História

#SabiaQue

 

#SabiaQue um dos maiores movimentos sociais nos EUA foi o “Bonus Army” que defendia o pagamento de compensações pela participação na Primeira Grande Guerra?

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#SabiaQue

#SabiaQue na URSS os preservativos eram vendidos nas farmácias sob o nome “dispositivo de borracha número dois” e num tamanho único?
(apesar do nome não havia um “dispositivo de borracha número um”

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“não temos sexo na URSS”

Em 1988 numa reunião por tele-conferência e transmitida em directo em várias rádios entre um grupo de norte-americanas e outro de soviéticas (estava-se em plena Perestroika) uma americana queixa-se da omnipresença de teores sexuais na TV americana.
Responde uma soviética:
“não temos sexo na URSS. E, de facto somos contra isso”
gargalhadas em ambas as salas.
Mas…
Entrevista hoje a russa disse que a frase não acabava aí “não temos sexo na URSS só amor” o que é um bocado diferente
😃

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#SabiaQue

#SabiaQue os executores das penas de morte em Portugal, antes da abolição da pena capital, eram também condenados à pena capital que viviam na prisão?

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#SabiaQue

 

#SabiaQue “Napoleão” significa “Leão do Deserto”?

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#SabiaQue

#SabiaQue na sua última batalha aérea o aviador Óscar Monteiro Torres abateu um Halberstadt, dois caças Fokker acabando por sendo abatido e morto por um quarto aparelho alemão?
O aviador tinha recusado a ordem de Sidónio País para regressar a Portugal.
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#SabiaQue

#SabiaQue a primeira morte em combate de um aviador português ocorreu em 1917 num Farman 40 (Antônio Joaquim Caseiro) quando o seu aparelho foi abatido por fogo de armas ligeiras dos rebeldes de Sidonio País e quando… Sobrevoar o Parque Eduardo VII?…

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António Vieira: Um português

António Vieira: Um português
Introdução
O Padre António Vieira representa – como outros grandes vultos da portugalidade – aquilo que melhor caracteriza os portugueses: mestiçagem, sangue judeu e… emigrante, de Portugal para o Brasil já que o pai de Vieira, Cristóvão Ravasco era escrivão “das devassas dos pecados públicos da cidade de Lisboa”, profissão que exerceu até 1609, ano em que embarcou para o Brasil, tendo regressado em 1614 para levar a sua mulher e o filho António Vieira, então com apenas seis anos para a Baía. Mais tarde, Vieira embarcaria de volta para o Reino, na missão que o Brasil enviaria a Lisboa para saudar o novo rei Dom João IV, o qual, pouco depois haveria de enviar o padre pela Europa fora em busca da defesa dos interesses de Portugal em missões diplomáticas ou em missões mais ou menos secretas.
António Vieira enquadrava em si mesmo o próprio espírito da mestiçagem que embora muitos acreditem ter sido inventado por Afonso de Albuquerque em Goa, existia de facto desde há muito, gravado bem fundo nas matrizes daquilo que haveria ainda de dar origem a “Portugal”, algures entre o momento em que o primeiro celta misturou o seu sangue com os cónios do sul e com os turdulos do centro. Com efeito, como tantos portugueses de hoje e de ontem, Vieira era um mestiço.
Efectivamente, o pai de António Vieira, Cristóvão Vieira Ravasco, nascido em Moura, no Alentejo, tinha tido por mãe uma mulher “de cor”, isto é, alguém que não era de origem europeia (caucasiana) e que podendo ter sido uma índia ou moura, seria, mais provavelmente uma africana ou descendente directa de africanos. Na época – finais do século XVI – havia muitos escravos africanos trabalhando nas herdades alentejanas e quase nenhuns índios (os quais aliás, nem mesmo no Brasil se conseguiam adaptar às lides agrícolas) e os últimos mouros já tinham sido absorvidos na população alentejana. Restam assim os africanos que desde que as primeiras caravelas henriquinas tinham feito as primeiras capturas nas costas a sul de Marrocos estavam a povoar em números crescentes os campos do sul de Portugal. Esta herança africana é aliás bem patente no mais fiel retrato do jesuíta, o retrato de gravura, feito algures em Roma, a partir do seu próprio cadáver, antes de inumado, como relata o cronista André de Barros.
Alguém já escreveu que em todo o português corria alguma parte de sangue judio, sendo a sua mãe – Maria de Azevedo – a hipotética fonte desse sangue que os seus adversários no Maranhão lhe encontravam (o “baptizado em pé” mencionado por Lúcio de Azevedo). Mais tarde, a Inquisição quando o teve preso nas suas garras, recordaria essas acusações feitas décadas antes no Brasil e as mesmas suspeitas estiveram na base do fundamento para a rejeição da admissão do seu irmão Bernardo Vieira Ravasco na Ordem de Cristo em 1663.
O “Milagre” de Vieira; de aluno medíocre a génio
Ao contrário do que se poderia supor, e devido a António Vieira se ter tornado num tão excelso artista da língua portuguesa, esperaríamos que o Jesuíta no Seminário da Baía tivesse sido desde sempre um excelente aluno. Mas tendo aprendido as primeiras letras com a mãe, padeira dos frades de São Francisco, em Lisboa, Vieira nos primeiros tempos do seminário da Baia revelara-se um aluno medíocre em todas as disciplinas, ainda que extremamente devoto. Descontente consigo próprio, passava longas horas orando à Virgem das Maravilhas, suplicando-lhe um melhor desempenho no Seminário. Então, subitamente, terá sentido “estalar” algo no cérebro, e imediatamente sentido uma dor intensa, quase mortal. A partir desse episódio, narrado na biografia de Lúcio de Azevedo, a memória do futuro jesuíta seria extensa e robusta, as suas capacidades de compreensão das matérias leccionadas multiplicaram-se e as suas energias oratórias cresceram e Vieira transformou-se, do dia para a noite (de acordo com a lenda) no melhor aluno do Seminário. Este episódio chegou-nos por via da obra do Padre André de Barros, “A Vida de António Vieira”, que teria escutado este relato de alguém que o teria ouvido da boca do próprio jesuíta.
Além deste espectacular desenvolvimento das capacidades mentais de Vieira, existe um outro episódio “fantástico” na vida de Vieira. Após ter terminado com o citado brilhantismo os estudo preparatórios no Seminário, Vieira foi enviado para a aldeia do Espírito Santo onde os jesuítas tinham agrupado um grupo de indígenas e, certo dia, perdeu-se no caminho entre o Seminário e a aldeia. Pela frente, encontrou o rio Joanes e ameaçado já pela escuridão hesitou sobre se continuaria à busca do caminho para a aldeia ou se voltaria para trás, para a cidade. Então, assustado, o jovem Vieira encomendou-se ao Anjo da Guarda e eis que, de novo, a providência acorre em seu socorro: aparece um menino envolvido envolto por luz, o próprio Anjo da Guarda que caminhando silenciosamente à frente de Vieira até à aldeia, desaparecendo assim que foi cumprida a sua missão.
A época de Vieira é uma época de reacção contra a expansão do Protestantismo na Europa, uma batalha onde os Jesuítas se encontravam na linha de frente e onde o recurso a milagres eram useiro para reforçar junto da população mais hesitante a vantagem do catolicismo contra o protestantismo. Para além de um clima que propiciava à aparição de milagres e à promoção de futuros santos, a época era também uma época mentalmente muito diversa da nossa onde existia uma compreensão ainda muito limitada da Natureza e dos fenómenos naturais (Vieira sente-se compelido a designar um novo “imperador do futuro” depois de ver um cometa no Brasil), onde o misticismo e o maravilhoso permeavam toda a visão do mundo e a presença do Homem no mesmo. Estes episódios, aqui narrados, podem ter tido origem na tentativa póstuma de reabilitar a imagem maculada pela Inquisição de Vieira ou terem brotado do mesmo substrato mítico de onde surgiram tantas hagiografias no século XVII. De uma forma ou de outra, estas histórias ou mitos contribuiram para forjar uma aura mística e fantástica em torno de António Vieira que perdura até hoje.
Vieira e o Mau Andamento da Guerra Holandesa no Pernambuco
Embora fosse um homem da sua época, formatado pelos padrões de normalidade e conceitos da sua época, Vieira não tinha a mesma concepção de “império” que a maioria dos seus contemporâneos defendia e aplicava. A dado ponto escreve o jesuíta: “Perde-se o Brasil, Senhor (digamo-lo em boa palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar o nosso bem, vêm buscar os nossos bens”. Acrescentado depois: “Muito deu em seu tempo Pernambuco, muito deu e dá hoje a Baía, e nada se logra, porque o que se tira do Brasil tira-se do Brasil; o Brasil o dá, Portugal o leva.”
Desde logo, é curioso como neste lamento pela “perda do Brasil”; Vieira assume-se em primeiro lugar como “brasileiro”, (“nossos bens”), como um “outro” a quem o Reino europeu procura perder na ânsia daqueles que lhe envia para o governar de rapidamente enriquecerem… Vieira dá neste ponto mostras do primeiro momento da erupção do sentimento nacionalista brasileiro, com este desabafo perante a atitude predatória destes ministros do Reino perante a colónia brasílica e também exprime a sua desilusão perante a persistência do Pernambuco nas mãos holandesas e perante a transformação do Brasil em mero ponto de partido de riquezas para sustentar as elites dirigentes do Império, em Lisboa. Estas expressões, e muitas outras proferidas por Vieira a favor dos direitos dos índios e dos escravos negros haveriam de granjear-lhe uma viva animosidade por parte dos colonos portugueses no Brasil.
Ao descrever a novo governador do Brasil, Dom Jorge Mascarenhas, marquês de Montalvão, a situação da guerra com os holandeses no Pernambuco, Vieira diz sobre os quatro generais que comandaram a campanha antes da chegada do marquês que “nenhum governou a guerra que a não entregasse ao seu sucessor em pior estado do que a recebera”, e a propósito daqueles militares que regressavam a Portugal e pediam benesses em nome dos seus feitos no Brasil: “Se foram verdadeiras todas as certidões dos soldados do Brasil, se aquelas rimas de façanhas em papel foram conformes a seu originais, que mais queríamos nós? Já não houvera Holanda, nem França, nem Turquia, todo o mundo fora nosso.” De novo, neste ponto, Vieira exprime a desilusão daqueles que além-Atlântico se começavam a sentir mais brasileiros que portugueses e que sentiam uma grande e crescente revolta perante a fraca qualidade dos generais que de Lisboa lhes íam enviando e que se revelavam incapazes de recuperar aos Países Baixos o terreno perdido em campanhas anteriores, e sobretudo, o rico e próspero Pernambuco.
De qualquer modo, é irónico que depois de ter consumido tanta energia e tempo a motivar os seus conterrâneos brasílicos animando-os na difícil “guerra holandesa” quando é forçado a abandonar o Brasil, pressionado pelo poderosos colonos que se reviram no famoso “Sermão de Santo António aos Peixes” (1654) e embarca num navio com destino a Lisboa quando este naufraga é recolhido precisamente por… um navio corsário holandês, que o salva e leva a bom porto, até à Graciosa, nos Açores. Ironias do destino, às quais nem Vieira estava imune…
Vieira: de Anti-Sebastianista a NeoSebastianista
Se num dos seus primeiros sermões, realizado em Janeiro de 1634, convenientemente na festa de São Sebastião, na Baía, António Vieira ergue-se como um crítico daqueles que defendiam a tese do regresso do rei perdido nas areias de Alcácer Quibir, ironizando: “Foi S. Sebastião o encoberto porque o encobriu a realidade da vida debaixo da opinião da morte… Ó milagre! Ó maravilha da providência divina! Na opinião de todos era Sebastião morto, mas na verdade e na realidade estava Sebastião vivo, ferido sim e mal ferido, mas depois das feridas curado; deixado sim por morto de dia na campanha, mas de noite retirado dela, com vozes sim de sepultura e de sepultado, mas vivo, são, valente e tão forte como de antes era. Assim saiu Sebastião daquela batalha e assim foi achado depois dela: na opinião, morto. Mas na realidade, vivo.” E neste sentido, ía Vieira contra a opinião dominante na Companhia de Jesus, já que nesta abundavam aqueles que davam eco aos mitos sebastianistas, como Simão Gomes, dito de O Sapateiro Santo (não confundir com Bandarra).
António Vieira, brasileiro desde os sete anos, participante activo da guerra contra os hereges holandeses e frustrado com a condução da luta contra estes, escreveria a propósito do andamento desta guerra e dos feitos dos comandantes reinóis na mesma: “Se foram verdadeiras todas aquelas certidões dos soldados do Brasil, se aquelas rimas de façanhas em papel, foram conformes a seus originais, que mais quereríamos nós? Já não houvera Holanda, nem França, nem Turquia; todo o mundo fora nosso.” Olhava para o então rei Filipe IV como a grande esperança para a boa resolução da guerra holandesa. Com efeito, em Janeiro de 1641 (ainda antes de que a nova da Restauração ter chegado ao Brasil), Vieira declarava num sermão Filipe como “invictíssimo monarca” e lhe desejava a vitória na sua marcha contra os revoltosos na Catalunha. Ou seja, António Vieira desacreditava do regresso de Dom Sebastião, porque acreditava que isso retirava energia à forma como os portugueses no Brasil poderiam beneficiar do apoio de Filipe na sua guerra e vontade a este de lhes acudir nestes apuros e, nessa época, acreditava que entre as duas empresas: de restaurar a independência do Brasil ou a de recuperar as terras brasileiras perdidas para a Holanda, a segunda era mais importante e a primeira era danosa uma vez que reduzia o poder e a capacidade do “invictíssimo monarca” de expulsar esses hereges.
Ao contrário de alguns, mas seguindo a maioria, Vieira alinha com aqueles que aclamam o novo rei, Dom João IV, assim que as novas da Restauração chegam ao Brasil. Pouco tempo depois, embarca para Lisboa e após atribulada viagem desembarca em Peniche. Vieira, em resultado da sua cultura e eloquência, cedo se torna num dos esteios principais do novo regime. Continua descrente quanto ao regresso do rei perdido em Marrocos, mas não é mais um simples descrente em Dom Sebastião, o Jesuíta compreende então que o novo rei podia beneficiar de todo o profundo e intenso sentimento popular que desejava o regresso de Dom Sebastião em seu proveito e como auxílio determinante para a guerra contra Castela e de Anti-Sebastianista, transmuta-se em Neo-Sebastianista. Daí em diante passa a propagar a interpretação das profecias do Sapateiro de Trancoso como uma antecipação da chegada de Dom João IV ao poder, atribuindo ao novo regime uma renovada legitimidade, refundando-o sobre as expectativas populares do regresso do seu antigo monarca.
Esta passagem de Anti-Sebastianista a Neo-Sebastianista não é, em Vieira, um artíficio discursivo ou uma conveniência política. É algo de sentido e de profundamente vivido. A partir daí, Vieira haveria de percorrer o caminho que o levaria a defender Dom João IV como o líder do dito”Quinto Império do Mundo” de uma forma tão convicta e profunda que marcharia até bem perto das perigosas atenções da Santa Inquisição.
Vieira, a Companhia de Jesus e o Universalismo aPatriotista
António Vieira sempre defendeu um “Quinto Império do Mundo” que casualmente, ou melhor, providencialmente, teria um rei-imperador português. Patriótico, no sentido em que era um dos mais ardentes defensores da independência portuguesa contra Espanha e da liberdade brasileira contra a Holanda, Vieira provinha de um substrato que o moldou, educou e que se tornaria o esqueleto sobre o qual se comporia a carne daquilo que seria o cerne da sua visão do Quinto Império: uma entidade cosmopolita e multinacional exactamente moldada à imagem da Companhia gisada por Inácio de Loyola. Com efeito, a Companhia de Jesus congregava no seio membros oriundos de várias nacionalidades, unidos num propósito comum e falando entre si uma só língua: o latim. Os jesuítas deviam abstrair-se da noção da sua pátria original e os seus membros deviam excluir-se das querelas políticas da governação. Embora Vieira tivesse sido nesse sentido um marginal (sendo muito criticado pelos seus pares precisamente por essa excessiva proximidade ao Poder), não deixava de ser um Jesuíta de formação e sentimento: Como a sua Ordem, defendia uma entidade aPatríotica, a qual aliás procurou fundar o “estado jesuíta” que Pombal quis reconhecer na coligação de aldeias índias regidas por jesuítas no Brasil e estaria na base do mito do “Estado Jesuíta” que inspirou filmes como “A Missão”.
O conceito de “Quinto Império do Mundo”, unido por uma língua comum, o português, e mantendo a “cabeça deste império universal“ em Lisboa e nos “Reis de Portugal os Imperadores Supremos” e congregando em si mesmos povos de vários credos e nacionalidades bem ao estilo do Culto do Espírito Santo do reinado dionisiano é assim plenamente compatível com a visão jesuíta daquele “Estado efectivo” que foi sendo reinventado na mente de Vieira, compondo elementos da Tradição portuguesa medieval, das Trovas de Bandarra, de algum incerto templarismo devidamente condimentadas com o NeoSebastianismo e um messianismo oriundo do substrato judaico do Jesuíta se haveria de equivales ao “Quinto Império” ou ao “Reino do Espírito Santo” dos profetas da portugalidade e do papel futuro de Portugal no mundo.
O Espírito de Tolerância Religiosa em António Vieira e a “Conversão do Mundo” (1)
Talvez por cálculo, para enfraquecer a posição da Inquisição no confronto que esta trazia contra a Companhia de Jesus a propósito dos privilégios da Universidade de Évora ou simplesmente por convicção, a partir de 1642 Vieira defenderia publicamente que Roma deveria perdoar todas as heresias conhecidas até à data e que – sobretudo – todos os judeus expulsos de Portugal por séculos de perseguições e confiscos sucessivos deviam regressar, garantindo-se-lhes a segurança das pessoas e dos bens. É claro que para convencer o monarca da validade destas suas radicais (à época) propostas contava o Jesuíta não somente com a sua grande influência junto de Dom João IV, mas também com os cabedais que estes trariam de volta para o país e que vinham financiando as campanhas holandesas no Pernambuco assim como a própria dura luta que Portugal travava na fronteira com Espanha. Eram estes fundos de origem judaica que permitiam manter acesa a chama da resistência contra a Holanda e contra a Espanha e que tanta falta faziam agora ao novo monarca para armar os exércitos que tinham que defender a fronteira contra os tércios espanhóis.
O Espírito de Tolerância Religiosa em António Vieira e a “Conversão do Mundo” (2)
Mas não se pense que o jesuíta defendia que os judeus deviam continuar a praticar publicamente o seu credo. Na verdade, Vieira proclamava frequentemente e tão alto quanto podia que a maior missão do Quinto Império com que sonhava e que acreditava estar prometido pelo a Portugal era precisamente a conversão dos judeus “coisa tão dificultosa, como é a conversão dos judeus”. Assim como Agostinho acreditava que para que o Império do Espírito Santo se cumprisse, cada um teria que transformar o seu interior, numa aplicação do princípio de comunhão entre o micro e o macrocosmos expresso na “Tábua da Esmeralda”, também António Vieira acreditava que para que o Quinto Império se cumprisse teria que ocorrer primeiro a conversão universal e que o seu momento só poderia chegar quando todos os judeus e infiéis se tivessem convertido a Cristo. Provavelmente nunca ninguém foi capaz de alcançar a plenitude da importância do catolicismo no pensamento de Vieira, mas este era o ponto fulcral de todo o seu pensamento e palavra e se defendia o perdão e o regresso de todos os judeus exilados fazia-o para que este regresso pudesse sustentar com os seus cabedais a defesa do Reino e do Brasil e para que Portugal e o Brasil pudessem formar o coração daquela entidade que Vieira acreditava que formaria no futuro, ainda em vida de Dom João IV, a semente para um Império Cristão Universal liderado pela acção proselitista da Companhia de Jesus, do Papa e do rei português.
O “Quinto Império” em António Vieira: um Constructo Católico (1)
Num “exame”, um texto que Vieira comporia para condensar e facilitar a conversão dos judeus ao catolicismo, o jesuíta aludiria a dado ponto por “… que o tal Quinto Império por qualquer modo que seja há de ser sempre não só católico, mas o mais católico que nunca houve.” Este Império católico, devia assim não enquadrar em si comunidades e religiões de outras matrizes religiosas, mas cumprir-se pela sua conversão ao catolicismo de Roma, e visando assim sobretudo a conversão de judeus, indígenas e muçulmanos. Liderando este Império Universal, Vieira coloca Dom João IV, “porque princípe que gasta com seus vassalos tudo o que recebe deles, não lhe compete menos conquista que a do Mundo, menos Monarquia que a do Universo… Assim prometem as novas profecias… para grande aumento da fé; para grande glória da Igreja; para grande honra da nação portuguesa…”
O “Quinto Império” em António Vieira: um Constructo Católico (2)
António Vieira, queria sobretudo que a concepção do Império Universal cristão vingasse. Este Império deveria ser erguido à semelhança da Igreja e, essa construção deveria ser feita – naturalmente – por um príncipe cristão, cabeça de um dos pilares do catolocismo e de missões católicas em todo o mundo, desde o Japão à Índia e por meio das selvas do sertão brasileiro. E esse pilar era Portugal e o seu império ultramarino, com especial destaque para o Brasil que Vieira sentia como sendo a sua primeira pátria.
O “Quinto Império” de Vieira não correspondia politica e administrativamente ao mesmo formato de Império dos quatro impérios precedentes… Assírios, romanos, macedónios e outros, formaram império na base da conquista, anexação e de um controlo centralizado e férreo. Com efeito, este Império de Vieira não era um corpo único e unificado, mas uma entidade multiforme e descentralizada. O Imperador Universal decidiria das contendas e disputas entre os diversos imperadores e reis colocados sob a sua tutela, mas não regiria em seu nome, sempre com a suprema intenção de manter por todo o mundo a paz de Cristo, mas nunca a impondo pela força das armas ou das legiões. Uma imagem que está muito conforme com a visão que hoje em dia alguns têm quanto à essência e ao destino de uma potencial União Lusófona…
O “Quinto Império” em António Vieira: um Constructo Católico (3)
A importância de Portugal no lançamento deste constructo universalista católico resultava primariamente do papel de Portugal na missionação do mundo através da extensa rede de missões promovidas pelos portugueses no mundo a partir dos seus estabelecimentos no Oriente e no Brasil. Assim, as conquistas de Portugal, a sua defesa e recuperação (contra a Holanda) seriam fundamentais para criar as bases desse novo e prometido Quinto Império Cristão e por isso dava Vieira tanta importância à Restauração de Portugal e à defesa do reino. Não porque Portugal fosse em si mesmo importante. Mas porque importante era o “império futuro” que ainda haveria de vir e em cuja fundação Vieira encontrava em Bandarra sinais que haveria de partir de Portugal.
A Revolta do Pernambuco do jugo holandês e a hesitação de Vieira (1)
Quando os colonos portugueses se revoltam contra o ocupante holandês, coadjuvados por escravos negros e índios cristianizados, Vieira estava na Holanda, procurando negociar a paz desta com Portugal restaurado, quando recebe as notícias da revolta. A sua primeira reacção é escrever para o rei e queixar-se dos “valentões de Portugal”, que não satisfeitos de estarem já metidos com a maior potencia da época, Espanha, agora queriam também bater-se contra a Holanda, com quem ele procurava tão esforçadamente fazer a paz, de forma a garantir a vitória contra a primeira: “Em todo o passado Castela e Portugal não puderam prevalecer assim no mar como na terra contra a Holanda; e como poderá agora Portugal, só, permanecer e conservar-se contra a Holanda e contra Castela?” (Cartas). Posteriormente, haveria de ser menos crítico dos revoltosos, já que conhecera de perto e pessoalmente as agruras da “guerra holandesa” e haveria de ora defender revoltosos, ora aqueles que defendiam a paz com a Holanda. Alguns, em Portugal, e em particular na corte de Dom João IV, defendiam que a paz com a Holanda devia ser assegurada a todo o custo sacrificando inclusivamente os revoltosos que no Brasil no Pernambuco se batiam contra os holandeses e com eles, abandonando qualquer reclamação ao Pernambuco. Outros, menos influentes em Portugal, mas crescendo em número entre o Povo e a Burguesia, e sobretudo entre os colonos brasileiros acreditavam que era preciso enviar reforços para apoiar a revolta e promover a final expulsão dos holandeses do Brasil.
Menos hesitante estivera o rei, que logo que recebera novas da revolta mandara carta ordenando que a coluna que entrara no Pernambuco vinda dos territórios portugueses e que a pedido do governo local e enviada para ajudar a Holanda a suprimir a revolta e que se virara muito compreensivelmente a seu favor voltasse à Baía. A coluna militar violara as suas ordens absurdas e maquiavélicamente calculistas emanadas a partir de Lisboa e batíasse agora com os revoltosos e contra a Holanda no interior do Pernambuco. Já então o Brasil, pela composição das suas forças e pelo espírito de autonomia e de liberdade das suas gentes, começava a agir de forma autónoma e independente, animado pela distância da metrópole e do relativo desinteresse a que esta vota a sua distante colónia… Na revolta contra os europeus do norte estavam todos aqueles que os portugueses tinham trazido e encontrado na terra brasílica: aos portugueses, colonos e militares vindos da metrópole, juntavam-se e batiam-se lado a lado os índios comandados por Filipe Camarão, um índio tupi e os negros do liberto Henrique Dias. A esta congregação de gentes e raças, unidas pelo espírito da liberdade brasílica contra o opressor estrangeiro se juntava o coração de Vieira, criado desde os sete anos na Baía, mas se separava a inteligência do Jesuíta, mais prudente e avisadamente receosa da divisão dos escassos meios entre duas guerras contra duas das maiores potencias militares da época: Espanha e Holanda.
O projecto de fuga para o Brasil e da independência do Brasil com… Dom João IV e o papel de António Vieira (1)
Um dos episódios menos conhecidos da História portuguesa, envolve Vieira directamente, ou como criador do plano, ou pelo menos, como seu apoiante directo e explícito. Trata-se do projecto urdido por Dom João IV e no mesmo momento em que as negociações com França a propósito de uma aliança que sustentasse Portugal na sua luta desigual contra Espanha se goravam, altura em que o monarca português levanta a possibilidade de antecipar duzentos anos a fuga de Dom João VI para o Brasil de 1807.
Em meados do século XVII, o Brasil não é considerado como uma colónia como tantas outras que Portugal ainda mantinha um pouco por todo o mundo, mas como o derradeiro refúgio da portugalidade, o único local plausível para manter a monarquia e nela, alguma forma derradeira de independência perante as ameaças de invasão: sob Dom João VI, as divisões napoleónicas, e sob Dom João IV, dos tércios espanhóis.
O projecto de fuga para o Brasil e da independência do Brasil com… Dom João IV e o papel de António Vieira (2)
O plano de Dom João IV parecia ser ainda mais ambicioso que o de Dom José, já que passava pela transformação da colónia brasileira num reino completamente autónomo, regido pelo monarca, enquanto que Portugal, deixado para trás e exposto à ameaça que o rei tinha por impossível de debelar se separava e ficava sob a regência do seu filho, Dom Teodósio que o rei procurava casar com uma princesa francesa como forma de lhe assegurar algumas condições de manter o reino independente perante Espanha.
O projecto foi levado a conselho junto dos mais próximos conselheiros do rei, entre os quais António Vieira, que tinha acabado de regressar dos Países Baixos e que juntava as suas preocupações às do Rei já que não conseguira ali assegurar uma paz com a República holandesa. Esta coincidência, e a ousadia costumeira das ideias de Vieira (não era ainda mais arrojado procurar abolir a designação de “Cristão-Novos”?) fazem crer que o projecto pode ter germinado na mente do jesuíta… Não era ele um “brasílico” de coração e formação? Não vinha Vieira desaminado da possibilidade de firmar a paz com a Holanda e receava acima de tudo uma coligação invencível entre os Países Baixos, atacando Portugal nas colónias e Espanha, invadindo as fronteiras raianas?
O projecto de fuga para o Brasil e da independência do Brasil com… Dom João IV e o papel de António Vieira (3)
Tendo recebido do rei, o encargo de levar adiante o projecto, Vieira embarca para Paris e é recebido pelo embaixador português em Paris, Francisco de Sousa Coutinho, que acolhe a proposta com grande desconfiança e imensas reservas. Mas França não parecia muito inclinada a aceitar o projecto e hesitava quanto a enviar para Portugal o Duque de Orleães e propunha em seu lugar Luís de Condé, apenas numa manobra dilatória para atrasar o andamento do plano e descrente da capacidade do reino português – separado do Brasil – de resistir sózinho à potencia castelhana.
Embora alguns, como Oliveira Martins, encontrassem em Vieira o verdadeiro arquitecto deste plano, e nele também a mão da Companhia de Jesus que pretenderia desta forma constituir aquilo que na sua “História de Portugal” chama de “Quinto Império de Deus e dos Jesuítas” no Brasil onde Dom João IV seria a cabeça formal de um “Império Jesuítico nas Américas” que no século XVII alguns críticos quiseram encontrar no Paraguai. Nada indica , contudo, que houvesse tal intenção jesuítica ou que esta fosse a motivação secreta oculta sob as extensas manobras do Padre António Vieira neste sentido. De qualquer forma, o projecto de separação do Brasil de Portugal e da formação de dois reinos autónomos haveria de frustar-se não só devido à oposição quase unânime dos conselheiros de Dom João IV, mas sobretudo pelas hesitações francesas em o apoiar, e, em primeiro lugar devido à inversão do andamento da guerra no Brasil onde os colonos que mantinham uma revolta contra os invasores holandeses começavam a ganhar ascendente sobre estes e colocavam agora em sério risco a aplicação prática deste arrojado plano.
O projecto de fuga para o Brasil e da independência do Brasil com… Dom João IV e o papel de António Vieira (4)
Em suma, se não houve divisão entre Portugal e Brasil e se o segundo não logrou tornar-se o primeiro país colonial independente do mundo, tal deveu-se sobretudo à vontade dos seus autóctones e à daqueles que vindos de Portugal reconheciam nessa sua nova pátria virtudes e potencial bastante para que merecesse o estabelecimento e o mantimento de uma guerra que apesar de aparentemente perdida à partida, no final, seria ganha, saindo derrotado o invasor holandês e, com ele… Os planos daqueles que como Vieira se batiam pela separação dos dois reinos.
Das Origens Vieirinas na Crença no “Quinto Império”
A crença de António Vieira no destino Quintano de Portugal e do mundo não acompanha o jesuíta desde o primeiro dia… é de facto até bastante tardia. Em 1641, quando parte para a metróple, na embaixada brasileira ao novo rei Dom João IV, ainda não se lhe conhece nenhum escrito ou sermão sobre o tema. Aliás, o primeiro registo de abordagem de tal conceito ocorre apenas já numa fase relativamente tardia da sua vida, quando aos 51 anos redige a carta ao bispo do Japão, em 1659 onde aborda explicitamente o tema das “Trovas do Bandarra”.
Todos os textos que escreve na primeira fase formativa no Brasil, anterior a 1641, se concentram na “guerra holandesa” e na defesa daquilo que poderia levar à vitória nesta esforçada e difícil guerra contra uma das maiores potencias colonais e navais da época. Nestes escritos não encontramos referência alguma a “Quinto Império”, “Bandarra”, “Rei ressuscitado”… apenas escassas (“Sermão do Dia de Reis”, em 1641) referências irónicas ao Sebastianismo e louvores ao regime Filipino.
É portanto curioso que só depois de regressado a Portugal o pensamento e a convicção no estabelecimento de um”Quinto Império” se torna evidente no pensamento e no verbo vierino… É como se a necessidade preemente de tal empreendimento só se tornasse evidente perante a perspectiva da fragilidade presente do estado de Portugal perante as ameaças cruzada de Espanha, no continente europeu, e da Holanda, no Brasil, em Angola e no Oriente. Perante as dificuldades aparentemente invencíveis, Vieira reconheceu que Portugal só poderia sobreviver se o seu presente perigoso e cinzento fosse polarizado para um destino universalista e global. Perdendo o foco da estrita e regional guerra luso-holandesa no Brasil, Vieira podia agora ver o Todo e compreender que os destinos de Portugal só poderiam ser cumpridos no mundo, pela conversão do mesmo aos ideais católicos que tanto acarinhava e dos quais esperava encontrar no restaurado rei português o mais importante agente, recorrendo como meio ao império português como forma de projecção desse império terrestre onde a Companhia de Jesus seria o maior instrumento de conversão.
Da Esperada “Ressuscitação” de Dom João IV: um dos pontos mais estranhos do pensamento de António Vieira
Um dos pontos mais curiosos e estranhos do pensamento de Vieira é a sua crença – muito forte – de que Dom João IV haveria de renascer dos mortos para cumprir o seu destino, o de Portugal e o do mundo. Na sua defesa contra as acusações do Santo Ofício escreve este sumário das suas ideias neste ponto: “O Bandarra é profeta, o Bandarra profetizou que El-Rey Dom João o quarto há de obrar muitas cousas, que ainda não obrou, nem pode obrar senão ressuscitando: logo El-Rey D. João o quarto há de ressuscitar”. Vieira leva assim tão longe esta sua crença: não só o Rei vai ressuscitar, como terá que forçosamente de o fazer para que os gentios e descrentes heréticos, judeus e muçulmanos se convertam ao cristianismo e o adoptem como seu “monarca universal”, convencidos tão somente pelo espantoso milagre da sua ressuscitação… E Vieira acredita neste milagre, porque acredita (pelo menos a partir dos seus 51 anos) fielmente nas profecias de Bandarra: se este sapateiro de Trancoso profetizou correctamente para 1640 a Restauração do Reino e outros espantosos feitos para Dom João IV, como a tomada de Jerusalém ou a conquista do império dos turcos, e se morreu sem cumprir tais profecias, então, forçosamente, teria ressuscitar para completar essa derradeira, mas determinante parcela das profecias do Bandarra… Pois se uma profecia estava certa, então, forçosamente, igualmente certas também teriam que estar todas as demais.
Vieira acredita portanto na ressuscitação do Príncipe, mas não usa o título “Imperador do mundo”, ou mesmo “imperador do Quinto Império” (termo que curiosamente sobreviveria até hoje nas festas do Espírito Santo no Brasil e nos Açores). Vieira prefere temo de “Príncipe” e estabelece para o seu regresso milagroso um esboço programático que tem muito mais de religioso do que de laico ou temporal… “o fim da dita ressureição de nenhum modo o teve ele declarante por temporal, senão por muito espiritual, sobrenatural, e divino, qual é a conversão universal da Gentilidade, extirpação da heresia, redução dos judeus à Fé de Cristo, e ruína do Império Otomano”.Assim resumem os inquisidores esta parcela do pensamento do jesuíta… Repare-se como quase todos os pontos desta agenda são de índole religiosa, com excepção única do último ponto, necessário contudo por causa da possessão turca da Terra Santa e assim aqui presente, também ela, por causa das mesmas motivações religiosas… Ou seja, o “imperador do Quinto Império” (termo que Vieira evita), não o é,de facto, sendo essencialmente um “sumo-sacerdote” ou “papa temporal” do mundo convertido todo e monolíticamente às luzes do catolicismo.
Os “imperadores universais” de António Vieira, após… Dom João IV
A morte de Dom João IV, de quem Vieira esperava o cumprimento de tão altos feitos, haveria de gerar no espírito do jesuíta uma profunda crise interior. Numa primeira fase, Vieira, completamente convicto da veracidade e correcção das profecias de Bandarra e da sua personalização em Dom João IV passa a acreditar e a exprimir a sua plena convicção na ressurreição do monarca. Mas com o tempo, e na falta do esperado regresso dos mortos do monarca defunto, Vieira acaba por evoluir nesse caminho e por passar a defender em 1664: “Por cá não há coisa digna de relação mais que haver-se hoje dado princípio às mesas na sala dos nossos estudos, onde o mestre, que é o P. Francisco Guedes, tomou por problema dos futuros contingentes se havia de vir El-Rey D. Sebastião. E depois de o disputar com aplauso por uma e outra parte, resolveu que o verdadeiro Encoberto profetizado é El-Rey que Deus guarde: D. Affonso. Por sinal que, para eu crer e confessar assim, não foi necessário nenhum dos argumentos que ouvi, porque, depois que observei as felicidades em que assiste o céu a todas as suas ações, estou inteiramente persuadido a isso”. [Carta a Dom Rodrigo de Meneses de 3 de Março de 1664, citada em p. 133]
Mas Vieira não se fica por aqui… Depois de Dom Afonso VI, e como este também não se revelar ser o esperado “imperador universal”, António Vieira elege Dom Pedro II, em 1684, como aquele a que está destinada a “destruição total do Turco está reservada a um rei português e que todas as probabilidades apontam para Dom Pedro II”. Mas passados apenas quatro anos, em 1688, é agora o primogénito de Dom Pedro II esse prometido monarca: “Digo que este Príncipe fatal, tantos séculos antes profetizado, e em nossos dias nascido, não só há de ser Rey, senão Emperador”. Não cessa aqui a lista de “quintos imperadores” de Vieira… Com efeito, com o súbito falecimento do primogénito, é ao seu irmão que compete o trono ficando um “com a posse da púrpura no Céu, o outro com o ceptro na Terra.” Este “futuro imperador” seria… Dom João V, desta feita.
Todas estas hesitações e mudanças de percurso, vistas à perspectiva de trezentos anos lançam dúvidas sobre a personalidade de Vieira. Seriam provenientes de um excessivo prazer pela proximidade do Poder e dos seus favores um defeito que os seus inimigos julgavam reconhecer na personalidade do jesuíta? Vieira era um ser humano, e consequentemente um indíviduo não isento das fragilidades típicas dos mesmos e esse factor não deve ser descartado com leveza. É também possível que o jesuíta se tivesse embriagado pelo canto de sereia dos seus próprios discursos e – enredado dentro da sua própria teia discursiva – acabasse por uma questão de consistência interna do seu próprio pensamento e de refúgio de racionalidade pessoal em acreditar realmente que a figura profetizada do “futuro imperador” se transferia assim de príncipe em príncipe, sucessivamente. Além da tese panegírica dos seus adversários e do “cerco mental” imposto pelo seu próprio universo verbal, há pelo menos mais duas explicações para estas oscilações… Vieira era um grande e fervoroso cristão. Recordemo-nos de que no Brasil, enquanto jovem, fugira de casa dos seus pais para o seminário jesuíta e que durante a sua vida sempre colocou a sua actividade missionária em primeiro lugar, contra todos os poderes e adversidades. Seria assim possível que estas oscilações fossem justificadas por uma necessidade de manter elevada a influência jesuíta na corte portuguesa e, consequentemente, do catolicismo nesta? É uma tese provável, especialmente se fôr conjugada com a sincera convicção de que Bandarra e os profetas biblícos que citava de memória antecipavam correctamente para Portugal um “quinto imperador” e um “quinto império” e de que se António Vieira, humano e falível se enganara com Dom João IV e depois com a sua miraculosa ressurreição, com Dom Afonso VI, Pedro II e, por fim, com Dom João V. Assim, Vieira não oscilaria de “futuro imperador” em “futuro imperador”, oscilaria sim a sua interpretação quando a uma identificação da sua personalidade. Convicto da sua imperfeição, mas igualmente certo da certeza das profecias Vieira buscaria esse Imperador de Príncipe em Príncipe, sempre na absoluta certeza da sua existência futura.
Os “imperadores universais” de António Vieira, após… Dom João IV
A morte de Dom João IV, de quem Vieira esperava o cumprimento de tão altos feitos, haveria de gerar no espírito do jesuíta uma profunda crise interior. Numa primeira fase, Vieira, completamente convicto da veracidade e correcção das profecias de Bandarra e da sua personalização em Dom João IV passa a acreditar e a exprimir a sua plena convicção na ressurreição do monarca. Mas com o tempo, e na falta do esperado regresso dos mortos do monarca defunto, Vieira acaba por evoluir nesse caminho e por passar a defender em 1664: “Por cá não há coisa digna de relação mais que haver-se hoje dado princípio às mesas na sala dos nossos estudos, onde o mestre, que é o P. Francisco Guedes, tomou por problema dos futuros contingentes se havia de vir El-Rey D. Sebastião. E depois de o disputar com aplauso por uma e outra parte, resolveu que o verdadeiro Encoberto profetizado é El-Rey que Deus guarde: D. Affonso. Por sinal que, para eu crer e confessar assim, não foi necessário nenhum dos argumentos que ouvi, porque, depois que observei as felicidades em que assiste o céu a todas as suas ações, estou inteiramente persuadido a isso”. [Carta a Dom Rodrigo de Meneses de 3 de Março de 1664, citada em p. 133]
Mas Vieira não se fica por aqui… Depois de Dom Afonso VI, e como este também não se revelar ser o esperado “imperador universal”, António Vieira elege Dom Pedro II, em 1684, como aquele a que está destinada a “destruição total do Turco está reservada a um rei português e que todas as probabilidades apontam para Dom Pedro II”. Mas passados apenas quatro anos, em 1688, é agora o primogénito de Dom Pedro II esse prometido monarca: “Digo que este Príncipe fatal, tantos séculos antes profetizado, e em nossos dias nascido, não só há de ser Rey, senão Emperador”. Não cessa aqui a lista de “quintos imperadores” de Vieira… Com efeito, com o súbito falecimento do primogénito, é ao seu irmão que compete o trono ficando um “com a posse da púrpura no Céu, o outro com o ceptro na Terra.” Este “futuro imperador” seria… Dom João V, desta feita.
Todas estas hesitações e mudanças de percurso, vistas à perspectiva de trezentos anos lançam dúvidas sobre a personalidade de Vieira. Seriam provenientes de um excessivo prazer pela proximidade do Poder e dos seus favores um defeito que os seus inimigos julgavam reconhecer na personalidade do jesuíta? Vieira era um ser humano, e consequentemente um indíviduo não isento das fragilidades típicas dos mesmos e esse factor não deve ser descartado com leveza. É também possível que o jesuíta se tivesse embriagado pelo canto de sereia dos seus próprios discursos e – enredado dentro da sua própria teia discursiva – acabasse por uma questão de consistência interna do seu próprio pensamento e de refúgio de racionalidade pessoal em acreditar realmente que a figura profetizada do “futuro imperador” se transferia assim de príncipe em príncipe, sucessivamente. Além da tese panegírica dos seus adversários e do “cerco mental” imposto pelo seu próprio universo verbal, há pelo menos mais duas explicações para estas oscilações… Vieira era um grande e fervoroso cristão. Recordemo-nos de que no Brasil, enquanto jovem, fugira de casa dos seus pais para o seminário jesuíta e que durante a sua vida sempre colocou a sua actividade missionária em primeiro lugar, contra todos os poderes e adversidades. Seria assim possível que estas oscilações fossem justificadas por uma necessidade de manter elevada a influência jesuíta na corte portuguesa e, consequentemente, do catolicismo nesta? É uma tese provável, especialmente se fôr conjugada com a sincera convicção de que Bandarra e os profetas biblícos que citava de memória antecipavam correctamente para Portugal um “quinto imperador” e um “quinto império” e de que se António Vieira, humano e falível se enganara com Dom João IV e depois com a sua miraculosa ressurreição, com Dom Afonso VI, Pedro II e, por fim, com Dom João V. Assim, Vieira não oscilaria de “futuro imperador” em “futuro imperador”, oscilaria sim a sua interpretação quando a uma identificação da sua personalidade. Convicto da sua imperfeição, mas igualmente certo da certeza das profecias Vieira buscaria esse Imperador de Príncipe em Príncipe, sempre na absoluta certeza da sua existência futura.
A “Clavis Prophetarum” a Grande Obra de António Vieira
Entre 1659 e 1665 Vieira desenha a estrutura fundamental daquela que já então considerava que seria a sua grande obra, a “Clavis Prophetarum”. Nesses seis anos concebeu o plano para sete livros que deveriam contêr um total de 59 capítulos, respondendo um a cada pergunta que listara nesses anos. Dessa obra ciclópica, somente alguns escritos dispersos ficaram prontos, e destes alguns perderam-se para sempre… Consciente do gigantismo da montanha que tinha perante si, em 1663, somaria a esse plano uma obra introdutória, o “Livro Anteprimeiro da História do Futuro”, a qual, contudo, ficaria tão incompleta quanto a obra principal que devia anteceder. Não só as intensas actividades políticas e diplomáticas o afastaram desse desafio, como a própria actividade polémica de Vieira haveria de atrair a sempre indesejada atenção da Inquisição e logo, de desviar a atenção de Vieira sobre a Clavis, já que os esboços da obra continham vários pontos que íam contra o Dogma católico e poderiam inflamar ainda mais as suspeitas do Santo Ofício…
Para descobrir a chave “Clavis” para o Futuro de que discorreria nesta sua grande obra, Vieira recorre aquela fonte que elege como primeira não só em ordem como em importância: a palavra dos profetas do passado e daqueles que ao longo dos tempos os foram comentando.
Existe uma grande e fundamental diferença de tom entre a “Clavis Prophetarum” e a “História do Futuro”: Se a segunda trata fundamentalmente do futuro de Portugal e do destino deste na transformação do mundo, na “Clavis” estamos perante uma obra quase totalmente dedicada à evangelização futura do mundo. Nesta, o papel de Portugal nessa transformação é reduzido e das poucas referências, a primeira é uma alusão ao mítico “Milagre de Ourique” em que o primeiro rei português, Dom Afonso Henriques recebe um especial mandado de Deus.
O Apocalipse em António Vieira
Não encontramos, nos escritos de Vieira, nada de semelhante a um catastrófico Armagedeão. O jesuía alude sempre a uma suave transição para “novos céus e uma nova terra” quando os Homens estiveram interiormente preparados para esse novo estádio de existência. Para tal seria preciso que fosse eliminada da alma de todo e de cada Homem todo o egoísmo e que cada forma de violência fosse substituída por Amor e entrega pelo Outro. No texto intulado “Defesa perante o Tribunal do Santo Ofício”, o jesuíta defende que mesmo aqueles homens e mulheres que nasceram antes da Revelação, recorrendo para tal a Santo Agostinho e às cinco formas por este delineadas… Sendo que entre estas, a primeira é a Iluminação a partir do interior da própria alma, pela via da centelha de Deus deixada em cada alma humana após a Criação e que é conhecida como “Espírito Santo”, o primeiro motor para a transformação do mundo e da vida do Homem sobre o mundo num verdadeiro “Reino do Amor”.
Com efeito, na “Clavis Prophetarum”, Vieira identifica o “Quinto Império” como o “Império do Amor”. no capítulo VII do Livro II onde afirma que o Reino de Cristo será universal e a suprema expressão do “poder da mansidão, da humildade e do amor”, sendo que no capítulo IX torna a sublinhar a importância do Espírito Santo para essa conversão universal onde usa a imagem bíblica das “flores e do canto da rola” como alegoria aos dons do Espírito Santo, que Vieira acredita que seria o responsável pela transmutação da Igreja dos Últimos Dias naquela comunhão universal do Espírito Santo que descreveria o antecipado “Império do Amor” de António Vieira.
Fontes:
J. Lúcio de Azevedo, História de António Vieira – Primeiro Período, o Religioso
António Lopes SJ, Vieira o Encoberto, Principia
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#SabiaQue

 

#SabiaQue a única vez em que um Chefe de Estado teve activa a pasta de códigos de lançamento de mísseis ocorreu em 1995 com Boris Ieltsin depois de um alerta de um posto de radar russo que detectou um lançamento de um foguetão meteorológico norueguês (do qual se esqueceram de avisar os operadores de radar soviéticos)?

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É seguro dizer que uma das causas para a derrota alemã na Segunda Grande Guerra foi

É seguro dizer que uma das causas para a derrota alemã na Segunda Grande Guerra foi a imensa quantidade de recursos que os nazis gastaram no transporte de milhões de pessoas pela Europa fora para além dos recursos preciosos que consumiram a construirem e manterem campos de extermínio e das dezenas de milhar de tropas para os guardarem.
Foram estúpidos e pagaram o preço.
E ainda bem.
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#SabiaQue

#SabiaQue em 28 de junho de 1706 um exercito de 14 mil portugueses e com 4200 soldados holandeses e ingleses atravessou Espanha e ocupou – durante 40 dias – Madrid?

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Sabia Que… PCP

#SabiaQue o PCP chegou a visitar – para efeitos de aqui instalar a sua Sede Nacional – o palácio do Largo do Rato onde está hoje a sede do PS mas que a recusaram porque “não ficava bem a um partido dos trabalhadores e do povo” ocupar um “palácio da alta burguesia”?…

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Tomorrow the World, Norman J. W. Goda

#SabiaQue, em 1940, Hitler confessou a Molotov que “em 1970 ou 1980, o mais tardar, a liberdade das outras Nações (as que iam dividir a Europa: Alemanha, Espanha, Itália e França) iria ser “tremendamente ameaçada pelo poder anglosaxónico” (EUA e RU)?
Ou seja, Hitler contava acabar com a guerra em 1943 ou 1944, passar 20 ou 30 anos de paz e, depois, travar nova guerra mundial.
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue, foi a 3 de setembro de 1940 que Hitler referiu a Jodl, pela primeira vez a necessidade de ocupar militarmente (sem colocar a opcao diplomática) as ilhas dos Acores e Cabo Verde?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue, em junho de 1940, Espanha pressionou Portugal para uma aliança militar porque, senão, dizia, em breve, “a Alemanha ou a Grã-Bretanha iriam ocupar o pais”?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue o plano alemao para a conquista dos Acores previa a partida da missao da costa francesa, uma conquista facil (tendo em conta as defesas existentes), mas previa grandes dificuldades em as manter dadas as dificuldades de abastecimento e o predominio maritimo britanico? O plano alemão previa também apenas a tomada de algumas das ilhas principais e reconhecia que as outras poderiam depois ser usadas para uma reconquista.
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue o Major Sigismund Freiherr von Falkenstein foi quem, em 1940, desenhou para Hitler um plano de ocupacao dos Acores que previa uma ocupação por ar por Junkers 52 apoiados por bombardeiros Focke-Wulf 200 e uma manutencao por mar?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue em outubro de 1943 o Comando Naval alemão concebeu a “Operacao Dwarslaufer” para a conquista das ilhas do Faial e de Sao Miguel com tropas aqui deixadas por navio, mas que se esperava que aqui ficassem até ao fim da guerra, sem dependerem de abastecimentos?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
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Notas e Citações de Várias Fontes sobre a Tapada das Necessidades

 
 
Breve História da Tapada das Necessidades
1580: Lisboa foi vítima de uma vaga da peste que se prolongou durante mais de 20 anos. Fugindo deste flagelo, muitos lisboetas deixaram a cidade e espalharam-se pelas terras em redor. Foi esse o caso de um casal abastado que se refugiou em Ericeira local onde rezavam, frequentemente, numa ermida e a uma imagem de Nossa Senhora da Saúde. Passados alguns, e sem mostrarem sinais da doença, regressaram a Lisboa atribuindo essa salvação à imagem, que trouxeram consigo abrigando-a numa ermida perto de uma tapada que haveria já (pelo menos desde 1604) na zona mais alta de Alcântara. Esta nova ermida, erguida em 1606, tornou-se local de grandes romarias, de nobres e povo que aqui íam rezar perante a imagem pedido a satisfação dos seus pedidos e “necessidades” (o que haveria de baptizar a tapada)
 
1742: D. João V ordena a construção de “uma ermida maior”, um convento e um palácio para sua própria residência, por expropriação (ou compra, segundo algumas fontes) das quintas agrícolas circundantes, pretendendo aqui criar uma “cerca” para o convento (conforme ainda visível, hoje, perto da entrada no Largo das Necessidades). A obra surge por acção de graças pela cura da paralisia do rei e seria entregue à Ordem dos Frades Oratorianos.
1756: Referências de um religioso ao moinho (não ao que existe hoje em dia e que datará da década de 1940) a uma seara, à mãe de água (“pia circular” de outras fontes): “Uma larga terra de semeadura (e vinha?), situada no extremo norte, junto ao moinho, confirmando a vocação de produção agrícola” (…) “e sobre elle (lago) huma cascata de singular arteficio à qual vem dar parte da agoa, que vem da mesma May, se reparte agoa para todos os tanques, fonte do claustro, cosinha e Palacio. A cascata além da perfeyção com que está feyta, e galantaria, lança pellas juntas das conchas e buzio a agoa do dito tanque”
Finais Século XVIII: Reclamando perante a insuficiência da água na cerca, os Padres Oratorianos, a quem tinha sido cedida por D. João V a ocupação do convento e da sua cerca, pediram ao Rei D. José I que fossem abastecidos pelo Aqueduto das Águas Livres. O monarca responderia afirmativamente (embora em clima de contestação popular) e a galeria das Necessidades foi construída no final do séc. XVIII sendo dessa época a Mãe-de-Água ou Pia Redonda, situada no alto da Tapada com um mirante dominando todo o terreno mas que hoje, infelizmente, está obstruída pela vegetação
 
1833: Dá-se a extinção das ordens religiosas e da saída dos padres do Oratório do Convento das Necessidades.
1843: D. Fernando II mandou redesenhar o jardim transformando a zona de hortas em jardim inglês, tarefa executada pelo mestre jardineiro Bonard. Na época, no antigo zoológico, o mesmo jardineiro constrói a “escola hortícola” para aprendizagem dos 11 (!) princípes reais. Este monarca e sua esposa, Dona Maria II, dão continuidade à tradição dos piqueniques reais na Tapada, que continuam até que Dom Luís, irmão de Dom Pedro V ascende ao trono e transfere a residência real para o Palácio da Ajuda. A Tapada entra então num período de dormência que, não impede a sua visita por convidados ilustres como o grande pintor Édouard Manet, que, nas suas Memórias refere que a sua obra-prima “Le déjeuner sur l’herbe” se inspirou, precisamente, numa estadia na Tapada. Sobre esta obra existe uma grande polémica interpretativa, havendo teses muitos díspares que vão desde uma aproximação ao bonapartismo, até uma mensagem críptica de teor esotérico. Será também desta época a  Alameda dos Lodãos, que integra um dos lugares mais importantes (e mais degradados) da Tapada, o antigo jardim zoológico, construído entre 1848 e 1856, com os seus seis torreões rodeados por gradeamentos de ferro, onde se conservavam animais, tais como aves raras e macacos, para aqui trazidos por Dom Fernando II para instrução dos seus príncipes. Também sob Dom Fernando, foi construída a Casa do Fresco,  onde eram conservadas sementes e plantas, refrigeradas de forma inteligente e completamente natural através da estrutura de pedra e de um lago que ainda existe hoje no topo do edifício. Na sua entrada, contudo, encontramos uma estátua decapitada já há alguns anos.
1856 e 1861: D. Pedro V manda construir a estufa circular, uma estrutura espectacular, de vidro e ferro forjado, com o objetivo de impressionar a sua jovem esposa Dona Estefânia e para a usar como zona de cultivo de horticulas. A estufa, recuperada em 2011, pela Câmara Municipal de Lisboa, está hoje, infelizmente, fechada ao público, sem as quadrículas hortícolas originais e diversos vidros quebrados em consequência de actos de vandalismo (aliás uma constante no jardim, como comprovam os tags nas estátuas dos leões, no lago circular e nos antigos edifícios do Ministério da Agricultura, no extremo norte da tapada). É, aliás, deste monarca a última grande remodelação do espaço sendo da sua lavra boa parte dos arranjos que hoje podemos admirar na Tapada. A morte inesperada da raínha, com apenas 22 anos e de difteria, e a sua própria morte, dois anos depois seria motivo para grandes romarias dos lisboetas que aqui viriam os populares monarcas.
 
1889:  A Tapada regressa a uma fase de grande actividade sob o reinado de Dom Carlos I que torna a escolher o Palácio das Necessidades como residência oficial,  e dá início a grandes obras entre as quais se destacam um campo de ténis para os príncipes Dom Luís Filipe e Dom Manuel e a Casa do Regalo que, a partir de 2007, seria a residência oficial do antigo Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio. Seria neste local que existia o observatório astronómico dos Padres da Congregação do Oratório de onde viria, aliás, a designação (“a vista era um regalo”), algo que também daria o mesmo nome à Quinta da Regaleira, em Sintra, pela mesma razão. Este observatório teria sido demolido nesta época estando já sem uso desde a saída os padres oratorianos do Convento das Necessidades. As obras de 2006 e 2007, contudo instalaram um anexo monobloco, completamente inestético e destoando do restante complexo romântico. 
 
São também da época das intervenções de Dom Carlos a Mata Mediterrânica e o Jardim dos Cactos, considerado, noutros tempos, um dos mais belos da europa, muito expandido na década de 1940 e que é, ainda hoje, um dos mais antigos jardins europeus deste tipo.
1910:  Após a morte de Dom Carlos, D. Manuel II, o seu herdeiro, continua a usar a Tapada tendo inclusivamente planeado um piquenique para o dia 6 de Outubro de 1910, como registou no seu diário. Com a República a Tapada passa a conhecer apenas a frequência dos funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros e permanece fechada ao público.
1916: Com a implantação da República, em 1910, o antigo Convento dos Padres do Oratório foi ocupado por serviços do Exército sendo o Palácio das Necessidades ocupado, posteriormente pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, em 1916.
1974:  Em 1974 regista-se, infelizmente, a demolição do antigo Picadeiro Real sendo construído neste local o actual edifício do Instituto de Defesa Nacional.
1983:  A Tapada é considerada Zona de Reserva Florestal Nacional, murada e pertencente à Zona Especial de Protecção, da qual faz parte integrante a Tapada, como imóvel de Interesse Público
2003: O IPPAR autoriza a construção do Parque de Estacionamento Provisório do Instituto de Defesa Nacional em terrenos da Tapada das Necessidades.
2007: O antigo Presidente Dr Jorge Sampaio, ocupa, para seu uso pessoal, o antigo atelier de pintura da Rainha D. Amélia, a Casa do Regalo, entretanto sujeito a obras de adaptação de gosto duvidoso e pouco condizente com o espírito da Tapada.
 
2008: É assinado um Protocolo entre o Ministério da Agricultura e a CML
 
2011: A CML inicia a recuperação de caminhos, sistema de rega e da Estufa Circular. Mas registam-se concursos falhados, incêndios e concursos incumpridos desde então nada mais de relevante se passou na Tapada.
Estado Actual da Tapada das Necessidades
Presentemente a Tapada das Necessidades é gerida por um conjunto de organismos diferentes:  Ministério da Agricultura,  Ministério dos Negócios Estrangeiros,
Ministério da Defesa Nacional e pela Câmara Municipal de Lisboa.
Depois de recuperados os caminhos, foi lançado um concurso para transformar um antigo jardim zoológico num restaurante. O estabelecimento, que a autarquia pretende que tenha um “nível de exigência superior”, iria funcionar num conjunto de edifícios onde chegou a haver um jardim zoológico. Cinco desses torreões, e um edifício construído mais recentemente no meio deles, iria ser concessionados a um privado, que teria de realizar os trabalhos de reabilitação e reconversão numa empreitada de grande dimensão da empreitada dada a degradação do património edificado. A câmara, que assumiu a gestão deste jardim há menos de três anos (no âmbito de um protocolo com o Ministério da Agricultura), ficará com o sexto torreão, para instalar “um espaço de exposição permanente dedicado à Tapada das Necessidades e à sua história e/ou para prestação de informações sobre assuntos relacionados com agricultura”.
Num local onde a Junta de Freguesia dos Prazeres tinha proposto a instalação de um equipamento social, nomeadamente biblioteca, museu e ateliers para crianças, idosos e frequentadores da Tapada em geral, colocar um restaurante de “alta qualidade” como por diversas vezes refere no concurso público, aumentado o volume do edifício central do antigo jardim zoológico em 3 vezes e utilizando os torreões como armazéns e permitindo um funcionamento ao fim de semana até às 2 da manhã, no meio de uma Tapada, um Jardim Histórico, obrigando a movimentações de viaturas e a uma fase de construção completamente agressiva para um espaço que acabou de ser classificado de interesse público pela Autoridade Florestal Nacional.
“A curto prazo”, refere o assessor do vereador dos Espaços Verdes, a autarquia vai lançar outros concursos públicos, para a conservação e restauro do edifício da Estufa Circular, do muro da alameda e da Casa do Fresco, bem como do Largo Circular. Enquanto isso não acontece, foi já concretizada a primeira fase da recuperação dos caminhos e da rede de drenagem. E estão também a ser feitos estudos para a recuperação do antigo moinho e dos edifícios encostados à Rua do Borja.
João Pinto Soares, do Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades, reconhece que há melhorias visíveis no espaço e diz que ultimamente há “muito mais gente” a calcorrear o jardim. O próprio grupo e a Junta de Freguesia dos Prazeres têm dinamizado uma série de actividades, como visitas guiadas no primeiro domingo do mês, comemorações dos dias da criança e da árvore, piqueniques e aulas de tai chi chuan para crianças.
“O estado em que está o património edificado da Tapada é uma vergonha. Não há uma única coisa que esteja inteira, de pé, à exceção da estufa”, lamentou ao CM Paulo Ferrero, fundador do movimento Fórum Cidadania LX.
Recordando o protocolo assinado em 2008 entre o Ministério da Agricultura e a autarquia, ficando a última responsável pela gestão e manutenção do espaço, Paulo Ferrero lamenta “a falta de iniciativas” para a recuperação da Tapada. “Antes do protocolo, o espaço estava em muito mau estado e continua em mau estado oito anos depois, apesar de intervenções pontuais da câmara de Lisboa, como o restauro da estufa”, afirma. “Se não têm dinheiro, façam protocolos. Desde 2008, não foi criado um programa de intervenções e o património edificado continua ao abandono”
 
A Tapada das Necessidades é um grande jardim de dez hectares, localizado entre Alcântara e a Estrela. Tem duas entradas: uma lateral à igreja do palácio das Necessidades (no largo das Necessidades) e outra na rua do Borja.
A Tapada das Necessidades acolhe ainda árvores autóctones e espécimes provindas de todo o mundo, como alfarrobeiras, dragoeiros, medronheiros, zambujeiros e sóforas-do-japão. O jardim dos cactos, um dos mais antigos na Europa, é outro motivo de interesse.
A circulação de bicicletas e a entrada de cães são proibidas.
O Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades reuniu esta segunda feira, perto do edifício, integrante do complexo de antigos equipamentos, para investigação agrónoma, da Tapada, o qual sofreu um incêndio na semana passada, trazendo mais insegurança para os frequentadores deste espaço verde, que podia ser de facto um oásis na cidade, se a Câmara Municipal de Lisboa, entidade que assumiu a sua gestão, assegurasse o controle da portaria da Rua do Borja.
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Tomorrow the World, Norman J. W. Goda

#SabiaQue em 1940, Ribbentrop pediu à Espanha a cedência de Fernando Pó e da Guiné Espanhola?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue, em setembro de 1940, o ministro espanhol Serrano ofereceu a Hitler que talvez Lisboa se quisesse juntar a um pacto Madrid-Berlim-Roma ao que este respondeu que Londres responderia a essas conversações desembarcando em Lisboa e que o problema do acesso aos Açores só poderia ter uma “solução militar”?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
“Nada pode ser feito com esta gente” Hitler
“Esta gente é insuportável”
Franco
Outubro de 1940
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue numa reunião com Mussolini a 4 de outubro de 1940 Hitler assegurou-lhe que após a guerra a Alemanha ficaria com a Alsácia-Lorena e a África Central e a Itália com Nice, a Córsega, a Tunísia e a Somalilândia francesa?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
Hitler para Mussolini em outubro de 1940: “prefiro que arranquem três ou quatro dentes a ter outra reunião com Franco”
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
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Sabia que… na Segunda Grande Guerra

#SabiaQue Franco, em 1940, fez saber a Hitler que estava disposto a entrar em guerra contra o Reino Unido em troca de Marrocos, Oran (Argélia) e do alargamento da Guiné Equatorial e do Sara Ocidental?
Segundo Ribbentrop, citado pelo ministro dos negócios estrangeiros japonês Yosuke Matsuoka, em 1940, “a guerra estava a terminar, mas a luta maior contra os domínios anglosaxónicos (EUA e império britânico) duraria durante dezenas de anos, de uma forma ou de outra”
#SabiaQue, a 7 de setembro de 1940, Hitler declarou que as ilhas dos Açores, Canárias e Cabo Verde tinham que ser tomadas por forças alemãs e italianas por forma a impedir a sua tomada pelos britânicos ou americanos?
#SabiaQue numa reunião em Berlim, em 1940, o ministro do interior espanhol prometeu à Alemanha a entrada da Espanha na guerra em troca de varias condições estando entre estas a ilha da Madeira?
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Racismo: Alguns “Sabia Que”…

#SabiaQue já em 1749 Georges-Louis Leclerc tinha sugerido que a Terra poderia ter mais de 10 milhões de anos (tem, de facto, 4.5 mil milhões) mas que nunca se atreveu a publicar essa informação?
#SabiaQue no Japão existe uma casta de “intocáveis”, os Eta, que lidam com couro, ossos, entranhas, peles e abate de animais? Estas pessoas não podem mudar de profissão, geração após geração?
#SabiaQue no Japão vivem perto de 300 mil brasileiros, descendentes dos nikkei, antigos emigrantes nipónicos no Brasil. Os japoneses, em geral, vêm-nos como “uma população ruidosa, cujos modos descontraídos e expressivos, adquiridos graças a quatro gerações de Brasil, não se enquadram na cultura local, reservada e controlada”
#SabiaQue o censo de 2010 mostrou que, no Japão, entre 128 milhões de habitantes, havia apenas 2 milhoes de estrangeiros (chineses, coreanos, brasileiros, filipinos, paquistaneses e iranianos, principalmente)?
#SabiaQue em 1959, o último ano em que se realizou uma estimativa censitária racial menos de 1% da população em Angola e Moçambique era de “raça mista” ao passo que em São Tomé e Príncipe era de 7% e em Cabo Verde de 70%?
#SabiaQue o geógrafo grego Heródoto atribuía uma cor diferente ao esperma dos negros?…
#SabiaQue apenas, e após varias petições, em 1924, é que nos EUA os índios passaram a ter cidadania? E de facto, hoje em dia, os índios têm tripla cidadania: EUA, estatal e da tribo.
#SabiaQue no Brasil (censo de 2010) existem 818 mil indígenas numa população de 190 milhões?
#SabiaQue foi o investigador francês Buffon (século XVIII) quem, primeiro, observou que as diferentes raças humanas não poderiam ser espécies diferentes de um género, já que, a ser assim, os descendentes híbridos seriam estéreis?
#SabiaQue em 1776, pressionado pelos Estados esclavagistas do sul, Jefferson suprimiu uma passagem que condenava o rei Jorge III pelo estímulo ao comércio esclavagista?
#SabiaQue Darwin chamou a atenção para a “selecção negativa” produzida por séculos pela Inquisição a qual excluiu sistematicamente os indivíduos de pensamentos e acções mais ambiciosas, sendo assim responsável pelo declínio a longo prazo, ao passo que a emigração dos europeus mais enérgicos para a América britânica produzira o efeito oposto”?
#SabiaQue em 1893 mais de um terço dos habitantes do Império Otomano eram cristãos, metade dos quais arménios e quase outra metade gregos?
#SabiaQue em 1893 56% dos habitantes de Istambul eram cristãos?
#SabiaQue entre 1915 e 1916 metade da população arménia do Império Otomano foi massacrada pelos turcos? A outra metade refugiou-se no Império Russo e alguns milhares na Síria e no Iraque.
#SabiaQue o massacre de mais de um milhão de arménios foi o primeiro genocídio programado e executado por um Estado com o envolvimento directo da administração local otomana e executado pela “Organização Especial” com o apoio de tribos nómadas curdas?
#SabiaQue na década de 1920, a Turquia massacrou mais de 500 mil gregos na região do Ponto?
#SabiaQue embora a Itália fascista tivesse declarado a “origem ariana da sua população” e excluído das funções públicas e profissões liberais todos os judeus, só quando os alemães assumiram o controlo do país é que os judeus italianos foram enviados para campos de concentração alemães? (E mesmo assim em números muito limitados e com grande resistência das autoridades locais)
“As várias tribos (da Terra do Fogo) eram canibais em tempo de guerra e, quando, no inverno, a fome os pressionava, matavam e devoravam as idosas antes de matarem os cães, pois estes podiam apanhar lontras”
Charles Darwin,  A Origem das Espécies
#SabiaQue o primeiro caso de perseguição racial e genocídios de África foi executado pelos alemães, na sua colónia na Namíbia, em 1904, contra os hereros?
#SabiaQue durante a ocupação pelos catalães do Ducado de Atenas os gregos foram vendidos como escravos até que, por fim, o rei aragonês proibiu essa prática?
#SabiaQue na Segunda Grande Guerra trabalham na Alemanha 13.5 milhões de pessoas obrigadas a realizarem trabalhos forcados, mais, em 6 anos, que todo o esclavagismo europeu em 350 anos?
#SabiaQue os membros da casta dos “intocáveis” de Valthara (Gujarate) se sentem poluídos pela presença de um membro de uma casta “superior” levando a cabo rituais de purificação quando este deixa o local onde estão?
#SabiaQue em Nils, na Sérvia, existe a Torre das Caveiras erguida pelos turcos para comemorarem a derrota dos revolucionários Sérvios mortos numa das suas primeiras revoltas? Originalmente, com perto de mil caveiras, tem hoje apenas 58 tendo sido as demais recolhida por familiares.
#SabiaQue entre 1940 e 1950 mais de 2.5 milhões de pessoas passaram pelos “campos de reeducação” soviéticos?
#SabiaQue Hitler considerava que as raças superiores estavam limitadas aos alemães, escandinavos, holandeses, britânicos e norte-americanos?… Desta lista estavam, portanto, excluídos os seus aliados italianos, espanhóis, romenos, búlgaros, húngaros, etc, etc…
#SabiaQue segundo as Leis de Nuremberga de 1935: “um cidadão do Reich é um súbdito do Estado (…) que prove, através da sua conduta, que está disposto e apto a servir fielmente o povo alemão e o Reich”? Desta forma, os socialistas e comunistas perderam a cidadania alemã e foram equiparados aos judeus.
#SabiaQue um estudo realizado na Alemanha entre 1875 e 1876 demonstrou que 32% dos judeus tinham cabelo louro e 19% olhos azuis? Outro estudo, feito em 1911, desmentia a teoria do “nariz adunco” e nunca se encontrou ligações entre o tipo sanguíneo e a ascendência judaica…
#SabiaQue, paradoxalmente, a intensificação em plena guerra, das politicas antijudaicas, com o envolvimento de muitas tropas especiais, combustível, armas e recursos gastos em logística e na rede de campos de concentração, foi uma das causas para a derrota alemã em 1945?
#SabiaQue os ciganos foram abrangidos pela “Lei para a Protecção da Saúde Hereditária do Povo Alemão” e que mais de meio milhão foi morto na Europa ocupada pelos nazis?
#SabiaQue Hitler acreditava que após a derrota soviética era preciso impedir o regresso da Rússia ao Cristianismo porque isso daria “um elemento organizativo aos europeus de leste”?
#SabiaQue Hitler defendia que os territórios de leste deviam ser retirados aos russos e “entregues a alemães, dinamarqueses, holandeses, noruegueses e suecos”?
Hitler sobre os emigrantes alemães nos EUA: “os milhões de alemães que emigraram para os EUA são agora a espinha dorsal deste pais e estão não só perdidos para a pátria, mas também inimigos, implacavelmente mais hostis que quaisquer outros”
#SabiaQue em 1955, ocorreu um grande motim, em Istambul, contra a comunidade grega da cidade o que levou a emigração de 200 mil gregos que o Tratado de Lausana permitira que ficassem na Turquia?
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Citações de Tomorrow the World, Norman J. W. Goda

#PerguntaSingela: quando Hitler tomou o poder em 1933 mandou cancelar todos os empréstimos norte-americanos à República de Weimar e ao fazer o Anschluss com a Áustria fez o mesmo com a divida austríaca aos EUA.
Será que, após 1945, a Alemanha chegou a honrar esses compromissos?…
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue apesar de todos os seus esforços laboratoriais (e foram muitos) a Alemanha nazi nunca conseguiu identificar características naturais especificas da população judaica e teve que recorrer aos métodos tradicionais da reputação e genealogia usados no passado pela Inquisição?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
“Era agora uma senhora de quarenta anos de idade, sem filhos, e dotada daquela desenfreada paixao pelo prazer que se dizia ser o segredo para manter a juventude”
Oscar Wilde, O Crime de Lorde Arthur Savile
#SabiaQue Jimmy Carter e Ronald Reagan viram UFOs antes de serem presidentes dos EUA?…
“Tinha trocado de marido mais de uma vez. Mas como nunca trocara o seu amante, as pessoas tinham deixado de comentar”
Oscar Wilde, O Crime de Lorde Arthur Savile
#SabiaQue na Batalha de Gettysburg, em apenas três dias, morreu um quarto de todo o exército da União e mais de um terço do Confederado?
#SabiaQue nos territórios controlados pelo ISIS na Síria se cortam dedos quando alguém era apanhado a fumar?
#SabiaQue em 1937, o almirante Raedar, da marinha nazi, tinha expressado interesse em utilizar bases navais nos Açores e nas ilhas de Cabo Verde?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue apesar de todos os seus esforços laboratoriais (e foram muitos) a Alemanha nazi nunca conseguiu identificar características naturais especificas da população judaica e teve que recorrer aos métodos tradicionais da reputação e genealogia usados no passado pela Inquisição?
#SabiaQue depois da derrota francesa de 1940 Franco queria entrar na guerra e um dos seus argumentos era o de que conseguiria convencer Salazar a alinhar consigo?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
#SabiaQue a Itália, antes de atacar a França, em 1940, planeava exigir-lhe a ocupação da França oriental, a Tunísia, a Somalilândia, a Córsega e parte da Argélia, mas depois do armistício já se contentava apenas com uma desmobilização e zonas desmilitarizadas?
Tomorrow the World, Norman J. W. Goda
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Citações de Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra

“Reforços, chá e açúcar”
Pedido do general britânico cercado pelos rebeldes afegãos em Candaar (1880) ao vice-rei da Índia
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra
“A Inglaterra vale-se capciosamente do clero católico da Irlanda e da religiosidade da plebe para a manter na resignação da miséria acenando-lhe com as promessas cor de ouro da bem-aventurança”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
Artigo do jornal inglês Standard de 1877 citado por Eça de Queirós:
“Se a Irlanda vier a esquecer-se do que deve a si e à Inglaterra é doloroso pensar que no próximo Inverno, para manter a integridade do Império, a santidade da lei e a inviolabilidade da propriedade, nós teremos de ir, com o coração negro de dor, mas a espada firme na mão, levar à Irlanda, à ilha irmã, à ilha bem-amada, uma necessária exterminação”.
“A frequentação dos templos, em Inglaterra, diminui de um terço todos os dez anos, ao passo que o espírito de religiosidade cresce nas massas, tornando-se assim o sentimento religioso cada dia mais desprendido das formas caducas e perecíveis das religiões”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na estacao dos “Lecture-Season” nao ha um bairro em Londres (quase podia dizer uma rua), nem uma aldeia no resto do pais, em que se nao veja, cada noite, um sujeito, com um copo de agua, dissertando sobre um assunto, diante duma audiência compacta, atenta, interessada e que toma notas. Os assuntos são tudo – desde a ideia de Deus até à melhor maneira de fabrica graxa”
“O inglês não se divertia no continente; não compreende as línguas, estranha as comidas, tudo o que é estrangeiro, maneiras, toilettes, modos de pensar, o choca; desconfia que o querem roubar; tem a vaga crença de que os lençóis nas camas do nunca são limpos”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na vida doméstica inglesa, a novela tornou-se um objecto de primeira necessidade, como a flanela ou as fazendas de algodão; e, portanto, toda uma população de romancistas se emprega em manufacturar este artigo, por grosso, e tão depressa quanto a pena pode escrever, arremessando para o mercado as paginas mal secas no ansioso conflito da concorrência”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A humanidade (a aristocracia londrina) que tem nas artérias o famoso sangue normando, esse sangue invejado, mais precioso que o de Cristo, cantado por todos os poetas da corte, e que foi importado pelos brutamontes cobertos de ferro, e peludos como feras, que acompanhavam a estas ilhas Guilherme da Normandia”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na vida doméstica inglesa, a novela tornou-se um objeto da primeira necessidade, como a flanela ou as fazendas de algodão; e, portanto, toda uma população de romancistas se emprega em manufacturar este artigo, por grosso, e tão depressa quanto a pena pode escrever, arremessando para o mercado as paginas mal secas no ansioso conflito da concorrência”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“O esforço humano consegue, quando muito, converter um proletariado faminto numa burguesia farta; mas surge logo das entranhas da sociedade um proletariado pior. Jesus tinha razão: haverá sempre pobres entre nós. Donde se prova que esta humanidade é o maior erro que jamais Deus cometeu”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Aqui estamos sobre este globo há doze mil anos (erro!) a girar
fastidiosamente em torno do Sol, e sem adiantar um metro na famosa estrada do progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingénuo de província é que ainda considera progresso a invenção ociosa desses bonecos pueris que se chamam maquinas, engenhos, locomotivas, etc. e essas prosas laboriosas e difusas que se denominam sistemas sociais”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Esquilo ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Luculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do que nós inventámos num século; os nossos exércitos fazem rir, comparados às legiões de Germânico”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os portugueses, só começamos a ser idiotas quando chegamos à idade da razão. Em pequenos, temos todos uma pontinha de génio”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Em Leipzig, um bando de mancebos, que se poderiam tomar por frades dominicanos, mas que eram apenas filósofos estudantes, andaram expulsando os judeus das cervejarias, arrancando-lhes assim o direito individual mais caro e sagrado ao alemão: o direito à cerveja” (sobre uma vaga anti-semita na Alemanha em 1877)
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“As cinco chagas de Jesus nada têm que ver com estas petições por toda a Alemanha, pedindo ao governo que não permita aos judeus adquirirem propriedade, que não sejam admitidos em cargos públicos e outras extravagancias góticas. O motivo do furor anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colónia judaica”
 (sobre uma vaga anti-semita na Alemanha em 1877)
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“O irlandês parece-se com o polaco em certos pontos, são ambos arrebatados, imprudentes, espirituosos, generosos e poetas. Como o polaco, o irlandês católico odeia o conquistador, sobretudo por ele ser herético de nacionalidade, misturando o ódio politico o conflito de religião”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A Inglaterra para não perturbar os interesses tirânicos dum milhar de ricos proprietários (ingleses e escoceses) deixa na miséria quatro milhões de homens. Tem todo o território irlandês ocupado militarmente. Apenas um patriota começa a ter influência na Irlanda, prende o patriota”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A brusca agressão (1877) de doze couraçados, cidadelas de ferro flutuando sobre as águas, contra as decrepitas fortificações de Mehemet-Ali, este bombardeamento duma cidade egípcia, estando a Inglaterra em paz com o Egipto, parece-se singularmente com a politica primitiva do califa Omar ou dos imperadores persas, que consistia nisto: ser forte, cair sobre o fraco, destruir vidas e empolgar fazendas”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A França e a Inglaterra (…) tendo o Egipto (endividado até ao alto das pirâmides para com as burguesias financeiras de Paris e Londres) omitindo o pagamento de alguns coupons, a França e a Inglaterra protegendo maternalmente os interesses dos seus agiotas instalaram no Cairo dois cavalheiros (…) encarregados de colher a receita, geri-la e aplicar-lhe a parte mais pingue à amortização e juros da famosa divida egípcia”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Em que gastou Ismail-Pachá as centenas de milhões que a Europa lhe emprestou, e que o pobre fellah está pagando? Em primeiro lugar, na realização de uma ideia económica – o converter o Egipto, que é um pais agrícola, numa nação industrial. O Egipto produzia o açúcar – porque o não refinaria? Possuía o algodão – porque não o teceria? E ai começou, à força de milhões, a cobrir as margens do Nilo dessas colossais fabricas, de que hoje só restam ruínas”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Quando o Egipto quis modificar o sistema que convertia o povo numa horda de servos trabalhando para os financiamentos de Paris e Londres as esquadras de França e Inglaterra apareceram logo, pedindo o desterro de Arabi, e o licenciamento do exercito, que era o instrumento e a força do partido nacional. Os árabes viram nisto um odioso abuso de força, a Inglaterra e a França querendo manter à bala os interesses dos possuidores dos títulos da divida egípcia e os privilégios dos intrusos”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A França receia a Alemanha; a Turquia teme a Rússia; a Áustria está contida por ambas; a Itália necessita a benevolência de todas; e cada uma por seu turno treme do Sr. de Bismarque, o hediondo papão, o Júpiter trovejante do Olimpo diplomático”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia. Há hoje apenas um grande pinhal de Azambuja, onde rondam meliantes cobertos de ferro, que se odeiam uns aos outros, tremem uns dos outros, e, por um acordo tácito, permitem que cada um por seu turno se adiante”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“é isto que torna os ingleses detestados. Nunca se fundem, nunca se desinglesam. Há raças fluídas, como a francesa, a alemã que sem perderem os seus caracteres intrínsecos, tomam ao menos exteriormente a forma da civilização que momentaneamente as contêm.”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
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Racismos, das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt

“Os romanos acreditavam que os germânicos detestavam a paz e o trabalho esforçado, ao passo que os gauleses eram desprezados como sendo ébrios, instáveis e indisciplinados, embora fossem tidos como bons oradores”
Racismos, das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt
“A inteligência atribuída pelos romanos aos fenícios e aos cartagineses andavam de mãos dadas com a instabilidade, enquanto os Sírios eram vistos como efeminados, pervertidos e supersticiosos”
Racismos, das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt
“Os romanos consideram os gregos eruditos e artísticos, mas ao mesmo tempo arrogantes, efeminados, corruptos, inconstantes e desprovidos de seriedade”
Racismos, das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt
“Os geógrafos árabes elogiavam as capacidades técnicas dos chineses; a ciência teórica dos indianos; a herança filosófica grega dos bizantinos; a Visão ética e politica dos iranianos e a capacidade bélica dos turcos”
Racismos, das Cruzadas ao Século XX, Francisco Bethencourt
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Guia para um percurso no Cemitério do Alto de São João (Lisboa)

1 à porta

1

O Cemitério do Alto de São João foi mandado construir em 1833 pela Rainha Dona Maria II aquando da epidemia de cólera morbus que assolou a cidade de Lisboa, servindo ainda hoje a zona oriental da cidade. Foi durante mais de um século o cemitério da cidade tendo sido escolhido pela Primeira República como local para homenagear os seus heróis.

2

A epidemia de Cólera entre 1832 e 1833 assolou a Europa. A doença era conhecida há longo tempo, por ser endémica na Índia aonde, no entanto, se manteve circunscrita até à década de 1820 quando atingiu a Rússia e continuou a progredir para ocidente. A cólera chegou a Portugal “trazida a bordo de um navio que, de Ostende[i], transportava soldados para ajudarem D. Pedro no cerco do Porto”, quando já tinha atacadocom grande virulência em Paris, no mês de Abril desse ano de 1832.

Exemplo de medida “preventiva” é o Aviso de D. Miguel I[v] ao Cardeal Patriarca de Lisboa que a seguir se transcreve: TENDO apparecido em algumas Nações, e ultimamente mais proximo a nós, em a França, huma enfermidade nova, que se está conhecendo com o nome de Cholera-morbo Asiatica, e cujos terríveis estragos são talvez hum castigo, com que a Divina Omnipotência quer punir, e reprimir esse espirito de perversidade, e de impiedade, que desgraçadamente tem chegado a tamanho gráo no Século, em que vivemos, deve, em taes circumstancias, hum Povo Catholico, e que tanto se préza de o ser, como o Povo Portuguez

Depois do Porto, em cuja região terá matado cerca de 13.000 pessoas, a Cólera alastrou a Lisboa e outras regiões e terá feito, no país, um total de cerca de 40.000 mortos até desaparecer no final de 1833.

 

3

Na altura, situado “fora de portas”, zona rural de grandes quintas, passou a cemitério de gestão pública em 1841, após a legislação publicada em 1835.

Ocupava a Quinta dos Apóstolos. Inicialmente ajardinado, está arborizado com ciprestes, eucaliptos, robínias, alfarrobeiras, jacarandás, entre muitas outras.

Esta «QUINTA DOS APÓSTOLOS» Os padres da «COMPANHIA DE JESUS», (que seriam possivelmente os APÓSTOLOS citados), primitivos donos da quinta, já nada têm ali que os recorde.

4

O primeiro forno crematório do país foi construído neste cemitério em 1925, tendo sido desativado alguns anos mais tarde por razões políticas, sendo reativado em 1985[1] .

A cremação em Portugal foi um processo que se iniciou com debates e artigos de opinião, produzidos por grupos e individualidades dos setores mais progressistas da sociedade de oitocentos, mas só na 1.ª República, em 1912, teve início o processo de estabelecimento de um Crematório em Lisboa, no Cemitério do Alto de S. João.

Acabadas as obras de arquitetura do edifício, foi necessário esperar por Alfredo Guisado, vereador do Pelouro dos Cemitérios em 1925, para concretizar a compra do forno na Alemanha, sua instalação e ensino do correto funcionamento. Alfredo Guisado foi um entusiástico apologista da cremação, chegando a propôr em Sessão de Câmara que fossem cremados os cadáveres destinados a vala comum.

A primeira cremação em Portugal aconteceu finalmente em 28 de novembro de 1925. O crematório foi encerrado em 1936 e, em parte por pressão da comunidade Hindu, a Câmara Municipal de Lisboa reativou-o em 1985.

Em Portugal até 2002 existiam apenas três fornos crematórios em funcionamento; o mais antigo, no Cemitério do Alto de S. João em Lisboa, o do Prado do Repouso no Porto e o do Cemitério Municipal de Ferreira do Alentejo, cuja construção foi custeada por um particular.

2 após entrar

Jazigo da Santa Casa da Misericórdia (esquerda)

O edificado arquitetónico é tanto de autoria desconhecida como de arquitetos ou canteiros conceituados. Temos por exemplo na entrada do lado esquerdo o Jazigo dos Beneméritos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, do arquiteto Adães Bermudes

Jazigo neomanuelino ricamente trabalhado, construído, entre 1906 e 1909, para albergar os restos mortais daqueles que, em vida, haviam apoiado a Misericórdia de Lisboa.

Jazigo dos Viscondes de Valmor (à direita)

mecenas das artes e criador do Prémio de Arquitetura com o seu nome, do arquiteto Álvaro Machado, ladeado por quatro estátuas dos escultores Costa Mota, Fernandes Sá, Tomás Costa e Moreira Rato (sobrinho) que representam respetivamente a Arquitetura, a Escultura, a Gravura e a Pintura. 

3 subir até capela, contornar e seguir para Cândido dos Reis

Túmulo conjunto de Cândido dos Reis (Almirante) e Miguel Bombarda (Hospital)

Almirante Reis

Iniciou a sua carreira na Marinha como voluntário, aos dezassete anos, sendo sucessivamente promovido até ao posto de vice-almirante. Em 1 de Outubro de 1870 é Guarda-marinha. Reforma-se em Julho de 1909.

Apesar de ter sido agraciado com o grau de oficial da Ordem de Avis e a de Cavaleiro da Torre e Espada pelos seus feitos na marinha, foi desde muito novo um adepto republicano de firmes convicções, tendo participado activamente na luta antimonárquica.

Foi também um elemento destacado da Carbonária e da ideologia anticlerical.

Não foi tanto como político propagandistico mas como conspirador que se destacou. Embora tenha sido eleito como deputado nas listas republicanas de 1910, participou activamente no golpe fracassado de 28 de Janeiro de 1908, que devia começar com a prisão de João Franco, então chefe do governo. Após um pequeno período de desânimo voltou à luta e rapidamente se transformou no organizador militar da revolta de 5 de Outubro de 1910.

Na tarde do dia 3 de Outubro de 1910, ao saber-se que o então chefe do governo, Teixeira de Sousa, tinha sido avisado do golpe republicano e pusera de prevenção as tropas leais à causa monárquica, a maioria dos chefes republicanos propôs um adiamento do golpe, ao que se opôs o Almirante Cândido dos Reis. Dado que era o chefe militar e principal dinamizador da revolta, a sua posição levou a que esta ocorresse.

Nos primeiros momentos da revolta de 5 de Outubro de 1910 o Dr. Miguel Bombarda, um dos chefes civis do golpe e senhor de muitos dos seus segredos, é atingido a tiro por um doente mental do Hospital de Rilhafoles.[2] Também a maioria das unidades militares comprometidas no movimento não chegou a revoltar-se e muitos oficiais do exército, julgando tudo perdido, haviam abandonado o entrincheiramento da Rotunda. Cândido dos Reis, pensando estar o golpe frustrado, não quis seguir para bordo de um dos navios que estava implicado no movimento. Despediu-se dos oficiais da Marinha mais próximos e horas depois era encontrado morto na Azinhaga das Freiras, tendo-se suicidado em consequência não só dos factos, mas também do seu temperamento hipocondríaco que lhe proporcionava crises de entusiasmo e de depressão frequentes.

O golpe acabou afinal por triunfar e poucas horas depois é proclamada solenemente a República do alto da varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

O nome do Almirante Carlos Cândido dos Reis foi utilizado não só em ruas e avenidas, mas também para substituir o nome de “D. Carlos I”[2] no principal cruzador da esquadra portuguesa.
Miguel Bombarda:
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 1851, então capital do Império do Brasil.
Formou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, tendo defendido uma tese sobre o “Delírio das Perseguições”.[1]

Dedicou-se, especialmente, às enfermidades do sistema nervoso, tendo, por este motivo, sido convidado para dirigir o Hospital de Rilhafoles[3] , posição que começou a ocupar em 1892[1] ; reorganizou e melhorou esta instituição

Aí exerceu igualmente as funções de cirurgião hospitalar, e ao reorganizar a sua gestão acabou por o dirigir, desde 1892.[1] . Foi, igualmente, médico no Hospital de São José.[1]

Publicou várias dezenas de volumes e cerca de meio milhar de ensaios, a debruçar-se sobre os problemas clínicos terapêuticos e sanitários[1] , e sobre a Psiquiatria.[3] Defensor do anticlericalismo e do monismo naturalista e materialista, provocou polémica quando editou o livro, A Consciência e o Livre Arbítrio, em 1897, e realizou várias conferências, como a Ciência e Jesuitismo, e a Réplica a Um Padre Sábio.

Elias Garcia

Fundou em 1854 o periódico O Trabalho, a primeira publicação abertamente republicana em Portugal. Foi Vereador e em 1878 Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, onde tem uma Avenida com o seu nome. Foi eleito Deputado Reformista a partir de 1870 e Deputado Republicano em 1890.

Foi Director da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses.
Membro da Maçonaria desde 1853, foi o 1.º e único Grão-Mestre interino, depois definitivo, da Federação Maçónica entre 1863 e 1869, 3.º e 5.º Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano de 1882 a 1884 e de 1887 a 1888 e 14.º Soberano Grande Comendador interino do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 3.º Grão-Mestre interino do Grande Oriente Lusitano Unido de 1884 a 1886 e 16.º Soberano Grande Comendador interino, depois definitivo, do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 5.º Grão-Mestre interino, depois definitivo, do Grande Oriente Lusitano Unido de 1887 a 1889.
Machado Santos

Machado Santos alistou-se na Armada Portuguesa em 1891 iniciando uma carreira de comissário naval que o levaria ao posto de comissário de 2.ª classe (segundo-tenente) aquando da Revolução de 5 de Outubro de 1910.

Ainda durante a Monarquia já se tinha iniciado na Carbonária, afirmando-se como um conspirador inveterado, presente em todos os movimentos revolucionários que precederam a queda do regime, distinguindio-se na Revolta de 28 de Janeiro de 1908.

Jovem e de aspecto romântico, exercendo um importante papel de coordenação operacional do movimento revolucionário de 5 de Outubro de 1910, acabou catapultado pela imprensa para o papel de herói da Rotunda e pai da República. A sua incontestável heroicidade, principalmente quando organizou e manteve, perante o aparente fracasso da revolução, a resistência no alto da Avenida da Liberdade (a ‘’Rotunda’’)

Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, foi dos primeiros a manifestar sinais de desencanto face ao andamento da política na República, a qual se afastava rapidamente dos ideais de pureza republicana dos seus defensores iniciais. Funda então o jornal O Intransigente, que dirige, no qual expressa o seu desencanto.

Mantendo o fervor revolucionário e conspirativo do período anterior à implantação da República Portuguesa, passa da palavra aos actos, organizando ou participando nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar de 1916 e no golpe de 1917 que colocou Sidónio Pais no poder.

No Movimento das Espadas, quando vários oficiais militares descontentes com o estado do país tentaram simbolicamente entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga, teve um papel determinante, já que ao deslocar-se ao Palácio de Belém para entregar a espada que usara nos combates da Rotunda no dia 5 de Outubro de 1910, deitou por terra a acusação de pró-monárquicos com que o Partido Democrático (no poder) justificara a prisão dos oficiais amotinados.

Nesse mesmo ano foi preso e deportado para os Açores durante a ditadura de Pimenta de Castro.

Durante a ditadura de Sidónio Pais foi feito senador e ocupou as funções de secretário de Estado das Subsistências e Transportes e secretário de Estado do Interior (título usado pelos ministros do governo sidonista), mas entrou em ruptura com Sidónio Pais.

Em 1919, durante a Monarquia do Norte, voltou a salvar a República ao contribuir para a derrota do grupo de revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto.
Ainda lança o Partido da Federação Republicana, com que pretende continuar a sua intervenção política, mas acaba por se retirar da vida política. Morreu assassinado na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara. Foi vice-almirante, agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a título póstumo, a 4 de Setembro de 1926.


virar à direita (?)

Heliodoro Salgado

Apesar de ter obtido habilitação para o magistério primário, cedo enveredou pelo jornalismo, trabalhando em O Operário, um periódico de tendências socialistas, ligado ao Partido dos Operários Socialistas, de que era militante. Foi-se progressivamente aproximando do campo republicano, ao qual aderiu publicamente na sequência do movimento de repúdio nacional desencadeado pelo ultimato britânico de 1890. Nas eleições gerais de 30 de Março de 1890, foi candidato a deputado integrado na lista republicana apresentada no círculo eleitoral do Porto, mas não foi eleito, obtendo uma votação decepcionante.[3]

Nos seus escritos, dispersos por dezenas de periódicos, demonstrou grande sensibilidade para as questões sociais, defendendo a instrução popular e a melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras. A sua escrita apresenta grande acutilância, razão pela qual a sua publicação foi por diversas vezes alvo da censura e levou a que fosse em diversas ocasiões preso

Era também tido como um grande orador, com participação frequente nos comícios organizados pelos republicanos.

Considerado como o protótipo do proletário intelectual[4] e um dos progenitores do anarquismo intervencionista,[5] manteve-se afastado dos partidos políticos, que considerava improgressivos como congregações. O seu forte pendor anticlerical e anticatólico, bem patente nos seus escritos, fizeram dele uma personalidade controversa na sociedade portugues

Possuía profundos conhecimentos sobre temas religiosos e manteve contacto com diversas personalidade portuenses que pretendiam uma reforma da Igreja Católica Portuguesa, na linha da Reforma Protestante, tendo mesmo colaborado no periódico Reforma com várias figuras republicanas do Porto, entre as quais Emídio de Oliveira e Latino Coelho.

Mudou-se em 1897 para Lisboa, complementando a actividade de jornalista com o ensino do Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre. Logo em 1898 passou a integrar a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, como suplente, sendo pouco depois eleito presidente do Centro Republicano Pátria e membro da assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Foi redactor do jornal O Século, quando Magalhães Lima foi director daquele periódico, e colaborou de quase todos os jornais republicanos do seu tempo, tendo sido redactor de muitos e até fundador de alguns. No jornal O Mundo usou os pseudónimos de Ivanhoé e Ismael.
Republicano e livre-pensador, em 1890 foi iniciado na Maçonaria com o nome simbólico de Lutero,

Faleceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1906, com apenas 45 anos de idade. Tendo-se espalhado o boato de que teria sido assassinado em resultado do seu anticlericalismo, o seu enterro, realizado a 14 de Outubro, o domingo seguinte ao dia da sua morte, foi acompanhado por mais de 50 000 pessoas de todas as classes sociais, numa afirmação do valor e apreço em que era tido.

Graal 3202

Segundo a lenda, José de Arimateia teria recolhido no ‘Cálice usado na Última Ceia (o Cálice Sagrado), o sangue que jorrou de Cristo quando ele recebeu o golpe de misericórdia, dado pelo soldado romano Longinus, usando uma lança, depois da crucificação.

Entretanto existem evidências da existência do Santo Graal antes mesmo do cristianismo, e ainda afirma que apesar das diferentes referências cristãs, a própria Igreja Católica nunca levou a sério esta lenda. A origem da lenda celta é de um século antes de Cristo. Os celtas eram guerreiros impiedosos, tanto as mulheres como os homens e costumavam decapitar os mortos, pois assim acreditavam que eles não poderiam ressuscitar. Este acto impiedoso se fundamenta na lenda de um caldeirão mágico onde pessoas mergulhadas nele voltavam a vida. Arqueólogos encontram um túmulo de um príncipe com um enorme caldeirão (grande o suficiente para uma pessoa caber dentro), com figuras de homens que eram mergulhados no caldeirão e voltavam a vida.

Em outra versão da lenda, teria sido a própria Maria Madalena que teria ficado com a guarda do cálice e o teria levado para a França, onde passou o resto de sua vida.

A lenda tornou-se popular na Europa nos séculos XII e XIII por meio dos romances de Chrétien de Troyes, particularmente através do livro “Le Conte du Graal” publicado por volta de 1190, e que conta a busca de Perceval pelo cálice.

Mais tarde, o poeta francês Robert de Boron publicou Roman de L’Histoire du Graal, escrito entre 1200 e 1210, que tornou-se a versão mais popular da história e já tem todos os elementos da lenda como a conhecemos hoje.

Na literatura medieval, a procura do Graal representava a tentativa por parte do cavaleiro de alcançar a perfeição. Em torno dele criou-se um complexo conjunto de histórias relacionadas com o reinado de Artur na Inglaterra, e da busca que os Cavaleiros da Távola Redonda fizeram para obtê-lo e devolver a paz ao reino. Nas histórias misturam-se elementos cristãos e pagãos relacionados com a cultura celta.

A presença do Graal na Inglaterra é justificada por ter sido José de Arimateia o fundador da Igreja Inglesa, para onde foi ao sair da Palestina.

Segundo algumas histórias, o Santo Graal teria ficado sob a tutela da Ordem do Templo, também conhecida como Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão ou Ordem dos Templários, instituição militar-religiosa criada para defender as conquistas nas Cruzadas e os peregrinos na Terra Santa. Alguns associam aos templários a irmandade que Wolfram cita em “Parzifal”.

Segundo uma das versões da lenda, os Templários teriam levado o cálice para a aldeia francesa de Rennes-Le-Château. Em outra versão, o cálice teria sido levado de Constantinopla para Troyes, na França, onde ele desapareceu durante a Revolução Francesa.

A etimologia do Santo Graal tem inúmeras procedências, dentre as quais compara-se San Graal com SanG Real em referência ao imaculado sangue de Cristo coletado em um gradalis – cálice em latim. Com o brilho resplandecente das pedras sobrenaturais, o Graal, na literatura, às vezes aparece nas mãos de um anjo, às vezes aparece sozinho, movimentando-se por conta própria. Porém, a experiência de vê-lo só poderia ser conseguida por cavaleiros que se mantivessem castos.

Transportado para a história do Rei Arthur, onde nasce o mito da taça sagrada, encontramos o rei agonizante vendo o declínio do seu reino. Em uma visão, Arthur acredita que só o Graal pode curá-lo e tirar a Bretanha das trevas. Manda então seus cavaleiros em busca do cálice, fato que geraria todas as histórias em torno da Busca do Graal.

Golgotá 2815
 
O Calvário é mencionado em todos os quatro evangelhos quando relatam a crucificação de Jesus: «E eles chegaram a um lugar chamado Gólgota, que significa o Lugar da Caveira.» (Mateus 27:33), «E eles levaram-no ao lugar chamado Gólgota, que é traduzido por Lugar da Caveira.» (Marcos 15:22), «Então eles chegaram ao lugar chamado de Caveira.» (Lucas 23:33) e «E carregando ele mesmo a sua cruz, saiu para o assim chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.» (João 19:17).

Lugar alternativo do Monte Gólgota, a leste de Jerusalém, próximo ao Jardim do Túmulo
O Novo Testamento descreve o Calvário como “perto de Jerusalém” (João 19:20), e fora das muralhas da cidade (Hebreus 13:12). Isso está de acordo com a tradição judia, em que Jesus foi também enterrado perto do lugar de sua execução.

O imperador Constantino construiu a Igreja do Santo Sepulcro sobre o que se pensava ser o sepulcro de Jesus entre 326 e 335, perto do lugar do Calvário. De acordo com a tradição cristã, o Sepulcro de Jesus e a Verdadeira Cruz foram descobertos pela imperatriz Helena de Constantinopla, mãe de Constantino, em 325. A igreja está hoje dentro das muralhas da Cidade Antiga de Jerusalém, após a expansão feita por Herodes Agripa em 41-44, mas o Santo Sepulcro estava provavelmente além das muralhas, na época dos eventos relacionados com a vida de Cristo.

Dentro da Igreja do Santo Sepulcro há uma elevação rochosa com cerca de cinco metros de altura, que se acredita ser o que resta visível do Calvário. A igreja é aceita como o “Sepulcro de Jesus” pela maioria dos historiadores e a pequena rocha dentro da igreja como o local exato do Monte Calvário, onde a cruz foi elevada para a crucificação de Jesus.

O Jardim do Túmulo fica ao norte do Santo Sepulcro, localizado fora da atual Porta de Damasco, em um lugar certamente utilizado para enterros no período bizantino. O jardim tinha uma penhasco com dois grandes buracos fundos, que o povo dizia serem os olhos da caveira.

Barão de São Clemente 2748
 
Barão (feminino: baronesa) é um título nobiliárquico existente em muitas monarquias, sendo imediatamente inferior a visconde e superior a baronete ou a senhor. A palavra barão provém do franco baro, em alemão senhor, cavalheiro ou guerreiro, mas também pode significar gabarola.

visconde de sousa prego 2932
 
Anteriormente tinha a dignidade de visconde o substituto do conde no governo do condado ou o filho herdeiro do conde enquanto não sucedia no condado, sendo-lhe confiada antecipadamente uma porção do feudo.

Passou depois o título de visconde a ser outorgado como dignidade honorífica autónoma, hierarquicamente inferior a conde e superior a barão.

Raramente concedido durante os séculos XV, XVI, XVII e XVIII, foi durante o Liberalismo no século XIX outorgado com maior frequência, embora geralmente por apenas uma ou duas vidas, tornando-se o título nobiliárquico português com maior número de criações.

 
 
Neomanuelino
 
O estilo neomanuelino foi uma corrente revivalista que se desenvolveu dentro da arquitectura e das artes decorativas portuguesas entre meados do século XIX e o início do século XX. É a principal forma de arquitectura do romantismo português devido, essencialmente, à tendência romântica em assumir carácter nacionalista na construção de grandes edifícios públicos. Está para a arquitectura portuguesa do século XIX como o neogótico para a restante Europa. O nome deriva da junção das palavras neo, “novo” em grego, e manuelino. A historiografia da arte dava então os seus primeiros passos e o nome “manuelino”, ligando o estilo à produção artística do reinado de D. Manuel I (1495-1521), foi introduzido em 1842 pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

Os primeiros anos do século XIX são muito complexos, devido essencialmente à sucessão de problemas políticos, nomeadamente a fuga da família real para o Brasil em 1807, devido às invasões francesas, posterior/consequente domínio inglês, revolução liberal em 1820, regresso da família real em 1821, independência do Brasil, a perda do comércio colonial com a antiga colónia em 1822 (dramático golpe na economia portuguesa), contrarrevolução absolutista e, finalmente, guerras liberais, conservando a instabilidade até 1834.

Esta conjuntura só permitiu o desenvolvimento de condições propícias à eclosão de um novo estilo artístico, o romantismo, no final dos anos 30 do século XIX. Apesar de em Portugal surgir relativamente cedo na literatura, em finais do século XVIII com alguns pré- românticos, nas restantes formas artísticas desenvolve-se apenas com o impulso de dado por D. Fernando II, marido de D. Maria II, ao iniciar a construção do Palácio Nacional da Pena, após a estabilização da conjuntura nacional.

Em toda a Europa a arquitectura romântica copia os estilos do passado, principalmente o gótico, mas também o românico e o renascimento, bem como as arquitecturas árabe e bizantina, reflectindo o crescente interesse pela história. 

Em Portugal a situação é diferente. O gótico português segue a corrente mendicante, ou seja, adopta os princípios ideológicos das ordens mendicantes, baseados na simplicidade e recusa de toda a ostentação ou de todo o luxo, com características próprias, sem copiar a arquitectura francesa, modelo seguido na época pela generalidade dos países europeus. Os edifícios de grande aparato, cobertos de decoração tipicamente gótica, são um pouco mais tardios e, muito frequentemente, fazem a transição para o manuelino, como o Mosteiro da Batalha ou o Convento de Cristo em Tomar. O facto de o manuelino coincidir com o reinado de D. Manuel I, logo com o período mais importante das descobertas, disponibilizando grandes quantidades de capital utilizado generosamente em edifícios religiosos, tornando este estilo muito decorado e original, também é fundamental. Quando a sensibilidade romântica se vira para o passado, procurando referências nacionalistas, obviamente elege o manuelino como expressão máxima da criatividade arquitectónica portuguesa, baseando-se no argumento de ser uma arquitectura puramente nacional.

O neomanuelino é uma arquitectura revivalista, tipicamente romântica, copiando os aspectos mais superficiais da decoração manuelina, aplicada em edifícios adaptados às necessidades do seu tempo. Recorre aos progressos técnicos surgidos com a revolução industrial, tanto ao nível de materiais como de máquinas, escondendo construções modernas, frequentemente com estruturas metálicas (a vanguarda da época). Utiliza todo o tipo de inovações como o tijolo ou revestimentos cerâmicos industriais, preservando, sempre que possível, questões básicas, desenvolvidas no neoclassicismo, como a funcionalidade e a rentabilidade da arquitectura, simplesmente adaptados a outra estética. Segue as grandes construções manuelinas como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, Mosteiro da Batalha e Convento de Cristo em Tomar, imitando apenas os motivos decorativos mais evidentes. Na verdade nem se preocupa em copiar fielmente as formas originais. Baseia-se essencialmente na diversidade de arcos, cordas, elementos vegetalistas, cinturões, fivelas, pináculos, contra-fortes e escultura. Concentra a decoração em torno de portas e janelas, como os edifícios originais, mas não tenta copiar os complexos programas iconográficos do manuelino.

Principais edifícios

Palácio Nacional da Pena em Sintra – Aparatoso edifício revivalista no cimo da serra de Sintra, integrado num enorme parque ao estilo inglês (designação da tipologia de jardins que copiam a natureza), com um enquadramento paisagístico verdadeiramente único.

Arranjo da fachada do Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa – A fachada principal do mosteiro foi sujeita a obras de restauro e regularização entre 1867 e 1878, segundo projecto de Cinatti e Rambois, incluindo a construção de um corpo central com torre (cai em 1878 durante as obras) e uma nova ala destinada à Casa Pia, onde actualmente se encontra o Museu da Marinha. A corpo central será acabado apenas no início do século XX, seguindo um projecto elaborado em 1895 por Domingos Parente da Silva, eliminando a torre central e simplificando o conjunto.
Estação do Rossio em Lisboa – Edifício concebido pelo arquitecto José Luís Monteiro, em 1886, destinado a ser a estação central de Lisboa, seguindo a tendência europeia de construir estações de caminhos-de-ferro verdadeiramente impressionantes. É constituído por uma espectacular fachada neomanuelina, com arcos, pilastras, contrafortes, platibandas, pináculos e um pequeno torreão com o relógio. Fazem parte do conjunto a cobertura da gare, em arquitectura do ferro, seguindo a estética clássica, e um hotel de luxo, como complemento da estação de caminhos-de-ferro, executado segundo o gosto eclético do final do século XIX.
Palácio Hotel do Bussaco – No meio da Mata Nacional do Buçaco e próximo das Termas do Luso, foi pensado para pavilhão de caça dos reis de Portugal e, posteriormente, em 1888 transformado em hotel, segundo projecto de Luigi Manini.
Quinta da Regaleira em Sintra – É um dos edifícios mais tardios do neomanuelino. O actual edifício foi iniciado em 1904, segundo projecto de Luigi Manini, remodelando a anterior edificação. Recorre a um conjunto decorativo impressionante, baseado em arcos, cordas, platibadas, pináculos e elementos vegetalistas. Todo o conjunto possui referências à maçonaria.
Pirâmide Pizani
Pirâmide: Simboliza a Eternidade. Acreditava-se que uma pirâmide no túmulo, impedia que o Diabo se aproximasse.
Ouroboros em 668

Ouroboros (ou oroboro ou ainda uróboro) é um símbolo representado por uma serpente, ou um dragão, que morde a própria cauda. O nome vem do grego antigo: οὐρά (oura) significa “cauda” e βόρος (boros), que significa “devora”. Assim, a palavra designa “aquele que devora a própria cauda”. Sua representação simboliza a eternidade. Está relacionado com a alquimia, que é por vezes representado como dois animais míticos, mordendo o rabo um do outro.

Segundo o Dictionnaire des symboles [1] o ouroboros simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as ideias de movimento, continuidade, auto fecundação e, em consequência, eterno retorno.

Aforma circular do símbolo permite ainda a interpretação de que a serpente figura o mundo infernal, enquanto o mundo celeste é simbolizado pelo círculo. 

Para alguns autores, a imagem da serpente mordendo a cauda, fechando-se sobre o próprio ciclo, evoca a roda da existência. A roda da existência é um símbolo solar, na maior parte das tradições. Ao contrário do círculo, a roda tem certa valência de imperfeição, reportando-se ao mundo do futuro, da criação contínua, da contingência, do perecível. 

voltar à rua

2272 conde calhariz de benfica
3578 antiga grafia pre separação brasil em Antonio Alves Rebelo (jornalista)
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Augusto José Vieira 
Associação registo civil
A Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento, de cariz maçónica, é fundada a 5 de Agosto de 1895 [existia já a Associação Promotora do Registo Civil, criada a 18 de Novembro de 1876, de combate ao clericalismo e ao fanatismo religioso e em defesa do estado laico
Em 1911 alterou o nome para Associação Propagadora da Lei do Registo Civil.
Em 1908 realizou-se [na Caixa Económica Operária] o I Congresso Nacional do Livre Pensamento, promovido pela Associação, em Lisboa [de 19 a 22 de Abril], onde é evidente a “luta” pelo registo civil obrigatório [o processo do registo civil inicia-se em 1832 (16 de Maio) por intermédio de Mouzinho da Silveira, sendo depois passado a lei em 1878 (através de Barjona de Freitas). Porém o registo civil obrigatório só virá a acontecer com o Código do Registo Civil, de 18 de Fevereiro de 1911, e onde são “criadas as Conservatórias do Registo Civil em todo o país e instituído o registo obrigatório que substituía (…) os registos paroquiais de Baptismo, Casamento e Óbito” – cf. Boletim do Arquivo Torre do Tombo. Tal mudança, seguida pela promulgação da Lei da Separação das Igrejas do Estado, de 20 de Abril de 1911, foi, de imediato, condenada pelos membros do clero e objecto de uma curiosa encíclica, de resistência às Leis, pelo Papa Pio X]. A 2 de Agosto de 1909, a Associação participa na grandiosa [100.000 pessoas] manifestação anticlerical, de Lisboa. Em 1912 (14 de Janeiro) promove uma manifestação anticlerical, de apoio à lei de Separação.

Em 1910 tinha “3544 sócios” e em 1913 “6009”. Teve a Associação um actividade cívica, cultural e benemérita de Instrução assinalável, tendo sido considerada de utilidade pública em 1926. A Associação foi administrativamente extinta e encerrada em 1938.

Heliodoro Salgado
 
Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890.
 Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeram-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. A primeira vez que foi detido foi em 15 de Agosto de 1891 e outras já fomos fazendo referência nas Efemérides mensais que temos vindo a publicar.

“Protótipo do proletário intelectual”[David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente.
Considerado”um dos progenitores do anarquismo intervencionista” [António Ventura, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000, p.193-205], manteve-se ao longo da vida um “franco-atirador” que considerava: “os partidos políticos são, como as religiões, inimigos da novidade. São improgressivos como congregações. Os seus dogmas chamam-se programas. Cada artigo do programa é um artigo de fé.”[Como estas palavras ainda hoje mostram a sua validade! Talvez ainda mais que no passado.] A dimensão e complexidade do seu pensamento pode ser acompanhado no trabalho supra referido, embora seja de destacar a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre este autor socialista, republicano e anarquista.

A partir de 1897 instala-se em Lisboa e, logo no ano seguinte, integra a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, ainda que como suplente. Preside também ao Centro Republicano Pátria e à Assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Dedicava-se à actividade lectiva de Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre para conseguir alguns proventos para sobreviver em termos materiais.

Assumindo-se desde bastante jovem como republicano e livre-pensador. Foi iniciado na Maçonaria em 1890, com o nome simbólico de Lutero, na Loja Obreiros do Trabalho, de Lisboa, pertenceu depois às lojas União Latina, do Porto (1893) e Elias Garcia, de Lisboa (1897). Foi ainda secretário do Vintém das Escolas e redactor da respectiva publicação. Foi um dos participantes na Conferência Nacional Maçónica da Figueira da Foz em Setembro de 1906.

G da Maçonaria
 
Vários autores apontam vários significados, muitos dos quais absurdos: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Gama, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibaltrar, etc. Há ainda aqueles autores que, sem conseguirem se aprofundar na pesquisa sobre o tema, preferem afirmar que o verdadeiro significado do “G” é um grande mistério maçônico, talvez nunca revelado. Uma desculpa um tanto quanto poética. A letra G é um daqueles tantos símbolos que sobrevivem aos séculos mas, infelizmente, perdem seu significado original, ganhando vários outros significados ao longo do tempo. E vez ou outra, um desses significados novos prevalece, sepultando de uma vez por todas o original. Séculos atrás, conhecimento era algo raro, reservado a pequena parcela da população, restrito aos poucos com berço ou condições financeiras para tanto. Naqueles tempos, a Geometria era tida quase como uma ciência sagrada, mãe da arquitetura e da construção, sem a qual as Catedrais não podiam ser planejadas e concluídas. As crianças não aprendiam Geometria nas escolas, como ocorre atualmente. Apenas aqueles que trabalhavam com construções aprendiam tais lições. Em resumo, a Geometria era a ciência do maçom operativo, uma ciência que os distinguia dos demais, que tornava possível a execução da Arte Real, que levanta templos às virtudes. A presença do “G” no Templo é representativo da Geometria como a ciência maçônica; como foco do estudo, conhecimento e prática do trabalho maçônico; e principalmente como origem da Arte Real, base para o uso de todas as ferramentas do maçom. Esse significado pode ser comprovado em todos os antigos Catecismos Maçônicos que se tem conhecimento. A letra “G” definitivamente não é “God” ou qualquer outro nome relacionado ao Grande Arquiteto do Universo. Apenas nas línguas anglo-saxãs, a palavra referente a Deus começa com “G”, enquanto que o uso do “G” também sempre constou nos países de línguas latinas. Se “G” fosse God (inglês e holandês) ou Gott (alemão), então nos países como França, Espanha, Itália e Portugal utilizariam um “D”: Dieu (francês), Dios (espanhol), Dio (italiano) e Deus (português). E isso não aconteceu e não acontece, nem nesses países e nem nos que adotam as línguas latinas. Já a palavra “Geometria” mantém sua letra inicial tanto nas línguas anglo-saxãs como nas latinas: Geometry (inglês), Geometrie (holandês e alemão), Géométrie (francês), Geometría (espanhol), Geometria (italiano e português). O surgimento de novos significados para o “G” foi surgindo entre o século XVIII e XIX, quando os intelectuais-maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc), criando novos rituais e ritos. Ao indicar num mesmo ritual que uma única letra tem 07 diferentes significados, não relacionados entre si, os “sábios da maçonaria” daquela época, assim como os de hoje, revelam uma informação importantíssima a todo maçom estudioso: na tentativa de “florear” nossa simbologia, se mostram grandes incoerentes. Sim, “G” é apenas “Geometria”. Pode não parecer muita coisa hoje, mas na época era. – See more at: http://www.noesquadro.com.br/2011/10/letra-g-na-maconaria.html#sthash.CRILvs2F.dpuf
#SabiaQue o poema adoptado em 1911 como hino nacional era parte de uma “revista à portuguesa” que subiu à cena num teatro perto da Praça da Alegria pouco depois de Inglaterra nos ter enviado o Ultimatum?…
Monumento ao tarrafal
 
(romaria em abril e 1 de maio)
A Colónia Penal do Tarrafal, situada no lugar de Chão Bom do concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), foi criada pelo Governo português do Estado Novo ao abrigo do Decreto-Lei n.º 26 539, de 23 de Abril de 1936[1] .

Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 detidos, entre os quais se contavam participantes do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande (37) e alguns dos marinheiros que tinham participado na Revolta dos Marinheiros ocorrida a bordo de navios de guerra no Tejo em 8 de Setembro daquele ano de 1936.

O Campo do Tarrafal, ou Campo de Concentração do Tarrafal, como ficou conhecido, começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936, com a chegada dos primeiros prisioneiros.

 
Graal no 5087
 
Monumento aos combatentes
campas anónimas
canhões com delfins
Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de acordo com as orientações da República ainda recentemente instaurada.

A Inglaterra, que mantinha desde há muito uma aliança com Portugal, moveu influências para que o país não participasse activamente na Guerra. O Partido Democrático, então no poder, movido também pelo facto de já existirem combates entre tropas portuguesas e alemãs junto às fronteiras das colónias em África, desde cedo demonstrou interesse em tornar-se parte beligerante do conflito. Em Setembro de 1914 eram enviadas as primeiras tropas para África onde as esperariam uma série de derrotas perante os alemães, na fronteira do sul de Angola com o Sudoeste Africano Alemão e na fronteira norte de Moçambique com a África Oriental Alemã. Apesar destes combates, a posição oficial do Estado português era claramente ambígua. Os partidos de cariz esquerdista estavam ao lado dos regimes da França e da Inglaterra, enquanto que os da direita simpatizavam-se com os regimes das potências centrais (Alemanha e Austro-Hungria). Porém, a questão que se colocava era se Portugal entraria na guerra ou não, já que a entrada de Portugal na guerra seria sempre ao lado da Inglaterra e França. O regime republicano decidiu-se a optar por uma tomada de posição activa na guerra devido a várias razões:

Com vista à manutenção das colónias, de modo a poder reivindicar a sua soberania na Conferência de Paz que se adivinhava com o final da guerra;

A necessidade de afirmar o prestígio e a influência diplomática do Estado republicano bem como a sua legitimação no seio das potências europeias, maioritariamente monárquicas;
A crença de que era imperativo entrar na guerra pelo progresso nacional, ao lado das democracias;
Compromisso de aliança com a Inglaterra, tradicional aliada de Portugal, e afirmação de autonomia de Portugal nas questões bilaterais com a Inglaterra;
Travar a influência alemã nas populações indígenas no sul de Angola e norte de Moçambique e evitar insurreições locais contra o domínio português;
Defender as colónias de uma possível penetração militar alemã que, de resto, se estava a materializar através de escaramuças fronteiriças desde o início da guerra;
A necessidade, por parte do Partido Democrático de Afonso Costa, então no poder, de afirmar o seu poder político, ao envolver o país num esforço colectivo de guerra, tanto em relação à oposição republicana quanto em relação às influências monárquicas no exílio.

No entanto, o principal oponente à entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial foi a Inglaterra. Em Fevereiro de 1916, o antigo aliado português decidiu pedir ao Estado português o apresamento de todos os navios alemães e austro-húngaros que estavam ancorados na costa portuguesa. Esta atitude justificou a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de Março de 1916 (apesar dos combates em África desde 1914).

Em 1917, as primeiras tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português, seguiam para a guerra na Europa, em direcção à Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates na França.

Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos económicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os objectivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados na sua totalidade. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926.

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1914-1918
canhões do arsenal de Lisboa de 1793 e 1784
guerra colonial ao fundo
arsenal real
subir até saída
FIM

Notas Soltas:

desembarque do Mindelo

A esquadra organizada por D. Pedro IV, contava com 60 navios, cerca de 8.300 homens, sob o comando do almirante britânico George Rose Sartorius.

Deles desembarcaram cerca de 7.500 homens que viriam a ficar conhecidos pela designação de “Bravos do Mindelo”. Entre eles contavam-se muitos mercenários e auxiliares, ingleses, franceses, belgas, polacos, italianos, alemães e espanhóis, excedendo a 6.600 estrangeiros, que representavam mais de 80% do total das tropas.

Os nacionais constituíam três batalhões de Infantaria, um regimento provisório de Infantaria, quatro batalhões de Caçadores, um batalhão de Artilharia, o batalhão de voluntários de D. Maria II, o Batalhão dos Académicos (de que fazia parte Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Joaquim António Aguiar), um batalhão só de Oficiais, um corpo de Guias, um corpo de Engenheiros e três embriões de corpos de Cavalaria.

Ao anoitecer do dia 7 de julho de 1832 instalou-se o pânico entre as forças militares e as autoridades absolutistas do Porto: a esquadra liberal estava à vista, para grande surpresa dos miguelistas que nunca haviam previsto uma invasão por este ponto do país. No entanto, D. Pedro avançou com a sua armada em direção a Vila do Conde, local onde planeara o desembarque.

A escolha deste local, que perpetuou historiograficamente esta operação militar como “Desembarque do Mindelo”, deveu-se ao facto de nele se poder realizar esta operação com facilidade e segurança, uma vez que o mar se apresentava “bastante profundo quase até à areia”.

O desembarque foi rápido e não encontrou qualquer tipo de resistência, sendo, de imediato, tomados os pontos estratégicos da região.

As estradas que ligavam o Porto a Vila do Conde encontravam-se igualmente tomadas e os liberais estavam também em condição de observar as movimentações que as forças absolutistas estacionadas em Leça realizariam.

O desembarque permitiu às forças liberais tomar a cidade do Porto no dia 9 de julho de 1832, apanhando de surpresa o exército miguelista que haveria de as submeter ao prolongado Cerco do Porto.

D. Miguel acabou por capitular em 1834, com a Concessão de Évora Monte, abrindo caminho à implantação definitiva do Liberalismo.

Coroa de Flores Significa Respeito.

Cruz e Âncora: Esta combinação refere-se a fé em Cristo. Neste caso, Cristo é a âncora (segurança) da alma.

Acácia: Simboliza a imortalidade da alma.

Flor-de-lis: Significa chama, paixão e ardor.

Papoila: É uma alusão a morte, ou sono eterno da paz.

Rosa: A rosa vermelha representa o martírio de Cristo, e a rosa branca significa pureza e virgindade. Rosas entrelaçadas significam um forte elo afetivo entre o falecido e um familiar (mãe e filho, por exemplo). Um ramalhete de rosas indica beleza e virtudes que o falecido possuia.

Grinalda – Guirlanda: O uso de grinaldas e guirlandas tem origem na civilização grega. Geralmente representa a vitória, ou redenção no cristianismo. A grinalda de louro é encontrada em túmulos daqueles que atingiram destaque nas artes ou na carreira militar. A grinalda de hera simboliza alegria e jovialidade. A Grinalda nupcial é encontrada no túmulo de um jovem noivo, ou noiva. A grinalda adornada com um livro e uma luva, era usada nos túmulos de jovens moças. A grinalda de rosa representa a beleza e virtudes do falecido.

Crânio: No século XVII, o crânio foi esculpido de perfil associado a um fêmur, ou frontal sobreposto aos ossos cruzados. É muito comum encontrá-lo acompanhado da inscrição latina Memento Mori, ou Lembra-te que hás de morrer.  Em todas as representações, é mais uma variação da morte personificada.

Acanto: Representa o Jardim Divino, ou o Jardim do Céu.

Cardo: Está associado à tristeza. Também é uma variação da coroa de Cristo; ou representa a

Cachorro – Cervo: Significam lealdade e fidelidade.

Ampulheta: Retratada na posição horizontal ou vertical, simboliza o transcurso e o escoamento do tempo de vida. A ampulheta flamejante significa a Eternidade. Também é encontrada associada à crânios e asas.

Cadeira: Uma cadeira desocupada está associada a morte de uma criança. Simboliza o vazio deixado na vida dos familiares.

Bíblia: A Bíblia é encontrada aberta, representando uma pessoa religiosa.

Livro: O livro possui vários significados: pode representar o Livro da Vida; o aprendizado; o Conhecimento ou memória do falecido.

Tocha: É um dos emblemas da traição, e assim está ligada à crucificação (paixão de Cristo).  Uma tocha invertida significa a morte.

Trompete: Geralmente é encontrado sendo tocado por Anjos, significando o Chamado do Juízo Final.
Palma: Para os antigos romanos é símbolo de vitória. Para os cristãos, significa a glorificação celestial, representando o triunfo dos mártires sobre a morte. Quando Cristo segura um ramo de palmeira significa sua vitória sobre o pecado e a morte.
Maçonaria
 

Maçonaria, forma reduzida e usual de franco-maçonaria,[2] é uma sociedade discreta e por essa característica, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam.[3]

A maçonaria é, portanto, uma sociedade fraternal,[8] que admite todo homem livre e de bons costumes, sem distinção de raçareligião,[8] ideário político ou posição social. Suas principais exigências são que o candidato acredite em um princípio criador, tenha boa índole, respeite a família, possua um espírito filantrópico e o firme propósito de tratar sempre de ir em busca da perfeição,[8] aniquilando seus vícios e trabalhando para a constante evolução de suas virtudes.

Os maçons estruturam-se e reúnem-se em células autônomas, designadas por oficinasateliers ou (como são mais conhecidas e designadas) lojas.

Existem no mundo aproximadamente 3,6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes: 1,5 milhão nos Estados Unidos (em 1965 eram cerca de 4 milhões); 250 mil na Inglaterra. 170 mil no Brasil e 1,6 milhão no resto do mundo (dados de 2008).[1]

 
Três Pontos
Nós, maçons, utilizamos após algumas letras três pontos em forma triangular. Essa maneira de pontuar é adotada principalmente como uma forma de abreviação de palavras de uso constante.
Xenofonte, servia-se de signos particulares para reter o conhecimento das palavras proferidas por Sócrates. As abreviaturas eram tão comuns nos manuscritos do século VI que o Imperador Justiniano foi obrigado a proscrevê-las.

Do mesmo modo, a partir do século X, as abreviações eram tão utilizadas que em 1304, Filipe O Belo, rei da França, publicou uma ordenação para proibir em atas notariais e nos autos jurídicos o uso de abreviaturas. Os três pontos utilizados na maçonaria têm, portanto, sua origem nas abreviaturas, tradição antiguíssima que foi trazida até nós ao longo dos anos. Dessa forma, inicialmente, o emprego da abreviatura em documentos maçônicos deve ter sido sugerido pela preocupação como segredo.

Assim, os três pontos tornaram-se, um símbolo maçônico, o símbolo da DISCRIÇÃO, o que constantemente é trazido à lembrança de nós maçons no momento em que apomos nossas assinaturas em qualquer documento.

Ao mesmo tempo em que os três pontos, na forma de triangulo eqüilátero, produzem o triangulo, primeira figura das superfícies geométricas e aquela de deu origem a trigonometria, base de todas as medidas. Os simbolistas dão ao triangulo a idéia de eternidade ou de Deus, sendo que os três ângulos significam para eles Sabedoria, Força e Beleza atributos de Deus.

Esse símbolo pode representar também o Sal, o Enxofre e o Mercúrio que, segundo os hermetistas2, eram os princípios da obra de Deus, ou ainda, representa as três fases da revolução perpétua: nascimento, vida e morte.

Nesse sentido o triangulo, a mais simples das figuras geométricas, tornou-se a representação gráfica da idéia ternária a qual está ligada a: (i) pai, mãe e filho; (ii) passado, presente e futuro; (iii) dia, noite e aurora; (iv) sentir, pensar e agir; (v) vontade, sabedoria e inteligência. Destaca-se ainda a existência de centenas de ternários.

Ao colocar os três pontos após o seu nome, a Maçonaria pretende relembrar cada maçom dos compromissos assumidos no dia de sua Iniciação, em particular, do juramento prestado.

Guerra Peninsular
A Guerra Peninsular (1807–1814) foi um conflito militar entre o Primeiro Império Francês e os seus aliados do Império Espanhol, contra a aliança do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e do Reino de Portugal pelo domínio da península Ibérica durante as Guerras Napoleónicas. O conflito teve início quando os exércitos franceses e espanhóis invadiram e ocuparam Portugal em 1807, tendo voltado em 1808 após a França se ter voltado contra a Espanha, sua aliada até então. A guerra prolongou-se até à derrota de Napoleão pela Sexta Coligação em 1814, sendo vista como uma das primeiras guerras de libertação nacional e significativa na emergência da guerrilha em grande escala.

A guerra peninsular coincide com o que os historiadores hispanófilos denominam “Guerra de Independência Espanhola”, a qual teve início com o levantamento de dois de maio de 1808 e terminou em 17 de abril de 1814. A ocupação francesa destruiu o governo da Espanha, que se fragmentou em diversas juntas provinciais que se disputavam entre si. Em 1810, o reconstruído governo de nacional, as Cortes de Cádis, fortificou-se em Cádis, embora não tenha conseguido reorganizar o exército devido ao cerco de mais de 70.000 soldados franceses. Eventualmente, as forças britânicas e portuguesas asseguraram o controlo de Portugal, usando o país como ponto de partida de campanhas contra o exército francês e para o abastecimento das tropas espanholas. Ao mesmo tempo, o exército e as guerrilhas espanholas empatavam um número considerável de tropas napoleónicas. As forças aliadas, tanto regulares como irregulares, impediram os marechais franceses de subjugar as províncias espanholas rebeldes ao restringir o domíno territorial francês, fazendo com que a guerra se prolongasse por vários anos de empate.

Os longo período de combate em Espanha representou um fardo pesado para a Grande Armée francesa. Embora os franceses obtivessem vitórias em batalha, as suas comunicações e linhas de abastecimento eram sistematicamente sabotadas e as suas unidades eram frequentemente isoladas, assediadas ou dominadas por partisans que praticavam uma guerrilha intensiva de raides e emboscadas. Embora os exércitos espanhois fossem sucessivamente derrotados e empurrados para a periferia, reagrupavam-se e perseguiam incessantemente os franceses.[1] [2]

As forças britânicas, sob o comando de Arthur Wellesley, organizaram diversas campanhas contra os franceses em Espanha com o apoio português. O exército português, desmoralizado na sequência das invasões napoleónicas, foi reorganizado e reequipado sob o comando do general William Carr Beresford.[3] Carr fora nomeado comandante-chefe das forças portuguesas pela família real no exílio, combatendo integrado no exército anglo-português sob o comando de Wellesley. Em 1812, quando Napoleão partiu com grande parte do exército francês para a desastrosa campanha de conquista da Rússia, um exército conjunto aliado liderado por Wellesley entrou em Espanha e conquistou Madrid. Perseguido pelo exército espanhol, britânico e português e sem apoio de França, o marechal Nicolas Jean de Dieu Soult bateu em retirada, guiando o desmoralizado e exausto exército francês pelos Pirenéus durante o inverno de 1813-14.

A guerra e a revolução contra a ocupação napoleónica levaram à redação da Constituição espanhola de 1812, um marco do liberalismo europeu.[4] No entanto, o esforço de guerra destruiu o tecido social e económico de Portugal e Espanha e provocou um período de instabilidade social e política e estagnação económica. Neste período, desencadearam-se na península diversas e devastadoras guerras civis entre facções liberais e absolutistas, lideradas por oficiais treinados na guerra peninsular, e que se prolongaram até à década de 1850. As sucessivas crises provocadas pela invasão, revolução e restauração precipitaram a independência de grande parte das colónias espanholas e a independência do Brasil de Portugal.

Alfa e Omega

Encontrar letras soltas e acrónimos nos cemitérios é bastante comum.
Desde o tradicional PNAV – que significa “Padre Nosso Ave Maria” e que pretende ser um pedido, a quem passa pela lápide, para rezar um Padre Nosso e uma Ave Maria pela alma do defunto – até ao INRI – do latim Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum ou seja “Jesus de Nazaré Rei dos Judeus” – e passando claro, pelas letras gregas Α (alfa) e Ω (ómega).

O mais óbvio, válido para qualquer contexto, é o facto destes símbolos representarem a primeira e última letras do alfabeto grego e por isso serem continuamente associadas ao princípio (alfa) e ao fim (ómega). Qual o princípio e qual o fim já depende, efectivamente, do contexto em que eles são usados.

Uma das mais famosas utilizações é, sem dúvida no Apocalipse, ou Livro das Revelações (21:6), quando Jesus se senta no trono e exclama:
«Está feito! Eu sou o Alfa e o Ómega, o principio e o fim.»
Há também uma associação comum do Alfa à Luz e do Ómega às Trevas, mas num contexto cemiterial, as letras gregas são usadas muitas vezes junto das datas de nascimento e morte: Α (alfa) para o início da vida, o nascimento e Ω (ómega) para a morte, representando o fim da vida.

É ainda, relativamente, comum ver as duas letras sobrepostas ou entrelaçadas e em alguns casos é ainda acrescentada a letra Μ (mu), a décima segunda letra do alfabeto grego que, estando a meio deste, é por vezes usada para para representar continuidade: aquilo que está entre o Α (alfa) e Ω (ómega) ou seja, neste nosso contexto, a vida.

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SabiaQue… Cemitério de São João (Lisboa)

#SabiaQue a rainha Dona Maria II tinha de nome completo Maria da Gloria Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança?
#SabiaQue a rainha Dona Maria II era filha de Dom Pedro I do Brasil e nasceu no Rio de Janeiro em 1819 sendo assim a unica monarca europeia a nascer fora da Europa?
#SabiaQue a epidemia de colera assolou que Europa de 1832 a 1833 chegou à Russia em 1820 e daqui passou a Ostende (Bélgica) de entrou num navio com mercenários que desembarcaram com Dom Pedro no Porto?
#SabiaQue a epidemia de cólera de 1833 matou 40 mil pessoas em Portugal?
#SabiaQue o primeiro forno crematório de Portugal foi o do cemitério de São João construído em 1925? (Desativado no Estado Novo em 1936 e reaberto em 1985)
#SabiaQue as obras para o crematório de São João começaram em 1915 mas este só abriu em 1925 depois do vereador com o pelouro o ter comprado na Alemanha? O vereador Alfredo Guisado era um entusiasta da cremação e chegou mesmo a propor que fossem cremados todos os cadáveres destinados à vala comum.
#SabiaQue o jazigo neomanuelino da Santa Casa da Misericórdia de São João e do arquitecto Adaes Bermudes e foi construido entre 1906 e 1909?
#SabiaQue é do arquitecto Álvaro Machado o Jazigo dos Viscondes de Valmor no cemitério de São João?
#SabiaQue as estátuas do jazigo dos Viscondes de Valmor representam a Arquitectura, a Escultura, a Gravura e a Pintura?
#SabiaQue Cândido dos Reis começou como voluntário e foi sendo promovido até chegar a almirante?
#SabiaQue Cândido dos Reis era um carbonario e anticlerical radical?
#SabiaQue Cândido dos Reis participou no golpe republicano fracassado de janeiro de 1908?
#SabiaQue Cândido dos Reis foi o principal organizador da componente militar da revolucao de 1910 e que foi ele que insistiu em que o golpe avançasse mesmo depois de se saber que o monarquicos tinham sabido que algo se ia passar e tinham colocado as tropas leais de prevenção?
#SabiaQue o Dr. Miguel Bombarda (um dos principais revoltosos republicanos) foi morto a tiro por um doente mental nas primeiras horas do golpe de 1910?
#SabiaQue muitas da unidades militares comprometidas com a revolução de 1910 não se chegaram a revoltar e que muitos oficiais, julgando estar tudo perdido, abandonaram a Rotunda? Cândido dos Reis vendo tudo perdido, recusou ir para bordo de um dos navios revoltosos e horas depois é encontrado morto por suicídio na Azinhaga das Freiras?
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Citações de Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis

“O homem, como todos os animais caçadores, tem desde sempre a tendência para fazer desaparecer a fauna e a flora de que necessita. Hoje em dia, na ilha da Páscoa, só “prosperam” as estátuas enormes que os habitantes deixaram para trás, antes de terem desaparecido por culpa do abate irracional de árvores”
Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis
“Na Grécia Antiga aqueles que se negavam a pensar em função do bem comum, do “público”, chamavam-se “idiotes” (indivíduos, particulares). Os antigos gregos pensavam que os idiotas agiam sem mesura, sem pensar no bem dos outros. No século XVIII, os eruditos ingleses, admiradores dos antigos gregos, atribuíram à palavra “idiotis” (indivíduo) o significado de “idiota” ou “tonto” (idiot em inglês).”
Quando a desigualdade põe em risco o futuro, Yanis Varoufakis
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Sabia Que…

#SabiaQue os países onde os dadores de sangue são remunerados têm menor oferta que aqueles onde o sangue é doado voluntariamente, sem qualquer remuneração?
#SabiaQue a palavra grega para “juros” deriva da palavra “parto”? (a lógica é que “juros” são uma forma de “parto de dinheiro”)
#SabiaQue na antiga civilização grega não existia o conceito cristão de “pecado”? Em seu lugar, havia a Hibris, a desmesura, a prepotência e a arrogância. Para os gregos as maiores virtudes residiam na moderação, nas boas maneiras e na sobriedade.
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António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista

“A água era vendida ao domicílio e as sujidades levadas pelas negras para a Ribeira. Não faltava quem deitasse as águas sujas para a rua. Por isso os lisboetas que se prezavam andavam nas ruas a cavalo ou calçavam altos borzeguins.”
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
“A primeira vez que o infante Dom Luis foi visitar a Castela seu cunhado, o imperador Carlos V, levou consigo Dom João Coutinho, conde do Redondo. O infante foi recebido em Barcelona com mostras de muita alegria. Enquanto os cunhados se encontravam, o conde chegou-se a um canto da sala para urinar. O tudesco da guarda repreendeu-o com aspereza mas o conde resolveu tomar a ofensiva. Chegando à fala com o imperador, disse-lhe:
– Senhor, mande dar em seus reinos um lugar seguro em que mije!”
Antonio Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
Na grande e muito custosa procissão organizada pelos Jesuítas em 25 de janeiro de 1588 em Lisboa e que destinava a recolher no Convento de São Roque as relíquias alcançadas por João de Borja, filho do duque de Gandia e ex-Geral dos Jesuítas, nos estados onde se espalharam as ideias luteranas seguiam “26 cabeças de santos, muitos braços e corpos, uma camisa de Nossa Senhora, uma maçaroca que ela fiou, um espinho da coroa de Nosso Senhor e um cravo. Mas a relíquia mais apreciada era um cueiro do Menino Jesus que “se dava dele a muitas pessoas e nunca minguava”.
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
“Em 1593 o Senado da Câmara de Lisboa funciona no velho Paço. (…) Era presidida por um fidalgo e a vereação, composta por gente letrada ou não, provinha em geral da nobreza urbana. Nas reuniões da Câmara participavam também dois representantes eleitos pela Casa dos 24 que agrupava os mesteres tradicionais.
A Câmara dirigia os assuntos correntes – a limpeza e a higiene da cidade, os mercados, os preços, os arruamentos e o licenciamento das obras, as festas – administrava as propriedades municipais e dirigia a vida do entreposto vital do Terreiro do Trigo. Nomeava dois juízes do Civel e dois do Crime.”
António Borges Coelho, Ruas e Gentes na Lisboa Quinhentista
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Enviada à Câmara Municipal de Sintra

Enviada à Câmara Municipal de Sintra

Tendo passado toda a minha infância em Queluz, hoje procurei revisitar algumas memórias e visitar a anta do Monte Abrãao e as duas outras de Belas.

Contudo, a situação observada no local não foi agradável:
1. A anta de monte abraão continua roedada de lixo e tendo, no seu interior detritos vários. O “MN – Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910” não tem nenhum painel informativo ou descritivo e a sinalética que leva ao local está, na melhor das hipóteses, incompleta.
2. A Anta da Pedra dos Mouros, com as conhecidas “as gravuras rupestres antropomórficas, representando um homem e uma mulher” está encerrada em terreno particular, murado (Quinta do Senhor da Serra) e nem sequer é visível do exterior, muito menos visitável. Existe alguma sinalética, mas é interrompida a meio. Segundo os locais o esteio terá tombado aquando das obras do IC, nunca tendo sido recolocado no local e posições originais. Aqui, também, falta qualquer placa indicativa ou descritiva.
3. A Anta de Estria ou está totalmente oculta pela vegetação ou foi destruída pelo construtor civil que terá adquirido o terreno com fito a construir no local. A ser verdade, é um atentado ao património que merece reparação e compensação.

Antecipadamente grato e pedindo a v.exa a melhor das atenções, despeço-me
Cumprimentos,
Rui Martins

(seguem algumas fotos da situação no local)

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Sabia que…

…nas ruínas da igreja de Santa Maria do Vale existe uma pedra que tem esculpida uma pequena esfera armilar, ou seja, uma representação de um símbolo que só surgiria oficialmente com Dom Manuel I e que assim, com este facto, pode acreditar-se tratar-se de uma influencia templária?

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Sabia Que

…o primeiro duque de Bragança, Afonso, era filho natural do futuro Dom João I de Portugal e de uma judia, Inês Pires, filha do “Barbadão”?

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