Guiné-Bissau

Entrevista ao jornal “O Diabo” do atual primeiro ministro “de transição” da Guiné-Bissau

“Sabemos que é Portugal que está a fazer todo o trabalho de sapa. (…) quando suspenderam a aplicação do novo acordo de pesca sob pretexto de que não havia segurança na nossa ZE, os armadores espanhóis insurgiram-se em força em Bruxelas. (…) dei instruções para que nenhuma licença seja concedida a nenhum barco europeu. (…) neste momento, estamos na iminência de firmar um acordo de pescas com a China e a Coreia do Sul.”

– a desfaçatez destes personagens “de transição” que foram colocados de colo no governo guineense pelos narcomilitares deste país lusófono é espantosa: acusam Portugal de estar a fazer um “trabalho de sapa” contra o seu narcogoverno, eles que pela força das armas e contra todas as leis nacionais e internacionais tomaram o poder, apenas para protegerem os narcotraficantes do exército guineense de uma “reforma” que as forças angolanas da CPLP se preparavam para realizar. Portugal se faz “trabalho de sapa”, fá-lo no cumprimento da Lei e da normalidade democrática, mas não o faz (não tem meios nem vocação para tal) numa “guerra secreta” como sugerem estes farsantes guineenses.

“Ao nível da nossa sub-região temos tido algum apoio. Apoio financeiro da UEMOA e também da Nigéria. A CEDEAO vai-nos apoiar na tarefa visando a reforma dos setores de defesa e segurança. Para além disso, a China está disposta a apoiar a Guiné-Bissau. (…) já recebemos pedidos de empresas chinesas que querem vir investir na Guiné-Bissau em todos os setores: bauxite, Porto de Buba, estradas e infra-estruturas.”

– entreguem os recursos da Guiné aos chineses que eles ficarão em boas mãos, sendo explorados de forma sustentável e com amplos benefícios para sua preservação e para as populações locais. Exemplos desses aliás abundam por toda a África, onde os empresários e empresas chineses têm passado, aliás.

“Recentemente, o presidente interino visitou o Irão, com vista ao reforço da cooperação. O mundo árabe sempre apoio a Guiné-Bissau, especialmente em momentos de apuro.”

– o Irão dos radicais shiitas é outro ponto de apoio importante para um país que pretende reafirmar-se entre o quadro das nações sérias, bem governadas e democráticas, decerto. Aproximem-se da China e do Irão e vejam a credibilidade de um regime colocado no poder pela força das armas e financiado pelos barões da droga colombianos e nigerianos afundar-se ainda mais.

– urge limpar a Guiné-Bissau desta camarilha impune e criminosa, usando a mesma força das armas que a levou ao poder, mas com um mandato internacional – da CPLP e da ONU – com unidades africanas (da sub-região e da CPLP) com apoio logístico, aéreo e naval de Portugal e Brasil e desmantelando totalmente o exercito guineense, levando a tribunais internacionais os seus oficiais e reestruturando o seu exército, marinha e força aérea a partir do zero. E amanhã não será já cedo demais.

Entrevista publicada no Diabo de 13 de novembro de 2012 ao “primeiro-ministro” do governo guineense instalado no poder pelos militares

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Para quando o envio de uma Força de Paz para a Guiné-Bissau?

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

Recentemente, o representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, declarou que o pedido de uma força multinacional para este país lusófono só pode ser realizado pelas autoridades guineenses. O responsável das Nações Unidas respondia assim a uma questão numa conferência de imprensa e onde a questão do golpe militar de 12 de abril foi levantada.

Ora, o primeiro-ministro legítimo da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior já disse várias vezes que defende o envio de uma força multinacional sob a bandeira da ONU para a Guiné-Bissau. Contudo, estas declarações do governo legítimo de Bissau não parecem ter sido ainda tornadas em forma oficial e formalmente apresentadas no Conselho de Segurança da ONU, como confirma este alto responsável das Nações Unidas.

Esta contenção por parte de Carlos Gomes pode justificar-se pela tentativa de resolução da crise de forma interna, quer através da intervenção do único partido político organizado na Guiné-Bissau, o PAIGC, que juntamente com alguns oficiais locais estará (segundo os golpistas) a preparar um contra-golpe que restaure a legalidade democrática neste sofrido país africano de expressão oficial portuguesa.

Já assinou a Carta Aberta à CPLP de Apoio à Guiné-Bissau?

Fonte:
http://noticias.sapo.cv/lusa/artigo/14871693.html

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Um Plano Lusófono para a Estabilização da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau tem sido nas últimas décadas fonte constante de golpes de Estado, assassinatos de figuras públicas e usurpação da vida política e cívica por grupos de narcotraficantes armados e fortemente infiltrados no exército que sequestraram a democracia e o povo guineenses. Urge agir, rapidamente e de forma decisiva e esta ação deve ser protagonizada pela única entidade internacional que é realmente isenta – na densa teia de interesses regionais que rodeia a Guiné-Bissau – e tecnicamente e militarmente capaz de fazer localmente a diferença: a CPLP.

Por essa razão, propomos este “Plano Lusófono para a Estabilização da Guiné-Bissau”:

1. Objetivo

O objetivo do Plano Lusófono de Estabilização (PLE) consiste em – num prazo de 24 meses a partir da sua implementação – resolver a permanente instabilidade politico-militar que se vive de forma crónica e aparentemente insanável.

2. Protagonistas

A execução deste Plano deve competir à CPLP, enquanto entidade internacional imparcial e independente no conflito interno guineense. Em particular, os Estados que compõem a Comunidade têm os meios militares e policiais suficientes para estabilizar a Guiné-Bissau.

2. Execução

2.1. A CPLP enviará – com caráter de urgência – uma missão de observadores militares para a Guiné-Bissau com o objetivo de avaliar a situação local e realizar recomendações que conduzam à estabilização deste país lusófono.

2.2. Esta missão de observação militar da CPLP devera ajuizar se a Comunidade deve apelar ao Conselho de Segurança da ONU que autorize a uma missão de paz na Guiné-Bissau.

2.3. Se a recomendação da Missão Militar da CPLP for no sentido de uma intervenção de estabilização na Guiné-Bissau, a Comunidade Lusófona deve assumir a organização e envio de uma Força Lusófona de Paz, constituída por elementos de todos os ramos das forças armadas dos países da CPLP e que terá como primeira missão o desarmamento de todos os militares do exército da Guiné-Bissau.

2.4. O desarmamento e inativação do exercito da Guiné-Bissau será a primeira fase de uma reforma profunda das forças armadas deste país lusófono a que se seguirá a passagem à reforma de todos os oficiais com patente superior à de capitão, independentemente da sua idade ou condição física.

2.5. Durante a fase de reforma das forças armadas guineenses, a Defesa da soberania e dos interesses internacionais da República serão asseguradas pela força lusófona de Paz.

2.6. Após a reforma do oficialato guineense,  serão desmobilizados todos os militares,  sem prejuízo do seu vencimento e regalias que serão assegurados pelos países da Comunidade Lusófona.

2.7. Logo que esteja concluída a desmobilização do exercito, terá início a formação de um novo exercito,  seguindo o modelo de “guarda nacional”, paramilitar e sob estreito comando das autoridades civis e democraticamente eleitas do país.

2.8. O processo de seleção dos novos elementos da Guarda Nacional Guineense será cuidadosamente conduzido pelas forças da CPLP,  procurando identificar e repelir elementos ligados ao narcotráfico, crime organizado ou a grupos ligados ao oficialato que foi reformado em fase anterior do processo de estabilização.

2.9. As novas forças armadas terão cerca de metade do contingente atual,  nunca excedendo os dois mil homens e nao tendo meios pesados à sua disposição, mas apenas armamento ligeiro. Haverá contudo um acordo de defesa com os países da CPLP que assim assegurarão a complementaridade da Defesa deste país lusófono.

2.10. Um processo de reforma idêntico será realizado tendo como âmbito a reforma da policia nacional guineense, contemplando a sua reforma,  treinamento e enquadramento com forças policiais dos países da CPLP.

Por outro lado, já subscreveu a http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=cplpgb ?

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Resposta a Ricardo Silva sobre “o sentido da União Lusófona”

“Ricardo Silva: Clavis, gostava de perceber o sentido de “União Lusófona”..
é algo com sentido essencialmente cultural ou com sentido político e económico?”

– A União é apenas o objetivo último (e ainda muito distante) do processo de convergência lusófona que com o decair notório do “projeto europeu” se tornou cada vez mais evidente como desígnio estratégico de longo prazo para Portugal. Nao se trata – absolutamente – de um “terceiro” império português ou de um neoimperialismo brasileiro (nem mesmo do domínio de Angola sob os PALOPs e a economia portuguesa). Numa primeira fase trata-se tão somente de aproximar as sociedades,  culturas, economias e diplomacias dos países de língua oficial portuguesa. A “união” (seja ela o que for) é apenas uma meta de muito longo prazo… e incerta, ainda.

“Porque se tiver outro sentido sem ser só cultural, parece-me absurdo pensar nele sem que Portugal saia da UE.
E é precisamente esse percurso recente de Portugal que o afastou dos restantes Países Lusófonos.
Portugal não pode estar a jogar em duas mesas de jogo ao mesmo tempo,”

E porque nao? A europa nao pode ser ciosa do seu exclusivismo e os eventuais tratados “incompatíveis” podem ser mudados. Por outro lado, aquilo que a UE é hoje,  não será certamente aquilo que ela será amanhã: não ficaria propriamente varado pelo espanto se a UE se dissolvesse após um previsível colapso do euro ou de uma sucessão de bancarrotas descontroladas na Europa,  ou se se dividisse uma “união do norte” e numa “união do sul”…

“querendo assumir-se como “maestro” sobretudo quando não tem argumentos outros que não sejam mão de obra especializada e know-how (no caso de Angola) e estatuto de igualdade de direitos (Brasil) para colocar na mesa da CPLP.”

– a situação que leva centenas de milhar de portugueses – altamente qualificados e preparados – a emigrar para Angola é transitória, mas altamente conveniente a Angola que assim usufruiu de décadas de investimento público na qualificação desses emigrantes. A prazo, logo que Portugal consiga recuperar a sua economia e tornar mais realistas os nossos padrões de vida,  deixaremos de ser esse pais de emigrantes que ora somos,  novamente, e a nossa economia, competência e inventividade serão cruciais na afirmação global desse eixo lusófono que antevemos.

“Como angolano, recordo-lhe que a recente aproximação entre Angola e Portugal deve-se mais à persistência Angola que a acções de Portugal.”

– admito que sim, mas hoje, quase todas as grandes empresas portugueses tornaram Angola (e Moçambique) no centro das suas estratégias de internacionalização. E se a presença do capital angolano em Portugal é hoje bem mais visível que o oposto tal deve-se à nossa presente conjuntura financeira e à abundância de capital em Angola devido aos preços internacionais do petróleo.

“O Reino Unido joga em dois tabuleiros, mas tem outro peso mundial e económico e é muito subtil nas suas acções.
Portugal não pode fazer isso.
Vejamos dentro da CPLP o peso específico de cada um:
– Portugal é membro da UE, tem um bom padrão de desenvolvimento, mas que não é sustentado pela sua economia ; tem vivido recentemente dos Fundos de restruturação Europeus, como ao longo da sua História viveu sempre de fluxos de terceiros (colónias); neste momento está em crise e com fluxo de emigração para o exterior (de novo) e dependente de recursos financeiros externos para se tentar equilibrar.
– O Brasil é um dos BRIC, com crescimento, busca tecnologia e tem mercado interno; tem dinheiro neste momento, resultante essencialmente de matérias primas e alguma tecnologia. Tem ambições regionais e mesmo mundiais. O brasileiro já não emigra como antes.
– Angola é um exportador de matérias primas e com a atracção e fixação de 300/400.000 portugueses deve conseguir estabelecer um tecido industrial que não tem e impulsionar uma classe média dinâmica, que também não tem; tem perspectivas boas de crescimento ; tem dinheiro resultante de matérias primas.
– Moçambique, apesar de estar a atrair bastantes Portugueses, é um país muito dependente e integrado com a África do Sul (sempre conduziram ao contrário, mesmo antes da independência).
Penso que vai ser um país com um grande futuro, mas lento. Tem gás.
– Guiné, é como grande parte dos países africanos, inviável. Vai ser sempre dependente de ajuda externa
– Cabo Verde é um país que consegue aguentar-se, mas com crescimento e evolução lenta.
– São Tomé, deve receber um impulso grande com o petróleo, mas é dependente de Angola (em muitos sentidos)
– Guiné Equatorial é muito similar a São Tomé, mas tem a particularidade de estar isolado em termos de língua oficial e optou por fugir da “diluição” nos vizinhos .
Tem petróleo, o que lhe dá boas perspectivas de evolução.
– Timor é algo que não sei por quanto tempo se vai aguentar na CPLP, sobretudo após a entrada dos dividendos do petróleo.
Daqui deduzem-se interesses e linhas de acção regionais e mundiais diversificadas. Onde pode haver convergência numa “União Lusófona” sem dano desses interesses/linhas de acção?
Daí, se calhar, certas acções bi-partidas que vão surgindo.”

São todos bem diversos, decerto, do ponto de vista económico e social. Mas têm unindo-os mais elementos de longa duração (as tais “estruturas” da Nova História) que os países da União Europeia quando se fundou a comunidade do carvão e do aço. A língua, a cultura imaterial, a existência de grandes comunidades migrantes e bem integradas entre vários países lusófonos oferecem o terreno fértil em que se pode desenvolver a CPLP até se tornar na almejada União Lusófona.

Essas diferenças são complementares entre si e seria bem mais impossível se se tratassem de países absolutamente idênticos e naturalmente concorrentes. Por exemplo,  em termos de capital (de que Portugal carece agora para reconstruir o seu setor primar), Angola e Brasil,  têm-no, Portugal, complementarmente tem know-how, qualificação e as melhores boas práticas europeias. É deste tipo de complementaridade que falo, não faltando aqui os exemplo, mudando apenas os agentes da equação.

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Catalina Pestana: “Sinto-me traída pelos vários bandos armados que usam fardas e estrelas mas que não são soldados – são apenas criminosos de delito comum”

Catalina Pestana (http://activa.sapo.pt)

Catalina Pestana (http://activa.sapo.pt)

“Sinto-me traída pelos vários bandos armados que usam fardas e estrelas mas que não são soldados – são apenas criminosos de delito comum. (…) Dirão alguns peritos em diplomacia que o respeito pela autonomia das nações não deve ser objeto de ingerências externas. Mas isso só é verdade no caso de Governos legítimos. (…) Como irão os representantes da CPLP, sentar-se a uma mesa, a discutir política, economia ou cultura, com bárbaros fardados?
Como irão os militares dos exércitos legítimos destes países relacionar-se com seres que usam as mesmas armas e as mesmas armas mas não sabem que existe a Convenção de Genebra?
Como podemos deixar que a barbárie se exprima em português, e não nos oponhamos de todas as formas legitimas a que tal continue a acontecer?”
Catalinha Pestana
Sol 20 de abril de 2012

Existem algumas vozes em Portugal que perguntam: porque é que Portugal há de interferir no conflito interno na Guiné-Bissau? Portugal não tem interesses económicos significativos na Guiné-Bissau. A soberania das nações tem limites e um destes limites é o respeito pelos Direitos Humanos. E entre estes encontramos de forma muito nítida e objetiva a Democracia:

“A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos; e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto”.
Artigo 21º (3) da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Todos os povos de Bem, todos os Estados de Direito do mundo têm o direito de intervir quando um governo legítimo é derrubado por um golpe militar, quando os seus representantes legalmente eleitos e legitimados pela constituição vigente. Em suma, concordo com o tão polémico “direito de intervenção” quando direitos fundamentais são ameaçados e quando representantes de um governo depois apelam à intervenção internacional como fez o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mamadu Djaló Pires no Conselho de Segurança da ONU. E que intervenção será esta? A CEDEAO/ECOWAS nas suas várias intervenções militares passadas nunca logou sucesso, a começar na intervenção na própria Guiné-Bissau em 1998… Sabendo que o essencial de uma força militar na Guiné será sempre composta por militares nigerianos e que estes têm baixos níveis de treinamento e mau equipamento, nada augura de bom a constatação de que esta força da CEDEAO será composta essencialmente por nigerianos. Isso mesmo afirma o ministro guineense: “A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) não tem mais condições para conduzir o processo para a busca de uma solução duradoura para a crise da Guiné-Bissau, ao se apressar nesta tentativa de impor uma solução que não é solução, mas um desastre total para o povo da Guiné-Bissau“.

A posição dos governantes guineenses é assim a de pedir à comunidade internacional uma força que reponha a legalidade na Guiné-Bissau e que esta força não seja da CEDEAO, entidade que aliás parece ter aceite um “governo de transição” ilegítimo e sem o devido apoio parlamentar.

Razões para assinar a http://www.peticaopublica.com/?pi=cplpgb e pressionar a CPLP a agir.

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A CPLP está disponível para participar numa “força de estabilização” multinacional para a Guiné-Bissau

Angola está muito empenhada em que a CPLP organize uma “força de estabilização” multinacional para a Guiné-Bissau, sob o mandato do Conselho de Segurança da ONU e com a participação de efetivos da organização lusófona.

Isto mesmo foi recentemente repetido por Georges Chicoti,  numa sua intervenção no Conselho de Segurança da ONU, acrescentando que os países membros da CPLP estão prontos a dar uma contribuição efetiva para essa força multinacional cuja formação permanente o MIL defende nesta petição http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html e que hoje urge enviar para a Guiné-Bissau, como recordamos nesta Carta Aberta: http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=cplpgb

Só uma força multinacional, com os meios terrestres que os países da CEDEAO podem disponibilizar (a Guiné-Bissau tem fronteiras terrestres com o Senegal e a Guiné-Conacri) e os meios logísticos, navais e aéreos da CPLP poderá fazer regressar os militares golpistas aos quartéis (numa primeira fase), para depois começar a imperativa missão de desmobilizar um exército envelhecido (mais de metade das FARP têm mais de 50 anos), mal equipado e muito mal comandado.

A Guiné-Bissau precisa de um novo exército, de raiz efetivamente popular e fundada numa base jovem e independente das várias máfias de narco-traficantes que hoje controlam efetivamente vários grupos de militares das FARP, numa relação que nem sempre é pacífica entre si. Este novo exército terá que substituir o atual, demasiado corrupto e fidelizado aos interesses de criminosos estrangeiros. Mas esta transição é delicada e, provavelmente, não ocorrerá sem oposição, razão pela qual é imperativa a presença no local de uma força armada independente, eficaz e capaz de constituir pela sua simples presença e pelas caraterísticas dos meios que possua uma dissuasão bastante contra qualquer novo aventureirismo dos militares guineenses.

Fonte:
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=551515&tm=7&layout=121&visual=49

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Divergências entre a CPLP e a CEDEAO quanto à crise na Guiné-Bissau

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

Guiné-Bissau (http://www.didinho.org)

O ministro dos negócios estrangeiros de Angola, Georges Chicoti, falando em nome do conselho de ministros da CPLP que recentemente se reuniu em Lisboa para debater a situação na Guiné-Bissau, declarou que a CPLP não alinha com a posição da CEDEAO quanto à crise guineense.

A divergência entre as duas comunidades reside na aceitação por parte da CEDEAO de permitir que o parlamento de Bissau escolha um Presidente da República para exercer essa função durante um ano. A posição da CPLP é de que apesar de existir alguma sintonia entre as duas organizações: “A CEDEAO no seu comunicado de 17 de abril reitera o princípio da tolerância zero contra o golpe de estado (realizado na Guiné-Bissau a 12 de abril). Cremos que esses princípios, para nós ao nível da CPLP, continuam a ser válidos”, existe uma grande divergência no que concerne à total liberdade de movimentos do presidente da república Raimundo Pereira e do Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior na Guiné-Bissau e, sobretudo, quanto à aceitação pela CEDEAO de que exista um “período de transição de 12 meses” com a escolha de um novo Presidente da República pela Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau. Essa aceitação implica uma conformação com a situação de Golpe de Estado e legitima diretamente a ação dos golpistas, algo com que a CPLP não está disposta a pactuar (ao contrário da CEDEAO) e que no futuro abriria autorização e espaço para mais golpes de estado militares como aqueles que têm caraterizado este país lusófono desde o fim do regime de partido único.

Neste concreto, como na sua primeira reação, a CPLP está a agir de forma correta. Falta-lhe contudo “músculo” e mais assertividade, sendo hoje mais importante do que nunca subscrever a http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=cplpgb

Fonte:
http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=551018&tm=7&layout=121&visual=49

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A CPLP foi ultrapassada pela CEDEAO na gestão da crise na Guiné-Bissau?

O atual andamento da crise guineense aponta claramente numa direção: a CPLP que inicialmente liderava a oposição internacional aos golpistas perdeu esta iniciativa para a CEDEAO. Para sermos inteiramente justos, esta alteração deve mais aos méritos da CEDEAO que aos deméritos da CPLP… o presidente em exercício desta organização regional tem uma postura claramente mais interventiva que o seu antecessor, sobretudo porque é da Costa do Marfim, país que no passado pediu uma intervenção do braço armado da CEDEAO, a ECOWAS, sem, na altura o obter. Agora, aplica de novo a mesma visão, e bem. A CPLP que começou bem, no campo diplomático, não foi capaz de passar aos atos pela ausência de um braço militar equivalente à ECOWAS… organização cronicamente formalista e “diplomática” no mau sentido (castrador) da palavra, a CPLP deixou-se ultrapassar e isto apesar de dois dos seus países terem meios muito consideráveis no país, nitidamente superiores aos 600 que a organização regional vai agora enviar.

Atualmente, a única opção que resta à CPLP é procurar integrar as suas forças na região com asa da CEDEAO. Corresponde ao melhor interesse dos guineenses ver ocorrer esta integração, já que os golpistas parecem ver com bons olhos a força regional (quer porque não acreditam na sua capacidade, quer porque acham que a podem manipular). A inclusão de forças angolanas (tidas como próximas do governo legítimo) e portugueses (tidas como próximas das angolanas) moderaria esse “espírito vitorioso” por parte dos golpistas e contribuiria para o restabelecimento da legalidade constitucional neste país lusófono.

Fonte:
http://noticias.sapo.tl/portugues/lusa/artigo/14223969.html

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Sobre o mais recente golpe militar na Guiné-Bissau


A recente implicação do chefe da Marinha da Guiné-Bissau, Bubo Na Tchuto, na ultima intentona militar parece ter resultado de um conflito interno – entre as mais altas patentes militares guineenses – sobre a sucessão na Armada e era já adivinhada nas ruas de Bissau pelo menos desde finais de novembro.

Na Tchuto está agora detido, juntamente com outros oficiais da Armada. Depois do tiroteio (que terá ceifado a vida a um policia e a um militar, para além de ter feito 6 feridos) junto à embaixada angolana e a deslocações mais ou menos confusas e desorganizadas de militares nas ruas de Bissau a situação amainou e o chefe de Estado Maior, António Indjai, (o mesmo que em abril de 2010 deteve impunemente o primeiro-ministro) parece estar no controlo da situação, isto depois de ter chegado a estar detido pelos militares leais a Na Tchuto.

A Guiné-Bissau não pode continuar assim, acumulando golpe atrás de golpe, a um ritmo quase mensal. Urge tomar uma decisão que renove de forma radical e decisiva o exercito, marinha e força aérea guineenses. E essa renovação só pode passar pela total dissolução das forças armadas, sua substituição transitória por uma força Lusófona de manutenção de paz (como o MIL defende) e novo recrutamento a partir de uma nova base tendo sempre a garantia que todo o oficialato é bem remunerado, tem um registo criminal limpo e entregando à Justiça internacional (fora da Guiné) todos os militares atualmente implicados no narco-tráfico.

Fonte:
http://www.publico.pt/Mundo/disputa-entre-militares-volta-a-agitar-guinebissau-1526550

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História da Guiné Portuguesa (1870-1941)

No sul insular, mais especificamente nos Bijagós e na ilha de Bolama assim como em todo o litoral adjacente. A ameaça europeia à presença portuguesa era constituída pelos britânicos, a maior potencia militar e económica da época. A disputa por Bolama foi muito intensa, abeirando-se da guerra em diversos momentos, sendo finalmente resolvida a favor de Portugal pelos esforços de António José de Ávila, que receberia em razão dos mesmos o título de Duque de Ávila e Bolama. Foi José de Ávila quem conseguiu com que o presidente dos Estados Unidos, Ulysses S. Grant, em 1870, tomasse o partido luso e pressiona-se o Reino Unido a abandonar a ilha, um auxílio que resultou de muito do comércio guineense estar dependente de alguns navios americanos.

Mas as fronteiras coloniais não estavam ainda estabelecidas a norte e a oriente. É só em 1886 que França recebe a região de Casamansa em troca de Quitafine (no sul) e a fronteira com os territórios sob administração francesa é reconhecida.

Tendo em conta a fragilidade da presença portuguesa (apenas duas fortalezas, uma das quais: Cacheu em obras permanentes) e uma força militar europeia que até meados do século XX era formada apenas por algumas dezenas de degredados o reconhecimento das fronteiras da Guiné Portuguesa por parte de França e Inglaterra foi um notável feito da diplomacia portuguesa da época.

Firmadas as fronteiras com as potencias europeias, Portugal começa, a partir de finais do século XIX, uma série de “campanhas de pacificação” onde sobressai de forma destacada o génio militar e organizativo do governador João Teixeira Pinto, que com escassos meios, mas com grande habilidade e diplomacia consegue agregar em torno das forças portuguesas aliados locais que lhe permitem estabilizar a colónia e firmar o domínio luso sobre a mesma.
Até 1879, a Guiné Portuguesa era administrada como uma dependência de Cabo Verde, tendo sido só então que passou a ser regida de forma autónoma do arquipélago.

Datam das primeiras décadas do século XX as primeiras campanhas conduzidas pelas forças portuguesas contra as tribos independentes do interior, tendo então os governadores dependido totalmente de forças indígenas. Só em 1936, contudo, é que todo o território ficou sob a efetiva administração portuguesa, quando todas as ilhas Bijagós foram submetidas.

É neste período que se constroem estradas e algumas pontes e a Casa Gouveia (do grupo CUF) se estabelece em Bissau. A capital da colónia em 1941 muda de Bolama para Bissau, que na época era já a capital económica da colónia.

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História da Guiné-Bissau (1980-2005)

Foi em 14 de novembro de 1980 que um golpe de estado liderado pelo antigo guerrilheiro Nino Vieira derrubou o governo de partido único do PAIGC, então liderado por Luís Cabral, um dos históricos fundadores do PAIGC e irmão do carismático Amílcar Cabral, assassinado em circunstâncias nunca cabalmente esclarecidas. Nino Vieira acusa Luís Cabral de ter cometido vários massacres contra opositores políticos e antigos militares que tinham servido nas fileiras portuguesas durante a Guerra Colonial mas é sobretudo o  descontentamento generalizado perante o caos económico da Guiné da década de 80 que leva ao fim do regime liderado por Luís Cabral.

Apesar das promessas iniciais, é só em 1991 –  mais de dez anos depois da tomada do poder por Nino Vieira – que surgem novos partidos políticos. Mas o frágil regime democrático então instaurado seria perturbado em 1998 por um golpe militar chefiado por Ansumane Mané. Sem forças militares dignas desse nome, para além dos “aguentas” (jovens urbanos sem treino militar e quase sem armamento) Nino Vieira apela aos pactos regionais que envolviam a Guiné-Bissau e recebe apoio militar dos seus vizinhos Senegal e Guiné Conacri. Estes, contudo, não conseguem esmagar a sublevação e Nino Vieira acaba por deixar o país e por buscar refúgio em Portugal em 1999.

Em 2000 têm lugar eleições presidenciais, que são vencidas por Kumba Ialá. São militares afetos ao partido do presidente, o PRS, quem em 30 de novembro de 2000 abatem a tiro o antigo chefe da revolta de 1998, Ansumane Mané. Em setembro de 2004, ocorre nova sublevação militar que depõe Kumba Ialá e coloca o general Veríssimo Correia Seabra, provisoriamente à frente dos destinos do conturbado país até março de 2004 e às eleições parlamentares que devolvem o poder ao PAIGC e elegem Carlos Gomes Júnior como Primeiro Ministro. Em novembro desse mesmo ano, o general Veríssimo Correia Seabra, é assassinado por militares e Tagmé Na Waie assume a chefia do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses.

Em 2005 o antigo guerrilheiro e presidente deposto Nino Vieira regressa à Guiné do seu exílio em Portugal concorrendo a eleições, que vence, e regressando assim – pela via democrática – à presidência da República deste país lusófono.

Fonte Principal:
http://portalguine.com.sapo.pt

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Sobre o perdão da dívida externa da Guiné-Bissau

Carlos Gomes Júnior (http://www.africanidade.com)

Carlos Gomes Júnior (http://www.africanidade.com)

“Na visita que fez aos EUA no âmbito da missão da ONU conseguiu um apoio de 16.8 milhões de dólares. Atingiu os objetivos?
– A missão correu da melhor maneira, graças ao apoio que tivemos do Governo português e de todos os países da CPLP, porque permitiu desanuviar uma certa tensão que se prendia com a reunião de 29 de março com a União Europeia.” (…) “O facto de termos conseguido um perdão da dívida externa na ordem dos 90% demonstrou o empenho do Governo, todo o esforço na consolidação da paz.”

Entrevista a Carlos Gomes Júnior
primeiro-ministro da Guiné-Bissau
Sol 1 de abril de 2011

A situação na Guiné-Bissau segue sendo a mais grave entre todos os países da Lusofonia. A Guiné nunca conseguirá sozinha erguer a cabeça da situação onde atualmente se encontra. O perdão da dívida externa guineense exemplifica bem a este respeito o que pode a comunidade lusófona fazer em prol dos seus membros em dificuldades, pela simples via da pressão e influencia diplomática.

Muito mais poderá ser feito se a Guiné der provas decisivas de que consegue aproveitar a presença de polícias e militares angolanos para sanear o seu exército de todos os militares ligados ao narco-tráfico e começar a enfrentar as máfias colombianas e nigerianas que controlam o narcotráfico na Guiné-Bissau. Para isso é também preciso ajuda dos países da CPLP, especialmente no patrulhamento dos mares e ares guineenses… mas para isso é preciso que o governo guineense peça esse auxílio. E isso ainda não aconteceu.

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Sobre O Modo Como São Tratados Os Guineenses E Outros Cidadãos Lusófonos Em Portugal

SOBRE O MODO COMO SÃO TRATADOS OS GUINEENSES E OUTROS CIDADÃOS LUSÓFONOS EM PORTUGAL – CARTA ABERTA DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL MOINHO DA JUVENTUDE E DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONOO MIL e a Associação Cultural Moinho da Juventude vêm expressar através desta Carta Aberta a sua indignação perante o tratamento a que os cidadãos lusófonos oriundos da Guiné-Bissau são submetidos em Portugal e na Embaixada Portuguesa em Bissau. Referimo-nos em particular a três assuntos que merecem a nossa maior preocupação:

1. Acordo Bilateral Portugal/Guiné-Bissau para evacuação e tratamento médico de cidadãos guineenses em Portugal

Por via de um Acordo Bilateral entre a República Portuguesa e a República da Guiné – Bissau, os cidadãos deste país lusófono podem receber tratamento médico em Portugal sempre que a sua condição clínica o justifique. O Acordo tem sido aplicado com relativo sucesso e tem contribuído significativamente para a melhoria das condições de saúde de muitos cidadãos guineenses. Existem, contudo, situações profundamente injustas e completamente desnecessárias que requerem uma solução urgente.

Embora o Acordo Bilateral contemple acções por parte do Estado Português, assim como por parte do Estado Guineense, na prática as dificuldades financeiras que o segundo enfrenta têm provocado diversas situações para cuja solução o Moinho da Juventude e o MIL apelam. Desde logo, a Embaixada guineense não tem sido capaz de mobilizar os recursos financeiros suficientes para apoiar os seus cidadãos que chegam a Portugal ao abrigo do acordo bilateral.

Na realidade, apresentam-se as seguintes dificuldades:

* Os subsídios/ apoio de sobrevivência que os doentes guineenses deviam receber após chegarem a Portugal são alvo de atrasos frequentes ou não são, de todo, pagos. Muitos destes doentes têm condições clínicas graves, que exigem anos de tratamento e acompanhamento pós-operatório. Perante a falta destes subsídios são forçados a situações de mendicidade, tornam-se sem-abrigo e não conseguem adquirir os medicamentos prescritos para estes tratamentos.

* Estes doentes não têm ninguém que os acompanhe quando chegam ao aeroporto e frequentemente não conseguem pagar sequer os transportes até ao Hospital nem até à sua embaixada em Lisboa.

* São também comuns os casos em que os clínicos portugueses procuram antecipar o seu regresso à Guiné-Bissau antes mesmo que o tratamento pós-operatório esteja concluído ou quando se impõem tratamentos ou fisioterapia para os quais não existem condições satisfatórias no seu país de origem.

* No contexto da legalização, manifestam-se varias dificuldades. A maioria dos doentes que chegam a Portugal são portadores de um passaporte com visto e ao longo do tratamento estão dependentes dos relatórios médicos para a renovação do mesmo. Na prática, muitas vezes o período dos vistos termina durante o tratamento e o doente, que não tem rendimentos, ainda precisa de pagar a renovação.

* É um facto que o Instituto da Segurança Social, I.P., exige para qualquer subsídio social (RSI, Abono, Acção Social, etc.) o Titulo de Autorização de Residência. Muitas vezes o doente não recebe o subsídio de sobrevivência da Embaixada e nem tem o direito de pedir um apoio no ISS.

* Na parte do tratamento, revela-se um problema muito comum, quando o médico em Portugal verifica que a doença (que está escrita no primeiro diagnóstico da Junta médica) não corresponde com o quadro clínico que o doente apresenta: o doente precisa de voltar à sua terra de origem para pedir uma segunda via para a Junta médica, mas uma vez que este processo parece difícil ou até mesmo impossível, os doentes preferem ficar em Portugal, sem o direito de continuar o seu tratamento e sem oportunidade de renovar os seus documentos.

* Durante o tratamento, os doentes recebem facturas do hospital para pagar as taxas moderadoras.

A Direcção – Geral da Saúde do Ministério da Saúde português publicou a Circular normativa Nº 04/DCI de 16.4.2004 com as normas gerais de encaminhamento e assistência a doentes oriundos dos PALOP´s, ao abrigo da Cooperação no domínio da saúde. A circular apresenta uma clara divisão das responsabilidades e encargos financeiros por parte de Portugal e do Pais Africano em questão.

Perante esta incapacidade por parte do Governo Guineense em cumprir a sua parte no Acordo com o Estado Português, o MIL e a Associação Moinho da Juventude defendem que o Governo Português e o Governo Guineense devem assumir, por razões humanitárias e solidariedade lusófona, as suas responsabilidades (da circular normativa):

a) O acompanhamento destes doentes a partir do momento em que desembarcam em Lisboa.
b) Assegurar provisoriamente o pagamento de subsídios/apoio de sobrevivência enquanto a Embaixada Guineense os processa ou reúne esses recursos. Após o termo deste tratamento, este auxílio deverá ser devolvido ao Estado Português.
c) Garantir que a assistência médica hospitalar é paga pelo Governo Português.
d) Garantir que os medicamentos e produtos farmacêuticos são pagos pelo Governo Guineense.
e) Garantir que nenhum doente é forçado a terminar abruptamente o seu tratamento antes do seu fim efectivo.
f) Facilitar o pedido de uma segunda via para a Junta médica, sem regresso obrigatório para a sua terra de origem, ou proceder o encaminhamento automático para a especialidade correspondente ao diagnóstico de cada.
g) Facilitar o processo de evacuação de doentes para Portugal (Ponto nº 3).

2. Legalização, contratos de trabalho e relatórios médicos

* Segundo a legislação portuguesa actualmente em vigor, para que um cidadão estrangeiro consiga obter um visto de permanência, prorrogação, autorização de residência temporária ou a sua renovação, tem de fazer-se apresentar de comprovativos de meios de Subsistência, um relatório médico e um comprovativo de morada.

* Os meios de subsistência podem ser os seguintes: contrato de trabalho e comprovativo da situação regularizada na Segurança Social (estar inscrito e ter o mínimo de 6 meses de descontos de preferência sem interrupção, mesmo com diferentes empregadores), termo de responsabilidade apresentado em nome individual ou de uma entidade.

* Para evitar que muitos cidadãos estrangeiros ficassem em situações de irregularidade, deveria ser possível que os seis meses de desconto fossem num período de um ano, a contar do último mês em que o cidadão estrangeiro solicita a sua regularização junto ao SEF.

As dificuldades apresentadas na prática são:

* Muitas vezes a Embaixada não garante os meios de subsistência, nomeadamente: meios de alimentação, habitação e cuidados de saúde, que, por obrigação, deveria garantir aos doentes em situação de Junta médica. As vezes em que o faz, fá-lo apenas em papel, para ser apresentado junto do SEF.

* Outras das dificuldades com que os doentes evacuados se deparam são os relatórios médicos que os médicos se recusam a passar ou a sua morosidade quando se apercebem que é para motivos de regularização da estadia legal em Portugal. Muitas das vezes estes relatórios são feitos em folhas A5, de forma ilegível e com informação não detalhada. Por sua vez, o SEF, para regularizar um doente em situação de tratamento médico, exige que constem no relatório médico a seguinte frase: “obsta regresso ao país de origem” (por colocar em perigo a saúde do doente), frase esta que os médicos a maioria das vezes se recusam a escrever.

* Quando o tratamento médico de um doente evacuado e faseado com intervalos de um ou mais anos, nos relatórios médicos deveria constar quando é que o doente deverá voltar para continuar o tratamento, simplificando assim as burocracias de um novo pedido de evacuação.

* Os comprovativos de moradas normalmente são obtidos junto das Juntas de Freguesias, que por sua vez exigem contrato de arrendamento ou registo da casa, duas testemunhas com cartão de eleitor e cartão da embaixada. São muitos os doentes evacuados que não conseguem fazer prova desta situação, quando os Senhorios se recusam a colaborar, quando não residem com familiares, amigos próximos ou quando não conhecem ninguém

* Para facilitar a obtenção do atestado de residência, bastava apenas as testemunhas terem na sua posse um documento de identificação com a morada da mesma localidade que o interessado, ou seja, que o doente evacuado, relatório médico como estado clínico do doente.

3. Prazos para concessão de Vistos na Embaixada Portuguesa em Bissau

A Associação Cultural Moinho da Juventude e o MIL têm recebido diversos relatos de cidadãos guineenses que reclamam quanto ao longo prazo de concessão de Vistos na Embaixada Portuguesa em Bissau. Prazos de entrega superiores a um mês são frequentes, alegadamente por razões estritamente burocráticas e por escassez de meios humanos e técnicos que agilizem a entrega dessas autorizações.

Uma vez tratar-se de doentes que necessitam de tratamentos médicos no exterior do país, o prazo da concessão de visto não deveria prolongar para o mesmo tempo que um pedido de visto normal – e o valor deveria ser reduzido ou baseado no rendimento do interessado ou do seu agregado familiar.

Assim, o MIL e o Moinho da Juventude apelam ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que diligencie no sentido de corrigir estas dificuldades operacionais de que padece a Embaixada Portuguesa em Bissau e que tanto prejuízo produzem, nomeadamente aos doentes que aguardam a deslocação até hospitais em Portugal ou a todos aqueles que por motivos de vária ordem pretendem deslocar-se a Portugal.

Em conclusão:

Para além desta Carta Aberta, o MIL irá agendar reuniões com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com os Grupos Parlamentares presentes na Assembleia da República de forma a entregar em mãos este texto e assim apelar directamente para a boa resolução dos três problemas aqui apresentados.

Subscreva esta Carta Aberta AQUI

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Sobre a mudança dos circuitos do narco-tráfico para a Guiné-Bissau

Os circuitos do narco-tráfico estão a mudar. A intensificação da atividade das forças de segurança na América central e na Colômbia desviou as rotas mais para sul, até ao Peru e para a África Ocidental. Um e outro eixos são hoje a maior porta de entrada de droga num dos maiores mercados do mundo: a Europa.

Apesar da quantidade assustadora de assassinatos relacionados com o narco-tráfico, o México conseguiu afastar 20 dos seus 37 maiores traficantes e estudos recentes realizados nos EUA indicam problemas sérios com o trafico de droga mexicano: o preço da cocaína duplicou e a pureza diminuiu para metade daquilo que era registado à apenas um ano.

Ora, atualmente o principal ponto de entrada de droga na Europa é a Guiné-Bissau. E muito por culpa e responsabilidade europeia: os controlos de bagagens no aeroporto internacional de Bissau são – na mais suave das leituras – suaves ou até mesmo inexistentes e isto apesar de em praticamente todos os voos seguir algum tipo de droga para a Europa. No mínimo, a comunidade internacional (UE ou UA) devia pressionar o governo guineense para deixar estar presente no check-in uma equipa de polícias ou observadores da ONU? No mínimo, devia enviar agentes seus, à paisana, passando por esse check-in e denunciando todas as anomalias (numerosas) que encontrassem. No máximo, devia entregar a administração do aeroporto ou a sua segurança a forcas internacionais, já que as autoridades locais nao demonstram terem força ou vontade para parar o tráfico. E enquanto Bissau não aceitasse tal abordagem, o aeroporto devia ser interdito e o tráfego aéreo desviado para Dakar…

Estas forças internacionais deviam ser lideradas pela CPLP e serem essencialmente compostas por militares e agentes de segurança dos países lusófonos. Assim se garantiria uma maior e mais fácil integração com as populações e uma maior compreensão das necessidades e problemas locais sem que houvessem temores quanto a uma “intervenção estrangeira” por parte de potencias regionais como o Senegal ou a Nigéria, já que nenhum país lusófono tem pretensões territoriais sobre a Guiné-Bissau nem o fantasma do colonialismo (português ou brasileiro) mete medo a ninguém…

Fonte:
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1824381&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas

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História da Guiné Portuguesa (1444-1850)

O primeiro português a chegar à Guiné-Bissau foi João Fernandes que aprendeu árabe quando esteve preso no norte de África. Em 1444 partiu numa caravela com Antão Gonçalves que o desembarcou no Rio do Ouro (Senegal). Nos sete meses seguintes percorreu o interior do território e acabou por ser recolhido por outra caravela curiosamente também comandada por Antão Gonçalves.

Em 1446 é a vez de Nuno Tristão chegar à Guiné, sendo contudo morto quando subia um dos seus rios. Ainda no mesmo ano, seguem-se a Nuno Tristão, os navegadores Diogo Gomes e Cadamosto, e, Álvaro Fernandes que estabelece o primeiro contacto com os Felupes.

João Fernandes foi seguido pelo navegador Nuno Tristão em 1450 que explorou as costas do país. Em 1456, Diogo Gomes chegou à região de Bissau.

É em 1446 que o Infante Dom Henrique nomeia um governador para o arquipélago de Cabo Verde com o título “Governador e Capitão Geral das Ilhas de Cabo Verde e Distrito da Guiné”, em que a Guiné era colocada na dependência das ilhas, uma situação que persistiu até 1879, de resto, quando foi criada a Província Autónoma da Guiné.
A ocupação do território da Guiné-Bissau por Portugal só começou a ser efetiva a partir de 1558 com a fundação da vila de Cacheu, com a coroa com o monopólio da exploração e impondo uma severa proibição da presença
de colonos.

Cacheu era apenas habitada por alguns escassos comerciantes brancos, sem forças militares ou uma estrutura administrativa com excepção de alguns feitores.

Em 1630 o governador de Cabo Verde nomeia representantes seus na Guiné, em Cacheu que se torna oficialmente numa “Capitania”. Em 1640, nascem os povoados de Farim e Zinguinchor e Dom João IV ordena a construção da fortaleza de Cacheu. Algumas décadas depois – para incentivar a colonização e desenvolvimento do território – a Coroa cria a “Companhia Magestática do Cacheu”, que fracassa, sendo extinta logo em 1697. Bissau, entretanto, crescia. Em 1692 torna-se Capitania Mor, ainda sob a dependência de Cacheu.

Só já perto dos finais do século XVI é que a Coroa reconheceria a presença de colonos, os “lançados”, como eram conhecidos estes colonos e os seus descendentes, quase sempre miscigenados com as populações indígenas.
A partir do início do século XVII, a presença europeia começa a ser mais intensa com a aparição de mercadores de escravos e comerciantes franceses, britânicos, portugueses e suecos.

Na época, o primeiro povoado guineense de fundação europeia, Cacheu, junto ao rio com o mesmo nome, assume um papel central na presença europeia no território ainda que os “lançados” se tenham sempre oposto à elevação da povoação a vila e à formação de um município, porque isso os obrigaria a partilhar o poder local com os moradores de Cacheu.

Em 1630 seria criada a Capitania-Geral da Guiné.

Em 1697, seria fundada a vila de Bissau, com a única verdadeira fortaleza de toda a colónia, assumindo entao o inglório papel de principal entreposto negreiro do território, que de facto só começaria a declinar no século XIX com a abolição da escravatura.

A Companhia Pombalina do Grão-Pará e Maranhão instala-se em Bissau em 1757 e inaugura-se assim um período em que o capitão-mor de Cacheu é forçado a dividir a autoridade com o capitão-mor de Bissau, numa rivalidade irracional que divide o poder português no território até 1852. O objetivo desta repartição da autoridade política e administrativa na Guiné Portuguesa era o de reduzir a influencia dos “lançados” de Cacheu, nem sempre com sucesso já que em 1766 é precisamente um deles, Sebastião da Cunha Souto Maior, quem assume a capitania-mor de Bissau…

A Companhia Pombalina consegue aplicar o seu monopólio em Bissau e no rio Geba, mas em Cacheu e na região de Casamança, os “lançados” mantêm a sua atividade comercial de forma livre e com o fim da Companhia no final do século XVIII, mas não conseguem estender a sua influencia de volta para Bissau e mais para sul, até ao Geba, porque novos colonos reinóis e caboverdianos ocupam o espaço deixado vago pela Companhia Pombalina.
Durante todo o século XVIII, a Guiné Portuguesa consiste essencialmente em duas praças com alguma importancia económica e militar, Bissau e Cacheu e de outras cinco, de menor relevância: Ziguinchor, Farim, Bolor, Geba e Fá.

Nestas localidades, viviam algumas dezenas de europeus e cerca de 3 a 5 mil indivíduos de origem caboverdiana ou  lusoguineese.

As camadas mais poderosas da população guineense nos séculos XVIII a XIX eram formadas pelos grandes comerciantes e negreiros de origem reinol, afro-portuguesa ou caboverdiana que controlavam o comércio na colónia. O estrato social intermédio era preenchido pelos pequenos comerciantes e pelos proprietários de pequenas embarcações, funcionários da administração colonial e oficiais do exército. As camadas mais baixas da sociedade guineense eram constituídas por soldados, empregados dos serviços e um grupo indígena muito aculturado conhecido por “grumetes”.

Os grumetes eram descendentes de antigos escravos libertos e de populações africanas convertidas ao cristianismo no século XVII e XVIII, em Geba e Bissau. Eram um grupo com grande influencia local, tendo inclusivamente formas de auto-governo reconhecidas pela administração, elegendo o seu juiz do povo, que agia como “governador dos grumetes” em cada feitoria portuguesa na Guiné. Alguns grumetes, eram apoiantes da presença portuguesa, especialmente em Cacheu. Em Bissau, a tensão entre grumetes e a administração colonial era permanente sendo múltiplas as revoltas durante o século XIX, por vezes aliados aos Papéis, etnia dominante na região de Bissau.

Um dos episódios desta relação conflituosa em Bissau é a “Guerra dos Grumetes” ou “Guerra de Bissau” que começa em 1844, depois da detenção de um régulo papel. Uma das consequências da prisão foi a sublevação desta etnia na região de Bissau onde várias centenas de mortos são registadas e se generalizam os saques a lojas e estabelecimentos comerciais. A revolta dos papéis e grumetes arrasta a pequena guarnição portuguesa e apenas a intervenção de navios de guerra ingleses, franceses e norte-americanos, juntamente com um navio português, com 30 soldados da guarnição de Cabo Verde abafam a revolta. Depois de 1844, seguem-se várias “campanhas de pacificação”, já sob o comando de Teixeira Pinto entre 1913 e 1915, onde quase todas as populações mais rebeldes são submetidas, começando pelos balantas de Mansoa, e terminando pelos Mandingas do Oio e pelos Balantas e Manjacos. Os Papéis e os Grumetes da região de Bissau são os últimos a serem pacificados por um contingente que apesar do seu sucesso revela a continuada fraqueza militar da presença portuguesa, já que o exército de Teixeira Pinto é essencialmente formado por auxiliares indígenas e que o governador soube compensar essa fragilidade explorando de forma muito inteligente as rivalidades entre as diversas etnias da Guiné-Bissau.

Socialmente, a sociedade guineense permitia um amplo leque de progressão social: os militares dos mais baixos escalões eram promovidos até às mais altas patentes. Pela via do casamento e pelo casamento com mulheres de famílias indígenas abastadas, sobretudo das etnias Papel e Bijagó (as “Nhás” da Guiné) os comerciantes reinóis, os oficiais do exército colonial e os elementos da administração podiam ascender aos estratos mais altos da sociedade e a cor da pele não era obstáculo sendo a designação “branco” usada não somente para europeus mas para todos aqueles que se destacavam dos demais pela sua posicao social ou económica.

A presença portuguesa na Guiné dependia fortemente das relações com os povos que rodeavam as povoações ou feitorias onde viviam os comerciantes reinóis ou lusoafricanos. Em Cacheu e Bissau, por exemplo, todas as fontes situavam-se no exterior das muralhas e havia uma dependência crónica dos alimentos cultivados pelos povos que rodeavam essas povoações. Esta situação de dependência era agravada pela fraqueza das forças militares à disposição dos governadores: as poucas dezenas de degredados em Cacheu e Bissau não eram completadas por forças navais e sempre que havia conflitos com os povos indígenas, os governadores dependiam totalmente ou dos aliados locais ou de forças de outras nações europeias, como a marinha inglesa que em 1826 em Bissau ajudou os portugueses numa revolta dos Papéis ou em 1844 quando uma corveta dos EUA foi chamada “em defesa dos interesses americanos na Guiné”.

Esta fraqueza militar resultava em grande medida dos escassos recursos financeiros ao alcance dos governadores. Os rendimentos das alfandegas da Guiné estavam arrendados a particulares desde 1842, a cobrança de impostos praticamente não existia devido à escassa atividade industrial e agrícola exportadora. De facto, a maior atividade económica na Guiné até quase aos anos 30 do século XX foi o comércio ilegal de escravos, mas a proibição da escravatura – sob pressão britânica – a partir de 1810 inaugura um período de grande instabilidade local, contando-se entre 1800 e 1832 um total de 22 governadores dos quais apenas 8 foram nomeados pela Coroa, sendo os restantes interinos. A maioria destes governadores terão tido mortes suspeitas, provavelmente envenenados pelas poderosas famílias de “lançados”. Esta multiplicação de governadores dura até aos meados do século XIX e tem muito a ver com a continuação do tráfico ilegal de escravos e com a imensa fraqueza das forças militares de que dispunham os governadores, mal equipadas e ainda pagas quase sempre em géneros (panos e barras de ferro) e ao facto de neste período de terem rebelado várias vezes. Esta situação de fraqueza do governo geral para com os comerciantes locais só termina a partir de 1810 quando Dom João VI, ainda no Rio de Janeiro, declara o fim do comércio de escravos. Em 1836, Sá da Bandeira decreta o fim do tráfego em todo o império português. Mas o comércio ilícito de escravos só começa de facto a reduzir a partir de 1850, o que se deveu em grande medida ao aumento da presença de mercadores europeus na Guiné portuguesa.

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A Economia da Guiné-Bissau

A Guiné Bissau é hoje um dos países mais pobres do mundo. O essencial da sua economia encontra-se no setor primário, assumindo especial importância as culturas do caju (que se tem desenvolvido muito nos últimos anos), sendo atualmente este país lusófono o sexto produtor mundial. A Pesca tem também bastante importância económica, sendo uma fonte importante de divisas e de alimentos para a população local, mas a sua exploração foi arrendada ao Banco Mundial em troca da cedência de combustível durante dois anos para alimentar os geradores que (teoricamente…) fornecem a débil e instável rede pública de eletricidade entre as 7 da manhã e as 7 da noite.

A doca de Bissau – com os seus edifícios da época portuguesa, guarda muito simbólica no portão e imensa atividade comercial de todos os tipos, mas sobretudo de venda de peixe fervilha de atividade, mesmo às sete da noite. Os guineenses consomem muito peixe e carne de duvidosa conservação e vendida em bancas no mercado de Bandim em condições de higiene muito duvidosa…

O amendoim também é produzido em quantidades muito apreciáveis e é exportado em certos números. Assim como a palma e madeiras, que são nomeadamente alvo de grande interesse chinês, tendo havido inclusivamente ofertas para reconstruir o antigo Palácio do Governador Spínola, destruído em 1998 em troca da cessação desses direitos de exploração. Todos estes produtos – em quantidades e qualidades muito diversas podem ser adquiridos no muito povoado e dinâmico mercado de Bandim, o qual de resto está hoje muito melhor porque o tráfego automóvel quase deixou de circular aqui devido às grandes obras que aqui decorrem com recurso a algumas (raras) máquinas escavadoras e a (muita) mão-de-obra humana e quase totalmente desprovida de material além de pás, carrinhos de mão e picaretas.

O principal alimento da Guiné Bissau é o arroz, base de toda a alimentação local, mas produzido em números insuficientes para as necessidades locais, o que torna este país lusófono num dependente crónico das importações deste importante alimento.

O milho, o feijão, a mandioca, a semente de palma e o algodão também são produzidos, mas em quantidades insuficientes para satisfazer as necessidades locais.

A guerra civil de 1998 destruiu quase totalmente as infra-estruturas que já antes eram muito insuficientes. No ano da guerra, o PIB caiu 28%, recuperando apenas parcialmente no ano seguinte.

Nos anos que precederam a guerra de 1998, contudo, a Guiné-Bissau parecia ter boas perspetivas. Um programa ambicioso de reforma do Comércio e a liberalização dos preços ao consumidor dinamizaram a economia local e a iniciativa privada.

A Guiné tem também algumas riquezas mineiras, sobressaindo entre estas o petróleo e os fosfatos, mas os seus elevados custos de exploração têm inviabilizado a sua exploração, isso contudo, pode vir a mudar brevemente se o preço do barril de petróleo continuar a subir.

Alguns números de 1999:
PIB 1.1 mil milhões de dólares
Crescimento per Capita 9.5%
PIB per capita: 900 dólares, sendo um funcionário público médio remunerado em menos de 64 euros mensais
População abaixo da linha da pobreza: 50% (1991)
Desemprego de 50% (2010)
A dívida externa em 1997 ascendia a 921 milhões de dólares.

A eletricidade da Guiné-Bissau tem como única fonte o diesel, sendo a sua produção da responsabilidade da EAGB que procura assegurar o seu fornecimento (de forma intermitente) entre as 7 e as 19. Até 2010, o fornecimento de diesel foi oferecido (40 mil litros) pela Líbia, a partir de 2010 esse combustível passou a ser fornecido pelo Banco Mundial em troca da cedência de áreas piscícolas.

A mortalidade masculina é de 46 anos e a das mulheres 51 com uma taxa de fertilidade de 5.27.

As etnias mais numerosas da Guiné são os Balanta 30%, Fula 20%, Manjaca 14%, Mandinga 13%, Papel 7%. Estima-se que existam menos de 1% de europeus vivendo na Guiné.

Fonte Principal:
http://www.africa.jocum.org.br/bissau/economia/economia_bissau.htm

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A Sociedade da Guiné-Bissau

A música da Guiné-Bissau é marcada atualmente pelo chamado “Gumbe”.  Em termos religiosos a religião dominante ainda hoje no país é o animismo, com mais de 50% de população.

Existem vários tipos de “animismo”, mas em todas o culto dos antepassados e das forças da natureza e da sua manipulação através da feitiçaria, são pontos constantes.

O Islão é hoje a religião em grande expansão na Guiné-Bissau com os seus 45%. Seguem-se os 5% de cristaos, um escasso número quando comparamos com a continuidade de mais de 500 anos da presença portuguesa e com a existência de várias missões católicas (como a de Bicege ou a de Bissora), soa a escasso.

De facto, existe um grande sincretismo religioso na Guiné-Bissau, especialmente no interior, com o cruzamento de várias praticas religiosas na religiosidade de cada comunidade, não sendo raro encontrar elementos das várias religiões no mundo religioso rural guineense.

A posse da propriedade está nas mãos das famílias e nelas, herda o primeiro filho. Os restantes não recebem qualquer parcela do terreno dos país, mas é-lhes permitida a construção de tabancas em torno da tabanca (cabana) dos seus pais, formando assim uma família extensa geralmente muito unida e solidária que acolhe os mais fracos, idosos e doentes e funciona como para-quedas social tornando assim a sociedade guineense virtualmente numa sociedade sem “Sem Abrigos”.

O Carnaval é o ponto focal para toda a sociedade guineense durante toda uma semana. Toda a atividade económica para durante toda uma semana e é praticamente impossível fazer então qualquer tipo de negócio. O desfile congrega todas as 23 etnias do país e é o evento cultural de maior importância e é organizado por bairros, assumindo estes – quase sempre – a representação de uma etnia.

Fontes:
http://www.gumbe.com
http://www.flickr.com/photos/gumbe

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Declaração MIL sobre a política externa portuguesa

O MIL repudia e censura veementemente as recentes declarações do Ministro Português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, segundo as quais “Portugal não vai fazer parte de uma futura força de estabilização caso esta venha a ser criada e enviada para a Guiné-Bissau”. Consideramos incompreensível que Portugal, sempre tão lesto a participar em acções fora do espaço lusófono – ex-Jugoslávia; Iraque; Afeganistão, etc. – recuse à partida o auxílio a um povo irmão como é o guineense.

Por outro lado, o MIL expressa a sua perplexidade por, na mais recente distribuição de pastas no SEAE, Serviço Europeu de Acção Externa, a Portugal ter calhado o Gabão (!), enquanto, por exemplo, Espanha foi presenteada com Pequim (segundo posto), Argentina, Angola, Namíbia e Guiné-Bissau. Sinal bem evidente da importância que nos reconhecem no seio da União Europeia e da falta de empenho e dedicação do Governo e da nossa Diplomacia.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
www.movimentolusofono.org

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SOBRE A GUINÉ


P.S.: Muito em breve, o MIL emitirá um Comunicado sobre os mais recentes acontecimentos ocorridos neste nosso país-irmão.

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Guiné-Bissau: CEMGFA vai entregar implicados na tentativa de golpe de Estado à Justiça


Bissau, 05 Jun (Lusa) – O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) interino da Guiné-Bissau, Zamora Induta, informou hoje, em comunicado, que os implicados na tentativa de golpe de Estado, denunciado pelas autoridades estatais, vão ser entregues à Justiça nas próximas horas.

“No cumprimento das suas atribuições constitucionais, as nossas gloriosas Forças Armadas conseguiram, no momento oportuno, desmantelar os mentores, tomando sobre si o controlo da situação. Informa ainda que todos os implicados serão entregues à justiça nas próximas horas”, refere o documento, que não especifica o número de pessoas detidas.

Zamora Induta apela à “população para que se mantenha calma e serena” e reitera a sua “total submissão à ordem constitucional e ao poder político democraticamente instituído”.

Fonte: Jornal de Notícias – Hoje – 13h52m


O meu comentário é este:
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Guiné: Baciro Dabó e Hélder Proença assassinados

O candidato às eleições presidenciais da Guiné-Bissau foi assassinado esta madrugada, na sua residência, por um grupo de homens fardados e armados, alegadamente militares enquanto o antigo ministro da Defesa, Hélder Proença foi morto a tiro na estrada.

A morte de Baciro Dabó aconteceu um dia antes de se iniciarem as campanhas eleitoriais para as presidenciais na Guiné, que acontecem a 28 de Junho. Baciro Dabó era considerado próximo de Nino Vieira, o antigo presidente que foi igualmente assassinado no dia 2 de Março deste ano.

A Direcção-Geral dos Serviços de Informação do Estado de Bissau, revelou, em comunicado, uma tentativa de golpe de Estado, liderada por Hélder Proença, antigo ministro guineense da Defesa e que na quinta-feira se teria deslocado de Dacar para a Guiné. Esta iniciativa deveria ser levada a cabo numa altura em que o primeiro-ministro de presidente da República guineenses não se encontravam no país.
No entanto, Proença foi igualmente morto a tiro na estrada esta madrugada. Além do antigo governante, um motorista e um segurança acabaram por ser igualmente assassinados.
De acordo com as autoridades, Baciro Dabó e Hélder Proença estariam envolvidos na tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau.

Áudio:http://tv1.rtp.pt/noticias/?headline=46&visual=9&tm=7&t=Candidato-a-presidencia-da-Guine-Bissau-assassinado.rtp&article=224725

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NOITES MESTIÇAS 2009 na DI-Box em Arruda dos Vinhos

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Este ano a Zoomusica em parceria e com o alto patrocínio da Divulgar Iniciativas tem o prazer de apresentar as Noites Mestiças versão de 2009 que vão decorrer no espaço da DI-BOX em Arruda dos Vinhos integrado nas semanas de gastronomia lusófona que mensalmente e até ao fim do ano ocorrerão neste espaço. Os concertos das Noites Mestiças decorrerão uma vez por mês entre os meses de Junho e Novembro.
Para além da música apresentaremos mensalmente artistas plásticos que valorizarão o fantástico espaço da DI-BOX. Neste mês de JUNHO mostramos ao público na galeria da DI-BOX uma Exposição de FOTOGRAFIA “Um passeio de objectiva” da autoria de FLAVIANO MINDELA representando a GUINÉ BISSAU.

Teremos na música GUTO PIRES a 26 de Junho de 2009 na DI-Box em Arruda dos Vinhos.
Este Cantor nasceu na Guiné Bissau em 1964 e desde criança sempre sonhou ser cantor. Chegado a Portugal nos anos 70, criou e participou em diversos projectos musicais, entre os quais avulta o grupo ISSABARY, de que foi co-fundador em 1983. O grande objectivo do seu empenhamento nestes projectos foi sempre o de divulgar a música tradicional e popular da Guiné-Bissau.

Firmino Pascoal
http://festivaldasnoitesmesticas.blogspot.com
http://zoomusicaartwork.blogspot.com

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Luís Cabral, primeiro presidente da Guiné-Bissau independente, faleceu hoje em Lisboa

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Natural de Bissau, onde nasceu a 11 de Abril de 1931, Luís Cabral é uma das mais importantes personalidades políticas da Guiné-Bissau e nunca perdoou a João Bernardo “Nino” Vieira o golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, localmente conhecido por “Movimento Reajustador”, que o afastou da presidência que assumira sete anos antes, em 1973.

O antigo contabilista várias vezes afirmou ter sido traído pelo homem que, em 1978, nomeara primeiro-ministro, embora tenha deixado cair essa “bandeira” e desistido do regresso à política activa e ao seu país após as primeiras eleições gerais pluralistas guineenses de 1994, que deram a vitória a “Nino” Vieira e ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Já depois dessa desistência, acabou por regressar em 1999 a Bissau, “apenas para uma visita”, precisamente na altura em que “Nino” Vieira já tinha deixado o poder, após os 11 meses do conflito político-militar de 1998/99.

A convite do então primeiro-ministro do Governo de Unidade Nacional (GUN), Francisco Fadul, o ex-presidente revisitou o país que já não via há 18 anos, mas deixou indicações claras de que o seu regresso a Bissau não implicaria um retorno à política activa.

Mas essa actividade política esteve presente na sua vida desde relativamente cedo, uma vez que Luís Cabral foi um dos mais próximos colaboradores do seu meio-irmão, Amílcar Cabral, o “pai” das independências da Guiné e Cabo Verde.

Em 1956, ao lado do seu meio-irmão e de vários outros destacados dirigentes, Luís Cabral foi um dos fundadores do PAIGC e um dos principais protagonistas da história da emancipação das colónias portuguesas em África, embora tenha estado sempre na “sombra” de Aristides Pereira, que foi secretário-geral do PAIGC e presidente de Cabo Verde.

A unidade entre a Guiné e Cabo Verde, país onde efectuou os seus estudos primários, era um dos ideais subjacentes à própria criação do PAIGC, que nunca acabou por ir por diante, projecto que morreu definitivamente com o golpe de Estado de 1980.

O “Movimento Reajustador” teve, na sua essência, o fim da ruptura entre duas realidades diferentes, com o assumir, por Bissau, de que quem mandava no território eram os guineenses e não os “burmedjus”, os mestiços cabo-verdianos escolarizados que a Guiné-Bissau “herdou” da colonização portuguesa.

O assassínio de Amílcar Cabral, em Janeiro de 1973, em Conacri, cujos verdadeiros contornos são ainda hoje desconhecidos, levaria Luís Cabral, oito meses mais tarde, a 24 de Setembro do mesmo ano, à presidência da Guiné.

A chegada à chefia do Estado ocorreu após a proclamação unilateral da independência – lida em Madina do Boé (leste) pelo então presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) das “Zonas Libertadas” pelo PAIGC, precisamente “Nino” Vieira -, e que só seria reconhecida oficialmente por Portugal cerca de um ano mais tarde, a 10 de Setembro de 1974.

Se as relações entre Aristides Pereira, na altura presidente de Cabo Verde, e “Nino” Vieira morreram após o golpe, as de amizade e admiração profunda entre o líder cabo-verdiano e Luís Cabral também azedaram quando ainda era incerto o destino do presidente destituído.

Em 1991, Luís Cabral lembrou esse episódio à imprensa portuguesa, recordando que, durante o seu exílio em Cuba (entre 1981 e 1983), escreveu várias vezes a Aristides Pereira sem obter resposta. A ideia era regressar a África, nomeadamente a Cabo Verde, na companhia da sua família, ao que Aristides Pereira se opunha.

A partida para Portugal só aconteceu depois de uma intervenção conjunta do então presidente português, general António Ramalho Eanes, e do governo de Lisboa, que lhe ofereceram o exílio, iniciado em princípios de 1984.

Contabilista de formação, Luís Cabral entrou em 1963 para o Comité de Luta, dois anos depois de ter fundado, em Conacri, a União geral dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), ainda hoje a principal central sindical do país.

Em Agosto de 1971, foi eleito para o secretariado permanente do Comité Executivo da Luta, com a responsabilidade de reconstruir as “zonas libertadas” pelo PAIGC na guerra pela independência (1963/74).

Eleito deputado à ANP pelo círculo de Bissau em 1971, assumiu, nesse mesmo ano, a direcção da luta na Frente Norte e, em Julho de 1973, no segundo Congresso do PAIGC, foi eleito secretário-geral adjunto do partido, sendo o “braço direito” de Aristides Pereira, depois de este assumir a herança de Amílcar Cabral, assassinado seis meses antes.

Já na Presidência guineense, Luís Cabral tentou impor uma economia forte no país, apoiada num modelo socialista que deixou a já de si frágil economia guineense arruinada.

Paralelamente, a repressão de um regime monopartidário musculado e a penúria alimentar também deixaram marcas e, apesar de sempre o ter negado, Luís Cabral foi acusado de ser o responsável pela morte de um importante número de soldados guineenses que combateram do lado português durante a guerra colonial.

Fonte: http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1249515

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CPLP: CEMGFA português defende pressão para evitar «sucessão de eventos lamentáveis» na Guiné-Bissau

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Cidade da Praia, 21 Mai (Lusa) – A comunidade internacional tem de pressionar as autoridades políticas e militares da Guiné-Bissau para que os esforços de pacificação do país não sejam “sistematicamente anulados” pela sucessão de eventos “lamentáveis”, defendeu hoje o CEMGFA português.

Em declarações à Agência Lusa na Cidade da Praia, onde participa na XI Reunião do Fórum dos Chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o general Valença Pinto destacou que essa pressão passa por uma “maior exigência” aos dois poderes guineenses.

“Neste momento concreto, não há muitas coisas que possamos fazer em relação à Guiné-Bissau, excepto manifestar a disponibilidade para continuar a cooperar, a par com uma grande exigência da comunidade internacional, da CPLP, da União Europeia (UE), da ONU, para que os esforços não sejam sistematicamente anulados pela sucessão de eventos tão lamentáveis que temos vindo a observar”, disse.

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9700506.html

A esse respeito, já assinou a nossa Petição?
EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU:
http://www.gopetition.com/online/26953.html

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Más notícias da Guiné…

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Guiné-Bissau: PGR sem dinheiro para investigações às mortes de “Nino” Vieira e Tagmé Na Waié

O Procurador-Geral da República (PGR) da Guiné-Bissau, Luís Manuel Cabral, disse hoje à Lusa que a instituição está sem dinheiro para continuar o processo de investigação aos assassínios do Presidente ‘Nino’ Vieira e do general Tagmé Na Waié.

No final de uma reunião com o Governo, Luís Manuel Cabral afirmou que a falta de verba para a comissão responsável pelos inquéritos foi tema do encontro com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o ministro da Defesa, Artur Silva, o secretário de Estado do Tesouro, Carlos Casimiro, e elementos do Ministério Público.

“Estou com receio. Quero que este trabalho termine antes de eu sair da Procuradoria-Geral da República, antes das eleições” presidenciais antecipadas (28 de Junho), afirmou Luís Manuel Cabral.

Ainda não assinou a nossa Petição?
EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU:http://www.gopetition.com/online/26953.html

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Guiné-Bissau: Alkatiri defende "plano de contingência" para período pós eleitoral

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Lisboa, 01 Mai (lusa) – Mari Alkatiri, enviado especial do Presidente de Timor-Leste à Guiné-Bissau, considera o período pós-eleições presidenciais “o mais crítico” e defende um “plano de contingência” para impor a estabilidade de que o país precisa para se desenvolver.

“Quando as pessoas dizem que devemos ter um tipo de força para proteger os candidatos durante o período eleitoral, para proteger as personalidades políticas, eu diria que devemos ter alguma coisa preparada em termos de plano de contingência para apoiar as autoridades legitimamente eleitas a implementarem os seus programas”, diz.

“Só então teremos uma Guiné-Bissau estável, com todas as condições para se desenvolver”, defende Alkatiri.

Fonte: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1218353

Já assinou a Petição MIL sobre a Guiné?
http://www.gopetition.com/online/26953.html

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Manuel Alegre e a presença militar portuguesa no Afeganistão e na Guiné-Bissau


(Severiano Teixeira passa revista a militares da Polícia Aérea no Afeganistão em http://www.tvi24.iol.pt)

Recentemente, Manuel Alegre emitiu críticas à postura da diplomacia portuguesa quanto à prioridade dada em relação ao Afeganistão frente a outras áreas que deviam estar mais altos nas prioridades da nossa diplomacia, referindo-se explicitamente à situação presentemente vivida na Guiné-Bissau e que daria azo à Petição em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau da lavra do ex-primeiro ministro Francisco Fadul e patrocinada pelo MIL. Manuel Alegre declarou que Portugal devia estar “mais atento à estabilização da Guiné” do que apressar-se em “embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa história” e ainda que “Não tem sentido que, numa situação de crise que exige a mobilização dos nossos escassos recursos, o ministro da Defesa venha defender o reforço do envio de tropas portuguesas para o Afeganistão”.

Alegre referia-se à decisão de reforçar o contingente português em operação na dura guerra afegã contra os insurgentes talibãs que procuram reestabelecer um regime extremista islâmico nesse país do Médio Oriente, conhecido pela sua capacidade para colocar “impérios de joelhos”, desde o parta ao britânico, terminando no soviético, na década de oitenta. É certo que à primeira vista, os interesses portugueses no Afeganistão são muito laterais e secundários e prendem-se no essencial no cumprimento de deveres e obrigações para com os nossos parceiros na OTAN. É também certo que a situação na Guiné-Bissau é mais prioritária na defesa não somente dos interesses da Lusofonia, mas sobretudo, na melhor defesa dos interesses da populações locais contra as narcomáfias que efetivamente governam o país. Concordamos com Alegre na sua visão crítica das prioridades da nossa diplomacia e o papel muito passivo e demasiado discreto do MNE na preocupante crise guineense reflete a política errada e desnorteada de um Governo que ainda acredita que “Espanha” é a nossa prioridade e que ainda não percebeu que Portugal, se tem que sair deste marasmo social e económico em que está atolado à décadas só sairá agregando os seus esforços aos do Brasil e de Angola, alinhando ao seu lado, numa caminhada de desenvolvimento económico, social e político que torne a Lusofonia e nela, a CPLP, o modelo mundial de um novo de sociedades políticas e na primeira confederação trans-continental realmente democrática, anti-imperialista e paritária.

O antigo candidato presidencial tem ainda mais razão quando afirma que “É tanto mais absurdo quanto o mesmo ministro ainda recentemente afirmou recusar o investimento militar português em África, ainda que no quadro da CPLP. E no entanto a estabilização da situação militar e política na Guiné é muito mais importante e urgente para nós do que o Afeganistão” e que “em vez de embarcar em aventuras que nada têm a ver com a nossa tradição e a nossa História e muito menos com a nossa segurança, seria interessante que, no quadro da CPLP, em conjunto com Angola e Brasil, tomássemos iniciativas que valorizassem a nossa posição no Atlântico Sul. A Guiné seria um bom ponto de partida. Mas para isso era preciso definir outras prioridades para a política externa portuguesa. E pensar português”.

Defendemos que Portugal não deve estar ausente no Afeganistão. Não temos dúvidas que se um dia o Afeganistão regressar à tirania talibã, não somente o seu povo será novamente submetido a um dos regimes mais opressivos e inumanos da História, como o seu território tornará a servir de santuário para que terroristas lancem a partir daqui ataques contra civis em países ocidentais, não estando Portugal isento dessa posição de alvo, pela sua simples pertença à OTAN, pela sua situação como “país cristão” e, logo, “infiel” aos olhos destes radicais e até porque nalgumas declarações de responsáveis da Al Qaeda a Península Ibérica surge como “terra islâmica” que há que recuperar.

Fontes:
http://www.micportugal.org/index.htm?no=10001363
http://www.manuelalegre.com

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Sobre a PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU e da disponibilidade brasileira

O Brasil mostrou-se disponível para enviar forças militares para a Guiné-Bissau, o conturbado país lusófono da África Ocidental que mereceu ao MIL: Movimento Internacional Lusófono a sua mais recente petição: PETIÇÃO EM PROL DA CONSTRUÇÃO DE UM ESTADO DE DIREITO DEMOCRÁTICO NA GUINÉ-BISSAU redigida pelo antigo Primeiro-Ministro Francisco Fadul. A disponibilidade brasileira contrasta com o gritante silêncio da diplomacia portuguesa e revela que o Brasil de hoje já está muito longe desse gigante adormecido com que muitos se habituaram a contar… A disponibilidade brasileira depende de um mandato expresso da ONU, afirmou o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim. Contudo, não podemos deixar de observar alguns vícios de um passado excessivamente não-intervencionista quando o Ministro acrescentou que “o Brasil não realiza operações para fazer a paz. O Brasil participa de operações de manutenção de paz e esta distinção é fundamental“, esclarecendo ainda melhor a sua posição: “Uma coisa é ter força militar para intervir num determinado país para forçar a se fazer a paz, que é a doutrina americana de Bush. Nós não participamos dessa operação, nós participamos de manutenção de paz, essa é a política brasileira“.

Ou seja, no atual cenário guineense haverá condições para assistir a uma presença militar brasileira? Formalmente, existe “paz”, já que não decorre no país nenhum conflito militar aberto, nem as fronteiras da Guiné-Bissau estão hoje mais ameaçadas do que estavam ontem… Mas poderemos falar realmente de paz, quando pessoas como o presidente do Tribunal de Contas guineense (Francisco Fadul) são atacadas na sua própria casa, vêm a sua família agredida e são literalmente baionetados, poucos dias depois do próprio Presidente da República, Nino Vieira, ter sido morto – também por militares ligados a máfias de narcotraficantes colombianos – perante a suspeita passividade assassina da sua “Guarda Presidencial” (selecionada entre as fileiras do exército pelo… Estado-Maior)?

E haverá tempo para esperar pela lenta, burocrática e ineficiente ONU? Porque não se utiliza a tão silenciosa e passiva CPLP como plataforma para uma solução policial-militar que coloque na Guiné-Bissau não forças suspeitas de parcialidade ou de fidelidade por interesses regionais ou económicos mais ou menos evidentes, como a Nigéria, o Senegal ou o Paquistão e se coloca na Guiné-Bissau, um grupo de soldados brasileiros e portugueses bem enquadrados, melhor apoiados e suportados por uma comunidade linguística e cultural rara e se contribui para a instauração na Guiné-Bissau do protectorado internacional defendido por Francisco Fadul e se põe fim a esse paraíso do narcotráfico na África Ocidental, que é hoje este país lusófono? Perante um tão grave e profundo desagregar da autoridade e da própria figura do Estado, haverá ainda tempo e paciência para os pudores não-intervencionistas defendidos por Nelson Jobim???

Fonte:
http://noticias.planetaportugal.com/actualidade/guine-bissau-brasil-disponivel-para-enviar-tropas-se-houver-decisao-da-onu

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