Budismo

Orgasmo: Um Estado Alterado de Consciência?

A ciência ainda não foi capaz de compreender o que é um orgasmo. Estudos recentes, realizados nos EUA, indicam que 25% das americanas tiveram dificuldade em ter um orgasmo no último ano e que entre 5 a 10% nunca chegaram mesmo a sentir tal coisa.

Trabalhos recentes revelaram que a região do cérebro conhecida como córtex pré-frontal desempenha no orgasmo um papel central. É aqui também que os fenómenos ligados à consciência, à auto-avaliação e a capacidade para nos colocarmos no lugar do outro, têm lugar. Esta é a região que se ativa nas mulheres durante o orgasmo, como é também a região que é usada nos processos de imaginação, criatividade e visualização mental, a ligação destes com as fantasias sexuais é imediata e evidente.

Esta conclusão implica que o orgasmo altera o estado de consciência, o que conforma com a descrição comum para este estado como sendo a “perda de controlo” por excelência. O orgasmo seria assim capaz de ultrapassar e momentaneamente assumir o controlo sobre os sistemas habitualmente dominantes da consciência. Assim, o “estado alterado de consciência” seria bem real e concreto, dando assim sustentação à leitura do budismo tântrico segundo o orgasmo (assim como o bardo, ou processo da morte) seria um dos momentos em que indivíduo poderia alcançar o estado de “iluminado” em vida. Este estado alterado induzido pelo orgasmo pode ser necessário para obter mais prazer (desligando temporariamente os mecanismos normais de consciência). A incapacidade manifestada em alguns indivíduos em alcançarem este estado pode assim resultar da sua incapacidade física ou psicológica para se deixarem “perder o controlo”.

Fonte:
http://www.newscientist.com/article/mg21028124.600-sex-on-the-brain-orgasms-unlock-altered-consciousness.html?full=true

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Ram Bahadur Bomjan, o novo Buda nepalês?

O Nome

No decurso do breve artigo que publicámos em Ram Bahadur Bomjan, o novo Buda nepalês? gostaria de regressar aquele que é um dos mais interessantes personagens da atualidade e que poderá bem ser a reencarnação do “Buda dos Tempos Futuros” antecipado pelas profecias orientais… Trata-se de “Ram Bahadur Bomjon” um nome que aparece também em fontes mais ligadas diretamente aos seus seguidores como “Palden Dorje”, já que esse é o seu nome budista propriamente dito.

Biografia

Ram Bomjan terá nascido a 9 de abril de 1990, no Nepal, mais concretamente na cidade de Ratanapuri, situada no distrito de Bara, no sul do Nepal. Ram Bomjan seria um membro da família dos Tamang, um descendente direto dos lamas Tamang que – conta a lenda – conseguiam voar, e cometer prodígios tão espantosos como falar com os animais, árvores e pássaros. Esta descendência vir-lhe-ía por via materna.

Os pais de Ram Bomjan eram agricultores. A sua mãe chama-se Maya Devi e casou aos 12 anos, uma idade comum neste região e teve desse casamento 5 filhas e outros 3 filhos, além de Ram Bomjan, que foi o seu terceiro filho. O primeiro fenómeno estranho na biografia de Ram Bomjan ocorreu ainda antes do seu nascimento, quando a sua mãe alegadamente pára de conseguir ingerir alimentos, sem que fique muito doente, algo que acontecia especialmente quando a mãe consumia alimentos à base de carne.

Já após o seu nascimento, nos primeiros anos de vida, Ram Bomjan desaparecia por longos períodos de tempo, sem que ninguém soubesse do seu paradeiro. Nessa idade, Bomjan exprimia grande contentamento quando encontrava um monge e tentava imitar a sua conduta. Frequentes vezes, parecia distante e pensativo, respondendo a perguntas com um simples sorriso.

Na escola, foi sempre um bom aluno, ainda que brincasse muito pouco com as outras crianças, estando absolutamente só durante longos períodos. Preferia estar a ler escrituras budistas, em meditação e parecendo adorar uma árvore que se encontra nas imediações da sua escola. Foi observando esta atitude de devoção intensa que levou o seu pai a levá-lo até ao guru Samden Lama, estudando então o budismo a partir das escrituras do Lama Chhyoi. Esta formação religiosa inicial foi decisiva para que Ram Bomjan escolhesse seguir uma vida religiosa, que começou como discípulo de Som Bahadur Lama, na cidade de Sudha.

O seu mestre Som Bahadur relatou que foi um aluno muito obediente, muito amigável e sociável e que recebeu o grau de iniciação “Panchasheel”, cumprindo os cinco votos desta iniciação:
1. Não é possível matar animais (logo, recomenda um regime vegetariano)
2. Não roubar
3. Não mentir
4. Não alimentar pensamentos negativos sobre os outros
5. Não ingerir alimentos intoxicantes (álcool, drogas, café, etc)

Ram Bomjan recebeu a “Panchasheel” juntamente com outros oito discípulos, contudo, ao contrário destes, optou por não cortar o cabelo. Foi no fim desta iniciação que passou a ser conhecido como “Palden Dorje”. Como os demais discípulos, passou um mês numa gruta, em meditação. Depois de um processo que treino que durou dois anos, todo o grupo terminou o seu trabalho com Som Bahadur e partiu para o local de nascimento de Buda, Lumbini, mas Ram Bomjan hesitou a partir, acabando por fazê-lo mais tarde. Quando todo o grupo chegou a Lumbini, após alguns dias, Ram Bomjan recusaria em regressar, partindo para a cidade de Dehradun para prosseguir aqui a sua educação religiosa junto de mestres budistas locais. Algum tempo depois, partiria para a cidade de Pokhasa, de novo em busca de novos mestres.

Teria sido em Pokhasa que adoeceria, parecendo paralisado. Os seus mestres ordenaram-lhe que regressasse a casa, até recuperar, o que fez. No seu regresso a casa, instou a sua família para que se abstivesse de matar qualquer animal e que eliminasse completamente o consumo de álcool, em cumprimento dos ensinamentos recebidos em Sudha. Após algum tempo, recuperaria, mas apenas para desaparecer de casa, sem que se conhecesse o seu paradeiro, a 16 de maio de 2005.

Historial

O período de meditação do jovem começou a 16 de maio de 2005, mas desapareceria a 11 de março do ano seguinte, reaparecendo longe de Ratanapuri a 26 de dezembro de 2006. Ram Bomjan tornaria a desaparecer em 8 de março de 2008, até que um grupo de policias nepaleses o encontraria meditando junto a uma árvore em 26 de março de 2007, não muito longe de Ratanapuri.

Relatos locais dão como certo que Ram Bomjan terá conseguido sobreviver a períodos de vários meses sem ter consumido nem qualquer alimento, nem sequer qualquer tipo de líquidos, como água. Um documentário do “Discovery Channel” mostrou Bomjan meditando entre as raízes de uma árvore durante cinco dias seguidos. Só por si, isso é um feito notável já que embora existam relatos de pessoas que sobreviveram semanas ou até mesmo meses sem qualquer alimento, suportar mais do que 24 horas sem água é praticamente impossível. É certo que se trataria de um “estado meditativo”, não de um que exigisse um elevado nível de atividade física. Nestes casos, 3/4 de um litros são indispensáveis. Para manter um padrão de atividade física mais baixo, estima-se que meio litro baste, mas este valor garante apenas níveis de sobrevivência sem exposição solar. Ram Bomjan esteve durante estes cinco dias à sombra de uma árvore, logo livre da ação dos raios solares e numa região húmida, o que contribuiria para a admissão de alguma humidade por via respiratória. Há assim vários elementos: o baixo metabolismo do estado de transe, a humidade do ar, a não exposição à luz solar contribuem para explicar parcialmente a sobrevivência de Ram Bomjan. Mas não totalmente… Ram Bomjan, no final desse período devia estar severamente desidratado, o coração devia estar em mau estado devido ao engrossamento do sangue e o cérebro estaria severamente afectado e, sobretudo, as baixas temperaturas noturnas deviam ter anulado qualquer uma das vantagens listadas. Ora Ram Bomjan não só não aparentava nenhum sintoma físico dessa grandeza como nem sequer tinha a pele ressequida.

A 19 de janeiro de 2006, quando estava em plena meditação, algumas testemunhas observaram que as roupas de Bomjan terão começado a arder. Contudo, quando este fogo cessou – espontaneamente e ao fim de alguns minutos não havia traços de queimaduras na sua pele. Este estranho acontecimento foi registado em vídeo e terá tido lugar nos arredores da localidade de Bara.

Em março de 2007 o inspetor de polícia Rameshwor Yadav de Nijgadh encontrou Bonjam meditando num edifício subterrâneo com apenas 3 metros quadrados. O edifício, parcialmente soterrado, não tinha portas nem janela e apenas um telhado de colmo. Aparentemente tinha sido construído por um devoto antigo professor, Indra Lama, e que afirmava que o edifício tinha sido construído a pedido de Ram Bonjam

Não muito depois, a 2 de agosto de 2007, Bonjam faria um raríssimo discurso público a uma multidão de 3 mil pessoas reunidas na selva de Hallori, no distrito de Bara. A reunião foi preparada pelo comité de apoio aos peregrinos “Namo Buddha Tapoban”, sendo este o seu conteúdo segundo uma testemunha, que o terá ouvido num telemóvel ligado no local por um amigo:

“O assassínio, a violência, a ambição, a raiva e a tentação fizeram deste mundo um lugar de desespero. Uma terrível tempestade caiu sobre o mundo do Homem, e isto está a levar o mundo para a destruição. Existe apenas uma forma de salvar o mundo e esta é através do Dharma. Se não percorrermos o caminho correto da prática espiritual, este mundo desesperado será com certeza destruído. Assim, sigam o caminho da espiritualidade e espalhar esta mensagem a todos os que conhecem. Nunca coloquem obstáculos, fúria ou descrença no caminho da minha missão de meditação. Eu estou apenas mostrando-vos o Caminho; vocês devem procurar seguir o vosso próprio Caminho. O que sou, o que farei, nos próximos dias vai relevar isso mesmo. A salvação do Homem, a salvação de todos os seres vivos e a paz no mundo são o meu objetivo e o meu caminho. Namo Buddha sangaya, Namo Buddha sangaya, namo sangaya. Eu contemplo a libertação deste mundo caótico do oceano da emoção, na nossa libertação da fúria e da tentação, sem me afastar do caminho por um só momento, eu renuncio à minha própria ligação à minha vida e à minha casa, para sempre, eu estou a trabalhar para salvar todos os seres vivos. Mas neste mundo indisciplinado, a prática da minha vida é reduzida a um simples entretenimento.”

“A prática e a devoção de muitos Budas foi dirigida à melhoria do mundo e à felicidade. É essencial, mas muito difícil compreender essa prática e devoção. Mas através dela é fácil sair da existência ignorante, os seres humanos não compreendem que um dia teremos que abandonar este mundo incerto e encontrar o Senhor da Morte. As nossas longas ligações com amigos e família irão dissolver-se no nada. Teremos que deixar para trás a saúde e a propriedade que acumulámos. Este é o uso da minha felicidade, quando aqueles que me amaram desde o princípio, a minha mãe, o meu pai, irmãos e parentes estiverem todos infelizes. Assim, para salvar todos os seres sencientes, eu tenho que ter uma mente como a do Buda e emergir da minha caverna subterrânea para realizar uma meditação Vajra. Para a fazer tenho que compreender o caminho correto e o conhecimento, de forma a não perturbar a minha prática. A minha prática liberta-me do meu corpo, da minha alma e da minha existência. Nesta situação existe 72 deusas Kali. Deuses diferentes estarão presentes, ao lado dos sons do trovão e do “tangur”, e todos os deuses celestiais e deusas estarão a fazer “puja” (adoração). Assim eu enviei uma mensagem, para que não venham aqui, e para que por favor expliquem isto aos outros. Espalhem o conhecimento espiritual e as mensagens espirituais aos outros. Espalhem a mensagem da paz mundial a todos. Procurem um caminho correto e a sabedoria será vossa.”

Depois deste discurso, em 19 de março de 2008, um grupo dos seus seguidores encontrou-o a cerca de 3 km do seu último local de meditação conhecido, tendo falado com ele durante perto de meia hora tendo Bonjam dito nessa ocasião que “não havia paz aqui” e se afastaria durante seis anos, ou seja, até 2012. Ano em que regressaria ao Mundo.

Suspeitas

A polícia nepalesa seguiu o caso praticamente desde o começo. Num dado momento realizou mesmo várias investigações sobre se seria uma pura e simples fraude, descartando essa hipótese. Suspeitou também de Lavagem de Dinheiro, congelando uma conta bancária da organização de apoio aos peregrinos a Ram Bonjam, mas também aqui descartaria qualquer suspeita.

Há alguns anos Bonjam pediu aos seus seguidores para vigiarem abusos com as doações. Mas apesar disso, sempre que Bonjam é localizado meditando em algum lugar, logo se reúnem vendedores ambulantes que o cercam a curta distância vendendo filmes, DVDs e fotografias. Bonjam parece ignorar esta turba.

Em dezembro de 2006, alguns aldeões do distrito de Bara encontraram Bomjan na floresta. Na altura levava consigo uma catana, estranhando a visão, perguntaram-lhe porque levava consigo a arma ao que ele terá respondido “mesmo Gautama Buda tinha que se proteger a si próprio”, na altura disse que tinha comido apenas ervas nos últimos meses. O facto de ter sido visto com uma arma e de ter admitido que esta era a função da catana é intrigante: um budista não tira a vida a nada, nem (sobretudo) para se defender… E uma das “provas” mais referidas para o seu estado de Iluminação é a sua ausência de necessidade para comer, porque então teria tido que comer “ervas” (medicinais, nalguns relatos)?

É certo que em 8 de novembro de 2005, Bonjam negaria ser Buda: “digam ao povo para não me chamar um Buda. Eu não tenho a energia de um Buda. Estou no nível de um Rimpoche”. Ou seja, ao nível de um mero professor. A negação é aliás consistente com as crenças do Budismo Theravada, em que foi educado, o qual acredita que quem alcança a Budeicidade cessa o ciclo de Renascimentos (Samsara) e ascende a um estado transcendente e inumano.

Há também quem suspeite da sua capacidade para meditar imóvel, em silêncio e sem ingerir alimentos ou água durante longos dias. De facto, pôde aproximar-se de Bonjam quando está em meditação e entre as 5 da tarde e as 5 da manhã, ninguém o pode ver, tendo sido coberto com um pano, o que adensa as suspeitas… Terá comido e bebido água nesse período?

Em dezembro de 2005, um comité do governo nepalês investigou Bonjam e vigiou-o durante 48 horas. Na altura não o viram ser coberto nem comer, nem beber água. E isso confere também com a reportagem da BBC acima referida que o filmou continuamente durante 96 horas (http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/4797064.st)

O lama Bahadur do Nagarjuna Instituto de Katmandu, no Nepal afirmou que os sacerdotes budistas do seu instituto não podiam confirmar o estatuto de Bonjam porque “não tinham podido investigar completamente o rapaz”.

E o mesmo dizemos nós… Ram Bonjam não parece ter qualquer interesse em retirar qualquer proveito próprio de toda esta atenção que o rodeia. A sua conduta – com excepções intrigantes como a catana e as ervas – parece a de um perfeito budista e há varias indicações de que consegue realizar facilmente feitos inumanos. Não será a próxima reencarnação de Buda (Maytreia, o Buda dos Tempos Futuros), segundo ele próprio admite, mas que é uma personagem muito intrigante… Isso ninguém o pode negar. E talvez o seu regresso ao mundo, antecipado pelo próprio para 2012, traga algumas respostas a este enigma vivo chamado:

Ram Bonjam.

Fontes:
http://www.independent.co.uk/news/world/asia/buddha-boy-reappears-after-year-in-jungle-1011713.html
http://abcnews.go.com/International/wireStory?id=6227385
http://www.terra.com.br/istoe/1900/internacional/1900_pequeno_buda_sumiu.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Ram_Bahadur_Bomjon
http://irregular.gaia.com/blog/2006/12/ram_bomjon_reappears_and_establishes_new_shrine
http://www.survivaltopics.com/survival/how-long-can-you-survive-without-water/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ram_Bahadur_Bomjon
http://www.paldendorje.com/
http://www.newkerala.com/news2.php?action=fullnews&id=25558
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/4824530.stm
http://news.yahoo.com/s/nm/20061225/od_uk_nm/oukoe_uk_nepal_boy
http://news.yahoo.com/s/nm/20061225/wl_nm/nepal_boy_dc_1
http://news.bbc.co.uk/2/hi/south_asia/6209613.stm
http://www.atimes.com/atimes/South_Asia/JK15Df04.html
http://www.discoverychannel.com.au/ontv/boy_with_divine_powers/index.shtml
http://www.reuters.com/article/worldNews/idUSTRE4AA0XP20081111
http://www.gulfnews.com/world/Nepal/10258766.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Ram_Bahadur_Bomjon

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Serenos Sobressaltos – "Basta pôr fim às visões falsas"

“Não é necessário procurar a verdade. Basta pôr fim às visões falsas”

– Sin-sin-ming, 3º Patriarca do Ch’an.

Que serão as “visões falsas”? Diria: as visões.

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Continua a repressão chinesa no Tibete

Forças de ocupação chineses em patrulha no Tibete em http://i.dailymail.co.uk

Forças de ocupação chineses em patrulha no Tibete em http://i.dailymail.co.uk

Continua a revolta tibetana… Em começos de março, a polícia do ocupante chinês dispersou à bastonada uma manifestação de monges tibetanos, detendo alguns deles. Os acontecimentos terão tido lugar na cidade de Rabgya e no mesmo dia em que se comemorava a data de 10 de março, o dia em que o Dalai Lama deixava o Tibete. As fontes noticiosas chinesas – internacionalmente conhecidas pela sua isenção – afirmam que os monges assaltaram uma esquadra, atacando e ferindo os polícias. A imprensa chinesa admite contudo que o ataque aconteceu depois de um tibetano ter sido detido por ter defendido em público a independência do Tibete e pouco depois, ter desaparecido no opaco sistema prisional chinês.

A policia chinesa diz que o detido “fugiu da esquadra”, e que não era um monge, ao contrario do que alegam fontes tibetanas. Toda esta opacidade resulta também da proibição imposta por Pequim da entrada de jornalistas estrangeiros (ou seja, que possam publicar em jornais não-censurados) e só demonstram que o regime colonial chinês tem algo a esconder quanto à forma como administra o território desde 1959, já que quem não deve… Não teme!

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1370331

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Campanha de apoio à UBP para a mudança de instalações

“Desde 1997, a União Budista Portuguesa, federação das principais escolas budistas existentes em Portugal, tem assegurado a representação oficial do Budismo junto do Estado, das instituições nacionais e dos órgãos de comunicação social, mantendo uma intensa actividade: organização ou apoio à organização de ensinamentos de mestres autênticos, como S. S. o Dalai Lama; divulgação do Budismo através de cursos, conferências, seminários, filmes e traduções; yoga, meditação e outras actividades benéficas para o corpo e a mente; diálogo inter-religioso; participação em acções caridosas e de solidariedade a respeito de seres humanos e animais.

Durante todo este tempo beneficiámos da oferta do espaço da nossa sede em Lisboa, na Calçada da Ajuda, o que nos permitiu disponibilizá-lo, também gratuitamente, para muitos ensinamentos e manter um preço muito acessível nas demais actividades. Por vários motivos, entre os quais a necessidade de irmos para um espaço mais central em Lisboa, que nos permita corresponder ao número crescente de pessoas que nos procura, precisamos de mudar muito em breve de instalações e passaremos a ter o desafio de pagar uma renda mensal de 1150 euros.

A fim de podermos atingir esse objectivo, mantendo os preços acessíveis que temos praticado, vimos solicitar a ajuda de todos os que estão na via do Buda ou reconhecem a importância e o benefício das nossas actividades.

Propomos assim que se torne Amigo da U.B.P., mediante uma contribuição mensal, por transferência bancária, de 5, 10 ou mais euros, consoante as suas possibilidades, o que será um contributo directo para a manutenção de actividades que visam exclusivamente o bem de todos os seres, com todos os benefícios daí decorrentes para quem dá e quem recebe. Este contributo dará direito a um desconto de 10% nas nossas actividades.

Agradecemos que divulguem esta campanha o mais possível.

Pela Direcção

Paulo Borges

Amigo da U.B.P.:
Para tal faça o seu donativo através do NIB 0010 0000 82682380001 73 junto de qualquer agência do BPI, por multibanco ou preferencialmente por transferência bancária. Agradecemos que nos envie um mail se fizer um donativo por multibanco, ou através de uma agência do BPI.

Sócio da U.B.P.:
Por €30,00 anuais, torne-se sócio da UBP.   Preencha a ficha em:

http://www.uniaobudista.pt/uniao.php?show=filiacao

Pagamento das quotas através  do NIB 0010 0000 82682380001 73 (BPI) junto de qualquer  agência do BPI, por multibanco, ou por transferência bancária. Agradecemos que nos envie um mail se fizer um donativo por multibanco, ou através de uma agência do BPI.

Outras referências:
Local: União Budista Portuguesa, Calçada da Ajuda, 246, 1.º dt.º, Lisboa
Contacto: 21 3634363 (das 18h-21h);
Email: sede@uniaobudista.pt

Ao entregar o seu IRS..não se esqueça..!
Portugal
por sócios e simpatizantes

A União Budista Portuguesa tem o N.º de CONTRIBUINTE 592003264 (Idenficação fiscal) e caracteriza-se juridicamente como PESSOA COLECTIVA RELIGIOSA
Em sede de IRS não se esqueça do DONATIVO (0,5%) a nosso favor:
Todos os contribuintes podem, na sua declaração de IRS, fazer um donativo de 0,5% do valor do imposto liquidado nos termos do Nº6 do Artigo 32º da lei 16/2001, de 22 de Junho.
Na declaração do IRS coloque o nosso NIF… no anexo H-quadro 9- campo 901


Que pelos méritos que nos valem a generosidade  e as outras paramitas
Alcancemos a Budeidade para o bem dos seres vivos!

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Considerações politicamente incorrectas de um mestre budista

Durante a batalha em Bodh Gaya, Mara [o símbolo da ilusão e da negatividade]manifestou múltiplas armas contra Siddhartha. Tinha, em particular, uma colecção de flechas especiais. Cada flecha possuía poderes ruinosos: a flecha que causa desejo, a flecha que causa obtusidade mental, a flecha que causa orgulho, a flecha que causa conflito, a flecha que causa arrogância, a flecha que causa obsessão cega e a flecha que causa a ausência de consciência, para nomear algumas. Nos sutras budistas lemos que Mara permanece sem ser derrotado em cada um de nós: ele envia-nos constantemente as suas flechas envenenadas. Quando somos atingidos pelas flechas de Mara, tornamo-nos inicialmente entorpecidos, mas o veneno espalha-se então por todo o nosso ser, destruindo-nos lentamente. Quando perdemos a consciência e nos apegamos ao eu, é o veneno entorpecedor de Mara. Lenta, seguramente, seguem-se as emoções destruidoras, vertendo-se no nosso ser.
Quando atingidos pela flecha do desejo, todo o nosso senso comum, sobriedade e sanidade saem pela janela, enquanto a falsa dignidade, a decadência e a imoralidade escorrem para dentro. Envenenados, nada nos detém para obter o que queremos. Alguém ferido pela paixão pode até achar sexy uma prostituta-hipopótamo, enquanto uma bela rapariga o espera em casa. Tal como mariposas atraídas pela chama e peixes por iscas em anzóis, muitos nesta terra foram apanhados numa armadilha pelo seu desejo de comida, fama, louvor, dinheiro, beleza e veneração.
A paixão pode também manifestar-se como concupiscência pelo poder. Tomados por uma tal paixão, os líderes são completamente indiferentes a como a sua ânsia de poder destrói o planeta. Se não fosse a cobiça de riqueza de algumas pessoas, as auto-estradas estariam cheias de carros movidos pelo sol e ninguém morreria de fome. Tais progressos são tecnológica e fisicamente possíveis, mas aparentemente não são emocionalmente possíveis. E entretanto murmuramos acerca da injustiça e censuramos pessoas como George W. Bush. Atingidos nós próprios pelas flechas da ganância, não vemos que é o nosso próprio desejo – ter comodidades como aparelhos electrónicos de importação barata e luxos como Humvees – que na realidade sustenta as guerras que estão a devastar o mundo. Todos os dias, durante a hora de ponta em Los Angeles, a via reservada aos veículos com duas ou mais pessoas está vazia enquanto milhares de carros atravancam o resto da estrada, cada um com apenas um ocupante. Mesmo aqueles que desfilam nos protestos “Não ao Sangue por Petróleo” contam com o petróleo para importar os kiwis para os seus batidos.
As flechas de Mara criam um conflito infindável. Ao longo da história, figuras religiosas, aquelas que supostamente estão acima do desejo, os nossos modelos de integridade e correcção, mostraram estar igualmente esfomeadas de poder. Manipulam os seus seguidores com ameaças de inferno e promessas de céu. Vemos hoje políticos a manipular eleições e campanhas ao ponto de não terem escrúpulos de bombardear um país inocente com mísseis Tomahawk se isso inclinar a opinião pública a seu favor. Quem se importa que ganhemos a guerra desde que ganhemos a eleição? Outros políticos ostentam hipocritamente religiosidade, fazem-se alvejar a si mesmos, manufacturam heróis e encenam catástrofes, tudo para satisfazer o seu desejo de poder.
Quando o eu está inchado de orgulho, manifesta-se de modos incontáveis: estreiteza de espírito, racismo, fragilidade, medo de rejeição, medo de ser ferido, insensibilidade, para nomear uns poucos. Por orgulho masculino, os homens sufocaram a energia e as contribuições de cerca de metade da raça humana: as mulheres. Durante o namoro, cada um dos lados deixa o orgulho atravessar-se no caminho, avaliando constantemente se a outra pessoa é suficiente boa para eles ou se eles são suficientemente bons para a outra pessoa. Famílias orgulhosas gastam fortunas numa cerimónia de casamento de um dia para um matrimónio que pode ou não durar, enquanto no mesmo dia, na mesma povoação, as pessoas morrem de fome. Um turista faz alarde de dar uma gorjeta de dez dólares ao porteiro por empurrar uma porta giratória e no minuto seguinte regateia uma T-shirt de cinco dólares a uma vendedora que tenta sustentar o seu bebé e família.
O orgulho e a piedade estão intimamente relacionados. Crer que a nossa vida é mais dura e triste do que a de todos é pura e simplesmente uma manifestação de apego ao eu. Quando o eu desenvolve auto-piedade, elimina qualquer espaço que os outros possam ter para se sentir compassivo em relação a eles. Neste mundo imperfeito tantas pessoas sofreram e sofrem ainda, mas o sofrimento de algumas pessoas foi categorizado como um sofrimento mais “especial”. Se bem que não estejam disponíveis estatísticas reais, parece seguro dizer que o número de nativos americanos chacinados quando os europeus colonizaram a América do Norte é pelo menos igual ao de outros genocídios reconhecidos. E todavia não existe nenhum termo largamente usado – tal como anti-semitismo ou o Holocausto – para esta chacina inconcebível.
Os assassínios em massa levados a cabo por Estaline e Mao Tse-tung também não possuem etiquetas reconhecidas, nem são objecto de museus prestigiados, acções judiciais por retaliação e infindáveis documentários e filmes de longa-metragem. Os muçulmanos clamam serem perseguidos, esquecendo a destruição a que deram curso os seus antepassados mogols, quando conquistaram vastas partes da Ásia como missionários. É ainda visível a evidência da sua devastação: as escalavradas ruínas de monumentos e templos outrora criados por amor a um diferente deus.
Existe também o orgulho de pertencer a uma certa escola de pensamento ou religião. Cristãos, judeus e muçulmanos crêem todos no mesmo Deus e num sentido são irmãos. Contudo, por causa do orgulho de cada uma destas religiões e por pensarem que estão “certas”, a religião causou mais mortes do que as duas guerras mundiais reunidas.
O racismo pinga da flecha envenenada do orgulho. Muitos asiáticos e africanos acusam os brancos ocidentais de serem racistas, mas o racismo é também uma instituição na Ásia. Pelo menos no Ocidente existem leis contra o racismo e ele é publicamente condenado. Uma rapariga de Singapura não pode trazer o seu marido belga para casa para conhecer a família. As etnias chinesas e indianas na Malásia não podem ter o estatuto de bhumiputra [filho da terra], mesmo após muitas gerações. Muitos coreanos de segunda geração no Japão não estão ainda naturalizados. Se bem que muitas pessoas brancas adoptem crianças de cor, é improvável que uma abastada família asiática adopte uma criança branca. Muitos asiáticos acham detestável tal mistura cultural e racial. Perguntamo-nos como se sentiriam os asiáticos se as posições estivessem invertidas: se as pessoas brancas tivessem de emigrar aos milhões para a China, Coreia, Japão, Malásia, Arábia Saudita e Índia. O que aconteceria se estabelecessem as suas próprias comunidades, ficassem com empregos locais, importassem noivas, falassem durante gerações a sua própria língua, recusando-se a falar a língua da nação anfitriã e, além disso, sustentassem o extremismo religioso no seu país de origem ?
A inveja é outra das setas de Mara. É uma das emoções do grande perdedor. Manifesta-se irracionalmente e engendra histórias fantásticas para nos distrair. Pode ferir subitamente nos momentos mais inesperados, porventura mesmo enquanto nos deleitamos com uma sinfonia. Mesmo que não tenhamos a intenção de nos tornarmos um violoncelista, e que não tenhamos jamais tocado sequer um violoncelo, podemos tornar-nos ciumentos de uma inocente tocadora de violoncelo que nunca encontrámos sequer. O simples facto de ela ser talentosa é suficiente para envenenar a nossa mente.
Grande parte do mundo tem ciúmes dos Estados Unidos. Muitos dos fanáticos políticos e religiosos que ridicularizam e criticam os Estados Unidos, chamando aos americanos “satânicos” e “imperialistas”, colocar-se-iam de pernas para o ar para obter o cartão verde do título de estadia, se já não o têm. Por pura inveja, a sociedade – frequentemente conduzida pelos media – quase sempre faz tombar alguém ou algo que experimente o sucesso, seja financeiro, físico ou intelectual. Alguns jornalistas pretendem defender os fracos e os oprimidos, mas frequentemente receiam mostrar que alguns “oprimidos” são realmente fanáticos. Estes jornalistas recusam-se a expor qualquer dos seus delitos e os poucos que falam com franqueza correm o risco de ser estigmatizados como extremistas.
Devido ao desejo egoísta de Mara ter mais discípulos, ele prega com esperteza a liberdade, mas, se alguém exerce realmente a liberdade, Mara não gosta necessariamente disso. Fundamentalmente gostamos de ter liberdade apenas para nós mesmos, mas não para os outros. Não é de admirar que, se nós ou alguém exercemos realmente todas as nossas liberdades, não sejamos convidados para todas as festas. Esta assim chamada liberdade e democracia é apenas outro instrumento de controle de Mara.

Dzongsar Jamyang Khyentse, O que não faz de ti um budista, tradução de Paulo Borges, Lisboa, Lua de Papel, 2009 [no prelo].

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Sobre a declaração de voto do PCP a propósito do Tibete

Bernardino Soares
A declaração de voto do PCP na Assembleia da República é um verdadeiro primor de demagogia, inconsistências internas e deveria ser para todo o sempre afixada nos anais da infâmia de modo a servir de exemplo para as gerações futuras.

Intitulada:
“Tibete: Declaração de voto do PCP na AR”
Quinta, 27 Março 2008″

A peça é da autoria do deputado Bernardino Soares e pretende dar expressão à Teoria da Conspiração segundo a qual a revolta popular no Tibete não é espontânea, mas o fruto de uma elaborada conspiração elaborada por esse arqui-vilão maquiavélico e imensamente cerebral que é o Dalai Lama. Por estranha e rara coincidência a posição pública do PCP coincide com a do Politburo do Comité Central do Partido Comunista chinês. Coincidências.

No essencial, o PCP acredita que tudo não passa de “uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim“. Ora, se o é, então é uma “operação” que começou em 1959 com a invasão do exército Vermelho…

Eis a dita declaração, comentada ponto a ponto:

“Senhor Presidente,
Senhores Deputados,”

“O voto apresentado sobre acontecimentos no Tibete, traz considerações das quais discordamos, assentando em pressupostos que, reproduzindo mensagens difundidas internacionalmente (incluindo imagens de acontecimentos de fora da China apresentadas como tendo aí ocorrido), não correspondem com rigor à realidade.”

Bernardino Soares (BS) refere-se às imagens de manifestações na Índia e no Nepal onde os exilados tibetanos têm sido severamente reprimidos (especialmente no Nepal). Temos seguido essas notícias e não me recordo de ter visto em nenhum canal de televisão essa confusão. É certo que como a China fechou a fronteira tibetana e não há agora jornalistas estrangeiros a trabalhar no Tibete ocupado, as imagens da revolta escasseiam e as agências internacionais apresentam aquilo que conseguem captar, que são imagens de manifestações fora do Tibete. Talvez se não houvesse Censura na China, BS se pudesse queixar menos de imagens de manifestações captadas apenas fora do Tibete… Mas as poucas imagens que conseguem passar o bloqueio da censura chinesa dão boa mostra da violência e intensidade da repressão chinesa. Imagens captadas por telemóveis com câmara, principalmente, uma razão que explica porque é que aliás, os paramilitares estão a revistar mosteiros budistas em busca de imagens do Dalai Lama e de… telemóveis para confiscar. Este é o modelo de sociedade que o PCP defende para Portugal? Um Estado que confisca telemóveis?

“Não está em causa a manifestação de pesar do PCP em relação às vítimas, o seu desejo de que os conflitos tenham uma resolução rápida e pacífica, bem como os seus princípios de defesa da democracia e dos direitos humanos.”

Efectivamente não está. Não há memória de o PCP ter alguma vez defendido a Democracia e os Direitos Humanos no Tibete ou na China. Bem, pelo contrário, sempre que a questão do Tibete se torna mais aguda, o PCP lá vem fazer o frete pelos seus amigos chineses e defender a “Causa” da ocupação imperial Han no Tibete. Ainda recentemente, aquando da visita a Portugal do Dalai Lama, Jerónimo de Sousa tornou a bater-se pela sua garbosa causa da Defesa de um dos regimes mais tirânicos e opressivos do mundo:As instituições devem respeitar, no quadro do direito internacional, as relações diplomáticas com outros países e, nesse sentido, não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com certos países e depois procurar contrariar essa perspectiva justa do prestígio das instituições com uma visita de circunstância“, ou seja, não importa que a China tenha invadido o Tibete em 1959 e que desde então tenha executado uma severa política de repressão e de genocídio étnico (pela via da colonização e da esterilização forçada). Ou será que esse “Direito Internacional” também inclui a ocupação militar de um país vizinho? E a repressão tirânica e violenta – até à extinção – de todo um povo? Então, em nome das sacrossantas “relações diplomáticas” com a Indonésia também devíamos ter deixado os timorenses entregues a si próprios? Ou… Espera. Esse caso era diferente. Não havia nenhum PC no poder na Indonésia na altura. A isto chamo eu dualidade de critérios…

O que está em causa de forma cada vez mais clara, é estar em curso uma grande operação contra os Jogos Olímpicos de Pequim, real mola por detrás de uma escalada de provocação e de muitas das falsas indignações a que vamos assistindo na cena política internacional.”

Pois claro. O próprio Dalai Lama tem-se esgotado em declarações públicas a favor da realização dos Jogos Olímpicos de Berlim (perdão, Pequim, não sei porque estou sempre a fazer esta confusão) e estas manifestações surgiram de uma forma espontânea, desorganizada e sem coordenação a partier do governo no exílio, que aliás tem mantido a linha oficial de as criticar e de repudiar tudo o que é expressão violenta contra o opressor chinês.

“É curioso aliás que continue a falar-se do Tibete como território ocupado pela China quando nem as potências que instigam e apoiam movimentos de orientação separatista que estão na origem das acções violentas, de que até o Dalai-Lama já se demarcou, põem em causa a integridade do território da República Popular da China, incluindo o Tibete como Região Autónoma.”

É curioso, pois, BS. É curioso que a China nem procure sequer o diálogo com o Dalai Lama e o insista em designar de “fantoche religioso”, o que é aliás uma atitude muito diplomática e nada arrogante para abrir negociações…. O Tibete foi um país independente durante a maior parte da sua história, até à invasão chinesa de 1950 (vivendo em relativa liberdade autonómica até à ocupação de 1959). E BS deve actualizar-se… O Dalai Lama e o governo tibetano no exílio não defende a “separação” da China, apenas um grau de autonomia que preserver a tradição, a cultura e a religião tibetanas numa região que tem muito pouco de “autónoma” e que é governada com mão-de-ferro por governadores enviados directamente de Berlim (perdão, Pequim).

“Isso vem aliás acompanhado em geral de uma sistemática deturpação dos acontecimentos históricos. Seria preciso lembrar, para reintroduzir algum rigor, que desde o século XIII que o Tibete está unido, com diversos graus de autonomia à China, e que no início do século XX a região foi invadida pela Grã-Bretanha a partir da Índia. Seria até preciso lembrar que, à época da revolução popular chinesa, em 1949, vigorava no Tibete um regime feudal onde a maioria da população era constituída por servos e escravos, com uma forte concentração da terra e dos meios de subsistência, ou que o actual Dalai-Lama, antes de se assumir como dirigente do chamado governo no exílio, integrou ele próprio a 1ª Assembleia Nacional Popular da China que elaborou a constituição chinesa.”

Falso. A menos que para o PCP os imperadores mongóis que conquistaram no século XIII a Ásia e entre ela a própria China e o Tibete, fossem chineses… E se depois houve vários graus de autonomia no Tibete, mas sempre mantendo a independência do governo local ainda que com tropas chinesas, após a invasão anglo-indiana de 1906, o Tratado sino-britânico de 1906 estipulava que “o Governo da Grã Bretanha compromete-se a não anexar o território tibetano nem interferir com a administração do Tibete. O governo da China também se compromete a não permitir que nenhum outros Estado estrangeiro possa interferir com o território ou com a administração interna do Tibete.” De qualquer forma, o tal “regime feudal” que efectivamente vigorava então não é hoje o defendido pelo governo tibetano no exílio e dizer tal coisa é a mesma coisa que dizer que a Rússia comunista também defendia um regime feudal porque este era o vigente ao tempo da queda do Czar…

“Neste processo invocam-se e inventam-se argumentos para justificar actuais e futuras linhas de confronto e de afronta ao direito internacional com origem nos mesmos de sempre, aqueles que já há cinco anos não se coibiram de também inventar a existência de armas de destruição em massa, como suporte de uma guerra que destruiu o Iraque e impôs incontáveis sacrifícios ao seu povo.

Portanto, segundo esta teses a presença de 8 milhões de chineses Han no Tibete (contra 7,5 milhões de tibetanos), a repressão cuja memória está ainda tão viva no contexto destes incidentes recentes e que têm resistido a todas as pressões e ao reforço massiço de contingentes militares, assim como o genocídio cultural e religioso de todo um povo são “maquinações dos EUA”?

“É por isso que assume especial importância neste caso o respeito pelo direito internacional, tantas vezes violado para dar lugar a acções de ingerência directa ou indirecta procurando impor interesses estratégicos e económicos.”

E porque não tem manifestado de forma tão veemente o PCP a propósito da repressão e aos massacres no Darfur e à repressão da revolta popular na Birmânia? Será porque esses dois países estão na esfera dos “interesses estratégicos e económicos” de Pequim?

“É por tudo isto que não votamos o voto apresentado.”

Por tudo isso e porque o PCP ainda continua a acreditar que o modelo de sociedade que defende tem sempre que ter um “exemplo prático” algures. Antes era a Rússia estalinista, depois a de Gorbachov… Agora a China comunista. Se ela caísse, onde encontraria o seu modelo de “paraíso na Terra”?

Fonte:
PCP

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Jerónimo de Sousa e a Revolta no Tibete: Contradições e Interrogações


(http://wehavekaosinthegarden.blogspot.com)

Dizem-me que existe tamanha anomalia como ser budista e comunista e eu pasmo. Pasmo porque ouvindo as declarações do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, tal monstruosidade não parece possível. Como pode um militante do PCP, doutrinado e seguindo sempre fiel e fervorosamente a bitola compassada emanada a partir do Comité Central divergir do pensamento de grupo e acreditar que os presentes acontecimentos no Tibete não emanam directamente de ordens elaboradas, de um plano maquiavélico e calculista definido em Dharamsala, pelo governo tibetano no exílio?

Não que este tipo de declarações sejam uma novidade por parte do PCP ou dos seus dirigentes… Durante décadas os partidos comunistas mais ou menos estalinistas elegeram países “comunistas” como sociedades-modelo, e quando estes tombaram um após outro, depois do colapso da URSS, partidos mais ortodoxos como o “nosso” PCP ficaram reduzidos a admirar os dúbios modelos sociais das autocracias norte-coreanas e do imperialismo chinês. Agora, confrontados com uma revolta popular generalizada no Tibete contra a ocupação chinesa (Han) e contra uma colonização demográfica, cultural e religiosa galopante, nada mais resta aos dirigentes do PCP (e aos seus fiéis e acefalizados militantes) do que repetir o Dogma sagrado da defesa dos interesses do regime “comunista” chinês e alegar que a revolta dos tibetanos nada mais é do que uma tentativa de “comprometer” a realização dos Jogos Olímpicos em Pequim.

Para o ortodoxo Jerónimo de Sousa, a revolta tibetana (mais uma entre centenas, raramente noticiadas, desde 1959) é uma “tentativa política de comprometer os Jogos”. Como “política” refere-se a que a revolta não brota dos sentimentos e frustações de um povo tornado em minoria étnica dentro do seu próprio país, mas como uma orquestração calculada “politicamente” para alcançar determinados fins que seriam os de abalar o prestígio internacional desse autêntico portento dos direitos humanos, da democracia, da liberdade de imprensa e de expressão, esse país que não auxilia economicamente nem militarmente nenhuma ditadura ou regime tirânico como o de Burma ou do Sudão, que é a… China.

O mais curioso é que Jerónimo de Sousa emitiu estas declarações precisamente na inauguração de uma exposição sobre a invasão americana do Iraque. Estupidamente, anulou com elas, qualquer efeito que a mesma pudesse ter, já que a absurdidade e acefalia das mesmas fez esquecer qualquer efeito da exposição. E expondo algumas das numerosas contradições comunistas, segundo as quais há “invasões boas” e “iinvasões más”. Ou seja, a invasão chinesa do Tibete foi “boa” (para o PCP) e a invasão americana do Iraque foi “má” (para o PCP), quando de facto, qualquer invasão é má, porque viola o Direito Internacional (que contraditoriamente o PCP também defende no Kosovo) e os direitos nacionais dos povos invadidos.

Jerónimo afirmou ainda que era preciso “não haver precipitação no julgamento dos factos”, não sem antes se ter precipitado a concluir que “se tratava de uma manobra política para prejudicar os Jogos”. Ou seja, para além de “invasões boas” e de “invasões más”, também há “precipitações boas” e “precipitações más”, no entender do Secretágio-Geral…

Não satisfeito, Jerónimo continuo o voo a pique nas suas declarações… Falou de “notícias contraditórias” aludindo provavelmente aquelas oriundas dos media estatais e censurados chineses (entre os quais os “jornais tibetanos” e as “televisões tibetanas” da RTP e da SIC que de facto não passam de instrumentos do ocupante chinês no Tibete) e referindo ainda o hipotético “respeito pelo Direito Internacional”, comparando o incomparável, ou seja a declaração de indepêndencia do narco-estado kosovariano com um Estado que era independente quando a China o invadiu em 1959. Aqui, de novo, há o “respeito bom” e o “respeito mau” ao Direito Internacional, aparentemente…

E prosseguindo a estratégia de voo picado a-la-Stuka, Jerónimo concluiu declarando que o “Dalai Lama já não defende os protestos”, como se alguma vez SS o Dalai Lama, tivesse defendido protestos violentos nalgum lado ou Tibete, em particular e como se… Jerónimo de Sousa fosse agora o porta-voz do governo tibetano no exílio.

Fonte:
Público

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Mortos, feridos e violência em Lhasa, a capital tibetana sob ocupação chinesa

Testemunhas no local relatam que vários locais da capital tibetana, Lhasa, estão em chamas. Existem também relatos não confirmados que dão o templo Jokhang, um dos locais mais sagrados para o budismo tibetano como estando em chamas. Tiroteios nas ruas, militares e polícias do ocupante chinês a disparar sobre manifestantes e monges nas ruas da capital, mas também mosteiros nas zonas rurais e em pequenas cidades desse país da Ásia Central ocupado militarmente pela China desde 1949.


A própria agência noticiosa chinesa Xinhua (severamente censurada, como todos os media na China) admite que a violência alastra pelas ruas de Lhasa e que existem vários feridos hospitalizados e pelo menos cem mortos pela polícia na capital, um número que seria ainda maior, segundo outras fontes. De facto, os confrontos na cidade decorrem já há três dias e a capital tibetana foi cercada por milhares de polícias e militares chineses na tentativa de conter esta contestação e de reduzir o número de notícias sobre a mesma nas vésperas da realização dos Jogos Olímpicos.


A polícia e os militares chineses estão a fazer revistas a mosteiros, a deter monjes indiscriminadamente, emulando idênticas atitudes dos seus aliados da ditadura birmanesa de à meses atrás e, como eles, a usar munições reais e gás lacrimogénio contra manifestantes pacíficos e a provocar entre estes mortos e feridos. Esta onde de protestos aparenta ser espontânea e escalou hoje depois de vários mosteiros terem sido encerrados e cercados pela polícia chinesa e militares. Recordemo-nos de que a China mantêm desde à longos anos uma política de colonização massiva com a chegada de colonos do interior da China ao Tibete e que essa política, para além de uma política de esterilização, repressão política e cultural tem conseguido tornar os tibetanos uma minoria étnica no seu próprio país…

Assine ESTA petição, já com mais 1646 assinaturas, para que os nossos dormentes deputados exprimam na Assembleia a sua posição contra estas violências, assassinatos e esta continuada prepotência e arrogância por parte do invasor chinês!
E…

Bombardeie a caixa de correio da repressora China com mensagens reclamando contra esta continuada opressão e contra a violência e os assassinatos registados nos últimos dias:


chinaemb_pt@mfa.gov.cn

Fontes principais:
http://www.voanews.com/english/2008-03-14-voa7.cfm
http://www.studentsforafreetibet.org/article.php?id=1268

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MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE

No próximo dia 10 de Março, aniversário da revolta do povo tibetano, em 1959, contra a ocupação e repressão chinesa, serão realizadas marchas pacíficas e acções de protesto em todo o mundo, exigindo o respeito pelos direitos humanos no Tibete, o reconhecimento do direito do povo tibetano à autonomia, a libertação dos presos políticos por parte da China, país que procede a um genocídio étnico e cultural no Tibete e que viola brutalmente os mais elementares direitos de homens e animais.
Estas acções acontecem também no dia em que começará a marcha pacífica de regresso de muitos tibetanos ao Tibete, a partir de Dharamsala, na Índia, inspirada na Marcha do Sal promovida por Gandhi. Estas acções não são contra o povo chinês, mas apenas contra a política do actual governo chinês, que oprime o seu próprio povo e não está à altura da sua grande tradição cultural, onde avultam os valores da milenar sabedoria confucionista, taoista e budista.
Cabe aos portugueses, com uma tradição de humanismo universalista, que tanto se mobilizaram por Timor e que recentemente tão bem receberam Sua Santidade o Dalai Lama, não permanecerem indiferentes a esta nem a nenhuma forma de opressão existente no mundo.
Vimos por isso convidar todos a aderirem à MARCHA A FAVOR DO RESPEITO PELOS DIREITOS HUMANOS NO TIBETE que se realizará no dia 10 DE MARÇO, 2ª feira,:
Em Lisboa: com concentração no Rossio junto à estátua, pelas 18.30, de onde seguirá para o Largo de Camões e de seguida para o Cais do Sodré.
No Porto: concentração nos Leões pelas 18h30, seguindo pela Avenida dos Aliados, Santa Catarina até à Praça da Batalha.
Em Aveiro: Conferência de Imprensa da União Budista Portuguesa (Delegação de Aveiro) e da Amnistia Internacional, pelas 18.30, no Hotel Imperial, sobre a situação de violação dos Direitos Humanos no Tibete.
No Funchal: concentração no Parque de Santa Catarina, pelas 18h30.
Convidamos também todas as associações cívicas e humanitárias a aderirem a esta manifestação.
CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA ! DIVULGUE ESTA INICIATIVA !
Não permaneça cúmplice, pela indiferença e pela abstenção, desta e de outras injustiças que há no mundo
Encontra-se disponível em
Petição a favor da aprovação pela Assembleia da República de uma moção que condene a violação dos Direitos Humanos e da Liberdade Política e Religiosa no Tibete.
ORGANIZAÇÃO:
União Budista Portuguesa Tel: 21 363 43 63 (www.uniaobudista.pt)
Songtsen – Casa da Cultura do Tibete Tel: 21 390 40 22 (www.casadaculturadotibete.org)

CONTACTO (Media):
Tm: 91 811 30 21
APOIO:
Amnistia Internacional
Associação Agostinho da Silva


Songtsen – Casa da Cultura do Tibete
Avenida Infante Santo, Nº366, RC Esqº
1350-182 Lisboa
www.casadaculturadotibete.org
Info@casadaculturadotibete.org

Projecto Siddhartha- Apoio à população dos Himalayas
projectosiddhartha@casadaculturadotibete.org

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Um cão chamado “Buda”


( A Roda do Samsara: http://www.quietmountain.org)

 

No meu prédio um vizinho tem um cão que descobri responder pelo nome “Buda”. A coisa em si pode não ser muito significativa e ignoro se tem efectivamente algum significado para quem baptizou o animal ou não… Mas contudo o nome do animal não está errado. Bem pelo contrário. No budismo diz-se que todos os seres humanos que vivem actualmente já foram nossas mães, isto é, como existiram antes de nós Universos infinitos (a cosmologia budista acredita na existência de ciclos infinitos de Big Bang-Big Crunch como alguns cosmologistas actuais) todos os seres actualmente encorporados já foram nossas mães… Já que falamos de ciclos infinitos e consequentemente as possibilidades de todos já terem reencarnado nesse corpo que temos à nossa frente são de… Um para Um.

 

Logo… Este cão (já que a sua alma já reencarnou infinitas vezes) já antes a nossa mãe numa vida passada.

 

Mas não Buda (o Sidharta Gautame histórico), já que o seu Atman ascendeu ao Nirvana e saiu do ciclo de reencarnações conhecido como Samsara…

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A empresa israelita Elbit vai equipar os novos EADS C-295 da FAP


EADS C-295 (http://www.defenseindustrydaily.com)

A empresa israelita Elbit Elisra Group ganhou o concurso de fornecimento de “Radar Warning Receivers” (RWR) para os 12 EADS C-295 que irão equipa a FAP substituindo os vetustos Aviocar da CASA nos próximos anos. Três do C-295 serão equipados com um kit completo de defesa electrónica enquanto que os restantes nove receberão apenas a infraestrura montada de forma a poderem receber esse sistema numa fase posterior (isto é, quando houver orçamento…)

Fonte: DefenseIndustryDaily

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Mais detalhes do novo projecto da Embraer: O EMB C-390

Embraer C390
(EMB C-390) Obrigado ao Ultramar pela imagem!

A Embraer divulgou mais informações sobre o seu projecto de um avião militar de transporte que referimos AQUI.

O anúncio da Embraer ocorreu na feira de defesa “Latin America Aero e Defence” (LADD) realizada no Rio de Janeiro e consiste no reconhecimento de que existe um estudo da construtora brasileira para a criação de um aparelho, designado de C-390. O avião poderia transportar até 19 toneladas de carga e uma rampa traseira para blindados e desembarque rápido de tropas. Como expõe a imagem digital, o avião poderia receber abastecimento em vôo e a Embraer antevê mesmo uma versão reabastecedora em vôo.

O C-390 deverá ser uma variação do EMB 170/190 e pretende concorrer directamente no segmento dos operadores do popular Lockheed C-130 “Hercules”, uma lista que ascende a 68 países (ver AQUI). A Embraer coloca este aparelho não entre os C-27 Spartan e o C-130J, como indicavam anteriores rumores, mas como um concorrente directo do próprio C-140Jm o sucesso do C-130H “Hercules”. Provavelmente, esta subida de patamar na ambição da empresa brasileira resulta da crescente insatisfação de muitos operadores do novo C-130J e das próprias reservas em relação ao aparelho manifestadas por membros do Governo e da USAF americanas… Sinais desta nova ambição são as intenções de construir um avião com autonomia e velocidades superiore, vantagens que resultam do uso de motores a jacto e não a hélice, como no C-130J, ficando-lhe apenas atrás no que respeita à capacidade de carga, que no C-130 ascende a 33 toneladas, contra apenas 19 no projecto da Embraer…

Tendo em conta a participação da Embraer nas OGMA (Oficinas Gerais de Manutenção Aeronáutica) e as necessidades de Portugal de um aparelho que venha substituir a nossa frota de C-130H, não seria do superior interesse estratégico e económico participar na construção e desenvolvimento de um aparelho militar daquela que já é hoje a quarta maior construtora aeronáutica do mundo?

Fonte: O Globo

 

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Da proposta da Embraer para um “EMB190 militarizado” e da substituição dos C130H da FAP


Embraer EMB190 (http://www.letectvi.cz)

A construtora aeronáutica brasileira Embraer prepara a construção de um avião de transporte militar que tenha características entre o C27J da construtora italiana Alenia e o C130J da americana Lockheed. O Director-geral da empresa brasileira Maurício Botelho afirmou recentemente, em Paris:

“Hoje existe um nicho de mercado entre o C27J e o Hércules C130”, e adiantou logo de seguida que a proposta da Embraer seria a construção de um aparelho mais próximo do C130 do que do C27J italiano.

O novo aparelho da Embraer poderia custar até 50 milhões de dólares, um preço relativamente baixo e justificado pelo factor do novo aparelho ser uma variante militar do bem sucedido EMB 190.

Embora o projecto esteja ainda na fase embrionária, além de ser um derivado do EMB190, e logo, um aparelho a reacção de asa alta que incluiria uma rampa traseira de acesso, uma capacidade total de carga de até 19 toneladas e poderia ser apenas uma primeira variante militarizada do EMB190, abrindo-se perspectivas para uma série de outras variantes, desde patrulha navais, reconhecimento e AWACs…

Numa época em que parece inevitável a substituição dos nossos velhínhos, mas muito fiáveis C130H Hercules e dos ainda mais idosos CASA Aviocar… Estes últimos serão substituídos por 7 C295 (versão táctica) e 5 C295 (versão vigilância marítima).

Quanto aos C130H, a voar em Portugal desde a década de 70 (ainda havia bandeiras portuguesas a flutuar no continente africano…) o governo anterior tinha abandonado a participação nacional do caríssimo A400M e substituindo este pela actualização do C130, de nome C130J. Aliás, o A400M era tão caro que se esperava substituir os 6 C130H da frota por apenas 3 A400M, o que significaria uma grande perda de capacidade de transporte.

Estes sinais, como a compra do C295 do consórcio europeu EADS e a entrada da construtora no capital da OGMA poderão fazer alterar a decisão pelos C130J… Especialmente agora que a RAF parece ter suspendido a compra de um segundo lote do aparelho americano e os EUA reduziram as encomendas… O aparelho da Lockheed parece sofrer de uma série de erros de concepção que prejudicaram a imagem de excelência do seu antecessor e que vão desde questões aerodinâmicas com o lançamento de paraquedistas até uma série de outros problemas que fizeram aumentar o coro de critícos ao aparelho nos EUA até níveis quase ensurdecedores (ver AQUI) salvando-se o programa apenas porque… “The Pentagon yesterday abandoned a plan to kill Lockheed Martin Corp.’s C-130J transport plane contract, after determining it would cost almost as much to cancel the program as to complete it.”… Será então este um aparelho à altura das necessidades da FAP? Parece que não… E sendo o A400M um aparelho de transporte reputadamente muito caro (mais de 111 milhões de euros por unidade, como se pode ver AQUI) então porque não levantar os olhos… Aproveitar a participação da Embraer nas nossas OGMA e procurar criar parcerias com o construtor brasileiro para adquirir e construir (ainda que parcialmente) esta novo modelo do EMB190 em Portugal?

Porque… Falta visão?

Fontes:

DefesaNet (1)

DefesaNet (2)

www.sfu.ca

Air Attack

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O Tribunal de Contas questiona o modelo financeiro de aquisição do novo equipamento para as Forças Armadas


Helicópteros EH101 (http://www.agustawestland.com)

Os contratos de fornecimento dos helicópteros EH101, dos aviões CASA C295 e dos Submarinos foram questionados pelo Tribunal de Contas alegando dúvidas sobre a “legalidade das montagens jurídico-financeiras utilizadas“. Os auditores questionaram sobretudo os prazos e as taxas de juros aplicadas nestas operações financeiras…

Guilherme de Oliveira Martins, o presidente do Tribunal, persiste na via de independência e isenção que o tem caracterizado e desmentindo sempre as acusações de parcialidade que o PSD fez chover sobre Oliveira Martins aquando da sua nomeação para o cargo…

Por outro lado, aumentam as dúvidas sobres estas “novas formas” de financiamento para a aquisição de equipamento militar… Leasing… Para armamento?… Sempre tive dúvidas sobre estas formas de adiar para as gerações futuras (e de hipotecar o seu futuro) o pagamento do equipamento de hoje… E no futuro? Como vão financiar os nossos filhos as suas forças armadas? Tornando a adiar tudo, de novo, para as Calendas Gregas?

Sempre acreditei que um país deve ter apenas as forças armadas que pode pagar. Nem mais, nem menos. Despesas como os Submarinos são um desperdício, especialmente, quando à superfície, Portugal se arrisca a contar daqui a 20 anos apenas com 3 fragatas Meko 200 e uns quantos “patrulhões”… É aqui, e tendo em conta a extensão e a riqueza da nossa ZEE que se deve investir, em novos meios navais, construídos em Portugal, corvetas e fragatas, com mão-de-obra e criando know-how nacional e capazes de assegurar a nossa Soberania no Mar e auxiliar os países da Lusofonia, sempre que estes requerem esta ajuda (como aconteceu recentemente na Guiné-Bissau com a “Vasco da Gama”).

Fonte: Correio da Manhã

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Segunda Visita do Dalai Lama a Lisboa

Entre 13 e 16 de Setembro de 2007, o Dalai Lama vai realizar a sua segunda visita a Lisboa a convite de várias instituições: Casa da Cultura do Tibete, Fundação Kangyur Rinpoche, União Budista Portuguesa, Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa e da Câmara Municipal de Lisboa.

Esta será a segunda visita do Dalai Lama a Portugal. Desta feita, a visita será mais prolongada que a anterior (onde tive o prazer de participar) e incluirá uma conferência pública de 3 dias sobre o tema “Desenvolver a Paz Interior” a partir da interpretação do texto Bodhicharyavatara, de Shantideva, um dos mais acessíveis e iluminados autores budistas da corrente Mahayana (Grande Veículo). Uma segunda conferência abordará o tema “O Poder do Bom Coração”.

Os ingressos para estas duas conferências estarão à venda no final de Março no site www.dalailamalisboa2007.com ou através do telefone 213 904 022 da “Comissão Dalai Lama Lisboa 2007”.

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O Tantrismo e o Sexo Tântrico: Formas de Iluminação no Budismo (3)

Como se escreve no Livro Tibetano dos Mortos (recentemente re-editado pela Esquilo), depois da morte do corpo físico, o corpo mental percorre o mundo intermédio (Bardo), designado nas fontes tibetanas como “Bardo-Thödol” onde lhe são oferecidas, uma após outras, diversas oportunidades de alcançar a libertação do Samsara (ciclo de Renascimentos). Depois de ter deixado escapar todas as janelas de oportunidade, o Corpo Mental (não confundir com Alma, conceito estranho ao Budismo), é levado pela sua carga kármica ao momento do renascimento seguinte. Se tiver a carga positiva suficiente, os seus progenitores serão humanos e o Corpo Mental observa os seus pais no momento da União Sexual e toma então lugar junto do Corpo Físico que daí adveio.>

A carga kármica existente no Corpo Mental nesse momento determina o sexo do novo Renascimento e no momento em que se consuma a união do Corpo Mental com o Corpo Físico, em plena união sexual dos pais, o próprio novo Ser Renascido experiencia ele/ela também um Estado alterado que as fontes designam como “beatitude inata”.

 

continua…

Para saber mais:

http://en.wikipedia.org/wiki/Tantra

http://en.wikipedia.org/wiki/Tibetan_Buddhism

http://en.wikipedia.org/wiki/Vajrayana

http://www.mahendranath.org/

http://www.sacred-texts.com/tantra/maha/

http://www.shivashakti.com/

http://www.aypsite.com/TantraDirectory.html

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“Dharamsala Wireless Mesh”: A rede Wireless do governo tibetano no exílio

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Estendendo-se ao longo da fronteira entre a Índia e o Tibete ocupado pela China está ser montada uma rede wireless por alguns reformados milionários de empresas .com e hackers do “Cult of the Dead Cow”. Usando material informático obsoleto noutros locais, estes hackers estão a auxiliar os exilados tibetanos a estabelecer uma rede sem fios capaz de oferecer serviços de dados e telefonia à comunidade tibetana no exílio. Designada como “Dharamsala Wireless Mesh” é descentralizada e mais rápida do que uma rede convencional por fios. Tentativas semelhantes para estabelecer redes comunitárias locais nos EUA foram travadas pelas empresas telefónicas americanas, só a Google é que conseguiu criar a sua rede WiFi e apenas em Mountain View na California… Estas barreiras não existem em Dharamsala, abrigo de cerca de sete mil refugiados tibetanos

Um dos maiores desafios que houve que vencer foi a feroz oposição dos… macacos locais. Segundo Ben-David, da organização: “os macacos estão em todo o lado. Frequentemente, vemos um enorme macaco, do tamanho de um gorila pendurado da antena, balouçando-se nela, comendo-a, tentando parti-la. Perdemos muitos cabos, mas agora usamos equipamento muito resistente de modo a que os macacos não o possam destruir.”

A rede está activa desde 2005, mas limitada ainda a escolas, escritórios governamentais e organizações não-lucrativas, devido ao baixo orçamento disponível. Contudo, e ironicamente, porque se trata de budistas de corrente tibetana… Houve necessidade de instalar um filtro anti-pornografia porque o acesso a sites pornográficos era tão frequente que estava a começar a “entupir” a rede…

Samdhong Rinpoche, o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, anunciou que o governo tibetano planeia lançar um canal de televisão de língua tibetana usando esta rede, acrescentado ainda, como monge que é: “Nada é independente. Tudo está relacionado e interdependente. Nós temos que nos conectar uns aos outros, e para nos conectarmos precisamos de comunicações. E para comunicarmos agora existem tremendas facilidades (através da tecnologia)… E isso é muito bom.” Samdhong traz sempre consigo mais de 300 volumes de textos religiosos em CD que seriam impossíveis de transportar em papel, muitos destes documentos foram salvos do Tibete ocupado e foram digitalizados antes que as autoridades de ocupação chinesas os pudessem destruir…

Entretanto, esta rede já foi atacada por piratas informáticos chineses que a conseguiram abater com um ataque DDOS durante algumas horas… Assim demonstrando que na China também se lê a revista Wired onde esta reportagem foi publicada originalmente…

Fonte: Revista Wired

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Biografia de E. F. Schumacher

por Nancy Jack Todd, extraído de
People, Land and Community: The Collected E. F. Schumacher Society Lectures
copyright 1997

traduzido com a autorização da “E. F. Schumacer Society”

De acordo com o “The London Times Literary Supplement” de 6 de Outubro de 1995, “Small Is Beautiful” de E. F. Schumacher está classificado entre os cem livros mais influentes publicados desde a Segunda Grande Guerra. A selecção foi feita por um grupo de escritores e académicos que procuravam criar um “Mercado Comum da Mente” para estabelecer uma ponte entre as divisões culturais da Europa do Pós-Guerra. Entre estes nomes encontram-se os de Simone de Beauvoir, André Malraux, Albert Camus, George Orwell, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Carl Gustav Jung, e Erik Erikson. Embora menos académico que muitos dos seus outros trabalhos, Small Is Beautiful: Economics As If People Mattered referiu-se com uma extraordinária precisão a muitos dos principais temas com que lidávamos no final do século. Desde a sua publicação em 1973 que a obra foi traduzida para cerca de 20 línguas diferentes.

O economista E. F. Schumacher era um homem alto com uma longa sombra, particularmente no reino das Ideias. À época da sua morte em 1977 ele era classificado como “um profeta resistindo contra a maré” e “um homem que coloca as perguntas certas à sua sociedade e a todas as sociedades num momento crucial da sua História”. Estas afirmações permanencem válidas. Num ambiente de crescente frequência dos “takeover hostis” nas grandes corporações e no uso crescente do termo “downsizing” que originalmente se referia a reduzir o tamanho de carros e agora se usa e abusa no despedimento de pessoal, neste contexto, a compaixão inerente a “uma Economia como se as pessoas importassem” é cada vez mais atraente. Oposta ao consumo excessivo de materiais, crescimento sem sentido, dominação pelas grandes empresas, e sistemas económicos de escala mundial, Shumacher estaria satisfeito por ver como as suas ideias, têm ganhado impulso à medida que passam os anos, e criaram um movimento significativo para contraiar a presente dinâmica dominada pelo GATT.

O génio particular do pensamento de E. F. Shumacher residiu na sua união do teórico com o prático, englobando a rara combinação de uma epistemologia e um sentido pragmático raros. Ele era também um homem profundamente espiritual e com um forte amor e compreensão pelo mundo natural. Embora seja um nome conhecido na Europa desde o final da Segunda Grande Guerra, foi somente com a publicação americana de “Small is Beautiful” que o seu trabalho foi divulgado nos EUA. No momento da sua morte prematura em 1977 o seu nome era reconhecido através dos Estados Unidos e do Canadá e o professor já se tinha encontrado com um número significativo de figuras conhecidas, incluindo o antigo presidente Carter.

A vida de E. F. Schumacher reflectiu directamente os acontecimentos dos primeiros três quartos do século passado. Ele foi, paradoxalmente, um homem muito dentro e muito para além do seu tempo. Como Lewis Mumfords, ele criticava a aceitação irreflectida da inovação tecnológica mascarada como “progresso”, alertando contra as perdas individuais e locais de autonomia e de qualidade de vida. Schumacher, conhecido como “Fritz” pelos seus amigos, nasceu numa família de tradição académica de Bona, Alemanha, em 1911. De acordo com a sua filha, Barbara Wood, na sua biografia E. F. Schumacher: His Life and Thought demonstrou ser, desde cedo, um aluno rápido e talentoso, e em 1930 ele seria escolhido para representar a Alemanha em New College, Oxford. Dois anos mais tarde ele faria a sua primeira viagem à América, onde descobriu uma liberdade intelectual que desconhecera até então. Em 1934, contudo, uma ansiedade crescente sobre a ascendência do Nacional Socialismo na Alemanha, fê-lo deixar uma carreira promissora em Nova Iorque e regressar a casa. A situação local confirmou os seus piores receios. Muitas das pessoas que ele mais respeitava, compreensívelmente intimidada, estavam a fechar os olhos aos demónios que os rodeavam. No coração da sua oposição aos nazis estava a sua rejeição à manipulação da Informação e sua flagrante violação da verdade. Com profunda tristeza, em 1936, deixaria a Alemanha com a sua nova esposa e estabeleceu-se em Inglaterra, o país que passaria a considerar com a sua nova pátria.

A partir de então, quer directamente, quer indirectamente, ele participou nos acontecimentos do seu tempo. Com outros expatriados alemães ele desesperou com o destino do seu país e da Europa. Assim que a Guerra começou, dominado pelo sentimento anti-nazi, Schumacher, foi transferido para o campo para trabalhar como trabalhador rural. A um dado momento foram-lhe retiradas a mulher e filha e conheceu um internamento de 3 meses num Campo de Detenção, onde fez várias alterações no Campo para melhor o sistema sanitário e a qualidade da comida. Mais tarde ele consideraria este período no Campo como sendo a sua verdadeira universidade.

Depois de ter sido libertado do Campo, preocupado com a questão dos pré-requisitos para uma paz duradoura no Europa. Os seus escritos sobre o assunto despertaram a atenção a um número de pessoas proeminentes, e cedo surgiram debates sobre a economia do Pós Guerra. Depois de se tornar um cidadão britânico em 1946, ele foi enviado para a Alemanha como membro da “British Control Commission”.

Na reflexão sobre a reconstrução da indústria alemã, as suas ideias sobre o que era apropriado – uma palavra que seria depois associada consigo – em termos de escala e propriedade começaram a ganhar forma. À medida que estudava a reestruturação da economia alemã, o papel estratégico da energia, o seu pensamento consolidou-se. Ficou igualmente convencido da necessidade da reforma monetária como um meio de prevenir a concentração da riqueza entre um pequeno número às custas da maioria, outro dos legados que continuam muitos vivos no movimento actual para restabelecer as moedas locais.

Nos finais de 1949 Shumacher foi convidado a assumir o papel de conselheiro económico do “National Coal Board” da Grã-Bretanha. Shumacher aceitou o cargo e permaneceu no cargo de “Chief Economic Advisor” durante os vinte anos seguintes. Para acomodar a sua família crescente comprou uma casa com um grande jardim em Surrey. Isto haveria de revelar-se um ponto de viragem para o seu pensamento; ficou fascinado com o jardim e tornou-se um fervoroso adepto da “jardinagem orgânica”. Observando os processos naturais do seu jardim, Shumacher desenvolveu uma compreensão nova da complexidade inter-relacional dos sistemas vivos. Mais tarde, sobre a Tese Gaia escreveria: “Faz sentido que a Natureza seja um sistema incrivelmente complexo e auto-balanceado no qual o uso do conhecimento parcial pode fazer mais mal do que bem. Tanto quanto posso ver, a agricultura química chegou aos seus limites. Trabalha contra a Natureza em lugar de trabalhar com ela.” Em Small Is Beautiful escreveria: “o habitat humano alargado, longe de ser humanizado e enobrecido pelo homem e pelas suas actividades humanas, tornou-se degradante pela fealdade.”

Uma das maiores influências no pensamento de Schumacher foi o trabalho de um economista austríaco pouco conhecido de nome Leopold Kohr. No seu Breakdown of Nations Kohr trata o tema da Escala, atribuindo os males do mundo moderno à grandeza da escala. Escreve a dado ponto, Kohr: “Se uma sociedade cresce acima do seu tamanho óptimo, os problemas vão eventualmente acabar por ultrapassar o crescimento das faculdades humanas que são necessárias para lidar com eles”. Shumacher haveria de se referir a Kohr como “um professor de quem aprendi mais do que qualquer outro”.

Shumacher interessou-se pelos sábios Budistas e Taoístas e impressionou-se pela mensagem não-violenta de Mahatma Gandhi. Em 1955 Shumacher recebeu uma proposta da ONU para trabalhar na Myanmar (então “Birmânia”), tendo ficado fascinado pela cultura local. Impressionado com a capacidade da cultura budista em produzir uma libertação do Materialismo com uma aparente felicidade, reforçou a sua inclinação para olhar para além da abstração económica e escreveria: “A Economia significa uma certa forma de ordenar a vida de acordo com uma filosofia inerente e implícita em Economia. A ciência económica não assenta sobre os seus próprios pés: ela deriva de uma visão do significado e propósito da vida…”

Profeticamente, acrescentaria ainda: “Uma civilização constuída sobre recursos renováveis, como os produtos da floresta e da agricultura, é apenas por esse facto superior a uma outra construída sobre recursos não-renováveis, como o Petróleo, o Carvão, o Metal, etc. Isto é assim porque a primeira pode resistir ao tempo, e a segunda, não. A primeira coopera com a Natureza, enquanto que a segunda rouba a Natureza. A primeira carrega o símbolo da Vida, enquanto que a segunda carrega o símbolo da Morte.”

Mais tarde, num dos seus ensaios mais conhecidos, defendera uma forma budista de Economia baseada na “Forma de Vida Correcta” do “Nobre Caminho Óctuplo” budista. Fundamental a este novo sistema económico seriam a simplicidade e a não-violência, a importância da Comunidade e a necessidade e dignidade do Trabalho. Schumacher regressaria de Myanmar convencido que era necessário encontrar uma forma sustentável de Economia como um caminho possível para o Mundo em Desenvolvimento, um “caminho intermédio entre o materialismo irracional e a imobilidade tradicional”. Shumacher dedicaria o resto da sua vida na busca desta via alternativa.

Shumacher foi igualmente visionário na sua análise do mundo industrial. Em 1958, antes da fundação da OPEP e recebendo muitas críticas dos seus colegas economistas, alertaria a Europa Ocidental para “uma posição de dependência máxima do Petróleo do Médio Oriente… As implicações políticas desta situação era demasiado óbvias para exigir discussão.” Ainda maior era a sua preocupação sobre os conflitos que podiam desencadear uma Guerra Nuclear. Tornou-se num ardente opositor da Energia Nuclear. A acumulaão de grandes quantidades de resíduos tóxicos, declarou: “é uma transgressão contra a vida, ela própria, uma transgressão infinitamente mais séria que qualquer outro crime jamais prepertado…” Influenciado pela filosofia não-violenta de Ghandi escreveria ainda: “Uma forma de vida que esvazia cada vez mais depressa a Terra para se sustentar e acumula um número crescente de problemas cada vez mais insolúveis para as próximas gerações só pode ser chamada de Violenta… A Não-violência deve penetrar em todas as actividades do Homem, se a Humanidade quer estar segura contra uma Guerra de Aniquilação“.

Em 1961, Schumacher fez a sua primeira exposição na Índia sobre a pobreza flagrante neste subcontinente. Shumacher acreditava que a causa desta pobreza moral e física residia no impacto desmoralizador do Ocidente Industrializado nas cultura tradicionais, até então, auto-suficientes. O que era necessário, sublinhou, era um nível de tecnologia mais produtivo e eficiente que utilizasse a técnicas tradicionais em áreas rurais, de uma forma mais simples e menos intensiva em termos de Capital que as tecnologias ocidentais. O conceito de “tecnologia intermédia” começou então a ganhar forma.

A ideia de “Tecnologia Intermédia” foi imediatamente adoptada por um dos seus colegas académicos, um escoçês de nome George McRobie, que seria mais tarde o principal responsável pelo desenvolvimento do conceito. O primeiro artigo de Shumacher sobre “Tecnologia Intermédia” apareceu no jornal britânico “The Observer” em 1965 e receberia um acolhimento entusiástico. Ele e McRobie responderiam formando um pequeno grupo, auto-financiado que seria conhecido com o ITDG (“Intermediate Technology Development Group”), que trataria de realizar pesquisa sobre o tipo de equipamentos que poderiam ser disponibilizados a agricultores de pequena escala e a artesãos. Rápidamente, o grupo elaborou um “Guia de Compras”. Era intenção de Schumacher combinar conhecimentos tradicionais e avançados para criar novas tecnologias que respondessem a questão de impacto e escala. O ITDG cresceu rápidamente em resultado do grande interesse que despertou na comunidade e em todo o mundo. A “Tecnologia Intermédia” foi identificada como uma ferramenta inovadora para abordar e resolver os problemas da Pobreza no mundo. Schumacher foi reconhecido como uma figura de impacto internacional e tornou-se o embaixador da “Tecnologia Intermédia” por todo o mundo.

Schumacher acreditava que era vital que os pobres fossem capazes de se ajudarem a si próprios e que a Tecnologia Intermédia os pudesse a realizar essa necessidade. Viajou por todo o mundo, defendendo as vantagens do seu conceito junto de empresas, em seminários e fábricas. As tecnologias e estruturas comunitárias por ele antevistas produziriam autonomia material em vez de excesso e seriam uma fonte de Trabalho, o qual ele considerava ser necessário para que alguém atingisse a plena humanidade. De novo profético, nas suas visões, convenceu-se que a afluência de emigrantes ao Ocidente não poderia ser mantida indefinidamente e tentou ensinar o conceito de que a esperança para o fim da Pobreza residia na capacidade dos pobres se declararem indepentes da dinâmica corporativa.

Com a publicação de “Small Is Beautiful” em 173, o estaturo de E. F. Shumacher transformou-se no de uma espécie de “guru da Economia”. Realizou várias viagens à América do Norte, onde, especialmente entre os jovens, as suas palavras conheceram grande acolhimento. A sua mensagem não-violenta de “Tecnologia Intermédia” e “Economias de Escala” foi encarada como aplicável ao Mundo Ocidental assim como às ainda não-industrializadas do planete. Schumacher escreveria nesta fase da sua vida: “As palavras-chave da Economia Violenta são Urbanização, Industrialização, Centralização, Eficiência, Quantidade, Velocidade… O problema de evoluir para uma vida económica não-violenta nos países subdesenvolvidos pode revelar-se idêntico ao de evoluir para esta forma de economia os países desenvolvidos.”

Schumacher alertou as pessoas para que fossem constantemente observadores e questionadoras sobre aquilo que as rodeava, sem olharam apenas para a Tecnologia e para a Economia. Alertou-nos para a necessidade de observar com a maior honestidade a fundação e escala e a civilidade das nossas vidas, a nossa vitalidade, integridade, e riqueza espiritual. Shumacher estava envolvida numa busca de uma vida, raramente assentado numa única resposta mas procurando longamente e diligentemente pelos meios mais inteligentes, adaptáveis e sustentáveis que nos permitissem conduzir as nossas vidas como pessoas e como parcelas da própria Natureza.

A biblioteca pessoal de E. F. Schumacher’s está conservada no Schumacher Center e o seu catálogo pode ser consultado on-line.

Fonte: http://www.schumachersociety.org/about/biographies/schumacher_full_bio.html

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O Budismo e a atitude perante a ameaça à vida dos seres vivos

Segundo a doutrina de Buda, em momento algum, se deve provocar a morte a qualquer ser vivo.

O acto de provocar a morte a um ser vivo é uma consequência directa das Paixões, como o ódio, e revela a vitória do Eu sobre o Homem, uma vez que a morte provocada responde quase sempre a uma necessidade directa do Ego, e quem a cumpre nunca poderá alcançar a verdadeira Sabedoria. Evitar matar é assim um dos “modos de existência correctos” referidos numa das oito Verdades do Caminho Óctuplo, uma vez que este se refere à escolha por parte do praticante de modos de vida que sejam “correctos” e compatíveis com a Sabedoria Budista.

Por isso, um Budista deve abstrair-se de praticar certas profissões: soldado, carniceiro, traficante de escravos. Estas profissões, segundo a tradição budista não revelam respeito pela Vida e exprimem a incompreensão absoluta do maior ensinamento budista: a da interdependência de todos os seres vivos, que ensina que fazer mal a qualquer criatura viva, é fazer mal a si próprio. De igual forma, prejudicar-se a si próprio, é prejudicar todos os seres vivos do Universo.

Segundo a Doutrina, o Roubo é também absolutamente proibido, desde o roubo de uma caneta ao roubo de um Banco… O acto de furtar revela um egocentrismo imenso, que impossibilita o abandono do “Eu”, fundamental para se alcançar um patamar de consciência mais elevado.

Fonte: Introdução ao Budismo, Dennis Gira, Âncora Editora. Lisboa. 2000

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Um budista deve concentrar toda a sua atenção no momento presente

Um budista deve concentrar toda a sua atenção no presente, no momento em que vive a cada instante e abstrair-se de tudo aquilo que rodeia esse momento. Este é o passo principal para que se consiga abandonar todas as ilusões que permanentemente nos provocam. O passado é aquilo que foi, e como diziam os filósofos estóicos “já foi, logo já não é” (não existe). O futuro, de igual modo, não é, porque “ainda não existe”. E vivermos no Passado ou na ânsia do Futuro faz com que sejamos de apreciar e utilizar devidamente o momento presente, o qual deve ser encarado recorrendo à disciplina ética e moral oferecida pelo Caminho Óctuplo.

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O Budismo Não Acredita na Reencarnação

Se o Budismo não acredita que exista nenhuma “alma” no Homem (ou seja, um “eu permanente”), o que é que passa de vida em vida, através da Reencarnação?

Bem… O Budismo não acredita propriamente na “Reencarnação”. Segundo a revista Dharma (editada por associação francesa ligada ao Budismo Tibetano):

“Em primeiro lugar, os ensinamentos de Buda não exigem que se acredite num dogma, seja ele qual for. E embora haja budistas que dizem acreditar na reencarnação, o que é importante saber é que a noção de reencarnação é totalmente alheia ao Dharma (Caminho).”

Esta afirmação não deixa de ser paradoxal, especialmente pela sua origem na tradição tibetana (que sigo, na sua Escola Ning ma pa), mas os budistas não usam eles próprios o termo, preferindo antes o sânscrito Samsara ou em seu lugar recorrem às palavras “transmigração” ou “renascimento”. É que o conceito “cristão” de uma alma que passa de corpo para corpo é totalmente estranho para o pensamento budista, dado que contraria o princípio da “vacuidade do Eu” e o conceito fundamental da “Não Existência”, ou seja, se a nossa própria individualidade é uma Ilusão (Maia) então como pode essa “ilusão” existir e transferir-se para outro corpo físico? Não pode… Mas sendo assim, o que passa? Porque têm os monges tibetanos (Rinpoches) recordações de outras vidas? Porque transmigra o Dalai Lama?

Porque neles o que passa de corpo para corpo, não é nenhuma entidade física ou semifísica, como a “Alma” ou o “Ka” dos Egípcios, mas propriedades de um corpo, que se transferem para outro, num processo de continuidade impermanente. É esta sucessão que dá a ilusão da transferência ou renascimento, mas nada se transfere, apenas se comunica de um corpo para o outro aquilo que por vezes – em condições especiais – pode depois ser recordado, ou a carga kármica da vida anterior, mas sem que haja verdadeiramente… Reencarnação.

Espero ter contribuído para o esclarecimento deste ponto particularmente difícil da Doutrina e que a minhas limitações e grau de ignorância não tenham contribuído para criar ainda mais confusão… Mas enfim… Acho que fiz o melhor que podia para esclarecer este ponto importante da Doutrina Budista.

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Ram Bomjan, o novo Buda nepalês?

 

Um jovem, adorado no Nepal, como a encarnação actual de Buda, desapareceu em 11 de Março para desespero dos milhares de fiéis que o veneravam no seu local de meditação, nos arredores de Bara, no Nepal.

Horas depois, os seus seguidores encontraram-no de novo, em plena selva, a mais de 3 km da sua árvore de meditação. Ram Bomjan, porque é esse o seu nome, falaria com eles durante meia hora confessando que “já não encontrava ali a paz necessária para meditar. Digam aos meus pais que não se inquietem, que estou bem.” Segundo os seguidires teria concluído a conversa com a frase: “reaparecerei dentro de 6 anos, mas devem continuar a rezar no meu antigo local de meditação”, indicando implicitamente que iria reaparecer novamente neste local.

Os seguidores de Ram Bomjan asseguram que ele é a reencarnação actual de Buda (Maitreya), regressado depois da sua anterior encarnação há dois mil anos atrás. A criança começou a atrair a atenção popular porque se tinha recolhido entre o tronco de uma árvore para meditar, como teria feito Buda em Benares, e porque desde que começou o seu recolhimento ninguém o viu ingerir qualquer tipo de alimento durante os seus 9 meses de meditação contínua. Recentemente, a 19 de Janeiro, as suas vestes teriam tomado fogo espontaneamente, mas nenhum vestígio de queimaduras foi encontrado no seu corpo, conforme testemunha um video recolhido pelos seus fiéis em Bara.

BBC, Londres, Março de 2006.

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Budismo: O “Nobre Caminho Óctuplo

O caminho para a Sabedoria passa no Budismo pelo “Nobre Caminho Óctuplo” (com oito vias), que nas palavras de Buda, proferidas em Benares seria:

“Aqui tendes, ó monges, a Nobre Verdade sobre o caminho que conduz ao fim do sofrimento. É o caminho Óctuplo, ou seja,

o entendimento correcto,

o pensamento correcto,

a palavra correcta,

a acção correcta,

o modo de existência correcta,

o esforço correcto,

a atenção correcta e

a concentração correcta.”

Nesta lista, cuidadosamente ordenada, está o “entendimento correcto”, que significa que se o Homem quer fazer cessar o seu Sofrimento (Dukkha) deve começar por observar o mundo que o rodeia, e notar nele a sua permanente instabilidade e impermanência, entendendo-o como uma “Ilusão”, e identificar sobretudo a maior de todas as ilusões: a da existência de um “Eu”. Quando se aperceber da verdadeira realidade das coisas, o Homem deve pautar a sua acção e o seu pensamento pelas atitudes “correctas”, conformes a essa Verdade. De seguida, deve manter uma vigilância feroz sobre as suas palavras e o seu pensamento de modo a manter afastadas de si qualquer forma de ilusão. Ligados a estes ramos do Caminho Óctuplo está a “Ética Budista” definida pela “Acção Correcta” e pelo “Modo de Existência Correcto”.

 

Bibliografia:
Introdução ao Budismo, Dennis Gira
O Budismo Tibetano, Dalai Lama
Quem é o Buda? Sangharakshita
Breve História do Budismo, Andrew Skilton
Psicologia e Religião Oriental, C. G. Jung

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O Nirvana

A palavra “nirvana” tem origem na palavra “nibbana”, que em Pâli (a língua de Buda) significava “extinção”. Mas o que se extingue no Nirvana?

Não se trata da extinção do “Eu”, porque, no Budismo, o “Eu” é uma ilusão. O Budismo não se consome em práticas que se destinam a anular o Ego, como concluiu Buda depois de ter desperdiçado dez anos da sua vida como asceta.

Para Buda, aquilo que s preciso “extinguir” é o fogo das Paixões humanas ateado pela Ignorância do Homem…

Assim, a “Extinção” / “Nirvana” resultará em primeiro lugar da Sabedoria, a única forma de evaporar a Ignorância. Pela Sabedoria, o Homem liberta-se dos apegos às coisas, aos pensamentos e ao mundo. Pela Sabedoria, o Homem deixa de cumprir acções que produzam “actos kármicos” que o mantenham preso no ciclo dos Renascimentos (Samsara).

Bibliografia:
Introdução ao Budismo, Dennis Gira
O Budismo Tibetano, Dalai Lama
Quem é o Buda? Sangharakshita
Breve História do Budismo, Andrew Skilton
Psicologia e Religião Oriental, C. G. Jung

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O “Sofrimento” no Budismo

Quando Buda afirma que tudo é Sofrimento, quer dizer que o ser humano é o único ser vivo que procura coisas que nunca poderá ter. E a frustação que resulta dessa insatisfação semipermanente produz a Felicidade Efémera e o Sofrimento (pela Carência) Semipermanente.

Esta é, na verdade, a ligação entre a Primeira e a Segunda das Nobres Verdades do Budismo. Com efeito, é o Desejo que está na raíz de todo o Sofrimento, mas não o termo “Desejo” tal como o usamos no Ocidente, mas a palavra correspondente na língua Páli e que pode talvez ser melhor traduzida por “Sede” (Tanhã), no sentido de uma “Sede” Profunda e Absoluta, capaz de levar o Sedento aos maiores actos de desespero. Tal é o “Desejo” que serve de base ao Sofrimento.

Como se escreve no “Dhammapada”, uma recolha de aforismos dos primeiros tempos do Budismo:

“Em todas as coisas, o elemento principal é o da mente, isso é o mais importante. Tudo provém da mente. Se um homem fala ou age sob uma má influência da mente, o sofrimento segue-o de tão perto como a roda segue a pata do boi que puxa a carroça”.

Este segmento ilustra que tudo está na forma como encaramos a Realidade e reflectimos sobre ela. Quando o Homem se consome na busca fátua por uma “Felicidade” que não é concreta, real ou substancial e a confunde por permanente ou eterna, encontra o domínio do Sofrimento.

Citando de novo o Dhammapada: “Em todas as coisas o principal é a mente; a mente é predominante. Tudo se faz a partir da mente. Se um homem fala ou age com uma mente purificada, a felicidade acompanha-o de tão perto como a sua sombra inseparável.” Assim, se o Homem conseguir corrigir a sua mente, repelir a Ignorância que está na base do Sofrimento e purificar a sua Mente, encontra a Sabedoria e, repele o Sofrimento.

Bibliografia:
Introdução ao Budismo, Dennis Gira
O Budismo Tibetano, Dalai Lama
Quem é o Buda? Sangharakshita
Breve História do Budismo, Andrew Skilton
Psicologia e Religião Oriental, C. G. Jung

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As “Quatro Verdades”, pedra basilar do Budismo

A primeira das Quatro Verdades, é que tudo, absolutamente tudo, na vida, é sofrimento (Dukkha, em Páli).

A segunda Verdade, explica a origem do sofrimento, que é, simplesmente, a ignorância do Homem, e nomeadamente, a ignorância espiritual do Homem, com as Paixões que daí resultam e que levam o Homem a actos egocentristas negativos. São estes actos que encerram o Homem no ciclo do Samsara e que o levam a renascer vez após vez, sem nunca o conseguir quebrar.

A terceira Verdade indica a possibilidade da cura do Sofrimento, pela eliminação da ignorância e pela consequente extinção das Paixões que destroem a vida e – frequentemente – todos e tudo aquilo que rodeia o Homem.

A quarta Verdade é por fim, o Caminho (Dharma) que indica ao Homem o percurso que pode seguir para quebrar o ciclo do Sofrimento e dos renascimentos sucessivos (Samsara).

Bibliografia:
Introdução ao Budismo, Dennis Gira
O Budismo Tibetano, Dalai Lama
Quem é o Buda? Sangharakshita
Breve História do Budismo, Andrew Skilton
Psicologia e Religião Oriental, C. G. Jung

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Porque é que a flor de Lótus surge frequentemente na iconografia budista?

Quando Buda alcançou a Iluminação sob a árvore de Bodhi (aliás Bodhi quer dizer "Iluminação" e provém da mesma raíz que a palavra "Buddah") hesitou sobre se deveria partilhar o caminho que leva à Iluminação com os outros Homens. Buda sabia que os Homens, sempre imersos na ignorância e nas paixões, teriam grandes dificuldades em compreender o Caminho (Dharma). Mas então, segundo a Tradição, surgiu-lhe Brama, que lhe disse para não guardar para si o Dharma, mas que espalhasse a sua mensagem pelos Homens. Buda então imaginou os seres humanos como a flor de lótus que flutua sobre a superfície do pântano, que apenas precisa de um pequeno impulso para ascender à superfície das águas lodosas e ver a luz do Sol. De igual modo, os Homens precisam também de um pequeno empurrão para alcançar a Iluminação e ver a luz da Verdade. É por causa da importância desta analogia na mensagem de Buda que a flor de Lótus surge com tanta frequência na iconografia budista e porque Buda surge sentado sobre a mesma flor.

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