Galiza

O Galeuro: uma Moeda Local galega

As Moedas Locais começam a surgir um pouco por toda a Europa como uma alternativa realista e concreta ao Euro e a todas as maleitas que estão associadas à Moeda Única, imposta e controlada a partir do norte da Europa. Uma delas é o Galeuro, uma moeda eletrónica que brevemente começará também a ser impressa. A decisão de passar a imprimir ou não esta moeda será tomada numa reunião a 6 de abril.

A Galeuro é o produto da concertação de um grupo de ativistas da “Mancomunidade Integral Galega” (Miga) e nas palavras dos organizadores, a iniciativa resultada da “crise do capitalismo que está a pôr em questão as próprias bases do regime económico em que vivemos”. O Galeuro surge assim como uma “forma de recuperação das velhas formas de cooperação monetária e levantando alternativas eficazes à tirania dos bancos centrais e às suas moedas de curso legal. Moedas sociais locais e complementares, bancos do tempo, mercados de trocas… as iniciativas para a superação do sistema monetário são variadas, criativas e cada vez mais extensas”, mas, segundo a Miga, “falta ainda um sistema de intercâmbio integrador que dê corpo massivo a esta nova economia social”.

O Geleuro poderá assim juntar-se a várias moedas locais já em curso além na Península Ibérica, como o Eusko, no País Basco, ou o Eco, a Mora e a Taruta, em curso na Catalunha, Andaluzia e Castela.

O Galeuro pretende permitir pagamentos entre pessoas e empresas aderentes a esta moeda eletrónica, esperando-se que a sua passagem ao mundo físico possa contribuir para o alargamento do número de utilizadores desta moeda local.

Em Portugal, o www.MaisDemocracia.org tem também nas Medas Locais uma das suas propostas centrais para a recuperacao da economia local e para a implementacao da descentralizacao municipalista. Naturalmente, a candidatura autarquica participava www.MaisLisboa.org que emana diretamente desta associacao ergue a instauracao de uma Moeda Local em Lisboa também como um dos seus objetivos.

Fonte:
http://www.diarioliberdade.org/artigos-em-destaque/404-laboraleconomia/36773-proponhem-reuniom-para-impulsar-moeda-galega-alternativa-ao-euro.html#.UUl9iKjTdik.facebook

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Comentário a Entrevista a Joam Evans Prim (Partido da Terra – Galiza)

Joam Evans Prim

Joam Evans Prim

” Esquerda ou direita?
Os dous formam parte da concepção parlamentar da política. Na visão assemblear da democracia direta somos as pessoas as que deliberamos e decidimos sobre cada questão em particular. A experiência vital ou a bagagem de ideias de cada pessoa podem fazer com que optemos por certas posturas e não por outras, mas a rigidez e a ortodoxia próprias da partitocracia carecem de sentido no contexto da assembleia, mesmo porque não são prescritivas em relação à imensa maioria dos problemas que poderiam surgir, por exemplo, num concelho aberto paroquial ou de bairro, onde, a longo prazo, é mais adequada a lógica de procurar o máximo consenso.”

– não temos dúvidas, também, de que a dicotomia clássica Esquerda-Direita está esgotada. E esgotou-se pela simples incapacidade de quando no poder, se afirmarem as verdadeiras diferença entre ambas as tendências e pela cristalização nos “extremos ingovernáveis” das alas mais radicais desse maniqueísmo partidário. Como Joam, não acreditamos que a renovação da Democracia se possa cumprir pela ascensão ao poder de um novo partido (de Esquerda ou Direita), mas pelo desenvolvimento de mecanismos de democracia direta e participativa, capaz de devolver aos cidadãos o mundo cívico e político e a eficácia da governação. A crise da democracia na Europa é, com efeito, a crise da democracia representativa e da partidocracia que sequestrou o sistema. E a sua resolução só pode passar pela dinamização da vida cívica, pela maior participação dos cidadãos na vida política e pela reaproximação entre os eleitos e os eleitores.

(…)
Mas um partido é o instrumento certo?
Com a abstenção apenas, mesmo que seja ativa, não conseguimos (por enquanto) deslegitimar a política profissional. Deslegitimar a “política” e os “políticos” profissionais é uma estratégia essencial para a recuperação da soberania e a nossa condição de pessoas políticas. O PT assume essa estratégia de deslegitimação como uma constante, uma “guerrilha política” (não violenta, é claro) se se quer ver assim. A criação de zonas autónomas com aspiração de permanência onde as fissuras do sistema o permitam, como assembleias paroquiais ou de bairro com a máxima soberania possível, não é utópico. Existindo a vontade é algo que pode ser feito em qualquer município, desprofissionalizando e “desestatalizando” de facto estas estruturas. Acho que o desejo das pessoas que estamos no PT é que este possa ser dissolvido no prazo mais breve possível, pois não há lugar para os partidos na democracia direta e todos temos, com certeza, outras paixões na vida.”

– a forma de “partido político” é de facto aquela que – à luz do quadro legal atual – melhor permite potenciar a intervenção social e política de um grupo de cidadãos. As formas de “associação” e de “movimento informal” têm as suas virtualidades, mas dadas as suas limitações legais tornam mais difícil a sua capacidade de intervenção e de fazer realmente a diferença. A prazo, contudo, e num momento fundacional, de elaboração de pensamentos e princípios, de implantação nacional e de experimentação de mecanismos de democracia participativa interna e de construção organizacional, estas formas intermédias podem ser as mais adequadas. E essa foi – por enquanto – a opção do +D. O Partido da Terra galego está já num outro patamar e as suas experimentações com assembleias populares ou de paroquia são atentamente seguidas em Portugal.

Fonte:
http://www.partidodaterra.net/peteiras/joam-evans/

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ILP Paz-Andrade atingiu 17.000 assinaturas e esta tarde serão entregues no Parlamento da Galiza

Um passo importante para a Lusofonia na Galiza!

http://www.pglingua.org/noticias/informante/5454-ilp-paz-andrade-atingiu-17000-assinaturas-e-esta-tarde-serao-entregues-no-parlamento-da-galiza

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Portugal e a fragmentação de Espanha através da independência da Catalunha

“Os fantasmas do soberanismo e da secessão voltam a pairar sobre a Ibéria. Não, desta vez as ameaças de independência partilhadas pelas elites da Catalunha não se limitam a simples manobras táticas para obter mais recursos do Estado central. O que está em causa é o redespertar de um sentimento nacional acionado por um poderoso factor de confrontação em tempos de crise: a partilha de recursos. A Catalunha, que representa 18% do PIB espanhol, entrega mais 16 mil milhões de euros de impostos do que recebe de Madrid e se essa redistribuição faz parte das regras da progressividade fiscal e dos princípios de coesão social dos Estados descentralizados, a contabilidade da crise transforma esses princípios em reações populistas em que o “roubo” e o “saque” se fazem mais ouvir. (…) Imersa numa grave crise económica, a Ibéria volta a ser assaltada pelo vírus nacionalista. Auguram-se maus tempos para a Espanha. E maus tempos para Portugal, que dificilmente escapará aos danos de uma possível fragmentação do Estado espanhol.”

Fonte:
Editorial do jornal Público

A fragmentação de Espanha é hoje imparável. O agravamento contínuo e sem fim à vista da crise financeira de Espanha torna particularmente chocante a transferência anual de 16 mil milhões de euros para o obeso e ineficiente Estado espanhol e para a sua administração pública.

Num mundo em que o económico é o factor predominante, o impulso centrífugo da Catalunha é imparável, especialmente num contexto de agravamento iminente da carga fiscal decorrente das contrapartidas pelo “resgate” da Troika que Madrid negoceia hoje, nos bastidores. Brevemente, Espanha estará a reclamar ainda mais dinheiro à Catalunha. O tom da resposta catalã já é conhecido e a sua consequência inevitável: a declaração de independência.

Se Espanha perder a contribuição fiscal catalã, num contexto de subida das taxas de juro, de quase insolvência do Estado espanhol e dada a grande dimensão da economia espanhola, o colapso financeiro será impossível de evitar. Com o colapso, as outras regiões solventes de Espanha (Galiza, País Basco/Navarra) terão todas as vantagens em se afastarem desse gigantes com pés de barro e fragmentarem-se sob o peso de uma Madrid anafada e sobredimensionada e uma onda de secessões vai alastrar-se a toda a Espanha.

Portugal será afetado pela turbulência no seu vizinho e maior parceiro comercial, de certo. Mas esta “parceria” é hoje largamente favorável a Espanha, que exporta muito mais para Portugal do que o inverso. No colapso do Estado espanhol poderão brotar condições que estimulem o desenvolvimento de produções industriais e agrícolas de substituição, criando emprego e riqueza em Portugal. Simultaneamente, questões longamente pendentes com Espanha, como os transvases dos rios internacionais, o esbulho das suas águas, a soberania na ZEE e nas Desertas e em Olivença poderão ser finalmente resolvidas.

Numa Península Ibérica livre do poder centrípeto de Madrid, Portugal será – quase automaticamente – a maior potencia ibérica e aproximações políticas e económicas à Galiza e à Catalunha poderão ser determinantes para anular a turbulência resultante da cisão espanhola e alavancar a reconstrução do tecido económico português. Ao contrário daquilo que é articulado no texto do Público, Portugal poderá até sair ganhador (e de forma decisiva) neste processo que começara com a independência catalã e que pode terminar na libertação de toda a Espanha.

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Maria Dovigo: “Não é por acaso que o escudo da Galiza é o Graal, com toda a sua carga de busca e desejo tão bem relatada nos romances arturicos, vertidos à nossa língua no medievo. Porque a Galiza que desejamos não existiu: é uma procura sem descanso, é filha do desejo, é ao mesmo tempo utopia e ucronia”

“Não é por acaso que o escudo da Galiza é o Graal, com toda a sua carga de busca e desejo tão bem relatada nos romances arturicos, vertidos à nossa língua no medievo. Porque a Galiza que desejamos não existiu: é uma procura sem descanso, é filha do desejo, é ao mesmo tempo utopia e ucronia.”
Maria Dovigo
De Utopias e Ucronias: a Demanda da Galiza e a Profecia do Homem Livre
Nova Águia, número oito

Esta “galiza sonhada”, utópica e imaterial talvez nunca tenha existido… mas existe aquela nação não-Estado que na costa ocidental da Península Ibérica une portugueses e galegos numa comunhão linguística e cultural que nao tem par na Península e que – desde que Madrid não continue no seu criminoso genocídio cultural – ainda há de produzir uma só entidade política e nacional.

Acreditamos que a re-união entre a Galiza e Portugal será concretizada, mais cedo ou mais tarde, assim o queiram os povos de ambas as bandas do rio Minho e o espanholismo de Madrid não logre destruir a identidade nacional galega.

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Quids L1: O Reino Suevo

Reino dos Suevos (http://www.terraemania.com)

Reino dos Suevos (http://www.terraemania.com)

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Pontos:

Clóvis Alberto Figueiredo (17) [Kristang, São Tomé e Príncipe, Guerra Civil em Angola, Timor-Leste, Alcácer Quibir, Cinema da Guiné-Bissau, História da Cidade de Luanda, História da Guiné-Bissau (pré-1700), Guerra Civil na Guiné-Bissau, A Guerra de Independência do Brasil, Conhece bem a CPLP?, Poesia Angolana,Programa Espacial Brasileiro, Poesia Timorense,Entrada da Portugal na CEE/UE,O Brasil na Segunda Grande Guerra,O Reino Suevo]
Luis Brântuas (13) [Agostinho da Silva, Literatura Brasileira, Geografia de Moçambique, A Emigração em Cabo Verde, História de Macau,Força Aérea Angolana,GNR em Timor Leste,Cinema Moçambicano,Ilha do Príncipe,Flora e Fauna de Cabo Verde,Portugal e a Exploração do Espaço,Falintil,Literatura de São Tomé e Princípe]
Valdecio Fadrini (1): [Guerra do Paraguai]
Otus Scops (1): [Gilberto Freyre]

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Sobre a aproximação fronteiriça Galiza-Portugal

“A festa era sobretudo galega, com uma Cavalta de Reis a unir Valença e Tui, mas foram os bombeiros da cidade portuguesa a sorrir de forma especial ao receberem um cheque de 500 euros da autarquia da Galiza. “É uma ajuda dada habitualmente pela autarquia de Tui, pelo apoio que nós prestamos todo o ano”, explicou o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Valença. Isto porque o concelho de Tui não dispõe de corpo de bombeiros, pelo que em caso de emergencia o primeiro socorro é prestado pelos “voluntários” de Valença. “Obviamente que não chega para as despesas que temos em prestar o serviço, mas é um apoio importante”.

Diário de Noticias
6 de janeiro de 2012

Este singelo, mas ilustrativo, exemplo das boas relações entre as gentes da raia nortenha, espelha apenas as mútuas vantagens da aproximação luso-galega, as similitudes e proximidades linguísticas, culturais e civilizacionais entre Portugal e a Galiza e demonstram aquilo que uma aproximação entre os dois povos pode produzir: um maior rendimento dos equipamentos culturais e sociais existentes de ambos os lados da fronteira, até como forma de compensar o esvaziamento do interior que carateriza décadas de esvaziamento centralista de Lisboa e Madrid.

Portugueses e Galegos têm tudo a ganhar com esta aproximação. Lisboa e Madrid não perdem, nem ganham. Mas os cidadãos, ganham: em qualidade de vida e no pleno rendimento dos serviços públicos redundantes de ambos os lados da raia.

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Entrevista ao galizalivre.org: “Sendo Português existe um dever moral e histórico de solidariedade para com a Galiza”

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Afinal, vai manter-se a ligação ferroviária entre Portugal e a Galiza

Comboio da CP (http://porto24.pt)

Comboio da CP (http://porto24.pt)

“A ligação ferroviária entre Porto e Vigo vai afinal manter-se. A decisão de suprimir parte desta linha tinha sido anunciada esta semana, mas a CP salvaguardou que tal poderia não acontecer caso a congénere espanhola Renfe aceitasse pagar os custos além fronteiras. Para justificar o fim da linha, a CP alegava um prejuízo mensal de mais de 19 mil euros. (…) O acordo surgiu ontem: a espanhola Renfe pagará à portuguesa CP cerca de 450 mil euros por ano”

Jornal i
9 julho de 2011

Portugal tem todo o interesse em manter abertas vias de comunicação e de transporte com todos os locais onde, no mundo, se fala português. Por essa razão, qualquer privatização da TAP deve acautelar a manutenção das rotas com todos os países da África lusófona. Por essa razão, igualmente a Galiza – onde se fala o Galego ou Língua Portuguesa da Galiza – deve também manter a sua ligação ferroviária com o norte de Portugal.

A Língua Portuguesa tem uma caraterística notável: está espalhada por todos os continentes do globo, mas de forma descontínua, isto é, nenhuma nação lusófona faz fronteira com nenhuma outra. Com uma excepção: Galiza e Portugal. Resultaria assim altamente incompreensível se para além das ligações aéreas (que hoje têm sempre que passar por Madrid, por razões políticas) também se perdessem as ligações ferroviárias entre os dois únicos territórios lusófonos territorialmente contíguos. Felizmente, isso não aconteceu, mas não devido à CP. Mas à espanhola Renfe… Triste…

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Se o espanhol se sabe finito, o português sente-se incompleto pela ausência no seu corpo nacional da sua metade anímica galega e esse sentimento é reforçado pela aparente infinitude do Atlântico que o limita apenas pelas bandas do Ocidente

“Rui Martins, num interessante artigo intitulado “Pascoaes: Um Testemunho Vivo das Maleitas e dos Tormentos do Portugal de Ontem e de Hoje”, explica a identidade de Portugal no seio da Península Ibérica e a necessidade da Galiza para completar o seu ser nacional: “Se o espanhol se sabe finito, o português sente-se incompleto pela ausência no seu corpo nacional da sua metade anímica galega e esse sentimento é reforçado pela aparente infinitude do Atlântico que o limita apenas pelas bandas do Ocidente.”
Boletim da AGAL 2010

Ficamos gratos a estas amáveis palavras, naturalmente, já que “Rui Martins” é de facto um dos nossos alter-egos, mas não queremos também deixar de aproveitar esta oportunidade para regressar a um dos nossos temas de eleição: Portugal não pode ser Portugal se persistir numa via egoísta de virada de costas ao que se passa do outro lado da raia nortenha.

A realidade galega, o seu sentimento de afirmação nacional frente a uma “Espanha” centrípeda e aglutinadora não pode deixar de merecer a maior das simpatias e dos sentimentos de solidariedade frente a um povo submetido a um severo risco de extinção identitária e cultural. Assim como quando a repressão linguística, cultural e colonial da Indonésia atingia o seu paroxismo e o país se erguia no mundo conseguindo assim o impossível que foi o de levar dois pequenos países (Portugal e Timor) a conseguirem vencer a maior nação islâmica do globo, a Indonésia, com todos os seus numerosos e poderosos aliados, agora, Portugal, se quiser e se for necessário, pode também mobilizar-se nesse derradeiro salvamento de um povo irmão… assim queiram os galegos receber essa ajuda (como quiseram os timorenses em noventas). E essa é que é na “questão galega” a verdadeira questão: os galegos querem mesmo ser ajudados? Alguns querem ser, decerto, como o desejam alguns bons amigos que mantemos do outro lado da raia, mas… até que ponto é que são maioritários estes sentimentos de autonomia cultural e linguística? Esta é que é a verdadeira questão da sobrevivência da lusofonia na Galiza.

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José Manuel Barbosa: “Os reis asturleoneses eram coroados em Compostela, Oviedo ou Leão. Os reis falavam galego”

Santiago de Compostela (http://cache.virtualtourist.com)

Santiago de Compostela (http://cache.virtualtourist.com)

“Os reis asturleoneses eram coroados em Compostela, Oviedo ou Leão. Os reis falavam galego e mesmo os filhos dos reis eram criados por tutores da aristocracia galega que marcavam o caráter dos futuros monarcas, marcavam a política e mesmo a diplomática da época, como nos comenta André Pena (1985). (…) Afonso VI perante a morte do seu filho Sancho, herdeiro do trono, na batalha de Uclés em 1109. A língua na que chora o Rei não pode ser outra diferente da que o Monarca tinha por sua: o galego-português e não o castelhano.”
José Manuel Barbosa
Alguns aspectos da pré-história da língua

Este foi apenas uma das muitas “limpezas étnicas” da História promovidas por Castela-Madrid para aculturar toda a Península. Castela, a partir da unificação imperial promovida pelos Reis Católicos, procurou identificar Espanha com uma versão ibérica de Castela, em torno da qual distribuiu todas as nacionalidades “periféricas” encetando um processo de anexação que foi particularmente agudo na Galiza, com a proibição do uso da língua portuguesa da Galiza nos serviços religiosos, na administração pública, nos atos notariais e judiciais e, sobretudo, no Ensino. Acantonada no mundo rural, a “língua própria” conseguiu sobreviver até ao século XX mas vive hoje um período difícil, de quase extinção, sobretudo pela fraca adesão ao galego entre as camadas mais jovens e na população urbana (os “urbanitas” dos estudos demográficos).

Paradoxalmente, Castela-Madrid e os seus lacaios locais na Galiza, tiveram que reescrever o passado e forjarem fontes para diminuírem o “galego” à categoria de dialeto e promoverem a antecedência do castelhano, mas a quantidade e persistência dos seus arremedos contra a língua portuguesa da Galiza arrisca-se a ser bem sucedida a muito curto prazo e a levar o Galego ao triste estatuto de “língua morta”, quanto esta língua portuguesa tem todas as condições para se tornar “extenso e útil”. Assim queiram os galegos continuarem a manterem uma identidade nacional própria e nós – os da outra banda da raia do Minho – os quisermos ajudar.

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Concha Rousia: “Lisboa e as nossas palavras”

Lisboa e as nossas palavras
Crónica
Concha Rousia
(…)
“Fomos a Lisboa um grupo de quatro pessoas, Issac Alonso Estraviz, Ângelo Cristóvão, António Gil, e eu. Desta vez para burlar o vento levávamos as nossas palavras escritas em brochuras e pen-drive. A nossa primeira visita foi ao Movimento Internacional Lusófono na Fundação Agostinho da Silva; a conversa demorou bem duas horas boas, ninguém, nem eles nem nós, se queria despedir daquele encontro.
(…)
“Essa mesma noite regressamos à Galiza. A mim o caminho pareceu-me mais curto do que noutras passadas visitas a Lisboa; talvez porque sabemos que a cada vez vamos deixando lá mais amigos, com os que desde já, contar, não só na ACL (Academia de Ciencias de Lisboa), mas tambem no MIL”

Boletim da AGAL 2010

Tive a honra de estar presente nesta primeira reunião (várias depois se sucederiam) entre estes amigos galegos da AGAL e o MIL. Desde esse momento – antes já havia uma suspeita – que percebemos que a defesa da causa da defesa da língua galega ou língua portuguesa da Galiza se deveria eleger como uma das principais causas públicas do MIL. Como conceber um “movimento lusófono” digno desse nome que não erguesse bem alto a bandeira da defesa da continuidade da existência da Galiza enquanto nacionalidade e a causa da sobrevivência da língua portuguesa precisamente onde esta é matricial e original?

A Galiza e os galegos – como Concha Rousia, Isabel Rei, Alexandre Banhos ou Ângelo Cristóvão – poderão sempre contar com o MIL e com todos os lusófonos do mundo.

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Carlos Reis: “A Galiza e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”

Professor Carlos Reis (http://www.nominuto.com)

Professor Carlos Reis (www.nominuto.com)

“A Galiza e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Galiza tem aí um problema a resolver com o Estado espanhol e tem um problema a resolver também com o Estado Português que não quer ter problemas a resolver com o Estado Espanhol, evidentemente. Portanto há aqui uma triangulação política que é um pouco difícil.”
Professor Carlos Reis
Boletim da AGAL 2010

Não defendo pura e simplesmente a independência da Galiza e a sua saída de Espanha. Acredito profundamente que a “questão galega” é isso mesmo: uma questão galega, que cabe aos galegos resolverem. Em último grau, serão os galegos se querem continuar a sê-lo ou se, pelo contrário, preferem dissolver a sua nacionalidade, a sua língua, enfim, a sua própria essência na “Espanha”. A opção pela sobrevivência da Galiza não está disponível a nenhum lusófono, português, brasileiro ou timorense, existe apenas para os galegos e é aí que se deve desenvolver.

Dito isto, contudo, cumpre-me também exprimir a minha maior simpatia por todos aqueles que neste mundo globalizado e aglutinador procuram manter as suas identidades e línguas próprias, lutando frequentemente contra Golias capazes de agregarem em torno de si meios terríveis e de pisarem todos e quaisqueres limites morais. Esse é o caso de “Espanha”, dessa entidade aglutinadora erguida em torno de Madrid e que historicamente Castela sempre usou para afirmar o seu império a todos os cantos da Península de que Portugal não faz parte por mera casualidade histórica e pelo engenho e arte dos nossos antepassados…

Não ignoramos que hoje se vivem dias dramáticos na Galiza: o número de falantes da língua portuguesa da Galiza diminuiu de dia para dia e a situação é particularmente grave entre os jovens e as populações urbanas. No prazo de uma geração, a língua arrisca-se a não ser mais do que uma língua morta ou académica, sem uso útil ou extenso. Ainda é possível, contudo, reverter este ritmo descendente… a língua portuguesa da Galiza ainda é suficientemente entendida na Galiza para poder ser recuperada no espaço de uma geração, assim haja vontade política para o fazer. Este deve ser o papel crucial e insubstituível da comunidade lusófona: apoiar – sob todas as formas – aqueles que na Galiza querem falar português e fornecer-lhes meios materiais que possam sustentar esse renascimento da língua naquele local que foi historicamente o da sua matriz fundadora: a Galiza. Se depois, de a sua-nossa língua estar recuperada, os galegos – em sufrágio livre e universal – decidirem pela independência, pela federação com Espanha, pela aproximação com Portugal e o Brasil, essa já se será outra questão…

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Por vezes, dizem-me que “não gosto de Espanha”

Por vezes, dizem-me que “não gosto de Espanha”. Nada mais incorreto. Não aprecio esta Espanha centralista, unitária e excrescente de Castela que se transferiu para Madrid desde o Franquismo e que a erupção da monarquia parlamentar não fez mais que moderar.

Detesto a Espanha que tentou forjar uma “espanholidade” à custa de tudo e de todos, nomeadamente pela asfixia cultural e linguística dos povos que senhoriou e que busca hoje definitivamente acultural.

Admiro e anseio por uma Espanha onde se possam contar todos os povos da Ibéria, lado a lado e em situação de absoluta paridade. Por uma Espanha onde todas as derivas centralistas (de Madrid e Lisboa) sejam condicionadas às legítimas aspirações de liberdade, independência, identidade nacional e autonomia de todos os povos hispânicos.

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Isabel Rei Sanmartim: “Segundo o atual Estatuto de Autonomia da Galiza, unidade administrativa espanhola, o conhecimento do chamado “idioma galego” é objeto de direito, mas não de dever”

 

Isabel Rei Sanmartim (http://media.lavozdegalicia.es)

Isabel Rei Sanmartim (http://media.lavozdegalicia.es)

 

“Segundo o atual Estatuto de Autonomia da Comunidade Autónoma de Galicia (CAG), unidade administrativa espanhola, o conhecimento do chamado “idioma galego” é objeto de direito, mas não de dever, ao tempo que o conhecimento do castelhano é objeto de dever em todo o Estado. Isso quer dizer que os galegos, como cidadãos, temos a briga de conhecer o castelhano, mas temos a obriga de conhecer a língua própria.”
Isabel Rei Sanmartim
Sobre o conceito de prática genocida

Este desequilíbrio é uma ferramenta a que recorrem os centralistas de Madrid para prosseguirem os seus planos de “espanholização” dando assim seguimento ao plano de Francisco Franco (ironicamente, um galego…) de extinguir todas as nacionalidades e línguas nacionais de Espanha e de forjar uma identidade “espanhola” que de facto, mais não é do que uma versão extrovertida do castelhanismo, a nacionalidade imperialmente dominante em Espanha desde a conquista de Granada. E Castela-Madrid sabe que para prosseguir com o seu rolo compressor esmagador de nacionalidades pela Espanha fora tem que desbravar primeiro o terreno desmatando as milenares árvores linguísticas catalã, basca e galega (língua portuguesa da Galiza)… e é por isso que a espanholização da Península usa a imposição da sua língua “imperial” (o castelhano) pela via económica e estatal para acultural e destruir a nacionalidade galega.

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A evolução dos limites da Galiza no transcurso da História

Palestra de José Manuel Barbosa, na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 19 de março de 2010:
O nome da Galiza não se corresponde com o mesmo território segundo a etapa histórica da que estejamos a falar e é por isso pelo que os limites da mesma também não são os mesmos.
O Paradigma galeguista, como contraposição ao Paradigma castelhanista põe sobre a mesa uma narração dos factos no que a Galiza existe como ente protagonista da Idade Média e ainda de outras épocas. Nós tentaremos desvendar aquelas chaves que até agora não levam sido publicitadas porque a Galiza não tinha possibilidade de as expor como sim tem sido possível com a Catalunha e o País Basco dentro do contexto do Reino da Espanha porque nesses países sim há um poder autocentrado que não só permite, mas impulsiona o estudo da própria História como elemento fulcral na (re-)construção nacional, apesar do castelhanismo ideológico que procura deformar a realidade passada dos povos e nações da península Ibérica.

O nome da Galiza não se corresponde com o mesmo território segundo a etapa histórica da que estejamos a falar e é por isso pelo que os limites da mesma também não são os mesmos.O Paradigma galeguista, como contraposição ao Paradigma castelhanista põe sobre a mesa uma narração dos factos no que a Galiza existe como ente protagonista da Idade Média e ainda de outras épocas. Nós tentaremos desvendar aquelas chaves que até agora não levam sido publicitadas porque a Galiza não tinha possibilidade de as expor como sim tem sido possível com a Catalunha e o País Basco dentro do contexto do Reino da Espanha porque nesses países sim há um poder autocentrado que não só permite, mas impulsiona o estudo da própria História como elemento fulcral na (re-)construção nacional, apesar do castelhanismo ideológico que procura deformar a realidade passada dos povos e nações da península Ibérica.

ÁUDIO (De melhor qualidade) em:
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A “Converxencia XXI”: um partido Reintegracionista galego?

Sempre houve no espectro político galego uma lacuna de peso: Não existia um partido político de inspiração “Reintegracionista”, isto é, um partido que se possa afirmar como o herdeiro dos “lusistas” (termo hoje usado de forma injustamente depreciativa) do século passado. Não existia… até agora.

Finalmente, os cidadãos galegos que se identificam com o Reintegracionismo linguístico e cultural encontram uma voz política compatível com os seus interesses e os do movimento lusófono galego.

Na atualidade, existem duas posições diferentes sobre a natureza da língua própria da Galiza: a oficial, que entende que o galego e o português são duas línguas diferentes e que, em consequência, defende que devem possuir duas grafias completamente distintas, sendo a grafia da língua galega mais próxima da do castelhano do que da grafia da língua portuguesa. Esta é a corrente “Isolacionista”, que domina os órgãos do Estado e as Universidades. A outra corrente é conhecida por “Reintegracionista” pelos seus adeptos ou “Lusista” pelos seus adversários e defende que a Língua Galega é mais corretamente identificada pelas expressões “Galego-Português”, “Português da Galiza” (PG) ou ainda como “Portugalego”. Para os Reintegracionista, a língua própria da Galiza é uma variedade do português e consequentemente defendem que a mesma ortografia seguida em Portugal, deve ser utilizada na Galiza, como forma de purificar esta língua dos elementos exógenos castelhanos que a infectaram durante os séculos de repressão e assimilação linguística e cultura de Espanha.

Este novo partido galego de inspiração Reintegracionista é o “Converxencia XXI” (http://www.converxencia.eu) que ainda que recorra à norma oficial isolacionista “oficial” nas suas publicações e na sua presença cibernética, é adepto moderado das teses Reintegracionista sem procurar hostilizar os galegos mais moderados através de uma adopção generalizada e sistemática da grafia Reintegracionista. De orientação mais centrista que o Isolacionista Bloco Nacionalista Galego (partido próximo do Bloco de Esquerda português), a “Converxencia XXI” é um partido centrista que ao se alhear de certo radicalismo estéril existente em algumas correntes extremas do Reintegracionismo pode colher uma representação parlamentar significativa, pelo menos no plano teórico.

O alinhamento Reintegracionista da “Converxencia XXI” fica nítido no seu objetivo q)

“q) considerar a Portugal como espazo próximo de gran valor xeoestratéxico, económico, político, cultural e lingüístico para nós. Defender o Reintegracionismo lingüístico desde un punto de vista exclusivamente utilitarista e para poñer en valor esa avantaxe competitiva do noso país ata agora desaproveitada.”

Um ponto que ainda que esteja escrito com grafia Isolacionista deixa clara a orientação para buscar em Portugal um eixo cultural e político decisivo para refundar a identidade nacional galega.

Com a aparição de um partido galego mais claramente orientado para Portugal e para a sua própria identidade e não para serventias com Madrid ou com redes clientelares locais, será mais fácil congregar apoios à causa galega por parte dos demais países lusófonos, especialmente do fronteiro Portugal e do economicamente cada vez mais poderoso Brasil.

Existe um patente bloqueio entre a Galiza e os países lusófonos. O bloqueio foi criado ao longo dos séculos por políticas concertadas e bem executadas por parte de Madrid, que sempre receou que Galiza e Portugal vissem a evidência da sua proximidade cultural e linguística e buscassem juntos um destino diferente daquele almejado por Madrid. Este bloqueio explica parcialmente porque é que não encontramos entre a Galiza e os outros países lusófonos os mesmos laços que unem a Holanda e a Flandres belga ou entre a Grécia e os cipriotas. Mas não explica tudo… O sucesso das políticas de separação de Madrid tem existido porque os lusófonos, e muito especialmente os portugueses e os seus pífios governantes têm preferido sacrificar os seus irmãos galegos e até o seu próprio território nacional (Olivença) a troco da “doce” simpatia castelhana. O comércio, a tradicional vontade de “não criar problemas” e servilismos crónicos, por parte de Portugal têm feito o jogo de Madrid na perfeição. Enquanto os portugueses quiserem. E cabe ao MIL fazer com que despertem e reencontrem na Galiza que Madrid nos tem tentado (inutilmente?) fazer esquecer.

Fonte:
A partir de uma conversa com José Manuel Barbosa Alvares
(que esteve em Lisboa, a 5 de dezembro para o http://movimentolusofono.wordpress.com/2009/11/03/debate-publico-o-futuro-da-galiza-no-espaco-lusofono-5-de-dezembro-1500/)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Reintegracionismo

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Comunicado MIL sobre as Emissões de Rádio e Televisão Portuguesas na Galiza

Considerando que cabe aos galegos determinar o futuro da Galiza, conforme foi expressamente ressalvado no último debate público que promovemos, e não pretendendo suscitar um diferendo diplomático entre o Estado Português e o Estado Espanhol a este respeito, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela a que as emissões de rádio e televisão portuguesas (sobretudo aquelas que privilegiem programas de cariz cultural) sejam recebidas na Galiza, conforme é desejo expresso de múltiplas organizações galegas.

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.movimentolusofono.org/

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Réplica a Casimiro Ceivães e Klattu a artigo “A Questão da Galiza: História da Galiza (5ª parte)”

Depois da publicação do meu artigo “A Questão da Galiza: História da Galiza (5ª parte)” o Klatuu e o Casimiro deixaram na caixa de comentários uma série de observações muito interessantes e merecedoras de réplica. Não querendo deixar de lhes responder, e dando a estas respostas o devido destaque, eis que decidi escrever este artigo contendo as minhas respostas…

Casimiro Ceivães:

“Se se tomar como pressuposto que o reino Suevo não se deve confundir com o Império dos Visigodos, e que a Galiza cristã é basicamente a sua continuação, então não faz sentido falar (pelo menos aqui, na faixa ocidental da Península) de “reconquista”: passado o Mondego, os Suevo-Galego-Portugueses estavam em zona onde nunca tinham posto o pé…”

> Efetivamente, é nessa matriz sueva que radica o primeiro Portugal. Mas não cremos que o reino suevo seja o protótipo de Portugal, pelo contrário, ele implantou-se numa região onde encontrou homogeneidade cultural e civilizacional, buscando assim assentamento em estruturas que lhe eram muito anterior, romanas e castrejas. Os Suevos não eram em número suficiente para formarem uma comunidade demograficamente significativa (seriam talvez menos de 20 mil pessoas), e utilizaram habitantes locais galaicoromanos em todos os escalões da sua administração.

“Isso mesmo resulta do documento de 938 (duzentos anos antes de D. Afonso Henriques!) que referes: “em Galiza, na extrema (quer dizer, na fronteira) do Minho (Rio) e na extrema do Douro”.”

> Na direta transposição da “Gallaecia” romana, uma província fundada já em torno das três tribos dos ártabros, dos gróvios e dos astures, todas de etimologia celta e buscando assim os seus traços comuns que justificavam a sua reunião numa única entidade administrativa.

“Essa ‘extrema do Douro’ é que deu a nossa Extremadura (há-as em Portugal e em Espanha), mas refere-se à região que hoje designamos por ‘Beira’, palavra que no falar da gente do Norte quer dizer algo semelhante ao ‘fim’ que vemos em ‘finisterra’: – “parei o carro à beira da estrada porque senti que estava à beira de adormecer”. A ‘Extremadura’ foi descendo à medida que avançava a ocupação militar, detendo-se só (o nome) quando o grande rio Tejo justificou uma nova referência: terras de cima (Riba) e de além Tejo. “

> Bem recordado: Extrema-Douro -> Extremadura. Esse termo no tempo da Fundação designava efetivamente todas as regiões fronteiras a sul do rio Douro e controladas pelos muçulmanos. Depois, foi descendo empurrada pelo avanço para sul da Reconquista.

“Por essas e por outras é que o conde dom Henrique, o pai do nosso primeiro Rei, se declarava em documentos ‘dominante em Portugal e em Coimbra’.”

> E também porque Coimbra foi até Dom Afonso III, era a capital do país e sede de um dos dois condados cristãos, além do de Portucale, no território que se situava a norte do Tejo, antes da aparição de Portugal, enquanto entidade política independente na história peninsular.

Klatuu:

“1. A origem céltica dos Calaicos é pura mitologia nacionalista. Os Calaicos são a «civilização dos castros», claramente ibérica e correspondendo à primeira vaga de invasores da península, mas «alimentando-se» de algo muito mais antigo: a população neolítica autóctone.”

> Será mitologia, mas é informação largamente propagada… E estando o tema imerso nas mais fundas brumas da História, receio bem que nunca venhamos a ter uma informação verdadeira cabal e indiscutível sobre o tema… Em latim, os Calaicos eram conhecidos por “C/Gallaeci”, um termo que é uma óbvia herança do grego Kallaikoi. Sabe-se que – como os lusitanos – não derivavam de um único tronco étnico (já na épica a miscigenação era o traço dominante dos povos hispânicos…), tendo no seu seio diversas heranças étnicas e linguísticas. Com efeito, entre os Calaicos havia povos célticos (não confundir com “celtas”) e povos pré-indoeuropeus, provenientes do mesmo substrato linguístico de onde vieram também os Cónios (fundadores de Conium-briga) e autores da única escrita pré-romana de Portugal (ainda indecifrada). Recordemo-nos também que os Oestrimínios que mantinham relações comerciais por mar, entre a Galiza e a Bretanha e as Ilhas Britânicas desde épocas remotas, provavelmente até desde o Calcolítico, serviram para alguns de matriz original para esse impulso para o Oceano, o Descobrimento e para a Aventura que daria o impulso bastante para levar os portugueses a buscarem dar ao mundo novos mundos… Estes Oestrimínios seriam assim os antepassados remotos dos Galaicos.

“A propósito dos keltoi: ultimamente tenho contactado com uns Galegos «doidos», que acham que na Escócia e Irlanda há um fundo de sangue galego, quando é bem o contrário: os Iberos foram o primeiro povo a colonizar as Ilhas Britânicas, e não eram Celtas.”

– uma tese muito polémica… Não questiono que tenham existido desde épocas muito remotas ligações marítimas mais ou menos regulares entre a Escócia e a Irlanda e noroeste peninsular. A arqueologia e as crónicas gregas indicam isso mesmo. Tal não significa colonização ou migração massiva de um lado para o outro, ou vice-versa. A tese da colonização a partir da Ibéria é interessante e sempre me fascinou, especialmente pela sua ligação ao Megalitismo, fenómeno (quiçá) anterior à aparição dos celtas ou indo-europeus na Europa. Pessoalmente, acho difícil tal movimentação migratória porque se assumirmos que os indo-europeus vieram de facto da Ucrânia (como se crê hoje) a rota mais óbvia é que tenham chegado às Ilhas Britânicas e à Península ao mesmo tempo e não da segunda para a primeira, pela simples constatação da distancia marítima a percorrer (em perigosas águas do Atlântico) entre o noroeste peninsular e a Irlanda e Escócia ou no pacífico e estreito Canal da Mancha.

“Os antigos Calaicos da civilização castrense não são, de origem, célticos, mas sim correspondem a uma bolsa dos primeiros Iberos que se conservou nas montanhas. Os Celtas andaram por toda a Península Ibérica, porém a grande zona da sua fixação é no centro sul e sul.”

– correto. Essa é também a minha opinião. Seriam populações pré-indoeuropeias, aculturadas por estas a um ponto tal que perderam a língua, mas não a herança genética. Um caso idêntico ao dos lusitanos, em suma, outro provo de matriz étnica pré-celta, mas de língua celtizada (como se constata nas raras inscrições lusitanas). Os celtas do sul não eram aqui maioritários. Tanto assim que as fontes coevas (como Rufus Festus Avienus) não os designam de celtii, mas de celtici, isto é, não como “celtas” mas sim como “céltizados”. Esta é designação dos povos que faziam fronteira a leste com os cónios do Algarve e do sul do Alentejo.

“A origem da palavra Galiza (Calécia, Gallaecia), tem a ver precisamente com o radical Cale. Concretamente, com o localizado numa das áreas onde hoje se encontra a cidade do Porto. Mas, antes de abordarmos essa questão, seria bom aproximarmo-nos a algumas das analises que sobre a etimologia e origem linguística Cale se têm realizado.
Hoje sabemos, que a forma Cale, esteve e está, muito presente ao longo de toda a geografia europeia. Especialmente nas áreas geográficas onde perviviu ou pervive um substrato linguístico celta [1] (ainda que se tem registrado também em outras línguas indo-europeias como o eslavo ou o albanês). Daí, por exemplo, que na Europa Atlântica (e não só) tenhamos encontrado denominações como Galia, Calais, Gales, Galatia, Gaia, Galiza ou PortuGal. Palavras, sob as quais, uma simples olhada, dá para ver que é o que têm em comum em relação à raiz Cale/Gal.”

– a derivação de G para C é comum em muitas línguas e sistemas fonéticos. Assim, a ligação céltica do termo é aceitável. Existem aliás referencias latinas a toda a Península Ibérica como sendo a “Gália Inferior”, em que a atual França era a “Gália Superior”.

“O portus cale dificilmente remontará para língua céltica (tudo fantasia), mas sim para o próprio Latim e o Grego; é o Porto Belo: o rio Douro.”

– discordo. A palavra “portus” é efetivamente latina (valendo por “porto” ou “embarcadouro”), mas a palavra surge aqui neste topónimo como prefixo a uma outra palavra de origem indígena (celta), que é precisamente Cale. Não me vou aqui alongar, mas sigo aqueles que referem que “Cal-” era o antepassado mítico (semi-deus) que os celtas acreditavam ter em comum.

“Estudos britânicos recentes comprovam um comum genético entre parte dos Britânicos e os Galegos; que o nacionalismo logo interpretou adentro do pendor maníaco celtista… O que, de facto, se passa (qualquer historiador o sabe) é que foram os Iberos os primeiros invasores das ilhas britânicas (antes dos Celtas), constituindo este «sangue ibérico» o fundo de muita população britânica, e que, por exemplo, aproxima Irlandeses a Portugueses e Galegos.”

– essa leitura não é assim tão consensual… Defendo que houve vagas migratórias de uma banda para outra, mas não nessa direção. Os laços genéticos foram evidenciados pelo trabalho pioneiro da equipa de Cavalli-Sforza, mas não podem exprimir qual é o ramo anterior, com esse tipo de clareza. Não excluo, mas também não incluo, mantendo aqui a minha liberdade de opção e abertura de espírito (comprometendo-me a este propósito de investigar mais sobre o tema).

Klatuu:

“P. S. Quanto à «Portugaliza», nunca passaria de uma «Galenhota»: conluio de Galegos e Minhotos. Além da Língua, de comum origem, a Galiza nada tem que ver com Portugal na sua inteireza; apenas com uma exígua parte do norte de Portugal. Mais próxima, em termos estritamente étnicos, está a Extremadura espanhola, a restante nação lusitana, com capital em Mérida.”

– a Portugaliza teria a mesma viabilidade que tem a Espanha atual, ou ainda mais, já que teria o mesmo tico cultural e linguístico e até o temperamento comum. É impossível visitar a Galiza ou falar com galegos e não sentir uma especial comunhão e proximidade. Resulta particularmente comovente a leitura de textos reintegracionistas, com a grafia portuguesa, que deixam claro até que ponto é Portugal e Galiza são dois aspectos de uma mesma nação, separada por dois Estados. Mas atenção, não quer isto dizer que defenda a secessão da Galiza da Espanha ou uma anexação da comunidade autónoma pelas (inexistentes) divisões portuguesas. Defendo sim, que devem ser concedidas à Galiza todas as possibilidades para que se defenda e promova a língua própria da Galiza em detrimento da sua Substituição (aculturação) pelo castelhano, defendendo assim a identidade nacional galega. Se depois de feita e consolidada esta defesa, os galegos (excluindo colonos) optaram pela secessão, união com Portugal ou com o norte de Portugal, isso é algo que compete unicamente aos galegos, não a mim (nós) que somos cidadãos da República portuguesa. Decidam como decidirem, poderão contar com a minha solidariedade.

Casimiro Ceivães:
“2. O ‘Celta’, na imaginação dos britânico-irlandeses (deste lado e do outro do mar…) é afinal ‘o Outro’ (pode ser também o Índio, a Bruxa, o Vampiro, o Pirata). Se tivéssemos vivido a Revolução Puritana ou o Napoleão, os primeiros niveladores da Europa, e se não tivéssemos no sangue e na alma a estranha herança judaica, saberíamos bem essa alternativa ao sebastianismo que é feito só de urze e carvalhos…”

– É verdade. O “celta” era exatamente isso para os gregos “keltikoi”, eram os povos ainda “soltos” ou “não escravizados”. Era assim uma designação muito lata e generalista que colocava no mesmo saco povos muito diversos… Por exemplo, até que ponto é que os gálatas (partícula gal-) eram o mesmo povo que os gallaeci? Muito pouco, certamente…

“4. O primeiro grande arqueólogo do Norte de Portugal, Martins Sarmento, explorou toda a vida as ‘citânias’ (Castros) do Minho, e principalmente a famosa de Briteiros (perto de Guimarães) que lhe ficava no fundo do quintal. Concluiu pelo seu não-celtismo (claro!) e levou com os historiadores de Lisboa em cima 🙂 Na altura (1860, mais ou menos) a moda era ‘celta’ – os ‘germano-arianos’ ainda não estavam na mó de cima…”

– uma ligação que aliás tem sido usada e abusada pelos extremistas com grande sofreguidão… Nessa época as viriae (viri-ato) eram aliás usadas como prova de que os lusitanos (tidos então como os antepassados dos portugueses) eram celtas, quando de facto eram apenas aculturados e de fala indoeuropeia, mas não indoeuropeus do ponto de vista étnico e cultural.

“5. Chame-se-lhe o que quiser, Celtas, Lígures (como queria o Martins Sarmento) ou outra coisa qualquer: é fácil, são os povos que desconhecem o Toiro e conhecem a Gaita-de-Foles :)”

– sendo os Lígures ainda mais elusivos que os celtas? Quem eram? Que língua falavam? Ninguém sabe, mas o seu deus Lug pode estar presente em vários topónimos portugueses…

“6. Agora, a História. Em meu entender, Suevos e Visigodos são tão irrelevantes uns como outros. Em qualquer caso, do Lima (que passa uns 30 km abaixo do Minho, perto da Foz) para Norte, as povoações deixam de ter maioritariamente nomes germânicos. Desaparecem os Gondomar (‘vila de Gundemir’), os Resende (‘vila de Rodesind’), os Nevogilde (‘vila de Leovigild’) e aparecem outras sonoridades. Só Deus sabe que língua gerou o nome Curcubión (perto da Corunha) ou o Afife (perto de Viana do Castelo). Mas não é árabe (claro!) nem latim, nem germânico…”

– ora bem! De facto, a escassez demográfica dos invasores suevos não lhes permitiram deixar nem um domínio duradouro, nem uma herança significativa, muito além dos testemunhos toponímicos que bem apontas.

“7. A embrulhada em que se meteram os historiadores nacionalistas castelhanos e galegos é infinda, no que diz respeito aos primeiros séculos chamados ‘da Reconquista’. Como se não bastasse já a aflitiva falta de documentos. Entre o Pelayo visigodo (!!) e o Reino de Leão ‘que só existiu no papel’ (!!!) é difícil ver claro.”

– não faltando quem acredite na Galiza de que esse “reino de Leão” nunca existiu, havendo apenas um “reino da magna Galiza” que Castela quis transformar em “Leão” para melhor assimilar esses território… Um testemunho desta manobra seria ainda hoje localizável no uso da língua portuguesa da Galiza (“língua galega”) na chamada “Galiza exterior”, na atual comunidade autónoma de Asturias.

8. Em qualquer caso, o momento fundacional de Portugal-Estado (como o vemos agora) não é a batalha de Ourique contra os ‘mouros’ nem a batalha de São Mamede contra a Rainha D. Teresa e os ‘galegos’ – é o momento em que Afonso Henriques desloca o centro de poder, temporal e espiritual, de Guimarães para Coimbra (para Santa Cruz de Coimbra), a cidade moçárabe. Os nobres do Minho e do Douro, os chefes de família pelo menos, não o acompanharam. Ficaram nos seus castelos e paços do Minho (de uma e de outra margem do Minho). Acompanharam-no aventureiros, muitos deles estrangeiros, juristas, filhos segundos com pouca herança. Afonso Henriques fez o que mais tarde faria D. João I em idênticas circunstâncias – uma nobreza nova. E Portugal ‘sem fim’ – desligado da região que lhe dera o nome – nasceu. Depois, tratou-se de conquistar esta simpática cidade onde agora vivo – Lisboa do Mar. Nós, os Minho-Galegos, ficámos onde sempre estivemos. Houve coisas boas – a Inquisição e os Autos de Fé são-nos desconhecidos, e o porco assado tem um sabor especial.”

– o Portugal que conhecemos hoje em dia resulta do resultado de uma opção entre a reunião com a Galiza (e o afrontamento perigoso e eterno com Castela) versus o avanço contra o muçulmano do sul: dividido, enfraquecido e para cuja guerra se poderia sempre convocar o apoio do Papa (impostos e isenções) e da restante cristandade (como os cruzados que ajudaram a libertar Lisboa). Além do mais, não nos esqueçamos do papel vital cumprido na expansão do pequeno reino português das ordens militares: como recorrer a elas se o inimigo fosse também cristão? A escolha era clara e essa razão meramente tática ditou o abandono da irmã Galiza a favor da Real Politik e a divida moral que hoje cabe a cada português tudo fazer para saldar.

Klatuu:
“… Nada por acaso Dom Afonso Henriques toma Tui, e depois inflecte para Badajoz, revelando a sua estratégia, conquistando várias outras praças fortes da Extremadura espanhola. Chefe a chefe, aceitação de Afonso na Extremadura espanhola foi vasta…”

– corretíssimo! Mas teve que recuar, pressionado de novo pela necessidade de manter paz e fronteiras seguras a leste de forma a poder concentrar recursos (escassos) na campanha para sul, contra as taifas.

“Este detalhe é mais do que intrigante para qualquer historiador que não esteja amarrado de grilhetas académicas. As nações têm uma alma mais antiga que os homens…”

– havendo (ou não…) uma estranha corrente de opinião na Extremadura, os Lusitanistas, que defende a saída da comunidade autónoma de Espanha e a formação de uma federação com Portugal, partindo precisamente dessa ligação histórica pré-romana entre a Extremadura e a parte portuguesa da Lusitânia (toda menos a parte a norte do Douro).

Klatuu:
“Foram os Cónios que comerciaram as antepassadas das falcatas lusitanas. Como sabemos, os Cónios foram semitas, e, quiçá (a religião e a língua apontam nesse sentido), uma das «tribos perdidas» de Israel…”

– discordo. Escrevi muito e li ainda mais sobre os cónios, buscando a tradução da sua ainda ignota escrita e língua. E ainda que esse seja a tese de pessoas como Moisés do Espírito Santo, posso assegurar-te que não, que não eram semitas. Não me vou aqui alongar (remeto aqui para os meus numerosos artigos sobre a “A Escrita Cónia” no Movv.org), mas queria só dizer que a sua escrita usa carateres fenícios (semitas) importados no decurso de contactos comerciais com estes e com a sua colónia de Gades e aliada de Tartessos, mas existem novos carateres aqui inventados que só faria sentido aparecerem se existissem fonemas não representados na escrita fenícia na língua dos cónios (conii, conium, konii, kon, cinéticos, etc). E se os há, é porque a língua testemunhada nestas estelas funerárias (e rara cerâmica, mais o único Alfabeto de Espanca) não era semita! A minha tese favorita (mas não definitiva) é que a sua língua era pré-celta e não-semita. Mais especificamente: do substrato mediterrânico ou… Cabila (tamazight).

“Faz mas é um post. A questão não é a «união», seja com que outra nação lusófona for – a própria existência da CPLP supõe uma união evolutiva -, a questão é a forma, os prazos, as prioridades.
Comecemos pelo chão – nem isso ainda temos -, depois virão as paredes (e não te iludas: estaremos todos a fazer estrume quando as paredes forem erguidas), só depois o tecto.
A nós coube-nos em destino fazer o chão… olha para o chão.”

– ei-lo! E sim, a grande e vera questão aqui é o aprofundamento da CPLP e saber até que ponto é que este envolve o futuro de Portugal. E quanto ao chão, é fundamental conhecê-lo de forma a partir de alicerces sólidos, e estes, nas palavras de Agostinho e Pascoaes, estão a norte e ainda mais para cima, na Galiza, nessa “metade feminina de Portugal”, sem a qual Portugal será sempre incompleto!

“Abraço MIL!”
– Dito! Abraço MIL!

Fontes:
http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/biblioteca/formportugal.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Suevos
https://www.galizalivre.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1669
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gal%C3%A9cia
http://www.portugaliza.net/numero0/boletim00nova05.htm

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Galiza: Resposta a Casimiro Ceivães

“1. Deixemos de parte a identificação dos povos: não interessa agora se eram celtas, ou Calaicos, ou ligues, ou iguais a povos velhos da Irlanda. Antes de os romanos chegarem, havia de um lado e de outro do Minho – do rio Minho que hoje separa Portugal de Espanha – povos da mesma cultura, provavelmente da mesma origem. Nesses tempos não se faziam mapas nem fronteiras traçadas a lápis: o rio Minho é fácil de atravessar de barco, não é largo nem corta desfiladeiros de pedra como o Douro. A paisagem começa lentamente a mudar, descendo para o Sul, por alturas do rio Lima – talvez por isso, foi a esse e não ao Minho que a tradição diz que as legiões chamaram fronteira: Lethes, rio do esquecimento.”

– sem dúvida. Antes da chegada dos romanos, havia uma absoluta continuidade entre as duas margens do Minho. Sinal disso mesmo é a formação da província romana da Gallaecia, agrupando a Galiza atual (mais a “Galiza Exterior”, anexada às Asturias desde o século XVIII) e os territórios a norte do Douro. Roma agrupava sempre sob uma província territórios com suficiente coerência e homogeneidade cultura e linguista, não traçava fronteiras a esquadro (como os colonialistas europeus em África no século XIX) e se formou a Gallaecia foi porque apesar da sua diversidade, era homogénea o bastante para tal aos olhos dos invasores de Roma.

“2. Romanos chegaram, romanos partiram: no seu lugar povos bárbaros chegaram, Visigodos com a capital em terras hoje de França (Toledo foi só mais tarde), suevos a ocupar não se sabe bem que parte do Noroeste. Talvez a capital fosse Braga. Não sabemos grande coisa sobre os suevos: as crónicas que nos chegaram são visigodas só. Mais importante do que tudo o resto foi talvez a diferença religiosa. Um dia os suevos foram conquistados, o seu reino fez-se memória vaga, e nessa altura faltavam pouco mais de cem anos para que o Império de Toledo, onde se sentavam os herdeiros dos saqueadores de Roma-a-eterna, se desmoronasse por sua vez. Mas notem uma coisa importante: os Visigodos estavam em contacto permanente com os reis merovíngeos dos francos, os reis lombardos de Itália, o império Romano que subsistia em Constantinopla e dominava o Mediterrâneo e mesmo a costa Sul da Península. O Noroeste continuava a ser o que sempre foi: uma terra aonde os príncipes não sabiam ir.”

– brilhante exposição, Casimiro. Ao nível dos teus melhores textos ou mesmo superior ao teu melhor. Acrescento apenas que Bizâncio chegou mesmo a ocupar o atual Algarve e que essa posição periférica da Galiza a poupou à passagem avassaladora de muitas tribos bárbaras (como os Vândalos…). A periferia atraiu um dos povos germânicos menos agressivos e violentos: os suevos que por cá se estabeleceram em relativa boa relação com os povos latinizados da região.

3. Os exércitos muçulmanos – que eram isso mesmo, ao contrário dos Visigodos: um exército e não um povo em marcha – não passaram duravelmente além do Douro. Devem ter ocupado as cidades, e talvez as tenham arrasado; devem ter posto em fuga os chefes tradicionais ou forçado uma vassalagem insegura. Mas não arabizaram, como agora se diz, coisa nenhuma. Não me venham falar depressa demais da influência arábica na língua portuguesa, vou dar só um exemplo: Lisboa está, ainda, atulhada de azinhagas, ao menos na toponímia; uma azinhaga é um caminho estreito ladeado por sebes e arbustos e pequenos muros; e palavra mais portuguesa não há. Mas eu tenho uma bisavó que nasceu em Braga, na quingosta da Bruxas que já nem sequer existe, e quingosta é como nós chamávamos ao que no sul se diz azinhaga (chamávamos, porque depois vieram uns senhores de que já falei há uns dias, que sabem falar e escrever correctamente, e que decretaram a forma congosta). Há excepções, claro: a palavra aldeia vem do árabe, e estende-se até à Galiza. Mas o que importa é que a norte do Douro não houve sequer, propriamente, uma Reconquista: os exércitos norteafricanos e árabes aguentaram-se pouco mais de um século, perderam umas batalhas importantes na região mais central de Leão e Castela, e abandonaram o Noroeste. Em 711 desembarcaram em Gibraltar: em 874, a região do Porto foi pacificamente reocupada pelos condes cristãos, certamente pelos bisnetos dos seus antigos senhores. Comparem isto com os quinhentos anos de domínio do Algarve, os que oitocentos anos de domínio de Granada e Córdoba. Para comparar com o Porto, Coimbra passou definitivamente ao domínio cristão apenas em 1064, e quando D. Afonso Henriques nasceu, cinquenta anos depois, ainda era terra moçárabe. E obviamente não fazia parte de Portugal.”

– é verdade. O domínio islâmico em Portugal ainda hoje me espanta pela pouca presença que tem hoje na nossa língua e cultura. Uma ocupação contínua de quase 400 anos em mais de metade do território nacional, e recuando a “apenas” (historicamente falando) oitocentos anos atrás (o que nas “estruturas lentas” da História não é assim tanto) devíamos ter hoje bem mais sinais do Islão entre nós, além destas raras palavras que citas e de alguns escassos vestígios arqueológicos… A razão para estas raridades talvez se encontre no facto de que a maioria da população das cidades muçulmanas era… Moçarabe, isto é, cristã e pré-islâmica, ou seja, “pagani” cristianizados e usando o latim ou o dito “moçárabe”. Por isso é que um dos feitos dos cruzados ao ocuparem Lisboa foi botarem janela abaixo não o mufti local, mas o bispo e, por isso, e que nas cidades libertadas do Sul, os cristãos se espantavam ao encontrar vinhas nos campos… Havia nestas cidades muçulmanas, muitos mouros (norte-africanos), ligados à administração e ao comércio, e os militares eram compostos em grande medida por migrantes sírios e árabes, mas o grosso da população era pré-islâmica e de confissão cristã ou judaica. E isto explica bem a escassez de vestígios que bem observas.

“4. Não tenho tempo aqui para me deter na fascinante questão da origem de Portugal (para outra vez será). Notem só que o chamado condado portucalense era uma zona pequena, que provavelmente não ultrapassava o rio Lima para Norte, e a sul ficava pela ribeira de Antuã (agora conhecida por haver uma estação de serviço na auto-estrada: tristes tempos), uns vinte quilómetros a sul do Douro. Não abrangia o douro vinhateiro nem Trás-os-Montes nem Viseu nem a actual região de Aveiro. Era uma unidade dentro de uma unidade maior dentro de uma unidade maior, porque assim era a Idade Média: assim saibamos um dia reconstruir a Europa: às vezes dependia do rei da Galiza, outras vezes do rei de Leão, mas isso eram questões de fidelidade pessoal, a vassalagem, e questão de saber se na zona do Norte cristão havia um rei, ou dois, ou três: não afectava em nada o viver dos povos, que era igual e, digamos assim, livre.”

– a origem de Portugal é efetivamente uma questão fascinante (pelos seus aspectos singulares e pela perenidade de uma das mais antigas e constantes nações da Europa), e concordo contigo no ponto em que (infiro) afirmas que as ligações genéticas entre o Condado Portucalenses são… Muito exageradas (como diria Mark Twain!). Se devemos buscar uma origem, então esta reside de facto na Galiza, ou melhor na Gallaecia romana, que depois pela via da cisão de um barão ambicioso (Afonso Henriques) se estenderia para sul, ocupando o vazio deixado pelo caos e divisão (crónica…) dos muçulmanos e quebrando a ligação umbilical com a Galiza, não porque houvesse uma descontinuidade, mas porque tal era necessário para afirmar a sua diferença perante a Galiza.

“5. Ainda antes da independência de Portugal, ou melhor, da proclamação de Afonso Henriques como rei, o seu pai foi feito pelo rei de Leão e de Castela dominante no antigo condado de Coimbra, que nada tinha que ver com Portugal dos portucalenses; Afonso Henriques, por várias razões, fez de Coimbra o novo centro de poder (até aí, Guimarães e principalmente Viseu). E deu-se então o primeiro milagre de Portugal: o condado de Coimbra não ficou subordinado a Portugal, mas tornou-se parte integrante dele. Desapareceu o Portugal galego e nasceu o Portugal universal. Devagarinho, como são sempre os primeiros passos: mas depois o mesmo sucedeu a Santarém e Lisboa, e depois ao resto do que agora para nós é um só país.”

É impossível não estar de acordo. Sem Coimbra, não haveria o Portugal de hoje, já que esse condado se viria a assumir como centro geográfico e estratégico de um território que abandona (quase) definitivamente as suas aspirações de reunião ao norte, à matricial Galiza, e optava decididamente por ver estender para sul, para a raia muçulmana, um novo país, abandonando o “velho” e o cadilho fundacional.

“6. O Minho, tão igual à Galiza em tanta coisa, ficou um pouco para trás: os seus nobres acompanharam a corte, e seguiram para Coimbra e depois para Lisboa, ou ficaram, e lentamente empobreceram. Ficou uma terra de pequena propriedade, sem grandes senhores feudais, unida pelos costumes, por um certo cristianismo pagão e pelo poder eclesiástico dos arcebispos de Braga; o Camilo Castelo Branco ainda conheceu esse Minho, ainda o descreve nos seus romances. Ao contrário da zona alentejana da fronteira, despovoada e eriçada de castelos, o Minho viveu os tempos de paz atravessando o rio: nada mais simples do que os sessenta anos de domínio espanhol, de 1580 a 1640: a reacção de minhotos e galegos foi… casar. Em Viana, em Valença, em Monção, todas as famílias que tivessem algum poder social cruzaram sangues e terras (isso não impediu Monção de sofrer um cerco heróico em 1649, e de fazer a bandeira portuguesa resistir até ao fim; foi obrigado a render-se, e só voltou a Portugal com a paz de 1668).”

– sem dúvida que há muito mais unindo o Minho à Galiza do que ao “Portugal do Sul”. O temperamento, o clima e até os preciosismos linguísticos. Essa aliás é a tese daqueles que advogam a formação de uma federação-união entre o Norte de Portugal e a Galiza. É certo que poderia ter bases para avançar, especialmente tendo em conta o clássico descontentamento do Norte (justo) para com Lisboa. Mas a divisão é a solução para os problemas de Portugal? Tal união serviria que interesses? Seria uma tal entidade política economicamente viável, e sobretudo, teria a identidade nacional suficiente distinta dos seus vizinhos para poder sobreviver?

Resposta a:

http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/minho-portugal-e-galiza.html

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Debate sobre o “Futuro da Galiza no Espaço Lusófono” noticiado no PGL

O debate terá lugar no Sábado 5 de Dezembro às 15h00 na Sociedade de Língua Portuguesa de Lisboa

O debate terá lugar no Sábado 5 de Dezembro às 15h00 na Sociedade de Língua Portuguesa de Lisboa

PGL – O Movimento Internacional Lusófono marcou para o dia 5 de Dezembro, em Lisboa, um debate aberto no que se tratará do futuro da Galiza no espaço lusófono. O acto, que tenciona fazer visível a situaçom da Galiza para o resto da Lusofonia, contará com nutrida presença galega entre as pessoas convidadas.

No mês de Outubro o coordenador executivo do MIL deu umha palestra de apresentaçom da revista Nova Águia em Ourense, e em encontro posterior concretizou-se a data para a realizaçom do acto de Lisboa do dia 5 de Dezembro. Este acto, está pensado para ajudar a melhorar o conhecimento da Galiza e a sua situaçom como espaço lusófono.

As principais questons a tratar som determinar qual é a verdadeira situaçom do português da Galiza na Galiza e como a Lusofonia pode agir de jeito vantajoso para os galegos e galegas na conservaçom e impulsionamento da sua a língua e culturas. O debate terá lugar no sábado dia 5 de Dezembro às 15h00 na Sociedade de Língua Portuguesa de Lisboa, na Rua Mouzinho da Silveira 23 (junto ao Marquês de Pombal).

As intervençons dos membros do Conselho Consultivo vam ser por esta ordem:

Alexandre Banhos, ex-presidente da AGAL, falará sobre A situaçom do português da Galiza e o processo que a Galiza vive de substituiçom linguística e cultural. O problema do galego, como um jeito de ser espanhol e o seu absoluto balizamento no âmbito espanhol. A acçom lusófona na Galiza, como a necessidade de “desgaleguizar” à Galiza, é dizer desidentificar esse nome com Espanha, e deixar de contrapor a Galiza espanhola a Portugal, esquecendo qualquer ideia na relaçom mútua de hierarquia ou dependência -histórica ou sentimental-.

Banhos aponta que «o balizamento da Galiza no quadro lusófono é fulcral entender que a Galiza espanhola muito pouco tem a ver com a Galiza medieval e que desta o seu cerne está em Portugal. Os galegos e galegas só somos e seremos no mundo na nossa língua o português da Galiza, qualquer outra ideia é um miragem».

Por outra parte, os académicos Barbosa e Novelhe, preparárom duas intervençons conectadas entre si.

José Manuel Barbosa falará sobre O novo paradigma histórico da Galiza, em contraposiçom com o paradigma oficial, centralista, que foca a realidade desde o centro peninsular, apagando a Galiza da história.

Artur Alonso Novelhe falará sobre Os novos poderes hegemónicos no mundo, e como a Lusofonia e a Galiza, se deverám adaptar e criar estratégias de futuro, tendo em conta o evoluir dos novos acontecimentos.

Após as intervençons dos galegos haverá tempo para um interessante debate onde os membros do MIL esclarecerám ideias e preconceitos sobre à Galiza espanhola.

Ainda, da executiva do MIL anunciárom a possibilidade de se incorporarem outras pessoas da Galiza ao acto sempre que os membros do Conselho Consultivo da Galiza acharem que a sua intervençom, polo seu especial conhecimento, poda ajudar a cumprir o objectivo que foi marcado para o acto.

Cartaz do evento

O MIL

O Movimento Internacional Lusófono é um movimento da sociedade civil lusófona que se estende por todos os países lusófonos, e os lugares do mundo onde há um importante grupo de pessoas de língua e culturas portuguesas com qualquer das suas variedades e sotaques. O MIL tem o seu centro em Lisboa. Foi a sua criaçom um grande esforço impulsionado pola Associação Agostinho da Silva, e é o primeiro movimento lusófono que inclui à Galiza como um outro território da Lusofonia. Edita a revista Nova Águia, à venda já nalgumhas das mais prestigiosas livrarias da Galiza.

Fôrom já muitos os galegos e galegas de todo tipo de ideologias, que se aderírom ao movimento, aguardando a organizaçom que este numero venha a acrescentar-se significativamente no futuro.

Dirigido por umha Executiva que coordena o professor Renato Epifânio, dentro da Executiva há umhas parcerias especializadas dos membros em distintas tarefas e na coordenaçom dos distintos territórios e espaços lusófonos, correspondendo a Galiza ao professor Rui Martins. Aliás, o MIL dispom dum conselho consultivo na que estám pessoas de todos os países e espaços lusófonos. Rui Martins estivo na Galiza no passado verám olhando a situaçom do país e contactando com distintas pessoas das aderidas ao manifesto ou das que achava de interesse para achegar informaçom, também se dérom outros contactos realizados em Lisboa.

Resultado desse contactos a Comissom Executiva pediu a distintas pessoas da Galiza de se incorporarem ao Conselho Consultivo, figurando no mesmo neste momento os académicos da AGLP Artur Alonso Novelhe e José Manuel Barbosa Alvares, e o ex-presidente da AGAL Alexandre Banhos.

Para aderir ao MIL, basta enviar um correio electrónico para o endereço adesao@movimentolusofono.org, indicando nome, e-mail e área de residência.

Recolha Solidária

Todos os presentes deverám levar alguns livros para apoiar a campanha solidária do MIL, em parceria com a ONG Ajuda Amiga, que tenciona poder levar livros para a Guiné-Bissau.”

Fonte:

http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1570:o-futuro-da-galiza-no-espaco-lusofono-&catid=4:eventos&Itemid=72

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MIL: MIL-HAFRE, Debate Público sobre a Galiza e Recolha de Livros para a Guiné-Bissau

O MIL TEM AGORA UM BLOGUE…
www.mil-hafre.blogspot.com

Caso queira participar, envie-nos um e-mail para adesao@movimentolusofono.org

EM POUCOS DIAS, JÁ COM MAIS DE MIL VISITAS…

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DEBATE PÚBLICO

O FUTURO DA
GALIZA
NO ESPAÇO LUSÓFONO

ORADORES
Alexandre Banhos Campo * Artur Alonso Novelhe * José Manuel Barbosa

5 de Dezembro, Sábado, 15h00
Sociedade de Língua Portuguesa
Lisboa, Rua Mouzinho da Silveira, 23 (junto ao Marquês de Pombal)

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RECOLHA DE LIVROS PARA A GUINÉ-BISSAU
(todos os presentes deverão levar alguns livros para esta campanha do MIL, em parceria com a ONG “Ajuda Amiga”; quem não consiga estar presente, poderá deixar os livros antes ou depois na morada acima indicada)

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O Nome “Galiza”

O topónimo “Galiza” é certamente de origem pré-romana, muito provavelmente céltica e decorrente do topónimo Portum Cale, que designava uma povoação de romana, de fundação indígena situada na foz do rio Douro e que haveria de servir de mote para além de “Galiza” (Cale -> [Gal]iza) mas também a “Portugal” (Portu + Cale -> Portucale -> Portugal), e até aos nomes das cidades do Porto (Portu -> Porto) e de Gaia (Cale -> Gaia)1.

O uso do topónimo “Galiza” não é contudo, pacífico. Ainda que o termo original e historicamente mais correto (e logo, o preferido neste texto) seja “Galiza”, o termo “Galicia” é também utilizado com alguma frequência, sendo uma adaptação da forma castelhana, preferida por muitos centralistas ou bilinguistas galegos, assim como pelas instituições do governo autonómico e por Madrid, por simbolizar a subordinação política e linguística da Galiza ao Reino de Espanha. O termo é também comum no português do Brasil, essencialmente devido ao desconhecimento do significado político que carrega. Oficialmente, ambos os termos são considerados “nomes oficiais”, havendo uma preferência pelo termo mais castelhanizante “Galicia” por parte da “Real Academia Galega” e do “Instituto da Língua da Galiza”, que o consagraram na sua “normativa de concórdia” datada do ano de 2003. O movimento reintegracionista – que advoga o regresso da Galiza à Lusofonia – optou pelo termo linguística e historicamente mais correto de “Galiza”, que usaremos doravante neste texto, pelo mesmo grau de razões.

1 Boletim da Academia Galega da Língua Portuguesa; J. Martinho Monteiro Santalha; O nome da Galiza; Academia Galega da Língua Portuguesa; Padrão (Galiza); 2008. Página 13

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Debate Público: O Futuro da Galiza no Espaço Lusófono (5 de Dezembro, 15:00)

MIL CARTAZ 05 DEZ

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A Questão da Galiza: Introdução

O mundo contemporâneo é – diz o “Pensamento Único” – o mundo da Globalização. Neste mundo onde as fronteiras comerciais se vão diluindo gradualmente perante o ácido corrosivo segregado pelas poderosas e aparentemente omnipotentes do neoliberalismo as línguas nacionais encontram-se na primeira linha da defesa da identidade dos povos. A força económica do mundo anglo-saxónico determinou que a língua franca das relações económicas e da Internet – cada vez mais o canal privilegiado para todas as comunicações – fosse o inglês. O poder dos meios de comunicação anglo-saxónicos, da “fábrica de ilusões” de Hollywood e dos canais de televisões norte-americanos, britânicos e australianos cerrou a machada definitiva (?) que está a impôr o inglês como língua universal.

Perante tamanho Tsunami linguístico não deve surpreender ninguém que a UNESCO, ano após ano, não cesse de engrossar a lista de línguas ameaçadas de extinção. E por cada língua que se perde, perde-se um património inestimável e único. Assim, deveria pertencer ao quadro de prioridades absolutas do Estado Espanhol, a defesa (pela via da promoção na Educação e da sua utilização na Administração Pública) das línguas nacionais, do basco, do catalão e, sobretudo pela parte que mais lusofonicamente nos toca, o Galego ou melhor dizendo o português da Galiza. Contudo, bem pelo contrário, assistimos atualmente a uma eclosão dos ataques contra a língua da Galiza que, sob a capa de um pífio “bilinguismo” e da “liberdade individual” procuram colocar o português da Galiza ao mesmo nível da língua do poder, da língua que desde Franco se procurou impôr “imperialmente” e que mercê desses ataques continuados é hoje falado por um número cada vez menor de habitantes da Galiza. Quando Espanha procura esmagar as línguas nacionais do seu Estado reduz a riqueza, a multiculturalidade que esteve na direta razão da sua posição entre os “Grandes” deste mundo. Um país monocultural e monolinguístico é tão estéril, tão pouco dinâmico e frágil como uma daquelas gigantescas plantações que os europeus espalharam criminosamente em África, criando a fome entre as populações e uma doentia dependência perante as caprichosas flutuações dos mercados. Se Espanha quer ser um país cultural, cientifica e económicamente estéril, então deve promover a asfixia mortal de todas as suas línguas nacionais. Se quer sobreviver – até enquanto “Estado” unificado – deve promover o florescimento das suas culturas nacionais.

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O MIL: Movimento Internacional Lusófono faz publicar um anúncio no JN de 18.9.2009 sobre a defesa da língua portuguesa da Galiza (Língua Galega)

MIL JN 18.09.09

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Sobre o ensino do português na Extremadura Espanhola e a questão de Olivença

A Comunidade Autónoma da Extremadura aderiu oficialmente ao acordo entre Portugal e Espanha que possibilita o ensino da língua portuguesa nessa Comunidade. Neste âmbito, o português será ensinado nas escolas da Estremadura por 14 professores portugueses enviados para Badajoz e 3 outros enviados para Cáceres.

O objetivo do governo autónomo é dentro de alguns anos, todos os alunos conheçam língua portuguesa. Do lado português, a situação recíproca está mais avançada, havendo perto de 60 mil alunos de castelhano em Portugal, muitos dos quais no ensino privado e fora de qualquer cobertura institucional, como sucede em Espanha.

A Extremadura coloca-se assim na vanguarda da aplicação deste acordo Luso-Espanhola, bem à frente da Galiza, onde a Xunta (recentemente transitada para o Partido Popular) se mantêm ainda no bífido terreno das promessas…

A introdução do ensino do português na Extremadura reveste-se de especial importância se tivermos em conta que é precisamente nesta Comunidade que se situam os 3 concelhos portugueses ocupados ilegalmente e ao arrepio de tratados internacionais nunca honrados por Espanha desde 1801. Badajoz situa-se muito próximo dos concelhos de Olivença e estes professores de português poderão contribuir para o renascimento da língua de Camões depois de séculos de repressão e de apoio isolado, mas abnegado por parte da associação local Além Guadiana.

A situação da língua portuguesa em Olivença é hoje dramática. Até aos começos da década de cinquenta, a maioria dos habitantes dos três concelhos ainda usavam o português de forma corrente e quotidiana. Mas por volta dessa época o Estado Espanhol começou a introduzir o castelhano, no ensino e na administração local. Usando métodos muito semelhantes à máscara do bilinguismo na Galiza, Madrid conseguiu reduzir a língua destes territórios portugueses ocupados a uma expressão praticamente museográfica. Na década de 60, todos os habitantes eram bilingues – antecipando a plena aculturação – e hoje em dia, em grande medida devido ao afluxo contínuo de colonos e de repressão linguística por parte do Estado central, o português quase desapareceu.

Existem muitos paralelismos entre os concelhos de Olivença e a presente situação da Galiza: o Bilinguismo, o poder do Ensino e da Administração Publica aplicado contra a língua local por parte dos espanholistas e a indução de mitos infundados e desprestigiantes que buscam associar na mente dos habitantes locais o uso do português à ruralidade e à incultura, são instrumentos que já conhecemos e que seguem hoje sendo aplicados na Galiza, sempre com o mesmo objetivo: aculturar a população local e substituir a língua portuguesa pelo castelhano.

Fontes:
http://www.pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1039:portugues-sera-segunda-lingua-do-ensino-na-estremadura&catid=2:informante&Itemid=74http://pt.wikipedia.org/wiki/Extremadura
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318336
http://www.olivenca.org/historiaDeOlivenca.htm
http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/

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Sobre as ligações astronómicas do petroglifo “Labirinto de Mogor”, na Galiza

O Labirinto de Mogor, na Galiza (http://www.celtiberia.net)

O Labirinto de Mogor, na Galiza (http://www.celtiberia.net)

José Luis Galovart, um matemático da cidade galega de Vigo declarou ter encontrado uma ligação astronómica nos petroglifos do município de Marín onde se encontra o chamado “Labirinto de Mogor”, que segundo o matemático representariam os equinócios, tal como se apresentavam ao olho humano há mais de 4 mil anos.

Na opinião de Galovart, as quatro figuras geométricas do petroglifo, no centro apresentam certos ângulos, que apontam para a posição do Sol nos equinócios ou alguns acidentes geográficos.

A comprovar-se este é apenas mais um petroglifo do Calcolítico ou do Paleolítico Superior com ligações astronómicas o que indica que muitos mais haverá e que o Homem da época passava muito do seu tempo estudando a evolução dos astros e a sua interferência na sua vida quotidiana.

Fonte:
Enigmas, numero 165

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