Psicologia

Entrevista a Ricardo Gusmão, médico psiquiatra: sobre os suicídios em Portugal

Ricardo Gusmão

Ricardo Gusmão

“Ricardo Gusmão calcula que em Portugal ocorram, em média, quatro suicídios por dia. (…) quem se suicida em Portugal são os velhos e não os desempregados. (…) por causa da pobreza em que essas pessoas se encontram, da solidão, das dificuldades de acesso a cuidados médicos e por vezes da falta de formação dos profissionais que lidam com eles.”

Público, 2 fevereiro 2013

Portugal tem das taxas de suicídio mais elevadas do mundo desenvolvido. Algumas das suas regiões – como o Alentejo – são mesmo daquelas onde o problema apresenta uma incidência mais grave e onde uma ação dos órgãos do Estado (Governo e Municípios) é mais urgente.

Apesar disso, a inação é a regra: com exceção da cidade de Amadora, onde um programa integrado de resposta ao problema permitiu através de formação específica, acompanhamento clínico e da nomeação de “facilitadores” reduzir este tipo de mortalidade em 24%, a verdade é que este tipo de resposta é muito raro no resto do país. Uma lacuna que urge colmatar, especialmente ao nível municipal.

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Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo”

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

“Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho não chegou a viver na época de facilitismos e de martelação descarada das avaliações e exames por forma a fazer com que Portugal ascendesse de forma artificial nas escalas internacionais… se tivesse, ainda teria sido mais agudo nesta sua análise.

A exigência está afastada enquanto objetivo do sistema de ensino (público e privado) e e onde deveríamos ter um quadro que premiasse o mérito e os melhores – pela via do reconhecimento público e do prémio financeiro para pais e alunos – temos um sistema baseado na memorização bruta e bovina que visa formar classes de escravos dóceis e obedientes e não pensadores livres e independentes. Sejamos claros: o sistema educativo não é como é por “erro” ou inépcia dos seus agentes, é como é porque é exatamente assim que deve ser para que nada mude nunca e que tudo permaneça exatamente como está.

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Alguns Extratos do vídeo de Miguel Gonçalves no TEDxYouth@Braga que merecem reflexão

Algumas citações deste vídeo de Miguel Gonçalves:

“Em 2001 houve 18 mil pessoas que terminaram licenciaturas em Portugal. Em 2010 este número passou para 80 mil.” (…) “A regra do mercado determina que a abundância de um produto determina o seu valor. Quando há muito, vale pouco. Ora, nós vivemos atualmente num contexto de inflação académica.
As licenciaturas não são mais que a chave de fendas (na analogia do técnico) que depende de seu utilizador valorizar e transformar num recurso maravilhoso.”

“O nosso problema não é a chave de fendas, que essa é das melhores do mundo. Hoje, competimos em células estaminais com os japoneses. Somos iguais aos melhores e damos cartas no mundo todo. O nosso maior problema é a tradução de valor. Falta consciência comercial e entender que o mercado de trabalho é um mercado de transações.”

“O que interessa se há um match entre o que vendes e o que eu preciso, saber que valor acrescentas à organização. Precisamos de um drive de entusiasmo de força e de energia nas organizações. As empresas precisam de gente que se apaixone, com sede. Temos muita gente fim do dia, fim do mês. É preciso chegar mais cedo e sair mais tarde, querer fazer mais, “não sei mas descubro, mas encontro”. Um estudo recente do MIT demonstra que as pessoas com menos competências técnicas, mas muita mentalidade e foco para resolver foram preferidas em 96% pelos 400 CEO aqui inseridos.

“As empresas usam varias formas de chegar as pessoas e de todas a menos lida é a newsletter, sendo que o cv é a newsletter, e os cv neste momento são spam com taxas de retorno muito pequenas.”

“Se o que estamos a vender (o nosso currículo) não está a ter saída, devemos fazer como as empresas, procurar vender outra coisa. Vejam o exemplo da rapariga que ficou agrafada à ideia de que pertencia a uma “área”, a do seu curso de “artes cenográficas” para onde não encontrara emprego depois de sete anos de buscas… As universidades devem dizer às pessoas que a “área” não é para a vida. “Área” é o que fazes bem, é o que te aquece por dentro.”

“Se forem a uma ATM na Alemanha, reparem que aquilo só dá para levantar dinheiro. Quando falava lá fora do Magalhães que todos os miúdos aqui tinham eles não acreditavam. É isso que nós somos aqui. Mas também somos o país do “um mal nunca vem só”, do “tu sonhas muito vais cair escada abaixo”. Porque existem estes códigos imobilistas que nos botam abaixo?! Não alinhem nesse discurso que bota para baixo! Os gregos diziam que o verbo era o princípio de tudo e que a nossa substância se transforma à medida que nós o dizemos: quando dizes que não acontece, não acontece!”

“O que se faz pela primeira vez faz-se com erro. Só não comete erros o que faz sempre a mesma coisa. O meu avô dizia que “se não os tens a tremer, não está a acontecer.”

“Nós até agora estivemos a educar empregados, gente que olha para baixo, para a sua secretária, mas agora temos que educar empreendedores, gente que quer crescer. O problema não está na falta de Talento, o que nos falta é descaramento, não ter medo de falhar. De facto, nós temos talento como poucos!”

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Os Testes de Rorschach

Todos já devemos ter passado pelo menos mais do que uma vez pelo teste Rorschach… O teste foi criado pelo alemão Hermann Rorschach em 1921.

O teste permite (supostamente) avaliar pacientes psiquiátricos e avaliar a história de vida do analisado. Com efeito, é possível que duas pessoas apresentem o mesmo resultado no teste, mas que tenham personalidades radicalmente diferentes, pelo que o psicólogo terá necessariamente que interpretar os resultados cruzando-os com a história pessoal do paciente.

Datam de 1857, as primeiras utilizações de manchas de tinta simétricas pelo médico alemão Justin Kerner. Mais tarde, outros fizeram o mesmo. Mas só com Rorschach é que os testes deste tipo revelaram alguma eficácia. O médico começou por usar centenas de borrões de tinta nos pacientes do hospital psiquiátrico onde trabalhava e nos seus colegas médicos e enfermeiros. Comparando os resultados, pode produzir resultados padrão, reutilizáveis em novos pacientes que são ainda hoje a base teórica e prática destes testes. Foi nesta época, que o médico selecionou 15 imagens, de entre estas centenas, porque eram neles que as diferenças entre doentes e sãos eram mais visíveis. Em 1918, o teste recebeu a designação de “Teste Psicodiagnóstico”.

Os seus críticos têm-lhe apontado a subjetividade da interpretação que depende excessivamente do julgamento do terapeuta. O teste é considerado como “projetivo”, porque deverá expor a personalidade do paciente, através da interpretação proposta. As manchas não têm um significado “certo” e na sua seleção deve à flexibilidade de interpretação como um factor fundamental.

Na interpretação, o terapeuta não deve nunca referir o borrão de tinta, devendo decorrer como se o profissional estivesse a analisar um sonho.

Na interpretação propriamente dita, se o paciente focar a sua leitura apenas numa pequena parte do borrão isso indica uma “personalidade obsessiva”, se descortinar figuras metade humanas, metade animais, isso indicará esquizofrenia, pelo menos segundo alguns psiquiatras, não havendo contudo absoluta concordância quanto a estas leituras… Em suma, não devemos considerar que este teste tem um valor absoluto, ou dogmático. As duas interpretações acima exemplificadas são relativamente aceites na comunidade cientifica, mas não não sinais certos (e isolados) de esquizofrenia ou de obsessão, dependem de um quadro mais geral e devem sempre seguir o principio de que os Testes de Roschard são sobretudo guias de interpretação, uma espécie de “sonhar acordado”, executado na presença do terapeuta e logo, possibilitando-lhe um alto grau de observação, impossível de igualar nas experiências oníricas convencionais.

Fontes:
http://brazil.skepdic.com/rorschach.html
http://www.psychologicalscience.org/newsresearch/publications/journals/sa1_2.pdf

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Réplica a comentário sobre o “Caso Alexandra” e sobre a Petição que visa impedir novos casos semelhantes a este e ao de Esmeralda Porto

“Vamos por pontos. Não conheço com nenhum tipo de detalhe o tão propalado «caso da menina russa» e sinceramente prefiro nem me informar. Imagino que seja mais uma «Esmeralda».

Concordo que a direccionalidade da decisão legal ser apontada para os pais e não para quem a possa melhor acolher, é um erro na lei (na letra), que pode dificultar a decisão “correcta” por um magistrado.

Mas…
Nunca na minha perfeita consciência assinaria a petição supra.
Se ainda possa aceitar o ponto a), vago ao ponto de permitir uma grande arbitrariedade (a confirmação da existência de uma relação afectiva não é fácil; pior ainda será de determinar o potencial de estabelecimento de uma relação – e não me digam que se vai lá com entrevistas ou testes de cruzinhas ou rorschachs), o ponto b) é de bradar aos céus…”

> Eis os pontos da petição aqui referidos:
“a. Quando a família biológica apresenta disfuncionalidades que coloquem em risco o estabelecimento e a manutenção de uma relação afetiva com a criança.
b. Quando a criança se encontra em regime de acolhimento familiar (Lei 190/92 de 3 de setembro) num período superior a seis meses devem ser devolvidas à família biológica ou colocadas em adoção.”

> A afirmação da existência de uma relação afetiva não é arbitrária. Arbitrária terá sido a decisão do juiz do tribunal da Relação de Guimarães que decidiu pela vida da criança sem a consultar, sem entrevistar qualquer um dos intervenientes, sem escutar a decisão judicial da primeira instância e, sobretudo, indo contra as recomendações dos técnicos da Segurança Social que acompanhavam o caso. Arbitrariedade é decidir sem fundamento. A alteração legislativa que propomos pode vir a corrigir o vazio legal que está na raiz deste caso e do recente e idêntico “Caso Esmeralda”. Se é vago no seu enunciado é porque essa imprecisão é intencional: a ideia é deixar espaço para que o legislador que venha eventualmente a analisar esta petição, no Parlamento, possa mantendo o espírito da petição, conformá-la com os preciosismos e os trâmites específicos da Lei. Obviamente, que não poderia ir diretamente para o corpo legislativo, nem essa é aliás a ideia. A ideia é estabelecer uma baliza que condiciona a aplicação do ponto B, assegurando que somente os casos em que a família biológica se mostra incapaz de reunir as condições mínimas para cuidar da criança é que poderá ser aplicado o ponto seguinte, que refere o regime especial de adoção de menores nestas circunstâncias de incapacidade da família biológica.

“Na minha inocência, pensava que o objectivo seria proteger a criança, mas o ponto b) olha para a criança como um objecto de posse, atribuindo um usucapião aos pais afectivos. Ao fim de um ano, a criança deixa para trás os laços biológicos (e afectivos, não esquecer) e passa para a alçada dos pais de acolhimento. E aqui «acolhimento» é a palavra-chave. É que posso parecer muito frio, distante e cruel, mas estes casais são mesmo pais de acolhimento. Acolhem a criança, mas não se substituem aos pais. É diferente a situação dos pais que entregam uma criança ao Estado para que este a proteja e crie, do caso dos pais que recebem temporariamente uma criança (por vezes sendo até pagos (justamente, claro) para essa tarefa). Estes casais não distinguem muitas vezes a tarefa de acolher temporariamente uma criança, de adoptá-la como filha. E pedir-lhes para o fazer com a amor e distanciamento simultâneo é uma óbvia crueldade.”

Os pais de acolhimento podem ser – ou não – os pais afetivos. E este é efetivamente o cerne da questão. Se a criança – ao fim de algum tempo – os passa a considerar enquanto “pais” eles tornam-se mais do que meros “pais afetivos”, para a criança (e é sempre o seu superior interesse que nos deve nortear) eles são pais de pleno direito, totais e completos, não um simulacro de pais, nunca uma “representação” ou “delegação de poder paternal” legal ou jurídica. A criança ignora o laço meramente biológico ou genético que obceca o legislador e muitos juízes, treinados e criados num quadro moral cristão, onde o factor estritamente biológico é preponderante, em favor de uma “lógica de afetos” e do estabelecimento de laços emocionais, que são muito mais prezados pela criança, que desconhece completamente as abstrações morais e culturais dos factores biológicos ou genéticos.

“A proposta de alteração seria mais audaz e a meu ver mais justa, se definisse basilarmente que os pais a atribuir a custódia deveriam ser os mais capazes de garantir que os interesses da criança seriam melhor defendidos (integração social, integração familiar, afectividade, educação, possibilidades materiais (não queria parecer materialista, mas é relevante)). Achava bem.”

> mas essa é a intenção precisa desta proposta de alteração de lei, sustentada por esta petição… A custódia deve caber aqueles “pais” que a criança reconhece como tais, sustentada essa escolha por critérios imparciais medidos e aferidos por peritos (psicólogos, assistentes sociais, testemunhas, etc). Todos estes devem recorrer aos indicadores que bem enuncias: “integração social, integração familiar, afetividade, educação, possibilidades materiais” e definir quem cumpre melhor esses critérios: se a família biológica, se a de acolhimento, de forma justa e imparcial e livre das cangas biológicas e genéticas que tantos danos têm causado a tantas crianças neste país nos últimos anos.

“Mas aqui é que a porca torce multiplamente o rabo porque o melhor interesse da criança pode até ser ficar com os pais que não deseja (biológicos ou afectivos). Não se pode/deve sequer depender uma decisão da escolha da criança, como defendem os jornais – se a menina chora quando se vai embora é porque deveria ficar… A família é um lugar lindo de afectos, mas, assim como o processo de educação, é também um lugar de fricções, gestão de problemas, de disciplina imposta e hierarquia por vezes sem nexo aparente ou, muitas vezes injusto na óptica das crianças. É o exemplo dos filhos únicos ou filhos de pais separados, estragados pelo mimo. Mais não é sempre melhor e o interesse dos pais e da criança não são coincidentes, nem têm de o ser, para bem destas.”

> Naturalmente. Por comovente e insuportável que seja o choro de uma criança (e é-o para qualquer pessoa normalmente formada) este não deve, não pode, ser o único critério, nem isso é defendido na nossa proposta, aliás… O excesso de mimos (que a mãe russa critica em reportagem, alegando ser clássico de uma “educação europeia”) não vai de encontro ao melhor interesse, da criança, concordo, mas é também expressão de uma sociedade que se preocupa com as suas crianças e que lhes dá grande valor, o que é típico nas sociedade mediterrâneas do sul e bem mais raro no norte e leste da Europa, segundo certos estudos, já aqui bastamente citados… Ou seja, mimar não é mau, em si mesmo… O erro resulta do excesso e da falta de critérios de aplicação desses “mimos”, recusando um “não” onde por vezes, este é a única resposta razoável e possível.

“Um problema mais premente e que aparentemente não preocupa ninguém é o dos adolescentes. Esse não faz parangonas de jornal. Aí defenderia uma alteração legal severa que permitisse ao Estado retirar a custódia aos pais de adolescentes que tenham problemas legais ou outros aparentemente incorrigíveis. Assim à imagem do método americano, levando se necessário ao internamento compulsivo em campos de «re-educação». É soviético? É um bocado, sim. Mas muitas crianças não conseguem fugir ao remoinho destrutivo e degradado que é a sociedade e cultura em que se inserem e em que cresceram e só assim conseguem um escape e uma fuga a essa tendência. Por isso mesmo, compreendo e concordo com a proposta de alterar a lei, mas não com a alteração proposta.”

> É um ponto interessante e que mereceria mais amplo debate… Em princípio, não vejo como não concordar com a retirada da tutela a pais que manifestamente e por várias condições, não são capazes de educar uma criança ou um menor numa outra via que não os leve à ilegalidade e, a prazo, até à cadeia ou a uma curta vida criminosa. Mas aqui há muito espaço de debate e reflexão pela frente…algo tem que ser feito, isso é certo. Uma sociedade saudável não pode simplesmente cruzar os braços e olhar para o lado, tolerando na destruição de tantas jovens vidas e deixando impunes vagas sucessivas de criminalidade juvenil. Muitos (se não todos) deste pais sabem exatamente o que os filhos andam a fazer e um bom número lucra materialmente destas suas atividades. Não há portanto razão para que esta relação “paternal”, demissiva nas suas responsabilidades e deveres permaneça intacta, acobertada pela obsessão na “superior e intocável” relação biológica e genética. Por isso, sim, uma alteração legislativa que pudesse conformar uma solução ao caldo torpe onde se desenvolve a criminalidade juvenil, poderia ser também oportuna no mesmo quadro de alteração legislativa que aqui nos propomos fazer.

Já assinou a petição?

Por uma alteração legislativa que impeça que as crianças estejam mais de 6 meses em famílias de acolhimento e que, logo, os Tribunais não as retirem a estas ao fim de vários anos

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A “Satisfação Deferida” e as suas ligações com a criminalidade

(Será que ele resistiu durante 20 minutos? in http://z.about.com/d/homeschooling)

Alguns dos estudos psicológicos mais interessantes de sempre foram conduzidos na área da “Satisfação Deferida” (ou “Deferred Gratification” em inglês)… Basicamente trata-se de estudar e medir a capacidade de alguém para esperar de forma a obter algo que deseja. Geralmente, acredita-se que esta característica da personalidade individual tem uma importante correlação com o sucesso individual de cada um e por isso tem sido alvo de diversos estudos desde a década de sessenta do século passado. Um dos gurus da “Inteligência Emocional”, Daniel Goleman acredita que a “Satisfação Deferida” é um dos mais importantes aspectos da “Inteligência Emocional”. Geralmente, a maioria dos autores julga que as pessoas que obtenham piores classificações nos testes para medir esta capacidade têm uma correspondente capacidade para controlar os seus impulsos muito baixa…

A mais famosa experiência de “Satisfação Deferida” é a “Marshmallow Experiment“, onde o professor Walter Mischel da Stanford University durante a década de sessenta testou um grupo de crianças de quatro anos dando-lhes um Marshmallow (uma espécie de bolo) e prometendo-lhes um segundo se conseguissem aguentar 20 minutos sem comer o primeiro. Algumas crianças conseguiram resistir, e outras não. Mais tarde, a equipa de Mischel seguiu as mesmas crianças durante a sua adolescência e posteriormente já em idade adulta concluindo que

Estudos recentes indicam que as crianças que nasceram de mães alcoólicas têm baixos níveis de “Satisfação Deferida” e os mesmos sinais foram registados nos mesmos sujeitos durante a adolescência, e atualmente, na idade adulta. Esses indivíduos revelaram uma tendência estatisticamente elevada para serem menos bem ajustados socialmente e terem empregos mais mal remunerados do que aqueles que exibiram níveis de “Satisfação Deferida” mais elevados. De facto, estes estudos revelaram até que era comum que estes indivíduos estivessem envolvidos com carreiras criminosas ou atividades nos limites da legalidade…

E você… Quer saber como se posiciona nesta característica? Bem, se tiver alguma paciência pode aceder ao site do Central Michigan University Psychology Department e responder a ESTE inquérito e ficará a saber…

Fonte:
http://en.wikipedia.org/wiki/Impulse_control

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As crianças e a noção de “partilha” num novo estudo britânico

Todos nós – que somos pais, pelo menos – já tentámos incutir nas nossas crianças o sentido de “partilha”… E tentamos fazê-lo logo em idades muito precoces… Pelo menos é o que indica um novo estudo, patrocinado por investigadores suíços e alemães que pela observação de 229 crianças suíças concluíram que as crianças entre os 3 e os 4 anos eram incapazes de pensar para além dos seus próprios interesses mais imediatos. Por outro lado, as crianças com entre 7 e 9 anos já conseguiam compreender conceitos como “justiça” e “equidade”, o que as tornava mais receptivas a partilharem espontâneamente.

O estudo concluiu também que estas crianças estavam mais motivadas a partilharem se conhecem todos os sujeitos alvos dessa partilha e permite-nos corrigir o nosso comportamento enquanto pais e educadores no sentido em que se calhar não devemos tentar incutir em crianças de tão tenra idade (inferior a 5 anos) a noção de “partilha”, nem sequer procurar artificialmente fazê-las seguir por uma bitola cujo padrão de medida elas simplesmente não podem ainda compreender.

Fonte:
http://www.cbc.ca/technology/story/2008/08/27/children-sharing.html?ref=rss

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Segundo um estudo britânico… As mulheres teriam mais pesadelos que os homens

//www.starstore.com)

(Ele aparece mais nos sonhos delas... dizem in http://www.starstore.com)

Um estudo da Universidade de West of England que abrangeu 170 voluntários concluiu que as mulheres têm uma maior tendência para sofrerem de pesadelos do que os homens. No estudo, 19 por cento dos homens relataram terem experimentado pesadelos contra 30 por cento de mulheres, e isto apesar de não ter havido diferenças significativas no número de sonhos registado pelos dois grupos.

Um factor que pode explicar esta diferença tem a ver com as alterações da temperatura corporal registadas nas mulheres durante o ciclo menstrual, já que se sabe há algum tempo que as mulheres nestes momentos conhecem geralmente um aumento de pesadelos e de sonhos perturbadores. Mulheres traumatizadas também têm tendência a sofrerem mais pesadelos decorrentes do seu trauma do que os homens sujeitos à mesma experiência.

Em suma, este estudo indica que as mulheres tem uma especial de predisposição biológica para reagirem com mais intensidade a estímulos emocionais do que os homens, como alias já sugeria o senso comum e a opinião popular naquilo que é um sinal de que nem sempre a Ciência e a experimentação cientifica vão sempre contra os ditames e usos impostos pelo senso comum…

Fonte:

bbc.co.uk/news

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Dr. Phill “A Família em primeiro lugar” e como se tornar um refém do seu próprio Marketing

Neste livro do muito rico e ainda mais famoso psicólogo e especialista em “terapia familiar” de nome “Dr. Phill” o dito especialista usou o bombástico título “A Família em Primeiro Lugar” (“Family First”). Ok. Se eu fosse a mulher do Dr. Phill esfregaria as minhas mãos de contente. Um homem que coloca uma afirmação destas como um dos pontos de carreira e de rendimento está colocado totalmente nas mãos da esposa. Se esta lhe pedir para aspirar todos os dias o chão com sucção bucal, ele tem que fazer. Se a esposa meter dentro de casa um gang afro de sedutores e escravos sexuais e ele tiver que servir de mesa de sala, a quatro. Tem que aceitar. Se ela usar um dos seus rins (ou mesmo ambos) para servir a um jantar de amigos. Ele tem que tirar a camisa e com uma faca romba, remover os rins.

Ou seja: Já se percebeu que não simpatizo particularmente com esse “guru” da terapia familiar do Século XXI, mas não deixo de me divertir um tanto ao ver até que ponto se vai para vender um livro, especialmente num país onde a taxa de divórcios e a actividade litigantes nos tribunais de família é tão intensa como os EUA (ver AQUI) onde ocorrem perto de um milhão de divórcios por ano…

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Conceito de Psique em Jung

Para Jung, a “Psique” encontra a sua sustentação no conceito de que um individuo é em primeiro lugar, um Todo. Segundo o psicólogo a maioria das perturbações psicológicas que afectam o Homem resultam da dissociação desta unidade e esta era a prioridade do trabalho operativo de Jung quando atendia os seus pacientes no seu consultório; o de reconstruir essa unidade perdida de modo a devolver-lhes a sanidade perdida e a reforçar a sua Psique de modo a que fosse possível resistir a novas dissociações.

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Jung e o Paranormal

“…quando Jung estudava no quarto. Ouviu de repente um ruído alto, semelhante a um tiro de revólver. Foi para a sala vizinha, onde a mãe estava sentada a cerca de um metro da grande mesa de jantar. A mesa rachara desde a borda até o centro, na parte sólida da madeira e não ao longo de uma emenda ou linha de junção. Era uma mesa feita de um velho carvalho e a fenda não poderia ter sido produzida por uma mudança de temperatura, nem pela humidade. Jung sentiu-se perplexo.”

(…)

“A segunda experiência ocorreu uma tarde. Desta vez, foi uma grande faca de pão, colocada dentro da cesta, que se partiu em vários pedaços. Jung levou os pedaços a um cutileiro que exclamou, depois de examiná-los: “Esta faca estava perfeitamente em ordem. O aço não apresenta nenhum defeito. Alguém deve tê-la quebrado de propósito.” Muitos anos depois, estando a sua esposa com uma doença fatal, ele retirou os pedaços do cofre e mandou juntá-los para reconstituir a faca.”

Calvin S. Hall e Vernon J. Nordby: Introdução à Psicologia Jungiana
página 15

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