Ecologia

Desde a década de 1950 fabricaram-se 8.3 mil milhões de toneladas de plástico.

Desde a década de 1950 fabricaram-se 8.3 mil milhões de toneladas de plástico. Destas, metade apenas na última década. Daqui a vinte anos, com este crescimento exponencial estamos numa situação insustentável:
recordemo-nos de que apenas 9% é reciclado e que o plástico demora entre 50 a 80 anos a degradar-se na natureza
http://cidadanialx.blogspot.pt/2017/07/att-senhor-primeiro-ministro-pedido-de.html

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Só nove por cento de todo o plástico é reciclado e praticamente 100% do plástico reciclado é apenas usado uma vez.

Só nove por cento de todo o plástico é reciclado e praticamente 100% do plástico reciclado é apenas usado uma vez.
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Temos que começar a repensar a forma como utilizamos e deixamos de utilizar os oito mil milhões de toneladas de plástico que fabricamos

Temos que começar a repensar a forma como utilizamos e deixamos de utilizar os oito mil milhões de toneladas de plástico que fabricamos
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#SabiaQue

#SabiaQue a maioria do plástico é fabricado para a armazenagem alimentar (incluindo copos de plástico).
Devido às lacunas dos sistemas de reciclagem a maioria deste plástico, ao fim de algumas semanas, acaba nos nossos rios e pouco depois nos nossos oceanos.
É preciso travar isto.
http://cidadanialx.blogspot.pt/2017/07/att-senhor-primeiro-ministro-pedido-de.html

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#SabiaQue

#SabiaQue desde que se começou a fabricar plástico em massa se produziram mais de oito mil milhões de toneladas?
http://cidadanialx.blogspot.pt/2017/07/att-senhor-primeiro-ministro-pedido-de.html

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O BE não percebeu que o problema não está na EDP Renováveis conseguir 74 euros de lucro por MW.

O BE não percebeu que o problema não está na EDP Renováveis conseguir 74 euros de lucro por MW.
O problema está em ainda haver outra EDP a fazer lucros e que uma politica fiscal racional deve conduzir a empresa a encerrar uma e a reforçar a outra.
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A Agricultura Urbana na cidade de Chicago

“Food garden” no Canadá (http://grandview.vsb.bc.ca)

As guerras do futuro serão mais guerras de água e alimentos que guerras por território e energia, como atualmente e no passado. Num contexto em que a população mundial não pára de crescer é cada vez mais importante que se desenvolva a produção agrícola, mesmo nos locais mais improváveis, como os espaços urbanos.

Neste contexto, a Agricultura Urbana assume-se como uma estratégia viável para enfrentar a insegurança alimentar, estimular o desenvolvimento económico e realizar reduções nas emissões de CO2 (menos gastos de transporte e armazenamento de frio). A Agricultura Urbana não é nenhuma utopia. Ela foi adotada em praticamente todas as cidades, mas a sua relevância para a produção total de alimentos sempre foi difícil de medir. Um problema que um grupo de cientistas da Universidade de Illinois enfrentou ao desenvolver uma metodologia que permite quantificar a produção de alimentos da Agricultura Urbana da cidade de Chicago. A metodologia inclui além das clássicas hortas urbanas comunitárias ou exploradas por ONGs (700 segundo listas oficiais), também jardins, hortas e varandas particulares, numa nova abordagem. A lista assim elaborada por carregada para o Google Earth lista no mapa jardins comunitários, lotes de jardins urbanos disponíveis, quintas urbanas, jardins escolares e até “food gardens” domésticos que se queiram registar no sistema. A este registo voluntário ou intencional, a equipa de investigadores da Universidade de Illinois somou uma tarefa intensiva de observação via Google Earth das zonas de Chicago que pareciam estarem também a ter uso agrícola, mas que não se encontravam registadas em nenhum sistema. Deste trabalho resultou a identificação de mais quatro mil “food gardens” anteriormente desconhecidos, quase todos situados em residências e com menos de cinquenta metros quadrados. Visitas por amostragem confirmariam a função alimentar da sua maioria e a conclusão final de que existiam no interior do perímetro da cidade de Chicago uma estimativa total de 4648 locais de agricultura urbana, ocupando um total (estimado) de 264.181 metros quadrados.

Estas conclusões revelam que a agricultura urbana tem um contributo significativo para os alimentos consumidos na cidade de Chicago, dando um contributo para segurança alimentar na cidade, para o reforço dos laços comunitários e familiares.

Fonte:
http://www.seeddaily.com/reports/Finding_Chicagos_food_gardens_with_Google_Earth_999.html

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Da necessidade de desenvolver as ciclovias e o exemplo dos EUA

O aumento dos preços da gasolina tiveram um efeito notável no número de ciclistas que hoje usam as ciclovias que nas últimas duas décadas foram sendo construidas neste Estado do leste dos EUA: São Francisco registou um aumento de 71% no número de ciclistas nos últimos cinco anos. Los Angeles, um aumento de 32%. No global, existem hoje nos EUA mais 63% ciclistas que em 2000.

Algumas cidades dos EUA têm previstos grandes investimentos em ciclovias, por exemplo, Los Angeles nos próximos cinco anos vai construir mais de três mil quilómetros de ciclovias e muitos norte-americanos estão a adotar a bicicleta não somente para gastarem menos em combustíveis, mas também por razões ambientais.

Uma via a desenvolver (muito…) nas grandes cidades portugueses, todas elas muito abaixo nessa área da maioria das suas congéneres no mundo desenvolvido.

Fonte:
http://tech.slashdot.org/story/12/10/14/0430220/as-gas-prices-soar-so-does-city-biking?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+Slashdot%2Fslashdot+%28Slashdot%29

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Os dois navios de combate à poluição (NCP) encomendados pelo Governo em 2004 continuam por construir

Projeto NCP (http://www.envc.pt)

Projeto NCP (http://www.envc.pt)

Em 2004, no rescaldo do incidente na Galiza com o petroleiro “Prestige” de 2002, o governo de Barroso-Portos haveria de tomar a decisão (correta) de encomendar aos Estaleiros de Viana do Castelo a conceção e construção de dois “Navios de Combate à Poluição” (NCP). Desde então, gastaram-se mais de 18 milhões de euros no projeto do NCP sobretudo na compra de materiais e (menos) na adaptação do projeto dos NPO2000 para esta função. Os dois NCP deveriam custar ao Estado Português cerca de 100 milhões de euros mas seriam os primeiros meios do tipo ao dispor da Marinha numa das costas mais movimentadas da rotas marítimas que servem o continente europeu e, além do mais, representariam um importante “balão de oxigénio” para os Estaleiros (que embora em processo de privatização continuam a ser estatais). Curiosamente, os NCPs foram concebidos não para serem “apenas” navios de combate à poluição podendo ser usados também em missões de patrulhamento, graças ao canhão embarcado de 40 mm (idêntico ao dos NPO2000).

Infelizmente, a construção dos navios está suspensa desde 2004… Petroleiros gigantes continuam a passar todos os dias pela costa portuguesa colocando em grave risco um dos grandes recursos económicos do país: o Turismo, hoje 11% do PIB, 15% futuramente nos planos do governo… Segundo parece esta prioridade não é prioritária para o Governo tendo em conta o estado (parado) da construção destes navios… Uma das saídas para este impasse – no presente clima de draconiana contenção orçamental – poderia ser a ajuda europeia. Atualmente, a Agência Europeia de Segurança Marítima (AESM) tem a responsabilidade no quadro europeu por estas missões, e em 2007 requisitou a construtores europeus três navios de combate à poluição, que se somaram aos nove já operacionais. Em 2007, nesta frota europeia constava já o “Galp Marine” que baseado em Sines cumpria missões de combate à poluição por todo o continente europeu, algumas delas no norte da Europa. Normalmente, o navio está em Sines, podendo ser usado rapidamente caso surjam emergências na nossa costa, mas é um recurso limitado e muito especializado a um dado tipo de poluição…

Uma das maiores marinhas europeias, a francesa possui atualmente 4 navios de combate à poluição (classes UT710 e UT711), para operar naquela que é a segunda maior ZEE do mundo (precedida apenas pela dos EUA), com uns impressionante 11,035,000 km2. Portugal tem a décima (contando com o pedido de extensão de 2009), com uns muito notáveis 3,877,408 km2, mas temos das rotas mais movimentadas no globo… com petroleiros a atravessarem constantemente as nossas águas, enquanto que a maior parte das águas francesas se situam nos territórios ultramarinos, em regiões de fraco tráfego marítimo. Assim, dois NCP poderiam não ser inadequados. Esses meios, de resto, poderiam ser construídos em Portugal, no modelo previsto (NCP), e depois alugados à Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA), juntando-se ao “Galp Marine” e ao velho NRP “Bacamarte”, o único navio da Marinha com capacidade de combate à poluição do mar, uma lancha de desembarque adaptada

Fontes:
http://www.publico.pt/Pol%EDtica/governo-gastou-18-milhoes-em-navios-de-combate-a-poluicao-que-estao-por-construir–1557820
http://pt.wikipedia.org/wiki/Prestige
http://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Viana_do_Castelo
http://www.turismodeportugal.pt/portugu%C3%AAs/Clipping/Pages/Tecnologiass%C3%A3ope%C3%A7acrucialparaoTurismonacional.aspx
http://www.incineracao.online.pt/poluicao-do-mar-europa-precisa-de-mais-navios
http://www.revistademarinha.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1391:espadarte-2009&catid=101:actualidade-nacional&Itemid=290
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_current_French_Navy_ships
http://www.envc.pt/marinha/ncp2000/ncp2000.htm

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Temos 5 anos para fazer algo sobre o Aquecimento Global. Ou então é tarde demais.

Um relatório recente da “Agência Internacional da Energia” (International Energy Agency) indica que temos apenas cinco anos para impedir uma mudança climática irreversível. Esta informação – a confirmar-se – não podia vir em pior altura. O Ocidente (EUA e União Europeia) está paralisado por uma “crise da dívida soberana” que vai demorar nunca menos de dez anos a resolver… a China tomou recentemente algumas medidas, mas ainda de forma tímida e inconsistente e o resto do mundo está basicamente expectante quanto ao que a Europa vai fazer. Ora como esta está paralisada…

A situação ainda é mais grave do que parece, porque embora a economia mundial esteja anémica, o consumo de energia subiu 5% entre 2009 e 2010. Este aumento de consumo implicou um aumento das emissões de CO2 e, logo, do Efeito de Estufa que ameaça colocar em risco a sobrevivência do Homem neste planeta.

Ainda não é tarde. E a descida muito significativa dos preços dos painéis solares registada nos últimos anos pode ser decisiva. Infelizmente, além da gigantesca dificuldade que seria converter a economia mundial para fora do Carbono num prazo tão curto (inferior a 5 anos!) o recente desprestígio da Energia Nuclear, depois do desastre de Fukushima e as grandes dificuldades orçamentais dos países do Ocidente (que liderava no mundo o processo de combate às alterações climáticas) não auguram nada de bom…

Fonte:
http://science.slashdot.org/story/11/11/10/037228/iea-warns-of-irreversible-climate-change-in-5-years

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Os custos da Energia Solar estão a cair a pique

O grande problema da energia solar sempre foi o do custo de investimento por quilowatt. Contudo, isto está a mudar muito rapidamente. Os progressos tecnológicos dos últimos anos têm sido tremendos, sobretudo, os preços têm caído espetacularmente a um ritmo de 7% ao ano.

Esta queda de preços resulta da eficiência cada vez mais elevada dos painéis, mas sobretudo do nível muito elevado subsidiação da industria solar chinesa por parte do governo de Pequim. Esta política de subsídios reduziu os preços dos painéis solares de 2010 a 2011 em quase 40%. Obviamente, tal política levou à falência muitas empresas do ramo na Europa e nos Estados Unidos…

Além dos custos de fabricação estarem em queda, também os de instalação estão em queda: nos EUA, os custos de construção de grandes instalações solares caíram 17% apenas em 2010.

O facto de existirem cada vez mais economias de escala, na Energia Solar, contribuiu também de forma muito importante para a queda dos preços da energia solar: em 2010, só nos EUA foram instalados mais de 17 giga-watts em painéis solares, ou seja, o equivalente a 17 novas centrais nucleares!

A China é hoje o maior fabricante mundial de painéis solares. O facto desta industria ser altamente subsidiada (na China e no resto do mundo, como em Portugal) coloca a questão: quando pela via da atual crise financeira os governos deixarem de a poder subsidiar ela vai sobreviver e, sobretudo, vai manter a tendência de descida dos custos?… É impossível saber. A manterem-se as tendências atuais os custos por quilowatt da energia solar deverão entrar em paridade com os da energia fóssil por volta de 2018, segundo a consultora Ecofys, mas para isso os custos terão que descer ainda mais algumas dezenas de vezes a partir dos atuais um euro por watt.

Acreditamos que nesta equação os ditos “impostos de carbono” terão também um papel a cumprir… desde logo porque todas as externalidades económicas dos combustíveis fosseis não fazem atualmente parte da sua estrutura de formação de preços: as calamidades naturais provocadas pelo Aquecimento Global e suportadas pelos Impostos não estão refletidas nos preços… E essa reflexão só pode suceder pela via fiscal. Estes “impostos de carbono”, como aquele que acaba de ser inaugurado na Austrália, permitiram manter algum tipo de subsidiação na energia solar e compensar os seus custos, aumentando os dos combustíveis fosseis pela introdução de uma componente de custos que hoje é aqui escamoteada.

Fonte:
http://www.washingtonpost.com/blogs/ezra-klein/post/solar-is-getting-cheaper-but-how-far-can-it-go/2011/11/07/gIQAuXXuvM_blog.html?wprss=ezra-klein

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A EDP instalou um aerogerador marítimo Windfloat junto à Póvoa do Varzim

Windfloat (www.pcouncil.org)

Windfloat (www.pcouncil.org)

A EDP, juntamente com a InovCapital e a Principle Power colocou a primeira torre eólica em alto mar do planeta. O sistema instalado é conhecido como “Windfloat” e inclui um aerogerador de 2 megawatts. Instalado ao largo de Aguçadora, este primeiro Windfloat inaugura uma serie de estações marinhas de aerogeração que irão surgir nos próximos anos.

O Windfloat congrega o esforço de mais de 60 empresas e institutos europeus e foi concebido para dispensar a instalação e manutenção sem o recurso a qualquer equipamento pesado, uma vez que foi completamente montado em terra firme, na Lisnave e só depois rebocado para aguas abertas no Atlântico.

O sistema estará em testes nas próximas semanas os quais a serem bem sucedidos irão abrir um novo capitulo na exploração da grande Zona Económica portuguesa no oceano Atlântico, garantindo assim a sua ocupação efetiva e a rentabilidade de um recurso que ainda hoje persiste essencialmente ignorado, mas que assim poderá contribuir não somente para as reduções das emissões nacionais de CO2 mas também para a independência energética do país.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=ED38C3CA-62B7-4A08-BA46-7BC32BEA3CFA&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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A Austrália vai criar uma “Taxa de Carbono”. E Portugal devia imitá-la.

Depois de uma longa discussão, a Austrália aprovou o estabelecimento de uma “taxa de carbono”. O lobby industrial conseguiu travar a taxa durante muito tempo, mas a partir de meados do próximo ano, os maiores emissores de CO2 vão começar a pagar uma “taxa de carbono”.

A taxa é, contudo, provisória, já que a partir de 2015 será trocada por um sistema de trocas de quotas de emissões na região Ásia-Pacífico, a preços variáveis e estabelecidos livremente pelo mercado.

Portugal, onde tantos impostos foram aumentados de forma tão violenta e exagerada nos últimos meses poderia – apesar disso – seguir o exemplo australiano. Precisamos de aumentar o afluxo de recursos ao Estado, pela via fiscal, e uma Taxa de Carbono tem várias vantagens: desde logo serve de dissuasor ao tipo de consumos energéticos que leva a importações de produtos petrolíferos, seria assim uma forma de reduzir as importações e de favorecer a produção nacional de energia (de forma renovável). Poderia também servir como um estimulo direto (pela via da transferência fiscal automática) para a produção de energia por fontes renováveis. Serviria também, ao seu gradual, como estimulo à contenção de consumos energéticos exagerados por parte dos maiores consumidores.

Mas a Taxa de Carbono (além de todas as vantagens fiscais e económicas supra-citadas) teria ainda um outro grande sustentáculo: serviria para atacar de forma frontal e direta a grande ameaça que além da crise e da recessão pende sobre todos nós: o Aquecimento Global e as emissões de CO2 que a curto prazo colocam em risco a sobrevivência do Homem sobre a Terra e o próprio sistema ecológico global.

Fonte:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=2050660

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Algumas reflexões num estudo sobre a corrupção

“A investigação realizada por Dan Ariely, especialista do Massachusetts Institute of Technology (MIT) em economia comportamental (concluiu numa) série de experiências comportamentais com estudantes norte-americanos, destinadas a avaliar a disposição para transgredir as regras de bom comportamento moral, enganando os outros ou a sociedade”:
1. “a primeira verificação que obteve foi a de que, em geral, não há apenas poucas pessoas que transgridem, e transgridem muito, mas há muitas pessoas que transgridem, mas que transgridem pouco. (…) Segundo a teoria económica, um problema desta natureza é uma questão de análise custo-benefício, comparando o ganho da transgressão e o peso da penalidade, ponderado pela probabilidade de esta ocorrer (isto é, de “ser apanhado”). Sendo assim, e segundo o próprio autor do estudo, seria de esperar que a transgressão aumentasse com o prémio “oferecido” e diminuísse com a penalidade prevista. Mas não foi isso que verificou. O que a sua experiência continuou a mostrar, fazendo variar aquelas duas variáveis relevantes para a análise económica do problema, foi que, em vez de as transgressões oscilarem significativamente, continuava a prevalecer a conclusão de que muita gente transgredia, mas transgredia pouco, não reagindo, portanto, aos incentivos económicos, como a teoria económica faria prever.”
2. “Perante estes resultados, a sua inferência foi, então, a de que a “seriedade” é condicionada por dois factores relevantes. Por um lado, gostam de se olhar no espelho e sentir-se bem consigo próprias, vendo-se como pessoas cumpridoras. Mas, por outro lado, sentem que essa perceção sobre si próprias não se altera só um pouco, isto é, se ficarem só na margem da retidão.”
3. “Seguidamente, Ariely procurou testar o que poderia influenciar, aumentando ou diminuindo, este limiar. E os resultados a que chegou são particularmente interessantes. Verificou, por um lado, que referenciar um código moral que as pessoas reconheçam reduz significativamente aquele limiar de transgressão aceitável. E verificou, por outro lado, que, se alguém da mesma sociedade ou grupo social a que se pertence transgride ostensivamente e sem consequências, faz aumentar o limiar de transgressão aceitável. No entanto, se a transgressão ostensiva é feita por alguém com quem não nos identificamos, tal não afeta o nosso limiar.”
4. “Um outro passo da experiência, com resultados também curiosos, permitiu verificar que, quando a remuneração da transgressão é dinheiro “direto”, a dimensão das transgressões é cerca de metade do que quando a remuneração é feita “em espécie”. A ilustração talvez mais fácil desta conclusão é que, a qualquer um, é mais fácil “desviar” uma esferográfica da empresa (ou de qualquer outro lugar) do que “desviar”, do mesmo sítio, o montante de dinheiro correspondente ao valor do objeto”.

Economia, Moral e Política
Vítor Bento

Estes estudo pode ser extremamente interessante para o combate em corrupção em Portugal e no resto do mundo. Em primeiro lugar, a conclusão de que todos transgridem (mas pouco) indica que não é possível conceber uma sociedade sem corrupção e que impor penalizações muito elevadas para crimes ou para a criminalidade de pequena dimensão simplesmente não é eficiente. Isto é, o resultado não compensa o esforço, sobretudo a imposição de penas ou multas pesadas (e a investigação e esforço administrativo que implicam).

O estudo indica uma via simples e muito económica para reduzir a corrupção: a elaboração de um código de ética. De facto, basta saber que existe um qualquer “código de ética”, mesmo sem o conhecer para ter efeitos imediatos na redução da corrupção. Há razoes para crer que se este código fosse elaborado em conjunto, público e periodicamente renovado, a adesão ao mesmo ainda seria superior e mais convicta. O estudo de Dan Ariely tem ainda outra conclusão potencialmente muito útil: a corrupção em figuras públicas, é particularmente negativa no sentido em que se deixar um sentimento de impunidade aumenta os próprios níveis de corrupção na sociedade. A conclusão é simples: o Estado não pode (não deve) deixar que crimes de corrupção sobre figuras públicas fiquem por investigar, não pelo que eles representam em si, mas pelos efeitos que esse (mau) exemplo induzem em toda a comunidade… Neste respeito, os exemplos (infelizes) deixados pelas múltiplas investigações pendentes ao anterior Primeiro-Ministro deixaram uma mossa de alcance ainda hoje difícil de percepcionar…

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Tiago Pitta e Cunha: “Ao substituirmos a ideia de que habitávamos a terra onde o mar começa pela ideia da terra onde a Europa acaba, começámos a reduzir as nossas opções e deixámos de beneficiar daquele que foi sempre o nosso trunfo principal: a geografia”

Tiago Pitta e Cunha (http://www.cargoedicoes.pt)

Tiago Pitta e Cunha (http://www.cargoedicoes.pt)

“Ao substituirmos a ideia de que habitávamos a terra onde o mar começa pela ideia da terra onde a Europa acaba, começámos a reduzir as nossas opções e deixámos de beneficiar daquele que foi sempre o nosso trunfo principal: a geografia, que nos faz uma grande plataforma oceânica entre importantes massas continentais. Ao invés, passámos a lutar contra essa geografia, que apelidámos de madrasta, vitimando-nos e lastimando-a. Um exemplo claro dessa luta contra a nossa geografia é bem visível nos esforços nacionais de encurtar, primeiro, pelas auto-estradas e, mais recentemente, pelo comboio de alta velocidade a distância maldita que nos afasta do centro do poder e da economia europeia. Note-se que os esforços na modernização dos transportes terrestres não são negativos em si mesmos. Ao contrário, são até bastante necessários. O que é negativo é quando eles representam um tudo, de que o nada é o mar, os portos ou os transportes marítimos nacionais”.

Portugal e o Mar
Tiago Pitta e Cunha

Portugal não é um “país periférico”. Com a sua imensa zona económica marítima, dezoito (!) vezes maior que o seu território terrestre, Portugal tem que encarar o Mar como o seu novo Centro. O país deve libertar-se do complexo da periferia, que o afasta dos centros de decisão do norte da Europa e encarar o Mar e aquilo que está para além dele (a Lusofonia) como um novo desígnio nacional. Sem virar – de novo – as costas à Europa, o país deve saber complementar esse seu carácter europeu com um atlantismo que lhe é mais natural e inato. Em vez de investir em auto-estradas e TGVs, o país deve investir no transporte marítimo, nas pescas, na produção de energia offshore e nos recursos que se sabe existirem no leito oceânico. Saibamos encontrar no Mar Português o nosso futuro. Antes que outros encontrem nele, o seu…

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Nos últimos 12 meses a desflorestação no Brasil aumentou 15%

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Além da pobreza, da corrupção e da criminalidade, o grande problema do Brasil é a desflorestação. Segundo o “Instituto Nacional de Pesquisa Espacial” (INPE) nos últimos 12 meses o fenómeno teria aumentado 15%. Isto significa que entre julho de 2010 e julho de 2011 o país teria perdido 1649 km2 de vegetação apenas nos Estados de Mato Grosso e Pará. Estes números muito preocupantes resultam de observações por satélite.

Os dados do INPE relacionam o maior recuo de floresta no Mato Grosso (onde se registou 95% dessa perda) e onde a pressão contra a floresta realizada pelas grandes explorações agrícolas de soja e de pecuária tem sido mais intensa.

O Brasil é o quinto maior país do mundo em área bruta e tem no seu território cerca de 5.3 milhões de km de florestas e selva, a maioria destes na bacia do Amazonas.

Hoje em dia, o Brasil é um dos maiores emissores globais de gases com efeito de estufa devido, precisamente, à desflorestação. O fenómeno, contudo, está em declínio desde 2004. O aumento recente dos preços globais dos produtos do setor agro-pecuário tem contudo pressionado os produtos com terrenos junto à selva amazónica para aumentarem a sua produção à custa da expansão territorial da suas explorações… é que o Estado tem apenas pouco mais de um quinto dos terrenos da floresta amazónica, estando o restante em mãos particulares ou incertas, e estas terão sempre o impulso para aumentar os seus rendimentos à custa da desflorestação. Estão assim a criar-se cada vez mais condições para que o processo seja travado através de uma intervenção estatal, talvez sob uma forma de “reforma agrária” que nacionalize algumas dessas regiões fronteiras com a selva amazónica.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Deforestation_in_Brazils_Amazon_up_15_999.html

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Foram descobertas mais fontes hidrotermais nos mares dos Açores

As riquezas submersas da Zona Económica marítima portuguesa são cada vez mais fonte de interesse internacional. Recentemente, um grupo de oceanógrafos irlandeses e britânicos encontrou a cerca de 3 km de profundidade e não muito longe da ilha açoriana da Graciosa, um novo campo de fontes hidrotermais com grandes chaminés. Este campo está rodeado de montes submarinos com concentrações muito elevadas (e impossíveis na superfície) de metais. Nestes locais, existe um tipo de vida muito especial e completamente independente da luz solar.

O interesse internacional pelos campos hidrotermais situados em águas portuguesas não é novo e deve provocar em Portugal um autêntico sinal de alarme: Ainda recentemente, a China conseguiu corromper um organismo da ONU para obter direitos de exploração dos minerais do leito do Oceano Índico. Não é de excluir que estas “investigações científicas” sejam também uma preparação de movimentações semelhantes, especialmente se Portugal persistir em não ter submarinos capazes de explorar os campos hidrotermais já existentes e de mapear novos. Assim como a “ocupação efetiva” dos territórios inscritos no “Mapa Cor-de-Rosa” foi determinante para que a Inglaterra nos furtasse o território entre Angola e Moçambique, o mesmo tipo de argumentação pode agora ser usado para instalar campos de exploração submarinos de minerais, como aquele que foi recentemente inaugurado ao largo da Nova Guiné.

Portugal, cuidado. Os tubarões do norte da Europa começam a afiar os dentes a pretexto da “ciência” e têm do seu lado a mesma ferramenta que destruiu a nossa marinha mercante e a frota pesqueira: a “União Europeia”. Contra uns e outros, há que trabalhar e preencher o Mar Português de navios e submarinos de investigação, antecipando a exploração submarina de metais e minerais de que pode depender a sobrevivência do país nas próximas décadas.

Fonte:
http://astropt.org/blog/2011/08/07/chamines-hidrotermais-gigantescas-descobertas-a-norte-dos-acores

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Sobre o progresso nas Energias Renováveis em Portugal

Já o escrevi aqui, várias vezes: há muito a criticar nas políticas seguidas pelos governos Sócrates, mas houve vários campos onde se registaram progressos notáveis e um deles foi o setor energético.

Portugal foi um dos países da União Europeia que mais aumentou a percentagem de energias renováveis no total de energia consumida entre 1999 e 2009 de13,4 para 19 por cento. Isto torna Portugal no quinto lugar europeu.

Infelizmente o petróleo continua a ser a principal fonte de energia em Portugal (50,5%) prova de que ainda há muito caminho a trilhar, em terreno particularmente difícil, agora que os subsídios às renováveis serão provavelmente das vitimas principais nos planos de contenção orçamental que a troika BCE-FMI-CE nos vai impor…

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=16442

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Bio-reatores de bio-óleo em Alicante

Bio-reatores de bio-óleo em Espanha (http://main.omanobserver.om)

Bio-reatores de bio-óleo em Espanha (http://main.omanobserver.om)

Um grupo de cientistas espanhóis ergueu uma pequena floresta artificial de tubos de bio-óleo perto de Alicante. A instalação de tubos de oito metros de altura irá produzir bio-óleo a partir de uma mistura de algas com dióxido de carbono. Os 400 tubos contêm milhões de pequenas algas e recebem através de uma tubagem o CO2 de uma fábrica de cimento vizinha

O objetivo é criar nestes bio-reatores as condições que levaram à formação do petróleo que hoje exploramos com tanta avidez… O líquido produzido nestes tubos é extraído, filtrado e transformado em bio-óleo. Um sistema destes apresenta ainda outra vantagem: a redução das emissões de CO2…

Segundo estes investigadores, uma instalação com 50 km de extensão poderia produzir até 1.25 milhões de barris de bio-óleo por dia. Um valor muito notável, especialmente se compararmos, por exemplo, com os 2.2 milhões de barris diários produzidos por Angola. Esta tecnologia está hoje a ser desenvolvida em vários países do mundo e é uma das abordagens mais promissoras já que ao contrário de uma rede de transportes elétricos, como aquela que está a ser lançada em Portugal, o bio-óleo pode usar a rede de distribuição de combustível já existente, apenas com pequenas alterações. E provavelmente seria uma aposta mais razoável do que a do governo Sócrates…

Fonte:
http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gVfiWAaxkedUjrwBCEUhE_fDVIew?docId=CNG.7cd965e6acedf0092b81962b8499b71c.311&index=1

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Em 2010, 52.7% da eletricidade consumida pelos portugueses foi “verde”

“Em 2010, 52.7% da eletricidade consumida pelos portugueses foi “verde”, um máximo histórico. (…) A produção de energia limpa, excluindo as barragens, permitiu poupar no ano passado 520 milhões de euros na importação de combustíveis fósseis e evitar a emissão de 7.2 milhões de toneladas de CO2, conseguindo-se cerca de 110 milhões de euros de poupança em licenças de emissões”
(…) “no último trimestre de 2010, terem sido instalados mais 300 megawatts (MW) de potência eólica, os quais só este ano vão entrar em regime de cruzeiro.”
“Este ano de 2007 a produção de eletricidade renovável possa gerar poupanças na ordem dos 700 milhões de euros – partindo do princípio de que o preço do petróleo vai estabilizar nos 100 dólares”
“Segundo os dados da REN (…) no ano passado pela primeira vez Portugal teve mais eletricidade proveniente de parques eólicos do que de centrais de carvão.”
Sara Ribeiro
Jornal Sol de 7 de janeiro de 2010

É só o começo… A capacidade de produção eletro-eólica ainda está muito longe de estar completamente explorada e – a prazo – uma rede de distribuição inteligente e interligada com Espanha pode servir de importante fonte de capitais pela exportação de energia até outros países europeus.

Há ainda que lançar medidas de estímulo que reforcem o incentivo à autonomia energética dos particulares e das empresas (essencialmente por via fiscal) e, sobretudo, que incentivem à investigação de aerogeradores mais eficientes e à construção de unidades de produção que autonomizem o país em relação às importações deste tipo de equipamentos. Produzir localmente, para independentizar energéticamente e criar Conhecimento e Desenvolvimento deve ser o mote principal dos Governos deste país… tendo sempre no horizonte o imperativo de sobrevivência global chamado “alterações climáticas” e reeducação das emissões de CO2 e o grave facto determinado pelo peso de 60% que as importações de energia impõem sobre o nosso défice comercial e aquele monstro chamado “dívida externa”. Com efeito, é precisamente nas energias renováveis (eólica, solar e das ondas) que Portugal tem, no contexto de um mundo cada vez mais sedento de energia, um dos raros “produtos” que pode exportar em grandes quantidades.

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Atenção ao que Espanha se prepara para fazer aos rios portugueses

Atenção ao que Espanha se prepara para fazer aos rios portugueses. Madrid já delineou uma estratégia de desvios massivos de água dos rios internacionais e há muitos anos que não cumpre os mínimos de passagem de água em praticamente nenhum rio internacional. A situação só não tem sido mais grave porque a pluviosidade tem sido mais intensa em Portugal do que Espanha, o que tem compensado os desvios espanhóis…

A situação tem sido particularmente grave no Guadiana, onde a agricultura intensiva (que ironicamente abastece a maior do consumo de alimentos em Portugal) exige a água que Espanha desvia do Guadiana e que agora – segundo os planos de Madrid – será também desviar para a Andaluzia a água dos rios internacionais do centro e norte da Península, prejudicando ainda mais Portugal.

A fraqueza e timidez de Lisboa perante uma tão grave ameaça a Portugal é atroz: Estes desvios irão colocar a causa a agricultura portuguesa, o que resta de produção agrícola que a Europa nos deixou e ameaçará a própria população das grandes cidades portuguesas. No total, esta ameaça espanhola pende sobre 3 milhões de portugueses e sobre a importante barragem de Alqueva e toda a agricultura alentejana que dela depende.

Espanha tem sido surda aos interesses portugueses, cuja diplomacia tem optado por uma atitude discreta que não tem provado eficácia alguma (basta atentar ao caudal do Guadiana em anos de seca). Perante a atitude de flagrante violação dos Tratados e a vontade de prejudicar seriamente Portugal, resta a Portugal exigir coragem e frontalidade aos seus governantes (ademais, grandes “amigos de Espanha” desde Sócrates a Passos) e apelar à Comissão Europeia que faça o seu dever e que bloqueia os planos espanhóis. Isso ou dar um murro em cima da mesa e exigir que Madrid cumpra a sua palavra.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/agua-provoca-conflito-com-espanha=f618906

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Relato da Conferência de Permacultura Holzeriana com Sepp Holzer

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Conferencia de Permacultura Holzeriana com Sepp Holzer
6 de setembro de 2010
Realizada em parceria com a Quercus e a Tamera na sede nacional do Corpo Nacional de Escutas, na rua Dom Luis I, em Lisboa

Esta conferência teve uma audiência extremamente interessada e que encheu completamente a sala de conferências do CNE, chegando ao ponto de, a dado momento, haver pessoas de pé, ao fundo da sala e no corredor. Esta afluência e nítido interesse de todos pela matéria apresentada reflete o interesse extraordinário que o tema da Permacultura cria entre nós e o prestígio de Sepp Holzer neste meio, um prestígio, que contudo – como veremos – não está contudo isento de polémicas.

A permacultura é essencialmente um sistema de design e uma forma harmoniosa de agricultura. O termo resulta da contração das palavras “Cultura” [agrícola] e “Permanente” e tem como maior objetivo tratar o Homem, o ambiente e a agricultura como um organismo único, coeso e harmónico com o meio e a natureza. A permacultura representa assim um caminho para alcançar a sustentabilidade ecológica com tecnologias apropriadas a cada região e a cada clima. Para os permaculturistas, se a planta esta sã o animal esta são e logo o homem está são e estes são os três conceitos centrais a esta forma de agricultura.

A conferência começa com a apresentação de um – dobrado em castelhano – sobre a primeira experiência agrícola de Sepp Holzer, nas montanhas do seu país, a Áustria. O documentário tem mais de 15 anos e reporta-se à época em que Holzer ainda gastava a maior parte do seu tempo e obtinha a maioria dos seus rendimentos dessa propriedade.

O documentário apresenta várias das técnicas que Holzer desenvolveu (alegadamente) sozinho e que posteriormente viria a reconhecer nas técnicas de um dos pioneiros australianos da permacultura, que, contudo Holzer não identifica completamente com a sua visão, que designa como “Permacultura Holzeriana”, devido às diferenças que apresenta para com a permacultura convencional, por exemplo, na importância da construção de lagos nas curvas de nível, na utilização de maquinaria pesada nessas construções ou na utilização de espécies não locais nas explorações agrícolas a que designa também de agro-florestas.

O documentário lista várias das técnicas da Permacultura Holzeriana, que passaremos a enumerar:

1. De permeio às culturas (como de abóbora) estão as pedras que fazem parte do terreno – pequenas e grandes – e outras que foram deslocadas de altitudes mais elevadas na sua exploração. Segundo o agricultor, estas pedras absorvem o calor e ajudam as abóboras a resistirem assim melhor às variações térmicas. Estas pedras funcionam também como reguladores de humidade através da condensação da humidade matinal. Contudo, não são dados elementos científicos ou quantificáveis da quantidade de água que as plantas recebem através deste método nem de qual é a variação de temperatura junto a estas pedras e a alguma distancia das mesmas. Estas omissões colocam em dúvida os resultados apresentados.

2. um dos traços mais característicos da exploração é a opção por culturas mistas, com varios produtos sendo cultivados ao mesmo tempo, no mesmo terreno. Com efeito, desta forma Holzer repudia a monocultura que – afirma – tem sido responsável por tantos danos ao meio ambiente e aos solos nos últimos anos. Obviamente, tal cruzamento de culturas reduzirá a eficácia económica da exploração, mas como negar as tremendas desvantagens associadas à monocultura intensiva?… pelo menos neste respeito, há que reconhecer alguma validade a esta forma de agricultura.

3. Holzer não recorre a adubos químicos nem a fertilizantes industriais. Pelo contrário, prefere recorrer às mesmas técnicas da agricultura biológica, usando por exemplo plantas como a Digitalia que gera nitrogénio nas suas raízes. Recorre também a amendoins e trevos com os mesmos objetivos plantando estas plantas de permeio a outras culturas aplicando assim o seu princípio de realizar sempre “culturas mistas” nos seus campos agrícolas e reforçando assim um dos seus axiomas: “Agricultura em cooperação e não em confrontação com a Natureza”.

4. Outro traço distintivo das explorações agrícolas holzerianas é a presença de animais soltos pela quinta: porcos, galinhas e patos são aqui presença constante e parte integrante da paisagem. Desta forma se abrem novos caminhos na floresta, entre as árvores, se eliminam ervas daninhas (barreiras afastam os animais das zonas que é preciso preservar) e se vão adubando naturalmente os campos. Todos os animais estão livres durante todo o ano e podem entrar no estábulo escavado no solo e formado por troncos de madeira onde entram quando querem e não porque são para lá levados. Estes estábulos são construídos na terra para se manterem quentes de Inverno e frescos de Verão.

5. As árvores são um dos componentes mais importantes da permacultura holzeriana tanto que uma forma alternativa de a designar é precisamente agrofloresta… as árvores, são com efeito, tratadas de uma forma diferente da agricultura tradicional. Desde logo, não são podadas. As folhas caem e são deixadas sob o solo, formando húmus. O mesmo sucede com a madeira cortada, que fica no solo, criando húmus e acolhendo culturas de cogumelos. As ervas daninhas são cortadas e deixadas no próprio local de corte ao lado das culturas, também para criar mais húmus. Holzer é particularmente crítico da forma como os agricultores modernos cuidam das suas árvores, deixando-lhes apenas raízes rasas, cortes sistemáticos dos ramos e outros maltratos. Perante tal pressão, as árvores entram em stress e tornam-se susceptíveis a todos os tipos de fungos e pestes. Em resultado, os solos perdem sustentabilidade e as chuvas conseguem varrer o que resta do húmus e o solo assim exposto torna-se impossível de suportar para as árvores, que acabam por morrer num ciclo vicioso que leva à desertificação das encostas.

6. Na Permacultura Holzeriana, as culturas são misturadas sem carreiros definidos e estão sempre intercaladas com vegetação natural. Esta opção significa que a colheita tem que ser manual, com o decorrente recurso à técnicas de mão de obra intensiva, elevados custos e lentidão da colheita, mas é uma forma de evitar a sobreutilização dos solos, de criar zonas de retenção das águas das chuvas e de reduzir o impacto da atividade agrícola no meio natural, à custa do seu rendimento, naturalmente.

7. Um dos aspectos mais interessantes desta forma de Permacultura é a construção de lagos artificiais (com maquinaria pesada) que depois são povoados com peixes. Estes lagos são ligados entre si de forma a poderem partilhar a água e são construídos consoantes as curvas de nível naturais de forma a poderem captar a água que de outra forma se perderia para os rios. Holzer gosta de instalar muitos lagos nas propriedades onde faz consultoria, oscilando o seu número entre 6 a 16 por propriedade. Encontramos em Portugal um destes ensaios de Permacultura Holzeriana em Tamera, uma ecoexploração agrícola a 15 km de Tavira onde foram construídos vários lagos povoados depois com peixes (como trutas e esturjões) e onde as técnicas de permacultura coexistem com tecnologias alternativas e de sustentabilidade social. As paredes dos lagos são impermeabilizadas com pedras de vários tamanhos, deslocadas de outros locais do mesmo terreno, mas reservando as de maiores dimensões para efeitos decorativos e para a construção de cascatas artificiais. Por cima dos lagos – sempre que possível – Holzer instala terraços para maximizar a retenção de água já que o segredo para formar estes lagos é reter a agua das chuvas consoante as linhas naturais de agua, geradas durante as grandes chuvas. Os lagos são construídos a diferentes curvas de nível e reforçam os lençóis freáticos que existem sob eles criando assim reservas de água. Se o nível da água dos baixar, os lençóis freáticos recuperam esta falta. No fundo destes lagos, Holzer deposita materiais impermeáveis em caracol mas na – crítica – parte central do dique o permacultor usa materiais muito finos, como pedras pequenas e, por fim, recorre a máquinas pesadas para passar por cima das paredes do dique de forma a consolidar a sua estrutura. De facto, estas máquinas não são usadas para escavar o lago mas para criar este dique e assim, criar o lago artificial. Além da piscicultura a água destes lagos pode ser usada para rega. Sepp Holzer constrói os seus lagos para que sejam o mais alongados e direcionados conforme os principais ventos para gerar ondas e aguas limpas e nas zonas rasas colocam-se nenúfares para filtrar a água. Zonas rasas alternam com fundas para que hajam zonas quentes e frias que levem a deslocação da agua. Tudo isto sem cantos, mas apenas com formas arredondadas para que não haja zonas de agua parada e estagnada.

Conclusão:
É uma conferência de popularização, não propriamente uma “conferência técnica”, para agricultores, mas direcionada para militantes das causas ecológicas mas que, contudo, pode servir para cativar muita gente para o tão necessário “regresso à terra”.

Muito ficou por dizer neste workshop de 3 horas. A apresentação teve um enfoque demasiado forte nos aspectos mais filosóficos da Permacultura e menos nos aspectos técnicos, talvez devido ao caráter mais “ecologista” e menos “agronómico” da maioria da audiência. Nesse sentido, foi uma desilusão. Não estava ali para ser doutrinado sobre os benefícios da agricultura biológica ou da permacultura ou até da variante criada por este agricultor austríaco. Estava ali para tentar compreender como poderiam estas formas de agricultura sustentável contribuir para reduzir a nossa pegada no clima do globo e se poderiam contribuir para a redução da fome no mundo. Disso, assim como dos aspectos mais económicos e financeiros do problema, nada foi dito, consumindo-se ao invés uma parcela injustificável de tempo com derivas filosóficos e segmentos panegíricos de autentica “gurutização” que não contribuem para divulgar a mensagem, servindo apenas para a desfocar em torno da personagem do orador.

A grande questão está aqui em saber se esta forma de Permacultura, designada pelo próprio com o seu próprio nome como “holzeriana” consegue produzir além do auto-consumo e ser assim socialmente útil e ser economicamente relevante para a sociedade onde se inserem estas explorações. Esta é a questão que vale “um milhão de dólares” e que teremos que procurar na Internet, já que neste workshop de três horas não houve tempo para a responder…

Contudo, e apesar de um certo egocentrismo de um orador, talvez demasiado habituado a discursar para plateias acríticas de não especialistas e a gastar mais tempo em conferências e consultoria do que no real trabalho da terra, tratou-se de uma conferência importante e a Permacultura Holzeriana merece toda a atenção possível enquanto forma de gerar alimentos de uma forma sustentável e ecológica. Os seus processos são muito interessantes, ainda que existam vários pontos que levantam várias críticas:
1. A preferência “experimental” por espécies não locais, como o boi das highlands escocesas ou espécies de porcos croatas na Áustria.
2. Não se referiu algo que é referido em várias fontes como uma das maiores críticas à Permacultura: a sua maior adequação a climas tropicais e mediterrâneos e a menor a climas mais temperados.
3. Os níveis de produtividade são inferiores aos da produção agrícola intensiva e até aos registados pela agricultura biológica.
4.  Sepp Holzer é um conferencista profissional, não o agricultor que era há 19 anos atrás, apesar disso a sua conferência continua a basear-se num documentário dessa época. Desde 1995 que as conferencias e as vendas de livros são a maior fonte de rendimentos da família Holzer.
5. A conferencia focou-se nos vários casos de sucesso das suas intervenções, mas omitiu vários falhanços rotundos, que levaram até a processos de indemnização como o projecto Jena na Hungria.
6. A Permacultura Holzeriana pressupõe uma taxa de ocupação do solo mais intensa que o natural
7. apesar da repetida referencia a “16 diplomas” ou estudos académicos, há quem os coloque em duvida, na sua validade cientifica e qualidade (Toby Hemenway e Greg Williams)
8. se o método é economicamente viável porque é que ao fim de tantos anos ainda só é aplicado em pequenas explorações, de entusiastas ou ativistas ecológicos e não se popularizou?

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O “HyDro Power”: um sistema que produz energia elétrica a partir de… autoclismos

Tom Broadbent e a sua invenção, a HighDro Power (http://images.gizmag.com)

Tom Broadbent e a sua invenção, a HighDro Power (http://images.gizmag.com)

Para pouparmos energia e salvarmos o planeta é imperativo que usemos a imaginação e procuremos novas formas de produzir energia, a partir de novas fontes. Ora é sabido que um ser humano “médio”, num país desenvolvido puxa o autoclismo centenas de vezes por ano, gastando assim mais de sete mil litros de água. No total, isto deve corresponder a triliões de litros de água que poderiam ter aproveitamento energético.

Foi este o desafio que um estudante britânico decidiu enfrentar. Tom Broadbent concebeu assim a “HyDro Power” um sistema que pode ser ligado à maioria dos autoclismos do mundo e transformar toda esta água desperdiçada em energia elétrica. O “HyDro Power” usa a água desperdiçada pelos autoclismos, duches e cozinhas que antes de chegar aos esgotos passa por uma turbina com 4 pás que alimenta um gerador de eletricidade. O sistema é mais eficaz em grandes prédios de apartamentos em função da altura que estes podem atingir e poderá gerar até 1200 euros por ano em energia elétrica vendida à rede pública.

Fonte:
http://bigthink.com/ideas/21043

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Os “Vidros Solares” com a tecnologia SolarWindow prometem colocar nas janelas das nossas casas… painéis solares!

Vidro SolarWindow (http://www.newenergytechnologiesinc.com)

Vidro SolarWindow (www.newenergytechnologiesinc.com)

A empresa “New Energy Technologies” anunciou ter conseguido um sucesso decisivo no desenvolvimento da sua tecnologia “SolarWindow” através da criação do primeiro protótipo de uma janela de vidro capaz de gerar eletricidade. Todos sabemos que – pela tecnologia atual – todos os painéis solares têm que ser opacos e o quanto isso limita a sua instalação na maioria das residências. Com a “SolarWindow”, contudo, há agora a promessa de abrir todas as janelas do mundo a esta nova tecnologia, aumentando radicalmente a quantidade de espaços onde podem ser instalados painéis solares.

A tecnologia da New Energy consiste no uso das células solares orgânicas mais pequenas do mundo, desenvolvidas inicialmente pelo Dr. Xiaomei Jiang da Universidade do Sul da Florida. Curiosamente, além de poder ser embebida no vidro, e ao contrário dos painéis solares convencionais, a tecnologia de Jiang permite obter energia também a partir de luzes artificiais, ou seja, o vidro da janela poderá funcionar também… de noite, a partir da iluminação doméstica, reutilizando assim de uma forma inteligente essa energia. Outra vantagem da “SolarWindow” é que permite teoricamente multiplicar por dez a eficácia dos painéis solares fotovoltaicos normais.

As promessas da New Energy têm agora que ser substanciadas… o seu protótipo tem que ser exposto ao público e ao escrutínio da comunidade científica, de forma a que as espantosas promessas desta nova tecnologia possam ser comprovadas e que… comecemos a trocar as janelas das nossas casas. Isto se o custo do investimento for suportável, o que é sempre duvidoso numa tecnologia que terá tanto de novo como de radical…

Fonte:
http://www.solardaily.com/reports/World_First_of_Its_Kind_See_Thru_Glass_SolarWindow_Capable_Of_Generating_Electricity_999.html

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A China já ultrapassou os EUA como o maior consumidor mundial de energia

Segundo a Agência Internacional de Energia, desde 2009 que a China ultrapassou os EUA como o maior consumidor mundial de energia. O ritmo de subida do consumo energético chinês já registado nos últimos anos faz com que esta notícia não seja uma surpresa para ninguém, mas não se esperava que este limite fosse batido tão depressa, já em 2009… e isso sim, é surpreendente.

A ultrapassagem deve-se a vários fatores. Desde a Recessão, à continuação do crescimento na China e até ao uso mais eficiente de energia nos EUA.

Num registo Per Capita, os EUA continuam a gastar muito mais do que a China e a terem um consumo menos eficiente que a Europa, mas o facto de em 2000 o consumo energético total dos EUA ser então o dobro da China e de hoje esta ter ultrapassado os EUA indica que estamos perante um mundo novo…

Este aumento explosivo das necessidades energéticas da China e o facto destas serem quase todas supridas pela via das importações massivas colocam sérios riscos à economia mundial. Desde logo – se este ritmo se mantiver – é inevitável que este consumo massivo torne a criar uma nova subida estrondosa do preço do barril de crude. Por outro lado, tal necessidade irá levar a China a uma política externa cada vez mais agressiva, especialmente nas regioes que lhe são fornecedoras.

Em termos de carvão – a maior fonte de energia elétrica na China – o país que em 2007 era exportador é hoje o segundo maior importador do mundo, com mais de 115 milhões de toneladas importadas este ano. No petróleo, a China este ano já comprou mais ao maior produtor mundial, a Arábia Saudita, do que os EUA.

Infelizmente, este recorde no consumo não tem sido acompanhado pelo exigível aumento no padrão de eficiência energética ou na pegada de Carbono. A China é também já desde 2008 o maior poluidor e emissor de CO2 do globo e a sua ascensão a um estatuto cada vez menos contestável de potencia mundial não tem sido acompanhada (como devia) por um aumento da sua responsabilidade ambiental ou ecológica, já que o regime de Pequim continua a ser um dos grandes opositores a qualquer acordo global e que o seu país segue sendo o maior poluidor mundial… o que é muito preocupante, já que o ritmo de consumo de energia na China não pára de subir, ano após ano!

Fonte:
http://edition.cnn.com/2010/BUSINESS/07/20/china.energy.consumption.ft/index.html?hpt=C1#fbid=wVKGwtLvssn

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Proibindo Sacos de Plástico

Tartaruga comendo um saco de plástico (http://www.eupodiatamatando.com)

Tartaruga comendo um saco de plástico (http://www.eupodiatamatando.com)

Existe em vários países no mundo um impulso para proibir completamente a utilização de sacos de compras em plástico. Nos Estados Unidos algumas municipalidades já passaram leis nesse sentido, sendo o caso de São Francisco e de cidades da Carolina do Norte. Em continuidade, há quem esteja a realizar pressões no Governo da California e no próprio Congresso para legislar a nível federal ou estadual neste sentido.

A lei que se tenta fazer aprovar na California determina que além da proibição de sacos plásticos, também se irá impor um preço mínimo aos sacos de papel.

Em Portugal, alguns supermercados começaram a cobrar pelos sacos de plástico (caso do Pingo Doce e do A C Santos), mas apenas valores irrisórios e as grandes superfícies continuam a cedê-los de forma gratuita. Talvez por isso se vejam ainda tantos sacos de plástico nas praias, nos campos e em qualquer lixeira (oficial ou oficiosa)

Os seus críticos (ligados ao poderoso Lobby da Indústria Química) alegam que isto terá custos superiores a um bilião de dólares (no caso dos sacos de papel) e que o sistema burocrático para fazer aplicar a lei nunca custará menos de um milhão de dólares por ano. Mas limpar estes sacos da paisagem custa – só na California – mais de 25 milhões de dólares! E qual é o custo financeiro, ecológico, em emissões de carbono e consumo de petróleo que implicam os 19 bilioes de sacos de plásticos consumidos na California todos os anos? Quantos terão o mesmo destino em Portugal? Aumentar o preço dos sacos plasticos e cobrar por eles parece fazer parte da solução deste problema, assim como a Educação Cívica à população, mas uma proibição pura e simples não produz efeitos mais imediatos?

Fonte:
http://consumerist.com/2010/06/should-plastic-shopping-bags-be-banned.html

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O Brasil vai recomeçar a construção do reator nuclear Angra III

A empresa brasileira Electronuclear arrancou recentemente com os trabalhos de construção de um terceiro reator para a Central Nuclear de Angra dos Reis. Este terceiro reator estava no papel desde há 24 anos, mas somente agora, por impulso do governo federal é que a sua construção começou.

O custo total da construção de Angra III deverá ascender a mais de 4,9 biliões de dólares. A construção deverá terminar em 2015. Uma vez construído, o novo reator será capaz de produzir até 1405 megawatts de energia elétrica.

Além de Angra III, o Brasil pretende também construir 8 novas centrais nucleares durante os próximos vinte anos.

O nuclear entra assim como uma fonte estrategicamente importante de energia, fornecendo uma parcela mais importante dos consumos crescentes de um país em desenvolvimento acelerado e sustentado. Atualmente, 85% da energia brasileira é de origem hidroelétrica e apenas 5% de origem nuclear, um desiquilíbrio que este ambicioso plano irá alterar significativamente.

Temos as nossas reservas quanto à Energia Nuclear, mas somos defensores moderados e cuidadosos da adopção do Nuclear Civil… Sem dúvida que as consequências de um acidente nuclear são tremendas e que mesmo os sistemas mais seguros e redundantes podem falhar… mas num país de necessidades energéticas crescentes – como o ,Brasil – e desde que se assegurem o cumprimento estrito de todas as medidas de segurança, teremos o direito de negar o recurso à Energia Nuclear e ao baixo custo por watt e nulas emissões de CO2 que implica? O maior risco do Nuclear nao reside na construção de novas (e modernas) centrais…. reside na sua militarização e, sobretudo, nas dezenas de reatores nucleares obsoletos (alguns com mais de 40 anos) que ainda hoje estão em funcionamento um pouco por todo o mundo.

Fonte:
http://www.nuclearpowerdaily.com/reports/Work_starts_on_Brazils_third_nuclear_reactor_999.html

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Tragédia da BP no Golfo do México: Porque é tão difícil tapar a fuga?


(ROV “Luso” da Marinha Portuguesa)

A propósito da tragédia ambiental que a lúgrebe e ávida BP criou no Golfo do México alguns perguntam-se porque é tão dificil tapar uma fuga de petróleo no fundo do oceano… Isto pode parecer particularmente espantoso quando o Homem já conseguiu operar rovers em Marte e enviar sondas para a longínqua lua saturnina de Titã. Ora bem, o problema é que chegar a 1500 metros de profundidade pode ser mais fácil (e muito) do que chegar a Marte, mas uma vez lá, trabalhar nestas condições é provavelmente igualmente difícil.

Cada operação realizada com os submersíveis deve ser realizada com uma enorme precisão, sendo conduzida a partir da superfície, remotamente e com recurso a várias câmaras de alta resolução. Nestas condições, um pequeno erro pode deitar a perder anos de trabalho e… provocar uma tragédia ainda maior do que aquela que decorre hoje no Golfo do México.

Sejamos claros: a escala quase astronómica do Desastre é tão grande e as suas consequências para a economia dos Estados Unidos (a maior economia global) tão tremendas e a devastação ecológica tão enorme que terá consequências duradouras para toda a indústria petrolífera durante décadas. Certamente que por estes dias e entre as empresas do ramo, a BP não deve também ganhar concursos de popularidade…

A BP teve na génese destes desastre um problema de atitude: isso mesmo admitiu o seu CEO recentemente quando reconheceu que um desastre deste tipo era considerado internamente na empresa como sendo de “alta improbabilidade, elevado impacto” e reconhecendo no mesmo momento que “é indubitavelmente verdadeiro que não tínhamos as ferramentas que precisávamos”.

As dificuldades da BP resultam de estarmos perante perfurações de elevada profundidade, frequentemente com mais de um quilómetro feitas em reservatórios de petróleo de elevada pressão.

Os robots submarinos são conhecidos como ROVs e são eles os responsáveis por estes difíceis trabalhos. Controlados remotamente a partir da superfície, se o ROV se aproximar demasiado do fundo oceano, levanta sedimentos e bloqueará a visão ao próprio operador assim como a dos demais operadores que tenham ROVs a operar nas proximidades. Por outro lado se um operador esquece o local onde está o cordão umbilical que liga o seu ROV à superfície pode cortá-lo ou embaraçar-se nele. Todos os movimentos de um ROV têm que ser lentos e planeados. Se forem acelerados demasiado depressa continuam a andar, mesmo depois de desligado, a inércia continua a fazê-los mover e só podem ser parados com um impulso contrário dos motores. Tudo isto tem que ser feito contando sempre com o efeito das correntes e dos fluxos de água gerados pelos outros ROVs operando nas vizinhanças.

Todas estas dificuldades deveriam convencer as empresas que operam a estas profundidades e que sao por isso mesmo fontes inevitáveis de desastres e tomarem todas as percauções. Ora não foi isso que a BP fez! Bem pelo contrário! Sabe-se que poupou na válvula que poderia ter travado a fuga que hoje se diz vazar tanto petróleo por hora quanto a BP dizia que vazava por dia! A BP admite ter confiado “demasiado” na capacidade dos ROV para resolver problemas como este que viria a surgir agora com os tremendos – e sem precedência – impactos ecológicos e ambientais.

Fonte:
http://www.kivitv.com/Global/story.asp?S=12615852

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