Livros

Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)

“Eu não falaria tanto sobre mim, caso houvesse uma outra pessoa que conhecesse tão bem. Lamentavelmente, estou confinado a este tema pela limitação da minha experiência”
Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“O trabalhador não dispõe de lazer para uma genuína integridade no dia-a-dia, não se pode dar ao luxo de manter a mais humana das relações com outros homens, pois o seu trabalho seria depreciado no mercado. Não tem tempo para ser outra coisa além de uma máquina”
Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“É difícil ter um capataz sulista. É pior ter um do Norte. Mas o pior de tudo é quando se é o capataz dos escravos de si mesmo.”
Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“A opinião pública é um tirano fraco comparada com a nossa opinião acerca de nós mesmos.”
Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)
“O que um homem julga de si próprio é o que determina ou, melhor dizendo, é o que marca o seu destino”
Henry David Thoureau, Onde vivi e para que vivi (1854)
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“Às vezes ouço passar o vento”

“Às vezes ouço passar
o vento; e só de ouvir
o vento passar, vale
a pena ter nascido.”
Fernando Pessoa
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Citações de Mia Couto

“Mais e mais me assemelho ao caranguejo: olhos fora do corpo, vou sonhando de lado hesitante entre duas almas: a da água e da terra (curozero muando)”
“Eu era ainda muito novo quando desatei a envelhecer. Tal como agora: comecei a morrer ainda vivo. Ir falecendo, assim sem dar conta, isso não me dava custo. (Avô Mariano)”
“Todo o tempo está em suas mãos, fosse um mar feito de uma só onda”
“A saudade é uma ferrugem, raspa-se e por baixo, onde acreditavamos limpar, estamos semeando nova ferrugem”
“Não basta que seja pura e justa a nossa causa. É preciso que a pureza e a justiça existam dentro de nós”
“Cada um descobre o seu anjo tendo um caso com o demónio”
“Cabrito come onde está amarrado”
“A maior aspiração do homem não é voar. É visitar o mundo dos mortos e regressar, vivo, ao território dos vivos.”
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Citações de Mia Couto

“Aqueles que mais razão têm para chorar são aqueles que não choram nunca.”

“O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo”

“Solteira, chorei. Casada, já nem pranto tive. Viúva, a lágrima teve saudade de mim”
“A velhice me ensinou: o amor é coisa de vivo. Ou talvez, o amor seja a mãe de toda a coisa viva. Pois, eu, mesmo antes, nunca fui bem vivo. Por isso, nunca o amor foi para mim.”
“Eis a diferença: os que, antes, morriam de fome passaram a morrer por falta de comida.”
“O homem sábio é o que sabe que há coisas que nunca vai saber. Coisas maiores que o pensamento.”
“Foi na água mais calma que o homem se afogou”

“A Lua anda devagar mas atravessa o mundo”
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Citações de “Uma Questão Pessoal” de Kenzaburo Oe

“Nesta nossa era é difícil afirmar com certeza que ter vivido é melhor do que não ter nascido em primeiro lugar.”
Uma Questão Pessoal de Kenzaburo Oe

“Uma pessoa acabará por morrer a sua morte final de velhice quando tiver mais de noventa. Por isso, todos vivemos num universo ou noutro até morrermos de velhice no nosso universo final.” (Isto quer dizer que toda a gente, até os nadomortos, vivem até aos 90 num qualquer universo paralelo…)

Uma Questão Pessoal de Kenzaburo Oe
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Citando Mia Couto

“Vantagem de pobre é saber esperar. Esperar sem dor. Porque é espera sem esperança. (…) o segredo é demorar o sofrimento, cozinha-lo até que ele se espalhe, diluto, no infinito do tempo”

 

“O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora”

 
“O boi sem cauda pode passar pelo capim em chamas”
 
“Cada homem é todos os outros. Esses outros não são apenas os viventes. São também os já transferidos, os nossos mortos. Os vivos são vozes, os outros são ecos”
 
“Só sopro em vela que eu mesmo acendi”
 
“Feridas da boca se curam com a própria saliva”

 
“Assim esteve Deus, para mim: primeiro ausente, depois desaparecido”
 
“É assim a ganância: uns possuem, outros são possuídos pelo dinheiro”
 
 
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Passeio Pedonal: A Lisboa de Fernando Pessoa

1. Largo de São Carlos

 
Encontra-se aqui o Teatro de São Carlos, construído entre 1792 e 1793, uma construção em estilo neoclássico da autoria do arquitecto José da Costa e Silva e terminado em apenas seis meses fortemente inspirada na fachada do teatro Scalla de Milão.

Aquele que é considerado como um dos maiores poetas de Portugal, Fernando Pessoa terá nascido em 1888, no Largo de São Carlos, número 4, 4º esquerdo.

Pessoa é um dos expoentes máximos da Cultura Portuguesa, mas foi profundamente influenciado por Lisboa, cidade de onde apenas saiu muito raramente depois do seu regresso da África do Sul e que marcou frequentemente a sua obra poética e em prosa.

Este percurso visa “viver Pessoa” passando pelos locais onde o poeta viveu e desenvolveu o seu pensamento e obra.

“Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma”

escreveu Fernando Pessoa, em poema publicado na revista Renascença, em 1914. Escrito aos 25 anos (em 1913) este poema invoca a infância feliz do nosso poeta que nasceu aqui, entre um teatro, o de São Carlos e uma Igreja, a Igreja dos Mártires, entre o teatro das elites (que o seu pai frequentava como crítico literário do Diário de Notícias), onde passavam as grandes obras e uma igreja frequentada pelo povo mais anónimo.

O poeta conservará para sempre a memória desses primeiros cinco anos de vida tranquila e paradisíaca  de “menino da sua mãe” e das “poeiras musicais” do seu pai, de cujo rosto mal se recorda.

No mesmo edifício viria a instalar o “Directório Republicano” (no 1º andar) tendo o nome do Largo sido a partir de 1913, o “Largo do Directório”, precisamente por essa razão. O primeiro Directório Republicano Democrático, o embrião do futuro PRP ou Partido Republicano Português foi eleito em 3 de abril de 1870, legalizado por Dom Luís, em 1876 fazendo então partes Latino Coelho, Elias Garcia e Consiglieri Pedroso, entre outros notáveis republicanos. Um segundo directório é eleito em 1879, fazendo agregar ao grupo inicial mais republicanos como Sousa Brandão e Bernardino Pinheiro. Sob o Estado Novo, em 28 de maio de 1956, este topónimo regressaria à sua designação original, que se mantêm até hoje.

2. Largo de São Carlos para Largo do Chiado pela Rua Serpa Pinto até à Brasileira

Seguimos agora pela Rua Serpa Pinto até ao Largo do Chiado. Esta rua é uma das várias nesta antiga freguesia dos Mártires que recebeu nomes de exploradores portugueses do XIX: Rua Ivens, Rua Capelo, Rua Anchieta. Esta Rua Serpa Pinto resulta da incorporação da Travessa Estevão Falharde e da Rua Nova dos Mártires e foi feita em finais do século XIX pela CML:

Uma das caminhadas habituais do poeta era entre o Largo de São Carlos e o Largo do Chiado, onde se encontra com os outros grandes intelectuais do seu tempo no café “A Brasileira”

Percorremos agora a Rua Garrett, o centro do Chiado, o famoso eixo intelectual de Lisboa no século XX. Encontramos aqui a Livraria Bertrand, fundada em 1732. Esta rua ganhou este nome em 1880. De notar que o nome deste escritor tinha como grafia original “garet” (de origem irlandesa). Foi Garrett que inaugurou o romantismo em Portugal com o poema “Camões” (1825), razão pela qual em 1880, quando se comemorou o tricentenário da morte de Camões a rua receberia este nome.

3. A Brasileira do Chiado
 
A designação “Chiado” tem a sua origem no comportamento ruidoso de um certo Gaspar Dias (“chiar”), que era proprietário de uma taberna no Século XVI, no cruzamento entre as ruas do Carmo e Garrett. Outros autores, contudo, discordam… acreditando que o termo se referia ao poeta António Ribeiro, conhecido por “Chiado” o “O Poeta Chiado” (1520-1591). Este poeta jocoso, contemporâneo de Luiz de Camões viveu nesta zona durante muitos anos, tendo a rua obtido então esse nome (“Rua do Chiado”) que mudaria para “Rua Almeida Garrett” apenas no século XIX. Franciscano, deixou a vida de clausura, mas manteve sempre o celibato e o hábito clerical. Além de poeta, era também conhecido como imitador de figuras da época. A estátua que aqui se encontra foi inaugurada em 1925 pela CML e é da autoria de Costa Motta
 
O Café “A Brasileira” tem o projeto da responsabilidade do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962), autor de várias obras nas Avenidas Novas como a Casa-Atelier José Malhoa, na 5 de Outubro. A fachada apresenta três portas envidraçadas encimadas por esculturas em estuque, envolvidas por motivos vegetalistas em torno de uma figura masculina que bebe café.

Terá sido aqui que a famosa “bica” ou “café português” terá sido inventada. Terá sido aqui instalada uma das primeiras máquinas de café expresso de Portugal tendo então os primeiros clientes reclamado do sabor muito forte e amargo. A resposta da gerência terá sido a colocação de cartazes “beba isto com açúcar”, o que daria na sigla. B-I-C-A.

Antes de 1905, neste local funcionava um estabelecimento de venda de produtos brasileiros (tapioca, goibada e chá, além de produtos portugueses diversos, como vinho e azeite)

A Brasileira do Chiado abriu as portas a 19 de novembro de 1905 com o objetivo de vender o “genuíno café do Brasil”, onde o seu fundador, Adriano Telles, tinha vivido alguns anos, deixando uma série de contactos empresariais. Em 1908, a Brasileira abria uma “sala de café”, que era muito frequentada pelo elite intelectual da Lisboa de então, contando com frequentadores habituais como Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pachelo, Abel Manta e, claro, o “nosso” Fernando Pessoa…

Em 1925, a Brasileira começa a expôr 11 quadros de 7 pintores que frequentavam o estabelecimento (Almada Negreiros, António Soares, Eduardo Viana, Jorge Barradas (com dois quadros cada), Bernardo Marques, José Pacheko e Stuart Carvalhais.

A estátua do Poeta que hoje aqui vemos, em bronze, foi inaugurada em 1988 e é da autoria do escultor Lagoa Henriques.

 
 
4. Descer Rua Garrett
 
A designação desta rua data de 14 de junho de 1880. Aqui funcionou a “Sapataria Lourenço” citada por Eça de Queiroz. Entre os números 90 e 92 estava aqui a “Farmácia Durão” onde decorriam grandes conspirações republicanas, sendo o local de eleição dos partidários de Brito Camacho. Aqui se vendia (em publicidade paga nos jornais da época) produtos como “pó da viscondessa”, “remédios para a solitária”, ou “creme virginal” e “laranjada purgante”…
Onde encontramos hoje a “St. Tropez Kiwi”, que em 1982 substituiu a “Boutique Migacho” no mesmo local onde encontrava a famosa “Leitaria Garret” da canção de Vitorino, inaugurada na década de 1920.
 
A “Paris em Lisboa” foi fundada em 1888 e ainda hoje em dia mantém a atividade.
 
Construída e reconstruída várias vezes, sob o nome de “Ermida dos Mártires”, em honra dos que morreram na batalha pela conquista de Lisboa em 1147 e situada no mesmo local onde funcionou o Convento de São Francisco, esta ermida foi destruída no terremoto. A construção atual é de 1768 e de traços barrocos e neoclássicos sendo da autoria do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791) (autor do Chafariz das Janelas Verdes, de 1755) e que começou a sua carreira como canteiro no convento de Mafra tendo o seu apogeu na construção da  Basílica da Estrela, tendo alterado o projeto primitivo, dando maior grandiosidade à obra. O interior do templo cumpre um programa ornamental da autoria do pintor Inácio de Oliveira Bernardes (1662 – 1732, autor de grande mestria, como comprova um comentário de Frei Agostinho de Santa Maria que, em 1707 diz que os painéis deste pintor e que estavam na Quinta da Ramada, capela [actualmente em Cascais, Casa de Santa Maria] “pareciam ser oriundos da Holanda, tal o grau de perfeição”. A pintura do teto da Ermida é da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810), um dos melhores executantes nacionais da escola do Rococó francês (com passagem pelo Barroco e Neoclássico). Conhecido como “pintor dos frades”, por ter trabalhado em várias igrejas na região de Lisboa, reconstruidas após o terremoto de 1755.
 
A Livraria Sá da Costa mesmo aqui ao lado, conheceu recentemente um processo de insolvência a que se seguiu o pedido da Câmara à Direção-Geral do Património Cultural de classificação da Livraria Sá da Costa “como imóvel de interesse público”. No século XX, a Livraria era uma editora de grande prestígio e sucesso comercial (tendo editado a conhecida coleção “Clássicos Sá da Costa”)
 

Mais adiante, encontramos a Livraria Bertrand. Fundada em 1732 por Pedro Faure na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte e vendida em 1740-1747 aos irmãos Bertrand (Pierre e Jean Joseph Bertrand) recebendo então o nome “Pedro Faure e Irmãos Bertrand”. O fundador morre em 1753 e a livraria perde o seu nome. Em 1770-1773 muda de local para a Rua Garrett (onde hoje se encontra). Em 2010, o Guinness World Records ganha o título de “a mais antiga livraria em atividade”. A livraria foi frequentada por alguns dos maiores vultos do seu tempo: o político José Fontana que se destacou na luta pela melhoria das condições de vida e trabalho do operariado, promovendo o associativismo e o cooperativismo. Influenciado por Bakunine, foi o autor dos estatutos da Associação Fraternidade Operária (1872) que posteriormente daria origem ao Partido Socialista Português, de quem seria um dos fundadores. Depois de um longo padecimento pela tuberculose, suicidar-se-ia em 1876 na livraria, com apenas 35 anos. Na altura era sócio-gerente, tendo começado aqui como empregado em 1865. Aqui se realizava uma conhecida “tertúlia diária”, nesta época em que participavam alguns dos maiores intelectuais de então, como Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Antero de Quental e Ramalho Ortigão, entre outros. O próprio Dom Pedro II era frequentador habitual desta livraria do Chiado…

 
 
5. Descer Rua do Carmo
 
Esta artéria foi traçada em 1904 e recebeu a atual designação em 1910. Antes de 1755, esta zona nas traseiras do Convento do Carmo era conhecida como “O Caracol”, tamanha era a sua inclinação. Após o terremoto, abriu-se uma nova rua através de quintais, jardins, a estreita escadaria assim chamada de “caracol” e edifícios de habitação. Foi nesta época que se construiu a “muralha do Carmo”, uma obra de consolidação de terrenos que hoje se pode ainda observar por detrás de alguns prédios da rua do Carmo onde a partir de 1901 se instalaram várias lojas.
 
Foi nesta rua que em 25 de agosto de 1988 deflagrou o grande incêndio de agosto de 1988 nos Armazéns Grandella. Na altura a incapacidade dos carros de bombeiros em entrarem na Rua do Carmo devido aos canteiros altos de betão permitiu o rápido alastrar do incêndio, perdendo-se assim os Armazéns e a “Perfumaria da Moda” (onde se filmara parte do Pai Tirano) assim como o arquivo histórico de gravações de som da Valentim de Carvalho. O projecto de reconstrução manteve as fachadas originais e foi da responsabilidade do arquiteto Siza Vieira.
 
A expressão popular “Cair o Carmo e Trindade” que significa algo de surpreendente, surgiu devido ao surpreendente e tremendo impacto do terremoto de 1755, em que desabaram vários conventos lisboetas, nomeadamente o do Carmo e o da Trindade.
 
 
6. Atravessar Praça Dom Pedro IV
 
No passado, a Praça Dom Pedro IV era conhecida como Rossio ou Rocio e era o centro efetivo de Lisboa. Na época romana, funcionava aqui um hipódromo. Até ao século XII corria aqui um afluente do Tejo, tendo a zona o nome de “Valverde”, por causa das canas que existiam aqui em grande profusão. Este caneiro foi tapado em Quatrocentos, criando-se uma praça onde se realizavam feiras e mercados.
 
Foi aqui, sob Dom Manuel I que teve palco o grande massacre dos Cristãos Novos de 1506 que durou 3 dias e onde morreram mais de 4 mil pessoas. Tudo terá começado quando na Igreja de São Domingos do convento do mesmo nome (nesta praça) um cristão disse ter visto o rosto do Cristo crucificado iluminar-se no altar quando se rezava pelo fim da seca que então assolava Portugal. Ora, na igreja estava um Cristão Novo que terá dito que a luz que emanava do crucifixo era apenas um reflexo de um raio de sol que entrava por uma fresta. Morto pela turba, que saiu para a praça acompanhada por frades dominicanos, a multidão partiu para a judiaria, dando origem a um dos episódios mais negros da História da nossa cidade. Esta Judiaria situava-se no atual Bairro de Santa Madalena (ruas da Conceição, São Nicolau e Rua Nova do Almada e dos Bacalhoeiros.
 
Aqui se localizava o Palácio dos Estaus ou da Inquisição, no topo norte do Rossio, onde hoje se encontra o Teatro Nacional Dona Maria II. Estaus significava na época “estalagem” e foi mandado construir pelo regente Dom Pedro para alojar pessoas da Corte sem casa própria e embaixadores estrangeiros e até monarcas que estivessem de visita a Lisboa (daí o nome). Aqui viveria Dom João III a partir de 1540. Aqui morreria Dom Duarte e onde Dom Sebastião recebeu o governo do reino. Em 1571, seria aqui instalado o Tribunal da Inquisição recebendo então o título de “Casa de Despacho da Santa Inquisição”. O Palácio sofreu muitos danos em 1755 (a reconstrução pombalina de Lisboa começou pelo Rossio). Em 1807 seria usado como Paço da Regência. Em 1826 receberia também a Secretaria da Intendência da Polícia, a Escola do Exército e o Tesouro Público. Um grande incêndio, em 1836, destruiria completamente o palácio. No local seria construído o atual teatro, terminado em 1846.
 
O Teatro Dona Maria tem na fachada as seis colunas jónicas que vieram do antigo convento de São Francisco que existia no Chiado antes do terremoto. O frontão tem a estátua de Gil Vicente, de Francisco Assis Rodrigues, rodeado pelas musas da tragédia (Melpomene) e da comédia (Talia). Por baixo, surge Apolo e as sete musas. A sua construção resulta da pressão de Almeida Garrett (então deputado) para que existisse em Lisboa um teatro comparável aquilo que São Carlos era para a música. A proposta de Garrett tinha um nome “Teatro Português” e previa a sua construção já no Rossio, no local onde em 1836 se viam as ruínas do antigo Palácio da Inquisição. Depois de muita pressão, em 1841, o Estado comprava esses terrenos e em 1842 começavam as obras da responsabilidade do arquiteto Fortunato Lodi, uma escolha muito contestada por Garrett e Herculano, que não gostavam da escolha de um artista estrangeiro. O teatro foi usado pela primeira vez no aniversário de Dom Fernando, em 1845, mas não estava ainda concluído… quase a tempo do aniversário de Dona Maria II (1846). Em 1964, um grande incêndio destruiu o teatro, perdendo-se o recheio e uma das mais importantes obras de Columbano Bordalo Pinheiro: a decoração do teto com 20 metros de diâmetro.
 
Onde se situa a Estação do Rossio, estava o Palácio dos Faros, dos Duques do Cadaval.
 
No centro havia um chafariz, dito “Chafariz do Rossio”, fonte monumental com um Neptuno de pedra, de finais do século XVI e destruído em 1786. Era perto daqui que realizavam autos-de-fé, onde foi epicentro da revolta popular do tempo de Dom Fernando e onde se abandonou o corpo do bispo Dom Martinho, atirado da torre da Sé de Lisboa: “Ao passarem pela Sé lembraram-se alguns de que à ida, passando por ali com Álvaro Pais, tinham gritado aos de cima que repicassem os sinos. Mas, repicando em S. Martinho e nas outras igrejas, não quiseram repicar na Sé. E souberam que o bispo estava em cima e que mandara fechar as portas sobre si. E porque ele era castelhano disseram logo que era do partido da rainha e do conde e que fora sabedor da traição e morte que quiseram dar ao Mestre, e que por isso não repicaram.” (Crónica de Fernão Lopes). Aqui também foram decapitados em 1641 os conspiradores Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real e o Conde de Armamar. Mais tarde, em 1831, este seria o local onde tiveram lugar os combates na revolta anti-miguelista do Infantaria 4, onde esteve Alexandre Herculano com 21 anos e onde terão perdido a vida mais de 300 homens (menos Herculano que daqui fugiu para um navio francês fundeado no Tejo)
 
Nos famosos cafés do Nicola e das Parras, encontravam-se Barbosa do Bocage e outros poetas da época, tendo sido aqui compostos muitos dos poemas deste poeta satírico.
 
A estátua de Dom Pedro IV, rei de Portugal e imperador do Brasil que aqui se encontra e que dá hoje nome à praça foi inaugurada em 1870. Da execução de Germano José de Sales. As quatro figuras femininas da base aludem à Justiça, Prudência, Fortaleza e Moderação, qualidades que teria esse monarca. O monumento tem também os escudos das 16 maiores cidades de Portugal. Na mão, o rei segura a Carta Constitucional que ele outorgou em 1826 (a segunda Constituição portuguesa e também a que esteve em vigor mais tempo: 72 anos). A lenda segundo a qual esta estátua seria, de facto, a estátua do imperador Maximiliano do México (fuzilado em 1867, quando a estátua estava em trânsito para o México) não tem fundamento: a peça tem vários traços tipicamente portugueses: os escudos de Portugal nos botões, o colar da Torre e Espada e até a Carta Constitucional. Em 2001, numas obras de restauro na base da estátua foram descobertos dois frascos com documentos e a fotografia do rei que teria servido de base à estátua. Pessoa sobre esta estátua escreveria: “Para onde olha D. Pedro, o Imperador do Brasil?” para o Cais das Colunas, onde diz a tradição, irá desembarcar o Encoberto…
 
No mesmo local do monumento a Dom Pedro, existia, desde 1821 um monumento à Constituição de 1820, destruído depois em 1823 por ordem de Dom João VI (que ordenara antes a sua construção…) com o regresso ao Absolutismo real. Este monumento era muito criticado e era popularmente conhecido por “Galheteiro” tendo na base quatro estátuas “África”, “Europa”, “Ásia” e “Oceânia” que depois foram deslocadas para o Palácio de Queluz, em torno da estátua de Dona Maria I, depois de uma breve passagem pela Avenida da Liberdade.
 
Ao lado da estátua, a partir de 1889 foram construídos dois monumentais lagos de pedra, com figuras de ferro, fundidas em França nos locais onde existiam dois poços.
 
A expressão “Meter o Rossio na Betesga” (meter algo grande em algo pequeno) tem aqui a sua origem: a grande praça do Rossio está ligada por uma estreita rua à Praça da Figueira. “Betesga” significa beco e alude ao beco que existia antes de 1755 nesta rua.

A Pastelaria Suíça funciona desde 1910 (“Casa Suissa”), que seria depois expandida com a aquisição de uma casa de lanifícios.

A calçada da Praça foi composta com ondas pretas e brancas entre 1848 e 1849 por presos condenados a trabalhos forçados que estavam detidos no Castelo de São Jorge. Uma parte deste tapete original pode ser ainda visto junto à estátua de Dom Pedro IV.

7. Praça da Figueira

Fernando Pessoa não gostava da ordenação geométrica da Baixa Pombalina, conforme escreve no poema “Praça da Figueira de Manhã” no seu heterónimo Álvaro de Campos:

“A praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.

Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui… Sei eu
Porque o amo? Não importa. Adiante…

Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena…

De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros ou as que não há.”
ou seja, para Pessoa a Praça era “aquele lugar lógico e plebeu”…

A Praça era antes do grande Terremoto de 1755 o local onde estava erguido o Hospital de Todos-os-Santos, conforme se provou quando na construção do parque de estacionamento subterrâneo. Este hospital, também conhecido como Hospital Real ou Hospital dos Pobre foi durante os séculos XVI e XVIII o mais importante de Lisboa, tendo sido construído (em diversas fases) entre 1492 e 1504. A fachada principal do hospital (com mais de 100 metros) estava virada para o Rossio e tinha 3 pisos com arcadas e tendo a meio uma igreja Manuelina, a que se acedia subindo uma escadaria monumental. O Hospital foi destruído pelo terremoto e, sobretudo, pelo grande incêndio que se lhe sucedeu, tendo os doentes sido transferidos para tendas, instaladas no Rossio e para palácios e conventos em Lisboa, menos afetados pela tragédia. Na época, o plano era o de reconstruir o hospital, o que foi parcialmente feito, mas nunca concluído, sendo a função, por fim, transferida para o Colégio de Santo Antão, após a sua confiscação aos jesuítas em 1759, atual Hospital de São José (em homenagem ao monarca).

A partir de então a praça foi usada nas festividades dos Santos Populares e como mercado a céu aberto sendo conhecida por diversos nomes: Horta do Hospital, Praça das Ervas e Praça Nova.

 
Em 1835, a Praça foi arborizada e iluminada. Em 1848, é construída uma cerca gradeada coberta e com oito portas.
 
Em 1885 construiu-se aqui um grande mercado coberto, que seria demolido na década de 1950, no decurso de uma decisão da vereação para alargar a rede viária da cidade
 
A estátua de bronze que hoje ocupa o lugar central na praça é recente, data apenas de 1971 (a encomenda é de 1968) e representa Dom João I e foi da autoria de Leopoldo de Almeida, escultor considerado por muitos como o melhor do Modernismo português e autor do Monumento a António José de Almeida e do Monumento a Calouste Gulbenkian (Avenida de Berna)
 
Na direção do rio temos o Martinho da Arcada, antes conhecido por Café da Neve e que funciona desde 1778 onde o poeta escreveu uma parte dos seus poemas, nomeadamente os que fazem parte do único livro que publicou ainda em vida: “A Mensagem”.
 
8. Entrar no Metro no Rossio
 
Esta estação foi inaugurada em 1963, na 2ª fase da construção da rede (1959-1963). A estação segue as diretrizes do Arquiteto Falcão e Cunha sendo os azulejos da pintora Maria Keil, também autora do painel O mar, 1958-59 da Infante Santo. As obras expuseram vários vestígios arqueológicos romanos, muçulmanos e ruínas do Hospital de Todos-os-Santos (destruído em 1755) que foram enviados para o Museu da Cidade. Os azulejos de Maria Keil permitiram a recuperação de técnicas que se encontravam quase esquecidas como a da “corda seca” que combina vidros de cores diversas e que é de origem persa (século XIV) substituindo de forma mais económica o mosaico: a passagem do desenho para o molde é feita por papel químico.
 
9. Saída no Metro do Rato
 
A estação do Rato abriu em 1977 e e da autoria do arquiteto Sanchez Jorge com arte de Vieira da Silva e Arpad Szènés com azulejos de Manuel Cargaleiro estando não longe daqui a fundação Arpad Szénés-Vieira da Silva, razão pela qual o Metropolitano de Lisboa decidiu homenagear os dois artistas nesta estação. Aqui se encontram os painéis que reproduzem “Ville en Extension”, uma obra de Vieira da Silva datada de 1970 e “Banquet”, um trabalho de Arpad Szènés de  1948. Manuel Cargaleiro contribui também com o revestimento de azulejos com baixo relevo de motivos geométricos (círculos, quadrados e losangos) nos lambris ao longo dos cais e no enquadramento dos painéis de Arpad e Vieira da Silva e nas galerias das escadas rolantes.

10. Subir a Avenida Álvares Cabral
 
A estátua é do escultor brasileiro de origem mexicana Rodolfo Bernardelli e foi inaugurada em 1940. Oferta do Brasil e inaugurada com honras de Estado.
 
11. Rua da Estrela até Rua Coelho da Rocha (Campo de Ourique)
 
Esta rua homenageia Manuel Coelho da Rocha, um jurisconsulto de começos do século XIX e aqui se encontra a Casa Fernando Pessoa onde termina o nosso passeio.
 
A expressão “Resvés Campo de Ourique” surgiu em 1755 porque esta zona de Lisboa não a atingiu.
 
12. Casa Fernando Pessoa
Esta foi a última casa habitada pelo poeta, hoje transformada em Casa Museu, no prédio em que Fernando Pessoa viveu, entre 1920 e 1935, sendo a sua última morada. A casa foi inaugurada a 30 de novembro de 1993. A casa foi alterada a pedido da Câmara, com projeto de autoria da arquiteta italiana Daniela Ermano.
 
Apresenta em exposição permanente várias obras de pintores consagrados como José de Almada Negreiros (Retrato de Fernando Pessoa no Café Irmãos Unidos), Júlio Pomar, Bartolomeu dos Santos, António Costa e Rodriguez Castañé.
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O Futuro do Livro (ensaio)

Não há dúvidas de que hoje em dia o modelo convencional da “livraria” está seriamente ameaçado. A concorrência desleal (ou até mesmo ilegal) das grandes superfícies, como o Continente e o Pingo Doce e das grandes cadeias multinacionais (que praticam impunemente várias formas de Dumping) colocam em risco fatal o conceito tradicional de “livraria” enquanto um espaço comercial de venda de livros físicos.

As livrarias de bairro, com menos de 50 metros quadrados, dois ou três empregados e faturações abaixo dos 50 mil euros, já morreram praticamente todas e as que resistem conseguem esse feito apenas devido a fatores extraordinários e dificilmente reproduzíveis (outros rendimentos dos proprietários, rendas baixas ou nulas, subsídios diretos ou indiretos, etc). As livrarias de média escala podem sobreviver se mantiverem uma estrutura de custos muito ligeira (arrendamentos sustentáveis, auto-emprego, etc) e se diversificarem a sua atividade (jornais, revistas, tabaco e papelaria). As grandes, implicam grandes concentrações (e custos) de capital e batem-se no árduo terreno onde FNACs, e Continentes ocupam de forma quase imperial…

Os fatores que explicam a morte da livraria (de pequena ou média escala), generalista e de bairro, são diversos mas confluentes: e para melhor compreender este fenómeno há que olhar para os EUA, país onde este fenómeno teve o seu início e onde aquele fator que é tido frequentemente como a maior ameaça isolada ao livro tradicional teve o seu epicentro: o eBook.

A migração de muitos leitores habituais para o livro eletrónico ou eBook e as vendas online (wook ou amazon) estão a erodir de forma significativa, mas não absoluta, o mercado do livro tradicional. Não acreditamos que o ebook tome totalmente o lugar do livro tradicional, e de facto, nos EUA, já parece ter alcançado o pico de vendas com um quinto de todas as vendas, mas um crescimento de apenas 5% de 2012 para 2013… em Portugal, não existem números, mas é crença comum que as vendas de ebooks são vestigiais, provavelmente representando menos de 5% do mercado. Como curiosidade, na carruagem do comboio suburbano onde agora escrevo estas linhas, viajam umas vinte pessoas (é agosto e o desemprego ultrapassa já os dois milhões), destas quatro leem livros, uma um ebook (um kobo da FNAC)… A grande dúvida em relação ao efeito do ebook sobre o mercado do livro convencional esta em saber se este será suficientemente grande para destruir as margens dos pequenos operadores de nicho e as dos operadores médios… e ainda ninguém sabe responder a esta pergunta, mas dentro de três ou quatro anos já poderemos ter essa noção, com a resposta que o tempo dará sobre se as vendas dos ebook alcançaram mesmo o pico ou não…

Neste incerto e potencialmente fatal, futuro do livro, qual será o papel do editor?… a grande redução do número de livrarias vai reduzir as vendas, num fenómeno de duplo feedback bem conhecido noutros ambientes (menos livrarias: menos editoras: menos livros: menos livrarias: menos leitores: menos livrarias). Ao futuro das editoras depende muito do futuro do ebook, já que neste modelo de negócio é possível que o leitor compre diretamente ao escritor tendo apenas a intermediação da entidade que gere a plataforma (Amazon-Kindle, FNAC-Kobo, Barnes & Noble-Nook, Apple-iPad, etc). Neste novo universo do livro eletrónico, as editoras arriscam-se a serem tão residuais como as livrarias… a ameaça é assim comum e a ambas e devia ser encarada como tal pelas associações do setor.

O que resta então de futuro para a livraria tradicional?… concorrer com os gigantes do setor, como a FNAC ou a Apple, estão nitidamente fora de alcance de qualquer pequena PME. A opcao por uma livraria de nicho temático será então a derradeira via para este ramo de negócio?…

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A preparação das listas independentes de candidatos autárquicos deve começar seis meses antes das eleições

As listas de candidatos às autarquias locais têm que ser apresentadas ao juiz da comarca até ao 55o dia anterior à data marcada para as eleições autárquicas. Isto implica que a preparação das listas e a seleção dos candidatos tem que começar com uma antecedência nunca inferior a seis meses antes da data marcada para as eleições.

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Vídeos da Cerimónia de Homenagem a Carlos Pinto Coelho realizada a 22 de janeiro na sede do MIL

 

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Homenagem MIL a Carlos Pinto Coelho

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“Portugal entrou para a Europa porque, entretanto, havia perdido o seu Império”

“Portugal entrou para a Europa porque, entretanto, havia perdido o seu Império e, sobretudo, pela promessa dos “fundos”, que desenvolveriam finalmente o país.
Foi pois, sobretudo, um “negócio”. E os negócios não merecem a deferência de um referendo.
O povo, aliás, na sua intuitiva sabedoria, sabe que é disso, sobretudo, que se trata: nós estamos na Europa para “sacar” algum dinheiro, o mais que pudermos. Para mais, como bem lembrava Agostinho da Silva, esses “fundos” eram-nos devidos. Se a Europa se tornou historicamente a região mais desenvolvida do mundo foi, desde logo, porque Portugal lhe abriu as portas do mundo. Nada mais justo, pois, do que agora sermos, enfim, pagos por esse nosso feito”

Renato Epifânio
A Via Lusófona

A questão é contudo a de saber qual seria o resultado de um Referendo em que existisse uma verdadeira imparcialidade das perguntas (rara nos Referendos…) e onde para além de um puro sufrágio à “opção europeia” surgissem também outras opções… agora que a torneira dos Fundos começa secar, o restrito e estéril economicismo fará valer as suas consequências… nomeadamente o seu maior falhanço que é o da incapacidade para criar uma “pátria europeia” ou uma consciência comum alavancada numa alma europeia ou mesmo na existência de uma verdadeira comunhão entre os cidadãos da Europa.

Sem Alma, não pode haver Europa que sobreviva a uma verdadeira crise económica. Os Estados-Nação conseguem sobreviver às Crises porque os seus Povos estão dispostos a suportar sacrifícios em nome de causas imediatistas e mecânicas. O sacrifício coletivo e/ou individual é apenas suportável quando cumprido em nome de uma causa maior. Que não são nem os secos balancetes da Contabilidade dos Estados nem a transferência de parcelas crescentes de Soberania e Liberdade para entidades Supra-estatais não democráticas e física e emocionalmente distantes das realidades locais.

Alguns dirão que a Europa está a morrer. Nós diríamos mais: nunca chegou a nascer, porque a atual União Europeia nunca passou o estádio da “comunhão de interesses de curto prazo”, sem visão de longo prazo nem alavancagem anímica num conceito comum de “Pátria” ou “Alma Europeia”. Perante tal situação, a aparição de uma Alternativa Lusófona é inevitável. E tanto mais depressa quanto mais flagrante for o fracasso da construção da tal “casa comum europeia” sonhada pelos seus fundadores, na década de 50…

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Cavaco Silva: Sobre a sua ausência (enquanto Presidente da República) nas cerimónia fúnebres de José Saramago

Como escrevia a 21 de junho Daniel Oliveira: “Ao faltar ao funeral de José Saramago, o Presidente da República mostrou que põe o cidadão Aníbal e o político Cavaco acima do cargo que ocupa. Mostrou ser demasiado pequeno para representar o País.”

Não há dúvidas que os dois cidadãos, José Saramago e Cavaco Silva nunca foram amigos. Não há também dúvidas de que nunca se moveram pelas mesmas áreas políticas ou mentais. De resto, à sofisticação mental de Saramago correspondeu sempre um certo primarismo grunho de Cavaco, numa contraposição entre “progressismo comunista” (SIC) e “rigor salazarento” (SIC) que nunca poderia ter aproximado estes dois personagens.

Não nos esqueçamos, de resto, que a principal razão que levou Saramago a buscar sair do país, foi precisamente o apoio público e pessoal prestado pelo então Primeiro Ministro Cavaco Silva a um dos mais obscuros secretários de Estado de sempre, um tal de Sousa Lara. Saramago, abandonou Portugal, amargurado e passou desde então a residir em Espanha (Lanzarote) e adoptar atitudes cada vez mais pró-Espanholas e iberistas, indo inclusivamente ao ponto de se recusar a falar português na Galiza (onde seriam entendido na perfeição) e a optar falar aí… inglês, para grande espanto dos representantes da intelectualidade galega nessa visita, em 2009.

Perante tal situação de antagonismo Cavaco Silva sairia sempre perdedor se tivesse “o azar” de Saramago vir a falecer durante a sua Presidência. Vindo às cerimónias poderia ser acusado (justamente) de hipocrisia, já que foi ele, no essencial, o responsável pelo exílio voluntário do escritos e único prémio nobel da literatura português. Não vindo, seria acusado de falta de sentido de Estado e de respeito por uma das figuras mais gradas e mundialmente conhecidas de Portugal.

Enredado num dilema criado pela sua própria boçalidade e incapacidade intelectual, Cavaco sabia (ou sabia, porque lhe diziam os seus assessores) que de uma forma ou de outra sairia perdedor, e que só lhe restava esperar que Saramago viesse a falecer tão longe das eleições de janeiro quanto o possível, de forma a atenuar na mente dos portugueses a sua desastrada e indigna conduta enquanto Chefe de Estado. Teve sorte, Cavaco… José Saramago veio a falecer em Junho, em pleno Mundial de Futebol, e num mundo onde as notícias são tão rápidas e o ciclo noticioso tão instável, a notícia da sua ausência das cerimónias fúnebres do maior e mais reconhecido escritor português da atualidade será rapidamente esquecida.

Mas Cavaco Silva é mais do que um ex-Primeiro Ministro (receba ou não essa reforma, algo que ainda se está para ver…). Cavaco Silva é hoje muito mais do que o antigo Primeiro Ministro. O povo português elegeu-o (à primeira volta!) como supremo magistrado da Nação, como Presidente da República e nessa função, Cavaco torna-se responsável já não pelo seu partido nem pela sua memória ou passados pessoais, mas pela figura do Estado que passa a representar. Não teve contudo, o atual Presidente, essa hombridade, essa capacidade de Perdão, nem sequer o sentido de Estado suficientes para deixar para trás essas querelas, deixar bem claro (como Rajoy, em Espanha) que estavam todas ultrapassadas, agora que Saramago tinha partido e que respeitava (pelo menos) o Homem de Letras e o insigne Lusófono. Cavaco não demonstrou (de novo), neste episódio ter a estatura intelectual e moral que se exige para a função de Presidente da República e concedeu argumentos adicionais a todos aqueles que defendem que Portugal merece melhor representação do que aquela oferecida por um Homem que acumula reformas com ordenados num país à beira da Bancarrota, que promulga Decretos em que não acredita por argumentos “economicistas”, que usa viagens de Estado para fazer “turismo na Capadócia” e que agora, é incapaz de assumir a dignidade da função em que o povo o investiu e de suspender férias para prestar a derradeira homenagem ao português atualmente mais reconhecido e admirado por todo o mundo.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/o-anibal-o-cavaco-e-o-presidente=f589290

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Declaração MIL sobre o “tributação do IVA às transmissões de livros a título gratuito”

O MIL: Movimento Internacional Lusófono regozija-se publicamente por, finalmente e de acordo com o mais elementar bom senso, ter sido decidido no último Conselho de Ministros do Governo Português, por proposta da Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, pôr fim à tributação do IVA à tributação do IVA às transmissões de livros a título gratuito. Conforme foi reconhecido pelo Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, no final do Conselho de Ministros, “a tributação do IVA era uma das principais razões para a destruição de livros, findo o seu interesse comercial”.

Lembramos que todo este processo foi desencadeado por uma Petição lançada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono, a Petição “Não destruam os livros”

(http://www.gopetition.com/online/28707.html), já este ano por nós apresentada na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura (28 de Janeiro), e entretanto discutida no Plenário da Assembleia da República (14 de Maio).

Mais do que uma vitória do MIL, trata-se, porém, de uma vitória da Cultura. Continuaremos a acompanhar este processo, de modo a que nenhum livro seja destruído — em Portugal ou em qualquer ponto do Espaço Lusófono —, entregando-os a quem mais precise. E há muita gente, em todo esse Espaço, a precisar de livros.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
www.movimentolusofono.org

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Vale a pena assinar petições: O MIL e a Petição “Não destruam os Livros” chegam ao plenário da Assembleia da República

Intervenção no PSD na petição "Não Destruam os livros"
Vídeo: Clicar AQUI

Nuno Encarnação elogiou a Petição, entregue na Assembleia da República, que solicita que “os livros que saíram de circulação não sejam destruídos”. Segundo o social-democrata, “estamos perante um desperdício de um bem que significa conhecimento” e que, como tal, as publicações deveriam ser entregues a instituições carenciadas ou a outros países lusófonos. Na opinião do deputado “a petição tem fundamento sólido, conteúdo útil e recomendações importantes”.

Nuno Encarnação lembrou que, mesmo sem existir legislação que a isso obrigue, já existem editoras com essa prática instituída sendo, contudo, necessário ter em conta vários condicionalismos. O parlamentar recordou que a associação de editores e livreiros alertou para um conjunto de outros problemas, nomeadamente a obrigatoriedade do pagamento do IVA, a liquidação dos direitos de autor e as despesas de armazenamento e transporte.

Recordemo-nos de que foi o MIL que elaborou a petição que reunindo mais de 4500 assinaturas seria entregue na Assembleia da República, tendo o movimento lusófono recebido por vários grupos parlamentares. Algum tempo depois, a iniciativa teria reflexos concretos, merecendo uma resposta governamental que viria a satisfazer a maioria das pretensões dos signatários da petição proposta pelo Movimento.

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MIL: Fotografias de mais uma entrega de livros para Timor (Associação de Amigos da Diocese de Baucau)

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O projeto europeu Europeana e as suas possíveis expansões

A União Europeia colocou online mais de 110 mil obras na Europeana, agregando aqui a maioria das publicações oficiais da EU desde 1992: não serão livros de ficção, nem ensaios, mas relatórios, regulamentos e documentos oficiais, mas são o cerne de um projeto que poderá agora ser expandido a partir deste alicerce, se houver a suficiente pressão por parte dos cidadãos europeus…

Na impede teoricamente – ou tecnicamente – que a estas obras não se lhe venham juntar todas as obras que tendo sido impressas na Europa no passado e que já não estando protegidas por direitos de autor residem dormentes nas bibliotecas públicas europeias e que a Google de forma tão interesseira e com contratos de exclusividade está agora a digitalizar para o Google Books. Com efeito, a Europa tem que deixar a “Europa do Carvão e do Aço”, para se concentrar mais na área cultural, preenchendo o espaço vazio que a multinacional americana está agora a ocupar com intuitos meramente comerciais (venda de anúncios online) e garantindo que essa informação permanece acessível a todos, no âmbito do verdadeiro “domínio público” e não de uma qualquer corporação com objetivos mais ou menos opacos.

Fonte:
http://tek.sapo.pt/extras/site_do_dia/mais_110_mil_livros_online_1024696.html

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Petição MIL “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”

A Petição MIL “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!” (http://www.gopetition.com/online/28707.html) foi já entregue na Assembleia da República, dado que superou a fasquia das 4 MIL assinaturas.

A Petição continua, ainda assim, aberta a novas subscrições.


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
(facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de um milhar e meio de adesões, de todos os países da CPLP.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:
António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

Contacto: 967044286

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APELO PÚBLICO DO MIL: MAIS LIVROS PARA TIMOR

Uma vez mais, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela à solidariedade lusófona para com Timor-Leste. Desta vez, dirigimo-nos em particular aos nossos irmãos lusófonos brasileiros.


Pedimos, em concreto, livros de literatura infantil. Deverão estes ser remetidos para o seguinte endereço:

HCGN 706 Bloco R ap. 302

Asa Norte, Brasília Distrito Federal

CEP: 70.740-718

(ao cuidado de Lúcia Helena Alves de Sá)


Depois, numa cerimónia pública, a realizar-se no Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, os livros serão entregues ao Embaixador Domingos de Sousa, de Timor-Leste (data a anunciar).


MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

www.movimentolusofono.org

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LIVROS PARA A GUINÉ

Hoje, o MIL estabeleceu uma parceria com a Associação “Ajuda Amiga“, no sentido de angariar livros (escolares, sobretudo, mas não só) para a Guiné-Bissau. Em breve indicaremos quando e onde os livros deverão ser entregues.

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O MIL enviou hoje a primeira remessa de livros para Timor-Leste

O MIL enviou hoje a primeira remessa de livros para Timor-Leste. Em breve faremos um apelo público para uma nova recolha de livros. A todos aqueles que colaboraram com esta iniciativa do MIL – como, nomeadamente, a Paula Viotti – os nossos maiores agradecimentos.

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O MIL: Movimento Internacional Lusófono envia livros para as crianças de Timor-Leste (Baucau)

O MIL: Movimento Internacional Lusófono, como movimento cívico e cultural, tem, entre as suas valências, como princípio o espírito de colaboração aos mais variados níveis com os países lusófonos. Neste sentido, encetou há alguns meses uma colecta de livros junto de entidades e particulares, no sentido de os enviar para Timor-Leste, assim contribuindo não só para reintrodução da Língua Portuguesa no país, mas também para o enriquecimento cultural das instituições e da população, em particular da região de Baucau, no caso, mais concretamente das escolas associadas à Diocese de Baucau.

Esta opção relativa ao local de destino dos livros prende-se com o facto de não ser possível, pelo menos nesta fase, distribui-los por todo o território, dadas as dificuldades de acesso a certas zonas do país e à falta de meios/apoios de transporte para o fazer.

Assim, o MIL, por não possuir meios financeiros que lhe permitam suportar o envio dos livros, na ordem dos 200kg, por intermédio de um dos seus membros do Conselho Executivo, António José Borges, encetou contactos com Sua Excelência o Bispo D. Carlos Filipe Ximenes Belo, SDB, no sentido de este dar o seu parecer sobre a melhor forma de realizar sem custos a empresa a que o MIL se propõe.

Sua Excelência recomendou então que contactássemos o Dr. Alberto Araújo, residente em Lisboa e membro da Direcção da Associação de Apoio à Diocese de Baucau, e este, em nome da Associação que dirige e da qual são membros o próprio Bispo D. Carlos Ximenes Belo, SDB, e D. Basílio do Nascimento, actual bispo de Baucau, após o acerto de alguns requisitos a serem cumpridos pelo MIL, como a redacção de uma carta/dedicatória dirigida à dita Diocese, a realização de uma listagem dos livros e a respectiva carimbagem dos mesmos, prontamente se disponibilizou para fazer chegar os livros a Timor-Leste num contentor que partirá de Lisboa em meados de Dezembro do corrente ano.

Muito em breve, o MIL cumprirá todos os requisitos necessários para que facultem o envio dos livros, fará chegar os mesmos aos responsáveis da Associação de Apoio à Diocese de Baucau e, assim, o processo ficará concluído com o enriquecimento do acervo das bibliotecas, escolas e outras instituições da região de Baucau.

Desejamos que outras regiões de Timor-Leste e outros países possam contar com o nosso apoio neste e noutros níveis, cumprindo, assim, um dos objectivos que definem o programa cívico e cultural de um movimento como este, que dentro do espaço lusófono tanto valoriza as diferenças como a união – factores de enriquecimento da comunidade lusófona.

Em nome da Comissão Executiva do MIL,

António José  Borges

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JÁ COM MAIS DE 3.500 ASSINATURAS

Com 4 MIL assinaturas, a Petição terá que ser aceite para discussão na Assembleia da República…
PETIÇÃO MIL: “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”. PARA ASSINAR:
http://www.gopetition.com/online/28707.html

Se concorda com esta petição, pedimos-lhe que a subscreva e publicite.

Entretanto, as outras 2 últimas Petições lançadas pelo MIL continuam on-line:
EM PROL DE UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA:
http://www.gopetition.com/online/26885.html

EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU:
http://www.gopetition.com/online/26953.html

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PS defende a livre circulação de cidadãos lusófonos

O PS está a estudar a criação de um novo conceito, o Estatuto do Cidadão da CPLP, que na prática poderá proporcionar a livre circulação de pessoas oriundas dos países de expressão portuguesa. A ideia está nas mãos de António Vitorino, coordenador do programa eleitoral do PS, e já é vista pelo secretário de Estado das Comunidades como “um desafio”.”

Fonte: Diário de Notícias

Um “Desafio” germinado a partir da Petição do MIL:
Petição contra a Directiva do Retorno e em prol do “Passaporte Lusófono
E do facto de termos sido recentemente recebidos por vários grupos parlamentares na Assembleia da República?

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CARTA AO DIRECTOR DO JORNAL “PÚBLICO”

Exmo Senhor
Director do Jornal “Público”

Enquanto subscritor da Petição “Não Destruam os Livros!”, lançada pelo MIL. MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO, bem como da “Carta Aberta ao Primeiro-Ministro de Portugal”, que foi entretanto enviada aos órgãos de comunicação social, gostaria antes de mais de esclarecer que nada nos move contra ninguém em particular – a nossa única motivação é, como se diz no texto da Petição, “que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estuda a língua e a cultura portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos”.

Feito este esclarecimento prévio, gostaria em primeiro lugar de manifestar a minha estranheza perante a notícia publicada na edição de hoje (Sexta, dia 3 / 7/ 09), notícia não assinada sobre a Imprensa Nacional – Casa da Moeda (cf. caderno 1, p. 17), de clara resposta à Petição e à Carta Aberta, sem que, contudo, nem a Petição nem a Carta Aberta seja referidas. Isto para além do facto da notícia ter numerosas semelhanças com uma outra surgida em Novembro de 2008 no JL, essa a respeito do surgimento da Agenda INCM para 2009.

Quanto à notícia propriamente dita, registamos que se mantém a possibilidade da destruição de livros. É esse o título da notícia: “Casa da Moeda pode ter que destruir livros”. Isto caso não se encontrem instituições disponíveis para “acolher as obras publicadas há mais de quatro anos e que não tiveram sucesso comercial”.

Ora, instituições disponíveis para acolher essas obras é o que, no espaço lusófono, não faltam. O que falta, tão-só, é vontade para as fazer chegar lá. Mas, para tanto, como se diz ainda no texto da Petição: “os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional. Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma óptima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.”

Ao contrário do se diz na notícia, os livros não são “feitos para ser vendidos”. Mas para ser lidos. Eis toda a diferença.

Muito cordialmente
Renato Epifânio


Fonte:

http://novaaguia.blogspot.com/2009/07/carta-ao-director-do-jornal-publico.html

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CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO DE PORTUGAL

Senhor Primeiro-Ministro

Excelência

Os actuais estatutos da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (DL 170/99, de 19 de Maio), na sequência do que faziam já os anteriores, incluem no seu objecto social “a edição de obras de relevante interesse cultural”, sendo, para esse efeito, a sua administração assistida por um Conselho Editorial, composto por “personalidades de reconhecida capacidade literária, artística e cultural” e ao qual compete “dar parecer sobre os aspectos literário, cultural e artístico da actividade editorial” da empresa.

Durante as três últimas décadas, que correspondem ao retomar de uma função editora que a antiga Imprensa Nacional longa e abundantemente exerceu no passado, sempre a actividade editorial da empresa pública INCM foi entendida, tanto pelas suas sucessivas administrações como pelas respectivas tutelas governamentais, como devendo revestir uma função supletiva relativamente à actividade, predominante e legitimamente comercial, das editoras privadas, função que revestia, inequivocamente, o carácter de serviço público e não de uma actividade que visasse, directamente, o lucro. Daí que, como o seu catálogo claramente ilustra, se tivesse concentrado na edição de obras de reconhecido interesse cultural, desde clássicos até obras fundamentais de ou sobre a cultura portuguesa, que, em regra, não interessam às editoras privadas, e em edições preparadas pelos melhores especialistas, cuidadosamente revistas, ainda que, muitas vezes, de escoamento lento, que poderia demorar décadas.

Era a importância cultural atribuída por lei ao serviço público que a INCM desempenhava no plano da edição que explicava não só que, durante duas décadas, os membros do seu Conselho Editorial fossem designados em Conselho de Ministros, sob proposta do membro do Governo responsável pela Cultura, como, ainda, que entre os seus membros se tivessem contado personalidades da envergadura intelectual de Fernando Gil, Jacinto e Eduardo Prado Coelho, Andrée Crabbé Rocha, Pedro Tamen, António Alçada Baptista, Fernando Moser, Francisco da Gama Caeiro, José Mattoso, José Augusto França, Aníbal Pinto de Castro, Ivo Castro, Luís Oliveira Ramos, António Machado Pires ou Manuel Villaverde Cabral.

Este entendimento sobre a função de serviço público da actividade editorial da INCM parece não ser partilhado pela sua actual administração, que, movida, porventura, por um ilegal e anti-estatutário intuito de reorientar aquela actividade num sentido predominante ou exclusivamente comercial, não só tem vindo a abrandar, progressiva e significativamente, o ritmo daquela mesma actividade, como suspendeu a publicação da 3ª série da revista cultural Prelo, e, num acto de barbárie cultural sem precedentes na empresa, admite agora, em cartas que está dirigindo aos seus editados ou respectivos herdeiros, vir a proceder à destruição de exemplares de obras cuja venda tenha tido pouca expressão nos últimos anos. Esta destruição não pouparia, sequer, alguns dos volumes que integram edições, em curso, de Obras Completas de autores como Jaime Cortesão, Leonardo Coimbra, Adolfo Casais Monteiro, José Régio, Domingos Monteiro, Vitorino Nemésio, Tomaz de Figueiredo ou José Marinho, e, talvez, das edições críticas de Garrett, Eça ou Pessoa ou de clássicos como Hesíodo, Aristóteles, Aristófanes ou Plauto!

Seriamente preocupados com este inominável acto de barbárie cultural que se anuncia como um novo Fahrenheit 451, agora mais ecológico, já que substituiria o fogo pela guilhotina, os signatários vêm apelar para Vossa Excelência, Senhor Primeiro-Ministro, para que seja ordenado, imediatamente, que a lei e os estatutos da INCM sejam respeitados e a empresa, em vez de proceder à destruição de quaisquer obras, procure melhorar o seu sistema de vendas e mantenha e amplie o número de ofertas a bibliotecas públicas, escolares e universitárias portuguesas, tanto públicas como privadas, e dos restantes países lusófonos, de Goa e de Macau, e aos centros culturais portugueses no estrangeiro, designadamente em países em que existam emigrantes nacionais.

É esse, de resto, o teor da Petição “Não destruam os livros!”, que, em escassos dias, foi já subscrita por cerca de um milhar de pessoas, entre as quais se contam figuras muito relevantes da nossa Cultura: http://www.gopetition.com/online/28707.html

Com respeitosos cumprimentos

António Cândido Franco

Arnaldo Saraiva

Dalila Pereira da Costa

Joaquim Domingues

Maria Celeste Natário

Miguel Real

Pinharanda Gomes

Renato Epifânio

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NOVA PETIÇÃO MIL: “NÃO DESTRUAM OS LIVROS!”

Verificando-se que editoras nacionais estão a proceder à desativação comercial dos livros não esgotados mediante a sua destruição, e que esta hipótese é igualmente contemplada pela editora do Estado português, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO considera isto um escandaloso crime de lesa-património, que vai fazer desaparecer muitos milhares de volumes preciosos da nossa cultura que, apesar do seu valor, não tiveram sucesso comercial junto do grande público.

Perante esta situação, o MIL apela a todos os cidadãos que assinem esta petição, exigindo que as editoras nacionais, e em particular a Imprensa Nacional – Casa da Moeda, não destruam as obras em questão, oferecendo-as antes às bibliotecas, escolas e centros culturais nacionais, aos leitorados de Português e departamentos onde se estude a Língua e a Cultura Portuguesas nas universidades estrangeiras, bem como às universidades e centros culturais dos países lusófonos. Para tanto, os Ministérios da Cultura, da Educação e dos Negócios Estrangeiros (este através do Instituto Camões), bem como a TAP AIR Portugal, devem-se articular com as Editoras na estratégia da distribuição e transporte dos livros a nível nacional e internacional.

Em vez de se destruir património precioso e insubstituível, esta é uma ótima oportunidade de se prestar um serviço à cultura e à educação nacionais, bem como de promover a cultura portuguesa no espaço lusófono e no mundo, tarefa por todos reconhecida como fundamental na qual o Estado não se tem empenhado devidamente.

PARA ASSINAR:
http://www.gopetition.com/online/28707.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Comissão Coordenadora

Nota de apresentação: O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico recentemente criado, em associação com a NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, que conta já com quase um milhar de adesões, de todos os países lusófonos.
A Comissão Coordenadora é presidida pelo Professor Doutor Paulo Borges (Universidade de Lisboa), Presidente da Associação Agostinho da Silva (sede do MIL).
A lista de adesões é pública – como se pode confirmar publicamente (
www.novaaguia.blogspot.com), são pessoas das mais diversas orientações culturais, políticas e religiosas, pessoas dos mais diferentes locais do país e de fora dele.

Se concorda com esta petição, pedimos-lhe que a subscreva e publicite.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

Entretanto, as outras 2 últimas Petições lançadas pelo MIL continuam on-line:

EM PROL DE UMA VERDADEIRA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA:
http://www.gopetition.com/online/26885.html

EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU:
http://www.gopetition.com/online/26953.html

SOLICITAMOS QUE REENVIE ESTA MENSAGEM
Categories: Educação, Livros, Lusofonia, Movimento Internacional Lusófono, Portugal | Etiquetas: | 9 comentários

Viriato – A Epopeia Lusitana

Da autoria de Teófilo Braga, antigo Presidente da República Portuguesa, a Zéfiro editou o romance histórico “Viriato – A Epopeia Lusitana”.

Integrado na colecção “Clássicos Zéfiro”, e com a chancela do “Projecto Apeiron” – destinado à edição de obras clássicas reconhecidas pela seu elevado prestígio cultural e literário -, dirigido por Dulce Leal Abalada e Eduardo Amarante, este livro relata a mítica história dos antigos povos lusitanos e do seu chefe heróico, Viriato.

Ler um Excerto | Consultar o Índice

Categories: Livros | Deixe um comentário

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O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)