Mitos e Mistérios

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#SabiaQue, segundo uma lenda, o Graal terá sido transferido do Convento de Tomar no século XVIII e estaria hoje numa cripta secreta situada por baixo do altar da basílica? Este seria também o local onde precisamente se colocou a primeira pedra do convento e onde se diz que estaria também um saco com 17 moedas de ouro, 17 moedas de prata e 17 moedas de bronze.

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Sabia que… em Lisboa

A lenda dos Corvos de Lisboa:
A iconografia da cidade está também ligada à lenda segundo a qual, na era do Imperador Diocleciano, o governador romano de Valência, Publius Dacianus, teria martirizado o diácono Vicente, do bispado de Saragoça, em 304 d.C. O corpo do mártir teria sido abandonado ao ar livre, para que fosse devorado pelos animais selvagens. Contudo, narra a lenda, que o corpo foi guardado por um anjo que teria assumido a forma de um corvo, conservando assim intacto o corpo do diácono, batendo-se com os animais que o tentavam devorar. Furioso, o governador teria mandado recolher o corpo para que fosse lançado ao mar. Contudo, o corpo do mártir tornou a dar à costa, sendo recolhido por cristãos que o sepultaram em Valência, tornando-se esse sepulcro lugar de amplas romarias e notáveis milagres.
A conquista muçulmana de 711 provocou uma vaga de destruição nos locais mais sagrados da cristandade na Península. Para protegerem o túmulo de São Vicente, os cristãos locais removeram os despojos do santo do túmulo em Valência e levaram-no de terra em terra, em fuga dos exércitos muçulmanos até que por fim chegaram ao cabo de São Vicente, no Algarve (Sagres), que então era conhecido como o “Promontório dos Corvos”, em virtude do grande número de corvos que então aí vivia. É a partir da transladação dos restos mortais do santo que o Cabo adquire o nome de São Vicente.
Depois da conquista de Lisboa, Afonso Henriques – segundo a lenda, já que historicamente esse local se encontrava ainda sob domínio islâmico – manda em 1176 que as relíquias do santo sejam transferidas para Lisboa, para sacralizar a cidade.
As relíquias de São Vicente são depositadas na Igreja de Santa Justa e Rufina e só em 1755, depois do Terramoto é que foram transferidas para a Sé Catedral, tornando-se então São Vicente no Santo Padroeiro da cidade. Diz a lenda que dois corvos as teriam acompanhado na viagem até Lisboa e que os seus descendentes viveram numa das torres da Sé até meados do século XVIII.
Simbolicamente, o Corvo é um signo muito rico: vale pelo guia espiritual, recordando o papel que estas aves tinham nos navios medievais, que por vezes transportavam um corvo, soltando-o quando perdiam a vista de terra, e seguindo-o. O Corvo e a barca (com o santo) que guarda aludem também à arca de Noé, salvaguarda perante as ameaças da natureza. E à “viagem”, ou transformação espiritual induzida pela fé e devoção religiosa.
Qual foi a origem do termo “alfacinha”?
A origem do termo é incerta, mas há quem acredite que surgiu na tradição de finais do século XIX que trazia muitos lisboetas às hortas do termo da cidade, a almoços ao ar livre, onde se consumia peixe frito com salada de alface.
Qual a origem do topónimo “Madragoa”?
A expressão “Madragoa” parece ter surgido pela primeira vez no século XIX, substituindo o termo “Mocambo”, que até então era usado para designar esse bairro lisboeta. A palavra resulta da presença, no século XVI de uma “Rua das Madres de Goa” (atualmente, a Rua Vicente Borga), onde funcionava um albergue (“hospício”) para “senhoras da Índia”, adstrito ao Convento das Trinas.
Origens da expressão popular “Obras de Santa Engrácia”:
A origem deste ditado popular resulta da lentidão com que se concluíram as obras de construção da Igreja de Santa Engrácia, no Campo de Santa Clara (hoje, “Panteão Nacional”). No total, a sua construção terá demorado… 385 anos.
Porque se chama “Rua do Poço dos Negros” à “Rua do Poço dos Negros”?
Este topónimo resulta da existência de um poço mandado cavar por Dom Manuel em 1515 e que deveria servir como túmulo coletivo de escravos negros. Na época, os escravos não podiam ser enterrados nos adros das igrejas, como sucedia com os homens livres, e era frequente os seus corpos serem lançados ao Tejo do alto de Santa Catarina ou enterrados na praia ou simplesmente deixados em lixeiras, descampados ou até nas quintas que rodeavam a malha urbana, criando esta atitude desumana problemas de saúde pública, razão única pela qual, se decidiu o monarca por abrir esta vale comum “permanente”.
O Simbolismo das Sete Colinas de Lisboa
As sete colinas de Lisboa comparam-se diretamente com as sete colinas de Roma, Jerusalém ou Constantinopla, todas cidades imperais, ou sede de impérios universais havidos ou por haver.
O primeiro autor português que discorre sobre as “sete colunas” é Frei Nicolau de Oliveira que as liga aos sete templos principais de Lisboa:
“Primeiro é a colina de “S.Vicente” (no Bairro de Alfama) onde fica o Convento de S. Vicente de Fora. À esquerda fica a colina de “Stº André” (na Graça). Depois é a colina de “S. Jorge”, onde se situa o Castelo. A oeste deste fica a colina de “Stª Ana” (na Anunciada). A quinta colina é de “S. Roque” (no Bairro Alto). Na parte direita desta fica a das “Chagas” cujo nome é atribuído por causa da Igreja que nele edificaram os marinheiros da rota da Índia em louvor às Chagas de Cristo. E por último, é a colina de “Santa Catarina” (vai do Largo de Camões à Calçada do Combro).”
Ulisses, as Sete Colinas, Ofiussa e a Penha de França:
Segundo uma das lendas que liga Ulisses a Lisboa (porque existem várias…), teria sido na cidade que o navegante se teria apaixonado pela ninfa (ou “deusa-serpente”, noutras fontes) Ofiussa. Quando Ulisses regressou à sua pátria, a deusa/ninfa, furiosa e sentido-se abandonada, fez estremecer o planalto em que situava então a cidade. Deste abalo, brotaram as sete colinas. Outra lenda, correlacionada, indica que o local onde se consumou esta fugaz paixão teria sido onde se encontra hoje o miradouro da Penha de França.
O edifício do Município de Lisboa:
Este edifício foi construído depois do terremoto de 1755, a partir de planos da autoria do arquiteto Eugénio dos Santos de Carvalho. O edifício sofreria muitos danos no incêndio de 1863 sendo reconstruído a partir de 1865, sob a orientação do arquiteto Domingues Parente da Silva, que foi o autor da atual fachada do prédio, a partir de desenhos originais do escultor francês Anatole Camels, o mesmo autor do Arco Triunfal da Rua Augusta, nomeadamente na estátua da Glória que coroa o Génio e o Valor. Esta reconstrução terminaria apenas em 1880.
Em 1996, novo incêndio, danificaria seriamente algumas partes do edifício. A recuperação da sede do município de Lisboa seria entregue à responsabilidade do arquiteto Silva Dias. Este arquiteto recuperaria os danos provocados pelo incêndio nos andares superiores, tendo havido uma grande preocupação em respeitar a traça original e em integrar no processo alguns dos arquitetos e escultores mais prestigiados da cena cultural nacional como João de Almeida, Manuel Tainha, Nuno Teotónio Pereira, Daciano Costa, entre outros.
Em termos de significado, a fachada apresenta ao centro as Armas da cidade, ladeadas, pelas figuras alegóricas à Liberdade e ao Amor à Pátria. Outras figuras representam a Ciência, a Navegação, a Indústria, o Comércio e a Arte. Encontramos aqui, também, um ábaco e a figura de Hermes, acompanhado de três livros fechados e um pote, igualmente fechado e com a palavra “escrutineo”.
As Caves Secretas do Palácio Foz:
Nas caves do Palácio Foz, nos Restauradores, encontramos um dos tesouros arquitetonicos de Lisboa: o Restaurante Abadia. Inaugurado em 1917, este ponto de encontro da élite maçónico lisboeta apresenta um poço (onde ainda hoje corre água, que brota de uma nascente). O espaço busca inspiração e nome num antigo claustro de um convento e o estilo neo-manuelino é o dominante. Vários símbolos de origem maçónica podem ser aqui encontrados: cachos de uva, dragões e inclusivamente os bustos de 24 maçons.
Origem do topónimo “Picoas”:
A origem do termo virá da existência neste local de uma quinta que era propriedade de duas irmãs que tinham como pai um certo “Picao”. Solteironas, as duas mulheres seriam conhecidas pelo povo da região como “Picoas”, tendo o nome persistido até hoje.
Jardim de São Pedro de Alcântara:
Sabia que em 1864, depois de uma grande vaga de suicídios, a Câmara Municipal de Lisboa, haveria de determinar a construção de uma grade (parte da qual pertencera ao antigo palácio da Inquisição) por forma impedir que os suicidas daqui se atirassem? Por volta desta mesma época existia também aqui um labirinto de pedra que foi também destruído para impedir certas cenas entre namorados que aqui tinham lugar.
O Esoterismo das Cores do Brazão de Lisboa:

O Brazão da cidade de Lisboa não está isento de significado esotérico. Desde logo, pelas cores escolhidas: o negro significa a terra, a força e a firmeza de carácter que dela proveem, mas também o “nigredo” ou estado inicial da matéria antes de a levar a um estádio mais alto de desenvolvimento.

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Sabia Que… Sebastianismo

Sabia que Dom Sebastião tinha um amor platónico e secreto pela sua prima, Dona Juliana de Castro, herdeira da Casa de Aveiro?
Sabia que o exército de Dom Sebastião, em 1578, tinha 14 mil infantes, 1600 cavaleiros, além dos 300 arcabuzeiros e 300 cavaleiros do seu aliado Mulei Mahomed? Do lado de Mulei Moluk, alinhavam-se 40 mil cavaleiros e 8 mil infantes.
Sabia que Mulei Moluk, o adversário de Dom Sebastião em Alcácer Quibir, ao ver a carga rompante do Terço dos Aventureiros e o consequente recuo da sua cavalaria, decidiu montar a cavalo – apesar de muito doente – morrendo de síncope com o esforço? Os seus validos esconderam o corpo e nas hostes marroquinas ninguém soube do sucedido.
Sabia que embora a batalha de Alcácer Quibir estivesse praticamente ganha, com a captura de estandartes, a morte do rei adversário, o recuo da sua cavalaria e o avanço do Terço dos Aventureiros, tudo se inverte subitamente, quando o seu comandante fica ferido e o seu substituto ordena a paragem do avanço?
Sabia que Dom Sebastião foi morto porque os setenta cavaleiros marroquinos, foram surpreendidos por turcos da guarda do rei Malu, que também queriam lebar o prisioneiro?
Sabia que quem achou o corpo do rei, no dia seguinte à batalha, foi o seu moço de câmara, Bastian de Resende, tendo sido então reconhecido por muitos dos seus, incluindo Fernando Góis de Loureiro, que mais tarde escreveria sobre o sucedido?
Sabia que o dito “Dom Sebastião de Veneza”, detido em Espanha e visitado pelo duque e duquesa de Medina-Sidónia, nobres espanhóis das relações do falecido (?) Rei contaram que este reconheceu, mas mãos da duquesa um anel que lhe ofertara por ocasião de uma viagem que fizera a Cádis? O “Dom Sebastião de Veneza” disse ainda que havia mandado gravar, previamente, por baixo da pedra preciosa, o nome e a sigla do seu nome. Ao desencravar a pedra, os duques encontraram efetivamente as marcas.
Sabia que em 1623, Maria de Macedo, conhecida por “a Vidente do Chiado” dizia viajar em espírito, até à Ilha Encoberta, onde falava com Dom Sebastião e onde todos se vestiam de preto e branco, encontrando-se lá, igualmente, os profetas Enoch e Isaías? Em 1653, a Vidente do Chiado foi denunciada à Inquisição que, em 1666, a integraria num auto-de-fé condenando-a a açoites e a 5 anos de desterro em Angola.
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Existe no Jardim Zoológico de Lisboa uma mensagem esotérica?

1.
Quando os arquitetos do Jardim Zoológico de Lisboa decidiram erguer este espaço a partir de 1905, em 1907, na Quinta da Laranjeiras (ainda hoje o nome de uma estação de metropolitano situada nas imediações) optaram por incluir uma série de referências ao Paraíso cristão e ao Éden pagão. Esta inesperada carga simbólica foi reconhecida por alguns dos promotores iniciais do projeto como o rei Dom Fernando II, Camilo Castelo Branco e o conhecido construtor da Quinta da Regaleira, Carvalho Monteiro.
2.
A inspiração do Jardim partiria dos Jardins Suspensos de Babilónia, onde se conjugavam os quatro reinos da Natureza: Mineral, Vegetal, Animal e Humano, em são e plena harmonia.
O mineral está presente pelos granitos expostos no jardim, o vegetal pela densa e rica vegetação colocada nos espaços verdes originais do jardim, o animal, pela espécies animais aqui reunidas e o humano, pela população humana que visita o Jardim Zoológico.
3.
Todos os iniciais proponentes e defensores da construção do Jardim Zoológico pertenciam a Sociedades Secretas: Maçonaria (conde de Farrobo), Rosa Cruz (D. Fernando II), Maçonaria Templária ou Monárquica (Carvalho Monteiro).
4.
O principal elemento simbólico do Jardim Zoológico de Lisboa encontra-se no “Jardim do Roseiral” ou simplesmente “Roseiral”. Este jardim, é visitado a partir de uma pequena ponte de pedra, que simboliza a ascensão a um estado espiritual superior, mais evoluído. A ponte está delimitada por quatro colunas, cada uma coluna com um artífice egípcio, um por cada um dos quatro elementos da Matéria e um por cada Ponto Cardeal (simbolizando assim, o Todo Universal).
5.
O Roseiral foi concebido para funcionar como um templo ao ar livre, em que as fontes, labirintos, dragões, gansos, delfins, esferas e esfinges com rostos masculinos, mas corpos de mulher (andróginos) cumprem papéis muito específicos num percurso iniciático que culmina no “Lugar da Rosa”, muito judiciosamente escolhido tendo em conta o simbolismo da “Rosa” (ocultação, camadas de revelação e rosacrucianismo).
6.

O local escolhido para construir o Zoológico de Lisboa assume uma carga simbólica por existir aqui um cruzamento de sete ribeiros que desembocavam no rio de São Domingos, sendo que deste rio partiam depois 4 outros pequenos rios, precisamente como sucedia no Paraíso da Mesopotâmia, sendo o Velho Testamento…

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Mosteiro dos Jerónimos: um roteiro simbólico e secreto

 

1- Uma das várias “mãos de Deus” da Igreja dos Jerónimos, parte de um ritual de iniciação em que os futuros navegadores deviam procurar a coluna com a “mão de Deus”, que deviam tocar (o que explica o desgaste que se observa no motivo).
2. No Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos um ouroboros no tecto. Símbolo de eternidade, renovação alquímica da matéria e unidade do cosmos e do infinito a serpente que morde a sua própria causa é um símbolo que se repete (várias vezes) no claustro da Sé Catedral de Lisboa e que também surge no Convento da Madre de Deus (no Claustrim).

3. No painel central do grandioso pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos o Infante Dom Henrique. A posição onde se encontra a sua estátua está carregada de valor simbólico, estando no eixo que separa o “céu” da “terra” (Nossa Senhora dos Reis Magos e Arcanjo São Miguel). Dom Henrique é aqui tanto mais invulgar, porque é o único “homem comum” representado nesta fachada, o de evidencia a sua importância para o projeto quinto imperial que então Portugal estava a construir.

4. O Infante Dom Henrique designava a região onde se viria a construir o Mosteiro dos Jerónimos como “Beth-Lehem”, isto é, a “casa do pão” em hebraico. Esta poderia ser uma alusão ao local onde esperava – no seu magistral plano quintoimperial – lançar as bases do novo Homem, iniciado em Cristo e no Império, novo Cristo que partiria a desbravar e a evangelizar o mundo.

5. Antes do Mosteiro dos Jerónimos ser construído existia neste local uma Capela da Ordem de Cristo que prestava “apoio espiritual” aos navegadores que destas praias (então ainda a poucos metros da atual fachada do mosteiro) partiam para as Descobertas. Seria nesta capela que se desenrolavam as cerimonias de iniciação que depois foram transferidas para o interior do mosteiro, e nomeadamente para a Igreja dos Jerónimos.
6. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar representações do Sol e da Lua, assim como dois medalhões com as efígies do rei e da rainha. Um e outro símbolo aludem à dualidade sexual (Enxofre-Mercúrio) da matéria e à conjugação harmoniosa que o Adepto tem que cumprir na Grande Obra para alcançar o Rubedo e o consequente sucesso.
7. Num medalhão do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos uma rosa solar aberta (valendo pela “vida”) sobre a cruz do calvário (morte), numa clara alusão ao Renascimento e à Regeneração que se pode alcançar pela Pedra dos Filósofos e pela rectidão de percurso na Grande Obra.
8. No friso do pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar os símbolos da corda, da seta de cupido e do ovo filosófico (matrás alquímico). A corda – motivo templário – vale pela união entre Iniciados que se cumpria nesta local que iniciação que era o mosteiro; o Ovo representa o recipiente onde decorre a evolução da Materia Prima até ao estado mais puro e iluminado (a Pedra Filosofal, que aqui pode ser tanto uma expressão de Alquimia Espiritual, como de Material). A seta de Cupido, por fim, refere-se ao Amor, referido na Sé de Lisboa pelos vários “pássaros que se beijam” e que liga à ideologia dos trovadores e jograis de finais da Idade Média, verdadeiros porta-vozes da Igreja de João e do Templarismo.
9. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos também (como na Sé de Lisboa), o Arcanjo São Miguel, guardião de Portugal e do mundo e que – pela sua espada flamejante – alude ao Mercúrio dos Filósofos, o dissolvente que tudo mistura e que tem um papel determinante no sucesso da Obra de Hermes.
10. Na Igreja de Santa Maria de Belém podemos encontrar o Rectângulo de Ouro ou Secção de Ouro, aqui colocado pelo grande arquiteto dos Jerónimos, Mestre Boitaca. Símbolo da expressão do Logos de João e do Fogo, elemento que anima a matéria morta e a conduz ao desenvolvimento pleno.
11. A ocidente do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Boitaca concebeu um caminho iniciático que começa no local onde encontramos um X num medalhao. Este símbolo vale aqui por Cristo e pelo Fogo (como a Secção de Ouro da planta da igreja). O caminho iniciático termina num Sol antropomorfizado que vale pela ascensão do iniciado a esse novel patamar. Ao longo deste caminho, dispõem-se vinte medalhões e oito quadros esculpidos, um por cada passo de iniciação que o neófito tem que saber vencer até conseguir alcançar o Sol, o seu objetivo final.
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A Torre de Belém: Simbolismo e Esoterismo

1. A Torre de Belém está construída naquele que é um dos melhores exemplos do estilo gótico manuelino. Trata-se de um baluarte em que a torre é composta por quatro andares, um por cada um dos Quatro Elementos da matéria na visão alquímica do mundo.

2. A capela da Torre de Belém apresenta o chão composto por um xadrez que recorda o chão da cripta neotemplária da Quinta da Regaleira. No seu centro, encontramos um octógono, outro símbolo templário que simboliza a regeneração espiritual pela comunicação entre a Terra (quadrado) e o Céu (círculo).

3. Na sala da capela da Torre de Belém encontramos uma cabeça, no canto a noroeste, a aproximadamente um metro de altura. Sob esta cabeça (bafomética?) Encontramos uma suástica de cinco braços no centro de uma estrela de seis pontas. Sobre a cabeça surge o Fogo, como se o movimento circular e solar da suástica (símbolo do Sol) regenera-se o indivíduo que aqui era iniciado (porque este era um local de Iniciação neotemplária). Recordemos ainda que o Cinco é o símbolo do Todo (soma do primeiro número par, o feminino Dois e do primeiro número ímpar, o masculino três) e das Cinco Chagas de Cristo.

Ver Mais: https://www.facebook.com/MysteriesLisbon?ref=stream

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A Mensagem Esotérica da Sé Catedral de Lisboa (notas soltas)

0. Introdução: a Sé Catedral de Lisboa

Uma das lendas da fundação de Lisboa, alude à fundação da cidade por Ulisses, que aqui se terá apaixonado por Ofiussa, a rainha das mulheres-serpente. Quando Ulisses decidiu regressar à sua Ilha de Ítaca, Ofiussa ficou tão furiosa que fez tremer a planície onde estava Lisboa criando assim as Sete Colinas. Onde hoje se erguem sete igrejas, sendo esta, da Sé, uma delas.

No período visigótico já existia neste local algum tipo de atividade religiosa, como comprova uma lápide no flanco exterior norte da Sé. Na época romana, o Fórum de Lisboa parece ter funcionado aqui, o que quer provavelmente dizer que haveria também aqui um povoado pré-romano ou um templo pré-romano. Isto mesmo indicia a proximidade do Teatro (na vertente do Largo de Santiago) e a antiga Porta de Ferro na mesma encosta, construída no mesmo local onde se pensa que existia um arco triunfal romano.

A Sé Catedral de Lisboa teve como primeira designação “Igreja de Santa Maria Maior” (ainda hoje, o nome desta paróquia e agora nome da atual freguesia agregada). Sendo “Santa Maria Maior” outro nome da “Nossa Senhora das Neves“, o qual provém da tradição em que um casal romano, que havia pedido à Virgem um sinal sobre como poderia gastar a sua fortuna. Em sonhos, a Virgem respondeu dizendo que o local onde queria que construíssem uma basílica seria aquele que aparecesse coberto de neve, em agosto. Tal aconteceu, na noite de 4 para 5 no Monte Esquilino, em Roma, tendo sido este então o local se haveria de erguer a Basílica de Santa Maria Maior de Roma.

A Sé foi mandada construir por D. Afonso Henriques em 1150, apenas 3 anos depois de ter tomado a cidade aos muçulmanos, no local onde funcionava uma mesquita almorávida. O projeto segue as grandes linhas da Sé de Coimbra. E a primeira fase de construção, no estilo românico teria cabido a Frei Roberto de Lisboa, mestre dos Monges Construtores (que se presume de origem normanda), coadjuvado pelo mestre Bernardo.

A Sé de Lisboa é posterior à Sé de Coimbra, local onde terão trabalhado os mesmos mestres construtores. A maior diferença entre as duas construções consiste na existência em Lisboa de mais um tramo e de torres, para além de arcos e pilares num estilo românico mais evoluído que o da Sé de Coimbra.

O primeiro bispo de Lisboa foi o cruzado inglês Gilbert de Hastings.

O plano da igreja assume um intenso pendor defensivo, como aliás era típico deste estilo e de um período tão bélico da História nacional e isto apesar de se situar na Cerca Moura, isto é, já dentro do recinto amuralhado da cidade.

Durante a Idade Média, a Sé funcionou como o Fórum romano sobre o qual se pensa ter sido construída, tendo-se realizado no adro e interior algumas das reuniões dos homens-bons da assembleia municipal. Num anexo funcionava também a Escola da Sé que foi frequentada por muitas personalidades ilustres da Idade Média portuguesa, como Santo António de Lisboa (então ainda conhecido como Fernando de Bulhões).

A Sé sofreu muitos danos nos 3 grandes terremotos do século XIV, e, sobretudo, no de 1755 (em que caiu, por exemplo, a torre lanterna de vários andares), tendo sido renovada depois de cada um deles.

Apesar de ter sido alterada várias vezes, a fachada principal mantém a sua estrutura românica: duas torres, uma rosácea e merlões, reconstruídos no século XX).

O portal românico está recolhido e exibe arquivoltas sobre colunelos reentrantes encimados com capitéis decorados com motivos vegetalistas e antropomórficos.

O corpo da igreja revela uma planta em cruz latina, de 3 naves. Os capitéis deste núcleo central da igreja não possuem atualmente qualquer elemento decorativo. O interior é assim muito austero e atualmente sem os embelezamentos feitos na época de D. João V (começos do século XVIII).

Até ao século XIV, era possível observar na cabeceira uma composição tipicamente românica, com abside e dois absidíolos laterais menores. Desta composição restam alguns vestígios nas faces interiores e exteriores do transepto, onde é igualmente possível observar ainda que os absidíolos originais eram muito mais altos que a atual charola. Os anexos que posteriormente foram adicionados na fachada norte datam da transição (finais do século XII e começos do século XIII), ou seja,  entre o românico e o gótico.

Na Capela de Santo Ildefonso encontramos o sarcófago do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de D. Afonso IV, e da sua esposa Maria Vilalobos. O túmulo está esculpido com a figura barbuda do nobre, de espada na mão, e da esposa, com um livro de orações e os cães sentados a seus pés. Na capela adjacente encontravam-se os túmulos de D. Afonso IV e da rainha Dona Beatriz.

À esquerda da entrada a capela franciscana contém a pia onde Santo António foi baptizado em 1195, com azulejos que o representam a pregar aos peixes (para alguns, uma alusão aos cátaros do Languedoc). Na capela adjacente existe um Presépio barroco feito de cortiça, madeira e terracota da autoria de Machado de Castro (um dos maiores escultores portugueses e autor da estátua de D. José I, na Praça do Comércio). Ter em conta que a água da pia baptismal é uma alegoria à regeneração e à purificação física, sendo também assim a “fonte da juventude” que é o objetivo último da Pedra Filosofal. Na Alquimia, a Água é o elemento de união das oposições dos dois elementos masculino e feminino (Adão e Eva ou Enxofre e Mercúrio).

A peça mais preciosa do tesouro da catedral é a arca que contém os restos mortais de São Vicente, transferidos do Cabo de São Vicente para Lisboa em 1173. A lenda diz que dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias. Os corvos e o barco tornaram-se no signo de Lisboa. Diz-se também que os descendentes dos dois corvos originais viveram durante muito nos claustros da catedral…

Existe uma lenda que descreve a existência de um túnel ligando a Sé, o Castelo de São Jorge o Convento do Carmo. Estes locais, sagrados e tendo todos em comum a Flor de Lis correndo uma maldição sobre quem “ouse penetrar essas misteriosas e ocultadas artérias sob o chão de Lisboa”.

Uma lenda alega que a Sé é uma das “sete catedrais do Graal”, juntamente com:
1ª) Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
2ª) Santa Maria Maggiore, Roma, Itália
3ª) Catedral do Precioso Sangue,  Bruges, Bélgica
4ª) Catedral de Santa Maria Maior, Lisboa, Portugal
5ª) Catedral de Washington, Washington, E.U.A.
6ª) Catedral do México, Cidade do México, México
7ª) Basílica do Salvador, São Salvador da Bahia, Brasil

O Graal na Sé Catedral de Lisboa

O Santo Graal terá sido o recipiente que recebeu o sangue de Cristo, recolhido por José de Arimateia e por onde Cristo teria bebido na Última Ceia. Após esta recolha, o Graal teria sido guardado em sete templos no Médio Oriente, naquelas a que o Apóstolo João chama de “7 Igrejas do Oriente“. A partir de finais do século X, o Graal – segundo esta lenda – chega ao Ocidente, percorrendo as 7 catedrais do Ocidente acima listadas tendo estado em Lisboa sob a custódia da Ordem de Mariz (ordem secreta sob a cobertura das Ordens de Avis e do Templo).

Este mito está interligado à lenda do Rei Artur, narrada por Chrétien de Troyes e que teria chegado a Portugal (ainda antes da independência nacional) graças aos Trovadores, protegidos pela Ordem do Templo, sendo Dom Dinis (que ordenou a construção do claustro da Sé) um defensor dos templários, após a extinção da ordem e, simultaneamente, um trovador e poeta…

A este propósito, deve aqui invocar-se a tradição de que 2 dos 12 cavaleiros da Távola Redonda (Tristão e Roldão) seriam portugueses, e que estes cavaleiros tinham como maior objetivo a descoberta do Santo Graal.

A Confraria dos Trovadores e Jograis estava espalhada por toda a Europa e os primeiros ecos da sua existência aparecem na poesia dos séculos X e XI composta por louvores à Mãe de Deus e bendizendo da Humanidade. No seu papel de bardos, os Trovadores, por meio dos seus cantos amorosos e satíricos, espalharam muitas verdades iniciáticas. Eles eram, por assim dizer, os “correios” ou “porta-vozes” entre os Iniciados europeus.

Ligado ao Graal está igualmente o mito da Taça Djin, originalmente criada por Salomão e que o pai de Afonso Henriques teria possuído em 1095, depois da conquista (provisória) de Sintra, perdendo-a depois para os Almorávidas.

Ainda em relação ao Graal, saiba-se que uma das teses para a formação do nome de Portugal, é o de Porto-do-Graal:

Vítor Manuel Adrião, afirma que  “A tradição refere que São Bernardo Claraval mandou recolher, nas galerias do Templo de Salomão, um objecto sagrado que mandou trazer para a Europa”, adiantando: “E quando o conde D. Henrique o convidou para o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, o Santo Graal veio para cá.” Por outro lado, no documento de doação de Tomar aos Templários, há um sinal rodado, um selo oficial, onde se pode ler ‘Porto Graal’. Ou seja, Portugal, porto do Graal, faz todo o sentido.”

 

1. Esoterismo, Hermetismo e Linguagem dos Pássaros

Existe uma corrente de historiadores da arte, que acredita que a decoração das catedrais medievais não tem significado. Segundo estes historiadores, a única motivação seria o preenchimento dos espaços vazios…

O que está em cima é como o que está em baixo“, diz o pilar fundamental da visão hermética e inscrita na Pedra Esmeralda de Hermes Trimesgisto. Tudo na Catedral apela à verticalidade e à ligação do Alto, com o Baixo, nas colunas, tectos altos, abóbadas e vitrais. Esta verticalidade, representa o Espírito contraposto à Matéria (o solo), sendo o Espírito a meta do desenvolvimento humano.

A tradição do hermetismo é a de ocultar a mensagem, transmitida diretamente de Adepto para Aprendiz, com auxílio do livro escrito ou do livro de pedra das catedrais e das mansões filosofais (como a de Nicolau Flamel). Aquelas mensagens herméticas que hoje podemos adivinhar (sempre com múltiplas interpretações) são uma parte desse processo de transmissão de conhecimento e de iniciação.

Esta “língua da pedra” é a Linguagem das Aves (que aliás, são omnipresentes na Sé) e que pode ser também usada oralmente, com combinações fonéticas ou jogos de palavras, para transmitir uma mensagem oculta imersa sobre uma mensagem superficial.

No diálogo entre o rei Chalid e o monge Morieno, escreve-se “a base desta arte reside no facto de que todo aquele que a queira transmitir tem, por seu turno, de a ter aprendido com um mestre… e torna-se igualmente necessário que o mestre a tenha praticado com frequência na presença do discípulo… Pois aquele que conhece com exatidão a ordem da obra, aquele que já a realizou com as suas próprias mãos, em nada pode comparar-se àquele que se limitou a estudá-la nos livros“.

Iniciemos então o nosso percurso, começando na porta da catedral, percorrendo a sua lateral direita e penetrando depois no claustro, concluindo o nosso passeio contornando pela direita o edifício e terminando-o na porta sacra oitocentista.

Nas catedrais tudo tinha cores vivas e luz. Matryrius, um bispo e viajante do século XV, ao descrever a Notre Dame de Paris diz que o pórtico era resplandecente como as portas do Paraíso: Púrpura, rosa, azul, prata e ouro estavam por todo o pórtico. Alguns indícios de cor ainda podem aqui ser observados no tímpano da porta principal.

A própria arquitetura das igrejas medievais é – segundo Fulcanelli – uma referência ao matraz cruciforme ponde a matéria prima primeiro morre, é purificada, espiritualizada e transformada, o local onde segundo a Tábua da Esmeralda: “se não decompões os corpos e não corporificas os incorporais, o resultado esperado será nulo.”

Existem vários testemunhos da presença da Alquimia na Idade Média portuguesa. Desde o Convento de Tomar, onde se diz que era praticada a Espagíria, ao Convento dos Capuchos, em Sintra, passando pelo Convento de São Dinis em Odivelas onde Dona Feliciana de Milão (1642-1705) escreveu o seu “Discurso sobre a Pedra Filosofal“. No Convento do Carmo, não muito longe da Sé, encontramos também a figura de um alquimista no túmulo de Dom Fernando

Sabe-se que os conhecidos alquimistas Raimundo Lulio, Arnaldo de Vilanova e Paracelso estiveram em Lisboa. E que portugueses notáveis (talvez alquimistas) estiveram em contacto com alquimistas europeus. É o caso de Pedro Hispano que se correspondeu com Alberto, o Grande. Afonso V, alegadamente, terá escrito o “Lapis Philosophorum” e, depois, o “Divisão dos Quatro Elementos“. Mais tarde, em 1556, a Inquisição acusaria António de Gouveia, dos Açores, de praticar Alquimia e de saber transmutar chumbo em ouro. Na mesma época, a Inquisição mandava queimar a biblioteca alquímica de Frei Vicente Nogueira. No século XVII, Pedro Nunes trocava cartas com Jonh Dee e Duarte Madeira Arrais escrevia o “Novae Philosophiae“. No século XVIII, Anselmo Caetano Munhoz de Abreu e Castelo Branco publicava “A Ennoea ou Aplicação do Entendimento sobre a Pedra Filosofal“. No século XIX, Carvalho Monteiro erguia a sua Quinta da Regaleira, onde os elementos alquímicos são uma constante…

Entre 1325 e 1357 ocorre novo surto construtivo na Sé Catedral durante o reinado de Dom Afonso IV com o erguer de uma nova cabeceira de estilo gótico, com a capela-mor (que o monarca pensou como panteão privado) reparando assim os danos profundos sofridos pela cabeceira românica original do abalo sísmico de 1344. Desta fase de construção data também o deambulatório (a galeria que rodeia a capela-mor, rodeada de nove capelas radiantes, mais baixas por forma a permitir a iluminação direta da capela-mor algo que é um motivo comum na maioria das igrejas de peregrinação da Idade Média).

Em termos de estilos arquitetónicos, a Sé é hoje o produto da combinação de vários estilos diferentes, naquilo a que alguns já chamaram de “pastiche“. No interior, encontramos 3 naves de 6 tramos com a central coberta por uma abóbada de canhão e as laterais por abóbadas de aresta. O transepto é também abobadado, com rosáceas, exibindo este conjunto uma notória influência normanda, porventura por via de mestre Roberto. Estas 3 naves da Sé de Lisboa são hoje, das poucas estruturas que escaparam quase ilesas às várias alterações da igreja.

Em 1649, o arquiteto Marcos da Cruz ergue uma nova sacristia, com uma estatuária em que se destaca a curiosidade de apenas estarem representados santos portugueses.

A Sé Catedral viria a sofrer extensos danos em 1755, no abalo e no incêndio subsequente, perdendo parte do claustro da capela-mor gótica, parte da torre sul da fachada e toda a torre sineira do cruzeiro e a talha interior. A abóbada da nave central colapsa, assim como a da capela-mor. A Sé perde então a sede da diocese de Lisboa, em virtude da grande extensão dos danos sofridos. As capelas radiantes da cabeceira perdem no incêndio a sua decoração, ficando sem a talha, azulejos e muitas das esculturas que as compunham. No mesmo desastre, perdem-se os túmulos de Dom Afonso IV e sua esposa.

A capela-mor é reconstruida a partir de 1777 e o seu interior exibe desde então um claro estilo neo-clássico e perdendo-se assim os estilos românico e gótico que antes definiam esta importante secção do edifício.

No começo do século XX, o então popular (e muito influente) arquiteto Augusto Fuschini concebeu um plano massivo de reconstrução com um grande projeto de estilo neo-gótico (para a nova cabeceira) e neo-clássico (colocando novas colunas na entrada principal, cujos restos estão hoje no claustro). A morte de Fuschini levou ao abandono do projeto, salvando-se assim a severa descaraterização do edifício que se preparava. A partir daqui, as obras na Sé são mais modestas.

Alguns anos depois, António do Couto Abreu procura recuperar as estruturas existentes, recuperando a abóbada da nave central, mas no processo acaba introduzindo elementos neo-românicos que confundem hoje (quanto à data) o visitante desta igreja lisboeta… inauguradas em 1940 (a data “940” pode ser hoje encontrada no muro exterior direito da Sé) estas obras tornam-se numa manobra propangadística do Estado Novo.

O que é a Alquimia?

O fundador mítico da Alquimia é Hermes Trimesgisto. Para os muçulmanos, Hermes seria Ídris, um profeta ante-diluviano que teria enviado por Alá para inspirar os homens a organizarem-se depois do Dilúvio. A palavra “alquimia” é de origem árabe (alkhimiya) e deriva do substantivo egípcio “khemi” (negro), a matéria original da transmutação, em que o negro se torna em ouro depois de passar pelo branco.

Fachada da Sé Catedral de Lisboa

A fachada da Sé de Lisboa mostra um corpo central ladeado por duas torres amuralhadas muito ao gosto românico, quadradas e de face lisa.

A rosácea no corpo central é formada por um vitral executado na Fábrica Ricardo Leone (década de 1920). Sob o vitral, encontramos o arco de entrada na Sé com 8 capitéis  decorados, numa repetição dos números simbólicos 4 (quatro arquivoltas).

Na simbólica alquímica, os 4 elementos da matéria (uma conceção helénica: Terra, Água, Ar e Fogo), o número 8 de Cristo e da “regeneração” (duas vezes o Quatro, o número da Matéria) e somando ambos como faz Vítor Manuel Adrião, chegamos ao 12, o número dos “Cavaleiros Tributários da Távola do Santo Graal, aos 12 Apóstolos do Cristo, dos 12 Signos do Zodíaco” e, claro, das 12 operações da Grande Obra:

Calcinação (Carneiro)
Congelação (Touro)
Fixação (Gémeos)
Dissolução (Caranguejo)
Digestão (Leão)
Destilação (Virgem)
Sublimação (Balança)
Separação (Escorpião)
Incineração (Sagitário)
Fermentação (Capricórnio)
Multiplicação (Aquário)
Projeção (Peixes)

Foto 2988. Rainha-Sereia (coroada)

Eis Melusina, uma figura que surge com alguma frequência em tratados de Alquimia. Originalmente, Melusina seria uma donzela amaldiçoada descoberta por Raymond, o Duque da Aquitânia, que, perdidamente apaixonado lhe rogou que casasse com ele. Melusina concorda, mas impõe a condição de nunca ser incomodada ao Sábado, durante o banho. O duque acede, mas torna-se desconfiado e um dia vai espiá-la no banho, descobrindo que esta se transformava numa sereia (dragão ou serpente, consoante as fontes). No contexto alquímico, Melusina, é um dos muitos símbolos da dualidade: Água e Terra ou Corpo e Espírito. A sereia, neste contexto, é também uma alusão à Iluminação e ao Mercúrio, Dissolvente Universal.

Foto 2989. Cavaleiro-Touro e Cavaleiro-Leão

Estes 2 cavaleiros em luta, um montando um leão, o outro um touro, significam, numa primeira camada simbólica, a luta peninsular entre cristãos e muçulmanos (o cavaleiro de barbas é um cristão e o imberbe um muçulmano) (Sol-Leão-Cristo) (Touro-Cornos-Lua-Islão). Alquimicamente, podemos estar aqui perante uma figuração da oposição Sol-Enxofre, Lua-Mercúrio, o Rei e a Rainha alquímicos.

Foto 2990. Arcanjo São Miguel com dragões a seus pés

Eis o arcanjo São Miguel com a sua espada flamejante, derrotando o dragão da heresia. Ao lado, encontramos os 3 mártires de Lisboa, da Igreja e lenda de Todos-os-Santos (Veríssimo, Máximo e Rufina), cujo culto, de facto, foi começado por Sancha Sanches (1180-1229), filha de Sancho I e neta de Afonso Henriques (monarca ligado à fundação da Sé).

Segundo a lenda, os 3 mártires seriam irmãos, provenientes de Roma (ou de Lisboa) e foram sido supliciados pelas autoridades romanas; após o suplício e morte, os seus corpos foram atados a pedras e deitados ao rio Tejo entre Lisboa e Almada, tendo os sido arrojados à costa num local em Lisboa.

Alquimicamente, este arcanjo é o símbolo do Fogo, um dos Quatro elementos que compõem a matéria. Associado por vezes ao elemento químico Enxofre e tendo como símbolo o triângulo invertido. Na tradição alquímica, os metais são incubados pelo fogo no ventre da Terra, cabendo ao alquimistas unicamente a missão de acelerar esse processo de desenvolvimento natural.

Foto 1. Rosto de Homem acompanhado de rosto feminino

Esta é uma alusão à dualidade Homem-Mulher, ao dualismo sexual Sol-Lua que era replicado por muitos alquimistas na sua procura pela Grande Obra ou perfeita União Alquímica (por exemplo, Flamel e Pernelle).

Estas duas metades do Casal Alquímico são complementares formando um único ser, o Andrógino. E a figuração destes Casais assume frequentemente o valor de Mercúrio (Feminino) e Enxofre (Masculino) como elementos duais da Matéria-Prima (aqui encerrados em perfeita proporção) e que são o primeiro desafio que o Adepto tem que vencer (identificando-a) na Grande Obra (via Seca e via Húmida).

É contudo necessário esclarecer que enxofre e mercúrio nada têm a ver com os “nossos” enxofre e mercúrio. São, princípios, símbolos da metalicidade para o enxofre e da combustibilidade e cor para o mercúrio. O terceiro elemento desta trindade (ver mais adiante) é o Sal, ou “mercúrio dos filósofos“, ou ainda a “ave de Hermes” (e muitas aves estão presentes na gramática decorativa da Sé), o principal agente da transmutação metálica.

Foto 2. Adão e Eva no exterior com árvore e serpente de permeio. Ao lado, dois pássaros beijando-se

Adão e Eva são mais uma referência (como a anterior) do Casal Alquímico. Na simbólica medieval surgem quase sempre com a tentação da serpente.

Adão é originalmente, segundo o Génesis, uma entidade andrógina, feita à imagem de Deus, sendo assim mais uma referência encontrada nesta Sé Catedral ao Andrógino alquímico.

Gólgota é o nome da colina do sepultamento de Adão, representado pelo crânio junto à cruz que frequentemente aparece nas imagens da crucificação. Nesta condição, simboliza Cristo como o novo Adão. Na gramática alquímica, Adão vale frequentemente por Matéria Prima.

A árvore entre Adão e Eva é “Árvore da Sabedoria”, a fonte do conhecimento de onde provém o Saber Operativo e todos os seus riscos (a Serpente ou Ofiussa).

O Casal de Pássaros que trocam este gesto de amor (beijo) é também encontrado na Carta do Tarot Cigano: “Os Pássaros, as Alegrias ou Sete de Ouros”, e é um símbolo de uma vida sentimental feliz mas também de uma vida plena e realizada e da consumação das Núpcias Alquímicas prenunciadas pelas várias referências a Casais Alquímicos que se observam na Sé Catedral de Lisboa. Em triplo sentido, é igualmente uma recordação ao neófito de que existe uma “linguagem dos pássaros” imersa na pedra desta igreja lisboeta.

Foto 3. Dois homens segurando um terceiro (prisioneiro?) pelo pescoço

Nesta aparente cena de tortura, a corda tem um valor simbólico: é aquilo que prende a alma ao corpo. Na Maçonaria, a corda representa também “a comunidade”. No período medieval a “corda com nós” representa a morte quando estes são desatados.

As janelas das catedrais medievais representam, nos seus vitrais, a abundância de cores da Jerusalém Celeste e, como não tem luz própria mas deixa passar a luz através dela, simboliza a Virgem Maria, a mãe de Deus, que traz em si o filho de Deus.

Foto 4. Lavrador que ara a terra e porco que devora planta

Arar, em linguagem simbólica medieval, significa fecundar ou propiciar – através do Homem – a união entre o Céu e a Terra, um dos propósitos explícitos, aliás, das catedrais. No sentido alquímico, significa a fecundação da Matéria Prima pelo alquimista.

Foto 7. Cabeça de Leão com asas de morcego

(Augusto Fuschini pretendeu reinventar uma catedral medieval, com laivos de fantasia neo-gótica (como o projeto para a nova cabeceira) e neo-clássica (com as grandes colunas para a entrada principal, cujos restos repousam ainda no claustro). A sua morte, em 1911, veio determinar o abandono do projecto)

O leão é – já na Idade Média – considerado o “rei dos animais” terrestres, assim como a águia (também presente na gramática decorativa da Sé) é considerada como a “rainha dos animais” do ar. O leão é o símbolo da luz, pela sua força, cor amarelo-dourada e à juba radiante que envolve a sua cabeça, a sua relação com a luz expressa-se também no mito medieval de que o leão nunca fecharia os olhos. Pleno de simbólica, o leão representa também o poder e a justiça, razão pela qual está frequentemente associado ao poder real.

Foto 8. Almas que ascendem ao paraíso

Esta coluna procede de uma das capelas menos utilizadas do claustro e é conhecida como “a coluna das almas”.

Esta imagem da ascensão das almas, em espiral e em torno desta coluna é geralmente feita com as figuras de braços abertos. Esta é uma alusão à união espiritual com Deus e à ascensão das almas ao Céu. Aqui, poderemos encontrar uma certa inspiração na Divina Comédia de Dante.

Foto 10. “Homem Verde” com flores que brotam da sua boca

A boca é o órgão da palavra e da respiração, por Deus insufla a vida e a alma.

Os homens-verdes são comuns nas catedrais góticas. A primeira identificação dos mesmos foi feita por Lady Raglan, em 1939. Especialmente comuns na arte gótica nas igrejas portuguesas, estas figuras surgem também no continente europeu e, em Portugal, na Arte Manuelina.

Segundo o historiador português Paulo Pereira, os Homens Verdes são uma alegoria do tempo e dos ciclos das colheitas, uma ligação que é particularmente clara na igreja de São Baptista de Tomar, cujo orago se liga às festas do solstício. Na Inglaterra medieval, as procissões medievais incluíam frequentemente homens verdes, cobertos de folhagens.

A presença destas figuras alude à passagem do tempo, pelo ciclo da “roda da vida”, como surge, por exemplo, no túmulo de D. Pedro I.

A figura tem óbvias origens pagãs (espírito que protege as florestas), mas permanece muito popular no gótico medieval, especialmente no inglês. Por exemplo, na misteriosa capela de Rosslyn a figura surge nada mais nada menos que 103 vezes, contra apenas uma figuração de Cristo.

O Claustro da Catedral da Sé de Lisboa

A construção do claustro da catedral começou no reinado de Dom Dinis. É com Dom Dinis que através da Rainha Santa Isabel chegam a Portugal as ideias Joaquimitas e se reforça o estudo da Alquimia, tendo sido esta rainha discípula do alquimista catalão Arnaldo de Vilanova (Jaime Cortesão acredita que Arnaldo de Vilanova esteve mesmo em Lisboa).

Um grande período de construção na Sé decorreu entre 1279 e 1325 e concentrou-se no claustro, utilizando a área de um bairro islâmico então demolido. O claustro de Dom Dinis exibe uma volumetria românica (robusta e austera) mas de estilo gótico, sobretudo nas suas galerias, destacando-se aqui as decorações dos capitéis. Contudo, apenas o piso térreo data desta época, sendo o piso superior bastante posterior, havendo quem suponha que proveio de outro edifício, desmontado e remontado aqui, na Sé, durante os séculos XV e XVI.

As capelas do Claustro da Sé revelam uma grande variedade de peças de escultura, de vários estilos e épocas, desde o românico, passando pelo gótico, renascimento e barroco. Entre as arcas das capelas do claustro, destacam-se as de Dona Margarida Albernaz (século XIV), com uma estátua jacente e a de Dom João Anes, o primeiro arcebispo de Lisboa (começos do século XV), também do mesmo século, encontramos a capela gótica de São Bartolomeu (segundo o nome do seu construtor, Bartolomeu Joanes), com o túmulo do seu fundador, datado de 1324.

Na capela de Santo Ildefonso encontramos a arca do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de Afonso IV e de sua esposa, Maria Vilalobos. Lopo Pacheco, barbudo e de espada na mão, tem um cão aos pés, como sua esposa, a qual, em lugar de uma espada, segura nas mãos um livro de orações. A capela adjacente foi construída para alojar os túmulos de D. Afonso IV e sua esposa D. Beatriz.
Foto 11. Dois pombos que se beijam

O beijo é visto na gramática decorativa medieval como um sinal da alma (sopro de vida), sendo uma marca de transmissão de força e de doação de vida. Nas igrejas cristãs, o beijo fraternal era uma marca de integração na comunidade.

Esta espiga de milho (???), pode datar este capitel do período que se sucede à introdução dessa planta na Europa (século XVI). Símbolo de prosperidade e abastança, assim como de fertilidade, provável razão pela qual aparece aqui associado a este casal amoroso.

Foto 16. Monge em atitude de meditação (de olhos fechados)

A cegueira representa frequentemente a sabedoria e a luz interior, mas na Bíblia é também um castigo por desobedecer a Deus, mas é igualmente um signo de iniciação como quando Cristo cura os cegos (iluminação).

Foto 17. Motivos gráficos idênticos ao elemento anterior, mas sem o monge (que ascendeu? Santo António?)

Sinal da Iluminação alcançada pela oração (ora et labora > laboratorium) e da Alquimia Espiritual.

Foto 18. Pentagramas, oito círculos e quatro quatros

O 5 é a soma do primeiro número par e do primeiro número ímpar, e logo (desde os Pitagóricos), como símbolo do casamento e e da união e da perfeição. Neste contexto, aparece no período medieval como sinal de reconhecimento das corporações de mestres construtores. Na simbólica cristã, representa as cinco chagas de Cristo.

Os pentagramas tinham na época um valor de amuleto, protegendo os locais onde se encontravam contra forças e influências maléficas, cumprindo aqui o papel de protegerem o claustro e os monges que por ele deambulavam contra essas influências.

Os círculos são um símbolo do céu por oposição à terra, ou do espírito em oposição ao corpo. Enquanto “roda”, representa também a infinitude e como o ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. O quatro, simbolicamente, está relacionado com o quadrado (a Terra em oposição ao céu, ou a matéria opondo-se ao espírito) e com a cruz (símbolo do centro e do equilíbrio perfeito entre opostos). Número simbolicamente muito rico, o quatro (aqui especialmente reforçado) é o número dos quatro pontos cardeais, dos quatro elementos (fogo, água, ar e terra), dos quatro rios do Paraíso, dos quatro evangelistas, das quatro fases da vida (infância, juventude, maturidade e velhice).

Em Alquimia, o quatro é também o número da “primeira obra” (preparação, conjunção, separação, purificação do mercúrio).

Foto 20. Vieiras com 9 veios

A concha é um símbolo da Virgem Maria, porque abrigou Jesus do seu ventre, como uma concha, a “pérola preciosa”. Na Idade Média acreditava-se que a concha era fecundada pelas gotas de orvalho (“Ennoea”).

Foto 21. Duas aves, uma bebendo do Graal e a outra contemplando o alto

Os cálices são no contexto do imaginário medieval um signo de abundância transbordante, surgindo na Bíblia, em vários contextos: como o cálice da salvação ou do destino, que o homem recebe de Deus. No contexto alquímico, o Cálice é o Ovo Filosófico, o local onde se consumam as núpcias químicas.

Mas estamos aqui também perante uma nítida referência ao Graal, o cálice da Santa Ceia ou – segundo outra lenda – o cálice em que José de Arimateia colocou o sangue de Cristo. Mas no “Parzifal” de Wolfram von Eschenbach, o Graal aparece como uma pedra miraculosa que alimenta e conceder a juventude eterna que só é acessível ao Homem puro, com o mais elevado desenvolvimento espiritual, prefigurado aqui pela ave que olha para o céu.

As aves são o mensageiro do verbo divino, na iconografia medieval. A ave que eleva o bico invoca a proteção divina para a segunda que ingere o Sangue Real (Sangreal) do Graal e assim recebe a Graça do próprio Espírito Santo que a primeira invoca.

Foto 22. Homem barbudo supliciado

Estes homens barbudos são, antes do mais, uma admissão da pertença dos mesmos ao cristianismo. Mas a barba é igualmente, na época medieval, um signo para a masculinidade e força. Na época clássica, os deuses são quase sempre figurados com barba, sendo a representação de Cristo imberbe uma das primeiras originalidades do Cristianismo.

Foto 23. Demónio alado (ou morcego)

Considerado no Cristianismo como um “animal impuro”, acreditava-se que sugava o sangue das crianças durante o sono. Em alquimia, o morcego é um símbolo (pelo seu carácter híbrido, terrestre e aéreo) do hermafrodito, rebis ou Andrógino, o símbolo da mediação dos opostos (em Platão, surge o mito do Homem com dois sexos). A Matéria Prima e o seu posterior desenvolvimento intitulado Pedra Filosofal, resultam precisamente da religação dos princípios masculino e feminino da matéria.

Foto 24. Ave comendo sapo ou rã

Esta é a águia que representa a parte espiritual da Obra que se liberta da matéria alquímica, enquanto que o sapo vale pelo sedimento, obscuro mas fértil.

Foto 27. Pedras tumulares templárias

Estas pedras tumulares inscrevem a cruz do templo sobre um círculo, o símbolo do Céu por oposição à Terra, e de uma roda, infinita e que representa o templo e a infinitude, a qual é também representada pelo ouroboros que se encontra noutros locais do claustro.

Por outro lado, a lenda diz que os templários praticavam a alquimia (por exemplo, em Tomar) e o próprio maior Adepto do século XX, Fulcanelli, usava, segundo o seu discípulo Eugéne Canseliet, um “anel bafomético, cinzelado em ouro de transmutação e vindo até ele dos templários da comenda de Hennebont, na Bretanha“.

Foto 31. Coruja

Esta ave que – na tradição medieval – não consegue suportar a luz do sol surge representada frequentemente ao lado da Águia. Neste caso, temos o Corvo, uma escolha que sublinha o carácter duplo Solar-Lunar do par e a dualidade sexual que se repete noutros temas decorativos da Sé. Mas a Coruja tem no período medieval outros simbolismos, que aqui podem também estar presentes: é o signo da escuridão espiritual, que aqui surge oposta ao corvo, marca da iluminação (Fulcanelli dizia que em todas as catedrais os mestres construtores tinham colocado um corvo olhando para o local onde tinham escondido uma Pedra Filosofal). Numa interpretação mais convencional, a coruja pode ser o símbolo do conhecimento religioso ou mesmo de Cristo, a luz que vence as trevas, representadas pelo corvo de penas negras no capitel colocado em oposição a este de forma certamente intencional.

Foto 32. Corvo em oposição a coruja

Como todos os demais símbolos aqui presentes, existe aqui um sentido duplo ou mesmo triplo: além de todos os símbolos a que aludimos anteriormente e que resultam da associação deste corvo com a coruja representada no capitel fronteiro a este, o corvo, na Alquimia vale pela Obra ao Negro, ou Nigredo (Albedo e Rubedo), uma fase específica da Obra, em que a matéria se encontra no estado da putrefacção e que surgindo 40 dias depois do começo da Obra (“cabeça de corvo”) promete o sucesso da obra (George Ripley, no “Livro das Doze Portas”). É igualmente – porque é uma ave que vive em solidão voluntária – uma alusão ao carácter ascético e à reclusão exigida ao Adepto para que possa levar a Obra até ao seu bom termo.

Foto 33. Cabeça de cavalo

O cavalo era no período medieval, o signo da alegria e da vitória contra as dificuldades e obstáculos, sendo comuns nas sepulturas dos mártires cristãos. Mas o cavalo, devido ao ser carácter sexual, é no período medieval também uma alegoria de uma sexualidade exacerbada.

Foto 34. Cabeça de touro, alternando com cabeça humana, que sorri e não apresenta barba

Os chifres invocam a lua crescente e logo, o tradicional simbolismo lunar, feminino e mercurial (no contexto alquímico). Sinal de fertilidade e aqui intensificado pela associação a um homem imberbe (muçulmano?), alegre, que aqui representa o outro lado da dualidade sexual que carateriza o processo da transmutação.

Foto 38. Cruzes templárias grafitadas no claustro

De seu verdadeiro nome, os templários ou Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão tinham – segundo alguns investigadores – a missão de custodiar o Santo Graal ou a Arca da Aliança, resgatados das ruínas do Templo de Salomão (que tinham escolhido como sua sede, em Jerusalém).

Os templários eram reputados alquimistas. Nos “estatutos secretos” do Mestre Roncelim para os Irmãos do Templo, datados de 1240, escreve-se: “tende em vossas casas lugares de reunião vastos e escondidos a que se terá acesso por corredores subterrâneos para que os Irmãos possam ir às reuniões sem o risco de serem perturbados. É interdito, nas casas onde os Irmãos não são Eleitos, trabalhar certas matérias pela Ciência Filosófica e, portanto, transmutar os metais vis em ouro e prata. Isto nunca será feito senão em lugares escondidos e em segredo.”

De recordar que quem ordenou a construção da Sé, Dom Afonso Henriques era um confrade da Milícia, como declara ele próprio na doação do castelo de Soure à Ordem do Templo, em 1128.

Foto 40. Serpente marinha (ver cauda), que se morde a si própria, em clássico ouroboros

Esta serpente que morde a própria cauda é um dos símbolos alquímicos mais clássicos. Por vezes, é representada na variante de dois dragões que se mordem um ao outro ou de dois pássaros de pescoço longo em idêntico exercício. Símbolo do infinito, do eterno regresso e da unidade da Matéria, no contexto alquímico, é tipicamente uma representação da transmutação da matéria.

Foto 43. “Homem Verde” com barrete frísio de Iniciado e vinhas brotando da sua boca

Este barrete frísio aparece numa estátua que o alquimista Fulcanelli reconhece como sendo um Adepto. Cobrir a cabeça, nas cerimónias de iniciação, era, aliás um sinal de morte no processo iniciático.

Foto 44. “Homem Verde” com flores que brotam da sua boca ao lado de outro com folhas de nascem dos seus ouvidos

Este “Homem Verde” (um dos muitos da Sé) está acompanhado por um companheiro mais original: as orelhas são o símbolo da comunicação e da obediência e memória no período medieval.

Foto 45. Árvore Seca (contraste) com árvore frondosa no capitel ao lado

Estas árvores são uma referencia ao mundo vegetal. A árvore frondosa é um signo do renascimento da vida que vence a “morte” invernal, sendo assim um símbolo da imortalidade. Símbolo contrastante da fertilidade e da Vida (oposta à Morte) este par vegetal significa o Antes e o Depois do processo transmutatório.

A Árvore frondosa é também a “Árvore da Vida”, que simboliza a abundância no Paraíso e a realização da Obra alquímica.

Foto 46. Cordeiro

Alusão ao Cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo.

Foto 47. Águia de asas abertas

Signo das Ascensão de Cristo e da prece subindo até Deus. Segundo Aristóteles, ao subir, a águia olha diretamente o Sol, pelo que é um signo da contemplação e conhecimento espiritual e, por isso, do evangelista João. Ter em conta que a Igreja de João seria a igreja dos cavaleiros templários. Na alquimia, é o símbolo do Hermafrodita, filho do Sol e da Lua e da Sublimação ou dissolução da matéria (passagem do fixo ao volátil), sendo cada Sublimação (na Obra existem várias) uma Águia diferente.

Foto 48. Andorinha

Esta ave migratória é o símbolo da Primavera, mas também da Luz e da Fecundidade. Na Idade Média, um ninho de andorinha numa casa, significava felicidade. Signo medieval, também, da Ressurreição, porque a andorinha regressa com a luz, depois do Inverno e porque se diz que dá a visão aos seus filhos com a seiva de uma erva (a quelidónia) assim como Deus dará a visão aos mortos no Dia do Juízo Final.

Foto 52. Homem Verde de boca aberta (mas vazia) e barba bifurcada

Esta boca aberta mas vazia deste (entre vários) “Homens Verdes”, vale aqui pelo órgão da palavra e da respiração, algo que está no mundo medieval associado à alma e – na alquimia – às qualidades espirituais da matéria, mas interrompidas (pela ausência de ligações com a vegetação, aludindo-se aqui, talvez, a uma Obra interrompida por erro do Adepto ou Aprendiz.

A barba era na Idade Média um símbolo de masculinidade e força. Cristo, contudo até ao século VI, era representado sem barba.

Foto 53. Homem coroado que segura vinhas e demónio sorridente. Homem Verde com vegetação que brota da sua boca

A Coroa simboliza a condição real, estando aqui segurando vinhas e ao lado de um demónio que sorri, pode ser uma alusão humorística e crítica à embriaguez, referências comuns nos capitéis medievais. Mas podemos também estar aqui perante uma mensagem de teor hermético, em que a coroa significa “salvação eterna”, vida eterna, o prémio final da Obra.

Foto 54. Homem colhendo vinha

As videiras são, na Idade Média, um símbolo de abundância e vida. Significado que acumula com vários outros (é, aliás, um dos símbolos medievais mais ricos), como símbolo do Povo de Israel (do qual Deus cuida tão bem como o homem da sua videira), a Árvore do Messias, sendo no Antigo Testamento comparado o Messias a uma videira, em que Cristo carrega os fiéis nos galhos, numa alusão a que apenas quem tirar de Cristo a sua força pode dar frutos.

Foto 55. Homens trabalhando nas vinhas

Ver simbologia do capitel anterior.

Foto 60. Gárgula com cabeça de leão

O leão é, no contexto alquímico, o símbolo da parte fixa da Obra, da matéria nos seus vários estádios (leão verde (um líquido espesso), leão vermelho (que converte os metais em ouro, etc). Sem cor, o leão é um símbolo do enxofre dos sábios ou… ouro.

Foto 61. Estrela de David invertida

A estrela de 5 pontas era nos Pitagóricos um símbolo de saúde e conhecimento. No período medieval, tornou-se um signo de proteção contra poderes demoníacos, valendo como Cristo enquanto Alfa e Ómega, na forma das 5 chagas sagradas.

Foto 64. Dois Homens Verdes, um da Boca, outro dos Ouvidos

Um par em tudo semelhante ao de outro capitel, já aqui analisado.

Foto 70. Duas aves apaixonadas, com pescoços entrecruzados

As aves são o símbolo medieval do céu, pela sua natureza volátil, sendo um símbolo do imaterial e do espírito. Neste caso, representarão o amor espiritual, não realizado fisicamente.

No contexto alquímico, as duas aves apaixonadas aludem aos dois elementos que compõem todos os metais: o enxofre, elemento masculino, activo e fixo e o mercúrio, feminino, passivo e volátil. Entre estes, e simbolizado aqui pelo beijo, temos o sal (ou “arsénico”) que sendo o espírito universal, os une.

Foto 82. Sol espiralado (Porta Santa)

A espiral é um motivo gráfico comum até no período pré-histórico, estando aqui relacionado com a morte e o renascimento. Neste caso, e num contexto alquímico, será uma alusão à morte e renascimento da matéria que ocorre no interior do matrás ou ovo alquímico.

Foto 83. Alfa e Ómega na porta exterior

Letras inicial e final do alfabeto grego, entre ambas, está o “todo” (o resto do alfabeto). Signo do Todo, de Deus e de Cristo como o primeiro e último de todos os seres, este símbolo surge em muitos túmulos (por exemplo, no cemitério dos Prazeres).

Foto 85. Flor de Lis

Gravada na Porta Santa, alegoria a Maria, este símbolo expressa a sua Realeza Divina. Lisboa, na expressão do cronista Fernão Lopes era a “Boa Lis“.

Luís VII, de França, terá sido o primeiro monarca a usar este símbolo nos seus decretos (Louis-Lis),  que teria repescado a utilização deste símbolo na época dos Francos, quando Clotilde, mulher de Clóvis, recebeu de um anjo uma flor branca de lírio. Episódio idêntico é descrito na lenda que coloca Gabriel aparecendo a Maria com um lírio na mão, como sinal de que daria à luz o Salvador.

A Flor de Lis, representa assim o caráter divino da Monarquia as e a sua dimensão enquanto agentes temporais do poder de Deus.

Foto 92. S

Este S é o S da serpente (Ofiussa), aqui valendo pela força latente da natureza que a Obra vem completar.

Foto 105. Gárgula com cabeça de águia

A águia, na Bíblia, é o símbolo de Deus Todo Poderoso e da força da fé. Símbolo medieval, também, do renascimento e do baptismo e, pela sua ascensão, da Ascensão de Cristo.

Na Alquimia, a águia levantando voo representa a parte espiritual que se liberta da matéria, enquanto o sapo representa o seu sedimento obscuro, mas fértil.

Foto 122. Porta Santa ou Porta Sancta

A Porta Fechada (e esta está-o na maior parte do ano) representa a existência de um segredo ou mensagem oculta, mas também a proibição na sua revelação. O Alfa e o Ómega (que surgem frequentemente nas portas das igrejas medievais e que são um dos nomes de Cristo), são uma alusão às palavras de Cristo “eu sou a Porta” e que invoca também Maria, a mãe ou “porta” de Cristo, conforme seria recordado aos transeuntes mais atentos pela presença da flôr de Lis.

Esta Porta Santa é a equivalente terrestre da porta celestial guardada pelo Arcanjo São Miguel (presente no pórtico principal da Sé) e representa a intermediação entre o mundo do Homem e o mundo de Deus. Abre apenas em certas datas do calendário religioso (como o Jubileu, que se realiza de 25 em 25 anos, sendo o próximo em 2025), por esta razão, apenas as igrejas mais importantes da cristandade têm Portas Santas. Além da Sé de Lisboa, as 4 basílicas patriarcais ou “Basilica Major” de Roma possuem Portas Santas. Todas as Portas Santas se inspiram na Porta Santa de Jerusalém (Porta Dourada ou Porta de Leão) que Jesus terá atravessado no Domingo de Ramos e por onde, segundo a lenda, tornará a passar o próximo Messias.

A Porta Santa dá acesso quer ao interior da igreja, quer aos aposentos do Cardeal Patriarca, por via de uma pequena porta lateral ao lado da Porta Santa. Sendo, de resto, o Cardeal Patriarca a única pessoa que a pode atravessar.

A sua construção terá sido decidida aquando da fundação do Patriarcado de Lisboa em 1716 e – segundo Vítor Manuel Adrião – esta decisão evoca a presença do Graal nesta catedral (sendo a Sé de Lisboa uma das sete “catedrais do Graal” do Ocidente).

Foto 124. Três elementos de três

Os 3 círculos representam no cristianismo um sinal da Trindade, mas também da perfeição divina (nas três virtudes fé, amor e esperança) e da natureza trinitária da matéria (mercúrio, sal e enxofre).

Síntese do um e do dois, o três representa também o Todo e a mediação e por isso mesmo surge nos contos de fadas (alguns com significado esotérico) como o número de provas ou adversários a superar. Por oposição ao Quatro (Terra), o Três é o número do Céu.

Na Alquimia, 3 é o número de princípios básicos da matéria: Enxofre, Sal e Mercúrio.

Foto 125. Gárgula com cabeça de carneiro

O carneiro era um símbolo medieval da Força e do sacrifício, através do sacrifício de Isaac, como pré-figuração do posterior sacrifício de Cristo. Sinal alquímico do Fogo, ou Sal (união entre Mercúrio e Enxofre). Na Idade Média era visto como um animal maléfico, sendo a montaria obscena das bruxas e a personificação animal da volúpia.

BIBLIOGRAFIA

Lisboa Secreta – Capital do Quinto Império, por Vitor Manuel Adrião. Via Occidentalis Editora, Lisboa, 2007.
Lisboa Insólita e Secreta, por Vitor Manuel Adrião. Editions Jonglez, Versailles, 2010.
Portugal, os Mestres e a Iniciação, por Vitor Manuel Adrião. Via Occidentalis Editora, Lisboa, 2008.
Conversas Makáricas – Volume I. Edição privada da Comunidade Teúrgica Portuguesa.
Igreja de Santa Maria Maior, Sé de Lisboa. Instituto Português do Património Cultural, Editorial Teorema, Lisboa, 1986.
As mais belas Igrejas de Portugal, por Júlio Gil e Nuno Calvet. Editorial Verbo, 1989.
Enciclopédia dos lugares mágicos de Portugal, por Paulo Pereira. Edição do Jornal “Público”, 2006.
Dicionário ilustrado de Símbolos, por Hans Biederman. Editora Melhoramentos, 1993.
Alquimia, por Titus Burchardt, Publicacoes Dom Quixote, 1991.

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Simbolismos esotéricos e alquímicos no túmulo de Dom Fernando no Convento do Carmo, em Lisboa

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1.
Foi Almeida Garrett o primeiro a chamar a atenção para a presença de uma figura a que chamou de “o alquimista”. Não é só esta figura que é excepcional neste túmulo. De facto, toda a iconografia o é, igualmente. Sendo intrigante que não tenha feito escola nem merecido seguidores, o que demonstra o caráter excepcional desta encomenda real.
2.
Como sucede, em muitas obras de arte, este túmulo é uma obra muito complexa, com várias linhas interpretativas possíveis e paralelas. Existem assim várias interpretacoes possiveis, desde a Historica, Artistica e, claro, sem esquecer, a Esoterica ou Alquímica.
3.
Dom Fernando não escolheu Lisboa para local do seu túmulo (onde hoje se encontra, mais especificamente, no Convento do Carmo), mas o convento de São Francisco de Santarém. Esta escolha permite compreender melhor a iconografia do túmulo e exprime a devoção pessoal do monarca pela ordem franciscana e na sua capacidade para contribuir para a salvação da sua alma.
4. 
Em 1844, o convento de São Francisco foi transformado em local de acolhimento para o Regimento de Cavalaria número 4 e então, todos os túmulos são violados, incluindo-se nestes o de Dom Fernando. Foi nessa época que desapareceu a ossada do monarca, provavelmente atirada com a do vice-rei Dom Francisco de Almeida para a cerca do quartal. Na altura (segundo Ramalho Ortigão) o túmulo de Dom Fernando seria tornado num bebedouro para os cavalos do regimento.
5.
No testamento de 1383, Dom Fernando refere-se ao túmulo como “obra acabada” e faz questão de o mandar cobrir com um pano indicando que se trata de “um túmulo sem jacente”. A inscrição, contudo, não estava gravada, e seria colocada apenas depois da morte do monarca.
6.
No tumulo de Dom Fernando, duas molduras com bustos. Do lado direito do rei, um homem homem olha para ele. Pode tratar-se de um franciscano (pela sua tonsura). A importancia da posição da figura no túmulo pode indicar que se trata de algum muito próximo ao monarca ou do ideologo deste túmulo e, logo, responsavel pela escolha da intrigante figura do alquimista.
7.
Encontramos vários “homens verdes” neste túmulo de Dom Fernando. Nestas figuras, a boca é o órgão da palavra e da respiração, por Deus insufla a vida e a alma. 
Os homens-verdes são comuns nas catedrais góticas. A primeira identificacao dos mesmos foi feita por Lady Raglan, em 1939. Especialmente comuns na arte gótica nas igrejas portuguesas, estas figures surgem também no continente europeu e, em Portugal, na Arte Manuelina. 
Segundo o historiador português Paulo Pereira, os Homens Verdes são uma alegoria do tempo e dos ciclos das colheitas, uma ligação que é particularmente clara na igreja de São Baptista de Tomar, cujo orago se liga às festas do solstício. Na Inglaterra medieval, as procissoes medievia incluiam frequentemente homens verdes, cobertos de folhagens. 
A presença destas figuras alude à passagem do tempo, pelo ciclo da “roda da vida”, como surge, por exemplo, no túmulo de Dom Pedro I. 
A figura tem óbvias origens pagas, mas permanece apesar disso muito popular no gótico medieval. Por exemplo, na misteriosa capela de Rosslyn a figura surge nada mais nada menos que 103, contra apenas uma figuracao de Cristo.
8.
Neste túmulo de Dom Fernando encontramos várias figuras híbridas. Estas figuras foram colocadas nos espaços livres da metade inferior da arca tumular. Tratam-se aparentemente de figuras ligados aos Infernos.
9.
Do lado esquerdo da arca tumular de Dom Fernando observamos uma cena de dois guerreiros híbridos que combatem entre si. Uma mostra o corpo coberto de pêlos, com a metade superior humana e asas que brotam das suas costas. Apresentam farta barba e um gorro cónico na cabeça. Uma arremessa uma pedra com uma mão, enquanto segura um escudo com a outra decorado com uma cabeça de leao. 
A segunda figura é semelhante à primeira ,mas tem o corpo escamado, como um inseto, patas de ave, cauda de cavalo, asas de pássaro, mas cabeça e braços humanos. Ostenta também um barrete cónico.
Estas figuras representam a naturalidade e a sensualidade intempestiva. Símbolos do vício e do pecado, e enquanto tal comuns nas iluminuras medievais, são um convite à meditação por parte de quem as observa.
10.
A figura mais intrigante do túmulo de Dom Fernando é, sem dúvida, a do alquimista. 
A figura esta coberta com um chapeu que na arte medieval surge frequentemente na cabeça de alquimistas e tem aqui um especial relevo porque se trata da única peça de vestuário que a figura ostenta. A cadeira com espaldar onde está sentado é um conhecido símbolo de autoridade academica ou política.
Numa mão, o alquimista ergue o Vaso dos Filósofos, onde matura a Pedra Filosofal. 
O alquimista está – numa representacao muito rara, senão mesmo única – preso a uma corda amarrada ao pescoço que depois está presa, a um pesado cepo. A figura está numa sala com vários vasos, frasco, uma ampulheta e um almofariz. Trata-se aqui de um evidente “labor-a-torium” alquimico. 
Podemos estar aqui perante uma referência aos perigos da alquimia, expondo a punição a um alquimista que tenha colocado em risco a vida do monarca, ou porque se revelou um embuste porque o seu Elixir não se revelou eficaz em curar as maleitas do rei, ou seja, uma própria marca do arrependimento do monarca para com a sua crença na Ars Magna.
Recordemos que nesta época o estudo da Alquimia era comum e que a presenca de alquimistas nas cortes europeias, frequente. Em particular, as ordens mendicantes pareciam especialmente interessadas nestas práticas e é preciso não esquecer que neste túmulo houve uma profunda influência franciscana…
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Fernando Pessoa: O Quinto Império será “de outra ordem” e “nós o atribuímos a Portugal”

“O Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica, depois da Renascença. Aqui o Quinto Império terá que ser outro que o inglês, porque terá de ser de outra ordem. Nós o atribuímos a Portugal, para quem o esperamos.”
Fernando Pessoa

Nestas palavras proféticas de Pessoa, o Quarto Império seria a Europa “laica”, isto é, a Europa da União Europeia. E após esse “império” seguir-se-ia um “império” de “outra ordem”, supõe-se que menos materialista, militar ou económico que aquele imposto ao resto do continente pelos países do norte. E que esse Quinto Império seria não o “de” Portugal, mas “Portugal”.

Obviamente que Pessoa, esse grande vate da cultura portuguesa e lusófona não entreve um futuro em que as legiões de Portugal derramam sobre o continente europeu e demais áreas adjacentes o seu poder militar ou económico. O tempo desses impérios terminara com o quarto, precisamente o da “União Europeia”, braço do capitalismo financeiro global (não confundir com “capitalismo económico”) e cujo ocaso vivemos hoje.

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Fernando Pessoa sobre a Ordem Externa e a Ordem Interna da Ordem do Templo

Fernando Pessoa (http://24horasnewspaper.com)

Fernando Pessoa (http://24horasnewspaper.com)

“Em todas as ordens definidas, mas com fundamento oculto, há a ordem externa e a ordem interna. Assim nos Templários, na data da sua extinção violenta, era Chefe Externo (Grão-Mestre) o cavaleiro francês Jacques de Molay, e era Mestre Interno (Mestre do Templo) o cavaleiro escocês Robert de Heredom.
A Estrita Observancia, recebendo a alma da sua missão da Ordem de Cristo, ficou com certa parte da informação sobre a alma do Templo dos Templários.”

Fernando Pessoa sobre a Ordem Externa e a Ordem Interna da Ordem do Templo

Nunca nos seus textos – como neste – Fernando Pessoa expõe de forma tão clara a sua convicção de que existiriam nao uma, mas duas Ordens do Templo. Uma Externa, pública e atuante no mundo, corrompida porventura por ensinamentos obtidos no Oriente até aquilo a que noutro texto Pessoa chama de “satanismo” e uma outra Ordem do Templo, Interior e vera guardiã dos mais profundos e secretos ensinamentos e conhecimentos da Ordem.

Estas duas Ordens eram paralelas, na estrutura, meios, fins e hierarquia, o seu mais alto lider externo recebia o título de Grão-Mestre e em 1314 era Jacques de Molay. Por seu lado, a Ordem Interna era regida por um “Mestre do Templo”, o qual à data da extinção era o escocês Robert de Heredom, que conseguiria a proteção do rei escocês (como Dom Dinis protegeria os cavaleiros em Portugal) e transpor assim para os graus mais elevados e secretos da maçonaria os ensinamentos dessa Ordem Interna dos Templarios.

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Fernando Pessoa sobre as doutrinas secretas dos Templários

Fernando Pessoa (http://www.abola.pt)

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“Nas doutrinas secretas dos Templários estão os quatro segredos, que o haviam de ser depois da Maçonaria, assim como de todas as Ordens. O primeiro, contido nas cores branca e preta da bandeira dos Templários, e nos signos Virgem e Scorpio do zodíaco, é o chamado Segredo do Grau de Mestre (entendendo-se o Mestre do Templo). O segundo, contido na cruz vermelha, é o da Encarnacao de Cristo, e é a chave não só de toda a religião cristã, senão também da sua verdadeira origem histórica, por trás das alegorias evangélicas. O terceiro, contido na colocação da Cruz, à esquerda, sobre o ombro, é a chave da Ordem, e portanto de todas as Ordens. O quarto, contido nos três graus, com que a Ordem é formada, é a chave do Governo Secreto do Mundo; também é conhecido por o Segredo da Cavalaria.”

Muito haveria a dizer sobre este breve segmento da escrita pessoana… revelando um profundo conhecimento dos princípios ocultos da Ordem do Templo, o poeta, menciona o conhecido xadrez (presente por exemplo no chao da cripta iniciática da maçonica cripta da Regaleira), uma alegoria à existência de duas “ordens” dentro da Orrdem do Templo, uma externa, e que ao tempo de Jacques de Molay se encontrava decadente e conspurcada espiritualmente e fisicamente e uma interna, pura e independente e que mais tarde daria o seu essencial para a formação da maçonaria. Este é o “segredo do grau de mestre”, a verdade da existência destas duas ordens e destes dois mestres. O segredo da “encarnação de Cristo” é mais difícil de descortinar… mas pode ser aquele que alguns autores julgam ser o “grande graal” escondido nos textos templários e que eram o verdadeiro objetivo da Igreja quando invadiu as igrejas e comendadorias da Ordem do Templo em 1312: a verdade da sobrevivência de Cristo ao martírio da cruz… os terceiro (ombro esquerdo) e quarto segredos (governo secreto do mundo) poderão ser uma alusão a um governo secreto do mundo, a partir de elementos que a maçonaria (herdeira do mais puro templarismo) insere nos governos externos e democraticamente eleitos do mundo alguns designam como “Grupo de Bildeberg” ou “Tripartida”…

 

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Fernando Pessoa sobre as Doutrinas Secretas dos Templários

Fernando Pessoa (http://www.abola.pt)

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“Para operarem melhor, os Templários da Escócia serviram-se da Associação ou Grémio Secreto de Pedreiros ou Construtores de Catedrais, que, tendo em si princípios ocultos que datam de tempos remotos, tinham todavia perdido a Palavra (isto é, o sentido, logos) do ritual que conservavam e das estruturas que erguiam.”

Em mais este segmento expondo a profundidade do conhecimento pessoano sobre o templarismo e as origens da maçonaria, o poeta descreve como foi possível à “ordem interna” (paralela e independente da “ordem externa” chefiada por Jacques de Molay) reorganizar a partir da Escócia (onde estava sedeada) a perseguida Ordem do Templo e usando as corporacoes de arquitetos e artifices (que de resto já conheciam diretamente alguns segredos esotéricos e alquimicos que transferiam para a pedra das suas catedrais) se estabeleceram por toda a Europa, tornando a preencher o espaço físico e simbólico deixado vazio pela extinção da Ordem do Templo.

A mente desta nova organização seria fornecedida pelo Templarismo. A estrutura física, ou corpo, pelas corporacoes de artifices e o resultando desta frutuosa conjugacao seria mais tarde conhecida pelo nome da maçonaria…

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Fernando Pessoa sobre o Joanismo

Fernando Pessoa (http://www.abola.pt)

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“A redação alegórica perfeita foi atingida no Evangelho de (ou segundo) São João, que, com o Apocalipse de igual atribuição, e as Epístolas de Paulo forma o corpo doutrinario essencial do Cristianismo, como também da Maçonaria.
Os Joanitas, e o derrame da tradição essencial quanto à origem do Chmo.”

Pessoa – profundo conhecedor dos mistérios do templarismo e da maçonaria deixa aqui bem claro o seu pensamento sobre a importancia do joanismo (a chamada “Igreja de João” por oposição à mais exoterica e conhecida “Igreja de Pedro”) na erecção dos princípios religiosos do cristianismo. Ao fazê-lo, o poeta admite implicitamente que a Igreja atual perdeu de vista esses mesmos principios que, contudo, identifica como estando ainda bem vivos no corpo secreto da maçonaria, que liga assim umbilicalmente ao joanismo.

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Fernando Pessoa sobre o satanismo da Ordem Externa do Templo

Fernando Pessoa (http://www.abola.pt)

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“Há um terrivel exemplo histórico da imprudencia profana de atacar uma Ordem – neste caso uma Alta Ordem – com processos inferiores. A Ordem dos Templários tornara-se satanista; era chefe do seu rito satânico o Mestre Externo do Templo, o Adepto Exempto Jacques de Molay. Querendo, com justa razão, atacar o satanismo da Ordem, a Igreja, ou ignorante dos processos de o fazer, ou já levada por forças mágicas adversas, dissolveu a Ordem dos Templários, e fe-lo por processos materiais; mais, supliciou-o pelo Fogo. Tão poderosas eram as forças mágicas armazenadas nos Templários que o erro do processo produziu o retorno individuado chamado a Reforma.”

“Num ponto, porém, a vingança de Molay, operando per vias inferiores, caiu no mesmo erro em que haviam caído os seus algozes. Foi quando Dom Sebastião, AE (Adepto Exempto), foi feito cair em Alcácer Quibir. Caiu pela espada, isto é, pela Terra, e o erro foi o mesmo que o de fazer Molay cair pelo fogo, porque de igual natureza. No mesmo modo o Adepto Exempto ascendeu a Mago, queimando o grau intermediario, e pronunciou, no tempo dado, a Palavra de Era seguinte.”

Neste segmento, Pessoa dá mais uma vez provas do seu profundo conhecimento da Maconaria e dos mais secretos propósitos do Templarismo… reconhece que a Ordem do Templo a partir de um dado momento se segmentou em duas ordens, uma “externa” que decaiu rapidamente, acomodada a um materialismo crescente e padecendo de um afastamento crescente dos principios que estiveram por detrás da sua fundação nas ruínas do Templo de Salomão em Jerusalem e que teria derivado até um certo “satanismo” (entendido aqui como uma versão deturpada do cristianismo), mas a dado momento deste texto, Fernando Pessoa usa a palavra que é aqui a verdadeira chave que abre a porta oculta: “ordem externa”.

Só podia existir “ordem externa” porque existia uma “ordem interna”, viva, ativa e com uma hierarquia paralela, mantendo a pureza de princípios e rituais dos primeiros tempos do templarismo e sedeada na Escócia (como revela noutro texto). Seria esta “ordem interna” quem daria continuidade à extinta Ordem do Templo, enquadrando os seus membros abandonados à sua sorte sob a proteção da Maçonaria e dando continuidade aos ensinamentos mais cruciais e esotéricos do templarismo nos graus mais elevados e secretos da Maconaria.

 

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Fernando Pessoa: “O nome Bandarra, que é de facto o apelido do sapateiro profeta, passou a designar, adentro da Ordem de Cristo, qualquer dos Irmãos que assumira a mesma luz, ou, falando figurativamente, o mesmo grau”

Fernando Pessoa (http://www.abola.pt)

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“O nome Bandarra, que é de facto o apelido do sapateiro profeta, passou a designar, adentro da Ordem de Cristo, qualquer dos Irmãos que assumira a mesma luz, ou, falando figurativamente, o mesmo grau. Assim a maior parte das profecias, ou trovas, ditas do Bandarra nada têm que ver com a pessoa humana do sapateiro de Trancoso. Sobretudo o não tem o chamado Terceiro Corpo, a obra profética mais completa (no sentido, por assim dizer, artístico ou intelectual) que se tem visto no mundo. Em vez da desordem ou da inteligencia, que se pode dizer que distingue toda a profética, desde o Apocalipse a Nostradamo, há uma sistematizacao rigorosa, uma geometria do predizer.”

Fernando Pessoa: Bandarra e a Ordem de Cristo

Neste segmento, o poeta da “Mensagem” expõe o seu conhecimento sobre um “capítulo secreto” da extroversa Ordem de Cristo e ligações desta “ordem interna” ao ramo oculto do Templarismo e ao seu sistema de crenças fortemente influenciado pelo cristismo joanita.

Pessoa defende aqui que as famosas “Trovas de Bandarra” são o produto não de um homem isolado, de um qualquer sapateiro novo cristão de Trancoso, mas de toda uma sequência e sucessão de profetas, treinados, enquadrados pela Ordem de Cristo e trabalhando com um propósito bem definido: o de restaurar a perdida independência nacional na epoca da ocupação filipina.

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O projeto nazi de uma arma secreta: “Die Glocke”. Mito ou Realidade?…

Como saberão os mais antigos visitantes do Quintus, um dos meus focos de interesse foram as Armas Secretas da Segunda Grande Guerra… por isso, quando recentemente no Canal História vi um documentário sobre uma destas “armas”, mas de uma de que nunca tinha ainda ouvido falar fiquei muito espantado…

1. Introdução

A dita “arma” era a “Die Glocke” (ou “O Sino”) e terá sido uma das “armas secretas” de Hitler, como a V2 ou o Me262, com as quais o regime nazi pretendia inverter o curso de uma guerra que, a partir de Estalinegrado, parecia inevitavelmente perdida. O primeiro autor a mencionar a Die Glocke foi o jornalista polaco Igor Witkowski, cujo trabalho de investigação foi posteriormente desenvolvido por outros autores comoo Nick Cook ou Joseph Farrell. É contudo unânime entre os historiadores que não existem provas suficientes para afirmar que o Die Glocke existiu mesmo e que não passa de um mito urbano….

O primeiro livro que refere a existência desta “arma secreta” é com efeito de Igor Witkowskiz: “A Verdade sobre a Arma Maravilha”) de 2000, não havendo qualquer referência anterior a este suposto engenho nazi.

2. A Fonte principal: o interrogatório do oficial SS Jakob Sporrenberg

O jornalista polaco no seu livro revela que descobriu a existência do Die Gloce lendo a transcrição do interrogatorio de um antigo oficial das SS de nome Jakob Sporrenberg. Esta transcrição terá sido mostrada a Witowski em agosto de 1997 por membro dos serviços secretos polacos que teria acesso a um arquivo governamental polaco secreto contendo informacoes sobre armas secretas alemãs. O jornalista alega que lhe permitiram apenas copiar o texto, tendo que o devolver sem sequer o fotografar. Ou seja, infelizmente, a única fonte material que poderia comprovar a veracidade do projeto é esquiva e, a existir, continua enterrada num arquivo governamental ou… não passa do produto da imaginacao de um escritor, tendo o mobil evidente de vender papel. Nada animador para a veracidade desta história, portanto… os restantes autores que pegaram na história limitaram-se a especular sobre ela, desenvolvendo os elementos “factuais” apresentados por Witowski em 2000, especulando a lançando teorias, mas sem realmente introduzirem algo de novo.

3. Die Glocke

O Die Glocke seria assim uma experiência científica conduzida por cientistas alemães trabalhando diretamente para as SS numas instalacoes secretas conhecidas por Der Riese (“O Gigante”). Estas instalacoes situam-se perto da mina de Wenceslaus e perto da fronteira checoeslovaca.

As descrições do Die Gloce descrevem-no como um engenho feito de um metal muito resistente e pesado com uma largura de cerca de 2.7 metros e cerca de 4.5 metros de altura. O objeto teria a forma de um sino (daí o nome em alemão).

O engenho teria dois cilindros em contra-rotação que estaria cheios de uma substância “semelhante ao mercúrio” e de cor violeta. Tendo esta substancia a designacao de “Xerum 525”. Fora do Die Glocke, a substância seria cuidadosamente armazenada num termo muito fino e protegido em chumbo. O engenho teria também utilizado uma espécie qualquer de Leichtmetall (metal leve). Alguns autores referem que o objeto emitiria uma forte radiação quando estava ativo (por nunca mais de dois minutos), tendo a dado momento causado a morte a 60 cientistas que foram depois enterrados numa sepultura coletiva nos arredores. Pelo menos esta é a tese de Joseh Farell, já que Cook alega que estes cientistas foram executados pelas SS perante a aproximação das forças soviéticas…

Quando estava ativo, o Die Glocke estava sempre em rotação provocada pela passagem de uma forte corrente elétrica através do Xerum ou através de uma rotação mais mecânica criada por uma turbina idêntica aquelas que então equipavam os jatos alemães.

Após a primeiraa ativacao (aquela que terá vitimado dezenas de cientistas que trabalhavam no projeto) outras se seguiram, tendo sido colocadas nas suas imediacoes várias plantas e animais, os quais teriam sido “decompostos numa amálgama negra” numa questão de minutos ou horas depois desta exposição. Como tal efeito não se observa com a exposicao à radiação nuclear, especula-se sobre se o engenho também produziria outro tipo de radiação, eletro-magnética (que tambem não produz estes efeitos) ou de um outro tipo, desconhecido (e altamente improvavel…). Os cientistas que monitorizavam à distância estas experiencias descreviam ter sentido “um sabor metálico” nas suas bocas, depois do termo da ativacao, o que aponta na mesma direção de uma emissão de uma radiação de qualquer tipo o que seria consistente com os relatos de “problemas de sono, falta de memória e equilíbrio e espasmos musculares” relatados no testemunho do oficial das SS.

Este relatos acrescentam ainda que o engenho era ativado depois de ser envolvido por tijolos de cerâmica e camadas de borracha, mas que estes materiais tinham que ser substituidos após cada ativacao uma tarefa provavelmente letal que cabia a prisioneiros dos campos de concentracao da região.

4. O Xerum 525

Um dos elementos centrais nesta história parece ser a misteriosa substância designada como “Xerum 525”. As descrições apontam para que fosse um isótopo de mercúrio, muito radioativo. Podendo ser um composto química de outro tipo, mas igualmente radioativo. O mítico “mercúrio vermelho”, um produto que começou a aparecer nos media na década de setenta como um “elemento vital para a fabricação de armas nucleares” e que no Pravda, em 1993 aparecia como “super-condutor”. A Agência Internacional de Energia Atomica emitiu em 2004 uma declaração em que confirma a natureza mítica do “mercúrio vermelho” negando assim o mito segundo o qual seria um elemento (invento na Rússia “vermelha”) para acelerar o trabalho das centrifugadoras de enriquecimento de Urânio. Neste contexto, emitiria uma forte radiação de neutroes, o que explicaria os relatos de radiação durante a ativacao do Die Glocke.

O jornalista polaco especula que uma estrutura de betão armado nos arredores da mina de Wenceslau e conhecida como “Die Henge” terá servido como local de testes para o Die Glocke, embora a tese oficial alegue que seria apenas uma torre de arrefecimento ou uma parte de uma estrutura destinada a enviar ar puro para a mina ou o suporte de um depósito industrial de água. Contudo, nem a posição (longe do poço da mina), nem a altitude (baixa) explica de forma decente essa estrutura construida efetivamente no período nazi.

5. Capacidades do Die Glocke e o que era este engenho?

1. Uma das teses mais prosaicas quanto ao objetivo do Die Glocke alega que ele seria apenas uma experiência de um engenho de voo através da combinação de duas turbinas de muito alta rotação contrária.

2. Outra tese, de que esta rotação centrífuga de alta velocidade serviria para produzir a tal substância radioativa, o “Xerum 525” para uso em bombar nucleares ou radioativas.

3. Uma teoria – mais arrojada – defende que o engenho seria usado nas propriedades de materiais radioativos em vortex ou inércia quanto submetidos a rotacoes muito elevadas. Esta teoria parte diretamente da transcrição do testemunho de Sporrenber que associa o engenho à “compressao de vortex” e à “separação de campos magnéticos”.

4. Alguns defendem que o Die Glocke teria um espelho côncavo no seu topo onde seriam projetadas “imagens do passado” quando o engenho estava ativado.

5. Outros defendem que o engenho seria um “gerador de anti-gravidade” que posteriormente seria utilizado em aviões de combate ou nos míticos “discos voadores” da Alemanha Nazi.

6. O autor Nick Cook descreve uma história contada por “cientista britânico iminente” anónimo e segundo o qual o Die Gloce seria um “gerador de um campo de torsao” o que estaria ligado a um dos supostos nomes de código do projeto: Chronos… segundo esta tese, o engenho seria capaz de “torcer” as quatro dimensões do espaço-tempo nas suas imediacoes e distorcer o Espaço e, consequentemente, o Tempo. Ou seja, o Die Glocke seria uma “máquina do tempo”…

6. O Destino do Die Glocke

O jornalista polaco que deu origem a esta polémica especula que o engenho foi transportado no final da guerra para um país sul-americano “simpatizante” da Alemanha nazi. Nick Cook acredita que foi capturado e recambiado para os EUA como parte do acordo estabelecido entre este país e o general SS Hans Kammler. Mais tarde, o engenho seria libertado e apareceria novamente na História envolvido no “incidente OVNI” de Kecksburg.

Há também quem acredite que o Die Gloce viajou no tempo com o desaparecido General Kammler, que de facto, tinha já estabelecido uma retirada pacata para os EUA a troco de várias informacoes sobre as armas secretas cujo desenvolvimento supervisionava… há também quem acredite que o engenho foi transportado por um U-boat até à mítica “Base 211” no Pólo Sul, na Neu Schwabenland. Há também quem pense que foi levado para um dos últimos redutos nazi nos últimos meses da grande guerra, a Noruega, por um Ju-390 especificamente guardado em reserva para essa missão num aerodromo perto de Praga. O responsável da unidade SS a quem caberia este transporte era o oficial SS Jakob Sporrenberg, que mais tarde foi capturado pelos britanicos e entregue aos polacos sendo então interrogado dando as transcricoes deste interrogatorio origem a toda esta polémica…

Fontes principais:
http://www.youtube.com/watch?v=b8e6wUfueBo&feature=player_detailpage
http://en.wikipedia.org/wiki/Die_Glocke
http://discaircraft.greyfalcon.us/DIE%20GLOCKE.htm
http://blogdoastronomo.wordpress.com/2011/08/27/die-glocke-o-sino/
http://www.unexplained-mysteries.com/column.php?id=224661

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Mistérios cartagineses e fenícios das ilhas dos Açores e sobretudo, da Ilha do Corvo

1. Introdução

A lenda do “Cavaleiro do Corvo” data de 1452, do momento em que os primeiros portugueses desembarcara, na Ilha do Corvo. A lenda descreve que os navegadores ao contornarem a ilha terão descoberto numa elevação junto ao litoral uma estátua equestre. Segundo alguns, esta elevação situar-se-ia na extremidade oeste da caldeira do vulcão. A estátua mostraria um alazão, erguido sobre as suas patas traseiras e com um cavaleiro com uma espada e apontando para Ocidente. A escultura seria de basalto, o que sugeria que teria sido realizada na própria ilha do Corvo e não trazida da Europa ou de um outro local.

2. A Gruta da Ponta do Marco

A gruta da Ponta do Marco situa-se (naturalmente) na Ponta do Marco, na costa norte da Ilha do Corvo. Trata-se de uma caverna costeira, de grandes dimensões e que pode ser visitada apenas por via marítima. O maior interesse desta caverna reside no facto se ter sido – segundo a tradição – no promontório onde ela se encontra que foi encontrada a estátua equestre referida no primeiro ponto deste texto.

3. A Estátua Equestre

Esta misteriosa estátua surge referida pela primeira vez na Crónica do Príncipe D. João, Cap. IX, 1567:
“…uma estátua de pedra posta sobre uma laje, que era um homem em cima de um cavalo em osso, e o homem vestido de uma capa de bedém, sem barrete, com uma mão na crina do cavalo, e o braço direito estendido, e os dedos da mão encolhidos, salvo o dedo segundo, a que os latinos chamam índex, com que apontava contra o poente.
“Esta imagem, que toda saía maciça da mesma laje, mandou el-rei D. Manuel tirar pelo natural, por um seu criado debuxador, que se chamava Duarte D’Armas; e depois que viu o debuxo, mandou um homem engenhoso, natural da cidade do Porto, que andara muito em França e Itália, que fosse a esta ilha, para, com aparelhos que levou, tirar aquela antigualha; o qual quando dela tornou, disse a el-rei que a achara desfeita de uma tormenta, que fizera o inverno passado. Mas a verdade foi que a quebraram por mau azo; e trouxeram pedaços dela, a saber: a cabeça do homem e o braço direito com a mão, e uma perna, e a cabeça do cavalo, e uma mão que estava dobrada, e levantada, e um pedaço de uma perna; o que tudo esteve na guarda-roupa de el-rei alguns dias, mas o que depois se fez destas coisas, ou onde puseram, eu não o pude saber.
Duarte de Armas, que anteriormente havia sido encarregado pelo rei de fazer o levantamento das fortalezas da fronteira com Espanha, fora também encarregado de fazer um debuxo da estátua, que infelizmente se perdeu.” Mais tarde, Gaspar Frutuoso (1522-1591), natural da Ilha de São Miguel, escrevia na sua obra “Saudades da Terra”:
“...um vulto de um homem de pedra, grande, que estava em pé sobre uma laje ou apoio, e na laje estavam esculpidas umas letras, e outros dizem que tinha a mão estendida ao nor-nordeste, ou noroeste, como que apontava para a grande costa da Terra dos Bacalhaus [Terra Nova]; outros dizem que apontava para o sudoeste, como que mostrava as Índias de Castela [Antilhas] e a grande costa da América com dois dedos estendidos e nos mais, que tinha cerrados, estavam uma letras, ou caldeias ou hebreias ou gregas, ou doutras nações, que ninguém sabia ler, que diziam os daquele ilhéu e ilha das Flores dizerem: Jesus avante. Os construtores teriam sido na sua opinião dos cartagineses pela viagem que eles para estas partes fizeram, … e da vinda, que das Antilhas alguns tornassem, deixariam aquele padrão com as letras por marco e sinal do que atrás deixavam descoberto.”

Após estas duas referências históricas, outros terão gisado sobre elas – aparentemente sem terem à disposição outras fontes – e propagado esta descoberta. Falamos de António Cordeiro (1641-1722) e de Manuel de Faria e Sousa (1590-1649).

4. Os Trabalhos do arqueólogo Benedikt Isserlin na Ilha do Corvo

Um dos maiores especialistas europeus na área dos “Estudos Semitas, o Professor Isserlin da Universidade de Leeds (Reino Unido) conduziu escavações na Ilha do Corvo em quatro locais distintos. Num desses locais encontrou restos de cerâmica que, contudo, não foi possível datar, mas que corresponderiam a “um tipo fenício”.

5. As Moedas Cirenaicas da Ilha do Corvo

Em 1790, o numismata sueco Johann Frans Podolyn, narra a descoberta de moedas cartaginesas na Ilha do Corvo, mas acrescenta que estas se teriam perdido, depois de desenhadas. Assim conta o numismata:
“No mês de novembro de 1749, após alguns dias de ventos tempestuosos de oeste, que puseram a descoberto parte dos alicerces de um edifício em ruínas na costa da Ilha do Corvo, apareceu uma vasilha de barro negro, quebrada que continha um grande número de moedas, as quais, juntamente com a vasilha, foram levadas a um convento” [ o Convento de São Boaventura, na vila de Santa Cruz das Flores? ], “onde as moedas foram repartidas por pessoas curiosas residentes na ilha. Algumas dessas moedas foram enviadas para Lisboa e dali mais tarde remetidas ao Pe. Enrique Flórez, em Madrid.”
“O número de moedas contidas na vasilha não se conhece e nem quantas foram mandadas de Lisboa, mas a Madrid chegaram nove moedas. … O padre Flórez fez-me presente destas moedas quando estive em Madrid em 1761, e disse-me que no todo do achado havia apenas moedas destas nove variedades.” (Achados Arqueológicos nos Açores, José Agostinho, em Açoreana, Vol. 4, fasc. 1, 1946, pág. 101-2

Estas moedas terão assim sido encontradas após uma forte tempestade que terá levantado os sedimentos sob os quais elas se encontravam num local indeterminado na costa da Ilha do Corvo. As moedas seriam (segundo os desenhos) cartaginesas e cirenaicas e datáveis de entre 300 a 320 a.C. Tratar-se-iam de duas moedas cartaginesas de ouro, cinco moedas, também cartaginesas, de cobre e duas moedas cirenaicas, também de cobre. Outras moedas teriam sido encontradas, mas segundo o padre Flórez estas seriam aquelas “melhor representariam a coleção”.

Os estudos realizados na década de sessenta sobre as moedas concluíram pela sua genuinidade, sobretudo porque teria sido difícil reunir na época (século XVII) moedas de um período tão curto, uma vez que não se conhecia a sua datação com tanta exatidão como hoje.

6. As Ruínas do Caldeirão na Ilha do Corvo

Alguns autores referem a presença de “ruínas desconhecidas” nas duas margens da lagoa do Caldeirão. Oficialmente, tratar-se-ão de três moinhos, de inspiração flamenga e construidos de pedra e cal. Serão muito antigos, talvez da primeira tentativa (falhada) de colonização empreendida no século XVI pelo flamengo Willem van der Haghe.

7. A Ilha do Corvo na Cartografia antes do seu descobrimento oficial em 1427

A Ilha doo Corvo surge em várias cartas dos séculos XIV e XV, anteriores ao descobrimento oficial da ilha por Diogo de Silve em 1427. Entre todas estas referências, a mais curiosa é a da carta dos irmãos Francesco e Dominico Pizzigani e datada do ano de 1367 onde o historiador Joaquim Fernandes encontrou um desenho a meio do oceano Atlântico, não muito longe da longitude do Corvo, de uma figura humana, apenas com o tronco e um braço direito de grandes proporções. Perto deste desenho encontram-se duas outras figuras com, ao fundo, uma encosta rochosa. A interpretação possível é que as primeira seria a figura da estátua equestre e as segundas a dos seus descobridores ou míticos construtores. A ser assim, a Ilha teria sido descoberta e visitada em época muito anterior à de Diogo de Silves, mas porque navegador de que nacionalidade?…

8. As Inscrições “fenícias” (?) da Ilha de São Miguel

Além das moedas, da cerâmica e da estátua equestre, existem outros possíveis indícios da passagem de fenícios e cartagineses pelo arquipélago açoriano. É, nomeadamente, o caso da descoberta no século XVI de inscrições fenícias numa gruta da Ilha de São Miguel, da descoberta, em 1976 de um amuleto também com carateres da mesma escrita na ilha de São Miguel. Mais recentemente, carateres fenícios teriam sido localizados em rochas nas Quatro Ribeiras, na ilha Terceira tendo sido uma delas recolhida por helicóptero Puma da Força Aérea em 2006.

9. Conclusão

Dos parágrafos anteriores, podemos depreender – com um elevado grau de certeza – que existiram expedições reiteradas para o arquipélago dos Açores e, em particular, para a ilha do Corvo, de navegadores cartagineses. Uma ou duas viagens inconsequentes – explicadas por genuínas viagens de exploração ou por navios desviados para o Atlântico por tempestades – não explicariam tantos vestígios, em locais e de tipos tão diversos. Não existem também vestígios arqueológicos suficientemente assertivos para que possamos crer que tenha havido uma efetiva “colónia” cartaginesa ou tardo-fenícia. Restam apenas duas hipóteses: ou as ilhas eram visitadas no contexto de uma qualquer rota marítima hoje desconhecida ou estes navegadores prepararam a colonização destas ilhas e depois algo correu mal e o projeto teve que ser deixado a meio. Autores clássicos falam de que Cartago depois da derrota frente às legiões de Roma preparou a retirada para as “Ilhas Afortunadas”. Seriam estas ilhas míticas os Açores? Seria a estátua equestre do Corvo, as ruínas onde se encontraram as moedas as primeiras construções de uma colónia depois abandonada? Não há dados suficientes para ter a certeza sobre nenhuma destas teses, apenas de que o Corvo merece ser alvo de uma campanha de prospeção arqueológica muito intensa… especialmente na costa leste.

Fontes:
FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (livro VI).
FURTADO-BRUM, Ângela. Açores, Lendas e Outras Histórias (2a. ed).. Ponta Delgada: Ribeiro & Caravana Editores, 1999. ISBN 972-97803-3-1 p. 19.
Jornal Diário Insular de 6 de Maio de 2008
Alexander von Humboldt. Examen Critique de la Geographie du Nouveau Monde, in Arquivo dos Açores, Universidade dos Açores, Ponta Delgada, 1981, edição fac-similada pela edição de 1881, vol. III, pp. 111-112.
José Agostinho. Achados Arqueológicos nos Açores, Açoreana, vol. IV, fasc. 1, 1946. pp. 101-102.
José Agostinho. As Moedas Cartaginesas do Corvo, Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1947.
Francisco Pimentel Gomes. A Ilha das Flores: da Redescoberta à Actualidade, Câmara Municipal das Lajes das Flores, Lajes das Flores, 1997, pp. 18-19.
Richard Hennig, Archäologischer Anzeiger, 1927, p. 11-19.
Richard Hennig. Erreichnung der Azoren durch die Karthager und die Frage einer Fruher Kenntniss Amerikas, Terrae Incognitae, vol. III, chap. 19. pp. 138, Leiden, 1953.
Wilhelm Schawalbacher, Schweizer Münzblätter, November 1962, 22 ff.
Lionel Casson. Archaeological Exploration at Corvo, in Archaeology, May/June 1990, pp. 50-55.
Fernandes, Joaquim, “O Cavaleiro da Ilha do Corvo”. Lisboa, Temas & Debates/Círculo de Leitores, 2008.

Na Internet:
http://jornalmilenio.com/online/index.php?option=com_content&view=article&id=307:quem-chegou-pela-primeira-vez-aos-acores-&catid=71:historia&Itemid=216
http://acores.wikia.com/wiki/Est%C3%A1tua_equestre_do_Corvo
http://blog.thomar.org/2008/07/o-cavaleiro-da-ilha-do-corvo-e.html
http://alvor-silves.blogspot.pt/2010/11/candido-costa-2.html
http://tv1.rtp.pt/icmblogs/rtp/comunidades/?m=06&y=2009&d=07
http://www.expressodasnove.pt/interiores.php?id=2316
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=954848
http://nautarch.tamu.edu/shiplab/acores-geral02-columbus.htm
http://opac.regione.sardegna.it/SebinaOpac/Opac?docID=1&sessID=2A622B90EE697FD421914808AB4CCABE@449b98c0&action=documentview

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Será que o “disco voador” do Báltico afinal de contas é apenas…

A anomalia do Báltico (http://truthfall.com)

A anomalia do Báltico (http://truthfall.com)

Uma das descobertas mais entusiasmantes do ano passado foi, sem dúvida, a descoberta daquilo que parecia ser um “disco voador” no fundo do Mar Báltico… a empresa que tinha localizado a “anomalia”, a sueca Ocean X parecia convicta da natureza alienígena do objeto e multiplicou as declarações mais ou menos crípticas sobre a sua natureza, contribuindo para um mistério que se foi avolumando.

Peter Lindberg, da Ocean X, afirmou que o objeto “tinha uma estranha formação em forma de escada” e que “se foi construido, tem que o ter sido dezenas de milhar de anos antes da Idade do Gelo”, ou seja, há mais de vinte mil anos atrás. O sueco chegou mesmo a dizer “se isto for Atlantis, então isso seria mesmo espetacular”. Mas o seu registo nem sempre anda em linhas tão esotéricas, admitindo que pode ser uma formação natural, um meteorito ou um vulcão submarino.

O local exato onde se encontra o objeto é conhecido apenas pela Ocean X que está agora a trabalhar num documentário televisivo sobre o achado, pelo que brevemente poderemos conhecer mais alguns detalhes sobre o “disco”. Mas já se sabe que afinal de contas existe uma grande possibilidade que se trate mesmo de uma formação natural: Volker Brüchert, professor de Geologia da Universidade de Estocolmo recebeu algum do material recolhido do local pela Ocean X e constatou que se tratava de algumas rochas vulcânicas, com algumas dezenas de milhar de anos e uma maioria de rochas sedimentares. Em suma, precisamente aquilo que seria de esperar encontrar no fundo do Báltico. As rochas vulcânicas, especula o geólogo, poderão estar aqui apenas pela ação dos glaciares que na Idade do Gelo esculpiram as feições geográficas que hoje apresenta o Mar Báltico.

Fonte:
http://www.lifeslittlemysteries.com/2839-baltic-sea-object-glacial-deposit.html

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O fenómeno OVNI do bosque de Rendlesham de 26 de dezembro de 1980

O OVNI de Rendlesham (http://www.rense.com)

O OVNI de Rendlesham (http://www.rense.com)

O bosque de Rendlesham está situado a leste de Ipswich, em Inglaterra. Diz-se que na década de 80, o farol e alguns edifícios em seu redor eram usados pela NSA norte-americana, em “pesquisa de equipamentos radar”, segundo a tese oficial. Foi nesta época, mais especificamente a 26 de dezembro de 1980 que a família Webb, observou uma grande luz branca sobre as árvores. O objeto parecia voar sobre as duas bases da NATO de Woodbridge e Betwaters. Não muito longe, Dave Roberts e a sua namorada viram o céu completamente iluminado e observaram algo a cair a menos de um quilometro do local onde se encontravam. Minutos depois, viram passar um jipe do Exército que seguia a alta velocidade para esse local. No limite do bosque, Gordon Levett estava no jardim com o seu cão e observou no céu um objeto em forma de flecha invertida e que emitia um brilho branco-esverdeado. O objeto imobilizou-se sobre eles durante algum segundos e partiu na direção da base aérea de Woodbridge. Curiosamente, o cão de Levett morreria dois dias depois com sinais de envenenamento, segundo o seu veterinário.

No mesmo dia, os militares norte-americanos John Burroughs e Budd Parker estavam a guardar o portão leste de Woodbridge e viram um objeto luminoso descendo sobre o bosque. Eram então duas da manhã quando alertaram a segurança da base. Foi então que o jipe com os militares Jim Penniston e Herman Kavanasac saiu da base para ser visto pouco depois por Dave Roberts e a sua namorada. Estes dois militares chegaram ao local onde o objeto tinha tocado o solo. Os militares não conseguiram comunicar com a base porque a estática era muito intensa, como se um grande campo magnético se tivesse instalado no local, ao aproximarem-se os cabelos dos militares ficaram eretos e sentiram um forte formigueiro na pele.

O objeto tinha uma forma cónica, o tamanho de um carro pequeno e parecia flutuar a cerca de trinta centímetros do chão. Rodeava-o uma aura luminosa e expunha alguns pontos negros laterais, como se fossem marcas. Os militares tentaram aproximar-se, mas descobriram que não eram capazes de o fazer, ainda que não o soubessem explicar. De súbito, o objeto emitiu uma forte luz e começou a ascender.

As teses de um avião acidentado, de um meteorito, um carro da polícia, ou até de um farol (!) foi aventada, mas sem conseguir explicar aquilo que foi relatado pelas testemunhas. Com efeito, o avistamento OVNI de Rendlesham é uma das observações mais bem documentadas e credíveis e segue hoje escapando a uma explicação de um quadro mais convencional

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Comentário à obra de Dalila Pereira da Costa: “A Nau e o Graal”

Dalila Pereira da Costa (http://diariodigital.sapo.pt)

Dalila Pereira da Costa (http://diariodigital.sapo.pt)

Uma das obras mais importantes da filósofa Dalila Pereira da Costa é “A Nau e o Graal”. Texto indispensável para compreender Portugal e a visão que a filósofa portuense tinha do nosso destino e missão coletivas, a “Nau e o Graal” é crucial para compreendermos o que somos e, sobretudo, para onde vamos, num momento de grave crise financeira e social.

1. Perda de Vitalidade

“Além duma real perda de vitalidade houve, por exaustão, após seu portentoso acto ou missão, ou pelo facto de completa realização desse ato ou missão, como revelação terrestre a eles supremamente incumbida na história universal – ter-se-ia dado, a partir do século XVII, uma não-sincronização ou partilha, entre eles e o resto da Europa, duma certa eleição, forma e estrutura de pensamento e conhecimento.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Na visão de Dalila Pereira da Costa, Portugal teria entrado em plena Idade Moderna e – depois – na Pré Industrial, sem ânimo, objetivos de longo prazo ou desígnios nacionais que lhe permitissem alimentar o mesmo grau de intensidade de presença no mundo e de influência planetária dos finais da Idade Média. Depois do grande desaire de Alcácer Quibir, o país porta-se como se lhe tivessem quebrado a espinha dorsal, como se estivesse sem outro destino que não fosse o de sobreviver e de deixar passar dia a dia como se nada fosse realmente importante ou merecesse a pena. Desde a perda do Rei, Portugal age como se estivesse em depressão coletiva, um sentimento intercalado apenas por breves momento de euforia ou de alienação de massas. Neste contexto, a construção do Brasil assume-se como o último grande fôlego de uma aventura que perdeu em finais do século XVI o seu maior fulgor e energia.  Esse esgotamento explicaria a desincronia de desenvolvimento económico e social que Portugal experimenta desde meados do século XVII e que é especialmente evidente depois do século XX com a industrialização do continente europeu que não alcançaria nunca o país.

Depois da escala extraordinária das suas realizações no período dos Descobrimentos e da Expansão, Portugal está desincrónico com a Europa. É um facto, mas poderá estar nesta situação porque na sua mais profunda essência Portugal não será realmente um “país europeu”? Na sua História já milenar, raramente o país esteve inserido no contexto político e diplomático europeu. Quase sempre pautou as suas políticas e desígnios nacionais muito mais pelo Atlântico e por aquilo que havia para além dele (o “além mar”) do que pelo que se passava no continente europeu. Portugal pode estar assim desincrónico apenas porque… Essa é a sua natureza: atlântica e global e não continental e regional. Assim, o “defeito” seria de facto, uma caraterística de um dado ponto – intermédio – do desenvolvimento e da vida coletiva do país e que seria apenas a antecâmara para um novo estádio da vida coletiva de uma nação que ainda não cumpriu plenamente o seu verdadeiro destino.

2. O Regresso de Portugal do Brasil

“Como nova emersão, subida do seio materno, da semente fecundada, para nova vida duma civilização, ela será a segunda vinda da ilha do Encoberto. A Ilha da Promissão dos Santos, que São Brandão procurou durante sete anos, ou Ilha das Sete Cidades, ambas foram e estiveram no apelo e realização da aventura para oeste, que por ela, culminaria na viagem de 1500, que os mareantes de Álvares Cabral, por certo levando uma rota estabelecida, memorizaram pelas palavras de Pêro Vaz de Caminha: “e assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo.
Uma manhã, o monge São Brandão e os seus 14 companheiros, partiram navegando para ocidente em busca “duma certa ilha que o homem de Deus Bariunto lhe tinha falado e que era terra espaçosa e verde e muito frutífera.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Noutros pontos desta importante obra Dalila Pereira da Costa já deixara bem claro que acreditava que Dom Sebastião haveria de regressar numa manhã de nevoeiro (simbólica) vindo da Ilha das Sete Cidades sendo que a filósofa do Porto explica o que seria exatamente essa “ilha”: a mesma que estivera na base do apelo atlântico que impulsionara Portugal à extraordinária gesta dos Bandeirantes e à construção heróica da maior nação da América do Sul: o Brasil.

A “terra espaçosa e muito verde” de São Brandão, a Ilha do Encoberto, a Ilha das Sete Cidades (refúgio dos cristãos visigóticos) e a Terra de Vera Cruz são assim uma e só uma realidade: O Brasil. Interpretando Dalila concluímos assim que a Salvação de Portugal das trevas em que anda imerso desde Alcácer Quibir virá dessa mítica “terra espaçosa e verde”,que a filósofa associa à Terra de Vera Cruz, o Brasil, e que assim, será essa “Ilha Encoberta” de onde virá o Rei do Tempo Futuro que abre assim a era do Quinto Império. Será o Brasil o futuro de Portugal? Virá do Brasil a figura salvífica prevista pelos profetas? Ou… Será simplesmente essa salvação realizada através da materialização do conceito de uma União ou Comunidade Lusófona?…

3. Portugal e a Rússia

“Na Europa, só um outro seu país, e justamente na sua outra extremidade, a oriental – assim, como criados em pólos opostos de simetria equilibrada – a Rússia, deterá tal vontade e poder de messianismo. E de valorização última, sagrada, da história: como justificadora e salvadora.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

A Europa não o sabe. Mas ela é de facto uma entidade oscilante que cintila entre um equilíbrio tripolar: Rússia, Portugal e Grécia. Ao contrário do que creem os eurocratas de Bruxelas ou os Neoimperialistas de Berlim o “centro” da Europa não reside nem em Berlim, nem em Paris nem (muito menos) na parasitária e ridícula Bruxelas. O “centro” da Europa são os seus tripolos. É deles que emana a energia que dinamizou o continente que deu ao mundo realizações tão notáveis como a democracia, a ciência ou os direitos humanos.

O centro europeu oscila ora na direção de Portugal sendo então a Europa mundialista e aberta ao mundo. Quando o centro oscila na direção da Grécia, a Europa é racional, criativa e democrática. Quando oscila para a Rússia, é imperial, “romana”, continental, sonhadora e ambiciosa. A Europa não é o seu centro. É a sua periferia, é ela que a define enquanto matriz civilizacional e cultural.

4. Paralelismos entre os mitos arturiano e sebástico

“Dom Sebastião continuará o mito do Rei Artur, como modelo exemplar da soberania; do rei que, como oficiante e vitima, se oferta e Imola no sacrifício ritual pelo seu reino, dele seu representante, a ele identificado transcendentemente; e o que, após longa dormição, o virá salvar. E assim como os Cavaleiros da Távola Redonda foram exterminados na batalha de Camlan, assim também o foram os cavaleiros da nobreza do reino lusíada na batalha de Alcácer Quibir: mas também depois da sua morte, seu longo período de pausa e ocultamento, o rei salvador voltará ressuscitado, purificado e iniciado, para redimir e ressuscitar o seu povo. E entretanto, como Artur ficou permanecendo na Ilha de Avalon, centro do mundo, assim também Dom Sebastião ficou permanecendo na sua Ilha Encoberta, como outro centro do mundo.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Os paralelismos entre o mito arturiano do “rei perdido, mas que regressará” e o sebastianismo português, são, como aponta esta grande teórica do movimento lusófono, evidentes. Sebastião é o Artur dos portugueses e Artur o Sebastião dos ingleses. Um e outro pertencem ao mesmo quadro mítico-simbólico de fundo celta, cruzado de elementos messiânicos judaicos. Um e outro mito fundador buscam numa misteriosa e oculta ilha atlântica o refúgio desse Rei perdido. Um e outro construíram um projeto nacional em torno das navegações atlânticas e um e outro ergueram impérios transatlânticos absolutamente ímpares.

Os ingleses de hoje não sentem muitos traços de união com estes seus parentes celtizados, atlânticos e ultraperiféricos, mas a mesma matriz civilizacional continua lá. E o mesmo sucede com Portugal, país que sempre foi muito mais atlântico, que “europeu” (no sentido restrito), muito mais marítimo que continental e muito mais aventureiro do que laborador (no sentido germânico do termo).

5. O Graal é Portugal

“Nas diferentes versões da Demanda, o graal será, na mais antiga, a de Chretien de Troyes (século XII), uma escudela; na de Wolfram Von Echenbach, uma pedra; na de Peredur, do País de Gales, e de autor desconhecido, um prato com uma cabeça; e na Demanda do Santo Graal, atribuída a Robert Boron, o vaso onde Cristo celebrou a última ceia e onde José de Arimateia recolheu no Calvário o santo sangue. Será esta versão, do século XIII, difundida pela Ordem de Cister, a mais lida no Portugal de então. À qual ainda, no mesmo complexo, se juntará, o Livro de José de Arimateia, atribuído ao mesmo autor, e a Crónica do Imperador Vespasiano, como ligados ao mesmo circulo.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Assim, a visão do Graal adotada em Portugal por inspiração de Cister e propagada pelos monges-guerreiros do Templo seria precisamente a do Graal enquanto Vaso ou recetor do Sangue de Cristo. O Graal é em Portugal, o Vaso Sagrado e Portugal assume ele próprio, logo desde a sua fundação (precisamente cumprindo um plano de Cister executado pelos Templários) a essência do próprio Graal que está incluso na sua própria designação “porto-do-graal” e testemunhada no selo de Afonso Henriques e no Mosteiro da Batalha.
Portugal é o Vaso do Graal. O Porto de onde partiram e tornarão a partir as Caravelas sejam elas as de Henrique, ontem, ou da Lusofonia ou do Espaço, amanhã.

6. O Mundo do Futuro

(…) essa semente aqui fossilizada, mas intacta na sua potência germinativa, o que urgirá ofertar ao Ocidente. (…) e não sabendo, ele, que aqui existe preservada numa cultura sua, ocidental atlântica, neste seu extremo, sua Península. (…)
Essa semente, consigo trará o fim dum mundo em si obstruído, morto, nas suas formas ou forças de conhecimento e vida, do qual as aparências, nós por vezes as podemos apontar, como: distanciação do real, impossibilidade de aderência a ele, solipsismo, abstração, inteletualismo e racionalismo, estremes e estéreis; e negação última de possibilidade de vida, como niilismo, ou loucura.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

A renovação da Europa virá de Portugal. Portugal não deverá assim “europeizar”, mas pelo contrário deve – como também dizia Agostinho da Silva – tudo fazer para preservar o seu carácter livre e independente e por contaminar com este caráter o continente europeu.
Portugal pode curar a Europa do mal de que esta hoje padece. Fazer com que deixe de ser uma criatura que padece de “solipsismo, abstração, inteletualismo e racionalismo, estremes e estéreis; e negação última de possibilidade de vida” negando a natureza humana das sociedades, dando primazia radical e absoluta ao individualismo e ao egoísmo contra a comunidade e a integração com a natureza e o meio e rendendo – sobretudo – o cívico e o político ao económico e financeiro.

A Europa tem que se recentrar no Homem. Retomar a ligação do Homem com a Vida e sem pudores ou receios admitir que a existência plena do humano no mundo não se faz sem a admissão e inclusão de um plano espiritual.

7. Os tempos do Nigredo

“Este povo, logo após Alcácer Quibir, teria começado, recomeçado por sua vez, na historia individual e coletiva, para merecer o ressurgimento e possessão do bem supremo – e em gesto solidário ao do seu rei – a perfazer em si uma longa prova, tal outra demanda e navegação: como sacrifício ritual. Para futura regeneração. E que seria ao mesmo tempo de ocultação e prova. Ou em termos de alquimia e hermética o tempo de Nigredo.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

O Nigredo Português é assim a fase do desenvolvimento nacional em que ainda hoje vivemos. Parte de um Processo maior, significa que Portugal tem que passar por ela para poder evoluir até ao Albedo e daqui para a sua realização mais plena e completa, o alquímico Rubedo ou “Pedra ao Rubro”. Em Alcácer Quibir não morre (se morre) apenas um Rei de um país independente e soberano, cobiçado por Espanha/Castela. Acabe com ele toda uma nação que a partir daí se limita a existir perdendo todo o norte e energia, vagueando ao sabor das circunstâncias, sem projeto nacional ou energia bastante para recentrar uma existência que deixou de ser possível nos mesmos termos em que se desenvolvia depois do sacrifício do rei nas areias do norte de África. Portugal tem que passar, como passou o seu Rei, pela Morte ritual, para poder renascer. Tem que cruzar o Nigredo para chegar ao Albedo. Tem que morrer para poder renascer.

9. O Regresso do Encoberto

“Na Ilha do Encoberto, se dará a morte ritual (ou segunda morte), dum rei e do seu reino, como anulação ou suspensão da sua história. (…) Assim, o Desejado repetirá no Atlântico, o que desde tempos imemoriais desde o paganismo e através do cristianismo, o homem dessa pátria sempre realizou na água, ou Santo Vaso. Dom Sebastião emergirá do mar, na manhã da sua epifania, regenerado como dum Batismo.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

O Rei Encoberto só regressará depois de morrer na sua Ilha atlântica onde se encontra hoje refugiado… Essa morte ritual será na água, como um batismo e será sucedida por um renascimento que o fará renascer do lado de cá do Atlântico. O Graal – veiculo da regeneração do Rei, assim como também o foi da sua imortalidade – é nesta leitura – o Vaso que cura o Rei é o Mar… O Mar onde está a Ilha do Encoberto é assim o vetor de Portugal e do seu Renascimento deste pantanal infecto e paralisante onde vegeta desde o desvio do projeto nacional conduzido pelo ultracatolicismo, pela Inquisição e pela adesão ao espírito do Lucro e do Império em desfavor do Espírito criador, das liberdades cívicas e do universalismo fraterno que prometia a primeira fase dos Descobrimentos.

Portugal será reconstruido pelo Mar, por Aquele que dele e por ele virá e o Graal mítico que buscamos e precisamos será simultâneamente esse Rei Redentor e o Mar, eixo fundamental de uma reconstrução que só pode ser feita olhando para e para alem do Atlântico.

10. Um dos Centros Espirituais do Ocidente

“Vejamos Portugal, no seu período de vero esplendor, como sua plena manifestação, o período de inicio da Idade Moderna, como tendo sido então um dos centros espirituais do Ocidente. De que a sua posterior decadência, nada mais seria que a ocultação, como movimento ou processo natural das leis cíclicas da manifestação, que se segue à revelação; e que a posterior face de comércio, de simples ganância e luxo mundano, em que neste reino decaiu a aventura da descoberta da terra, nada mais seria que um sinal concomitante e revelador dessa degenerescência, como sua queda duma primeira função e missão arcada no seu vero plano, num outro puramente material e humano.”
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

Portugal foi grande apenas enquanto assumiu de forma plena e realizada a sua espiritualidade. Fomos grandes enquanto realizámos o Reino do Espírito Santo e o tornámos universal, levando- aos Açores e, mais além, até ao Brasil. O comercio, a ganância e o luxo levaram à decadência e esta à morte ritual de Portugal em Alcácer Quibir. O renascimento, patrocinado por esse Rei Encoberto que há de surgir do Vaso do Graal que é o Mar Oceano passará pela recusa ao luxo e à ganância como formas de vida e pelo regresso a um estilo de vida regrado e contido, mas generoso e sonhador que caraterizava o “reino de ouro” de Dom Dinis e dos alvores da Gesta dos Descobrimentos. Austero e moderado, mas ambicioso e universal, esse será o Portugal dos tempos futuros que hoje já é possível antever por entre as brumas da grave crise social, financeira e de mentalidades que hoje atravessamos.

Texto publicado na Revista Nova Águia

Categories: História, Mitos e Mistérios, Nova Águia, Política Nacional, Portugal | 3 comentários

António Telmo e o “O Horóscopo de Portugal” de Fernando Pessoa

António Telmo (http://www.oribatejo.pt)

António Telmo (http://www.oribatejo.pt)

“Em 1997 António Telmo publicou O Horóscopo de Portugal para completar a História Secreta de Portugal editada vinte anos antes. (…) entre 1980, (esse horóscopo elaborado por Fernando Pessoa) e 1990, quando o sol transitava do signo da Balança para o de Escorpião se daria uma mutação importante.  Ora, Portugal aderiu à CEE precisamente em 1985!”
(…)
“Ao terceiro Portugal no qual hoje passamos em escuridão e noite, se seguirá o quarto Portugal de que fala Pessoa e ainda um quinto, depois, ambos no alvor prévio ao hemiciclo diurno. Pelas contas que fizemos o quarto Portugal iniciar-se-á em 2008 e correspondera à morte histórica (…) o quinto Portugal trespassara o seu início em 2130.
(…)
“No Horóscopo de Portugal (de Pessoa) há uma frase que muito inquieta a alma e aguça a intuição: “assim no signo oposto ao do Touro que é o Escorpião, o socialismo judaico-cristão, quando estiver realizada na prática a ideia de ser genérico, desembocara numa forma de terror, cuja natureza não saberemos  ainda imaginar.” (António Telmo)

A Crise e o Engenho
Carlos Aurélio
Nova Águia, número oito

Obviamente,  dada a nossa formação científica, não acreditamos na astrologia… mas essa não é aqui a questão: Fernando Pessoa acreditava numa intuição que era sua e que lhe dizia que Portugal iria atravessar nas próximas décadas por uma sucessão de fases refundacionais, que o recentrariam em torno de si mesmo após o confronto com contradições internas que levariam a um momento de Crise,  seguido pouco depois, de Solução, consubstanciada num “quarto Portugal” (o Portugal endividado, improdutivo e desalmado da integração europeia) a que se seguiria um Quinto, o verdadeiro Portugal, oculto pelas cangas da repressão do ultra-catolicismo, da Inquisição, do Índex e da Censura.

Pessoa e Telmo anteviam nas brumas incertas mas seguras da profecia um outro Portugal que cumprisse a potência presente na sua alma coletiva e que na época do Infante se esteve prestes a realizar, algo que não se alcançou fruto da mercantilização da sociedade,  do centralismo cesarista e de um bloqueio à inovação e à criatividade induzido pelo catolicismo radical introduzido em Portugal a partir de Dom João III.

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Novas pistas sobre as “Pegadas dos Deuses” do Sul de Angola e da Namíbia

Pegadas dos Deuses na Namibia (http://z6mag.com)

Pegadas dos Deuses na Namibia (http://z6mag.com)

Uma das coisas que mais me espanta neste nosso mundo é… a sua capacidade para me continuar a espantar. Não há muito tempo foi a descoberta de passagens na Grande Pirâmide, pouco depois, de objetos discoides no fundo do Báltico e, agora, das estranhas “pegadas dos deus” no deserto da Namíbia e da lusófona Angola. O fenómeno – assim designado pelos indígenas – tem intrigado a comunidade científica desde a sua descoberta mas agora, um estudo recente veio trazer novas informações sobre este fenómeno comprovando que as “pegadas” se regem por um ciclo de vida que as faz aparecer e desaparecer com alguma regularidade deixando fazer crer que podemos estar perante a expressão de um organismo vivo.

O trabalho de uma equipa da Universidade da Florida, liderados por Walter Tschinkel, sobre estes círculos com entre dois a doze metros de diâmetro comprovou que no seu interior não cresce qualquer vegetação, mas que no seu limite cresce sempre vegetação alta, tipicamente mais alta que a vegetação da zona onde surge o circulo. A equipa trabalhou sobre imagens de satélite de 2004 e 2008 encontrando um ciclo regular de os faz aparecer, crescer rapidamente e depois desaparecerem de forma igualmente rápida. Os círculos de menores dimensões apresentam uma duração media de vinte e quatro anos, mas os maiores pode durar setenta e cinco até, por fim, desaparecerem

As várias hipóteses apresentadas até hoje como explicação deste fenómeno, desde fungos a colónias de térmitas não foram confirmadas por escavações no local. Resta assim (navalha de Ockam…) a de estarmos perante uma forma de vida ainda não identificada.

Fonte:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=54675&op=all

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O robot Djedi e a presença de “Salas de Assembleia” no interior da Grande Pirâmide de Queóps

O robot Djedi (http://img.ibtimes.com)

O robot Djedi (http://img.ibtimes.com)

No manuscrito árabe Le Murtadi, traduzido em 1666 por Pierre Vattier referem-se algumas descobertas na chamada “Pirâmide do Rei” (que se presume ser a de Queóps) feitas pelos seus saqueadores muçulmanos.

Tendo penetrado na Pirâmide, os saqueadores encontraram nos seus corredores uma estátua de um homem feita de pedra negra, tendo ao lado uma outra estátua de uma mulher de pedra branca, mas nenhuma destas estátuas se assemelhava ao tipo étnico habitualmente presente na estatuária do Antigo Egito. Estas estátuas estavam de pé sobre uma mesa, uma estava armada com uma lança, a outra com um arco tendo entre elas um estranho vaso “talhado em cristal vermelho” que “enchiam de água, depois pesavam sem que o peso do vaso mudasse”.

Noutro lugar do interior da Grande Pirâmide aquilo que parecia ser um autómato: “Num lugar quadrado, como numa sala de assembleia, havia muitas estátuas e, entre outras, a de um galo de ouro vermelho. Esta figura era espantosa, ornamentada com pedras preciosas, das quais duas representavam os olhos, brilhantes como duas tochas… quando os homens se aproximavam o animal soltou um grito terrificante, começou a bater as asas, e ao mesmo tempo ouviram-se vozes provenientes de todos os lados”.

Serão estas estátuas, aparentemente autómatos relativamente simples testemunhos da grande antiguidade da Grande Pirâmide e a prova ainda por descobrir de uma antiga civilização perdida (Atlântida?) e encerrada ainda nos dias de hoje numa câmara secreta imersa entre os mais de cinco milhões de toneladas de rocha da Pirâmide?

Em meados de 2011 um robot em forma de serpente enviado para os túneis da Grande Pirâmide produziu resultados interessantes que foram interrompidos pela perturbação no clima social e político no Egito. a expedição deveria continuar agora, em 2012. Talvez lá mais para final do ano se possam encontrar mais hieróglifos como aqueles pintados a tinta vermelha nas paredes dos túneis por onde pequeno robot evoluiu. O robot também captou mais imagens da porta com pegas de cobre que intriga os egiptólogos desde a sua descoberta.

Os túneis que estão agora no foco dos arqueólogos são realmente intrigantes já que terminam bem dentro, algures, no interior da pirâmide. Explorados pela primeira vez em 1993 pelo robot do alemão Rudolf Gantenbrink que descobriu a dita porta depois de subir 64 metros no interior da Grande Pirâmide. Nove anos depois, numa nova expedição, o robot conseguiu furar esta porta e colocar nela para descobrir apenas… outra porta.

Um recente concurso internacional, viu como vencedor um novo robot, desenhado pela Universidade de Leeds que visou estudar aquela segunda porta, conhecida como “Porta de Gantenbrink”. Este robot (designado como “Djedi”) com uma câmara tipo cobra-robot observou através do orifício anteriormente aberto hieróglifos numa parede do túnel que terão mais de 4500 anos. o robot observou também que os pregos de cobre da segunda porta têm as suas extremidades dobradas sobre si mesmas, num possível motivo decorativo. Observou também que a porta foi polida. Mais detalhes deste mistério serão revelados nos próximos meses ja que o Djedi está equipado com uma panóplia de equipamentos que vão desde um pequeno robot inseto que poderá entrar no orifício aberto na primeira porta, uma broca e um gerador de ultrassons capaz de sondar as paredes do túnel e a densidade da segunda porta.

Ninguém sabe o que se encontra alem desta segunda porta… a diminuta largura do túnel não faz crer que se trate de um acesso corrente, mas de um túnel de ventilação ou de um acesso simbólico ou ritual bloqueado posteriormente. Mas os relatos árabes sobre a existência de uma “sala de assembleia”, os hieróglifos, a porta polida, os pregos de cobre dobrados, fazem crer que existe uma relação entre esta mítica sala e aquilo que se encontra por detrás desta misteriosa porta. Talvez no final deste ano tenhamos uma resposta a esta dúvida…

Fontes:
http://news.discovery.com/history/pyramids-hieroglyphs-robot-mystery-110526.html
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2073544/Secret-gates-Great-Pyramid-opened-2012-predicts-British-company.html#ixzz1wvIUGXhb
Não é terrestre de Peter Kolosimo, Edições Melhoramento, 1973
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2073544/Secret-gates-Great-Pyramid-opened-2012-predicts-British-company.html

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Portugal, Após a Ocultação, a Revelação

Dalila Pereira da Costa (novaaguia.blogspot.com)

Dalila Pereira da Costa (novaaguia.blogspot.com)

“Vejamos Portugal, no seu período de vero esplendor, como sua plena manifestação, o período de inicio da Idade Moderna, como tendo sido então um dos centros espirituais do Ocidente. De que a sua posterior decadência, nada mais seria que a ocultação, como movimento ou processo natural das leis cíclicas da manifestação, que se segue à revelação; e que a posterior face de comércio, de simples ganância e luxo mundano, em que neste reino decaiu a aventura da descoberta da terra, nada mais seria que um sinal concomitante e revelador dessa degenerescência, como sua queda duma primeira função e missão arcada no seu vero plano, num outro puramente material e humano.”
Dalila Pereira da Costa
A Nau e o Graal

Portugal foi grande apenas enquanto assumiu de forma plena e realizada a sua espiritualidade. Fomos grandes enquanto realizámos o Reino do Espírito Santo e o tornámos universal, levando- aos Açores e, mais além, até ao Brasil. O comercio, a ganância e o luxo levaram à decadência e esta à morte ritual de Portugal em Alcácer Quibir. O renascimento, patrocinado por esse Rei Encoberto que há de surgir do Vaso do Graal que é o Mar Oceano passará pela recusa ao luxo e à ganância como formas de vida e pelo regresso a um estilo de vida regrado e contido, mas generoso e sonhador que caraterizava o “reino de ouro” de Dom Dinis e dos alvores da Gesta dos Descobrimentos. Austero e moderado, mas ambicioso e universal, esse será o Portugal dos tempos futuros que hoje já é possível antever por entre as brumas da grave crise social, financeira e de mentalidades que hoje atravessamos.

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Portugal, a semente fossilizada da Europa (Dalila Pereira da Costa)

Dalila Pereira da Costa

Dalila Pereira da Costa

(…) essa semente aqui fossilizada, mas intacta na sua potência germinativa, o que urgirá ofertar ao Ocidente. (…) e não sabendo, ele, que aqui existe preservada numa cultura sua, ocidental atlântica, neste seu extremo, sua Península. (…)
Essa semente, consigo trará o fim dum mundo em si obstruído, morto, nas suas formas ou forças de conhecimento e vida, do qual as aparências, nós por vezes as podemos apontar, como: distanciação do real, impossibilidade de aderência a ele, solipsismo, abstração, inteletualismo e racionalismo, estremes e estéreis; e negação última de possibilidade de vida, como niilismo, ou loucura.”
Dalila Pereira da Costa
A Nau e o Graal

A renovação da Europa virá de Portugal. Portugal não deverá assim “europeizar”, mas pelo contrário deve – como também dizia Agostinho da Silva – tudo fazer para preservar o seu carácter livre e independente.

Portugal pode curar a Europa do mal de que esta hoje padece. Fazer com que deixe de ser uma criatura que padece de “solipsismo, abstração, inteletualismo e racionalismo, estremes e estéreis; e negação última de possibilidade de vida” negando a natureza humana das sociedades, dando primazia radical e absoluta ao individualismo e ao egoísmo contra a comunidade e a integração com a natureza e o meio e rendendo – sobretudo – o cívico e o político ao económico e financeiro.

A Europa tem que se recentrar no Homem. Retomar a ligação do Homem com a Vida e sem pudores ou receios admitir que a existência plena do humano no mundo não se faz sem a admissão e inclusão de um plano espiritual.

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Portugal, a Demanda e o “Porto do Graal”

“Nas diferentes versões da Demanda, o graal será, na mais antiga, a de Chretien de Troyes (século XII), uma escudela; na de Wolfram Von Echenbach, uma pedra; na de Peredur, do País de Gales, e de autor desconhecido, um prato com uma cabeça; e na Demanda do Santo Graal, atribuída a Robert Boron, o vaso onde Cristo celebrou a última ceia e onde José de Arimateia recolheu no Calvário o santo sangue. Será esta versão, do século XIII, difundida pela Ordem de Cister, a mais lida no Portugal de então. À qual ainda, no mesmo complexo, se juntará, o Livro de José de Arimateia, atribuído ao mesmo autor, e a Crónica do Imperador Vespasiano, como ligados ao mesmo circulo.”

Dalila Pereira da Costa
A Nau e o Graal

Assim, a visão do Graal adotada em Portugal por inspiração de Cister e propagada pelos monges-guerreiros do Templo seria precisamente a do Graal enquanto Vaso ou recetor do Sangue de Cristo. O Graal é em Portugal, o Vaso Sagrado e Portugal assume ele próprio, logo desde a sua fundação (precisamente cumprindo um plano de Cister executado pelos Templários) a essência do próprio Graal que está incluso na sua própria designação “porto-do-graal” e testemunhada no selo de Afonso Henriques e no Mosteiro da Batalha.

Portugal é o Vaso do Graal. O Porto de onde partiram e tornarão a partir as Caravelas sejam elas as de Henrique, ontem, ou da Lusofonia ou do Espaço, amanhã.

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Dom Sebastião e o Mito do Rei Artur

Dom Sebastião (http://pnsintra.imc-ip.pt)

Dom Sebastião (http://pnsintra.imc-ip.pt)

“Dom Sebastião continuará o mito do Rei Artur, como modelo exemplar da soberania; do rei que, como oficiante e vitima, se oferta e Imola no sacrifício ritual pelo seu reino, dele seu representante, a ele identificado transcendentemente; e o que, após longa dormição, o virá salvar. E assim como os Cavaleiros da Távola Redonda foram exterminados na batalha de Camlan, assim também o foram os cavaleiros da nobreza do reino lusíada na batalha de Alcácer Quibir: mas também depois da sua morte, seu longo período de pausa e ocultamento, o rei salvador voltará ressuscitado, purificado e iniciado, para redimir e ressuscitar o seu povo. E entretanto, como Artur ficou permanecendo na Ilha de Avalon, centro do mundo, assim também Dom Sebastião ficou permanecendo na sua Ilha Encoberta, como outro centro do mundo.”

Dalila Pereira da Costa
A Nau e o Graal

Os paralelismos entre o mito arturiano do “rei perdido, mas que regressará” e o sebastianismo português, são, como aponta esta grande teórica do movimento lusófono, evidentes. Sebastião é o Artur dos portugueses e Artur o Sebastião dos ingleses. Um e outro pertencem ao mesmo quadro mítico-simbólico de fundo celta, cruzado de elementos messiânicos judaicos. Um e outro mito fundador buscam numa misteriosa e oculta ilha atlântica o refúgio desse Rei refundador. Um e outro construíram um projeto nacional em torno das navegações atlânticas e um e outro ergueram impérios transatlânticos absolutamente ímpares.

Os ingleses de hoje não sentem muitos traços de união com estes seus parentes celtizados, atlânticos e ultraperiféricos, mas a mesma matriz civilizacional continua lá. E o mesmo sucede com Portugal, país que sempre foi muito mais atlântico, que “europeu” (no sentido restrito), muito mais marítimo que continental e muito mais aventureiro do que laborador (no sentido germânico do termo).

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A Ilha das Sete cidades

lenda dum navio português, que, tendo largado da foz do Douro, fora arrastado por uma tempestade até uma longínqua ilha que se dizia ser a das Sete Cidades – lendária ilha que a imaginação peninsular colocara no Atlântico ocidental como misterioso refúgio dos sete bispos fugidos da Península como muita outra gente ante a sanha dos invasores muçulmanos. E no dizer de Fernão Colombo: “…la quale ham per cosã certa che L’isola delle Sette Cittá, populata da Portoghesi nel tempo che al Re Don Rodérico la Spagna fu tolta daí Mori.
António Galvão, no Tratado das Descobertas, alude ainda ao achamento duma ilha ocidental em que havia sete cidades, pelos anos de 1447.

Dalila Pereira da Costa
A Nau e o Graal

A Ilha das Sete Cidades é, entre todas as ilhas mais ou menos míticas do Atlântico, aquela que mais testemunhos reúne. Os detalhes presentes em varias fontes são também muito mais densos e realistas do que os que surgem em qualquer outra. De facto, é como se tivesse existido mesmo uma Ilha das Sete Cidades, algures no Atlântico até pelo menos meados do século XVI… Existem relatos de visitantes das Ilhas, que terão visitado essa Ilha administrada pelos descendentes desses visigodos e onde o ramo eclesiástico assumia as funções governativas. Mas terá mesmo existido tal ilha?

Ao longo da História foram varias as ilhas que se afundaram ou desapareceram no meio de cataclismos vulcânicos. Esta Ilha das Sete Cidades poderia assim ser uma ilha açoriana destruída por esta forma e que teria desaparecido sem deixar qualquer vestígio… Geologicamente não há traços de tal ilha. Mas e se a “ilha” fosse na América do Sul?…

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