História

SabiaQue… Cemitério de São João (Lisboa)

#SabiaQue a rainha Dona Maria II tinha de nome completo Maria da Gloria Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança?
#SabiaQue a rainha Dona Maria II era filha de Dom Pedro I do Brasil e nasceu no Rio de Janeiro em 1819 sendo assim a unica monarca europeia a nascer fora da Europa?
#SabiaQue a epidemia de colera assolou que Europa de 1832 a 1833 chegou à Russia em 1820 e daqui passou a Ostende (Bélgica) de entrou num navio com mercenários que desembarcaram com Dom Pedro no Porto?
#SabiaQue a epidemia de cólera de 1833 matou 40 mil pessoas em Portugal?
#SabiaQue o primeiro forno crematório de Portugal foi o do cemitério de São João construído em 1925? (Desativado no Estado Novo em 1936 e reaberto em 1985)
#SabiaQue as obras para o crematório de São João começaram em 1915 mas este só abriu em 1925 depois do vereador com o pelouro o ter comprado na Alemanha? O vereador Alfredo Guisado era um entusiasta da cremação e chegou mesmo a propor que fossem cremados todos os cadáveres destinados à vala comum.
#SabiaQue o jazigo neomanuelino da Santa Casa da Misericórdia de São João e do arquitecto Adaes Bermudes e foi construido entre 1906 e 1909?
#SabiaQue é do arquitecto Álvaro Machado o Jazigo dos Viscondes de Valmor no cemitério de São João?
#SabiaQue as estátuas do jazigo dos Viscondes de Valmor representam a Arquitectura, a Escultura, a Gravura e a Pintura?
#SabiaQue Cândido dos Reis começou como voluntário e foi sendo promovido até chegar a almirante?
#SabiaQue Cândido dos Reis era um carbonario e anticlerical radical?
#SabiaQue Cândido dos Reis participou no golpe republicano fracassado de janeiro de 1908?
#SabiaQue Cândido dos Reis foi o principal organizador da componente militar da revolucao de 1910 e que foi ele que insistiu em que o golpe avançasse mesmo depois de se saber que o monarquicos tinham sabido que algo se ia passar e tinham colocado as tropas leais de prevenção?
#SabiaQue o Dr. Miguel Bombarda (um dos principais revoltosos republicanos) foi morto a tiro por um doente mental nas primeiras horas do golpe de 1910?
#SabiaQue muitas da unidades militares comprometidas com a revolução de 1910 não se chegaram a revoltar e que muitos oficiais, julgando estar tudo perdido, abandonaram a Rotunda? Cândido dos Reis vendo tudo perdido, recusou ir para bordo de um dos navios revoltosos e horas depois é encontrado morto por suicídio na Azinhaga das Freiras?
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Citações de Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis

“O homem, como todos os animais caçadores, tem desde sempre a tendência para fazer desaparecer a fauna e a flora de que necessita. Hoje em dia, na ilha da Páscoa, só “prosperam” as estátuas enormes que os habitantes deixaram para trás, antes de terem desaparecido por culpa do abate irracional de árvores”
Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis
“Na Grécia Antiga aqueles que se negavam a pensar em função do bem comum, do “público”, chamavam-se “idiotes” (indivíduos, particulares). Os antigos gregos pensavam que os idiotas agiam sem mesura, sem pensar no bem dos outros. No século XVIII, os eruditos ingleses, admiradores dos antigos gregos, atribuíram à palavra “idiotis” (indivíduo) o significado de “idiota” ou “tonto” (idiot em inglês).”
Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis
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Sabia Que…

#SabiaQue os países onde os dadores de sangue são remunerados têm menor oferta que aqueles onde o sangue é doado voluntariamente, sem qualquer remuneração?
#SabiaQue a palavra grega para “juros” deriva da palavra “parto”? (a lógica é que “juros” são uma forma de “parto de dinheiro”)
#SabiaQue na antiga civilização grega não existia o conceito cristão de “pecado”? Em seu lugar, havia a Hibris, a desmesura, a prepotência e a arrogância. Para os gregos as maiores virtudes residiam na moderação, nas boas maneiras e na sobriedade.
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António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista

“A água era vendida ao domicílio e as sujidades levadas pelas negras para a Ribeira. Não faltava quem deitasse as águas sujas para a rua. Por isso os lisboetas que se prezavam andavam nas ruas a cavalo ou calçavam altos borzeguins.”
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
“A primeira vez que o infante Dom Luis foi visitar a Castela seu cunhado, o imperador Carlos V, levou consigo Dom João Coutinho, conde do Redondo. O infante foi recebido em Barcelona com mostras de muita alegria. Enquanto os cunhados se encontravam, o conde chegou-se a um canto da sala para urinar. O tudesco da guarda repreendeu-o com aspereza mas o conde resolveu tomar a ofensiva. Chegando à fala com o imperador, disse-lhe:
– Senhor, mande dar em seus reinos um lugar seguro em que mije!”
Antonio Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
Na grande e muito custosa procissão organizada pelos Jesuítas em 25 de janeiro de 1588 em Lisboa e que destinava a recolher no Convento de São Roque as relíquias alcançadas por João de Borja, filho do duque de Gandia e ex-Geral dos Jesuítas, nos estados onde se espalharam as ideias luteranas seguiam “26 cabeças de santos, muitos braços e corpos, uma camisa de Nossa Senhora, uma maçaroca que ela fiou, um espinho da coroa de Nosso Senhor e um cravo. Mas a relíquia mais apreciada era um cueiro do Menino Jesus que “se dava dele a muitas pessoas e nunca minguava”.
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
“Em 1593 o Senado da Câmara de Lisboa funciona no velho Paço. (…) Era presidida por um fidalgo e a vereação, composta por gente letrada ou não, provinha em geral da nobreza urbana. Nas reuniões da Câmara participavam também dois representantes eleitos pela Casa dos 24 que agrupava os mesteres tradicionais.
A Câmara dirigia os assuntos correntes – a limpeza e a higiene da cidade, os mercados, os preços, os arruamentos e o licenciamento das obras, as festas – administrava as propriedades municipais e dirigia a vida do entreposto vital do Terreiro do Trigo. Nomeava dois juízes do Civel e dois do Crime.”
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
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Enviada à Câmara Municipal de Sintra

Enviada à Câmara Municipal de Sintra

Tendo passado toda a minha infância em Queluz, hoje procurei revisitar algumas memórias e visitar a anta do Monte Abrãao e as duas outras de Belas.

Contudo, a situação observada no local não foi agradável:
1. A anta de monte abraão continua roedada de lixo e tendo, no seu interior detritos vários. O “MN – Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910” não tem nenhum painel informativo ou descritivo e a sinalética que leva ao local está, na melhor das hipóteses, incompleta.
2. A Anta da Pedra dos Mouros, com as conhecidas “as gravuras rupestres antropomórficas, representando um homem e uma mulher” está encerrada em terreno particular, murado (Quinta do Senhor da Serra) e nem sequer é visível do exterior, muito menos visitável. Existe alguma sinalética, mas é interrompida a meio. Segundo os locais o esteio terá tombado aquando das obras do IC, nunca tendo sido recolocado no local e posições originais. Aqui, também, falta qualquer placa indicativa ou descritiva.
3. A Anta de Estria ou está totalmente oculta pela vegetação ou foi destruída pelo construtor civil que terá adquirido o terreno com fito a construir no local. A ser verdade, é um atentado ao património que merece reparação e compensação.

Antecipadamente grato e pedindo a v.exa a melhor das atenções, despeço-me
Cumprimentos,
Rui Martins

(seguem algumas fotos da situação no local)

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Sabia que…

…nas ruínas da igreja de Santa Maria do Vale existe uma pedra que tem esculpida uma pequena esfera armilar, ou seja, uma representação de um símbolo que só surgiria oficialmente com Dom Manuel I e que assim, com este facto, pode acreditar-se tratar-se de uma influencia templária?

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Sabia Que

…o primeiro duque de Bragança, Afonso, era filho natural do futuro Dom João I de Portugal e de uma judia, Inês Pires, filha do “Barbadão”?

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A Constituição Republicana de 1911 definia a existência na Assembleia da República de duas câmaras

A Constituição Republicana de 1911 definia a existência na Assembleia da República de duas câmaras: a dos deputados com 163 membros eleitos diretamente por 3 anos e a do Senado com 71 e cujo presidente era eleito pelas duas câmaras durante 4 anos não reelegíveis.

Passados mais de cem anos, será este o momento para regressar a este modelo bicameral? Manter um Parlamento, composto por deputados eleitos em círculos distritais (idealmente, em listas abertas e ordenados por voto preferencial, como na Finlândia ou na Austrália) e (re)criar um Senado onde teriam assento senadores eleitos em círculos distritais uninominais, de listas partidárias ou independentes? Este Senado poderia ter iniciativa de veto (por maioria) das votações no Parlamento ou a capacidade de dissolução do Governo (bomba atómica) e de produzir iniciativas legislativas que depois seriam desenvolvidas e votadas no Parlamento.

O modelo bicameral nesta sua possível implementação parece-nos muito interessante como forma de renovar a democracia e de reaproximar os eleitos dos eleitores, devendo merecer seria reflexão por parte de todos aqueles que estão preocupados com o atual sequestro da democracia pelos “interesses” economico-financeiros, por entidades supranacionais não-democraticas (Eurogrupo, Comissão Europeia e BCE) e por uma democracia representativa que assume de forma cada vez mais despudorada a aparência de uma partidocracia fechada sobre si mesma e que exclui todos os que não fazem parte do aparelho profissional que hoje reserva para si o essencial do poder interno nos partidos políticos.

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Sabia Que…

Sabia Que depois de Servilio Scipião ter mandado assassinar à traição uma parte dos lusitanos deixou o território e foi fundar a cidade de Valência?

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“Este senhor Salazar É feito de sal e azar”

“Este senhor Salazar
É feito de sal e azar.
Se um dia chove,
A agua dissolve
O sal,
E sob o céu
Fica só azar, é natural.
Oh, c’os diabos!
Parece que já choveu…”
Fernando Pessoa

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“O mar é a campa, é o cemitério desta desgraçada pátria”

“O mar é a campa, é o cemitério desta desgraçada pátria de Vasco da Gama, de João de Castro, de Albuquerque, de Cabral, de Magalhães, de todos os maiores navegadores do mundo, desta pátria do infante Dom Fernando, do rei Dom Sebastião, que além do mar morreram. Nesse imenso cemitério vivo (…) repousa a gloria de Portugal, cuja história é um trágico naufrágio de séculos.”
Miguel de Unamuno, Por terras de Portugal e de Espanha

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“E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova”

“E a nossa grande Raça partirá em busca de uma Índia nova, que não existe no espaço, em naus que são construídas “daquilo de que os sonhos são feitos” (naus espirituais). E o seu verdadeiro e supremo destino, de que a obra dos navegadores foi o obscuro e carnal antearremedo, realizar-se-a divinamente.”
Fernando Pessoa, na “Renascença Portuguesa”

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“Cumprida a sua missão”

“Cumprida a sua missão, Jesus Cristo, crucificado, sofre a agonia e a paixão, o tormento final da sua vida; assim, Portugal, cumprida a sua missão (os Descobrimentos do “Mar Português” da Mensagem de Fernando Pessoa), entra em decadência, prolongando uma existência histórica medíocre de cerca de 400 anos.”
Miguel Real, Nova Águia, 4

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Citações de As Lides do Talaya de Paulo Jorge Costa Ferreira

Sabia que os almotacés da cidade de Lisboa, no século XVIII, eram eleitos por períodos de apenas quatro meses? Este intenso escrutínio democrático exigia-lhes uma grande competência no exercício das suas funções e merece seria reflexão na transposição para os dias de hoje (em que realizar eleições electrónicas é tão fácil).
Os almotacés tinham muitas funções desde “guardar a exactidão dos pesos e medidas, bem como o cumprimento dos preços a praticar, multando os prevaricadores; assegurar o abastecimento dos mercados e das feiras, racionando os alimentos, caso a escassez assim o impusesse; além disso, pertencia-lhes controlar nos estabelecimentos comerciais as condições de limpeza e higiene dos seus produtos (…), averiguação e extirpação dos monopólios (…) e andarão pela cidade em modo que se não façam nela esterqueiras, nem lancem ao redor do muro esterco, nem outro lixo”.
As Lides do Talaya
Paulo Ferreira
No século XVIII, os “almotacés das execuções de limpeza” tinham que “à sua custa, no termo de duas horas, lançar fora qualquer animal que se achar morto nas ruas da cidade, e de fazer que as mesmas ruas estejam limpas de lamas e outras imundices, com pena de perdimento do ordenado, pela primeira vez, e pela segunda, do ofício, para nunca mais o haver”. E hoje, quando vemos tanto lixo por recolher nas ruas e passeios sujos na cidade, que destino seria o destes almotacés se se aplicassem hoje as regras tao rigorosas do Portugal de Oitocentos?…
As Lides do Talaya
Paulo Ferreira
No século XVIII, a organização militar portuguesa “dividia-se em três tipos de tropas: a tropa paga, os corpos auxiliares e as ordenanças. A primeira era constituída por forças de profissionais, comandadas por fidalgos nomeados pelo rei, enquanto a tropa auxiliar era composta pelos elementos da população que eram recrutados para a guerra, sem remuneração. (..) Os corpos de ordenanças eram forças locais, limitando a sua ação à respetiva zona militar.”
As Lides do Talaya
Paulo Ferreira
Sabia que o molde em bronze da estátua de Dom José I, na Praça do Comércio foi feito em grande segredo porque não se sabia se “seria possível derreter uma tão grande porção de metal junto, havendo o receio que o tanque pudesse abrir algum rombo ou que os ductos que levavam o bronze para dentro do molde pudessem rebentar”?
As Lides do Talaya
Paulo Ferreira
Sabia que a quantidade de cera usada para a estátua de Dom José I foi tão grande que o preço da cera aumentou 25% até que fosse importada mais desse material?
As Lides do Talaya
Paulo Jorge Costa Ferreira
http://ferin.pt/loja/as-lides-do-talaya.html
Sabia que a carreta de quatro cilindros (que eram sucessivamente levados para trás do veiculo) que levou a estátua de Dom José I (hoje na Praça do Comércio) tinha a estátua escondida dentro de uma caixa de madeira com a frase, gravada a letras de ouro, “non velant nubila solem” (a nuvem não esconde o sol, sendo a nuvem a caixa e o sol, o rei)?
As Lides do Talaya
Paulo Jorge Costa Ferreira
http://ferin.pt/loja/as-lides-do-talaya.html
Sabia que a estátua de Dom José I na Praça do Comercio levou ao arrasamento de ruas, ao ser alargamento a um mínimo de 13 metros e até à demolição do arco da freguesia de Santa Engrácia? A estátua foi movida até ao seu local atual pela força braçal de centenas de homens.
Sabia que na inauguração da estátua de Dom José I na Praça do Comércio ainda não estava edificada a maior parte da Praça? Para a ocasião, construiu-se em madeira, pintada a imitar o mármore e alvernaria. Este trabalho era feito de noite, mas o furto de materiais era tão alto que o custo total da obra haveria de derrapar várias vezes.
As Lides do Talaya
Paulo Jorge Costa Ferreira
http://ferin.pt/loja/as-lides-do-talaya.html
“O espírito da novidade, espírito perigoso, como o detesta? (…) Volteres, Rossoz, mil outros por mais que o verniz de huma locução amena doireis o mortífero veneno, vos estáis procriptos da livraria de S.A.” (“Elogios” de Dona Francisca Talaya à Infanta Dona Maria Ana)
Na visita da Dona Maria Victoria a Madrid, em 1777, a rainha – irmã do rei espanhol Dom Carlos III, oferece ao mesmo um curioso autómato: “huma gaiola de Vara de Alto Bronze doirado, exquezitamente trabalhada, no sollo, hum Relógio esférico, e dentro da Gaiola, hum Canário, que canta, move, e garganteia, e anda de hum lado a outro, como se realmente fosse vivo, ao impulso da Máquina e corda que se lhe dá”.

“Dom João V era um monarca que se votava de corpo e alma à religião; talvez por isso, nas relações fora do matrimónio, em que era pródigo, o perfil feminino de sua eleição eram as freiras dos conventos.”

Em 1793, Portugal envia para combater os republicanos franceses um Exercito Auxiliar para Espanha composto por seis regimentos de infantaria, incluindo os do Porto, Peniche e Cascais, num total de seis mil homens, juntamente com cinco navios de guerra e nove mercantes, entregues ao comando do marechal João Forbes Skellater, um militar escocês radicado em Portugal desde a guerra de 1762.

Com o fim da campanha do Rossilhão, em 1795, Portugal pagou um preço elevado: perdeu o seu tradicional estatuto de neutralidade, perdeu o seu aliado mais importante, a Espanha e perdeu muita da sua frota mercantil, devido aos constantes ataques da marinha francesa.

Em 1732, um raio atingiu a torre grande do castelo de Campo Maior, onde se guardavam seis mil arrobas de pólvora e cinco mil munições, a explosão resultante levou à morte de dois terços dos seus habitantes. A Capela dos Ossos, construída em 1766, foi feita com as ossadas de cerca de 800 vitimas deste acidente de Campo Maior.

Quando, depois de duas semanas de cerco por milhares de franceses, chefiados pelo general Girard, em 21 de maio de 1811, o sargento-mor José Joaquim Talaia, se rende, manda marchar os seus trinta soldados artilheiros e as dezenas de milicianos que defenderam a praça por entre as alas dos granadeiros franceses, atónitos com a pequenez da força portuguesa.

Sabia que Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Joaquim António de Aguiar participaram da operação militar dos “Bravos do Mindelo” que aqui desembarcaram a 9 de julho de 1832, com mais de 50 navios e 7500 homens?

“Le droit que nous connaissons est le droit du canon”, frase proferida pelos juízes do tribunal militar que, em 1808, mando executar o rebelde luso Jacinto Correia Talaia.

Crime de delito comum puníveis nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Bigamia por um dia, mínimo de quatro anos

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Predizer o futuro por qualquer outra maneira que não fosse a astrologia: dois anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Adultério consentido pelo marido, degredo perpétuo para o adúltero 

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Cortar árvores de fruto ou sobreiros ao longo do Tejo, 4 anos

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Fazer cárcere privado, 5 anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Corrupção, cinco anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Andar armado à noite, 4 anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Violar regras de vestuário no luto de familiares, dois anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Andar disfarçado de mulher ou com máscaras sem ser para festas, dois anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Fechar portas por fora contra a vontade dos donos, dois anos de degredo
(por brincadeira?… que histórias estariam por detrás desta pena?)

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Dormir com freira fora do mosteiro, dois anos de degredo

Crime de delito comum punível nas Ordenações Filipinas com degredo para África:
Dormir com mulher solteira na convicção de que era casada, dez anos de degredo

(ora essa! mas se era solteira… o que conta é a intenção, suponho!)
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As Lides do Talaya, Paulo da Costa Ferreira

Propriedades que se atribuíam à placenta: “seria expelida sem hemorragia se se pusesse na cabeça da parturiente o chapéu de um marido enganado e não havia a temer nem dores nem más posições do feto se houvesse o cuidado de fazer bem direitas todas as bainhas das fraldas”
As Lides do Talaya, Paulo Costa Ferreira
Em meados do século XVIII, Luis Antonio Verney recomendava que a Universidade aplicasse “um rigoroso castigo, ainda de morte, aos que injustamente (na Praxe) acometem os novatos, e fazem outras insolências”
As Lides do Talaya, Paulo Costa Ferreira
Em 1755, ir de Coimbra a Lisboa, demorava mais de seis dias e custava 1500 reis, uma autêntica fortuna para a época.
As Lides do Talaya, Paulo Costa Ferreira
A 16 de junho de 1755, um exército mouro de 3000 homens ataca a praça de Mazagão. A guarnição, composta por 100 cavaleiros e 150 infantes repele o ataque deixando 400 mortos e muitos feridos do lado muçulmano contra seis mortos e sete feridos entre os portugueses.
As Lides do Talaya, Paulo Costa Ferreira
Na praça de Mazagão, a profissão mais perigosa era a dos “atalaias” e dos “atalhadores”, soldados (frequentemente degredados) que quando os locais saiam para irem buscar lenha ou pastorear o gado iam servir como sentinelas avançadas.
As Lides do Talaya, Paulo Costa Ferreira
Em 1756, Luis Félix Manuel de Mendonça e Almada é degredado para Mazagão como punição de ter tentado casas “com uma mulher de baixa esfera”.
As Lides do Talaya, Paulo da Costa Ferreira

Sabia que o atual Forte do Bugio foi conhecido, ao longo das épocas como Forte da Cabeça Seca, Forte de São Lourenço da Cabeça Seca ou Forte de São Lourenço da Barra. O forte foi mandado construir sob os filipes mas apenas foi terminado por Dom João IV. A sua construção foi possível através da construção de uma ilha artificial. Em termos de administração militar, o forte equivalia a uma “nau surta”, uma nau permanentemente ancorada, recebendo provisões como qualquer navio de guerra da época.
As Lides do Talaya, Paulo da Costa Ferreira

Segundo as Ordenações Filipinas: “achando o homem casado sua mulher em adultério, licitamente poderá matar assim a ela, como o adúltero, salvo se o marido for peão, e o adúltero Fidalgo ou nosso Desembargador, ou pessoa de maior qualidade.” Paralelamente, o marido adúltero apanhado em flagrante, não podia ser morto, apenas enviado em degredo para África durante três anos e, mesmo assim, apenas se o adultério não fosse continuado.
As Lides do Talaya, Paulo da Costa Ferreira
“Se das mulheres se aplicassem aos estudos tantas quantos entre os homens, então veríamos quem reinava”
Antonio Verney, citado em As Lides do Talaya, Paulo Jorge Costa Ferreira
No século XVIII, os pretendentes a casaram com jovens raparigas da nobreza recebiam dos pais da mesma uma fita que cortavam do vestido ou chapéu desta e que deviam prender na lapela do casaco, comprovando assim que estavam noivos.
As Lides do Talaya, Paulo Jorge Costa Ferreira
Em 13 de setembro de 172, 169 portugueses travaram com mais de 4 mil muçulmanos uma batalha nos arredores de Mazagão porque estes numa resposta a uma “corrida” (expedição armada) dos portugueses estavam a deitar fogo à Coutada de pasto do gado. Depois de quatro horas de luta, os portugueses levaram a melhor criando grandes baixas no lado muçulmano.
As Lides do Talaya, Paulo Jorge Costa Ferreira
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“Fiéis do Amor”

Segundo Sampaio Bruno, o rei Dom Dinis teria sido membro dos “Fiéis do Amor”, movimento que segundo Peyrat teria sido iniciado por um cavaleiro bretão que teria encontrado num ramo de ouro de um carvalho (árvore sagrada dos druidas) as “leis d’amors” trovadorescas. Neste carvalho teria pousado o falcão do rei Artur. Por “leis”, nesta lenda, aludia-se a determinadas regras e preceitos de cifra que os trovadores inscreviam num subtexto das suas poesias e que passavam (e passam…) inapercebíveis ainda hoje a que as le sem conhecer a chave ou cifra que as protege.

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#SabiaQueLusitanos:

#SabiaQueLusitanos:
Antes de começarem o combate os lusitanos emitiram o “barritus”, um grito que começava numa nota aguda e acabava numa nota grave, colocando o escudo à frente e a palma da mão contrária em funil, para amplificar o som.
#SabiaQueLusitanos:
Os lusitanos usavam um método radical para treinarem os seus fundibulários desde crianças: eram os próprios pais que treinavam os seus filhos e quando a criança já estava suficientemente familiarizada com a funda, deixavam de a alimentar (!) e punham um pão sobre uma estaca. Só depois de a criança ser capaz de o derrubar a vinte metros é que poderia tornar a comer…
De notar que os fundibulários lusitanos eram muito procurados como mercenários por cartagineses e romanos… E que os mais destros podiam, com facilidade, esmagar os melhores elmos e couraças da época.
#SabiaQueLusitanos:
Cada soldado lusitano levava consigo um frasco de veneno, extraído do bolso de uma planta chamada “ranunculus sardonia”. Assim evitava ser capturado vivo, uma vez que se tratava de um veneno de ação muito rápida.
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#SabiaQuePriscialianismo

#SabiaQuePriscialianismo
Prisciliano propunha aos seus seguidores “heréticos” (aos olhos da Igreja oficial) que na altura das grandes festividades cristãs se retirassem das cidades e fossem para o campo, para o ar livre, a fim de estudarem em conjunto as escrituras e orassem em conjunto.
#SabiaQuePriscialianismo
Apesar do núcleo principal do Priscilianismo, a maior heresia cristã da Península ter sido na Galiza, tudo Indica que Prisciliano tenha nascido numa vila Romana na Lusitânia, uma vez que a primeira notícia que dá conta de si se refere a uma denúncia do bispo de Mérida, capital da Lusitânia.
#SabiaQuePriscialianismo

Na Sua juventude, Prisciliano teria, segundo Suplício Severo, sido discípulo do egípcio Marco de Mentes, de quem teria aprendido “artes mágicas”?

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E se o Proteccionismo não fosse (apenas) um bicho mau?

Dizem os dogmas económicos vigentes que o Proteccionismo é mau e que a liberalização comercial é boa. Dizem. Mas então como se explica que, num contexto de pesada dívida pública motivada pelas despesas da Grande Guerra e num ambiente de Proteccionismos alfandegários e de outros tipos, foi no período as seguir ao fim da guerra que se registou um  dos maiores crescimentos económicos da história portuguesa? É certo que foi um período prenhe de crises política e de grande instabilidade Governativa, mas o PIB cresceu a uma média de 1,5% ao ano, a indústria cresceu como nunca é até  à agricultura se desenvolveu de forma notável.
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Duas citações sobre Viriato

“Viriato era capaz de fingir que conhecia o obscuro e que desconhecia o mais evidente.”
Possidónio
“Viriato considerava a auto-suficiência a sua maior riqueza, a liberdade, a sua pátria, e a superioridade que lhe advinha da coragem, a sua mais segura posse.”
Diodoro Siculo
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Azulejos de Lisboa

#AzulejosDeLisboa: Sabia que na arte azulejar de #Lisboa são muito frequentes as representações de santos? Esta marca de religiosidade popular figura geralmente, em fachadas e átrios de casas de habitação ou, mais raramente, em frontões, muros e nichos, de quintas e palácios.
#AzulejosDeLisboa: Sabia que a arte azulejar de #Lisboa é essencial para compreender o quadro mental da época? O facto, de muitas destas peças estarem também datadas revela-se igualmente de grande importância para o estudo do património da cidade.
#AzulejosDeLisboa: os painéis de azulejos com santos (ou “painéis hagiográficos”) são muitas vezes o produto de catástrofes naturais ou grandes epidemias, sendo mais comuns neste tipo de períodos.
Os painéis hagiográficos dos #AzulejosDeLisboa representam frequentemente mais que um santo, procurando potenciar benefícios ou proteção. Contudo, quase sempre, há uma figura que é destacada em dimensão ou plano, sendo assim considerada como mais importante.
Sabia que os painéis de #AzulejosDeLisboa do século XVI são geralmente pintados por artesãos sem escola, tendo os desenhos contornos a manganês. As figurações são geralmente, muito ingénuas, mas o cromatismo vincado destas composições torna-as bastante expressivas. Geralmente estes registos integram molduras simples e geometrizantes.
Sabia nos #AzulejosDeLisboa setecentistas são comuns a invocação da Senhora do Carmo, associada ao resgate das almas do Purgatório? Este terceiro lugar de expiação e purificação final das almas era necessário para a visão beatífica de Deus. A fim de abreviar essa passagem, recorria-se principalmente à Virgem, como intercessora  junto do Altíssimo, para que essa passagem fosse mais breve.
Sabia que uma das melhores fábricas de #AzulejosDeLisboa, a Fábrica de Louça de Sacavém foi fundada em 1850 / 1856 e extinta na década de 70 do séc. XX?
A devoção popular por Santo António é espelhada em muitos #AzulejosDeLisboa convocando assim a protecção da casa onde surge o painel de azulejos?
Sabia que muitas molduras de #AzulejosDeLisboa do período barroco, exibem ornatos orgânicos, simplificados, imitam a talha?
Sabia que existem muitos #AzulejosDeLisboa com representações de São Marçal, o padroeiro oficial contra os incêndios, cuja veneração teve um desenvolvimento muito significativo após o terramoto de 1755?
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Citações de 1822, de Laurentino Gomes

“As Guerras Napoleónicas provocaram a morte a 5% da população europeia”
1822, de Laurentino Gomes
https://www.facebook.com/cabineleitura?fref=ts

Até 1810, um pombo-correio demorava uma semana para levar uma carta de Londres a Paris. Com os barcos a vapor, o tempo diminuiu para dois dias”
1822, de Laurentino Gomes
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(Em 1822) na região Norte, Pará e Maranhão mantiveram-se fiéis aos portugueses. Por alguns meses, obedecendo às ordens das Cortes de Lisboa, ambas as províncias chegaram a declarar-se separadas do resto do Brasil e ligadas diretamente a Portugal.”
1822, de Laurentino Gomes
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“Na província Cisplatina (actual Uruguai), o comandante do regimento português, Álvaro da Costa, anunciou que só acataria as orientações das cortes e encastelou as suas forças em Montevideo. Foi sitiado pelas tropas brasileiras comandadas por Frederico Lecor, numa guerra que se prolongaria por quase dois anos”.
1822, de Laurentino Gomes
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“Madame (no Brasil de 1820) tem suas escravas – duas, três, seis ou oito, conforme o infeliz esposo abrir a bolsa. Essas criadas negras nunca podem arredar-se da imediata proximidade de sua severa dona. Devem entender-lhe e ate interpretar-lhe o olhar. Seria de mais exigir que a senhora, fosse ela mulher de um simples vendeiro, se sirva ela mesma de um copo de água, ainda que o jarro esteja junto dela sobre a mesa.”
Carl Seidler, Dez anos no Brasil
1822, de Laurentino Gomes
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“Dom João mandou melhorar a comunicação entre as diversas regiões, estimular o povoamento e o aproveitamento das riquezas da colonia. A abertura de novas estradas ajudou a romper o isolamento que até então vigorava entre as províncias. A sua construção estava oficialmente proibida por lei desde 1733.”
1822, de Laurentino Gomes
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“Dom João gastava 300 mil Francos anuais, uma fortuna para a época, na manutenção da Capela Real e seu corpo de artistas, que incluíam “cinquenta cantores, entre eles magníficos virtuosi italianos, dos quais alguns famosos castrati”
1822, de Laurentino Gomes
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(Em 1815) “Dom João promoveu o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e Algarve, ficando o Rio de Janeiro como sede oficial da coroa. (…) a elevação à categoria de Reino Unida, sugerida pelo ministro (embaixador) francês Talleyerand, demonstrava que a coroa portuguesa não estava apenas refugiada nos trópicos e ganhava pleno direito de voz e voto no congresso de Viena”.
1822, de Laurentino Gomes
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“Entre 1807 e 1814, Portugal perdeu meio milhão de habitantes. Um sexto da população pereceu de fome ou nos campos de batalha ou simplesmente fugiu do país”
1822, de Laurentino Gomes
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“Dom Pedro nasceu em 12 de outubro de 1798 no Palácio de Queluz, no mesmo quarto em que haveria de morrer apenas 35 anos mais tarde. (…) o quarto chama-se Dom Quixote. As paredes e o tecto são decoradas com cenas das façanhas do personagem criado pelo espanhol Miguel de Cervantes.”
1822, de Laurentino Gomes
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Sabia que Dom Pedro I recusou duas coroas: a de Espanha, que lhe foi oferecida três vezes pelos liberais que lutavam contra o rei Fernando VII e a da Grécia, que convidou para liderar a guerra contra os otomanos em 1822.
1822, de Laurentino Gomes
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“Tudo farei para o povo, mas nada pelo povo”
Dom Pedro I
1822, de Laurentino Gomes
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“Numa ocasião (Dom Pedro I), chegou de surpresa às lojas do centro do Rio de Janeiro, depois de receber a denúncia de que os comerciantes fraudavam as medidas para enganar os clientes na venda de tecidos. Munido da medida padrão do império, foi de loja em loja mensurando as réguas métricas e tomando nota dos infractores, que seriam punidos mais tarde”.
1822, de Laurentino Gomes
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“A Independência tem-se querido cobrir comigo e com a tropa; com nenhum conseguiu, nem conseguira; porque a minha honra e a dela é maior que todo o Brasil: queriam-me e dizem que me querem aclamar Imperador; protesto a Vossa Magestade que nunca serei perjuro, e que nunca lhe serei falso; e que eles farão esta loucura mas será depois de eu e todos os portugueses estarmos feitos em postas.”
dom Pedro I, escrevendo ao pai, um ano antes do Grito do Ipiranga
1822, de Laurentino Gomes
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“Deus me guarde de ficar sozinha com um homem, por mais sábio que pareça, num lugar solitário”
“Manual de conduta” que a imperatriz do Brasil, Dona Leopoldina, escreveu para si mesma em 1817

“Já casada no papel, Leopoldina saiu de Viena em 3 de junho de 1817 e chegou ao Rio de Janeiro cinco meses depois (…) da sua bagagem constavam 42 caixas da altura de um homem (onde se contavam) três caixões ricamente ornamentados, para a eventualidade de vir a morrer durante a viagem.”

“O mulato deve ser a raça mais activa e empreendedora, pois reúne a vivacidade impetuosa e a robustez do negro com a mobilidade e a sensibilidade do europeu.”
José Bonifácio, um dos país da independência brasileira em 1820

“Um mito recorrente sobre a independência do Brasil diz respeito ao carácter pacífico da ruptura com Portugal. (…) durou 21 meses, entre fevereiro de 1822 e novembro do ano seguinte. (…) o número de combatentes foi maior do que o das guerras de libertação da América espanhola na mesma época. Só na Bahia mais de 16 mil brasileiros e aproximadamente 5 mil portugueses estiveram em confronto.”

“A guerra da independência brasileira custou entre 2000 e 3000 vítimas.” (dos quais, menos de mil seriam portugueses).
“A guerra da independência brasileira (…) uma única certeza era de que tanto Portugal quanto o Brasil encontravam-se em estado de penúria, com os cofres públicos vazios e sem dinheiro para contratar e pagar oficiais e soldados, comprar armas e munições e sustentar um conflito que exigia esforços em dois hemisférios.”
“No começo de 1822, Dom Pedro podia contar com, no máximo, oito navios de guerra confiáveis com um total de 200 canhões, enquanto os portugueses tinham 14 equipadas com pelo menos o dobro do equipamento.”
“Em janeiro de 1823, o primeiro oficial e a tripulação da escuna Maria Teresa, encarregados de proteger outros três barcos com armas e munições destinadas aos brasileiros na província Cisplatina, se rebelaram, prenderam o comandante entregaram os navios e a carga às forças portuguesas aquarteladas em Montevideu.”
“Em maio de 1817, os revolucionários pernambucanos enviaram aos Estados Unidos o comerciante António Gonçalves da Cruz, o Cabuga, com o objetivo de recrutar ex-oficiais franceses exilados em território americano. Com ajuda deles, esperavam libertar Napoleão dos ingleses e leva-lo para o Recife, onde o imperador comandaria a revolução contra o rei Dom João VI para, em seguida, regressar a Paris e reassumir o trono de França.”
“Uma fragata brasileira, a Niterói, sob o comando do capitão John Taylor, cruzou o oceano Atlântico no encalço dos portugueses (uma frota com 17 navios de guerra e 75 mercantes, evacuando o Brasil) até às imediações da foz do Rio Tejo” (1823)
“Batalha do Jenipapo (…) 1823. O resultado foi uma carnificina: cerca de 200 brasileiros mortos e feitos prisioneiros. As perdas representaram um terço do improvisado exército brasileiro (…) os portugueses tiveram apenas 16 baixas.”
“Em fevereiro de 1822, a metropole portuguesa decidiu concentrar em Salvador todos os seus esforços militares. O objetivo era dividir o Brasil. As regiões sul e dudeste ficariam sob o controlo do príncipe regente Dom Pedro. O Norte e o Nordeste permaneceriam portugueses.”
“Ninguém ignora que o cancro que rói o Brasil é a escravatura, é mister extingui-la, escreve Dom Pedro I, num documento de 1823. Segundo ele, a presença dos escravos distorcia o caráter brasileiro porque “nos fazem uns corações crueis” (…) “todo o senhor de escravo desde pequeno começa a olhar o seu semelhante com desprezo”.
“Em 1812, metade dos 30 maiores comerciantes do Rio de Janeiro eram traficantes de escravos.”
Em carta para Domitilia de Castro Canto e Melo, Dom Pedro escreve “já que não posso arrancar meu coração para te manndar, recebe esses dois cabelos do meu bigode, que arranquei agora mesmo” (…) na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro existe “um pacote de papel, encerrando cabelos de origem suspeita”.

1822, de Laurentino Gomes
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Sabia que… Calçada Portuguesa?

A Calçada Portuguesa nasceu na época renascentista e das descobertas, tendo então o objetivo de tornar o espaço publico mais agradável e funcional.
Sabia que foi Eusébio Cândido Furtado (homenageado numa placa da Rua dos Correeiros) que propôs as famosas “Ondas do Mar Largo” (Rossio), concluídas em 1849 e depois replicadas no famoso “calcadão” do Rio de Janeiro por calceteiros portugueses?
Sabia que as combinações negro-branco da Calçada Portuguesa de Lisboa resultam de pares calcário branco-calcário negro e calcário branco-basalto? Contudo, o basalto é raro em Lisboa (excepto em Lisboa Ocidental, zona de solos vulcânicos), por isso se usou quase sempre calcário negro (raro, mas menos que o basalto) e muito raramente (como no Largo do Carmo), basalto.
Sabia que, em Lisboa, se observam sete tipo de frisos e 11 tipos de padrões dos 17 tipos possíveis segundo um teorema matemático, na Calçada Portuguesa?
Sabia que entre a Praça da Alegria e o Marquês de Pombal fica a segunda zona de calçada portuguesa da Avenida da Liberdade? Esta segunda zona só foi aberta no século XX e distingue-se da segunda em termos matemáticos com motivos de espelho e rotações de 180 graus. A primeira parte da Avenida era o chamado “Passeio Público”
No lioz da Estação do Rossio, encontramos muitos fósseis rodistas. Estes bivalves apreciavam as águas pouco profundas, quentes e calmas de Lisboa. Na época, a Península Ibérica era uma ilha, desligada do continente europeu.
Sabia que é junto ao monumento dos Restauradores que encontramos o mais complexo padrão matemático da Calçada Portuguesa de Lisboa: da autoria de Joel Abel Manta, na década de 1970?
Sabia que existem intervenções do escultor Fernando Conduto no Rossio dos Olivais, entre o Pavilhão Atlântico e o Pavilhão de Portugal, do artista Pedro Proença no Cais Português, junto ao oceanário, da pintora Xana no Cais dos Argonautas, entre o Pavilhão do Conhecimento e o Oceanário, e do artista madeirense Rigo, na Alameda dos Oceanos?
Debate sobre a #CalçadaPortuguesa em #Lisboa a 18 de junho!
https://www.facebook.com/events/311588325657832
Pedro Homem de Gouveia (Câmara Câmara Municipal de Lisboa)
Luís Marques da Silva (Fórum Cidadania Lx)
Diogo Martins (Movimento dos (d)eficientes indignados) 
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Sabia que… Lisboa?

…tem mais de dez mil hectares em jardins, divididos por 73 parques e jardins?
…estão recenseados mais de 15 mil moradores na nova freguesia do Parque das Nações, mas não existe nesta autarquia um só Centro de Saúde?
…que o varrimento das ruas e passeios, a remoção de ervas daninhas e o despejamento das papeleiras públicas são agora tarefas dos funcionários dos quadros das juntas de freguesia?
Sabia que Lisboa assenta sobre antigos recifes, recobertos por mantos basálticos do período Cretácico (145 a 66 ma)?
Sabia que na zona oriental de Lisboa abundam as rochas ricas em fósseis, com conchas de moluscos, crocodilos e mastodontes?
Sabia que o ponto mais alto de Lisboa e o Castelo de São Jorge, com 200 metros de cota? As restantes colinas de Lisboa tem cerca de 100 metros de altura.
Sabia que a manutenção das vias rodoviárias continua a ser uma competência da câmara municipal?
Sabia que a manutenção dos passeios cabe agora às juntas de freguesia, com excepção da calçada artística?
Sabia que quem pinta as passadeiras são as juntas de freguesia?
Sabia que a recolha de lixo doméstico cabe à câmara municipal, assim como a recolha seletiva (papel, vidro e plástico)?
Sabia que os grandes jardins da cidade continuam a ser mantidos pela Câmara Municipal de Lisboa?
“No ano passado passaram por Lisboa cerca de dez milhões de turistas, o equivalente à população portuguesa atual (…) os espanhóis são os que mais apreciam e visitam a cidade, com os ingleses e os franceses logo atrás. Os alemães também descobriram os encantos de Portugal e, recentemente, tem também havido um aumento de turistas vindos da Ásia, especialmente da China (um dos países que mais gasta em termos de turismo mundialmente) e do Japão.” Público de 14 maio 2014
Sabia que a construção, gestão e manutenção dos parques infantis públicos cabe agora às juntas de freguesia?
Sabia que as reparações nas escolas cabem agora às freguesias, ainda que as intervenções estruturais permaneçam sob a responsabilidade da câmara?
Sabia que quem autoriza a instalação de uma esplanada é a junta de freguesia?
Sabia que são as juntas de freguesia que passam licenças de venda ambulante de lotarias e para arrumadores de automóveis?
Sabia que os mercados são agora geridos pelas juntas de freguesia, ainda que continuem a ser equipamentos do município?
Sabia que a colocação e manutenção de placas toponímicas é agora uma competência das juntas de freguesia?
Sabia que a freguesia da Ajuda deve o seu nome à Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, construiria no século XV para albergar uma imagem milagrosa da Virgem?
Sabia que a freguesia de Alcântara recolhe o seu nome de Al-Kantara significa “ponte” em árabe e que esse nome advém de uma ponte romana situada entre as ruas de Alcântara e Prior Crato?
Sabia que o nome da freguesia de Alvalade advém do árabe Albalat que significa “planície”?
Sabia que o nome da freguesia de Arroios advém dos vários cursos de água que aqui existiam?
Sabia que o nome da freguesia de Avenidas Novas advém do nome comum da região coberta pelo “Plano Geral de Melhoramentos da Capital” da autoria do arquiteto Frederico Ressano Garcia?
Sabia que a freguesia do Beato tem a origem do seu nome de Frei António da Conceição, um frade do Convento de Santo António de Xabregas (finais do século XVI)?
Sabia que a freguesia de Belém tem a origem do seu nome na igreja de Santa Maria de Belém, no mosteiro dos Jerónimos?
Sabia que a origem do nome da freguesia de Benfica é narrada por Fernão Lopes num episódio em que uma mulher terá dormido com o futuro marido antes do casamento, sendo este condenado à morte pelo rei: “dizem que isto sucedeu no Termo de Lisboa, no lugar de Bemfica, e que dizendo os que acompanhavam El-Rey, que a mulher ficava mal, respondeu El-Rey,  Bem fica,  e casando-a depois com outro lhe deu com que passar; e que celebrando-se a ação del Rey ficara este nome ao lugar, que antes tinha outro”.
Sabia que a freguesia de Campo de Ourique encontra a origem da sua denominacao no bairro de Campo de Ourique, uma antiga terra de quintas pertencentes a Campolide?
Sabia que a primeira referência histórica a Carnide data de 1279, numa paróquia entao criada nessa zona rural a norte de Lisboa. Na época, o topónimo era escrito como “Carnedi” ou “Carnyde”.
Sabia que a freguesia da Estrela encontra o seu nome no convento beneditino de 1572, dedicado a Nossa Senhora da Estrela?
Sabia que a freguesia do Lumiar tem a origem do seu nome no latim liminares (“limiar”), ou seja “a fronteira da cidade”?
Sabia que Marvila deriva do árabe marbala que significa “solo abundante em arbustos”?
Sabia que a freguesia da Misericórdia advém o seu nome da sede da Santa Casa da Misericórdia na igreja e casa Professa de São Roque, fundada em 1768?
Sabia que a origem do nome da freguesia dos Olivais vem da lenda que declara que um imagem e Nossa Senhora terá aparecido numa oliveira tendo depois sido transportada até um sacristia da igreja, tendo aqui desaparecido em 1700.
Sabia que o topónimo “Penha de França” provém do Convento da Penha de França, fundado em 1598?
Sabia que a freguesia de Santa clara encontra a origem do seu nome da antiga Quinta de Santa Clara?
Sabia que a nova freguesia de Santa Maria Maior tem a origem do seu topónio no nome original da Sé de Lisboa?
Sabia que a freguesia de sano António tem a origem o seu nome numa homenagem ao mais popular santo da cidade?
Sabia que a origem do nome da freguesia de São Domingos de Benfica está no convento de São Domingos de Benfica, criado em 1399? a freguesia foi criada em 1959.
Sabia que na época medieval e até ao século XVI o actual território da freguesia do Areeiro era rico em terras de regadio, com muitas hortas e olivais, tendo-se instalado aqui quintas e palacetes nobres como o da Belavista e do Casal Vistoso (ambos no século XVI
Sabia que já transitaram para as juntas de freguesia, no âmbito da reorganização administrativa, mais de 1200 trabalhadores da CML, e que mais irão ser transferidos nos próximos meses?
Sabia que, desde 2007, foram criados oito novos parques horticolas em Lisboa? Estes espaços são atribuídos por concurso. Até 2015, estão previstos novos concursos, para novos espaços.
Sabia que até cinco por cento do que cada contribuinte paga de IRS se destina ao municipio em que reside? Lisboa decidiu devolver metade desse valor aos seus residentes, traduzindo-se tal decisão numa perda de receita de 28 milhões de euros, que assim são transferidos para os municipes.
Sabia da existência do “programa B.a.Ba”? Este programa municipal visa aumentar em 50% a oferta da rede de cresches da cidade, criando assim 2520 novas vagas. O projeto destas novas creches (construídas de raiz) é do atelier Appleton e Domingos Arquitetos,  estao já duas destas creches em funcionamento.
Sabia que o Orçamento Participativo de Lisboa, de 2014, prevê uma verba global de 2.5 milhões de euros, dividido num milhão de euros para os projetos com valor igual ou inferior a 500 mil euros e 1.5 milhões para os projetos com valor igual ou inferior a 150 mil euros?
Sabia que no Orçamento Participativo de Lisboa, de 2013, votaram mais de 36 mil pessoas?
Sabia que segundo o novo Código da Estrada, a distância lateral mínima entre o automóvel e a bicicleta passa a ser de 1.5 m? Agora também já é permitida a circulação paralela de duas bicicletas e equipara-se este veículo aos automóveis na regra de prioridade em cruzamentos.
Depois do terremoto de 1755, várias famílias nobres vieram instalar-se no Areeiro, por exemplo, na quinta do Pina, Mendonça, Grilo, Pacatos, entre outras.
Sabia que foi a extracção de areia, na antiga Quinta da Montanha, que esteve na origem do topónimo Areeiro?
Sabia que o “Bairro Carmona” foi construído em 1928 pela Câmara de Lisboa para alojar os seus funcionários, tendo então 101 fogos?
Sabia que a construção do Bairro Social do Arco do Cego começou em 1919 e terminou em 1934?
Sabia que o Instituto Superior Técnico e o Instituto Nacional de Estatística são da autoria do arquiteto Pardal Monteiro (1897-1957)?
Sabia que o plano do Bairro do Areeiro data de 1938, com projeto de Luís Cristino da Silva, seguindo critérios definidos por Duarte Pacheco?
Sabia que em 1950 havia o plano para construir na praça do Areeiro um monumento aos “heróis” do colonialismo, depois abandonado?
Sabia que a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques foi projetada pelo arquiteto Carlos Rebelo de Andrade em 1939?
Sabia que foi na avenida Guerra Junqueiro que, a par da Baixa, recebeu as primeiras iluminações natalícias de Lisboa, em 1957?
Sabia que a extensão da linha do metro até à freguesia do Areeiro (estações entre os Anjos e Alvalade), data de 1972?
Sabia que a Urbanização das Olaias, de 1972 e projetada por Tomás Taveira ganhou em 1982 o Prémio Valmor?
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Citações de “O Fundador” de Aydano Roriz

“Se alguma coisa acontecer uma única vez, talvez não aconteça nunca mais. Mas se acontecer uma segunda, certamente acontecera uma terceira e uma quarta.”
Provérbio Árabe

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“Uma boa mão faz-se com cinco dedos, mas nenhum deles é igual aos outros. Nosso Senhor Deus fê-los assim, meus senhores, para nos mostrar que precisamos aprender a respeitar as diferenças existentes entre nós mesmos e os nossos irmãos.”
Discurso de Tomé de Sousa

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Um africano na Guiné (no seculo XVI) custava três mil cruzados em Lisboa, 1500 em São Jorge da Mina. Estes escravos eram então designados como “peças de África”. Por comparação, um ferreiro fazia 150 cruzados por ano… já Tomé de Sousa, fundador de Salvador, recebia do rei mil cruzados por ano.

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Sabia que no século XVI a refeição principal era o “jantar”, que, por norma, começava uma hora antes do meio-dia?

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“A fabulosa riqueza trazida das Índias esvaia-se dia após dia. Não por terem sido feitos investimentos infelizes ou de longa maturação. A riqueza do país estava a desaparecer era em sumptuosidade, em doações feitas a aristocratas ociosos e na manutenção de uma pesadíssima burocracia.”

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“De cada 100 africanos arrancados das suas aldeias nativas (para a escravatura), uns 70 morriam antes de chegar ao destino (o Brasil).”

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“Irritava-o, particularmente, o hábito das pessoas de atirarem o lixo e esvaziar os seus penicos na rua – como, aliás, se fazia no Porto, Lisboa, e até mesmo em Londres ou Paris, mas não nas melhores cidades italianas ou da Flandres.”

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SabiaQue…

#SabiaQue…
A Primeira Grande Guerra foi a primeira guerra onde o número de baixas por combate foi maior do que o por doença?

#SabiaQue…

Em finais de 1915, os russos perdiam 215 mil homens por mês?

#SabiaQue…
Sabia que Durão Barroso (então, no MRPP) terá participado no “julgamento dos professores” da Faculdade  de Direito de Lisboa condenado “à morte” o Professor Martinez (conhecido delator e apoiante do antigo regime)?
#SabiaQue…
Sabia que um dos dois últimos navios atacados pelo famoso pirata Blackbeard, era um navio mercante francês chamado… Toison d’Or (sim, o mesmo nome do album de Tintin)
#SabiaQue…
Sabia que os principais artigos saqueados por Blackbeard eram rum e açúcar e não (como se poderia pensar…) ouro e jóias?
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Sabia que… em Lisboa

A lenda dos Corvos de Lisboa:
A iconografia da cidade está também ligada à lenda segundo a qual, na era do Imperador Diocleciano, o governador romano de Valência, Publius Dacianus, teria martirizado o diácono Vicente, do bispado de Saragoça, em 304 d.C. O corpo do mártir teria sido abandonado ao ar livre, para que fosse devorado pelos animais selvagens. Contudo, narra a lenda, que o corpo foi guardado por um anjo que teria assumido a forma de um corvo, conservando assim intacto o corpo do diácono, batendo-se com os animais que o tentavam devorar. Furioso, o governador teria mandado recolher o corpo para que fosse lançado ao mar. Contudo, o corpo do mártir tornou a dar à costa, sendo recolhido por cristãos que o sepultaram em Valência, tornando-se esse sepulcro lugar de amplas romarias e notáveis milagres.
A conquista muçulmana de 711 provocou uma vaga de destruição nos locais mais sagrados da cristandade na Península. Para protegerem o túmulo de São Vicente, os cristãos locais removeram os despojos do santo do túmulo em Valência e levaram-no de terra em terra, em fuga dos exércitos muçulmanos até que por fim chegaram ao cabo de São Vicente, no Algarve (Sagres), que então era conhecido como o “Promontório dos Corvos”, em virtude do grande número de corvos que então aí vivia. É a partir da transladação dos restos mortais do santo que o Cabo adquire o nome de São Vicente.
Depois da conquista de Lisboa, Afonso Henriques – segundo a lenda, já que historicamente esse local se encontrava ainda sob domínio islâmico – manda em 1176 que as relíquias do santo sejam transferidas para Lisboa, para sacralizar a cidade.
As relíquias de São Vicente são depositadas na Igreja de Santa Justa e Rufina e só em 1755, depois do Terramoto é que foram transferidas para a Sé Catedral, tornando-se então São Vicente no Santo Padroeiro da cidade. Diz a lenda que dois corvos as teriam acompanhado na viagem até Lisboa e que os seus descendentes viveram numa das torres da Sé até meados do século XVIII.
Simbolicamente, o Corvo é um signo muito rico: vale pelo guia espiritual, recordando o papel que estas aves tinham nos navios medievais, que por vezes transportavam um corvo, soltando-o quando perdiam a vista de terra, e seguindo-o. O Corvo e a barca (com o santo) que guarda aludem também à arca de Noé, salvaguarda perante as ameaças da natureza. E à “viagem”, ou transformação espiritual induzida pela fé e devoção religiosa.
Qual foi a origem do termo “alfacinha”?
A origem do termo é incerta, mas há quem acredite que surgiu na tradição de finais do século XIX que trazia muitos lisboetas às hortas do termo da cidade, a almoços ao ar livre, onde se consumia peixe frito com salada de alface.
Qual a origem do topónimo “Madragoa”?
A expressão “Madragoa” parece ter surgido pela primeira vez no século XIX, substituindo o termo “Mocambo”, que até então era usado para designar esse bairro lisboeta. A palavra resulta da presença, no século XVI de uma “Rua das Madres de Goa” (atualmente, a Rua Vicente Borga), onde funcionava um albergue (“hospício”) para “senhoras da Índia”, adstrito ao Convento das Trinas.
Origens da expressão popular “Obras de Santa Engrácia”:
A origem deste ditado popular resulta da lentidão com que se concluíram as obras de construção da Igreja de Santa Engrácia, no Campo de Santa Clara (hoje, “Panteão Nacional”). No total, a sua construção terá demorado… 385 anos.
Porque se chama “Rua do Poço dos Negros” à “Rua do Poço dos Negros”?
Este topónimo resulta da existência de um poço mandado cavar por Dom Manuel em 1515 e que deveria servir como túmulo coletivo de escravos negros. Na época, os escravos não podiam ser enterrados nos adros das igrejas, como sucedia com os homens livres, e era frequente os seus corpos serem lançados ao Tejo do alto de Santa Catarina ou enterrados na praia ou simplesmente deixados em lixeiras, descampados ou até nas quintas que rodeavam a malha urbana, criando esta atitude desumana problemas de saúde pública, razão única pela qual, se decidiu o monarca por abrir esta vale comum “permanente”.
O Simbolismo das Sete Colinas de Lisboa
As sete colinas de Lisboa comparam-se diretamente com as sete colinas de Roma, Jerusalém ou Constantinopla, todas cidades imperais, ou sede de impérios universais havidos ou por haver.
O primeiro autor português que discorre sobre as “sete colunas” é Frei Nicolau de Oliveira que as liga aos sete templos principais de Lisboa:
“Primeiro é a colina de “S.Vicente” (no Bairro de Alfama) onde fica o Convento de S. Vicente de Fora. À esquerda fica a colina de “Stº André” (na Graça). Depois é a colina de “S. Jorge”, onde se situa o Castelo. A oeste deste fica a colina de “Stª Ana” (na Anunciada). A quinta colina é de “S. Roque” (no Bairro Alto). Na parte direita desta fica a das “Chagas” cujo nome é atribuído por causa da Igreja que nele edificaram os marinheiros da rota da Índia em louvor às Chagas de Cristo. E por último, é a colina de “Santa Catarina” (vai do Largo de Camões à Calçada do Combro).”
Ulisses, as Sete Colinas, Ofiussa e a Penha de França:
Segundo uma das lendas que liga Ulisses a Lisboa (porque existem várias…), teria sido na cidade que o navegante se teria apaixonado pela ninfa (ou “deusa-serpente”, noutras fontes) Ofiussa. Quando Ulisses regressou à sua pátria, a deusa/ninfa, furiosa e sentido-se abandonada, fez estremecer o planalto em que situava então a cidade. Deste abalo, brotaram as sete colinas. Outra lenda, correlacionada, indica que o local onde se consumou esta fugaz paixão teria sido onde se encontra hoje o miradouro da Penha de França.
O edifício do Município de Lisboa:
Este edifício foi construído depois do terremoto de 1755, a partir de planos da autoria do arquiteto Eugénio dos Santos de Carvalho. O edifício sofreria muitos danos no incêndio de 1863 sendo reconstruído a partir de 1865, sob a orientação do arquiteto Domingues Parente da Silva, que foi o autor da atual fachada do prédio, a partir de desenhos originais do escultor francês Anatole Camels, o mesmo autor do Arco Triunfal da Rua Augusta, nomeadamente na estátua da Glória que coroa o Génio e o Valor. Esta reconstrução terminaria apenas em 1880.
Em 1996, novo incêndio, danificaria seriamente algumas partes do edifício. A recuperação da sede do município de Lisboa seria entregue à responsabilidade do arquiteto Silva Dias. Este arquiteto recuperaria os danos provocados pelo incêndio nos andares superiores, tendo havido uma grande preocupação em respeitar a traça original e em integrar no processo alguns dos arquitetos e escultores mais prestigiados da cena cultural nacional como João de Almeida, Manuel Tainha, Nuno Teotónio Pereira, Daciano Costa, entre outros.
Em termos de significado, a fachada apresenta ao centro as Armas da cidade, ladeadas, pelas figuras alegóricas à Liberdade e ao Amor à Pátria. Outras figuras representam a Ciência, a Navegação, a Indústria, o Comércio e a Arte. Encontramos aqui, também, um ábaco e a figura de Hermes, acompanhado de três livros fechados e um pote, igualmente fechado e com a palavra “escrutineo”.
As Caves Secretas do Palácio Foz:
Nas caves do Palácio Foz, nos Restauradores, encontramos um dos tesouros arquitetonicos de Lisboa: o Restaurante Abadia. Inaugurado em 1917, este ponto de encontro da élite maçónico lisboeta apresenta um poço (onde ainda hoje corre água, que brota de uma nascente). O espaço busca inspiração e nome num antigo claustro de um convento e o estilo neo-manuelino é o dominante. Vários símbolos de origem maçónica podem ser aqui encontrados: cachos de uva, dragões e inclusivamente os bustos de 24 maçons.
Origem do topónimo “Picoas”:
A origem do termo virá da existência neste local de uma quinta que era propriedade de duas irmãs que tinham como pai um certo “Picao”. Solteironas, as duas mulheres seriam conhecidas pelo povo da região como “Picoas”, tendo o nome persistido até hoje.
Jardim de São Pedro de Alcântara:
Sabia que em 1864, depois de uma grande vaga de suicídios, a Câmara Municipal de Lisboa, haveria de determinar a construção de uma grade (parte da qual pertencera ao antigo palácio da Inquisição) por forma impedir que os suicidas daqui se atirassem? Por volta desta mesma época existia também aqui um labirinto de pedra que foi também destruído para impedir certas cenas entre namorados que aqui tinham lugar.
O Esoterismo das Cores do Brazão de Lisboa:

O Brazão da cidade de Lisboa não está isento de significado esotérico. Desde logo, pelas cores escolhidas: o negro significa a terra, a força e a firmeza de carácter que dela proveem, mas também o “nigredo” ou estado inicial da matéria antes de a levar a um estádio mais alto de desenvolvimento.

Categories: História, Lisboa, Mitos e Mistérios | Deixe um comentário

Um comentário sobre o programa da tendência “marxista” na Segunda Internacional

Ao ler o programa da tendência marxista (que se opunha à mais moderada tendência Possibilista) da “Nova Internacional” encontro que estes “radicais” defendiam:

1.
Jornadas de oito horas

2.
Crianças com menos de 14 não podem trabalhar

3.
Proibição de trabalhos perigosos para mulheres

4.
36 horas seguidas de descanso semanal

5.
Abolição dos “pagamentos em generos”

6.
Abolição das agências de emprego

7.
Inspectores do trabalho escolhidos pelos trabalhadores

8.
Pagamento igual para ambos os sexos

9.
Absoluta liberdade de associação

Não deixa de ser curioso que – para além do ponto 7, todos os demais pontos deste programa da tendência mais “radical” do movimento comunista da segunda metade do século XIX: a abolição das agências de emprego e os inspectores de trabalho escolhidos (em eleição) pelos trabalhadores não estão hoje em vigor. É assim curioso que vivamos, de facto, em… sociedades marxistas.

O ponto contra as agências de trabalho visa obviamente o trabalho precário, um problema bem agudo nos dias de hoje, especialmente em Portugal, país em que praticamente todo o emprego criado nos últimos cinco anos foi dessa natureza… o segundo ponto é uma ideia interessante e levaria que os inspectores do trabalho fossem não meros funcionários do Estado, mas recrutados a partir de uma lista aberta e votados pelos cidadãos… uma ideia interessante e que vai no mesmo sentido daquilo que já é seguido nos EUA, onde chefes de polícia, procuradores gerais e até alguns juízes são eleitos por sufrágio popular.

Categories: Democracia Participativa, Economia, História | 1 Comentário

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