Filmes

Avatar: Uma breve análise crítica do filme de James Cameron

O último filme de James Cameron, o muito badalado “Avatar” levanta uma série de questões interessantes… em termos cinematográficos pode não ser (de longe) o melhor filme de sempre, especialmente devido ao seu argumento fracamente construído e pouco original. Mas em termos de espetáculo e entretenimento puro (a especialidade Cameron, sejamos claros) é um filme absolutamente notável e plenamente merecedor de comentários.

1. A ação do filme passa-se em 2154 num planeta selva chamado “Pandora” que será um satélite de um gigante gasoso no sistema de Alfa de Centauro, a 4,4 anos-luz da Terra. Enfim, 4,4 ou 4,2… Já que Alfa é um sistema triplo, com duas estrelas Alfa de Centauro A e Alfa de Centauro B rodando em torno de um centro gravitacional comum o que faz com que nesta rotação as estrelas possam estar mais próximo de nós, a 4,2 anos-luz. Uma qualquer viagem humana a Alfa tentaria chegar no momento de maior aproximação, exatamente como se faz hoje com as missões que se enviam a Marte e não quando o afastamento é maior, a 4,4 anos. Aqui encontramos pois o primeiro erro astronómico em “Pandora”.

2. Pandora é um satélite muito húmido, e logo, próximo da sua estrela. Não há muito tempo atrás, e como Pandora orbita um gigante gasoso, esperava-se que todos os Sistemas Planetários tivessem uma distribuição idêntica à do Sistema Solar, mas desde então foram detetados dezenas de planetas gigantes em órbitas muito próximas da sua estrela, pelo que em termos estritamente astronómicos um satélite como Pandora parece plausível. Mas os planetas gigantes parecem ter uma propensão a serem grandes emissores de radiação e serem geradores de grandes ondas gravitacionais que provocam terremotos frequentes e de grande amplitude nas suas luas. Isso mesmo é observável em Saturno e em Júpiter e tais perturbações (muito mais intensas que na Terra) podem prejudicar o lento e gradual desenvolvimento da vida até ao nível em que esta nos é apresentada no filme de James Cameron.

3. A razão da presença dos humanos em Pandora é um mineral “unobtanium” (ou seja, “impossível-de-obter”) que tem propriedades de super-condução à temperatura ambiente, uma espécie de graal da Física que revolucionaria a tecnologia, de facto… No filme, esta super-condução afeta os engenhos que o Homem coloca em Pandora, mas as ligações wireless que ligam as personagens aos seus “avatares” resistem a esses intensos campos magnéticos e tal não é muito provável…

4. Os corpos artificiais que dão nome ao filme, os “avatares” têm no filme, ADN humano e da raça nativa, os Na’vi. Ou seja, são híbridos humano-alienígena. Ora isso, em termo de biologia não parece possível, pelo menos à luz do conhecimento atual… Existem mais semelhanças genéticas entre um ser humano e uma bactéria do que entre um Homem e qualquer alienígena que possa existir, pelo que dificilmente poderia existir a necessária compatibilidade ou semelhança genética para criar um qualquer tipo de híbrido.

5. O gigantismo parece ser a nota dominante em Pandora, com dragões voadores gigantes, árvores altíssimas e os Na’vi, muito mais altos do que qualquer ser humano. Esse traço é compatível com a revelação – feita a dado ponto no filme – de que a gravidade em Pandora é mais baixa do que a da Terra.

6. Os Na’vi são demasiado humanos… Apesar da sua pele azul e de outras excentricidades no seu rosto, são muito semelhantes a um ser humano para uma criatura que se desenvolveu de forma independente no satélite em Alfa de Centauro.

7. A maioria do armamento utilizado pelos terrestres em Pandora é demasiado ao nível da nossa tecnologia atual: helicópteros, aviões convertíveis tipo Osprey e armas, tudo poderá estar ao serviço, na Terra, daqui a menos de 20 anos e seria de esperar que uma civilização do século XXII fosse mais diferente do que a nossa… Caramba, se têm tecnologia para realizarem viagens interestelares, porque é que a tecnologia de Defesa se mantêm no século XXI?

Fontes:
http://defensetech.org/2009/12/21/defense-tech-in-avatar/
http://www.space.com/entertainment/091221-avatar-science.html http://nasawatch.com/archives/2009/12/how-will-we-tra.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfa_Centauri
http://en.wikipedia.org/wiki/Extrasolar_planet#Systems
http://www.avatarmovie.com/

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2012 (a Profecia Maia): Nibiru, Tempestades Solares, Alinhamentos Planetários, Alinhamento com o Centro Galático e Inversões do Pólo Magnético: Hoaxes!

2012 é o “filme catástrofe” de R. Emmerich que agora chega às salas de cinema. O filme apresenta-se desde logo usando um calendário asteca para justificar a sua inspiração numa profecia… maia. Fico logo claro que tipo de fiabilidade científica iremos encontrar…

É verdade que os maias tinham uma concepção cíclica do tempo, e que 2012 era de facto o fim de um dos seus múltiplos ciclos de tempo, um ciclo começado no 4 Ahau 8 Cumku (exatamente a 11 de outubro de 3113 a.C.). Este ciclo deveria estender-se por 5125 anos e terminar efetivamente a 21 de dezembro de 2012. Mas para os maias, este ciclo não foi o primeiro, e após este, seguir-se-íam outros, numa sucessão infinita de ciclos, menores, dentro de outros maiores, ad aeternum! Em nenhum se antecipava uma destruição catastrófica do universo! Antecipavam-se caástrofes, cataclimos, é certo, após cada ciclo, mas não o fim desse curso contínuo de ciclos temporais…

1. O Sol está num momento de calma inédito desde que se têm dele registos detalhados. Tanto, que os especialistas já desistiram de prever quando é que poderá tornar a apresentar manchas solares… Mas mesmo que ele tornasse a despertar em 2012, e nesse ano se produzisse uma erupção solar massiva, como a registada em 1859, isso criaria muita perturbação, com colapsos massivos das redes elétricas e de comunicações, mas não o fim do mundo!

2. Numa reportagem emitida ontem no jornal da TVI, e logo vista por centenas de milhares de pessoas, dizia a “jornalista” que “alguns acreditam na existência de um planeta que chocaria com a Terra”. Alguns? Dito assim, até parece uma tese credível! Nada mais falso! Aliás, não foi à toa que a reportagem não interrogou nenhum astronómo ou cientistas, mas apenas Moisés do Espírito Santo, um reputado mitologista português… isto porque aos “jornalistas” interessava apenas a parte folclórica da história, não uma visão científica da mesma! Os “alguns” são os seguidores de um certo Zacharie Sitchin que inventou um planeta de nome Nibiru que – segundo ele – seria mencionado no relato mesopotâmico da Criação, o Enumma Elish e que regressaria ao Sistema Solar, vindo da sua órbita muito extrema, todos os 3600 anos. O problema é que se um “planeta” (isto é, um corpo celeste de dimensões comparáveis a qualquer um dos planetas interiores) passasse todos os 3600 anos perto das órbitas dos outros planetas, estas revelariam traços da sua passagem, e estes, simplesmente não existem! Pode haver um (ou vários) “Nibiru” por descobrir em órbitas muito para além da Cintura de Kuiper ou de Oort, mas não fazendo visitas regulares ao centro do Sistema Solar!

3. A 21 de dezembro de 2012, apenas Mercúrio e Vénus estarão alinhados. E estes alinhamentos nada têm de extraordinário, sendo pelo contrário, relativamente frequentes! Recordemo-nos que o efeito da gravidade diminui com a distância, e que mesmo que um alinhamento total se produzisse… nem sequer teria força suficiente para igualar uma maré viva provocada pela Lua.

4. O alinhamento da Terra com o centro da nossa galáxia ocorre todos os anos, em datas variáveis e não em cada 26 mil anos! E não, não poderá jamais produzir uma queda no interior do Buraco Negro que reside no núcleo galático, porque este se encontra a 50 mil anos-luz e como nada se move mais depressa que a luz, essa queda dificilmente seria rápida… para além de que nada faz antever tal colapso galático, claro!

5. Por fim, outra causa referida para o fim do mundo em 2012 é a inversão do pólo norte magnético. Isso já aconteceu várias vezes no passado, num ciclo ainda não compreendido e que por isso mesmo, tem escapado a qualquer previsão. O certo é que não há vestígios paleontológicos que liguem estas inversões de pólo magnético (ocorridas 400 vezes na Terra) com extinções em massa ou mesmo a qualquer outro tipo de perturbações geológicas de larga escala.

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Recordando… Blade Runner

Blade Runner é, sem dúvida, um dos melhores filmes de ficção científica (1982) jamais realizados. Assim como a série Lost (Perdidos) que tanto apreciamos, também este filme exige uma visualização inteligente e reflectida, algo que explica o sucesso e a perenidade deste filme de FC. Apreciamos um filme de FC com naves espaciais, planetas, combates espaciais a laser, etc, mas nada disto encontrámos em Blade Runner. Um filme fortemente intimista e quase pessoal que se desenrola numa Los Angeles caótica e confusa, muito ao estilo antevisto posteriormente pelos autores de Cyberpunk.

O filme decorre em torno da perseguição feita por um polícia, Deckard, papel desempenhado por Harrison Ford contra os “replicantes”, seres humanos artificiais que escaparam de uma colónia espacial e que buscam explicações para a sua existência e a solução para o seu iminente fim calendarizado.

O filme foi realizado por Ridley Scott e baseia-se num livro de Philip K. Dick “Do Androids Dream of Electric Sheep?”

Fonte:
Wikipedia

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O filme “A Última Legião”: Erros e Inconsistências várias…

Desde que vi nos escaparates das livrarias o título “A Última Legião“: http://www.editpresenca.pt/images/livros/01040295-A%20%DAltima%20Legi%E3o(RL)_gra.jpg
…que fiquei curioso, já que este período da História é precisamente um dos que mais me interessam. Por várias razões adiei a compra até que o livro desapareceu das livrarias, por isso, quando tive recentemente oportunidade de ver o DVD do livro… Não perdi a ocasião (sim, a ocasião perguiçosa de “ler” em hora e meia um livro…) e lá vi a coisa. E de uma “coisa” realmente se trata aqui… Raras vezes encontrei tantos erros e tão flagrantes num filme histórico… Algumas, mas nem todas, radicam em fragilidades do próprio livro do italiano Valerio Manfredi. Este “Manfredi” aparece nas bibliografia como “professor de arqueologia” na Universidade Luigi Bocconi de Milão, mas procurando AQUI entre os seus docentes… Não consta tal nome, embora NESTE artigo da “infiável” (?) Wikipedia encontremos essa referência… A propósito, já vos disse que sou doutorado em Física Quântica pela Universidade Beargh-Boirg de Ulun Bator? Seja ou não realmente professor, ou tenha já deixado de o ser entretanto, o certo é que Manfredi encharcou o seu livro dos erros cujos ecos encontramos agora no filme de Doug Lefler

A história decorre em 476 a.D. e narra os acontecimentos históricos ocorridos em torno do jovem Romulus Augustus, aliás, logo o… primeiro erro histórico do filme! Rómulo assume o trono ao mesmo tempo que Odoacro e o seu lugar-tenente Wulfila massacram a sua família e capturam Rómulo levando-o juntamente com Ambrosinus, o seu mestre, para a ilha de Capri (pois!). Com a promessa de auxílio bizantina, Aurelius, um general romano, tenta resgatar Rómulo, com o apoio da mercenária bizantina Mira, depois, a acção desenrola-se a caminho da Bretanha (Grã-Bretanha) onde a história assume um… rumo mais ou menos inesperado.

1. O Nome do Imperador
Embora a personagem principal tenha o nome de “Romulus Augustus”, o seu nome efectivo era diferente…: Romulus Augustulus. Talvez menos eficiente, no que concerne à sonoriedade e logo, ao sucesso do livro e do filme, mas certamente menos historicamente correcto.

2. O Terço de Itália
No filme, Odoacro surje logo numa das primeiras cenas exigindo ao imperador Orestes (outro erro, este Flavius Orestes nunca foi imperador…) a entrega de 1/3 da Itália, algo a que este reage com espanto e consternação. Ora, na verdade, não foi Odoacro que exigiu este terço, mas Orestes quem o ofereceu a troco do apoio dos 30 mil bárbaros foederati comandados por Orestes contra o imperador reinante no Ocidente, de nome Julius Nepos… Orestes procurou enganar os bárbaros entregando-lhes pedaços de terras estéreis nos Apeninos, mas após derrotarem Nepos em 475, o qual lutou na Dalmatia até 480 (ou seja, uns bons cinco após a queda do Império do Ocidente).

3. Orestes “imperador”
Flavius Orestes foi nomeado Magister militum e Patricius pelo imperador Nepos, revoltando-se depois, mas nunca vestiu a púrpura, isto é, nunca assumiu o título imperador, como surge no filme, tendo preferido após a sua revolta coroar o seu filho como último imperador de Roma

4. Roma, a “Capital” do Império Romano do Ocidente
Embora em “The Last Legion“, Roma surja como a capital do Império Romano do Ocidente, de facto, desde 402 d.C. que a capital fora transferida para Ravena, estando a “Cidade Invicta” em plena decadência nessa época, e não a próspera cidade que aparece delineada no filme…

5. Os romanos do “lado errado da fronteira”
Na cena em que o grupo liderado por Aurelius e escoltando Rómulo sobre às muralhas do “Muro de Adriano” observam antigos legionários romanos aproximando-se dos muros… Ora Aurelius e os seus sobem pelo sul, depois do desembarque e estes legionários vêem de… norte! Ora a norte do “Muro de Adriano” estavam os Pictos, e embora de facto fosse comum que os legionários romanos destacados nas fronteiras estabelecessem casa e família junto das muralhas, não o faziam obviamente do lado de lá das mesmas! Porque seriam estes legionários uma excepção!? E por outro lado e last but not least… A Bretanha foi abandonada pelos romanos em 401 d.C., mesmo se estes “romanos” tivessem ficado para trás, teriam na época (476 d.C.) uns valentes 90 a 100 anos de idade! Ou seja… Seriam de utilidade guerreira muito marginal…

6. Os legionários destacados para a defesa do “Muro de Adriano”
No século V d.C. a guarda das muralhas das fronteiras do Império estava entregue não aos “legionários”, termo que aliás tinha caído em desuso e que fora substituído como designação das forças mais ofensivas do Império como Comitatenses. As forças destas guarnições eram conhecidas como Limitanei e eram tropas com armamento muito ligeiro nada de semelhante aos legionários “convencionais” que aparecem no filme…

7. A Entrega das Insígnias a Bizâncio
Embora no filme, Odoacro pareça empenhado em obter o reconhecimento de Imperador Zeno do Oriente, na verdade omite o detalhe mais importante destas relações… É que pouco depois da tomada do poder, Odoacro renuncia ao título de imperador e envia para Constatinopla as insígnias imperiais. Este pequeno “detalhe”, é omitido intencionalmente de forma a manter Rómulo como um imperador com algo para onde voltar…

8. Lucullus e não a Ilha de Capri, como local de exílio de Rómulo
Odoacro ordena que Wulfila escolte Rómulo até à Ilha de Capri, onde este deve viver em exílio até ao fim dos seus dias. Bom, tudo bem. De facto, Odoacro teve a sábia atitude de remeter Rómulo para o exílio, em vez de fazer dele um mártir, o que afastaria muitos romanos de que o bárbaro precisaria para administrar o recentemente conquistado Império. Mas não foi exilado para Capri, mas para a villa de Lucullus, nos arredores de Nápoles. Aqui Rómulo viria a morrer de velho… Não algures na Bretanha…

9. A Batalha de “Mount Badon”
No filme, uma das últimas cenas mostra a batalha de “Mount Badon”, que teria ocorrido por volta de 500 d.C. e onde Artur teria vencidos os Anglo-Saxões… Não Wortigen, que aparece no filme como se fosse um “germânico”… E é Artur, nenhum general romano, nem romanos, mas bretões, ainda que alguns possam ter – se é que esta batalha ocorreu mesmo – servido no exército romano, como Limitanei.

10. A “Linhagem de César”
No filme, o imperador Tibério surge como descendente da linhagem de César. Ora, nada mais falso. O próprio Augusto, já era filho adoptivo de César, e portanto, não era da sua linhagem, e Tibério, por sua vez, também era filho adoptivo de Augusto! Por isso, linhagem de César, que supostamente teria tido continuidade até Rómulo Augustulo de facto, nunca existiu!

11. A Ilha de Capri de Tibério
E aquilo que se passava em Capri, naquela Villa que de facto Tibério aqui construiu era de muito má memória, e nada daquela “aura nobilitante” que o filme faz questão de erguer… Aliás, na época a ilha era famosa pelas orgias que aqui organizava:
También disfrutaba con jóvenes y adultos de ambos sexos, con los que se solazaba asistiendo a un espectáculo llamado spintries, que consistía en una unión sexual a tres (muchachas y jóvenes libertinos, revueltos), que tenían que actuar hasta que el tirano se desahogaba. Para excitarse él y los que actuaban para él, tenía una apropiada biblioteca con obras de una célebre poetisa llamada Elefántide de Mileto, y de otros autores como Hermógenes de Tarsia o Filene, todas ellas hijas de un mismo motivo y un estilo especialmente dirigido a la excitación de los sentidos. Pero si los textos sicalípticos ocupaban la biblioteca de Tiberio en Capri, también necesitaba, y buscaba, cuadros de la misma temática que acompañaran a sus escenas orgiásticas” (ver AQUI).

12. O Bárbaro que sabia ler (!?)
Wulfila, o lugar-tenente de Odocro consegue ler a inscrição na base da estátua de César, na ilha de Capri. Espera. Um oficial germânico a ser capaz de ler? Latim? Pois sim… Seria mais credível colocar Wulfila a declamar Sócrates (o outro) ou a tocar piano do que vê-lo a ler. Os bárbaros germânicos que invadiram o Império nessa época não sabiam ler e confiavam nos romanos que recrutavam para a sua administração civil para essa tarefa. Entre estes, Boécio, o servidor de Teodorico, o rei dos Ostrogodos será o mais conhecido.

13. Os soldados “romanos”
Embora exista a crença generalizada que o exército romano do século V d.C. era formado essencialmente por bárbaros “romanizados”, contudo, estudos recentes indicam que afinal de contas, no exército romano desta época o número de bárbaros não era afinal assim tão dominante… De facto, mesmo entre os auxilia palatina que cumpriam missões de guarda na capital só tinham um quinto de bárbaros romanizados. De facto, o exército romano do começo do Império poderia incluir uma percentagem superior de bárbaros… De qualquer modo, entre os soldados de Aurelius não se vê um único germânico… E essa total ausência é de estranhar (embora surja de facto um africano).

14. A “Legio Nona Invicta”
A “Legio Nona Invicta” do general Aurelius deveria corresponder à “Legio IX”… “Hispana”! Uma legião recrutada na Hispânia pelo próprio Júlio César em 58 d.C. e incluindo… bastantes lusitanos… É verdade que a Legio IX serviu no actual Reino Unido, mais exactamente em Eburacum (York), mas foi extinta no reinado do saudoso Marco Auréli, no século II d.C.! Curiosamente, este legião continua a existir nos dias de hoje, como se poder ver… AQUI! E não era “Invicta”, coisa nenhuma, mas apenas… “Hispana”, claro!

15. A “espada de César”
Os romanos nunca tiveram uma tradição de “objectos mágicos”… Não houve nenhuma espada mágica de César, nem lendas sobre a dita. Aliás, o próprio conceito em si é mais céltico do que romano, sendo o objecto semelhante mais famoso a “Excalibur” que serve aqui de protótipo a mais esta invenção de Manfredi.

16. O duplo erro da Coroação de Rómulo
A coroação de Rómulo não teve lugar nem em Roma, nem em 460 d.C.! Falhanço em toda a linha no que respeita a fidelidade histórica! Vá lá… Foi coroado e pelo menos aí Manfredi acertou! A coroação teve lugar em 476 e na então capital romana de Ravena…

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Podemos sobreviver no Espaço sem um Fato Espacial?


(Arnold Schwarzenegger na superfície marciana em “Total Recall” in http://sydlexia.com)

No filme Sunshine um astronauta é obrigado a abandonar o seu fato espacial e a sair para o Vácuo espacial… No filme Total Recall o personagem principal sobrevive a alguns momentos de exposição na superfície marciana, praticamente desprovida de qualquer atmosfera… Ora bem. Será que é então possível ao Homem sobreviver no vácuo do Espaço ou estamos perante mais um Hoax ou Mito Urbano?

Bem, segundo os especialistas em medicina espacial consultados pela slate.com sim é possível… As principais funções de um escafandro espacial são as de proteger o astronauta no interior dos raios ultravioletas e das temperaturas extremamente altas ou extremamente baixas no exterior. Se fosse exposto ao vácuo, sem um fato, o astronauta teria como maior problema imediato a falta de oxigénio para respirar e uma embolia massiva, resultante da diferença de pressão entre o exterior e o interior do seu corpo. Mas nem uma nem outra matam imediatamente, pelo que seria possível sobreviver algum tempo no Espaço… Desde que por muito pouco tempo! Estima-se que esse tempo esteja limitado a pouco menos de 15 segundos até que ocorra a inconsciência pela falta de oxigénio. É verdade que aqui, no solo, podemos suster a respiração por cerca de cinco minutos (se formos yogiis do último nível, claro…), mas no Espaço não é possível “suster a respiração”, pelo contrário, para aguentarmos mais alguns escassos mas preciosos segundos até à comporta aberta da nossa nave espacial devemos esvaziar completamente de ar os nossos pulmões, de forma a evitar que o ar aqui conservado expanda e destrua os tecidos e vasos sanguíneos dos pulmões…

Bem, ficam a saber, já que nunca se sabe quando podem ser apanhados no Espaço sem um Fato Espacial…
Fonte: Slate.com

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Levaram 15 anos da vida de Coppola…

 


(A casa de Coppola em Palermo, uma zona abastada de Buenos Aires in http://newsimg.bbc.co.uk)

O famoso realizador Francis Ford Coppola perdeu 15 anos de registos no assalto executado por quatro homens mascarados na sua casa na Argentina. O bando terá levado fotografias, manuscritos, documentos e todo o equipamento informático da sua casa. O realizador apela agora publicamente para que os ladrões lhe devolvam a unidade de backups roubada, que foi furtada juntamente com todo o equipamento informático da casa e que tem cópias de todos os seus documentos, argumentos, notas, etc. Coppola diz que “é apenas uma coisa pequena… mas a informação que contêm vale muito tempo. Se eu pudesse recuperar esse backup, salvaria anos da minha vida – todas as fotografias da minha família, todos os meus textos.”

Bem, Coppola pelo menos fazia backups dos seus computadores (perdeu quatro neste assalto), e aparentemente para uma unidade de fita (embora isso não seja certo e possa também estar a referir-se a um disco USB externo), e nisto já cumpre mais do que a maioria de nós… E falo por mim, que tenho apenas backups parcelares e inconstantes dos meus dados em casos… Pois! Mas se Coppola cumpre esta regra, há uma em que falhou…

É que mandam as regras que se guarde sempre uma cópia off-site! Ou seja, que periodicamente se envie uma dessas tapes ou backups para um outro local… Percebe-se agora bem porquê…E quantos de nós estamos a guardar dados como códigos de acesso a ciberbancos, contas bancárias, as únicas fotografias digitais dos nossos filhos, etc, sem nunca termos feito um único backup a estes dados? Quantos naqueles que lêm estas linhas, hum?

Fonte: Sun Times

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Os “Piratas das Caraíbas” da Actualidade e a Pirataria Moderna

Agora que parece que os filmes sobre piratas se tornaram num verdadeiro fenómeno global poder-se-ía perguntar se ainda existem piratas activos no mundo…

Bem, eles já não usam aqueles penteados espaventosos nem navegam em galeões do século XVIII, como o Jack Sparrow dos filmes da série “Pirates of the Caribbean”… E em vez de espadas e sabres mais ou menos inócuos usam espingardas de assalto AK-47 e RPG-7s… Como alvo principal escolhem cargueiros e petroleiros de médio porte, mas iates e navios de cruzeiro são também alvos potenciais, especialmente aqueles que se atrevem nas rotas mais perigosas.

Em 2006, terá havido menos ataques de piratas do que nos últimos 3 anos, com apenas 239 ataques o que pode querer dizer que os filmes dos “Pirates of the Caribbean” não estão a conseguir atrair tanta gente para esta carreira como antes… E isto apesar de todo o marketing em torno desta profissão promovido pelos filmes (provavelmente, os filmes mais rentáveis de sempre). Mais a sério, o declínio recente da pirataria no mundo resulta no aumento das patrulhas militares nas águas onde ocorrem a maioria dos ataques e também à imposição de medidas de segurança muito restritivas por parte das seguradores às tripulações de navios.

Actualmente, os ataques de piratas ocorrem nas Caraíbas, junto à costa norte da América do Sul, na África Ocidental, no Corno de África, Índico, Indonésia e Mar do Sul da China. Mas destes, os locais mais perigosos são hoje a Indonésia (50 ataques em 2006) e o Bangla Desh (47) estando também a costa brasileira a tornar-se um perigoso foco de pirataria, pelo menos segundo a lista de locais mais perigosos publicada pela ICC, uma organização internacional que monitoriza a actividade pirata em todo o mundo:

“S E Asia and the Indian Sub Continent

  • Bangladesh : Chittagong anchorage and approaches. The area is listed as very high risk.
  • Indonesia : Belawan, Tanjong Priok (Jakarta) / generally in other areas.
  • Malacca straits
  • Singapore Straits

Africa and Red Sea

  • Africa : Lagos (Nigeria) / generally other areas in Nigeria, Dar Es Salaam (Tanzania)
  • Gulf of Aden / Red Sea : Numerous pirate attacks have been reported by ships and yachts in the Gulf of Aden. Some of the vessels were fired upon.
  • Somalian waters : Eastern and North-eastern coasts are high-risk areas for attacks and hijackings. Ships not making scheduled calls to ports in Somalia should keep as far away as possible from the Somali coast, ideally, more than 200 nautical miles.

South and Central America and the Caribbean waters

  • Brazil – Santos
  • Peru – Callao”

Num dos ataques mais recentes, realizado a 16 de Abril em águas territoriais indonésias, um grupo de 10 lanchas rápidas aproximaram-se de um cargueiro, mas não o conseguiram abordar. Outro ataque, realizado a 14 de Março foi mais bem sucedido com um ataque de duas lanchas contra outro cargueiro que foi abordado por 10 piratas com caçadeiras, espingardas e punhais.

Mas que não se pense que este fenómeno está longe de nós… Em Maio deste ano um iate britânico foi atacado ao largo de Corfu, na Grécia por uma lancha com quatro albaneses com AK-47 e granadas. Sendo este apenas o mais recente de vários ataques idênticos realizados a partir da Albânia, o verdadeiro “país falhado” dos Balcãs e que está a menos de meia hora das costas gregas. Mas a situação mais perigosa da actualidade é aquela em torno da Somália onde os piratas parecem ter recuperado a actividade depois da expulsão do poder dos radicais islâmicos pelas forças do “governo” e do exército etíope.

Quanto à situação no Brasil, a pirataria parece concentrada no porto de Santos, responsável por perto de 1/3 de todo o comércio internacional do Brasil e é suficientemente grave para ser listada pela ICC como sendo um dos “pontos quentes” mais activos do mundo, com um crescendo da actividade pirata desde 1999.


Fontes:
http://cnews.canoe.ca/CNEWS/Canada/2007/05/27/4211658-sun.html
http://www.icc-ccs.org/prc/piracyreport.php
http://findarticles.com/p/articles/mi_m0BEK/is_9_7/ai_55548157
http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/internacional/selecao_detalhe.asp?ID_RESENHA=48729&Imprime=on
http://www.oceansatlas.org/unatlas/issues/safety/transport_telecomm/maritime_sec/piracy2k.htm

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“Mr Beans Holydays” de Rowan Atkinson… O regresso do verdadeiro “Mr Beans”?

As aventuras e desventuras do genial e hilariante “Mr. Beans” são ainda hoje dos momentos de humor mais bem concebidos desde sempre, incluindo os do “histórico” Charlie Chaplin, dos Monty Python, do Black Adder, também da forja do mesmo Rowan Atkinson. Os fantásticos sketches de “Mr. Beans” foram atentamente seguidos pela primeira filha à coisa de 10 anos e são agora seguidos com o mesmo tipo de fidelidade, pela mais pequena de 3 anos… Um humor tão intemporal e transversal só pode ser Genial e o “Mr. Beans” é sem dúvida um dos fenómenos culturais mais marcantes do final do Século XX. Por isso, não foi com pouca tristeza que assisti à reutilização massiva de sketches antigos, à inserção de novos sketches desinspirados que todos pudemos ver no primeiro filme “Bean”, de chancela americana e formatado para um público “global” muito diferente daquele que criou o sucesso da personagem…. Anos depois o igualmente triste e desinspirado “Jonhy English” confirmava o mau momento criativo em que encontrava Rowan Atkinson, porvento exaurido depois de 20 de explosiva criatividade ou tendo já apagada a lâmpada do génio, consumida desregradamente no apogeu da sua juventude…

Mas a esperança de que não tenhamos ouvido ainda tudo de Atkinson renasce agora! Os trailers disponíveis do novo filme “Mr Beans Holyday” expõe finalmente uma série de novos sketches (não mais as anteriores reinvenções de sketches antigos) oriundos do mesmo elevado nível de inspiração que esteve por detrás do sucesso de “Mr Beans” na década de oitenta… Francamente, estou ansioso para ver o filme, e conto disponibilizar algum do meu muito disputado tempo para ver o dito filme!

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Quid S7-27: O que é isto?

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Dificuldade: 3

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Quid S7-26: Quem concebeu este personagem?

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Dificuldade: 2

 

Notas:

1. Réplicas lentas!

2. Perdão pelo atraso…

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Quid S7-25: Em que país está este monumento?

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Dificuldade: 5

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Quid S7-24: A que série de televisão pertencia este personagem?

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Dificuldade: 1

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Quid S7-23: Como se chama esta actriz?

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Dificuldade: 1

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Quid S7-22: Que avião é este?

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Dificuldade: 3

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Quid S7-28: Em que cidade aconteceu isto?

Dificuldade: 2

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Quid S7-21: Que carro é este?

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Dificuldade: 5

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Quid S7-19: Como se chamava este homem?

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Dificuldade: 3

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Quid S7-18: Como se chama este quadro?

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Dificuldade: 5

Categories: Filmes, Quids S7 | 3 comentários

Quid S7-17: Que filme é este?

aaaaaar.jpg

Difilculdade: 2

Categories: Filmes, Quids S7 | 7 comentários

Quid S7-16: Onde foi tirada esta fotografia?

d2.jpg

Dificuldade: 5

Categories: Filmes, Quids S7 | 24 comentários

Quids S7-15: Como se chama ao líquido vermelho dentro de um…


…termómetro?

Dificuldade: 2

(Atenção… Não sei quando poderei replicar…)

Categories: Filmes, Quids S7 | 5 comentários

Quid S7-14: Quem era este homem?

aaan2.jpg
Dificuldade: 2

Categories: Filmes, Quids S7 | 8 comentários

Quid S7-13: Que galáxia é esta?

s5.jpg
Dificuldade: 3

(P.S.: Hoje a minha réplica pode demorar um pouco mais do que é habitual…)

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Quid S7-12: Qual era a função deste objecto?

fi.jpg

Dificuldade: 4

Categories: Filmes, Quids S7 | 8 comentários

Quid S7-11: Que superherói é este?

fffs_0.jpg

Dificuldade: 2

Categories: Filmes, Quids S7 | 7 comentários

Quid S7-10: Como se chama este foguetão?

hhh.jpg
Dificuldade: 2

Categories: Filmes, Quids S7 | 7 comentários

Quid S7-10: Quem é o autor deste desenho?

aaaaaa.jpg

Dificuldade: 3

Categories: Filmes, Quids S7 | 14 comentários

Quid S7-9: Que forte é este?

a.jpg
Dificuldade: 4

Categories: Filmes, Quids S7 | 10 comentários

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