Quids S2

A Comunidade “Southern Berkshire”

A “E. F. Schumacher Society” tem como um dos seus objectivos a construção de economias regionais independentes, precisamente o tipo de Economias que o economista Fritz Schumacher advogada no seu livro “Small is Beautiful, Economics as if People Mattered”, nestas, os bens consumidos numa região são, produzidos nessa mesma região. Seguindo as ideias de Shumacher, Jane Jacobs descreveu em “Cities and the Wealth of Nations”, uma estratégia para o desenvolvimento económico que passava pela criação de industrias de substituição das importações. Jane Jacobs sugeria que deveríamos examinar aquilo que era importado para as nossas regiões e desenvolver as condições para produzir esses produtos a partir de recursos locais e trabalho local. Ao contrário de um ramo de uma corporação multinacional que podem abrir uma unidade local e encerrá-la precipitadamente, conduzida apenas pelas flutuações caprichosas da Economia Global, um negócio localmente detido e gerido é mais certo que estabeleca uma rede complexa de interacções económicas e sociais em torno das suas raízes regionais, mantendo o negócio no lugar de nascimento e responsável perante as pessoas, terra e pela própria comunidade. Uma economia regional independente requer novas instituições económicas regionais para a terra, trabalho e o capital, adequadas à sua escala, propósito e estrutura.

 

Estas novas instituições não podem ser conduzidas pelo Governo, e essa é a ideia. Elas foram moldadas seguindo a forma de associações livres de consumidores e produtores, trabalhando de forma cooperativa, partilhando o Risco da criação de uma Economia que reflicta a cultura comum e os valores partilhados pelo grupo. Pequenas na escala, transparentes na estrutura, desenhadas para oferecer lucro à comunidade em vez de recolher lucro da comunidade, estas novas instituições podem responder perante as preocupações comuns de segurança e justiça no Trabalho.

Tradução Livre de um segmento de um texto que pode ser encontrado em: www.berkshares.org

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Moedas Locais: Catalisadores para Economias Regionais Sustentáveis (Parte I)

 

 

por Robert Swann e Susan Witt, Fevereiro de 1995

 

Traduzido a partir de: http://www.schumachersociety.org/publications/essay_currency.html

E. F. Schumacher argumentou em “Small is Beautiful: Economics as if People Mattered“, que de um ponto de vista verdadeiramente económico a forma mais racional de produzir seria a partir de “recursos locais, para necessidades locais.” Jane Jacobs, uma das maiores especialistas actuais em Economias Regionais, enfatizou o ponto de vista de Schumacher através das suas análises de uma região saudável como uma região capaz de criar industrias de “importação-substituição” numa base continuada. Uma economia regional bem desenvolvida que produzisse para as suas próprias necessidades é apenas possível quando controla os seus recursos e o seu financiamento reside na própria região. Na actualidade, a propriedade da terra, dos recursos naturais, e da industria são as condições determinantes para receber crédito, isto, a um nível centralizado e nacional. Actualmente todas, com excepção de algumas raras zonas urbanas, têm os seus recursos económicos controlados a partir de fora dessa área.

O sistema bancário é uma das instituições mais centralizada da nossa Economia e um dos maiores obstáculos para o reforço das economias regionais e das comunidades que nelas vivem. E contudo os bancos centralizados são apenas um desenvolvimento recente nos Estados Unidos. O hábito de pedir emprestado e emprestar e até de imprimir papel-moeda cresceu durante gerações nas cidades e comunidades ruras até formar aquilo a que hoje chamamos de “sistema bancário”. Estes sistemas bancários regionais eram de pequena escala, regionais e descentralizados. O Papel-moeda foi tornado padrão e nacional, em 1863, de modo a recolher fundos para a luta contra os Estados Confederados, mas foi só em 1923 que um sistema central se tornou formalizado através do “Federal Reserve Act”. Os bancos centralizados e o controlo do dinheiro exigiam grandes bancos e investidores abastados que pudessem reunir grands quantias de dinheiro, a uma escala sem precedentes. Estes bancos eram centros de dinheiro, com os seus clientes industriais, e podiam pagar mais juros aos seus depositários que os bancos pequenos, e aliás, muitos destes bancos pequenos começaram a enviar os seus próprios fundos para estes grandes bancos das grandes cidades americanas. A criação de uma moeda nacional fez o dinheiro mais fluido e permitiu que os dólares rurais sustentassem o crescimento industrial urbano. Os emprestadores rurais ficaram satisfeitos com o arranjo até que o primeiro banco de Nova Iorque fechou e levou consigo as poupanças de uma pequena cidade e um agricultor local deixou de poder pagar o seu empréstimo porque um banco de Chicago estava a emprestar dinheiro ao seu banco local a uma alta taxa de juro.A moeda nacional facilitou a industrialização dos Estados Unidos, que por seu lugar, criou muitos empregos: contudo, a centralização do sistema monetário serviu também para centralizar os beneficiários do sistema.

O efeito sobre os pequenos agricultores e sobre as economias rurais foi devastador. A contínua “crise das quintas” foi uma manifestação dramática do que foi realmente a crise monetáriaque começou com a profunda depressão das décadas de 1870 e 1880 e que levaria mais tarde ao “Federal Reserve Act”. O crédito para quintas de pequena escala e para pequenos negócios rurais que eram parte da comunidade local secou completamente ainda antes da Depressão da década de 1930, e o governo dos Estados Unidos teve que criar a “Farmers Home Administration” de forma a substituir com dinheiro dos impostos algum do capital rural que havia sido irremediávelmente perdido para as grandes cidades.

A “crise do alojamento” foi também parte desta crise monetária. Os investidores colocaram o seu dinheiro em terra como uma “defesa contra a inflação”, que arrastava os preços da terra e do imobiliário para cima. O alto custo da terra foi um factor determinante na atual escassez de casas acessíveis, e torna a posse da sua própria casa um sonho fora do alcance da maioria dos americanos.

Os sistemas bancários locais e descentralizados de 100 e 50 anos atrás tinham a vantagem da Diversidade. O colapso de um banco local – mesmo de um bando de Nova Iorque – era ainda um colapso local, e os seus custos eram internos. Mas actualmente nos estamos perante a hipótese do colapso de todo o sistema. Considere-se os milhões de dólares de impostos que são gastos pelo sistema nacional de “National Deposit Insurance” para defender as poupanças e a industria dos empréstimos. E recordemo-nos dos biliões que foram somados à dívida nacional americana de forma a evitar que os grandes bancos abrissem falência quando os países em Desenvolvimento falham no cumprimento dos seus serviços da dívida. Estas falhas sistémicas irão ocorrer cada vez com maior frequência se o controlo económico local não fôr reforçado e a centralização sacrificada.

A situação exige uma reorganização das instituições económicas de miodo a que possam ser mais capazes de responder às necessidades e problemas e necessidades locais. Estas novas instituições devem ser descentralizar o controlo da terra, dos recursos naturais, da industria e do financiamento de modo a servirem as pessoas que vivem na área de uma forma equitativa. É preciso criar uma infraestrutura que encoraje a produção local para as necessidades locais. Associações de posse comum de terra (“Community Land Trusts”), detidas pelos seus trabalhadores e encorajando a autogestão, bancos locais sem intuitos lucrativos e moedas regionais podem ser algumas das ferramentas para construir economias regionais fortes.

 

Como crescemos todos a acreditar que as moedas nacionais eram a norma, a moeda regional é frequentemente uma dessas ferramentas menos compreendidas. Jane Jacobs, no seu livro “Cities and the Wealth of Nations” encara a economia de uma região como uma entidade viva no processo de expansão e contracção e uma moeda regional como o regulador mais apropriado para este fluxo vital. Exactamente como sucede com uma nação, uma região que não produz o número suficiente dos bens que consome acaba por depender fortemente das importações, o que resulta sempre numa moeda que é desvalorizada. Os custos de importação aumentam, a troca de bens é reduzida, e a região é obrigada a “pedir emprestado”, o que significa que exporta o seu capital, e não bens e acaba a importar praticamente tudo o que precisa. Mas se a região é capaz de suprir as suas próprias necessidades, então a sua moeda fortalece-se e mantêm o seu valor em relação a outras moedas. As importações são mais baratas, e o comércio mais equitativo ou reduzido em favor de uma região de “substituição de importações” autoconfiante.

Jacobs descreve as moedas como “poderosos transportadores de informação de retorno… Como poderosos gatilhos de ajustes, mas nos seus próprios termos. Uma moeda nacional regista, acima de tudo, a informação consolidada do comércio internacional de uma Nação.” Este retorno (feedback) informa os responsáveis pela política económica e permite-lhe afinar o rumo. Mas devem as regiões industriais dos Grandes Lagos ou os Estados da “Farm-Belt” ajustar as suas economias na mesma forma que os Estados do Sul ou o Silicon Valley? Uma parte muito significativa de qualquer economia regional é governada por um sistema monetário e bancário onde os membros dessa comunidade têm pouco ou nenhum controlo. A dependência das moedas nacionais retira às regiões uma poderosa forma de auto-regulação e permite a criação de bolsas económicas estagnadas numa nação em prosperidade aparente. O que proposto, em lugar deste estado de coisas é o estabelecimento de um sistema com responsabilidades na e para com a comunidade local.

As moedas regionais não são uma invenção recente: a prática já tem vários séculos de idade. O auto-designado “Free Banking Era” da História dos EUA, quando várias moedas circulavam livremente constribuiu substancialmente para erguer o sonho de Thomas Jefferson de uma nação de pequenos, independentes e autónomos agricultores que encontravam crédito junto dos bancos comunitários para produzir e vender os seus bens. Mesmo nos primeiros anos do século XX os bancos locais emitiam a sua própria moeda, que John Kenneth Galbraith dizia ser determinante para o rápido desenvolvimento da economia americana.

Em que é estes bancos são diferentes dos bancos de hoje? Porque estão localizados em pequenas cidades, os banqueiros conheciam as pessoas com quem estavam a lidar de uma forma muito pessoal e podiam fazer empréstimos na base do “carácter”, e não limitando-se estritamente à base teórica de como um dado indivíduo podia ou não suportar um dado empréstimo. Ao contrário de um banco nacional, que abandona uma região logo que realiza o Valor pretendido, a moeda local só pode circular numa zona regional muito restrita; as moedas locais e o capital local não podem viajar até aos centros financeiros para financiar as operações das corporações multinacionais ou pagamentos de dívidas. As decisões de crédito são feitas por banqueiros locais com um conhecimento da realidade local, dos emprestadores, mas também da sua Região como um todo.

Uma das maiores objecções para o “Free Banking” do Século XIX e do começo do século XX foram os falhanços de alguns desses bancos e a especulação que alguns deles fizeram com terra e com empréstimos improdutivos. O argumento usado por alguns é de que estes abusos poderiam ter sido evitados se tivesse havido um controlo central. Mas o que de facto faltou foi uma crença na responsibilidade na comunidade e vigilância que faltou aqui e não uniformidade… Os bancos de desenvolvimento comunitário como o South Shore Bank de Chicago e o Grameen Bank do Bangladesh são descentralizados e unificados. A descentralização e a diversidade têm o benefício de impedir o colapso em larga escala de um sistema. Isto é verdade não só no mundo bancário, mas também no mundo natural. Pense-se nas sementes. Se muitos tipos diferentes de milho forem plantadas por agricultores diferentes e uma doença atingir a colheita, alguns tipos vão resistir e haverá colheita. Mas se todos os agricultores mudarem para uma nova semente hibrída e uma doença atingir esta colheita, o resultado será um falhanço global. Como podemos garantir a Diversidade na Banca? Como referiu o economista Frederick Hayek, para manter a Banca honesta seria melhor regressar a um sistema bancário que use moedas que compitam entre si em vez de confiar num único sistema central.

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Biografia de Robert Swann

Em 1974 E. F. Schumacher pediu a Robert Swann para fundar uma organização irmã da sua própria ITDG (“Intermediate Technology Development Group”), mas só em 1980 é que Swann conseguiria estabelecer a “E. F. Schumacher Society” em Great Barrington, no Massachusetts, EUA, sendo o seu trabalho e objectivos um descendente directo da filosofia de Schumacher e uma adaptação tangível da sua mensagem. Schumacher escolheu Swann com muita sabedoria. Robert Swann trouxe as suas capacidades pragmáticas de um construtor para o seu compromisso quer para a comunidade quer para a Economia Descentralizada. Antes de fundar a Sociedade tinha trabalhado com Ralph Borsodi na criação de uma moeda baseada em bens experimental em Exeter, no New Hampshire, um teste pioneiro para as “moedas locais” da actualidade. Em 1978 lançou o “Community Investment Fund” (“Fundo de Investimento Comunitário”), uma das primeiras iniciativas com responsabilidade social, antecipando um movimento nacional em investimento social.

As suas actividades na década de sessenta conduziram a um esforço para obter terra para comunidades de agricultores afro-americanos. Com Slater King fundou a “New Communities” (“Novas Comunidades”) em Albany, na Geogia, usando documentos modelados sobre os do “Jewish National Fund” (“Fundo Nacional Judeu”). Como fundador do “Institute for Community Economics” (“Instituto para a Economia Comunitária”) para auxiliar outros grupos espalhados por todos os Estados Unidos a formar comunidades de partilha de terra semelhantes, este movimento haveria de lhe merecer o título de “pai do movimento de reforma agrária americano”. Continuou o seu trabalho inovador na Sociedade, trazendo os conceitos Schumacherianos para todos os planos da Vida.

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Encerramento do Quids S2 (Série 2)!

E pronto! Lá terminou mais uma série de Quids!

De novo, o vencedor destacado foi o Sá Morais, que tornou a distanciar-se da concorrência, mas desta vez com uma margem muito menor do que aquela da primeira série… Desta vez o Outsider e o Nito aproximaram-se dos números do Sá, especialmente durante os últimos Quids…

Sendo assim: Parabéns ao Sá Morais!

Sá Morais: 50 (Ulan + D. João III + Mértola + Juliano + Bamiyan + Fritz Lang + U27 Brasil + HAARP + Beagle2 + Armadilha Diabólica + Reino dos Céus + Zimbabwe + Bug + OTRAG + Mars3 + Saab Draken + PRT + Ching Kuo + Vega+ Eva Habermman + Corto Maltese na Sibéria + Gades + Dom Manuel I)

Outsider: 23 (F. Ibañez + Arca de Noé + Tadjiques & Co. + Goblin + Mitra + Trajano + Falconete + Argélia, Beni Ounif + Dark Side + Total Recall + Balista)

Nito: 13 (Creta + nove pessoas + Leloup + Tu-2000 + Gemini + Magritte)

Tb: 6 (Cíclades + Cartago)

Dae-Su Oh: 5 (Ameaça de Andrómeda + Dr. Strangelove + Santoro)

Kaos: 5 (Lost + K-12)

Errasmo: 1 (Oxalá)

PiresF: 1 (Dogbert)

A Season 3 (S3) irá começar brevemente… E sem temporizações… Em data próxima!

Fiquem atentos!

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Quids S2-48: Que arma é esta?

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Quids S2-47: Que filme é este?

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Dificuldade: 2

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Quids S2-46: Que filme é este?

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Quids S2-46: De que pintor é este quadro?

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Dificuldade: 3

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Quids S2-45: Em que colónia marcham estes soldados?

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Quids S2-44: Como se chamava este rei português?

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Quids S2-43: Como se chama este album de Banda Desenhada?

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Quids S2-42: De que cidade era esta moeda?

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Quids S2-41: Como se chama a esta arma?

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Quids S2-40: Sob que imperador é que o Império Romano atingiu esta extensão?

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Quids S2-39: Como se chama esta actriz?

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Biografia de E. F. Schumacher

por Nancy Jack Todd, extraído de
People, Land and Community: The Collected E. F. Schumacher Society Lectures
copyright 1997

traduzido com a autorização da “E. F. Schumacer Society”

De acordo com o “The London Times Literary Supplement” de 6 de Outubro de 1995, “Small Is Beautiful” de E. F. Schumacher está classificado entre os cem livros mais influentes publicados desde a Segunda Grande Guerra. A selecção foi feita por um grupo de escritores e académicos que procuravam criar um “Mercado Comum da Mente” para estabelecer uma ponte entre as divisões culturais da Europa do Pós-Guerra. Entre estes nomes encontram-se os de Simone de Beauvoir, André Malraux, Albert Camus, George Orwell, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carl Gustav Jung, e Erik Erikson. Embora menos académico que muitos dos seus outros trabalhos, Small Is Beautiful: Economics As If People Mattered referiu-se com uma extraordinária precisão a muitos dos principais temas com que lidávamos no final do século. Desde a sua publicação em 1973 que a obra foi traduzida para cerca de 20 línguas diferentes.

O economista E. F. Schumacher era um homem alto com uma longa sombra, particularmente no reino das Ideias. À época da sua morte em 1977 ele era classificado como “um profeta resistindo contra a maré” e “um homem que coloca as perguntas certas à sua sociedade e a todas as sociedades num momento crucial da sua História”. Estas afirmações permanencem válidas. Num ambiente de crescente frequência dos “takeover hostis” nas grandes corporações e no uso crescente do termo “downsizing” que originalmente se referia a reduzir o tamanho de carros e agora se usa e abusa no despedimento de pessoal, neste contexto, a compaixão inerente a “uma Economia como se as pessoas importassem” é cada vez mais atraente. Oposta ao consumo excessivo de materiais, crescimento sem sentido, dominação pelas grandes empresas, e sistemas económicos de escala mundial, Shumacher estaria satisfeito por ver como as suas ideias, têm ganhado impulso à medida que passam os anos, e criaram um movimento significativo para contraiar a presente dinâmica dominada pelo GATT.

O génio particular do pensamento de E. F. Shumacher residiu na sua união do teórico com o prático, englobando a rara combinação de uma epistemologia e um sentido pragmático raros. Ele era também um homem profundamente espiritual e com um forte amor e compreensão pelo mundo natural. Embora seja um nome conhecido na Europa desde o final da Segunda Grande Guerra, foi somente com a publicação americana de “Small is Beautiful” que o seu trabalho foi divulgado nos EUA. No momento da sua morte prematura em 1977 o seu nome era reconhecido através dos Estados Unidos e do Canadá e o professor já se tinha encontrado com um número significativo de figuras conhecidas, incluindo o antigo presidente Carter.

A vida de E. F. Schumacher reflectiu directamente os acontecimentos dos primeiros três quartos do século passado. Ele foi, paradoxalmente, um homem muito dentro e muito para além do seu tempo. Como Lewis Mumfords, ele criticava a aceitação irreflectida da inovação tecnológica mascarada como “progresso”, alertando contra as perdas individuais e locais de autonomia e de qualidade de vida. Schumacher, conhecido como “Fritz” pelos seus amigos, nasceu numa família de tradição académica de Bona, Alemanha, em 1911. De acordo com a sua filha, Barbara Wood, na sua biografia E. F. Schumacher: His Life and Thought demonstrou ser, desde cedo, um aluno rápido e talentoso, e em 1930 ele seria escolhido para representar a Alemanha em New College, Oxford. Dois anos mais tarde ele faria a sua primeira viagem à América, onde descobriu uma liberdade intelectual que desconhecera até então. Em 1934, contudo, uma ansiedade crescente sobre a ascendência do Nacional Socialismo na Alemanha, fê-lo deixar uma carreira promissora em Nova Iorque e regressar a casa. A situação local confirmou os seus piores receios. Muitas das pessoas que ele mais respeitava, compreensívelmente intimidada, estavam a fechar os olhos aos demónios que os rodeavam. No coração da sua oposição aos nazis estava a sua rejeição à manipulação da Informação e sua flagrante violação da verdade. Com profunda tristeza, em 1936, deixaria a Alemanha com a sua nova esposa e estabeleceu-se em Inglaterra, o país que passaria a considerar com a sua nova pátria.

A partir de então, quer directamente, quer indirectamente, ele participou nos acontecimentos do seu tempo. Com outros expatriados alemães ele desesperou com o destino do seu país e da Europa. Assim que a Guerra começou, dominado pelo sentimento anti-nazi, Schumacher, foi transferido para o campo para trabalhar como trabalhador rural. A um dado momento foram-lhe retiradas a mulher e filha e conheceu um internamento de 3 meses num Campo de Detenção, onde fez várias alterações no Campo para melhor o sistema sanitário e a qualidade da comida. Mais tarde ele consideraria este período no Campo como sendo a sua verdadeira universidade.

Depois de ter sido libertado do Campo, preocupado com a questão dos pré-requisitos para uma paz duradoura no Europa. Os seus escritos sobre o assunto despertaram a atenção a um número de pessoas proeminentes, e cedo surgiram debates sobre a economia do Pós Guerra. Depois de se tornar um cidadão britânico em 1946, ele foi enviado para a Alemanha como membro da “British Control Commission”.

Na reflexão sobre a reconstrução da indústria alemã, as suas ideias sobre o que era apropriado – uma palavra que seria depois associada consigo – em termos de escala e propriedade começaram a ganhar forma. À medida que estudava a reestruturação da economia alemã, o papel estratégico da energia, o seu pensamento consolidou-se. Ficou igualmente convencido da necessidade da reforma monetária como um meio de prevenir a concentração da riqueza entre um pequeno número às custas da maioria, outro dos legados que continuam muitos vivos no movimento actual para restabelecer as moedas locais.

Nos finais de 1949 Shumacher foi convidado a assumir o papel de conselheiro económico do “National Coal Board” da Grã-Bretanha. Shumacher aceitou o cargo e permaneceu no cargo de “Chief Economic Advisor” durante os vinte anos seguintes. Para acomodar a sua família crescente comprou uma casa com um grande jardim em Surrey. Isto haveria de revelar-se um ponto de viragem para o seu pensamento; ficou fascinado com o jardim e tornou-se um fervoroso adepto da “jardinagem orgânica”. Observando os processos naturais do seu jardim, Shumacher desenvolveu uma compreensão nova da complexidade inter-relacional dos sistemas vivos. Mais tarde, sobre a Tese Gaia escreveria: “Faz sentido que a Natureza seja um sistema incrivelmente complexo e auto-balanceado no qual o uso do conhecimento parcial pode fazer mais mal do que bem. Tanto quanto posso ver, a agricultura química chegou aos seus limites. Trabalha contra a Natureza em lugar de trabalhar com ela.” Em Small Is Beautiful escreveria: “o habitat humano alargado, longe de ser humanizado e enobrecido pelo homem e pelas suas actividades humanas, tornou-se degradante pela fealdade.”

Uma das maiores influências no pensamento de Schumacher foi o trabalho de um economista austríaco pouco conhecido de nome Leopold Kohr. No seu Breakdown of Nations Kohr trata o tema da Escala, atribuindo os males do mundo moderno à grandeza da escala. Escreve a dado ponto, Kohr: “Se uma sociedade cresce acima do seu tamanho óptimo, os problemas vão eventualmente acabar por ultrapassar o crescimento das faculdades humanas que são necessárias para lidar com eles”. Shumacher haveria de se referir a Kohr como “um professor de quem aprendi mais do que qualquer outro”.

Shumacher interessou-se pelos sábios Budistas e Taoístas e impressionou-se pela mensagem não-violenta de Mahatma Gandhi. Em 1955 Shumacher recebeu uma proposta da ONU para trabalhar na Myanmar (então “Birmânia”), tendo ficado fascinado pela cultura local. Impressionado com a capacidade da cultura budista em produzir uma libertação do Materialismo com uma aparente felicidade, reforçou a sua inclinação para olhar para além da abstração económica e escreveria: “A Economia significa uma certa forma de ordenar a vida de acordo com uma filosofia inerente e implícita em Economia. A ciência económica não assenta sobre os seus próprios pés: ela deriva de uma visão do significado e propósito da vida…”

Profeticamente, acrescentaria ainda: “Uma civilização constuída sobre recursos renováveis, como os produtos da floresta e da agricultura, é apenas por esse facto superior a uma outra construída sobre recursos não-renováveis, como o Petróleo, o Carvão, o Metal, etc. Isto é assim porque a primeira pode resistir ao tempo, e a segunda, não. A primeira coopera com a Natureza, enquanto que a segunda rouba a Natureza. A primeira carrega o símbolo da Vida, enquanto que a segunda carrega o símbolo da Morte.”

Mais tarde, num dos seus ensaios mais conhecidos, defendera uma forma budista de Economia baseada na “Forma de Vida Correcta” do “Nobre Caminho Óctuplo” budista. Fundamental a este novo sistema económico seriam a simplicidade e a não-violência, a importância da Comunidade e a necessidade e dignidade do Trabalho. Schumacher regressaria de Myanmar convencido que era necessário encontrar uma forma sustentável de Economia como um caminho possível para o Mundo em Desenvolvimento, um “caminho intermédio entre o materialismo irracional e a imobilidade tradicional”. Shumacher dedicaria o resto da sua vida na busca desta via alternativa.

Shumacher foi igualmente visionário na sua análise do mundo industrial. Em 1958, antes da fundação da OPEP e recebendo muitas críticas dos seus colegas economistas, alertaria a Europa Ocidental para “uma posição de dependência máxima do Petróleo do Médio Oriente… As implicações políticas desta situação era demasiado óbvias para exigir discussão.” Ainda maior era a sua preocupação sobre os conflitos que podiam desencadear uma Guerra Nuclear. Tornou-se num ardente opositor da Energia Nuclear. A acumulaão de grandes quantidades de resíduos tóxicos, declarou: “é uma transgressão contra a vida, ela própria, uma transgressão infinitamente mais séria que qualquer outro crime jamais prepertado…” Influenciado pela filosofia não-violenta de Ghandi escreveria ainda: “Uma forma de vida que esvazia cada vez mais depressa a Terra para se sustentar e acumula um número crescente de problemas cada vez mais insolúveis para as próximas gerações só pode ser chamada de Violenta… A Não-violência deve penetrar em todas as actividades do Homem, se a Humanidade quer estar segura contra uma Guerra de Aniquilação“.

Em 1961, Schumacher fez a sua primeira exposição na Índia sobre a pobreza flagrante neste subcontinente. Shumacher acreditava que a causa desta pobreza moral e física residia no impacto desmoralizador do Ocidente Industrializado nas cultura tradicionais, até então, auto-suficientes. O que era necessário, sublinhou, era um nível de tecnologia mais produtivo e eficiente que utilizasse a técnicas tradicionais em áreas rurais, de uma forma mais simples e menos intensiva em termos de Capital que as tecnologias ocidentais. O conceito de “tecnologia intermédia” começou então a ganhar forma.

A ideia de “Tecnologia Intermédia” foi imediatamente adoptada por um dos seus colegas académicos, um escoçês de nome George McRobie, que seria mais tarde o principal responsável pelo desenvolvimento do conceito. O primeiro artigo de Shumacher sobre “Tecnologia Intermédia” apareceu no jornal britânico “The Observer” em 1965 e receberia um acolhimento entusiástico. Ele e McRobie responderiam formando um pequeno grupo, auto-financiado que seria conhecido com o ITDG (“Intermediate Technology Development Group”), que trataria de realizar pesquisa sobre o tipo de equipamentos que poderiam ser disponibilizados a agricultores de pequena escala e a artesãos. Rápidamente, o grupo elaborou um “Guia de Compras”. Era intenção de Schumacher combinar conhecimentos tradicionais e avançados para criar novas tecnologias que respondessem a questão de impacto e escala. O ITDG cresceu rápidamente em resultado do grande interesse que despertou na comunidade e em todo o mundo. A “Tecnologia Intermédia” foi identificada como uma ferramenta inovadora para abordar e resolver os problemas da Pobreza no mundo. Schumacher foi reconhecido como uma figura de impacto internacional e tornou-se o embaixador da “Tecnologia Intermédia” por todo o mundo.

Schumacher acreditava que era vital que os pobres fossem capazes de se ajudarem a si próprios e que a Tecnologia Intermédia os pudesse a realizar essa necessidade. Viajou por todo o mundo, defendendo as vantagens do seu conceito junto de empresas, em seminários e fábricas. As tecnologias e estruturas comunitárias por ele antevistas produziriam autonomia material em vez de excesso e seriam uma fonte de Trabalho, o qual ele considerava ser necessário para que alguém atingisse a plena humanidade. De novo profético, nas suas visões, convenceu-se que a afluência de emigrantes ao Ocidente não poderia ser mantida indefinidamente e tentou ensinar o conceito de que a esperança para o fim da Pobreza residia na capacidade dos pobres se declararem indepentes da dinâmica corporativa.

Com a publicação de “Small Is Beautiful” em 173, o estaturo de E. F. Shumacher transformou-se no de uma espécie de “guru da Economia”. Realizou várias viagens à América do Norte, onde, especialmente entre os jovens, as suas palavras conheceram grande acolhimento. A sua mensagem não-violenta de “Tecnologia Intermédia” e “Economias de Escala” foi encarada como aplicável ao Mundo Ocidental assim como às ainda não-industrializadas do planete. Schumacher escreveria nesta fase da sua vida: “As palavras-chave da Economia Violenta são Urbanização, Industrialização, Centralização, Eficiência, Quantidade, Velocidade… O problema de evoluir para uma vida económica não-violenta nos países subdesenvolvidos pode revelar-se idêntico ao de evoluir para esta forma de economia os países desenvolvidos.”

Schumacher alertou as pessoas para que fossem constantemente observadores e questionadoras sobre aquilo que as rodeava, sem olharam apenas para a Tecnologia e para a Economia. Alertou-nos para a necessidade de observar com a maior honestidade a fundação e escala e a civilidade das nossas vidas, a nossa vitalidade, integridade, e riqueza espiritual. Shumacher estava envolvida numa busca de uma vida, raramente assentado numa única resposta mas procurando longamente e diligentemente pelos meios mais inteligentes, adaptáveis e sustentáveis que nos permitissem conduzir as nossas vidas como pessoas e como parcelas da própria Natureza.

A biblioteca pessoal de E. F. Schumacher’s está conservada no Schumacher Center e o seu catálogo pode ser consultado on-line.

Fonte: http://www.schumachersociety.org/about/biographies/schumacher_full_bio.html

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Quids S2-38: Como se chamava este aparelho?

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Dificuldade: 3

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Quids S2-37: Que divindade era esta?

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Quids S2-36: Como se chamava esta lancha da Marinha Portuguesa no Estado da Índia?

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Quids S2-35: Como se chamava este sistema?

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Quids S2-34: Onde é fabricado este avião?

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Quids S2-33: Como se chamava este projecto?

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Dificuldade: 2

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Quids Extra: Como se chama este veículo?

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Dificuldade: 6

E a pedido de algumas famílias, eis uma série de Quids “ExtraHard” para os amadores das dificuldades… Tentaremos colocar questões mais difíceis que os Quid “de Série”, como consequência, estes terão pontuações de 2, 4 e 6 pontos…

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Quids S2-Extra: Como se chama este avião?

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Dificuldade: 2

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Quids S2-Extra: Como se chama este filme?

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Dificuldade: 2

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Quids S2-31: Como se chamava esta cidade?

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O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)