Madeleine McCann

Comentário a “Quem não tem cão caça com gato” de Catalina Pestana

“o livro Maddie – A Verdade da Mentira”, de Gonçalo Amaral, o ex-inspetor da PJ que coordenou a investigação do caso Maddie, foi retirado das bancas por ordem de um tribunal, a pretexto de constituir um crime de difamação contra os McCann. Os bens do autor foram “congelados” para poderem cobrir uma eventual indemnização aos “ofendidos”.
(…)
“Durante o Estado Novo, era usual serem apreendidos a favor do Estado os bens – livros, discos e outros – pertença daqueles que, não concordando com as práticas políticas da época, se atreviam a escrevê-lo ou a dizê-lo alto.”
(…)
“A saber:
1. Porque é que, na noite de 3 de maio de 2007, quando a menina inglesa desapareceu – recorde-se que todas as noites dormia sozinha com dois irmãozitos mais novos, enquanto os pais jantavam com os amigos – os McCann, já acompanhados pela PJ, sentiram necessidade de estar também acompanhados pelas televisões inglesas, que chegaram logo na manha seguinte?
2. Por que é que, estando supostamente destroçados pelo desgosto maior que pode abater-se sobre uns pais, mas tendo o apoio das autoridades e da população do seu país e do país onde os factos ocorreram, nomearam imediatamente umas figuras grotescas que davam pelo nome de assessores de imprensa ou porta-vozes?
3. Porque é que o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, não contente com o corretíssimo gesto de contactar as autoridades portuguesas pedindo-lhes especial atenção para o caso, cedeu o seu porta-voz do Governo para assumir as mesmas funções junto do casal McCann?
4. Por que é que processos de desaparecimento de crianças portuguesas nunca mereceram das autoridades um centésimo do investimento em meios humanos e materiais para lhes encontrar o rasto?”

Muito já se escreveu sobre o “caso Maddie”. Mas não suficientemente. E concerteza que ainda que não se ouviu ninguém com responsabilidades governativas, policiais ou judiciais explicar porque é no ano deste desaparecimento, a PJ torrou mais de metade de todo o seu orçamento NUM único desaparecimento, quando na mesma altura existiam dezenas de outros casos, envolvendo crianças portuguesas, mas que nunca mereceram das nossas polícias nem uma fração deste investimento em meios e tempo. O tradicional servilismo português perante os “superiores seres do norte” não explica tudo: houve aqui ordens dada pelo Governo de Londres ao Paço e houve seguidismo acéfalo em altos governantes lusos. Isso é evidente e desprestigia Portugal.

Gonçalo Amaral construiu a imagem mental que a maioria de nós tem do casal McCann: estiveram diretamente envolvidos no desaparecimento da sua filha. A sua tese segundo a qual os pais davam soporíferos aos filhos antes das suas lautas e prolongadas jantaradas diárias com os amigos e que uma sobredosagem terá dado a morte a Maddie é fácil de deduzir quando se conhece a frieza e o profissionalismo aparente com que lidaram com a perda da sua filha e o conhecimento clínico assim como a facilidade de acesso a medicamentos, dizem o resto… A tese que teriam morto acidentalmente a criança e depois ter feito desaparecer o cadáver (incinerando-o numa das várias incineradoras para animais existentes no Algarve) é assim a mais provável e aquela sugerida pelo livro do antigo inspetor, precisamente a pessoa que no mundo – além dos McCann – melhor conhece as circunstâncias do desaparecimento é essa. Obviamente, os McCann não poderiam ficar parados perante tal constatação: usando os recursos financeiros que souberam reunir no apogeu do caso, usaram os nossos classicamente ineptos e injustos tribunais para num exercício ao pior estilo dos tribunais do Antigo Regime proibirem o livro de Gonçalo do Amaral: assim silenciaram o ex-inspetor e a verdade do “caso Maddie”. Mas terá este dócil (aos ingleses) tribunal alterado aquilo que a esmagadora maioria de nós acredita que aconteceu com Madeleine McCann? Não, a menos que o Tribunal nos queira impedir de pensar. E isso ainda não podem os McCann mandar um tribunal fazer. Ainda.

Fonte:
Sol de 18 de dezembro de 2009

Categories: Justiça, Madeleine McCann, Política Nacional, Portugal, Sociedade Portuguesa | 6 comentários

“Oh, up yours, senor”… resposta da AACS britânica

Parsons
(Parsons… O autor do polémico artigo)

A propósito de um artigo publicado no jornal britânico “Daily Mirror” para cuja existência fui alertado pelo Ideias Fixas 2, encetei algumas diligências no sentido de me queixar quanto ao conteúdo profundamente racista das do artigo “Oh, up yours, senor” aqui publicado junto da comissão britânica contra o Racismo, que rejeito a reclamação, afirmando não ser esta (estranhamente) do seu foro, mas sim do equivalente britânico para a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ex-AACS) acabei por receber uma resposta desta segunda entidade pública britânica…

Dear Mr Martins
has now concluded its investigation into the complaint from the Portuguese Ambassador about an article published in the Daily Mirror of October 2007 with the headline “Oh, up yours, senor”.

As a result of the complaint, the newspaper published a correction (enclosed) in regard to a factual inaccuracy in one of the comments ascribed to the Ambassador. Additionally, the columnist sent a private apology to the Ambassador, who was also concerned that the article had contained offensive comments about the Portuguese people and police.

The summary of the complaint has been published on the PCC website, and the matter is now considered to be concluded.

We are very grateful to you for contacting the with your concerns. The article attracted a record number of complaints, of which the newspaper has been made aware.

Aparentemente, não fui o único português que em nome individual se queixou do teor, das palavras e do sentimento implícito a este artigo do Mirror. A este propósito, note-se que idêntica reclamação enviada à redacção do dito pasquim não produziu qualquer resposta… Que admiração… A minha queixa foi de facto englobada noutra, promovida pela própria embaixada portuguesa no Reino Unido que reclamou pela “imprecisão” registada no artigo quanto às opiniões do embaixador sobre o caso McCann e a sua muito fundada reclamação sobre a “posição ofensiva” sobre a pessoa do embaixador, a polícia portuguesa e aliás, sobre toda a nossa população. O Daily Mirror foi forçado a enviar uma carta ao embaixador pedindo formalmente desculpa e publicou as seguintes linhas:

Further to our article of 29th October, we are happy to make clear that whilst the contrary impression was given by the comments of the Portuguese Ambassador to the Times on 27 October we can confirm that the Ambassador did Antonio Santana Carlos not, and has not, said that the Madeleine McCann case has seriously damaged relations between Portugal and this country.

Moral da história… Vale sempre a pena reclamar. Mesmo quando a nossa reclamação acaba por ser englobada numa outra. É que de permeio sempre incomodamos estes indignos senhores da “pérfida Albion” e fazemos vingar os nossos direitos a sermos tratados como seres humanos… ainda que sejamos do tal dito e suposto “Club Med”.

Categories: Madeleine McCann, Sociedade | 6 comentários

Sobre as afirmações racistas de Tony Parsons sobre Portugal e os portugueses a propósito do caso “Madeleine McCann”


(Tony Parsons, um autor publicado em Portugal pela Presença…)

 

O companheiro de lides blogoesféricas Sá Morais do Ideias Fixas 2, chamou a atenção AQUI para um artigo publicado no jornal inglês “The Mirror” onde um colunista de serviço (um tal de Tony Parsons) a propósito do caso Madeleine McCann se dedicava a algumas expressões bem características do tipo de racismo somente possível de encontrar entre povos germânicos e muito especialmente entre saxões a propósito das populações mediterrânicas…

 

Num curto, mas virulento artigo o colunista do “The Mirror” apresentva o seu ponto de vista sobre a forma como o caso estava a ser tratado em Portugal, em especialmente sobre a nossa Polícia Judiciária, mas estendia-se para além disso até uma atitude de aberto racismo contra Portugal e os portugueses em geral.

 

Desde logo, o título do artigo – judiciosamente seleccionado – deixava antever o tipo de texto que se lhe seguia: “Oh, Up Yours Senor“… Sem esclarecer se alimenta esse tipo de desejos em relação ao nosso Embaixador desterrado na “Pérfida Albion” se em relação a toda a população lusa… De qualquer forma, neste texto o dito “Senor” utiliza um conjunto de expressões que denota um acentuado racismo, razão que motivou o envio de uma queixa à entidade britânica responsável pelo combate a este fenómeno, a saber, a “Equality and Humans Rights Commission” que – estranhamente, dado o conteúdo do artigo declarou não estar a queixa dentro do seu âmbito de acção… Não desistimos, contudo, e seguindo a sugestão da própria EHRC, enviámos uma reclamação formal à entidade responsável (SIC) pela recepção de queixas perante atitudes dos órgãos de informação britânicos, a “Press Complaints Commission” apresentando AQUI esta reclamação:

 

“Goof afternoon,In this article of the Mirror (http://www.mirror.co.uk/news/columnists/parsons/2007/10/29/oh-up-yours-senor-89520-20024112/ ), Mr Tony Parsons says:

 

“It is the fault of the spectacularly stupid, cruel Portuguese police. I have never much cared for the convention of calling cops “pigs” or “filth”, but I am happy to make an exception.”

 

(…)

 

“And the Portuguese public must also take their share of the blame. The sight of locals jeering at Kate McCann as she went in for questioning made me feel as though these leering bumpkins were not from another country, but another planet.”

 

(…)

 

“And I would respectfully suggest that in future, if you can’t say something constructive about the disappearance of little Madeleine, then you just keep your stupid, sardine-munching mouth shut.”

 

I do believe that these 3 sentences show an very strong racist opinion about all Portuguese, published on a British newspaper.
That fact gives a very sad picture of the United Kingdom to one of his most old and trust full allies and should be targeted to the intervention of the organism that in the UK is responsible for suppress all expression of racism.”

 

Perante este ultrajante artigo de Tony Parsons não podemos ficar impávisos e serenos… Reagir é imperativo, já que as nossas autoridades não parecem inclinadas a fazê-lo, temos que agir em nosso próprio nome :

 

1. Reclamar perante o jornal que publica tão torpe e racista artigo, enviando correio para feedback@mirror.co.uk como bem sugere o Sá Morais

 

2. Contra a editora Presença, portuguesa (!), que publica e tenta vender ESTE livro do personagem que embora julge todos os portugueses são uns “comedores de sardinhas” não enjeita as patacas que estes generosamente lhe dão ao comprar o “livrinho”. Reclame na caixa de comentários do livro: AQUI e contra a própria editora Presença pelo apoio dado a este saxão quando rejeita diáriamente tantas obras de tantos autores portugueses: AQUI

 

3. Contra a Embaixada Britânica, por um artigo que tanto faz para prejudicar as relações entre o Reino Unido e Portugal: AQUI

 

4. Contra o Ministério dos Negócios Estrangeiros português por nada ter feito em defesa do bom nome do seu Embaixador e de Portugal a propósito deste caso. AQUI

 

5. E sobretudo, reclame junto do “The Mirror” escrevendo para:feedback@mirror.co.uk

Categories: Madeleine McCann, Política Internacional, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 18 comentários

Sobre o afastamento de Gonçalo Amaral do caso Madeleine McCann


(http://news.bbc.co.uk)

O afastamento de Gonçalo Amaral do cargo de Cordenador do Departamento de Investigação Criminal de Portimão e do caso Madeleine McCann é um novo episódio desta já longa novela de submissão portuguesa à “pérfida Albion“. Logo nos primeiros momentos desta investigação, a presença insinuante mas opressiva do embaixador britânico no Algarve, junto dos investigadores e um sem número de telefonemas originários dos gabinetes ministeriais britânicos para os ministérios e para o gabinete do Primeiro Ministro procuraram afastar a investigação das primeiras suspeitas dos inspectores (que falavam então de um caso de “desaparecimento” e não de “rapto”) do casal McCann… Em consequência destas pressões governamentais, podem ter-se perdido provas periciais fundamentais para o apuramento da verdade nos primeiros dias e somente quando cães pisteiros ingleses e laboratórios britânicos começaram a revelar um conjunto de indícios sobre o comportamente suspeito do casal McCann é que a PJ pode novamente regressar à sua orientação original: a tese da morte acidental.

Agora, que é evidente a atitude colaborante da polícia britânica na condução do processo e esta é particularmente gritante após a fuga dos McCann para Inglaterra em busca de poiso mais tolerante e colaborativo o processo emperra e atola-se na incapacidade da nossa PJ para poder continuar a investigação sem a colaboração britânica, os responsáveis portugueses perdem a paciência, falam demais e… são demitidos.

As acusações do antigo coordenador são imensamente graves. Quando em declarações ao Diário de Notícias admitiu que a polícia britânica “tem vindo a investigar dicas e informações criadas e trabalhadas pelos McCann, esquecendo-se que o casal é suspeito da morte da sua filha Madeleine”. É verdade que as declarações de Gonçalo Amaral foram excessivas e nada diplomáticas, mas o seu trabalho não é o de ser diplomático e sim ser investigador e coordenador de investigadores. Para além do desabafo, o que é efectivamente importante e devia ser determinado é se esta atitude de boicote da investigação existe ou não, e aqui, não existe nenhuma tentativa de apuramento da verdade quanto a estas pressões e quanto a esta atitude colaborativa, e isto é que é realmente grave!

E não nos esqueçamos de que Kate e Gerry McCann são suspeitos de homicídio involuntário e de ocultação de cadáver.

Fonte: Público

O que acha que aconteceu a Madeleine McCann?

1) Foi raptada por uma rede de pedofilia
2) Foi raptada por uma rede de adopção ilegal
3) Foi morta acidentalmente por um dos pais
4) Foi morta intencionalmente por um dos pais
5) Fugiu sozinha e sofreu um acidente

View Results

Categories: Madeleine McCann, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa | 9 comentários

Gerry McCann, pai de Madeleine McCann, Peter McCann e algumas ligações e possibilidades curiosas…

Parece evidente que existem contactos muito próximos entre o governo britânico e os McCann… As motivações desta proximidade pode ser apenas mediática, isto é, resultar da vontade do Labor de embarcar numa causa popular e muito mediática… Mas, pode haver outras motivações por parte deste apoio mais ou menos expresso do Governo de Gordon Brown ao casal McCann…

Corre em Inglaterra o rumor que esta cobertura governamental existe porque alguns elementos do actual governo do Labour ou familiares seus foram tratados na clínica de reabilitação pertencente a um membro da numerosa família McCann… E falamos da CastleCraig: “Castle Craig, with its 50 secluded acres of private land, is located in the rolling hillsides of the Scottish Borders, and only 30 minutes from Edinburgh. The hospital provides inpatient treatment for those suffering from alcohol and drug dependence and other addictive disorders

É verdade que entre os directores do “Castle Craig” se encontram:

Peter McCann MA, ICADC Chairman
Dr Margaret Ann McCann, MB Bch BAO Medical Director
Dr. Michael G. McCann , MD , MA , DIH, MFOM Director
John L McCann BA ACIS Financial Director/Administrator”

O site do hospital menciona também que “The hospital is a Preferred Provider to the U.S. Government under the Tricare programme and it is also recognised by the Dutch insurance companies.” Ora bem… Não foi na Holanda que viveu o casal McCann antes de regressar ao Reino Unido? Não é na Holanda também que este hospital particular tem também a sua única delegação no estrangeiro? O email que enviei ao endereço deste Peter McCann não teve resposta… Mas tentem vocês: pjm@castlecraig.co.uk… Segundo alguns, que dariam a informação como “confirmada” Peter McCann seria tio de Gerry e a sua clínica seria local de tratamento habitual para militares americanos e para membros do Governo britânico com problemas desde a dependência do alcóol até drogas mais pesadas… Agora que é uma grande clínica/hospital, isso não oferece dúvidas: “Peter McCann, director of Castle Craig hospital in the Borders, the UK’s largest treatment centre for adult dependency on drink and drugs, said a network must be established because the number of children becoming hooked on alcohol and drugs was spiralling out of control.

in http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,1635897,00.html

Curiosamente, um dos vários supostos avistamentos de Madeleine, ocorreu em Gozo, na ilha de Malta e no terminal de autocarros de La Valleta (ver AQUI). Ora este Peter McCann tem uma propriedade em Gozo (segundo um Forum do jornal britânico Mirror)

É certo que McCann´s… Há muitos. Só na lista telefónica de Londres há perto de 50, pelo que pode nem haver ligação familiar directa.

Não se sabendo exactamente qual a ligação entre este Peter McCann e Gerry McCann sabe-se contudo que o pai de Gerry, foi um deputado (MP) do parlamento britânico pelo… Labour… O mesmo partido de Gordon Brown. Com efeito, o seu pai, Jack McCann (1910-1972) foi eleito em 1958 e cumpriu mandato até 1964, sendo depois nomeado para o Tesouro e em 1966 “Chamberlain of the Household” (seja lá isso o que fôr…) e regressando ao Tesouro em 1967.

Esta ligação confirmada, mais a não confirmada ligação entre Peter McCann explicam a facilidade com que o casal movimentou meios diplomáticos e governamentais e até, como conseguiu chegar ao Papa.

Outro rumor não confirmado diz que uma das irmãs de Gerry foi assassinada há alguns anos e que esse assassinato estaria ligado a Drogas… Precisamente a área de actividade do CastleCraig de Peter McCann… Coincidência?

O que acha que aconteceu a Madeleine McCann?

1) Foi raptada por uma rede de pedofilia
2) Foi raptada por uma rede de adopção ilegal
3) Foi morta acidentalmente por um dos pais
4) Foi morta intencionalmente por um dos pais
5) Fugiu sozinha e sofreu um acidente

View Results

Categories: A Escrita Cónia, Madeleine McCann, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa, Wikipedia | 15 comentários

Novas reflexões sobre o desaparecimento (?) de Madeleine McCann, o Racismo Britânico e tese da “morte acidental” por Kate McCann


(http://img.dailymail.co.uk)

ormou os pais de vítimas em carrascos continua a agitar as mentes e as opiniões como nenhum outro neste Século.

O caso assume a relevência que assumiu devido à condensação nele de uma conjugação rara de factores que explica o seu esmagador mediatismo e que encontra as suas raízes na tradicional sensação de superioridade que sente e exprimem os anglosaxões e os povos germânicos em geral perante os povos mediterrâneos (Club Med). Sem dúvida que não estaria a escrever estas linhas se Madeleine tivesse sido raptada quando os seus pais passavam férias na Cornualha, na Islândia ou na Floresta Negra… Insere-se assim no contexto de um racismo mal escondido característico dos britânicos e que pode ser facilmente constatado em qualquer aldeamento turístico do Allgarve, do Sul de Espanha ou na Grécia. Por essa razão os muito dinâmicos tablóides ingleses se apressaram a tomar partido pelo casa de médicos – modelo familiar acabar da família britânica de sucesso – e contribuiram para a construção mediática de uma imagem de perfeição utópica que ainda hoje é propagandeada pelo site oficial do casal.

Agora, os Media britânicos estão enredados numa densa malha de cumplicidades com a imagem de “pais estremosos” que construiram para melhor vender papel, já que a população britânica não compraria artigos que aludissem à mais remota possibilidade de um dos seus ser um assassino de crianças… Preferindo responsabilizar um pedófilo anónimo e desconhecido, talvez português, talvez espanhol… No máximo lusobritânico (Murat). Antes a Polícia Judiciária era criticada aqui pela sua lentidão e inépcia… Agora porque orientou baterias contra os pais, perante provas periciais que… muito judiciosamente foram recolhidas por um laboratório britânico… Será porque está a acusar “inocentes” (não dizemos que o não sejam) e a desviar o foco da investigação da tese do rapto.

Os índicios existentes: o sangue no jipe alugado 25 dias depois da morte de Madeleine; os vestígios de sangue no cortinado e na parede do quarto; os odores de cadáver na roupa de Kate e no urso que leva sempre consigo; a estranha dormência dos gémeos no quarto agitado na noite do desaparecimento; as contradições quanto à hora do desaparecimento no discurso dos pais, etc, etc. Todos são indícios que apontam para aquela tese que parece reunir hoje mais adeptos em Portugal: a morte acidental da criança por intermédio de uma dose mortífera de sedativos. Mas e então como se explica o sangue nos cortinados, na parede e no jipe? O que fizeram com o corpo? É melhor nem pensar… Mas falamos de um cirurgião, treinado para lidar com corpos humanos como se fossem simples… Máquinas. E de britânicos, povo famoso pela sua fleuma e incapacidade para exprimir emoções… Não quero acreditar, mas as provas apontam neste sentido. É inútil negá-lo e só a cegueira britânica impede os seus media de ver esta evidência: Há pelo menos provas suficientes para considerar Kate e Gerry como suspeitos do desaparecimento da sua filha.

Por fim… Este caso é o caso do Século. Assim como o de Jack, o Estripador o foi do Século XIX, este caso “Madeleine” será e é-o já, o caso do Século. Pela projecção mediática… Pelas pressões diplomáticas do Governo britânico para que a PJ desviasse para aqui meios raros e escassos alocados a outros casos; pelas pressões diplomáticas que levaram ao encontro com o Papa; pelo uso da ciência genética mais avançada do mundo no reconhecimento de escassos vestígios biológicos numa parede ao fimuitas semanas… Pelo uso, enfim, da Internet como ferramenta de promoção de uma Campanha em prol do achamento de Madeleine McCann.

O que acha que aconteceu a Madeleine McCann?1) Foi raptada por uma rede de pedofilia
2) Foi raptada por uma rede de adopção ilegal
3) Foi morta acidentalmente por um dos pais
4) Foi morta intencionalmente por um dos pais
5) Fugiu sozinha e sofreu um acidente

View Results

Categories: A Escrita Cónia, Madeleine McCann, Portugal, Sociedade, Sociedade Portuguesa, Wikipedia | 37 comentários

Algumas reflexões sobre o desaparecimento de Madeleine McCann

Madeleine McCann
(Madeleine McCann e os seus dois irmãos in http://img.dailymail.co.uk)

A propósito do chamado “Caso Madeleine McCann”, muito haveria a dizer… Embora sempre menos do que tudo aquilo que já escreveu e falou nos Media, que parecem cegos por este caso… Mas deixemos aqui uma singela rasura daquilo que pensamos sobre este caso:

1. O Foco dos Media: Este caso cativou inegavelmente as atenções dos Media e da Sociedade… O governo britânico está empenhado ao mais alto nível, e o governo português já deixou bem claro que considerava este caso como altamente prioritário sobre todas as outras investigações a correr… Não duvidemos que se alocam a este caso mais de 200 agentes da Polícia Judiciária isto não se faz sem sacrificar o bom andamento (e eventual prescrição) de outras investigações…

O facto de:

.se tratar de uma cidadã estrangeira, oriunda daquele que é a maior fonte de fluxos turísticos para o Algarve,

.de ser uma cidadã britânica, nação insular com a qual Portugal alimenta uma relação sentimental muito longa e perene (embora raramente correspondida),

.o sentimento de sincera preocupação pelo destino da criança,

.o aspecto frágil, louro e de olhos azuis da menina que produz facilmente na maioria dos pais um sentimento de aflição e de identificação com os seus próprios filhos

Tudo isto e muito mais contribuiram para dar a este caso um destaque e uma concentração de meios que não existiu noutros casos, como o trágico caso do Rui Pedro hoje infelizmente esquecido já pelos Media…

2. Racismo: Logo nos primeiro dias do desaparecimento de Madeleine McCann que se notou nos Media britânicos e nalguns elementos da família McCannum sentimento de descrença pelas capacidades das autoridades policiais portuguesas… O eco desta insatisfação e desta projecção de frustação foi ampliado pela muito desregrada e frequentemente imoral imprensa britânica e chegou a Portugal muito rápidamente e pode ter dado a sua contribuição para o empenho de meios que ocorreu nos dias seguintes… E alterou certamente a conduta das autoridades, já que no dia seguinte organizavam uma conferência de imprensa para notificar os Media do andamento das investigações, coisa que não está nos hábitos da nossa (excelente) PJ…

3. Os meios: O casal McCann – sendo um casal de médicos muito abastado – soube rodear-se de amplos meios para recuperar a sua filha… Para além de todas as forças policiais portuguesas envolvidas na busca (e que são a maior operação policial a decorrer em Portugal actualmente), contrataram vários advogados e detectives privados que estão agora a trabalhar em Portugal, procurando pela menina. Fundaram um site de apoio e de recolha de donativos que pode ser acedido em http://www.bringmadeleinehome.com e onde, clicando AQUI, podemos exprimir a nossa solidariedade à família. Também aqui se notou um flagrante contraste com os outros casos de crianças desaparecidas em Portugal, actualmente em número de oito (ver AQUI), já que as famílias dispõem de outro tipo de meios.

4. A “negligência”: Logo na primeira hora, existiu alguma crítica social quanto à atitude de aparente negligência do casal em relação aos seus 4 filhos… E convenhamos que as críticas têm a sua razão de ser. Deixar sózinha uma criança de 3,5 anos, dois gémeos de 2 anos a dormirem no quarto de um aldeamento, deixar o mesmo para ir jantar a um restaurante no exterior do mesmo, ainda que supostamente “vigiando sempre a porta do aldeamento”… No mínimo é displicente e provavelmente merecedor da classificação de “comportamento negligente”… Mesmo se verificavam o quarto onde dormiam os filhos de meia em meia hora, como depois afirmaram, quando nas declarações iniciais diziam apenas “observavam a porta do aldeamento de dentro do restaurante”. Não praticaram o mal com intenção, mas certamente que hoje estão arrependidos. Serve o seu exemplo, para todos nós, de que nunca se deve deixar uma criança de tão tenra idade sózinha, quer seja num país estrangeiro, quer não…

5. Os rumores “desviantes”: Como sempre acontece nestas circunstâncias, cedo surgiram os rumores que aludiam a “desvios sexuais” por parte dos pais, nomeadamente à prática de “swing” com outros casais que também passam férias no mesmo aldeamento. O rumor surgiu num blog inglês (ver AQUI) e alimentou algumas notícias na nossa imprensa (ver AQUI): ”
“Há quem garanta que este casal se dedicava à prática de swing, isto é, relações sexuais entre casais”, afirmou ontem o criminalista Barra da Costa, na RTP. Desta prática – troca sexual de casais – poderia “resultar uma vingança no casal que se poderia consubstanciar no próprio desaparecimento da criança”, acrescentou o criminalista, que não quis revelar a sua fonte mas garantiu ser uma pessoa “que sabe”. Fonte próxima da investigação desmentiu categoricamente ao CM a informação de que o casal se dedicasse à referida prática sexual. “Foi uma falsidade lançada num blog inglês”, afiançou a mesma fonte. ”

6. A pista pedófila: O andamento actual das investigações da Polícia Judiciária no “Caso Madeleine McCann” aponta para a chamada “pista pedófila”, envolvendo um residente de nacionalidade britânica de nome Robert J. Murat que viva com a mãe Jenny numa vivenda a escassos 100 metros do aldeamento de onde desapareceu Madeleine McCann. Segundo várias notícias, haveria desde cassetes de video com conteúdo pedófilo, vestígios de sites pedófilos no computador recuperado da vivenda e diversos outros indícios que colocariam Murat no centro de uma rede pedófila que estaria envolvida no desaparecimento de Madeleine McCann. Esta pista é agora o principal rumo das autoridades e esperam-se desenvolvimentos nas próximas horas neste caminho, que espere que acabe por dar com o paradeiro de Madeleine…

7. As Doze Horas: Parece certo que houve alguma lentidão na reacção inicial da Polícia portuguesa (ignora-se exactamente em que escalão). De facto, as críticas britânicas quando há existência de um lapso de tempo de doze horas entre o desaparecimento e a informação enviada ao SEF permitiram que o raptor ou raptores passassem qualquer fronteira terrestre sem problemas, ou seja, neste caso poderiam ter ido e vindo a Espanha umas boas quatro vezes… Este atraso aviso é incomum (segundo o Expresso) e ilógico, porque sendo estrangeira a nacionalidade da menina, seria excpectável que – se raptada – tivesse sido prontamente levada para fora do país aquando do rapto.

No entretanto…

Esperemos que a menina apareça rapidamente, bem e saudável (tanto quanto é possível dadas as circunstâncias) e é nesse sentido que estamos todos a torcer…

Fontes:

http://dn.sapo.pt/2007/05/05/sociedade/apartamento_ferias_facil_assaltar.html

http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=391042

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=805692

http://port.pravda.ru/cplp/portugal/09-05-2007/16974-madeleinemccann-0

http://dn.sapo.pt/2007/05/06/sociedade/fronteiras_controlo_na_manha_seguint.html

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1293234&idCanal=undefined

http://www.thisislondon.co.uk/news/article-23395014-details/Parents%20cling%20to%20hope%20for%20snatched%20Maddy/article.do

O que acha que aconteceu a Madeleine McCann?1) Foi raptada por uma rede de pedofilia
2) Foi raptada por uma rede de adopção ilegal
3) Foi morta acidentalmente por um dos pais
4) Foi morta intencionalmente por um dos pais
5) Fugiu sozinha e sofreu um acidente

View Results

Categories: A Escrita Cónia, Madeleine McCann, Sociedade Portuguesa | 86 comentários

Create a free website or blog at WordPress.com.

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

Moradores do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Moradores do Areeiro

AMAA

Associação de Moradores e Amigos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES ALTRUISM

A new world with universal laws to own and to govern everything with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

O Vigia

O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)