Agricultura

A Agricultura Urbana na cidade de Chicago

“Food garden” no Canadá (http://grandview.vsb.bc.ca)

As guerras do futuro serão mais guerras de água e alimentos que guerras por território e energia, como atualmente e no passado. Num contexto em que a população mundial não pára de crescer é cada vez mais importante que se desenvolva a produção agrícola, mesmo nos locais mais improváveis, como os espaços urbanos.

Neste contexto, a Agricultura Urbana assume-se como uma estratégia viável para enfrentar a insegurança alimentar, estimular o desenvolvimento económico e realizar reduções nas emissões de CO2 (menos gastos de transporte e armazenamento de frio). A Agricultura Urbana não é nenhuma utopia. Ela foi adotada em praticamente todas as cidades, mas a sua relevância para a produção total de alimentos sempre foi difícil de medir. Um problema que um grupo de cientistas da Universidade de Illinois enfrentou ao desenvolver uma metodologia que permite quantificar a produção de alimentos da Agricultura Urbana da cidade de Chicago. A metodologia inclui além das clássicas hortas urbanas comunitárias ou exploradas por ONGs (700 segundo listas oficiais), também jardins, hortas e varandas particulares, numa nova abordagem. A lista assim elaborada por carregada para o Google Earth lista no mapa jardins comunitários, lotes de jardins urbanos disponíveis, quintas urbanas, jardins escolares e até “food gardens” domésticos que se queiram registar no sistema. A este registo voluntário ou intencional, a equipa de investigadores da Universidade de Illinois somou uma tarefa intensiva de observação via Google Earth das zonas de Chicago que pareciam estarem também a ter uso agrícola, mas que não se encontravam registadas em nenhum sistema. Deste trabalho resultou a identificação de mais quatro mil “food gardens” anteriormente desconhecidos, quase todos situados em residências e com menos de cinquenta metros quadrados. Visitas por amostragem confirmariam a função alimentar da sua maioria e a conclusão final de que existiam no interior do perímetro da cidade de Chicago uma estimativa total de 4648 locais de agricultura urbana, ocupando um total (estimado) de 264.181 metros quadrados.

Estas conclusões revelam que a agricultura urbana tem um contributo significativo para os alimentos consumidos na cidade de Chicago, dando um contributo para segurança alimentar na cidade, para o reforço dos laços comunitários e familiares.

Fonte:
http://www.seeddaily.com/reports/Finding_Chicagos_food_gardens_with_Google_Earth_999.html

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Porque não está já em vigor o “Banco de Terras”?

“A Bolsa de Terras, indispensável porque os detentores dos meios de produção muitas vezes não têm apetência ou capacidade (técnica e financeira) para produzir, pode revelar-se um fator sério de alavancagem do setor agrícola, pois permitirá que terrenos incultos se transformem em unidades produtivas, por via de investimentos, sejam nacionais ou estrangeiros, com a consequente elevação do produto agrícola, reduzindo o colossal défice crónico da nossa balança alimentar.
Desse modo, o Governo fez agora sair (dez de dezembro) os Decretos-Lei onde é determinado que a Bolsa de Terras se socorrera de terras sem dono conhecido, de terrenos públicos, baldios e terras de proprietários que queiram beneficiar de uma redução do IMI entre 50% e 100% e de 75% dos emolumentos, isto a partir do fim do programa de assistência financeira e depois da avaliação dos prédios rústicos.
Ou seja, foi feira mais uma lei que não vai ter aplicabilidade imediata (…) se a ideia era obrigar os proprietários sem vontade ou disponibilidade para produzir a cederem as suas terras, estes vão pode continuar como até aqui estavam, sem produzir, pois não vão ter no imediato qualquer incentivo.”

António Reis Pereira
Público, 6 janeiro 2013

Portugal tem uma tradicional crónica dependência das importações alimentares. Apesar disto e de boa parte dos nossos melhores solos estarem ocupados por malha urbana, fruto de duas décadas construção civil selvagem e de autarquias paralisadas pela dependência dos impostos assim arrecadados, o certo é que se verificado um “regresso aos campos”: a produção agrícola está a subir e, com ela, as exportações.

Mas Portugal tem – além deste crónico défice alimentar – uma crónica escassez de solos agrícolas. A proposta para este “Banco Publico de Terras” era assim uma forma eficaz para acorrer ao segundo, por forma a resolver o primeiro problema. O problema é que perdido nesta sanha fiscal de Gaspar, hiperpreocupado em aumentar o Confisco e despreocupado com o corte da Despesa, o Banco de Terras tombou. Vitimado pela ânsia de Cobrar a torto e a direito, sem uma visão de futuro (ou presente) deixou que o aumento do IMI consumisse as suas potencialidades, adiando a sua efetividade para as Calendas Gregas, isto é, para o “depois” da Troika.

Portugal é um país adiado, paralisado e incapaz de agir perante um Governo inepto e robotizado perante o façanhudo e arrogante mandato europeu (CE e BCE) que nos manda empobrecer, mas que quer que continuemos a pagar aos eus Bancos norte-europeus e a importar das suas agriculturas industriais e hipersubsidiadas.

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Agostinho da Silva: “O conflito é muito grave; o progresso material exige que se abandonem todos esses hábitos mentais de vago impressionismo e de palpite, sob pena de inevitável catástrofe económica e política”

Agostinho da Silva

Agostinho da Silva

“O conflito é muito grave; o progresso material exige que se abandonem todos esses hábitos mentais de vago impressionismo e de palpite, sob pena de inevitável catástrofe económica e política; uma Humanidade que não resolva, imediatamente, o problema da distribuição está votada, pela miséria que cria, a todos os desesperos e a toda a baixa de dignidade, que trazem; como consequência, a tirania.”
Agostinho da Silva, Sanderson e a Escola de Oundle

Num mundo de contrastes tão escandalosos quanto violentos, em que no mundo dito desenvolvido se desperdiça um terço dos alimentos comprados e se perde até um quarto entre a produção e a comercialização e no resto do globo se morre ainda de fome, há claramente um problema de distribuição.

Não há ainda na Terra (nem haverá nas próximas décadas) nenhum problema de produção de alimentos. O que existe é um grave problema de distribuição. Muitos alimentos perdem-se na armazenagem e na distribuição e em países como o Reino Unido um terço de todos os alimentos comprados são descartados sem chegarem a serem consumidos.

As soluções não são fáceis, mas os benefícios que delas resultam são tremendos. Perante o falhanço rotundo do sistema centralista experimentado nos vários regimes comunistas e confrontados com a ineficácia do atual sistema capitalista, urge conceber outras soluções, sem preconceitos nem ideias feitas. A este respeito não podemos deixar de nos recordar que a maior ameaça à produção de alimentos nos países do Terceiro Mundo é a agricultura industrial. Devemos também considerar opções radicalmente diversas de todas aquelas que ate agora foram ensaiadas. Considerados em primeiro o principio da autonomia e independência alimentar, em que cada região e país se deve bastar para a satisfação das suas necessidades básicas. Consideremos igualmente as “economias gratuitas” de Agostinho ou a livre propriedade ou propriedade comunal da Idade Media portuguesa. Ponderemos tudo isto com uma devida dose de imaginação e inteligência criativa e acabaremos por descobrir a solução para o problema mundial da distribuição de alimentos.

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Luciano Amaral: “A partir de 1986, a agricultura portuguesa sentiu uma série de choques negativos”

“A partir de 1986, a agricultura portuguesa sentiu uma série de choques negativos, que apenas foram mitigados graças a um regime transitório alargado, de dez anos. Mas a partir de 1996 a PAC passou a ser plenamente aplicada. Ora, a PAC é um sistema desenhado para beneficar sobretudo os produtores agrícolas dos países centrais da União, não sendo muito favorável aos produtos típicos portugueses. Em suma, estes 30 anos de políticas hostis à agricultura portuguesa tradicional conduziram por um lado, ao definhamento do setor e, por outro, à manutenção de baixos valores de produtividade.”

Economia Portuguesa, As últimas décadas
Luciano Amaral

Esta foi a estratégia europeia: destruir o tecido produtivo português, tercializando a nossa economia e tornando o país dependente em 70% de alimentos produzidos na Europa. Os défices comerciais crescentes foram sendo disfarçados recorrendo a doses massivas de crédito, mas quando esta torneira secou, a partir de 2008, a insustentabilidade da situação económica do país tornou-se evidente a todos.

Portugal tem que assumir como desígnio estratégico fundamental a independência alimentar. Não temos recursos para subsidiar as pescas ou a agricultura e a Europa está mais interessada em subsidiar Espanha, França, a Holanda ou a Alemanha, pelo que não podemos contar com ela, mesmo se permanecermos na União Europeia… Restam assim as barreiras alfandegárias.

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Cerco a Portugal

Portugal e os portugueses estão aparentemente cercados por todos os lados: De um lado temos os nossos “amigos” europeus que depois de terem derramado milhões de euros em subsídios em troca do desmantelamento dos setores primários e da aceitação do escancaramento de fronteiras às importações chinesas, exigem agora “rigor” e sacrifícios a um povo cuja riqueza espoliaram e que deixaram que vivesse acima das suas possibilidades porque isso convinha à sua Banca (que nos emprestava) e à sua indústria e agricultura (que exportavam para o nosso país). Incapazes de resistir aos milhões de subsídios com que nos acenavam, cedemos, e torná-mo-nos num estéril país de “comércio e turismo”. Deste crime patriótico, somos todos culpados. Uns porque votaram no bi-partido PS-PSD que nos levou até aqui, outros, porque se abstiveram e deixaram-se ser bovinamente (des)governados.

Mas os subsídios europeus não financiavam tudo. A Europa deixou sempre margem (de 30 a 60 por cento) para que Portugal assumisse os custos. Incapaz de gerar riqueza para suportar a metade sequer das obras faraónicas do cavaquismo e do subsequente desnorte despesista das governações socialistas seguinte, com a duplicação do funcionalismo publico a cada década e o crescimento constante da despesa pública (com salários e aumentos dos mesmos acima da inflação ate 2002), Portugal acumulou défices orçamentais sucessivos, ano após ano, depois de 74, sempre compensados com dívida externa.

Chegamos agora a uma encruzilhada: Daqui em diante não é mais possível continuar a pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro para colmatar estes défices orçamentais: os juros são cada vez mais proibitivos e dentro em pouco tempo, ninguém nos quererá mais emprestar seja o que for.

Portugal tem assim duas vias:

A) começa a crescer acima dos 3% de forma consistente, por forma a gerar Emprego e a amortizar divida contraída depois de 1990 e contrai a despesa pública (obras, salários e pensões) abaixo deste valor ou

B) declara Bancarrota, total ou parcial, e assim descarta a dívida externa impagável, abandona o Euro (que sendo uma Moeda Forte dificulta grandemente as nossas exportações) e regressa ao Escudo. Na operação, cria condições para se libertar da canga que é o serviço da Dívida, sai dos Mercados financeiros e assim, cura o atual “vício da Divida” que nos faz pedir por mês uma média de um milhão de euros ao estrangeiro.

Estamos assim – enquanto nação – confrontados com estas duas opções e uma série de nuances entre elas em quantidade quase infinita. Portugal desde 1975 nunca conseguiu crescer mais do que 5% ao ano (e mesmo isso, no raro e irrepetível contexto de baixa de preços de petróleo, na década de 90). A via do crescimento é assim praticamente impossível, embora seja a via “oficial” que os Governos da República têm perseguido sem sucesso. É verdade que é possível repetir o “milagre” da baixa do preço de petróleo, através de um investimento muito ambicioso nas energias renováveis (um dos melhores legados do Socretismo), mas num contexto de impossibilidade de contrair mais divida externa tal opção não se encontra mais à disposição. A saída é assim incontrolável: declarar bancarrota, colocando unilateralmente a zero o nosso défice externo.

O processo será extremamente doloroso, mas afigura-se cada vez mais como o único possível. Implicará uma brutal redução dos padrões de vida de que nos habituámos todos a gozar, um termo súbito aos luxos como a troca de carro de 3 em 3 anos, as férias no estrangeiro, a aquisição do ultimo iPhone ou do mais gigantesco plasma, etc, etc. Aqueles que de entre nós os gozavam, irão perdê-los. E que nunca os teve, tão cedo não poderá sequer sonhar com eles.

A saída do euro só pode ser acompanhada da declaração de bancarrota, porque a moeda seguinte (“Escudo Novo”) terá que ter uma cotação várias vezes inferior ao Euro: entre dez a vinte vezes, de facto, por forma a criar condições de curto prazo para reforçar as nossas exportações e assim compensar a súbita saída dos Mercados. A transição para a nova moeda será dolorosa para todos… Quando fôr declarada, os Bancos serão fechados e anunciado o valor de câmbio (tipicamente num domingo) assim como um valor máximo diário de levantamentos.

Sob esta nova moeda nacional soberana será extremamente difícil no curto prazo comprar os bens essenciais de que nos habituámos a importar para viver. A escassez será crónica, por exemplo, nos alimentos, de que importamos hoje mais de 60% do consumo. Consequentemente, a inflação vai disparar e muito acima dos ajustamentos salariais subsequentes, reduzindo drasticamente o nosso padrão de vida, mas com o efeito positivo de reduzir também as importações de bens transaccionáveis, de reduzir a despesa pública com salários e de incentivar ao surgimento de empresas nacionais capazes de realizar a substituição (com bens sucedâneo) desses bens que agora é impossível importar.

O processo de regresso a uma divisa soberana, de abandono do Euro não é incompatível com a integração europeia nem com a União Europeia. Mas desde Maastricht que a Europa fez questão de se formatar como se fora mais uma “união económica” do que uma “união politica, social e cultural”. Gastando mais de metade do seu orçamento na Politica Agrícola Comum (PAC) e uma verba tremenda no seu funcionalismo, disperso por várias castas de privilegiados, a europa não tem a força anímica suficiente para resistir à morte da sua maior construção que é o Sistema Monetário Europeu. A europa que sair do funeral do Euro não será a mesma que nele entrou. Muito provavelmente, até, não vai sair de tudo, enfiando-se dentro do mesmo caixão, arrumando-se junto a ele e sendo ambos enterrados juntos.

Portugal não vai morrer. País milenar, que já venceu mais de dez bancarrotas e que enfrentou crises “terminais” muito mais graves que a presente. Será um pais menos “europeu”, mas mais soberano e independente. Mais livre para buscar as suas ligações culturais e emocionais com as nações da Lusofonia, reencontrar o ritmo de despesa e nível de vida que são realmente os seus e redesenvolver a sua industria e agricultura, livre enfim, dos travões impostos pelos europeus do norte e de uma globalização neoliberal que apenas favorece as grandes empresas financeiras e a China.

Portugal tem nesta saída da crise condições para deixar uma marca exemplar no mundo e na Historia: a sua bancarrota vai levar inevitavelmente à bancarrota do seu maior credor, a Espanha, o país “demasiado grande para falhar”, porque sendo uma das maiores economias mundiais, não há dinheiro bastante nos cofres do FMI ou do FEEF para o salvar. A bancarrota portuguesa e a forma como ela for declarada e o necessário “plano de emergencia financeira” que se lhe seguirá e que aqui delineamos nos seus contornos mais grosseiros poderão ser um farol para todos os países que no mundo estão hoje ameaçados pelo Monstro da Dívida. Portugal pode, assim, voltar a ser um farol do mundo. Assim, como hoje, a sua crise financeira ameaça a estabilidade do sistema financeiro globalizante estabelecido desde a década de 90.

Com sacrifício e dor, podemos criar condições para décadas de desenvolvimento económico, lento, mas seguro e comedido. Com essas duas capacidades que nunca perdemos podemos salvar as gerações vindouras desta embriaguez despesista em que nos enclausuraram. Falta liderança, foco e um desígnio nacional para vencer a dívida e assim, salvar a Pátria.

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Consequências das graves dificuldades com a época de cereais europeia

A Europa do norte experimenta um dos Verões mais secos dos últimos 50 anos. As colheitas estão em risco e em França – dado o baixo nível dos rios – há também o risco de falhas generalizadas de energia porque a água que corre nos rios é insuficiente para arrefecer os reatores das centrais e algumas destas – a menos que chova muito – terão que ser desligadas.

Esta situação vai levar a um aumento mundial nos preços dos cereais e isto num contexto onde já antes a FAO previa para 2012 um aumento global do preço deste tipo de alimentos.

O governo francês está a enviar centenas de milhões de euros em subsídios para os seus criadores de gado e em mais de metade do território foram impostas capitações do consumo de água.

O problema com o reatores não é tanto que falte a água para os arrefecer, mas que como a quantidade de água nos rios é insuficiente isso vai aumentar a sua temperatura, criando catástrofe ecológicas nos vários rios franceses onde há centrais nucleares.

Uma situação semelhante ocorre na Alemanha, onde se espera uma quebra de 25% na produção de óleo de soja (a Alemanha produz 25% deste produto a nível europeu) e o risco de incêndio florestal está atualmente nos seus patamares mais altos.

Deixado para trás na agenda mediática o problema do Aquecimento Global regressa assim às nossas preocupações, recordando-nos que não desapareceu nem que foi resolvido… Estas más colheitas são também um mau sinal para as economias e para as dívidas externas europeias, já que o cereal em falta para a alimentação e para biocombustível terá que ser importado e pago com dólares.

Fonte:
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=europe-braces-for-serious-crop-losses

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A reforma da PAC

Nem toda a gente sabe, mas mais de 60% de todo o orçamento comunitário vai para a PAC (Política Agrícola Comum), e esta é devorada – em doses leoninas pelos “grandes” da Europa: França, Reino Unido e Alemanha, deixando para os restantes países apenas algumas migalhas que saltam fora do prato dos agricultores ricos do norte da Europa.

Assim, a notícia segundo a qual, a Comissão Europeia (CE) quereria reformar a PAC poderia ser positiva para uma Europa mergulhada numa profunda crise existencial, que ameaça a sua própria existência, pela corrosão sensível daquele que sempre foi o seu mais forte pilar: a economia.

A proposta da CE assenta fundamentalmente no “fim do sistema de pagamentos directos baseado em referências históricas que limitava os apoios em países com produtividade reduzida como Portugal”. Foi este o instrumento usado e abusado durante décadas pelos países ricos da Europa para levarem a que a maior parte do orçamento europeu fosse usado para financiar as suas agriculturas. Em vez destes “argumentos históricos” ligados à produtividade agrícola, agora a proposta da CE, advoga que o critério ecológico seja o principal na atribuição de ajudas agrícolas.

Fonte:
http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=4757

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Relato da Conferência de Permacultura Holzeriana com Sepp Holzer

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Conferencia de Permacultura Holzeriana com Sepp Holzer
6 de setembro de 2010
Realizada em parceria com a Quercus e a Tamera na sede nacional do Corpo Nacional de Escutas, na rua Dom Luis I, em Lisboa

Esta conferência teve uma audiência extremamente interessada e que encheu completamente a sala de conferências do CNE, chegando ao ponto de, a dado momento, haver pessoas de pé, ao fundo da sala e no corredor. Esta afluência e nítido interesse de todos pela matéria apresentada reflete o interesse extraordinário que o tema da Permacultura cria entre nós e o prestígio de Sepp Holzer neste meio, um prestígio, que contudo – como veremos – não está contudo isento de polémicas.

A permacultura é essencialmente um sistema de design e uma forma harmoniosa de agricultura. O termo resulta da contração das palavras “Cultura” [agrícola] e “Permanente” e tem como maior objetivo tratar o Homem, o ambiente e a agricultura como um organismo único, coeso e harmónico com o meio e a natureza. A permacultura representa assim um caminho para alcançar a sustentabilidade ecológica com tecnologias apropriadas a cada região e a cada clima. Para os permaculturistas, se a planta esta sã o animal esta são e logo o homem está são e estes são os três conceitos centrais a esta forma de agricultura.

A conferência começa com a apresentação de um – dobrado em castelhano – sobre a primeira experiência agrícola de Sepp Holzer, nas montanhas do seu país, a Áustria. O documentário tem mais de 15 anos e reporta-se à época em que Holzer ainda gastava a maior parte do seu tempo e obtinha a maioria dos seus rendimentos dessa propriedade.

O documentário apresenta várias das técnicas que Holzer desenvolveu (alegadamente) sozinho e que posteriormente viria a reconhecer nas técnicas de um dos pioneiros australianos da permacultura, que, contudo Holzer não identifica completamente com a sua visão, que designa como “Permacultura Holzeriana”, devido às diferenças que apresenta para com a permacultura convencional, por exemplo, na importância da construção de lagos nas curvas de nível, na utilização de maquinaria pesada nessas construções ou na utilização de espécies não locais nas explorações agrícolas a que designa também de agro-florestas.

O documentário lista várias das técnicas da Permacultura Holzeriana, que passaremos a enumerar:

1. De permeio às culturas (como de abóbora) estão as pedras que fazem parte do terreno – pequenas e grandes – e outras que foram deslocadas de altitudes mais elevadas na sua exploração. Segundo o agricultor, estas pedras absorvem o calor e ajudam as abóboras a resistirem assim melhor às variações térmicas. Estas pedras funcionam também como reguladores de humidade através da condensação da humidade matinal. Contudo, não são dados elementos científicos ou quantificáveis da quantidade de água que as plantas recebem através deste método nem de qual é a variação de temperatura junto a estas pedras e a alguma distancia das mesmas. Estas omissões colocam em dúvida os resultados apresentados.

2. um dos traços mais característicos da exploração é a opção por culturas mistas, com varios produtos sendo cultivados ao mesmo tempo, no mesmo terreno. Com efeito, desta forma Holzer repudia a monocultura que – afirma – tem sido responsável por tantos danos ao meio ambiente e aos solos nos últimos anos. Obviamente, tal cruzamento de culturas reduzirá a eficácia económica da exploração, mas como negar as tremendas desvantagens associadas à monocultura intensiva?… pelo menos neste respeito, há que reconhecer alguma validade a esta forma de agricultura.

3. Holzer não recorre a adubos químicos nem a fertilizantes industriais. Pelo contrário, prefere recorrer às mesmas técnicas da agricultura biológica, usando por exemplo plantas como a Digitalia que gera nitrogénio nas suas raízes. Recorre também a amendoins e trevos com os mesmos objetivos plantando estas plantas de permeio a outras culturas aplicando assim o seu princípio de realizar sempre “culturas mistas” nos seus campos agrícolas e reforçando assim um dos seus axiomas: “Agricultura em cooperação e não em confrontação com a Natureza”.

4. Outro traço distintivo das explorações agrícolas holzerianas é a presença de animais soltos pela quinta: porcos, galinhas e patos são aqui presença constante e parte integrante da paisagem. Desta forma se abrem novos caminhos na floresta, entre as árvores, se eliminam ervas daninhas (barreiras afastam os animais das zonas que é preciso preservar) e se vão adubando naturalmente os campos. Todos os animais estão livres durante todo o ano e podem entrar no estábulo escavado no solo e formado por troncos de madeira onde entram quando querem e não porque são para lá levados. Estes estábulos são construídos na terra para se manterem quentes de Inverno e frescos de Verão.

5. As árvores são um dos componentes mais importantes da permacultura holzeriana tanto que uma forma alternativa de a designar é precisamente agrofloresta… as árvores, são com efeito, tratadas de uma forma diferente da agricultura tradicional. Desde logo, não são podadas. As folhas caem e são deixadas sob o solo, formando húmus. O mesmo sucede com a madeira cortada, que fica no solo, criando húmus e acolhendo culturas de cogumelos. As ervas daninhas são cortadas e deixadas no próprio local de corte ao lado das culturas, também para criar mais húmus. Holzer é particularmente crítico da forma como os agricultores modernos cuidam das suas árvores, deixando-lhes apenas raízes rasas, cortes sistemáticos dos ramos e outros maltratos. Perante tal pressão, as árvores entram em stress e tornam-se susceptíveis a todos os tipos de fungos e pestes. Em resultado, os solos perdem sustentabilidade e as chuvas conseguem varrer o que resta do húmus e o solo assim exposto torna-se impossível de suportar para as árvores, que acabam por morrer num ciclo vicioso que leva à desertificação das encostas.

6. Na Permacultura Holzeriana, as culturas são misturadas sem carreiros definidos e estão sempre intercaladas com vegetação natural. Esta opção significa que a colheita tem que ser manual, com o decorrente recurso à técnicas de mão de obra intensiva, elevados custos e lentidão da colheita, mas é uma forma de evitar a sobreutilização dos solos, de criar zonas de retenção das águas das chuvas e de reduzir o impacto da atividade agrícola no meio natural, à custa do seu rendimento, naturalmente.

7. Um dos aspectos mais interessantes desta forma de Permacultura é a construção de lagos artificiais (com maquinaria pesada) que depois são povoados com peixes. Estes lagos são ligados entre si de forma a poderem partilhar a água e são construídos consoantes as curvas de nível naturais de forma a poderem captar a água que de outra forma se perderia para os rios. Holzer gosta de instalar muitos lagos nas propriedades onde faz consultoria, oscilando o seu número entre 6 a 16 por propriedade. Encontramos em Portugal um destes ensaios de Permacultura Holzeriana em Tamera, uma ecoexploração agrícola a 15 km de Tavira onde foram construídos vários lagos povoados depois com peixes (como trutas e esturjões) e onde as técnicas de permacultura coexistem com tecnologias alternativas e de sustentabilidade social. As paredes dos lagos são impermeabilizadas com pedras de vários tamanhos, deslocadas de outros locais do mesmo terreno, mas reservando as de maiores dimensões para efeitos decorativos e para a construção de cascatas artificiais. Por cima dos lagos – sempre que possível – Holzer instala terraços para maximizar a retenção de água já que o segredo para formar estes lagos é reter a agua das chuvas consoante as linhas naturais de agua, geradas durante as grandes chuvas. Os lagos são construídos a diferentes curvas de nível e reforçam os lençóis freáticos que existem sob eles criando assim reservas de água. Se o nível da água dos baixar, os lençóis freáticos recuperam esta falta. No fundo destes lagos, Holzer deposita materiais impermeáveis em caracol mas na – crítica – parte central do dique o permacultor usa materiais muito finos, como pedras pequenas e, por fim, recorre a máquinas pesadas para passar por cima das paredes do dique de forma a consolidar a sua estrutura. De facto, estas máquinas não são usadas para escavar o lago mas para criar este dique e assim, criar o lago artificial. Além da piscicultura a água destes lagos pode ser usada para rega. Sepp Holzer constrói os seus lagos para que sejam o mais alongados e direcionados conforme os principais ventos para gerar ondas e aguas limpas e nas zonas rasas colocam-se nenúfares para filtrar a água. Zonas rasas alternam com fundas para que hajam zonas quentes e frias que levem a deslocação da agua. Tudo isto sem cantos, mas apenas com formas arredondadas para que não haja zonas de agua parada e estagnada.

Conclusão:
É uma conferência de popularização, não propriamente uma “conferência técnica”, para agricultores, mas direcionada para militantes das causas ecológicas mas que, contudo, pode servir para cativar muita gente para o tão necessário “regresso à terra”.

Muito ficou por dizer neste workshop de 3 horas. A apresentação teve um enfoque demasiado forte nos aspectos mais filosóficos da Permacultura e menos nos aspectos técnicos, talvez devido ao caráter mais “ecologista” e menos “agronómico” da maioria da audiência. Nesse sentido, foi uma desilusão. Não estava ali para ser doutrinado sobre os benefícios da agricultura biológica ou da permacultura ou até da variante criada por este agricultor austríaco. Estava ali para tentar compreender como poderiam estas formas de agricultura sustentável contribuir para reduzir a nossa pegada no clima do globo e se poderiam contribuir para a redução da fome no mundo. Disso, assim como dos aspectos mais económicos e financeiros do problema, nada foi dito, consumindo-se ao invés uma parcela injustificável de tempo com derivas filosóficos e segmentos panegíricos de autentica “gurutização” que não contribuem para divulgar a mensagem, servindo apenas para a desfocar em torno da personagem do orador.

A grande questão está aqui em saber se esta forma de Permacultura, designada pelo próprio com o seu próprio nome como “holzeriana” consegue produzir além do auto-consumo e ser assim socialmente útil e ser economicamente relevante para a sociedade onde se inserem estas explorações. Esta é a questão que vale “um milhão de dólares” e que teremos que procurar na Internet, já que neste workshop de três horas não houve tempo para a responder…

Contudo, e apesar de um certo egocentrismo de um orador, talvez demasiado habituado a discursar para plateias acríticas de não especialistas e a gastar mais tempo em conferências e consultoria do que no real trabalho da terra, tratou-se de uma conferência importante e a Permacultura Holzeriana merece toda a atenção possível enquanto forma de gerar alimentos de uma forma sustentável e ecológica. Os seus processos são muito interessantes, ainda que existam vários pontos que levantam várias críticas:
1. A preferência “experimental” por espécies não locais, como o boi das highlands escocesas ou espécies de porcos croatas na Áustria.
2. Não se referiu algo que é referido em várias fontes como uma das maiores críticas à Permacultura: a sua maior adequação a climas tropicais e mediterrâneos e a menor a climas mais temperados.
3. Os níveis de produtividade são inferiores aos da produção agrícola intensiva e até aos registados pela agricultura biológica.
4.  Sepp Holzer é um conferencista profissional, não o agricultor que era há 19 anos atrás, apesar disso a sua conferência continua a basear-se num documentário dessa época. Desde 1995 que as conferencias e as vendas de livros são a maior fonte de rendimentos da família Holzer.
5. A conferencia focou-se nos vários casos de sucesso das suas intervenções, mas omitiu vários falhanços rotundos, que levaram até a processos de indemnização como o projecto Jena na Hungria.
6. A Permacultura Holzeriana pressupõe uma taxa de ocupação do solo mais intensa que o natural
7. apesar da repetida referencia a “16 diplomas” ou estudos académicos, há quem os coloque em duvida, na sua validade cientifica e qualidade (Toby Hemenway e Greg Williams)
8. se o método é economicamente viável porque é que ao fim de tantos anos ainda só é aplicado em pequenas explorações, de entusiastas ou ativistas ecológicos e não se popularizou?

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Do decréscimo da produção agrícola portuguesa

As guerras do futuro não serão as guerras do petróleo de hoje, mas guerras de alimentos. A aparição de fontes de energia renovável irá multiplicar-se nas próximas décadas e os países que conseguirem exportar mais alimentos serão cada vez mais importantes na cena diplomática internacional, como, de resto, acontece cada vez mais com o nosso irmão lusófono, o Brasil.

Neste contexto, a notícia do continuado declínio da produção cerealífera portuguesa é trágica. Quando devíamos estar a aumentar a produção eis que a produção nacional de cereais de Outono-Inverno foi uma das “mais baixas das últimas décadas” tendo descido um quinto em relação a 2010.

Esta queda de produção resulta da redução das áreas semeadas e de uma quebra notavel de produtividade. As causas para esta redução são climáticas e são idênticas à quebra na produção de outros produtos agrícolas como a batata ou o tomate.

Ainda que possam haver explicações de ordem climática – e logo conjunturais – para explicar este decréscimo, existe também uma sério e continuado desinvestimento no mundo rural que para além de qualquer situação climática transitória explica esta redução na produção agrícola. Desde o tempo do primeiro governo Cavaco Silva, que se assumiu como orientação estratégica dominante a transformação da economia portuguesa de uma economia produtiva, com um setor de indústria ligeira e agrícola muito forte, numa “economia de serviços” onde predominava o Turismo e o setor Financeiro. Em nome desta estratégia suicidária destruiram-se muitas culturas, abateram muitos barcos à frota pesqueira e encerraram-se muitas fábricas. Rapidamente, esta baixa de produção foi “compensada” por importações de Espanha, para grande gáudio dos nossos “vizinhos” que assim justificaram o desvio da água dos nossos rios para alimentarem a sua culturas de regadio que produziam para o nosso mercado, com a água que nos roubavam. Portugal, entretanto construia balcões de Bancos em cada rua (tendo por vezes mais que uma filial do mesmo banco na mesma rua), construía as famosas “auto-estradas do cavaquismo” para que os espanhóis pudessem colocar nos hipermercados os seus produtos a preços capazes de destruir muitas explorações agrícolas nacionais e autorizava a construção desregada de hotéis em praticamente todos os locais onde esta era requerida.

Este é o país onde queremos viver e que queremos legar aos nossos filhos? Um país “de serviços”, desertificado no seu interior, desprovido de produção agrícola ou pesqueira e totalmente dependente de importações, enquanto o crescimento do défice comercial o permitir? Queremos um país dependente ou independente? Se queremos ser algo mais do que uma mera dependência de Madrid e sofrer as mesmas agruras anexionistas de que padecem os nossos irmãos galegos, então estamos na via certa. Se nao queremos, então há que regressar aos Campos e em força, contra Bruxelas e Madrid, se necessario e a favor da sobrevivência das gerações futuras.

Fonte:
http://economia.publico.pt/Noticia/producao-de-cereais-foi-das-mais-baixas-das-ultimas-decadas_1451921?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+PublicoRSS+(Publico.pt)

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Sobre a metade de azeite que importamos e da reorientação da economia

Portugal tem desde a Idade Média como exportação tradicional o azeite. Certo? Errado. Quase metade do azeite consumido em Portugal é importado de Espanha. Com efeito, a cada ano quase 50 mil toneladas de azeite espanhol atravessam a fronteira, totalizando mais de 285 milhões de euros à nosso crónico défice comercial. A produção tem subido mas a federação de produtores FENAZEITE diz que ao ritmo atual ainda faltam uns bons quatro anos para atingir a auto-suficiência. É claro que este é um “wishful thinking“, supondo que nada se radical se altera no mercado, que os espanhóis não incrementam ainda mais a sua conhecida táctica de “dumping” comercial e que o governo não decide vender a Bruxelas a troco de subsídios como os que premiaram a destruição da nossa frota pesqueira (a favor da espanhola) ou o arranque de vinha (a favor da produção francesa). Portugal tem que regressar aos princípios fisiocráticos que determinavam que era na riqueza produzida nos campos que residia a riqueza e prosperidade das nações, e nas produções em que os nossos solos são especialmente favoráveis, como os frutos secos, as hortaliças, os vegetais, a vinha, o azeite ou a madeira, devem acontecer uma verdadeira aposta estratégica, desviando o país do rumo para uma estéril e improdutiva “economia de Serviços” delineada no apogeu do funesto “Cavaquismo” dos anos 90 e que nos custou a evaporação da maioria da malha industrial e a secundarização do setor agrícola.

Há atualmente uma alta dos preços da maioria dos bens alimentares. Esta tendência, com a continuada explosão demográfica, é para ficar e num país que importa dois terços dos alimentos que consome, pode representar a bancarrota ou a prosperidade, consoante nos tornemos em importadores ou exportadores. Ao contrário do que é propalado, temos bons solos, mas estão hoje selvaticamente ocupados por construções imobiliárias de baixa ou nula qualidade. Redesenhemos a esquadria da nossa geografia humana, redistribuindo a população pelo interior quase ermado e economicamente desertificado, priorizaremos a agricultura sobre o setor terciário, dominado pela Banca e pelos Seguros, que nada produzem além de escândalos financeiros, honorários faraónicos e lucros babilónicos. Tornemo-nos auto-suficientes onde tal for economicamente possível, exportemos aquilo que for exportável (como o azeite, cuja metade do consumo hoje importamos) e importemos de nações amigas – como o Brasil – aquilo que não é rentável produzir internamente.

Em suma, reorientemos o país para a Produção e deixemos o Consumo a quem o pode pagar, aderindo aos princípios da frugalidade e da razoabilidade da “pegada de consumo” que a Banca nos fez crer como essenciais a uma “vida feliz”, mas que na verdade apenas serviu para criar défices externos cumulativos e incomportáveis em torno de um crescimento não-sustentado para o setor financeiro, que a prazo, e pela via do crédito malparado o há também fazer sucumbir.

Fonte:

http://aeiou.expresso.pt/azeite-metade-do-que-portugal-consome-vem-de-espanha=f546293

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Sobre os Fundos perdidos para a Agricultura Portuguesa

Por muito demagogo que possa ser (e é-o) Paulo Portas lá deverá ter alguma razão. Ou então Portugal não teria perdido 71 milhões de euros em fundos estruturais comunitários por falta de absorção no prazo previsto! Esta quantia representa um triste recorde europeu e num país onde a agricultura nacional é cada vez mais fraca e onde as dependências crónicas das importações são cada vez maiores assume o volume de uma verdadeira traição nacional.

Com efeito, dos 71 milhões perdidos, nada mais nada menos, 64 milhões são ajudas agrícolas e 2 seriam para a área das Pescas! A esta valor devem somar-se ainda 9 milhões de euros, perdidos em 2007 e, desde 2000, Portugal perdeu 106 milhões de euros!

Portugal já está muito abaixo na media da UE quanto à ajudas comunitárias, estando hoje no sexto lugar, atrás da Grécia, Polónia, Espanha, Itália e Alemanha, mas se a esta posição (que resulta muito da inabilidade dos nossos negociadores) temos ainda que somar a inépcia do ministro da agricultura na aplicação destas últimas ajudas que a Europa nos prestará, então, como se espera que salvemos o resta da nossa produção agrícola? Ou será que o plano destes Bilderberguianos que nos regem é mesmo o de acabar com qualquer vestígio de produção industrial e agrícola e tornar o país numa imensa (e improdutiva) rede de Bancos, Seguradoras e Hotelaria?

Fonte:
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1401896

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Sobre a queda da produção de cereais em Portugal e o que isso significa

Em mais um sinal da desindustrialização e ermamento agrícola de Portugal, em obediente cumprimento das ordens emanadas a partir de Bruxelas, por uma camada de funcionários portugueses (também conhecidos como “classe política”) dócil e servil, a produção de cereais caiu 40% apenas na campanha de 2008/2009. É verdade que Portugal nunca foi auto-suficiente em cereais, desde a Idade Média, mas em 2009, vai alcançar-se o patético recorde do país produzir apenas 25% dos cereais de consome. Isso é inédito e devia fazer pensar os nossos governantes, se de tal eles fossem capazes…

Este é o resultado de políticas de duradouras e teimosas de Tercialização da nossa Economia, de desprezo pelos setores industriais e agrícola, de forma a que os países do norte nos consigam inundar com os seus produtos altamente subsidiados e que a China esmague qualquer atividade industrial que exista fora do seu território, esse antioásis de Direitos Laborais e de Respeito ao Ambiente.

O esvaziamento do interior – tradicional bastião agrícola do país – representa o culminar de uma política centralizadora que recua a Dom Pedro I e que cerceou gradualmente as autonomias municipais até as tornar num passivo canal de ressonância do Paço lisboeta. Menos alimentos, são mais importações e um maior agravamento de um já esmagador déficite comercial…

Portugal nunca foi verdadeiramente independente em termos alimentares. Aliás, foi essa crónica deficiência que nos levou a tornar na maior potência comercial do mundo no século XVI. Como qualquer dificuldade ou crise, esta pode ser criadora e potenciar a desenvolvimentos que sem esta seria impossível ver nascer. E esta constante evaporação da nossa área cultivada, ano após ano, não é sustentável a prazo. As políticas de subsídios, sobre subsídios não alteraram o quadro, parecendo até tê-lo agravado nalguns setores. Os minifúndios do norte – economicamente irrealistas, mas muito produtivos, acabaram quase todos sem que se conseguisse criar as cooperativas de produtores que os poderiam ter salvo. A sul, as grandes herdadas forjadas nos anos loucos do Salazarismo, sempre primaram pela ineficiência e pela inadequação crónica ao tipo de solos do Alentejo. O resultado é que estamos num país inundado de leite, numa obsessão incompreensível na produção leiteira, que rouba terrenos a outras culturas mais necessárias, mas menos subsidiadas, como azeite ou a batata, de quem somos também crónicos importadores…

Portugal tem que se tornar a recentrar no Interior, renegar os comandos destruidores que lhe mandam de Bruxelas, reforçar as competências dos seus municípios, reforçando a capacidade económica destes, especialmente pela via agrícola, concedendo-lhes maior autonomia de forma a transformá-los na “federação de municípios independentes” do sonho agostiniano e despertar a ambição fisiocrata que tornava a agricultura o centro de uma economia saudável… Não temos que ser exportadores de alimentos, temos que ser capazes de produzir o mínimo para nos alimentarmos e de libertar a balança comercial do peso desnecessário das importações agrícolas, produzir artigos em que somos bons, como azeite, vinho, cortiça, vegetais, frutos, etc e os demais alimentos em número bastante e idêntico ao que produzíamos há apenas vinte anos… Não é um objetivo impossível. Assim queira Lisboa despertar e repovoar o resto do país. O que é duvidoso, sem a descentralização municipalista que defendemos…

Fonte:
http://aeiou.expresso.pt/portugal-esta-mais-dependente-do-exterior-para-se-alimentar=f529637

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A Daewoo aluga em Madagáscar metade de uma Bélgica

Uma das muitas empresas do conglomerado sul-coreano Daewoo, a “Daewoo Logistics” garantiu terrenos de cultivo para a Coreia do Sul através de um contrato de arrendamento com o governo de Madagáscar de 99 anos. A área alugada estende-se por mais 1,3 milhões de terrenos aráveis e tem perto de metade do tamanho da Bélgica, o que dá uma boa medida do gigantismo da operação. O objetivo é plantar aqui milho e óleo de palma e depois, enviá-los para a Coreia do Sul.

A medida reflete uma estratégia que nasceu no seio do governo sulcoreano, não somente na estratégia do conglomerado e que determinou (a nosso ver, corretamente) que a prazo o recurso mais precioso no mundo, será a alimentação. Assegurar uma fonte de alimentos e biocombustíveis para a Coreia torna-se assim um objetivo estratégico vital, daí esta gigantesca concessão. A decisão é uma resposta inteligente ao aumento generalizado dos preços dos alimentos registados no último ano e que levou a várias revoltas populares desde o México, ao Haiti e passando pelo Egipto. Recentemente, os preços tornaram a cair, mas todos sabem que a subida é inevitável, logo que o consumo regresse aos níveis do começo de 2008.

Neste sentido, é assim natural que vários países africanos tenham expressado a sua disponibilidade para assinarem acordos semelhantes ao de Madagáscar. A Etiópia já ofereceu centenas de milhar de terrenos agrícolas e Angola também já seguiu o mesmo exemplo. Contudo, a ONU já alertou para o risco disto poder estar a criar o embrião para um sistema neocolonial… Por exemplo, o contrato da Daewoo em Madagáscar implica a cedência de metade da terra arável do país. É certo que a produção de alimentos dos países que recebem estes investimentos vai necessariamente aumentar, assim como as suas exportações e os níveis de emprego. E todos estes aspectos são muito positivos, especialmente quando temos em conta a presente crise alimentar e a existência de enormes quantidades de terras aráveis em África ainda por explorar. Mas o gigantismo deste projeto (e de outros, como os que empresas do Abu Dhabi se preparam para lançar) não irão tornar os governos africanos em efetivos protetorados destas multinacionais? Com este grau de presença num país estas empresas estarão dispostas a deixar – por exemplo – chegar ao poder um governo que eleja no seu programa eleitoral o cancelamento destes contratos?

Fonte:

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Sobre a imoralidade da PAC

Na última reunião dos ministros da Agricultura da União Europeia foi decidida uma forte redução dos subsídios que todos os anos a União deposita nos cofres dos agricultores europeus. Apesar desta forte redução continuam a ser canalizados para as ajudas à agricultura europeia largos biliões de euros por ano…

Estima-se que os contribuintes da EU paguem dois euros e meio por cada vaca europeia. Ora, sabe-se que existem hoje mais de 1,2 biliões de pessoas no mundo que vivem com menos de um euros por dia, e quantos destas pessoas não têm elas próprias algumas rezes e têm que enfrentar a concorrência dos produtos agro-pecuários europeus, altamente subsidiados por algumas das mais ricas nações do mundo.

Se a agro-pecuária africana não consegue prosperar e dar a independência alimentar a África por causa dos subsídios mas também das ajudas alimentares gratuitas que nem sempre são distribuídas com os melhores critérios (por vezes importa mais escoar excedentes do que acudir à fome). Esta injustiça não é contudo exclusiva aos europeus… Mesmo os EUA, onde os adeptos do neoliberalismo e da globalização têm tido mais influencia nas últimas décadas, só os produtores de algodão amealharam mais de 4,2 biliões de dólares em auxílios federais.

Os países desenvolvidos têm procurado manter as suas agriculturas mesmo à custa da miséria de muitos países do Terceiro Mundo, especialmente em África, o continente onde a fome é cada vez mais endémica e onde as perspectivas de vida são cada vez mais negras. O estafado modelo dos auxílios alimentares a partir de excedentes europeus é imoral e ineficiente porque não ataca na fonte o problema da dependência alimentar africana. Urge portanto encontrar modelos de verdadeiro auxilio ao Desenvolvimento, propiciando a autonomia e as economias locais dos países africanos e transferindo para estes auxílios à agricultura local uma parcela significativa dos subsídios agrícolas europeus e norte-americanos. Para combater a fome, mais do que alimentos, devem ser dada sementes… Sem esquecer auxílios alimentares de urgência, naturalmente.

Fonte:
www.dw-world.de

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África deve resolver o seu problema crónico com escassez de alimentos recorrendo ao cultivo de OGMs?

David King, o anterior conselheiro do Governo britânico para a Ciência, responsabilizou a popularização da “Agricultura biológica” e a recusa em adoptar em massa os OGM como os maiores responsáveis pela multiplicação da fome em África… Segundo o cientista, existe um conjunto de atitudes “anti-científicas” contra a agricultura moderna que estão a ser exportados para África e travando a erupção aqui de uma “revolução verde” que poderia aumentar drasticamente a autonomia alimentar do continente e reduzir os níveis galopantes de fome e miséria que o assolam.

O cientista britânico defende que as formas tradicionais de fazer agricultura em África nunca serão capazes de fornecer a alimentação que o continente necessita para fazer face à sua crescente população e que somente culturas geneticamente modificadas (OGM) poderiam aumentar significativamente a produção local e libertar África da dependência crónica da ajuda alimentar externa e das crises de fome recorrentes que assolam o continente nos últimos dois séculos. Só assim se poderiam obter em África o mesmo tipo de ganhos recolhidos na China e na Índia e multiplicar por um factor de 10 a produção atual. É claro que a introdução massiva do cultivo de OGM iria introduzir novos problemas, como os de contaminação das culturas e dos campos adjacentes… um problema quase impossível de resolver quando sabemos da fragilidade das instituições governamentais de controlo e fiscalização, mas será que perante um problema de fome e miséria generalizadas temos realmente opção? Temos nós – habitantes dos países desenvolvidos – o direito de negar aos africanos a solução para os seus problemas alimentares em nome de filosofias mais ou menos fundadas, mas somente aplicáveis em países com excessos de produção? É claro que massificar os OGM em África, implicaria tornar o continente dependente das multinacionais como a Monsanto que produzem as suas sementes e este factor não deve ser esquecido… Mas pode ser combatido! Porque não se estabelecem preços especiais para as vendas para o continente, ou se suprimem aqui os direitos autorais destes produtos, deixando os mesmos intocados nos países desenvolvidos? Soluções há… Mas haverá vontade?

Fonte:
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Dos malefícios da expansão da produção de óleo de palma na Indonésia

Existe hoje em dia uma atitude cada vez mais negativa em relação aos biocombustíveis. Se esta é exagerada em relação a alguns deles (como aqueles fabricados a partir de cana-do-açúcar no Brasil), a verdade é que outros, como o milho nos Estados Unidos e o trigo na Europa têm uma efetiva “pegada de carbono” e um balanço energético negativo. Isto é particularmente verdadeiro no que diz respeito à exploração dom óleo de palma para produzir biocombustíveis.

As empresas que exploram plantações de óleo de palma, na Indonésia, têm procedido a violentos e extensos desmatamentos de floresta virgem nas regiões da Papua, de forma a expandirem os seus terrenos de cultivo. Esta expansão resulta de concessões obtidas nem sempre pelo meios mais legítimos de entidades governamentais indonésias. A expansão da atividade destas empresas está a levar as florestas desta outrora ainda selvagem região do arquipélago indonésio para o mesmo caminho do Borneo e de Sumatra, onde as plantações fizeram já danos irreparáveis nas florestas dessas ilhas, colocando em ameaça de extinção diversas especiés, entre elas um dos mais próximos parentes do Homem, o Orangotango.

Se não começarmos já a proteger as últimas florestas tropicais, preservando o mais possível a sua capacidade para absorver CO2, não faremos mais do que acelerar ainda mais o problema do Aquecimento Global, e com ele, a extinção da espécie humana. É neste contexto que o salvamento das florestas virgens na Papua, são importantes e essenciais. A intensidade da desflorestação na Indonésia é outro problema: é tão intensa hoje em dia, que só a queima de árvores neste grande arquipélago bastou para transformar a Indonésia no terceiro maior emissor mundial de gases de efeito de estufa.

Um pouco por todo o lado, graças sobretudo ao trabalho da Greenpeace, está a crescer a consciência dos malefícios da exploração do óleo de palma na Indonésia. A Ferrero, que importa esse óleo da Indonésia para os seus produtos Nutella tem sido pressionada para parar com essas importações. E também em resultados destas pressões, a petrolífera sueca OKQ8, que estava a ponderar a incorporação de uma percentagem de óleo de palma indonésio nos seus biovombustível comerciais, já abandonou a ideia.

Fontes:
http://www.energy-daily.com/reports/Palm_oil_clearing_swathes_of_forest_in_Indonesias_Papua_Greenpeace_999.html
http://www.greenpeace.org/international/footer/search?q=palm+oil

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Algas que… produzem bio-óleo: uma promessa que pode substituir de forma total e barata o petróleo?

Uma empresa norte-americana está a desenvolver um tipo de algas capazes de produzir um óleo que pode ser refinado em gasolina ou em outros combustíveis semelhantes e que promete ser “neutral em carbono”, isto é, não emitir mais carbono do que aquele que é necessário ao seu crescimento. A alga deverá resultar numa solução comercial dentro de cinco anos.

Tão cedo, este método não poderá satisfazer nem uma pequena parcela dos gigantescos 20 milhões de barris que os EUA consomem todos os dias, mas se o método fôr desenvolvido o suficiente poderá eliminar uma parte significativa das importações de petróleo dos EUA. Segundo Jason Pyle, o CEO da empresa http://sapphireenergy.com/ afirma que este óleo será idêntico em propriedades ao chamado “petróleo leve“, o que significa que poderá utilizar toda a infraestrutura de transformação e distribuição atualmente existente para o petróleo.

Por “neutral em carbono” entende-se uma técnica que emite tanto dióxido de carbono quanto é recuperado no processo de produção através do processo da fotosíntese, já que a transformação da alga em óleo irá emitir tanto carbono quanto um combustível convencional, derivado do petróleo.

As promessas da Sapphire, de usar algas para produzir combustível são idênticas às já emanadas de outras empresas, mas têm a novidade está em que produzirão um combustível de 91 octanas quimicamente idêntico aos combustíveis atuais e que, logo, poderá utilizar diretamente toda a estrutura logística de armazenagem e distribuição atualmente existente… E isto sem criar as questões mais ou menos embaraçosas levantadas pelos biocombustíveis e pelo seu papel na atual alta de preços dos alimentos.

A empresa espera produzir 10 mil barris do seu bio-óleo até 2012, muito pouco para um país como os EUA que consome 20 milhões de barris por ano, mas um princípio, ainda assim, especialmente se a sua tecnologia for licenciada a uma grande corporação ou se a Sapphire for adquirida por uma delas, como certamente irá acontecer se a tecnologia provar a sua viabilidade e eficiência.

Fontes:
http://blog.wired.com/cars/2008/05/making-renewabl.html
http://sapphireenergy.com/

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Sobre os efeitos para o clima da redução da carne na dieta humana

Em tempos de Aquecimento Global é importante – vital mesmo – que todos nós reduzamos a quantidade de carbono que emitimos para a atmosfera. A propagação de pequenos atos, como a substituição das lâmpadas das nossas residências por lâmpadas de baixo consumo, o descer escadas a pé e não de elevador, a transição do transporte automóvel para transportes públicos, entre muitos outros pequenos passos pode – no conjunto – ter um impacto muito significativo e poupar a Terra e a vida que sobre ela vai sobrevivendo à catástrofe que será uma subida de temperatura global da ordem dos 5-10 graus centígrados.

E um destes gestos poderá ser… tornarmo-nos vegetarianos. Mudar o regime alimentar totalmente para um regime vegetariano ou reduzir apenas a parcela que as ditas “carnes vermelhas” ocupam nela pode reduzir até metade a nossa “pegada de carbono” pessoal em até metade, isto segundo um estudo do “Institute for Ecological Economy Research (IOeW)” do governo alemão. De facto, o estudo conclui também que uma dieta à base de carne produz num só ano a mesma quantidade de emissões de gases de efeito de estufa que a condução de um carro de dimensões média durante 4758 quilómetros. Em contraste, as emissões produzidas por um vegetariano podem ser comparadas às emissões do mesmo veículo automóvel percorrendo nesses mesmos 12 meses 2427 quilómetros, ou seja… metade.

Esta diferença foi calculada a partir das emissões de gases de efeito de estufa dos animais (metano, uma fonte de gases de efeito de estufa nada desprezável) e não deixou de contar com as emissões criadas pela produção de fertilizantes e do uso industrial das terras agrícolas (bombagem de água, tractores, etc).

Entre todos os alimentos, o mais danoso em efeitos para o meio ambiente é a carne. Um vegetariano tem a “pegada de carbono” inferior em dezassete vezes a de um comedor habitual de carne. De facto, para criar cada quilograma de carne é gasta a mesma energia correspondente a conduzir durante 71 quilómetros um carro médio. Um quilograma de carne de porco continua a ser “pesado”, mas corresponde a apenas 26 quilómetros…

Uma conclusão tem que ser aduzida daqui: a multiplicação do consumo de carne e leite que assistimos no mundo contemporâneo não é sustentável. Não querendo defender a adopção generalizada de uma dieta vegetariana, não podemos deixar de inclinarmo-nos para uma dieta em que a carne tenha algum papel, mas onde os alimentos de origem vegetal, em maior grau, e os de origem no mar tenham uma parcela significativa.

Fontes:
http://news.yahoo.com/s/afp/20080826/ts_afp/lifestylegermanyclimateagriculture
http://www.ioew.de/governance/english/index/head/head.html
http://gnn.tv/headlines/18170/Going_Veggie_Can_Slash_Your_Carbon_Footprint_Study
http://www.impactlab.com/2008/08/27/go-vegan-save-the-earth/
http://technology.iafrica.com/news/science/1109540.htm

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Da “reforma agrária” em curso no Paraguai e dos riscos para os “brasiguaios”

(Fernando Lugo, o novo presidente do Paraguai in http://ratnaariani.files.wordpress.com)

Enquanto no Cáucaso, situação político-militar entre Rússia e Geórgia parece finalmente começar a amainar, eis que bem longe, na América do sul se começam a desenhar os contornos para mais um conflito regional de consequências imprevisíveis… A tomada de possa do novo presidente do Paraguai levou à tomada e ocupação de terras agrícolas de propriedade de “brasiguaios”, brasileiros e seus descendentes diretos que vivem no Paraguai, não longe da fronteira comum entre os dois países. Estes “brasiguaios” são lusófonos e a sua população total deve aproximar-se hoje de quase 500 mil indivíduos.

Durante esta semana, populares paraguaios invadiram e ocuparam estas terras do leste do seu país, fazendo recordar as ocupações de terras feitas por “antigos combatentes” da ZANU-PF no Zimbabwe contra terras de agricultores brancos… Plantações, alfaias agrícolas e edifícios foram destruídas nestas quintas ao longo de toda a semana, perante a aparente passividade diplomática do Brasil.

A ocupação de terras decorre da aplicação de uma lei que determina que cidadãos estrangeiros não possam ser proprietários de terras que se situem na “Faixa de Segurança”, isto é, que estejam a menos que 50 Km de qualquer fronteira internacional. Na prática, a medida afecta agricultores de origem argentina, boliviana, mas sobretudo brasileira, país que detêm no Paraguai a maior comunidade estrangeira nestas condições. De facto, a lei parece mesmo ter sido desenhada intencionalmente para expulsar os brasiguaios das suas terras, tendo em conta que constituem de longe a maior comunidade estrangeira nessas condições… Oficialmente, o governo paraguaio (segundo o “O Globo”) estaria em conversações com o governo brasileiro de forma a “minimizar o impacto social negativo desta lei”, mas nenhuma medida de minimização é conhecida até agora e as invasões de terras assim como a passividade das autoridades locais estão a dar inclusivamente o sinal contrário, isto apesar de haver garantias de que a lei não é retroactiva, e que, logo, as terras atualmente na posse de brasileiros não seriam expropriadas! O atual presidente do Paraguai, Fernando Lugo é um antigo bispo católico, ligado à Teologia da Libertação que recolhe uma massiva taxa de aprovação interna devida em grande medida à promoção de uma “reforma agrária”. Contudo, dado que as explorações agrícolas mais produtivas estão nas mãos de brasiguaios e que estas são atualmente a maior fonte de rendimentos fiscais do governo paraguaio é de esperar alguma moderação na aplicação dos princípios da “reforma agrária” nestas explorações agrícolas… Especialmente porque Lugo tem moderado e “pragmatizado” o seu discurso social e político, emulando de certa forma aquilo que se passou com Lula da Silva, no Brasil.

Na verdade, a tensão nacionalista nestas regiões do Paraguai não é novidade… Um artigo recente do The New York Times referia o sentimento de perda da identidade nacional pela presença de tantos cidadãos brasileiros no leste do Paraguai, já que o português seria aqui a língua dominante, e que utilizariam inclusivé a sua própria moeda e bandeira… Racialmente, também haveria conflitos, já que enquanto que os brasiguaios são de matriz caucasiana, os paraguaiois são maioritariamente de matriz racial guarani. Tudo isto tem multiplicado os incidentes xenófobos no Paraguai, desde apelos em emissõe de rádio à ocupação de terras (que estão agora a concretizar-se), até discriminação dos filhos de brasiguaios nas escolas públicas e queixas várias contra as autoridades locais de imigração.

Não é provável que o novo presidente paraguaio deixe descontrolada esta atividade junto da fronteira. Pelo menos, não ao nível a que chegou no Zimbabwe com as tão trágicas consequências que a expropriação massiva de quintas na possa de agricultores brancos teve com uma economia totalmente fora de control e a maior taxa de inflação jamais registada na História do Homem: 2200000%! Mas a passividade das autoridades paraguaias é preocupante e se persistir poderá criar sérios problemas nas relações bilaterais Brasil-Paraguai e se o Reino Unido não pôde intervir diretamente no Zimbabwe por falta de fronteiras comuns (a grande vantagem na Rússia na sua intervenção na Geórgia), esse problema não afeta o Brasil…

Como dissemos, dada a aparente moderação do presidente paraguaio (só o seu ministro dos negócios estrangeiros parece mais “chavizado”) não é provável que a situação fuja ao controlo e que haja necessidade de uma intervenção militar brasileira em defesa dos seus cidadãos. Contudo, se esta ocorrer, o exército paraguaio terá ainda menos capacidade para resistir do que teve a Geórgia frente à Rússia. O seu exército alinha 6 divisões de infantaria, e 3 de cavalaria e consome por ano apenas 125 milhões de dólares, o que o torna num dos exércitos mais diminutos e “baratos” da América do sul. O seu equipamento é muito obsoleto, contando ainda com 3 M-4 Sherman e 9 Sherman Firefly da segunda Grande Guerra, além de 12 Stuart tanks e de 18 SK-105 Kurassiers. Alguns veículos brasileiros (20 EE-9 Cascavel e 10 EE-11 Urutu) são dos meios mais modernos à sua disposição. A aviação militar paraguaia segue pelos mesmos padrões de baixa qualidade e baixa letalidade não contando com nenhum avião de guerra áerea além de 8 ex-brasileiros EMB-326 Xavantes 2 EMB-312 Tucano.

Fontes:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasiguaio
http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_Armadas_do_Paraguai
http://www.defesanet.com.br/missao/py/al.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Military_of_Paraguay
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u433847.shtml

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Segundo um perito norte-americano: “As células de combustível e o hidrogénio serão as únicas tecnologias para veículos motorizados que poderão contribuir de forma decisiva para a resolução ou atenuamento do problema do Aquecimento Global”

Segundo um novo estudo publicado por um perito norte-americano em combustíveis alternativos, o Dr. C. E. Thomas>, as células de combustível e o hidrogénio serão as únicas tecnologias para veículos motorizados que poderão contribuir de forma decisiva para a resolução ou atenuamento do problema do Aquecimento Global.

Este estudo aponta que somente o uso generalizado do hidrogénio como combustível para veículos motorizados poderá resolver efectivamente o problema do Aquecimento Global. Segundo o perito, só o hidrogénio pode conseguir alcançar o ambicioso objectivo de reduzir os gases de Efeito de Estufa em 60% dos valores de 1990. Para além do hidrogénio, só o etanol celulósico pode obter um ganho semelhante, mas de apenas 20% de redução. O investigador estima também que o custo económico de migrar a estrutura de produção e distribuição da gasolina para o hidrogénio será menor do que manter a estrutura actual, num contexto de explosão dos preços do petróleo

O Dr. C. E. Thomas conclui que “só os veículos propulsionados a células de hidrogénio poderão virtualmente eliminar a poluição do ar urbano do sector dos transportes por 2100; todas as outras opção de veículos/combustíveis incluindo quer a gasolina, quer o etanol produzirão essencialmente a mesma ou ainda maior poluição do ar que a frota automóvel actual devido ao aumento do número de milhas viajadas.

Os trabalhos do perito recorreram a várias ferramenta de análise e modelos teóricos comparando várias configurações de híbridos, híbridos que se podem ligar à rede eléctrica pública, biocombustível e hidrogénio. As conclusões destes trabalhos foram apresentadas no congresso anual da “National Hydrogen Association”, realizado em Abril de 2008 na Califórnia.

O hidrogénio consolida-se como o verdadeiro “combustível do futuro”, apresentando um número crescente de vantagens competitivas frente ao seu melhor concorrente, o biocombustível fabricado a partir de cana do açúcar brasileira, já que o criado a partir de milho só é economicamente viável à custa da injecção massiva de subsídios. Resta, contudo, um grande problema que tem que ser resolvido para que o hidrogénio possa ser verdadeiramente um combustível de massas: a produção… De facto, o processo industrial mais eficiente para o produto, depende do… petróleo, e enquanto outros métodos promissores (como a geração a partir de algas OGM) não surgirem dificilmente será rentável converter a rede de refinação e distribuição de gasolina para o hidrogénio…

Fonte:
Energy-Daily.com

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A nova ameaça dos ONM (alimentos modificados nanotecnologicamente)…

http://z.about.com)

Depois de toda a polémica contra alimentos geneticamente modificados (OGM) a próxima batalha pode bem vir a ser a… guerra com alimentos modificados nanotecnologicamente (ONM)…Se há área tecnológica onde maiores progressos se têm feito nos últimos anos e onde mais espaço há para haver novos essa área é a da Nanotecnologia, a das tecnologias incrivelmente pequenas, microscópicas ou demasiado pequenas para serem vistas pelo olho humano. Bem, a mais recente promessa dessa área espantosa que é a nanotecnologia é a capacidade para processar alimentos naturalmente perniciosos para o organismo humano: como hambúrgueres, gelados, chocolates, enfim, tudo aquilo que consumido em excesso tem efeitos negativos na nossa saúde e de tornar estes alimentos em… saudáveis sem afectar o seu sabor.

Uma empresa alemã, a “Helmut Kaiser Consultancy” acredita que centenas de empresas do ramo da alimentação estão já a trabalhar nesta área, sobretudo nos EUA, Japão e China.

Esta tecnologia pode alterar muito a forma como comemos e os efeitos de Saúde que daqui resultam… mas irá certamente aumentar ainda mais o custo dos alimentos.

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/science/2008/mar/26/nanotechnology.food?gusrc=rss&feed=science

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A União Europeia está a preparar-se para permitir que restos de suínos sejam utilizados para alimentar frangos

(http://blogs.ec.europa.eu)

A União Europeia está a preparar-se para permitir que restos de suínos sejam utilizados para alimentar frangos. Aparentemente, os “senhores da Europa”, do alto da sua sapiência “alta e loira”, não aprenderam nada com a crise da BSE há dez anos atrás e com o papel que aqui desempenhou a utilização dos restos de vacas (em farinha) para alimentar outras vacas. Então, a natureza fez reflectir no Homem (e nos próprios animais, claro) as consequências dessa violação flagrante do ciclo natural, agora, pressionados pelo aumento do preço dos cereais utilizados para fabricar as farinhas consumidas pelas criações avícolas europeias, pretendem repetir tudo outra vez, na vã ânsia de manter os rendimentos elevados, sacrificando de permeio a nossa saúde.

De permeio, os muçulmanos (cuja religião proíbe o consumo de carne de porco, considerado como um “animal impuro”), estão furiosos, levantando um outro aspecto não desprezível da equação, dado que vivem na Europa 21de milhões de muçulmanos (ver AQUI), os quais, assim, não poderiam comer livremente carne de aves sem saber quando desse frango era… porco.

A proposta vem da própria “Comissão Barroso” e é mais uma mancha no currículo do nosso InDesejado “Fujão Barroso”, mas está já a ser acolhida com reservas pelo menos pelo governo britânico, muito (demasiado) experiente em problemas com a produção de alimentos… O seu ministro do Ambiente, da Alimentação e dos Assuntos rurais declarou que só apoiaria tal medida se houvesse um denso programa de testes para controlar o uso dessas proteínas na alimentação avícola. Um projecto que já decorre e que deverá apresentar as suas conclusões em 2009.

Recordemo-nos que desde 1994, que a Europa declarou proibida a utilização de restos animais na alimentação de outros animais que não fossem omnívoros ou carnívoros (como as vacas). É certo que as galinhas são omnívoros, e logo, a medida não é tão contra-natura como a prática anterior a 1994 de alimentar vacas com vacas. Mas é igualmente certo que o argumento economicista cego que advoga que é “um absurdo não utilizar essas proteínas e deitá-las fora” não colhe, porque elas poderiam ser usadas – por exemplo – na geração de electricidade por biomassa e porque todas as medidas que podem impactar na Saúde colectiva devem ser especialmente ponderadas, especialmente se por detrás elas existem puros argumentos economicistas… E se o problema profundo é alta dos preços dos cereais, porque não atacar directamente este problema, impondo limites estritos ao plantio de biocombustíveis na Europa e nos EUA (onde 60% do milho tem esse destino), travando a especulação bolsista com os preços dos cereais e – como faz agora a Índia – impondo uma moratória na alta dos preços dos cereais?

Fonte:
http://www.guardian.co.uk/science/2008/may/04/foodtech.food?gusrc=rss&feed=science

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Biocombustíveis: Importar ou Subsidiar?

(http://psdblog.worldbank.org)

“Poucos refinadores europeus conseguirão colocar biodiesel no mercado ao preço do que é refinado na Argentina ou etanol tão barato como o que é fabricado no Brasil com bagaço de cana-de-açúcar. Por isso, já há quem considere que, além das isenções fiscais praticadas na União Europeia para o biodiesel, será preciso passar a subsidiar o “diesel vegetal” adicionado ao gasóleo, para que o seu preço de venda ao público seja “moderado”.
(…)
“Actualmente, uma tonelada de biodiesel custa à saída de uma refinaria portuguesa cerca de 1050 euros, enquanto uma tonelada de gasóleo custa cerca de 586 euros”
(…)
“Além disso, o biodiesel argentino comercializado pelos EUA – o designado Bgg, um biodiesel quase puro a que é adicionada uma parte residual de gasóleo, é vendido na Europa a um preço que ronda os 850 euros por tonelada.”
(…)
“Perante a vontade política de introduzir uma maior componente de biocombustíveis, a única solução para continuar a ter combustíveis mistos ao preço dos refinados fósseis poderá ser subsidiar a compra de refinados vegetais. Se assim não for, o preço final ao consumidor dispara.”
(…)
“Paralelamente, mantém-se a pressão internacional sobre as matérias-primas. Em 2006, o óleo de soja custava 500 dólares por tonelada e agora disparou para os 920 dólares.”
J.F. PALMA·FERREIRA

Expresso, 16 de Fevereiro de 2008

Ou seja, na Europa, a utilização generalizada de biodiesel só poderá ser economicamente viável se houver lugar a uma subsidiação intensa por parte dos governos ou da União Europeia. Mas porque deverá haver lugar a esta subsidiação, dada no articulista como inevitável se esse etanol já é mais barato se fôr importado da Argentina ou do nosso lusófono Brasil? Porque não importar do Brasil, simplesmente? É certo que os custos ambientes e financeiros da importação têm que ser equacionados, mas numa escala comparativa desta grandeza (1050 euros versus 850 euros) os custos do transporte são anulados… e se os custos de emissões forem comparáveis, o que não parece suceder. Dois estudos diferentes, conhecidos em Fevereiro de 2008. Segundo David Tilman um dos autores do estudo: “as emissões do etanol são 93% superiores às da gasolina”. Este estudo publicado na Science referem-se ao Etanol produzido a partir do milho. Outro estudo, coordenado por Timothy Searchinger aponta a na mesma direcção. O segundo estudo aponta claramente o problema no que concerne à desflorestação resultante da conversão desses terrenos para a produção de biocombustíveis ao estimar que seriam precisos 423 anos a produzir biodiesel para anular a dívida de carbono decorrente do abate dessas árvores.

Mas ainda assim, a confirmarem-se estes preços, a solução para o problema dos altos custos do biodiesel não é subsidiar a sua produção na Europa, mas importar de onde este é mais barato (e ecologicamente menos danoso, como sucede no caso da cana-de-açúcar brasileira). Pelo menos enquanto o biodiesel fôr sendo a melhor alternativa aos galopantes preços do petróleo e dos seus derivados… Como parece ser… Pelo menos até se descobrir uma forma económica de produzir hidrogénio.

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Dos males dos biocombustíveis

O aumento da produção de biocombustíveis vai levar ao aumento do ritmo de corte de florestas, o que vai reduzir a sua capacidade para absorver Carbono da Atmosfera. Isso não vai ajudar nada ao Aquecimento Global… E vai permitir o aumento sustentado do consumo e uso de carros, além de que a expansão dos terrenos de cultivo dedicados a biocombustíveis vão reduzir ainda mais a biodiversidade.

Dito isto, não quero dizer que sou absolutamente contra toda e qualquer forma de biocombustíveis. Especialmente, enquanto alternativa transitória, ou enquanto origem complementar para os mesmos fins que a indústria petrolífera hoje alcança. Os biocombustíveis podem ser uma alternativa, mas não serão certamente A ALTERNATIVA, especialmente tendo em conta os factores acima indicados. Em muitos aspectos, os biocombustíveis poderão ser até mais lesivos para o meio ambiente que os combustíveis fósseis… Poderão permitir a continuação desta espiral insustentável de consumos, e até absorver parte das necessidades do afluxo de hostes imensas de novos consumidores, na China e na Índia, mas a que preço? Sacrificando as últimas florestas e aumentando ainda mais a pressão sobre esse pulmão do planeta que é a Amazónia? Sustentanto um aumento de emissões de CO2 que vai agravar ainda mais o fenómeno que parece ser já tarde para travar que é o Aquecimento Global, talvez a forma que a Natureza encontrou para se expurgar e eliminar essa ameaça que são estes seus filhos desavindos…

Não, decidamente… Não advogo os biocombustíveis como a solução para os males decorrentes do Pico Petrolífero e da explosão do preço do barril de crude… Poderão ajudar, numa fase de transição para outras formas, mas se forem tomados como a Solução poderão colocar em risco tantos e tão diversos aspectos da Vida e do Ambiente, que deverão ser descartados como a solução definitiva para o problema que é efectuar uma transição da economia do petróleo para… outra coisa qualquer!

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854 milhões de pessoas passam fome no Mundo

 

“854 milhões de pessoas passam fome, apesar de a produção alimentar mundial ser suficiente.”(…) “Eveline Herfkens, coordenadora da Campanha do Milénio, nomeada pelo secretário-geral da ONU, disse ao Público que será possível atingir os objectivos definidos, a nível global. Porém, algumas regiões ficarão aquém das metas, sendo África e o Sul da Ásia as mais preocupantes.””

De acordo com o relatório de 2007 sobre os progressos para conseguir atingir os objectivos no prazo previsto, a África subsaariana não está no caminho para obter qualquer um dos objectivos”.

Sofia Branco

Fonte: Público de 17 de Outubro de 2007

Graças aos progressos verificados nas últimas décadas nas tecnologias agroalimentares e com o aumento paulatino, mas sistemático da produção alimentar esta terrível constatação é o mais eloquente e cabal demonstrador que o sistema de Economia de Mercado não funciona naquela que devia ser a principal determinação de um qualquer sistema económico, que seria o de distribuir a riqueza bastante para eliminar a Fome.

Não se trata tanto de combater esse grande mal que é a Explosão Demográfica – provavelmente o grande “demónio desconhecido” dos nossos tempos, tão focados no Aquecimento Global e na “Guerra ao Terrorismo”, trata-se aqui apenas de combater o grande problema que é o da distribuição de alimentos, mas de uma forma que não destrua as agricultoras locais, como sucede actualmente quando assistimos ao derrame em África de milhões de toneladas de alimentos a custo zero, excedentários na Europa ou na América e que inundam os mercados locais a custo zero e por dumping arrasam os agricultores locais, incapazes de competir com estes donativos… Enviar alimentos a custo zero não pode ser a solução, se esta destruir a sustentabilidade das economias locais… Sobretudo quando estes excedentes são alimentados a custo de subsídios massivos, como aqueles que a Europa alimenta via PAC… Então como redistribuir, sem aniquilar as economias locais?De qualquer forma, a citação exprime também de forma soberba que a Globalização – ainda que tenha elevado os níveis de vida médios na China e na Índia – está muito longe de ter tido sucesso em África e no Sul da Ásia…

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Algas que produzem biocombustíveis e hidrogénio

Uma das fontes mais promissoras para biocombustíveis e, sobretudo, para hidrogénio (o chamado “combustível do futuro”) são as… algas. Algumas variedades produzem um óleo idêntico ao da soja, podendo ser usado como biocombustível, mas o trabalho do biólogo Anastasios Melis da Universidade de Berkeley, na Califórnia, indica que as algas podem também produzir hidrogénio. Já se sabia que a maioria das algas produziam hidrogénio durante o seu processo de fotosíntese, mas Anastasios acredita que é possível modificar genéticamente algumas espécies de algas de forma a criar uma forma viável de fabricar hidrogénio.
Os primeiros trabalhos criraram uma alga mutante (hum… dito assim, soa mal, não soa?) que triplico hidrogénio produzido pela alga e, adicionalmente, também aumenta a sua produção de óleo que pode ser usado para biocombustíveis. O grande problema actualmente está em que apenas as algas na superfícies captam a quantidade máxima de luz solar, e logo, as do interior produzuem muito menos hidrogénio e óleo. A solução para conceber um “bioreactor” viável parece residir – pelo menos no laboratório de Melis – na utilização de garrafas com algas, que maximizem a superfície de exposição, em vez dos mais tradicionais, mas ineficientes tanques e no redesenho genético das algas de forma a terem menos clorofila, de forma a que absorvam menos luz e deixem passar mais para as algas que estão abaixo delas.

Actualmente, já existem algumas empresas nos EUA a desenvolverem métodos de produção de biocombustíveis a partir de algas, como a Solix Biofuels e LiveFuels. Ambas as empresas estão a tentar produzir biodiesel para automóveis e aviação através da construção de Fotobioreactores “Photobioreactors” (PBRs) que produzem óleo a preços competitivos (e cada vez mais competitivos, especialmente se o barril de crude chegar mesmo aos 90 USDs nas próximas semanas, como se antecipa). Estes PBRs serão uma forma eficiente e ecológica de produzir biocombustível, de facto mais racional e ecológica que as formas convencionais, especialmente mais do que o hipersubsidiado milho ou que o etanol de cana brasileiro, já que a produção ocorrerá em instalações fechadas e logo, sem risco de contaminação de sementes OGM, sem necessidade de solo agrícola e que usarão 99% menos água do que a agricultura convencional intensiva. Além do mais, podem ser instalados em qualquer local, desde desertos, até ao topo de edifícios de escritórios… Muito mais eficazes que outras fontes de biocombustíveis, já que todo o organismo converte luz solar em óleo, e logo, a mesma área de algas produz mais biocombustível do que uma área equivalente de soja, milho ou cana do açúcar. De facto, uma área equivalente a uma garagem para dois carros produz tanto biocombustível como um campo de futebol plantado com soja… Para se ter uma noção da escala da diferença…

Se o processo para criar uma alga genéticamente manipulada para potenciar a produção de hidrogénio foi cumprido, isto significa que será possível num prazo inferior a cinco anos produzir bioreactores que produzam hidrogénio durante a fase de desenvolvimento das algas, e depois, quando estas estiverem plenamente desenvolvidas, extrair o óleo para biocombustíveis que também produzem. Actualmente, a produção de hidrogénio ainda não é rentável, já que o processo normal de fotosíntese liberta apenas 3 a 5% de hidrogénio, mas os investigadores da equipa de Melis acreditam que este valor pode ser multiplicado, fazendo com que 80 Kg de hidrogénio possam ser produzidos por cada acre de um campo de algas genéticamente modificadas.

Fonte: Technology Review

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Quatro Críticas à Reforma do Processo Penal

Muito haveria a dizer a propósito desta muito polémica “reforma do Código Penal”… Mas importa reter aqui o fundamental:

1. Existem sem dúvida alguma numerosos casos de indivíduos que embora estejam detidos ao abrigo do regime de “Prisão Preventiva” estão completamente inocentes, só por esta razão, quando mais curto fôr o período máximo a que podem estar sujeitos a esta medida (a mais grave do sistema penal português: a prisão efectiva), maior será a Justiça. É também certo que os juízes portugueses têm manifestado uma inclinação estatisticamente anormal por penas de prisãop efectiva, mas a libertação potencial de inocentes faz-me concordar em princípio com esta redução. Mas…

2. A medida foi tomada a jusante, quando devia ter sido tomada a montante. Isto é,primeiro o sistema judicial e a investigação devem ser agilizados, desburocratizados e os períodos consumidos em investigação ou em julgamento seriamente encurtados. Só depois, é que se deveriam ter reduzido os períodos máximos de Prisão Preventiva, não antes… Assim, aplicando agora esta medida, muitos criminosos poderão ser soltos, juntamente com a sua devida proporção de inocentes e os perigos de perturbação social e de fuga provocados por esses elementos são evidentes… Com efeito, quem impedirá o assassino daqueles dois polícias na Amadora ou o Cabo Nuno de, uma vez na rua, atravessaram a fronteira de carro, embarcarem num vôo e sairem do País?

3. Talvez o ponto mais crítico do novo Código do Processo Penal seja a confusão que faz entre presos preventivos à espera do primeiro julgamento, e presos preventivos já julgados e condenados, mas que recorreram e esperam segundo julgamento. Como se sabe, a nossa advocacia aprecia particularmente o modelo dilatório do “recurso”, nem sempre pelas melhores razões, e é precisamente esta confusão entre dois regimes de prisão preventiva muito diferentes que o Legislador “se esqueceu” de observar… E espanta muito o espanto de Cavaco Silva (ou talvez não, ele que já admitiu uma vez que não sabia nada de Direito) perante estas críticas. E espanta ainda mais as declarações do Secretário de Estado que se limita a repetir “as reformas foram aplamente discutidas”, o que não quer dizer que estejam todas correctas, nem mereçam correcção, a menos que sejam dogmaticamente infalíveis os seus “discussores”…

4. Fica mais ou menos claro a ideia que no Ministério da Justiça não se sabiam exactamente quantos e quais presos poderiam ser soltos pela aplicação da reforma… Não existe uma base de dados central e uniforma, havendo sistemas dispersos e não comunicantes… Os diversos órgãos judiciais, desde Tribunais a Juízes, a polícias e prisões não conseguem comunicar electrónicamente e de forma segura, imperando a chamada “Ditadura do Papel”… E nem sempre por falta de computadores… Quem não passou já por um tribunal e viu vários monitores e teclados completamente cobertos por processos e papéis diversos?

5. Por fim, ficam dúvidas sobre as verdadeiras intenções da Reforma… Algo nela faz lembrar a obsessão de agradar a Bruxelas e ao Cherne e aproveitar uma reforma que devia ter como ponto fulcral o aumento da celeridade da Justiça e a contenção do muito abusado regime da “Prisão Preventiva”… Depois do encerramento de Escolas, Tribunais, Urgências, Maternidades, agora estão a soltar-se centenas de presos… Haverá também aqui uma pulsão economicista tentando poupar também aqui alguns tostões?

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Sobre a destruição do milho transgénico em Silves, o Movimento Verde Eufémia, Acção Directa e… Os transgénicos

“o milho transgênico é mais amigo do Ambiente que o convencional, porque não precisa de pesticidas”, Jaime Silva

“o principal ponto de debate é a impacto na saúde humana e no equilíbrio do ecossistema.”

“Em 2006 entraram em vigor as normas que asseguram a coexistência entre estas culturas. Entre elas devem ser respeitadas distâncias minímas de 200 a 300 metros para prevenir os riscos de contaminação”.

Público, 21 de Agosto de 2007

A propósito da recente “acção directa” do Movimento Verde Eufémia, mais especificamente na destruição de um hectar de milho transgénico (ver AQUI) e onde os manifestantes recorreram à violência física, não só contra o milho, mas também contra o agricultor (como documentam as imagens recolhidas no local), a verdade é que a invocação do 21º artigo da Constituição (ver AQUI):

Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.”

Não faz sentido e aparece aqui completamente descontextualizada. Em primeiro lugar, “autoridades públicas”, na forma de militares da GNR era coisa que não faltava, tendo sido aliás muito criticada a sua passividade, tanto quanto foi a mesma elogiada pelos elementos do Movimento Verde Eufémia… E se assim foi, tal deve ter-se devido a terem concordado com a mesma, dispensando assim a justificação do “direito de resistência”… Já que as autoridades não só estavam presentes como agiram (ou não) de forma a agradar aos manifestantes…

Por outro lado, é certo que é preciso ainda fazer muitos estudos científicos sobre as consequências a longo prazo dos transgénicos, e por vezes uma consequência pode surgir a muito longo prazo, como se viu ainda não há muito tempo atrás no caso da “doença das vacas loucas”… Mas actualmente não ha indícios claros que os transgénicos sejam perniciosos para a saúde humana, animal ou vegetal… Sabe-se que podem aumentar exponencialmente a produção de alimentos, num mundo em plena e descontrolada explosão demográfica… Consomem poucos pesticidas num mundo cada vez mais poluído… Se forem tomadas medidas básicas de precaução (distância de segurança, monitorização científica, vigilância da aplicação das regras) não devemos temer os transgénicos, pelos menos à luz da ciência actual… Devemos é talvez temer a atitude de algumas multinacionais que aproveitaram o barco para criar sementes transgénicas que a pretexto da mesma “segurança” são… estéreis e que colocam os agricultores na total dependência das suas produções (actualmente cerca de 20% de todas as sementes cultivadas resultam da sementeira anterior).

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