Defesa Nacional

O presidente da República de Cabo Verde ao regressar da última cimeira da CEDEAO defendeu que a força desta comunidade regional devia ser “inclusiva”, no sentido de que deveria incluir forças de outras entidades transnacionais, como a CPLP

O presidente da República de Cabo Verde ao regressar da última cimeira da CEDEAO defendeu que a força desta comunidade regional devia ser “inclusiva”, no sentido de que deveria incluir forças de outras entidades transnacionais:
A CEDEAO entendeu que deveria criar uma força na África Ocidental. Mas esta força é também inclusiva, pois é criada em concertação com a União Europeia, União Africana, Nações Unidas e CPLP, bem como até pelos Estados Unidos e França, que fornecerão outro tipo de apoios”. Portugal surge ausente desta lista, ainda que um país sem ligações ao território (mas ambições históricas) como França apareça em destaque nesta declaração do Chefe de Estado caboverdiano. A esta lista, o governante somou ainda o Brasil: “Há questões de pormenor, de força, de ajustamentos. Por exemplo, não está excluída a participação do Brasil nos esforços de intervenção. Mas se me fala de Angola, havendo lá o problema da Missang que já esteve e vai sair, não estará excluída, como país africano ou da CPLP, mas talvez se deva perceber que seria mais fácil estarem tropas de outros países”.

Poderá chocar a alguns a ausência de Portugal nesta lista, e outros acusarao caboverdianos e guineenses de ingratidao, mas concordamos que Portugal (assim como França) deve estar afastado de uma presença militar direta nesta força multinacional de interposicao: existem ainda demasiados equivocos historicos datados da época da Guerra do Ultramar e a presença portuguesa no território – ainda que pudesse ser bem acolhida pela maioria da população – acicataria os animos mais violentos do narcoexercito guineense e poderia contribuir mais para o agravamento do conflito do que para a sua solução. Contudo, Portugal deve disponibilizar as forças que já tem na região (uma fragata, uma corveta, um navio abastecedor e um avião de reconhecimento) para dar apoio aéreo e naval a essa força multinacional. Não defendemos a presença de militares portugueses no terreno (excepto para resgatar portugueses, em caso de ameaça à sua integridade física), mas a sua presença como apoio de retaguarda, suporte logístico e até para eventuais operacoes especiais pode vir a fazer toda a diferença num conflito onde a presença dominante dos reputadamente incompetentes militares nigerianos não augura nada de bom.

Entretanto, em apoio desta presença da CPLP nesta força de interposicao na Guiné-Bissau, já assinou esta Carta Aberta do MIL? http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=cplpgb

Fonte:
http://asemana.sapo.cv/spip.php?article75604&ak=1

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A Força de Reação Imediata (FRI) das Forças Armadas portuguesas já está a caminho dos mares da Guiné-Bissau

http://pt.euronews.com

Portugal vai apresentar ao Conselho de Segurança da ONU (para onde foi eleito graças ao apoio dos países lusófonos) a proposta para o envio para a Guiné-Bissau de uma força de interposição. Esta força é o resultado de uma proposta realizada pela CPLP na sua última reunião de Conselho de Ministros. O que ficou combinado por todos os países membros da Comunidade foi que todos contribuiriam com meios militares para essa força conjunta estando os detalhes a ser agora negociados. A declaração da CPLP de passado sábado incluía também a referência de que essa força lusófona seria “articulada com a CEDEAO (Comunidade Económica dos Países de África Ocidental), a União Africana e a União Europeia”. Ou seja, abrindo a porta à presença de forças militares dos países que se situam próximo da fronteira com a Guiné-Bissau como a Nigéria ou o Senegal.

A Força de Reação Imediata (FRI) das Forças Armadas portuguesas, composta por uma fragata, uma corveta e um avião P-3 Orion, que está a caminho de Cabo Verde não tem ainda missão definida, tendo por enquanto como objetivo apoiarem a eventual recolha dos emigrantes portugueses nesta país lusófono.

A primeira consequência da movimentacao da FIR foi a interdição do espaço aéreo e marítimo da Guiné-Bissau ao todo o “tráfego proveniente do estrangeiro”, numa alusão evidente à aproximação da força militar portuguesa e deixando assim uma ameaça difivil de cumprir pela escassez de meios aereos e navais da Guiné-Bissau, mas que tem um valor simbólico muito claro e que indica que qualquer presença de militares portugueses no terreno, para resgatar cidadãos portugueses ou de países amigos poderá ser acolhida de forma violenta pelos militares guineenses. Os golpistas guineenses acrescentam que “qualquer operação de entrada no país” (terrestre ou aérea) “só se efetuara com uma autorizacao prévia do Estado-maior, mediante a apresentacao dos planos e objetivos dessa operação”. Os golpistas acrescentam a ameaça que o incumprimento deste aviso “implicará automaticamente uma resposta militar já instruída para o efeito”. Neste discurso agressivo, os militares estão a ser apoiados por um grupo de partidos minoritários que formou um chamado (não muito original) “Conselho Nacional de Transição” que se pretende substituir na governacao da Guine-Bissau aos dois partidos mais votados: o PAIGC e o PRS, aproveitando assim o golpe militar para ganharem o poder que as urnas reiteradamente lhes negaram e confirmando assim toda a ilegitimidade e anti-constitucionalidade deste dito “conselho”. Fiéis ao seu “dono” estes partidos criticam o envio de uma força de interposição…

Como defende ESTA carta aberta do MIL.

Fontes:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Palops/Interior.aspx?content_id=2421720&page=2
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Palops/Interior.aspx?content_id=2421370
http://economico.sapo.pt/noticias/militares-portugueses-ja-partiram-para-a-guinebissau_142552.html

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Sobre a necessidade imperativa e urgente de estabilizar militarmente a Guiné-Bissau

O último golpe de estado militar na Guiné-Bissau é apenas o último de uma sucessão aparentemente interminável de intentonas e golpadas militares que assolam regularmente este país lusófono desde o fim do regime monopartidário do PAIGC.

A última golpada militar teve lugar há alguns dias quando por volta das oito horas da noite algumas dezenas de militares armados com AK-47 e RPG-7 atacaram a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial do PAIGC Carlos Gomes Júnior. Vários foguetes terão sido lançados contra as paredes da residência e houve troca de tiros, aparentemente entre polícias e paraquedistas que defendiam o edifício e os militares golpistas. Sem que se saibam detalhes, os defensores parecem ter-se rendido, abandonando as instalações sem serem detidos, já que o primeiro-ministro está agora detido num quartel a cerca de 60 kms de Bissau.

Como é usual neste tipo de eventos, as rádios foram ocupadas ou silenciadas e o mesmo aconteceu à sede do maior partido guineense, o PAIGC.

Na direta razão deste último golpe militar estão as declarações do antigo presidente (ironicamente deposto, também ele, num golpe militar) e agora candidato presidencial, Kumba Yala que terá apelado ao boicote militar na segunda volta das eleições… Estas declarações, contudo, não teriam sido suficientes para fazer eclodir este golpe, o qual encontra de facto as suas maiores motivações no fim abrupto da missão militar angolana na Guiné-Bissau, a MISSANG.

Os eventos que precipitaram o golpe terão começado em 3 de abril, quando num conselho de ministros, o Governo guineense decidiu manter em solo guineense a missão militar angolana de apoio à reforma dos setores de Defesa e Seguranca guineenses, recusando assim ceder às pressões das chefias militares que então já se faziam sentir de forma particularmente aguda. Nesse conselho de ministros, ter-se-á mesmo decidido expandir o âmbito da missão angolana, dotando-a de meios e objetivos mais amplos e que passariam inclusivamente… pela defesa das instituições democraticamente eleitas e, caso de golpe militar. Mas no dia seguinte, tudo parece ter sido anulado, com um recuo governamental em toda a linha às pressões dos militares: ao contrário do previsto, os 200 militares angolanos já não receberiam – como previsto – o seu armamento individual nem haveria extensão alguma do seu quadro de missão. Confrontado com esta inesperada cedência, Eduardo dos Santos terá dado ordem para o cancelamento total da MISSANG e decretado o regresso de todos os militares angolanos a Luanda.

Em suma: as chefias militares guineenses só estão dispostas a tolerar a presença de militares estrangeiros no seu solo desarmados e desprovidos de um mandato que possa interferir com o seu poder absoluto e liberdade plena para anularem ou suspenderem a democracia a seu belprazer, capricho ou em defesa das suas ligações ao narcotráfico colombiano e nigeriano que hoje recruta varias altas patentes guineenses, autênticos “senhores da guerra” completamente independentes e mais fiéis às máfias nigerianas e colombianas que à República Guineense.

Os militares guineenses parecem assim irredutiveis nos seus objetivos de se manterem acima de toda a legalidade e – devida – submissão ao poder político democraticamente eleito.

Chegados a este ponto, os comandos militares guineenses provam que só resta uma saída para este país lusófono e que esta passa pela total desmobilização do exercito guineense.

Recordemos assim Francisco Fadul, antigo primeiro ministro da Guiné-Bissau e ex-Presidente do Tribunal de Contas que em 2009 defendeu o envio de uma força lusófona de estabelecimento de paz (que tecnicamente teria uma missão mais alargada que uma missão de “manutenção de paz”) e que fosse capaz de garantir a vigência da legalidade e da constituição guineense.

Urge assim organizar rapidamente a Força Lusófona de Manutenção de Paz e trabalhar em prol da Construção de um Estado de Direito Democrático na Guiné-Bissau.

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Cabo verde está à procura de uma parceria lusófona para comprar aviões de patrulha naval

Cabo Verde tem uma extensa zona económica marítima mas nenhuns meios para a patrulhar. A cada vez mais frequente presença de arrastões chineses e sul coreanos nas aguas da Guiné-Bissau e, também, de Cabo Verde torna particularmente urgente a formação de meios aéreos e navais de patrulha das águas destes dois países lusófonos e, particularmente, de Cabo Verde. As aguas de Cabo Verde são também usadas cada vez mais frequentemente pelos narcotraficantes que usam a Nigéria e a Guiné-Bissau como plataforma intermédia para os mercados europeus.

Este país lusófono procura assim estabelecer parcerias com o Brasil ou com Portugal por forma a comprar aviões de patrulha naval. Isto mesmo admitiu o  porta-voz do Conselho do Ministério da Defesa cabo-verdiano, o major António Silva Rocha, que disse brevemente o ministro Jorge Tolentino iria ao Brasil negociar a aquisição de aparelhos deste tipo ainda em 2012. A Cabo Verde vai também contactar Portugal com a mesma intenção, no quadro do grupo técnico de trabalho com o ministro de Defesa português sobre a Economia do Mar.

Estes aparelhos – provavelmente da Embraer – irão assim reunir-se aos helicópteros de origem chinesa que estão em fase final de negociação. Cabo Verde não tem recursos suficientes para adquirir sozinho estes meios e por isso está em busca de uma parceria lusófona que deverá produzir frutos ainda antes do final de 2012.

Na verdade e havendo esta e a necessidade da Guiné-Bissau e uma total ausência de meios na Guiné e escassa no Cabo Verde o bom senso mandaria que estes meios aéreos deviam ser adquiridos em comum, usados em comunhão, com o apoio logístico português (manutenção, gestão e treinamento) e material (aviões) e financeiro do Brasil. Estes poderiam ser assim os primeiros de uma verdadeira “força aérea lusófona”, rentabilizando ao máximo estes meios, garantindo negocio no Brasil (Embraer) e em Portugal (Ogma) e defendendo a soberania destes dois países lusófonos da África Ocidental aos quais se poderia depois juntar São Tomé e Príncipe, numa fase posterior.

Fonte:
http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=FA951D5E-F9E1-41E3-836B-256572D3D7AD&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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O Brasil vai comprar 3 patrulhas britânicos e adquirir a licença para construir mais 5 navios da mesma classe

 

Patrulha da Classe River (http://www.navyphotos.co.uk)

Patrulha da Classe River (http://www.navyphotos.co.uk)

O Brasil vai comprar 3 patrulhas britânicos construídos pela BAE e adquirir a licença para construir mais 5 patrulhas idênticos. Os navios estavam inativos e as negociações desde meados do ano passado.

Os navios serão usados para patrulhar a extensa costa brasileira e pertencem à classe River, estando uma variante da mesma atualmente em construção na Tailândia.

Os patrulhas têm 90.5 metros de comprimento, deslocam 2200 toneladas (na carga máxima). Têm 25 nós de velocidade máxima e um alcance (a 12 nós) de 5500 milhas navais. Podem levar até 60 tripulantes, mas podem operar com apenas 36 elementos. Podem acolher um helicóptero no convés e em termos de armamento, possuem um canhão de 30 mm de controlo remoto, para alem de 2 canhões de 25 mm.

O modelo foi originalmente desenhado para cumprir um pedido de Trinidad e Tobago, para entrega em 2009. Foram por isso equipados com os mais modernos equipamentos de comunicação e vigilância. Trinidad haveria de cancelar a encomenda e os estaleiros ficariam com os navios até ao momento em que o Brasil os adquiriu.

Os Patrulhas têm fisicamente a dimensão de uma corveta, mas estão mais mal armadas do que os navios deste tipo. Contudo, têm um notável raio de ação e têm boa capacidade para enfrentar condições de mar muito agrestes. É pena (e prova da dissonância Lusófona que ainda é regra) que os NPO2000 dos Estaleiros de Viana do Castelo não tenham estado aqui também em equação, já que também eles poderiam ter cumprido na perfeição os requisitos brasileiros…

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/Brazil-Buying-Building-BAEs-90m-Patrol-Vessels-07254/

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A Fabrequipa (fabricante das Pandur) está em dificuldades e pode deixar de pagar salários

“A empresa do Barreiro a quem foi atribuída a construção das viaturas Pandur, no âmbito das contrapartidas para Portugal, apresentou uma queixa no tribunal arbitral para reclamar uma divida de 10 milhões de euros.”
(…)
“Em causa está o pagamento de custos adicionais no fabrico daquelas viaturas blindadas de oito rodas para o Exército (240) e a Marinha (20)”
(…)
“A banca não aceita os nossos pedidos de novos financiamentos, o ministro da Defesa não nos recebe… A situação da Fabrequipa é muito complicada”, lamentou Francisco Pita, frisando que já só tem dinheiro para pagar os salários e impostos de dezembro”.

Fonte:
Diário de Notícias, 12 dezembro 2011

As Pandur representam o mais importante programa de equipamento militar das ultimas décadas. Nem tudo foi decidido da melhor maneira, nem no processo de seleção (que poderia ter sido feito com a parceria de outros clientes dos países lusófonos), nem no domínio da transferência de tecnologia, nem (sobretudo) no campo das contrapartidas, onde existe uma nítida e global falta de cumprimento e de realização das garantias assumidas.

Pese embora tudo o que correu mal no processo das Pandur, o facto é que agora, elas estão aí. Existe uma montadora nacional (a Fabrequipa), a necessária substituição das M-113 e das Chaimite decorre e o Exercito e a Marinha têm hoje APCs modernos e atualizados, o que não acontecia já há algumas décadas. É assim importante manter a Fabrequipa, assegurar a continuidade do programa e o reequipamento das nossas forças armadas, enquanto simultaneamente se procuram clientes para possíveis exportações entre os países da CPLP e se utiliza a Fabrequipa e o conhecimento aqui adquirido para encetar novos programas de equipamento militar conjunto com outros países lusófonos.

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Quando começa a construção do NavPol para a Marinha Portuguesa?…

A construção do primeiro (e único)Navio Polivalente Logístico (NavPol) para a Marinha Portuguesa já foi enviado pelos estaleiros alemães da HDW para os ENVC de Viana do Castelo enquanto uma das contrapartidas acordadas para a aquisição dos dois submarinos e avaliada em 15 milhões de euros, mas sabe-se que não existem datas para o começo da construção do NavPol.

O arranque está suspenso por causa de falta de financiamento, não se sabendo quando será possível reunir os 230 milhões de euros necessários. Mas em 2012 não o será certamente já que tal verba não foi inscrita no OGE2012.

Existe um contrato, assinado em 2005 entre o Ministério da Defesa e os ENVC que previa a construção do NavPol, mas que nunca levou a uma adjudicação formal. O contrato foi entretanto prorrogado “sine die”.

O NavPol quando for construído terá 162 metros de comprimento e 150 tripulantes e a capacidade para transportas 162 militares. Será capaz de apoiar forças militares no estrangeiro e de assistir em operações humanitárias, graças também a um hospital embarcado com mais de 400 metros quadrados. O NavPol pode transportar até 6 helicópteros e um hangar de 510 metros quadrados e um convés de voo de 1300 metros, 5 lanchas de desembarque, 53 botes pneumáticos e 22 viaturas ligeiras. O navio terá uma velocidade máxima de 19 nos e uma autonomia de seis mil milhas náuticas transportando alimentos e agua suficientes para 30 dias.

Portugal é um país global, com interesses à escala global (muito ao inverso de quase todas as pequenas e medias potencias europeias) e com uma ligação muito próxima aos países da CPLP e a pertença na NATO o país tem que ter capacidade própria para projetar poder militar e enviar ajuda humanitária a qualquer ponto do globo. Um NavPol, com uma pequena escolta de uma ou duas fragatas pode representar um auxilio determinante a um Estado lusófono em apuros e ser uma ferramenta de afirmação de soberania sobre a nossa extensa e rica zona económica exclusiva. Trata-se assim de um projeto estratégico para Portugal, essencial para realizarmos a transferência de tecnologia que possa capacitar os estaleiros de Viana do Castelo para executarem projetos mais complexos e até para que se possa assegurar a sobrevivência do ultimo grande estaleiro naval português.

Fonte:
http://www.publico.pt/Pol%EDtica/construcao-de-navio-para-a-marinha-de-200-milhoes-de-euros-sem-data-para-arrancar-1526755

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A Embraer e as OGMA assinam um contrato de parceria para a fabricação do KC-390

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

A Embraer e as OGMA assinaram um contrato de parceria para a fabricação de componentes para o programa de transporte e abastecimento no ar KC-390. O acordo, segundo o presidente da empresa aeronáutica brasileira, Luiz Carlos Aguiar, enfatiza a importância de Portugal para o Brasil já que “a participação de Portugal no KC-390 fortalece a nossa posição no mercado europeu de Defesa”.

Este acordo entre a Embraer e as OGMA tinha sido precedido em setembro de 2010 pela assinatura de acordo de intenções onde Portugal se comprometia a adquirir alguns aviões KC-390.

Além das OGMA de Alverca, faz parte deste acordo com a Embraer, a EEA – Empresa de Engenharia Aeronáutica S.A., da Maia, uma empresa especializada na concepção e desenvolvimento de engenharia de projetos aeronáuticos.

Com a sua presença neste programa militar, as OGMA e outras empresas nacionais que funcionarão como fornecedoras vão adquirir conhecimento e escala que pode servir para alavancar o surgimento de um cluster aeronáutico português.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/brazil-and-portugal-sign-defense-partnership-for-kc-390-program-38979/

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Cabo Verde quer ver constituída uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz”

Exercícios Felino (http://www.presidencia.pt)

Exercícios Felino (http://www.presidencia.pt)

Lembrando uma das mais antigas posições públicas do MIL, Cabo Verde veio recentemente declarar que desejava ver fundada no seio da CPLP uma “Força lusófona de manutenção de paz“. O país lusófono vai levar o assunto à 13ª reunião dos ministros da Defesa dos países da CPLP na Ilha do Sal.

O ministro da Defesa cabo-verdiano, Jorge Tolentino, reconhece que existem dificuldades “institucionais e constitucionais” em alguns dos países que dificultarão a materialização de tal projeto, mas as vantagens da constituição de tal força são notórias: as poupanças resultantes do fim da duplicação de meios claras; os benefícios de dissuasão advindos da formação de uma força multinacional permanente são notáveis. Igualmente notáveis seriam as poupanças que resultariam da criação de uma “central de compras” de armamento comum aos países da CPLP ou do desenvolvimento e produção conjunta de equipamentos militares.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/cplp-cabo-verde-quer-forca-militar-conjunta=f690603#ixzz1eu6qFiZL

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Celso Amorim: “O programa F-X2 é urgente”. Mas e então o adiamento para 2012?…

Celso Amorim, o ministro da Defesa do Brasil declarou recentemente que o programa F-X2 era “urgente” apesar dos recentes cortes orçamentais. A decisão do contrato (a vencer pelo Rafale, Super Hornet ou Gripen NG) foi adiada para 2012.

O problema – referiu o ministro – está em que a frota brasileira está a envelhecer muito rapidamente: “No final de 2013, nenhum dos 12 Mirage da base aérea de Anapolis estará em estado de voar.” Segundo Celso Amorim “estes aparelhos precisam de defender o Amazonas e as fronteiras e nós precisamos de aviões de combate adequados. Reiterou novamente o desejo brasileiro na “transferência de tecnologia”.

O Brasil pretende adquirir inicialmente 36 aparelhos, mas a decisão devia ter sido tomada antes de Lula deixar a presidência, ou seja, antes do final de 2010, mas foi recentemente adiado para 2012… Ou não, se a vontade do ministro (tão inusitadamente lançado contra a posição oficial de Dilma) conseguir vingar em Brasília.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/brazil-in-urgent-need-of-fighter-aircraft-37407/#ixzz1ZiZFmvb1

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Selecionados mais fornecedores para o Embraer KC-390

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

Embraer KC-390 (http://www.operacional.pt)

A Embraer escolheu a subsidiária brasileira da empresa israelita Elbit “Aeroelectronica Sistemas” (AEL) para fornecer o sistema computacional de missão para o seu novo transportador militar KC-390.

A Embraer celebrou também com a AEL uma “joint venture” com a designação “Harpia Sistemas” para modificar e comercializar o UAV Hermes à força aérea brasileira e a outras forças aéreas do continente.

Em agosto, a Embraer anunciou também a seleção da empresa britânica Cobham Mission Equipament para fornecer os pods de reabastecimento em voo e a Finmeccanica italiana para fornecer o radar tático T-20 Gabbiano, a francesa Safran para as rodas e travões, a International Aero Engines (IAE) para os motores V2500-E5, a BAE Systems para o sistema de controlo de voo, a Rockwell Collins para o sistema de aviónica e a argentina Fabrica Argentina de Aviones (FAdeA) e a checa Aero Vodochody para a construção da fuselagem traseira do cargueiro.

Com esta multiplicidade de contratos, o Embraer KC-390 aproxima-se cada vez mais da concretização e este transporte militar médio com uma capacidade máxima de 23 toneladas e que tem já intenções de compra por parte da Argentina (6), Brasil (28), Chile (6), Colômbia (12), República Checa (2) e Portugal (6) torna-se cada vez mais real.

O primeiro voo de um protótipo deve ocorrer em 2014 e as primeiras entregas um ano depois, em 2015, se tudo correr conforme planeado.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/embraer-kc-390-suppliers-list-grows-37043/#ixzz1YNXrDeBv

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Portugal vai enviar mais uma fragata para os mares da Somália

Portugal enviou para os mares da Somália a fragata Dom Francisco de Almeida. O navio vai incorporar a “Força Naval Permanente” da NATO na região e tomar assim parte ativa na Operação Ocean Shield 2011 até 30 de outubro.

A fragata está em operação na Marinha Portuguesa desde 2010 tendo a bordo 185 militares, destacando-se para esta missão, entre estes o pelotão de abordagem do Corpo de Fuzileiros com 15 militares que ainda recentemente participaram numa missão semelhante e um helicóptero Lynx.

A missão da Francisco de Almeida será combater a pirataria que assola as intensas rotas comerciais que atravessam os mares da Somália e que as sucessivas missões navais estrangeiras (europeias, chinesas, russas e indianas) têm conseguido reduzir, mas a um custo financeiro muito considerável… Infelizmente, a fragata não tem a atribuição de impedir a pesca ilegal que os arrastões chineses e espanhóis exercem impunemente na Somália…

Fonte:
http://www.ionline.pt/conteudo/143255-navio-guerra-portugues-vai-combater-pirataria-no-corno-africa

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A Embraer vai construir uma terceira fábrica em Évora para a montagem final do Embraer KC-390?

Embraer KC-390 (http://t2.gstatic.com)

Embraer KC-390 (http://t2.gstatic.com)

O ministro da Defesa anunciou a vontade do atual governo para apoar a montagem final do transporte militar KC-390 em Évora. O aparelho irá dentro de alguns anos substituir os Hercules C-130 que equipam hoje a FAP.

O projeto irá promover e desenvolver o novo cluster aeronáutico de Évora a partir das duas fábricas que a Embraer está a construir e que se destinam à produção de componentes e materiais compósitos, que ascendem a um investimento total de 148 milhões de euros e que deverão corresponder a uma criação de mais de 500 postos de trabalho altamente qualificados.

Antecipando a montagem final dos KC-390, a autarquia local já reservou um terceiro lote de terreno com ligação direta à pista e onde poderia funcionar esta nova e terceira fábrica, que poderia empregar mais de 2500 novos funcionários.

Muitas forças aéreas no mundo estão a avaliar a substituição da frota de C-130 havendo um nicho de mercado que pode ascender a mais de 1600 aparelhos, que agora este avião da Embraer vem disputar, entrando assim esta potencial fábrica de Évora diretamente nesta concorrência, razão pela qual se trata de um projeto estratégico e vital para o interesse nacional.

Fonte:
Diário do Sul
11 de julho de 2011

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Sobre a compra conjunta de aeronaves militares nos Balcãs e a proposta para uma “central de compras lusófona”

A Bulgária anunciou que iria promover junto dos países da região uma iniciativa para a aquisição conjunta para a compra de aviões de combate naquilo a que o primeiro-ministro búlgaro Boyko Borisov chamou de “Joint purchase of fighter aircraft” convidando a Croácia, a Roménia e a Turquia.

A escolha destes parceiros seguiu o critério de que todos eles (com excepção da Turquia) estão em processo de seleção e aquisição de novos aparelhos de combate para reequipar forças aéreas obsoletas da era soviética: MiG-29 ou – pior ainda – MiG-21. Estes países irão muito provavelmente optar pelo norte-americano F-16, pelo preço e pela influência política que os EUA detêm hoje na região.

Esta aquisição conjunta irá permitir reduzir de uma forma muito significativa os custos de aquisição e manutenção dos aparelhos, de treinamento de pilotos devido às economias de escala que vai permitir.

Este novo conceito pode ser facilmente replicado noutros locais recolhendo o mesmo tipo de vantagens. Por exemplo, havendo necessidades militares muito semelhantes entre os países da Lusofonia (por exemplo, novos APCs, novos patrulhas oceânicos ou até a atualização da frota de aviões de combate) faz todo o sentido em que concertem entre si, no quadro multilateral ou da CPLP e consigam assim dos fornecedores externos as condições mais vantajosas para os seus interesses. Esta “central de compras lusófona” poderia também dar prioridade a empresas do espaço lusófono e propiciar assim ao desenvolvimento económico e tecnológico dos países da lusofonia.

Fonte:
http://www.flightglobal.com/articles/2011/06/06/357601/bulgaria-proposes-four-nation-fighter-deal.html

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História da Guiné Portuguesa (1963-1974)

Constituiu um dos feitos mais extraordinários da História Militar universal o facto de um país com recursos humanos, económicos e militares tão limitados como Portugal ter sido capaz de travar uma guerra em três frentes distintas e tao distantes entre si e da metrópole com sucesso claro em Angola, um impasse prático na Guiné-Bissau e praticamente bloqueado a insurreição no norte de Moçambique. É também um feito muito notável a capacidade de manter um esforço de guerra tão intenso durante mais de 13 anos, ininterruptos. O exército português, em 1974 tinha deixado aos políticos um processo militar praticamente resolvido, que estes – contudo – foram incapazes de explorar, conduzindo negociações vantajosas que pudessem ter previsto formas de autonomia ou de independência que fossem favoráveis a todas as partes. Mas o regime salazarista e Marcelista não tinha condições políticas e anímicas para assumir negociações sérias e honestas e o impasse que resultou desta incapacidade política para explorar o sucesso do esforço dos militares haveria de os levar à contestação e, eventualmente, à revolução de abril de 1974.

Os políticos portugueses da época ignoraram um dos mais importantes princípios da guerra: um Estado só deve travar uma guerra enquanto tal for necessário para se obterem as condições políticas para sanarem a situação que levou ao conflito. Assim, uma guerra deve ser sempre tão curta quanto o possível e criar condições para que possam ser abertas negociacoes em condições favoráveis.

A campanha da Guiné apresentava desde logo uma grave dificuldade pela natureza muito difícil da sua topografia. A ocidente, encontramos florestas pantanosas onde a árvore de mangue é dominante e os deltas dos rios são numerosos sendo as suas margens invadidas pelo fluxo das marés e consequente os pântanos são aqui comuns.

O terreno é assim muito difícil ou mesmo impossível para meios mecanizados permitindo apenas patrulhas a pé ou de barco. As ilhas são numerosas, especialmente a sul onde das 88 ilhas do arquipélago dos Bijagós apenas 20 são habitadas em permanência. Mais para o interior, as florestas são mais raras e a savana é o tipo de vegetação dominante.

Estima-se que em 1960 haveria mais de 520 mil habitantes em toda a Guiné Portuguesa, concentrada sobretudo no litoral e deixando à zona oriental e desértica quase desabitada e logo, como uma das zonas preferidas pelos guerrilheiros para se infiltrarem. Mais de 99% da população era negra, mas estava dividida em 28 etnias diferentes e com graus de fidelidade para com a presença portuguesa.

A única força insurreta que combatia a presença portuguesa na Guiné era o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) que iniciou a sua atividade em 1962 e que em 1973, reunia mais de cinco mil combatentes regulares e mil e quinhentos milicianos. Comparativamente, e num território muito mais extenso, em Moçambique, a FRELIMO tinha mais de sete mil regulares e dois mil milicianos, o que dá uma boa medida da capacidade de mobilização que o PAIGC deu provas na Guiné Portuguesa e do desafio que as forças colónias tiveram que enfrentar.

O PIB da Guiné era muito diminuto, comparado com o da metrópole ou de Angola com os seus 85,1 milhões de dólares, comparados com os 803,7 milhões de Angola ou os 2.88 biliões da metrópole.

O recrutamento de forças locais na Guiné portuguesa começou oficialmente apenas em 1961, contando nesse ano com apenas pouco mais de 21% do efetivo total, mas a partir daí subiu sempre sem parar, todos os anos, totalizando em 1974 já maioria dos efetivos com mais de 50% do total recrutado localmente. A Guiné seguiu assim o exemplo das restantes colónias portuguesas, onde era entre os indígenas que as forças portuguesas conseguiam o essencial do seu esforço de guerra através da ação de pequenas forças, muito ligeiras e móveis, de baixo custo e que juntamente com um ambicioso e consiste programa de desenvolvimento económico e social cativou para a presença portuguesa muitos apoios e desenvolveu a economia das colónias transferindo para ela boa parte dos custos de uma guerra longa de 13 anos.

A partir de 1951, Portugal preparou alterações legislativas por forma a reforçar uma ideia de Portugal e das suas colónias como um só país, uno e indivisível, mas pluri-continental. Em 1954 era aprovado o “Estatuto dos Indígenas Portugueses das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique”, onde dividia as suas populações em três categorias: os brancos, os assimilados e os indígenas. Estas leis e estatutos tinham como objetivo anular a contestação internacional quanto à existência dos territórios coloniais, apresentando-os como territórios nacionais, mas ultramarinos. Em 1956, a ONU perguntava a Portugal se este administrava algum território dependente ou não autónomo, respondendo oficialmente o regime que esses territórios “já eram independentes com a independência da nação”. Em 1957, a ONU repetia a questão, mas acrescentava uma seria censura perante a interpretação portuguesa sobre a Carta da organização, alegando que Portugal continuava a manter colónias.

Em 1956 foi fundado o PAIGC, menos de 3 anos depois tinha já organização suficiente para promover uma greves dos trabalhadores da docas de Bissau em 3 de agosto de 1959.

A greve foi violentamente reprimida pelo exército português, provocando dezenas de mortes entre os grevistas tornando-se naquilo que ficaria para a História como “O Massacre da Doca de Pidjiguiti”. O fracasso dos objetivos da greve, assim como a violência utilizada para a reprimir convenceu a liderança do PAIGC que havia necessidade partir para a luta armada. O foco da ação do partido deixou assim de ser urbano e transferiu-se para o mundo rural, começando a criar uma rede de guerrilha e de apoio que em 1963 lançaria os primeiros assaltos contra o exército português.

A personalidade carismática do líder do PAIGC, Amílcar Cabral era filho de pais cabo-verdianos, mas nascera na Guiné-Bissau. Estudou Agronomia em Lisboa, mas regressaria à Guiné em 1952, para trabalhar na administração portuguesa em Bissau. Foi Amílcar Cabral quem em 1959, após a tragédia de Pidjiguiti decidiu assumir a luta armada como o foco principal da intervenção do PAIGC. No ano seguinte, viajava para a China onde terá contactado com militares chineses e delineado a estratégia de guerrilha que o partido seguiria nos anos seguintes. Após Amílcar Cabral, vários membros do partido foram enviados para cursos de guerrilha na China, União Soviética e Argélia.

O PAIGC teve alguma dificuldade em transferir para a Guiné o modelo de “revolução rural” chinês e soviético. Em primeiro lugar, na Guiné a maior parte das terras pertenciam aos habitantes locais e a população de origem europeia era tão escassa (cerca de 1% do total) que dificilmente o PAIGC poderia invocar a colonização europeia como fonte de contestação, como faziam os militantes da UPA e do MPLA em Angola. Amílcar Cabral sabia que para cativar a guerrilha as populações rurais pela via da melhoria da qualidade de vida: “Lembrem-se sempre de que as pessoas não lutam por ideias, por coisas que só existem na cabeça de indivíduos. As pessoas lutam e aceitam os sacrifícios necessários. Mas fazem-no para conseguirem proveitos materiais, para viverem em paz e melhorarem os seus modos de vida”. A estratégia teve frutos e o PAIGC conseguiu assim, praticamente desde o primeiro dia, uma importante adesão popular.

A sede do PAIGC estabeleceu-se em Conacri, na Guiné-Conacri organizando a partir daí as suas operações contra o exército português. No início, o PAIGC enfrentava um contingente português de pequena dimensão: em 1961 existiam apenas 4736 militares (3736 europeus e 1000 locais). Esta proporção mudaria rapidamente. Com efeito, um dos traços mais notáveis da forma portuguesa de fazer a guerra em África foi a incorporação de grandes números de efetivos locais. Desde logo, assim se alargava muito significativamente a base demográfica de recrutamento, reduzia-se a despesa em mobilizar e enviar forças militares a grandes distâncias, conseguindo simultaneamente bases para sustentar o conflito em largos prazos de tempo e entrosando as populações locais, minando o apoio à guerrilha e os números de baixas metropolitanas relativamente baixas. Na Guiné, contudo, devido à escassez demográfica e à grande divisão da população por etnias muito diversas o recrutamento local nunca ultrapassou os 21% enquanto que em Angola, por exemplo, chegou a ultrapassar os 40% em 1974.

Em 1959, o Governo português emitiu diretivas para a organização de unidades terrestres especializadas em operações de contra-guerrilha. Foi fundado o “Centro de Instrução de Operações Especiais” de Lamego com a missão de “preparar tropas para a luta anti-guerrilha”.

Um dos corpos essenciais do recrutamento local na Guiné foi a formação, a partir de 1964, das Milícias Normais e das Milícias Especiais. As primeiras tinham um papel defensivo, já as Especiais tinham missões mais ofensivas e chegaram a contar na Guiné com mais de 8 mil efetivos.

Os Comandos Africanos eram formados por efetivos locais e começaram a operar a partir de 1969 por iniciativa do general Spínola. Em 1974 contavam com 3 companhias de Comandos no batalhão de Comandos, com 125 homens por companhia. Estes Comandos Africanos foram acompanhados a partir de 1970 por dois destacamentos de Fuzileiros Especiais africanos de Bolama, os DFE 1 e 2 que com os seus 160 homens foram usados largamente e com grande eficiência.

Fonte:
Contra-Insurreição em África, 1961-1974
O modo português de fazer a guerra
John P. Cann

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Sobre a frota de aviões de reconhecimento marítimo P-3 CUP+ da FAP

Portugal tem uma muito extensa área marítima para vigiar. Um papel essencial nessa importante missão estratégica para o país tem sido cumprido pelos aviões P-3 Orion da FAP. Originalmente construídos no padrão P-3B, uns, outros holandeses e do P3-C, estes aparelhos foram convertidos sucessivas vezes até ao atual padrão P-3P

Estes aparelhos são cada vez mais estratégicos para Portugal dada a nossa extensão zona económica exclusiva e a importância que este derradeiro grande recurso pode ter para o país.

Contudo, a frota de P-3 está a ficar demasiado envelhecida… os aviões de origem holandesa e da série P-3C e que foram recebidos em último lugar brevemente irão formar a maior parte da frota da aviões P-3 da FAP. É verdade que estes aparelhos serao complementados pelos novos CASA C-295 VIMARs, mas estes têm muito menos autonomia que os P-3 e precisam de receber mais equipamento além daquele com que foram entregues à FAP.

Atualmente a frota de P-3 está equipada com radares marítimos israelitas IAI Elta’s EL/M-2022 e uma torre de vigilância L-3 Wescam’s MX-15HDi.

A variante P-3 atualmente em uso na FAP é a P-3 CUP+ cujo primeiro aparelho foi entregue em agosto de 2010 tendo sido o último de março de 2011. Os restantes 3 aparelhos serão atualizados em Alverca nas instalações das OGMA até fevereiro de 2012.

Fonte:
http://www.defenseindustrydaily.com/upgrades-coming-for-5-portuguese-p-3cs-04535/

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Segundo fontes do ministério brasileiro de Defesa, a maioria do inventário militar brasileiro estaria fora de serviço

Porta-aviões "São Paulo" (http://www.defesabr.com)

Porta-aviões "São Paulo" (http://www.defesabr.com)

Segundo fontes do ministério brasileiro de Defesa, a maioria do inventário militar brasileiro estaria fora de serviço. A notícia surgiu no jornal “Folha de São Paulo” e expõe uma triste situação para um país que aspira a ser uma potencia mundial que os cortes no orçamento de Defesa recentemente anunciados pela presidenta Dilma Rousseff irão agravar ainda mais.

O ambicioso programa de rearmamento lançado pelo anterior presidente Lula da Silva está agora comprometido pela decisão de conter a despesa pública e os receios inflacionistas que esta pode potenciar.

Segundo Folha mais de metade do inventário militar brasileiro está inutilizável. Por exemplo, dos 1953 blindados do Exército, apenas 1079 estão operacionais. A situação na Marinha é idêntica sendo que dos teóricos 98 navios de guerra apenas 48 estão de facto capazes de cumprir serviço ativo. A força aérea está num estado ainda mais deplorável, sendo que dos 208 caça-bombardeiros teoricamente disponíveis, apenas 85 estão de facto em estado de voar. Apenas 100 dos 298 aviões de transporte e somente 27 de 73 helicópteros estão realmente disponíveis.

O Brasil tem pendentes dos tempos da Presidência Lula o plano de reequipamento da Marinha com 5 submarinos convencionais de ataque – desenvolvidos em parceria com a França – assim como um submarino nuclear de ataque. A Força Aérea receberia uma importante adição com a aquisição de 36 novos aviões de combate no âmbito do programa F-X2. Estes programas permitiriam uma reconstrução apenas parcial da capacidade militar teórica da capacidade de Defesa brasileira e nenhum garantiria ao Brasil a capacidade de projeção de poder militar que o estatuto de potencia mundial exige. Mas agora até estes programas estão em risco e, com eles, as aspirações brasileiras a que esta grande nação lusófona assuma o seu lugar ao lado das grandes potencias mundiais.

Fonte:
http://www.spacewar.com/reports/Report_Brazils_military_wares_obsolete_999.html

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Até setembro de 2011 a Marinha Portuguesa deverá ter recebido os primeiros dois NPOs

Até setembro de 2011 a Marinha Portuguesa deverá ter recebido os primeiros dois NPOs (“Navios de Patrulha Oceânica”) dos Estaleiros de Viana do Castelo. A construção dos navios prosseguiu a ritmo muito lento nos últimos anos, mas segundo os ENVC, terá recebido um impulso decisivo nos últimos meses.

O primeiro dos oito NPO será o “NRP Viana do Castelo”, entregue a 22 de abril e depois de 4 meses de testes de mar, o segundo, o “NRP Figueira da Foz” será entregue em setembro deste ano.

Os NPO vão substituir as corvetas da Marinha e cumprir missões de salvamento no mar, vigilância e fiscalização, mas pelo seu escasso armamento terão um uso militar quase nulo embora também devam servir em missões de resgate de pessoas em locais de crise humanitária. Os navios são capazes de uma autonomia notável de mais de 5 mil milhas marítimas em 14 dias (a 15 nós), o que será essencial para o desempenho dessas missões.

Fonte:
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1808421&page=-1

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Sobre as revelações da Wikileaks sobre os contratos de Defesa de Portugal

F-16 MLU da FAP (http://www.aereo.jor.br)

F-16 MLU da FAP (http://www.aereo.jor.br)

Os telegramas diplomáticos divulgados recentemente pela Wikileaks focam-se nos negócios portugueses de Defesa… e focam-se bem já que revelam que os EUA pensam que o Ministério da Defesa a propósito da compra dos submarinos alemães e das fragatas usadas holandesas foi motivada por um “desejo de ter brinquedos caros”. Quem isto escreveu foi nada menos nada mais do que o próprio embaixador norte-americano em Lisboa Thomas Stephenson, o que indica que não se trata da mera opinião de “um funcionário menor” mas da opinião (qualificada!) do próprio embaixador…
Além dos submarinos, o embaixador questiona também a compra de 39 aviões F-16 uma opção que resultaria mais “de orgulho do que da utilidade” destes meios. O embaixador Thomas Stephenson acrescenta ainda que recursos assim investidos deviam ser dedicados a áreas mais importantes, como “navios para patrulhar a costa”.

Na verdade não há nada a discordar de uma avaliação da política da Defesa nacional que embora tenha sido feita em 2009 permanece infelizmente tão atual como certeira: Portugal tem mais F-16 do que consegue manter no ar (não tendo de resto ainda instalado em todos o upgrade MLU), não precisa de dois submarinos AIP (mais do que precisa de meios de superfície) e é duvidoso que as fragatas ex-holandesas sejam um bom negócio, especialmente se custaram mesmo o dobro da alternativa “made in USA”, como indica o telegrama do embaixador.

Basicamente tudo está certo e neste telegrama o embaixador dos EUA em Lisboa reflete um conhecimento mais profundo e inteligente das necessidades de Defesa de Portugal do que qualquer um dos ministros da Defesa que passaram pelo Governo nos últimos 20 anos. E isso é triste e expõe claramente a fibra, a visão e capacidade de liderança dos políticos que os portugueses têm deixado governar.

Fonte:
http://mobile.economico.pt/noticias/defesa-movese-pelo-desejo-de-ter-brinquedos-caros_112103.html

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Consequências do atraso da fabricação dos Pandur II

“A empresa portuguesa que ficou encarregue da montagem dos blindados Pandur II, que Portugal comprou em 2005 a um consórcio austríaco liderado pela Steyr, está em risco de colapso financeiro.
O acordo feito em Outubro passado entre o ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, e os novos donos da Steyr – que prevê o alargamento do prazo de entrega dos novos blindados por mais 2 anos, até 2013 – vai obrigar a Fabrequipa a reduzir ainda mais a sua produção, que está dedicada exclusivamente a este negócio.
A empresa, sediada no Barreiro, tem “uma capacidade instalada para produzir sete veículos por mês e está apenas a fazer dois”, com esta decisão este ritmo diminui ainda mais.
(…)
O contrato com a Steyr, no valor de 364 milhões de euros, previa que a entrega de 166 dos 260 veículos Pandur (…) ocorresse no final de 2010″ (…) o Exército recebeu apenas 21 blindados – além dos cerca de 90 que foram entregues com anomalias e que ainda não foram reparados”

Sol 18 de fevereiro de 2011

O programa Pandur e sobretudo a incorporação de uma componente nacional de montagem dos veículos foi um dos legados mais positivos do legado Portas à frente do Ministério da Defesa. Contudo, o programa carecia de duas componentes essenciais: não existia nele uma vertente nacional de investigação e desenvolvimento o que reduzia o papel das empresas nacionais ao estatuto menor de simples montadores de veículos concebidos na Áustria. Por outro lado, dada a relativa pequena escala da encomenda nacional, seria difícil sustentar a empresa montadora caso a produção tivesse que ser reduzida, como teve agora que acontecer…

Assim se expõem os dois grandes problemas do Pandur. Teria sido possível, na altura da negociação desenvolver um veículo novo, a partir do Pandur e em parceria com o Brasil e Angola (países que também estão agora a substituir veículos antigos desta classe) com empresas destes três países e incorporando pesquisa e desenvolvimento de Portugal e do Brasil. Assim se adquiriria conhecimento de ponta e instalaria uma base industrial que poderia servir de alavanca para futuros desenvolvimentos, mais autónomos e menos dependentes do passivo papel de “montador”.

O erro estratégico foi também aqui o de nao ter apostado numa abordagem lusófona, que pudesse garantir (com benefícios mútuos) um mercado capaz de sustentar a fabricação em escala e a preços competitivos dos veículos. Aqui, como quase sempre, os governantes do bipartido PS-PSD esqueceram a imensa potencialidade de estreitar os laços comerciais e militares com os países da Lusofonia e até a vantagem negocial que daqui poderia advir… Falta de visão estratégica. Crónica!

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Forças militares e policiais angolanas estão a caminho da Guiné-Bissau

Exército Angolano (http://www.segurancaedefesa.com)

Comandos do Exército Angolano (http://www.segurancaedefesa.com)

“Nas próximas semanas, cerca de 200 militares e elementos das forças de segurança angolanos vão para a Guiné-Bissau, no âmbito da cooperação técnico-militar entre os dois países. A missão é dar formação e reorganizar as forças armadas e as polícias guineenses.”
(…)
“Nos meios diplomáticos esta missão é considerada “o primeiro verdadeiro teste à credibilidade de Angola junto da comunidade internacional enquanto líder regional”. Mas existem riscos para a iniciativa angolana: o primeiro, é a contaminação do narcotráfico guineense para Angola, transformando-a num país de trânsito; o segundo é a natureza da sociedade guineense, muito sensível às tensões tribais com repercussões sociopolíticas.
Já em março de 2009 José Eduardo dos Santos afirmava: “Angola manifesta-se disponível para conjugar esforços com Portugal a fim de apoiar a República da Guiné-Bissau”. Estava aberta a via angolana. O pedido de ajuda a Angola por parte das autoridades guineense “.
(…)
“A diplomacia portuguesa joga na questão guineense muito do estatuto como interlocutor lusófono nas instâncias internacionais. (…) Devido ao governo português a União Europeia e o Banco Mundial vão disponibilizar cerca de 9.2 milhões de dólares para o setor agrícola. A ajuda surge numa altura em que a União Europeia pretende suspender os apoios financeiros à Guiné. O que só nas aconteceu por duas razões: a oposição portuguesa e o risco de o embargo total das ajudas gerarem instabilidade no país”.
(…)
Este mês, Portugal obteve uma vitória diplomática ao travar a aplicação de sanções aos dirigentes guineenses que previam o congelamento de bens no estrangeiro e a suspensão de vistos”.
Sol 11 de fevereiro de 2011

Angola é hoje um indiscutível líder regional. A sua atitude de apoio ao regime de Laurent Gabgo criou uma séria erosão na credibilidade internacional de Luanda, por isso, a presença de forças angolanas em Bissau poderá ser crucial para recuperar parte desse prestígio e influência assim malbaratados.

As forças angolanas estão bem treinadas, bem equipadas e geralmente bem comandadas. Têm – ademais – um mandato informal da CPLP – para intervirem na Guiné-Bissau e têm mais condições para serem bem recebidas pela população local do que os nigerianos que tradicionalmente integram as forças de paz da CEDEAO, tristemente célebres pela onda de violações e pilhagem que deixam atrás de si…

Esta presença não consubstancia a materialização de uma das propostas mais antigas do MIL: Movimento Internacional Lusófono, a Força Lusófona de Manutenção de Paz que – em boa hora – o MIL fez questão de invocar como contributo para a pacificação interna da Guiné-Bissau e da crise do narcotráfico que hoje assola este país lusófono. Estes militares e policias angolanos não são exatamente uma “força lusófona”, mas a sua presença resulta de contactos cruzados com Portugal e de uma chamada formal por parte do governo guineense, sendo assim o melhor que os países lusófonos podem comprometer em Bissau e uma boa antecipação para esta “força lusófona”, rápida, flexível, eficaz e multinacional que defendemos e que teria na Guiné-Bissau um cenário muito adequado de intervenção.

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Sobre os incidentes da recolha de portugueses do Cairo…

C-130H da FAP (http://estb.msn.com)

C-130H da FAP (http://estb.msn.com)

“O avião é nosso, mas teve de se fazer um “contrato” para o check-in que era desnecessário. Teve de se fazer um “contrato” para o transporte de passageiros até ao avião, embora nós tivessemos autocarros. Teve de se fazer um “contrato” do transporte das malas para o avião (mas nós podíamos transportar as malas). Estivemos alinhados no meio da sala do check-in sete ou oito horas, e com o pessoal da embaixada a fazer das tripas coração”.
(…)
“Na segunda-feira, quando o embaixador foi ao aeroporto, teve de andar pé ante pé, entre excrementos e poças de xixi, à procura dos portugueses. E havia portugueses, que estavam lá há nao sei quantos dias. Os americanos ficaram impressionadíssimos com aquilo porque os portugueses foram os primeiros a fazer isso. A política europeia é: não há estado de guerra, não há lei marcial, portanto nao há necessidade de evacuação”.
(…)
“O governo egípcio não permitiu a entrada da força militar portuguesa no país? embora tenha permitido a entrada dos caribinieri italianos. Os soldados deixaram o avião na escala feita em Creta”.

Fonte:
Sol 4 de fevereiro de 2010

Dos acontecimentos no Egito e do desempenho dos representantes do Estado português na defesa dos nossos cidadãos há assim muito por dizer e, ao contrário daquilo a que estamos – infelizmente – habituados a dizer: Bem. O embaixador português comportou-se à altura da crise e o Estado português soube cumprir o seu dever melhor do que o de muitos “países desenvolvidos” que abandonaram os seus nacionais à sua sorte. Portugal não só resgatou os seus nacionais num país que mergulhava no caos e na insegurança e em que o regime de Moubarak chegou a libertar presos de delito comum apenas para aumentar a insegurança nas ruas e justificar a ação policial repressiva, como até auxiliou nacionais de outros países lusófonos a abandonar o Egito.

Num país onde sobejam as razões para criticar o Estado e o Governo, um e outro (não confundir…) estiveram bem. Não devemos contudo esquecer o apoio continuado a um regime tirânico nem a humilhação sofrida quando os nossos GOEs lhes viram recusada a entrada no país onde queriam apenas proteger os nossos nacionais da incompetente, corrupta e desmoralizada polícia nacional. Isso, assim como as condições do embarque dos portugueses e demais cidadãos no C-130 da FAP que não devem ser esquecidas e que são amplamente merecedoras de um protesto formal e da reflexão por parte da nossa diplomacia e de todos os portugueses que pensavam ir ao Egito nos próximos tempos…

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Submarinos ou Despesas Sociais? Esta alternativa deve realmente ser colocada?

“(…) não faz nenhum sentido colocar a compra dos submarinos em alternativa às despesas sociais, como repetidamente se tem feito. (…) “Seguindo essa lógica, enquanto houvesse em Portugal uma pessoa com fome não poderia investir-se em mais nada: nem na Defesa, nem na Cultura, nem no Desporto, nem na Ciência, nem em coisa nenhuma.”
(…)
“As nossas águas territoriais e a zona económica exclusiva são dos poucos anéis que restaram ao país – depois da independência das ex-colónias. (…) Mas como poderemos justificar internacionalmente essa soberania se não tivermos meios para a defender?”
José António Saraiva
Sol 23 de dezembro de 2010

Como saberão aqueles que mais de perto vão seguindo o que escrevo no Quintus nunca fui um defensor na aposta nos Submarinos. Não que não reconheça a essa arma naval a sua utilidade como dissuasor, mas porque sendo um meio dispendioso na aquisição e na manutenção nas deveria ser prioritário em relação a meios navais de superfície mais capacitados para funções de vigilância, soberania e no decurso de missões de Paz: fragatas e corvetas. Em vez de dois caros (e provavelmente nunca totalmente operacionais…) submarinos ultramodernos, pelo mesmo custo e com maior facilidade em realizar a montagem final nos Estaleiros nacionais (por exemplo, em Viana do Castelo) do que com os submarinos, que foram completamente construídos na Alemanha.

A opção pelos Submarinos (que data do tempo de António Guterres) foi errada. Errada porque foi dada como prioritária quando meios ligeiros e médios de superfície seriam mais importantes. A opção foi errada, mas a opção pelo Mar foi correta. Há que cessar com a demagogia que pretende trocar o investimento nos Submarinos por Despesas Sociais. Não haverá Sociedade para defender se deixarmos o extenso e potencialmente muito rico Mar Português abandonado e à mercê dos vorazes tubarões internacionais que já percorrem com os seus Arrastões as nossas águas. Os recursos minerais do solo marinho serão num futuro próximo cada vez mais desejados pelas grandes potencias… e o Mar será a derradeira oportunidade que nos resta, perdidos os anéis e os dedos do Império e esgotada a falsa “generosidade” europeia (a troco do abate da frota e do arranque da vinha).

Não troquemos assim Submarinos por Despesas Sociais ou de outro tipo. Troquemos-los por navios médios, construídos em Portugal e desenvolvidos em regime de parceria com outras nações lusófonas com necessidades idênticas às nossas e defendamos o que é nosso: o Mar. Ou rapidamente, outros ocuparão o nosso lugar…

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Sobre as ligações dos governantes de Moçambique ao Narcotráfico

Armando Guebuza (http://macua.blogs.com)

Armando Guebuza (http://macua.blogs.com)

A embaixada dos Estados Unidos em Maputo acusa o Presidente da República de Moçambique Armando Gabuza de ter recebido entre 35 a 50 milhões de dólares em comissões no negócio da compra da Hidroeléctrica Cahora Bassa a Portugal”
(…)
“O chefe de Estado é referido como estando envolvido em todos os mega projetos de milhões de dólares do país.
Outra suspeita refere-se à amizade próxima entre Guebuza, apelidado de “escorpião”, o antigo Presidente Joaquim Chissano e os dois principais narcotraficantes do país, o empresário Mohamed Bachir Suleiman, referido por MBS e Ghulam Rassul Moti. “MBS contribuiu grandemente para encher os cofres da Frelimo (…) em troca, acredita a embaixada, saíram ordem do gabinete da Presidência para excluir certos contentores de carga das habituais vistorias de segurança do porto de Maputo”.
Nas comunicações reveladas, Portugal é considerado um dos destinos dos estupefacientes, bem como um país onde MBS detém contactos.
(…)
Moçambique é referido como o segundo país africano mais activo na rota internacional do tráfico de drogas. É notada ainda a existência de bancos e instituições financeiras em número muito superior à dimensão da economia nacional, e de uma bolha especulativa no mercado imobiliário, indícios de operações de lavagem de dinheiro.”

Jornal Sol
10 de dezembro de 2010

Os países africanos de expressão oficial lusófona parecem ter algum tipo de tendência para serem usados como eixo de distribuição de estupefacientes… Portugal cumpre esse papel na distribuição pelo sul da Europa. A Guiné-Bissau é a principal plataforma de distribuição para a Europa da droga colombiana que segue para o continente europeu e agora vem a saber-se que idêntico (e triste) papel é cumprido por Moçambique na África Oriental.

As referências do Wikileaks parecem escapar a qualquer dúvida. Um pouco por todo o mundo (e apesar de algumas patéticas tentativas de negação) o que só nos faz recordar a necessidade de uma maior cooperação nos setores da Justiça e das Polícias entre os países lusófonos, para além do desenvolvimento da força lusófona de Manutenção de Paz que poderia ser também usada neste contexto, dotando os países com menos meios materiais dos recursos suficientes para combater este flagelo do narcotráfico.

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O primeiro dos seis NPO (Navios de Patrulha Oceânica) será entregue à Marinha a 30 de dezembro de 2010

O primeiro dos seis NPO (Navios de Patrulha Oceânica) será entregue à Marinha a 30 de dezembro de 2010 pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC). Esta data representa um atraso de um ano em relação ao previsto, e antecipa em alguns dias a última data que era “janeiro de 2010”.

Fica por compreender de forma cabal e transparente a motivação para este atraso, assim como qual será o impacto nos custos do mesmo…

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/marinha-estaleiros-navais-de-viana-entregam-dia-30-primeiro-navio-de-patrulha-oceanica=f622270

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A Embraer já iniciou a construção da sua nova fábrica de materiais compósitos em Évora

A Embraer já iniciou a construção da sua nova fábrica de materiais compósitos em Évora. A fábrica deverá estar pronta até ao final de 2011 permitindo assim a fabricação em instalações com 30660 metros quadrados de estruturas muito complexas para integração em aeronaves desta construtora brasileira. Os primeiros componentes deverão começar a sair da fábrica de Évora em 2013. A segunda fábrica da Embraer – especializada na produção de estruturas metálicas para aeronaves começará brevemente.

As duas fábricas representam para a construtora brasileira um investimento superior a 48 milhões de euros e serão o elemento fundador de um cluster aeronáutica português nesta cidade alentejana que em breve começará a contribuir para a construção do KC-390 o avião transportador militar pelo qual Portugal já expressou interesse que tem congregado intenções de compra em vários países.

Fonte:
http://www.defpro.com/news/details/19967/

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As entregas dos NPO2000 vão finalmente começar

NPO2000

NPO2000

Segundo notícias recentes, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) vão (finalmente) entregar o primeiro dos seis navios de patrulha oceânica (NPO) à Marinha portuguesa. O navio já deveria ter sido entregue em janeiro, mas continua em estaleiro apesar de estar pronto para ser entregue, faltando – segundo António Barbosa, da Comissão de Trabalhadores dos ENVC – apenas realizar “acertos do ponto de vista da automação, que é mais rigorosa por ser um navio militar, para trabalhar e operar em tempo de guerra. Tem requisitos que um navio comercial não terá”. Segundo parece, esses “acertos finais” estarao terminados até dezembro deste ano. Os restantes NPO estão em bom andamento, esperando-se que o segundo venha a ser entregue no primeiro trimestre de 2011.

Os cinco NPO custarão 500 milhões de euros ao Estado português devendo dois deles serem navios de combate à poluição e cinco lanchas de fiscalização costeira, havendo igualmente a opção por mais três navios.

É vital para Portugal que os ENVC continuem a laborar e a fabricar navios. Como o derradeiro grande estaleiro naval português, Portugal não pode deixar desaparecer esta empresa que tão crucial é para um país marítimo e com a quarta mais extensa plataforma continental do globo. Se perdermos este estaleiro, deixaremos vazios os nossos mares para quem os quiser preencher… deixaram que perdêssemos a frota mercante, primeiro, a de pesca, depois. Perderemos também a capacidade para construir navios de grande porte se o Estado não souber ir compensando as quebras de encomendas que decorrem do abrandamento económico mundial, com encomendas militares como as dos NPOs ou não comece brevemente novos projetos (como uma corveta rápida ou um navio de desembarque) que os mantenha viáveis durante os próximos anos.

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/estaleiros-navais-fornecem-marinha-e-podem-vender-para-venezuela=f606673

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