Lisboa

 
 

Petição para TRAVAR o airbnb (e outros) e salvar o que resta do Arrendamento Familiar e de longa duração

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Assine e Divulgue !
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=travaoairbnb

Petição para limitar a destruição do Arrendamento Familiar pelo Airbnb e outras plataformas semelhantes
Nove Razões para Assinar esta Petição:
1. Porque o nº de habitações no mercado de arrendamento familiar teve uma queda abrupta nos últimos anos
2. Porque a grande redução da oferta criou um grande aumento dos preços médios do arrendamento familiar
3. Porque a autarquia (CML), o Parlamento e o Governo têm sido muito lentos a reagir (ou negam que o problema existe (CML))
4. Porque não há casas suficientes e a CML não cumpriu a promessa de colocar 5 mil habitações em arrendamento para a classe média
5. Porque a CML não estabeleceu – como Barcelona – limites à criação de novos hotéis e alojamentos turísticos
6. Porque Um proprietário que arrende a casa para habitação permanente entrega 28% do valor da renda ao Estado, enquanto o Alojamento Local é apenas tributado em média a 5%
7. Porque, como admitiu recentemente a secretária de Estado do Turismo: “o arrendamento de casas a turistas é um setor onde existe grande fuga aos impostos”
8. Porque o “Regime Fiscal para Residentes Não Habituais” (europeus ricos) e o “Golden Visa Portugal” (cidadãos não europeus) estão a levar a uma conversão anormal do mercado imobiliário para os segmentos mais altos cumulando-os de benefícios fiscais que faltam aos cidadãos nacionais
9. Porque o Alojamento Local já se estendeu para fora dos Bairros Históricos e se abarca hoje, praticamente, toda a cidade de Lisboa
Propostas para Regular (mais e melhor) o Mercado do Arrendamento Urbano de Curta Duração:
Os subscritores propõem à Assembleia da República que:
1) os imóveis com utilização habitacional não possam ser afetos a finalidades de alojamento turístico sem que exista a alteração do uso. Ou seja: ou os prédios são para morar, ou são para arrendar a turistas.
2) a Administração Tributária por inspecção aleatória a partir da base de dados (pública) dos Alojamentos Locais do Turismo de Portugal e por denúncia de terceiros determine quais estão registados e quais estão a pagar, de facto, impostos.
3) sejam reduzidas as taxas de IRS aplicadas a arrendamentos de longa duração (28% do rendimento)
4) seja aplicada a proposta de lei que estabelece quotas para que aos proprietários para que estes não coloquem todas as casas que têm no mercado para turistas
5) o Governo agilize as prometidas parcerias com plataformas como a Airbnb, por forma a acabar com os casos de arrendamento ilegal
6) a ASAE fiscalize de forma mais extensiva e eficaz os Alojamentos Locais
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Uma Junta de Freguesia para a Lisboa do Século XXI

Embora nada, em lado nenhum, seja igual ao que era há apenas um par de anos, existe algo que resiste – ainda e sempre – à mudança. Trata-se das Juntas de Freguesia de Lisboa: tudo à sua volta mudou: mudou a escala do orçamento que têm ao seu dispor (hoje de vários milhões), mudou a escala das suas competências (funcionam, hoje, como mini-câmaras) e mudaram os tempos. Mas não mudaram as Juntas.
No século XXI os cidadãos tem o dever de escrutinar o exercício dos seus eleitos e estes tem a obrigação de atender a este escrutínio com rapidez, eficiência e num espírito de permanente disponibilidade.
O poder local é, por definição, a verdadeira democracia de proximidade procurada por teóricos e práticos desde os alvores da democracia na Antiguidade Clássica. Se os cidadãos estão, geralmente (e infelizmente) alheados da realidade nacional e internacional, sentem-se envolvidos e em muito primeira pessoa por todas as problemáticas locais e quanto mais próximas estas são, maior envolvimento sentem: a sua prioridade está para com a sua casa, depois para a sua rua, bairro, freguesia, município, região e só depois, muito depois, para com o pais e continente (ou União Europeia). Por isso resulta particularmente estranho saber que os eleitos locais (nos municípios e nas freguesias) se lamuriam da falta de participação dos cidadãos nos fóruns que criaram para esse efeito: reuniões descentralizadas, assembleias de freguesia, reuniões públicas do executivo autárquico. Nem por um minuto passa pela cabeça destes eleitos que esta ausência não se deva ao desinteresse dos cidadãos mas à incapacidade dos eleitos em adequarem esses espaços de participação às necessidades dos cidadãos.
Não faz sentido que estas assembleias ou reuniões ocorram apenas uma vez de três em três meses, não faz sentido que as reuniões de executivo ocorram de tarde (a Assembleia Municipal de Lisboa reúne-se no começo da tarde dos dias úteis) ou a horas (18:00) em que muitos cidadãos ainda estão nos seus postos de trabalho. Não faz sentido que os presidentes de câmara e de junta sejam pessoas inacessíveis, que não podem ser contactadas por mail ou por telefone, que recusem reuniões com associações ou grupos de cidadãos ou que não criem sistemas eficazes e mensuráveis de pedidos e contactos dos cidadãos.
O tempo novo em que vivemos é um tempo cheio de novas exigências. Isto é ainda mais verdade para todos aqueles que têm obrigações públicas. O antigo “presidente” que vivia no alto de uma torre de marfim, que cruzava a sua freguesia ou município de carro e que não a cruzava a pé, todos os dias, está a dar os últimos sopros e não tem mais cabimento num mundo em que os cidadãos exigem responsividade, participação e proximidade constante e permanente com os seus eleitos.
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Assembleia Municipal de 8 de Novembro de 2016

Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Vereador Manuel Salgado sobre o Funicular da Graça:
Existe apenas uma empreitada em curso, que é arqueológica com o objectivo de identificar a Muralha Fernandina tendo sido encontradas algumas das suas fundações.
O objectivo é alterar o projecto por forma a preservar “ao máximo” a muralha (presume-se assim que haverá danos).
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Fernando Medina:
A Parque Expo vai finalmente ser extinta e os seus terrenos ao passar para as Finanças. Isto vai acontecer a 31 de dezembro sendo nestes terrenos que será feita a expansão da escola actual (orçamentada pelo ME), uma nova escola e para a construção de um novo centro de saúde.
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: A Avenida Dom Joao II vai ser incluída no Programa Pavimentar sendo as árvores substituídas em dezembro sendo as bombas dos vulcões substituídas em janeiro de 2017 (vereador Sá Fernandes)
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Em janeiro será feita a consolidação dos terrenos da encosta com outra intervenção em meados de 2017. O solo é argiloso e dado como propício a deslizamentos (razão pela qual, alias, nunca se construiu no local).
Segundo o vereador Manuel Salgado os presidentes das juntas querem um parque de estacionamento mas os moradores querem uma zona verde. A Câmara está a procurar alternativas para o estacionamento “mas não está a ser fácil”
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Praça Humberto Delgado no contexto da “Praça em Cada Bairro” com petição pública reclamando de erros do projecto. Obras na segunda semana de Outubro incluindo parque de estacionamento subterrâneo.
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Segundo o vereador Manuel Salgado a versão completa do Regulamento do Património já foi distribuída aos grupos parlamentares da AML. A 24 de novembro vai a reunião de Câmara.
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: As obras na Praça de Sete Rios vai decorrer em duas fases com interface de transportes por debaixo do Norte Sul, mas quando houver alternativa para o parque de estacionamento da Empark para 301 lugares.
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Segundo Fernando Medina a Policia Municipal já autuou 600 tuk tuk por infracções diversas ao novo regulamento.
Assembleia Municipal de 8 de Novembro: Em 2017 vão abrir mais 7 hotéis em Lisboa sendo que o alojamento local representa, hoje, cerca de um terço do alojamento turístico total.
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Guia para um percurso no Cemitério do Alto de São João (Lisboa)

1 à porta

1

O Cemitério do Alto de São João foi mandado construir em 1833 pela Rainha Dona Maria II aquando da epidemia de cólera morbus que assolou a cidade de Lisboa, servindo ainda hoje a zona oriental da cidade. Foi durante mais de um século o cemitério da cidade tendo sido escolhido pela Primeira República como local para homenagear os seus heróis.

2

A epidemia de Cólera entre 1832 e 1833 assolou a Europa. A doença era conhecida há longo tempo, por ser endémica na Índia aonde, no entanto, se manteve circunscrita até à década de 1820 quando atingiu a Rússia e continuou a progredir para ocidente. A cólera chegou a Portugal “trazida a bordo de um navio que, de Ostende[i], transportava soldados para ajudarem D. Pedro no cerco do Porto”, quando já tinha atacadocom grande virulência em Paris, no mês de Abril desse ano de 1832.

Exemplo de medida “preventiva” é o Aviso de D. Miguel I[v] ao Cardeal Patriarca de Lisboa que a seguir se transcreve: TENDO apparecido em algumas Nações, e ultimamente mais proximo a nós, em a França, huma enfermidade nova, que se está conhecendo com o nome de Cholera-morbo Asiatica, e cujos terríveis estragos são talvez hum castigo, com que a Divina Omnipotência quer punir, e reprimir esse espirito de perversidade, e de impiedade, que desgraçadamente tem chegado a tamanho gráo no Século, em que vivemos, deve, em taes circumstancias, hum Povo Catholico, e que tanto se préza de o ser, como o Povo Portuguez

Depois do Porto, em cuja região terá matado cerca de 13.000 pessoas, a Cólera alastrou a Lisboa e outras regiões e terá feito, no país, um total de cerca de 40.000 mortos até desaparecer no final de 1833.

 

3

Na altura, situado “fora de portas”, zona rural de grandes quintas, passou a cemitério de gestão pública em 1841, após a legislação publicada em 1835.

Ocupava a Quinta dos Apóstolos. Inicialmente ajardinado, está arborizado com ciprestes, eucaliptos, robínias, alfarrobeiras, jacarandás, entre muitas outras.

Esta «QUINTA DOS APÓSTOLOS» Os padres da «COMPANHIA DE JESUS», (que seriam possivelmente os APÓSTOLOS citados), primitivos donos da quinta, já nada têm ali que os recorde.

4

O primeiro forno crematório do país foi construído neste cemitério em 1925, tendo sido desativado alguns anos mais tarde por razões políticas, sendo reativado em 1985[1] .

A cremação em Portugal foi um processo que se iniciou com debates e artigos de opinião, produzidos por grupos e individualidades dos setores mais progressistas da sociedade de oitocentos, mas só na 1.ª República, em 1912, teve início o processo de estabelecimento de um Crematório em Lisboa, no Cemitério do Alto de S. João.

Acabadas as obras de arquitetura do edifício, foi necessário esperar por Alfredo Guisado, vereador do Pelouro dos Cemitérios em 1925, para concretizar a compra do forno na Alemanha, sua instalação e ensino do correto funcionamento. Alfredo Guisado foi um entusiástico apologista da cremação, chegando a propôr em Sessão de Câmara que fossem cremados os cadáveres destinados a vala comum.

A primeira cremação em Portugal aconteceu finalmente em 28 de novembro de 1925. O crematório foi encerrado em 1936 e, em parte por pressão da comunidade Hindu, a Câmara Municipal de Lisboa reativou-o em 1985.

Em Portugal até 2002 existiam apenas três fornos crematórios em funcionamento; o mais antigo, no Cemitério do Alto de S. João em Lisboa, o do Prado do Repouso no Porto e o do Cemitério Municipal de Ferreira do Alentejo, cuja construção foi custeada por um particular.

2 após entrar

Jazigo da Santa Casa da Misericórdia (esquerda)

O edificado arquitetónico é tanto de autoria desconhecida como de arquitetos ou canteiros conceituados. Temos por exemplo na entrada do lado esquerdo o Jazigo dos Beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, do arquiteto Adães Bermudes

Jazigo neomanuelino ricamente trabalhado, construído, entre 1906 e 1909, para albergar os restos mortais daqueles que, em vida, haviam apoiado a Misericórdia de Lisboa.

Jazigo dos Viscondes de Valmor (à direita)

mecenas das artes e criador do Prémio de Arquitetura com o seu nome, do arquiteto Álvaro Machado, ladeado por quatro estátuas dos escultores Costa Mota, Fernandes Sá, Tomás Costa e Moreira Rato (sobrinho) que representam respetivamente a Arquitetura, a Escultura, a Gravura e a Pintura. 

3 subir até capela, contornar e seguir para Cândido dos Reis

Túmulo conjunto de Cândido dos Reis (Almirante) e Miguel Bombarda (Hospital)

Almirante Reis

Iniciou a sua carreira na Marinha como voluntário, aos dezassete anos, sendo sucessivamente promovido até ao posto de vice-almirante. Em 1 de Outubro de 1870 é Guarda-marinha. Reforma-se em Julho de 1909.

Apesar de ter sido agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e a de Cavaleiro da Torre e Espada pelos seus feitos na marinha, foi desde muito novo um adepto republicano de firmes convicções, tendo participado activamente na luta antimonárquica.

Foi também um elemento destacado da Carbonária e da ideologia anticlerical.

Não foi tanto como político propagandistico mas como conspirador que se destacou. Embora tenha sido eleito como deputado nas listas republicanas de 1910, participou activamente no golpe fracassado de 28 de Janeiro de 1908, que devia começar com a prisão de João Franco, então chefe do governo. Após um pequeno período de desânimo voltou à luta e rapidamente se transformou no organizador militar da revolta de 5 de Outubro de 1910.

Na tarde do dia 3 de Outubro de 1910, ao saber-se que o então chefe do governo, Teixeira de Sousa, tinha sido avisado do golpe republicano e pusera de prevenção as tropas leais à causa monárquica, a maioria dos chefes republicanos propôs um adiamento do golpe, ao que se opôs o Almirante Cândido dos Reis. Dado que era o chefe militar e principal dinamizador da revolta, a sua posição levou a que esta ocorresse.

Nos primeiros momentos da revolta de 5 de Outubro de 1910 o Dr. Miguel Bombarda, um dos chefes civis do golpe e senhor de muitos dos seus segredos, é atingido a tiro por um doente mental do Hospital de Rilhafoles.[2] Também a maioria das unidades militares comprometidas no movimento não chegou a revoltar-se e muitos oficiais do exército, julgando tudo perdido, haviam abandonado o entrincheiramento da Rotunda. Cândido dos Reis, pensando estar o golpe frustrado, não quis seguir para bordo de um dos navios que estava implicado no movimento. Despediu-se dos oficiais da Marinha mais próximos e horas depois era encontrado morto na Azinhaga das Freiras, tendo-se suicidado em consequência não só dos factos, mas também do seu temperamento hipocondríaco que lhe proporcionava crises de entusiasmo e de depressão frequentes.

O golpe acabou afinal por triunfar e poucas horas depois é proclamada solenemente a República do alto da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

O nome do Almirante Carlos Cândido dos Reis foi utilizado não só em ruas e avenidas, mas também para substituir o nome de “D. Carlos I”[2] no principal cruzador da esquadra portuguesa.
Miguel Bombarda:
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1851, então capital do Império do Brasil.
Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, tendo defendido uma tese sobre o “Delírio das Perseguições”.[1]

Dedicou-se, especialmente, às enfermidades do sistema nervoso, tendo, por este motivo, sido convidado para dirigir o Hospital de Rilhafoles[3] , posição que começou a ocupar em 1892[1] ; reorganizou e melhorou esta instituição

Aí exerceu igualmente as funções de cirurgião hospitalar, e ao reorganizar a sua gestão acabou por o dirigir, desde 1892.[1] . Foi, igualmente, médico no Hospital de São José.[1]

Publicou várias dezenas de volumes e cerca de meio milhar de ensaios, a debruçar-se sobre os problemas clínicos terapêuticos e sanitários[1] , e sobre a Psiquiatria.[3] Defensor do anticlericalismo e do monismo naturalista e materialista, provocou polémica quando editou o livro, A Consciência e o Livre Arbítrio, em 1897, e realizou várias conferências, como a Ciência e Jesuitismo, e a Réplica a Um Padre Sábio.

Elias Garcia

Fundou em 1854 o periódico O Trabalho, a primeira publicação abertamente republicana em Portugal. Foi Vereador e em 1878 Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, onde tem uma Avenida com o seu nome. Foi eleito Deputado Reformista a partir de 1870 e Deputado Republicano em 1890.

Foi Director da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses.
Membro da Maçonaria desde 1853, foi o 1.º e único Grão-Mestre interino, depois definitivo, da Federação Maçónica entre 1863 e 1869, 3.º e 5.º Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano de 1882 a 1884 e de 1887 a 1888 e 14.º Soberano Grande Comendador interino do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 3.º Grão-Mestre interino do Grande Oriente Lusitano Unido de 1884 a 1886 e 16.º Soberano Grande Comendador interino, depois definitivo, do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 5.º Grão-Mestre interino, depois definitivo, do Grande Oriente Lusitano Unido de 1887 a 1889.
Machado Santos

Machado Santos alistou-se na Armada Portuguesa em 1891 iniciando uma carreira de comissário naval que o levaria ao posto de comissário de 2.ª classe (segundo-tenente) aquando da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

Ainda durante a Monarquia já se tinha iniciado na Carbonária, afirmando-se como um conspirador inveterado, presente em todos os movimentos revolucionários que precederam a queda do regime, distinguindio-se na Revolta de 28 de Janeiro de 1908.

Jovem e de aspecto romântico, exercendo um importante papel de coordenação operacional do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, acabou catapultado pela imprensa para o papel de herói da Rotunda e pai da República. A sua incontestável heroicidade, principalmente quando organizou e manteve, perante o aparente fracasso da revolução, a resistência no alto da Avenida da Liberdade (a ‘’Rotunda’’)

Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, foi dos primeiros a manifestar sinais de desencanto face ao andamento da política na República, a qual se afastava rapidamente dos ideais de pureza republicana dos seus defensores iniciais. Funda então o jornal O Intransigente, que dirige, no qual expressa o seu desencanto.

Mantendo o fervor revolucionário e conspirativo do período anterior à implantação da República Portuguesa, passa da palavra aos actos, organizando ou participando nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar de 1916 e no golpe de 1917 que colocou Sidónio Pais no poder.

No Movimento das Espadas, quando vários oficiais militares descontentes com o estado do país tentaram simbolicamente entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga, teve um papel determinante, já que ao deslocar-se ao Palácio de Belém para entregar a espada que usara nos combates da Rotunda no dia 5 de Outubro de 1910, deitou por terra a acusação de pró-monárquicos com que o Partido Democrático (no poder) justificara a prisão dos oficiais amotinados.

Nesse mesmo ano foi preso e deportado para os Açores durante a ditadura de Pimenta de Castro.

Durante a ditadura de Sidónio Pais foi feito senador e ocupou as funções de secretário de Estado das Subsistências e Transportes e secretário de Estado do Interior (título usado pelos ministros do governo sidonista), mas entrou em ruptura com Sidónio Pais.

Em 1919, durante a Monarquia do Norte, voltou a salvar a República ao contribuir para a derrota do grupo de revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto.
Ainda lança o Partido da Federação Republicana, com que pretende continuar a sua intervenção política, mas acaba por se retirar da vida política. Morreu assassinado na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara. Foi vice-almirante, agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a título póstumo, a 4 de Setembro de 1926.


virar à direita (?)

Heliodoro Salgado

Apesar de ter obtido habilitação para o magistério primário, cedo enveredou pelo jornalismo, trabalhando em O Operário, um periódico de tendências socialistas, ligado ao Partido dos Operários Socialistas, de que era militante. Foi-se progressivamente aproximando do campo republicano, ao qual aderiu publicamente na sequência do movimento de repúdio nacional desencadeado pelo ultimato britânico de 1890. Nas eleições gerais de 30 de Março de 1890, foi candidato a deputado integrado na lista republicana apresentada no círculo eleitoral do Porto, mas não foi eleito, obtendo uma votação decepcionante.[3]

Nos seus escritos, dispersos por dezenas de periódicos, demonstrou grande sensibilidade para as questões sociais, defendendo a instrução popular e a melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras. A sua escrita apresenta grande acutilância, razão pela qual a sua publicação foi por diversas vezes alvo da censura e levou a que fosse em diversas ocasiões preso

Era também tido como um grande orador, com participação frequente nos comícios organizados pelos republicanos.

Considerado como o protótipo do proletário intelectual[4] e um dos progenitores do anarquismo intervencionista,[5] manteve-se afastado dos partidos políticos, que considerava improgressivos como congregações. O seu forte pendor anticlerical e anticatólico, bem patente nos seus escritos, fizeram dele uma personalidade controversa na sociedade portugues

Possuía profundos conhecimentos sobre temas religiosos e manteve contacto com diversas personalidade portuenses que pretendiam uma reforma da Igreja Católica Portuguesa, na linha da Reforma Protestante, tendo mesmo colaborado no periódico Reforma com várias figuras republicanas do Porto, entre as quais Emídio de Oliveira e Latino Coelho.

Mudou-se em 1897 para Lisboa, complementando a actividade de jornalista com o ensino do Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre. Logo em 1898 passou a integrar a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, como suplente, sendo pouco depois eleito presidente do Centro Republicano Pátria e membro da assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Foi redactor do jornal O Século, quando Magalhães Lima foi director daquele periódico, e colaborou de quase todos os jornais republicanos do seu tempo, tendo sido redactor de muitos e até fundador de alguns. No jornal O Mundo usou os pseudónimos de Ivanhoé e Ismael.
Republicano e livre-pensador, em 1890 foi iniciado na Maçonaria com o nome simbólico de Lutero,

Faleceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1906, com apenas 45 anos de idade. Tendo-se espalhado o boato de que teria sido assassinado em resultado do seu anticlericalismo, o seu enterro, realizado a 14 de Outubro, o domingo seguinte ao dia da sua morte, foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas de todas as classes sociais, numa afirmação do valor e apreço em que era tido.

Graal 3202

Segundo a lenda, José de Arimateia teria recolhido no ‘Cálice usado na Última Ceia (o Cálice Sagrado), o sangue que jorrou de Cristo quando ele recebeu o golpe de misericórdia, dado pelo soldado romano Longinus, usando uma lança, depois da crucificação.

Entretanto existem evidências da existência do Santo Graal antes mesmo do cristianismo, e ainda afirma que apesar das diferentes referências cristãs, a própria Igreja Católica nunca levou a sério esta lenda. A origem da lenda celta é de um século antes de Cristo. Os celtas eram guerreiros impiedosos, tanto as mulheres como os homens e costumavam decapitar os mortos, pois assim acreditavam que eles não poderiam ressuscitar. Este acto impiedoso se fundamenta na lenda de um caldeirão mágico onde pessoas mergulhadas nele voltavam a vida. Arqueólogos encontram um túmulo de um príncipe com um enorme caldeirão (grande o suficiente para uma pessoa caber dentro), com figuras de homens que eram mergulhados no caldeirão e voltavam a vida.

Em outra versão da lenda, teria sido a própria Maria Madalena que teria ficado com a guarda do cálice e o teria levado para a França, onde passou o resto de sua vida.

A lenda tornou-se popular na Europa nos séculos XII e XIII por meio dos romances de Chrétien de Troyes, particularmente através do livro “Le Conte du Graal” publicado por volta de 1190, e que conta a busca de Perceval pelo cálice.

Mais tarde, o poeta francês Robert de Boron publicou Roman de L’Histoire du Graal, escrito entre 1200 e 1210, que tornou-se a versão mais popular da história e já tem todos os elementos da lenda como a conhecemos hoje.

Na literatura medieval, a procura do Graal representava a tentativa por parte do cavaleiro de alcançar a perfeição. Em torno dele criou-se um complexo conjunto de histórias relacionadas com o reinado de Artur na Inglaterra, e da busca que os Cavaleiros da Távola Redonda fizeram para obtê-lo e devolver a paz ao reino. Nas histórias misturam-se elementos cristãos e pagãos relacionados com a cultura celta.

A presença do Graal na Inglaterra é justificada por ter sido José de Arimateia o fundador da Igreja Inglesa, para onde foi ao sair da Palestina.

Segundo algumas histórias, o Santo Graal teria ficado sob a tutela da Ordem do Templo, também conhecida como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão ou Ordem dos Templários, instituição militar-religiosa criada para defender as conquistas nas Cruzadas e os peregrinos na Terra Santa. Alguns associam aos templários a irmandade que Wolfram cita em “Parzifal”.

Segundo uma das versões da lenda, os Templários teriam levado o cálice para a aldeia francesa de Rennes-Le-Château. Em outra versão, o cálice teria sido levado de Constantinopla para Troyes, na França, onde ele desapareceu durante a Revolução Francesa.

A etimologia do Santo Graal tem inúmeras procedências, dentre as quais compara-se San Graal com SanG Real em referência ao imaculado sangue de Cristo coletado em um gradalis – cálice em latim. Com o brilho resplandecente das pedras sobrenaturais, o Graal, na literatura, às vezes aparece nas mãos de um anjo, às vezes aparece sozinho, movimentando-se por conta própria. Porém, a experiência de vê-lo só poderia ser conseguida por cavaleiros que se mantivessem castos.

Transportado para a história do Rei Arthur, onde nasce o mito da taça sagrada, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, fato que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

Golgotá 2815
 
O Calvário é mencionado em todos os quatro evangelhos quando relatam a crucificação de Jesus: «E eles chegaram a um lugar chamado Gólgota, que significa o Lugar da Caveira.» (Mateus 27:33), «E eles levaram-no ao lugar chamado Gólgota, que é traduzido por Lugar da Caveira.» (Marcos 15:22), «Então eles chegaram ao lugar chamado de Caveira.» (Lucas 23:33) e «E carregando ele mesmo a sua cruz, saiu para o assim chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.» (João 19:17).

Lugar alternativo do Monte Gólgota, a leste de Jerusalém, próximo ao Jardim do Túmulo
O Novo Testamento descreve o Calvário como “perto de Jerusalém” (João 19:20), e fora das muralhas da cidade (Hebreus 13:12). Isso está de acordo com a tradição judia, em que Jesus foi também enterrado perto do lugar de sua execução.

O imperador Constantino construiu a Igreja do Santo Sepulcro sobre o que se pensava ser o sepulcro de Jesus entre 326 e 335, perto do lugar do Calvário. De acordo com a tradição cristã, o Sepulcro de Jesus e a Verdadeira Cruz foram descobertos pela imperatriz Helena de Constantinopla, mãe de Constantino, em 325. A igreja está hoje dentro das muralhas da Cidade Antiga de Jerusalém, após a expansão feita por Herodes Agripa em 41-44, mas o Santo Sepulcro estava provavelmente além das muralhas, na época dos eventos relacionados com a vida de Cristo.

Dentro da Igreja do Santo Sepulcro há uma elevação rochosa com cerca de cinco metros de altura, que se acredita ser o que resta visível do Calvário. A igreja é aceita como o “Sepulcro de Jesus” pela maioria dos historiadores e a pequena rocha dentro da igreja como o local exato do Monte Calvário, onde a cruz foi elevada para a crucificação de Jesus.

O Jardim do Túmulo fica ao norte do Santo Sepulcro, localizado fora da atual Porta de Damasco, em um lugar certamente utilizado para enterros no período bizantino. O jardim tinha uma penhasco com dois grandes buracos fundos, que o povo dizia serem os olhos da caveira.

Barão de São Clemente 2748
 
Barão (feminino: baronesa) é um título nobiliárquico existente em muitas monarquias, sendo imediatamente inferior a visconde e superior a baronete ou a senhor. A palavra barão provém do franco baro, em alemão senhor, cavalheiro ou guerreiro, mas também pode significar gabarola.

visconde de sousa prego 2932
 
Anteriormente tinha a dignidade de visconde o substituto do conde no governo do condado ou o filho herdeiro do conde enquanto não sucedia no condado, sendo-lhe confiada antecipadamente uma porção do feudo.

Passou depois o título de visconde a ser outorgado como dignidade honorífica autónoma, hierarquicamente inferior a conde e superior a barão.

Raramente concedido durante os séculos XV, XVI, XVII e XVIII, foi durante o Liberalismo no século XIX outorgado com maior frequência, embora geralmente por apenas uma ou duas vidas, tornando-se o título nobiliárquico português com maior número de criações.

 
 
Neomanuelino
 
O estilo neomanuelino foi uma corrente revivalista que se desenvolveu dentro da arquitectura e das artes decorativas portuguesas entre meados do século XIX e o início do século XX. É a principal forma de arquitectura do romantismo português devido, essencialmente, à tendência romântica em assumir carácter nacionalista na construção de grandes edifícios públicos. Está para a arquitectura portuguesa do século XIX como o neogótico para a restante Europa. O nome deriva da junção das palavras neo, “novo” em grego, e manuelino. A historiografia da arte dava então os seus primeiros passos e o nome “manuelino”, ligando o estilo à produção artística do reinado de D. Manuel I (1495-1521), foi introduzido em 1842 pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

Os primeiros anos do século XIX são muito complexos, devido essencialmente à sucessão de problemas políticos, nomeadamente a fuga da família real para o Brasil em 1807, devido às invasões francesas, posterior/consequente domínio inglês, revolução liberal em 1820, regresso da família real em 1821, independência do Brasil, a perda do comércio colonial com a antiga colónia em 1822 (dramático golpe na economia portuguesa), contrarrevolução absolutista e, finalmente, guerras liberais, conservando a instabilidade até 1834.

Esta conjuntura só permitiu o desenvolvimento de condições propícias à eclosão de um novo estilo artístico, o romantismo, no final dos anos 30 do século XIX. Apesar de em Portugal surgir relativamente cedo na literatura, em finais do século XVIII com alguns pré- românticos, nas restantes formas artísticas desenvolve-se apenas com o impulso de dado por D. Fernando II, marido de D. Maria II, ao iniciar a construção do Palácio Nacional da Pena, após a estabilização da conjuntura nacional.

Em toda a Europa a arquitectura romântica copia os estilos do passado, principalmente o gótico, mas também o românico e o renascimento, bem como as arquitecturas árabe e bizantina, reflectindo o crescente interesse pela história. 

Em Portugal a situação é diferente. O gótico português segue a corrente mendicante, ou seja, adopta os princípios ideológicos das ordens mendicantes, baseados na simplicidade e recusa de toda a ostentação ou de todo o luxo, com características próprias, sem copiar a arquitectura francesa, modelo seguido na época pela generalidade dos países europeus. Os edifícios de grande aparato, cobertos de decoração tipicamente gótica, são um pouco mais tardios e, muito frequentemente, fazem a transição para o manuelino, como o Mosteiro da Batalha ou o Convento de Cristo em Tomar. O facto de o manuelino coincidir com o reinado de D. Manuel I, logo com o período mais importante das descobertas, disponibilizando grandes quantidades de capital utilizado generosamente em edifícios religiosos, tornando este estilo muito decorado e original, também é fundamental. Quando a sensibilidade romântica se vira para o passado, procurando referências nacionalistas, obviamente elege o manuelino como expressão máxima da criatividade arquitectónica portuguesa, baseando-se no argumento de ser uma arquitectura puramente nacional.

O neomanuelino é uma arquitectura revivalista, tipicamente romântica, copiando os aspectos mais superficiais da decoração manuelina, aplicada em edifícios adaptados às necessidades do seu tempo. Recorre aos progressos técnicos surgidos com a revolução industrial, tanto ao nível de materiais como de máquinas, escondendo construções modernas, frequentemente com estruturas metálicas (a vanguarda da época). Utiliza todo o tipo de inovações como o tijolo ou revestimentos cerâmicos industriais, preservando, sempre que possível, questões básicas, desenvolvidas no neoclassicismo, como a funcionalidade e a rentabilidade da arquitectura, simplesmente adaptados a outra estética. Segue as grandes construções manuelinas como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, Mosteiro da Batalha e Convento de Cristo em Tomar, imitando apenas os motivos decorativos mais evidentes. Na verdade nem se preocupa em copiar fielmente as formas originais. Baseia-se essencialmente na diversidade de arcos, cordas, elementos vegetalistas, cinturões, fivelas, pináculos, contra-fortes e escultura. Concentra a decoração em torno de portas e janelas, como os edifícios originais, mas não tenta copiar os complexos programas iconográficos do manuelino.

Principais edifícios

Palácio Nacional da Pena em Sintra – Aparatoso edifício revivalista no cimo da serra de Sintra, integrado num enorme parque ao estilo inglês (designação da tipologia de jardins que copiam a natureza), com um enquadramento paisagístico verdadeiramente único.

Arranjo da fachada do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa – A fachada principal do mosteiro foi sujeita a obras de restauro e regularização entre 1867 e 1878, segundo projecto de Cinatti e Rambois, incluindo a construção de um corpo central com torre (cai em 1878 durante as obras) e uma nova ala destinada à Casa Pia, onde actualmente se encontra o Museu da Marinha. A corpo central será acabado apenas no início do século XX, seguindo um projecto elaborado em 1895 por Domingos Parente da Silva, eliminando a torre central e simplificando o conjunto.
Estação do Rossio em Lisboa – Edifício concebido pelo arquitecto José Luís Monteiro, em 1886, destinado a ser a estação central de Lisboa, seguindo a tendência europeia de construir estações de caminhos-de-ferro verdadeiramente impressionantes. É constituído por uma espectacular fachada neomanuelina, com arcos, pilastras, contrafortes, platibandas, pináculos e um pequeno torreão com o relógio. Fazem parte do conjunto a cobertura da gare, em arquitectura do ferro, seguindo a estética clássica, e um hotel de luxo, como complemento da estação de caminhos-de-ferro, executado segundo o gosto eclético do final do século XIX.
Palácio Hotel do Bussaco – No meio da Mata Nacional do Buçaco e próximo das Termas do Luso, foi pensado para pavilhão de caça dos reis de Portugal e, posteriormente, em 1888 transformado em hotel, segundo projecto de Luigi Manini.
Quinta da Regaleira em Sintra – É um dos edifícios mais tardios do neomanuelino. O actual edifício foi iniciado em 1904, segundo projecto de Luigi Manini, remodelando a anterior edificação. Recorre a um conjunto decorativo impressionante, baseado em arcos, cordas, platibadas, pináculos e elementos vegetalistas. Todo o conjunto possui referências à maçonaria.
Pirâmide Pizani
Pirâmide: Simboliza a Eternidade. Acreditava-se que uma pirâmide no túmulo, impedia que o Diabo se aproximasse.
Ouroboros em 668

Ouroboros (ou oroboro ou ainda uróboro) é um símbolo representado por uma serpente, ou um dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego antigo: οὐρά (oura) significa “cauda” e βόρος (boros), que significa “devora”. Assim, a palavra designa “aquele que devora a própria cauda”. Sua representação simboliza a eternidade. Está relacionado com a alquimia, que é por vezes representado como dois animais míticos, mordendo o rabo um do outro.

Segundo o Dictionnaire des symboles [1] o ouroboros simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as ideias de movimento, continuidade, auto fecundação e, em consequência, eterno retorno.

Aforma circular do símbolo permite ainda a interpretação de que a serpente figura o mundo infernal, enquanto o mundo celeste é simbolizado pelo círculo. 

Para alguns autores, a imagem da serpente mordendo a cauda, fechando-se sobre o próprio ciclo, evoca a roda da existência. A roda da existência é um símbolo solar, na maior parte das tradições. Ao contrário do círculo, a roda tem certa valência de imperfeição, reportando-se ao mundo do futuro, da criação contínua, da contingência, do perecível. 

voltar à rua

2272 conde calhariz de benfica
3578 antiga grafia pre separação brasil em Antonio Alves Rebelo (jornalista)
virar à direita
 
Augusto José Vieira 
Associação registo civil
A Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento, de cariz maçónica, é fundada a 5 de Agosto de 1895 [existia já a Associação Promotora do Registo Civil, criada a 18 de Novembro de 1876, de combate ao clericalismo e ao fanatismo religioso e em defesa do estado laico
Em 1911 alterou o nome para Associação Propagadora da Lei do Registo Civil.
Em 1908 realizou-se [na Caixa Económica Operária] o I Congresso Nacional do Livre Pensamento, promovido pela Associação, em Lisboa [de 19 a 22 de Abril], onde é evidente a “luta” pelo registo civil obrigatório [o processo do registo civil inicia-se em 1832 (16 de Maio) por intermédio de Mouzinho da Silveira, sendo depois passado a lei em 1878 (através de Barjona de Freitas). Porém o registo civil obrigatório só virá a acontecer com o Código do Registo Civil, de 18 de Fevereiro de 1911, e onde são “criadas as Conservatórias do Registo Civil em todo o país e instituído o registo obrigatório que substituía (…) os registos paroquiais de Baptismo, Casamento e Óbito” – cf. Boletim do Arquivo Torre do Tombo. Tal mudança, seguida pela promulgação da Lei da Separação das Igrejas do Estado, de 20 de Abril de 1911, foi, de imediato, condenada pelos membros do clero e objecto de uma curiosa encíclica, de resistência às Leis, pelo Papa Pio X]. A 2 de Agosto de 1909, a Associação participa na grandiosa [100.000 pessoas] manifestação anticlerical, de Lisboa. Em 1912 (14 de Janeiro) promove uma manifestação anticlerical, de apoio à lei de Separação.

Em 1910 tinha “3544 sócios” e em 1913 “6009”. Teve a Associação um actividade cívica, cultural e benemérita de Instrução assinalável, tendo sido considerada de utilidade pública em 1926. A Associação foi administrativamente extinta e encerrada em 1938.

Heliodoro Salgado
 
Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890.
 Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeram-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. A primeira vez que foi detido foi em 15 de Agosto de 1891 e outras já fomos fazendo referência nas Efemérides mensais que temos vindo a publicar.

“Protótipo do proletário intelectual”[David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente.
Considerado”um dos progenitores do anarquismo intervencionista” [António Ventura, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000, p.193-205], manteve-se ao longo da vida um “franco-atirador” que considerava: “os partidos políticos são, como as religiões, inimigos da novidade. São improgressivos como congregações. Os seus dogmas chamam-se programas. Cada artigo do programa é um artigo de fé.”[Como estas palavras ainda hoje mostram a sua validade! Talvez ainda mais que no passado.] A dimensão e complexidade do seu pensamento pode ser acompanhado no trabalho supra referido, embora seja de destacar a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre este autor socialista, republicano e anarquista.

A partir de 1897 instala-se em Lisboa e, logo no ano seguinte, integra a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, ainda que como suplente. Preside também ao Centro Republicano Pátria e à Assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Dedicava-se à actividade lectiva de Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre para conseguir alguns proventos para sobreviver em termos materiais.

Assumindo-se desde bastante jovem como republicano e livre-pensador. Foi iniciado na Maçonaria em 1890, com o nome simbólico de Lutero, na Loja Obreiros do Trabalho, de Lisboa, pertenceu depois às lojas União Latina, do Porto (1893) e Elias Garcia, de Lisboa (1897). Foi ainda secretário do Vintém das Escolas e redactor da respectiva publicação. Foi um dos participantes na Conferência Nacional Maçónica da Figueira da Foz em Setembro de 1906.

G da Maçonaria
 
Vários autores apontam vários significados, muitos dos quais absurdos: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Gama, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibaltrar, etc. Há ainda aqueles autores que, sem conseguirem se aprofundar na pesquisa sobre o tema, preferem afirmar que o verdadeiro significado do “G” é um grande mistério maçônico, talvez nunca revelado. Uma desculpa um tanto quanto poética. A letra G é um daqueles tantos símbolos que sobrevivem aos séculos mas, infelizmente, perdem seu significado original, ganhando vários outros significados ao longo do tempo. E vez ou outra, um desses significados novos prevalece, sepultando de uma vez por todas o original. Séculos atrás, conhecimento era algo raro, reservado a pequena parcela da população, restrito aos poucos com berço ou condições financeiras para tanto. Naqueles tempos, a Geometria era tida quase como uma ciência sagrada, mãe da arquitetura e da construção, sem a qual as Catedrais não podiam ser planejadas e concluídas. As crianças não aprendiam Geometria nas escolas, como ocorre atualmente. Apenas aqueles que trabalhavam com construções aprendiam tais lições. Em resumo, a Geometria era a ciência do maçom operativo, uma ciência que os distinguia dos demais, que tornava possível a execução da Arte Real, que levanta templos às virtudes. A presença do “G” no Templo é representativo da Geometria como a ciência maçônica; como foco do estudo, conhecimento e prática do trabalho maçônico; e principalmente como origem da Arte Real, base para o uso de todas as ferramentas do maçom. Esse significado pode ser comprovado em todos os antigos Catecismos Maçônicos que se tem conhecimento. A letra “G” definitivamente não é “God” ou qualquer outro nome relacionado ao Grande Arquiteto do Universo. Apenas nas línguas anglo-saxãs, a palavra referente a Deus começa com “G”, enquanto que o uso do “G” também sempre constou nos países de línguas latinas. Se “G” fosse God (inglês e holandês) ou Gott (alemão), então nos países como França, Espanha, Itália e Portugal utilizariam um “D”: Dieu (francês), Dios (espanhol), Dio (italiano) e Deus (português). E isso não aconteceu e não acontece, nem nesses países e nem nos que adotam as línguas latinas. Já a palavra “Geometria” mantém sua letra inicial tanto nas línguas anglo-saxãs como nas latinas: Geometry (inglês), Geometrie (holandês e alemão), Géométrie (francês), Geometría (espanhol), Geometria (italiano e português). O surgimento de novos significados para o “G” foi surgindo entre o século XVIII e XIX, quando os intelectuais-maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc), criando novos rituais e ritos. Ao indicar num mesmo ritual que uma única letra tem 07 diferentes significados, não relacionados entre si, os “sábios da maçonaria” daquela época, assim como os de hoje, revelam uma informação importantíssima a todo maçom estudioso: na tentativa de “florear” nossa simbologia, se mostram grandes incoerentes. Sim, “G” é apenas “Geometria”. Pode não parecer muita coisa hoje, mas na época era. – See more at: http://www.noesquadro.com.br/2011/10/letra-g-na-maconaria.html#sthash.CRILvs2F.dpuf
#SabiaQue o poema adoptado em 1911 como hino nacional era parte de uma “revista à portuguesa” que subiu à cena num teatro perto da Praça da Alegria pouco depois de Inglaterra nos ter enviado o Ultimatum?…
Monumento ao tarrafal
 
(romaria em abril e 1 de maio)
A Colónia Penal do Tarrafal, situada no lugar de Chão Bom do concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), foi criada pelo Governo português do Estado Novo ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26 539, de 23 de Abril de 1936[1] .

Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande (37) e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo em 8 de Setembro daquele ano de 1936.

O Campo do Tarrafal, ou Campo de Concentração do Tarrafal, como ficou conhecido, começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936, com a chegada dos primeiros prisioneiros.

 
Graal no 5087
 
Monumento aos combatentes
campas anónimas
canhões com delfins
Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de acordo com as orientações da República ainda recentemente instaurada.

A Inglaterra, que mantinha desde há muito uma aliança com Portugal, moveu influências para que o país não participasse activamente na Guerra. O Partido Democrático, então no poder, movido também pelo facto de já existirem combates entre tropas portuguesas e alemãs junto às fronteiras das colónias em África, desde cedo demonstrou interesse em tornar-se parte beligerante do conflito. Em Setembro de 1914 eram enviadas as primeiras tropas para África onde as esperariam uma série de derrotas perante os alemães, na fronteira do sul de Angola com o Sudoeste Africano Alemão e na fronteira norte de Moçambique com a África Oriental Alemã. Apesar destes combates, a posição oficial do Estado português era claramente ambígua. Os partidos de cariz esquerdista estavam ao lado dos regimes da França e da Inglaterra, enquanto que os da direita simpatizavam-se com os regimes das potências centrais (Alemanha e Austro-Hungria). Porém, a questão que se colocava era se Portugal entraria na guerra ou não, já que a entrada de Portugal na guerra seria sempre ao lado da Inglaterra e França. O regime republicano decidiu-se a optar por uma tomada de posição activa na guerra devido a várias razões:

Com vista à manutenção das colónias, de modo a poder reivindicar a sua soberania na Conferência de Paz que se adivinhava com o final da guerra;

A necessidade de afirmar o prestígio e a influência diplomática do Estado republicano bem como a sua legitimação no seio das potências europeias, maioritariamente monárquicas;
A crença de que era imperativo entrar na guerra pelo progresso nacional, ao lado das democracias;
Compromisso de aliança com a Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, e afirmação de autonomia de Portugal nas questões bilaterais com a Inglaterra;
Travar a influência alemã nas populações indígenas no sul de Angola e norte de Moçambique e evitar insurreições locais contra o domínio português;
Defender as colónias de uma possível penetração militar alemã que, de resto, se estava a materializar através de escaramuças fronteiriças desde o início da guerra;
A necessidade, por parte do Partido Democrático de Afonso Costa, então no poder, de afirmar o seu poder político, ao envolver o país num esforço colectivo de guerra, tanto em relação à oposição republicana quanto em relação às influências monárquicas no exílio.

No entanto, o principal oponente à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial foi a Inglaterra. Em Fevereiro de 1916, o antigo aliado português decidiu pedir ao Estado português o apresamento de todos os navios alemães e austro-húngaros que estavam ancorados na costa portuguesa. Esta atitude justificou a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de Março de 1916 (apesar dos combates em África desde 1914).

Em 1917, as primeiras tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português, seguiam para a guerra na Europa, em direcção à Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates na França.

Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos económicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os objectivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados na sua totalidade. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926.

voltar para tras e descer
1914-1918
canhões do arsenal de Lisboa de 1793 e 1784
guerra colonial ao fundo
arsenal real
subir até saída
FIM

Notas Soltas:

desembarque do Mindelo

A esquadra organizada por D. Pedro IV, contava com 60 navios, cerca de 8.300 homens, sob o comando do almirante britânico George Rose Sartorius.

Deles desembarcaram cerca de 7.500 homens que viriam a ficar conhecidos pela designação de “Bravos do Mindelo”. Entre eles contavam-se muitos mercenários e auxiliares, ingleses, franceses, belgas, polacos, italianos, alemães e espanhóis, excedendo a 6.600 estrangeiros, que representavam mais de 80% do total das tropas.

Os nacionais constituíam três batalhões de Infantaria, um regimento provisório de Infantaria, quatro batalhões de Caçadores, um batalhão de Artilharia, o batalhão de voluntários de D. Maria II, o Batalhão dos Académicos (de que fazia parte Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António Aguiar), um batalhão só de Oficiais, um corpo de Guias, um corpo de Engenheiros e três embriões de corpos de Cavalaria.

Ao anoitecer do dia 7 de julho de 1832 instalou-se o pânico entre as forças militares e as autoridades absolutistas do Porto: a esquadra liberal estava à vista, para grande surpresa dos miguelistas que nunca haviam previsto uma invasão por este ponto do país. No entanto, D. Pedro avançou com a sua armada em direção a Vila do Conde, local onde planeara o desembarque.

A escolha deste local, que perpetuou historiograficamente esta operação militar como “Desembarque do Mindelo”, deveu-se ao facto de nele se poder realizar esta operação com facilidade e segurança, uma vez que o mar se apresentava “bastante profundo quase até à areia”.

O desembarque foi rápido e não encontrou qualquer tipo de resistência, sendo, de imediato, tomados os pontos estratégicos da região.

As estradas que ligavam o Porto a Vila do Conde encontravam-se igualmente tomadas e os liberais estavam também em condição de observar as movimentações que as forças absolutistas estacionadas em Leça realizariam.

O desembarque permitiu às forças liberais tomar a cidade do Porto no dia 9 de julho de 1832, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cerco do Porto.

D. Miguel acabou por capitular em 1834, com a Concessão de Évora Monte, abrindo caminho à implantação definitiva do Liberalismo.

Coroa de Flores Significa Respeito.

Cruz e Âncora: Esta combinação refere-se a fé em Cristo. Neste caso, Cristo é a âncora (segurança) da alma.

Acácia: Simboliza a imortalidade da alma.

Flor-de-lis: Significa chama, paixão e ardor.

Papoila: É uma alusão a morte, ou sono eterno da paz.

Rosa: A rosa vermelha representa o martírio de Cristo, e a rosa branca significa pureza e virgindade. Rosas entrelaçadas significam um forte elo afetivo entre o falecido e um familiar (mãe e filho, por exemplo). Um ramalhete de rosas indica beleza e virtudes que o falecido possuia.

Grinalda – Guirlanda: O uso de grinaldas e guirlandas tem origem na civilização grega. Geralmente representa a vitória, ou redenção no cristianismo. A grinalda de louro é encontrada em túmulos daqueles que atingiram destaque nas artes ou na carreira militar. A grinalda de hera simboliza alegria e jovialidade. A Grinalda nupcial é encontrada no túmulo de um jovem noivo, ou noiva. A grinalda adornada com um livro e uma luva, era usada nos túmulos de jovens moças. A grinalda de rosa representa a beleza e virtudes do falecido.

Crânio: No século XVII, o crânio foi esculpido de perfil associado a um fêmur, ou frontal sobreposto aos ossos cruzados. É muito comum encontrá-lo acompanhado da inscrição latina Memento Mori, ou Lembra-te que hás de morrer.  Em todas as representações, é mais uma variação da morte personificada.

Acanto: Representa o Jardim Divino, ou o Jardim do Céu.

Cardo: Está associado à tristeza. Também é uma variação da coroa de Cristo; ou representa a

Cachorro – Cervo: Significam lealdade e fidelidade.

Ampulheta: Retratada na posição horizontal ou vertical, simboliza o transcurso e o escoamento do tempo de vida. A ampulheta flamejante significa a Eternidade. Também é encontrada associada à crânios e asas.

Cadeira: Uma cadeira desocupada está associada a morte de uma criança. Simboliza o vazio deixado na vida dos familiares.

Bíblia: A Bíblia é encontrada aberta, representando uma pessoa religiosa.

Livro: O livro possui vários significados: pode representar o Livro da Vida; o aprendizado; o Conhecimento ou memória do falecido.

Tocha: É um dos emblemas da traição, e assim está ligada à crucificação (paixão de Cristo).  Uma tocha invertida significa a morte.

Trompete: Geralmente é encontrado sendo tocado por Anjos, significando o Chamado do Juízo Final.
Palma: Para os antigos romanos é símbolo de vitória. Para os cristãos, significa a glorificação celestial, representando o triunfo dos mártires sobre a morte. Quando Cristo segura um ramo de palmeira significa sua vitória sobre o pecado e a morte.
Maçonaria
 

Maçonaria, forma reduzida e usual de franco-maçonaria,[2] é uma sociedade discreta e por essa característica, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam.[3]

A maçonaria é, portanto, uma sociedade fraternal,[8] que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raçareligião,[8] ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição,[8] aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinasateliers ou (como são mais conhecidas e designadas) lojas.

Existem no mundo aproximadamente 3,6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes: 1,5 milhão nos Estados Unidos (em 1965 eram cerca de 4 milhões); 250 mil na Inglaterra. 170 mil no Brasil e 1,6 milhão no resto do mundo (dados de 2008).[1]

 
Três Pontos
Nós, maçons, utilizamos após algumas letras três pontos em forma triangular. Essa maneira de pontuar é adotada principalmente como uma forma de abreviação de palavras de uso constante.
Xenofonte, servia-se de signos particulares para reter o conhecimento das palavras proferidas por Sócrates. As abreviaturas eram tão comuns nos manuscritos do século VI que o Imperador Justiniano foi obrigado a proscrevê-las.

Do mesmo modo, a partir do século X, as abreviações eram tão utilizadas que em 1304, Filipe O Belo, rei da França, publicou uma ordenação para proibir em atas notariais e nos autos jurídicos o uso de abreviaturas. Os três pontos utilizados na maçonaria têm, portanto, sua origem nas abreviaturas, tradição antiguíssima que foi trazida até nós ao longo dos anos. Dessa forma, inicialmente, o emprego da abreviatura em documentos maçônicos deve ter sido sugerido pela preocupação como segredo.

Assim, os três pontos tornaram-se, um símbolo maçônico, o símbolo da DISCRIÇÃO, o que constantemente é trazido à lembrança de nós maçons no momento em que apomos nossas assinaturas em qualquer documento.

Ao mesmo tempo em que os três pontos, na forma de triangulo eqüilátero, produzem o triangulo, primeira figura das superfícies geométricas e aquela de deu origem a trigonometria, base de todas as medidas. Os simbolistas dão ao triangulo a idéia de eternidade ou de Deus, sendo que os três ângulos significam para eles Sabedoria, Força e Beleza atributos de Deus.

Esse símbolo pode representar também o Sal, o Enxofre e o Mercúrio que, segundo os hermetistas2, eram os princípios da obra de Deus, ou ainda, representa as três fases da revolução perpétua: nascimento, vida e morte.

Nesse sentido o triangulo, a mais simples das figuras geométricas, tornou-se a representação gráfica da idéia ternária a qual está ligada a: (i) pai, mãe e filho; (ii) passado, presente e futuro; (iii) dia, noite e aurora; (iv) sentir, pensar e agir; (v) vontade, sabedoria e inteligência. Destaca-se ainda a existência de centenas de ternários.

Ao colocar os três pontos após o seu nome, a Maçonaria pretende relembrar cada maçom dos compromissos assumidos no dia de sua Iniciação, em particular, do juramento prestado.

Guerra Peninsular
A Guerra Peninsular (1807–1814) foi um conflito militar entre o Primeiro Império Francês e os seus aliados do Império Espanhol, contra a aliança do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e do Reino de Portugal pelo domínio da península Ibérica durante as Guerras Napoleónicas. O conflito teve início quando os exércitos franceses e espanhóis invadiram e ocuparam Portugal em 1807, tendo voltado em 1808 após a França se ter voltado contra a Espanha, sua aliada até então. A guerra prolongou-se até à derrota de Napoleão pela Sexta Coligação em 1814, sendo vista como uma das primeiras guerras de libertação nacional e significativa na emergência da guerrilha em grande escala.

A guerra peninsular coincide com o que os historiadores hispanófilos denominam “Guerra de Independência Espanhola”, a qual teve início com o levantamento de dois de maio de 1808 e terminou em 17 de abril de 1814. A ocupação francesa destruiu o governo da Espanha, que se fragmentou em diversas juntas provinciais que se disputavam entre si. Em 1810, o reconstruído governo de nacional, as Cortes de Cádis, fortificou-se em Cádis, embora não tenha conseguido reorganizar o exército devido ao cerco de mais de 70.000 soldados franceses. Eventualmente, as forças britânicas e portuguesas asseguraram o controlo de Portugal, usando o país como ponto de partida de campanhas contra o exército francês e para o abastecimento das tropas espanholas. Ao mesmo tempo, o exército e as guerrilhas espanholas empatavam um número considerável de tropas napoleónicas. As forças aliadas, tanto regulares como irregulares, impediram os marechais franceses de subjugar as províncias espanholas rebeldes ao restringir o domíno territorial francês, fazendo com que a guerra se prolongasse por vários anos de empate.

Os longo período de combate em Espanha representou um fardo pesado para a Grande Armée francesa. Embora os franceses obtivessem vitórias em batalha, as suas comunicações e linhas de abastecimento eram sistematicamente sabotadas e as suas unidades eram frequentemente isoladas, assediadas ou dominadas por partisans que praticavam uma guerrilha intensiva de raides e emboscadas. Embora os exércitos espanhois fossem sucessivamente derrotados e empurrados para a periferia, reagrupavam-se e perseguiam incessantemente os franceses.[1] [2]

As forças britânicas, sob o comando de Arthur Wellesley, organizaram diversas campanhas contra os franceses em Espanha com o apoio português. O exército português, desmoralizado na sequência das invasões napoleónicas, foi reorganizado e reequipado sob o comando do general William Carr Beresford.[3] Carr fora nomeado comandante-chefe das forças portuguesas pela família real no exílio, combatendo integrado no exército anglo-português sob o comando de Wellesley. Em 1812, quando Napoleão partiu com grande parte do exército francês para a desastrosa campanha de conquista da Rússia, um exército conjunto aliado liderado por Wellesley entrou em Espanha e conquistou Madrid. Perseguido pelo exército espanhol, britânico e português e sem apoio de França, o marechal Nicolas Jean de Dieu Soult bateu em retirada, guiando o desmoralizado e exausto exército francês pelos Pirenéus durante o inverno de 1813-14.

A guerra e a revolução contra a ocupação napoleónica levaram à redação da Constituição espanhola de 1812, um marco do liberalismo europeu.[4] No entanto, o esforço de guerra destruiu o tecido social e económico de Portugal e Espanha e provocou um período de instabilidade social e política e estagnação económica. Neste período, desencadearam-se na península diversas e devastadoras guerras civis entre facções liberais e absolutistas, lideradas por oficiais treinados na guerra peninsular, e que se prolongaram até à década de 1850. As sucessivas crises provocadas pela invasão, revolução e restauração precipitaram a independência de grande parte das colónias espanholas e a independência do Brasil de Portugal.

Alfa e Omega

Encontrar letras soltas e acrónimos nos cemitérios é bastante comum.
Desde o tradicional PNAV – que significa “Padre Nosso Ave Maria” e que pretende ser um pedido, a quem passa pela lápide, para rezar um Padre Nosso e uma Ave Maria pela alma do defunto – até ao INRI – do latim Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum ou seja “Jesus de Nazaré Rei dos Judeus” – e passando claro, pelas letras gregas Α (alfa) e Ω (ómega).

O mais óbvio, válido para qualquer contexto, é o facto destes símbolos representarem a primeira e última letras do alfabeto grego e por isso serem continuamente associadas ao princípio (alfa) e ao fim (ómega). Qual o princípio e qual o fim já depende, efectivamente, do contexto em que eles são usados.

Uma das mais famosas utilizações é, sem dúvida no Apocalipse, ou Livro das Revelações (21:6), quando Jesus se senta no trono e exclama:
«Está feito! Eu sou o Alfa e o Ómega, o principio e o fim.»
Há também uma associação comum do Alfa à Luz e do Ómega às Trevas, mas num contexto cemiterial, as letras gregas são usadas muitas vezes junto das datas de nascimento e morte: Α (alfa) para o início da vida, o nascimento e Ω (ómega) para a morte, representando o fim da vida.

É ainda, relativamente, comum ver as duas letras sobrepostas ou entrelaçadas e em alguns casos é ainda acrescentada a letra Μ (mu), a décima segunda letra do alfabeto grego que, estando a meio deste, é por vezes usada para para representar continuidade: aquilo que está entre o Α (alfa) e Ω (ómega) ou seja, neste nosso contexto, a vida.

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Carlos Barbosa, Presidente do ACP em Entrevista ao i

“A EMEL queria tomar conta da Carris e da Metropolitano, não conseguiu, e não fazia sentido nenhum. A EMEL tem tantos funcionários como a Empark no mundo inteiro, que gere 180 parques em 150 países. Não bate certo. Depois há este conflito com a PSP e a Policia Municipal, permanente. E, sobretudo, a EMEL assume muitas vezes poderes que não tem e quer ocupar todo o espaço público de Lisboa, o que não deve. E é a câmara que dá essa capacidade”
Carlos Barbosa, Presidente do ACP
Entrevista ao i de 21 nov 2015
“O dinheiro da Prevenção Rodoviária tem ido para comprar automóveis e pistolas e radares, e não tem sido para aplicar em campanhas de sensibilização como manda a lei”
Carlos Barbosa, Presidente do ACP
Entrevista ao i de 21 nov 2015
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Enviada à CML:

Enviada à CML:
“Quem passar pelas ruas da Baixa Pombalina pode observar vários grupos de indivíduos, homens, jovens e agindo aos pares, que abordam os turistas e lhes tentam vender “sucedâneos” de haxixe.
A situação arrasta-se há décadas, perante a total inércia da Policia Municipal e da PSP alegando estas que “não sendo produtos ilegais”, não se trata de uma situação prioritária. Mas, perguntamos: e os danos de imagem, agora que Lisboa está cada vez mais na mira dos fluxos turísticos internacionais? Por outro lado, se o que fazem é “conto do vigário” e se o fazem à vista de toda a gente, todos os dias, há décadas, porque não foram ainda detidos?!
Acção na CML, precisa-se.”
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Calçada Portuguesa

Sabe o que é a #Calçada Portuguesa?… bem, a Calçada Portuguesa é o produto do calcetamento do piso com pedras em formato irregular, de calcário branco e preto, que, por vezes formam padrões artísticos e incluem outras cores, mais raramente e em cor vermelha.
Sabia que a #CalçadaPortuguesa pode ser encontrada em Portugal, mas também no Brasil e na África Lusófona.
Sabia que a rocha de contraste mais comum na CalçadaPortuguesa é o calcário negro? Raramente (com excepção dos Açores) é usado o basalto, como sucede, por exemplo, no Largo do Carmo
Sabia que o basalto em #CalçadaPortuguesa é mais difícil de trabalhar com o martelo, dificultando os motivos elaborados típicos da calçada artística?
#CalçadaPortuguesa
Sabia que os primeiros pavimentos calcetados datam de 1500, por carta régia de 1498 e 1550, de Dom Manuel I? Nessa altura, usou-se granito proveniente da região do Porto, o que haveria de encarecer muito a obra. O objetivo deste pavimento de granito era o de servir na comemoração dos anos do rei, em que um rinoceronte branco (“Ganga”) ir ser exibido na rua, ricamente ornamentado. O pavimento devia impedir que o povo e nobres, dispostos nessa rua, ficassem sujos com a lama lançada da passagem do animal.
#CalçadaPortuguesa
Sabia que na reconstrução de Lisboa, depois do terremoto de 1755, não terá havido calçada?
Sabia que a #CalçadaPortuguesa, tal como hoje a conhecemos data efetivamente de 1842 e da iniciativa do Governador de Armas do Castelo de São Jorge, o Tenente-General Eusébio Furtado, que mandou que presidiários (os “grilhetas”) construissem, nas ruas dessa freguesia calçada artística, com motivo em zigue-zague? Nos anos seguintes, os homens de Eusébio Furtado seriam responsáveis pela pavimentação da Praça do Rossio.
#CalçadaPortuguesa
Sabia que em 1986 era fundada a Escola de Calceteiros da CML?
Sabia que os motivos da #CalçadaPortuguesa são repetidos em moldes, em sequência linear (frisos), com o uso judicioso de um martelo e muita mestria… fazendo pequenos ajustes na pedra.
#CalçadaPortuguesa
Sabia que se usam moldes para marcar os padrões de cores diferentes quanto se executa Calçada Artística?
Sabia que motivos em #CalçadaPortuguesa que se repetem em sequência linear são designados de “frisos”?
Sabia que os motivos em #CalçadaPortuguesa que se repetem em duas dimensões são conhecidos como “padrões”?
Sabia que na #CalçadaPortuguesa de Lisboa existem cinco tipos de frisos e 11 padrões?
#CalçadaPortuguesa
Sabia que o “calçadão”, uma das mais conhecidas imagens de marca do Rio de Janeiro, foi construído em 1906, com mão-de-obra e pedras vindas de Portugal e com um desenho inspirado no “Grande Mar” do Rossio?
#CalçadaPortuguesa
Sabia que em Lisboa, existem apenas 10 calceteiros ao serviço da autarquia, quando chegaram a ser 400?
Sabia que a #CalçadaPortuguesa além de ser muito importante para a imagem da cidade, é de fácil lavagem e tem uma grande capacidade de absorção de águas pluviais?
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Lisboa Devoluta

#LisboaDevoluta
Sabia que em alguns bairros históricos de Lisboa, como a Baixa Pombalina, o Rossio, Mouraria e Alfama, existe – em média – um prédio devoluto num raio de 100 metros? No resto da cidade a média é de um raio de 300 metros…
 
#LisboaDevoluta
Sabia que segundo um levantamento da própria CML, datado de 2009 (de pouco depois do apogeu da crise imobiliária…) existiam em Lisboa 2812 prédios parcialmente devolutos e 1877 prédios totalmente devolutos? Isto significava que em 2009, 8% dos 60 mil prédios da cidade se encontravam Devolutos. Um em cada dez!
#LisboaDevoluta
Sabia que o problema dos Devolutos – na escala que observamos em Lisboa – é praticamente único em todo o continente europeu? Consequência de décadas de especulação imobiliária, e burocracias em várias e densas camadas…
#LisboaDevoluta
Sabia que muitos dos azulejos dos séculos XIX e começos do XX que vemos sendo vendidos, de forma mais ou menos “selvagem” na Feira da Ladra ou em antiquários lisboetas foram retirados/furtados do interior de Prédios Devolutos ou mesmo das suas próprias fachadas exteriores?
#LisboaDevoluta
Sabia que muitos proprietários de prédios devolutos de Lisboa deixam os seus prédios arruinarem-se, intencionalmente, destelhando-os, abrindo janelas, esperando que eles caiam, por forma a que depois os possam substituir por edifícios de construção nova, com mais andares, mais volumetria e, logo, maior lucro?
#LisboaDevoluta
Sabia que a maior parte dos Prédios Devolutos de Lisboa são de finais do século XIX e começos do XX? Isto sucede porque são precisamente estes edifícios que mais podem ser ampliados (em altura) e que têm, quase sempre jardins ou espaços nas traseiras que podem ser facilmente convertidos em lugares de estacionamento.
#LisboaDevoluta
Sabia que durante décadas seguidas houve quem comprasse prédios devolutos, não fizesse neles nenhuma obra, mandasse fazer um projeto e depois, os revendia com lucros de 100% e 200%?
#LisboaDevoluta
Sabia que os proprietários de Prédios Devolutos são obrigados – por força de Lei – a fazerem obras de 8 em 8 anos?
#LisboaDevoluta
Sabe que, em Lisboa, o metro quadrado de solo custa, em média, mais do dobro do metro quadrado de construção? Noutros municípios do país esta relação ronda os 10 a 20%.
#LisboaDevoluta
Sabia que metade dos devolutos de Lisboa têm projeto entrado na CML; aguardando o seu desfecho?
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML é dona de 314 dos perto de 4 mil Devolutos registados pela própria autarquia em 2009? Outros 60, são do Estado e 63 (!) da Santa Casa da Misericórdia.
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML tem competências para forçar expropriações, impor obras ou levar à venda de Prédios Devolutos, assim o queira fazer?
#LisboaDevoluta
Será que ao pagar graffitis em Prédios Devolutos (como na Fontes Pereira de Melo) a CML está a permitir que esta situação se prolongue eternamente no tempo, mascarando ou varrendo para debaixo do tapete o problema clamoroso de termos 3 edifícios devolutos numa das mais conhecidas e frequentadas artérias de Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que em países como a Suíça ou França, a Lei facilita a reconstrução em detrimento da simples construção de prédios novos?
#LisboaDevoluta
Sabia que http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa é uma das melhores fontes sobre Prédios Devolutos em Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que – em termos burocráticos – é mais fácil construir de raiz que reconstruir um Prédio Devoluto?
#LisboaDevoluta
Porque é que a CML não decidiu seguir, p.ex., Matosinhos e agravar o IMI em 300% no caso de Prédios Devolutos?
#LisboaDevoluta

Sabia que existe em Lisboa uma grande falta de oferta no mercado do arrendamento para habitação e que os mais de 50 mil devolutos de Lisboa poderiam ser uma parte importante na solução desta lacuna?

#LisboaDevoluta

Porque é que o Governo da República, após consultas com as autarquias, não legisla por forma a não permitir o aumento do número de fogos sempre que houver demolição ou colapso de um prédio devoluto? Se sempre que um devoluto cair, o proprietário for forçado a construir um edifício igual acaba-se com o incentivo ao abandono dos prédios e promove-se assim a sua reconstrução…

#LisboaDevoluta

Sabia que uma lei de 1864, do ministro das Obras Públicas João Crisóstomo prescrevia que se os proprietários de um edifício não o disponibilizassem para uso social, o Estado podia expropria-lo e coloca-lo à venda, a preços de mercado?

#LisboaDevoluta

Sabia que muitos jovens estão a regressar da periferia de Lisboa e a reconstruir prédios devolutos nos bairros históricos de Lisboa?

#LisboaDevoluta

Num país com a demografia em queda (nascem apenas 1.2 filhos por casal, quando deviam nascer 2.1) existem muitas casas vazias… este fenómeno foi ainda reforçado com o excesso de construção nas décadas de 1990 e 2000. Sabia que uma das causas para os Devolutos de Lisboa é também a perda de população urbana (para a periferia) e esta tragédia demográfica que hoje nos assola?

#LisboaDevoluta

Sabia que as questões com partilhas de heranças e guerras entre herdeiros são uma das principais causas para Devolutos em Lisboa?

#LisboaDevoluta

Sabia que as rendas controladas foram (até à entrada em vigor da Lei das Rendas) um dos maiores obstáculos à reconstrução urbana em Lisboa e logo, uma das maiores causas de Prédios Devolutos?

#LisboaDevoluta

Sabia que a maior (provavelmente) causa do fenómeno dos Prédios Devolutos foi a especulação imobiliária, que tornou o preço por metro quadrado em Lisboa entre os mais caros do mundo, desincentivando a reconstrução e favorecendo a a construção nova e com elevadas densidades?

#LisboaDevoluta
Sabia que a definição oficial de “Devoluto” consta do Decreto de Lei  159/2006?
#LisboaDevoluta
Sabia que se considera devoluto o prédio urbano ou a fracção autónoma que durante um ano se encontre desocupada, sendo indícios de desocupação a inexistência de contratos em vigor com empresas de telecomunicações, de fornecimento de água, gás e electricidade? Sendo excepções o prédio urbano ou fracção autónoma destinado a habitação por curtos períodos em praias, campo, termas e quaisquer outros lugares de vilegiatura, para arrendamento temporário ou para uso próprio; Durante o período em que decorrem obras de reabilitação; Cuja conclusão de construção ou emissão de licença de utilização ocorreram há menos de um ano;Adquirido para revenda por pessoas singulares ou colectivas durante o período de três anos a contar da data da aquisição;Que seja a residência em território nacional de emigrante português;Que seja a residência em território nacional de cidadão português que desempenhe no estrangeiro funções ou comissões de carácter público ao serviço do Estado Português, de organizações internacionais, ou funções de reconhecido interesse público, bem como dos seus respectivos acompanhantes autorizados.
#LisboaDevoluta
Porque é que o último levantamento de Prédios Devolutos, feitos pela CML, data de… 2009, ou seja, tem mais de CINCO anos?!…
#LisboaDevoluta
Será que não devia ser legalmente obrigatório colocar no mercado de venda ou arrendamento um imóvel de habitação?
#LisboaDevoluta
Será que não deviam existir punições/multas que responsabilizem os proprietários de edifícios devolutos e que os forcem a obras regulares de manutenção ou que os coloquem compulsivamente no no mercado?
#LisboaDevoluta

Sabia que as antigas freguesias (designações anteriores à atual reorganização administrativa) com mais Devolutos são Prazeres, São Domingos de Benfica, Marvila, Graça e Lapa? Juntas, representavam em 2009, quase 20% de todos os devolutos de Lisboa.

#LisboaDevoluta

Sabia que todos os anos ocorrem incêndios em prédios devolutos em Lisboa, com feridos, mortos, perdas patrimoniais significativas e despesa para a autarquia em realojamento ou obras de emergência?

#LisboaDevoluta

Sabia que um dos incêndios mais mediatizados de um Prédio Devoluto em Lisboa teve lugar no clube de jazz Hot Clube de Portugal, na Praça da Alegria, em 2009?

#LisboaDevoluta

Sabia que as derrocadas de Prédios Devolutos são mais comuns após grandes chuvadas?

#LisboaDevoluta

Sabia que quando um Prédio devoluto colapsa geralmente, não se atribuem responsabilidades financeiras aos seus proprietários, ficando as despesas com bombeiros, serviços de emergência, trabalhos de limpeza, fechamento de vias e reconstrução de passeios a cargo do município?

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Quatro lições a tirar da revitalização do Cinema Ideal

A reabertura do Cinema Ideal, merecedora de uma excelente reportagem da jornalista Alexandra Prado Coelho, no Público expôs o caso de sucesso de revitalização do Cinema e os cruzamentos de razões que permitiram colocar de pé uma proposta alternativa a uma Lisboa dominada pelos “cinemas pipoqueiros” de grandes corporações, com boas relações com o poder autárquico (como provam os sucessivos “piqueniques Continente”) e onde os cinemas de bairro e de matriz cultural se extinguem, um por um.

O Cinema Ideal prova-nos que é possível salvar um cinema de bairro assim exista a seguinte confluência de parceiros e interesses:
1. Uma parceria com uma distribuidora cinematográfica (a Media)
2. A colaboração do senhorio (a Casa de Imprensa)
3. Um investimento de capital de meio milhão de euros para recuperar o espaço
4. Uma associação para gerir o espaço e a programação cultural composta por voluntários, realizadores, atores e produtores.

O que se passou noIdeal, não é utopia nem sonho, é uma realidade concreta e objetiva, que pode ser replicada noutros locais, assim se cumpram estes quatro requisitos.

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Azulejos de Lisboa

#AzulejosDeLisboa: Sabia que na arte azulejar de #Lisboa são muito frequentes as representações de santos? Esta marca de religiosidade popular figura geralmente, em fachadas e átrios de casas de habitação ou, mais raramente, em frontões, muros e nichos, de quintas e palácios.
#AzulejosDeLisboa: Sabia que a arte azulejar de #Lisboa é essencial para compreender o quadro mental da época? O facto, de muitas destas peças estarem também datadas revela-se igualmente de grande importância para o estudo do património da cidade.
#AzulejosDeLisboa: os painéis de azulejos com santos (ou “painéis hagiográficos”) são muitas vezes o produto de catástrofes naturais ou grandes epidemias, sendo mais comuns neste tipo de períodos.
Os painéis hagiográficos dos #AzulejosDeLisboa representam frequentemente mais que um santo, procurando potenciar benefícios ou proteção. Contudo, quase sempre, há uma figura que é destacada em dimensão ou plano, sendo assim considerada como mais importante.
Sabia que os painéis de #AzulejosDeLisboa do século XVI são geralmente pintados por artesãos sem escola, tendo os desenhos contornos a manganês. As figurações são geralmente, muito ingénuas, mas o cromatismo vincado destas composições torna-as bastante expressivas. Geralmente estes registos integram molduras simples e geometrizantes.
Sabia nos #AzulejosDeLisboa setecentistas são comuns a invocação da Senhora do Carmo, associada ao resgate das almas do Purgatório? Este terceiro lugar de expiação e purificação final das almas era necessário para a visão beatífica de Deus. A fim de abreviar essa passagem, recorria-se principalmente à Virgem, como intercessora  junto do Altíssimo, para que essa passagem fosse mais breve.
Sabia que uma das melhores fábricas de #AzulejosDeLisboa, a Fábrica de Louça de Sacavém foi fundada em 1850 / 1856 e extinta na década de 70 do séc. XX?
A devoção popular por Santo António é espelhada em muitos #AzulejosDeLisboa convocando assim a protecção da casa onde surge o painel de azulejos?
Sabia que muitas molduras de #AzulejosDeLisboa do período barroco, exibem ornatos orgânicos, simplificados, imitam a talha?
Sabia que existem muitos #AzulejosDeLisboa com representações de São Marçal, o padroeiro oficial contra os incêndios, cuja veneração teve um desenvolvimento muito significativo após o terramoto de 1755?
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Devolutos de Lisboa

Quem visitar Lisboa não poderá deixar de reparar no fenómeno que aflige perto de dez mil edifícios em Lisboa: os Prédios Devolutos. O problema apresenta várias facetas e não possui nenhuma solução simples ou rápida. É também uma doença de que assola muitas cidades europeias, mas que aqui se manifesta com especial gravidade e persistência, fruto de décadas de especulação imobiliária, burocracia e desinteresse por parte das autoridades responsáveis em dois níveis: autárquicas e nacionais. Se falamos de dez mil prédios devolutos, falamos de uma cidade do tamanho de Santarém dentro de Lisboa. Falamos também de 8% dos 55 mil edifícios de Lisboa, em números de 2009 e que hoje devem ser ainda mais esmagadores. Falamos de um grande problema de uma grande cidade…

Para além de desfear as ruas daquela que é unanimemente reconhecida como uma das mais belas cidades do mundo, o fenómeno dos Prédios Devolutos ocasiona incêndios e derrocadas frequentes (uns provocados, outros ocasionais), que ceifam vidas e bens, oneram o erário público e prejudicam vizinhos que vivem paredes-meias. Por outro lado, é também preciso recordar que existe um grande risco sísmico em Lisboa: a ocorrência (inevitável) de um fenómeno desta natureza irá fazer colapsar muitos destes prédios devolutos, criando focos de incêndio que colocarão em risco os bairros onde se inserem.

A cidade expulsou para a periferia metade da população que a habitava na década de 1960 e apesar de um certo refluxo recente de casais jovens (sobretudo) para alguns bairros históricos, continua padecendo de um problema que o Estado não soube atacar com a energia que a sua gravidade exige: uma quebra demográfica profunda.

Se o Estado não tem estado à altura, a Câmara Municipal não tem estado muito melhor, dando o pior dos exemplos: Estima-se que perto de 10% dos prédios devolutos sejam da Câmara Municipal (6% serão do Estado e um pouco menos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Urge repovoar a cidade, atraindo de novo a ela as populações que a especulação imobiliária desenfreada expulsou para bairros periféricos desumanos e sem qualidade de vida e promovendo a reconstrução urbana, desincentivando de forma decidida e enérgica a nova construção. O Estado deve produzir legislação que favoreçam a reconstrução, exigindo por exemplo, que em bairros históricos um certo lote não possa nunca ter mais metros quadrados de habitação que o edifício anterior, deve proibir a venda não certificada e identificada de azulejos, deve aumentar severamente o Imposto Municipal de Imóveis (IMI) em prédios devolutos e promover um registo nacional de edifícios nessa condições e que tenham algum interesse patrimonial. Sobretudo, o Estado deve terminar com a escandalosa isenção de IMI de que gozam “fundos imobiliários” que detém grande parte dos devolutos de Lisboa (e, por exemplo, o Cinema Londres). Os regulamentos mais recentes devem também ser adaptados no contexto da reabilitação urbana de edifícios de começos do século XX e XIX, por forma a serem um agente facilitador e não o atual agente que trava a maioria dos projectos de reabilitação urbana na cidade.

De facto, o problema dos “Devolutos de Lisboa”, não é nem o problema dos “Devolutos” nem o problema de “Lisboa”. É o problema das cidades modernas, consumidas pela especulação imobiliária e tolerado por classes políticas servis ou complacentes perante estes interesses. É o problema do crescimento descontrolado das periferias, com os custos de comutação, transportes, redes de transportes, combustíveis fósseis e perda de qualidade de vida. É o problema da evaporação humana dos centros históricos de quase todas as grandes cidades do globo. É o problema da hiper-regulação e da burocracia (metade dos devolutos de Lisboa aguardam aprovação do projeto renovação). É o problema da prevalência dos lucro fácil sobre o investimento de longo prazo na cultura, no património, nos cidadãos e na qualidade de vida.

Recentemente, a Câmara Municipal apresentou um programa de reabilitação urbana que pode contribuir para resolver esta tragédia urbana. Trata-se do “Programa Re9”. O programa consiste numa rede de parcerias entre recursos privados e públicos com vista a criar um “mecanismo sólido para fazer a reabilitação da cidade” (António Costa). O programa tem, contudo, o seu sucesso condicionado pelo modelo muito restritivo de acesso aos fundos comunitários do “Programa Operacional Regional de Lisboa” (mais de 2.8 milhões de euros), a repartir por todo o território nacional e, logo, está muito longe de ser a “bala de prata” para os Devolutos de Lisboa, já que se estima que a sua reconstrução total ronde os 8 mil milhões de euros. O Re9 vem, contudo, abrir portas para uma gradual solução desta tragédia urbana ao incluir uma série de incentivos fiscais à reabilitação urbana, como a isenção de IMT na 1.ª transmissão, uma redução de 30% no IRS, a isenção IMI, a redução e isenção e taxas municipais, menos 17% na taxa de de IVA na mão-de-obra e materiais e a isenção de IRC para fundos de investimento imobiliário.

Renovar a Cidade, recuperando os Prédios Devolutos irá traduzir-se num melhoramento significativo da qualidade de vida urbana e do sentimento de comunidade e coesão do território. Atrair a população que a cidade perdeu para as periferias nas últimas décadas, poupar recursos financeiros e energéticos e contribuir para a recuperação da economia, através da reconstrução urbana, do aumento da eficiência energética. Renovar os Devolutos é Renovar a cidade.

O MaisLisboa.org (núcleo local da associação MaisDemocracia) tem procurado dar o seu contributo para este problema através do levantamento cidadão que estamos a conduzir na página “Lisboa Devoluta” https://www.facebook.com/LisboaDevolutaRetomarACidade e de outras iniciativas que brevemente iremos anunciar.

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#LisboaDevoluta

#LisboaDevoluta
Sabia que em alguns bairros históricos de Lisboa, como a Baixa Pombalina, o Rossio, Mouraria e Alfama, existe – em média – um prédio devoluto num raio de 100 metros? No resto da cidade a média é de um raio de 300 metros…
 
#LisboaDevoluta
Sabia que segundo um levantamento da própria CML, datado de 2009 (de pouco depois do apogeu da crise imobiliária…) existiam em Lisboa 2812 prédios parcialmente devolutos e 1877 prédios totalmente devolutos? Isto significava que em 2009, 8% dos 60 mil prédios da cidade se encontravam Devolutos. Um em cada dez!
#LisboaDevoluta
Sabia que o problema dos Devolutos – na escala que observamos em Lisboa – é praticamente único em todo o continente europeu? Consequência de décadas de especulação imobiliária, e burocracias em várias e densas camadas…
Sabia que muitos dos azulejos dos séculos XIX e começos do XX que vemos sendo vendidos, de forma mais ou menos “selvagem” na Feira da Ladra ou em antiquários lisboetas foram retirados/furtados do interior de Prédios Devolutos ou mesmo das suas próprias fachadas exteriores?
Sabia que muitos proprietários de prédios devolutos de Lisboa deixam os seus prédios arruinarem-se, intencionalmente, destelhando-os, abrindo janelas, esperando que eles caiam, por forma a que depois os possam substituir por edifícios de construção nova, com mais andares, mais volumetria e, logo, maior lucro?
#LisboaDevoluta
Sabia que a maior parte dos Prédios Devolutos de Lisboa são de finais do século XIX e começos do XX? Isto sucede porque são precisamente estes edifícios que mais podem ser ampliados (em altura) e que têm, quase sempre jardins ou espaços nas traseiras que podem ser facilmente convertidos em lugares de estacionamento.
#LisboaDevoluta
Sabia que durante décadas seguidas houve quem comprasse prédios devolutos, não fizesse neles nenhuma obra, mandasse fazer um projeto e depois, os revendia com lucros de 100% e 200%?
#LisboaDevoluta
Sabia que os proprietários de Prédios Devolutos são obrigados – por força de Lei – a fazerem obras de 8 em 8 anos?
#LisboaDevoluta
Sabe que, em Lisboa, o metro quadrado de solo custa, em média, mais do dobro do metro quadrado de construção? Noutros municípios do país esta relação ronda os 10 a 20%.
#LisboaDevoluta
Sabia que metade dos devolutos de Lisboa têm projeto entrado na CML; aguardando o seu desfecho?
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML é dona de 314 dos perto de 4 mil Devolutos registados pela própria autarquia em 2009? Outros 60, são do Estado e 63 (!) da Santa Casa da Misericórdia.
#LisboaDevoluta
Sabia que a CML tem competências para forçar expropriações, impor obras ou levar à venda de Prédios Devolutos, assim o queira fazer?
#LisboaDevoluta
Será que ao pagar graffitis em Prédios Devolutos (como na Fontes Pereira de Melo) a CML está a permitir que esta situação se prolongue eternamente no tempo, mascarando ou varrendo para debaixo do tapete o problema clamoroso de termos 3 edifícios devolutos numa das mais conhecidas e frequentadas artérias de Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que em países como a Suíça ou França, a Lei facilita a reconstrução em detrimento da simples construção de prédios novos?
#LisboaDevoluta
Sabia que http://tretas.org/PrediosDevolutosLisboa é uma das melhores fontes sobre Prédios Devolutos em Lisboa?
#LisboaDevoluta
Sabia que – em termos burocráticos – é mais fácil construir de raiz que reconstruir um Prédio Devoluto?
#LisboaDevoluta
Porque é que a CML não decidiu seguir, p.ex., Matosinhos e agravar o IMI em 300% no caso de Prédios Devolutos?
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#LisboaDevoluta

Sabia que existe em Lisboa uma grande falta de oferta no mercado do arrendamento para habitação e que os mais de 50 mil devolutos de Lisboa poderiam ser uma parte importante na solução desta lacuna?

#LisboaDevoluta

Porque é que o Governo da República, após consultas com as autarquias, não legisla por forma a não permitir o aumento do número de fogos sempre que houver demolição ou colapso de um prédio devoluto? Se sempre que um devoluto cair, o proprietário for forçado a construir um edifício igual acaba-se com o incentivo ao abandono dos prédios e promove-se assim a sua reconstrução…

#LisboaDevoluta

Sabia que uma lei de 1864, do ministro das Obras Públicas João Crisóstomo prescrevia que se os proprietários de um edifício não o disponibilizassem para uso social, o Estado podia expropria-lo e coloca-lo à venda, a preços de mercado?

#LisboaDevoluta

Sabia que muitos jovens estão a regressar da periferia de Lisboa e a reconstruir prédios devolutos nos bairros históricos de Lisboa?

#LisboaDevoluta

Num país com a demografia em queda (nascem apenas 1.2 filhos por casal, quando deviam nascer 2.1) existem muitas casas vazias… este fenómeno foi ainda reforçado com o excesso de construção nas décadas de 1990 e 2000. Sabia que uma das causas para os Devolutos de Lisboa é também a perda de população urbana (para a periferia) e esta tragédia demográfica que hoje nos assola?

#LisboaDevoluta

Sabia que as questões com partilhas de heranças e guerras entre herdeiros são uma das principais causas para Devolutos em Lisboa?

#LisboaDevoluta

Sabia que as rendas controladas foram (até à entrada em vigor da Lei das Rendas) um dos maiores obstáculos à reconstrução urbana em Lisboa e logo, uma das maiores causas de Prédios Devolutos?

#LisboaDevoluta

Sabia que a maior (provavelmente) causa do fenómeno dos Prédios Devolutos foi a especulação imobiliária, que tornou o preço por metro quadrado em Lisboa entre os mais caros do mundo, desincentivando a reconstrução e favorecendo a a construção nova e com elevadas densidades?

#LisboaDevoluta
Sabia que a definição oficial de “Devoluto” consta do Decreto de Lei  159/2006?
#LisboaDevoluta
Sabia que se considera devoluto o prédio urbano ou a fracção autónoma que durante um ano se encontre desocupada, sendo indícios de desocupação a inexistência de contratos em vigor com empresas de telecomunicações, de fornecimento de água, gás e electricidade? Sendo excepções o prédio urbano ou fracção autónoma destinado a habitação por curtos períodos em praias, campo, termas e quaisquer outros lugares de vilegiatura, para arrendamento temporário ou para uso próprio; Durante o período em que decorrem obras de reabilitação; Cuja conclusão de construção ou emissão de licença de utilização ocorreram há menos de um ano;Adquirido para revenda por pessoas singulares ou colectivas durante o período de três anos a contar da data da aquisição;Que seja a residência em território nacional de emigrante português;Que seja a residência em território nacional de cidadão português que desempenhe no estrangeiro funções ou comissões de carácter público ao serviço do Estado Português, de organizações internacionais, ou funções de reconhecido interesse público, bem como dos seus respectivos acompanhantes autorizados.
#LisboaDevoluta
Porque é que o último levantamento de Prédios Devolutos, feitos pela CML, data de… 2009, ou seja, tem mais de CINCO anos?!…
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Sabia que… Calçada Portuguesa?

A Calçada Portuguesa nasceu na época renascentista e das descobertas, tendo então o objetivo de tornar o espaço publico mais agradável e funcional.
Sabia que foi Eusébio Cândido Furtado (homenageado numa placa da Rua dos Correeiros) que propôs as famosas “Ondas do Mar Largo” (Rossio), concluídas em 1849 e depois replicadas no famoso “calcadão” do Rio de Janeiro por calceteiros portugueses?
Sabia que as combinações negro-branco da Calçada Portuguesa de Lisboa resultam de pares calcário branco-calcário negro e calcário branco-basalto? Contudo, o basalto é raro em Lisboa (excepto em Lisboa Ocidental, zona de solos vulcânicos), por isso se usou quase sempre calcário negro (raro, mas menos que o basalto) e muito raramente (como no Largo do Carmo), basalto.
Sabia que, em Lisboa, se observam sete tipo de frisos e 11 tipos de padrões dos 17 tipos possíveis segundo um teorema matemático, na Calçada Portuguesa?
Sabia que entre a Praça da Alegria e o Marquês de Pombal fica a segunda zona de calçada portuguesa da Avenida da Liberdade? Esta segunda zona só foi aberta no século XX e distingue-se da segunda em termos matemáticos com motivos de espelho e rotações de 180 graus. A primeira parte da Avenida era o chamado “Passeio Público”
No lioz da Estação do Rossio, encontramos muitos fósseis rodistas. Estes bivalves apreciavam as águas pouco profundas, quentes e calmas de Lisboa. Na época, a Península Ibérica era uma ilha, desligada do continente europeu.
Sabia que é junto ao monumento dos Restauradores que encontramos o mais complexo padrão matemático da Calçada Portuguesa de Lisboa: da autoria de Joel Abel Manta, na década de 1970?
Sabia que existem intervenções do escultor Fernando Conduto no Rossio dos Olivais, entre o Pavilhão Atlântico e o Pavilhão de Portugal, do artista Pedro Proença no Cais Português, junto ao oceanário, da pintora Xana no Cais dos Argonautas, entre o Pavilhão do Conhecimento e o Oceanário, e do artista madeirense Rigo, na Alameda dos Oceanos?
Debate sobre a #CalçadaPortuguesa em #Lisboa a 18 de junho!
https://www.facebook.com/events/311588325657832
Pedro Homem de Gouveia (Câmara Câmara Municipal de Lisboa)
Luís Marques da Silva (Fórum Cidadania Lx)
Diogo Martins (Movimento dos (d)eficientes indignados) 
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“A Reabilitação Urbana é unanimemente reconhecida como um dos mais importantes instrumentos para dinamizar, de uma forma transversal, a economia”

“A Reabilitação Urbana é unanimemente reconhecida como um dos mais importantes instrumentos para dinamizar, de uma forma transversal, a economia. Pode criar emprego e revitalizar os centros urbanos que se encontram profundamente degradados e desertificados, pelo que é fundamental dar confiança aos investidores e aos proprietários e criar mecanismos que, com razoabilidade, permitam ultrapassar os entraves que, aos mais diversos níveis, se colocam à dinamização desta atividade. 
(…)
(É necessária uma) revisão da Lei das Rendas e do Regime Jurídico da Reabilitação Urbana e com a criação de uma taxa liberatória para os rendimentos do arrendamento. Também o Regime Excepcional de Reabilitação Urbana, já em vigor, cuja aplicação deverá ser tecnicamente acompanhada, pode dar um significativo impulso. 
Estando em causa edifícios construídos há mais de trinta anos ou situados em Áreas de Reabilitação Urbana, dispensar estas obras da sujeição a normas técnicas pensadas para a construção nova, quando estas constituem, por serem economicamente inviáveis, um entrave à concretização destes projectos. 
(…)
A reabilitação urbana, por muito que se tenha evoluído no sentido de fazer dela uma verdadeira prioridade nacional, só será uma efetiva realidade se forem disponibilizados programas de financiamento aos particulares, permitindo-lhes, designadamente, a reabilitação dos seus imóveis, colocando-os no mercado do arrendamento.”

Reis Campos, presidente da CPCI
Público, 14 maio 2014

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Sabia que… Lisboa?

…tem mais de dez mil hectares em jardins, divididos por 73 parques e jardins?
…estão recenseados mais de 15 mil moradores na nova freguesia do Parque das Nações, mas não existe nesta autarquia um só Centro de Saúde?
…que o varrimento das ruas e passeios, a remoção de ervas daninhas e o despejamento das papeleiras públicas são agora tarefas dos funcionários dos quadros das juntas de freguesia?
Sabia que Lisboa assenta sobre antigos recifes, recobertos por mantos basálticos do período Cretácico (145 a 66 ma)?
Sabia que na zona oriental de Lisboa abundam as rochas ricas em fósseis, com conchas de moluscos, crocodilos e mastodontes?
Sabia que o ponto mais alto de Lisboa e o Castelo de São Jorge, com 200 metros de cota? As restantes colinas de Lisboa tem cerca de 100 metros de altura.
Sabia que a manutenção das vias rodoviárias continua a ser uma competência da câmara municipal?
Sabia que a manutenção dos passeios cabe agora às juntas de freguesia, com excepção da calçada artística?
Sabia que quem pinta as passadeiras são as juntas de freguesia?
Sabia que a recolha de lixo doméstico cabe à câmara municipal, assim como a recolha seletiva (papel, vidro e plástico)?
Sabia que os grandes jardins da cidade continuam a ser mantidos pela Câmara Municipal de Lisboa?
“No ano passado passaram por Lisboa cerca de dez milhões de turistas, o equivalente à população portuguesa atual (…) os espanhóis são os que mais apreciam e visitam a cidade, com os ingleses e os franceses logo atrás. Os alemães também descobriram os encantos de Portugal e, recentemente, tem também havido um aumento de turistas vindos da Ásia, especialmente da China (um dos países que mais gasta em termos de turismo mundialmente) e do Japão.” Público de 14 maio 2014
Sabia que a construção, gestão e manutenção dos parques infantis públicos cabe agora às juntas de freguesia?
Sabia que as reparações nas escolas cabem agora às freguesias, ainda que as intervenções estruturais permaneçam sob a responsabilidade da câmara?
Sabia que quem autoriza a instalação de uma esplanada é a junta de freguesia?
Sabia que são as juntas de freguesia que passam licenças de venda ambulante de lotarias e para arrumadores de automóveis?
Sabia que os mercados são agora geridos pelas juntas de freguesia, ainda que continuem a ser equipamentos do município?
Sabia que a colocação e manutenção de placas toponímicas é agora uma competência das juntas de freguesia?
Sabia que a freguesia da Ajuda deve o seu nome à Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, construiria no século XV para albergar uma imagem milagrosa da Virgem?
Sabia que a freguesia de Alcântara recolhe o seu nome de Al-Kantara significa “ponte” em árabe e que esse nome advém de uma ponte romana situada entre as ruas de Alcântara e Prior Crato?
Sabia que o nome da freguesia de Alvalade advém do árabe Albalat que significa “planície”?
Sabia que o nome da freguesia de Arroios advém dos vários cursos de água que aqui existiam?
Sabia que o nome da freguesia de Avenidas Novas advém do nome comum da região coberta pelo “Plano Geral de Melhoramentos da Capital” da autoria do arquiteto Frederico Ressano Garcia?
Sabia que a freguesia do Beato tem a origem do seu nome de Frei António da Conceição, um frade do Convento de Santo António de Xabregas (finais do século XVI)?
Sabia que a freguesia de Belém tem a origem do seu nome na igreja de Santa Maria de Belém, no mosteiro dos Jerónimos?
Sabia que a origem do nome da freguesia de Benfica é narrada por Fernão Lopes num episódio em que uma mulher terá dormido com o futuro marido antes do casamento, sendo este condenado à morte pelo rei: “dizem que isto sucedeu no Termo de Lisboa, no lugar de Bemfica, e que dizendo os que acompanhavam El-Rey, que a mulher ficava mal, respondeu El-Rey,  Bem fica,  e casando-a depois com outro lhe deu com que passar; e que celebrando-se a ação del Rey ficara este nome ao lugar, que antes tinha outro”.
Sabia que a freguesia de Campo de Ourique encontra a origem da sua denominacao no bairro de Campo de Ourique, uma antiga terra de quintas pertencentes a Campolide?
Sabia que a primeira referência histórica a Carnide data de 1279, numa paróquia entao criada nessa zona rural a norte de Lisboa. Na época, o topónimo era escrito como “Carnedi” ou “Carnyde”.
Sabia que a freguesia da Estrela encontra o seu nome no convento beneditino de 1572, dedicado a Nossa Senhora da Estrela?
Sabia que a freguesia do Lumiar tem a origem do seu nome no latim liminares (“limiar”), ou seja “a fronteira da cidade”?
Sabia que Marvila deriva do árabe marbala que significa “solo abundante em arbustos”?
Sabia que a freguesia da Misericórdia advém o seu nome da sede da Santa Casa da Misericórdia na igreja e casa Professa de São Roque, fundada em 1768?
Sabia que a origem do nome da freguesia dos Olivais vem da lenda que declara que um imagem e Nossa Senhora terá aparecido numa oliveira tendo depois sido transportada até um sacristia da igreja, tendo aqui desaparecido em 1700.
Sabia que o topónimo “Penha de França” provém do Convento da Penha de França, fundado em 1598?
Sabia que a freguesia de Santa clara encontra a origem do seu nome da antiga Quinta de Santa Clara?
Sabia que a nova freguesia de Santa Maria Maior tem a origem do seu topónio no nome original da Sé de Lisboa?
Sabia que a freguesia de sano António tem a origem o seu nome numa homenagem ao mais popular santo da cidade?
Sabia que a origem do nome da freguesia de São Domingos de Benfica está no convento de São Domingos de Benfica, criado em 1399? a freguesia foi criada em 1959.
Sabia que na época medieval e até ao século XVI o actual território da freguesia do Areeiro era rico em terras de regadio, com muitas hortas e olivais, tendo-se instalado aqui quintas e palacetes nobres como o da Belavista e do Casal Vistoso (ambos no século XVI
Sabia que já transitaram para as juntas de freguesia, no âmbito da reorganização administrativa, mais de 1200 trabalhadores da CML, e que mais irão ser transferidos nos próximos meses?
Sabia que, desde 2007, foram criados oito novos parques horticolas em Lisboa? Estes espaços são atribuídos por concurso. Até 2015, estão previstos novos concursos, para novos espaços.
Sabia que até cinco por cento do que cada contribuinte paga de IRS se destina ao municipio em que reside? Lisboa decidiu devolver metade desse valor aos seus residentes, traduzindo-se tal decisão numa perda de receita de 28 milhões de euros, que assim são transferidos para os municipes.
Sabia da existência do “programa B.a.Ba”? Este programa municipal visa aumentar em 50% a oferta da rede de cresches da cidade, criando assim 2520 novas vagas. O projeto destas novas creches (construídas de raiz) é do atelier Appleton e Domingos Arquitetos,  estao já duas destas creches em funcionamento.
Sabia que o Orçamento Participativo de Lisboa, de 2014, prevê uma verba global de 2.5 milhões de euros, dividido num milhão de euros para os projetos com valor igual ou inferior a 500 mil euros e 1.5 milhões para os projetos com valor igual ou inferior a 150 mil euros?
Sabia que no Orçamento Participativo de Lisboa, de 2013, votaram mais de 36 mil pessoas?
Sabia que segundo o novo Código da Estrada, a distância lateral mínima entre o automóvel e a bicicleta passa a ser de 1.5 m? Agora também já é permitida a circulação paralela de duas bicicletas e equipara-se este veículo aos automóveis na regra de prioridade em cruzamentos.
Depois do terremoto de 1755, várias famílias nobres vieram instalar-se no Areeiro, por exemplo, na quinta do Pina, Mendonça, Grilo, Pacatos, entre outras.
Sabia que foi a extracção de areia, na antiga Quinta da Montanha, que esteve na origem do topónimo Areeiro?
Sabia que o “Bairro Carmona” foi construído em 1928 pela Câmara de Lisboa para alojar os seus funcionários, tendo então 101 fogos?
Sabia que a construção do Bairro Social do Arco do Cego começou em 1919 e terminou em 1934?
Sabia que o Instituto Superior Técnico e o Instituto Nacional de Estatística são da autoria do arquiteto Pardal Monteiro (1897-1957)?
Sabia que o plano do Bairro do Areeiro data de 1938, com projeto de Luís Cristino da Silva, seguindo critérios definidos por Duarte Pacheco?
Sabia que em 1950 havia o plano para construir na praça do Areeiro um monumento aos “heróis” do colonialismo, depois abandonado?
Sabia que a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques foi projetada pelo arquiteto Carlos Rebelo de Andrade em 1939?
Sabia que foi na avenida Guerra Junqueiro que, a par da Baixa, recebeu as primeiras iluminações natalícias de Lisboa, em 1957?
Sabia que a extensão da linha do metro até à freguesia do Areeiro (estações entre os Anjos e Alvalade), data de 1972?
Sabia que a Urbanização das Olaias, de 1972 e projetada por Tomás Taveira ganhou em 1982 o Prémio Valmor?
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Sabia que… Devolutos em Lisboa (e não só)

#SabiaQueLisboa
Sabia que Lisboa tem quase 5 mil edifícios devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que 8% dos 60 prédios existentes na capital (1 em 10!) são devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a lei obriga à realização de obras de conservação, oito em oito anos, nos edificios?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o metro quadrado de solo em Lisboa custa, em média, o dobro do metro quadrado de construção, quando a proporção devia ser ao contrário e andar pelos 15% ou 20% desse valor?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a EPAL cortou a água as 12 lares em Lisboa em 2013?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a CML é dona de 314 prédios devolutos (outros 60 pertencem ao Estado e 63 à Santa Casa da Misericórdia)?

#SabiaQueLisboa
Sabia que 92% dos edifícios da capital estão numa área de reabilitação urbana e que são atribuídos benefícios fiscais a quem recupera imóveis?

#SabiaQueLisboa
Sabia que nos últimos 2 anos, em Lisboa, foram reabilitados 8200 edifícios? Isto representou em cinco anos um investimento de 600 milhões de euros por privados e 85 milhões a nível público?

#SabiaQueLisboa
Sabia que os principais senhorios em Lisboa são a banca e as seguradoras e os fundos imobiliários que elas detêm?

#SabiaQueLisboa
Sabia que os fundos imobiliários – que detêm muitos Devolutos em Lisboa – não pagam Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a expressão “Cóco, Ranheta e Facada” vem da opereta com o mesmo nome de Gervásio Lobato (1850-1895), um popular dramaturgo lisboeta, tido como um dos pais da “Revista à Portuguesa”? Gervásio Lobato é um antepassado de Nuno Markl. Atualmente, no Campo de Ourique existe uma rua com o seu nome.

#SabiaQueLisboa
Sabia que o programa “Reabilita Primeiro, Paga Depois” da CML permite o pagamento após a conclusão das obras, num prazo máximo de três anos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Manuel Salgado, admite que metade dos prédios devolutos da cidade aguardam licenciamento para reconstrução?

#SabiaQueLisboa
Sabia que se os 4.600 Devolutos de Lisboa estivessem ocupados, dariam alojamento a mais de 25 mil pessoas?

#SabiaQueLisboa
Sabia que Lisboa tem 11 766 edifícios a precisarem de obras – um quinto do património imobiliário da cidade -, 7085 estão em mau estado e 4681 devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que o aluguer do edifício da Rua Castilho onde estão instalados a Direcção Municipal de Recursos Humanos e o Departamento de Gestão de Recursos Humanos a Câmara paga por ano 182.164 euros?

#SabiaQueLisboa
Sabia que Portugal é o país da Europa Ocidental que menos investe em reabilitação de edifícios e o que mais gasta na construção de novos prédios?

#SabiaQueLisboa
Sabia que a recuperação de edifícios degradados representa apenas 5,6% dos investimentos em construção civil em Portugal, enquanto a média europeia é de 33%? Contudo, o país ultrapassa todos os europeus nos gastos com a construção de novos edifícios, que consome 49% do total de investimentos…

#SabiaQueLisboa
Sabia que A Câmara é proprietária de mais de 300 imóveis devolutos?

#SabiaQueLisboa
Sabia que só o custo anual dos arrendamentos pagos pela CML ascende a centenas de milhares de euros, e segundo algumas fontes chega mesmo ao meio milhão de euros. E que, apesar disto existem, na posse da CML, mais de 300 prédios devolutos?

#SabiaQueLisboa

Sabia que segundo uma lei de 1864, de João Crisóstomo [antigo ministro das Obras Públicas]: se os proprietários não dessem uso à propriedade, se não a disponibilizassem para a sua função social, o Estado podia expropriar e vender a preço justo?

#SabiaQueLisboa
Apesar de se dizer que Lisboa é a cidade das sete colinas, apenas 25% das ruas da capital têm inclinação excessiva?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a câmara de Lisboa tem apenas dez calceteiros profissionais?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a colocação de calçada portuguesa no Rossio demorou um ano a ser feita?

#SabiaQueLisboa

Sabia que Lisboa tem 9400 passadeiras?

#SabiaQueLisboa

Sabia que a esquadra de Arroios e uma das que a PSP vai fechar em Lisboa? Após este fecho, haverá uma “esquadra móvel”, numa Ford Transit que percorrerá as ruas da freguesia…

#SabiaQueLisboa

Sabia que, nos serviços de saúde não existe limite de área de atuação dos bombeiros, enquanto que, na de incêndio este limite já existe?

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Sabia que… em Lisboa

A lenda dos Corvos de Lisboa:
A iconografia da cidade está também ligada à lenda segundo a qual, na era do Imperador Diocleciano, o governador romano de Valência, Publius Dacianus, teria martirizado o diácono Vicente, do bispado de Saragoça, em 304 d.C. O corpo do mártir teria sido abandonado ao ar livre, para que fosse devorado pelos animais selvagens. Contudo, narra a lenda, que o corpo foi guardado por um anjo que teria assumido a forma de um corvo, conservando assim intacto o corpo do diácono, batendo-se com os animais que o tentavam devorar. Furioso, o governador teria mandado recolher o corpo para que fosse lançado ao mar. Contudo, o corpo do mártir tornou a dar à costa, sendo recolhido por cristãos que o sepultaram em Valência, tornando-se esse sepulcro lugar de amplas romarias e notáveis milagres.
A conquista muçulmana de 711 provocou uma vaga de destruição nos locais mais sagrados da cristandade na Península. Para protegerem o túmulo de São Vicente, os cristãos locais removeram os despojos do santo do túmulo em Valência e levaram-no de terra em terra, em fuga dos exércitos muçulmanos até que por fim chegaram ao cabo de São Vicente, no Algarve (Sagres), que então era conhecido como o “Promontório dos Corvos”, em virtude do grande número de corvos que então aí vivia. É a partir da transladação dos restos mortais do santo que o Cabo adquire o nome de São Vicente.
Depois da conquista de Lisboa, Afonso Henriques – segundo a lenda, já que historicamente esse local se encontrava ainda sob domínio islâmico – manda em 1176 que as relíquias do santo sejam transferidas para Lisboa, para sacralizar a cidade.
As relíquias de São Vicente são depositadas na Igreja de Santa Justa e Rufina e só em 1755, depois do Terramoto é que foram transferidas para a Sé Catedral, tornando-se então São Vicente no Santo Padroeiro da cidade. Diz a lenda que dois corvos as teriam acompanhado na viagem até Lisboa e que os seus descendentes viveram numa das torres da Sé até meados do século XVIII.
Simbolicamente, o Corvo é um signo muito rico: vale pelo guia espiritual, recordando o papel que estas aves tinham nos navios medievais, que por vezes transportavam um corvo, soltando-o quando perdiam a vista de terra, e seguindo-o. O Corvo e a barca (com o santo) que guarda aludem também à arca de Noé, salvaguarda perante as ameaças da natureza. E à “viagem”, ou transformação espiritual induzida pela fé e devoção religiosa.
Qual foi a origem do termo “alfacinha”?
A origem do termo é incerta, mas há quem acredite que surgiu na tradição de finais do século XIX que trazia muitos lisboetas às hortas do termo da cidade, a almoços ao ar livre, onde se consumia peixe frito com salada de alface.
Qual a origem do topónimo “Madragoa”?
A expressão “Madragoa” parece ter surgido pela primeira vez no século XIX, substituindo o termo “Mocambo”, que até então era usado para designar esse bairro lisboeta. A palavra resulta da presença, no século XVI de uma “Rua das Madres de Goa” (atualmente, a Rua Vicente Borga), onde funcionava um albergue (“hospício”) para “senhoras da Índia”, adstrito ao Convento das Trinas.
Origens da expressão popular “Obras de Santa Engrácia”:
A origem deste ditado popular resulta da lentidão com que se concluíram as obras de construção da Igreja de Santa Engrácia, no Campo de Santa Clara (hoje, “Panteão Nacional”). No total, a sua construção terá demorado… 385 anos.
Porque se chama “Rua do Poço dos Negros” à “Rua do Poço dos Negros”?
Este topónimo resulta da existência de um poço mandado cavar por Dom Manuel em 1515 e que deveria servir como túmulo coletivo de escravos negros. Na época, os escravos não podiam ser enterrados nos adros das igrejas, como sucedia com os homens livres, e era frequente os seus corpos serem lançados ao Tejo do alto de Santa Catarina ou enterrados na praia ou simplesmente deixados em lixeiras, descampados ou até nas quintas que rodeavam a malha urbana, criando esta atitude desumana problemas de saúde pública, razão única pela qual, se decidiu o monarca por abrir esta vale comum “permanente”.
O Simbolismo das Sete Colinas de Lisboa
As sete colinas de Lisboa comparam-se diretamente com as sete colinas de Roma, Jerusalém ou Constantinopla, todas cidades imperais, ou sede de impérios universais havidos ou por haver.
O primeiro autor português que discorre sobre as “sete colunas” é Frei Nicolau de Oliveira que as liga aos sete templos principais de Lisboa:
“Primeiro é a colina de “S.Vicente” (no Bairro de Alfama) onde fica o Convento de S. Vicente de Fora. À esquerda fica a colina de “Stº André” (na Graça). Depois é a colina de “S. Jorge”, onde se situa o Castelo. A oeste deste fica a colina de “Stª Ana” (na Anunciada). A quinta colina é de “S. Roque” (no Bairro Alto). Na parte direita desta fica a das “Chagas” cujo nome é atribuído por causa da Igreja que nele edificaram os marinheiros da rota da Índia em louvor às Chagas de Cristo. E por último, é a colina de “Santa Catarina” (vai do Largo de Camões à Calçada do Combro).”
Ulisses, as Sete Colinas, Ofiussa e a Penha de França:
Segundo uma das lendas que liga Ulisses a Lisboa (porque existem várias…), teria sido na cidade que o navegante se teria apaixonado pela ninfa (ou “deusa-serpente”, noutras fontes) Ofiussa. Quando Ulisses regressou à sua pátria, a deusa/ninfa, furiosa e sentido-se abandonada, fez estremecer o planalto em que situava então a cidade. Deste abalo, brotaram as sete colinas. Outra lenda, correlacionada, indica que o local onde se consumou esta fugaz paixão teria sido onde se encontra hoje o miradouro da Penha de França.
O edifício do Município de Lisboa:
Este edifício foi construído depois do terremoto de 1755, a partir de planos da autoria do arquiteto Eugénio dos Santos de Carvalho. O edifício sofreria muitos danos no incêndio de 1863 sendo reconstruído a partir de 1865, sob a orientação do arquiteto Domingues Parente da Silva, que foi o autor da atual fachada do prédio, a partir de desenhos originais do escultor francês Anatole Camels, o mesmo autor do Arco Triunfal da Rua Augusta, nomeadamente na estátua da Glória que coroa o Génio e o Valor. Esta reconstrução terminaria apenas em 1880.
Em 1996, novo incêndio, danificaria seriamente algumas partes do edifício. A recuperação da sede do município de Lisboa seria entregue à responsabilidade do arquiteto Silva Dias. Este arquiteto recuperaria os danos provocados pelo incêndio nos andares superiores, tendo havido uma grande preocupação em respeitar a traça original e em integrar no processo alguns dos arquitetos e escultores mais prestigiados da cena cultural nacional como João de Almeida, Manuel Tainha, Nuno Teotónio Pereira, Daciano Costa, entre outros.
Em termos de significado, a fachada apresenta ao centro as Armas da cidade, ladeadas, pelas figuras alegóricas à Liberdade e ao Amor à Pátria. Outras figuras representam a Ciência, a Navegação, a Indústria, o Comércio e a Arte. Encontramos aqui, também, um ábaco e a figura de Hermes, acompanhado de três livros fechados e um pote, igualmente fechado e com a palavra “escrutineo”.
As Caves Secretas do Palácio Foz:
Nas caves do Palácio Foz, nos Restauradores, encontramos um dos tesouros arquitetonicos de Lisboa: o Restaurante Abadia. Inaugurado em 1917, este ponto de encontro da élite maçónico lisboeta apresenta um poço (onde ainda hoje corre água, que brota de uma nascente). O espaço busca inspiração e nome num antigo claustro de um convento e o estilo neo-manuelino é o dominante. Vários símbolos de origem maçónica podem ser aqui encontrados: cachos de uva, dragões e inclusivamente os bustos de 24 maçons.
Origem do topónimo “Picoas”:
A origem do termo virá da existência neste local de uma quinta que era propriedade de duas irmãs que tinham como pai um certo “Picao”. Solteironas, as duas mulheres seriam conhecidas pelo povo da região como “Picoas”, tendo o nome persistido até hoje.
Jardim de São Pedro de Alcântara:
Sabia que em 1864, depois de uma grande vaga de suicídios, a Câmara Municipal de Lisboa, haveria de determinar a construção de uma grade (parte da qual pertencera ao antigo palácio da Inquisição) por forma impedir que os suicidas daqui se atirassem? Por volta desta mesma época existia também aqui um labirinto de pedra que foi também destruído para impedir certas cenas entre namorados que aqui tinham lugar.
O Esoterismo das Cores do Brazão de Lisboa:

O Brazão da cidade de Lisboa não está isento de significado esotérico. Desde logo, pelas cores escolhidas: o negro significa a terra, a força e a firmeza de carácter que dela proveem, mas também o “nigredo” ou estado inicial da matéria antes de a levar a um estádio mais alto de desenvolvimento.

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Passeio Pedonal: A Lisboa de Fernando Pessoa

1. Largo de São Carlos

 
Encontra-se aqui o Teatro de São Carlos, construído entre 1792 e 1793, uma construção em estilo neoclássico da autoria do arquitecto José da Costa e Silva e terminado em apenas seis meses fortemente inspirada na fachada do teatro Scalla de Milão.

Aquele que é considerado como um dos maiores poetas de Portugal, Fernando Pessoa terá nascido em 1888, no Largo de São Carlos, número 4, 4º esquerdo.

Pessoa é um dos expoentes máximos da Cultura Portuguesa, mas foi profundamente influenciado por Lisboa, cidade de onde apenas saiu muito raramente depois do seu regresso da África do Sul e que marcou frequentemente a sua obra poética e em prosa.

Este percurso visa “viver Pessoa” passando pelos locais onde o poeta viveu e desenvolveu o seu pensamento e obra.

“Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma”

escreveu Fernando Pessoa, em poema publicado na revista Renascença, em 1914. Escrito aos 25 anos (em 1913) este poema invoca a infância feliz do nosso poeta que nasceu aqui, entre um teatro, o de São Carlos e uma Igreja, a Igreja dos Mártires, entre o teatro das elites (que o seu pai frequentava como crítico literário do Diário de Notícias), onde passavam as grandes obras e uma igreja frequentada pelo povo mais anónimo.

O poeta conservará para sempre a memória desses primeiros cinco anos de vida tranquila e paradisíaca  de “menino da sua mãe” e das “poeiras musicais” do seu pai, de cujo rosto mal se recorda.

No mesmo edifício viria a instalar o “Directório Republicano” (no 1º andar) tendo o nome do Largo sido a partir de 1913, o “Largo do Directório”, precisamente por essa razão. O primeiro Directório Republicano Democrático, o embrião do futuro PRP ou Partido Republicano Português foi eleito em 3 de abril de 1870, legalizado por Dom Luís, em 1876 fazendo então partes Latino Coelho, Elias Garcia e Consiglieri Pedroso, entre outros notáveis republicanos. Um segundo directório é eleito em 1879, fazendo agregar ao grupo inicial mais republicanos como Sousa Brandão e Bernardino Pinheiro. Sob o Estado Novo, em 28 de maio de 1956, este topónimo regressaria à sua designação original, que se mantêm até hoje.

2. Largo de São Carlos para Largo do Chiado pela Rua Serpa Pinto até à Brasileira

Seguimos agora pela Rua Serpa Pinto até ao Largo do Chiado. Esta rua é uma das várias nesta antiga freguesia dos Mártires que recebeu nomes de exploradores portugueses do XIX: Rua Ivens, Rua Capelo, Rua Anchieta. Esta Rua Serpa Pinto resulta da incorporação da Travessa Estevão Falharde e da Rua Nova dos Mártires e foi feita em finais do século XIX pela CML:

Uma das caminhadas habituais do poeta era entre o Largo de São Carlos e o Largo do Chiado, onde se encontra com os outros grandes intelectuais do seu tempo no café “A Brasileira”

Percorremos agora a Rua Garrett, o centro do Chiado, o famoso eixo intelectual de Lisboa no século XX. Encontramos aqui a Livraria Bertrand, fundada em 1732. Esta rua ganhou este nome em 1880. De notar que o nome deste escritor tinha como grafia original “garet” (de origem irlandesa). Foi Garrett que inaugurou o romantismo em Portugal com o poema “Camões” (1825), razão pela qual em 1880, quando se comemorou o tricentenário da morte de Camões a rua receberia este nome.

3. A Brasileira do Chiado
 
A designação “Chiado” tem a sua origem no comportamento ruidoso de um certo Gaspar Dias (“chiar”), que era proprietário de uma taberna no Século XVI, no cruzamento entre as ruas do Carmo e Garrett. Outros autores, contudo, discordam… acreditando que o termo se referia ao poeta António Ribeiro, conhecido por “Chiado” o “O Poeta Chiado” (1520-1591). Este poeta jocoso, contemporâneo de Luiz de Camões viveu nesta zona durante muitos anos, tendo a rua obtido então esse nome (“Rua do Chiado”) que mudaria para “Rua Almeida Garrett” apenas no século XIX. Franciscano, deixou a vida de clausura, mas manteve sempre o celibato e o hábito clerical. Além de poeta, era também conhecido como imitador de figuras da época. A estátua que aqui se encontra foi inaugurada em 1925 pela CML e é da autoria de Costa Motta
 
O Café “A Brasileira” tem o projeto da responsabilidade do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962), autor de várias obras nas Avenidas Novas como a Casa-Atelier José Malhoa, na 5 de Outubro. A fachada apresenta três portas envidraçadas encimadas por esculturas em estuque, envolvidas por motivos vegetalistas em torno de uma figura masculina que bebe café.

Terá sido aqui que a famosa “bica” ou “café português” terá sido inventada. Terá sido aqui instalada uma das primeiras máquinas de café expresso de Portugal tendo então os primeiros clientes reclamado do sabor muito forte e amargo. A resposta da gerência terá sido a colocação de cartazes “beba isto com açúcar”, o que daria na sigla. B-I-C-A.

Antes de 1905, neste local funcionava um estabelecimento de venda de produtos brasileiros (tapioca, goibada e chá, além de produtos portugueses diversos, como vinho e azeite)

A Brasileira do Chiado abriu as portas a 19 de novembro de 1905 com o objetivo de vender o “genuíno café do Brasil”, onde o seu fundador, Adriano Telles, tinha vivido alguns anos, deixando uma série de contactos empresariais. Em 1908, a Brasileira abria uma “sala de café”, que era muito frequentada pelo elite intelectual da Lisboa de então, contando com frequentadores habituais como Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, José Pachelo, Abel Manta e, claro, o “nosso” Fernando Pessoa…

Em 1925, a Brasileira começa a expôr 11 quadros de 7 pintores que frequentavam o estabelecimento (Almada Negreiros, António Soares, Eduardo Viana, Jorge Barradas (com dois quadros cada), Bernardo Marques, José Pacheko e Stuart Carvalhais.

A estátua do Poeta que hoje aqui vemos, em bronze, foi inaugurada em 1988 e é da autoria do escultor Lagoa Henriques.

 
 
4. Descer Rua Garrett
 
A designação desta rua data de 14 de junho de 1880. Aqui funcionou a “Sapataria Lourenço” citada por Eça de Queiroz. Entre os números 90 e 92 estava aqui a “Farmácia Durão” onde decorriam grandes conspirações republicanas, sendo o local de eleição dos partidários de Brito Camacho. Aqui se vendia (em publicidade paga nos jornais da época) produtos como “pó da viscondessa”, “remédios para a solitária”, ou “creme virginal” e “laranjada purgante”…
Onde encontramos hoje a “St. Tropez Kiwi”, que em 1982 substituiu a “Boutique Migacho” no mesmo local onde encontrava a famosa “Leitaria Garret” da canção de Vitorino, inaugurada na década de 1920.
 
A “Paris em Lisboa” foi fundada em 1888 e ainda hoje em dia mantém a atividade.
 
Construída e reconstruída várias vezes, sob o nome de “Ermida dos Mártires”, em honra dos que morreram na batalha pela conquista de Lisboa em 1147 e situada no mesmo local onde funcionou o Convento de São Francisco, esta ermida foi destruída no terremoto. A construção atual é de 1768 e de traços barrocos e neoclássicos sendo da autoria do arquitecto Reinaldo Manuel dos Santos (1731-1791) (autor do Chafariz das Janelas Verdes, de 1755) e que começou a sua carreira como canteiro no convento de Mafra tendo o seu apogeu na construção da  Basílica da Estrela, tendo alterado o projeto primitivo, dando maior grandiosidade à obra. O interior do templo cumpre um programa ornamental da autoria do pintor Inácio de Oliveira Bernardes (1662 – 1732, autor de grande mestria, como comprova um comentário de Frei Agostinho de Santa Maria que, em 1707 diz que os painéis deste pintor e que estavam na Quinta da Ramada, capela [actualmente em Cascais, Casa de Santa Maria] “pareciam ser oriundos da Holanda, tal o grau de perfeição”. A pintura do teto da Ermida é da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810), um dos melhores executantes nacionais da escola do Rococó francês (com passagem pelo Barroco e Neoclássico). Conhecido como “pintor dos frades”, por ter trabalhado em várias igrejas na região de Lisboa, reconstruidas após o terremoto de 1755.
 
A Livraria Sá da Costa mesmo aqui ao lado, conheceu recentemente um processo de insolvência a que se seguiu o pedido da Câmara à Direção-Geral do Património Cultural de classificação da Livraria Sá da Costa “como imóvel de interesse público”. No século XX, a Livraria era uma editora de grande prestígio e sucesso comercial (tendo editado a conhecida coleção “Clássicos Sá da Costa”)
 

Mais adiante, encontramos a Livraria Bertrand. Fundada em 1732 por Pedro Faure na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte e vendida em 1740-1747 aos irmãos Bertrand (Pierre e Jean Joseph Bertrand) recebendo então o nome “Pedro Faure e Irmãos Bertrand”. O fundador morre em 1753 e a livraria perde o seu nome. Em 1770-1773 muda de local para a Rua Garrett (onde hoje se encontra). Em 2010, o Guinness World Records ganha o título de “a mais antiga livraria em atividade”. A livraria foi frequentada por alguns dos maiores vultos do seu tempo: o político José Fontana que se destacou na luta pela melhoria das condições de vida e trabalho do operariado, promovendo o associativismo e o cooperativismo. Influenciado por Bakunine, foi o autor dos estatutos da Associação Fraternidade Operária (1872) que posteriormente daria origem ao Partido Socialista Português, de quem seria um dos fundadores. Depois de um longo padecimento pela tuberculose, suicidar-se-ia em 1876 na livraria, com apenas 35 anos. Na altura era sócio-gerente, tendo começado aqui como empregado em 1865. Aqui se realizava uma conhecida “tertúlia diária”, nesta época em que participavam alguns dos maiores intelectuais de então, como Alexandre Herculano, Oliveira Martins, Eça de Queirós, Antero de Quental e Ramalho Ortigão, entre outros. O próprio Dom Pedro II era frequentador habitual desta livraria do Chiado…

 
 
5. Descer Rua do Carmo
 
Esta artéria foi traçada em 1904 e recebeu a atual designação em 1910. Antes de 1755, esta zona nas traseiras do Convento do Carmo era conhecida como “O Caracol”, tamanha era a sua inclinação. Após o terremoto, abriu-se uma nova rua através de quintais, jardins, a estreita escadaria assim chamada de “caracol” e edifícios de habitação. Foi nesta época que se construiu a “muralha do Carmo”, uma obra de consolidação de terrenos que hoje se pode ainda observar por detrás de alguns prédios da rua do Carmo onde a partir de 1901 se instalaram várias lojas.
 
Foi nesta rua que em 25 de agosto de 1988 deflagrou o grande incêndio de agosto de 1988 nos Armazéns Grandella. Na altura a incapacidade dos carros de bombeiros em entrarem na Rua do Carmo devido aos canteiros altos de betão permitiu o rápido alastrar do incêndio, perdendo-se assim os Armazéns e a “Perfumaria da Moda” (onde se filmara parte do Pai Tirano) assim como o arquivo histórico de gravações de som da Valentim de Carvalho. O projecto de reconstrução manteve as fachadas originais e foi da responsabilidade do arquiteto Siza Vieira.
 
A expressão popular “Cair o Carmo e Trindade” que significa algo de surpreendente, surgiu devido ao surpreendente e tremendo impacto do terremoto de 1755, em que desabaram vários conventos lisboetas, nomeadamente o do Carmo e o da Trindade.
 
 
6. Atravessar Praça Dom Pedro IV
 
No passado, a Praça Dom Pedro IV era conhecida como Rossio ou Rocio e era o centro efetivo de Lisboa. Na época romana, funcionava aqui um hipódromo. Até ao século XII corria aqui um afluente do Tejo, tendo a zona o nome de “Valverde”, por causa das canas que existiam aqui em grande profusão. Este caneiro foi tapado em Quatrocentos, criando-se uma praça onde se realizavam feiras e mercados.
 
Foi aqui, sob Dom Manuel I que teve palco o grande massacre dos Cristãos Novos de 1506 que durou 3 dias e onde morreram mais de 4 mil pessoas. Tudo terá começado quando na Igreja de São Domingos do convento do mesmo nome (nesta praça) um cristão disse ter visto o rosto do Cristo crucificado iluminar-se no altar quando se rezava pelo fim da seca que então assolava Portugal. Ora, na igreja estava um Cristão Novo que terá dito que a luz que emanava do crucifixo era apenas um reflexo de um raio de sol que entrava por uma fresta. Morto pela turba, que saiu para a praça acompanhada por frades dominicanos, a multidão partiu para a judiaria, dando origem a um dos episódios mais negros da História da nossa cidade. Esta Judiaria situava-se no atual Bairro de Santa Madalena (ruas da Conceição, São Nicolau e Rua Nova do Almada e dos Bacalhoeiros.
 
Aqui se localizava o Palácio dos Estaus ou da Inquisição, no topo norte do Rossio, onde hoje se encontra o Teatro Nacional Dona Maria II. Estaus significava na época “estalagem” e foi mandado construir pelo regente Dom Pedro para alojar pessoas da Corte sem casa própria e embaixadores estrangeiros e até monarcas que estivessem de visita a Lisboa (daí o nome). Aqui viveria Dom João III a partir de 1540. Aqui morreria Dom Duarte e onde Dom Sebastião recebeu o governo do reino. Em 1571, seria aqui instalado o Tribunal da Inquisição recebendo então o título de “Casa de Despacho da Santa Inquisição”. O Palácio sofreu muitos danos em 1755 (a reconstrução pombalina de Lisboa começou pelo Rossio). Em 1807 seria usado como Paço da Regência. Em 1826 receberia também a Secretaria da Intendência da Polícia, a Escola do Exército e o Tesouro Público. Um grande incêndio, em 1836, destruiria completamente o palácio. No local seria construído o atual teatro, terminado em 1846.
 
O Teatro Dona Maria tem na fachada as seis colunas jónicas que vieram do antigo convento de São Francisco que existia no Chiado antes do terremoto. O frontão tem a estátua de Gil Vicente, de Francisco Assis Rodrigues, rodeado pelas musas da tragédia (Melpomene) e da comédia (Talia). Por baixo, surge Apolo e as sete musas. A sua construção resulta da pressão de Almeida Garrett (então deputado) para que existisse em Lisboa um teatro comparável aquilo que São Carlos era para a música. A proposta de Garrett tinha um nome “Teatro Português” e previa a sua construção já no Rossio, no local onde em 1836 se viam as ruínas do antigo Palácio da Inquisição. Depois de muita pressão, em 1841, o Estado comprava esses terrenos e em 1842 começavam as obras da responsabilidade do arquiteto Fortunato Lodi, uma escolha muito contestada por Garrett e Herculano, que não gostavam da escolha de um artista estrangeiro. O teatro foi usado pela primeira vez no aniversário de Dom Fernando, em 1845, mas não estava ainda concluído… quase a tempo do aniversário de Dona Maria II (1846). Em 1964, um grande incêndio destruiu o teatro, perdendo-se o recheio e uma das mais importantes obras de Columbano Bordalo Pinheiro: a decoração do teto com 20 metros de diâmetro.
 
Onde se situa a Estação do Rossio, estava o Palácio dos Faros, dos Duques do Cadaval.
 
No centro havia um chafariz, dito “Chafariz do Rossio”, fonte monumental com um Neptuno de pedra, de finais do século XVI e destruído em 1786. Era perto daqui que realizavam autos-de-fé, onde foi epicentro da revolta popular do tempo de Dom Fernando e onde se abandonou o corpo do bispo Dom Martinho, atirado da torre da Sé de Lisboa: “Ao passarem pela Sé lembraram-se alguns de que à ida, passando por ali com Álvaro Pais, tinham gritado aos de cima que repicassem os sinos. Mas, repicando em S. Martinho e nas outras igrejas, não quiseram repicar na Sé. E souberam que o bispo estava em cima e que mandara fechar as portas sobre si. E porque ele era castelhano disseram logo que era do partido da rainha e do conde e que fora sabedor da traição e morte que quiseram dar ao Mestre, e que por isso não repicaram.” (Crónica de Fernão Lopes). Aqui também foram decapitados em 1641 os conspiradores Duque de Caminha, o Marquês de Vila Real e o Conde de Armamar. Mais tarde, em 1831, este seria o local onde tiveram lugar os combates na revolta anti-miguelista do Infantaria 4, onde esteve Alexandre Herculano com 21 anos e onde terão perdido a vida mais de 300 homens (menos Herculano que daqui fugiu para um navio francês fundeado no Tejo)
 
Nos famosos cafés do Nicola e das Parras, encontravam-se Barbosa do Bocage e outros poetas da época, tendo sido aqui compostos muitos dos poemas deste poeta satírico.
 
A estátua de Dom Pedro IV, rei de Portugal e imperador do Brasil que aqui se encontra e que dá hoje nome à praça foi inaugurada em 1870. Da execução de Germano José de Sales. As quatro figuras femininas da base aludem à Justiça, Prudência, Fortaleza e Moderação, qualidades que teria esse monarca. O monumento tem também os escudos das 16 maiores cidades de Portugal. Na mão, o rei segura a Carta Constitucional que ele outorgou em 1826 (a segunda Constituição portuguesa e também a que esteve em vigor mais tempo: 72 anos). A lenda segundo a qual esta estátua seria, de facto, a estátua do imperador Maximiliano do México (fuzilado em 1867, quando a estátua estava em trânsito para o México) não tem fundamento: a peça tem vários traços tipicamente portugueses: os escudos de Portugal nos botões, o colar da Torre e Espada e até a Carta Constitucional. Em 2001, numas obras de restauro na base da estátua foram descobertos dois frascos com documentos e a fotografia do rei que teria servido de base à estátua. Pessoa sobre esta estátua escreveria: “Para onde olha D. Pedro, o Imperador do Brasil?” para o Cais das Colunas, onde diz a tradição, irá desembarcar o Encoberto…
 
No mesmo local do monumento a Dom Pedro, existia, desde 1821 um monumento à Constituição de 1820, destruído depois em 1823 por ordem de Dom João VI (que ordenara antes a sua construção…) com o regresso ao Absolutismo real. Este monumento era muito criticado e era popularmente conhecido por “Galheteiro” tendo na base quatro estátuas “África”, “Europa”, “Ásia” e “Oceânia” que depois foram deslocadas para o Palácio de Queluz, em torno da estátua de Dona Maria I, depois de uma breve passagem pela Avenida da Liberdade.
 
Ao lado da estátua, a partir de 1889 foram construídos dois monumentais lagos de pedra, com figuras de ferro, fundidas em França nos locais onde existiam dois poços.
 
A expressão “Meter o Rossio na Betesga” (meter algo grande em algo pequeno) tem aqui a sua origem: a grande praça do Rossio está ligada por uma estreita rua à Praça da Figueira. “Betesga” significa beco e alude ao beco que existia antes de 1755 nesta rua.

A Pastelaria Suíça funciona desde 1910 (“Casa Suissa”), que seria depois expandida com a aquisição de uma casa de lanifícios.

A calçada da Praça foi composta com ondas pretas e brancas entre 1848 e 1849 por presos condenados a trabalhos forçados que estavam detidos no Castelo de São Jorge. Uma parte deste tapete original pode ser ainda visto junto à estátua de Dom Pedro IV.

7. Praça da Figueira

Fernando Pessoa não gostava da ordenação geométrica da Baixa Pombalina, conforme escreve no poema “Praça da Figueira de Manhã” no seu heterónimo Álvaro de Campos:

“A praça da Figueira de manhã,
Quando o dia é de sol (como acontece
Sempre em Lisboa), nunca em mim esquece,
Embora seja uma memória vã.

Há tanta coisa mais interessante
Que aquele lugar lógico e plebeu,
Mas amo aquilo, mesmo aqui… Sei eu
Porque o amo? Não importa. Adiante…

Isto de sensações só vale a pena
Se a gente se não põe a olhar para elas.
Nenhuma delas em mim serena…

De resto, nada em mim é certo e está
De acordo comigo próprio. As horas belas
São as dos outros ou as que não há.”
ou seja, para Pessoa a Praça era “aquele lugar lógico e plebeu”…

A Praça era antes do grande Terremoto de 1755 o local onde estava erguido o Hospital de Todos-os-Santos, conforme se provou quando na construção do parque de estacionamento subterrâneo. Este hospital, também conhecido como Hospital Real ou Hospital dos Pobre foi durante os séculos XVI e XVIII o mais importante de Lisboa, tendo sido construído (em diversas fases) entre 1492 e 1504. A fachada principal do hospital (com mais de 100 metros) estava virada para o Rossio e tinha 3 pisos com arcadas e tendo a meio uma igreja Manuelina, a que se acedia subindo uma escadaria monumental. O Hospital foi destruído pelo terremoto e, sobretudo, pelo grande incêndio que se lhe sucedeu, tendo os doentes sido transferidos para tendas, instaladas no Rossio e para palácios e conventos em Lisboa, menos afetados pela tragédia. Na época, o plano era o de reconstruir o hospital, o que foi parcialmente feito, mas nunca concluído, sendo a função, por fim, transferida para o Colégio de Santo Antão, após a sua confiscação aos jesuítas em 1759, atual Hospital de São José (em homenagem ao monarca).

A partir de então a praça foi usada nas festividades dos Santos Populares e como mercado a céu aberto sendo conhecida por diversos nomes: Horta do Hospital, Praça das Ervas e Praça Nova.

 
Em 1835, a Praça foi arborizada e iluminada. Em 1848, é construída uma cerca gradeada coberta e com oito portas.
 
Em 1885 construiu-se aqui um grande mercado coberto, que seria demolido na década de 1950, no decurso de uma decisão da vereação para alargar a rede viária da cidade
 
A estátua de bronze que hoje ocupa o lugar central na praça é recente, data apenas de 1971 (a encomenda é de 1968) e representa Dom João I e foi da autoria de Leopoldo de Almeida, escultor considerado por muitos como o melhor do Modernismo português e autor do Monumento a António José de Almeida e do Monumento a Calouste Gulbenkian (Avenida de Berna)
 
Na direção do rio temos o Martinho da Arcada, antes conhecido por Café da Neve e que funciona desde 1778 onde o poeta escreveu uma parte dos seus poemas, nomeadamente os que fazem parte do único livro que publicou ainda em vida: “A Mensagem”.
 
8. Entrar no Metro no Rossio
 
Esta estação foi inaugurada em 1963, na 2ª fase da construção da rede (1959-1963). A estação segue as diretrizes do Arquiteto Falcão e Cunha sendo os azulejos da pintora Maria Keil, também autora do painel O mar, 1958-59 da Infante Santo. As obras expuseram vários vestígios arqueológicos romanos, muçulmanos e ruínas do Hospital de Todos-os-Santos (destruído em 1755) que foram enviados para o Museu da Cidade. Os azulejos de Maria Keil permitiram a recuperação de técnicas que se encontravam quase esquecidas como a da “corda seca” que combina vidros de cores diversas e que é de origem persa (século XIV) substituindo de forma mais económica o mosaico: a passagem do desenho para o molde é feita por papel químico.
 
9. Saída no Metro do Rato
 
A estação do Rato abriu em 1977 e e da autoria do arquiteto Sanchez Jorge com arte de Vieira da Silva e Arpad Szènés com azulejos de Manuel Cargaleiro estando não longe daqui a fundação Arpad Szénés-Vieira da Silva, razão pela qual o Metropolitano de Lisboa decidiu homenagear os dois artistas nesta estação. Aqui se encontram os painéis que reproduzem “Ville en Extension”, uma obra de Vieira da Silva datada de 1970 e “Banquet”, um trabalho de Arpad Szènés de  1948. Manuel Cargaleiro contribui também com o revestimento de azulejos com baixo relevo de motivos geométricos (círculos, quadrados e losangos) nos lambris ao longo dos cais e no enquadramento dos painéis de Arpad e Vieira da Silva e nas galerias das escadas rolantes.

10. Subir a Avenida Álvares Cabral
 
A estátua é do escultor brasileiro de origem mexicana Rodolfo Bernardelli e foi inaugurada em 1940. Oferta do Brasil e inaugurada com honras de Estado.
 
11. Rua da Estrela até Rua Coelho da Rocha (Campo de Ourique)
 
Esta rua homenageia Manuel Coelho da Rocha, um jurisconsulto de começos do século XIX e aqui se encontra a Casa Fernando Pessoa onde termina o nosso passeio.
 
A expressão “Resvés Campo de Ourique” surgiu em 1755 porque esta zona de Lisboa não a atingiu.
 
12. Casa Fernando Pessoa
Esta foi a última casa habitada pelo poeta, hoje transformada em Casa Museu, no prédio em que Fernando Pessoa viveu, entre 1920 e 1935, sendo a sua última morada. A casa foi inaugurada a 30 de novembro de 1993. A casa foi alterada a pedido da Câmara, com projeto de autoria da arquiteta italiana Daniela Ermano.
 
Apresenta em exposição permanente várias obras de pintores consagrados como José de Almada Negreiros (Retrato de Fernando Pessoa no Café Irmãos Unidos), Júlio Pomar, Bartolomeu dos Santos, António Costa e Rodriguez Castañé.
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Não esquecer!

Não esquecer que António Costa é o “líder que se segue” a essa sombra-de-líder que é Seguro. Quando em finais de setembro (como quer a Partidocracia) for votar em Lisboa deve saber que se votar no PS está a votar não somente em Costa, mas também:

1. Num dos partidos que subscreveu o Memorando da Troika
2. No partido que negociou o Memorando da Troika
3. No partido que mais fez disparar a dívida externa Portuguesa e que pela sua má governação nos colocou em situação de efetivo Protetorado
4. Num dos partidos que governa Portugal desde à décadas e que integra a Partidocracia do tripartido (PS-PSD-PP) que no mais longo prazo foi pelo exercício de um podre rotativismo de Estado a maior responsável pela situação atual.

Quatro boas razões para Pensar Melhor quando for votar António Costa e ponderar votar num projeto independente, inovador e revolucionário de Democracia Participativa em Lisboa: www.MaisLisboa.org

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Democracia Direta e Participativa: Vantagens, Desvantagens e Mitigações

A Democracia Direta ou Participativa é uma forma de governo democrático feito para o povo e pelo povo. Nele, os cidadãos tomam as decisões que os afetam eles próprios e não transferem essa capacidade para representantes regularmente eleitos.

A Democracia Direta e Participativa não é, contudo, o Sol sobre a Terra. Como qualquer outra forma de organizar uma sociedade humana, tem defeitos e tem virtudes. Como qualquer outra forma de organização social, tem mitigações para esses defeitos e mecanismos de feedback positivo que reforçam essas virtudes.

Vantagens:
.levanta questões que os partidos políticos e os políticos profissionais nunca levantarão, devido às teias de cumplicidades diretas e indiretas resultantes dos financiamentos partidários.
.devolve o poder aos cidadãos, tornando-os responsáveis diretos pela condução dos seus destinos, não permitindo a transferência de culpas ou responsabilidades para entidades impessoais ou abstratas.
.como a única forma de representação será a representação por Delegação, esses delegados serão mais responsáveis perante os cidadãos que os tradicionais “deputados” ou representantes.
.aumenta a ligação entre a comunidade local e os cidadãos que a formam e a política
.aumenta a qualidade da legislação assim como a amplitude com que esta é aplicada
.aumenta a eficácia de mecanismos de democracia participativa como as petições e os referendos
.devolve aos cidadãos o controlo do Parlamento e do Governo da República

Desvantagens:
.Tem mais custos que um sistema representativo clássico, devido à multiplicação da realização de eleições, referendos e da intensificação dos contatos entre eleitos e a a governação
.os meios de comunicação e os poderes económicos podem usar a sua influência para procurar condicionar a opinião e voto dos cidadãos em direções que sejam convenientes aos seus interesses.
.alguns cidadãos serão mais influentes que outros, isto é, terão vantagem sobre os demais.

Mitigações:
.os custos podem ser muito mitigados se se usarem mecanismos de votação eletrónica, via Internet e com a segurança digital que pode ser oferecida a baixo custo pelo chip presente no atual Cartão do Cidadão.
.o condicionamento induzido nas massas de eleitores pelos Grandes Interesses e pelos Media pode levar a obtenção de resultados eleitorais que sejam conformes aos interesses económicos da plutocracia, mas esse Nó Górdio desatasse defendendo leis que impeçam a concentração dos meios de comunicação, a sua ligação explícita ou implícita a grandes grupos económicos e, sobretudo, promovendo meios de informação independentes ou de pequena escala.
.o problema de os cidadãos mais participativos serem, numa democracia direta deste tipo, mais influentes que os mais passivos tem resolução simples: o fenómeno de imitação pelo exemplo, a própria publicitação da possibilidade de os cidadãos influenciarem os seus próprios destinos através do voto, levará naturalmente a uma intensificação da participação de todos na sociedade. Com efeito, muitos cidadãos escolheram hoje o caminho (estéril) do abstencionismo crónico por acreditarem na inutilidade do voto e observarem a irrelevância dos seus esforços. Numa democracia direta, esses cidadãos regressariam a uma vida política ativa, já que as razões que levaram ao seu afastamento se extinguiriam.

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MaisLisboa.org: Uma candidatura sem aparelhos

A candidatura independente MaisLisboa.org é o resultado do esforço conjugado de dezenas de cidadãos independentes, desempregados, reformados e de profissionais em inúmeros campos. Não há ninguém dedicado a 100% do tempo a este projeto. Não temos aparelhos partidárias na retaguarda, nem financiadores empresariais, nem orçamento ou financiamento estatal.

A candidatura independente MaisLisboa.org é livre de Partidos e de todas as dependencias e interesses que estes inevitavelmente arrastam atrás de si. Não temos, nem queremos ter, figuras mediáticas, VIPs ciumentos ou “personalidades de proa”. Somos cidadãos eleitores que se apresentam a votos perante outros cidadãos eleitores, sem ambição a encetar carreiras políticas, sem vontade para formar mais uma camada adiposa na gestão democrática de Lisboa. Somos gente comum, perante gente comum, sem máscaras desenhadas por empresas de marketing político, nem a responsabilidade de pertencer à Partidocracia que levou o país a este estado de pré-colapso.

No MaisLisboa.org temos consciência da escala do desafio e do desprezo que nos votarão as máquinas partidárias. Mas seremos imunes a ele: é que ao contrário delas, nada temos a perder.

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Informação e Participação: os dois requisitos principais da Democracia Direta e Participativa

Para que a democracia direta funcione precisa que se cumpram minimamente dois requisitos: o cidadão deve ser informado adequadamente sobre as decisões que vai tomar, sendo que aqui admito a necessidade da existência de um “mediador” ou Delegado, que compile dados sobre as propostas em votação, agregue fontes e condense essa informação num resumo conciso e imparcial, ordenado em vantagens e desvantagens que esteja em linguagem acessível e que possa ser levado a votação entre ativistas e apoiantes antes da votação que o delegado terá em sede de reunião da assembleia para onde ir plasmar (diretamente) o voto que recebeu a montante.

Numa fase mais avançada da implementação deste modelo de democracia direta, a existência deste mediador ou delegado deixa de fazer sentido e os cidadãos poderão votar diretamente, em assembleias virtuais, nas propostas que eles próprios apresentam ou que lhes são apresentadas por peritos ou equipas de peritos em certos campos.

Para que a democracia direta funcione há também que haver vontade de participar… e aqui a matriz histórica lusa complica tudo: os cidadãos estão condicionados a que pensem e decidam por eles, desde os tempos da monarquia, num traço depois intensificado no Estado Novo e até durante a atual democracia representativa dominada pelos partidos, por políticos profissionais e comentadores polivalentes que detêm o foco mediático.

Quer o requisito da informação, quer o da participação, constituem dois desafios a uma democracia direta e participativa eficaz e funcional. Mas o primeiro problema resolve-se pela tripla via da educação, da existência de informação imparcial e de qualidade e pela Educação. Já o problema da inexistência de hábitos de participação cívica e política em Portugal é de resolução mais difícil… mas acreditamos que uma vez reunidas as condições para vencer o primeiro desafio, o segundo será também resolvido, com o precioso concurso do tempo e da paciência dos militantes e ativistas.

A Democracia Participativa e Direta não é uma utopia nem um “sol sobre a Terra”, isento de dificuldades ou barreiras. É uma proposta real e concreta, materializada já em diversas campanhas autárquicas e, em Lisboa, pelo projeto www.MaisLisboa.org.

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Constituição dos Grupos Municipais

A constituição dos grupos municipais faz-se por comunicação ao presidente da assembleia municipal, assinada por todos os seus membros, com a indicação da designação e a direção que irão adotar. Todas as alterações à composição do grupo devem ser comunicadas ao presidente da assembleia municipal. Os membros que optem por não fazer parte de nenhum grupo municipal informam o presidente da assembleia e passam assim a exercer o seu mandato como independentes fora de qualquer grupo.

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Uma lembrança: apesar de todo o branqueamento, António Costa é um Partidocrata

“António Costa diz que a Primavera é tempo de ruturas” (bla, bla, bla):
Como de costume, eis António Costa sendo levado de carrinho pelos Media… esta notícia (como tantas outras) faz parte de uma campanha de exaltação das virtudes deste personagem por forma a credibiliza-lo como alternativa credível a um líder tão inepto, mentecapto e débil como aquele outro que apanhou o cargo de Primeiro Ministro na ultima distribuição de cargos deste malsano “rotativismo democrático” que nos rege.

Os Media estão a treinar os cidadãos para o sucessor de Seguro. Ja perceberam que este não tem a fibra suficiente para chegar a Primeiro Ministro e confiam em Costa para manter vivo e funcional o Rotativismo que alimentaram e de quem dependem (basta ver a quantidade jornalistas que acabam ligados ao governo).

Com António Costa teremos o “mação que se segue” e o Partido Socialista, o partido que com as suas PPPs, arruinou o país durante gerações vai voltar. Depois de líderes fracos e subservientes para com os ditadores germânicos que pela força imperial da sua economia de usura impõe a sua vontade e a miséria ao sul do continente, teremos… outros lideres fracos e subservientes, exatamente iguais aos primeiros, em incompetência e subserviência. Os Media querem que seja Costa, Seguro ainda acha que pode ser ele (mentecapto como é ainda não percebeu que é só um “líder de transição” até à próxima derrota eleitoral).

Seguro, Passos e Costa são apenas três dóceis e passivos peões das jogadas da Maçonaria a favor dos Interesses Pessoais e Financeiros dos seus membros. Agentes de uma Máfia que nos arruinou e que sequestrou a Democracia Representativa. Representantes de uma Partidocracia que urge expulsar do Poder. Já, a partir das eleições autárquicas de 2013. Chegou o momento de sairmos do sofá, do facebook e dos estéreis protestos de café ou repartição: saiamos à rua, organizemo-nos em movimentos de cidadãos e constituamos listas autárquicas. Eu estou nesta vanguarda, militando já ativamente na www.MaisLisboa.org. E você?

Fonte:
http://feeds.dn.pt/~r/DN-Ultimas/~3/ej1BYLuEPsA/story01.htm

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Em defesa de uma Descentralização Municipalista e Contra uma Descentralização Regionalista

Dado que em Portugal não existem diferenças culturais, linguísticas ou étnicas regionalizar corresponderia a tentar tornar real uma divisão fictícia e artificial. Serviria para reforçar o poder dos políticos locais e as tendências de alguns para o caciquismo, arrastando inevitáveis fenómenos de jogos de poder e tráfico de influências. Em vez de um Terreiro do Paço, teríamos vários, com todos os seus defeitos e custos.

Em vez desta regionalização artificial, Portugal devia municipalizar-se e adotar modelos de descentralização municipalista reforçando os poderes e atribuições das autarquias e desenvolvendo as já existentes formas de associações de municípios e as empresas intermunicipais. Este tipo de descentralização impediria a aparição de uma nova camada de burocrata e de uma nova série de cargos eleitos e administrativos com todos os custos laborais e funcionais decorrentes. Sobretudo, uma Descentralização Municipalista não colocaria em causa a coesão nacional e a integridade territorial de Portugal, ao contrário do que inevitavelmente sucederia com a instalação de um modelo de descentralização regionalista.

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Sobre a Inelegibilidade para os Órgãos das Autarquias Locais

Segundo a Lei Eleitoral portuguesa, nem todos os cidadãos podem ser eleitos para órgãos das autarquias locais. A legislação prevê Inelegibilidades gerais, como aquelas que se aplicam ao Presidente da República e ao Diretor-geral dos Impostos e Inelegibilidades especiais para os diretores de finanças, os secretários de justiça, os ministros de qualquer religião ou culto e os funcionários dos órgãos das autarquias locais.
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Composição e ordenação por sexos das listas de candidatos às autarquias

As listas de candidatos aos órgãos autárquicos devem indicar um grupo de candidatos suplentes num número nunca inferior a um terço dos efetivos, com um arredondamento por excesso. Nestas listas, um terço dos candidatos deve ser do sexo oposto, em que de três em três um tem que ser do sexo oposto. Assim, a lei pretende evitar que as mulheres sejam colocadas no final da lista de candidatos.

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A Lei de Hondt nas Eleições Autárquicas

O método de Hondt é o método de representação proporcional utilizado em Portugal nas eleições para os órgãos autárquicos. Segundo o artigo 16 da lei 14/79 a tradução dos votos em mandatos autárquicos utiliza este método da seguinte forma:
A. O número de votos é apurado em separado por cada lista no círculo eleitoral respetivo.
B. O número de votos por lista é dividido por um, dois, três, quatro, etc, sendo então alinhados os quocientes por ordem decrescente de grandeza numa série de tantos termos quantos forem os mandatos disponíveis no círculo eleitoral.
C. Os mandatos competem às listas que correspondem aos termos da série determinada na regra anterior, atribuindo-se a cada lista tantos mandatos quanto os termos da série.
D. Se no final sobrar um mandato por distribuir e de os termos seguintes serem iguais mas de listas diferentes, este mandato é atribuído à lista de candidatos que tiver recolhido o menor número de votos.

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