Ciência e Tecnologia

Sobre a suspensão do investimento da Nissan em Portugal

A recente suspensão do investimento da Nissan-Renault em Aveiro, para a construção de uma fabrica de baterias resulta do acordo com a Troika, da sua alínea em que se proíbem expressamente a atribuição de novos benefícios fiscais.

Segundo o governo, “o acordo assinado entre o Estado português e a troika impede expressamente novos benefícios fiscais ou o alargamento dos existentes”. Ou seja, Portugal foi impedido de cativar esse investimento estratégico para a economia e independência energética nacionais pela Troika.

O projeto iria criar pelo menos 200 postos de trabalho em Aveiro e permitiria que todas as baterias para os novos carros elétricos fossem produzidas no país já a partir do começo do próximo ano.

Segundo a Renault-Nissan, a suspensão da construção da fabrica deve-se não à impossibilidade do aumento das facilidades fiscais, mas à “conclusão de que as quatro fábricas espalhadas por todo o mundo seriam suficientes”, tendo em conta o abrandamento da procura resultante da recessão mundial que parece cada vez mais inevitável.

Os números das necessidades nacionais em carros elétricos foram também revistos – em baixa – pelo governo, cujo secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes, afirmou não existir mercado para uma quarta fábrica de baterias para carros elétricos da Nissan: “A empresa tem três fábricas de baterias em todo o mundo. Se considerássemos a produção da unidade de Cacia, estaríamos falar de uma produção de 500 mil baterias em quatro anos. Pessoalmente não vejo onde haveria mercado na Europa”. Tal declaração confirma que o Governo desistiu do projeto e não pretende bater-se pelo seu estabelecimento em Portugal, nem mesmo recorrendo aos incentivos ja existentes em Portugal e na base dos quais o projeto da Nissan-Renault tinha sido estabelecido.

O governante adiantou também que o “projeto de mobilidade elétrica português (MOBI.E) “está em avaliação para garantir a sustentabilidade, nomeadamente o modelo tarifário, que não deve sobrecarregar a parte energética”, mas sabe-se já que em vez de 250 mil carros elétricos em 2020 se estima agora que nesse ano existam pouco mais de 50 mil veículos elétricos a circular nas estradas portuguesas, ou seja 2% do total… Terá sido esta estimativa; assim como a revisão do MOBI.E que terão levado mais à suspensão do projeto de investimento do que a negação de novos benefícios fiscais por parte da Troika, suspeitamos nós…

Fonte:
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia-nacional/nissan-fabrica-baterias-agencia-financeira-incentivos-fiscais/1308069-5205.html

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Temos 5 anos para fazer algo sobre o Aquecimento Global. Ou então é tarde demais.

Um relatório recente da “Agência Internacional da Energia” (International Energy Agency) indica que temos apenas cinco anos para impedir uma mudança climática irreversível. Esta informação – a confirmar-se – não podia vir em pior altura. O Ocidente (EUA e União Europeia) está paralisado por uma “crise da dívida soberana” que vai demorar nunca menos de dez anos a resolver… a China tomou recentemente algumas medidas, mas ainda de forma tímida e inconsistente e o resto do mundo está basicamente expectante quanto ao que a Europa vai fazer. Ora como esta está paralisada…

A situação ainda é mais grave do que parece, porque embora a economia mundial esteja anémica, o consumo de energia subiu 5% entre 2009 e 2010. Este aumento de consumo implicou um aumento das emissões de CO2 e, logo, do Efeito de Estufa que ameaça colocar em risco a sobrevivência do Homem neste planeta.

Ainda não é tarde. E a descida muito significativa dos preços dos painéis solares registada nos últimos anos pode ser decisiva. Infelizmente, além da gigantesca dificuldade que seria converter a economia mundial para fora do Carbono num prazo tão curto (inferior a 5 anos!) o recente desprestígio da Energia Nuclear, depois do desastre de Fukushima e as grandes dificuldades orçamentais dos países do Ocidente (que liderava no mundo o processo de combate às alterações climáticas) não auguram nada de bom…

Fonte:
http://science.slashdot.org/story/11/11/10/037228/iea-warns-of-irreversible-climate-change-in-5-years

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Os custos da Energia Solar estão a cair a pique

O grande problema da energia solar sempre foi o do custo de investimento por quilowatt. Contudo, isto está a mudar muito rapidamente. Os progressos tecnológicos dos últimos anos têm sido tremendos, sobretudo, os preços têm caído espetacularmente a um ritmo de 7% ao ano.

Esta queda de preços resulta da eficiência cada vez mais elevada dos painéis, mas sobretudo do nível muito elevado subsidiação da industria solar chinesa por parte do governo de Pequim. Esta política de subsídios reduziu os preços dos painéis solares de 2010 a 2011 em quase 40%. Obviamente, tal política levou à falência muitas empresas do ramo na Europa e nos Estados Unidos…

Além dos custos de fabricação estarem em queda, também os de instalação estão em queda: nos EUA, os custos de construção de grandes instalações solares caíram 17% apenas em 2010.

O facto de existirem cada vez mais economias de escala, na Energia Solar, contribuiu também de forma muito importante para a queda dos preços da energia solar: em 2010, só nos EUA foram instalados mais de 17 giga-watts em painéis solares, ou seja, o equivalente a 17 novas centrais nucleares!

A China é hoje o maior fabricante mundial de painéis solares. O facto desta industria ser altamente subsidiada (na China e no resto do mundo, como em Portugal) coloca a questão: quando pela via da atual crise financeira os governos deixarem de a poder subsidiar ela vai sobreviver e, sobretudo, vai manter a tendência de descida dos custos?… É impossível saber. A manterem-se as tendências atuais os custos por quilowatt da energia solar deverão entrar em paridade com os da energia fóssil por volta de 2018, segundo a consultora Ecofys, mas para isso os custos terão que descer ainda mais algumas dezenas de vezes a partir dos atuais um euro por watt.

Acreditamos que nesta equação os ditos “impostos de carbono” terão também um papel a cumprir… desde logo porque todas as externalidades económicas dos combustíveis fosseis não fazem atualmente parte da sua estrutura de formação de preços: as calamidades naturais provocadas pelo Aquecimento Global e suportadas pelos Impostos não estão refletidas nos preços… E essa reflexão só pode suceder pela via fiscal. Estes “impostos de carbono”, como aquele que acaba de ser inaugurado na Austrália, permitiram manter algum tipo de subsidiação na energia solar e compensar os seus custos, aumentando os dos combustíveis fosseis pela introdução de uma componente de custos que hoje é aqui escamoteada.

Fonte:
http://www.washingtonpost.com/blogs/ezra-klein/post/solar-is-getting-cheaper-but-how-far-can-it-go/2011/11/07/gIQAuXXuvM_blog.html?wprss=ezra-klein

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O reator de Fusão Fria E-Cat de Andrea Rossi

O reator de Fusão Fria "E-Cat" e Andrea Rossi (http://scm-l3.technorati.com)

O reator de Fusão Fria "E-Cat" e Andrea Rossi (http://scm-l3.technorati.com)

A recente noticia do sucesso da experiência da equipa do físico italiano Andrea Rossi a 28 de outubro pode ter marcado uma data decisiva na Historia da “Fusão Fria” e da Energia Nuclear.

O reator da equipa de Rossi terá sido demonstrado a um investidor norte-americano anónimo e logrou produzir 470 kilowatts de potencia durante algumas horas. Infelizmente, os jornalistas presentes não tiveram acesso total ao reator, o que é lamentável, dada toda a polémica que rodeia a “fusão fria”.

Este investidor terá comprado o reator demonstrado, que tem a designação “E-Cat”. Segundo Rossi, existem mais 30 encomendas dos EUA e da Europa para um reator que custará cerca de dois milhões de dólares por unidade. Rossi promete lançar ainda em 2012 uma versão domestica do “E-Cat”. A equipa italiana está também a desenvolver uma variante do reator que seja capaz de converter o calor que gera diretamente em eletricidade, mas esta versão não devera ver a luz do dia antes de 2013.

Todas estas alegações são animadoras. Mas persiste uma nuvem… O impedimento de acesso aos jornalistas não foi positivo. Não ficou claro se o E-Cat estava ou não completamente desligado de qualquer cablagem externa. A potencia obtida (de 470 kilowatts) foi também suspeitosamente baixa, ja que o reator tem uma capacidade teórica de gerar o dobro…

O que causa mais suspeição é o facto de Rossi estar precisamente na fase em que procura cativar mais capital e investidores… O facto de – alegadamente – estar apenas a receber encomendas de “grandes clientes” que testarão (supostamente) os reatores antes de os pagarem credibiliza-o, mas restam as citadas nuvens de incerteza…

Fonte:
http://www.wired.co.uk/news/archive/2011-11/06/cold-fusion-heating-up

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O Rover Curiosity pode esclarecer as dúvidas quanto à descoberta de vida em Marte pela Viking

Rover Curiosity (science.nasa.gov)

Rover Curiosity (science.nasa.gov)

Uma das mais antigas polémicas marcianas é aquela que questiona se a experiência “Labeled Release” da sonda Viking que visitou o Planeta Vermelho em 1976 terá ou não, detetado vida. A conclusão foi descartada porque um outro instrumento da Viking não encontrou materiais orgânicos, levando a NASA a concluir que a observação do LR se tratava de facto de um “falso positivo”.

As conclusões da NASA de 1976 foram entretanto questionadas por um dos criadores do LR, que questionou em 1997 a validade da experiência de deteção de material orgânico. É claro que se o novo rover Curiosity detetar matéria orgânica, a razão original da NASA em 1976 para invalidar a descoberta de vida desaparece…

Alem da LR a Viking descobriu no seu local de aterragem algumas rochas com aquilo que pareciam ser líquenes, algo que a câmara de alta resolução do Curiosity poderá também aclarar. Estes indícios estariam ligados à deteção recente de fontes regulares de metano na atmosfera marciana.

Fonte:
http://www.marsdaily.com/reports/Veteran_Mars_Researcher_Says_Curiosity_Spacecraft_Can_Confirm_Viking_Detected_Life_999.html

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Os Vikings usavam cristais de calcite para localizarem o Sol em dias sem visibilidade?

Uma das questões que sempre me fascinou foi a de saber como é que os Vikings se orientavam nas suas longas viagens marítimas. Sabia-se que o Sol tinha um papel importante nessa orientação, já que na época não havia ainda bússolas. Mas como o faziam quando as nuvens bloqueavam a visão do Sol?

As sagas nórdicas referem o uso de uma tal de “pedra do Sol” usada na navegação nos seus drakkars. Nada se sabia sobre estas misteriosas pedras, mas agora um grupo de cientistas franceses e norte-americanos julga saber o que eram: cristais de calcite usados para obter leituras de compasso precisas, mesmo quando o Sol se encontrava oculto por densas nuvens.

O mecanismo para encontrar a posição do Sol, atrás das nuvens passa pela deteção da polarização, isto é, pela identificação do vetor seguido pelos raios solares. Ora, os vikings parecem ter observado que existia uma serie de anéis de luz polarizada, nas nuvens, com o Sol no centro. Um cristal capaz de despolarizar essa luz, poderia revelar a posição do Sol no céu.

Ora a calcite tem essa capacidade… Uma das suas propriedades permite que a luz que a atravessa seja dividida, formando uma dupla imagem. A intensidade relativa das duas imagens depende da polarização da luz. Desta forma, usando cristais de calcite e mudando a sua orientação até que as duas projeções sejam igualmente brilhantes é possível localizar os anéis polarizados concêntricos e logo, localizar o Sol, mesmo quando oculto por nuvens muito densas.

A teoria foi colocada à prática pelo físico Guy Ropars da Universidade de Rennes. Com uma calcite islandesa (do tipo a que os vikings teriam acesso) encerrada num aparelho de madeira com uma abertura que deixa passar a luz do Sol e a projeta numa imagem dupla numa superfície. Os testes demonstraram a eficácia do aparelho, ainda devesse ser particularmente difícil de usar em aguas agitadas, como aliás, também era o astrolábio.

Fonte:
http://www.wired.com/wiredscience/2011/11/viking-polarized-navigation/

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A Índia vai começar a construir um Reator Nuclear a Tório

A Índia está a trabalhar numa central nuclear que usa um combustível mais seguro que o Urânio: o Tório. Atualmente, decorre o processo de identificação do local onde a central será construída até 2020.

Já foram feitos vários estudos sobre centrais a Tório nos EUA e na antiga União Soviética, mas sempre sem que se produzisse um reator viável. O facto do Urânio ser uma das matérias primas para bombas nucleares fez também preferir os reatores a Urânio sobre todas as outras alternativas, como o Tório. O conceito é uma espécie de “santo graal” da física nuclear moderna, quer pela maior segurança, quer pela abundância relativa do mineral.

Os trabalhos estão a ser conduzidos pelo “Bhabha Atomic Research Centre” (BARC) de Bombaim, que  terminou com sucesso uma serie de testes ao conceito de um reator a Tório e que ultima agora a conceptiva de um reator comercial, sobretudo na questão tecnicamente mais difícil: a da ignição do reator, que deverá ser realizada através do uso de Urânio. Este primeiro gerador deverá ser capaz de produzir 300 MW de eletricidade, ou seja, cerca de metade de um reator convencional.

Os reatores a Tório, além de serem mais baratos, da sua matéria-prima ser mais abundante e da sua operação ser mais simples, apresentam ainda duas outras vantagens: o seu subproduto não pode ser usado para construir armas nucleares e, sobretudo, não cria os resíduos radioativos com a duração de milhares de anos, mas resíduos de vida muito mais curta. É assim uma tecnologia muito interessante que seguiremos com especial atenção aqui no Quintus…

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/environment/2011/nov/01/india-thorium-nuclear-plant

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Foi quebrada a Cifra Copiale

A Cifra Copiale (news.com.au)

A Cifra Copiale (news.com.au)

Numa carta de 1947 o matemático norte-americano Norbet Weiner escreveu “naturalmente podemos pensar se o problema da tradução pode ser tratado como um problema em criptografia.” Esta foi a origem de programas de tradução baseados em analises estatísticas.

A partir deste conceito, um grupo de linguistas suecos e norte-americanos usaram um programa de criptografia de analise estatística sobre um dos textos cifrados mais intrigantes do mundo: a cifra Copiale, uma carta com 105 paginas escrita nos finais do século XVIII e que durante décadas desafiou o talento dos melhores criptologistas. A carta foi descoberta num arquivo na antiga Alemanha de Leste e foi escrita com letras a outro e com elaborada decoração. No total, soma mais de 75 mil carateres incluindo letras romanas e símbolos. A palavra que lhe dá a designação: “Copiale” é uma das duas que em todo o texto não aparece na forma cifrada.

O programa de cifra foi aplicado por Kevin Knight, da Universidade da Califórnia do Sul juntamente com Beata Megyesi e Christiane Schaefer da Universidade de Uppsala a este documento alemão. A analise das primeiras 16 paginas demonstrou que se tratava de uma detalhada descrição de um ritual de uma sociedade secreta com uma estranha fascinação pela oftalmologia.

Os investigadores não tinham à partida indícios de qual seria a língua da cifra. Começaram por partir do principio de que os carateres romanos é que continham toda a informação e que os abstratos eram uma falsa pista. Mas essa abordagem revelou-se infrutífera. Obrigados a mudar de estratégia, os criptógrafos perceberam que se tratava de uma cifra de substituição, mas sem uma correspondência direta entre a informação original e a cifrada. Foi então que se aperceberam também que a língua original era o alemão. Os carateres romanos revelaram-se exatamente o oposto do que pareciam ser, não passando de “nulos”, de signos sem significado, representando apenas espaços entre as verdadeiras palavras cifradas: os símbolos elaborados que se julgava inicialmente serem meras formas decorativas.

A principal técnica de tradução foi a frequência de palavras por forma a descobrir como um certo símbolo surgiria em alemão.

Este progresso contudo ainda não se estendeu ao mais enigmático de todos os manuscritos cifrados: o manuscrito Voynich de inícios do século XV. As suas 240 paginas resistiram sempre a todas as tentativas de leitura. Recentemente, a Universidade de Chicago publicou uma analise estatística do manuscrito que identificou provas de padrões que correspondem aos existentes na linguagem, descartando assim a teoria de que se trataria de um “hoax” com mais de 600 anos, uma tese lançada por alguns dos mais desesperados criptógrafos do mundo em plena frustração perante a resistência dessa enigmática obra.

Fonte:
http://www.nytimes.com/2011/10/25/science/25code.html

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Portugal e os seus governos nunca souberam ou quiserem encarar o grande problema de longo prazo da nossa sociedade: a baixa demografia

Portugal e os seus governos nunca souberam ou quiserem encarar o grande problema de longo prazo da nossa sociedade: a baixa demografia. Atualmente, Portugal tem uma das mais baixas taxas de fertilidade do mundo, sendo hoje de apenas 1.4 filhos por casal, muito aquém dos 2.1 que seriam necessários para repor a população.

A médio prazo, esta demografia vai ser o problema económico número um, reduzindo a produtividade, aumentando o desequilibro e a sustentação do sistema de Segurança Social e o próprio crescimento económico pela via simples da redução bruta do numero de produtores e consumidores e pelo crescimento proporcional da população idosa inativa. Portugal não esta sozinho nesta marcha até à evaporação populacional, encontrando-se na mesma aflitiva situação outros 80 países do globo.

Nem tudo está perdido, contudo. Podem ser tomadas medidas e ainda não é tarde demais para as assumir, com ou sem o “santo beneplácito” da Troika que nada falou sobre este gravíssimo problema, talvez porque aos seus desígnios de defender os interesses da grande Banca internacional e das economias do norte da Europa convenham que os portugueses desapareçam enquanto povo e que o seu território seja entregue às cadeias turísticas multinacionais e a Espanha.

Urge agir. Em 2015, as Nações Unidas estimam que tenhamos a segunda pior taxa de fecundidade do planeta, com uns impressionantes 1.3 filhos por casal. Apenas a Bósnia-Herzegovina estará pior, com uns estimados 1.1 filhos. Perto dos nossos (maus) valores estão países como a Áustria e Malta. Vários países (como a Macedónia) pagam subsídios elevados a partir do terceiro filho, outros, como a Finlândia oferecem boas redes de proteção social. Em Portugal, quase nada se fez nas ultimas décadas e esse pouco ficou praticamente desfeito pela pressão imposta pela Troika. Até que acabemos com este país. Para grande gáudio de germanos e quejandos “parceiros” no norte da Europa.

Fonte:
http://www.ionline.pt/portugal/onu-baixa-fertilidade-penaliza-produtividade-economia-portugal

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Segundo uma pesquisa de um grupo de cientistas canadianos e britânicos, as condições de vida durante a infância teriam impactos significativos no ADN que persistiriam até bem dentro da idade adulta

Segundo uma pesquisa de um grupo de cientistas canadianos e britânicos, as condições de vida durante a infância teriam impactos significativos no ADN que persistiriam até bem dentro da idade adulta. Os investigadores procuram mutações associadas a fatores económicos e sociais registados nas fases iniciais de vida dos indivíduos que pertenciam a famílias de rendimentos extremos (ou muito abastadas ou muito pobres).

As conclusões apontaram para a existência de mutações ligadas a esses contextos sócio-económicos. E que este numero de mutações em idades menores era de pelo menos o dobro das mutações registadas em adultos provocadas por esses fatores económicos e sociais de contexto.

O estudo aponta na direção de que os efeitos das condições de vida das crianças podem ser geneticamente determinantes para os padrões de vida que irão experimentar mais tarde, enquanto adultos. Suporta também – pela genética – um fenómeno que socialmente já é bem conhecido e que se traduz na tendência para os filhos manterem enquanto adultos os mesmos padrões de vida dos progenitores. O estudo sublinha também a necessidade criar mecanismos de apoio ao desenvolvimento social e económico das famílias com crianças, favorecendo-as em detrimento das – cada vez mais comuns – núcleos familiares sem crianças, do pontos de vista fiscal (sobretudo) e da subsidiação (menos).

Fonte:
http://scienceblog.com/48584/your-dna-may-carry-a-%E2%80%98memory%E2%80%99-of-your-living-conditions-in-childhood/

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O Aquecimento Global continua aí

Um estudo de uma equipa de investigadores da Universidade Laval, no Canadá realizado sobre os sedimentos do Fiord de Disraeli, no norte do Canada, concluiu que existiu uma grande redução da camada de gelo à cerca de 1400 anos atrás. A equipa descobriu também que nos últimos cem anos a camada de gelo diminuiu quase 90%.

A equipa encontrou indícios de que a desintegração desta camada de gelo continua e a um ritmo cada vez mais rápido. Não existem dados suficientes para tomar conclusões definitivas, mas a equipa canadiana suspeita que poderemos estar perante um fenómeno de uma dimensão sem precedentes (tal é a velocidade de perda do gelo) e que indicia que estamos à beira de um desequilibro brutal e talvez irreversível do clima no nosso planeta. Porque apesar da “crise da dívida”, da recessão global e de todos os escolhos da economia mundial, o problema do Aquecimento Global continua aí, sem resolução ou outro fim à vista que não seja uma catástrofe como nunca antes vimos.

Fonte:
www.PhysOrg.com

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O Irão terá conseguido já obter toda a tecnologia necessária para fabricar uma Bomba Nuclear

Um relatório da “Agência Internacional de Energia Atómica” (AIEA), indica que o Irão terá já conseguido cumprir todos os requisitos essenciais ao processo de fabricação de um engenho nuclear.

Segundo a AIEA, o sucesso iraniano deve muito ao auxilio de um cientista nuclear russo, que terá passado aos seus colegas iranianos as informações que lhes permitiram construir os detonadores de elevada precisão que são necessários para desencadear uma reação em cadeia e, assim, detonar uma bomba nuclear de fissão. Ter-se-á tratado de Viacheslav Danilenko, que entre 1990 e 1995 esteve no Irão. A Agência indica também que o Irão contou com o auxilio de especialistas vindos do Paquistão e da Coreia do Norte. A confirmar-se, isto indica que o Irão, apesar do discurso público, continuou a trabalhar numa arma atómica e que intensificou esse trabalho depois de 2003 mantendo-o sempre sob a capa de varias instituições civis.

A notícia surge num momento em que se multiplicam as noticias sobre a preparação de um ataque aéreo israelita às instalações nucleares do Irão. Não pode tratar-se de uma coincidência… Ou partes deste relatório foram conhecidas por Israel antes da sua divulgação publica, desencadeando assim um movimento de urgência por parte do executivo israelita contra um país que há muito elegeu Israel como o seu alvo principal, ou o próprio relatório foi forjado ou manipulado pelos serviços secretos de Israel para justificar tal iminente operação… Talvez saibamos a resposta daqui a algum tempo. Ou não.

Fonte:
http://www.publico.pt/Mundo/irao-esta-a-beira-da-sua-capacidade-nuclear-diz-aiea-1519806

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Merritt Ruhlen e Murray Gell-Mann descobriram a “mãe de todas as línguas”?

Merritt Ruhlen (http://www.syncopatedprod.com)

Merritt Ruhlen (www.syncopatedprod.com)

Uma das maiores questões da paleolinguística é a de saber qual foi a “mãe de todas as línguas” e como seria esta língua. Desde à algum tempo que se sabe que palavras como “ma” (mãe) e “i” para denota proximidade do orador, “ku” (quem), “pal” (dois), “boko” (braço), “sum” (cabelo), entre outras pertencem aos chamados “cognatos globais” estariam já presentes nessa proto-língua.

A linguística atual acredita que esta proto-língua era usada à cerca de 50 mil anos atrás, mas além dos cognatos do parágrafo anterior e de mais alguma mão cheia de outros pouco mais se sabia. Até agora.

Dois investigadores norte-americanos, Merritt Ruhlen e Murray Gell-Mann agruparam mais de 220 línguas pela forma como usam sons semelhantes para designar objetos e conceitos identicos. Os dois investigadores tambem concluiram que as línguas com a construcao sujeito-verbo-objeto (por exemplo, “tu-viste-oceu”) estão ligadas geneticamente umas às outras, e que, consequentemente, a língua original das línguas atuais também seguia essa construção.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/dn21028-language-50000-bc-our-ancestors-like-yoda-spoke.html?DCMP=OTC-rss&nsref=online-news

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O Megatsunami de Cumbre Vieja (Canárias)

Tsunami do Cumbre Vieja (http://donsnotes.com)

Tsunami do Cumbre Vieja (http://donsnotes.com)

Existem cada vez mais indícios de que estamos prestes a assistir a um Tsunami de proporções históricas. O problema reside num vulcão das ilhas Canárias que os vulcanologistas acreditam estar prestes a entrar em erupção.

O vulcão em questão é o Cumbre Vieja, cuja erupção pode provocar um deslizamento de terras de proporções históricas o qual criaria um mega-tsnunami nunca antes visto. Esta onda gigante deslocar-se-ia pelo Atlântico a uma velocidade de 500 km/h.

A erupção do Cumbre Vieja pode ser desencadeada pela do El Hierro, a apenas 128 km de distância que está agora em alerta de erupção. Será esta erupção que vai atirar para o oceano uma grande parte da ilha criando uma onda com mais de 50 metros de altura. Em menos de dez minutos, a onda chegará a Portugal e destruirá numa proporção inimaginável – mesmo comparando com 1755 – a nossa costa.

Não se trata de saber se este mega-tsunami vai acontecer ou não. Trata-se de saber quando vai acontecer, concordando nisto todos os vulcanologistas. Perante esta ameaça, que, ainda por cima, pode estar iminente, devemos todos precavermos, mantermos em casa um kit de urgência, com medicamentos, mantimentos e água engarrafada e se vivermos em zonas costeiras… estejamos atentos.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Could_a_Mega_Tsunami_Wipe_Out_the_Eastern_Seaboard_999.html

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A sonda Phobos-Grunt está com um problema de software?

Phobos-Grunt (http://smsc.cnes.fr)

Phobos-Grunt (http://smsc.cnes.fr)

Neste momento, equipas de engenheiros especiais russas estão a trabalhar freneticamente para salvar a sonda marciana Phobos-Grunt. A sonda está neste momento encravada na orbita terrestre depois de ter falhado a ignição do motor que a devia levar ate Marte.

Segundo algumas fontes, os russos teriam 3 dias. Segundo outras, teriam duas semanas para descobrirem uma forma de calcular nova trajetória e ligar os motores. A sonda está numa orbita estável o que permite aos engenheiros conceberem e executarem um plano de salvamento.

A sonda ter-se-á separado do seu lançador Zenit sem problemas, mas o seu motor terá falhado quando o tentaram ligar para sair de orbita e começar a viagem até Marte. Até ao momento, a causa do problema parece estar no software e algumas fontes indicam que resolvê-lo pode ser tão fácil como… fazer um Reboot do sistema operativo da Phobos-Grunt. Alternativamente, os russos podem ter também que enviar novos comandos para a Sonda, que corrijam algum erro no software.

A sonda devia aterrar na lua marciana de Phobos, recolher amostras e trazê-las de volta para a Terra. Um objetivo inédito, de extrema ambição, já que todas as missões soviéticas a Marte deram invariavelmente em fracassos e que a Rússia não envia missões extra-planetárias ha mais de 25 anos.

Ainda há esperança, e parece que entre os 3 dias e as 2 semanas, ainda pode haver… Mas parece muito provável neste momento que a ambição russa tenha sido efetivamente excessiva… Especialmente num contexto em que a industria especial vegeta há décadas na falta de inovação, em tecnologia bem conhecida mas obsoleta (todos os seus foguetões têm décadas de uso) e onde a “massa critica” de cientistas se perdeu já, uma vez que era na sua maioria produto da Corrida Espacial e da Guerra Fria da década de 90.

Fonte:
http://www.space.com/13556-russia-save-troubled-phobos-grunt-mars-probe.html

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Hackers chineses invadem computadores do Parlamento Nipónico

Os computadores da Câmara Baixa do Parlamento japonês foram atacados por hackers chineses. O ataque terá durado pelo menos um mês e informação sensível terá chegado a Pequim: passwords e ficheiros confidenciais estavam na mira dos hackers. Depois do ataque ser conhecido, o pessoal do parlamento e os deputados foram instados a mudarem os seus cartões de segurança e palavras-chave, como medida de contenção a mais este ataque cibernético chinês.

O ataque terá sido realizado através da instalação de um “cavalo de tróia” num servidor e em vários computadores de deputados nipónicos que depois enviava dados (como passwords) para um servidor instalado na China. O “cavalo de tróia” ter-se-á introduzido na rede do parlamento através da abertura de um anexo de mail por um deputado.

Este ataque sucede a uma vaga recente, em que os alvos foram o fabricante de aviões militares e centrais nucleares Mitsubishi Heavy e que terá resultado no furto de planos de aviões militares e de desenhos de reatores nucleares de última geração.

A China parece empenhada numa cada vez mais intensa guerra cibernética contra todo o tipo de alvos ocidentais e nipónicos: Governos, empresas de distribuição e produção de energia elétrica, ONGs, empresas do ramo de defesa, satélites, etc. Todos têm reportado um numero crescente de ataque vindos da China. O objetivo parece claro: testar a força das defesas informáticas e recolher informação tecnológica que permita a Pequim ultrapassar o atraso tecnológico que ainda a separa do resto do mundo desenvolvido.

Fonte:
http://www.defencetalk.com/japan-parliament-hit-by-china-based-cyberattack-37909/#ixzz1brxX6xQ5

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A Wikileaks está em dificuldades

Julien Assange (infoescola.com)

Julien Assange (infoescola.com)

Quando, em dezembro do ano passado, a Wikileaks divulgou que uma “Santa Aliança” da grande Banca internacional, liderada pela Visa, Mastercard e pelo Paypal estava a bloquear todos os financiamentos à organização. De facto, quase um ano volvido, a Wikileaks está de joelhos e o seu líder, Julian Assange declarou que teria que suspender o site enquanto durasse esse bloqueio. Se o problema não se resolver até meados de 2012, o Wikileaks terá mesmo que fechar definitivamente as portas, avisa Assange.

O silenciamento do Wikileaks cumpre assim o propósito de alguns senadores e congressistas norte-americanos que instaram os Bancos a fazerem este bloqueio contra a organização de Assange. Para já, não serão publicados os 251 mil documentos diplomáticos e os ficheiros dos prisioneiros de Guantanamo, que tanto temia o Poder norte-americano.

Curiosamente, a Visa, Mastercard ou a Paypal nunca bloquearam os pagamentos para o Ku Klux Klan ou outros grupos extremistas. Aparentemente, a Wikileaks é mais perigosa.

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2011/oct/24/bankers-wikileaks-free-speech

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Do Estado da Ciência em Portugal e alguns caminhos para o Futuro

http://t3.gstatic.com

História Recente:

Nos últimos anos da monarquia, Portugal tinha sérias lacunas no domínio da educação. Com efeito, o país era listado nesta área como um dos mais atrasados da Europa. Era esta situação que a Primeira República ambicionava mudar com a introdução de uma educação pública e universal. Para os republicanos, o valor da ciência e do desenvolvimento científico era central para o Estado, algo que decorria da importância da filosofia positivista para o ideário republicano. Contudo, as dificuldades financeiras, a bancarrota de 1911, a instabilidade governativa criada pelo “Rotativismo democrático” e a Primeira Grande Guerra impediram o prosseguimento desse desígnio. Nos anos que antecederam o Estado Novo, a situação da Ciência e da Investigação Científica era pouco diferente do fim da monarquia. As primeiras décadas do Estado Novo não introduziram grandes alterações. Em 1930, o analfabetismo era de 60% entre os maiores de 7 anos. Cinquenta anos depois, já no ocaso do Estado Novo, o valor descera para 26%, num ganho notável, mas que colocava o país atrás da maioria em qualquer comparação internacional.

O Estado Novo foi caraterizado por uma atitude muito conservadora e temerosa em relação à Educação. Enquanto Salazar se manteve na presidência do Conselho de Ministros, o deprimente panorama nesta área  herdado da Primeira República não sofreu alterações significativas. O regime temia que  a universalização do Ensino Secundário e (sobretudo) do Ensino Universitário, abrissem espaços de contestação e procurou manter os escalões mais altos do ensino reservados a uma elite económica e social de onde saiam a maioria dos seus quadros dirigentes. O regime nao hesitava em afastar todos aqueles cientistas que lhe pareciam menos “domesticáveis” tendo ficado famosas as duas purgas de intelectuais de antes e de depois da Segunda Grande Guerra. Desta forma, ao afastar alguns dos mais brilhantes cientistas da época, o Regime anulou a maioria das vantagens que se poderiam ter obtido do ambicioso programa de bolsas e estímulos científicos promovidas pela Junta de Educação Nacional… Apenas na sua fase final, em 1971, com Veiga Simão no ministério da Educação é que se lançaram as bases de uma verdadeira “educação universal” no Ensino Superior.

A primeira década depois da Revolução de Abril de 1974 não trouxe muitas melhorias a este panorama. A este respeito, uma das métricas mais reveladoras a este respeito era o número de doutoramentos por ano, já que uma tese de doutoramento deve incluir sempre algum trabalho científico original. No começo da década de oitenta, havia pouco mais de uma centena de doutoramentos por ano. Um número tão escasso traduzia-se numa fraca produção científica, uma das mais baixas do continente europeu. De forma reflexa, faltavam também os professores capazes de reproduzir o conhecimento científico e o interesse pela Ciência pelo resto da sociedade.

A situação começou finalmente a inverter-se a partir da viragem do milénio depois da publicação do “Manifesto para a Ciência em Portugal” de Mariano Gago. Ministro de 1995 a 2011, este professor de Física conseguiu colocar em prática a maioria das ideias desta sua obra, reestruturando de forma brilhante o sistema científico nacional. Com Mariano Gago, a Ciência deixou de ter um papel subalterno e tornou-se no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). Hoje, entretanto, o ministério foi de novo despromovido a secretária de Estado algo que não augura nada de bom…
As políticas de Mariano Gago tiveram vários efeitos de curto prazo. Em 2008, registaram-se já perto de 1500 doutoramentos, contando apenas com os obtidos em Portugal. Esta “massa crítica” académica levou a um aumento da produção científica. Em 2008, o número de investigadores ativos era de 7 por mil, havendo então mais de 40 mil. O número de artigos científicos publicados em revistas científicas de renome internacional também se multiplicou: em 2008 publicaram perto de 7 mil artigos sendo que entre 2000 e 2009 apenas o Luxemburgo cresceu a um ritmo mais intenso. Comparativamente, em 1982, publicaram-se apenas três centenas de artigos. Em 2007, o país tinha uma percentagem de estudantes de doutoramento nas áreas de ciência e tecnologia superior à média europeia e bem adiante de países como Irlanda, Dinamarca ou Espanha. Infelizmente, contudo, a percentagem de recursos humanos em ciência e tecnologia era de apenas 22%, entre a Roménia e a Turquia, nem longe da média dos países d União isto, juntamente com a grande precariedade do emprego científico e o estrangulamento financeiro das maioria das universidades públicas portuguesas são os três grandes problemas da ciência em Portugal.

Outro indicador positivo do estado atual da Ciência em Portugal prende-se com a percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) que é dedicada à Investigação e Desenvolvimento. Em 1982, esta percentagem era das piores de todo o continente europeu, com uns notáveis (pela negativa) 0,3%. Em 2008, contudo, a situação conhecerá já uma melhoria muito assinalável: 1,5% do PIB, uma percentagem bem acima da de Espanha, Itália ou Irlanda. Esta melhoria resultava de das novas políticas para a ciência, mas também de uma intensa aposta realizada nas duas últimas décadas na Educação, com gastos explícitos de 7% do PIB, um valor excepcional entre os países europeus, onde a média é de apenas 4%. O investimento privado em ciência, inicialmente muito modesto é hoje semelhante ao público. A tendência é positiva e crescente nas últimas décadas, mas ainda estamos longe dos 2/3 de investimento privado dos EUA ou do Japão…

Para além do aumento do investimento na Educação, a melhoria da situação da Ciência em Portugal a partir do começo do século XXI beneficiou também do aumento dos financiamentos europeus por via dos vários programas comunitários de promoção da ciência e da investigacao científica. Hoje, Portugal é o país da OCDE com maior rácio professor-aluno e maior custo salarial por aluno e existem mais de um milhão de licenciados, metade dos quais do sexo feminino, um indicador invejado por muitos países desenvolvidos.

Este investimento de governos sucessivos colocou Portugal no clube europeu das nações que mais apostam na Ciência para o seu desenvolvimento económico e social. A multiplicação de investigadores, produção científica e licenciados em várias áreas científicas fez aumentar a presença da Ciência nos Meios de Comunicação, onde os artigos de divulgação científica nos jornais, revistas e televisão também conheceram um assinalável incremento, sinal de que o impacto da Ciência na sociedade está a aumentar a patamares nunca previamente registados na sociedade portuguesa. Mas nem tudo é perfeito… As temáticas ligadas à Ciência e à Investigação Científica ainda estão muito longe do discurso político, mesmo em períodos eleitorais e não existe atualmente nenhuma revista exclusivamente dedicada a temas de ciência sendo publicada em Portugal.

Numa época de profunda crise financeira e grave crise económica a Ciência pode assumir-se como uma alavanca crucial para retirar o país da trágica situação que atravessa. Muitos países conseguiram vencer situações tão dramáticas como a nossa através de um investimento continuado e consistente na Ciência, e isto mesmo quando esta aposta se materializar nos ramos de ciência mais básicos como a Física ou a Matemática pura, de retorno mais difícil a curto prazo, mas que criam as bases para a chamada “ciência de desenvolvimento” a médio prazo.

Contudo, paira no horizonte uma nuvem de dimensões ainda desconhecidas… Existe na comunidade científica nacional uma grande preocupação com os cortes orçamentais impostos pela Troika FMI/BCE/CE e o seu impacto na investigação científica em Portugal. A Ciência deveria constar entre os desígnios nacionais de todos os partidos políticos portugueses, de forma transversal e unânime permitindo a sustentação de um acordo suprapartidário que definesse uma estratégia de promoção da Ciência e da sua aplicação industrial de longo prazo. Seria assim fatal, para os bons resultados obtidos nos últimos anos, se as restrições orçamentais impostas pela Troika comprometessem essa continuidade, dando morte antecipada a projetos que começaram na década passada e que se encontram hoje em plena maturidade e prestes a dar frutos.

O Estado não pode portanto reduzir a escala de investimento na Ciência. Num país praticamente desprovido de recursos nacionais, a massa cinzenta, o conhecimento e a inteligência dos seus cidadãos acaba por ser o seu maior recurso. Desinvestir na Ciência e na produção de conhecimento científico é pois desinvestir assim em Portugal, no seu futuro e numa soberania que está hoje cada vez mais ameaçada em várias frentes. Continuemos esse processo, e estabeleçamos incentivos para que o conhecimento científico fique em Portugal e que empreendedores nacionais o utilizem para alicercarem novas empresas, geradoras de Emprego, produção e exportações.

Portugal deve assim elaborar um Plano Estratégico Científico, de longo prazo e que obtenha o apoio consensual das principais forças políticas representadas na Assembleia da República. Este plano deve incluir:

Lusofonia:
1. Legislação que simplifique a livre circulação de quadros técnicos e científicos entre os países e regiões da Lusofonia (sem esquecer Malaca, Goa e a Galiza).
2. Legislação e mecanismos ágeis e eficientes (no seio da CPLP) que permitam a partilha e transferência de tecnologia e conhecimento entre os países lusófonos.
3. Fundação de uma Agência Lusófona para a Exploração do Mar e do Espaço, que complemente (sem excluir) a presença do país na ESA, mas que aproxime a investigação  e as empresas credenciadas pela ESA a participarem no programa espacial brasileiro, contribuindo assim para uma muito precisada dinamização.
5. A formacao de uma “Ciberuniversidade lusófona” com matérias e avaliações realizadas somente no mundo virtual, permitiria criar cursos universitários de Ciências comuns a todos os utilizadores de língua portuguesa, com custos mínimos de funcionamento (sem edifícios ou salas de aula), absolutamente idênticos a todos os estudantes de Timor ao Recife e fortemente orientados para a área científica.

A estratégia para a investigação científica nacional deve delinear pontos fulcrais ou eixos de desenvolvimento que possam produzir aplicações industriais de curto prazo, sem descurar projetos de mais largo espectro e duração, ligados à Ciência Fundamental, como a presença de investigadores portugueses no CERN ou na ESA. Em termos estratégicos, e porque os recursos são escassos e preciosos o foco da investigação científica portuguesa deve assentar em duas vertentes: Independência Energética e Exploração dos recursos do Mar. Nos últimos dez anos houve um grande aumento da produção científica ligada às Ciências do Mar com uma duplicação do número de doutorados e mestrados, sendo hoje um dos países com maior producao nessa area do globo. Contudo, o país não tem sabido aproveitar esta produção de conhecimento, criando novos produtos e bens transaccionáveis a partir de uma exploração racional e sustentável dos recursos do Mar.

Estas orientações estratégicas não podem levar Portugal a abandonar a ciência fundamental, para a qual existem já hoje bons laboratórios em Portugal e muito produtivas parcerias internacionais. Não devemos embarcar numa estéril “ciência do desenvolvimento” já que isso teria danos sérios na ciência aplicada a médio prazo, pelos efeitos culturais e educacionais de uma tal restrição.

Contudo, sem absolutismos nem dogmatismos, devem definir-se prioridades e nestas, projetos principais:

1. Promover trabalhos científicos numa campanha nacional de mapeamento das  potencialidades geológicas do território nacional continental e marítimo.

2. Estimular e financiar projetos estratégicos para o Mar, com financiamento e capital parcial do Estado e em parceria com universidades e investidores privados:
2.1. energia das ondas
2.2. extração de minerais do leito oceânico (em fumarolas inativas)
2.3. Investigação de algas para biocombustível
2.4. aquacultura offshore
2.5. energia eólica offshore
2.6. Promovendo novas biotecnologias ligadas à indústria transformadora de pescado
2.7. Tecnologia ligada ao desenvolvimento dos portos nacionais
2.8. Projetos de desenvolvimento dos transportes marítimos
2.9. Projetos de construção e reparação naval, nomeadamente desenvolvendo projetos nacionais de:
2.9.1. navios de cruzeiro
2.9.2. navios de passageiros
2.9.3. navios mercantes de pequeno porte
2.9.4. navios militares e vigilância da costa
2.9.5. embarcações de recreio
2.9.6. Plataformas offshore para produção de energias renováveis e aquicultura de mar aberto
2.9.7. Desenvolvimento de plataformas fixas e móveis autónomas de vigilância marítima, com helidrones elétricos alimentados a energia solar e das ondas
2.9.8. Desenvolvimento de software ligado a tecnologias navais e à economia do Mar
2.9.9. Desenvolvimento de plataformas  offshore multiusos, com várias funções, sobretudo para operações de transhipment entre navios de mercadorias.
2.10. Desenvolver projetos de biotecnologia marinha

3. Espírito Empreendedor
A sociedade portuguesa tem um dos índices de empreendedorismo mais baixos do mundo ocidental. As razoes são de várias ordem, e passam por uma economia demasiado dominada pelo Estado (que controla mais de 60% da economia e que cativa os melhores quadros), por um setor bancário demasiado focado no crédito imobiliário e ao consumo e por razões culturais muito antigas (que recusam à inquisição). Não é fácil inverter esta tendência. Sendo cultural, é estrutural e portanto, muda apenas muito lentamente… Resta apenas manter o esforço na Ciência e na Investigação Científica (um dos legados positivos do socretismo) e concentrar os recursos do Estado nos projetos estratégicos acima listados e promovendo a aparição de ninhos de empresas:

3.1. Uma vez estabelecidas as prioridades estratégicas para o setor do Mar, o Governo deve criar o ambiente propício a que surjam investidores e empreendedores privados capazes de criar novas empresas e desenvolver as já existentes explorando as oportunidades estratégicas de negócio identificadas pelos estudos de viabilidade produzidos pelas universidades. O meio universitário, pode ser, aliás, o meio mais adequado a que se criem “ninhos de empresas” onde projetos de alunos e professores possam ter continuidade, beneficiando de preços baixos de escritório, armazenagem e laboratórios comuns e de fundos provenientes de um “fundo de desenvolvimento do Mar” com capitais públicos e privados.

4. Investigação e Exploração do Espaço

Portugal é hoje membro de pleno direito da ESA (“Agência Espacial Europeia”) desde novembro de 2000 tendo em 2010 o Estado português investido apenas 8 milhões de euros, as 28 empresas nacionais certificadas pela Agência conseguirem recuperar com projetos seus, perto de 99% desse investimento, criando assim conhecimento e uma especialização que usaram para outros negócios e empreendimentos não ligados diretamente à ESA.

Conclusão

Portugal tem hoje mais cientistas em atividade do que teve em todo o seu passado milenar, entre os quais se conta uma legião de sete mil bolseiros da FCT e muitos investigadores profissionais (mas apenas contratados a prazo). Muitos, infelizmente acumulam com funções enquanto professores universitários, dividindo tempo e dedicação e prejudicando, eventualmente, ambas as tarefas. Falta especialização e uma concentração das entidades que fazem investigação em Portugal, não geográfica, mas organizativa. Apesar de todo o progresso recente (destacando-se aqui o programa “Ciência Viva” criado em 1996) o interesse pela ciência e tecnologia ainda não chegou à maioria da população. Um estudo de 2010 do Eurobarómetro colocou os portugueses no fim da tabela do “interesse pela ciência” apenas à frente da Roménia, Lituânia e Bulgária. O mesmo estudo revela que os portugueses são os europeus que menos visitam museus ou centros de ciência (6% no último ano!)

Promovendo a Ciência e a Investigação científica, assim como a passagem deste conhecimento para a economia real e para o mundo empresarial, Portugal pode criar as condições para uma recuperação económica assente em dois pilares estratégicos fundamentais: o reforço dos laços de todo o tipo, mas especialmente científicos, com os países lusófonos e o desenvolvimento das ciências do Mar, com a preocupação de estimular o empreendedorismo empresarial e especialmente fomentar neste setor o empreendedorismo científico simplificando os processos legais de registo de patentes e disponibilizando capitais de risco públicos ou parcialmente privados. Só assim se pode promover o desenvolvimento económico de um recurso que equivale a 18 vezes o território continental e para o qual temos – desde 1986 – vivido de costas voltadas.

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A missão europeia a Marte “ExoMars” está à beira de ser cancelada

O Rover da ExoMars (www.universetoday.com)

O Rover da ExoMars (www.universetoday.com)

A missão europeia a Marte “ExoMars” está à beira de ser cancelada. A missão pode ser vitima dos cortes orçamentais de que a NASA está a ser alvo. Em particular, a NASA não parece ser capaz de financiar o foguetão Atlas V que iria lançar a ExoMars.

A ESA tem agora uma de duas opções: ou cancela a missão ou lança-a num foguetão Proton russo. Segundo algumas fontes, é hoje mais provável que a opção dominante seja mesmo o cancelamento…

A missão colocaria no solo marciano um Rover semelhante aos norte-americanos Spirit e Opportunity e um Orbitador, o “ExoMars Trace Gas Orbiter”. O plano era lançar a missão em 2016, mas agora tudo está posto em causa…

O plano inicial era colocar a missão no Espaço em dois lançamentos de foguetões Atlas V, mas agora a agência diz que só pode financiar um… A ESA conseguiu reunir para a missão 850 milhões de euros, mas estes são necessários para o orbitador. De facto, a ExoMars é mais uma das vítimas da crise mundial. A missão já perdeu a “estação marciana fixa” que fazia parte dos planos iniciais, assim como a data de 2011 num foguetão russo Soyuz Fregat. Veremos agora (ainda em antes do fim de novembro) se a totalidade da missão não acaba por ser imolada nesse lúgubre altar da recessão económica global.

Fonte:
http://www.universetoday.com/89367/esas-exomars-mission-in-jeopardy/

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As “Experiências de Quase Morte” terão explicação científica?…

As ditas “experiências de quase morte (“Near-death experiences”) receberam recentemente uma importante clarificação científica: as suas caraterísticas comuns aos vários indivíduos que as descrevem: uma sensação de “estar morto”, de se sentir “fora do corpo”, uma viagem para uma “luz brilhante” a caminho de uma existência “cheia de amor” podem ter – além da explicação mística – uma explicação científica e clínica.

A descrição de “experiências de quase morte” (EQM) não é tão rara como se poderia crer. Não há estatísticas conhecidas em Portugal, mas nos EUA estima-se que pelo menos 3% da população já as experimentou. E, de facto, o mesmo fenómeno, com o mesmo tipo de descrições ocorre ao longo da História e transversalmente em várias culturas e religiões.

Curiosamente, nem sempre as EQM ocorrem em condições de risco de vida… Um estudo recente, por exemplo, indicava que em 58 sujeitos que as tinham narrado, 30 não tinham estado de facto em risco de vida.

Um estudo do “Medical Research Council Cognition and Brain Sciences Unit” da Universidade de Cambridge e de uma equipa da Universidade de Cambridge expôs a coincidência de sensação de “estar morto” com uma conhecida condição clínica, que ocorre em alguns doentes de tifoide ou esclerose múltipla e que têm danos em regiões do cérebro que estão ligadas aos processos de consciência e que estão geralmente ligadas à esquizofrenia patológica.

Experiências de “fora do corpo” são comuns, por sua vez, quando o sono é interrompido subitamente pouco depois de adormecer. Outro fenómeno, a “paralisia do sono” ocorre em 40% da população pelo menos uma vez na vida e em algumas circunstâncias é acompanhada pela sensação de “estar fora do corpo”. Uma experiência mais antiga, de 2005, conseguiu reproduzir a sensação de “estar fora do corpo” pela estimulação artificial da junção tempo-parietal direita do cérebro.

Outra explicação clínica para as experiências EQM pode ser também encontrada nos doentes de Parkinson que relatam frequentemente visões de “fantasmas” ou “monstros”, segundo se crê, em consequência do funcionamento anormal da dopamina no cérebro. Se este ocorrer em indivíduos mais jovens ou saudáveis, então as visões das EQM poderão ter assim esta explicação.

O anestésico Quetamina tem também conhecido nos últimos anos uma sucessão de relatos de EQM na forma de estados de euforia, experiências de “fora do corpo” e alucinações.

Será que assim todos os numerosos relatos de EQM tem uma explicação científica?…

Fonte:
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=peace-of-mind-near-death

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Os problemas de juventude do satélite sino-brasileiro Cbers-3

O Brasil prepara-se para lançar em novembro do ano que vem o satélite Cbers-3. O lançamento terá lugar com um atraso de 5 anos.

O satélite será o quarto (o anterior era o Cbers 2-B) de uma série que começou em 1988 com Cbers 1. Estes satélites sino-brasileiros de observação dos recursos terrestres foram lançados dentro do ritmo previsto até 2007, mas a partir de então o Brasil deixou de conseguir cumprir os prazos de entrega dos equipamentos, atrasos que resultaram da dificuldade que a indústria brasileira tem em desenvolver os equipamentos que no acordo bilateral se previam serem fabricados no Brasil. O problema agravou-se no Cbers-3 porque enquanto que nos anteriores a incorporação de componentes brasileiros era de 30%, neste será de 50%…

O atraso será resolvido pela contratação pelo Inpe (“Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais”) de 60 novos especialistas que serão enviados para a China, durante um ano, por forma a adquirem aqui o know-how que falta à indústria espacial brasileira e que esteve por detrás deste atraso de cinco anos.

Fonte:
http://info.abril.com.br/noticias/ti/pais-lancara-satelite-brasil-china-em-2012-23082011-24.shl

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Nos últimos 12 meses a desflorestação no Brasil aumentou 15%

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (http://static.panoramio.com)

Além da pobreza, da corrupção e da criminalidade, o grande problema do Brasil é a desflorestação. Segundo o “Instituto Nacional de Pesquisa Espacial” (INPE) nos últimos 12 meses o fenómeno teria aumentado 15%. Isto significa que entre julho de 2010 e julho de 2011 o país teria perdido 1649 km2 de vegetação apenas nos Estados de Mato Grosso e Pará. Estes números muito preocupantes resultam de observações por satélite.

Os dados do INPE relacionam o maior recuo de floresta no Mato Grosso (onde se registou 95% dessa perda) e onde a pressão contra a floresta realizada pelas grandes explorações agrícolas de soja e de pecuária tem sido mais intensa.

O Brasil é o quinto maior país do mundo em área bruta e tem no seu território cerca de 5.3 milhões de km de florestas e selva, a maioria destes na bacia do Amazonas.

Hoje em dia, o Brasil é um dos maiores emissores globais de gases com efeito de estufa devido, precisamente, à desflorestação. O fenómeno, contudo, está em declínio desde 2004. O aumento recente dos preços globais dos produtos do setor agro-pecuário tem contudo pressionado os produtos com terrenos junto à selva amazónica para aumentarem a sua produção à custa da expansão territorial da suas explorações… é que o Estado tem apenas pouco mais de um quinto dos terrenos da floresta amazónica, estando o restante em mãos particulares ou incertas, e estas terão sempre o impulso para aumentar os seus rendimentos à custa da desflorestação. Estão assim a criar-se cada vez mais condições para que o processo seja travado através de uma intervenção estatal, talvez sob uma forma de “reforma agrária” que nacionalize algumas dessas regiões fronteiras com a selva amazónica.

Fonte:
http://www.terradaily.com/reports/Deforestation_in_Brazils_Amazon_up_15_999.html

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Do aproveitamento económico da nossa ZEE e o sistema Windfloat

Sistema Windfloat )http://www.pcouncil.org)

Sistema Windfloat )http://www.pcouncil.org)

“Portugal é o maior beneficiário (de um recurso) na UE em termos de extensão – o mar ocupa uma superfície que representa 18 vezes o território continental, sendo que a ZEE portuguesa é a maior de toda a CE”.

> Desde que – em 1986 – entrámos na União Europeia (então CEE) que temos estado virados de costas para o Mar e para aquilo que existe para além dele: a Lusofonia e os laços históricos, culturais e linguísticos com os países da Lusofonia. A tremenda extensão da nossa ZEE é um ponto central do nosso futuro e a exploração sistemática mas sustentável dos seus recursos deve ser um aspecto central da nossa estratégia de desenvolvimento para as próximas décadas.
Desde 1986, Portugal deixou abater a sua frota pesqueira (a troco de subsídios, durante o Cavaquismo), destruir a sua frota de cargueiros e tornou-se hoje num dependente dos transportes marítimos de outras nações e de 60% do peixe importado. Os mares portugueses são hoje sulcados por navios estrangeiros e isso, num país marítimo como Portugal, com um território oceânico 18 vezes superior ao continental, deve recentrar a sua política estratégica naquele que é o seu verdadeiro centro: não a cidade de Tomar. Mas… o Atlântico e tudo o que ele representa.

“Entre os projetos apresentados recentemente no Fórum do Mar conta-se o Windfloat, desenvolvido pela EDP Inovação, Principle Power, A. Silva Matos e Vestas. Segundo João Maciel representante da elétrica portuguesa, este projeto visa criar plataformas de produção energética eólica “offshore” em localizações com profundidades superiores a 40 metros.” (…) turbinas de 2 MW. O mesmo deverá ser instalado no segundo semestre de 2011“.

> Sendo este Windfloat apenas um exemplo do tipo de aproveitamento dos recursos e dos territórios marítimos. Portugal deve saber aproveitar as suas costas marítimas, dividindo-as numa quadrícula e entregando em regime de concessão a instalação de sistema de geração de energia elétrica como este inovador Windfloat. A Alemanha – o maior produtor europeu de energia eólica – já retira mais de 60% dessa produção de aerogeradores instalados no mar do Norte. Em Portugal, ainda não existe nenhuma instalação deste tipo, havendo portanto aqui, um enorme potencial de crescimento. Urge portanto, estabelecer um quadro legal e fiscal de incentivos e desenvolver a indústria e investigação nacionais neste tipo de tecnologias offshore, inexistentes hoje em Portugal e enquadrar estas iniciativas no âmbito de uma estratégia global para o Mar.

Fonte:
Vida Económica
24 de junho de 2011

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Razões adicionais para não ter uma Central Nuclear em Portugal. Se, depois de Fukushima, mais fossem precisas

Central Nuclear de Angra, no Brasil (http://www.oecocidades.com)

Central Nuclear de Angra, no Brasil (http://www.oecocidades.com)

“Uma central nuclear moderna junta vários reatores, com uma potencia global da ordem de três mil a dez mil mega-watts (potência elétrica). Quer tal dizer que uma só central teria capacidade para produzir toda a energia elétrica consumida no nossa país. (…) não justificaria criar e operar toda a infra-estrutura necessária ao treino de especialistas, e ao licenciamento, fiscalização e operação das centrais e do ciclo de combustível nuclear (a montante e a jusante do combustível ser “queimado” no reator).”
Rui Namorado da Universidade de Évora em entrevista ao
Diário do Sul de 11 de julho de 2011

Ainda que tenha havido um grande lobby a favor da construção de uma central nuclear em Portugal (e que ainda exista) as palavras deste físico da Universidade de Évora são claras: não só Portugal tem escala de consumo que justifique a construção de uma central, como uma só central implicaria a construção e manutenção, a montante e a jusante, de toda uma estrutura que uma única central nunca tornaria justificável.

Assim, e usando apenas o argumento da escala do nosso país, sem contar com os reatores de micro-escala (como aqueles em que a Toshiba se está a especializar), e sem ter que recorrer a argumentação de ordem ambiental, ecológica ou sísmica, o debate sobre se Portugal deve ou não ter Energia Nuclear está (ou devia estar) encerrado.

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A Boeing está a trabalhar num novo avião de descolagem vertical baseado em “pulso-reatores”

A Boeing está a trabalhar num novo tipo de avião que será capaz de descolar e aterrar verticalmente usando várias dezenas de “pulso-reatores”. A tecnologia foi originalmente criada na Alemanha e esteve na base das famosas bombas voadoras V-1. O desenho, contudo, seria abandonado no Pós-Guerra porque os aparelhos que usavam este tipo de motor a reação eram ineficientes, barulhentos e mais lentos que os motores a reação. Mas a tecnologia que a Boeing agora reinventou resolve esses problemas.

A Boeing trabalha atualmente num protótipo de descolagem vertical, para transporte de tropas e equipamento e que ao contrário das turbinas usadas no Sea Harrier para esse efeito tem a vantagem de não ter partes móveis: segundo esta reconcepção revolucionária do conceito de Pulso-Reator, no topo do reator, são geradas ondas de choque através da combustão subsónica de combustível, o ar quente que é assim forçado a sair pela outra extremidade do reator, faz com que ar frio entre no topo, sendo este ar frio incendiado pelo combustível, cria novas ondas de choque, sendo o ciclo repetido em ciclos muito elevados. Cada um dos reatores é controlado de forma independente e tem os seus próprios controlos de direção, oferecendo ao aparelho um grande controlo de atitude durante a descolagem ou aterragem.

A tecnologia tem varias vantagens sobre o método convencional, que consiste num motor a reação com desvio vetorial, uma tecnologia mecânica e relativamente dada a falhas, sendo mais cara de construir e de manter devido à inerente complexidade de tais sistemas, uma desvantagem que a modular e “sem peças móveis” tecnologia de Pulso Reatores não tem…

Fonte:
http://www.flightglobal.com/blogs/the-dewline/2011/07/video-boeings-all-new-advanced.html

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Do declínio dos EUA na exploração do Espaço

Cápsula Dragon, da SpaceX (http://www.spacex.com)

Cápsula Dragon, da SpaceX (http://www.spacex.com)

“Em 1966 (a Corrida Espacial) consumia 4.4% da riqueza anual dos EUA” (hoje é cerca de 0.6%). (…) “O principal significado do fim da era espacial (como a revista The Economist classifica o último voo do vaivém) é a confirmação de um estado de crescente anomia que se instalou nos EUA e na Europa. Uma anomia que descrê dos investimentos do Estado em programas de infra-estruturas como o que Einsehower desenhou para as auto-estradas, ou como o que a França construiu para a sua rede ferroviária no pós-guerra. E que contesta tudo o que não dê lucro imediato. A crença optimista no futuro que a era espacial simbolizava extingue-se no Ocidente e parece agora migrar para outras latitudes: já não os EUA a acreditar nos grandes projetos nem nas visões de “grandes passos para a humanidade” fora da Terra; nos nossos dias, quem tem esse nervo, essa ambição e essa crença são os chineses.”
Público
10 de julho de 2011

O declínio abrupto do programa espacial americano resulta em primeiro lugar do crescimento brutal da dívida pública dos EUA: 18 triliões de dólares e a crescer. Perante um tal volume – criado por défices comerciais com a China – de dívida, a Administração Obama viu-se forçada a realizar uma série de cortes, e a NASA foi uma das vítimas. Obviamente, na NASA, os programas mais visíveis eram os mais dispendiosos, nomeadamente os humanos e entre estes, o do Shuttle, cuja operação nunca foi barata nem regular, nunca tendo existido os lançamentos semanais que se sonhavam na década de 80.

O programa especial americano entra agora em declínio: a existência de várias empresas privadas muito dinâmicas e criativas (como a Boeing ou SpaceX) permite antever que por esta via será possível manter nos EUA alguma dinâmica no setor espacial. Mas a escala, a ambição e a visão de longo prazo que existia na NASA não pode existir num operador privado, sempre mais motivado para lógicas de curto prazo e de rentabilidade financeira. E é aqui que reside o perigo: enquanto a China assume um papel cada vez mais ambicioso e visível: os EUA entram numa nova era: de menor escala e mais reduzida amplitude temporal. Em vez de reenviarem astronautas para a Lua ou de construírem bases lunares semi-permanentes, ou até de preparem uma missão tripulada a Marte, os EUA lutam para manter algum tipo de veículos para envio de astronautas para as órbitas LEO da ISS e viajam (até 2015) em naves russas Soyuz. Entramos numa nova era: a da China. E a Corrida Espacial acabou. Pelo menos enquanto durarem os défices orçamentais monstruosos nos EUA. Ou seja: durante muito tempo…

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Afinal o Desastre Nuclear de Fukushima pode ser mais grave que o de Chernobyl

Central nuclear de Fukushima (http://static.infoescola.com)

Central nuclear de Fukushima (http://static.infoescola.com)

Segundo todas as comparações e tabelas internacionais, o desastre nuclear de Fukushima é menos grave que o Chernobyl. Certo? Errado. Logo em 12 de março, um perito israelita em qualidade, o Professor Menachem Luria declarava que “daquilo que podemos saber, este desastre é ainda mais perigoso que o de Chernobyl.”

A maioria dos físicos continua a acreditar que não há hipótese de suceder em Fukushima algo de semelhante ao que aconteceu em Chernobyl, mas há vozes dissonantes, como a de Arnold Gundersen, um antigo executivo da indústria nuclear americana que afirmou que “Fukushima é o maior desastre industrial da História da Humanidade. Temos 20 núcleos nucleares expostos, isto é, vinte vezes o potencial libertado em Chernobyl (…) existem vários “pontos quentes” muito mais dispersos que na central Ucraniana e a intensidade de radiação neles registada foi suficiente para declarar cidades em torno de Chernobyl como proibidas. Em Fukushima, há locais radioativos a 60 ou 70 km do reator, e isso não sucedeu na Ucrânia. Assim, e apesar disto a pressão económica, o facto de estarmos num país democrático (ao contrário da URSS), a influência global do poderoso lobby da indústria nuclear e a densidade demográfica do Japão. Noutras condições, tudo seria muito diferente e o desastre nuclear de Fukushima já teria recebido a classificação de “maior desastre nuclear da História”.

Fonte:
http://atimes.com/atimes/Japan/MF25Dh02.html

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A NASA vai lançar em 2016 a missão OSIRIS-Rex para estudar o perigoso asteroide 1999 RQ36

A NASA identificou um asteroide de 7 metros de comprimento, designado de 2009 BD, que em julho vai passar muito perto da Terra, a uma distancia inferior aquela que separa a Terra da Lua. Nas passagens seguintes, o 2009 BD vai aproximar-se mais e mais do nosso planeta até acabar por colidir com ele, sem grandes consequências porque devido ao seu relativo pequeno tamanho o asteroide vai acabar por se desintegrar na atmosfera.

O problema é que andam por aí asteroides muito maiores e imensamente mais perigosos… Foi por causa destes que a NASA decidiu lançar em 2016 a missão OSIRIS-Rex com o objetivo de recolher amostras do asteroide 1999 RQ36 e de trazê-las para Terra por forma a que estas possam ser estudadas já que (além de ser um asteroide cientificamente muito interessante) existe uma possibilidade em mil de que este asteroide de 579 metros colida com a Terra em 2182… desta feita com graves consequências, já que a queda de um objeto espacial destas dimensões poderia destruir por completo a camada de ozono com o impacto para as colheitas que se espera elevado.

Compreender a natureza dos materiais do 1999 RQ36 é crucial para estudar formas de o fragmentar ou desviar antes deste provável e cataclísmico impacto.

Fonte:
http://www.foxnews.com/scitech/2011/06/03/truck-sized-asteroid-has-close-encounter-with-earth/#ixzz1OI7d1rjA

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