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Enviada à EMEL e ao Provedor de Justiça (para esclarecimento do ponto 2)

Enviada à EMEL e ao Provedor de Justiça (para esclarecimento do ponto 2)
Há algum tempo, ao fotografar um grupo de fiscais da EMEL que tinham estacionado a sua carrinha de forma ilegal e cortando uma via de trânsito junto ao teatro Maria Matos (enquanto multavam condutores em “estacionamento irregular”) fui rapidamente cercado pelos fiscais alegando os mesmos – em atitude e postura muito agressiva – que se tratavam de “agentes de autoridade” e que não podia “fotografar agentes da autoridade”.
Alguns esclarecimentos quanto a estes dois pontos que, peço, que comuniquem internamente por forma a esclarecer as vossas equipas de rua:
1. Segundo o art. 79° do Cod. Civil, com a epígrafe «Direito à imagem»,  n.° 2, que «Não é necessário o consentimento da pessoa retratada quando assim o justifique a sua notoriedade, o cargo que desempenhe (..) ou quando a reprodução da imagem vier enquadrada na de lugares públicos, ou na de factos de interesse público ou que hajam decorrido publicamente. ».”
2. A “equiparação a agentes da autoridade” do Artº 5º do DL 44/2005, “a fiscalização do cumprimento das disposições do Código da Estrada incumbe às Câmaras Municipais, nas vias públicas sob a respectiva jurisdição” e aquela competência é exercida através do pessoal de fiscalização de Empresas Públicas Municipais, designado para o efeito e que, como tal, seja considerado equiparado a autoridade ou seu agente” existe no contexto e nos limites determinados pelas funções dos agentes, isto é, dentro dos limites do “cumprimento das disposições do Código da Estrada” não das funções gerais de polícia, descritas no DL 299/2009.
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Citações de Garcia Leandro e Vasco Lourenço no último debate MaisDemocracia.org

“Nesta Europa como está, não vale a pena ficarmos, mais vale sairmos. A Europa que está é uma forma de construirmos uma coutada de escravos, que é o que nós somos”
Vasco Lourenço no Debate +D

“É preciso lutar por Valores e não por interesses”
Vasco Lourenço no Debate +D

“A crise de confiança é maior que a crise do sistema financeiro”
Vasco Lourenço no Debate +D

“Os partidos são geridos pelas pressões internas, pelas juventudes e pelos aparelhos”
Garcia Leandro no Debate +D

“Agora querem que o Tribunal Constitucional funcione como uma Direção Geral”
Garcia Leandro no Debate +D

“Há uma grande carapaça de advogados e dos interesses financeiros internacionais que cobre quem quer fazer alguma coisa”
Garcia Leandro no Debate +D

“O PS tem que fazer concessões à sua esquerda”
Vasco Lourenço no Debate +D

“A comunicação social esta completamente controlada pelos partidos políticos e por grupos de interesses”
Vasco Lourenço no Debate +D

“Nós (conselho da revolução) tentamos criar um entrosamento grande entre o sistema representativo e o participativo, mas todos os partidos se opuserem e o que se opós mais foi o PCP.”
Vasco Lourenço no Debate +D de

“E necessário encontrar formulas de entrosamento entre a democracia representativa e a participativa”
Vasco Lourenço no Debate +D

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Devolutos de Lisboa

Quem visitar Lisboa não poderá deixar de reparar no fenómeno que aflige perto de dez mil edifícios em Lisboa: os Prédios Devolutos. O problema apresenta várias facetas e não possui nenhuma solução simples ou rápida. É também uma doença de que assola muitas cidades europeias, mas que aqui se manifesta com especial gravidade e persistência, fruto de décadas de especulação imobiliária, burocracia e desinteresse por parte das autoridades responsáveis em dois níveis: autárquicas e nacionais. Se falamos de dez mil prédios devolutos, falamos de uma cidade do tamanho de Santarém dentro de Lisboa. Falamos também de 8% dos 55 mil edifícios de Lisboa, em números de 2009 e que hoje devem ser ainda mais esmagadores. Falamos de um grande problema de uma grande cidade…

Para além de desfear as ruas daquela que é unanimemente reconhecida como uma das mais belas cidades do mundo, o fenómeno dos Prédios Devolutos ocasiona incêndios e derrocadas frequentes (uns provocados, outros ocasionais), que ceifam vidas e bens, oneram o erário público e prejudicam vizinhos que vivem paredes-meias. Por outro lado, é também preciso recordar que existe um grande risco sísmico em Lisboa: a ocorrência (inevitável) de um fenómeno desta natureza irá fazer colapsar muitos destes prédios devolutos, criando focos de incêndio que colocarão em risco os bairros onde se inserem.

A cidade expulsou para a periferia metade da população que a habitava na década de 1960 e apesar de um certo refluxo recente de casais jovens (sobretudo) para alguns bairros históricos, continua padecendo de um problema que o Estado não soube atacar com a energia que a sua gravidade exige: uma quebra demográfica profunda.

Se o Estado não tem estado à altura, a Câmara Municipal não tem estado muito melhor, dando o pior dos exemplos: Estima-se que perto de 10% dos prédios devolutos sejam da Câmara Municipal (6% serão do Estado e um pouco menos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Urge repovoar a cidade, atraindo de novo a ela as populações que a especulação imobiliária desenfreada expulsou para bairros periféricos desumanos e sem qualidade de vida e promovendo a reconstrução urbana, desincentivando de forma decidida e enérgica a nova construção. O Estado deve produzir legislação que favoreçam a reconstrução, exigindo por exemplo, que em bairros históricos um certo lote não possa nunca ter mais metros quadrados de habitação que o edifício anterior, deve proibir a venda não certificada e identificada de azulejos, deve aumentar severamente o Imposto Municipal de Imóveis (IMI) em prédios devolutos e promover um registo nacional de edifícios nessa condições e que tenham algum interesse patrimonial. Sobretudo, o Estado deve terminar com a escandalosa isenção de IMI de que gozam “fundos imobiliários” que detém grande parte dos devolutos de Lisboa (e, por exemplo, o Cinema Londres). Os regulamentos mais recentes devem também ser adaptados no contexto da reabilitação urbana de edifícios de começos do século XX e XIX, por forma a serem um agente facilitador e não o atual agente que trava a maioria dos projectos de reabilitação urbana na cidade.

De facto, o problema dos “Devolutos de Lisboa”, não é nem o problema dos “Devolutos” nem o problema de “Lisboa”. É o problema das cidades modernas, consumidas pela especulação imobiliária e tolerado por classes políticas servis ou complacentes perante estes interesses. É o problema do crescimento descontrolado das periferias, com os custos de comutação, transportes, redes de transportes, combustíveis fósseis e perda de qualidade de vida. É o problema da evaporação humana dos centros históricos de quase todas as grandes cidades do globo. É o problema da hiper-regulação e da burocracia (metade dos devolutos de Lisboa aguardam aprovação do projeto renovação). É o problema da prevalência dos lucro fácil sobre o investimento de longo prazo na cultura, no património, nos cidadãos e na qualidade de vida.

Recentemente, a Câmara Municipal apresentou um programa de reabilitação urbana que pode contribuir para resolver esta tragédia urbana. Trata-se do “Programa Re9”. O programa consiste numa rede de parcerias entre recursos privados e públicos com vista a criar um “mecanismo sólido para fazer a reabilitação da cidade” (António Costa). O programa tem, contudo, o seu sucesso condicionado pelo modelo muito restritivo de acesso aos fundos comunitários do “Programa Operacional Regional de Lisboa” (mais de 2.8 milhões de euros), a repartir por todo o território nacional e, logo, está muito longe de ser a “bala de prata” para os Devolutos de Lisboa, já que se estima que a sua reconstrução total ronde os 8 mil milhões de euros. O Re9 vem, contudo, abrir portas para uma gradual solução desta tragédia urbana ao incluir uma série de incentivos fiscais à reabilitação urbana, como a isenção de IMT na 1.ª transmissão, uma redução de 30% no IRS, a isenção IMI, a redução e isenção e taxas municipais, menos 17% na taxa de de IVA na mão-de-obra e materiais e a isenção de IRC para fundos de investimento imobiliário.

Renovar a Cidade, recuperando os Prédios Devolutos irá traduzir-se num melhoramento significativo da qualidade de vida urbana e do sentimento de comunidade e coesão do território. Atrair a população que a cidade perdeu para as periferias nas últimas décadas, poupar recursos financeiros e energéticos e contribuir para a recuperação da economia, através da reconstrução urbana, do aumento da eficiência energética. Renovar os Devolutos é Renovar a cidade.

O MaisLisboa.org (núcleo local da associação MaisDemocracia) tem procurado dar o seu contributo para este problema através do levantamento cidadão que estamos a conduzir na página “Lisboa Devoluta” https://www.facebook.com/LisboaDevolutaRetomarACidade e de outras iniciativas que brevemente iremos anunciar.

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#LisboaDevoluta

#LisboaDevoluta
Sabia que em alguns bairros históricos de Lisboa, como a Baixa Pombalina, o Rossio, Mouraria e Alfama, existe – em média – um prédio devoluto num raio de 100 metros? No resto da cidade a média é de um raio de 300 metros…
 
#LisboaDevoluta
Sabia que segundo um levantamento da própria CML, datado de 2009 (de pouco depois do apogeu da crise imobiliária…) existiam em Lisboa 2812 prédios parcialmente devolutos e 1877 prédios totalmente devolutos? Isto significava que em 2009, 8% dos 60 mil prédios da cidade se encontravam Devolutos. Um em cada dez!
#LisboaDevoluta
Sabia que o problema dos Devolutos – na escala que observamos em Lisboa – é praticamente único em todo o continente europeu? Consequência de décadas de especulação imobiliária, e burocracias em várias e densas camadas…
Sabia que muitos dos azulejos dos séculos XIX e começos do XX que vemos sendo vendidos, de forma mais ou menos “selvagem” na Feira da Ladra ou em antiquários lisboetas foram retirados/furtados do interior de Prédios Devolutos ou mesmo das suas próprias fachadas exteriores?
Sabia que muitos proprietários de prédios devolutos de Lisboa deixam os seus prédios arruinarem-se, intencionalmente, destelhando-os, abrindo janelas, esperando que eles caiam, por forma a que depois os possam substituir por edifícios de construção nova, com mais andares, mais volumetria e, logo, maior lucro?
#LisboaDevoluta
Sabia que a maior parte dos Prédios Devolutos de Lisboa são de finais do século XIX e começos do XX? Isto sucede porque são precisamente estes edifícios que mais podem ser ampliados (em altura) e que têm, quase sempre jardins ou espaços nas traseiras que podem ser facilmente convertidos em lugares de estacionamento.
#LisboaDevoluta
Sabia que durante décadas seguidas houve quem comprasse prédios devolutos, não fizesse neles nenhuma obra, mandasse fazer um projeto e depois, os revendia com lucros de 100% e 200%?
#LisboaDevoluta
Sabia que os proprietários de Prédios Devolutos são obrigados – por força de Lei – a fazerem obras de 8 em 8 anos?
#LisboaDevoluta
Sabe que, em Lisboa, o metro quadrado de solo custa, em média, mais do dobro do metro quadrado de construção? Noutros municípios do país esta relação ronda os 10 a 20%.
#LisboaDevoluta
Sabia que metade dos devolutos de Lisboa têm projeto entrado na CML; aguardando o seu desfecho?
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML é dona de 314 dos perto de 4 mil Devolutos registados pela própria autarquia em 2009? Outros 60, são do Estado e 63 (!) da Santa Casa da Misericórdia.
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML tem competências para forçar expropriações, impor obras ou levar à venda de Prédios Devolutos, assim o queira fazer?
#LisboaDevoluta
Será que ao pagar graffitis em Prédios Devolutos (como na Fontes Pereira de Melo) a CML está a permitir que esta situação se prolongue eternamente no tempo, mascarando ou varrendo para debaixo do tapete o problema clamoroso de termos 3 edifícios devolutos numa das mais conhecidas e frequentadas artérias de Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que em países como a Suíça ou França, a Lei facilita a reconstrução em detrimento da simples construção de prédios novos?
#LisboaDevoluta
Sabia que http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa é uma das melhores fontes sobre Prédios Devolutos em Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que – em termos burocráticos – é mais fácil construir de raiz que reconstruir um Prédio Devoluto?
#LisboaDevoluta
Porque é que a CML não decidiu seguir, p.ex., Matosinhos e agravar o IMI em 300% no caso de Prédios Devolutos?
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#LisboaDevoluta

Sabia que existe em Lisboa uma grande falta de oferta no mercado do arrendamento para habitação e que os mais de 50 mil devolutos de Lisboa poderiam ser uma parte importante na solução desta lacuna?

#LisboaDevoluta

Porque é que o Governo da República, após consultas com as autarquias, não legisla por forma a não permitir o aumento do número de fogos sempre que houver demolição ou colapso de um prédio devoluto? Se sempre que um devoluto cair, o proprietário for forçado a construir um edifício igual acaba-se com o incentivo ao abandono dos prédios e promove-se assim a sua reconstrução…

#LisboaDevoluta

Sabia que uma lei de 1864, do ministro das Obras Públicas João Crisóstomo prescrevia que se os proprietários de um edifício não o disponibilizassem para uso social, o Estado podia expropria-lo e coloca-lo à venda, a preços de mercado?

#LisboaDevoluta

Sabia que muitos jovens estão a regressar da periferia de Lisboa e a reconstruir prédios devolutos nos bairros históricos de Lisboa?

#LisboaDevoluta

Num país com a demografia em queda (nascem apenas 1.2 filhos por casal, quando deviam nascer 2.1) existem muitas casas vazias… este fenómeno foi ainda reforçado com o excesso de construção nas décadas de 1990 e 2000. Sabia que uma das causas para os Devolutos de Lisboa é também a perda de população urbana (para a periferia) e esta tragédia demográfica que hoje nos assola?

#LisboaDevoluta

Sabia que as questões com partilhas de heranças e guerras entre herdeiros são uma das principais causas para Devolutos em Lisboa?

#LisboaDevoluta

Sabia que as rendas controladas foram (até à entrada em vigor da Lei das Rendas) um dos maiores obstáculos à reconstrução urbana em Lisboa e logo, uma das maiores causas de Prédios Devolutos?

#LisboaDevoluta

Sabia que a maior (provavelmente) causa do fenómeno dos Prédios Devolutos foi a especulação imobiliária, que tornou o preço por metro quadrado em Lisboa entre os mais caros do mundo, desincentivando a reconstrução e favorecendo a a construção nova e com elevadas densidades?

#LisboaDevoluta
Sabia que a definição oficial de “Devoluto” consta do Decreto de Lei  159/2006?
#LisboaDevoluta
Sabia que se considera devoluto o prédio urbano ou a fracção autónoma que durante um ano se encontre desocupada, sendo indícios de desocupação a inexistência de contratos em vigor com empresas de telecomunicações, de fornecimento de água, gás e electricidade? Sendo excepções o prédio urbano ou fracção autónoma destinado a habitação por curtos períodos em praias, campo, termas e quaisquer outros lugares de vilegiatura, para arrendamento temporário ou para uso próprio; Durante o período em que decorrem obras de reabilitação; Cuja conclusão de construção ou emissão de licença de utilização ocorreram há menos de um ano;Adquirido para revenda por pessoas singulares ou colectivas durante o período de três anos a contar da data da aquisição;Que seja a residência em território nacional de emigrante português;Que seja a residência em território nacional de cidadão português que desempenhe no estrangeiro funções ou comissões de carácter público ao serviço do Estado Português, de organizações internacionais, ou funções de reconhecido interesse público, bem como dos seus respectivos acompanhantes autorizados.
#LisboaDevoluta
Porque é que o último levantamento de Prédios Devolutos, feitos pela CML, data de… 2009, ou seja, tem mais de CINCO anos?!…
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“A Reabilitação Urbana é unanimemente reconhecida como um dos mais importantes instrumentos para dinamizar, de uma forma transversal, a economia”

“A Reabilitação Urbana é unanimemente reconhecida como um dos mais importantes instrumentos para dinamizar, de uma forma transversal, a economia. Pode criar emprego e revitalizar os centros urbanos que se encontram profundamente degradados e desertificados, pelo que é fundamental dar confiança aos investidores e aos proprietários e criar mecanismos que, com razoabilidade, permitam ultrapassar os entraves que, aos mais diversos níveis, se colocam à dinamização desta atividade. 
(…)
(É necessária uma) revisão da Lei das Rendas e do Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e com a criação de uma taxa liberatória para os rendimentos do arrendamento. Também o Regime Excepcional de Reabilitação Urbana, já em vigor, cuja aplicação deverá ser tecnicamente acompanhada, pode dar um significativo impulso. 
Estando em causa edifícios construídos há mais de trinta anos ou situados em Áreas de Reabilitação Urbana, dispensar estas obras da sujeição a normas técnicas pensadas para a construção nova, quando estas constituem, por serem economicamente inviáveis, um entrave à concretização destes projectos. 
(…)
A reabilitação urbana, por muito que se tenha evoluído no sentido de fazer dela uma verdadeira prioridade nacional, só será uma efetiva realidade se forem disponibilizados programas de financiamento aos particulares, permitindo-lhes, designadamente, a reabilitação dos seus imóveis, colocando-os no mercado do arrendamento.”

Reis Campos, presidente da CPCI
Público, 14 maio 2014

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Sabia que… Devolutos em Lisboa (e não só)

#SabiaQueLisboa
Sabia que Lisboa tem quase 5 mil edifícios devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que 8% dos 60 prédios existentes na capital (1 em 10!) são devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a lei obriga à realização de obras de conservação, oito em oito anos, nos edificios?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o metro quadrado de solo em Lisboa custa, em média, o dobro do metro quadrado de construção, quando a proporção devia ser ao contrário e andar pelos 15% ou 20% desse valor?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a EPAL cortou a água as 12 lares em Lisboa em 2013?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a CML é dona de 314 prédios devolutos (outros 60 pertencem ao Estado e 63 à Santa Casa da Misericórdia)?

#SabiaQueLisboa
Sabia que 92% dos edifícios da capital estão numa área de reabilitação urbana e que são atribuídos benefícios fiscais a quem recupera imóveis?

#SabiaQueLisboa
Sabia que nos últimos 2 anos, em Lisboa, foram reabilitados 8200 edifícios? Isto representou em cinco anos um investimento de 600 milhões de euros por privados e 85 milhões a nível público?

#SabiaQueLisboa
Sabia que os principais senhorios em Lisboa são a banca e as seguradoras e os fundos imobiliários que elas detêm?

#SabiaQueLisboa
Sabia que os fundos imobiliários – que detêm muitos Devolutos em Lisboa – não pagam Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a expressão “Cóco, Ranheta e Facada” vem da opereta com o mesmo nome de Gervásio Lobato (1850-1895), um popular dramaturgo lisboeta, tido como um dos pais da “Revista à Portuguesa”? Gervásio Lobato é um antepassado de Nuno Markl. Atualmente, no Campo de Ourique existe uma rua com o seu nome.

#SabiaQueLisboa
Sabia que o programa “Reabilita Primeiro, Paga Depois” da CML permite o pagamento após a conclusão das obras, num prazo máximo de três anos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Salgado, admite que metade dos prédios devolutos da cidade aguardam licenciamento para reconstrução?

#SabiaQueLisboa
Sabia que se os 4.600 Devolutos de Lisboa estivessem ocupados, dariam alojamento a mais de 25 mil pessoas?

#SabiaQueLisboa
Sabia que Lisboa tem 11 766 edifícios a precisarem de obras – um quinto do património imobiliário da cidade -, 7085 estão em mau estado e 4681 devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o aluguer do edifício da Rua Castilho onde estão instalados a Direcção Municipal de Recursos Humanos e o Departamento de Gestão de Recursos Humanos a Câmara paga por ano 182.164 euros?

#SabiaQueLisboa
Sabia que Portugal é o país da Europa Ocidental que menos investe em reabilitação de edifícios e o que mais gasta na construção de novos prédios?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a recuperação de edifícios degradados representa apenas 5,6% dos investimentos em construção civil em Portugal, enquanto a média europeia é de 33%? Contudo, o país ultrapassa todos os europeus nos gastos com a construção de novos edifícios, que consome 49% do total de investimentos…

#SabiaQueLisboa
Sabia que A Câmara é proprietária de mais de 300 imóveis devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que só o custo anual dos arrendamentos pagos pela CML ascende a centenas de milhares de euros, e segundo algumas fontes chega mesmo ao meio milhão de euros. E que, apesar disto existem, na posse da CML, mais de 300 prédios devolutos?

#SabiaQueLisboa

Sabia que segundo uma lei de 1864, de João Crisóstomo [antigo ministro das Obras Públicas]: se os proprietários não dessem uso à propriedade, se não a disponibilizassem para a sua função social, o Estado podia expropriar e vender a preço justo?

#SabiaQueLisboa
Apesar de se dizer que Lisboa é a cidade das sete colinas, apenas 25% das ruas da capital têm inclinação excessiva?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a câmara de Lisboa tem apenas dez calceteiros profissionais?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a colocação de calçada portuguesa no Rossio demorou um ano a ser feita?

#SabiaQueLisboa

Sabia que Lisboa tem 9400 passadeiras?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a esquadra de Arroios e uma das que a PSP vai fechar em Lisboa? Após este fecho, haverá uma “esquadra móvel”, numa Ford Transit que percorrerá as ruas da freguesia…

#SabiaQueLisboa

Sabia que, nos serviços de saúde não existe limite de área de atuação dos bombeiros, enquanto que, na de incêndio este limite já existe?

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Percurso no Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus) (Parte 2)

Percurso no Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)
Breve História do Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)
1. O Convento da Madre de Deus é uma das mais importantes realizações da cultura artística nacional. A sua construção começou no início  do século XV mas aquilo que nele pode ser hoje observado data efetivamente de meados desse século com a acumulação posterior de várias campanhas de decoração, entre finais do século XVII e finais do século XVIII, a que se seguiram vários restauros em finais do século XIX.
2. O Museu Nacional do Azulejo situa-se nas instalações do antigo Convento da Madre de Deus, casa da Ordem de Santa Clara, fundada em 1509 pela Rainha Dona Leonor, mulher de Dom João II.
3. Da construção original subsiste hoje, na fachada, a torre sineira e o corpo anexo ao nível da atual rua. No interior do convento, é também desta época a sala com teto de alfarge, que tem o nome de “Capela de Dona Leonor”, assim como o piso térreo do claustrim, que revelam um caraterístico estilo Gótico Manuelino.
4. Em meados do século XVI, Dom João III  encomendou ao arquiteto Diogo Torralva uma nova igreja, com a sua fachada e claustro num plano mais alto que a primeira fase de construção por forma a resolver o problema da recorrente invasão por águas do Tejo de que se queixavam as freiras. O trabalho de Diogo Torralva revela uma grande austeridade decorativa num clássico estilo maneirista.
5. Entre finais do século XVII e o começo do século XVIII, graças ao afluxo das riquezas do Brasil, a igreja do convento recebe a instalação de azulejos holandeses, talha dourada e ciclos pintados das vida de São Francisco, Santa Clara e da Virgem.
6. O terremoto de 1755 danifica seriamente a capela-mor e na campanha reconstrutiva Dom José I manda construir um novo altar em estilo rococó. Desta época são igualmente a Sala do Capítulo, o espaço do sub-coro, o Coro e a Capela de Santo António com a Casa do Presépio onde se pode ver ainda hoje um presépio da autoria de António Ferreira.
7. A extinção das ordens religiosas em 1834 e a transferência da posse do edifício para o Estado em 1872, depois da morte da última freira conduz a extensas obras de restauro. Inicialmente conduzidas por José Maria Nepomuceno, num estilo de revivalismo romântica, estas obras reconstroem a fachada a partir do quadro “Chegada das Relíquias de Santa Auta” de 1522. Nepomuceno construiu também o primeiro piso do claustrim e abriu uma parede na igreja, colocando-a em contacto com os demais espaços do convento.
8. Os melhoramentos de José Maria Nepomuceno foram continuados pelo arquiteto Liberato Teles, que incentivou a colocação no Convento da Madre de Deus de instalações de azulejos provenientes de outros edifícios do país.
9. Em 1965, o núcleo de Azulejaria do Museu Nacional de Arte Antiga foi transferido para o Convento. Cinco anos depois abria ao público o Museu do Azulejo.
A Igreja do Convento da Madre de Deus
1. A Igreja foi construida durante a década de 1550 por ordem de Dom João III. De traços austeros, abóbada de canhão e altar-mor sob arco triunfal de volta perfeita, ladeado por arcos mais baixos.
2. O seu interior, austero na matriz inicial, acabaria por albergar uma densa decoração barroca sob Dom Pedro I, Dom João V e Dom José I. Entre esta decoração destacam-se os painéis de azulejo na nave, de origem holandesa e encomendados em 1698. Estes azulejos representam Moisés e o episódio da Sarça Ardente sendo da autoria de Willem van der Kloet. Entre estes azulejos destaca-se a cena de um frade em oração, frente a outros frades na mesma atitude. Na capela-mor encontramos o Papa Nicolau V perante o cadáver de São Francisco e um frade pedindo silêncio, naquilo a que Vítor Manuel Adrião quis interpretar um gesto invocando o segredo da mensagem esotérico (alquímica?) que transparece de alguns azulejos do convento. Estes azulejos são produto do autor holandês Jan van Oort.
3. Já no século XIX, durante a campanha de reconstrução de Liberato Teles, foram aplicados na parede do fundo da igreja do Convento da Madre de Deus dois painéis de azulejos descrevendo a chegada das relíquias de Santa Auta, da autoria de Pereira Cão.
4. Acima dos azulejos na igreja do Convento da Madre de Deus encontramos uma serie de pinturas da segunda metade do século XVII da autoria de Bento Coelho da Silveira: num primeiro nível, representam a vida de São Francisco, num segundo, a vida de Santa Clara. No teto, encontramos episódios da vida da Virgem Maria e de Cristo, em quadros de Marcos da Cruz (segunda metade do século XVII).
O Claustro do Convento da Madre de Deus
1. O Claustro do Convento da Madre de Deus foi construido a partir de 1551, numa campanha construtiva orientada pelo arquiteto Diogo de Torralva, num estilo muito austero e simples, incorporando cinco vãos tripartidos (aludindo, talvez, à Santíssima Trindade) por colunelos.
2. No centro do claustro do Convento da Madre de Deus, encontramos uma fonte em mármore de inspiração neogótica com seis atlantes que sustentam uma grande e que exibem filacteras entre as estátuas, como estas trocassem frases entre si:
Ajuda-me
O melhor que posso
E tu que não ajudas
Não posso mais
Muito pesado
Deus nos ajude
Claustrim do Convento da Madre de Deus
1. Este pequeno claustro é (pela sua pequenez) designado por “claustrim” e era originalmente o claustro do convento tendo sido construido entre 1509 e 1525. De planta regular, é composto por 32 arcos de volta perfeita em colunelos de capitéis simples. O seu estilo é o de um austero Tardo-Gótico renascentista. Aqui observamos igualmente a fonte de Santa Auta, que deverá ter estado originalmente no exterior da cerca do convento e que para aqui foi deslocada numa das campanhas de construção do século XIX.
2. O cordão afivelado do Claustrim do Convento da Madre de Deus que pode ser observado nos dois pisos é de estilo neogótico e resulta da campanha de obras de 1872, a qual colocou no primeiro piso do claustrim arcos ogivais, subdivididos por colunelos.
3. Os azulejos em rico enxaquetado do século XVII que decoram as paredes do claustrim da Madre de Deus e a escadaria de acesso ao piso superior são oriundas do antigo Convento de Santa Ana, em Lisboa e na escadaria de acesso ao piso superior do Claustrim encontramos composições de caça da segunda metade do século XVIII, que vieram do Palácio do Calhariz, também em Lisboa.
Capela de Santo António:
1. A Capela de Santo António do Convento da Madre de Deus é também conhecida como “Antecoro”, tendo sido decorada por ordem de Dom João V com soalhos de madeira do Brasil, painéis de azulejos que representam a vida dos santos eremitas Santo Antão e São Paulo e pinturas da autoria de André Gonçalves sobre os milagres de Santo António nas paredes e teto. Frente ao altar encontramos a porta do presépio, cuja autoria se atribui a António Ferreira.
Presépio do Convento da Madre de Deus:
1. O presépio terá sido executado entre 1700 e 1730 por Dionísio e António Ferreira, no âmbito da campanha construtiva ordenada por Dom João V.
2. O presépio é um dos mais complexos do país e deste período, contando com 42 peças em terracota, com apontamentos de ouro e prata. Expõe vários aspectos da vida comum da época, com um tratamento individualizado para os rostos e panejamento muito cuidado
Coro (ou Sala do Tesouro) do Convento da Madre de Deus:
1. O coro era no convento o lugar de reunião das freiras e foi construido sob o reinado de Dom João III, tendo recebido decoração em estilo barroco sob Dom João V e Dom José I,  tendo sido concluído em 1759.
2. O soalho marchetado do Coro do Convento da Madre de Deus é composto por madeiras do Brasil. As vitrina colocadas sobre o cadeiral conservam relicários de santos.
3. Encontramos no coro um tabernáculo com as armas de Dom José I apresentando ao topo as armas as três virtudes: Fé, Esperança e Caridade, assim como o Pelicano sob Deus.
4. Os vãos das janelas do Coro exibem oito heroínas do Antigo Testamento.
5. O nível superior das paredes da sala do Coro está decorado com pinturas portuguesas dos séculos XVII e XVIII com episódios da vida da Virgem e de Cristo e com os retratos de Dom João III e Dona Catarina de Áustria, da autoria (supõe-se) de Cristóvão Lopes.

Séculos XV e XVI Azulejaria Arcaica
1.
Sabe-se que se utilizam pavimentos de mosaico vidrado, pelo menos desde o século XIII, por exemplo no Mosteiro de Alcobaça e do Castelo de Leiria. A partir da segunda metade do século XV começou a aplicar-se pavimentos de alfardons com losetas e tijolos decorados com engobe e importados de Manises. Exemplo destas aplicações são o Palácio dos Infantes de Beja ou o Convento de Jesus, em Setúbal.
2.
A partir dos finais do século XV, o azulejo começa a ser usado entre nós com elevado grau de originalidade. São então revestidas paredes monumentais, existindo então uma nítida influência da cultura árabe peninsular. A visita de Dom Manuel a Castela parece ter determinado a encomenda, em 1508, de um grande lote de mais de dez mil azulejos hispano-mouriscos que se destinavam à decoração do Palácio real de Sintra. Entre estes azulejos importados contavam-se aqueles representando a Esfera Armilar, a divisa real, fabricados na oficina de Fernan Martinez Guijarro (ou na do seu filho), em Sevilha.
Alfardon e Loseta
Manises, 1451-1500
Proveniente do antigo Palácio dos Infantes, em Beja
.os alfardons são azulejos hexagonais, com losetas quadradas interiores e que formam composições octogonais que foram muito comuns em Itália, Flandres e França no em meados do século XVI. A sua decoração inclui rosas góticas, heráldicas, animais mais ou menos estilizados, folhas e motivos vegetalistas e arabescos ou motivos completamente abstratos. Azulejos em alfardon e loseta (de Manises) foram aplicados em Lisboa, no Paço Real de Alcáçova, no reinado de Dom V, assim como na Casa dos Bicos (1523).
Azulejo com esfera armilar
Sevilha (oficina de Fernan Martinez)
1508 a 1509
Proveniente do Palácio da Vila (Sintra)
.este é dos azulejos encomendados por Dom Manuel I à oficina de Fernan Guijaro em 1508-1509.
.a esfera armilar é a divisa do rei e é um dos símbolos do processo de centralização política então encetado por este monarca.
.os azulejos, como este, foram especificamente encomendados para a decoração do Palácio real de Sintra, que esteve em obras entre 1507 e 1520.
Painel de Azulejos de Padrão Mudéjar
Oficina de Fernan Guijaro
Sevilha, c.  1503
Proveniente da Sé Velha de Coimbra
.esta geometria combinada, em expansões e retrações, é típica da arte islâmica peninsular sendo esta a influência principal da oficina sevilhana de Guijaro.
Brasão de Dom Jaime de Bragança
Sevilha, c.  1510
Proveniente do Paço Ducal de Vila Viçosa
.trata-se de uma representação do brasão da Casa de Bragança, encomendada em Sevilha, por volta do ano de 1510, para o Duque Dom Jaime.

Século XVI
Azulejaria Maneirista de Importação.
Primeira produção portuguesa em faiança
É na Itália do século XVI que se desenvolve uma nova técnica de decoração conhecida como “majólica” ou “faiança”. Com esta nova abordagem, passa a ser possível pintar os motivos diretamente sobre o azulejo sem que as cores se misturassem nas altas temperaturas da cozedura.
A “majólica” permite aumentar a escala da produção de azulejos e chega a Espanha (Sevilha) no início do século XVI. A primeira grande importação de majólica em Portugal é feita em Antuérpia pelo duque de Bragança para o Paço Ducal de Vila Viçosa, em 1558.
A partir de 1560, vários ceramistas italianos e flamengos fixam-se em Lisboa e a produção nacional de azulejos em faiança sobre a partir de então um notável impulso.
1.
Brasão dos Duques de Bragança
Oficina de Den Salm, Antuérpia, 1558
Proveniente do Paço Ducal de Vila Viçosa
.escudo heráldico do duque de Bragança, com elmo e paquife com dragão. Técnica de faiança com decoração maneirista de gosto italo-flamengo.
Composição com Cavaleiro
Oficina de Den Salm, Antuérpia, 1558
Proveniente do Paço Ducal de Vila Viçosa
.esta cartela circular exibe um cavaleiro empunhando uma espada e exibe uma rica rede de putti, com panóplias militares, vasos, laçados com pendentes, insetos e frutos.
Santo Antão Abade
Oficina delle Frate, Deruta,  Itália, 1560
.Eis Santo Antão, envergando o hábito da Ordem dos Antoninos,  com os atributos habituais: um tau sobre o ombro, o báculo e o ouriço.
.a inscrição .S. .A. refere-se ao seu nome e 1560 a data de feitura deste painel em faiança policroma.
.são raras em Portugal, as peças cerâmicas italianas, como esta.
.este azulejo provém de uma coleção particular e pode nunca ter estado em Portugal na sua época.
Azulejo de Rodapé
Lisboa, c.  1562
Quinta da Bacalhôa, Azeitão
.este azulejo pertence à primeira vaga de produção nacional em faiança e seria parte da Casa do Fresco da Quinta Bacalhôa (que pertenceu a Brás de Albuquerque, filho de Afonso de Albuquerque). Encontramos aqui um estranho animal alado, entre vários frutos e um macaco que parece seguir um fio até um fruto, que depois começa a mastigar.
.este azulejo expõe o gosto Português pelo exótico e pelo anti-racional que bebe muita da sua influência nos Descobrimentos e no contacto dos portugueses com outros povos e culturas.
.de sublinhar a qualidade gráfica, a eficácia dos delineamentos a azul e a harmonia cromática deste azulejo de rodapé da Bacalhôa (cerca de 1565).
Retábulo de Nossa Senhora da Vida
Atribuído a Marçal de Matos
Lisboa, 1580
Faiança sobre barro vermelho
Proveniente da Capela de Nossa Senhora da Vida, Igreja de Santo André, em Lisboa
.este conjunto monumental, composto por cerca de 1500 azulejos individuais foi executado em trompe l’oeil.
.o painel apresenta colunas ao centro e nichos com São João Evangelista e São Lucas, como se de esculturas se tratassem, estas figuras cercam uma Adoração dos Pastores. Sobre este conjunto, encontramos a Anunciação. O vazio ao meio é o local onde na capela, se encontrava uma janela.

Séculos XVI e XVII
Maneirismo e Protobarroco
1.
A partir de finais do século XVI e até cerca de 1630 ocorreu o grande foco da produção portuguesa de azulejos de repetição. Neste período, regista-se o uso preferencial de azulejos de repetição com motivos de inspiração italo-flamengos e produzindo padrões engenhosos e de aplicação de elevada qualidade pelos ladrilhadores portugueses.
2.
As composições geométricas deste período revelam a influencia dos arabismos do período precedente e distribuiem-se geralmente por padrões de quatro azulejos de cor lisa em azul e branco ou verde e branco.
3.
A decoração dos azulejos deste período tem uma nítida influência italo-flamenga, com motivos de ponta de diamante, parras ou folhagens em torno de grades, três motivos que primeiramente foram importados de Sevilha e que depois passaram a incorporam a produção lisboeta de azulejos.
4.
Durante o século XVII,  as olarias de Lisboa fabricaram padrões de módulos de dois por dois azulejos, quatro por quatro, seis por seis ou até, doze por doze. Estes azulejos utilizavam padrões de azul e amarelo sobre o branco e a partir de 1650 com padrões florais (mas sempre raros) de azul, amarelo, manganês e verde sobre branco. No final do século XVII, contudo, o gosto predominante já tinha mudado e agora o azul surgia já de forma quase exclusiva sobre o branco, numa tendência que haveria de passar até ao século XVIII.
5.
É típico da azulejaria dos séculos XVI e XVII a aplicação de frisos e grandes cercaduras junto aos contornos das paredes, portas e janelas. Estas cercaduras foram aquilo a que designa de “tapetes” pela semelhança com os mesmos produzida assim pelo conjunto de azulejos.  Sobre estes “tapetes”, encontramos frequentemente neste período registos, composições figurativas autónomas, semelhantes a quadros de pintura, com a inscrição da figuração de santos e episódios religiosos.
6.
Neste período, as composições figuradas em “tapete” são frequentemente executadas por artesãos, com estilos e capacidades artísticas muito diversas. Revelando, alguns, uma certa ingenuidade ou limitação artística.
7.
Painel de azulejos enxaquetados
Lisboa, primeiro quartel do século XVII
Faiança azul e branca
Proveniente de edifício do Porto
.esta composição e formada pela repetição de trapézios e triângulos cortados de azulejos de cor lisa, azuis e brancos.
.a partir de meados do século XVI este azulejos enxaquetados foram muito utilizados, contudo, e apesar de ser de produção barata, a sua aplicação era muito lenta e complexa, o que levou ao seu abandono a partir de meados do século XVII.
Painel de azulejos de padrão de ponta de diamante
Lisboa, primeiro quartel do século XVII
Faiança policroma
Proveniência desconhecida
.o padrão de “ponta de diamante”, surge aqui guarnecido com uma cercadura sendo um dos melhores exemplos nacionais de azulejaria maneirista.
.os seus motivos indicam uma clara influência clássica, com óvulos, ondas, cartelas e pontas de diamante, todos com ilusão de volume através do contraste de zonas de luz com sombra orientadas a 45 graus.

Século XVII
Composições ornamentais e figurativas
1. Durante o século XVII, adquire-se o gosto por grandes revestimentos a azulejo em monumentos de ordem religiosa e civil. Estes revestimentos procuram uma integração harmoniosa com o espaço arquitetónico, com o recurso a cenas mais ou menos eruditas e canónicas e símbolo heráldicos e da vida comum, com figurações de animais exóticos ou fantásticos.
2. As cenas da azulejaria portuguesa do século XVII incluem uma nítida influencia da gesta dos Descobrimentos e da Expansão, incorporando inspiração com origem nas culturas da Índia, China e Japão. A produção de azulejos em Lisboa, em particular, é especialmente influenciada por motivos orientais nos frontais de altar com aves e ramagens que são idênticos a tecidos importados diretamente da Índia. Estes motivos – ainda que provenientes de uma cultura não cristã – enquadram-se facilmente na simbólica do Paraíso e da Adoração de Cristo.
2.
A partir da segunda metade do século XVII observamos no azulejo português uma grande riqueza no imaginário e até, uma considerável liberdade de interpretação dos motivos clássicos e canónicos.
3.
Depois da restauração da independência, em 1640, regista-se um surto de decorações em azulejos de palácios nobres, especialmente na região de Lisboa. São deste período algumas das decorações mais exuberantes, na maioria com cenas de caça (uma das ocupações preferidas pela nobreza), existindo também exemplos de representações de cenas mitológicas, com seres míticos ou fantásticos ou cenas de batalhas. Se até aqui dominavam os temas religiosos, a partir da segunda metade do século XVII, predominam os temas profanos.
4.
A Sala da Caça do Museu do Azulejo reúne uma série de composições decorativas com cenas de caça entre animais. Oriundas do antigo Palácio da Praia (Belém), estas cenas revelam o gosto predominante na azulejaria feita para a nobreza a partir da segunda metade do século XVII.
5.
Além das cenas de caça, outro tema torna-se predominante na azulejaria portuguesa da segunda metade do século XVII: a das “macacarias” (designação corrente na época). Nestas, os símios ocupam um lugar maioritário e a sua atitude irónica e irreverente é uma constante. Existe nestas “macacarias” um claro sentido de crítica social, que pode estar ligado a uma satirização para com o poder externo (espanhol) de que Portugal se acabara de libertar e para com os seus apoiantes internos (concentrados na alta nobreza).
5.
Para além das cenas de caça e das “macacadas”, outro tema favorito na azulejaria portuguesa da segunda metade do século XVII foi a mitologia clássica, especialmente naqueles mitos mais ligados ao mar ou a criaturas marinhas.

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Percurso no Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)

 

Breve História do Museu Nacional do Azulejo (Convento da Madre de Deus)

1. O Convento da Madre de Deus é uma das mais importantes realizações da cultura artística nacional. A sua construção começou no início  do século XV mas aquilo que nele pode ser hoje observado data efetivamente de meados desse século com a acumulação posterior de várias campanhas de decoração, entre finais do século XVII e finais do século XVIII, a que se seguiram vários restauros em finais do século XIX.

2. O Museu Nacional do Azulejo situa-se nas instalações do antigo Convento da Madre de Deus, casa da Ordem de Santa Clara, fundada em 1509 pela Rainha Dona Leonor, mulher de Dom João II.

3. Da construção original subsiste hoje, na fachada, a torre sineira e o corpo anexo ao nível da atual rua. No interior do convento, é também desta época a sala com teto de alfarge, que tem o nome de “Capela de Dona Leonor”, assim como o piso térreo do claustrim, que revelam um caraterístico estilo Gótico Manuelino.

4. Em meados do século XVI, Dom João III  encomendou ao arquiteto Diogo Torralva uma nova igreja, com a sua fachada e claustro num plano mais alto que a primeira fase de construção por forma a resolver o problema da recorrente invasão por águas do Tejo de que se queixavam as freiras. O trabalho de Diogo Torralva revela uma grande austeridade decorativa num clássico estilo maneirista.

5. Entre finais do século XVII e o começo do século XVIII, graças ao afluxo das riquezas do Brasil, a igreja do convento recebe a instalação de azulejos holandeses, talha dourada e ciclos pintados das vida de São Francisco, Santa Clara e da Virgem.

6. O terremoto de 1755 danifica seriamente a capela-mor e na campanha reconstrutiva Dom José I manda construir um novo altar em estilo rococó. Desta época são igualmente a Sala do Capítulo, o espaço do subcoro, o Coro e a Capela de Santo António com a Casa do Presépio onde se pode ver ainda hoje um presépio da autoria de António Ferreira.

7. A extinção das ordens religiosas em 1834 e a transferência da posse do edifício para o Estado em 1872, depois da morte da última freira conduz a extensas obras de restauro. Inicialmente conduzidas por José Maria Nepomuceno, num estilo de revivalismo romântica, estas obras reconstroem a fachada a partir do quadro “Chegada das Relíquias de Santa Auta” de 1522. Nepomuceno construiu também o primeiro piso do claustrim e abriu uma parede na igreja, colocando-a em contacto com os demais espaços do convento.

8. Os melhoramentos de José Maria Nepomuceno foram continuados pelo arquiteto Liberato Teles, que incentivou a colocação no Convento da Madre de Deus de instalações de azulejos provenientes de outros edifícios do país.

9. Em 1965, o núcleo de Azulejaria do Museu Nacional de Arte Antiga foi transferido para o Convento. Cinco anos depois abria ao público o Museu do Azulejo.

A Igreja do Convento da Madre de Deus

1. A Igreja foi construida durante a década de 1550 por ordem de Dom João III. De traços austeros, abóbada de canhão e altar-mor sob arco triunfal de volta perfeita, ladeado por arcos mais baixos.

2. O seu interior, austero na matriz inicial, acabaria por albergar uma densa decoração barroca sob Dom Pedro I, Dom João V e Dom José I. Entre esta decoração destacam-se os painéis de azulejo na nave, de origem holandesa e encomendados em 1698. Estes azulejos representam Moisés e o episódio da Sarça Ardente sendo da autoria de Willem van der Kloet. Entre estes azulejos destaca-se a cena de um frade em oração, frente a outros frades na mesma atitude. Na capela-mor encontramos o Papa Nicolau V perante o cadáver de São Francisco e um frade pedindo silêncio, naquilo a que Vítor Manuel Adrião quis interpretar um gesto invocando o segredo da mensagem esotérico (alquímica?) que transparece de alguns azulejos do convento. Estes azulejos são produto do autor holandês Jan van Oort.

3. Já no século XIX, durante a campanha de reconstrução de Liberato Teles, foram aplicados na parede do fundo da igreja do Convento da Madre de Deus dois painéis de azulejos descrevendo a chegada das relíquias de Santa Auta, da autoria de Pereira Cão.

4. Acima dos azulejos na igreja do Convento da Madre de Deus encontramos uma serie de pinturas da segunda metade do século XVII da autoria de Bento Coelho da Silveira: num primeiro nível, representam a vida de São Francisco, num segundo, a vida de Santa Clara. No teto, encontramos episódios da vida da Virgem Maria e de Cristo, em quadros de Marcos da Cruz (segunda metade do século XVII).

O Claustro do Convento da Madre de Deus

1. O Claustro do Convento da Madre de Deus foi construido a partir de 1551, numa campanha construtiva orientada pelo arquiteto Diogo de Torralva, num estilo muito austero e simples, incorporando cinco vãos tripartidos (aludindo, talvez, à Santíssima Trindade) por colunelos.

2. No centro do claustro do Convento da Madre de Deus, encontramos uma fonte em mármore de inspiração neogótica com seis atlantes que sustentam uma grande e que exibem filacteras entre as estátuas, como estas trocassem frases entre si:
Ajuda-me
O melhor que posso
E tu que não ajudas
Não posso mais
Muito pesado
Deus nos ajude

 
Claustrim do Convento da Madre de Deus

1. Este pequeno claustro é (pela sua pequenez) designado por “claustrim” e era originalmente o claustro do convento tendo sido construido entre 1509 e 1525. De planta regular, é composto por 32 arcos de volta perfeita em colunelos de capitéis simples. O seu estilo é o de um austero Tardo-Gótico renascentista. Aqui observamos igualmente a fonte de Santa Auta, que deverá ter estado originalmente no exterior da cerca do convento e que para aqui foi deslocada numa das campanhas de construção do século XIX.

2. O cordão afivelado do Claustrim do Convento da Madre de Deus que pode ser observado nos dois pisos é de estilo neogótico e resulta da campanha de obras de 1872, a qual colocou no primeiro piso do claustrim arcos ogivais, subdivididos por colunelos.

3. Os azulejos em rico enxaquetado do século XVII que decoram as paredes do claustrim da Madre de Deus e a escadaria de acesso ao piso superior são oriundas do antigo Convento de Santa Ana, em Lisboa e na escadaria de acesso ao piso superior do Claustrim encontramos composições de caça da segunda metade do século XVIII, que vieram do Palácio do Calhariz, também em Lisboa.

Capela de Santo António:

1. A Capela de Santo António do Convento da Madre de Deus é também conhecida como “Antecoro”, tendo sido decorada por ordem de Dom João V com soalhos de madeira do Brasil, painéis de azulejos que representam a vida dos santos eremitas Santo Antão e São Paulo e pinturas da autoria de André Gonçalves sobre os milagres de Santo António nas paredes e teto. Frente ao altar encontramos a porta do presépio, cuja autoria se atribui a António Ferreira.

Presépio do Convento da Madre de Deus:

1. O presépio terá sido executado entre 1700 e 1730 por Dionísio e António Ferreira, no âmbito da campanha construtiva ordenada por Dom João V.

2. O presépio é um dos mais complexos do país e deste período, contando com 42 peças em terracota, com apontamentos de ouro e prata. Expõe vários aspectos da vida comum da época, com um tratamento individualizado para os rostos e panejamento muito cuidado

 

Um Percurso Pedonal https://www.facebook.com/MysteriesLisbon

Coro (ou Sala do Tesouro) do Convento da Madre de Deus:

1. O coro era no convento o lugar de reunião das freiras e foi construido sob o reinado de Dom João III, tendo recebido decoração em estilo barroco sob Dom João V e Dom José I,  tendo sido concluído em 1759.

2. O soalho marchetado do Coro do Convento da Madre de Deus é composto por madeiras do Brasil. As vitrina colocadas sobre o cadeiral conservam relicários de santos.

3. Encontramos no coro um tabernáculo com as armas de Dom José I apresentando ao topo as armas as três virtudes: Fé, Esperança e Caridade, assim como o Pelicano sob Deus.

4. Os vãos das janelas do Coro exibem oito heroínas do Antigo Testamento.

5. O nível superior das paredes da sala do Coro está decorado com pinturas portuguesas dos séculos XVII e XVIII com episódios da vida da Virgem e de Cristo e com os retratos de Dom João III e Dona Catarina de Áustria, da autoria (supõe-se) de Cristóvão Lopes.

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Existe no Jardim Zoológico de Lisboa uma mensagem esotérica?

1.
Quando os arquitetos do Jardim Zoológico de Lisboa decidiram erguer este espaço a partir de 1905, em 1907, na Quinta da Laranjeiras (ainda hoje o nome de uma estação de metropolitano situada nas imediações) optaram por incluir uma série de referências ao Paraíso cristão e ao Éden pagão. Esta inesperada carga simbólica foi reconhecida por alguns dos promotores iniciais do projeto como o rei Dom Fernando II, Camilo Castelo Branco e o conhecido construtor da Quinta da Regaleira, Carvalho Monteiro.
2.
A inspiração do Jardim partiria dos Jardins Suspensos de Babilónia, onde se conjugavam os quatro reinos da Natureza: Mineral, Vegetal, Animal e Humano, em são e plena harmonia.
O mineral está presente pelos granitos expostos no jardim, o vegetal pela densa e rica vegetação colocada nos espaços verdes originais do jardim, o animal, pela espécies animais aqui reunidas e o humano, pela população humana que visita o Jardim Zoológico.
3.
Todos os iniciais proponentes e defensores da construção do Jardim Zoológico pertenciam a Sociedades Secretas: Maçonaria (conde de Farrobo), Rosa Cruz (D. Fernando II), Maçonaria Templária ou Monárquica (Carvalho Monteiro).
4.
O principal elemento simbólico do Jardim Zoológico de Lisboa encontra-se no “Jardim do Roseiral” ou simplesmente “Roseiral”. Este jardim, é visitado a partir de uma pequena ponte de pedra, que simboliza a ascensão a um estado espiritual superior, mais evoluído. A ponte está delimitada por quatro colunas, cada uma coluna com um artífice egípcio, um por cada um dos quatro elementos da Matéria e um por cada Ponto Cardeal (simbolizando assim, o Todo Universal).
5.
O Roseiral foi concebido para funcionar como um templo ao ar livre, em que as fontes, labirintos, dragões, gansos, delfins, esferas e esfinges com rostos masculinos, mas corpos de mulher (andróginos) cumprem papéis muito específicos num percurso iniciático que culmina no “Lugar da Rosa”, muito judiciosamente escolhido tendo em conta o simbolismo da “Rosa” (ocultação, camadas de revelação e rosacrucianismo).
6.

O local escolhido para construir o Zoológico de Lisboa assume uma carga simbólica por existir aqui um cruzamento de sete ribeiros que desembocavam no rio de São Domingos, sendo que deste rio partiam depois 4 outros pequenos rios, precisamente como sucedia no Paraíso da Mesopotâmia, sendo o Velho Testamento…

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Mosteiro dos Jerónimos: um roteiro simbólico e secreto

 

1- Uma das várias “mãos de Deus” da Igreja dos Jerónimos, parte de um ritual de iniciação em que os futuros navegadores deviam procurar a coluna com a “mão de Deus”, que deviam tocar (o que explica o desgaste que se observa no motivo).
2. No Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos um ouroboros no tecto. Símbolo de eternidade, renovação alquímica da matéria e unidade do cosmos e do infinito a serpente que morde a sua própria causa é um símbolo que se repete (várias vezes) no claustro da Sé Catedral de Lisboa e que também surge no Convento da Madre de Deus (no Claustrim).

3. No painel central do grandioso pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos o Infante Dom Henrique. A posição onde se encontra a sua estátua está carregada de valor simbólico, estando no eixo que separa o “céu” da “terra” (Nossa Senhora dos Reis Magos e Arcanjo São Miguel). Dom Henrique é aqui tanto mais invulgar, porque é o único “homem comum” representado nesta fachada, o de evidencia a sua importância para o projeto quinto imperial que então Portugal estava a construir.

4. O Infante Dom Henrique designava a região onde se viria a construir o Mosteiro dos Jerónimos como “Beth-Lehem”, isto é, a “casa do pão” em hebraico. Esta poderia ser uma alusão ao local onde esperava – no seu magistral plano quintoimperial – lançar as bases do novo Homem, iniciado em Cristo e no Império, novo Cristo que partiria a desbravar e a evangelizar o mundo.

5. Antes do Mosteiro dos Jerónimos ser construído existia neste local uma Capela da Ordem de Cristo que prestava “apoio espiritual” aos navegadores que destas praias (então ainda a poucos metros da atual fachada do mosteiro) partiam para as Descobertas. Seria nesta capela que se desenrolavam as cerimonias de iniciação que depois foram transferidas para o interior do mosteiro, e nomeadamente para a Igreja dos Jerónimos.
6. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar representações do Sol e da Lua, assim como dois medalhões com as efígies do rei e da rainha. Um e outro símbolo aludem à dualidade sexual (Enxofre-Mercúrio) da matéria e à conjugação harmoniosa que o Adepto tem que cumprir na Grande Obra para alcançar o Rubedo e o consequente sucesso.
7. Num medalhão do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos encontramos uma rosa solar aberta (valendo pela “vida”) sobre a cruz do calvário (morte), numa clara alusão ao Renascimento e à Regeneração que se pode alcançar pela Pedra dos Filósofos e pela rectidão de percurso na Grande Obra.
8. No friso do pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos podemos observar os símbolos da corda, da seta de cupido e do ovo filosófico (matrás alquímico). A corda – motivo templário – vale pela união entre Iniciados que se cumpria nesta local que iniciação que era o mosteiro; o Ovo representa o recipiente onde decorre a evolução da Materia Prima até ao estado mais puro e iluminado (a Pedra Filosofal, que aqui pode ser tanto uma expressão de Alquimia Espiritual, como de Material). A seta de Cupido, por fim, refere-se ao Amor, referido na Sé de Lisboa pelos vários “pássaros que se beijam” e que liga à ideologia dos trovadores e jograis de finais da Idade Média, verdadeiros porta-vozes da Igreja de João e do Templarismo.
9. No pórtico sul do Mosteiro dos Jerónimos encontramos também (como na Sé de Lisboa), o Arcanjo São Miguel, guardião de Portugal e do mundo e que – pela sua espada flamejante – alude ao Mercúrio dos Filósofos, o dissolvente que tudo mistura e que tem um papel determinante no sucesso da Obra de Hermes.
10. Na Igreja de Santa Maria de Belém podemos encontrar o Rectângulo de Ouro ou Secção de Ouro, aqui colocado pelo grande arquiteto dos Jerónimos, Mestre Boitaca. Símbolo da expressão do Logos de João e do Fogo, elemento que anima a matéria morta e a conduz ao desenvolvimento pleno.
11. A ocidente do Claustro do Mosteiro dos Jerónimos, Boitaca concebeu um caminho iniciático que começa no local onde encontramos um X num medalhao. Este símbolo vale aqui por Cristo e pelo Fogo (como a Secção de Ouro da planta da igreja). O caminho iniciático termina num Sol antropomorfizado que vale pela ascensão do iniciado a esse novel patamar. Ao longo deste caminho, dispõem-se vinte medalhões e oito quadros esculpidos, um por cada passo de iniciação que o neófito tem que saber vencer até conseguir alcançar o Sol, o seu objetivo final.
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A Torre de Belém: Simbolismo e Esoterismo

1. A Torre de Belém está construída naquele que é um dos melhores exemplos do estilo gótico manuelino. Trata-se de um baluarte em que a torre é composta por quatro andares, um por cada um dos Quatro Elementos da matéria na visão alquímica do mundo.

2. A capela da Torre de Belém apresenta o chão composto por um xadrez que recorda o chão da cripta neotemplária da Quinta da Regaleira. No seu centro, encontramos um octógono, outro símbolo templário que simboliza a regeneração espiritual pela comunicação entre a Terra (quadrado) e o Céu (círculo).

3. Na sala da capela da Torre de Belém encontramos uma cabeça, no canto a noroeste, a aproximadamente um metro de altura. Sob esta cabeça (bafomética?) Encontramos uma suástica de cinco braços no centro de uma estrela de seis pontas. Sobre a cabeça surge o Fogo, como se o movimento circular e solar da suástica (símbolo do Sol) regenera-se o indivíduo que aqui era iniciado (porque este era um local de Iniciação neotemplária). Recordemos ainda que o Cinco é o símbolo do Todo (soma do primeiro número par, o feminino Dois e do primeiro número ímpar, o masculino três) e das Cinco Chagas de Cristo.

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A Mensagem Esotérica da Sé Catedral de Lisboa (notas soltas)

0. Introdução: a Sé Catedral de Lisboa

Uma das lendas da fundação de Lisboa, alude à fundação da cidade por Ulisses, que aqui se terá apaixonado por Ofiussa, a rainha das mulheres-serpente. Quando Ulisses decidiu regressar à sua Ilha de Ítaca, Ofiussa ficou tão furiosa que fez tremer a planície onde estava Lisboa criando assim as Sete Colinas. Onde hoje se erguem sete igrejas, sendo esta, da Sé, uma delas.

No período visigótico já existia neste local algum tipo de atividade religiosa, como comprova uma lápide no flanco exterior norte da Sé. Na época romana, o Fórum de Lisboa parece ter funcionado aqui, o que quer provavelmente dizer que haveria também aqui um povoado pré-romano ou um templo pré-romano. Isto mesmo indicia a proximidade do Teatro (na vertente do Largo de Santiago) e a antiga Porta de Ferro na mesma encosta, construída no mesmo local onde se pensa que existia um arco triunfal romano.

A Sé Catedral de Lisboa teve como primeira designação “Igreja de Santa Maria Maior” (ainda hoje, o nome desta paróquia e agora nome da atual freguesia agregada). Sendo “Santa Maria Maior” outro nome da “Nossa Senhora das Neves“, o qual provém da tradição em que um casal romano, que havia pedido à Virgem um sinal sobre como poderia gastar a sua fortuna. Em sonhos, a Virgem respondeu dizendo que o local onde queria que construíssem uma basílica seria aquele que aparecesse coberto de neve, em agosto. Tal aconteceu, na noite de 4 para 5 no Monte Esquilino, em Roma, tendo sido este então o local se haveria de erguer a Basílica de Santa Maria Maior de Roma.

A Sé foi mandada construir por D. Afonso Henriques em 1150, apenas 3 anos depois de ter tomado a cidade aos muçulmanos, no local onde funcionava uma mesquita almorávida. O projeto segue as grandes linhas da Sé de Coimbra. E a primeira fase de construção, no estilo românico teria cabido a Frei Roberto de Lisboa, mestre dos Monges Construtores (que se presume de origem normanda), coadjuvado pelo mestre Bernardo.

A Sé de Lisboa é posterior à Sé de Coimbra, local onde terão trabalhado os mesmos mestres construtores. A maior diferença entre as duas construções consiste na existência em Lisboa de mais um tramo e de torres, para além de arcos e pilares num estilo românico mais evoluído que o da Sé de Coimbra.

O primeiro bispo de Lisboa foi o cruzado inglês Gilbert de Hastings.

O plano da igreja assume um intenso pendor defensivo, como aliás era típico deste estilo e de um período tão bélico da História nacional e isto apesar de se situar na Cerca Moura, isto é, já dentro do recinto amuralhado da cidade.

Durante a Idade Média, a Sé funcionou como o Fórum romano sobre o qual se pensa ter sido construída, tendo-se realizado no adro e interior algumas das reuniões dos homens-bons da assembleia municipal. Num anexo funcionava também a Escola da Sé que foi frequentada por muitas personalidades ilustres da Idade Média portuguesa, como Santo António de Lisboa (então ainda conhecido como Fernando de Bulhões).

A Sé sofreu muitos danos nos 3 grandes terremotos do século XIV, e, sobretudo, no de 1755 (em que caiu, por exemplo, a torre lanterna de vários andares), tendo sido renovada depois de cada um deles.

Apesar de ter sido alterada várias vezes, a fachada principal mantém a sua estrutura românica: duas torres, uma rosácea e merlões, reconstruídos no século XX).

O portal românico está recolhido e exibe arquivoltas sobre colunelos reentrantes encimados com capitéis decorados com motivos vegetalistas e antropomórficos.

O corpo da igreja revela uma planta em cruz latina, de 3 naves. Os capitéis deste núcleo central da igreja não possuem atualmente qualquer elemento decorativo. O interior é assim muito austero e atualmente sem os embelezamentos feitos na época de D. João V (começos do século XVIII).

Até ao século XIV, era possível observar na cabeceira uma composição tipicamente românica, com abside e dois absidíolos laterais menores. Desta composição restam alguns vestígios nas faces interiores e exteriores do transepto, onde é igualmente possível observar ainda que os absidíolos originais eram muito mais altos que a atual charola. Os anexos que posteriormente foram adicionados na fachada norte datam da transição (finais do século XII e começos do século XIII), ou seja,  entre o românico e o gótico.

Na Capela de Santo Ildefonso encontramos o sarcófago do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de D. Afonso IV, e da sua esposa Maria Vilalobos. O túmulo está esculpido com a figura barbuda do nobre, de espada na mão, e da esposa, com um livro de orações e os cães sentados a seus pés. Na capela adjacente encontravam-se os túmulos de D. Afonso IV e da rainha Dona Beatriz.

À esquerda da entrada a capela franciscana contém a pia onde Santo António foi baptizado em 1195, com azulejos que o representam a pregar aos peixes (para alguns, uma alusão aos cátaros do Languedoc). Na capela adjacente existe um Presépio barroco feito de cortiça, madeira e terracota da autoria de Machado de Castro (um dos maiores escultores portugueses e autor da estátua de D. José I, na Praça do Comércio). Ter em conta que a água da pia baptismal é uma alegoria à regeneração e à purificação física, sendo também assim a “fonte da juventude” que é o objetivo último da Pedra Filosofal. Na Alquimia, a Água é o elemento de união das oposições dos dois elementos masculino e feminino (Adão e Eva ou Enxofre e Mercúrio).

A peça mais preciosa do tesouro da catedral é a arca que contém os restos mortais de São Vicente, transferidos do Cabo de São Vicente para Lisboa em 1173. A lenda diz que dois corvos sagrados mantiveram uma vigília permanente sobre o barco que transportava as relíquias. Os corvos e o barco tornaram-se no signo de Lisboa. Diz-se também que os descendentes dos dois corvos originais viveram durante muito nos claustros da catedral…

Existe uma lenda que descreve a existência de um túnel ligando a Sé, o Castelo de São Jorge o Convento do Carmo. Estes locais, sagrados e tendo todos em comum a Flor de Lis correndo uma maldição sobre quem “ouse penetrar essas misteriosas e ocultadas artérias sob o chão de Lisboa”.

Uma lenda alega que a Sé é uma das “sete catedrais do Graal”, juntamente com:
1ª) Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
2ª) Santa Maria Maggiore, Roma, Itália
3ª) Catedral do Precioso Sangue,  Bruges, Bélgica
4ª) Catedral de Santa Maria Maior, Lisboa, Portugal
5ª) Catedral de Washington, Washington, E.U.A.
6ª) Catedral do México, Cidade do México, México
7ª) Basílica do Salvador, São Salvador da Bahia, Brasil

O Graal na Sé Catedral de Lisboa

O Santo Graal terá sido o recipiente que recebeu o sangue de Cristo, recolhido por José de Arimateia e por onde Cristo teria bebido na Última Ceia. Após esta recolha, o Graal teria sido guardado em sete templos no Médio Oriente, naquelas a que o Apóstolo João chama de “7 Igrejas do Oriente“. A partir de finais do século X, o Graal – segundo esta lenda – chega ao Ocidente, percorrendo as 7 catedrais do Ocidente acima listadas tendo estado em Lisboa sob a custódia da Ordem de Mariz (ordem secreta sob a cobertura das Ordens de Avis e do Templo).

Este mito está interligado à lenda do Rei Artur, narrada por Chrétien de Troyes e que teria chegado a Portugal (ainda antes da independência nacional) graças aos Trovadores, protegidos pela Ordem do Templo, sendo Dom Dinis (que ordenou a construção do claustro da Sé) um defensor dos templários, após a extinção da ordem e, simultaneamente, um trovador e poeta…

A este propósito, deve aqui invocar-se a tradição de que 2 dos 12 cavaleiros da Távola Redonda (Tristão e Roldão) seriam portugueses, e que estes cavaleiros tinham como maior objetivo a descoberta do Santo Graal.

A Confraria dos Trovadores e Jograis estava espalhada por toda a Europa e os primeiros ecos da sua existência aparecem na poesia dos séculos X e XI composta por louvores à Mãe de Deus e bendizendo da Humanidade. No seu papel de bardos, os Trovadores, por meio dos seus cantos amorosos e satíricos, espalharam muitas verdades iniciáticas. Eles eram, por assim dizer, os “correios” ou “porta-vozes” entre os Iniciados europeus.

Ligado ao Graal está igualmente o mito da Taça Djin, originalmente criada por Salomão e que o pai de Afonso Henriques teria possuído em 1095, depois da conquista (provisória) de Sintra, perdendo-a depois para os Almorávidas.

Ainda em relação ao Graal, saiba-se que uma das teses para a formação do nome de Portugal, é o de Porto-do-Graal:

Vítor Manuel Adrião, afirma que  “A tradição refere que São Bernardo Claraval mandou recolher, nas galerias do Templo de Salomão, um objecto sagrado que mandou trazer para a Europa”, adiantando: “E quando o conde D. Henrique o convidou para o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, o Santo Graal veio para cá.” Por outro lado, no documento de doação de Tomar aos Templários, há um sinal rodado, um selo oficial, onde se pode ler ‘Porto Graal’. Ou seja, Portugal, porto do Graal, faz todo o sentido.”

 

1. Esoterismo, Hermetismo e Linguagem dos Pássaros

Existe uma corrente de historiadores da arte, que acredita que a decoração das catedrais medievais não tem significado. Segundo estes historiadores, a única motivação seria o preenchimento dos espaços vazios…

O que está em cima é como o que está em baixo“, diz o pilar fundamental da visão hermética e inscrita na Pedra Esmeralda de Hermes Trimesgisto. Tudo na Catedral apela à verticalidade e à ligação do Alto, com o Baixo, nas colunas, tectos altos, abóbadas e vitrais. Esta verticalidade, representa o Espírito contraposto à Matéria (o solo), sendo o Espírito a meta do desenvolvimento humano.

A tradição do hermetismo é a de ocultar a mensagem, transmitida diretamente de Adepto para Aprendiz, com auxílio do livro escrito ou do livro de pedra das catedrais e das mansões filosofais (como a de Nicolau Flamel). Aquelas mensagens herméticas que hoje podemos adivinhar (sempre com múltiplas interpretações) são uma parte desse processo de transmissão de conhecimento e de iniciação.

Esta “língua da pedra” é a Linguagem das Aves (que aliás, são omnipresentes na Sé) e que pode ser também usada oralmente, com combinações fonéticas ou jogos de palavras, para transmitir uma mensagem oculta imersa sobre uma mensagem superficial.

No diálogo entre o rei Chalid e o monge Morieno, escreve-se “a base desta arte reside no facto de que todo aquele que a queira transmitir tem, por seu turno, de a ter aprendido com um mestre… e torna-se igualmente necessário que o mestre a tenha praticado com frequência na presença do discípulo… Pois aquele que conhece com exatidão a ordem da obra, aquele que já a realizou com as suas próprias mãos, em nada pode comparar-se àquele que se limitou a estudá-la nos livros“.

Iniciemos então o nosso percurso, começando na porta da catedral, percorrendo a sua lateral direita e penetrando depois no claustro, concluindo o nosso passeio contornando pela direita o edifício e terminando-o na porta sacra oitocentista.

Nas catedrais tudo tinha cores vivas e luz. Matryrius, um bispo e viajante do século XV, ao descrever a Notre Dame de Paris diz que o pórtico era resplandecente como as portas do Paraíso: Púrpura, rosa, azul, prata e ouro estavam por todo o pórtico. Alguns indícios de cor ainda podem aqui ser observados no tímpano da porta principal.

A própria arquitetura das igrejas medievais é – segundo Fulcanelli – uma referência ao matraz cruciforme ponde a matéria prima primeiro morre, é purificada, espiritualizada e transformada, o local onde segundo a Tábua da Esmeralda: “se não decompões os corpos e não corporificas os incorporais, o resultado esperado será nulo.”

Existem vários testemunhos da presença da Alquimia na Idade Média portuguesa. Desde o Convento de Tomar, onde se diz que era praticada a Espagíria, ao Convento dos Capuchos, em Sintra, passando pelo Convento de São Dinis em Odivelas onde Dona Feliciana de Milão (1642-1705) escreveu o seu “Discurso sobre a Pedra Filosofal“. No Convento do Carmo, não muito longe da Sé, encontramos também a figura de um alquimista no túmulo de Dom Fernando

Sabe-se que os conhecidos alquimistas Raimundo Lulio, Arnaldo de Vilanova e Paracelso estiveram em Lisboa. E que portugueses notáveis (talvez alquimistas) estiveram em contacto com alquimistas europeus. É o caso de Pedro Hispano que se correspondeu com Alberto, o Grande. Afonso V, alegadamente, terá escrito o “Lapis Philosophorum” e, depois, o “Divisão dos Quatro Elementos“. Mais tarde, em 1556, a Inquisição acusaria António de Gouveia, dos Açores, de praticar Alquimia e de saber transmutar chumbo em ouro. Na mesma época, a Inquisição mandava queimar a biblioteca alquímica de Frei Vicente Nogueira. No século XVII, Pedro Nunes trocava cartas com Jonh Dee e Duarte Madeira Arrais escrevia o “Novae Philosophiae“. No século XVIII, Anselmo Caetano Munhoz de Abreu e Castelo Branco publicava “A Ennoea ou Aplicação do Entendimento sobre a Pedra Filosofal“. No século XIX, Carvalho Monteiro erguia a sua Quinta da Regaleira, onde os elementos alquímicos são uma constante…

Entre 1325 e 1357 ocorre novo surto construtivo na Sé Catedral durante o reinado de Dom Afonso IV com o erguer de uma nova cabeceira de estilo gótico, com a capela-mor (que o monarca pensou como panteão privado) reparando assim os danos profundos sofridos pela cabeceira românica original do abalo sísmico de 1344. Desta fase de construção data também o deambulatório (a galeria que rodeia a capela-mor, rodeada de nove capelas radiantes, mais baixas por forma a permitir a iluminação direta da capela-mor algo que é um motivo comum na maioria das igrejas de peregrinação da Idade Média).

Em termos de estilos arquitetónicos, a Sé é hoje o produto da combinação de vários estilos diferentes, naquilo a que alguns já chamaram de “pastiche“. No interior, encontramos 3 naves de 6 tramos com a central coberta por uma abóbada de canhão e as laterais por abóbadas de aresta. O transepto é também abobadado, com rosáceas, exibindo este conjunto uma notória influência normanda, porventura por via de mestre Roberto. Estas 3 naves da Sé de Lisboa são hoje, das poucas estruturas que escaparam quase ilesas às várias alterações da igreja.

Em 1649, o arquiteto Marcos da Cruz ergue uma nova sacristia, com uma estatuária em que se destaca a curiosidade de apenas estarem representados santos portugueses.

A Sé Catedral viria a sofrer extensos danos em 1755, no abalo e no incêndio subsequente, perdendo parte do claustro da capela-mor gótica, parte da torre sul da fachada e toda a torre sineira do cruzeiro e a talha interior. A abóbada da nave central colapsa, assim como a da capela-mor. A Sé perde então a sede da diocese de Lisboa, em virtude da grande extensão dos danos sofridos. As capelas radiantes da cabeceira perdem no incêndio a sua decoração, ficando sem a talha, azulejos e muitas das esculturas que as compunham. No mesmo desastre, perdem-se os túmulos de Dom Afonso IV e sua esposa.

A capela-mor é reconstruida a partir de 1777 e o seu interior exibe desde então um claro estilo neo-clássico e perdendo-se assim os estilos românico e gótico que antes definiam esta importante secção do edifício.

No começo do século XX, o então popular (e muito influente) arquiteto Augusto Fuschini concebeu um plano massivo de reconstrução com um grande projeto de estilo neo-gótico (para a nova cabeceira) e neo-clássico (colocando novas colunas na entrada principal, cujos restos estão hoje no claustro). A morte de Fuschini levou ao abandono do projeto, salvando-se assim a severa descaraterização do edifício que se preparava. A partir daqui, as obras na Sé são mais modestas.

Alguns anos depois, António do Couto Abreu procura recuperar as estruturas existentes, recuperando a abóbada da nave central, mas no processo acaba introduzindo elementos neo-românicos que confundem hoje (quanto à data) o visitante desta igreja lisboeta… inauguradas em 1940 (a data “940” pode ser hoje encontrada no muro exterior direito da Sé) estas obras tornam-se numa manobra propangadística do Estado Novo.

O que é a Alquimia?

O fundador mítico da Alquimia é Hermes Trimesgisto. Para os muçulmanos, Hermes seria Ídris, um profeta ante-diluviano que teria enviado por Alá para inspirar os homens a organizarem-se depois do Dilúvio. A palavra “alquimia” é de origem árabe (alkhimiya) e deriva do substantivo egípcio “khemi” (negro), a matéria original da transmutação, em que o negro se torna em ouro depois de passar pelo branco.

Fachada da Sé Catedral de Lisboa

A fachada da Sé de Lisboa mostra um corpo central ladeado por duas torres amuralhadas muito ao gosto românico, quadradas e de face lisa.

A rosácea no corpo central é formada por um vitral executado na Fábrica Ricardo Leone (década de 1920). Sob o vitral, encontramos o arco de entrada na Sé com 8 capitéis  decorados, numa repetição dos números simbólicos 4 (quatro arquivoltas).

Na simbólica alquímica, os 4 elementos da matéria (uma conceção helénica: Terra, Água, Ar e Fogo), o número 8 de Cristo e da “regeneração” (duas vezes o Quatro, o número da Matéria) e somando ambos como faz Vítor Manuel Adrião, chegamos ao 12, o número dos “Cavaleiros Tributários da Távola do Santo Graal, aos 12 Apóstolos do Cristo, dos 12 Signos do Zodíaco” e, claro, das 12 operações da Grande Obra:

Calcinação (Carneiro)
Congelação (Touro)
Fixação (Gémeos)
Dissolução (Caranguejo)
Digestão (Leão)
Destilação (Virgem)
Sublimação (Balança)
Separação (Escorpião)
Incineração (Sagitário)
Fermentação (Capricórnio)
Multiplicação (Aquário)
Projeção (Peixes)

Foto 2988. Rainha-Sereia (coroada)

Eis Melusina, uma figura que surge com alguma frequência em tratados de Alquimia. Originalmente, Melusina seria uma donzela amaldiçoada descoberta por Raymond, o Duque da Aquitânia, que, perdidamente apaixonado lhe rogou que casasse com ele. Melusina concorda, mas impõe a condição de nunca ser incomodada ao Sábado, durante o banho. O duque acede, mas torna-se desconfiado e um dia vai espiá-la no banho, descobrindo que esta se transformava numa sereia (dragão ou serpente, consoante as fontes). No contexto alquímico, Melusina, é um dos muitos símbolos da dualidade: Água e Terra ou Corpo e Espírito. A sereia, neste contexto, é também uma alusão à Iluminação e ao Mercúrio, Dissolvente Universal.

Foto 2989. Cavaleiro-Touro e Cavaleiro-Leão

Estes 2 cavaleiros em luta, um montando um leão, o outro um touro, significam, numa primeira camada simbólica, a luta peninsular entre cristãos e muçulmanos (o cavaleiro de barbas é um cristão e o imberbe um muçulmano) (Sol-Leão-Cristo) (Touro-Cornos-Lua-Islão). Alquimicamente, podemos estar aqui perante uma figuração da oposição Sol-Enxofre, Lua-Mercúrio, o Rei e a Rainha alquímicos.

Foto 2990. Arcanjo São Miguel com dragões a seus pés

Eis o arcanjo São Miguel com a sua espada flamejante, derrotando o dragão da heresia. Ao lado, encontramos os 3 mártires de Lisboa, da Igreja e lenda de Todos-os-Santos (Veríssimo, Máximo e Rufina), cujo culto, de facto, foi começado por Sancha Sanches (1180-1229), filha de Sancho I e neta de Afonso Henriques (monarca ligado à fundação da Sé).

Segundo a lenda, os 3 mártires seriam irmãos, provenientes de Roma (ou de Lisboa) e foram sido supliciados pelas autoridades romanas; após o suplício e morte, os seus corpos foram atados a pedras e deitados ao rio Tejo entre Lisboa e Almada, tendo os sido arrojados à costa num local em Lisboa.

Alquimicamente, este arcanjo é o símbolo do Fogo, um dos Quatro elementos que compõem a matéria. Associado por vezes ao elemento químico Enxofre e tendo como símbolo o triângulo invertido. Na tradição alquímica, os metais são incubados pelo fogo no ventre da Terra, cabendo ao alquimistas unicamente a missão de acelerar esse processo de desenvolvimento natural.

Foto 1. Rosto de Homem acompanhado de rosto feminino

Esta é uma alusão à dualidade Homem-Mulher, ao dualismo sexual Sol-Lua que era replicado por muitos alquimistas na sua procura pela Grande Obra ou perfeita União Alquímica (por exemplo, Flamel e Pernelle).

Estas duas metades do Casal Alquímico são complementares formando um único ser, o Andrógino. E a figuração destes Casais assume frequentemente o valor de Mercúrio (Feminino) e Enxofre (Masculino) como elementos duais da Matéria-Prima (aqui encerrados em perfeita proporção) e que são o primeiro desafio que o Adepto tem que vencer (identificando-a) na Grande Obra (via Seca e via Húmida).

É contudo necessário esclarecer que enxofre e mercúrio nada têm a ver com os “nossos” enxofre e mercúrio. São, princípios, símbolos da metalicidade para o enxofre e da combustibilidade e cor para o mercúrio. O terceiro elemento desta trindade (ver mais adiante) é o Sal, ou “mercúrio dos filósofos“, ou ainda a “ave de Hermes” (e muitas aves estão presentes na gramática decorativa da Sé), o principal agente da transmutação metálica.

Foto 2. Adão e Eva no exterior com árvore e serpente de permeio. Ao lado, dois pássaros beijando-se

Adão e Eva são mais uma referência (como a anterior) do Casal Alquímico. Na simbólica medieval surgem quase sempre com a tentação da serpente.

Adão é originalmente, segundo o Génesis, uma entidade andrógina, feita à imagem de Deus, sendo assim mais uma referência encontrada nesta Sé Catedral ao Andrógino alquímico.

Gólgota é o nome da colina do sepultamento de Adão, representado pelo crânio junto à cruz que frequentemente aparece nas imagens da crucificação. Nesta condição, simboliza Cristo como o novo Adão. Na gramática alquímica, Adão vale frequentemente por Matéria Prima.

A árvore entre Adão e Eva é “Árvore da Sabedoria”, a fonte do conhecimento de onde provém o Saber Operativo e todos os seus riscos (a Serpente ou Ofiussa).

O Casal de Pássaros que trocam este gesto de amor (beijo) é também encontrado na Carta do Tarot Cigano: “Os Pássaros, as Alegrias ou Sete de Ouros”, e é um símbolo de uma vida sentimental feliz mas também de uma vida plena e realizada e da consumação das Núpcias Alquímicas prenunciadas pelas várias referências a Casais Alquímicos que se observam na Sé Catedral de Lisboa. Em triplo sentido, é igualmente uma recordação ao neófito de que existe uma “linguagem dos pássaros” imersa na pedra desta igreja lisboeta.

Foto 3. Dois homens segurando um terceiro (prisioneiro?) pelo pescoço

Nesta aparente cena de tortura, a corda tem um valor simbólico: é aquilo que prende a alma ao corpo. Na Maçonaria, a corda representa também “a comunidade”. No período medieval a “corda com nós” representa a morte quando estes são desatados.

As janelas das catedrais medievais representam, nos seus vitrais, a abundância de cores da Jerusalém Celeste e, como não tem luz própria mas deixa passar a luz através dela, simboliza a Virgem Maria, a mãe de Deus, que traz em si o filho de Deus.

Foto 4. Lavrador que ara a terra e porco que devora planta

Arar, em linguagem simbólica medieval, significa fecundar ou propiciar – através do Homem – a união entre o Céu e a Terra, um dos propósitos explícitos, aliás, das catedrais. No sentido alquímico, significa a fecundação da Matéria Prima pelo alquimista.

Foto 7. Cabeça de Leão com asas de morcego

(Augusto Fuschini pretendeu reinventar uma catedral medieval, com laivos de fantasia neo-gótica (como o projeto para a nova cabeceira) e neo-clássica (com as grandes colunas para a entrada principal, cujos restos repousam ainda no claustro). A sua morte, em 1911, veio determinar o abandono do projecto)

O leão é – já na Idade Média – considerado o “rei dos animais” terrestres, assim como a águia (também presente na gramática decorativa da Sé) é considerada como a “rainha dos animais” do ar. O leão é o símbolo da luz, pela sua força, cor amarelo-dourada e à juba radiante que envolve a sua cabeça, a sua relação com a luz expressa-se também no mito medieval de que o leão nunca fecharia os olhos. Pleno de simbólica, o leão representa também o poder e a justiça, razão pela qual está frequentemente associado ao poder real.

Foto 8. Almas que ascendem ao paraíso

Esta coluna procede de uma das capelas menos utilizadas do claustro e é conhecida como “a coluna das almas”.

Esta imagem da ascensão das almas, em espiral e em torno desta coluna é geralmente feita com as figuras de braços abertos. Esta é uma alusão à união espiritual com Deus e à ascensão das almas ao Céu. Aqui, poderemos encontrar uma certa inspiração na Divina Comédia de Dante.

Foto 10. “Homem Verde” com flores que brotam da sua boca

A boca é o órgão da palavra e da respiração, por Deus insufla a vida e a alma.

Os homens-verdes são comuns nas catedrais góticas. A primeira identificação dos mesmos foi feita por Lady Raglan, em 1939. Especialmente comuns na arte gótica nas igrejas portuguesas, estas figuras surgem também no continente europeu e, em Portugal, na Arte Manuelina.

Segundo o historiador português Paulo Pereira, os Homens Verdes são uma alegoria do tempo e dos ciclos das colheitas, uma ligação que é particularmente clara na igreja de São Baptista de Tomar, cujo orago se liga às festas do solstício. Na Inglaterra medieval, as procissões medievais incluíam frequentemente homens verdes, cobertos de folhagens.

A presença destas figuras alude à passagem do tempo, pelo ciclo da “roda da vida”, como surge, por exemplo, no túmulo de D. Pedro I.

A figura tem óbvias origens pagãs (espírito que protege as florestas), mas permanece muito popular no gótico medieval, especialmente no inglês. Por exemplo, na misteriosa capela de Rosslyn a figura surge nada mais nada menos que 103 vezes, contra apenas uma figuração de Cristo.

O Claustro da Catedral da Sé de Lisboa

A construção do claustro da catedral começou no reinado de Dom Dinis. É com Dom Dinis que através da Rainha Santa Isabel chegam a Portugal as ideias Joaquimitas e se reforça o estudo da Alquimia, tendo sido esta rainha discípula do alquimista catalão Arnaldo de Vilanova (Jaime Cortesão acredita que Arnaldo de Vilanova esteve mesmo em Lisboa).

Um grande período de construção na Sé decorreu entre 1279 e 1325 e concentrou-se no claustro, utilizando a área de um bairro islâmico então demolido. O claustro de Dom Dinis exibe uma volumetria românica (robusta e austera) mas de estilo gótico, sobretudo nas suas galerias, destacando-se aqui as decorações dos capitéis. Contudo, apenas o piso térreo data desta época, sendo o piso superior bastante posterior, havendo quem suponha que proveio de outro edifício, desmontado e remontado aqui, na Sé, durante os séculos XV e XVI.

As capelas do Claustro da Sé revelam uma grande variedade de peças de escultura, de vários estilos e épocas, desde o românico, passando pelo gótico, renascimento e barroco. Entre as arcas das capelas do claustro, destacam-se as de Dona Margarida Albernaz (século XIV), com uma estátua jacente e a de Dom João Anes, o primeiro arcebispo de Lisboa (começos do século XV), também do mesmo século, encontramos a capela gótica de São Bartolomeu (segundo o nome do seu construtor, Bartolomeu Joanes), com o túmulo do seu fundador, datado de 1324.

Na capela de Santo Ildefonso encontramos a arca do século XIV de Lopo Fernandes Pacheco, companheiro de armas de Afonso IV e de sua esposa, Maria Vilalobos. Lopo Pacheco, barbudo e de espada na mão, tem um cão aos pés, como sua esposa, a qual, em lugar de uma espada, segura nas mãos um livro de orações. A capela adjacente foi construída para alojar os túmulos de D. Afonso IV e sua esposa D. Beatriz.
Foto 11. Dois pombos que se beijam

O beijo é visto na gramática decorativa medieval como um sinal da alma (sopro de vida), sendo uma marca de transmissão de força e de doação de vida. Nas igrejas cristãs, o beijo fraternal era uma marca de integração na comunidade.

Esta espiga de milho (???), pode datar este capitel do período que se sucede à introdução dessa planta na Europa (século XVI). Símbolo de prosperidade e abastança, assim como de fertilidade, provável razão pela qual aparece aqui associado a este casal amoroso.

Foto 16. Monge em atitude de meditação (de olhos fechados)

A cegueira representa frequentemente a sabedoria e a luz interior, mas na Bíblia é também um castigo por desobedecer a Deus, mas é igualmente um signo de iniciação como quando Cristo cura os cegos (iluminação).

Foto 17. Motivos gráficos idênticos ao elemento anterior, mas sem o monge (que ascendeu? Santo António?)

Sinal da Iluminação alcançada pela oração (ora et labora > laboratorium) e da Alquimia Espiritual.

Foto 18. Pentagramas, oito círculos e quatro quatros

O 5 é a soma do primeiro número par e do primeiro número ímpar, e logo (desde os Pitagóricos), como símbolo do casamento e e da união e da perfeição. Neste contexto, aparece no período medieval como sinal de reconhecimento das corporações de mestres construtores. Na simbólica cristã, representa as cinco chagas de Cristo.

Os pentagramas tinham na época um valor de amuleto, protegendo os locais onde se encontravam contra forças e influências maléficas, cumprindo aqui o papel de protegerem o claustro e os monges que por ele deambulavam contra essas influências.

Os círculos são um símbolo do céu por oposição à terra, ou do espírito em oposição ao corpo. Enquanto “roda”, representa também a infinitude e como o ouroboros, a serpente que morde a própria cauda. O quatro, simbolicamente, está relacionado com o quadrado (a Terra em oposição ao céu, ou a matéria opondo-se ao espírito) e com a cruz (símbolo do centro e do equilíbrio perfeito entre opostos). Número simbolicamente muito rico, o quatro (aqui especialmente reforçado) é o número dos quatro pontos cardeais, dos quatro elementos (fogo, água, ar e terra), dos quatro rios do Paraíso, dos quatro evangelistas, das quatro fases da vida (infância, juventude, maturidade e velhice).

Em Alquimia, o quatro é também o número da “primeira obra” (preparação, conjunção, separação, purificação do mercúrio).

Foto 20. Vieiras com 9 veios

A concha é um símbolo da Virgem Maria, porque abrigou Jesus do seu ventre, como uma concha, a “pérola preciosa”. Na Idade Média acreditava-se que a concha era fecundada pelas gotas de orvalho (“Ennoea”).

Foto 21. Duas aves, uma bebendo do Graal e a outra contemplando o alto

Os cálices são no contexto do imaginário medieval um signo de abundância transbordante, surgindo na Bíblia, em vários contextos: como o cálice da salvação ou do destino, que o homem recebe de Deus. No contexto alquímico, o Cálice é o Ovo Filosófico, o local onde se consumam as núpcias químicas.

Mas estamos aqui também perante uma nítida referência ao Graal, o cálice da Santa Ceia ou – segundo outra lenda – o cálice em que José de Arimateia colocou o sangue de Cristo. Mas no “Parzifal” de Wolfram von Eschenbach, o Graal aparece como uma pedra miraculosa que alimenta e conceder a juventude eterna que só é acessível ao Homem puro, com o mais elevado desenvolvimento espiritual, prefigurado aqui pela ave que olha para o céu.

As aves são o mensageiro do verbo divino, na iconografia medieval. A ave que eleva o bico invoca a proteção divina para a segunda que ingere o Sangue Real (Sangreal) do Graal e assim recebe a Graça do próprio Espírito Santo que a primeira invoca.

Foto 22. Homem barbudo supliciado

Estes homens barbudos são, antes do mais, uma admissão da pertença dos mesmos ao cristianismo. Mas a barba é igualmente, na época medieval, um signo para a masculinidade e força. Na época clássica, os deuses são quase sempre figurados com barba, sendo a representação de Cristo imberbe uma das primeiras originalidades do Cristianismo.

Foto 23. Demónio alado (ou morcego)

Considerado no Cristianismo como um “animal impuro”, acreditava-se que sugava o sangue das crianças durante o sono. Em alquimia, o morcego é um símbolo (pelo seu carácter híbrido, terrestre e aéreo) do hermafrodito, rebis ou Andrógino, o símbolo da mediação dos opostos (em Platão, surge o mito do Homem com dois sexos). A Matéria Prima e o seu posterior desenvolvimento intitulado Pedra Filosofal, resultam precisamente da religação dos princípios masculino e feminino da matéria.

Foto 24. Ave comendo sapo ou rã

Esta é a águia que representa a parte espiritual da Obra que se liberta da matéria alquímica, enquanto que o sapo vale pelo sedimento, obscuro mas fértil.

Foto 27. Pedras tumulares templárias

Estas pedras tumulares inscrevem a cruz do templo sobre um círculo, o símbolo do Céu por oposição à Terra, e de uma roda, infinita e que representa o templo e a infinitude, a qual é também representada pelo ouroboros que se encontra noutros locais do claustro.

Por outro lado, a lenda diz que os templários praticavam a alquimia (por exemplo, em Tomar) e o próprio maior Adepto do século XX, Fulcanelli, usava, segundo o seu discípulo Eugéne Canseliet, um “anel bafomético, cinzelado em ouro de transmutação e vindo até ele dos templários da comenda de Hennebont, na Bretanha“.

Foto 31. Coruja

Esta ave que – na tradição medieval – não consegue suportar a luz do sol surge representada frequentemente ao lado da Águia. Neste caso, temos o Corvo, uma escolha que sublinha o carácter duplo Solar-Lunar do par e a dualidade sexual que se repete noutros temas decorativos da Sé. Mas a Coruja tem no período medieval outros simbolismos, que aqui podem também estar presentes: é o signo da escuridão espiritual, que aqui surge oposta ao corvo, marca da iluminação (Fulcanelli dizia que em todas as catedrais os mestres construtores tinham colocado um corvo olhando para o local onde tinham escondido uma Pedra Filosofal). Numa interpretação mais convencional, a coruja pode ser o símbolo do conhecimento religioso ou mesmo de Cristo, a luz que vence as trevas, representadas pelo corvo de penas negras no capitel colocado em oposição a este de forma certamente intencional.

Foto 32. Corvo em oposição a coruja

Como todos os demais símbolos aqui presentes, existe aqui um sentido duplo ou mesmo triplo: além de todos os símbolos a que aludimos anteriormente e que resultam da associação deste corvo com a coruja representada no capitel fronteiro a este, o corvo, na Alquimia vale pela Obra ao Negro, ou Nigredo (Albedo e Rubedo), uma fase específica da Obra, em que a matéria se encontra no estado da putrefacção e que surgindo 40 dias depois do começo da Obra (“cabeça de corvo”) promete o sucesso da obra (George Ripley, no “Livro das Doze Portas”). É igualmente – porque é uma ave que vive em solidão voluntária – uma alusão ao carácter ascético e à reclusão exigida ao Adepto para que possa levar a Obra até ao seu bom termo.

Foto 33. Cabeça de cavalo

O cavalo era no período medieval, o signo da alegria e da vitória contra as dificuldades e obstáculos, sendo comuns nas sepulturas dos mártires cristãos. Mas o cavalo, devido ao ser carácter sexual, é no período medieval também uma alegoria de uma sexualidade exacerbada.

Foto 34. Cabeça de touro, alternando com cabeça humana, que sorri e não apresenta barba

Os chifres invocam a lua crescente e logo, o tradicional simbolismo lunar, feminino e mercurial (no contexto alquímico). Sinal de fertilidade e aqui intensificado pela associação a um homem imberbe (muçulmano?), alegre, que aqui representa o outro lado da dualidade sexual que carateriza o processo da transmutação.

Foto 38. Cruzes templárias grafitadas no claustro

De seu verdadeiro nome, os templários ou Milícia dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão tinham – segundo alguns investigadores – a missão de custodiar o Santo Graal ou a Arca da Aliança, resgatados das ruínas do Templo de Salomão (que tinham escolhido como sua sede, em Jerusalém).

Os templários eram reputados alquimistas. Nos “estatutos secretos” do Mestre Roncelim para os Irmãos do Templo, datados de 1240, escreve-se: “tende em vossas casas lugares de reunião vastos e escondidos a que se terá acesso por corredores subterrâneos para que os Irmãos possam ir às reuniões sem o risco de serem perturbados. É interdito, nas casas onde os Irmãos não são Eleitos, trabalhar certas matérias pela Ciência Filosófica e, portanto, transmutar os metais vis em ouro e prata. Isto nunca será feito senão em lugares escondidos e em segredo.”

De recordar que quem ordenou a construção da Sé, Dom Afonso Henriques era um confrade da Milícia, como declara ele próprio na doação do castelo de Soure à Ordem do Templo, em 1128.

Foto 40. Serpente marinha (ver cauda), que se morde a si própria, em clássico ouroboros

Esta serpente que morde a própria cauda é um dos símbolos alquímicos mais clássicos. Por vezes, é representada na variante de dois dragões que se mordem um ao outro ou de dois pássaros de pescoço longo em idêntico exercício. Símbolo do infinito, do eterno regresso e da unidade da Matéria, no contexto alquímico, é tipicamente uma representação da transmutação da matéria.

Foto 43. “Homem Verde” com barrete frísio de Iniciado e vinhas brotando da sua boca

Este barrete frísio aparece numa estátua que o alquimista Fulcanelli reconhece como sendo um Adepto. Cobrir a cabeça, nas cerimónias de iniciação, era, aliás um sinal de morte no processo iniciático.

Foto 44. “Homem Verde” com flores que brotam da sua boca ao lado de outro com folhas de nascem dos seus ouvidos

Este “Homem Verde” (um dos muitos da Sé) está acompanhado por um companheiro mais original: as orelhas são o símbolo da comunicação e da obediência e memória no período medieval.

Foto 45. Árvore Seca (contraste) com árvore frondosa no capitel ao lado

Estas árvores são uma referencia ao mundo vegetal. A árvore frondosa é um signo do renascimento da vida que vence a “morte” invernal, sendo assim um símbolo da imortalidade. Símbolo contrastante da fertilidade e da Vida (oposta à Morte) este par vegetal significa o Antes e o Depois do processo transmutatório.

A Árvore frondosa é também a “Árvore da Vida”, que simboliza a abundância no Paraíso e a realização da Obra alquímica.

Foto 46. Cordeiro

Alusão ao Cordeiro de Deus, que lava os pecados do mundo.

Foto 47. Águia de asas abertas

Signo das Ascensão de Cristo e da prece subindo até Deus. Segundo Aristóteles, ao subir, a águia olha diretamente o Sol, pelo que é um signo da contemplação e conhecimento espiritual e, por isso, do evangelista João. Ter em conta que a Igreja de João seria a igreja dos cavaleiros templários. Na alquimia, é o símbolo do Hermafrodita, filho do Sol e da Lua e da Sublimação ou dissolução da matéria (passagem do fixo ao volátil), sendo cada Sublimação (na Obra existem várias) uma Águia diferente.

Foto 48. Andorinha

Esta ave migratória é o símbolo da Primavera, mas também da Luz e da Fecundidade. Na Idade Média, um ninho de andorinha numa casa, significava felicidade. Signo medieval, também, da Ressurreição, porque a andorinha regressa com a luz, depois do Inverno e porque se diz que dá a visão aos seus filhos com a seiva de uma erva (a quelidónia) assim como Deus dará a visão aos mortos no Dia do Juízo Final.

Foto 52. Homem Verde de boca aberta (mas vazia) e barba bifurcada

Esta boca aberta mas vazia deste (entre vários) “Homens Verdes”, vale aqui pelo órgão da palavra e da respiração, algo que está no mundo medieval associado à alma e – na alquimia – às qualidades espirituais da matéria, mas interrompidas (pela ausência de ligações com a vegetação, aludindo-se aqui, talvez, a uma Obra interrompida por erro do Adepto ou Aprendiz.

A barba era na Idade Média um símbolo de masculinidade e força. Cristo, contudo até ao século VI, era representado sem barba.

Foto 53. Homem coroado que segura vinhas e demónio sorridente. Homem Verde com vegetação que brota da sua boca

A Coroa simboliza a condição real, estando aqui segurando vinhas e ao lado de um demónio que sorri, pode ser uma alusão humorística e crítica à embriaguez, referências comuns nos capitéis medievais. Mas podemos também estar aqui perante uma mensagem de teor hermético, em que a coroa significa “salvação eterna”, vida eterna, o prémio final da Obra.

Foto 54. Homem colhendo vinha

As videiras são, na Idade Média, um símbolo de abundância e vida. Significado que acumula com vários outros (é, aliás, um dos símbolos medievais mais ricos), como símbolo do Povo de Israel (do qual Deus cuida tão bem como o homem da sua videira), a Árvore do Messias, sendo no Antigo Testamento comparado o Messias a uma videira, em que Cristo carrega os fiéis nos galhos, numa alusão a que apenas quem tirar de Cristo a sua força pode dar frutos.

Foto 55. Homens trabalhando nas vinhas

Ver simbologia do capitel anterior.

Foto 60. Gárgula com cabeça de leão

O leão é, no contexto alquímico, o símbolo da parte fixa da Obra, da matéria nos seus vários estádios (leão verde (um líquido espesso), leão vermelho (que converte os metais em ouro, etc). Sem cor, o leão é um símbolo do enxofre dos sábios ou… ouro.

Foto 61. Estrela de David invertida

A estrela de 5 pontas era nos Pitagóricos um símbolo de saúde e conhecimento. No período medieval, tornou-se um signo de proteção contra poderes demoníacos, valendo como Cristo enquanto Alfa e Ómega, na forma das 5 chagas sagradas.

Foto 64. Dois Homens Verdes, um da Boca, outro dos Ouvidos

Um par em tudo semelhante ao de outro capitel, já aqui analisado.

Foto 70. Duas aves apaixonadas, com pescoços entrecruzados

As aves são o símbolo medieval do céu, pela sua natureza volátil, sendo um símbolo do imaterial e do espírito. Neste caso, representarão o amor espiritual, não realizado fisicamente.

No contexto alquímico, as duas aves apaixonadas aludem aos dois elementos que compõem todos os metais: o enxofre, elemento masculino, activo e fixo e o mercúrio, feminino, passivo e volátil. Entre estes, e simbolizado aqui pelo beijo, temos o sal (ou “arsénico”) que sendo o espírito universal, os une.

Foto 82. Sol espiralado (Porta Santa)

A espiral é um motivo gráfico comum até no período pré-histórico, estando aqui relacionado com a morte e o renascimento. Neste caso, e num contexto alquímico, será uma alusão à morte e renascimento da matéria que ocorre no interior do matrás ou ovo alquímico.

Foto 83. Alfa e Ómega na porta exterior

Letras inicial e final do alfabeto grego, entre ambas, está o “todo” (o resto do alfabeto). Signo do Todo, de Deus e de Cristo como o primeiro e último de todos os seres, este símbolo surge em muitos túmulos (por exemplo, no cemitério dos Prazeres).

Foto 85. Flor de Lis

Gravada na Porta Santa, alegoria a Maria, este símbolo expressa a sua Realeza Divina. Lisboa, na expressão do cronista Fernão Lopes era a “Boa Lis“.

Luís VII, de França, terá sido o primeiro monarca a usar este símbolo nos seus decretos (Louis-Lis),  que teria repescado a utilização deste símbolo na época dos Francos, quando Clotilde, mulher de Clóvis, recebeu de um anjo uma flor branca de lírio. Episódio idêntico é descrito na lenda que coloca Gabriel aparecendo a Maria com um lírio na mão, como sinal de que daria à luz o Salvador.

A Flor de Lis, representa assim o caráter divino da Monarquia as e a sua dimensão enquanto agentes temporais do poder de Deus.

Foto 92. S

Este S é o S da serpente (Ofiussa), aqui valendo pela força latente da natureza que a Obra vem completar.

Foto 105. Gárgula com cabeça de águia

A águia, na Bíblia, é o símbolo de Deus Todo Poderoso e da força da fé. Símbolo medieval, também, do renascimento e do baptismo e, pela sua ascensão, da Ascensão de Cristo.

Na Alquimia, a águia levantando voo representa a parte espiritual que se liberta da matéria, enquanto o sapo representa o seu sedimento obscuro, mas fértil.

Foto 122. Porta Santa ou Porta Sancta

A Porta Fechada (e esta está-o na maior parte do ano) representa a existência de um segredo ou mensagem oculta, mas também a proibição na sua revelação. O Alfa e o Ómega (que surgem frequentemente nas portas das igrejas medievais e que são um dos nomes de Cristo), são uma alusão às palavras de Cristo “eu sou a Porta” e que invoca também Maria, a mãe ou “porta” de Cristo, conforme seria recordado aos transeuntes mais atentos pela presença da flôr de Lis.

Esta Porta Santa é a equivalente terrestre da porta celestial guardada pelo Arcanjo São Miguel (presente no pórtico principal da Sé) e representa a intermediação entre o mundo do Homem e o mundo de Deus. Abre apenas em certas datas do calendário religioso (como o Jubileu, que se realiza de 25 em 25 anos, sendo o próximo em 2025), por esta razão, apenas as igrejas mais importantes da cristandade têm Portas Santas. Além da Sé de Lisboa, as 4 basílicas patriarcais ou “Basilica Major” de Roma possuem Portas Santas. Todas as Portas Santas se inspiram na Porta Santa de Jerusalém (Porta Dourada ou Porta de Leão) que Jesus terá atravessado no Domingo de Ramos e por onde, segundo a lenda, tornará a passar o próximo Messias.

A Porta Santa dá acesso quer ao interior da igreja, quer aos aposentos do Cardeal Patriarca, por via de uma pequena porta lateral ao lado da Porta Santa. Sendo, de resto, o Cardeal Patriarca a única pessoa que a pode atravessar.

A sua construção terá sido decidida aquando da fundação do Patriarcado de Lisboa em 1716 e – segundo Vítor Manuel Adrião – esta decisão evoca a presença do Graal nesta catedral (sendo a Sé de Lisboa uma das sete “catedrais do Graal” do Ocidente).

Foto 124. Três elementos de três

Os 3 círculos representam no cristianismo um sinal da Trindade, mas também da perfeição divina (nas três virtudes fé, amor e esperança) e da natureza trinitária da matéria (mercúrio, sal e enxofre).

Síntese do um e do dois, o três representa também o Todo e a mediação e por isso mesmo surge nos contos de fadas (alguns com significado esotérico) como o número de provas ou adversários a superar. Por oposição ao Quatro (Terra), o Três é o número do Céu.

Na Alquimia, 3 é o número de princípios básicos da matéria: Enxofre, Sal e Mercúrio.

Foto 125. Gárgula com cabeça de carneiro

O carneiro era um símbolo medieval da Força e do sacrifício, através do sacrifício de Isaac, como pré-figuração do posterior sacrifício de Cristo. Sinal alquímico do Fogo, ou Sal (união entre Mercúrio e Enxofre). Na Idade Média era visto como um animal maléfico, sendo a montaria obscena das bruxas e a personificação animal da volúpia.

BIBLIOGRAFIA

Lisboa Secreta – Capital do Quinto Império, por Vitor Manuel Adrião. Via Occidentalis Editora, Lisboa, 2007.
Lisboa Insólita e Secreta, por Vitor Manuel Adrião. Editions Jonglez, Versailles, 2010.
Portugal, os Mestres e a Iniciação, por Vitor Manuel Adrião. Via Occidentalis Editora, Lisboa, 2008.
Conversas Makáricas – Volume I. Edição privada da Comunidade Teúrgica Portuguesa.
Igreja de Santa Maria Maior, Sé de Lisboa. Instituto Português do Património Cultural, Editorial Teorema, Lisboa, 1986.
As mais belas Igrejas de Portugal, por Júlio Gil e Nuno Calvet. Editorial Verbo, 1989.
Enciclopédia dos lugares mágicos de Portugal, por Paulo Pereira. Edição do Jornal “Público”, 2006.
Dicionário ilustrado de Símbolos, por Hans Biederman. Editora Melhoramentos, 1993.
Alquimia, por Titus Burchardt, Publicacoes Dom Quixote, 1991.

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O escravo comissionista

O desemprego tem em Portugal duas facetas quase completamente ignoradas pelos Media: o Desemprego Senior (+45 anos) e uma outra faceta e uma outra, ainda menos noticiada que a primeira (ainda que não menos grave): o Sub-Escravo Comissionista.

Sobre o Desemprego Senior falaremos noutros artigos, sendo que neste dedicaremos algumas linhas a descrever esse fenómeno crescente de precariedade laboral que é o Sub-Escravo Comissionista. Porquê “Sub-Escravo”, perguntarão? Porque nesta forma de precariedade laboral, o trabalhador não tem algumas das condições que estão associadas à condição tradicional de escravo: o “senhor” esclavagista concedia ao escravo alojamento e alimentação… ora o sub-escravo comissionista nem a essas “regalias” tem direito: para se deslocar ao local de trabalho, tem que pagar do seu bolso; tem que financiar os contactos que realiza (por telefone ou Internet) e, frequentemente, paga as suas refeições em horário laboral e até publicidade para o seu “negócio” tem que se suportar do seu próprio bolso. Para o “empreendedor” ou “empresário” o risco é zero: os custos de manter operacional o negócio são assumidos pelo sub-escravo e quando este finalmente se apercebe do logro é rapidamente substituído por outro que aguarda ansiosamente na numerosa hoste de desempregados de longa duração deste país que o fanatismo austeritário e a vontade punitiva da nossa “amiga” europa não deixam de fazer crescer.

Tudo isto se passa na maior das impunidades legais e às frente de todos, perante o silêncio cúmplice dos Media e a passividade das autoridades e, sobretudo, da Inspeção do Trabalho.

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Breve Retrato do estado dos Orçamentos Participativos em Portugal

“A crise económica e financeira, as sucessivas restrições à capacidade de investimento das autarquias, os níveis incipientes de participação cívica e até o facto de este ser um ano de eleições autárquicas: nada disto parecia fazer muito pelo sucesso das experiências portuguesas de Orçamento Participativo, essa forma de democracia direta em que a população é chamada a pronunciar-se sobre o destino de uma parte do orçamento da autarquia.”

– ou talvez não. Um recente estudo académico suíço demonstrou que a democracia directa neste país da Europa central produziu um nível de despesa mais baixo que a média europeia. A muitas vezes invocada “armadilha populista” como um risco da democracia direta não se concretizou no caso suíço.

“De 2011 para 2012, o OP de Lisboa caiu para metade, de cinco para 2.5 milhões de euros, mas são mais os casos de municípios em que a dotação do OP até cresceu no ano passado. E outras formas de democracia deliberativa começam a germinar.
(…)
Atualmente há cerca de trinta OPs em Portugal, praticamente os mesmos de 2012.
(…)
Desde 2002, esta ideia implementada pela primeira vez em 1989 na prefeitura de Porto Alegre, no Brasil, já conheceu 71 aplicações no país, contando já com os de Guimarães e Oliveira do Hospital, acabados de chegar: 45 foram municipais, 19 de freguesia, e sete setoriais (dedicados aos jovens em municípios e freguesias). Ao longo de uma década, 54 dos OP portugueses foram consultivos e 17 deliberativos. Estes últimos geriram qualquer coisa como 35 milhões de euros, valor que deve chegar aos 45 milhões no final de 2013. Calcula-se que existam no mundo cerca de 2700 OP ativos, com os polacos a liderar na União Europeia.
(…)
Há uma primeira vaga, de 2002 a 2008, de câmaras comunistas, com OP consultivos, sem equipas técnicas nem montantes definidos à partida. E uma segunda vaga desde então, que aposta cada vez mais em orçamentos deliberativos, com proposta e decisão na mão dos cidadãos, com equipas técnicas que fazem o crive da exequibilidade e asseguram a execução dos projectos e montantes definidos por projeto.”

– ao longo dos anos, os Orçamentos Participativos têm caminhado desde formatos consultivos, sem equipas técnicas, até formatos mais deliberativos e participativos onde a presença dos cidadãos tem assumido um papel crescente. A tendência existe e demonstra uma forte apetência dos cidadãos para participarem mais ativamente na vida das suas comunidades (municípios e freguesias) e merece uma reflexão: os políticos profissionais queixam-se frequentemente dos baixos índices de participação cívica dos seus eleitores, mas os OPs, os relativamente altos níveis de participação parecem demonstrar que quando é dada ocasião aos cidadãos para participarem nos processos de decisão, eles não rejeitam fazê-lo, fazem-no bem e com racionalidade e com intensidade. Os OPs devem continuar a expandir-se e o infeliz caso de Lisboa (com a redução para metade) tem que ser excepcional: se queremos renovar a democracia, teremos que a renovar pela via participativa e direta e os Orçamentos Participativos são uma das ferramentas ao dispor desta via. Na verdade, os OPs não se devem limitar ao meio autárquica, podendo até estender-se (primeiro num regime limitado e experimental) ao próprio orçamento geral de Estado…

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Da Necessidade de Mudar a Politica (Carne Ross)

“As incríveis e avassaladoras mudanças do final do século XX e do inicio do século XXI obrigaram a alterações dramáticas e, por vezes, revolucionarias, em quase todos os campos da actividade humana – finanças, tecnologia, cultura – exceto um: a política. Naquele que é um dos fóruns mais cruciais, as instituições e os hábitos adquiridos em vários momentos anteriores têm perdurado, mesmo à medida que a sua eficácia se vai revelando cada vez menos evidente.”
(…)
“Um sinal revelador é o crescente número de políticos que prometem “mudar a política” em si. Em 2008, foi Barack Obama; na Grã-Bretanha, foi a coligação entre conservadores e liberais democratas de 2010 que prometeu mudar a própria natureza do sistema. Nos Estados Unidos, o sentimento de mudança do sistema é agora expresso pelo movimento Tea Party. (…) os políticos conseguem sentir o cheiro da frustração e sentem-se obrigados a responder mas estão, sem dúvida, condenados. A cada ciclo eleitoral, a desilusão parece maior, os dados mostram que os votantes abandonam e mudam de partido com maior frequência, enquanto a afluência às urnas cai de forma consistente em todas as democracias, com um “salto” ocasional, como o estalar de uma chama moribunda.”

Carne Ross, A Revolução Sem Líder

O ciclo vicioso do aumento da abstenção e da redução drástica dos níveis de participação política, cívica e associativa dos cidadãos está ligado a esta percepção de que os cidadãos estão cada vez mais afastados das decisões que dizem respeito ao seu destino e às suas vidas. Os políticos mais inteligentes (como Obama) sentem esta inclinação e adaptam o seu discurso nesta direção, mas – manietados pelos Grandes Interesses que servem – são incapazes de mudar a condução dos Estados e transformam a Democracia cada vez mais numa Aparência e nao numa coisa Real e efetiva, dando origem às grandes vagas de contestação que emanam diretamente desta frustração popular.

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Carne Ross: “É apenas a ação que muda as coisas”

“Talvez o pior défice dos governos seja este: ao pretenderem arbitrar os problemas do mundo, encorajam de forma involuntaria a nossa inacção e o nosso despreendimento. Nesse despreendimento fermentam, perigosamente, a raiva e a frustração. (…) a resolução dos problemas cabe sempre a outra pessoa, nunca a nós.
Contudo, é a ação – e apenas a ação – que muda as coisas. Quer se trate da luta pelos Direitos Civis nos EUA, das guerras franco-russas ou da busca contemporanea dos cientistas sociais ou teoristas da rede, a mesma e antiga verdade repete-se: é a ação dos indivíduos que maior efeito tem naqueles que os rodeiam, nas suas circunstancias e, consequentemente, em todo o mundo. Quer se trate da Marcha do Sal de Gandhi para libertar a Índia do domínio colonial britânico ou de um grupo de homens que desejam pôr fim aos assaltos no seu bairro da cidade de Nova Iorque, a expressao da convic atraves da ação tem um impacto mais poderoso sobre as pessoas, sobre aquilo que nos rodeia e, na verdade, sobre o nosso bem-estar. À escala das dificuldades do mundo – a face íngreme do penhasco – e a magnitude da globalização produzem uma sensação paralisante de impotencia e frustração. Mas, de facto, um mundo mais interligado do que nunca, onde cada pessoa se encontra a alguns links de distância de todas as outras, significa que as ações no nosso próprio microcosmos podem ter consequencias globais.”

Carne Ross, a Revolução sem Líder

Acao pela conviccao. Esta é a única forma de alterar o presente equilíbrio de poder que nos colocou a todos na posição de escravos efetivos do poder subterraneos que hoje nos rege a todos.

A opção que se nos oferece é simples: podemos viver como escravos ou podemos erguer-nos e fazer algo para mudar as nossas vidas. Acreditar que a nossa ação nos movimentos, associações ou partidos que escolhamos integrar é importante e pode mudar alguma coisa. Ou acreditamos na imperativa necessidade passar à prática ou vivemos como escravos e legamos aos nossos filhos e netos uma sociedade condicionada, sem liberdade nem espaço de ação.

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Em Prol de uma Plataforma Eleitoral comum de um novo tipo

“Num mundo em que a influência governamental se encontra num declínio inexorável e outras forças transnacionais se afirmam, umas benéficas mas outras malignas, temos pouca escolha para além de assumir pessoalmente o fardo da ação. Se não o fizermos, outros o farão, sejam as máfias criminosas, de alcance mundial, os movimentos terroristas globais ou as multinacionais sem qualquer preocupação para além do lucro.”

Carne Ross, A Revolução sem Líder

Assim como a natureza tem horror ao vazio, também o tem a Política… se os cidadãos se demitirem (ou foram condicionados a tal) esse vácuo será preenchido por esses poderes. Na verdade, o declínio muito sensível dos níveis de participação dos cidadãos na Sociedade Civil, seja na frente da vida associativa, seja na frente da militância política ativa, beneficiou essas forças subterraneas de Poder que preencheram esse espaço.

As democracias vivem hoje uma época de profunda erosão da sua representatividade: os Partidos Políticos são mais fechados e dependentes dos seus aparelhos profissionais, de máquinas de marketing e de financiadores “abnegados” do que nunca. Os cidadaos atravessam um momento de auto-demissao e de demissao induzida pelos Media e pelos grupos economicos dos seus papeis ativos de cidadania. O afastamento entre eleitos e eleitores alcanca tais dimensoes que somente a via do protesto (cada vez mais violento) se assume de alguma relevancia, como demonstram as Primaveras Arabes e as mais recentes acoes de rua na Turquia (contra a islamizacao forcada da sociedade) e no Brasil (contra a corrupcao e os desmandos do Futebol). De facto, a via dos movimentos sociais parece tão esgotada quanto a dos partidos convencionais “de protesto”, os quais, em boa verdade, se apossaram de grande parte dos primeiros…

O bloqueio atual de Participação dos cidadãos na politica e esta bonomia bovina da Sociedade Civil parece poder ser apenas quebrada na Rua, por protestos em larga escala e prolongados como os das “Primaveras” ou atraves da constituicao de plataformas eleitorais de um novo tipo. Plataformas que congreguem cidadaos ativos que se sentem a fazer “algo” no agora, algo de efetivo, que mude ou interfira na conducao atual dos nossos destinos comuns. Plataformas que agreguem sem dissolvem, que unam, sem separar nem devorar identidades grupais ou individuais. Plataformas de cidadania que se possam apresentar a eleições e alterar a condução do jogo usando as proprias regras definidas para ele pela Situação Partidocrata que nos rege.

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O Pacto Social

“A democracia representativa convencional, em que os muitos elegem os poucos, assenta num pacto entre eleitores e governo: nós votamos, eles agem; nós prosseguimos com as nossas vidas, eles protegem-nos. Este é o pacto em que um pai deve inscrever o filho aquando do seu nascimento. Prolonga-se até à morte. Este pacto raramente é examinado e, além disso, não se encontra inscrito em parte alguma, de forma clara e completa, raramente é admitido, embora os seus efeitos sejam profundos.
O pacto tem várias camadas. Na mais fundamental, o pacto implica que o governo protegera os seus cidadãos e garantira a sua seguranca. Em troca, os cidadãos concordam em limitar alguma da sua liberdade: aceitar o governo da lei e, com ele, as diversas restrições impostas ao seu comportamento. Ao governo são reservados alguns poderes e direitos extremos, negados aos restantes. Entre eles inclui-se o poder de negar a liberdade dos outros, de encarcerar e punir. Em alguns países, como os Estados Unidos, inclui ainda o poder de matar em nome da justiça.”

Carne Ross, A Revolução Sem Líder

Este Contrato Social está agora, nas sociedades contemporaneas a ser quebrado: por todo o lado assiste-se ao recuo severo do Estado Social e ao aumento brutal de impostos para suportar o que resta. Um recuo e o outro avanço procuram compensar a descida brutal dos impostos pagos pelos mais ricos e pelas multinacionais, grandes beneficiarios da especulacao bolsista e utilizadores dos offshores.

Com esta evaporacao do Estado Social é a própria natureza do Estado que é questionada. Com um desemprego crónico que se instala em valores crescentes, cresce a sensação que o Estado não serve os propósitos da comunidade e que essa brutal carga fiscal é desproporcionada em função dos benefícios obtidos.

Urge realizar uma Revolução. Uma Revolução Participativa que devolva aoos cidadãos o controlo democratico das suas próprias vidas e das comunidades que integram (sejam elas a família, a rua, o bairro, o municipio ou o país), que expulse do Poder político os torpes mega-interresses que o sequestraram (grande finança, especulação financeira, norte da europa, globalistas, etc.) E que retorne a Local aquilo que se tornou Global (Emprego, riqueza, regulação financeira, etc). Esta Revolução Tranquila, não-violenta deve começar de baixo para cima: das pequenas comunidades onde todos estamos de alguma forma inseridos e ir ascendendo nos degraus do poder até se tornar municipal, primeiro, e depois nacional.

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Convicção pela Ação

Apesar de uma passividade que tem tanto de incompreensivel como de tradicional, o povo português vive hoje uma situação terminal que se arrisca – se não mudar – a extinguir a própria nacionalidade.

Não duvido de que a situação atual que vive a Europa e, no particular, Portugal, resulta de um acerto de condições cuidadosamente planeado e orientado com fins e objetivos muito concretos. O Plano é Global, cuidadosamente urdido e executado com uma precisão muito germanica. Não é um plano “nacional” (no velho sentido do termo), mas individual e tecido por algumas centenas de indivíduos extremamente ricos, usando máquinas de propaganda tremendas (os grandes grupos de Media e as televisões) e escondendo-se por detrás de falsas capas de “democracia representativa” e de “liberdade de opinião”. Na verdade, ambas as capas – tamanha é a sua dimensão – são extremamente finas e não resistem a um olhar mais atento: os Partidos políticos, tornados em instrumentos passivos e mediaticos desse jogo e os Media são os instrumentos dessa estrategia global de dominacao, e o pensamento livre e independente dos cidadaos o seu alvo.

Doses massivas de telenovelas, talk shows, futebol e outras alienações sao o Instrumento. A Dominação – discreta e subrepticia – é o objetivo. A estéril e garbosa Academia, a VIPalhada e as elites inteletuais e economicas os cumplices. Esta é a rede que urdiram contra nós e contra a qual temos todos o Dever de reagir. Hoje (não amanhã), na Rua, na Ação, na Vida concreta, exterior e operativa, envolvendo-nos todos em Movimentos, associacoes de bairro ou de interesses e – porque não? – fundando novos partidos ou regenerando os existentes a partir do seu podre e cada vez mais oco interior.

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O que é a Democracia Direta em quatro breves frases

A Democracia Direta é uma forma de democracia em que cidadãos podem:

1. Escolher os candidatos que as representam em eleições de listas abertas.

2. Convocar a qualquer momento um referendo sobre qualquer assunto desde que consigam reunir uma quantidade mínima de assinaturas.

3. Criar nova legislação ou bloquear nova legislação desde que consigam suportar tal posição num referendo que consiga agregar um número mínimo de assinaturas.

4. Revogar qualquer mandato eleito, desde que ocorra uma clara violação do “contrato eleitoral” (programa ou promessas eleitorais) e que consiga fazer suportar essa pretensão numa base referendária.

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Não esquecer!

Não esquecer que António Costa é o “líder que se segue” a essa sombra-de-líder que é Seguro. Quando em finais de setembro (como quer a Partidocracia) for votar em Lisboa deve saber que se votar no PS está a votar não somente em Costa, mas também:

1. Num dos partidos que subscreveu o Memorando da Troika
2. No partido que negociou o Memorando da Troika
3. No partido que mais fez disparar a dívida externa Portuguesa e que pela sua má governação nos colocou em situação de efetivo Protetorado
4. Num dos partidos que governa Portugal desde à décadas e que integra a Partidocracia do tripartido (PS-PSD-PP) que no mais longo prazo foi pelo exercício de um podre rotativismo de Estado a maior responsável pela situação atual.

Quatro boas razões para Pensar Melhor quando for votar António Costa e ponderar votar num projeto independente, inovador e revolucionário de Democracia Participativa em Lisboa: www.MaisLisboa.org

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Democracia Direta e Participativa: Vantagens, Desvantagens e Mitigações

A Democracia Direta ou Participativa é uma forma de governo democrático feito para o povo e pelo povo. Nele, os cidadãos tomam as decisões que os afetam eles próprios e não transferem essa capacidade para representantes regularmente eleitos.

A Democracia Direta e Participativa não é, contudo, o Sol sobre a Terra. Como qualquer outra forma de organizar uma sociedade humana, tem defeitos e tem virtudes. Como qualquer outra forma de organização social, tem mitigações para esses defeitos e mecanismos de feedback positivo que reforçam essas virtudes.

Vantagens:
.levanta questões que os partidos políticos e os políticos profissionais nunca levantarão, devido às teias de cumplicidades diretas e indiretas resultantes dos financiamentos partidários.
.devolve o poder aos cidadãos, tornando-os responsáveis diretos pela condução dos seus destinos, não permitindo a transferência de culpas ou responsabilidades para entidades impessoais ou abstratas.
.como a única forma de representação será a representação por Delegação, esses delegados serão mais responsáveis perante os cidadãos que os tradicionais “deputados” ou representantes.
.aumenta a ligação entre a comunidade local e os cidadãos que a formam e a política
.aumenta a qualidade da legislação assim como a amplitude com que esta é aplicada
.aumenta a eficácia de mecanismos de democracia participativa como as petições e os referendos
.devolve aos cidadãos o controlo do Parlamento e do Governo da República

Desvantagens:
.Tem mais custos que um sistema representativo clássico, devido à multiplicação da realização de eleições, referendos e da intensificação dos contatos entre eleitos e a a governação
.os meios de comunicação e os poderes económicos podem usar a sua influência para procurar condicionar a opinião e voto dos cidadãos em direções que sejam convenientes aos seus interesses.
.alguns cidadãos serão mais influentes que outros, isto é, terão vantagem sobre os demais.

Mitigações:
.os custos podem ser muito mitigados se se usarem mecanismos de votação eletrónica, via Internet e com a segurança digital que pode ser oferecida a baixo custo pelo chip presente no atual Cartão do Cidadão.
.o condicionamento induzido nas massas de eleitores pelos Grandes Interesses e pelos Media pode levar a obtenção de resultados eleitorais que sejam conformes aos interesses económicos da plutocracia, mas esse Nó Górdio desatasse defendendo leis que impeçam a concentração dos meios de comunicação, a sua ligação explícita ou implícita a grandes grupos económicos e, sobretudo, promovendo meios de informação independentes ou de pequena escala.
.o problema de os cidadãos mais participativos serem, numa democracia direta deste tipo, mais influentes que os mais passivos tem resolução simples: o fenómeno de imitação pelo exemplo, a própria publicitação da possibilidade de os cidadãos influenciarem os seus próprios destinos através do voto, levará naturalmente a uma intensificação da participação de todos na sociedade. Com efeito, muitos cidadãos escolheram hoje o caminho (estéril) do abstencionismo crónico por acreditarem na inutilidade do voto e observarem a irrelevância dos seus esforços. Numa democracia direta, esses cidadãos regressariam a uma vida política ativa, já que as razões que levaram ao seu afastamento se extinguiriam.

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Em Defesa da instalação de Assembleias Digitais Cidadãs, a nível nacional e municipal

Acreditamos que uma das formas de aplicar a Democracia Directa e Participativa no processo de renovação da Democracia que a atual crise torna imperativa e necessária passa pela instalação de Assembleias Digitais Cidadãs, quer a nível nacional, quer a nível municipal.

Estas Assembleias Digitais seriam complementares e transitórias até um modelo mais puro e completo de Democracia Direta, materializando-se inicialmente num formato meramente consultivo que depois, com os devidos ajustes impostos pela experiência, se tornaria depois num formato mais deliberativo e, por fim, numa forma mais operativa com capacidade de veto legislativo ou de revogação de mandatos a deputados eleitos para a Assembleia da República ou para a Assembleia Municipal.

Estas câmaras serão uma forma de garantir que o interesse público tem sempre defensores no sistema democrático, já que a evidência comprova que – tantas vezes – os políticos profissionais nem sempre são fiéis ao interesse da República e preferem servir interesses mais mesquinhos ou venais.

Estas Assembleias Cidadãs poderiam funcionar unicamente de forma digital, permitindo-se a inscrição nas mesmas a todos os cidadãos que a requerem-se, assegurando-se  a segurança e privacidade das votações através do chip seguro dos Cartões do Cidadão e de plataformas web seguras e robustas. Os votos agregados destes cidadãos – expressos de forma online, produziriam uma orientação que depois os políticos profissionais da Assembleia da República ou os semiprofissionais da Assembleia Municipal teria que consultar antes de tomarem as suas decisões efetivas.

Estas Assembleias Cidadãs da República e Municipais seriam uma forma de combater a crescente compressão do poder da política perante o poder financeiro e económico, sendo insubornáveis e impermeáveis a todos os tipos de corrupção. Estas Assembleias Digitais aproximariam os Eleitos dos Eleitores , contribuindo para a atenuação da opacidade que carateriza a Democracia Representativa atual, contribuindo paralelamente para a sua renovação e fazendo com que algo tão sumamente importante como a Política deixasse de ser o campo exclusivo dos Partidos e da Política Profissional.

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MaisLisboa.org: Uma candidatura sem aparelhos

A candidatura independente MaisLisboa.org é o resultado do esforço conjugado de dezenas de cidadãos independentes, desempregados, reformados e de profissionais em inúmeros campos. Não há ninguém dedicado a 100% do tempo a este projeto. Não temos aparelhos partidárias na retaguarda, nem financiadores empresariais, nem orçamento ou financiamento estatal.

A candidatura independente MaisLisboa.org é livre de Partidos e de todas as dependencias e interesses que estes inevitavelmente arrastam atrás de si. Não temos, nem queremos ter, figuras mediáticas, VIPs ciumentos ou “personalidades de proa”. Somos cidadãos eleitores que se apresentam a votos perante outros cidadãos eleitores, sem ambição a encetar carreiras políticas, sem vontade para formar mais uma camada adiposa na gestão democrática de Lisboa. Somos gente comum, perante gente comum, sem máscaras desenhadas por empresas de marketing político, nem a responsabilidade de pertencer à Partidocracia que levou o país a este estado de pré-colapso.

No MaisLisboa.org temos consciência da escala do desafio e do desprezo que nos votarão as máquinas partidárias. Mas seremos imunes a ele: é que ao contrário delas, nada temos a perder.

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O Programa “Reabilita Primeiro, Paga Depois”

Importa dizer bem, quando se faz bem. Não acreditamos que no mundo da política e da cidadania ativa se deva “estar contra” contra uma dada medida ou iniciativa apenas porque esta foi promovida por um adversário político. Quando uma certa entidade no Poder faz bem, devemos dizê-lo, independentemente de sermos parte ou não do processo.

Um dos casos em que a autarquia lisboeta merece um elogio é o programa “Reabilita Primeiro, Paga Depois” que permitiu desbloquear a reabilitação de 24 edifícios devolutos e levar o município a arrecadar três milhões de euros com a sua venda em leilão público. Esta medida assume-se num retorno financeiro direto para a autarquia, renova o parque urbano degradado e contribuiu para o regresso de mais habitantes à cidade.

Este programa é nitidamente um bom programa, que deve ser continuado e até expandido tendo como objetivo último recuperar os cinco mil edifícios devolutos da cidade e contribuir assim para o regresso das populações a uma cidade que perdeu centenas de milhar de habitantes nas últimas décadas.

Fonte:
http://dinheirodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=197455

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