Lima de Freitas

Lima de Freitas: "Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem

“Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem do Templo.
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.
Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.

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Lima de Freitas: "somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços…

“De facto, e apesar de tudo, somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços, envolvendo-o na nossa hospitalidade ímpar.
Donde, Portugal não tem razão para se envergonhar perante as restantes nações da Europa. Pelo contrário, temos muito para ensinar-lhes, para dar-lhes.
Isso é um pouco o Império do Espírito Santo.”
“Porto do Graal”, Lima de Freitas, Ésquilo.

Esta especial característica da portugalidade, presente também nas matrizes culturais de outras nações lusófonas é aquela generosidade que nos marca e que torna os portugueses especialmente solidários e da qual a grandeza da mobilização por Timor foi especial exemplo. Esta hospitalidade a que alude Lima de Freitas, que por vezes pode ser injustamente confundida com subserviência é, afinal, marca da diferença de temperamento e de mentalidade entre o português e o germânico. Se o último prioritiza critérios de eficiência e de geometria, o português prefere a convivialidade, a confraria e a humanidade. É a fraternidade humana e a universalidade que marcam toda a História de Portugal e que esteve por detrás do impulso do movimento dos Descobrimentos e Expansão. Neste contexto, a sanha canina da Inquisição e os desvios da Escravatura correspondem a uma doença mental de que sofreu a portugalidade e que resultou da infeção pelos princípios mercantilistas e desumanos importados a partir do norte da Europa.

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O destino de Portugal e a visão profética de Joaquim de Flora

(Joaquim de Flora)
(Joaquim de Flora)

Joaquim de Flora (1135-1202) dividiu em três partes a História do Homem, decalcando-as das três pessoas divinas: Idade do Pai, Idade do Filho e Idade do Espírito Santo. Foi precisamente a convicção do abade cisterciense de que a última Idade ainda não tinha chegado que o tornou herético aos olhos da Igreja. Esta acreditava que após a vinda do tempo da “Lei”, que se interpretava como sendo a Idade do Pai, a Idade do Filho, a época da presença de Cristo entre os Homens e a Era atual, o “tempo da Graça” regido pela Santa Igreja. Flora previa que o ano de 1260 fosse o ano do fim da Idade do Filho, começando a Idade do Espírito Santo imediatamente a seguir.

A inspiração do abade provinha diretamente do Antigo Testamento, nomeadamente de Isaías e na leitura que Daniel fez do sonho do rei Nabucodonossor, sobre a visão da estátua, composta por quatro metais diferentes, em níveis diferentes e representando cada um deles um diferente império mundial. A estátua seria destruída pela “pedra”, entendida aqui com um… “Quinto Império”, origem primeira do termo, aliás. Seria este o império que “nunca seria destruído e cuja soberania jamais passará para outro povo, pois submeterá e aniquilará todos os outros, e subsistirá eternamente” (Daniel, II, 44).

A leitura literal da profecia é anacrónica, pelo que a devemos colocar em contexto, naturalmente. Ou seja, se Daniel as encarava como sendo uma antecipação na vitória de Israel sobre os Estados vizinhos, e se depois Flora a interpretou como uma consagração da vitória do Cristianismo sobre os não-crentes. Depois dele, António Vieira buscaria aqui talvez inspiração para os seus impulsos milenaristas e, certamente – porque o claramente disse e escreveu várias vezes – também Agostinho da Silva encontraria em Flora o fundamento para o movimento religioso, social e até político que surgiu em Portugal no reinado de Dom Dinis, cruzando influências joaquimitas, com o legado trazido de Aragão pela rainha Isabel com um fundo local de fraternidade e humanidade que estava ainda muito vivo no interior português e que em última instância era até mais antigo em Portugal que o próprio Cristianismo.

A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como a prova a obra do Padre António Vieira na “História do Futuro”.

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um “reino templário”, um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do “Quinto Império” que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é nossa convicção e crença firmes.

Fonte:

Lima de Freitas; “Porto do Graal”; Ésquilo

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Lima de Freitas: os dois mitemas fundamentais à Cultura portuguesa e lusófona em geral

O mestre Lima de Freitas identifica no “Porto do Graal” os dois mitemas essenciais que impulsionaram o processo dos Descobrimentos portugueses no século XIV e XVI:

1. Demanda do Preste João, que incorpora a Demanda do Graal, da procura pelo Paraíso terreal, enfim, da procura do “centro do mundo” evoliano que reponha o Homem em comunicação com o Divino.

2. O mitema da unificação do mundo, sob a forma do estabelecimento físico e mental do “reino do Espirito Santo” ou “Quinto Império”, enfim, todos os temas oriundos do mesmo fundo milenarista de raiz judaica de onde brotou a vinda do Paracleto, o retorno de Dom Sebastião, assim como a “Ilha dos Amores” de Camões e a espera pela “nova Terra e novos céus” dos profetas do Antigo Testamento.

Compreender esta dualidade, é compreender o essencial da missão portuguesa no mundo. É esta dualidade que esta na base de toda a criação literária, mental, erudita e popular verdadeiramente “portuguesa” e isenta de estrangeirismos. É a busca pelo Graal que forma a base da fundação da Nacionalidade, exposta pela importância que esse mitema tinha no sistema mental templário. Após esta fundação, o movimento para o retorno a um mundo perdido, mais justo e humano é retomado em força, a partir de Dom Dinis, com a generalização do culto do Espírito Santo. O Graal era o motor da busca, o Reino o local.

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