Educação

Portugal padece de uma anormal distorção

Portugal padece de uma anormal distorção que o distingue da maioria dos países europeus (com maior base industrial e tecnológica): existe, na sociedade civil, uma estranha desvalorização das pessoas que provém do “mundo do trabalho”, isto é, que mantêm alguma atitividade profissional longe da Academia, do Ensino ou do Estado. E uma estranha (e doentia) sobrevalorização daqueles que ganham a vida dando aulas, sobretudo no meio universitário.

Pouco importa o que sabe, pensa e (quase sempre) a via nepótica com que se ascendeu à Cátedra, mas em Portugal, falar do alto de uma Cátedra é sinal, quase sempre, de que se será ouvido. E falar de baixo, de uma Profissão, será sinal, quase sempre, de que não se será ouvido. É assim nos Partidos, é assim nas associações e nos movimentos inorgânicos da sociedade civil. Pior: é assim, inclusivé, entre os Pares, entre aqueles que provêm também do mundo do trabalho que, quase sempre, desprezam a opinião e pensamento dos seus Pares para escutarem apenas a dos “Doutos”, dos “Doutores”, frequentemente ignorantes, quase sempre arrogantes, praticamente todos nepóticos, que lhes falam de cima para baixo, em tom professoral, académico e pleno de certezas absolutas.

Esta doença tem nome: chama-se “academite” e é a inflamação da importância da Academia em Portugal estando também na base imediata que explica boa parte do nosso atraso atávico: se chegámos onde chegámos foi porque – também – não tínhamos uma Elite à altura das circunstancias: uma elite forjada numa Academia boçal, servil ao Poder, financeiramente dependente do poder económico e partidário, arrogante com todos aqueles que por ela não são ungidos e quase estéril de pensamento original e de ligação à sociedade civil e às comunidades que – supostamente – devia dirigir.

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Segredos por detrás do sucesso do modelo de Educação finlandês

Segredos por detrás do sucesso do modelo de Educação finlandês:
1. Quase todas as Escolas são públicas
2. Todas as escolas públicas têm equipas de assistência ao estudante
3. O numero médio de estudantes por estabelecimento de ensino é de 250
4. Só há exames no fim do secundário
5. Os estudantes passam menos tempo nas aulas que os portugueses
6. Todo o Ensino, desde o pré-escolar ao universitário, é gratuito
7. A escolaridade obrigatória é de apenas 9 anos (não 12, como em Portugal)
8. Eficácia na despesa: a Finlândia está nas médias da OCDE
9. Em muitas escolas, não há toques de entrada, nem livros de ponto, nem manuais, apenas laptops nas mãos de professores e alunos
10. O último período de aulas no Secundário é dedicado a trabalhos de grupo, conjuntos, de varias disciplinas. Uma vez por semana, apenas, há uma “aula tradicional”.
11. Os trabalhos (e a sua evolução) são partilhados com professores e alunos no Google Drive
11. Os professores são socialmente prestigiados, tem boas condições, mais férias e muita autonomia na forma como fazem o seu trabalho
12. Não há um sistema nacional de colocações. São os directores das escolas que anunciam as vagas e escolhem os novos docentes
12. A educação está completamente municipalizada
13. O Estado define uma lista (metas curriculares sintéticas) com tudo o que os alunos têm de saber no final dos diferentes níveis do ensino

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O Vencedor improvável na guerra Caneta e papel versus Computadores na batalha pelo conhecimento

Diversos estudos recentemente publicados vieram demonstrar que o uso de tecnologias digitais nas salas de aula não só não tem os retornos positivos que se esperavam, como pode até, ter consequências negativas.

Um estudo canadiano, da revista Computers & Education compara o uso de computadores nas salas de aula com o velho par caneta-papel e conclui perante uma dada exposição de matéria escolar, a retenção é maior se for usado o método convencional. No Reino Unido, outro estuda, aponta na mesma direcção, com um inquérito a estudantes do Ensino Superior indicando que as apresentações de slides powerpoint são uma das maiores causas de desmotivação nas aulas. Na Noruega, um estudo universitário conclui que a leitura em papel impresso leva a uma melhor compreensão dos textos que a leitura em monitores de computador.

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Sou contra subsídios à Cultura.

Sou contra subsídios à Cultura. Ou melhor sou contra subsídios à produção cultural, mas defendo activamente apoios financeiros ao consumo de cultura. E a existência de uma estratégia de promoção e defesa da produção de bens e serviços culturais de origem portuguesa ou lusófona.

Entendo que os criadores culturais devem orientar as suas produções para o público e que não devem procurar no Estado-Impostos o seu principal sustento. Concedo que têm que existir mecanismos que isentem este tipo de produção dos níveis de fiscalidade que se aplicam em actividades comerciais não-lucrativas e que a produção cultural tem um interesse e prioridade estratégica natural que merece esta discriminação positiva. Ou seja, em vez de subsídios à produção de Cultura, devemos ter um alívio da carga fiscal.

Os subsídios à cultura devem existir, sim, mas orientados para o consumo. A carga fiscal deve ser mantida em níveis mínimos e o Estado – a todos os níveis, das autarquias ao governo central – deve definir uma política global de promoção cultural que estimule este tipo de produção e consumos.

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Reflexão Sobre a aplicação do modelo alemão de Ensino Dual em Portugal

Introdução:
Um sistema educativo dual combina estágios em empresas e educação vocacional num estabelecimento de ensino tradicional. O sistema foi adotado (em diversos graus) em vários países, como a Alemanha, a Áustria, a Croácia ou a Suíça, entre outros, como a China, a Dinamarca e a Holanda.

O modelo alemão de ensino dual, conhecido por Duales Ausbildungssystem permite que os jovens germânicos escolham uma entre 356 áreas de estágio, como assistente de medicina, ótico ou empregado da construção civil. Todas estas áreas são reguladas e os programas definidos a nível nacional segundo padrões muito claros e precisos e aplicados da mesma forma em todo o território alemão.

O Estágio Empresarial:
Neste modelo dual, os jovens passam nas empresas entre três a cinco dias por semana tendo essas organizações a responsabilidade de garantir que os estudantes recebem educação num certo padrão de qualidade e quantidade nacionalmente definidos para a área vocacional que escolheram seguir. No modelo alemão, este ensino prático é acompanhado por aulas igualmente práticas em associações comerciais ou câmaras de comércio, por forma a que o ensino não seja demasiado especifico à realidade de uma só empresa. Estes cursos não excedem as quatro semanas no ano, sendo acompanhados por aulas mais teóricas nas escolas vocacionais que não excedem os sessenta dias anuais em blocos de uma a duas semanas cada.

Ensino Vocacional:
Da responsabilidade dos Estados alemães (a Alemanha é uma federação) esta parte do Ensino Dual alemão disponibiliza aos jovens no sistema ensinamentos teóricos sobre política, cidadania, economia, comércio, religião e desporto.

Avaliações:
No Sistema Dual germânico, os primeiros testes ocorrem a meio do percurso vocacional e servem apenas como indicador, não sendo estes resultados incorporados na avaliação final. Os exames são da responsabilidade de organizações comerciais e câmaras de comércio e indústria. Existem também exames elaborados por sindicatos, mas aqui o exame intercala já não é meramente indicativo, contando em 40% para a nota final. Aqueles estudantes que não conseguirem aproveitamento podem tornar a inscrever-se no próximo ano, mas apenas o podem fazer uma vez.

Vantagens de um Sistema Dual:
O estudante incorpora imediatamente o mercado de trabalho e vai recebendo tarefas de complexidade e responsabilidades crescentes à medida que as suas competências vão crescendo. Para as empresas, estes são os funcionários ideais, uma vez que os conhecem bem antes de os contratarem e que recebem treinamento específico para a realidade empresarial onde serão inseridos. Para os estudantes, os benefícios são também óbvios: obtém conhecimentos diretos de outros colegas mais experientes, sem teorias ou disciplinas de difícil ou impossível aplicação prática e, recebendo um vencimento desde o começo destes estágios.

Críticas ao Sistema Dual alemão:
Na Alemanha, tem-se observado nos últimos anos uma tendência para que um número crescente de estudantes segue os seus cursos somente em escolas e não em empresas, sobretudo devido a uma resistência crescente das empresas a aderirem ao sistema. Esta resistência empresarial encontra várias justificações: os custos do treinamento; a complexidade dos regulamentos envolvidos; a parte teórica e vocacional (em escolas) não fornece às empresas jovens suficientemente preparados para o estágio pratico, entre outras razões. Outra critica comum prende-se com o facto de apenas um pequeno número de jovens concorrerem a estágios de posições menos complexas, deixando-os por preencher. Paralelamente, empresas que operem em áreas mais técnicas ou especializadas têm dificuldade em encontrar posições adequadas para o menor nível de competências exigido pelo Ensino Dual, por comparação com o Ensino Superior convencional.
A resposta alemã a estas dificuldades passou pelo estabelecimento de contratos com empresas que permite que as empresas recorram a aprendizes ainda que não tenham qualquer plano para os contratar e pela criação de cursos práticos unicamente na Escola ou no Estado.

Conclusão:

Um sistema de ensino dual não é a panaceia que cura todos os males do sistema de ensino nacional. Encerra em si mesmo, uma série de contradições perigosas, desde logo propiciando à criação de duas castas de estudantes, fechadas sobre si mesma e provenientes de escalões sócio-económicas bem distintos. A utilização do ensino público como ferramenta essencial para a construção de uma sociedade de igualdade de oportunidades é assim ameaçada por um sistema de castas, em que o Ensino Dual se pode rapidamente transformar.

Mas não tem que ser necessariamente assim. A falta de qualidade média do ensino nacional é quase unanimemente reconhecida e isso indica que as coisas não podem ficar como estão: temos que nos aproximar dos melhores (Coreia do Sul e Finlândia) e deixar os caminhos que já trilhamos. E a transformação do ensino superior num “depósito” de jovens para adiar o mais possível a sua entrada no mercado de trabalho, entretendo-os com mestrados, doutoramentos e quejandos de nula ou escassa utilidade prática, não é parte da solução, mas do problema. Devidamente adaptado à realidade cultural e social lusa, abrindo pontes que permitam que os alunos do Ensino Prático (que demonstrem especiais capacidades) acedam ao ensino superior e interligando ambos com as empresas, sem deixar que estas o usem como uma reserva de mão de obra barata ou, pior, paga pelo Estado, é possível implementar um Ensino Dual em Portugal que restaure as perdidas “escolas profissionais” no nosso sistema de ensino, que forme para a vida e não para a academia (e o desemprego) e que instale nos jovens um instinto empreendedor e dinâmico que hoje tanto escasseia.

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E se (contra as teorias) os alunos socioeconomicamente mais desfavorecidos não fossem os de pior rendimento escolar?

Ano após ano, as escolas públicas caem no ranking nacional. Mas este ano o ranking incorpora um elemento novo: as características sócio-económicas dos agregados familiares dos alunos. E os dados que revela são inesperados: ao contrário do que seria de esperar, 51% das escolas secundárias públicas ficaram abaixo do que seria de esperar em função desse padrão socioeconómico. Algo de semelhante, regista-se também nas escolas primárias. O ranking revela igualmente que “em 350 agrupamentos e 34 escolas isoladas, mais de metade dos alunos do básico e secundário estão abrangidos pela ação social escolar, o que significa que as suas famílias têm rendimentos iguais ou abaixo de 400 euros por mês. Em dois destes agrupamentos 100% dos alunos do 4.º, 6.º e 9.º ano passaram.”

Sem o matar de forma cabal e definitiva, estes dados indicam que afinal de conta a maioria das crianças consegue vencer o contexto familiar e económico em que está inserido e apresentar resultados superiores a companheiros que vivem em contextos mais favoráveis. Como dizia Agostinho da Silva, talvez, afinal, o caráter se forme mesmo mais nas dificuldades do que nas facilidades. Talvez a necessidade de exigência seja mais urgente quando não existe o conforto de um lar sólido e abundante em recursos, talvez a maior pobreza implique menos distrações (saídas à noite, computadores, consolas, smartphones, drogas leves ou pesadas, espetáculos musicais, etc, etc). A refletir.

Fonte:

http://www.publico.pt/educacao/noticia/rankings-1567157

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Tiger Leap Foundation: O Magalhães feito como deve ser

Tiger Leap Foundation (http://img.docstoccdn.com)

Tiger Leap Foundation (http://img.docstoccdn.com)

Já escrevi várias vezes sobre a grande desilusão que foi o programa Magalhães, sobre a escala incrível de desperdício e de oportunidades perdidas que representou e como se tornou de uma ferramenta absolutamente crucial para oferecer um autêntico “salto quântico” à nossa sociedade, num instrumento de jogos e de chat, facebooks e outras irrelevâncias.

Mas enquanto Portugal desperdiçou o Magalhães, outros não seguiram o seu infeliz exemplo. A Estónia, nomeadamente, está a lançar um programa nacional para ensinar aos alunos dos vários graus de ensino público, a começar tão cedo como a Primária, linguagens de programação. O projeto está a ser conduzido pela “Tiger Leap Foundation”, entidade que está a reunir os materiais de estudo que depois serão disponibilizados às escolas que aderiram ao projeto.

A fundação está a treinar professores desde o início de setembro de 2012 por forma a que estejam preparados para lecionarem aulas de programação já a partir de outubro.

Numa fase inicial, serão usadas aplicações da Microsoft, como a especialmente desenvolvida “Kodu” e o objetivo será o de criar jogos baseados na Internet e que poderão correr em Windows ou numa consola Xbox.

Um exemplo que Portugal deveria também seguir, aproveitando a extensa e sub-aproveitada base fornecida pelos Magalhães, mas procurando utilizar não ferramentas proprietárias e fechadas de grandes multinacionais norte-americanas, mas utilizando ferramentas de Código Aberto e os sistemas operativos Linux que aliás estão também já presentes nos computadores Magalhães, garantindo assim uma independência em relação aos interesses egoístas das grandes corporações e de países estrangeiros.

Fonte:
http://www.spacemart.com/reports/Estonian_first_graders_to_learn_computer_code_999.html

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Pedro Cipriano: “A capacidade de pensamento crítico sofreu um declínio durante o último século. (…) a disponibilidade de informação não parece contribuir para uma abertura de horizontes. É claro que a educação contribui de maneira decisiva para a castração do pensamento”

“A capacidade de pensamento crítico sofreu um declínio durante o último século. (…) a disponibilidade de informação não parece contribuir para uma abertura de horizontes. É claro que a educação contribui de maneira decisiva para a castração do pensamento (…) A religião, com os seus dogmas; a cultura, com a sua massificação; a sociedade com a sua alergia à mudança e a educação, com sua componente fortemente cartesiana, contribuem para o adormecimento das mentes, anestesiando-as para a realidade.”
Pedro Cipriano
Revista Nova Águia, número oito

A Educação e o sistema educativo têm, com efeito, contribuído para tornar a sociedade repetitiva, previsível e – globalmente – decadente. Em muitos campo, nos setores culturais e tecnológicos assiste-se já a uma certa estagnação e espírito de repetição e de baixa propensão para a inovação e para o risco, fenómenos que se registavam igualmente no Baixo Império Romano depois da pequena “idade de ouro” dos Antoninos e que indiciam que uma civilização entrou em fase de declínio…

O papel da Educação é aqui crucial: em lugar de formar excelentes memorizadores (ou cabuladores…) a Escola deve procurar estimular a inteligência e a criatividade, abandonar os programas extensos, a acumulação absurda de cadeiras e disciplinas concentrando-se no essencial: português e matemática e abrir o resto da carga horária letiva à descoberta e à criatividade.

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Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo”

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i.ytimg.com)

“Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho não chegou a viver na época de facilitismos e de martelação descarada das avaliações e exames por forma a fazer com que Portugal ascendesse de forma artificial nas escalas internacionais… se tivesse, ainda teria sido mais agudo nesta sua análise.

A exigência está afastada enquanto objetivo do sistema de ensino (público e privado) e e onde deveríamos ter um quadro que premiasse o mérito e os melhores – pela via do reconhecimento público e do prémio financeiro para pais e alunos – temos um sistema baseado na memorização bruta e bovina que visa formar classes de escravos dóceis e obedientes e não pensadores livres e independentes. Sejamos claros: o sistema educativo não é como é por “erro” ou inépcia dos seus agentes, é como é porque é exatamente assim que deve ser para que nada mude nunca e que tudo permaneça exatamente como está.

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Contra as Feiras do Livro “Selvagens”

Um dos espaços culturais mais importantes para qualquer sociedade desenvolvida e socialmente dinâmica são as livrarias independentes. E sublinho aqui bem, e forma veemente, o “independentes”: aquelas livrarias de que existem hoje em Portugal apenas quatro de boa dimensão (sendo a Barata uma delas): livrarias que resistem à voracidade fiscal e ao egoísmo desmedido dos banqueiros e ao império opressivo e bovinizante das “grandes superfícies”.

Pressionadas pelo consumismo imediatista, comercialeiro e simplista da lógica dos “best sellers” imposto pelos grandes Supermercados, com as suas lógicas de “dumping”, as livrarias resistentes continuam a oferecer um leque de obras, autores e editoras que não sendo comercialeiras, são culturalmente muito relevantes. Sem estas livrarias independentes não haverá Cultura, apenas Venda. Nada de novos autores, ensaios políticos, literários, filosóficos, históricos ou científicos. Apenas o último Harry Potter, o “novo” Dan Brown ou qualquer outro modismo de última hora. O deserto cultural decorrente de um país em que todos os livros se vendem nas grandes superfícies será ensurdecedor… e é para aí que caminhamos, a passo ainda mais acelerado, hoje, devido à erupção de um novo fenómeno: o das “Feiras do Livro” itinerantes. Ou melhor, falsamente itinerantes, já que cada vez têm estruturas mais permanentes, montando com estruturas de aço tendas em locais nobres das maiores cidades portuguesas, em flagrante e desleal concorrência (só funcionam durante alguns meses do ano e todos os empregos que geram são sempre precários). Enquanto as livrarias convencionais – que resistem à voragem das Grandes Superfícies – pagam impostos e dão emprego durante todo o ano, as “feiras do livro” aparecem e desaparecem apenas durante alguns meses do ano, com baixos custos operacionais (instalações e rendas). Como as Grandes Superfícies, também as “feiras do livro” apresentam ao público apenas segmentos muito específicos do mercado, concentrando-se nas edições menos vendidas (os chamados “monos”), como elas, saturam o mercado com livros a baixos preços e erodem o mercado…

Urge regular o mercado de “feiras do livros” por forma a proteger (sem pudores) as livrarias tradicionais, importantes e insubstituíveis espaços de cultura e únicas janelas de comercialização para jovens autores e editoras que não conseguem penetrar noutro tipo de espaços comerciais.

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Agostinho da Silva: “O essencial para um homem verdadeiramente de universidade não é ter quem o apoie, é ter quem o contradiga, é ter quem esteja sempre junto dele não deixando que a sua imaginação o leve por caminhos errados, ou que a sua informação seja deficiente; é ter o homem que a cada passo esteja dentro dele como contrário, para que da soma dos dois possa resultar alguma coisa de útil.”

Agostinho da Silva (http://img.youtube.com)

Agostinho da Silva (http://img.youtube.com)

“O essencial para um homem verdadeiramente de universidade não é ter quem o apoie, é ter quem o contradiga, é ter quem esteja sempre junto dele não deixando que a sua imaginação o leve por caminhos errados, ou que a sua informação seja deficiente; é ter o homem que a cada passo esteja dentro dele como contrário, para que da soma dos dois possa resultar alguma coisa de útil.”
Depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito
Agostinho da Silva

Não tenhamos dúvidas: a qualidade de uma Universidade – esteja ela onde estiver e em que época for – mede-se sempre em função da qualidade dos seus Professores. A maior prioridade não deve ser assim a buscar municiar-se dos maiores e melhores equipamentos, edifícios ou laboratórios, mas a de procurar os melhores, mais imaginativos, criativos e ousados professores, idealmente entre os seus próprios alunos, evitando recorrer a professores de carreira de outras universidades e criando assim mecanismos de meritocracia internos que estimularão os melhores alunos a serem ainda melhores e que criarão um espírito de comunhão e de pertença.

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Agostinho da Silva: “Nas nossas universidades, em lugar de andar procurando com uma lanterna na mão quais os homens rebeldes e agressivos, quais os homens que ela chama de desajustados, andam, pelo contrário, à procura dos homens não rebeldes, dos não-agressivos, dos homens ajustados”

Agostinho da Silva (http://www.cenif.com)

Agostinho da Silva (http://www.cenif.com)

“Nas nossas universidades, em lugar de andar procurando com uma lanterna na mão quais os homens rebeldes e agressivos, quais os homens que ela chama de desajustados, andam, pelo contrário, à procura dos homens não rebeldes, dos não-agressivos, dos homens ajustados.”
Depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito
Agostinho da Silva

Porque se estima muito mais o comodismo e bovino assentamento frente ao Sistema do que o seu permanente desafio e contestação… as universidades modernas são depósitos infindos de gerontes que se arrastam de cadeirão em cadeirão, com a lentidão de caracóis barbudos tentando tudo por tudo bloquear a entrada de jovens promissores (mas potencialmente contestatários) nas suas carreiras.

As Universidades são os seus professores, não os seus edifícios, salas, cadeiras, quadros de ardósia ou – mesmo – laboratórios. É no recrutamento dos seus melhores que devem concentrar o cerne dos seus esforços, mas não é isto que têm feito, pela simples razão de que as carreiras estão bloqueadas por estas hostes infindas de gerontes e por hierarquias que preferem sempre a estabilidade bacoca e a ortodoxia fundamentalista à inovação e à renovação de quadros.

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Agostinho da Silva: “Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“Ensinar meninos da maneira fácil, fazer rir meninos quando aprendem aritmética ou geografia é das coisas mais absurdas que podem existir no mundo. As coisas são difíceis; aquilo que se tem que fazer dá muito trabalho, e então é preciso que o menino, logo desde o princípio, saiba que aquilo que ele tem que aprender é efetivamente trabalhoso e exige aplicação total.”
Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho não chegou a viver na época de facilitismos e de martelação descarada das avaliações e exames por forma a fazer com que Portugal ascendesse de forma artificial nas escalas internacionais… se tivesse, ainda teria sido mais agudo nesta sua análise.

A exigência está afastada enquanto objetivo do sistema de ensino (público e privado) e e onde deveríamos ter um quadro que premiasse o mérito e os melhores – pela via do reconhecimento público e do prémio financeiro para pais e alunos – temos um sistema baseado na memorização bruta e bovina que visa formar classes de escravos dóceis e obedientes e não pensadores livres e independentes. Sejamos claros: o sistema educativo não é como é por “erro” ou inépcia dos seus agentes, é como é porque é exatamente assim que deve ser para que nada mude nunca e que tudo permaneça exatamente como está.

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“Há mais de 13 mil professores em horário no ano letivo de 2012-2013 (…) no ano passado havia perto de 103 mil docentes nos quadros.”

“Há mais de 13 mil professores em horário no ano letivo de 2012-2013 (…) no ano passado havia perto de 103 mil docentes nos quadros.”

SOL
3 de agosto de 2012

Portugal tem uma das taxas de substituição demográfica mais baixas do mundo: em vez dos 2.1 filhos por casal necessários para manter a nossa população aos níveis atuais temos apenas 1.3. O problema tem consequências tremendas a nível da sustentação económica do país e da segurança social e – em qualquer país inteligentemente governado – seria a prioridade absoluta de todas as políticas. Não é assim.

Mas o problema implica outra realidade: cada vez há menos crianças para frequentarem o ensino público e privado. Atualmente, existem 7.7 alunos por professor no ensino público. Esta rácio é intrigante (surge noutra fonte) já que as turmas, mesmo antes do recente aumento de alunos por turma, não tinham dimensões compatíveis com esta rácio. Por outro lado, se em “serviço sindical” há menos de 400 pessoas (um número impressionante, de qualquer forma) também não é aqui que estão estes professores… o mistério adensa-se. E leva a uma pergunta incómoda: se há cada vez menos crianças e mais de cem mil professores e se este número é fixo (são funcionários públicos e logo, indespediveis) não vamos chegar a um ponto em que a situação será impossível de suportar e que uma solução (por radical que seja) se acabe por ter que impor?

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Agostinho da Silva: “Uma educação que temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente passar, não mais gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de vinte anos vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma, fraquíssima de caráter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“Uma educação que temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente passar, não mais gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de vinte anos vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma, fraquíssima de caráter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar. “

Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

As falsas facilidades da vida moderna que, num certo tempo em Portugal induziram a uma falsa sensação de riqueza e ociosidade, conjugada com a existência de uma taxa de desemprego jovem superior aos trinta por cento e uma enormidade de cursos “superiores” de nula ou rara utilidade para a vida real.

Mais que uma geração de funcionários públicos (o principal destino de todos os jovens licenciados depois de 1996) há que formar uma nova geração de empreendedores, criadores e inovadores. Sacuda-se o pesado capote deixado na nossa sociedade pela Inquisição, pelo Index, pelo Salazarismo e pela ignorância crónica e construamos uma sociedade nova, de empreendedores, de gente que ousa ousar e que não teme falhar para conseguir.

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Pedro Cipriano: “Durante o último século, avanços tecnológicos levaram à multiplicação do número de editoras e, com a redução do preço, tornando acessíveis bons livros e numerosas revistas e jornais à maioria da população. Porém,a quantidade de lixo e sensacionalismo aumentou também a um ritmo exponencial”

“Durante o último século, avanços tecnológicos levaram à multiplicação do número de editoras e, com a redução do preço, tornando acessíveis bons livros e numerosas revistas e jornais à maioria da população. Porém,a quantidade de lixo e sensacionalismo aumentou também a um ritmo exponencial.”

Pedro Cipriano
Revista Nova Águia, número oito

Mas a verdade é que vivemos uma época muito especial: nunca foi tão fácil e barato editar um livro. É certo que a estrutura de distribuição livreira está em crise em Portugal, muito por via do efeito pernicioso do dumping e da pressão desleal por parte da grande distribuição e da multiplicação caótica de “feiras do livro” um pouco por todo o território nacional, destruindo um e outro fenómenos a rede tradicional de livrarias de qualidade que em tempos existiu em Portugal. As livrarias são essenciais para uma certa visão de cultura e de vida cultural, o seu fim, irá ditar o fim consequente de uma certa mundo-visão e o fim de muitas edições que são incompatíveis com a restrita “visão de mercado” exigida pelas grandes superfícies.

Defendamos as livrarias continuando a frequentá-las e comprar nestes importantes espaços de convívio e cultura.

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Correlação entre o aumento do PIB em resultado da exploração dos seus recursos naturais e os testes PISA

“Foi publicado um estudo da OCDE que mede a correlação entre a performance dos testes PISA e o aumento do PIB em resultado da exploração dos seus recursos naturais.
O resultado é absolutamente revelador,  pois,  de acordo com este estudo,  “verifica-se que existe uma relação significativa negativa entre as riquezas naturais extraídas e as competências e conhecimentos adquiridos nas escolas” – Dito de outra forma,  quanto maior é a extração de recursos naturais,  mais baixos são os níveis de conhecimentos adquiridos nas escolas.  Neste sentido,  também Israel (como Taiwan) constitui um paradigma,  dado que,  apesar de ser um país pobre em recursos naturais,  tem uma das mais inovadoras economias do mundo e a sua população goza de padrões de vida muito superiores aos dos seus vizinhos ricos em petróleo. Os altos resultados do PISA em Singapura,  Finlândia, Coreia do Sul, Japão e Hong Kong e os baixos resultados do PISA em testes no Qatar,  Cazaquistão,  Arábia Saudita,  Kuwait e Omã provam que os livros são bastantes mais profícuos que os recursos naturais no desenvolvimento das nações.
Por conseguinte,  é na aposta de um ensino exigente e de qualidade,  com professores fortemente motivados,  que está a resposta à saída da crise do nosso país. Por isso,  causa estupefação os cortes radicais e incompreensíveis,  de alguns anos a esta parte,  no ensino,  e,  especial nas universidades.
(…)
Acresce que a minha perplexidade não tem limites quando membros do executivo aconselham os nossos filhos,  jovens talentosos,  muitos deles altamente qualificados,  que constitui,  a verdadeira riqueza deste país, a emigrarem,  agravando o desequilíbrio demográfico e aumentando a pressão sobre o sistema de segurança social. “

Domingos Ferreira
Publico 28 de março de 2012

Desde logo,  ressalta aqui a ausência de Portugal de uma lista onde – pela escassez de recursos naturais – devia constar e,  especial destaque… com efeito, poucos países de média escala do globo se encontram menos providos de riquezas naturais que Portugal… e contudo,  algo no nosso sistema educativo se encontra tão quebrado e disfuncional que impede que os nossos estudantes obtenham melhores resultados.

O problema que nos repele dos lugares cimeiros dos testes PISA é conhecido e está bem identificado: não é a falta de recursos (a despesa por aluno é superior à alemã, assim como o quadro remuneratório), mas a sua utilização. Em particular,  não existe no sistema público de ensino nacional uma meritocracia aplicada nas duas vertentes principais da educação: os alunos e os professores.

Décadas de teorias educativas facilitistas aumentaram a posição estatística o país em algumas tabelas comparativas,  mas nada fizeram para melhorar realmente a qualidade do ensino e as competências e capacitações dos nossos alunos.  O sistema não tem simplesmente mecanismos de prémio de mérito: não existem prémios pecuniários ou em materiais de estudo nem para os melhores alunos,  nem para as suas famílias. Sobretudo,  não existem estímulos ao esforços, capacidades e méritos dos melhores professores. Em particular,  o seu vencimento não está suficientemente ligado ao rendimento escolar dos seus alunos (medido em testes independentes) para estimular os piores e premiar os melhores.

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Agostinho da Silva: “Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de leva-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio. É necessário obriga-lo a saltar obstáculos.”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de leva-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio. É necessário obriga-lo a saltar obstáculos.”

Baden-Powell, pedagogia e personalidade
Agostinho da Silva

Agostinho da Silva é um dos principais pensadores que – a par de Teixeira de Pascoaes, António Telmo, Pinharanda Gomes e Dalila Pereira da Silva – inspiraram o pensamento política e cívico do MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Ora Agostinho nunca quis, nunca soube ou foi capaz de levar uma vida cómoda ou tranquila. Audaz, inovador e empreendedor, correu mundo fundando aqui e ali universidades ou centros culturais, ensinando crianças e adultos, escrevendo e pensando sempre e de forma original. Esta sua intranquilidade deve servir-nos de exemplo e perante as trágicas dificuldades com que agora nos deparamos esta intranquilidade do pensador de Barca d’Alva deve inspirar-nos e levar-nos a prescindir de todos os luxos e materialismos fátuos a que hoje nos habituamos, concentrarmo-nos no essencial, na cultura, na vida mental e familiar e aceitar com alegria e coragem os desafios que a grave crise económica, financeira e moral hoje nos apresenta.

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Um estudo que coloca em causa as vantagens de programas como o OLPC ou o Magalhães

Magalhães (http://imgs.sapo.pt)

Magalhães (http://imgs.sapo.pt)

Por várias vezes já escrevi aqui sobre o que pensava do programa Magalhães… da imensa oportunidade perdida ao se ter fidelizado os utilizadores dos computadores a software proprietário de uma grande corporação multinacional e ao ser ter encharcado os computadores de software, quando este devia ser reduzido ao mínimo, dispensando jogos e ferramentas de chat,  focando em software de programação e de teor estritamente educativo.

Tornado em mera plataforma comercial de computação, a maioria dos Magalhães acabariam por não serem mais do que computadores baratos usados por pais e irmãos mais velhos. Quanto aos esperados extraordinários efeitos educativos do programa eles simplesmente nunca foram medidos em Portugal… mas isso não aconteceu no Peru. Com efeito, foram publicados os resultados de um estudo sobre os efeitos da utilização do “One Laptop per Child” (OLPC) e nas 319 escolas onde estes computadores muito idênticos ao Magalhães foram introduzidos há alguns anos e onde agora um estudo do Banco Inter-americano de Desenvolvimento não encontrou provas de que a utilização do OLPC tivesse tido qualquer impacto nas notas de matemática ou de línguas dos alunos.

O estudo encontra contudo algumas vantagens, como o aumento de acesso à Internet e a computadores a muitas famílias onde este acesso era previamente impossível O aumento de competências básicas como processamento de texto, mas a grande conclusão mantêm-se: a entrega de computadores como o Magalhães ou o OLPC a crianças em idade escolar nao chega – de per si – para aumentar o seu rendimento escolar e então, há que questionar se o programa merece mesmo ser promovido e implementado.
Fonte:
http://digg.com/newsbar/Technology/one_laptop_per_child_program_not_improving_math_or_language_test_scores_according_to_study

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“Teixeira de Pascoaes referia como defeitos da alma pátria a falta de persistência, a inveja, a vaidade susceptível, a intolerância e o espírito de imitação”

Teixeira de Pascoaes (http://www.baixotamega.pt)

Teixeira de Pascoaes (http://www.baixotamega.pt)

“Já Teixeira de Pascoaes, na sua importante obra identitária, Arte de ser Português, referia como defeitos da alma pátria a falta de persistência, a inveja, a vaidade susceptível, a intolerância e o espírito de imitação. Defensor do municipalismo, da família e do cristianismo como elementos caraterizadores do português, Teixeira de Pascoaes rejeitava o materialismo e exaltava o carácter religioso do povo, que considerava indispensável.”

Portugal, Uma Análise do Poder
João Franco
Finis Mundi, número 3

Pascoaes é, a par de Agostinho da Silva, um dos grandes influenciadores da vertente mais política do MIL: Movimento Internacional Lusófono, enquanto movimento cultural e cívico que é. Como Teixeira de Pascoaes, somos defensores ardorosos do Municipalismo, estando inscrita na nossa Declaração de Princípios, defendendo uma Regionalização Municipalista que respeite as tradições municipalistas medievais portuguesas e que restaure a vida e a prosperidade num interior cada vez mais desertificado.

Em Pascoaes encontramos também a admissão da família como um núcleo celular fundamental e o reconhecimento dos valores cristãos, numa variante portuguesa e algo prisciliana e independente da tutela de Roma. A partir do Municipalismo, da Família e do Cristianismo Lusitano, Teixeira de Pascoaes sonhava com um novo Portugal, mais espiritual, menos materialista e obcecado com a “coisificação” entorpecente e bovinizadora do Portugal de hoje e onde a realização individual é conseguida através da livre expressão da vocação livre e criadora que reside em cada português e que apenas o jugo das diversas “Inquisições”: começando pela Santa, passando pelo Salazarismo e terminando no estéril Pós-Modernismo da atualidade.

Defensor do municipalismo, da família e do cristianismo como elementos caraterizadores do português, Teixeira de Pascoaes rejeitava o materialismo e exaltava o carácter religioso do povo, que considerava indispensável para o seu pleno desenvolvimento.

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Sobre as desistências do ensino em Portugal

“As desistências precoces do percurso escolar mantêm-se elevadas: um em cada três jovens (18-24 anos) já não está a estudar e não atingiu o nível de ensino secundário em 2009. Este é o valor mais alto da União Europeia. Fica assim claro o longo caminho que há a percorrer para se atingir os níveis dos outros países europeus – em média, nos 27 países, em 2008, só 15% dos jovens se encontravam nessa situação de “abandono precoce da escola”.

Portugal: Os Números
Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas

O Ensino foi em 1911 uma das grandes prioridades do novel regime Republicano e agora, volvidos já mais de cem anos, continua a ser o grande bloqueio do nosso sistema democrático. Uma população globalmente boçal, indevidamente instruída, desinteressada pela expressão e ação cidadã será sempre presa fácil de todos os populismos e manipulações que os “senhores dos Media” quiserem exercer sobre ela.

Para que haja uma democracia plena e não apenas informal ou superficial é absolutamente imperativo que brote um pensamento critico, uma ação cívica constante e vigilante e que ambos se vulgarizem entre as massas governadas. Em suma, só pode haver democracia plena num clima social que favoreça à aparição e desenvolvimento da cidadania.

No que respeita à expressão cidadã, o tradicional modelo representativo aparenta estar esgotado: usurpado por clãs familiares que se alternam no Poder, rotativamente e servindo sempre lógicas corporativas, internas ou os perigosos lobbies financiadores. A renovação da Democracia só pode assim ser realizada pela via do estabelecimento de formas de Democracia Direta, sem intermediações nem profissionalismos. Mas tal formato pode apenas sobreviver num contexto em que a esmagadora dos seus agentes toma decisões de forma informada, racional e consequente. Para tal, a Educação é fundamental… Regressando assim a grande prioridade governativa da Primeira República: a instrução pública, como primeira e última de qualquer governo democraticamente eleito e civicamente consciente.

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“O problema de fundo (da Educação em): Portugal é o país da OCDE que gasta uma maior parcela do orçamento da educação em vencimentos de professores”

http://www.blogdokimos.com
“O problema de fundo (da Educação em): Portugal é o país da OCDE que gasta uma maior parcela do orçamento da educação em vencimentos de professores – cerca de 95%; é também dos países onde é maior a diferença salarial entre um professor no final da carreira e um professor no inicio de carreira (quase 3 vezes mais). No seu conjunto, estes dois indicadores sublinham o óbvio: sem mudanças estruturais profundas na gestão dos docentes, o sistema de ensino português é insustentável a prazo.”

Francisco Vieira Sousa
Correio da Manha, 28 dezembro 2011

Fala-se muito de “reformas estruturais” e o tema regressa recorrentemente, governo após governo… E nada de substancial muda na estrutura de despesas do Estado. Não há muitos dias, observamos com espanto que apesar de toda a contenção, suspensão de investimentos e cortes salariais a despesa do Estado caiu apenas 1%. Ou seja, o grosso (esmagador) da redução do défice orçamental resulta do aumento brutal da carga fiscal e não da redução da despesa!

Até quando irão os portugueses suportar este aumento da carga fiscal em permeio de uma escandalosa congelação das despesas do Estado? De permeio com golpadas ligadas a nomeações na EDP e outras aleivosias, o Estado não reduz o seu peso na Economia e, logo, obriga-se a cobrar uma carga fiscal cada vez mais insuportável.

O caso da Educação é delicado. Portugal é também o país da OCDE em que a diferença salarial entre um professor recentemente contratado e um professor à beira da reforma é maior. Isto é imoral e ineficaz em termos de resultados e estímulo ao mérito, especialmente contando também com as diferentes cargas horárias. Apesar de toda a oposição corporativa e sindical, as avaliações devem fazer a destrinça entre bons e maus professores e não a mera idade… E o facto de os professores terem – por comparação com o instável mundo das empresas privadas – uma vida profissional ainda razoavelmente protegida deve também ser considerada como uma forma lateral (mas não dominante) de remuneração.

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Agostinho da Silva: “o que é necessário é que se ensine a estudar, a trabalhar pelos próprios meios; viagens, contactar com os homens e não a prisão dos colégios (…), nada de violência na educação, tudo por meios suasórios, pela brandura”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

Por forma a que se possa desenvolver sobretudo a inteligência do aluno, para que depois resolva as questões por si próprio, Agostinho sublinha que “o que é necessário é que se ensine a estudar, a trabalhar pelos próprios meios; viagens, contactar com os homens e não a prisão dos colégios (…), nada de violência na educação, tudo por meios suasórios, pela brandura”.
Agostinho da Silva, Senhor de Montaigne

Se há coisa que me espanta no sistema de ensino atual – independente do grau – é o facto de o principal no Ensino e na Educação ser completamente desprezado: não há vestígios daquilo que devia ser central, a preocupação em ensinar não dados ou informações processadas, mas métodos de estudo e de investigação.

A Educação deve por todas as formas promover à aparição de pensamento próprio, livre e independente e não à memorização estéril e temporalmente caduca. Os professores devem ensinar aos alunos métodos de estudo, ferramentas de aprendizagem e orientá-los na busca do Saber, não entregá-lo já mastigado para rápida degustação e superficial apreensão. Tanto quanto possível todo o Ensino deve ser experimental e orientado por forma a que o Saber chegue ao aluno pela via do frutuoso cruzamento entre a sua genuína e acarinhada curiosidade e as ferramentas do método experimental, cuidadosamente monitorizadas, acompanhadas e orientadas pelo Professor que assim se torna menos um “senhor feudal” e mais um “tutor” e “guia”.

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Agostinho da Silva: “Não o simples saber e a cega obediência intelectual, mas o espírito critico, a tolerância, a coragem ante as pequenas ou grandes dificuldades”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“Não o simples saber e a cega obediência intelectual, mas o espírito critico, a tolerância, a coragem ante as pequenas ou grandes dificuldades, a calma inabalável, o amor da Humanidade, a cooperação de todos para o bem de todos, a largueza das soluções inteligentes e nobres.”
Agostinho da Silva, As Altas Escolas Populares da Dinamarca

Eis os valores para os quais a Escola deve preocupar-se em orientar os seus alunos, tornando-os em cidadãos ativos e conscientes, capazes de produzirem reais alterações na sociedade e nas comunidades em que estão inseridos. Escola para a Vida em Comunidade, mais do que mero reprodutor de saber alheio, a Escola deve assim assumir um papel mais Cívico do que de mero repositório de conhecimento.

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Agostinho da Silva: “Para um povo se poder considerar livre, é necessário que possa usar de sua inteligência critica sobre uma base de informação tão segura e atualizada quanto possível”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“Para um povo se poder considerar livre, é necessário que possa usar de sua inteligência critica sobre uma base de informação tão segura e atualizada quanto possível.”
Agostinho da Silva, Educação do Quinto Império

O Saber deve estar sempre disponível. De forma gratuita e em acesso universal. A Escola deve concentrar os seus esforços em conceder aos Alunos as duas ferramentas cruciais para a apreensão de novo saber: a língua portuguesa e a matemática. Estas ferramentas, apresentadas e transmitidas aos alunos por via experimental e empírica, devem permitir o acesso a repositórios de saber que usando a tecnologia e a Internet permitam o seu fácil acesso a quem dela precisa.

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Agostinho da Silva: “Instruir sem educar pode ser a mais perigosa das empresas em que se empenha um homem ou um país”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“Instruir sem educar pode ser a mais perigosa das empresas em que se empenha um homem ou um país, pois que vai pôr instrumentos de vida ou morte nas mãos de quem, se não era ignaro por nascimento, ignaro se tornou porque lhe não houve a tal anagogia”.
Agostinho da Silva, Sanderson e a Escola de Oundle

Instruir é derramar conhecimento sem haver preocupação na sua real apreensão. É usar a estéril memorização onde pode haver inovação e criatividade. Substituir a Memória (sem a desprezar) pela Imaginação. Transformar os Homens em maquinas de repetição deixando por cumprir a plena realização do seu potencial criativo.

Educar é entregar ao aluno (de todas as idades) ferramentas para auto-aprendizagem, estimular, promover e orientar a produção de saber original e criativo. Educar é ensinar a aprender. Instruir é repetir e macaquear.

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Agostinho da Silva: “Ora o mestre não se fez para rir; rir é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“Ora o mestre não se fez para rir; rir é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos.”
Agostinho da Silva

Não tenhamos medo do ridículo ao propormos conceitos novos e realmente inovadores. O riso resvala na saudável de uma forte indiferença quando sabemos que estamos no caminho certo e aceitamos a convicção das nossas convicções. Não me intimida que descreiam ou ridicularizem noções como “união lusófona”, “descentralização municipalista”, “moedas locais” ou “economias locais”. Sei que estou certo e que esse é o destino de Portugal e da comunidade lusófona. Sei-o numa convicção sentida e plena, numa tranquila certeza que é compatível com a duvida e incerteza que tem sempre que acompanhar a Fé por forma a temperar todos os extremismos e radicalismos. O destino final permite desvios corretivos tanto (ou mais) quanto exige convicção e empenho.

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Agostinho da Silva: “Habituar o espírito a uma atitude critica e pô-lo em contacto franco e inteligente com os problemas da via deve ser visto como o objetivo de toda a educação que se não limita ao ensino das técnicas e à fabricação em série de indivíduos resignados e apáticos”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“Habituar o espírito a uma atitude critica e pô-lo em contacto franco e inteligente com os problemas da via deve ser visto como o objetivo de toda a educação que se não limita ao ensino das técnicas e à fabricação em série de indivíduos resignados e apáticos.”
Agostinho da Silva, Sanderson e a Escola de Oundle

A Escola não pode ser uma fabrica de “amebas que respiram”. Tem que ser um ambiente simultaneamente exigente e estimulante que favoreça o desenvolvimento de cidadãos ativos e conscientes; não de bovinos dóceis e submissos, sempre dispostos a aceitarem os mais diversos jugos, independentemente do seu rigor ou injustiça.

A Escola deve ser o primeiro educador para uma Cidadania Ativa e consciente, concedendo ferramentas para a produção de saber original e criativo sempre no contexto de uma educação para a vida em comunidade e consciente da integração do Homem no meio natural e no planeta que nos serve a todos de casa comum de cuja saúde e preservação temos todos a responsabilidade partilhada de cuidar e nutrir.

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