As Ilhas Míticas do Atlântico

A ilha mítica O’Brazile e a série Lost (Perdidos)


Imagem: http://www.hordern.com

Relia eu o excelente “Phantom Islands of the Atlantic” de Donald S. Jonhson que certo “momus” me ofertou em tempos idos quando deparo com esta passagem (traduzida):

“Em 1636, um certo capitão Rich reportou ter avistado a ilha [Brazil (não confundir com “Brasil”] para além da costa da Irlanda com “um porto, e terras cultivadas no interior”, mas quando tentou um desembarque, ela “desapareceu na neblina”. Outro relato vem de 1644 de Boullage Le Gouz, que afirmou que “a três milhas do seu navio viu a ilha fantasma, com árvores e gado”. T. J. Westropp, o autor de um artigo sobre a ilha de Brazil, afirmou t~e-la visto pessoalmente três vezes. O último avistamento ocorreu no Verão de 1872. Era “uma tarde clara, com belo pôr-do-sol dourado, quando mesmo no momento em que o Sol se punha, uma ilha negra apareceu subitamente no horizonte, longe no mar, mas não no horizonte. Tinha duas colinas, uma arborizada; entre elas, numa planície baixa, erguiam-se torres e rolos de fumo”. Outros, navegando com ele, incluindo a sua mãe, todos “viram-na ao mesmo tempo… com uma aparência tão realista.” (página 117)

“Uma carta muito longa escrita em 1675 por William Hamilton de Derry contem um dos relatos mais detalhados de O’Brazile. Endereçada ao seu primo vivendo em Londres, a carta explica porque é que um outro primo comum, Mathew Calhoon, tinha requerido a Charles I de Inglaterra a concessão de uma patente de propriedade para a ilha encantada de O’Brazile. Calhoon acreditava que “a ilha tinha sido completamente descoberta… e o encantamento quebrado.” Hamilton relata como a ilha tinha sido encontrada pelo capitão John Nisbet de Killybegs, em County Donegal, Irlanda, em 1674. Em Setembro desse ano, Nisbet Donegal, encheu vários navios com manteiga, sebo e couro e velejou para França; na viagem de regresso comprou vinhos franceses. Quando estava perto da costa da Irlanda na volta de regresso, e exactamente quando o Sol se estava a levantar, “subitamente caiu o mais terrível e espesso nevoeiro sobre o mar, que continuou durante três horas”. Então, tão subitamente como tinha surgido, levantou-se. e ele e os seus homens encontraram-se numa costa desconhecida. Estas eram águas familiares aos marinheiros, mas este lugar era-lhes completamente novo. Uma vez que o vento os estava a levar perigosamente perto de terra, com rochedos não muito longe, sondaram o fundo do mar e ancoraram com três braças de profundidade.

Quatro dos oito tripulantes foram a terra. Depois do desembarque, atravessaram “um pequeno bosque… e encontraram um vale verde muito agradável cheio com muito gado, cavalos e ovelhas alimentando-se. Viram um castelo muito forte e dirigiram-se a ele para procurarem saber onde estavam e o que deviam fazer. Mas ninguém lhes respondeu às suas pancadas na porta, nem ouviram algum som de alguma criatura – nem sequer o ladrar de um cão. Passaram o resto do dia explorando a ilha, e embora vissem muitos animais, não havia ninguém a quem perguntar onde estavam. Com a aproximação da noite, regressaram para a costa e dizeram uma fogueira para se aquecerem do frio. Imediatamente, ouviram um “som terrível e hediondo” vindo de toda a ilha, mas especialmente do castelo; terrificados, apressaram-se a ir para o navio. Na manhã seguinte, logo que o Sol subiu, um homem idoso e os seus seguidores apresentaram-se na costa da ilha. Os marinheiros aprenderam então que os antepassados do ancião tinham sido outrora príncipes nesta ilha, chamada O’Brazile, mas que ele e outros tinham sido “tiranicamente encerrados no castelo pelas artes maliciosas de um negromante” que amaldiçou a ilha, tornando-a inútil e invisível a mortais. Mas agora, o “feitiço de encantamento fora quebrado [pelo fogo], o tempo maldito tinha expirado” – eles eram agora livres do aprisionamento, e a ilha podia ser de novo visível para sempre.”

O relato em si mesmo é merecedor de alguma credibilidade… Mas sobremaneira curiosa é a referência à realidade da Ilha e em como esta se tornara invisível pela acção de um “negromante” (feiticeiro) e que depois se teria libertado desse encantamento através da ignição de um fogo nas suas margens… Hum… Isto não provoca nas vossas mentes um certo eco?

Lembram-se da explosão de luz branca em que terminou a Season 2 do Lost? E a sugestão de que a partir daí, ou durante a duração da mesma, a Ilha teria ficado novamente visível ou presente no “mundo real”? Será que esta lenda da O’Brazile serviu de inspiração aos criadores de Lost? Bem provável, já que aqui se fala de um grupo de ilhéus (a Dharma?) que é submetido e aprisionada num Castelo (uma Estação Dharma?) e que é salva por alguém vindo do mundo exterior (os Sobreviventes)… Sendo esta uma narrativa do mundo anglosaxónico, pode bem estar entre as influências dos criadores de Lost (Perdidos):

Carlton Cuse
Carlton is a writer and executive producer on LOST.
J.J. Abrams Bio
A biography of J.J. Abrams, creator and writer for LOST.
Damon Lindelof Bio
A biography of LOST creator, Damon Lindelof.
Jeffrey Lieber Bio
A biography of Jeffrey Lieber, co-creator of LOST.

Para conhecer melhor as suas biografias, clicar AQUI

E o facto da lenda se referir à Ilha Mítica “O’Brazile” terá algo a ver com a introdução do actor brasileiro Rodrigo Santoro e à aparição de dois brasileiros precisamente na última cena da Season 2 e onde estes falam um com o outro em… português do Brasil?

Coincidências?…

Acha que o mito da O’Brazile pode ser uma influência dos produtores de Lost?
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Quids S5-26: De que marca é este carro?

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Quids S5-25: Que objecto é este?

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Quids S5-24: Que avião é este?

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Quids S5-23: Quem era este escritor?

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Quids S5-22: Quem é este escritor?

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Quids S5-21: A que série de televisão pertence esta personagem?

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Quids S5-20: Qual é a figura oculta nesta imagem?

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Quids S5-19: Que local da literatura fantástica é este?

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Quids S5-18: Que era o escultor desta obra?

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Quids S5-16: Qual era a função deste objecto?

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Dificuldade: 4

 

Regulamento:

1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

 

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Quids S5-17: Que animal mítico (?) é este?

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1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

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Quids S5-15: Qual é o mistério deste objecto?

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1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

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Quids S5-14: Que avião é este?

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Quids S5-13: Que avião era este?

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Quids S5-12: Como se chama este poeta?

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Quids S5-11: Como se chama este homem?

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2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

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Quids S5-10: O que procuravam estes homens?

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3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

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Ilha Brazil

 

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Parte do mapa catalão de 1375 que representa as ilhas de Mayda e Brazil.

A ilha de O’Brasil não deve ser confundida com terra do “pau-brasil” na América do Sul, Trata-se, de facto, da ilha das lendas Gaélicas, do Breizh-Il. Esta ilha mítica surge também com o nome Bracie, Berzil ou Brasil. É geralmente desenhada no meio do Atlântico, e aí que a encontramos no portulano mediceen de 1381 e na carta de Picignano (de 1367). Existem mesmo três nesta última carta: a primeira ao sul, sobre o paralelo de Gibraltar, a segunda a sudoeste da Irlanda, acompanhada por dois navios e por um homem devorado por serpentes; a terceira ao norte da precedente, com um monstro que engole um homem e possui a inscrição “ie de Mayotus seu de Bracir”. A carta Catalã de 1375 e uma outra de 1384 chamam-lhe “Ie de Brazil”, o mesmo nome aparece no portulano de Mecia de Vila Destes (de 1413), e as cartas de Andrea Bianco (de 1436) e de Fra Mauro (de 1457), sempre figurada a oeste da Irlanda. Encontramo-la na mesma região num Ptolomeu de 1519, num Atlas da Biblioteca de medicina de Montpellier, desenhado pouco depois da viagem de Magalhães e no Ramusio de 1556. Um século e meio depois da colonização dos Açores continuava-se a colocar uma Ilha do Brasil a oeste ou a nordeste do Corvo. Os Atlas de Ortelius e de Mercatur registam ainda esse nome. A lembrança desta ilha mitológica é ainda hoje conservada na “Brazil Rock”, rochedo situado a oeste da extremidade mais ocidental da Irlanda.

Será a ilha do Brasil a América do Sul? Sigismond Hadelich tentou provar isso mesmo usando passagens de Daniel Kimchi e de outros rabinos que os judeus, quatro séculos antes de Colombo já haviam estado na América. Por isso se falava já de Pau Brasil. Referência que aliás surge na “Crónica da Guiné” de Zurara. Este Pau Brasil era usado primeiramente para denominar uma certa madeira proveniente do Malabar e de Sumatra, e só depois é que surge aplicado às duras madeiras da Terra de Vera Cruz.

W. B. Babcock identifica a ilha Brazil, representada sempre a menos de cem milhas ao largo da Irlanda, com a Terra Nova, situada a 40 graus de longitude oeste a a 50 mais para Sul (93).

A primeira aparição da ilha surge no mapa de Angellinus Dalorto de Génova (de 1325). Aqui surge como uma ilha de grandes dimensões de forma discóide, a ilha estava localizada no oceano Atlântico na latitude do Sul da Irlanda. No mapa português designado por “Egerton 2303” (de 1508-1510) mostra uma ilha “Bracil” ao largo de Galway.

ORIGEM GAÉLICA DA PALAVRA “BRAZIL”

São numerosas as formas que a palavra assume nas diversas fontes cartográficas: Brasil, Bersil, Brazir, O’Brazil, O’Brassil, Breasil. Como nome próprio foi relativamente comum na Irlanda desde tempos remotos, o santo irlandês Brecan (480 a.C.), tinha como nome anterior Bresal. Breasil surge também como uma divindade na “History of Galway” de Hardiman.

A relação entre a Irlanda e as ilhas míticas do Atlântico está bem patente no mapa de Fra Mauro de 1459 onde está desenhada uma ilha de nome Brazil com a inscrição: “Queste isole de Hibernia son dite fortunate”, ou seja, classificando-a como uma das “ilhas afortunadas”.

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Mapa Catalão aproximadamente de 1480 mostrando Brazil e Illa Verde.

OUTRAS ORIGENS DA PALAVRA “BRAZIL”

Na Alta Idade Média a palavra surge associada à madeira vermelha. Segundo Humboldt a sua origem radicaria na palavra de origem árabe, com o mesmo significado, “bakkam”. Este geógrafo chamava a atenção para o francês “braise”, o português “braza” e “brazeiro”, o castelhano “brasero”, o italiano “braciere”, todas elas palavras relacionadas com fogo.

A primeira referência documental a esta palavra surge num tratado comercial de 1193 assinado entre o Duque de Ferrara, na Itália, e um seu vizinho, que incluí “grana de Brasill” entre uma lista de diversos produtos como incenso, indigo (57). A mesma frase se repete “grão de Brazil”ínuma Carta do mesmo país cinco anos mais tarde. A repetida menção em documentos de teor público indica tratar-se de um artigo comercial vulgar no século XII. Possivelmente, podemos encontrar uma explicação em Marco Polo, sobre Lambri, no distrito de Sumatra, escreve: “They also have brazil in great quantities. This they sow, and when it is grown to the size of a small shoot they take it up and transplant it; then they let it grow for three years, after which they tear it up bt the root”.

Outras referências a “Brazil” aparecem nas escalas dos portos de Barcelona e de outras cidades maritimas no século XIII, compilados por Capmany (58). Em 1221 encontramos “carrega de Brasill”, em 1243 “caxia de bresil” e, em 1252, “cargua de brazil”. Em 1312, na cidade de Dublin, surgem as palavras: “de brasile venali” (59).

Admite-se que a palavra se refira a um tipo específico de madeira, ou a madeira em geral. Palavras como “carrega”, “caxia”, “cargua”, indica que se tratava de um produto que era colocado em caixas.

A ILHA BRAZIL NA CARTOGRAFIA

O mapa de Pizigani de 1367 mostra a ilha na sua original forma discóide a Oeste da Irlanda, uma legenda indica o seguinte: “Ysola de nocorus sur de brazar”. No mapa Bianco de 1448 surge a enigmática inscrição: “de Brazil de Binar”, o que poderá ser lido como “Brazil dos dois mares” se colocarmos “m” no lugar de “n”.

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Mapa Dalorto de 1325 com Brazil, Daculi e outras ilhas imaginárias.

LOCALIZAÇÃO E FORMA DA ILHA

A forma circular da ilha do Brazil e sua posição a Oeste do Sul da Irlanda são comuns a diversos mapas, como o Dalorto de 1325, o Dulcert de 1339, o Laurenziano-Gaddiano de 1351, o Pizigani de 1367, o mapa anónimo de Weimar, provávelmente de 1481, o Giraldi de 1426, Beccario de 1426 e de 1435, Juan de Napoli de 1430, Bianco de 1436 e 1448, Valsequa de 1439, Pareto de 1455, Benincasa de 1482 e Juan de la Cosa de 1500. Também o interessante atlas veneziano de 1489, do Museu Britânico, mostra em quase todas as suas folhas dedicadas ao Atlântico, a ilha “Brazil”, com a sua característica forma discóide, numa posição ao largo da Irlanda (92).

FORMA DA ILHA NO MAPA CATALÃO DE 1375

Este mapa apresenta uma novidade, convertendo a ilha circular numa ilha anelar que no centro apresenta uma lagoa com algumas ilhas. A explicação preferida consiste em relacionar estas ilhas interiores com a lenda portuguesa e espanhola das Sete Cidades. Mas aqui aparecem nove ilhas e não sete, por outro lado, a identificação mais comum consiste em associar Antilia com Sete Cidades, e não Brazil a esta outra ilha imaginária.

A mesma forma anelar com um lago interior com ilhas surge também num mapa do século XV copiado por Kretschmer (60). Mas este desenha somente sete ilhas o que vem reforçar os argumentos daqueles que estabelecem uma ligação entre Brazil e Sete Cidades.

IDENTIFICAÇÃO COM A REGIÃO DO GOLFO DE SÃO LOURENÇO

No Atlântico existe uma região com um extenso lago interior com ilhas. Esta região existe no local aproximado onde os mapas colocam a ilha Brazil. Trata-se do Golfo de São Lourenço. A própria entrada para o golfo existe sugerida numa divisão da ilha anelar de Brazil nos mapas de Prunes (de 1553) e Olives (de 1568).

Argumento decisivo é fornecido pelo mapa de Nicolay em 1560 e pelo de Zaltieri de 1566. Nestes, a ilha Brazil aparece claramente em águas americanas, incluída entre as ilhas em que então se supunha que a Terra Nova estivesse dividida.

MAPA CATALÃO DE CERCA DE 1480

Um mapa catalão é o único a mostrar uma parte da América, numa época anterior a navegação colombiana, o que indica que navegações dessa época tocaram o Norte da América e podem ter sido responsáveis pelo ecos cartográficos da ilha Brazil.

MAPA SYLVANUS DE 1511

Neste mapa o Golfo de São Lourenco é colocado quase tão perto da Irlanda como a ilha Brazil nalgumas representações cartográficas. Os nomes aqui referenciados são “Terra Laboratorum” e “Regalis Domus”. Esta referência e a do mapa catalão de 1480 indicam claramente uma navegação ao norte do América anterior às de Cartier.

MAPA DE DALORTO DE 1325

Este mapa confunde a mítica ilha de Brazil com a ainda mais mítica ilha dos Mortos, acessível a alguns eleitos e que se desfazia no ar aos outros. Os atrevidos exploradores de Bristol (61) navegaram para ocidente em busca da ilha, terá sido esta tradição que influenciou Dalorto e produzido a representação no seu mapa do ano de 1325.

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Mapa Pizigani mostrando São Brandão, Mayda, Brazll, Daculi e outras ilhas lendárias.

OMISSÃO NOS REGISTOS NÓRDICOS

É estranha a inexistência nas sagas norueguesas de referências à ilha Brazil, especialmente se tivermos em conta que a colonização da Groenlândia foi tão conhecida nas paragens meridionais.

Pela sua posição priveligiada os intrépidos irlandeses estavam particularmente bem colocados para terem largado das suas costas e tocado as costas da Terra Nova, pelo menos é o que nos é sugerido pela forma anelar da ilha com ilhotas no interior e pelo seu nome, óbviamente céltico.

EXPEDIÇÕES INGLESAS EM BUSCA DE BRAZIL E ANTILIA

Segundo o embaixador da Espanha em Inglaterra, os moradores de Bristol equipavam anualmente caravelas, entre 1491 e 1497, para irem em busca de Brazil e de Antilia. (99) Existem relatórios sobre o achamento da ilha Brazil nos séculos XVII e XVIII, e o Almirantado só em 1875 e que suprimiu dos seus mapas o “Monte Brazil”. O próprio professor Westropp pensou vê-la a partir da costa da Irlanda em 1872 e os pescadores da ilha de Aran ainda hoje acreditam que ela se torna visível de sete em sete anos.

Provávelmente é a esta expedição dos moradores de Bristol que se refere o “Itinerarium” de William de Worcester: “A 15 de Julho de 1480, um navio pertencente a John Jay Junior, de 80 toneladas de carga, saiu de King’s Road em Bristol, em busca da ilha do Brasil, para lá da parte ocidental da Irlanda [sob o comando de Thomas Lloyd], o mais experiente marinheiro de toda a Inglaterra, e a Bristol chegaram notícias na segunda-feira, dia 18 de Setembro, de que navegaram durante cerca de nove meses e não encontraram a ilha, antes foram forçados pela tempestade a recuar até um porto (…) na Irlanda para descanso dos barcos e dos marinheiros (118)”.

SOBREVIVÊNCIA DO MITO NA CULTURA POPULAR CANARIANA ATÉ AO SÉCULO XVIII

Os habitantes das ilhas Canárias ainda procuravam a ilha mítica de San Borondon (São Brandão) no século XVIII, esperança que lhes era mantida pelas frequentes notícias de ter sido avistada (101).

SÃO TOMÉ NO BRASIL

Robert Southey na sua “História do Brasil” (120) refere uma curiosa história, relatada por Nóbrega, este jesuíta soube dos Tupinambás que duas pessoas, uma das quais chamavam Zome (Sume), lhes haviam ensinado o uso da mandioca. Os seus avós, contavam eles, desavieram-se com estes benfeitores e contra eles dispararam setas; mas as flechas voltaram para trás, acabando por matar os que as haviam despedido, e os rios separaram as suas águas para lhe darem passagem.

De Lery conta que um velho tupinambá, após ter ouvido uma exposição do sistema cristão dos franceses, afirmou que essa doutrina já aí tinha sido pregada, há tantas luas havia que o número se não podia recordar, por um estrangeiro vestido como eles, e também barbado. As suas palavras não foram, contudo, escutadas, e após ele veio outro, que entregou uma espada como sinal de maldição. (121)

Também Thevet descreve um Grão-Caraíba, que os índios tinham em tanta veneração como os turcos a Mafoma, que lhes teria ensinado o uso do fogo e o das raízes alimentícias. Robert Southey não hesita em identificar este figura com a do apóstolo São Tomé. (122)

COLONIZAÇÃO DO BRASIL POR ANDALUZES ?

Uma história muito estranha nos é contada por Frei Vicente do Salvador, na sua monumental “História do Brasil” (123), Frei Vicente terá lido esta lenda numa obra de um Diogo de Avalos, vizinho de Chuquiabue no Peru, a “Miscelânea Austral”. Segundo este nas “serras de Altamira em Espanha havia uma gente bárbara, que tinha ordinária guerra com os espanhóis e que comiam carne humana, do que enfadados os espanhóis juntaram suas forças e lhes deram batalha na Andaluzia, em que os desbarataram e mataram muitos. Os poucos que ficaram, não se podendo sustentar em terra, a desampararam e se embarcaram pera onde a fortuna os guiasse, e assi deram consigo nas Ilhas Afortunadas, que agora se chamam Canárias, tocaram as de Cabo Verde e aportaram no Brasil. Sairam dois irmãos por cabos desta gente, um chamado Tupi o outro Guarani; este último, deixando o Tupi povoando o Brasil, passou a Paraguai com sua gente e povoou o Peru.”

Esta lenda pode ter tido origem numa deformação do relato da fuga dos visigodos, comandados por sete bispos, que se terão refugiado numa ilha dita das “Sete Cidades”. A referência ao canibalismo poderá ter a sua razão de ser devido a uma procura das origens do canibalismo Tupi. Se assim fôr, trata-se de uma lenda muito deturpada e nada faz crer na sua realidade histórica.

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Salvagio

A norte de Antillia, no Beccario de 1435, e quase em linha vertical com esta, temos a ilha de “Saluagio” ou “Salvagio” (“u” e “v” são equivalentes). Este nome pode reflectir algumas influências do conjunto de ilhas que existem ao largo da Madeira e que, modernamente, possui precisamente esse nome. Na sua forma imita, grosso modo, a ilha de Antillia, tal como esta apresenta baías artificiais, mas desta vez três opostas. No Roselli (1468), a ilha surge na forma “Saluaega”. A ilha é também representada no mapa Bianco de 1436, embora somente na sua parte inferior devido a limitações do material.

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Reylla

Para além da Antillia, existe no mapa Beccario (1435) outra ilha de grandes dimensões, colocada aproximadamente na mesma posição real em relação a Cuba que a Jamaica (será esta a sua identificação?). Trata-se da ilha de Reylla, menor que a de Antillia, mas nem por isso de pequenas dimensões. O seu nome poderá bem significar “Rainha das Ilhas”, talvez pelo seu clima e riquezas naturais, uma vez que não é a maior do arquipélago.

O mapa Roselli de 1468, propriedade da “Hispanic Society of America”, é bastante semelhante ao Beccario de 1435, excepto ao representar a ilha de Reylla apenas parcialmente, mas esta diferença deve-se a limitações do material.

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Quids S5-9: Que tanque é este?

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Dificuldade: 2

Regulamento:

1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

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Antilia

INTRODUÇÃO

Já o professor Florentino Paolo Toscanelli tinha mencionado Antilia no meio do oceano Atlântico, entre Cipango, a leste, e São Brandão, a oeste, abaixo da ilha mítica de Mano Satanaxia. Dava mesmo uma estimativa das distâncias: devia contar-se “vinte e seis espaços de Lisboa até Quinsay (China) e dez espaços de Antilia até Cipango (Japão)”. Um espaço era um intervalo de meridianos, ou sejam duzentas e cinquenta milhas marítimas ou, então, cinco graus. Vignaud defende que Colombo não pretendia chegar até a Ásia, mas sim a Antilia (44).

O nome Antilia aparece pela primeira vez no mapa de Beccario de 1435, aplicando-se aqui à maior de um grupo de quatro grandes ilhas. Colectivamente designadas como “Insulle a Novo Repte” (ilhas de novo assinaladas). O mapa de Benincasa (de 1482) menciona nomes para as baías da ilha, lidos por Kretschmer como Aira, Ansalli, Ansodi, Con, Anhuib, Ansesseli e Ansolli. Mas neste grupo de ilhas outra ilha possui mais topónimos, a ilha de Saluaga, tem também cinco baías, com os nomes de Arahas, Duchal, Imada, Nom e Consilla. Também o mapa anónimo de Weimar, possivelmente desenhado em 1424, mostra numa sua cópia fotográfica traços de nomes na ilha Antilia aí representada.

RELAÇÃO COM SETE CIDADES

A carta de Toscanelli de 1474 a Cristovão Colombo, recomenda a ilha de Antilia, como um ponto de repouso na viagem até Cathay. Nordenskiold no seu “Périplo” declara: “As the mention of this large island, the name of which was afterwards given to the Antilles, in the portolanos of the fourteenth century, is probably owing to some vessel being storm driven across the Atlantic (as, according to Behaim, happened to a Spanish vessel in 1414)” (75). A referência à Espanha não é limitativa, uma vez que na época quando se faziam referência a Espanha, se queria significar a Península Ibérica, e não necessariamente esse reino, a inscrição pode assim referir-se quer a um navio castelhano quer a um português.

Uma outra fonte parece também referir-se a este navio arrastado até as Antilhas: trata-se do mapa Ruysch de 1508. Aqui se indica que a ilha Antillia foi descoberta pelos espanhóis há muitos anos. Mas talvez se trate de uma redescoberta, uma vez que também menciona que foi este o refúgio do rei Roderico, que aí terá chegado no século VIII.

Observámos que diversas vezes se estabeleceu a associação entre a ilha de Antilia e a de Sete Cidades, embora alguns autores mencionem só um dos nomes e nenhum – ao que sabemos – refira as duas ilhas como realidades distintas. Poderiamos agrupar as duas secções que estabelecemos para estas duas ilhas numa só, mas porque acreditamos que com isso o trabalho perderia em organização optámos pela sua separação.

O mapa Beccario de 1435 fornece-nos bastantes informações sobre Antillia e sobre o grupo de ilhas que a rodeiam. Do seu grupo é a que esta colocada mais a Sul, e é também a maior de todas. É possível que exista alguma relação entre a Antillia deste mapa e a ilha de Cuba, esta relação é-nos sugerida pela sua forma. Trata-se de um rectângulo, estendendo-se desde a latitude de Marrocos até ao Norte de Portugal. No seu sector oriental existem quatro baías, opostas a três outras no ocidental. O seu carácter extremamente regular faz pensar na representação de baías artificiais, e o seu número – sete – faz pensar numa associação com o mito das “Sete Cidades”.

IDENTIFICAÇÃO DE PETER MARTYR DE ANTILLIA

As representações de Ruysch e de Behaim mostram Antillia no oceano profundo e isolada de qualquer outra terra, mas Peter Martyr d’Anghiera, contemporâneo e historiador de Colombo, escrevendo numa data anterior a 1511, afirma claramente que a ilha fazia parte de um arquipélago.

ANTILIA E ANTILHAS

Peter Martyr não foi o único a identificar Antilia com as Antilhas. O mapa de Canerio de 1502, incluí a legenda: “Antilhas del Rey de Castella”. Outro mapa (anónimo) da mesma época dá ao grupo de ilhas frente a América Central o nome contemporâneo de “Antilie”. Um mapa de cerca de 1518, por sua vez, incluí a inscrição: “Atilhas de Castela”. Um mapa catalão do século XV apresenta um grupo de ilhas a ocidente dos Açores, com diversos nomes, entre os quais uma com a denominação “Attiaela”.

A ANTILIA CONTINENTAL

Quando a exploração das costas americanas tinha já alcancado um nível razoável, começam a surgir representações de Antilia no continente americano. Um portulano do Museu Britânico Egerton MS. 2803) incluí o nome “Antiglia” no actual território venezuelano.

Antilia seria então a América? Pergunta-se Paul Gaffarel. A propósito de uma carta de Bianco que regista duas ilhas separadas por um estreito, Antilia e Man Satanaxio, um geógrafo alemão, Hassel, pretende que estas duas ilhas representam as duas partes do continente americano que, com efeito, se acreditava nos primeiros tempos depois do descobrimento, ser separado por um estreito. Formaleoni (15) não hesita em afirmá-lo, mas esta tese não possuí nenhum argumento sólido. A reforçar contudo este argumento surge Beccaria que numa sua carta de 1435, chama a Antilia e ao arquipélago que a rodeia “Insulae de novo repte” (repertae).

O mapa português, datado de 1508-1510, e a que já nos referimos, denominado “Egerton 2303” incluí a designação “Septem Ciuitates” já não numa ilha, mas sobre o continente americano, sinal da transferência para o Continente americano de uma lenda que começava a tornar-se incrível no meio de um oceano já razoávelmente reconhecido.

A ORIGEM DO NOME ANTILIA

Humboldt propõe “Al-tin”, do arábe “dragão”, como origem do nome “Antilia”. As navegações muçulmanas no Atlântico são conhecidas, e os dragões encontram-se entre os monstros mitológicos preferidos dos arábes. Contudo, não existe nada mais de substancial a suportar esta tese. Mas Humboldt propõe outra solução. Admite igualmente que Antilia pode surgir da junção de duas palavras portuguesas “ante” e “illa”. “Illa” e a forma arcaica de “ilha”. Da contracção destas duas palavras teria assim surgido “Antillia”, que se poderia interpretar como “ilha oposta” ou “ilha anterior”.

Alguns autores encontram uma relação entre Antilia e a Atlântida (10); outros, baseados nos seus conhecimentos das linguas orientais, pensam que Antilia correspondia ao Gezyret e Tennynn ou Ilha das Serpentes dos cosmógrafos árabes (a11): Com efeito, em algumas cartas do século XIV e XV é figurada uma ilha perto da qual esta desenhado um homem sendo devorado por uma serpente. Esta ilha é chamada de Antilia, o que pode ser a tradução do arabe Tennynn (“dragão”). Pretendeu-se ainda que Antilia fosse “ante insula”, ilha anterior, e, neste caso, Antilia não seria mais do que uma reminiscência dessa ilha misteriosa do Oceano, nomeada por Aristóteles de “antiportmos” e por Ptolomeu “aprositos”.

S. E. Morison sugere outra origem; crê este autor que o nome deriva de uma série de corruptelas dos cartografos, a partir de “Getulia”, o nome clássico da região noroeste de África. O mapa Pizzigani, de 1367, continha uma inscrição no mar, ao largo de Portugal: “Aqui há estátuas que ficam em frente as praias de Atullia”, ou seja, “Getulia”, daqui se terá derivado o nome até chegar a forma “Antillia”. Os cartógrafos portugueses identificaram-na com a das “Sete Cidades” (89). Quanto às estátuas falaremos delas mais adiante quando nos referirmos à eventual presença cartaginesa no arquipélago açoriano.

REFERÊNCIA A ILHA ANTILIA FEITA POR LAS CASAS

Las Casas num capítulo da sua “Historia de las Indias”, “na qual se contêm muitos e diversos sinais e indicações que foram dados a conhecer a Colombo por diversas pessoas”, e mais adiante, “Nas cartas marítimas feitas em tempos remotos, estavam representadas várias ilhas naqueles mares e partes, especialmente a ilha chamada Antilla e eles colocaram-na um pouco acima de 200 léguas a oeste das ilhas Canárias e dos Açores.” (88)

FERNÃO TELES EM BUSCA DE ANTILIA

Na parte final do reinado de Dom João II, um tal açoriano de nome Fernão Teles teria procurado, em vão, a ilha Antilia. Infelizmente, apesar dos nossos esforços, não conseguimos encontrar mais nenhuma referência a esta expedição.

EM BUSCA DE ANTILIA

O globo de Martin Behaim, inspirado sem dúvida na carta de Toscanelli, situava Antilia a 330 graus e Lisboa a 15 graus. Em 1190, Alexandre Anfredi, um armador de La Rochelle, envia 10 navios “para lá do Sol”. Navios que não regressam. Anfredi abre falencia. Doze anos depois, o milagre: a frota do armador surge diante de La Rochelle, carregada de ouro e especiarias.

Em 1470, o piloto Pedro de Velasco parte dos Açores. Ele procura Antilhas, “ante ilhas”, a terra mais avancada para oeste, a areia das suas praias contém um terco de ouro puro. Velasco percorreu 150 léguas e desencoraja-se perante a imensidão do mar. Em 1484, contudo, Domingo de Arco afirma ter avistado numerosas ilhas ao largo dos Açores: miragens, nuvens, “terras de manteiga” ou ilusões. Em 1570 mais de cem testemunhas afirmam terem avistado, 40 léguas a noroeste da ilha do Ferro, uma das Canárias, uma terra: duas colinas arredondadas separadas por um vale, calhetas, praias. Era, de facto, uma miragem: a costa ocidental da ilha de Palma reflectida, devido a determinadas condições atmosféricas nas nuvens. De acordo com a moda de então, julgou-se ter identificado a ilha de São Brandão.

No século XVI, Pierre de Medine, autor do “Traite de l’Art de Naviguer” escreveu o seguinte:

“Não longe da ilha da Madeira, havia uma outra ilha que se chamava Antilia e que já não se vê mais, hoje em dia…Num Ptolomeu , que tinha sido dirigida ao papa Urbano (Urbano VI), encontrei esta ilha, indicada com a seguinte legenda: Esta ilha Antilia foi outrora descoberta pelos Portugueses, mas hoje já não se avista quando é procurada. Aí foram encontradas pessoas de língua espanhola, que consta terem-se refugiado nesta ilha fugindo dos Bárbaros que invadiram a Hispânia, no reinado do rei Rodrigo, o ultimo a governar a Hispânia no tempo dos Godos. Há um arcebispo com seis outros bispos, e cada um deles tem a sua cidade própria, o que leva muitas pessoas a chamarem-lhe a ilha das Sete Cidades; o povo vive muito cristãmente, cumulado de todas as riquezas deste mundo”.

Pedro de Medina (12), cronista espanhol do século XVI, autor das “Grandezas e coisas memoraveis de Espanha”, conta que, num Ptolomeu oferecido ao Papa Urbano VI, que reinou de 1378 a 1389, surgia a ilha Antilia com a seguinte legenda: “Isla insula Antilia, aliquando a Lusitanis est inventa, sed modo, quando quaeritur, non invenitur.”. Trata-se provávelmente de uma carta suplementar, que os sábios do século XVI tinham por hábito juntar as edições de Ptolomeu, actualizando-as com as descobertas geográficas, a fim de actualizar o seu autor favorito.

ANTILIA E O ARQUIPÉLAGO AÇORIANO

Buache (13) julga encontrar Antilia nos Açores. Mas este arquipélago é desenhado já desde o século XIV, pelo menos a acreditarmos no portulano de 1351 (14). Se Antilia correspondesse a São Miguel ou a qualquer outra ilha do grupo açoreano não teria continuado a figurar nas cartas da época que já incluem os Açores, como é o caso das cartas de Bianco e nas de Behaim.

ANTILIA DESAPARECE DA CARTOGRAFIA

À medida que continua o reconhecimento do Atlântico, Antilia começa a desaparecer da cartografia. As ilhas descobertas por Colombo não são conhecidas nos primeiros cronistas espanhois, como o próprio Colombo, Gomara, Acosta e Oviedo nunca chamam às modernas Antilhas “Antilia”. Os mapas acrescentados aos Ptolomeus tão pouco. Semelhantes são as cartas de Juan de la Cosa e de Ribeiro, assim como na recolha italiana de todas as ilhas do mundo feita por Benedetto Bordone, no “Isolario” de Porcacchi, na “Cosmographie” de Andre Thevet (de 1575), na descrição das índias ocidentais de Herrera (de 1615), nunca figura o nome de Antilia. O arquipélago que exibe hoje esse nome aparece sob a denominação de Lucayas, Caraibas ou ainda Camercanas. E verdade que Pedro Martyr tinha já proposto esse nome nas suas “Oceanica”, e Americo Vespucio (“Venimus ad Antigliae insulam sese reperisse refert Columbus, sed, cosmographicorum tractu diligenter considerato, Antiliae insulae sunt illae et adjacentes aliae.”). Mas é somente a partir do século XVII as cartas de Wytfliet (16) e de Ortelius (17), que para mostrarem a sua erudição haviam feito reviver essa denominação. Mas tratam-se de casos isolados e de algum modo demonstrativos.

Surge ainda uma representação tardia num mapa de Descelier de 1546, que apresenta a ilha na região das Bermudas. O seu tamanho é aqui considerável e possuí uma costa bastante irregular. Uma breve inscrição dá-lhe o nome de Sete Cidades e refere que pertence a Portugal. Os mapas de Ortelius (de 1570) e de Mercator (de 1587) deslocam-na mais para Sul e para águas mais profundas. Após 1587, se exceptuarmos a Lagoa das Sete Cidades, o nome desaparece totalmente da Cartografia.

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I in Mar

Perto da ilha de Salvagio encontra-se, ainda neste mapa de 1435, a ilha designada como “I In Mar”, com a forma aproximada de um crescente. “I” deve ler-se como “ilha”, quanto a “Mar” reforça a nossa convicção que este mapa, quanto a este grupo de ilhas, se baseia em fontes portuguesas. A leitura de “I” como “ilha”, e reforcada quando observamos que no mapa Roselli de 1468, a ilha possuí apenas a designação “In Mar”. O seu nome poderá significar, bastante directamente, “ilha situada no oceano profundo”, o que não pode deixar de ser verdade, para uma ilha situada tão profundamente dentro do Atlântico.

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Quids S5-8: O que se guarda aqui dentro?

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Dificuldade: 4

Regulamento:

1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

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A Ilha das Sete Cidades

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Parte do mapa Desceliers de 1546 mostrando a Ilha das Sete Cidades e outras ilhas imaginárias.

Martin Behaim, no seu famoso mapa-mundi de Nuremberga, datado de 1492, desenhava sobre a ilha das Sete Cidades a seguinte legenda: “Quando corria o ano 714 depois de Cristo, a Ilha das Sete Cidades, acima figurada, foi povoada por um arcebispo do Porto em Portugal, com outros seis bispos e cristãos, homens e mulheres, os quais, tinham fugido de Espanha em barcos, e vieram com os seus animais e fortunas. Foi por acaso que no ano de 1414 um navio castelhano dela se aproximou” (63). Mesmo depois da descoberta da América, Fernando Colombo, na sua “Vida do Almirante” acreditava na existência dessa ilha, e torna a contar a história em termos quase idênticos. “Contam que no oitavo século da era cristã, sete bispos portugueses, seguidos dos seus crentes, embarcaram para essa ilha, onde construíram sete cidades, e que não quiseram mais deixar, tendo queimado os seus navios para eliminar a possibilidade de regresso” (65). Sem discutir a falsidade ou veracidade desta lenda, reconhecemos contudo que o instinto de todos os povos conquistados e de sonhar com a restauração, os bretões não sonhavam com o seu Artur, os judeus não sonhavam com um Messias? Do mesmo modo, segundo Gaffarel, na Hispânia estes godos teriam fugido a ocupação muçulmana para um refúgio atlântico de onde se esperava que viessem para restaurar o reino cristão da Hispânia.

Em 1447 um português, empurrado por uma tempestade no Atlântico, teria desembarcado (1) numa ilha desconhecida, onde encontra sete cidades, nas quais os seus habitantes falavam o português (2). Este últimos teriam querido retê-lo, uma vez que não queriam manter nenhuns contactos com a sua antiga pátria, mas teria conseguido escapar, e regressado a Portugal, onde conta a D. Henrique as suas aventuras. O Navegador critica fortemente o capitão por ter fugido sem ter obtido mais informações, e o marinheiro assustado nunca mais foi visto. Esta história causou polémica na altura em que foi publicada. Alguns eruditos identificaram esta ilha com a ilha fenícia identificada por Aristóteles (3) e por Diodoro da Sicilia (4) e em numerosas cartas, onde surge com o nome de Ilha das Sete Cidades (5).

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Parte do mapa conhecido como Egerton 2803, que mostra Sete Cidades na América do Norte e “Antiglia” na América do Sul.

AS SETE CIDADES DE SÃO MIGUEL

Gaffarel lançou a hipótese de a Ilha de São Miguel nos Açores ser essa ilha mítica. Sem dúvida que os tremores de terra são aí frequentes. Um só ou uma sucessão deles poderiam ter destruído as cidades, mas teriam restado algumas ruínas que ainda hoje fossem visíveis. Somente o nome de Lagoa das Sete Cidades poderá ser uma leve reminiscência, isto a crer nesta hipótese.

Como escrevemos o nome de Sete Cidades sobrevive hoje no arquipélago açoriano. Buache (68) crê ser esta a genuína Sete Cidades. Humbolt (69) tem outra opinião, defendendo a associação desta lenda com a das Sete Cidades de Cibola. Esta última tese não é contudo muito credível – apesar do renome do autor – pois não parece provável que navegantes visigóticos tenham alcançado o México em 711.

Existem relatos antigos de algumas ruínas perto da Lagoa das Sete Cidades, mas, ao que sabemos, não existem actualmente vestígios dessa ordem. (70)

ASSOCIAÇÃO ENTRE AS ANTILHAS E SETE CIDADES

A história da fuga dos sete bispos é-nos contada por Las Casas (90), mas António Galvão relata-nos uma outra ligeiramente diferente no seu Tratado (Lisboa, 1563), concluindo: “E alguns pretendem que estas terras e ilhas que os Portugueses tocaram são aquelas a que agora se chama Antilhas e Nova Espanha, e avançam muitas razões para tal, as quais não menciono porque não quero ser responsável por elas, tal como as pessoas terem o hábito de dizer, de qualquer terra de que nada soubessem, tratar-se da Nova Espanha.” (91) No mapa Ruysch de 1508 existe uma grande ilha na Latitude N 37o e 40o. Chamada “Antilia Insula” tem uma grande legenda que afirma ter sido descoberta há muito tempo pelos espanhóis, cujo último rei godo, Roderico, que aqui se havia refugiado da invasão bárbara (64).

SETE CIDADES NO CONTINENTE AMERICANO

No século XVI muitos julgaram encontrar as Sete Cidades no continente americano. Um padre franciscano, Marcos de Niza (6), com base em lendas, infiltra-se em 1539 na América do Norte, mais especificamenta na Califórnia, com a esperança de encontrar um pais, chamado Cibola pelos indígenas, as sete cidades da lenda. Acompanhado por três franciscanos e de um negro que dizia conhecer o território. A expedição atinge regiões inexploradas, e narra no seu regresso que havia visto ao longe sete cidades brilhantes, das quais havia tomado posse em nome do rei de Espanha. A sua narrativa entusiasta decide o envio de uma expedição considerável, comandada por um nobre de mérito, F. Vasquez de Coronado (7); mas o pequeno exército, depois de ter passado por grandes sofrimentos, chegou ao sopé de um rochedo árido, sobre o qual se erguia com efeito Cibola, mas não a rica Cibola da lenda, e sim uma pobre aldeia índia.

Não se descobriram nem sete cidades cristãs, nem um povo guardando as velhas tradições visigóticas, mas um país nos arredores do Rio Gila, perto da fonte do Rio Del Norte. Curiosamente, a região compreendia 70 burgos repartidos por sete províncias. Parece mesmo que, hoje em dia, em Zuni, a cidade principal da antiga Cibole, se encontram índios de cabelos brancos e de rosto claro. Sobre o seu aspecto escrevia um viajante contemporâneo: (8) “Não são índios! Há muitos entre eles que tem feições tão claras como as dos mestiços. Entre as mulheres, particularmente, muitas tem a pele quase branca, os olhos cinzentos ou azuis”. Por outro lado, uma história contada por Sahagun (9), escrevia sobre a origem dos Nahuatl: “A história que contam os antigos é que eles vieram por mar do lado do norte… Conjectura-se que estes naturais terão saído de sete grutas, e que estas sete grutas são os sete navios ou galeras nas quais chegaram os primeiros colonos.” Este primeiros colonos seriam os sete bispos visigodos e os seus seguidores?

LIGAÇÃO ENTRE A ILHA IMAGINÁRIA DE ANTILIA E SETE CIDADES

M. d’Avezc conta que Antilia era conhecida, marcada e visitada no século XV; Toscanelli, segundo ele, tinha escrito à corte de Portugal as seguintes palavras: “Esta ilha de que tendes conhecimento e que vós chamais das Sete Cidades”…

O filho de Cristovão Colombo, Fernando, na “Vida de Meu Pai”, precisa por seu lado: “Alguns portugueses inscreviam-na nas suas cartas com o nome de Antilia, embora não coincidisse com a posição dada por Aristóteles; nenhum a situava a mais de 200 léguas, aproximadamente, a Ocidente das Canárias e dos Açores. Tem por certo que é a iIha das Sete Cidades, povoada por portugueses no tempo em que a Hispânia foi conquistada, ao rei Rodrigo, pelos Mouros, isto é, no ano 714 depois de Cristo”. Fernando Colombo assegura que, ainda em vida do Infante Dom Henrique, um navio atracou em Antilia/Sete Cidades; os marinheiros foram a igreja e verificaram que aí se praticava o culto romano.

Talvez seja como reflexo destas histórias que circulavam entre os marinheiros que teve início a iniciativa referenciada por Las Casas: “Alguns partiram de Portugal para encontrar esta mesma ilha [das Sete Cidades] que em linguagem vulgar se chama Antilla, e entre os que partiram estava um Diogo Detiene, cujo piloto, chamado Pedro de Velasco, natural de Palos, declarou ao dito Cristovão Colombo, no mosteiro de Santa Maria da Arrábida, que, tendo partido da ilha do Faial e prosseguindo 150 léguas com o vento lebechio (NW), descobriram, no regresso, a ilha das Flores, guiados por muitas aves que viram voando para lá, e reconheceram que eram aves terrestres e não maritimas, e assim pensaram que iam dormir a alguma terra. Em seguida, e dito que navegaram tanto para NE que tinham o Cabo Claro (na Irlanda) para E (94), onde acharam que os ventos eram muito fortes, e os ventos de oeste e para o mar muito suaves, o que acreditavam que devia ser por causa da terra que devia ali existir, a qual lhes oferecia abrigo a Ocidente; a qual não persistiram em explorar, porque já era Agosto e recearam [a aproximação do] Inverno. Ele disse que isto aconteceu 40 anos antes de Cristovão Colombo descobrir as nossas Índias (95)”.

RELAÇÃO COM A ILHA BRAZIL

Pedro de Ayala, embaixador espanhol na Grã-Bretanha, em 1498, relatando as navegações inglesas a Fernando e Isabel, escreveu, conforme menciona Babcock, as seguintes linhas: “The people of Bristol have, for the last seven years, sent out every year two, three, of four light ships in search of the island of Brasil and the seven cities” (62). E, com efeito, ao que tudo parece indicar, realizou-se pelo menos uma expedição em busca da ilha Brazil.

A primeira aparição da ilha Brazil é a do mapa de Dalorto (de 1325), onde surge como uma ilha de forma discóide. No mapa Catalão de 1375 este disco transformou-se num anel rodeando um conjunto de ilhas, para Nordenskiold nove, para Kretschmer sete. Este último número pode representar um fenómeno não raro em diversas ilhas míticas, o cruzamento entre lendas.

FERNÃO DULMO DA TERCEIRA PROCURA A ILHA DAS SETE CIDADES

Existe uma carta de doação, emitida por D. João II a Fernão Dulmo da Terceira, no ano de 1486. Este Fernão Dulmo era na verdade Ferdinand van Olm, um dos flamengos que se haviam estabelecido nos Açores. Dulmo declarara ao monarca que se propunha “procurar e achar uma grande ilha ou ilhas ou terra firme per costa (114), que se presume ser a ylha das Sete Cidades, e tudo isto as suas próprias custas e despesas”. Uma cláusula revela a importância que o monarca atribuía ao descobrimento da dita ilha: ” No caso de ele não conseguir conquistar as ditas ilhas ou terras. Nós enviaremos, com o dito Fernão Dulmo, homens e esquadras de barcos com poder Nosso para efectuar o mesmo, e o dito Fernão Dulmo será sempre Capitão General das ditas esquadras e está por Nós sempre autorizado, porque seu Rei, como Nosso súbdito” (115).

Fernão Dulmo iniciou os preparativos para a expedição chamando para o ajudar João Afonso do Estreito e pedindo que o rei o admitisse na partilha da empresa e dos lucros. Estreito forneceria duas caravelas, aprovisionadas para navegar durante seis meses, que deveriam zarpar no dia 1 de Março de 1487, Dulmo contrataria pilotos e marinheiros e pagar-lhes-ia os salários. Durante quarenta dias Dulmo seria o comandante-general, estabelecendo o rumo para as duas caravelas, e tomando para si todas as terras descobertas, depois do que Estreito seria, por sua vez, capitão-general e se apoderaria de todas as terras avistadas. Tudo isto, o monarca confirmou a 24 de Julho e 4 de Agosto de 1486. (116) Las Casas poderia referir este empreendimento, quando escrevia as seguintes linhas: “Mais adiante, um marinheiro chamado Pedro de Velasco, um galego, contou a Cristovão Colombo em Murcia que, seguindo numa certa viagem a Irlanda, estavam a navegar e a afastar-se tanto para NW, que viram terra a oeste da Irlanda, a qual eles pensaram que devia ser a que um Hernan Dolinos procurou descobrir, tal como agora se deve dizer (117)”. A referência a quarenta dias previstos é curiosa, porque bastaram trinta e seis para fazer Colombo chegar ao Novo Mundo. Mas, se não mais se ouviu falar destes navegadores e porque a sua expedição foi frustada, provávelmente pelas difíceis condições existentes no mês de Março para quem se propõe navegar na direcção Oeste, conforme nota Samuel Eliot Morison na sua obra “As Viagens Portuguesas à América”.

COLONOS PORTUGUESES NO BRASIL ANTES DE 1500?

A lenda de emigrados portugueses numa ilha Atlântica poderá ter algo a ver com repetidos relatos, embora não merecedores de muita confiança, da presença de colonos portugueses no Brasil ainda antes da chegada da armada de Pedro Álvares Cabral. O primeiro relato refere que o mais velho habitante vivo do Brasil teria declarado, no seu leito de morte em 1580, que vivera naquele país “cerca de noventa anos”. Outro relato é o de um certo Estevão Fróis, encarregado de um barco capturado pelos espanhóis: “Tinham má vontade em receber da nossa parte a prova do que alegávamos; nomeadamente, que Vossa Alteza tivera a posse destas terras [Brasil] durante vinte anos e mais, e que já João Coelho da Porta da Cruz habitante de Lisboa ali viera com outros para descobrir” (119) Estas histórias são pouco credíveis uma vez que a primeira colónia, nem sequer foi portuguesa mas francesa, fundada por Christophe Jacques, por volta de 1516. A primeira colónia nacional só se instalaria em Olinda em 1530, sob o comando de Duarte Coelho Pereira.

EM BUSCA DE ANTILIA/SETE CIDADES

Como vimos Fernando Colombo relata como “no tempo do Infante Henrique de Portugal (+-1430), um navio português foi empurrado pelo mar para esta ilha Antilla.” A tripulação foi à igreja com os ilhéus mas receou ficar detida na ilha e fugiu assim que pôde. O Príncipe ouviu a sua história e ordenou-lhes que voltassem à ilha, mas os marinheiros largaram e não tornaram mais a ser vistos. Fernando relata que a areia de Antillia era composta de um terço de ouro puro. Galvão relata uma outra visita mais tardia, ou então uma outra versão da primeira:

“In this yeere also, 1447, it happened that there came a Portugall ship through the streight of Gibraltar; and being taken with a great tempest, was forced to runne westwards more then willingly the men would, and at last they fell upon an Island which had seven cities, and the people spake the Portugall toong, and they demanded if the Moors did yet trouble Spaine, whence they had fled for the losse which they received by the death of the king of Spaine, Don Roderigo.

“The boateswaine of the ship brought home a little of the sand, and sold it unto a goldsmith of Lisbon, out of the which he had a good quantitie of gold.”

“Dom Pedro understanding this, being then governour of the realme, caused all the things thus brought home, and made knowne, to be recorded in the house of justice.”

“There be some that thinke, that those Islands whereunto the Portugals were thus driven, were the Antiles, or Newe Spaine.” (66)

Um outro relato nos chega através de Faria e Sousa, traduzido pelo Capitão John Stevens:

“Depois da derrota de Roderico os mouros espalharam-se pela província, cometendo barbáries inumanas. A maior resistência era em Mérida. Os defensores, muitos dos quais eram portugueses, que pertenciam ao Supremo Tribunal da Lusitânia, eram comandados por Sacaru, um nobre godo. Muitas acções corajosas decorreram neste cerco, mas como não apareciam reforços e as provisões começavam a escassear a cidade rendeu-se sem condições. O comandante da Lusitânia, atravessando Portugal, chegou a uma cidade costeira, onde, reunindo um bom número de navios, lançou-se ao mar, mas ignora-se a que parte do mundo eles foram. Existe uma antiga lenda de uma ilha chamada Antilla no oceano ocidental, habitada por portugueses, mas que ainda não pôde ser descoberta.” (67)

A versão do capitão Stevens acrescenta bastante à versão original. O texto original refere que os fugitivos fizeram-se ao mar para as Ilhas Afortunadas (Canárias ?), a fim de aí poderem preservar a sua raça. O texto menciona igualmente que essa ilha havia já sido alcancada pelos portugueses, sendo habitada por eles nas sete cidades que aí haviam construído: “tiene siete cividades”.

Este último relato menciona uma movimentação a partir de Mérida, o que é perfeitamente credivel, e o comando por um militar também seria admissível natural numa deslocação efectuada em tais condições. Existem portanto algumas provas factuais que podem apoiar esta versão da lenda

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Quids S5-7: O que é isto?

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Dificuldade: 1

 

Regulamento:

1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

Categories: As Ilhas Míticas do Atlântico, Quids S5 | 17 comentários

Quids S5-6: Onde combatem estes homens?

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Dificuldade: 3

 

Regulamento:

1. Cada participante pode dar uma resposta antes da minha réplica, confirmando ou não a correcção da mesma.

2. Sempre que fôr desejável, ou que o Quid se revele mais difícil que o esperado podem ser dadas ajudas, sempre uma de cada vez e com facilidade crescente. As ajudas não diminuem a pontuação do Quid.

3. Haverá um Quid por dia, lançado entre as 12:30 e as 14:30 (salvo imprevistos!) de Segunda a Sexta.

4. Os Quids da Série terminam quando um dos participantes alcançar 50 pontos.

5. Cada Quid conterá uma cópia deste Regulamento.

Categories: As Ilhas Míticas do Atlântico, Quids S5 | 11 comentários

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