Lusofonia

Citações de Mia Couto

“Mais e mais me assemelho ao caranguejo: olhos fora do corpo, vou sonhando de lado hesitante entre duas almas: a da água e da terra (curozero muando)”
“Eu era ainda muito novo quando desatei a envelhecer. Tal como agora: comecei a morrer ainda vivo. Ir falecendo, assim sem dar conta, isso não me dava custo. (Avô Mariano)”
“Todo o tempo está em suas mãos, fosse um mar feito de uma só onda”
“A saudade é uma ferrugem, raspa-se e por baixo, onde acreditavamos limpar, estamos semeando nova ferrugem”
“Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós”
“Cada um descobre o seu anjo tendo um caso com o demónio”
“Cabrito come onde está amarrado”
“A maior aspiração do homem não é voar. É visitar o mundo dos mortos e regressar, vivo, ao território dos vivos.”
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Uma “Reforma do Estado” Lusófona no setor da Defesa Nacional

Nos últimos anos, pelo menos desde começos da década de 1990 que se fala – de forma recorrente e improdutiva – em “Reforma do Estado”. E contudo, apesar de toda a pressão imposta por décadas de défice crónico na execução orçamental, pouco mais se tem feito, além de cortes cegos, reduções de salários e pensões e aumento desbragado de impostos. De “reforma do Estado”, nem sinal.

Só há “reforma do Estado” quando o Estado – entendido aqui enquanto expressão legitimada e participada da vontade da maioria dos cidadãos – decidir que o Estado não é financeiramente sustentável na forma exata em que ele hoje se encontra e se reunir o consenso mínimo (não confundir com unanimismo) e decidir que setores devem ser escolhidos com setores a focar e que setores a entregar a privados, parcerias com públicos e/ou privados ou entidades internacionais.

Estrategicamente, o Estado pós-Revolução é percepcionado (corretamente) pelos cidadãos no políptico Educação-Saúde-Segurança Social-Segurança. As duas primeiras frentes são essenciais à Justiça Social e ao desenvolvimento igualitário da sociedade. Além de aumentos de eficácia (enormes, nas últimas décadas) não se deve tocar nestas frentes estratégicas, já que são, precisamente, os dois pilares centrais do Estado Social (e representam, juntas, hoje menos do que se paga em juros da dívida pública…). Restam dois outros pilares, laterais, mas igualmente importantes: a Segurança Social, lida aqui como o apoio aos mais desprotegidos ou incapacitados que deve ser ponto de charneira em qualquer sociedade desenvolvida e… a Segurança, tida aqui como Interna (Polícias e Serviços de Informação) e Externa (Defesa).

A reforma do Estado que aqui propomos tem precisamente este foco: a Defesa Nacional. Este é um setor responsável por uma parcela muito significativa do Orçamento Geral do Estado (2.138,7 milhões de euros para 2014 ou 3% do OGE) e isto apesar de um desinvestimento mais ou menos generalizado produzido neste setor nos últimos anos.

A proposta que aqui deixamos é a contribuir para a reforma do Estado a partir do desenvolvimento do “braço de defesa” da CPLP e da formação de unidades conjuntas de força aérea e de marinha entre os países da Comunidade. Estas unidades mistas-piloto seriam gradualmente estendidas em número e capacidade até alcançarem a eficácia para que pudessem realizar missões em todos os países da Comunidade lusófona. As poupanças advindas desta integração de meios, de centrais de compras (de aquisições e manutenção) comuns, da gestão racional de meios e de escala entre os países que compõem a CPLP seriam benéficas para todos os países e permitiriam resolver situação de manifesta carência de meios de vigilância área e marítima (nos países africanos lusófonos e em Timor), treinamento básico e avançado (por exemplo, naval e aéreo). Esta “Reforma do Estado” aqui proposta seria profunda, estratégica e produziria um aumento da cooperação lusófona e desse eixo da nossa diplomacia e relações internacionais com um aumento de capacidade (pelo aumento de Escala) isto, simultaneamente, com uma poupança orçamental em todos os países da Comunidade.
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Citando Mia Couto

“Vantagem de pobre é saber esperar. Esperar sem dor. Porque é espera sem esperança. (…) o segredo é demorar o sofrimento, cozinha-lo até que ele se espalhe, diluto, no infinito do tempo”

 

“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora”

 
“O boi sem cauda pode passar pelo capim em chamas”
 
“Cada homem é todos os outros. Esses outros não são apenas os viventes. São também os já transferidos, os nossos mortos. Os vivos são vozes, os outros são ecos”
 
“Só sopro em vela que eu mesmo acendi”
 
“Feridas da boca se curam com a própria saliva”

 
“Assim esteve Deus, para mim: primeiro ausente, depois desaparecido”
 
“É assim a ganância: uns possuem, outros são possuídos pelo dinheiro”
 
 
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O que é exatamente, a “Lusofonia”? E sobre o Momento Ideal que vivemos para a desenvolver

O que é exatamente a “lusofonia”? O que representa o termo para um africano, brasileiro ou português? Tem o mesmo significado ou, pelo contrário, vale coisas diferentes em locais e contextos diferentes?

Esse é o grande cisma da “lusofonia”: para um africano, “lusofonia” representa uma ligação a um passado histórico, mais ou menos desejado, mais ou menos odiado, mas também a ponte que une muitas famílias numa diáspora que -nos últimos anos – tem dado sinais de reversão. Para um brasileiro, representa um termo desconhecido ou exótico, na grande maioria não-ilustrada da sua população, ou uma oportunidade de negócios para as elites inteletuais ou económicas do Brasil. Para um Português, “Lusofonia” tem um cariz de “idade de Ouro”, de um “império” perdido e de um passado glorioso que se esfumou nas brumas do tempo… ou ainda um modelo alternativo de futuro nacional, uma espécie de transposição para África e Brasil do mesmo conceito experienciado na União Europeia, de uma pró-federação transnacional, mas agora com uma base cultural e não de base económica e financeira.

Obviamente, todos estão certos e todos estão errados. Antes do mais, a “lusofonia” não é uma “Lusotopia”, um objetivo ou meta longínqua que pode ser alcançada, mediante a aplicação da intensidade correta de esforço ou de recursos. A Lusofonia existe de forma latente e imanente em todos aqueles que falam Português e com uma resiliência flexível que apenas existe nas manifestações culturais (como a língua). A Lusofonia é o cruzamento destes três aspectos de ver o conceito: o conceito de diáspora africano, o conceito utilitarista brasileiro e o romântico ou nostálgico luso. Deste cruzamento grandes obras podem surgir… edifícios sociais e políticos unindo três continentes, amplificando de forma exponencial a capacidade de projeção internacional e o desenvolvimento social e económico de todos estes povos.

A semente para esta união política está plantada na mente coletiva de todos os lusófonos. Mas o tempo é inclemente… o momento para se começar a construir essa materialização deste conceito imaterial (porque cultural) é agora… o desenvolvimento económico e cultural que hoje é patente no Brasil, cruzado com o notável desenvolvimento económico de Angola e Moçambique poderia potenciar uma aproximação política. Paradoxalmente, as próprias dificuldades presentes atravessadas por Portugal, com o consequente descrédito da “via única europeia” e o reconhecimento da evidência de que o país não é “apenas” um país europeu, mas também um “país atlântico” com uma vocação e uma atração natural para a realidade do Além Mar que lhe é matricial e natural.

A situação presente, com o impulso para o exterior sentido pela economia brasileira e com a intensificação dos contactos económicos entre Angola-Moçambique e Portugal estão a fazer crescer o pilar económico das relações entre os paises lusófonos, reforçando as pontes já robustecidas por séculos de História comum e as diásporas cruzadas que têm tambem aumentado nos últimos dez anos.

Esta confluência de fatores favoráveis a uma maior aproximação política entre os países que integram a CPLP torna o momento perfeito a que se dêem agora passos decisivos para tornar mais efetiva e operativa aquela promessa eternamente adiada que é a Comunidade Lusofona. O momento é Agora e a oportunidade é gritante. Contudo, a falta de visão dos líderes lusófonos é atroz… toda esta rara confluência de factores está a ser desprezada e brevemente se perderá este momento ideal para transformar a CPLP em algo de realmente aproximado ao sonho de Agostinho da Silva e Aparecido de Oliveira.

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“A Europa jaz, posta nos cotovelos”

A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália, onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.
Fita, com olhar sfingico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal

Fernando Pessoa, Mensagem

Portugal é como um anão procurando abraçar o mundo, nas palavras do poeta… mas um anão que assenta os seus pés em três pilares, todos incontornáveis, todos inegáveis e todos igualmente estratégicos e fundacionais: Lusofonia, Atlântico e Europa. Somos europeus, estivemos na base direta da sua fundação sendo dos mais diretos e legítimos herdeiros de Roma e da sua unificação continental (destruída no século V pelos germanos) e não renegamos esse estatuto nem deixaremos que nos afastem dele.

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O Galeuro: uma Moeda Local galega

As Moedas Locais começam a surgir um pouco por toda a Europa como uma alternativa realista e concreta ao Euro e a todas as maleitas que estão associadas à Moeda Única, imposta e controlada a partir do norte da Europa. Uma delas é o Galeuro, uma moeda eletrónica que brevemente começará também a ser impressa. A decisão de passar a imprimir ou não esta moeda será tomada numa reunião a 6 de abril.

A Galeuro é o produto da concertação de um grupo de ativistas da “Mancomunidade Integral Galega” (Miga) e nas palavras dos organizadores, a iniciativa resultada da “crise do capitalismo que está a pôr em questão as próprias bases do regime económico em que vivemos”. O Galeuro surge assim como uma “forma de recuperação das velhas formas de cooperação monetária e levantando alternativas eficazes à tirania dos bancos centrais e às suas moedas de curso legal. Moedas sociais locais e complementares, bancos do tempo, mercados de trocas… as iniciativas para a superação do sistema monetário são variadas, criativas e cada vez mais extensas”, mas, segundo a Miga, “falta ainda um sistema de intercâmbio integrador que dê corpo massivo a esta nova economia social”.

O Geleuro poderá assim juntar-se a várias moedas locais já em curso além na Península Ibérica, como o Eusko, no País Basco, ou o Eco, a Mora e a Taruta, em curso na Catalunha, Andaluzia e Castela.

O Galeuro pretende permitir pagamentos entre pessoas e empresas aderentes a esta moeda eletrónica, esperando-se que a sua passagem ao mundo físico possa contribuir para o alargamento do número de utilizadores desta moeda local.

Em Portugal, o www.MaisDemocracia.org tem também nas Medas Locais uma das suas propostas centrais para a recuperacao da economia local e para a implementacao da descentralizacao municipalista. Naturalmente, a candidatura autarquica participava www.MaisLisboa.org que emana diretamente desta associacao ergue a instauracao de uma Moeda Local em Lisboa também como um dos seus objetivos.

Fonte:
http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/404-laboraleconomia/36773-proponhem-reuniom-para-impulsar-moeda-galega-alternativa-ao-euro.html#.UUl9iKjTdik.facebook

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União Lusófona e Democracia Participativa

Um dos maiores desígnios do MIL: Movimento Internacional Lusófono é o desenvolvimento da CPLP, até uma verdadeira, plena e operativa, União Lusófona. As vantagens da construção de uma superstrutura pluricontinental, assente no forte triângulo estratégico, económico e cultural representado pelas potencias regionais do Brasil e Angola, com um vértice europeu em Portugal e com fortes projeções no modela Estado cabo-verdiano e no Indico num dos faróis mais luminosos do renascimento africano que é Moçambique, daria a esta União Lusófona um papel de maior entre os maiores na cena mundial.

Mas esta União Lusófona não poderá ser “mais do mesmo” no que concerne à aplicação dos esgotados modelos de representatividade democrática dos cidadãos: em vez de câmaras parlamentares eleitos de quatro em quatro ou de cinco em cinco anos, de presidentes e primeiros-ministros eleitos de forma indireta ou prestando apenas contas perante assembleias sequestradas pelos aparelhos partidários e pelas cleptocracias, esta União Lusófona teria o Dever – pela sua escala continental única – de assumir uma forma forma de exercício democrático: em vez ser construida sobre as formas de democracia representativa habituais, passíveis de serem capturadas pelos Grandes Interesses económicos e financeiros que hoje controlam grandes federações como os EUA ou pseudo-federações como a União Europeia, esta superstrutura pluricontinental poderia buscar a sua legitimidade democrática na Democracia eletrónica, direta e participativa.

Uma União Lusófono em que a expressão cidadã fosse determinada por níveis inéditos de participação cívica e política, incorporando no seu seio mecanismos democráticos que hoje são disponibilizados a todos pela Internet e pelas novas tecnologias móveis e que permitiram o assentamento dos órgãos da União Lusófona em torno de Referendos Imperativos, Iniciativas Legislativas de Cidadãos, Orçamentos Participativos (em escala local, municipal, estatal e da União), consultas populares, petições, e, sobretudo, com a capacidade para convocar eleições ou destituir eleitos sob petição. Essa União Lusófona seria um exemplo de democracia e desenvolvimento e cremos que é possível materializa-la a curto prazo, a partir dos alicerces representados pela CPLP e pelos exemplos positivos de Democracia Participativa que são os Orçamentos Participativos já em aplicação em muitas cidades brasileiras e portuguesas.

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ILP Paz-Andrade atingiu 17.000 assinaturas e esta tarde serão entregues no Parlamento da Galiza

Um passo importante para a Lusofonia na Galiza!

http://www.pglingua.org/noticias/informante/5454-ilp-paz-andrade-atingiu-17000-assinaturas-e-esta-tarde-serao-entregues-no-parlamento-da-galiza

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Ainda sobre a adesão da Guiné Equatorial à CPLP

“Murade Muragy (Secretario Executivo da CPLP): “Portugal é o único país a opor-se à entrada da Guiné Equatorial na CPLP e vai ficar isolado nessa matéria”. (…) “na cimeira de chefes de Estado e Governo de Julho passado em Maputo, a entrada foi recusada e a recusa justificada com a pena de morte, em vigor no país, e a ausência de direitos civis.” (…) “Protestos que Murade Murargy, que regressou esta semana de uma visita a Malabo a convite do Presidente Obiang, não entende. Fala em “progressos” do regime na Guiné Equatorial e dá o exemplo de “não existência de presos políticos” como lhe terá sido garantido pela representante diplomatica do Brasil em Malabo.
Contudo, Agustin Esono ainda está preso, desde 17 de outubro de 2012,numa das piores prisões do país, Black Beach, segundo confirmou o PÚBLICO junto da CPDS (Convergência Para a Democracia Social), partido da oposição. O advogado de Esono, Fabian Nsue, foi também ele detido quando ia visitar o seu cliente.
A CPDS é o único partido da oposição com representação no Parlamento com um deputado apenas. (…) “A Human Rights Watch (…) descreveu assim o país no relatório de 2012: “a Guiné Equatorial continua minada pela corrupção, pobreza e repressão sob a liderança do Presidente Teodoro Obiang Nguema no poder desde 1979.”

Público, 9 fevereiro 2013

O isolamento atual da posição de Portugal na CPLP no que concerne à questão da adesão da Guiné Equatorial enfraquece a sua capacidade de influência na organização lusófona e – a prazo – é insustentável.

O problema é que nesta questão Portugal está certo e os demais membros estão errados: a CPLP tem que se afirmar pela diferença e pela elevação dos seus princípios, não aceitando no seu seio – como um seu par – uma ditadura anti-democrática e violenta para com o seu próprio povo. Mas pode utilizar essa aspiração da Guiné Equatorial para forçar o regime a democratizar-se: que desenhe uma série de requisitos mínimos: liberdade de imprensa, fim dos presos políticos, liberdade de reunião e eleições realmente livres, dê um prazo para que este país implemente essas reformas e no fim do mês determine se foram cumpridos ou não. Assim se manterá a identidade da CPLP como uma comunidade de povos livres e democraticamente governados, se cumprira a vontade de adesão da Guiné Equatorial (e, presume-se, do seu povo) e a de todos os demais membros da CPLP, com exceção de Portugal.

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Portugal, para sobreviver, tem de olhar muito além da Europa, através do Atlântico e mirando o mundo lusófono e ir ainda mais além

“O agravar da crise na zona euro e a greve nos portos estão a provocar uma forte desaceleração no ritmo das exportações. As vendas para os principais parceiros europeus já estão em queda há dois meses consecutivos. É o mercado extra-comunitário que está a puxar pelas exportações portuguesas.
(…)
Os quatro maiores parceiros comerciais na Europa: Espanha, Alemanha, França e Reino Unido estão todos a cortar nas importações à economia nacional.
(…)
Em outubro, as exportações para fora da Europa aumentaram 24.7%. As exportações para Angola, o quarto maior parceiro comercial de Portugal nesta altura, aumentaram 33.3% entre janeiro e outubro.”

Diário Económico
10 dezembro 2012

Em termos estratégicos é cada vez mais claro que Portugal, se quer sobreviver enquanto país minimamente solúvel e financeiramente sustentável tem que olhar sempre e cada vez mais para fora do continente europeu e procurar consolidar a sua posição no mundo de expressão lusófona e procurar novos mercados em regiões onde tradicionalmente presente.

O percurso corrido nas ultimas décadas e que tornou o país numa dependência doentia das exportações para a Europa e, sobretudo, para Espanha, é para ser infletido e com elevada prioridade. A Europa está numa situação de elevada insustentabilidade, sem indústria (que deixou fugir para a China), hiperdependente do crédito (e endividada até ao tutano) e num processo imparável de declínio e decadência. Portugal ao longo da sua História só foi “europeu”, no sentido em que teve uma História integrada na do continente europeu em momentos muito específicos da sua História e quase sempre de forma involuntária (Invasões Napoleónicas, Primeira Guerra, etc). Portugal é muito mais um pais atlântico do que um país europeu. Essa é a vocação e identidade, marítima e transcontinental que urge recuperar como matriz identitária e fundacional de um país que neste cenário de erosão da credibilidade e funcionalidade da Europa se arrisca a desaparecer.

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Entrevista a Murade Murargy, o novo secretário executivo da CPLP

 Murade Murargy

Murade Murargy

“A CPLP só tem dezasseis anos, é muito jovem. É um edifício inacabado, mas os alicerces são bastante sólidos. Começámos pela concertação político-diplomática, que é o alicerce principal da nossa organização. Um exemplo que posso dar é a eleição do diretor-geral da FAO. Num universo das Nações Unidas de quase 200, oito países conseguiram movimentar o mundo e eleger o diretor da FAO. Não é fácil lutar com uma Espanha que tinha um forte candidato.
O que é que isso significa? Que temos uma força enorme que tem por base a concertação política e diplomática. É verdade que há outros domínios em que ainda temos que avançar – a parte empresarial é ainda muito insignificante se for vista na perspetiva da CPLP, mas não se for vista na perspetiva bilateral. Se formos ver as relações bilaterais dos nossos países, o fluxo é enorme.”

– atualmente, a frente diplomática é de facto a única onde a CPLP expressa alguma relevância internacional. A força concertada de oito países, três dos quais com uma relevância e influência regionais consideráveis (Angola, Brasil e Portugal), não é displicente e a sua eficácia já foi demonstrada inúmeras vezes, sendo caso da FAO apenas um dos exemplos mais recentes. Neste campo da concertação diplomática ainda há muito espaço para crescer. Neste contexto, o regresso à normalidade democrática e legal na Guiné-Bissau é um teste decisivo para a eficácia e concertação diplomática no seio da CPLP. E um desafio crucial para fazer a organização lusófona dar um salto qualitativo importante, alavancando a criação de uma estrutura permanente de segurança e defesa na CPLP que obste a golpes de Estado nos países da organização e que construa mecanismos semi-automáticos de resposta concreta e operativa neste tipo de crises, constituindo, por exemplo, uma força lusófona de manutenção de paz permanente e concedendo-lhe expressamente o mandato de repor a legalidade democrática sempre que um governo legítimo for derrubado por forças estrangeiras ou a partir do interior do próprio país.

“Que frentes económicas da CPLP podem ser trabalhadas?
A grande frente definida na última cimeira da CPLP é a produção de alimentos, o agro-negócio. É uma área fundamental, porque vamos assistir a uma crise alimentar no mundo.”

– nestes tempos de grave crise financeira global e de pré-rutura do euro, a iminência de uma crise alimentar global, conjugada com o pico da produção petrolífera (alcançado já à meses, mas mascarado apenas recessão global), assume proporções tremendas: o principal alvo será África, o continente que menos auto-suficiência alimentar possuir, pela desorganização da sua economia, pela excessiva concentração em produções agrícolas de exportação e pela pura má gestão de muitos governos (em que o pior exemplo é do Zimbabué). Esta crise alimentar far-se-á assim sentir de forma especialmente aguda na África lusófona, no país mais deficitário neste campo: a Guiné-Bissau (que tem problemas crónicos de corrupção e má governação). Os demais têm condições teóricas para suportarem este embate: Angola tem muitas terras agrícolas por explorar, Moçambique está nesta área em melhores condições que Angola, tendo uma produção agrícola já significativa, o Brasil é já uma das maiores agro-potencias globais, Timor tem os fundos das reservas petrolíferas que lhe garantem a prazo capitais para manter as importações alimentares de que necessita. Portugal, com solos classicamente pobres, é de todos talvez um que a prazo mais dificuldades encontrara, especialmente se entrar em bancarrota e se deixar de aceder a empréstimos internacionais. Importa assim – no seio da CPLP – criar mecanismos que permitam uma resposta alimentar integrada se ocorrer uma crise em qualquer um dos países membros, usando o conhecimento disponível, o capital, excedentes e outras virtualidade de forma rápida e concertada, respondendo com eficácia a essas crises futuras que o secretario executivo corretamente antecipa.

“Qual gostaria que fosse, no final, a marca do seu mandato?
Se conseguisse instalar uma televisão de língua portuguesa, como a TV francesa, que expandisse a língua portuguesa por todo o mundo, seria uma grande alegria para mim. Pode ser real, é uma questão de os Estados-membros quererem fazer isso. Uma proposta mais real é a segurança alimentar e nutricional. Vai ser uma grande bandeira. É um tema que toca todos os países.”

– a construção de uma “televisão lusófona” não é – de todo – um objetivo irrealista ou absurdo. Tecnicamente a sua estrutura básica já existe e chama-se “RTP África”. A partir desta estrutura, desenvolvendo-a com investimentos dos outros países da CPLP e estendo-a ao Brasil e a Timor seria relativamente fácil construir essa “televisão lusófona” ambicionada pelo secretario executivo. Obviamente, a Portugal seria do máximo interesse (estratégico e financeiro) desenvolver a “RTP África” e aligeirar o fardo financeiro que esta representa, para os países lusófonos tal desenvolvimento seria ainda mais importante, dando-lhes um meio para chegar às suas diásporas e para promover as suas culturas nacionais a uma escala global. A ideia – de resto – é uma das propostas mais antigas do MIL.

Público
16 dezembro 2012

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Angola vai ter um satélite em órbita em 2015, o Angosat

O primeiro satélite angolano, o Angosat, construído por um consórcio russo liderado pela RSC vai ser lançado para o Espaço em 2015. O anúncio coube ao secretário de Estado das Telecomunicações e Tecnologias de Informação angolano, Alcides Safeca. O Angosat irá custar cerca de 40 mil milhões de kwanzas (315 milhões de euros) e será financiado por bancos russos.

O Angosat deverá estar operacional durante 15 anos possuindo 22 transponders oferecendo serviços de suporte a telecomunicações, banda larga e de televisão a este país africano de expressão oficial portuguesa.

O governo angolano pretende lançar mais satélites do mesmo tipo nos próximos anos.

Fonte:

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2959609&seccao=CPLP&page=2

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Fernando Pessoa: O Quinto Império será “de outra ordem” e “nós o atribuímos a Portugal”

“O Império espiritual da Grécia, origem do que espiritualmente somos. E, sendo esse o Primeiro Império, o Segundo é o de Roma, o Terceiro o da Cristandade, e o Quarto o da Europa – isto é, da Europa laica, depois da Renascença. Aqui o Quinto Império terá que ser outro que o inglês, porque terá de ser de outra ordem. Nós o atribuímos a Portugal, para quem o esperamos.”
Fernando Pessoa

Nestas palavras proféticas de Pessoa, o Quarto Império seria a Europa “laica”, isto é, a Europa da União Europeia. E após esse “império” seguir-se-ia um “império” de “outra ordem”, supõe-se que menos materialista, militar ou económico que aquele imposto ao resto do continente pelos países do norte. E que esse Quinto Império seria não o “de” Portugal, mas “Portugal”.

Obviamente que Pessoa, esse grande vate da cultura portuguesa e lusófona não entreve um futuro em que as legiões de Portugal derramam sobre o continente europeu e demais áreas adjacentes o seu poder militar ou económico. O tempo desses impérios terminara com o quarto, precisamente o da “União Europeia”, braço do capitalismo financeiro global (não confundir com “capitalismo económico”) e cujo ocaso vivemos hoje.

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A Constituição Liberal de 1822 e o regime federal Portugal-Brasil

As Cortes Constituintes de 1822 (http://www.arqnet.pt)

As Cortes Constituintes de 1822 (http://www.arqnet.pt)

“A Constituição Liberal de 1822 adotou uma espécie de regime federal para com o Brasil criando uma regência de cinco membros e um governo de três que residiriam no Rio de Janeiro. Haveria ainda um um Conselho de Estado composto de treze conselheiros, escolhidos pelo rei ante proposta das Cortes, dos quais seis de Portugal, seis do Ultramar (Brasil) e um tirado à sorte.”

A. H. Oliveira Marques
História de Portugal, vol. III

Infelizmente, pouco tempo haveria de vigorar esta Constituição da Monarquia Constitucional portuguesa: pouco menos de três anos, e, mesmo esses divididos por dois períodos de tempo distintos. E ainda menos no Brasil já que nesse mesmo ano, 1822, seria dado o “Grito do Ipiranga”…

A constituição tinha em si as sementes para garantir um verdadeiro “reino dual” entre Portugal e Brasil e – sendo aplicada durante o tempo suficiente – poderia ter resolvido as questões de desigualdade no tratamento entre cidadãos de ambos os lados do Atlântico que, meses depois levariam à separação entre Portugal e Brasil.

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Liberal de 1822, sim. Neoliberal, Não.

Coroação de D. Pedro como imperador do Brasil (http://sol.sapo.pt)

Coroação de D. Pedro como imperador do Brasil (http://sol.sapo.pt)

“Os Liberais que triunfaram em 1820 assentavam a sua ideologia no direito à propriedade privada, do qual derivavam todas as outras liberdades: liberdade de não ser preso sem culpa formada nem julgado exceto de acordo com a lei, liberdade de falar e escrever sem censura prévia, igualdade de direitos e de leis para todos, abolição da tortura, da confiscação de bens, da infâmia, direito para todos serem admitidos nos cargos públicos, direito de apresentar reclamações, queixas ou petições, inviolabilidade da correspondência, o principio da lei como vontade dos cidadãos, a divisão tripartida dos poderes, etc”

“Como princípios mais nacionalistas, resultado das necessidades portuguesas, poderiam indicar-se uma certa defesa do protecionismo e dos direitos aduaneiros elevados, em oposição ao livre câmbio para o estrangeiro, o desenvolvimento das técnicas, dos transportes e das comunicações, e uma “reforma agrária” que pusesse gim aos grandes latifúndios. O Liberalismo português definia também a nação como “a união de todos os Portugueses de ambos os hemisférios”, garantido-lhes, direitos e deveres iguais.”

A. H. Oliveira Marques
História de Portugal, vol. III

Não se pode (nem deve) confundir neoliberalismo com liberalismo. Por vezes há que realizar alguma certa (mas necessária) “limpeza de mente” para decantarmos todo esse material que os Media diariamente nos injetam e que nos levam a confundir os dois termos.

Na verdade, e lendo o primeiro parágrafo deste texto, constata-se como é difícil não defendermos todos os princípios do liberalismo: liberdade de expressão, igualdade de direitos para todos, primazia da Lei, repartição tripartida do poder, etc. Obviamente, concordamos com tudo… algo que não dispensa esta recordação, tanto mais porque o predomínio dos Grandes Interesses multinacionais e financeiros sobre os Media e os seus lobbies condicionam e castram hoje a democracia representativa. Somos liberais, mas não neoliberais: opomo-nos a uma desregulação selvagem da economia, a uma minarquia, à compressão até ao vácuo do Estado Social e à desigualdade económica e social que sempre advém num contexto em que a influência do Capital é muito maior que a do Trabalho numa economia.

Liberal sim, neoliberal, não.

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Stefan Zweig: “Como poderá conseguir-se, no mundo, viverem os entes humanos pacificamente uns ao lado dos outros, não obstante todas as diferenças de raça, classes, pigmentos, crenças e opiniões? (…) mais nenhum país resolveu esse problema de maneira mais feliz e mais exemplar que este (o Brasil) o fez”

“Como poderá conseguir-se, no mundo, viverem os entes humanos pacificamente uns ao lado dos outros, não obstante todas as diferenças de raça, classes, pigmentos, crenças e opiniões? (…) mais nenhum país resolveu esse problema de maneira mais feliz e mais exemplar que este (o Brasil) o fez.”
Stefan Zweig

Porventura a maior força do Brasil é precisamente a sabedoria intrínseca que demonstrou ao saber resolver esse grave problema do racismo que fratura e dilacera tantos países no mundo. Não recusamos ver que existem problemas, contudo, neste campo, no Brasil. Mas perante uma tal escala continental e num passado ainda relativamente recente de escravatura a forma como este país lusófono resolveu a questão é realmente exemplar.

É nossa crença que esta “solução tropical” do problema do racismo no Brasil deve a sua quota parte à herança portuguesa… país “rafeiro” (mesclado) como nenhum outro na Europa, que soube levar a tradição tolerante e quintana do Culto do Espírito Santo até bem dentro do Sertão brasileiro, criando assim as condições para essa sábia tolerância que aqui constatamos.

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O Brasil pode ajudar Portugal, mais. Desde logo correspondendo na escala do investimento português no Brasil

Mário Vilalva

Mário Vilalva

“Os números revelam que há um investimento de três mil milhões de euros do Brasil em Portugal. O investimento português no Brasil é de cerca de 25 mil milhões de euros, o que representa a criação de cerca de 650 empresas portuguesas ou de capital português no Brasil.”
(…)
“No ano passado, demos (o Brasil) 50 mil vistos de trabalho a estrangeiros e aos portugueses cerca de dois mil, o que representa o dobro do ano anterior. Esperamos que o crescimento continue. Há ainda alguns aspetos burocráticos que têm que ser vencidos.
(…)
Portugal é um dos destinos preferidos dos estudantes brasileiros. O segundo país é Portugal, embora a liderança continue a ser ocupada pelas universidades norte-americanas. Já este ano, ao abrigo do Programa Ciência sem Fronteiras, foram enviados cerca de 1500 estudantes brasileiros para Portugal. O que significa que, atualmente, temos um universo de cerca de quatro mil estudantes brasileiros em Portugal.”

Entrevista a Mário Vilalva, embaixador do Brasil em Portugal
Diário Económico, 10 dezembro 2012

É verdade que o Brasil – apesar do seu recente estatuto de potência económica mundial – ainda é um país muito isolacionista, quer a nível diplomático, quer económico. Com efeito, ainda há poucos anos eram muito raros os exemplos de investimentos brasileiros no estrangeiro e Portugal, foi de facto, um dos países onde percentual mente, mais o gigante lusófono investiu (e isto apesar da desproporção acima citada). Mas o cenário está a mudar e poderia ter mudado ainda mais se o Governo Sócrates tivesse querido…

Aquando da erupção da crise financeira em 2008 e quando no ano seguinte os juros da Dívida Soberana começaram a subir até níveis incomportáveis, um sindicato de países lusófonos, encabeçado por Angola e Brasil – reunido na ONU – propuseram comprar dívida soberana portuguesa, evitando assim a Portugal o recurso aos fundos da troika e a correspondente austeridade. Em troca pediam apenas prioridade na venda das empresas públicas. Como se viu, estas empresas acabaram sendo vendidas na mesma (algumas a angolanos e brasileiros…), mas Portugal embarcou num tapete sucessivo e interminável de vagas austeritárias que satisfaz apenas Passos e Gaspar e as suas ambições pessoais de ocuparem mais tarde cargos internacionais.

A ajuda brasileira foi então rejeitada por um Governo que colocava a “europa” acima de tudo e de todos, até do interesse nacional. Mas o Brasil pode apesar disso fazer mais por Portugal… continue a investir, compensando esse desequilíbrio que ainda o favorece numa escala de um para dez e, sobretudo, abrande as barreiras alfandegarias (duras) que ergue contra Portugal. Isso ja seria uma grande ajuda para este irmão lusófono que tão precisado está de ajuda dos países realmente irmãos (ao contrário dos germanos, que nos empurraram para o “seu” euro e todas as suas maleitas).

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Stefan Zweig: “Ainda bem que foram os portugueses que vieram para cá, ainda bem que eu não estou encontrando aqui uma outra Alemanha, um outro Estados Unidos, uma outra França, porque aqui eu tenho paz, o ser humano tem valor como ser humano”

“Ainda bem que foram os portugueses que vieram para cá, ainda bem que eu não estou encontrando aqui uma outra Alemanha, um outro Estados Unidos, uma outra França, porque aqui eu tenho paz, o ser humano tem valor como ser humano.”
Stefan Zweig, escritor austríaco

Porque se estivesse encontrando o mundo em que vivemos seria ainda pior. Imaginemos um universo alternativo em que a Holanda ou a França conseguiram impor o seu império no Brasil: estaríamos perante uma sociedade severamente estratificada, como a Sul africana ou australiana, e no pior tipo de estratificação que há, que é o de tipo racial.

Em vez de uma sociedade pacifica e até tímida, na cena internacional, teríamos mais um confrontante, mais um disputador de Poder, usando sem hesitação a força armada (como fazem as potências anglo-saxónicas sem grande pudor). Este Brasil – que agora começa a ganhar em força económica aquilo que já se lhe sobejava em demografia e geografia é assim uma encarnação de Portugal, porventura até a incorporação mais perfeita do “projeto Áureo” de Dom Dinis e Isabel de Aragão.

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Stefan Zweig sobre o Brasil: “Não estamos dispostos a reconhecer uma classificação de valor de acordo com o valor industrial, financeiro e militar de um povo, mas sim avaliar o grau de superioridade de uma nação pelo seu espírito pacifico e humanitário”

Stefan Zweig (http://www.haaretz.com)

Stefan Zweig (http://www.haaretz.com)

“Não estamos dispostos a reconhecer uma classificação de valor de acordo com o valor industrial, financeiro e militar de um povo, mas sim avaliar o grau de superioridade de uma nação pelo seu espírito pacifico e humanitário.”
Stefan Zweig sobre o Brasil

E poucas nações além do Brasil têm de facto esse registo, especialmente nas últimas décadas. Talvez até em excesso, diremos nós, porque a atitude diplomática e internacional do Brasil parece caraterizada por uma certa timidez que não permite que essa grande nação lusófona assuma o seu devido lugar entre os grandes deste mundo.

Assim como a CPLP, o Brasil deve afirmar o seu justo lugar no mundo pela diferença: afirmando o seu caráter pacífico, mas não cobarde, a sua força tranquila mas decidida e a competência para dirimir conflitos e estabelecer pontos que lhe veio da matriz portuguesa… sobretudo, o Brasil deve ser capaz de se alavancar na CPLP para alcançar esse novo, mas merecido, patamar de notoriedade internacional e usar essa exemplar organização internacional (unida pela cultura, solidariedade e língua) como plataforma para influenciar e deixar-se influenciar no mundo.

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Portugal na ONU: “É cada vez mais difícil para nós, como para muitos outros, ver que o papel crescente do Brasil e da Índia na cena internacional não foi ainda reconhecido com lugares permanentes no Conselho de Segurança” e que “África continua a ser o único continente sem um lugar permanente no Conselho de Segurança”

Moraes Cabral (http://www.redefonte.com)

Moraes Cabral (http://www.redefonte.com)

O embaixador de Portugal no Conselho de Segurança da ONU, Moraes Cabral defende que a credibilidade do Conselho de Segurança depende da reflexão que a sua composição atual reflete a situação internacional em 1945 e não a de hoje, pelo que esta composição deve ser atualizada.

O embaixador luso defende que “É cada vez mais difícil para nós, como para muitos outros, ver que o papel crescente do Brasil e da Índia na cena internacional não foi ainda reconhecido com lugares permanentes no Conselho de Segurança” e que “África continua a ser o único continente sem um lugar permanente no Conselho de Segurança.”

A par com estas declarações do diplomata português, responsáveis diplomáticos do Brasil, Alemanha, Japão, e Índia, reuniram-se em Nova Iorque precisamente para debatem a revisão do Conselho de Segurança, os quais, aliás, também advogam a presença de um representante africano no Conselho de Segurança da ONU.

Esta reestruturação do Conselho de Segurança arrasta-se nas chancelarias há quase dez anos, tendo sido bloqueada pelos países que detém atualmente um lugar permanente… a ser finalmente desbloqueada, representara uma vitória para a Lusofonia, já que o maior país sul-americano, o Brasil, acabará aqui representado. Pessoalmente e no âmbito do MIL: Movimento Internacional Lusófono, já defendi a opção por uma reestruturação do CS por alianças regionais (NAFTA, UNISUL, ASEAN, UA, UE, etc e… CPLP). Tal modelo garantiria uma maior representatividade dos povos e aumentaria o diálogo regional reduzindo simultaneamente a conflitualidade entre nações rivais que pertençam à mesma comunidade regional ou linguística.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=49C12BC4-3050-4503-9881-B64FD66BA764&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo”

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

“Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho não chegou a viver na época de facilitismos e de martelação descarada das avaliações e exames por forma a fazer com que Portugal ascendesse de forma artificial nas escalas internacionais… se tivesse, ainda teria sido mais agudo nesta sua análise.

A exigência está afastada enquanto objetivo do sistema de ensino (público e privado) e e onde deveríamos ter um quadro que premiasse o mérito e os melhores – pela via do reconhecimento público e do prémio financeiro para pais e alunos – temos um sistema baseado na memorização bruta e bovina que visa formar classes de escravos dóceis e obedientes e não pensadores livres e independentes. Sejamos claros: o sistema educativo não é como é por “erro” ou inépcia dos seus agentes, é como é porque é exatamente assim que deve ser para que nada mude nunca e que tudo permaneça exatamente como está.

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Agostinho da Silva: “O essencial na vida não é rir: o essencial é estar alegre, o que só vem de um caráter forte, de não ter medo a coisa alguma e de estar disposto cada um a realizar na vida o que se lhe meteu na cabeça, a despeito de todos e a despeito de tudo.”

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

“O essencial na vida não é rir: o essencial é estar alegre, o que só vem de um caráter forte, de não ter medo a coisa alguma e de estar disposto cada um a realizar na vida o que se lhe meteu na cabeça, a despeito de todos e a despeito de tudo.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Mas como se chega a uma sociedade em que este tipo de atitude é mais a regra que a exceção, onde existem prémios sociais a esta atitude desafiante e criativa e não à passividade e docilidade bovinas?

É nossa convicção que uma tal sociedade deve ser de pequena escala, isto é, quanto menor for a comunidade em que o indivíduo se insere, mais livre ele será nela e mais criativo e dinâmico poderá ser. As grandes sociedades encerram sempre em si a mácula do autoritarismo, do “sacrifício do uno para o bem comum” e este sacrifício é tanto maior quanto maior for a escala demográfica dessa sociedade.

Razões adicionais para mantermos a nossa defesa de uma Descentralização Municipalista de Portugal…

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Para quando o envio de uma Força de Paz para a Guiné-Bissau?

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

Recentemente, o representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, declarou que o pedido de uma força multinacional para este país lusófono só pode ser realizado pelas autoridades guineenses. O responsável das Nações Unidas respondia assim a uma questão numa conferência de imprensa e onde a questão do golpe militar de 12 de abril foi levantada.

Ora, o primeiro-ministro legítimo da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior já disse várias vezes que defende o envio de uma força multinacional sob a bandeira da ONU para a Guiné-Bissau. Contudo, estas declarações do governo legítimo de Bissau não parecem ter sido ainda tornadas em forma oficial e formalmente apresentadas no Conselho de Segurança da ONU, como confirma este alto responsável das Nações Unidas.

Esta contenção por parte de Carlos Gomes pode justificar-se pela tentativa de resolução da crise de forma interna, quer através da intervenção do único partido político organizado na Guiné-Bissau, o PAIGC, que juntamente com alguns oficiais locais estará (segundo os golpistas) a preparar um contra-golpe que restaure a legalidade democrática neste sofrido país africano de expressão oficial portuguesa.

Já assinou a Carta Aberta à CPLP de Apoio à Guiné-Bissau?

Fonte:
http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/14871693.html

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A indústria de Defesa do Brasil começa a despertar da sua letargia das últimas décadas

http://www.clmais.com.br

Depois de uma dormência quase letal nas últimas duas décadas, a indústria de defesa brasileira está em plena pujança. O montante global dos investimentos da indústria de defesa brasileira ascende, nas próximas décadas a mais de 120 mil milhões de dólares, devendo no processo gerar 25 mil novos empregos e muitos mais empregos indiretos, daqui a menos de dez anos, o país lusófono será capaz de exportar quatro mil milhões de dólares em equipamento de defesa, mais que quadruplicando as exportações atuais desse tipo e reequipando as suas forças armadas que em praticamente todos os setores estão armadas com equipamento obsoleto.

Em 2011, o orçamento de defesa brasileiro foi de 36.6 mil milhões de dólares, o décimo maior do mundo, mas mais de 80% deste montante corresponde a salários o que significa que a manutenção e aquisição de equipamentos são realizados a níveis sub-standard, aos padrões europeus e norte-americanos, pelo menos. E perante o gigantismo continental do Brasil, as suas riquezas e a sua recente ascensão a sexta potencia económica mundial, um orçamento de defesa de 1.5% do PIB parece escasso, especialmente quando comparado com outros países da região ou com outros BRIC.

Em virtude da força da sua demografia, massa continental e poder económico, o Brasil tem que acompanhar essa ascensão através do desenvolvimento sustentado (isto é, alimentado pela procura local) de um forte e dinâmico setor da defesa. Livre de paralisias pacifistas, não-alinhadas ou daquela timidez atávica que marcou a sua diplomacia nas últimas décadas, este grande país lusófono deve ser capaz de se afirmar também – sem pudores absurdos – como uma grande potência militar e estar presente em todos os grandes cenários internacionais de crise. E isso, só o poderá fazer com uma forças armadas modernas, credíveis e bem equipadas.

Fonte:

http://www.defencetalk.com/brazils-defense-industry-booms-44322/

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Agostinho da Silva: “O Portugal de que tratam em geral nossos economistas (…) já está realizado e com um êxito político de que é o Brasil segunda prova; juntar numa unidade permanente dois países tão distintos um do outro como o Norte e o Sul, fazendo dela a nação mais antiga da Europa e provando, pela tarefa pronta, a capacidade de outras unidades que estarão no futuro, foi o primeiro grande feito dos portugueses, herdeiros aí do génio romano para a agregação e a paz”

Agostinho da Silva (http://img.youtube.com)

Agostinho da Silva (http://img.youtube.com)

“O Portugal de que tratam em geral nossos economistas (…) já está realizado e com um êxito político de que é o Brasil segunda prova; juntar numa unidade permanente dois países tão distintos um do outro como o Norte e o Sul, fazendo dela a nação mais antiga da Europa e provando, pela tarefa pronta, a capacidade de outras unidades que estarão no futuro, foi o primeiro grande feito dos portugueses, herdeiros aí do génio romano para a agregação e a paz.”
Educação de Portugal
Agostinho da Silva

É certo que os portugueses estão sempre prontos a buscarem e a realçarem os defeitos da sua Nação… e esquecem frequentemente que somos um dos países mais antigos da Europa, com fronteiras mais antigas e estáveis (excluindo esbulho espanhol de Olivença) e um dos raros países médios (em critérios demográficos e económicos não somos nunca um “pequeno país”) que têm o seu espaço físico conforme a uma só e mesma nação, cultura e língua.

Portugal consegue assim vários plenos e a esta acumulação notável há ainda que somar dois grandes milagres unicamente portugueses: o facto de erguido solidamente um dos maiores países do mundo, o Brasil e o facto de ser um dos raros Estados-Nação da Europa que, além de tudo o mais, conseguiu o feito notável (e hercúleo…) de resistir a essa grande centrifugadora de povos que foi a Espanha e manter-se livre e independente dessa grande “império” castelhano ibérico.

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Sobre o modelo borgo-relvista de Concessão da RTP1 e encerramento da RTP2

António Borges, o para-ministro (http://www.meiosepublicidade.pt)

António Borges, o para-ministro (http://www.meiosepublicidade.pt)

Existem sinais fiáveis de que o modelo que António Borges (o tal economista que o FMI despediu por ser demasiado incompetente e que Passos Coelho repescou como para-ministro) para a privatização da RTP e que Relvas usou para “sondar” os portugueses está severamente ferido de legitimidade.

Com efeito, é incompreensível que alguém que esteja realmente interessado em defender os supremos interesses da República não veja nenhum problema em usar um imposto (a taxa audiovisual) para alimentar diretamente os cofres de uma empresa privada, concessionaria da RTP. Os impostos são (conjuntamente com a Justiça e a Defesa) um dos três aspetos centrais do Estado e a sua cedência direta a particulares consagra uma muito elementar violação de um dos mais basilares princípios do Estado de Direito.

Além desta grave ilegalidade, o facto deste concessionário “dourado” (e provavelmente já selecionado por Relvas numa qualquer lógica turva) vir a ser beneficiado com uma “renda garantida” vai também criar dificuldades às outras empresas de televisão em Portugal: SIC e TVI, que assim não terão acesso a essa vantagem ilegal (já o dissemos) e desleal (dizêmo-lo agora). E uma deslealdade com vinte anos de duração, bem à imagem das imensamente perniciosas PPPs…

Tenha-se em conta que não tenho objeções de princípio contra o modelo de concessão a privados de um canal: desde que isso seja feito num contrato com uma longevidade razoável (nunca de vinte anos!), não implique o abjeto pagamento direto de impostos a privados e implique (pelo contrário!) Um pagamento de uma renda anual ao Estado. Discordamos igualmente do fim da RTP 2 (que deve manter-se no modelo atual) e, sobretudo, da RTP Internacional, especial ferramenta de ligações das Comunidades da Diáspora e da RTP África, indispensável meio de projeção de Portugal no mundo africano de expressão oficial portuguesa.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/vamos-ver-a-rtp1_150643.html

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I Congresso da Cidadania Lusófona: 2-3 Abril de 2013

Para saber mais: http://cidadanialusofona.webnode.com

Categories: Lusofonia, Sociedade Civil | 20 comentários

A Língua Portuguesa em Angola

“Existe uma continuidade surpreendente na posição consolidada da língua portuguesa. Durante a luta de libertação, o português foi um dos fatores de unificação que manteve o MPLA junto. Em 1971, quando a expressão “África Portuguesa” parecia inadequada para territórios onde largas porções da população estavam em rebelião contra Portugal, cunhei o termo “África Lusófona” que foi rapidamente adotado pelos media e governos estrangeiros, embora o não fosse pelos movimentos nacionalistas que se referem embaraçosamente às suas nações como “países de língua oficial portuguesa”. Depois da independência, a relevância política da língua portuguesa tornou-se ainda mais crucial em Angola do que o tinha sido durante os longos anos passados nas terras agrestes do chamado “fim-do-mundo”.
(…)
“Um dos papéis da língua na divisão política de Angola dizia respeito à rivalidade entre o MPLA e a FNLA. Os segundos usavam habitualmente o francês como a sua língua franca. Os apoiantes da agora extinta FNLA eram predominante gente do norte, da qual uma grande parte tinha vivido no Zaire por muitos anos.”
(…)
“Em 1974, metade dos “Angolanos” no Zaire eram zairenses de nascimento e quando regressavam à “terra” em Angola, a falar francês em vez de português, eram desdenhosamente tratados de “Zairotas”. (…) Uma primeira tentativa dos exilados de Kinshasa de se apoderar de Luanda acabou num confronto armado e em derrota em 1975. A ajuda militar significativa fornecida pelo presidente Mobutu do Zaire, que emprestou o seu exército à FNLA, e por Henry Kissinger, que permitiu aos serviços secretos americanos recrutar mercenários brutais mas incompetentes para ajudar a FNLA, não foi suficiente para expulsar ao MPLA na batalha de Quifandongo, a 10 de novembro de 1975.”
Portugal e África
David Birmingham

Fica assim explicada a preferência clara dada à língua portuguesa por Angola depois da independência: tratou-se não tanto de opção para afirmar uma união nacional (em que a língua portuguesa era um dos raros traços pontos comuns) mas mais uma afirmação interna do próprio regime do MPLA contra a FNLA (francófona). A existência (única em toda a chamada “África Portuguesa” de pre-1975) de uma considerável colonização portuguesa e de uma extensa classe de letrados e “assimilados” em Luanda (a chamada “elite creoula” de onde provém Eduardo dos Santos) tornaram Angola como o país lusófono onde mais e melhor se fala português, exceção feita a Portugal (matriz original da língua) e do económica e socialmente mais desenvolvido Brasil.

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