirem realmente aos seus princípios ou motivações. Um dos pretextos mais habitualmente utilizados para diminuir a credibilidade das petições online é o facto de ser possível hoje que a mesma pessoa subscreva a mesma petição várias vezes, falseando assim o número total de subscritores. A objeção tem contudo soluções tecnológicas, por exemplo pela massificação do leitor do cartão do cidadão, que garantiria uma forma segura e fácil de identificar cada subscritor.

Uma outra forma de ciberativismo passa pelo envio de vagas de mensagens de correio eletrónico para as caixas de correios de deputados na Assembleia da República e dos deputados que tenham páginas e perfis no facebook.
O ciberativismo deve ser considerado não apenas como um fim em si mesmo ou como algo de acabado que está desligado de qualquer papel ou intervenção no mundo real. De facto, deve sempre perspetivar uma atividade concreta e física, com outros ativistas e integrar essa ciberatividade numa “visão maior” e num objetivo de longo alcance e de grande escala que possa consolidar o esforço virtual e o cristalize no mundo real e concreto. Assim, é sem exagero que dizemos que o fito último de qualquer ciberativista deve ser a sua saída do mundo virtual dos bits e dos bytes e a sua marcha para a mundo físico que existe além do seu computador tornando-se finalmente num… ativista, em tudo idêntico – menos nas ferramentas – a qualquer outro ativista dos séculos passados.

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35 formas não-financeiras de recompensar os seus colaboradores

Em época de grave crise económica, muitas organizações estão sem recursos financeiros para recompensarem os seus melhores colaboradores. Como consequência, os níveis de descontentamento nas equipas sobem e, com eles, os de insatisfação. Este dilema falta de recursos VS recompensa parece insolúvel, à primeira vista, mas não o é, com alguma imaginação… eis alguns métodos de reconhecimento de mérito, eficazes e sem custos.

Intercale estas medidas, espaçando-as (para não ficar rapidamente sem ideias) e para que elas durem durante, pelo menos, um ano… eis algumas ideias, que posteriormente hei de enriquecer. Nota: algumas ideias não se devem usar mais do que uma vez, sob pena de se tornarem ridículas, enfadonhas ou pior… que se tornem habituais!

1. Se o seu grau de autonomia enquanto chefia lhe permite tal atitude, introduza horários flexíveis. Este é provavelmente o método mais económico e mais apreciado pelos seus colaboradores. Defina, p. ex. métricas mensais de desempenho e premeie aquele seu colaborador com uma tarde livre por mês para o recompensar.

2. Entregue uma nota manuscrita: entregue ao melhor colaborador uma nota de cinco euros com uma nota pessoal tendo escrito “Obrigado por seres um colaborador de excelência e pelo teu contributo para a equipa X”.

3. Anime as hostes: uma vez cada quinze dias, cada colaborador trará uma fotografia de um bebé, coloca-a numa parede de um armário e escreve, por baixo, o nome do colega de equipa que mais se parece com esse bebé.

3. Ligue os colaboradores: apresente-os a fornecedores-chave, introduza-os nas reuniões regulares e faça-os participar nelas.

4. Uma vez por semana defina um “dia sem sapatos”. Além de boa disposição e moral, isso aproximara a equipa. Os sapatos (naturalmente…) estarão sempre por perto, num cesto ou junto a um cabide.

5. Recompense o esforço da mesma forma que recompensa o sucesso. Consagre o prémio anual “a melhor ideia que não funcionou” e num almoço anual da equipa (pago pela chefia) entregue um troféu humorístico mas motivador.

6. Se os Recursos Humanos autorizarem (isto é, se forem flexíveis, o que nem sempre sucede), recompense os melhores colaboradores com um dia inteiro de descanso. No momento da comunicação dê-lhe uma carta tipo monopólio com a inscrição “Passe Dia”, que o colaborador poderá usar sempre que lhe aprouver, sem ter justificar (avisando apenas de véspera).

7. De surpresa, compre donuts ou outros pequenos bolos e chocolates e deixe-os para que a equipa os possa apreciar.

8. Compre uma máquina de café de cápsulas e ofereça-a a sua equipa numa das reuniões quinzenais regulares da equipa após o bom sucesso de um dado projeto que tenha envolvido todo o grupo.

9. No dia de anos, almoce com o seu colaborador e pague-lhe o almoço. Oiça-o e tome em conta aquilo que ele lhe disser. Reconheça o seu mérito e valor para a equipa.

10. Peça ao todos os membros da equipa que escrevam uma frase curta sobre o que mais gostam de cada um dos seus colegas. Depois, cole as frases todas sob as fotografias deles e exponha-as numa parede de um armário e no portal corporativo.

11. Deixe que o seu melhor colaborador do mês escolha um de vários projetos disponíveis.

12. Sempre que alguém se destacou de uma forma muito particular, nas reuniões quinzenais da equipa, batam palmas e elogie em público esse desempenho.

13. Institua as “reuniões caminhantes”: em vez de usar salas de reunião, pesadas e formais, saiam do edifício e enquanto caminham, falem. Naturalmente, isto só será possível quando simples papéis forem o único material necessário para a reunião…

14. Imprima “notas falsas”, com uma designação humorística e ofereça-os ao membro da equipa que mais se destacou num dado mês. Ao fim de um ano, as notas podem ser trocadas por um prémio real, por exemplo se no total somarem quinze euros, podem ser gastas num almoço.

15. Crie um “muro da fama” com os nomes, fotos e com textos curtos descrevendo as realizações dos melhores da equipa, colocar tal informação no portal corporativo.

16. Use um canto menos usado da sala como “ponto de relaxe” ou reflexão, com puffs e uma mesa. Chame ao espaço “ClubMed”.

17. Atribua aos seus melhores colaboradores um lugar de estacionamento junto ao do diretor geral ou num piso ou lugar mais próximo da porta.

18. Se num dado projeto, ou incidente, houve necessidade de um dado colaborador ficar no trabalho para além do seu normal horário de trabalho, recompense a sua esposa pelo tempo que roubou à sua família, oferecendo uma flor.

19. Publicite o sucesso dos melhores: no portal colaborativo, na página da equipa, onde toda a organização a poderá ler.

20. Tele-trabalho, premeie os melhores trabalhadores deixando que – após uma boa avaliação anual – estes trabalhem a partir de casa dois dias por mês, à sua escolha. Proponha este modelo aos recursos humanos ou implemente-o se tal estiver dentro do seu grau de autonomia.

21. Use a palavra “obrigado” na sua equipa pelo menos uma vez por dia. Certamente, que mesmo numa pequena equipa haverão diariamente ocasiões para usar, com justiça, essa palavra.

22. Crie um grupo de “cartões casuais” e distribua-os aos seus melhores colaboradores à medida em que o seu desempenho o vai justificando. O colaborador pode usar esse cartão, e no dia em que o decidir usar, pode vir vestido da forma que melhor lhe aprouver. Obviamente, este método só funciona em empresas em que o “vestuário formal” seja norma interna… E quando houver contactos diretos com clientes, haverá que estabelecer excepções.

23. Peça aos seus fornecedores por pequenas ofertas (canetas, tapetes de rato, etc). Distribua-as depois pelos membros da sua sua equipa. Se não tiver para todos, faça um sorteio. Evite ficar com este tipo de itens para si próprio.

24. Ofereça um jogo de vídeo ao filho do seu melhor empregado do ano.

25. Prepare um vídeo curto, que celebre as realizações da sua equipa nos últimos anos, assim como a memória daqueles que já a deixaram. Coloque-o na página corporativa da equipa.

26. No dia de aniversário, envie para a casa dos seus colaboradores um postal a desejar Bons Anos.

27. Procure algo que cada um dos seus colaboradores colecione e ofereça-o

28. Peça sugestões sobre formas pelas quais querem ser reconhecidos.

29. Compre dois bilhetes de cinema, idealmente vouchers.

30. Ofereça uma limpeza do carro – de surpresa – ao veículo do seu melhor colaborador do mês.

31. Um dia, de surpresa, organize um lanche surpresa. Não o repita muitas vezes (faça-o mesmo raramente) por forma a que não tomem tal iniciativa como um dado adquirido, independente da performance da equipa.

32. Altere os seus “job titles”, para designações mais modernas e apelativas

33. Institua um “Play Hour”: Traga de casa um jogo de tabuleiro e numa hora de serviço, com a sua equipa joguem.

34. Organize um jantar anual da equipa e aqui, atribua prémios aos colaboradores por categorias (podem ser humorísticas, mas nunca que possam ser negativas ou diminuitivas)

35. Sempre que possível, envie os seus colaboradores para todas as conferências exteriores e gratuitas que recebem.

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A Geração Copy-Paste

“A cultura dos nossos antepassados foi substituída por uma versão mais ligeira, diluída e imediata, em que toda e qualquer referência e espiritualidade ou valores morais é ridicularizada. Alguns lutam pela manutenção de certos rituais, contudo o espírito lusófono raramente existe neles. A maioria apenas quer saber do último escândalo que envolva alguma celebridade ou do resultado do último jogo de futebol, deixando de lado, por exemplo, a leitura de um bom livro que a nossa vasta literatura tem para nos oferecer. É fácil culpar os políticos e os interesses económicos. No entanto, neste caso a culpa não é exclusivamente deles, já que cada um de nós mata o nosso espírito lusófono através da negligência.”

Pedro Cipriano
Nova Águia, número oito

Existe um nítido declínio da quantidade e qualidade de produção cultural na sociedade portuguesa contemporânea: a qualidade do ensino público está na base de uma redução da base populacional que se encontrava preparada para diferir bens culturais de uma sofisticação mais exigente e a mudança de mentalidades que foi criada por uma geração condicionada pelos métodos de pensamento rápidos e imediatistas, por uma geração que exige viver em “tempo real” e onde as tradicionais virtudes do trabalho continuado e esforçado não valem tanto como a rapidez de acesso ou a repetição ad aeternum de fontes copipastadas sem reflexão nem pensamento.

A geração jovem de hoje tem acesso rápido, ubíquo e universal à informação, através da Internet, mas essa facilidade está a favorecer o raciocínio mais primário, imediatista e em “tempo real” que a reflexão inteletual, com a sua maturação muito própria e produtiva… o Pensamento original e criativo requer Tempo e não ocorre num mundo onde as solicitações são múltiplas, diversas e rápidas.

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Breve antevisão de uma eventual saída de Portugal do Euro

É cada vez mais provável que a Grécia tenha que sair do Euro… essa é a tese que é dada com elevada certeza nos meios financeiros mundiais e se a Grécia sair, não há dúvidas que Portugal entrará logo na primeira linha de fogo dos especuladores, o que (especialmente depois do fim do programa da Troika, em meados de 2013) poderá obrigar o nosso país a regressar ao Escudo, ou, numa hipótese mais moderada e recentemente sugerida por Manuela Ferreira Leite adotar um sistema híbrido Escudo-Euro (Escudo para uso interno, e Euro para externo).

Mas imaginemos que regressávamos ao Escudo. E que o fazíamos em clima de Bancarrota e de iminente rotura de pagamentos internacionais. Qual seria o cenário?

Desde logo, poderíamos contar com uma explosão nos números do desemprego. Dos quase 20% de desemprego efetivo, poderíamos passar muito rapidamente para 30% ou mesmo 40%. A pressão sobre a Segurança Social forçaria a uma alteração rápida do valor dos subsídios pagos ou da sua duração, com um notável feedback em famílias já muito prejudicadas pela Recessão… Esta, aliás, seria intensificada, sendo provável superior a -7% do PIB só no primeiro ano. Nestas condições, e dependendo da situação em Espanha, seria de esperar uma explosão na emigração de portugueses para a Europa e para o mundo lusófono. A prazo, isso iria pressionar ainda mais o sistema de pensões, naturalmente, e levar ao seu colapso ou à aplicação de uma série de reduções muito draconianas. Portugal, como a Grécia representam – juntos – pouco menos de 5% de toda a economia europeia, mas perante o seu colapso, a onda choque (sobretudo se ambos falissem e saíssem do Euro) teriam uma escala continental, tamanha é volatilidade e nervosismo dos Mercados… ou seja 5% derrubariam facilmente todo o continente e tem sido apenas por esta única razão que alemães, finlandeses e holandeses ainda não defendem publicamente a expulsão do Euro dos países do sul.

Regressando a Portugal, a saída do Euro evaporaria de um dia para a noite mais de 20% do PIB e atiraria a inflação para valores da ordem dos 30 a 40% e colocaria o Escudo em pelo menos 30% do valor do Euro (estas projeções resultam de um estudo recente de Ferreira do Amaral e de paralelismos com projeções semelhantes para a Grécia). Consequentemente, se não estivesse ainda em bancarrota, esta teria que ser declarada.

Em termos mais práticos, na véspera do dia em que fosse declarada (uma sexta-feira), o Governo irá declarar o congelamento de todas as contas bancárias e criar barreiras a transferências online para contas no estrangeiro. Nos dias seguinte, uma Lei definindo a nova moeda e antecipadamente preparada será votada de emergência e promulgada pelo Presidente. Nesse fim-de-semana já a Casa da Moeda deverá estar a imprimir notas e a cunhar moeda ao seu ritmo mais alto… para começar a distribuição logo a partir da segunda-feira seguinte. O exemplo eslovaco é a esse exemplo bem ilustrativo: quando o país se separou da República Checa, já o seu Banco Central estava a imprimir a nova moeda há seis meses… O mesmo pode de resto estar a acontecer em Portugal e na Grécia neste preciso momento… não sabemos!
A quebra súbita de liquidez aquando da saída do Euro pode levar o governo a patrocinar a criação de novos bancos, provavelmente públicos, para compensar os Bancos que o difícil processo de recuperação de soberania monetária pode criar. Isso foi o que aconteceu na Islândia, em 2008, com os bons resultados que hoje se conhecem.
A turbulência social e económica da saída do Euro será tremenda. O isolamento comercial e o fecho de fronteiras com Espanha será muito provável e as falências de pequenas empresas – sobretudo comerciais – serão sem precedentes. A Recessão irá transformar-se em Depressão, com quedas dos já baixos níveis de consumo que poderão ser superiores a 40%, mas o valor pode ser ainda maior… o caso argentino é neste contexto, exemplar: a maior bancarrota jamais registada (93 mil milhões de dólares) levou a uma quebra de 60% do consumo interno e dos preços do imobiliário, assim como uma explosão da inflação. Portugal, com uma dívida externa de mais de 550 mil milhões, seria um caso ainda mais grave… comparável apenas com o previsível colapso grego.
A depreciação relativamente ao Euro, do novo Escudo tornaria – de um dia para a noite – todos os bens importados mais caros, isto levaria a uma inflação sistémica que rapidamente contaminaria também os produtos fabricados localmente (por indução e devido à estrutura de custos implícita). As empresas industriais e agrícolas que trabalhassem com margens mais curtas seriam levadas à falência em grande escala e isso somaria à explosão do desemprego criada pelas falências das empresas comerciais levando ao aumento do desemprego e à multiplicação das saídas de emigrantes, especialmente, jovens sem família constituída. As fugas de capitais na Bolsa e nos Títulos de Dívida seriam notáveis e levariam para a estratosfera os juros de dívida no mercado secundário. Na prática, Portugal estaria fora dos Mercados durante pelo menos dez anos, como sucedeu recentemente com a Argentina. Em resultado, teria que recorrer ao FMI durante esse período (com os correspondentes pacotes austeritários durante esse período) ou reduzir para cerca de metade a despesa corrente… da qual 60% são salários da função pública e pensões. Consequentemente, ou reduzia em mais de 50% o funcionalismo público ou aplicava uma redução de salários e de pensões equivalente.
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Dezoito medidas práticas e concretas para Despertar a Sociedade Civil

1. Desemprego Sénior
O maior problema atual da sociedade e economia portuguesas é o desemprego. Deste, o desemprego jovem tem recebida ampla cobertura mediática, o que é compreensível, dada a pesada percentagem que se regista atualmente e as consequências que o fenómeno do desemprego jovem trás a longo prazo (emigração de quadros, baixa natalidade, conflitualidade social intensificada, etc). Mas por muito grave que seja o problema do Desemprego Jovem, existe uma categoria de desempregados cuja existência e crescimento recente coloca riscos sociais ainda mais graves: o desemprego sénior, ou seja, o desemprego de cidadãos com mais de 35 anos. Por regra, tratam-se de pessoas que são excluídas da esmagadora maioria de ações de recrutamento, vítimas da discriminação etária mais primária e despudorada pela presença constante em anúncios de emprego de expressões como “menos de 35 anos” ou “menos de 30 anos”, e isto em flagrante violação da Lei e da Constituição da República.

2. Direito de Petição: Remover os limites mínimos das petições à Assembleia da República
E fazê-las depender de outros critérios, avaliados por uma comissão multipartidária que analisaria as petições, aferindo da sua originalidade e relevância para o interesse publico. Contudo, tal mecanismo nao eliminaria a obrigação da recepção ou audição em plenário de todas as petições que hoje ultrapassam respetivamente os mil ou quatro mil peticionários.

3. Auditoria à natureza da Dívida Pública
A Dívida Pública portuguesa ascende já a mais de 190 mil milhões de euros. Sendo pública, o seu exato detalhe e discriminação devia ser conhecido e estar – ao branco das mais sãs regras de transparência governativa – disponível na Internet, num site aberto e livremente consultável por todos os contribuintes.

4. Urge estabelecer uma política concertada e integrada de repovoamento do interior:
a. aplicando políticas fiscais mais favoráveis nos concelhos do Interior.
b. estabelecendo Moedas Locais que incentivem a economia local e o comércio e trocas intra-municipais.
c. construindo espaços de escritório a custo zero, mas ligações de Banda Larga, por forma a poder operar qualquer empresa a partir da localização mais remota.
d. incentivar fiscalmente e financiando projetos de turismo rural

5. Rever o Tratado de Lisboa nos artigos em proíbe o controlo sobre os movimentos de capitais e a ajuda financeira a Estados-membros em apuros. Acabando assim como um dos seus aspectos mais absurdos e nefastos no presente contexto financeiro em que vivem vários países da União Europeia.

6. Criar incentivos a formas de economia social não-monetarizadas como sistemas de troca e entreajuda de tempo e trabalho, recorrendo a moedas locais, virtuais ou físicas

7. Trabalho Não Remunerado
Um dos maiores cancros das empresas portuguesas da atualizada são a exigência que lançam sobre os seus colaboradores da prestação de muitas horas de trabalho não remunerado. A Fiscalização da Inspeção do Trabalho é muito ineficiente, lenta ou mesmo totalmente inoperante. Todas as empresas que recorrem a esta forma de dumping e de pressão desumana sobre os seus colaboradores devem ser severamente multadas. No Fórum da PASC de 21 de setembro, o economista José Tavares exprimiu a sua estranheza perante a quantidade de horas extraordinárias não remuneradas que se praticam nas empresas portuguesas e o diferente que essa prática era no resto da Europa. Estranhou igualmente o laxismo e a ausência de fiscalização deste fenómeno por parte das autoridades… Recentemente, a economista norte-americana Juliet Schor no yesmagazine.org publicou um texto em que defende que a redução das horas de trabalho podem ter benefícios muito palpáveis e concretos, mesmo no atual contexto económico.

A economista defende que “durante a Era Industrial, a redução da quantidade de horas foi pelo menos tão importante como contributo para o Emprego como o crescimento do mercado.” Contudo, desde 1990 que se observa um grande e poderoso impulso por parte dos agentes económicos para reverter o processo de redução das horas de trabalho… Nos Estados Unidos, em 2006, os norte-americanos trabalharam mais 180 horas por ano que em 1970. Mas contrariando este impulso, alguns americanos optaram deliberadamente por reduzirem as suas jornadas diárias de trabalho em troca de remunerações inferiores.

Os benefícios da redução do número de horas remuneradas e efetivas são múltiplos:
a. Se essa redução de horas de trabalho se efetivar pela adição de mais um dia de descanso semanal, haverá uma redução muito sensível dos custos ambientais, de CO2 e de combustíveis fósseis.
b. Vários estudos económicos apontam para que “quando as famílias despendem mais tempo ganhando dinheiro, compensam esse esforço consumindo mais nos tempos livres e recorrendo mais a alimentos processados, que têm um peso ambiental, energético e de emissões de CO2 maior que os alimentos preparados no lar.
c. A redução das horas remuneradas de trabalho propiciam ao recrutamento de novos funcionários nas empresas e, logo, à redução do desemprego, o grande flagelo do Ocidente desenvolvido.
d. Esta redução compele as organizações a reorganizarem os seus métodos de produção, por forma a otimizarem os seus processos de forma mais eficiente, reduzindo (pela redução da quantidade de horas de atividade) os seus custos de funcionamento.
e. A redução da jornada diária de trabalho vai aumentar o tempo de lazer e tempo livre, dinamizando todo este setor económico e entregando aos cidadãos tempo (que hoje as empresas sequestram) que podem depois investir em famílias mais estáveis e saudáveis e em atividades cívicas e associativas.
f. A redução – especialmente acima dos 45 anos – irá facilitar a transição para a reforma e reduzir os casos em que os trabalhadores se reformam em estado de exaustão física e mental e acabam por ter uma qualidade de vida baixa, plena de problemas de saúde e uma vida mais breve do que o necessário.

Este movimento para a redução das horas remuneradas só pode ser, contudo, realmente produtivo se as horas assim libertadas sejam investidas na melhoria da qualidade e de intensidade de vida dos cidadãos. As romarias às catedrais de consumo em que hoje se empenham tantas famílias aos fins-de-semana e que nada fazem para promover a qualidade da vida familiar podem ser substituídas assim (dada a maior abundância de tempo) por melhor qualidade de vida: o regresso à saudável arte da maçonaria, do artesanato, da leitura e da criação de bens e serviços culturais melhorará a qualidade de vida dos cidadãos e das suas famílias, resultando em famílias mais estruturadas e equilibradas, e logo, em menores níveis de delinquência infantil e juvenil.

Um estudo do “Center for the New American Dream” (newdream.org), citado por Juliet Schor revelou que 4 em 5 americanos que escolheram trabalhar menos horas admitem que se sentem hoje mais felizes do que antes. Outros estudos indicam que as longas jornadas de trabalho multiplicam os erros, reduzem a produtividade-hora e intensificam os problemas de saúde.

8. Excesso de Universidades e Cursos Superiores
Existem universidade públicas (e privadas a mais). Nas últimas décadas, governos sucessivos autorizaram todas as universidades e cursos que lhes apareceram à frente não porque fossem necessários, mas porque faziam o país subir nas estatísticas internacionais e porque quantos mais jovens estivessem no Ensino Superior, durante mais tempo, mais se retardava a sua entrada no mundo laboral e, logo, o desemprego. Muitos municípios tudo fizeram para que a sua cidade tivesse a sua universidade ou instituto… sem cuidarem da sua sustentação ou da utilidade dos cursos aqui leccionados. Manda a racionalidade que deveria ser feito um levantamento nacional da oferta disponível, suprimindo redundâncias geográficas, ou universidades com aulas desertas ou apenas com cursos de baixa empregabilidade.

Há que estabelecer rapidamente o grau de empregabilidade de cada curso: cada universidade deve publicar (na Internet e em local bem visível nos seus edifícios) a percentagem de alunos que conseguiram emprego na área vocacional do curso em 3 anos. Assim se eliminarão (por falta de alunos) os cursos inúteis e se pouparão aos jovens e às suas famílias os custos frequentemente astronómicos de cursos que depois não garantem qualquer empregabilidade.

9. Adotar software de Código Aberto e livre de licenciamentos como padrão obrigatório na administração pública e em todos os órgãos do Estado e Empresas Públicas

10. Lançar um estudo amplo e descomplexado sobre a legalização total do consumo e distribuição de todo o tipo de estupefacientes. Manter a proibição na produção, mas avaliar os impactos (aumento de taxação fiscal, redução da despesa nas Justiça e libertação de meios para as polícias e na saúde pública) da legalização da distribuição e comercialização.

11. Realizar uma campanha nacional e detalhada que identifique e mapeie as potencialidades geológicas do território nacional.
11.1. estabelecer um quadro legal que permite maximizar os efeitos locais da exploração mineira e petrolífera na economia local das regiões onde decorre esta exploração.
11.2. criar mecanismos jurídicos que mantenham em mãos nacionais a riqueza gerada com estes recursos geológicos.

12. Controlo e coordenação do endividamento das autarquias. As autarquias têm de voltar a financiar-se apenas na Caixa Geral de Depósitos, uma vez que os bancos, numa época de crédito duvidoso e difícil, tenderão a preferir emprestar às autarquias – sempre receberão – do que ao setor privado.

13. Criar uma taxa sobre os alimentos e as bebidas com alto teor de açúcar, sal, hidratos de carbono e cafeína: Todos os recursos assim captados serão obrigatoriamente reservados ao Ministério da Saúde

14. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades. Assim se promoveria melhor a aparição de novos valores e de novos partidos potenciando a dinamização do nosso esclerosado sistema político-partidário e ativaria a participação dos cidadãos na vida política. O Estado (via Impostos) deve ser a única fonte de financiamentos nas campanha eleitorais, por forma a cortar pela raiz qualquer fonte de corrupções e desvios à boa conduta perante o património público.

15. Transparência e Dados Públicos
Na batalha pela aproximação entre o exercício da Democracia e os Cidadãos a transparência dos dados públicos deve cumprir um papel central. O Governo e, muito particularmente, as Administrações municipais, devem permitir que os Cidadãos possam aceder de forma fácil e intuitiva aos dados sobre a administração política, financeira e económica de todos os órgãos democráticos.
Os dados públicos devem reger-se por critérios de acessibilidade, transparência e qualidade. Todos os arquivos públicos devem estar abertos ao público e acessíveis a quem quer que tenha acesso à Internet.
Estes dados devem ser formatados por forma a permitirem a sua compreensão por não especialistas e servirem de fonte a investigações jornalísticas que possam expor situações polémicas, falhas de governação ou situações de corrupção pura e simples. Muito em particular estas regras de Transparência devem ser aplicadas na área judicial, onde a opacidade tem sido regra, mas nem sempre pelas melhores razoes… por exemplo; a produtividade dos juizes, as suas pendências, a eficiência dos tribunais, os seus custos e rendimentos, assim como o polémico “segredo de Justiça” devem ser reavaliados e postos em causa, sem preconceitos nem ideias feitas.
No âmbito municipal, todos estes dados devem estar presentes num único Portal, de acesso fácil e intuitivo, desde a quantidade de veículos rebocados pela EMEL, a concentração de assaltos a casas ou de roubos por “esticão” por zona geográfica, o numero de alunos, o custo do metro quadrado, a quantidade habitações devolutas ou alugadas, a distribuição de agentes na rua em policiamento de proximidade, de médicos ou farmácias, etc, etc. Assim se conseguirá obter uma visão mais precisa da cidade e permitir que o cidadão conheça melhor o contexto local em que se encontra inserido assim como a exata medida da Saúde da sua Comunidade, assim como a forma como a Res Publica está a ser governada.

16. Contrato Político: Um dos grandes problemas da sociedade e da democracia portuguesa tem sido a distanciação entre a classe governante e as governadas. A aproximação de ambas deve ser prioritária (conforme documento do Jorge) e o estabelecimento formal de um “contrato político” onde os partidos deviam inscrever todas as suas “promessas”/”compromissos” perante os quais seriam depois judicialmente responsabilizados em caso de incumprimento poderia contribuir para uma credibilização da política e para um realismo das propostas eleitorais que hoje, manifestamente, não existe.

17. Repensar o mecanismo de eleição do Presidente da República: O cargo presidencial é hoje o único cargo uninominal e, simultaneamente, aquele que maior sufrágio exige para recolher a função. Paradoxalmente, é também o cargo político mais esvaziado de responsabilidades e funções efetivas. Essa contradição fragiliza a representatividade democrática e afasta os eleitos dos eleitores. Urge repensar quer as funções presidenciais, quer o seu modelo eleitoral.

18. Semana de Trabalho de quatro: discutir as suas vantagens em termos de Desemprego, eficiência organizacional, controlo de custos, qualidade de vida e pegada de carbono.

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Desemprego Sénior: Promover boas práticas de recrutamento “neutral” à idade, uma proposta para um “Código de Conduta” corporativo

Promover boas práticas de recrutamento “neutral” à idade

Porque a discriminação por idade é no mercado laboral um fenómeno cada vez mais gritante e porque está a criar condições de emergência social os empregadores devem elaborar um “código de conduta” conducente à supressão de todas as formas de discriminação por idade.

Eis a nossa proposta:

1. Reconhecer que a discriminação existe. E que tem custos para todos, empresas e cidadãos. Não o reconhecer, é aceitar a existência de discriminação.

2. Conhecer o quadro legal relevante por forma a minimizar riscos de litigação.

3. Criar um clima de trabalho adequado à existência de colaboradores de vários escalões etários.

4. Remover linguagem e termos que discriminam em função da idade como “jovem”, “dinâmico” dos recrutamentos internos e externos.

5. Remover todas as referência explícitas ou implícitas de seleção de primeiro nível de recrutados que aludam a idade.

6. Passar a recrutar mais na base de respostas específicas e “application forms” e menos a partir de currículos.

7. Na entrevista de seleção usar sempre a mesma bateria de questões, independentemente da idade do entrevistado.

8. Publicitar interna e externamente a política de não-discriminação

9. Verificar todos os procedimentos e normas internas procurando identificar e eliminar todos os obstáculos à paridade de tratamento em função da idade.

10. Aumentar as competências técnicas dos colaboradores de todas as idades, mas dando uma especial atenção aqueles que têm mais de quarenta anos.

11. Criar mecanismos que permitam lidar de forma efetiva com todas as queixas de discriminação interna com base na idade.

12. Rever e monitorizar continuamente todas as políticas anti-discriminação que estejam ativas no seio da organização. Definir objetivos quantificaveis e prazos muito concretos e aferir o seu alcancamento. Ter especial atenção à monitorização estatística dos processos de recrutamento e assegurar que todos os recrutados o foram porque esses colaboradores se adequavam melhor à descrição de funções e os excluídos não o foram devido à sua idade.

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As Receitas da Segurança Social já não chegam para pagar as Despesas e a “Reforma Social Única”

Portugal alcançou neste primeiro semestre de 2012 a perigosa situação de que todas as contribuições dos trabalhadores e das empresas para a Segurança Social já não chegam para pagar as pensões dos reformados com uma diferença de oito milhões de euros a favor da despesa.

A situação decorre do perigoso cruzamento de vários fatores: desde o desemprego formal e informal que alcança já mais de 1.3 milhões de portugueses, quase metade de todos os jovens e um número crescente de desempregados crónicos com mais de 45 anos passando pela explosão de reformas com altos valores nas últimas décadas (juízes e médicos e professores em fim de carreira). Somadas as duas situações, temos o estado a que chegamos…

Obviamente, a curto prazo a situação não é sustentavel. A saída tem que passar a curto prazo pela compensacao destas verbas em falta com fundos transferidos diretamente do orçamento de Estado, mas a mais longo prazo a solução tem que passar pelo estabelecimento de uma “reforma social única”, ao modelo suíço, em que todos auferem a mesma pensão de reforma, independentemente da sua carreira contributiva e do volume da mesma e, simultaneamente, através de um combate sistemático e decido ao Desemprego.

A “reforma social única” determinara alguma justiça a um sistema social profundamente iníquo, que usa as contribuicoes de todos e, nomeadamente, dos mais pobres, para financiar reformas de juízes, banqueiros e outros privilegiados do sistema, quando as suas necessidades são exatamente as mesmas dos escriturarios, informaticos ou cozinheiros reformados. O ataque ao Desemprego, contudo, seria mais difícil de executar… os seus números são altos porque esse é o plano da Troika: aumentar o Desemprego para baixar a contestacao social (pelo Medo social do desemprego) e baixar assim os salários médios em Portugal.

Fonte:
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=2685233&especial=Revistas%20de%20Imprensa&seccao=TV%20e%20MEDIA

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Pedro Cipriano: “A sociedade atual é modelada pelo medo”

A sociedade atual é modelada pelo medo: medo da fome, medo do desemprego, medo da pobreza, medo do terrorismo, medo da guerra, medo das alterações clima, medo de epidemias e medo de estranhos. Medos de inimigos visíveis e invisíveis, alguns reais e outros criado e impingidos à nossa sociedade. Sob o medo da fome, milhares são obrigados a emigrar, deixando para trás o seu país e, por vezes, a sua cultura, em nome da abundância e prosperidade que nem sempre correspondem à realidade. Sob o medo do desemprego, as pessoas são levadas a aceitar empregos degradantes, tanto para a mente como para o corpo, tornando-se quase escravos dessa parca fonte de rendimentos, que poderá cessar quando já não servir os interesses dos patrões.”

Pedro Cipriano
Nova Águia, número oito

Nas justas palavras de Pedro Cipriano, depois da Idade da Pedra, da Idade do Bronze, do Ferro e do Aço, vivemos hoje numa autêntica “Idade do Medo”. O termo pode parecer exagerado, mas de facto nunca houve tantos direitos e garantias formais e nunca estes foram tão falhos de aplicação. Teoricamente, vivemos num Estado de Direito, na prática, viemos condicionados de múltiplas maneiras e os poderosos possuem hoje à sua disposição de um leque cada vez mais abrangente de ferramentas para imporem a sua vontade sobre os mais fracos.

Os dois principais mecanismos que deviam assegurar a democracia contra os tiranos (económicos ou políticos) estão sequestrados: a Justiça é livremente manipulada pelos ricos que abusam do recursos e das prescrições para a subverterem e a Democracia Parlamentar que está limitada pelo monopólio da partidocracia,  da bovinização popular induzida pelos Media (reféns do poder económico) e por valores absolutamente notáveis de abstencionismo crónico.

O Medo manda. Os poderosos aplicam-no em doses cuidadosamente calculadas por forma a manterem uma ilusão de legalidade e democracia e os pobres aceitam-no sem protestarem enquanto se deixam entreter (pão e circo) por doses massivas de Bola e “diversão” de massas,  docilizante e acefalizante.  Condicionado pelo Medo, o Povo vegeta e, com ele,  todo um país que se deixa assim resvalar para um regime cada vez mais autocrático e sujeito aos grandes especuladores e “empresários” não-produtivos.

Portugal é hoje o País de múltiplos medos e,  sabendo-se que teremos durante pelo menos dez anos,  taxas de desemprego superiores a 12% então estão criadas todas as condições para que esta situação seja cada vez mais intensa e severamente penalizadora da própria energia anímica do país para o conseguir fazer erguer da situação quase terminal em que hoje se encontra.

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Projeto para Orçamento Participativo Lisboa 2012: Uma Moeda Local municipal

Orçamento Participativo (http://www.umpastelembelem.com)

Orçamento Participativo (http://www.umpastelembelem.com)

As Moedas Locais foram na década de vinte do século passado uma importante fonte de financiamento e de promoção das economias locais, mas entretanto, caíram em desuso e apesar de se manterem perfeitamente legais, foram completamente abandonadas. Existem contudo exemplos internacionais de Moedas Locais, por exemplo, a “Palmas”, uma moeda social de grande sucesso atualmente em uso corrente no Brasil ou as “BerkShares” no Massachusetts (EUA).

A proposta para o Orçamento Participativo que aqui apresentamos consiste na constituição de uma Moeda Local – para uso corrente na Freguesia numa primeira fase experimental e no município numa segunda fase – que possa servir como estímulo à economia local e à criação de emprego e empresas locais.

A Moeda Local teria uma designação escolhida por votação, entre os munícipes e habitantes da junta de freguesia, desenhada por um artista local (após concurso) e impressa numa gráfica situada na freguesia ou nas suas diretas imediações.

A moeda poderia ser adquirida (por 95 cêntimos cada unidade) nos balcões dos Bancos que aderissem ao projeto e que tivessem balcões em funcionamento na freguesia. A moeda seria aceite como forma de pagamento nas lojas que aderissem ao projeto, no câmbio direto para o Euro, podendo ser intercambiada com outras lojas aderentes, em troca de outros bens ou trocada por Euros nos balcões locais dos bancos aderentes.

Os artigos adquiridos com a Moeda Local teriam um desconto especial de cinco por cento e poderiam ser utilizadas para adquirir bens ou outros artigos a lojas aderentes, servirem para pagarem incentivos a funcionários, apoiar associações locais e servirem de efeito multiplicador para o desenvolvimento da economia local, mantendo o valor circulando na região de uso corrente da Moeda.

O projeto irá aumentar a atenção social sobre a necessidade de desenvolver a economia local. As transações realizadas em Moeda Local estarão sujeitas à taxação fiscal normal, em Euros e devem ser pagas de forma absolutamente comum.

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Conferência “A Sociedade Civil: entre o Poder da Palavra e a Palavra do Poder”

Clicar AQUI

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Correlação entre o aumento do PIB em resultado da exploração dos seus recursos naturais e os testes PISA

“Foi publicado um estudo da OCDE que mede a correlação entre a performance dos testes PISA e o aumento do PIB em resultado da exploração dos seus recursos naturais.
O resultado é absolutamente revelador,  pois,  de acordo com este estudo,  “verifica-se que existe uma relação significativa negativa entre as riquezas naturais extraídas e as competências e conhecimentos adquiridos nas escolas” – Dito de outra forma,  quanto maior é a extração de recursos naturais,  mais baixos são os níveis de conhecimentos adquiridos nas escolas.  Neste sentido,  também Israel (como Taiwan) constitui um paradigma,  dado que,  apesar de ser um país pobre em recursos naturais,  tem uma das mais inovadoras economias do mundo e a sua população goza de padrões de vida muito superiores aos dos seus vizinhos ricos em petróleo. Os altos resultados do PISA em Singapura,  Finlândia, Coreia do Sul, Japão e Hong Kong e os baixos resultados do PISA em testes no Qatar,  Cazaquistão,  Arábia Saudita,  Kuwait e Omã provam que os livros são bastantes mais profícuos que os recursos naturais no desenvolvimento das nações.
Por conseguinte,  é na aposta de um ensino exigente e de qualidade,  com professores fortemente motivados,  que está a resposta à saída da crise do nosso país. Por isso,  causa estupefação os cortes radicais e incompreensíveis,  de alguns anos a esta parte,  no ensino,  e,  especial nas universidades.
(…)
Acresce que a minha perplexidade não tem limites quando membros do executivo aconselham os nossos filhos,  jovens talentosos,  muitos deles altamente qualificados,  que constitui,  a verdadeira riqueza deste país, a emigrarem,  agravando o desequilíbrio demográfico e aumentando a pressão sobre o sistema de segurança social. “

Domingos Ferreira
Publico 28 de março de 2012

Desde logo,  ressalta aqui a ausência de Portugal de uma lista onde – pela escassez de recursos naturais – devia constar e,  especial destaque… com efeito, poucos países de média escala do globo se encontram menos providos de riquezas naturais que Portugal… e contudo,  algo no nosso sistema educativo se encontra tão quebrado e disfuncional que impede que os nossos estudantes obtenham melhores resultados.

O problema que nos repele dos lugares cimeiros dos testes PISA é conhecido e está bem identificado: não é a falta de recursos (a despesa por aluno é superior à alemã, assim como o quadro remuneratório), mas a sua utilização. Em particular,  não existe no sistema público de ensino nacional uma meritocracia aplicada nas duas vertentes principais da educação: os alunos e os professores.

Décadas de teorias educativas facilitistas aumentaram a posição estatística o país em algumas tabelas comparativas,  mas nada fizeram para melhorar realmente a qualidade do ensino e as competências e capacitações dos nossos alunos.  O sistema não tem simplesmente mecanismos de prémio de mérito: não existem prémios pecuniários ou em materiais de estudo nem para os melhores alunos,  nem para as suas famílias. Sobretudo,  não existem estímulos ao esforços, capacidades e méritos dos melhores professores. Em particular,  o seu vencimento não está suficientemente ligado ao rendimento escolar dos seus alunos (medido em testes independentes) para estimular os piores e premiar os melhores.

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O Homem Post-Moderno

“O post-moderno é ateu ou, no mínimo, agnóstico; para ele a vida é esta em que estamos e mais nenhuma. Por isso mesmo quer tudo, já! E como não se sente vinculado a uma Moral, também ignora a correspondente Ética. Ou seja, tudo vale para que alcance imediatamente a sua própria felicidade sem sacrifícios pessoais mas eventualmente à custa de sacrifícios alheios. Egocêntrico, assume o egoísmo como algo de natural e não olha a meios para alcançar os seus fins. E fá-lo de consciência tranquila. Sem sentimento de culpa, porque amoral e aético.”
Os Vorazes.
Henrique Salles da Fonseca
Finis Mundi, número 3

Mas este Homem está também morto. Não morto no sentido em que não se move, nem respira ou alimenta. Morto animicamente falando… Morto no sentido que não quer ser mais que a amiba que se alimenta a reproduz, sem produzir pensamento ou sem deixar no mundo uma marca digna desse nome.

Não pensamos que para se realizar, o Homem tenha que ser necessariamente “religioso”, não pelo menos no sentido mais restrito do mesmo. Mas “religião” é mais do que a execução de ritos religiosos ou o respeito exterior e aparente de alguns cânones. “religião” é sobretudo instalar o Homem no centro de uma geografia espiritual onde o Homem é centro, mas onde a periferia é tão indispensável à sua realização espiritual como o próprio centro. “Religião” é assim, re-ligar o Homem ao Cosmos, pela compreensão da posição complementar do Homem no Universo, do necessário respeito pela Natureza e pelo Meio… “Re-Ligar” é reconhecer um Valor Moral e Ético ao Homem e a necessidade de fazer nortear a sua vida e ação por princípios éticos e não meramente utilitaristas ou egoístas.

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