Economia Politica

debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?” na SEDES de 2 de Julho

Os juros que Portugal paga pela sua divida externa são – grosso modo – comparáveis aquilo que se gasta no orçamento do SNS.
Eurico Brilhante Dias
No debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?” na SEDES de 2 de Julho
Se pedirmos a renegociação da divida estamos a aumentar a nossa taxa de risco e, logo, a taxa de juro.
João Salgueiro
No debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?” na SEDES de 2 de Julho
No programa do PS, a diminuição da TSU, que visa aumentar o consumo. Mas em economia, um instrumento deve ter apenas um objetivo em vista. Se se quer aumentar o rendimento disponível, há que diminuir o IRS, não planear daqui a oito anos e descer a TSU. Eu, como macroeconomista, não me atreveria a planear a oito anos.
Luis Campos e Cunha:
No debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?” na SEDES de 2 de Julho
Os círculos uninominais do programa do PS já seriam um grande salto e espero que desta vez seja mesmo para aplicar. Mas melhor ainda, seria lá ver, o voto preferencial, como encontramos por exemplo, na Finlândia.
Luis Campos e Cunha:
No debate “Programas eleitorais respondem à crise nacional?” na SEDES de 2 de Julho
Categories: Economia Politica | Deixe um comentário

“A única lição a tirar das eleições gregas é que o PS não é nem será o PASOK”

“A única lição a tirar das eleições gregas é que o PS não é nem será o PASOK”
António Costa
O problema está em que o PASOK há uns dias também dizia que “o PASOK não é nem será o PASOK”.
A menos que se opte por um discurso e prática de ruptura, a convencional oscilação rotacionista não funcionará e os resultados das Legislativas serão completamente imprevisível, não se descartando uma surpresa do lado do PDR ou do Tempo de Avançar…
Precisamos de Propostas realizáveis mas de ruptura, de uma resposta clara ao problema da Divida e novos agentes políticos partidários. Ou isso, ou pasokizamos o PS. Sem termos um Syriza e abrindo assim a porta a todos os populismos, os que já vieram e os que ainda estão por vir…

Categories: Economia Politica, Europa e União Europeia | Deixe um comentário

Renovação Interna (nos Partidos Políticos), precisa-se e para já!

Perante o atual estado de bloqueio da Democracia, de crónica perda de representatividade democrática dos Partidos Políticos há que, primeiro, tomar consciência da gravidade da situação e dos riscos que este bloqueio apresenta para o próprio sistema democrático, abrindo as portas para formas mais ou menos encapuçadas de ditadura e populismo primário. Feito este diagnóstico, há que, de seguida, enfrentar o problema de frente e de uma forma decidida e consistente.
Nesta luta pela reforma da democracia há que partir do ponto onde estamos. E esse ponto é a condição de uma democracia que vive hoje no ocaso do seu primeiro estádio, o estádio Representativo. Muito erguido em torno de figuras e líderes carismáticos e dos partidos políticos, este modelo está hoje esgotado e tornado completamente anacrónico pela ubiquidade e capacidades revolucionárias das novas tecnologias. Apesar deste contexto – radicalmente diferente de qualquer outro contexto passado –  os partidos políticos insistem em não se renovarem, nem em práticas, nem em ideologia, e muito menos na sua organização e democracia internas. Os partidos políticos continuam assim de costas viradas a um mundo onde se exigem respostas complexas a problemas muito complexos, num quase “tempo real”, sem diferimento, com uma exposição quase total às movimentações da Opinião Pública e onde a Transparência de processos e o “Open Data” são imperativos de sobrevivência. De facto, a presente crise da Democracia Representativa, sucessivamente comprovada pelo crescimento sustentado dos níveis de abstenção, é também uma crise dos Partidos Políticos e será pela supressão da sua crise particular que se resolverá a crise do próprio regime democrático. E a resolução desta crise externa, de credibilidade pública, dos partidos far-se-á abrindo os seus processos internos de decisão aos cidadãos, através de Primárias, de Listas Abertas com Voto Preferencial para as listas distritais de deputados, com Programas abertos e colaborativos. Paralelamente, os partido terão que saber que recuperar a credibilidade garantindo a fiabilidade dos seus compromissos eleitorais, recusando formas internas de corrupção (como os sindicatos de voto e os clãs familiares) e repondo a razoabilidade nas suas despesas em marketing político e impondo regras muito restritas de separação da Política dos Negócios e severas regras de incompatibilidades entre os seus eleitos. Trilhando, com sucesso, caminho novo nestas vias, os partidos poderão reconciliar-se com os cidadãos e sem diminuir o papel dos seus militantes na sua vida e democracia internas, renovarem-se a partir do seu interior e readquirirem a credibilidade perdida junto dos cidadãos.
Categories: Democracia Participativa, Economia Politica, Sociedade Portuguesa | Deixe um comentário

Investimento Direto Estrangeiro (IED) em Portugal – parte 2

Introdução

Em Portugal todos os investidores estrangeiros – independentemente da escala ou dimensão do projeto – têm que contactar a “Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E.”. Esta é a entidade que acompanha e orienta o investidor até outros organismos do Estado Português até que este por fim se materialize e produza efeitos.

Importância do Investimento Externo para a economia portuguesa

Portugal só pode alavancar a saída daquela que é vista por muitos economistas como a “maior crise financeira dos últimos cem anos” apelando, atraindo e cativando investimento externo. O problema está em que as condições atuais são difíceis e o risco de investir em Portugal – tal como percecionado pelas Agências de Notação – dissuade os investidores estrangeiros. Mas podem ser executadas reformas estruturais que compensem esse risco e as barreiras à entrada do investimento externo têm que ser removidas.

Portugal, segundo o economista João Duque tem que manter um crescimento real da economia de pelo menos 2% ao ano até 2030 por forma a conseguir estabilizar o crescimento da sua enorme divida externa. Um tal nível de crescimento só pode ser alcançado recorrendo a grandes níveis de investimento estrangeiro, já que Portugal sofre cronicamente de um estrangulamento económico; a baixa intensidade do capital local.

Ironicamente, uma forma de tornar o investimento estrangeiro em Portugal mais atraente pode passar pela supressão das barreiras ao seu êxodo, assim os investidores terão menos receio em investir, sabendo que poderão retirar os seus capitais se a tal forem forçados. Impõe-se assim alguma flexibilidade legislativa nessa área e que permita compensar a elevada perceção de risco que o país tem recebido das agências internacionais de notação nos últimos anos.

O investimento estrangeiro em Portugal tem também sido dissuadido pela instabilidade nas respostas europeias à crise da divida soberana. Mas o preço relativamente baixo da mão-de-obra, o clima e a elevada qualificação de alguns quadros podem compensar essa desvantagem. Mas Portugal tem todo o interesse em que a Europa corrija os seus erros de percurso e dê para o mundo sinais nítidos de que deseja resolver o seu problema da divida e credibilizar o Euro.

A Renegociação da Dívida:
O Brasil em 1994 conseguiu renegociar a sua dívida pública. Com esta renegociação conseguiu reduzir o serviço da dívida e assim libertar capitais próprios para investimentos no setor produtivo e atrair investimento estrangeiro. Portugal beneficiaria, a prazo, de idênticas vantagens se optasse seguir pela mesma via.

Uma Visão Histórica (1800-1850):
Este período pode ser divido em dois momentos diferentes: até à segunda metade do século XIX, Portugal beneficia com um clima externo favorável à entrada de capital estrangeiro. Este momento é interrompido pela Grande Guerra. Até então, o reforço da legislação que protegia a propriedade privada e proibia a confiscação arbitrária de bens estimularia a chegada de capitais estrangeiros. A adoção do Padrão-Ouro, com câmbios fixos e sem barreiras à circulação de capitais daria também um impulso decisivo à entrada de capitais estrangeiros durante este período.

Investimento Estrangeiro a partir de 1850:

Este é um período onde a Dívida Pública assume um papel central na entrada em Portugal de investimento estrangeiro. Logo no começo deste período, são contraídos dois grandes empréstimos exteriores que, juntos, ultrapassavam os 40% do PIB em 1891. Ainda que não existam estatísticas, há razões para crer que as outras formas de investimento estrangeiro direto (dominantes no período anterior) sofrem uma grande queda e são largamente inferiores ao montante de divida publica desta época. Nesta época, a maior parte do investimento estrangeiro direto recai nos setores de recursos naturais e serviços, tendo o setor industrial passado então para segundo plano. Um dos maiores investidores estrangeiros de então era o Reino Unido, especialmente na região produtora de vinho do Porto. A presença de empresas estrangeiras na área das minas era também muito significativa. O mesmo também sucedia – ainda que a menor escala – nos transportes ferroviários e nos portos. Contudo, se compararmos o investimento estrangeiro realizado então em Portugal com o que recaía sobre países semelhantes, como Espanha ou Itália, estamos perante valores muito diminutos. A grande excepção era o setor dos Seguros, que efetivamente até à Grande Guerra concentrou o essencial do investimento estrangeiro em Portugal. O investimento industrial era relativamente fraco, tendo entre 1890 e 1914 representado pouco menos de 25% do total.

Depois de 1892 o investimento externo através da compra de títulos da dívida pública portuguesa parou quase por completo. Tal estancamento resultou da crise dívida pública de 1891-1892, provocada pelo aumento do serviço da dívida e da queda abrupta das remessas dos emigrantes. A situação é agravada com o Ultimato Inglês de 1890 que repele um dos maiores investidores estrangeiros e que descredibiliza o país entre as Nações europeias. Em consequência, Portugal sai do Padrão-Ouro e declara o fim do pagamento do serviço da dívida. A situação de facto insustentável: o país tinha uma das maiores dividas externas do mundo (per capita) ultrapassada apenas pela França. A consequência sobre o afluxo de capitais estrangeiros foi imediata. Durante as décadas seguintes ele seria sempre pouco representativo, apesar de não se ter verificado a fuga de capitais que poderia ter ocorrido nestas circunstâncias.

O Estado Novo:
Após o golpe militar de 1926 cai a Primeira República e ascende ao poder o regime do chamado “Estado Novo”. A elevada inflação da Grande Guerra, a crise de falta de bens essenciais estiveram na direta razão do Golpe. A República em 1925 conseguiu travar a inflação e a desvalorização do Escudo, mas havia ainda então um pesado défice público a níveis insustentáveis. A ditadura militar inaugura um programa de nacionalismo económico, reforçando a proteção aduaneira e controlando os fluxos de investimento estrangeiro, que tratava com grande suspeição.

A Grande Depressão (1929-1932):
Durante este período de grave crise mundial muitos investidores optaram por – em todo o mundo – repatriarem os seus capitais. Em consequência o investimento estrangeiro caiu para níveis vestigiais. A atitude protecionista e intervencionista do regime aprofundou esse declínio. Em 1931, é aprovada a primeira Lei de Sobre o Condicionamento Industrial que deixava depende de autorizações governamentais a abertura de novas industrias, constituindo-se assim uma barreira efetiva ao investimento estrangeiro. Inicialmente provisória (“enquanto durasse a crise”) haveria de acabar por se tornar definitiva a partir de 1937. Mais tarde, uma lei de 1956 levaria o protecionismo ainda mais longe ao proibir explicitamente a “transferência de capitais de nacionais para estrangeiros”. Em 1943 era promulgada a Lei de Nacionalização de Capitais que reservava aos investidores portugueses o investimentos em determinados setores Estratégicos como os  serviços públicos ou bens do domínio público, defesa nacional ou outras áreas estratégicas não especificadas. Obrigava também a que todas as empresas tivessem pelo menos 60% do seu capital social em mãos nacionais.

A partir da década de sessenta, dá-se a desmontagem gradual dos sistemas de controlo dos fluxos de capitais nas economias dos países desenvolvidos. Portugal acompanhou este movimento e liberalizou sensivelmente a circulação de capitais. Em 1962 continuava a existir a necessidade de obter autorização prévia à entrada de capitais externos mas removiam-se (por força de lei) as limitações ao investimento estrangeiro nos setores acima listados.

Portugal recebe ajuda do Plano Marshal (1949) e adere à União Europeia de Pagamentos (1950) e mais tarde, à EFTA (1959). Junta-se ao FMI no ano seguinte. Apesar da maior abertura, o regime mantém uma postura fortemente intervencionista que dissuada muitos investidores estrangeiros. Mas a partir de 1965 aprovam-se leis que liberalizam parcialmente a importação de capitais, ainda que mantenha mecanismos de fiscalização sobre estes capitais e de preferência para com o capital nacional.

Categories: Economia, Economia Politica, História, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

Investimento Direto Estrangeiro (IED) em Portugal – parte 1

O investimento estrangeiro é essencial para dinamizar o mercado interno e a própria economia nacional. O afluxo de capitais estrangeiros atrai ele próprio (por lógica de exemplo e contágio) mais capitais, desencadeando um processo de crescimento económico que rapidamente se propaga a toda a economia.

Fatores que atraem o investimento estrangeiro:
1. Capital atrai capital… A existência de valores significativos de capitais estrangeiros a entrar numa economia atrai mais capitais, por contágio e exemplo.
2. A abertura económica nacional
3. Os laços muito estreitos com a União Europeia e com os grandes mercados do norte da Europa
4. Os laços económicos, culturais e linguísticos com os países da Lusofonia servem de alicerce decisivo para a internacionalização da economia portuguesa e têm atraído muitos capitais, em especial do Brasil e de Angola, de que a Embraer e o BIC são apenas dois dos exemplos recentes mais conhecidos.
5. O quadro legal nacional é já bastante favorável ao investimento estrangeiro, quer depois da última revisão do Código Laboral, quer pelas concessões fiscais ou pelas infra-estruturas que têm conhecido um grande incremento nas últimas décadas.
6. A mão-de-obra portuguesa é relativamente qualificada, versátil e conhecida pela sua facilidade na adoção de novas tecnologias e métodos de trabalho.
7. Os custos laborais da mão-de-obra são considerados em muitos estudos comparativos dos mais competitivos da União Europeia.
8. Os níveis de segurança ambiental, riscos naturais e de segurança pessoal são dos mais altos do mundo, oferecendo uma estabilidade social de que poucos países no mundo se podem orgulhar.
9. Nos últimos anos, tem-se registado em Portugal um notável progresso no campo do crescimento da produção cientifica provando a existência de ampla camada de investigadores e instituições cientificas internacionalizadas e muito dinâmicas.
10. Em termos de infra-estruturas de energia, transportes rodoviários e portos, Portugal dispõe de uma das melhores ofertas mundiais. Sines, em particular, é o melhor porto de aguas profundas da Europa e a sua eminente ligação a uma rede europeia de alta velocidade irá torná-lo numa das principais portas de entrada e saída de mercadorias daquela que é hoje a maior zona de comercio do globo: a Europa.

Categories: Economia, Economia Politica, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

O Que é o Investimento Estrangeiro Direto (IED)?

Por “Investimento Estrangeiro Direto” ou “IED” entende-se o investimento que é feito por forma a tomar posse de um interesse duradouro numa empresa que esteja a funcionar num país diferente daquele de onde é originário o investidor.

A relação entre o investidor (ou “empresa matriz”) e a filial forma aquilo a que se designa de “multinacional”, mas o termo IED só pode ser legitimamente utilizado quando a matriz tem o controlo total sobre a filial, sendo que “controlo” representa aqui a propriedade de 10 por cento (ou mais) das ações com direito de voto numa empresa de capital aberto (segundo a classificação da ONU). Um investimento inferior a 10 por cento recebe uma designação diversa: “investimento de portfólio”.

Existem quatro tipos de Investimento estrangeiro:
Investimento a fundo perdido;
Investimento autónomo;
Investimento induzido e
Investimento estrangeiro.

Investimento Estrangeiro Indireto:
O investimento estrangeiro pode ser direto (o IED acima descrito) ou indireto se assumir a forma de empréstimos a longo prazo.

Investimento Estrangeiro Governamental:
Além do investimento estrangeiro privado existe também o investimento estrangeiro governamental. Geralmente, tem outras motivações além das económicas (embora estas estejam também presentes). Motivos de ordem politica, diplomática ou até militar podem estar na base da sua origem. O investimento estrangeiro governamental pode ter como função, a de equilibrar a prazo balanças de pagamento demasiado desiquilibradas, já que injetando capital na economia do país recetor, a dinamiza e estimula o crescimento da sua economia compensando fracos níveis de poupança e acumulação de capitais internos. O processo, contudo, cobra um preço: em troca desta “ajuda” o país recetor fica politica e diplomaticamente dependente do país que concede essa ajuda externa.

Investimento Estrangeiro Privado:
Este tipo de IED encontra no lucro, nas facilidades fiscais e legislativas o principal apelo. Este tipo de IED é potenciado pela existência de condições legais e fiscais mais adversas no país de origem.

Investimento Estrangeiro em Ativos Fixos:
Os investimentos (estrangeiros ou nacionais) em ativos fixos podem ser distribuídos em várias categorias:

Investimentos de Substituição;

Investimentos de Expansão, para aumentar a capacidade de produção ou escoamento)

Investimentos de Modernização, para suportar a instalação de novas tecnologias, por forma a aumentar o lucro ou a produtividade.

Investimentos de Inovação que almejam à introdução de novas tecnologias.

Investimentos Sociais que procuram melhorar direta ou indiretamente as condições de trabalho na empresa que colhe este investimento.

Investimentos Ambientes, conformes às legislações nacionais, estes investimentos são geralmente o produto de alterações legislativas com inspiração ambiental ou ecológica que obrigam a entidade empresarial a realizar um determinado investimento para que possa ficar em conformidade.

Investimentos Estratégicos, com intenções ofensivas ou defensivas e que são concentrados em empresas competidoras em outros países.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

O IED no Brasil e Investimento Português no Brasil

Nos últimos anos, Portugal tem assumido de forma crescente e sustentada como um dos maiores investidores estrangeiros no Brasil. No primeiro semestre de 2004, empresas portuguesas investiram 252 milhões de USDs, sendo então o sexto maior investidor estrangeiro ocupando então um impressionante (para a escala da economia portuguesa) 4.5%.

Atualmente, sabe-se que existem perto de meio milhar de empresas no Brasil com capital português que, globalmente, representam perto de cem mil postos de trabalho. Estas empresas pertencem a varias áreas mas predominam as telecomunicações, as concessões rodoviárias, água, saneamento, peças automóveis, aglomerados, produtos têxteis, cimentos e distribuição.

O Futuro:

Recentemente, a Lei Federal das Parcerias Publico Privadas pretendeu fomentar a aparição de “joint-ventures” mistas abrindo assim novas perspetivas para a entrada no capital de empresas públicas brasileiras de investidores privados portugueses e de outras nacionalidades.

O Brasil assume-se cada vez – sobretudo agora que ultrapassou o Reino Unido e se tornou na sexta economia mundial – como um mercado muito importante para Portugal oferecendo grandes oportunidades de negócio e crescimento e uma das economias mais dinâmicas do mundo.

Resenha Histórica do Investimento Estrangeiro no Brasil

O Brasil nos últimos 15 anos conheceu um desenvolvimento económico verdadeiramente notável. Deixou de ser um país isolado, para se abrir ao comércio mundial. A abertura teve o seu começo em 1990, com a reforma das taxas alfandegárias (1991-1993) e com uma decisiva renegociação da dívida pública em 1994, que libertaria o país lusófono de um pesado serviço da dívida e atrairia capital estrangeiro. Mas a economia brasileira continuava a ter um grande obstáculo ao seu desenvolvimento: a alta inflação. O seu estancamento e uma profunda reforma fiscal transmitiram confiança aos investidores nacionais e estrangeiros e estimularam o consumo e o investimento estrangeiro. Simultaneamente, realizavam-se extensas alterações legislativas que facilitaram a entrada de capital estrangeiro na economia brasileira.

Alterações Legislativas

A primeira destas reformas legislativas foi realizada em 1995 e tratou-se da revisão constitucional de 1995 onde se retiraram algumas limitações ao investimento estrangeiro em certos setores estratégicos (petróleos, mineração, transportes e distribuição de gás). Mantiveram-se contudo algumas restrições em áreas como a energia nuclear, compra de propriedades rurais, atividades em regiões fronteiriças, correios e aviação doméstica. Permanecia igualmente a proibição da posse de mais de 30% em empresas de imprensa e de televisão. A reação dos investidores estrangeiros foi muito positiva e nos anos subsequentes entrou muito mais capital estrangeiro que na década precedente.

Formatos assumidos pelo investimento estrangeiro:

Muitos investidores estrangeiros no Brasil optam por celebrar contratos de distribuição e representação comercial com particulares ou sociedades brasileiras, sendo este o veículo inicial de investimento. Consoante o sucesso destas experiências, alguns investidores dão o passo seguinte e estabelecem uma presença local abrindo uma subsidiária local. Outros, optaram por entrar no mercado brasileiro em regime de “joint-venture”. Abordemos agora cada um destes três tipos de investimento estrangeiro:

Veículos Iniciais de Investimento:

Devido à baixa escala de investimento, os contratos de distribuição e de representação comercial são relativamente comuns para investidores que preferem entradas cautelosas ou graduais no mercado brasileiro. O modelo implica contudo uma perda de controlo direto sob a forma como o produto ou serviço é distribuído.

Nos contratos de distribuição, o distribuidor brasileiro compra os produtos ao fornecedor estrangeiro e depois vende-os no mercado local. Nos contratos de representação comercial, os representantes locais operam como intermediários na venda dos produtos importados, mas não os chegam a adquirir, mas recebem comissões em função do seu nível de vendas.

Instalação de uma subsidiária local:

O estabelecimento de uma subsidiária  permite manter um controlo direto sobre o negócio. Não raramente, o investidor estrangeiro opta por realizar um contrato de “joint-venture” ou compra uma empresa local, já em funcionamento e dispensa assim a resolução de questões de ordem legal.

A maior parte das empresas brasileiras assumem uma de duas formas: Sociedade Limitada ou Sociedade Anónima. Os investidores estrangeiros escolhem o modelo preferido em função do grau de controlo sobre a sociedade a que almejam, o quadro legal e dos custos envolvidos. As “Joint-ventures”, por exemplo não são uma boa opção quando a aprovação de uma certa medida ou estratégia exige a aprovação por uma determinada percentagem dos sócios (representando, tipicamente, 75% do capital). Nas Sociedades Limitadas, não há obrigação na publicação de relatórios de contas, consequentemente, consegue-se assim um grau de confidencialidade mais elevado do que numa “joint-venture”. Por seu lado, as Sociedades Anónimas podem emitir valores mobiliários e logo obterem um financiamento mais autónomo e sustentado. Todas estas formas são alvo do mesmo tipo de tratamento fiscal à luz da lei brasileira.

“Joint-Ventures”, Aquisições e Fusões

As “Joint-Ventures” são geralmente precedidas por auditorias e avaliações de risco realizadas por empresas especializadas, avaliando todo o leque de riscos que o investidor externo terá que enfrentar, dando uma especial atenção aos aspectos fiscais e laborais. Legalmente, as “Joint-Ventures” assumem a forma de Sociedades Limitadas ou Anónimas. Finda esta sondagem assina-se um “Protocolo de Entendimento”

As fusões e aquisições, por sua vez, começam com rondas negociais, onde se aclaram as condições e garantias que depois aparecem no Protocolo de Entendimento. É nesta fase inicial que as partes definem a forma da operação, se passa pela compra de ações ou de ativos, buscando sempre a alternativa economicamente mais rentável.

O Capital Estrangeiro no Brasil

Existe no Brasil um sistema de registo obrigatório do capital estrangeiro, incluindo o capital estrangeiro direto presente nas sociedades brasileiras e empréstimos de capital concedidos a entidades locais. Este sistema é da responsabilidade do Banco do Brasil.

Fiscalidade:

No Brasil, os lucros recolhidos por um não residente estão sujeitos a uma taxa de 15%, um valor que é retido e pago localmente, excepto no caso em que o beneficiário seja residente num Paraíso Fiscal, sendo que assim sofre uma taxa de 25%. Os dividendos recolhidos pelos acionistas, brasileiros ou estrangeiros não estão sujeitos às taxas de retenção do Brasil.

Existem vários acordos bilaterais para evitar a dupla tributação, nomeadamente com Portugal, mas no caso português estão explicitamente excluídos os residentes nos Arquipélagos da Madeira e dos Açores. Para com África, existe uma convenção com a África do Sul.

Categories: Brasil, Economia, Economia Politica | 3 comentários

Investimento externo: Vantagens, Riscos e Desvantagens

Apesar da presente situação de grave preocupação com a solidez da economia mundial, especialmente devido à situação da divida soberana europeia, continua a existir um grande interesse pelo Investimento Direto Estrangeiro em praticamente todos os países do mundo. O IED é, de facto uma alternativa de afluxo de capital muito interessante para qualquer Estado que – por varias razões – não tenham Capital em quantidade suficiente para fazer alavancar o desenvolvimento da sua sociedade e economia.

Historia recente:
Entre 1990 e 1993, o capital privado deixou de se orientar (como nas décadas precedentes) para financiamentos às dividas publicas de países do Terceiro Mundo para passar a concentrar-se em IDE e investimentos de Portfólio. Em consequência, a média anual de fluxos de IDE entre 1987-1989 e 1990-1993 mais que duplicou.

Sustentabilidade:
Muito importante para o investimento estrangeiro de portfólio, devido sobretudo às condições inerentes aos mercados financeiros, por outro lado, o IDE que visam a integração nos fluxos comerciais mundiais são mais sustentáveis e apresentam menos riscos para os investidores.

Para os países que captam IED as vantagens são numerosas:
Partilha do risco de investimento,
Adesão aos princípios mundiais da economia de mercado,
Estímulo à adoção dos princípios da economia de mercado,
Impulso para a transformação de uma economia isolada numa economia exportadora,
Transferência de tecnologia e
Importação de boas praticas de gestão empresarial.

Riscos do IED:
Um dos riscos geralmente associados ao IDE é a instabilidade do capital, que tanto pode afluir, como refluir de uma economia caso detete alguns sinais de estabilidade ou crise económica. Mas as ultimas duas décadas mostram que muitos países em desenvolvimento conseguiram manter fluxos estáveis de IED.

Vantagens do IED:
Criação de emprego,
Estímulo ao aumento do PIB,
Efeitos positivos na Balança de Pagamentos
Efeito multiplicador do IED na economia nacional
Externalidades diversas

Os “megaprojetos” e o IED:
Muitos IED assumem a forma de “grandes projetos”. Encarados geralmente de forma muito positiva, muitos não têm uma abordagem de longo prazo pelo que acabam por não contribuírem para o desenvolvimento sustentado das economias dos países onde operam. Um dos maiores riscos com os “megaprojetos” assenta no facto de se criar uma excessiva dependência dos benefícios fiscais, a um ponto tal que o projeto se torna economicamente viável apenas pela sua existência, mascarando a sua fragilidade em termos de dotação de capitais próprios. Os Estados recetores podem então usar mecanismos de contenção de risco, exigindo a sua presença enquanto sócio da empresa assumindo a forma de credor.

Empresas Multinacionais e o IED:
As ditas “multinacionais” são uma forma adequada de IED para os países recetores, especialmente quando estes possuem mercados internos imperfeitos, onde a captação de IED tenham que substituir o lugar preenchido nas economias mais desenvolvidas pelo capital produzido pela venda de bens e serviços no mercado internacional.

Existem duas grandes estratégias para os IEDs promovidos por Multinacionais:
“Outsourcing Strategy”, que busca a minimização dos custos através do investimento no estrangeiro. Procuram baixos custos laborais, baixos preços das matérias-primas e dos serviços nos locais de produção e baixos custos de energia. Existem dois condicionantes neste tipo de IEDs de multinacionais: os custos de transporte e as taxas alfandegárias, que devem ser baixas taxas alfandegárias.
“Market Seeking”: onde o objetivo é aceder diretamente a um mercado consumidor. Esta estratégia é a preferida pelas multinacionais quando os custos de transporte são elevados ou as taxas alfandegárias são pesadas.
“Outsourcing/Market Seeking”: trata-se de uma abordagem mista, que cruza as duas estratégias acima listadas.

Incentivos Fiscais:
Existe sempre o perigo muito sensível de que os investidores estejam num IED colocam a lucratividade financeira de curto prazo acima da sustentabilidade económica de longo prazo. Por isso, os incentivos fiscais (subsídios ou “tax holidays”) não podem ser tão intensos que substituam outros fatores de atratividade de um país.

Vantagens das Joint Ventures como forma de IED:
A formação de Joint-Ventures com empresas locais é frequentemente economicamente mais interessante para o país recetor que um megaprojeto. Desde logo, porque encontram mais produtos e serviços locais que as empresas multinacionais em regime de “outsourcing” ou “market seeking” especialmente quando se encontram na fase de arranque dos seus projetos.

Incentivos ao IED:
Além das já citadas vantagens fiscais, a estabilidade dos indicadores macro-económicas e a existência de registos de propriedade seguros e fiáveis são tão importantes, como difíceis de obter, especialmente em África, nomeadamente na Guiné-Bissau e Angola, países que atravessaram períodos de intensa guerra civil. Este fator é particularmente importante em países que atraem IED pela riqueza dos seus recursos naturais, como Moçambique ou Angola.

Efeitos no PIB do IED:
O PIB recebe um impacto positivo do afluxo de IED pelos efeitos do consumo dos trabalhadores, pela entrada do capital exigido por esse investimento, pelas despesas administrativas, pelo efeito na dinamização no setor portuário e de transportes e pelo aumento do fluxo comercial das importações e exportações. A este respeito há que ter em conta que ainda que as exportações sejam a grande vantagem do IED, este implica também um aumento das importações, que não pode ser menorizado, já que impacta na balança de pagamentos de forma não displicente a um ponto tal que pode até anular o efeito no aumento das exportações.

Outros fator que pode anular as vantagens do IED é o facto das receitas das exportações serem depositadas no estrangeiro, o que retira a vantagem teórica da formação e acumulação de capital e que seria necessário para suprir novos investimentos locais ou até para honrar o serviço da dívida ou evitar a contração de novos empréstimos externos.

Vantagem: A construção de Infra-estruturas pelo IED:
Em alguns países em Vias de Desenvolvimento, as empresas que se constituem constroem infra-estruturas de transporte ou energia. As existentes não são adequadas às suas necessidades e acabam construindo (num raio limitado) esse tipo de facilidades que depois acabam favorecendo também as populações locais.

Vantagem do IED: Receitas Fiscais:
O aumento da atividade económica produz um aumento da receita fiscal, especialmente nas taxas sobre os lucros das empresas, mas também na fiscalidade que recai sobre o consumo e o trabalho.

Incentivos Fiscais ao IED:
Um quadro de incentivos fiscais tem que ter sempre em conta o período máximo de vida util do projeto. Se o primeiro exceder o segundo estamos perante um caro prejuízo para a economia do país recetor. Estes incentivos também não podem ser tão generosos ao ponto em que ultrapassem os rendimentos fiscais que os Estados recolhem da instalação destes investimentos.
Fórmula:
Prazo máximo do incentivo: vida útil do projeto
Imposto sobre o lucro: Ix(1-TxDesconto)
TxDesconto: [(TIR-CMPC)/TIR*I+L/(K+L)*100%+(VP – PB)/VP*100%]/3

Onde: I – Imposto Sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas; K –
Capital; L – Trabalho e VP – Vida do Projecto.

Efeitos do IED no Emprego:
Os incentivos concedidos pelos Estados para cativarem o IED devem ter sempre em conta a criação local de Emprego. Em Países em Vias de Desenvolvimento, projetos de mão-de-obra intensiva são preferidas, enquanto que em Países Desenvolvidos, a mão-de-obra qualificada é mais vantajosa pelos efeitos de longo prazo que assim são produzidos.

Fonte:
http://proeconomia.blogspot.com/2007/07/incentivos-fiscais-em-maambique-falcias.html

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Sistema Monetário Europeu (SME)

O Sistema Monetário Europeu, ou SME, foi fundado através de um acordo assinado em 1979 pela maioria dos países que então compunham a CEE. O objetivo era o de ligar as respetivas moedas por forma a remover as causas de grandes flutuações de taxas de cambio entre elas.

O Acordo de 1979 tinha 3 pontos essenciais:
1. O ECU (European Currency Unit), uma espécie de cabaz monetário, que as ligava por forma a que nenhuma pudesse variar mais de 2.25 por cento em relação a qualquer uma das outras.
2. Um Mecanismo de Taxas de Cambio (MTC)
3. O Fundo Europeu de Cooperação Monetária (criado em 1972)

Em 1 de janeiro de 1999 foi lançado o SME2 e terminava o ECU sendo substituído pelo Euro. A partir de então, a flutuação máxima da taxa de cambio deixava de poder exceder os 15 por cento.

Portugal no SME:

1987 a 1990, Crawling Peg:

Neste período, ocorre uma desvalorização constante do escudo de 3 por cento ao ano. Assim se tenta manter a competitividade da oferta produtiva do pais frente à concorrência externa.

1990, Shadowing:

A adesão ao MTC (Mecanismo das Taxas de Cambio) ocorre através da definição de um objetivo unilateral para manter o cambio do Escudo dentro de uma banda muito estreita de cinco moedas do SME (Marco, Peseta, Franco, Libra e Lira).

O Banco de Portugal acaba com a acomodação dos diferenciais de inflação face ao exterior o que implica o termo da sustentação da competitividade através da desvalorização constante da taxa de cambio. Desta forma o BdP prepara a adesão ao MTC e avalia ate que ponto é que pode controlar o cambio do Escudo.

1992, Entrada no MTC

No momento da adesão ao MTC, a inflação anual era de 10.2 por cento. O elevado diferencial das taxas de juro de então face ao resto da Europa e a liberalização da circulação de Capitais provoca o aumento súbito do afluxo de capitais externos e a valorização do Escudo. Pouco depois, o Escudo era já a moeda mais forte (mais perto do limite máximo de flutuação) do MTC.

A adesão ao MTC faz parte de uma estratégia de Cavaco Silva de combate à inflação.

Efeitos Positivos:
.Transacções
.Investimento
.Eficiência dos Mercados

Efeitos Negativos:
.Fim do instrumento da taxa de cambio como sustentador da competitividade
.Fim da autonomia monetária, que já era relativa devido à política de não acomodação face à evolução de um conjunto de moedas europeias.

Pouco depois, é decidida a liberalização integral dos movimentos de capitais com o exterior. A autonomia monetária reduz-se então à margem de flutuação do Escudo no MTC.

1992, Crise no SME

A Libra desvaloriza-se e deixa o MTC. A peseta sofre o mesmo processo, mas de forma mais suave e persiste no MTC.

Causas da crise do SME de 1992:
.O Não da Dinamarca ao Tratado de Maastricht levaram a ataques especulativos contra as moedas mais fracas do SME
.A Reunificação da Alemanha o que cria altas taxas de juro para travar a inflação
.A Recessão na Europa, deveria levar a baixas taxas de juro como estímulo ao crescimento, mas tal não conviria à Alemanha.

Os especuladores atacam a moeda da Finlândia e fazem-na sair do ECU. Atacam depois a Libra e a Lira. A Espanha para aumentar a competitividade externa das suas exportações recusa aumentar a taxa de juro. A Alemanha poderia compensar aumentar a massa monetária de Marcos, mas recusa. Rapidamente, o Escudo e a Peseta colam-se ao limite mínimo da banda de flutuação.

A Coroa sueca sai do Ecu, para se defender de ataques especulativos. O Escudo desvaloriza 6 por cento antecipando esses ataques, mas a desvalorização da Peseta reduz a competitividade dos produtos portugueses frente a Espanha, o maior parceiro comercial luso. Em 1993, o Escudo desvaloriza face à Peseta. Pouco depois, dá-se o alargamento das Bandas de Flutuação para mais ou menos 15 por cento. Isto ocorre depois de ataques ao Franco, à coroa dinamarquesa, franco belga, escudo e peseta. Este alargamento responde aos ataques especulativos.

A partir de 1993, torna-se claro que os Bancos Centrais já não conseguem defender as suas moedas apenas pelas reservas de divisas e que as taxas de juro são uma arma mais adequada. Em Portugal, o ministro das finanças, Eduardo Cartroga defende a preservação da estabilidade cambial porque:
A. Favorece a estabilidade dos fluxos comerciais com o estrangeiro
B. Favorece as estratégias empresariais de longo e médio prazo
C. Defende o poder de compra e o valor do património interno
D. Combate a inflação
E. Baixa os custos de financiamento das empresas

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Competitividade

A competitividade externa de um pais é a sua capacidade para produzir e vender mais barato que os seus competidores. Assim, consegue aumentar as suas exportações.

A competitividade internacional é medida pela Taxa de Câmbio Real.

Quatro fatores principais para a Competitividade Internacional de um país são:
.Eficiência Empresarial
.Eficiência Governamental
.Performance Económica e
.Infra-Estruturas

Na primeira fase da Globalização, os países ricos deslocalizaram a produção para países mais pobres. Assim, reduziram os custos e puderam manter níveis baixos de inflação. Mas na segunda fase – em que vivemos atualmente – os países emergentes estão a aproximar-se rapidamente dos ricos e aumentam os consumos de recursos como agua, energia e matérias-primas. Isto pressiona a inflação mundial que hoje ronda os 6 por cento, e isto em clima de recessão.

Taxa de Câmbio Real

A Taxa de Câmbio Real afere a variação relativa do padrão geral dos preços registados num dado país frente aos demais. Uma sua subida implica uma queda da competitividade externa, já que quer dizer que os preços aumentaram menos que nos demais países. É difícil medir a Taxa de Cambio Real porque os preços comparados usam diferentes unidades monetárias, o que força a conversões constantes. Este dificuldade é vencida através do recurso ao Índice de Taxa de Câmbio Efetiva (ITCN).

Índice de Taxa de Câmbio Efetiva (ITCN)

O ITCN mede o valor relativo de uma moeda no seio de um conjunto de moedas. Este conjunto agrega os principais parceiros externos de um dado país, entre os seus principais importadores e exportadores. Quando o ITCN sobe, estamos perante uma depreciação da moeda nacional.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Intermediação Financeira Internacional

A partir do choque petrolífero da década de 70, os países exportadores de petróleo crescem em riqueza. Os países da OPEP tornam-se grandes emprestadores aos países importadores, os quais podem, assim, manter os seus altos padrões de consumo. Mas a partir da década de 80, vários importadores começam a terem dificuldades em suportar o serviço da divida. Em 1982 dá-se a crise da divida do México. Em consequência, o pânico leva a uma redução muito forte dos empréstimos nos Euromercados e generaliza-se o risco de uma crise financeira mundial.

Forças estabilizadoras dos Euromercados:
.Os Bancos Centrais e as suas intervenções
.Quase todos os Eurobancos são filiais, que podem receber ajuda da casa-mãe. A sua falência só pode criar problemas sistémicos se levar ao colapso de todo o Eurobanco.
.Os maiores empréstimos são sempre sindicados entre bancos
.A maior parte dos empréstimos são de curto prazo, o que facilita a liquidez e correções rápidas das taxas de juro.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Mercados Offshore e a eficiência das politicas monetárias

O facto de existir uma grande integração dos Eurobancos com os bancos domésticos faz com que os bancos consigam contornar as regulamentações das autoridades monetárias nacionais. Isto reduz a capacidade do Banco Central para agir sobre a massa monetária em circulação e a capacidade de regulação sobre os bancos domésticos e os seus crédito. A massa monetária nacional fica assim muito mais difícil de controlar. é por esta ordem de razões que hoje muitos defendem a necessidade de uma maior e mais ampla regulamentação dos mercados offshore.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

O Padrão-Ouro

A partir de 1880, instaurou-se o dito Padrão-Ouro, um sistema monetário internacional que tinha como regras dominantes:

1. Todos os países determinavam o valor da sua moeda em função do ouro e comprometiam-se a comprar e a vender ouro a esse preço. As cotações bilaterais são definidas a partir das cotações das moedas face ao ouro.

2. As importações e exportações de ouro não podem sofrer restrições.

3. A autoridade monetária de cada pais assegura que existe uma relação direta entre as suas reservas em ouro e quantidade moeda emitida. Só é possível emitir mais moeda, se houver um afluxo de ouro. Isto permite travar políticas discricionárias por parte das autoridades monetárias e tornam a política monetária mais credível.

Entre 1880 e 1914, o Padrão-Ouro estende-se a todas as grandes economias do globo não se registando então desvalorizações das moedas durante este período. Mas houve países fora do sistema e outros que entraram e saíram varias vezes. Outros, optaram por fixar a sua moeda não em relação ao ouro, mas em relação à libra. O mercado financeiro internacional de então estava centrado em Londres

Após a Grande Guerra deu-se a queda do Padrão-Ouro. A maior parte dos países suspenderam então a convertibilidade das suas moedas em ouro e adota-se um sistema de taxas flexíveis. Este movimento resultou do financiamento das despesas de guerra e da inflação na Europa.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Consequências Económicas de um Choque Externo

Quando aumentam as taxas de juros internacionais, as consequências são diversas se estamos perante um:

Câmbio flexível; há uma depreciação da moeda nacional o que aumenta as exportações e expande a economia.

Câmbio fixo; leva a uma saída de capitais o que reduz a massa monetária e o rendimento de equilíbrio.

Os choques externos, como uma recessão mundial, fazem cair as exportações.

Em câmbios flexíveis; o défice da Balança de Pagamentos leva a uma depreciação da moeda nacional que procura assim reencontrar o nível de rendimento de equilíbrio.

Em câmbios fixos, o défice na Balança de Pagamentos faz sair capitais, o que reduz a massa monetária total e intensifica a quebra no rendimento.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Politica Monetária Expansiva

A depreciação da moeda melhora o saldo da conta corrente. Se esta for superavitária os agentes acumulam ativos estrangeiros, aumentando assim a sua riqueza, os quais, por sua vez, levam ao aumento da procura da moeda o que pressiona o aumento das taxas de juro. Mas a apreciação da moeda nacional acaba por anular total ou parcialmente os efeitos da depreciação original.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Balanças Corrente e de Capital da Economia Portuguesa a partir de 2004

O saldo da balança corrente portuguesa tem-se degradado desde 2003. Em 2005, muito particularmente, o aumento dos preços de petróleo fez deteriorar os termos de troca. A competitividade externa das nossas exportações também não tem parado de cair, parcialmente devido à subida dos custos unitários associados ao Trabalho. Em 2004, o Euro2004 melhorou o saldo da balança de serviços, mas no ano seguinte a Balança Corrente tornaria a agravar-se com o crescimento das importações dos serviços de turismo a terem crescido acima das exportações.

A partir de 2004, o saldo das remessas de emigrantes/imigrantes diminui e reduzem-se as entradas de fundos da União Europeia, quer correntes, quer de capital. O FEDER, em particular cai 20 por cento.

A Balança Financeira, por seu lado, em 2004 registou uma entrada líquida de fundos de 8.8 por cento do PIB (6.4 por cento em 2002), o que refletiu um aumento das necessidades portuguesas de financiamento externo. Este aumento das necessidades foi provocado pelo crescimento do défice global das administrações públicas e de maiores necessidades de financiamento do setor privado não financeiro. Note-se, que neste período houve um grande aumento da compra de títulos da divida portuguesa por parte de não residentes.

A posição devedora líquida da economia nacional face ao exterior aumentou e em 2005 era de 64.3 por cento do PIB. Note-se que em 1996 era de apenas 9.6 por cento. O aumento do endividamento externo decorreu das facilidades de financiamento advindas da presença no mercado monetário europeu da moeda única.

Categories: Economia, Economia Politica | 2 comentários

Abordagem das Elasticidades no Equilíbrio da Balança de Pagamentos

Os efeitos da variação da taxa de câmbio dependem das elasticidades da procura das importações e das exportações sendo que a desvalorização da moeda nacional provoca:
.O aumento das exportações
.A diminuição do volume das importações acompanhado por um aumento dos preços em euros uma vez que se degradam os termos de troca.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Crises Financeiras Internacionais recentes, crises cambiais e ataques especulativos sobre a Economia Portuguesa

Antes de 2000, Portugal sofreu três grandes crises financeiras internacionais:
1. América Latina de 1982 e 1983
2. México de 1994 e 1995
3. Sudeste Asiático, de 1997

Todas estas três crises financeiras foram precedidas pelos mesmos fatores:
1. Liberalização financeira
2. Entrada de Capitais em grande escala
3. Grande acumulação de dívida externa
4. As crises financeiras instalaram-se muito depressa com os especuladores a movimentarem muito depressa grandes quantidades de capital
5. Os ativos domésticos sofreram quedas abruptas
6. As crise contaminam rapidamente outros mercados emergentes contíguos ou semelhantes.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Crowding Out

O Crowding Out é uma redução no investimento e de outras componentes da despesa agregada sensíveis às taxas de juro e ocorre sempre que o Estado aumenta a despesa pública. O efeito ocorre porque existe um mecanismo de transmissão entre o mercado monetário e o mercado de bens e serviços.

Quando o Estado aumenta a sua despesa ou reduz os impostos, rapidamente, regista-se um aumento da despesa agregada que é amplificado pelo efeito do multiplicador da despesa. Este aumento leva a um aumento da procura de moeda por motivo de transacções, que, depois, leva também a um aumento das taxas de juro. As taxas podem também aumentar pela emissão de nova divida publica para financiar o aumento da despesa pública, mas este aumento faz cair o investimento e de outras despesas agregadas mais sensíveis às taxas de juro.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Uma Política Orçamental Expansionista

Uma política orçamental expansionista quer através de uma descida de impostos, quer pela via de um aumento da despesa pública provoca um aumento da despesa agregada, que conduz a um aumento do produto. Assim se produz também um crescimento do rendimento e dos impostos cobrados sobre este. Com o conhecido efeito multiplicador da despesa agregada ocorrerá um impacto final no rendimento agregado que é proporcional ao choque inicial produzido pelo aumento da despesa publica ou da descida de impostos. A grande questão está assim em saber se tal compensa a deterioração inicial do saldo orçamental com o aumento da coleta de impostos que decorre do incremento da atividade económica.

O efeito multiplicador está confirmado empiricamente e segundo um estudo do “Grupo da Boavista” corresponde atualmente na economia portuguesa a 1.56. Isto significa que por cada Euro que o Estado investe na economia, o rendimento agregado aumenta 1.56 após esgotado este efeito multiplicador.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

O BCE e a Estabilidade dos Preços

O Eurosistema (que compreende o BCE e os bancos centrais europeus) tem como principal objetivo a manutenção da estabilidade dos preços na eurozona. Por outras palavras, a missão do BCE é a de preservar o poder de compra.

Vários fatores económicos podem dar azo a movimentos nos níveis de preços no curto prazo. Por exemplo, aumentos do consumo e do investimento, agravamentos dos défices orçamentais e exportações liquidas mais altas. Os custos mais elevados dos fatores de produção (energia ou trabalho, acima dos ganhos de produtividade) pressionam também a inflação.

A política monetária não pode aspirar a um controlo total da inflação no curto prazo. Mas a longo prazo, a inflação é um fenómeno monetário e consequentemente a política monetária pode e deve controlar a inflação a médio e longo prazo.

As variações das taxas de juro do mercado influem diretamente sobre as decisões de despesa das famílias e das empresas e logo, sob a atividade económica e a inflação. Taxas de juro mais altas dissuadem o investimento (porque este se torna mais caro) e tornam mais atraente a poupança e diminuem os padrões de consumo. Assim um aumento das taxas de juro reduz as pressões inflacionistas.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Movimentos em preços específicos e no nível geral de preços

Variações frequentes em preços específicos são normais em economias de mercado, mesmo que no geral exista estabilidade de preços. Alterações de procura ou oferta podem produzir variações nos preços. Por exemplo, esse fenómeno verificou-se nos preços dos telemóveis e computadores desde a década de 90, que desceram em flecha, ou nos preços dos produtos petrolíferos que ascenderam de forma notável desde 1999.

No global, a inflação nos países mais industrializados permaneceu baixa e estável, ainda que com estas variações especificas, já que estas se compensaram entre si sem alterar o nível geral de preços.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

O que é a estabilidade de preços?

A Inflação e a Deflação

A inflação e a deflação são fenómenos económicos importantes com efeitos graves na economia. Essencialmente, por inflação entende-se o aumento geral dos preços dos bens e serviços num período relativamente longo que produz uma diminuição do valor da moeda e logo, do seu poder aquisitivo.

A deflação é o oposto de inflação, em que o nível geral de preços desce num período relativamente longo.

Quando não existe nem inflação, nem deflação diz que estamos em estabilidade de preços.

Como medir a inflação? Existem milhões de preços específicos numa economia e não é possível medi-los a todos. Assim, a maior parte dos países adotou uma abordagem simples usando o “Índice de Preços no Consumidor” (IPC) que determina padrões de consumo determinando quais são os bens e serviços habitualmente adquiridos pelos consumidores e que sejam representativos do consumidor médio de uma economia. Incluem o que os consumidores compram numa base diária (pai e leite) mas também bens duradouros como computadores e automóveis e transacções frequentes, como o pagamento de rendas. Assim se obtém um cabaz de compras que depois é monitorizado por um grupo de “auditores de preços” que visita regularmente vários estabelecimentos comerciais comparando os preços deste cabaz ao longo do tempo e determinando assim a série do índice de preços.

Contudo, é preciso ter em conta que a evolução do nível de preços reflete apenas a situação de um consumidor médio ou representativo e que alguns indivíduos poderão ter um cabaz de compras mais alto ou mais baixo que esta média.

Problemas na medição

Com o passar do tempo um cabaz de compras torna-se cada vez menos representativo porque os consumidores vai substituindo os bens mais caros por bens mais baratos. Por exemplo, os preços da gasolina mais altos levam alguns a conduzir menos. Se os pesos relativos no cabaz não forem adaptados o IPC ficara sobrevalorizado. Por outro lado, as variações na qualidade são difíceis de incluir num índice de preços já que se um produto ao longo do tempo aumentar de qualidade e o preço consequentemente, subir tal deve-se não à inflação mas à maior qualidade do produto consumido. Este fenómeno observou-se nas ultimas décadas, por exemplo, nos automóveis e nos computadores. Assim, aumentos de preços resultantes do aumento da qualidade não devem ser considerados geradores de inflação, uma vez que não reduzem o poder de compra da moeda. De resto, variações na qualidade são frequentes em períodos de tempo longos.

Outro aspecto importante é a inclusão de novos produtos no cabaz de compras. Por exemplo, quando apareceram no mercado os leitores de DVD demorou algum tempo antes que estes pudessem ser incluídos uma vez que era necessário algum tempo para captar informação sobre as quotas de mercado, canais de distribuição, marcas mais populares, etc.

Variáveis Nominais e Reais

Quando existe inflação, um certo montante de dinheiro permite comprar uma quantidade decrescente de bens. A moeda desce então de valor ocorre um decréscimo do poder de compra. Assim chegamos à diferença entre variáveis nominais e reais. As variáveis nominais são medidas a preços correntes. Por regra, as suas evoluções acompanham o nível dos preços e logo, a inflação. Ou seja, são lhes imunes. Já as variáveis reais, como o rendimento real e os salários reais são variáveis às quais são deduzidos ou retirados os efeitos da inflação. Por exemplo, com um determinado aumento do salário nominal, quanto maior for a taxa de inflação, menores serão os bens que o trabalhador poderá adquirir.

Benefícios da Estabilidade de Preços

As desvantagens e os custos associados à inflação e à deflação são consideráveis. A estabilidade de preços evita que estes custos se materializem e traz importantes benefícios para todos os cidadãos. Há varias formas para a estabilidade de preços contribuir para que sejam obtidos níveis elevados de bem-estar, nomeadamente sob a ocorrência de altos níveis de emprego.

A estabilidade de preços permite que os consumidores identifiquem mais facilmente as variações de preços em termos de outros bens Já que estas variações deixam de ser mascaradas por flutuações no nível geral de preços. Numa situação de deflação geral, os consumidores poderão não se dar conta do facto de que uma queda no nível de preços de um único produto reflete, simplesmente, a evolução geral dos preços e não uma descida do preço relativo desse bem ou serviço. Logo, os consumidores poderão pensar que compraram demasiado desse produto.

Consequentemente, se os preços permanecerem estáveis, as empresas e os consumidores não correm o risco de interpretarem mal as variações no nível geral de preços como variações nos preços relativos e podem tomar decisões de consumo e investimentos mais informadas. A incerteza quanto à taxa de inflação pode assim levar as empresas a tomarem decisões erradas no que respeita ao emprego.

Por exemplo, se num contexto de inflação elevada, uma empresa pensa que um aumento de 5 por cento nos preços de mercado dos seus artigos como uma descida dos preços relativos pode não se aperceber que uma queda recente da taxa de inflação influiu nessa variação e decidir assim investir menos e despedir trabalhadores para reduzir a sua capacidade produtiva. Mas essa decisão está errada se devido a uma inflação mais baixa o aumento dos salários nominais dos empregados pode ser menor que o pressuposto pela empresa. Estamos assim perante uma “afetação inadequada” de recursos, desperdiçando-os.

Um desperdício de recursos idêntico ocorreria se os trabalhadores tivessem incerteza quanto à inflação futura e exigissem um aumento dos salários reais.

A estabilidade dos preços reduz a incerteza quanto à inflação e logo ajuda a evitar a afetação inadequada de recursos. Assim, estes podem ser canalizados para onde são mais precisos e produtivos. Desta forma. A estabilidade dos preços duradoura aumenta a eficiência da economia e logo, o bem-estar das famílias.

Por outro lado, se os credores estiverem confiantes de que os preços permanecerão estáveis ao longo do tempo não exigir ao uma remuneração adicional (o dito”prémio de risco de inflação”) para compensar os riscos de inflação. Ao reduzir estes prémios de risco garantem-se assim taxas de juro nominais mais baixas e assim a estabilidade de preços contribui para incentivar o investimento. Assim se estimula a criação de emprego e logo, o bem-estar económico.

Os sistemas fiscais e de segurança social podem estimular a distorção do comportamento económico. Em alguns casos, essas distorções são amplificadas pela inflação ou deflação já que, normalmente, os sistemas fiscais não permitem a indexado das taxas dos impostos para a seguranca social à taxa de inflação. Assim, os aumentos salariais destinados a compensar os trabalhadores pela inflação podem levar a taxas de impostos mais altas (o que chama de “progressão a frio”). A estabilidade dos preços reduz estas distorções.

A inflação comporta-se como um imposto sobre a detenção de moeda. Quando o nível de preços sobe, as pessoas com numerário constatam uma redução nos seus saldos monetários reais e logo, perdem riqueza financeira real, como se fosse um imposto. Logo, quanto maior for a taxa de inflação esperada, mais baixa será a procura de liquidez por parte das famílias.

A manutenção da estabilidade dos preços evita que surjam problemas sociais e económicos decorrentes da redistribuição arbitrária da riqueza em períodos de inflação e deflação. Isto ocorre sobretudo se as variações no nível de preços forem difíceis de prever e em relação aos grupos da sociedade com maiores dificuldades para protegerem os seus ativos nominais contra a inflação. Por exemplo, salários, depósitos ou obrigações de divida publica. A riqueza transfere-se assim dos aforradores para os mutuários já que o dinheiro da amortização do empréstimo permite comprar menos bens que o esperado quando o empréstimo foi tomado.

Se ocorrer deflação quem detiver ativos nominais ganha por que estes (salários, depósitos e obrigações) aumentam. O problema é que em épocas de deflação, os devedores tendem a abrir falência o que prejudica toda a sociedade e leva à falência as empresas que detêm os créditos.

Geralmente, os grupos sociais mais desfavorecidos são os que mais sofrem com a inflação e deflação, uma vez que não tem as mesmas possibilidades de se defenderem. Os preços estáveis contribuírem para a estabilidade social como se viu na Europa do século XX sempre que se registaram períodos de inflação elevada.

Por fim, reavaliações súbitas de ativos, por variações inesperadas da inflação podem afetar a solidez dos bancos. Se um banco concede empréstimos a longo prazo a uma taxa fixa financiados por depósitos a curto prazo, se for confrontado com uma inflação elevada vai sofrer uma descida do valor real dos ativos. Pode assim ficar insolvente, com os consequentes efeitos em cadeia. Assim, a estabilidade dos preços preserva o valor real dos ativos nominais e a saúde do sistema bancário.

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Hiperinflação

Quando a inflação é muito elevada e foge a qualquer controlo estamos perante aquilo que se designa por “Hiperinflação”. Socialmente falando, a Hiperinflação é altamente destrutiva com efeitos graves para os indivíduos e para a sociedade. A maioria dos economistas acredita que estamos perante Hiperinflação quando a taxa de inflação mensal ultrapassa o limite dos 50 por cento.

Exemplos:
Alemanha em 1922 5000 por cento
Bolívia em 1985 mais de 10000 por cento
Brasil em 1993 2100 por cento

Como exemplo, se a taxa de inflação for de 50 por cento por mês isso vai levar a um aumento de mais de cem vezes o nível de preços ao longo de um único ano e a um aumento de mais de 2 milhões de em 3 anos.

Na Alemanha, a Hiperinflação depois da Grande Guerra e que alcançou o seu pico em 1923 levou a perda de poupanças e quebras substanciais do nível de riqueza da maioria da população. O aumento constante dos preços criou um ciclo vicioso em que as pessoas exigiam salários mais altos antecipando os aumentos dos preços no futuro. Os salários mais altos geravam custos de produção mais altos que, por sua vez, criavam alta de preços. O dinheiro perdia valor e era gasto cada vez mais rapidamente.

O governo alemão reagiu ao declínio da moeda adicionando mais zeros ao papel-moeda até um ponto em que a moeda deixou de funcionar como reserva de valor, unidade de conta e meio de troca. A troca direta tornou-se cada vez mais comum e moedas-mercadorias, como os cigarros, tornaram-se comuns já que não perdiam valor com a inflação.

Categories: Economia, Economia Politica | 6 comentários

A Procura de Moeda

Pela sua natural liquidez, a moeda simplifica as transações. Mas ao deterem moeda, os seus utilizadores estão sujeitos aos chamados “custos de oportunidade” uma vez que perdem a taxa de juro positiva que os ativos alternativos rendem. Desta forma, a expetativa de um nível mais elevado de inflação e de uma taxa de juro nominal mais elevada produz um efeito negativo na procura de moeda.

Por exemplo, se a taxa de juro de curto prazo paga sobre os depósitos bancários é de apenas 2 por cento, possuir mil euros leva a perder 20 euros por ano. A taxa de juro das oportunidades de investimento alternativas é o custo de oportunidade da detenção de notas.

Mas se numa inflação alta, as taxas de juro nominais aumentam e o juro bancário é de 10 por cento, os mesmos mil euros correspondem a dois euros por semana. Assim, quanto maior for a taxa de juro, maior a procura por notas e por isso é que a procura de moeda é elástica em relação à taxa de juro.

Categories: Economia, Economia Politica | 1 Comentário

Os fatores que determinam a evolução dos preços

A politica monetária influencia o nível de preços através do chamado “mecanismo de transmissão”: o banco central é o único emitente da “base monetária”, em monopólio, está assim em condições de influenciar as condições no mercado monetário e de orientar as taxas de juro de curto prazo.

No curto prazo, uma alteração das taxas de juro induzida pelo banco central tem um impacto nas decisões de despesa e de poupança das famílias e empresas. Assim, as taxas de juro mais altas tornam menos atrativo o recurso a empréstimos para o financiamento do seu consumo ou investimento. Pelo contrário, estimulam a poupança.

é geralmente aceite que no longo prazo, depois de ocorridos todos os ajustamentos reais na economia, uma alteração na quantidade de moeda em circulação só se reflete no nível geral dos preços e não cria alterações reais no produto ou no desemprego. Equivale assim à substituição de uma medida (km) por outra (milha) na medição das distancias. Chama-se a este principio “neutralidade da moeda” a longo prazo e presume que a longo prazo o rendimento real e o nível de emprego são determinados por fatores reais (do lado da oferta) e não por uma politica monetária expansionista.

A inflação é essencialmente um fenómeno monetário. A Historia mostra-nos que períodos prolongados de inflação elevada estão geralmente associados a um crescimento monetário intenso.

A oferta agregada refere-se à oferta de bens e serviços produzidos pelas empresas. Com os salários nominais constantes, um nível de preços mais elevado conduz a um decréscimo dos salários reais. Com salários reais mais baixos torna-se mais lucrativo para as empresas contratarem mais

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Despesa Agregada

Por “despesa agregada” entende-se o somatório de todas as despesas que são realizadas por todos os agentes económicos. Consequentemente, a “despesa agregada” inclui as despesas de produtos e serviços consumidor pelas famílias (consumo privado), Estado (consumo público) e Empresas (despesas de investimento). As exportações, ou despesas realizadas pelo exterior sobre a produção nacional fazem também parte da Despesa Agregada.

As despesas que fazem parte da Despesa Agregada incluem também a despesa realizada sobre bens importados os quais, consequentemente, devem ser deduzidos às exportações.

A formula algébrica da despesa agregada é:
AD = C + G + I + X – M

AD = Despesa Agregada
C = Consumo Privado
G = Gastos do Estado
I = Investimento
X = Exportações
M = Importações

Categories: Economia, Economia Politica | Deixe um comentário

Tipos de política fiscal (Expansiva ou Restritiva)

A politica fiscal pode ser Expansiva ou Restritiva.

Política Fiscal Expansiva:
Quando tem como objetivo estimular a Procura Agregada, nomeadamente quando a economia vive um momento recessivo e é preciso estimular o crescimento da economia. Este tipo de politica fiscal tende a aumentar o defice a a provocar inflacao.

Os seus objetivos são de aumentar a producao e reduzir o desemprego. Frequentemente, os seus promotores realizam uma descida de impostos, por forma a aumentar o rendimento disponível e estimular o consumo e, logo, os lucros das empresas que assim, aumentarão a contratação (reduzindo o desemprego). Assim, consegue-se uma deslocação expansiva da procura agregada.

Politica Fiscal Restritiva:
Quando tem como objetivo travar o crescimento da Procura Agregada. Este tipo de politicas são usadas quando estamos perante uma expansão excessiva da economia e a inflação começa a escapar ao controlo. Estão geralmente associadas a superavites orçamentais. Ao diminuir a Procura Agregada, a Politica Fiscal Restritiva, reduz o Emprego e produz um excesso da oferta agregada de bens, criando assim um pressão deflacionária na moeda.

Os seus mecanismos são diametralmente opostos aos usados pela Politica Fiscal Expansiva:
1. Redução da Despesa Pública, pela contração da Procura Agregada e da Produção.
2. Subida dos impostos, por forma a baixa a procura agregada e a producao. Os cidadãos ficam com menos rendimentos disponíveis e consequentemente reduzem o seu padrão de consumo o que leva a uma queda da Procura Agregada.

Categories: Economia, Economia Politica | 1 Comentário

Create a free website or blog at WordPress.com.

TRAVÃO ao Alojamento Local

O Alojamento Local, o Uniplaces e a Gentrificação de Lisboa e Porto estão a destruir as cidades

Não aos Serviços de Valor Acrescentado nas Facturas de Comunicações !

Movimento informal de cidadãos contra os abusos dos SVA em facturas de operadores de comunicações

Vizinhos de Alvalade

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos de Alvalade

anExplica

aprender e aprendendo

Subscrição Pública

Plataforma independente de participação cívica

Rede Vida

Just another WordPress.com weblog

Vizinhos do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Vizinhos do Areeiro

Moradores do Areeiro

Movimento informal, inorgânico e não-partidário (nem autárquico independente) de Moradores do Areeiro

AMAA

Associação de Moradores e Amigos do Areeiro

MDP: Movimento pela Democratização dos Partidos Políticos

Movimento apartidário e transpartidário de reforma da democracia interna nos partidos políticos portugueses

Operadores Marítimo-Turísticos de Cascais

Actividade dos Operadores Marítimo Turísticos de Cascais

MaisLisboa

Núcleo MaisDemocracia.org na Área Metropolitana de Lisboa

THE UNIVERSAL LANGUAGE UNITES AND CREATES EQUALITY

A new world with universal laws to own and to govern everything with a universal language, a common civilsation and e-democratic culture.

looking beyond borders

foreign policy and global economy

O Futuro é a Liberdade

Discussões sobre Software Livre e Sociedade

Parece piada... fatos incríveis, estórias bizarras e outros micos

Tem cada coisa neste mundo... e todo dia surge uma nova!

O Vigia

O blog retrata os meus pensamentos do dia a dia e as minhas paixões, o FLOSS, a política especialmente a dos EUA, casos mal explicados, a fotografia e a cultura Japonesa e leitura, muita leitura sobre tudo um pouco, mas a maior paixão é mesmo divulgação científica, textos antigos e os tais casos ;)