Agostinho da Silva

Agostinho da Silva: “Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio”

Agostinho da Silva (http://www.cm-sintra.pt)

Agostinho da Silva (http://www.cm-sintra.pt)

“Os progressos técnicos, que toda a gente está confundindo cada vez mais com progresso humano, vão criar cada vez mais também um suplemento de ócio que, excelente em si próprio, porque nos aproxima exatamente daquele contemplar dos lírios e das aves que deve ser nosso ideal, vai criar, olhado à nossa escala, uma força de ataque e de triunfo; mais gente vai ter cada vez mais tempo para ouvir rádio e para ir ao cinema, para frequentar museus, para ler revistas ou para discutir política.”
Agostinho da Silva, As Aproximações, 1960

Visionário e acutilante como sempre, em 1960, Agostinho antevia já a contradição entre maquinismo, industrialização e Emprego. O que nos diziam os “economistas do sistema”, neoliberais e globalistas, era de que o crescimento do Emprego no setor dos serviços iria compensar a crescente automatização das industrias e as deslocalizações. Hoje, com níveis elevados e crónicos de Desemprego constata-se o quanto estavam enganados…

Obviamente, não é possível des-automatizar as fábricas, ainda que seja possível fazê-las regressar da China, assim o decidam os Governos (por exemplo, forçando as multinacionais que querem vender aos europeus a produzirem na Europa) e a tal os obriguem os cidadãos… Mas os níveis que quase pleno emprego da década de 60 acabaram. Mas não podemos ter sociedades estáveis e cidadãos plenos e participativos cronicamente desempregados. Importa assim reformar pela raiz os fundamentos da sociedade. Tudo deve ser repensado. Economias gratuitas, Moeda-hora, moedas locais, não-propriedade, todos estes conceitos devem ser ponderados, combinados e adaptados na construção de uma Nova Economia que inevitavelmente terá que surgir.

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Agostinho da Silva: “A primeira tarefa essencial que existe para todos os portugueses não é a da política é a de educar o povo”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“A primeira tarefa essencial que existe para todos os portugueses não é a da política (…) é a de educar o povo, insistindo em que educar não é levar ninguém a ser isto ou aquilo, não é tentar influir de qualquer modo em sua orientação futura, mas dar meios de expressão à sua capacidade criadora e de comunicação, quer ela se exerça lendo e escrevendo quer manualmente num ofício, e sem que se separe uma atividade da outra.”
Agostinho da Silva, Educação de Portugal, 1970.

Em Agostinho o papel da Educação é um papel eminentemente prático e operativo. Devia focar-se em dois aspetos fundamentais: nas capacidades de comunicação e no ensino pratico de uma profissão.

Uma vez formados estes dois pilares, estaríamos com as condições necessárias para formar um verdadeiro cidadão, ativo e participativo, capaz de olhar de forma aguda para a condução da Res Publica e de nela interferir exercendo de forma informada e decidida os seus direitos cívicos e políticos que hoje são tão raramente aplicados. Este “Homem Novo” agostiniano, seria um efetivo agente da transformação económica do país e da sociedade, acompanhando sempre um interesse pelas coisas da cultura e da sapiência e uma atividade pratica e operativa de qualquer ordem.

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Agostinho da Silva: “Do lado dos ingleses, o que havia de basilar era um pensamento ou uma atitude em que se casavam empirismo e ceticismo (…) dos portugueses não há empirismo de espécie alguma, como não há ceticismo”

Agostinho da Silva (http://www.mun-setubal.pt)

Agostinho da Silva (http://www.mun-setubal.pt)

“Do lado dos ingleses, o que havia de basilar era um pensamento ou uma atitude em que se casavam empirismo e ceticismo (…) dos portugueses não há empirismo de espécie alguma, como não há ceticismo; o português funciona por um feixe de convicções: é a fé que o move; e a experiência, que é naturalmente do empirismo.”
Agostinho da Silva, Reflexões

Este retrato agostiniano é – ainda hoje – de uma acuidade comovente. O fraco espírito empírico luso explica a nossa pouca apetência ao empreendedorismo e à inovação empresarial, assim como a pobreza do nosso tecido produtivo. Com efeito, se a União Europeia tudo fez para destruir os setores primários da economia portuguesa, também é certo que tal política castradora foi aplicada pelos seus sabujos cavaquianos e do bipartido. Portugal empobreceu e deixou-se empobrecer e tercializar.

Mas esta doença, este fraco impulso empírico, prático e efetivo terá cura? Seremos capaz de vencer este bloqueio no nosso temperamento? Sem dúvida que sim. A recessão atual pode ser e é grave. É até a mais grave dos últimos cem anos, mas é fatal? A Bancarrota de um país leva ao seu fim, como sucederia se este fosse uma Empresa? Não. Um país não é uma Empresa, um Estado tem virtualidades, caraterísticas e forças anímicas que são maiores que a pura soma aritmética da sua essência. E Portugal sempre soube em épocas de grave crise, encontrar saídas, energias e desígnios estratégicos para o levar ate à fase seguinte, até – pelo menos – a nova crise. Se não somos empíricos, então haveremos de o seu quando tal for crucial à nossa sobrevivência. Sê-lo-emos, decerto, no último minuto, mas saberemos improvisar uma saída que outros só são capazes de – germanicamente – planear.

E essa caraterística da “fé que move” o português será essencial no alevantamento de Portugal. Nessa reconstrução de Portugal que se avizinha cada vez mais, consoante se aproxima aquele que parece ser o nosso derradeiro momento. E aqui a Religião tem a energia que só o etéreo, o imaterial e o espiritual pode oferecer ao Homem. Os Descobrimentos e a Expansão foram um processo onde o espírito de Cruzada e o Proselitismo tiveram um papel bem mais importante que os positivistas (como António Sérgio). Sem os missionários, a cristianização e o espírito religioso Portugal não teria erguido o Império do Oriente nem aqui permanecido ate 1975 (contando com Moçambique, Macau e Timor).

Não menosprezemos o poder do Espírito, da Motivação e da Mente para produzir um efeito concreto e de larga escala no mundo concreto. As perceções, as motivações e a sensibilidade são cruciais para se alterar o mundo em que vivemos. E é dever profundo e absoluto de cada português lutar pelo Salto para fora desta crise potencialmente terminal que o país atravessa. Vamos vencer, porque já vencemos antes e venceremos amanha. Porque Acreditamos que Portugal mais que um “Estado” como a Dinamarca, a Holanda ou a suíça é mais uma “ideia de estar no mundo”, uma ideia em cuja crença e em cuja via operativa a Fé Profética joga um papel central. Não somente pela nossa herança genética judaica, mas porque – além dela – estamos fadados a grandes feitos. Os Feitos prometidos por Bandarra, Vieira e Pessoa.

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Agostinho da Silva: “O liberalismo de tipo parlamentar era em Portugal pouco menos que absurdo”

“O liberalismo de tipo parlamentar era em Portugal pouco menos que absurdo. Em primeiro lugar, os portugueses eram demasiado individualistas para que se pudessem acomodar a um sistema que só funciona bem com a condição de haver dois grandes partidos de massa e talvez um terceiro, sem real influência política, mas que possa de certo modo propugnar reformas de progresso: uma espécie de partido de verdadeiros aristocratas ou de verdadeiros intelectuais”

> Mas este é precisamente o tipo de Parlamentarismo que hoje encontramos em Portugal. Disfuncional, tornado em porta-voz e agente de interesses mais ou menos obscuros e dominado por uma Partidocracia regida por interesses particulares e mais ciosa dos privilégios dos seus membros e da sua prole do que com o interesse nacional. A curto prazo, acreditamos que urge renovar os Partidos, invadindo-os com novos militantes, renovando-os a partir do interior e expulsando as cleptocracias que há muito se apropriaram delas. A médio prazo, contudo, numa sociedade mais esclarecida, informada e civicamente mais ativa, há que reformar pela base o sistema político. A constituição de uma segunda câmara parlamentar (um “Senado”) onde tivessem assento personalidades de reconhecido valor social e inteletual, eleitos diretamente pelas populações, teria que estar em equação como forma de renovar o sistema de representatividade política, preparando o momento em que os cidadãos (pela via da educação pública e cidadã) poderiam dispensar a representatividade imperfeita através da câmara eleita através de listas partidárias.

“em segundo lugar, não têm os portugueses aquela mentalidade de clube que permite a discussão calma das teses, que permite saber ganhar e que acima de tudo garante os direitos das minorias; em terceiro lugar, ao passo que o parlamentarismo inglês teve sempre o conteúdo real do interesse da expansão industrial do país, o conteúdo real do parlamentarismo português, quanto a questões de economia, sempre foi menos do que nulo.”

> Se Agostinho tem razão, o temperamento português não permitiria o debate saudável, criativo e produtivo no Parlamento. Os debates parlamentares no nosso Parlamento raramente produzem desfechos imprevisíveis e por regra as boas iniciativas legislativas não são aprovadas não porque não tenham mérito ou valor, mas apenas porque a cor partidária dos seus subscritores não é a mesma que a da maioria parlamentar. Este tipo de atitude tendenciosa, acrítica e sectária é potenciada pelo sistema de representação exclusivamente partidária mas seria difícil de observar num Parlamento que fosse exclusivamente povoado por deputados eleitos individualmente, em listas nominais a nível de cada município. Este é o modelo da Descentralização Municipalista advogada pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e formalizada na Petição “Por uma democracia representativa” que reúne já o numero suficiente para ser levada à Assembleia da República.

Fonte:
Agostinho da Silva, Reflexão

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Agostinho da Silva: “Não temos nada que abolir escravos se isso significa que ninguém ficará com tempo livre para coisa alguma que não signifique assegurar a subsistência”

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt)

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt)

“Não temos nada que abolir escravos se isso significa que ninguém ficará com tempo livre para coisa alguma que não signifique assegurar a subsistência. O que temos é de inventar escravos que nos não ponham, trabalhando para nós, problemas de consciência. E os inventamos pelo sacrifício, consentido ou não, de milhares de homens em milhares e milhares de gerações; as máquinas que hoje temos à nossa disposição não são mais do que escravos de aço que só esperam que tenhamos mais um lampejo de inteligência, libertando-nos de sistemas económicos quase inteiramente superados, para os podermos utilizar a pleno rendimento..”
Agostinho da Silva, Aproximações, 1960

O aumento recentemente declarado de mais meia hora diária de trabalho é mais uma medida na direção errada: não precisamos de mais horas de Trabalho. Precisamos de menos, precisamos de mais flexibilização nos horários, foco nos resultados e não no acéfalo picanço de ponto que logo, será subvertido e anulado pela redução do tempo de trabalho efetivo pelo aumento da tagarelice, das “pausas de café”, debates intermináveis sobre a saúde do filho ou das preferências clubísticas, etc, etc.

Passos Coelho e outros, ainda não perceberam que a produtividade-hora é o grande problema da economia portuguesa, não a produtividade global. Uma jornada diária de trabalho mais extensa vai aumentar os “tempos mortos”, as “pausas”, aumentar o cansaço e reduzir a produtividade ao mesmo tempo que multiplica os erros humanos. Mas este aumento terá um efeito no Emprego: graças a ele, os empresários serão dissuadidos a recrutarem em 2012 e a situação do desemprego ainda se ira agravar mais do que atualmente.

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Agostinho da Silva: “Uma política sem partidos, nem sequer o único, é a condição indispensável para que o Reino do Espírito Santo”

“Uma política sem partidos, nem sequer o único, é a condição indispensável para que o Reino (do Espírito Santo) se instaure e para que, instaurado, seja.”
Agostinho da Silva, Ecúmena, 1964

Os Partidos são contudo essenciais para a democracia. Mas apenas nesta sua fase – diminuída e condicionada – que hoje vivemos. Os Partidos servem como condensadores de opiniões mais ou menos diversas, mais ou menos divergentes, que depois se coligam e se apresentam numa amalgama como sendo a “posição oficial do Partido”, que todos os militantes devem seguir e defender publicamente com todo o ardor.

Mas é possível imaginar uma sociedade em que os cidadãos alcançaram um tal nível de ilustração cívica, de informação sobre a realidade social e comunitária que os rodeia que conseguem decidir de Per Si, sem peias nem gangas ideológicas impostas por Terceiros a partir do exterior, sejam ele gurus, deuses ou líderes de massas. Essa sociedade de Homens e Mulheres verdadeiramente livres poderia decidir sobre os seus assuntos de forma direta e livre de “representantes”. Para tal forma de democracia direta e referendada haveria que disseminar formas seguras e eficientes de voto eletrónico, assegurar sempre a existência de elevados padrões de educação e deixar depois que a democracia direta se inserisse em todos os setores da sociedade, do Estado às Empresas e da Cidade ao Estado.

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Agostinho da Silva: uma proposta para uma reestruturação do Estado, da Democracia e da Administração

Agostinho da Silva (http://ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (http://ocanto.esenviseu.net)

“Portugal um talvez se tenha que reorganizar, para que enfrente uma primeira parte do que lá para trás lhe ficou sem concreto; nem que seja, mas creio que o não será, para assistir aos feitos, já só deles, de seus filhos brasileiros ou africanos. Talvez principie pelo basilar e peça que as aldeias escolham os seus melhores, um para que fique de regedor, outro ou outros para que, juntamente com outras aldeias, organizem a freguesia, e que ela, por eleição entre os eleitos, mande seus delegados a constituírem o concelho, feito este segundo a conveniência dos vizinhos e não por fantasias de um soba de Lisboa que talvez nem corografia saiba.”

> Por forma a transformar Portugal numa democracia municipalista descentralizada (um dos pontos da Declaração de Princípios do MIL) o território deve ser radicalmente reorganizado começando pelas suas menores estruturas, as aldeias no Campo e os Bairros nas cidades. Serão estas estruturas básicas (a que Agostinho chama de “aldeias”) que servirão de pilar essencial a todo o edifício democrático. Será aqui que as comunidades elegerão aqueles que melhor conhecem, pelo percurso de vida, conhecimentos empíricos e sabedoria de vida. Cidadãos que conhecem pessoalmente e nao através de pesadas e manipuladoras máquinas de Marketing Político. Alguns destes cidadãos, eleitos pelos seus pares locais serão os regedores destas aldeias ou bairros, outros serão os seus delegados enviados para agregações de Bairros ou Aldeias conhecidos hoje como “Freguesias”, aqui, em Assembleia de Freguesia estes delegados escolham o executivo da freguesia e aqueles que nesta assembleia devem representar a Freguesia na Assembleia Municipal, órgão capaz de eleger, por sua vez, o Executivo Municipal.

Este modelo de descentralização municipalista prevê portanto apenas um tipo de sufrágio, ao nível do Bairro ou da Aldeia, sendo os restantes níveis (Freguesia e Concelho) de eleição indireta, a partir dos delegados escolhidos pelas comunidades locais no primeiro nível. Como é possível o conhecimento pessoal destes eleitos de proximidade, sem a turva intermediação dos Media ou das máquinas de marketing político, estamos num sistema que dispensa os Partidos (essenciais no sistema representativo atual), e desta forma se consegue resolver um dos grandes problemas da democracia portuguesa atual que é o distanciamento entre Eleitos e Eleitores com os consequentes elevados (e crónicos) níveis de abstenção e baixos níveis de participação e atividade cívica da maioria dos cidadãos.

“São os enviados destes concelhos que terão de se reunir em Cortes, de ouvir quem saiba, na primeira linha os da Geografia, como deverão ser as regiões e as propor. A quem as propor? Ao que logo de início tiverem escolhido como primeira figura do Estado, Presidente lhe chamam ou Rei, vitalício enquanto tiver vida que sirva, e que escolherá seu Conselho de modo a contemplar as organizações de trabalho, as de culturas, artes e igrejas e os partidos. Conselho que transformará em leis as propostas das Cortes, designará ministros que não sejam seus membros, será juiz da vitalidade do Chefe de Estado, indicará quem a seu parecer o poderia substituir – mas que o decidam as Cortes”

> As Cortes serão assim o nível administrativo e democrático superior. Formadas com delegados enviados pelos Concelhos, estes representantes escolherão em sufrágio indireto o Presidente-Rei (consoante prefiramos o termo republicano ou o monárquico). Este supremo regedor da Nação será eleito de forma vitalícia (enquanto estiver na posse das suas faculdades, ou seja, enquanto tal for o entendimento maioritário das Cortes) e o regime assim desenhado por Agostinho assume-se como Presidencialista, como o norte-americano ou francês, em que ao Chefe de Estado cabe a seleção do elenco governativo, o executivo que aplica e transforma em Leis os Projetos previamente aprovados em Cortes.

Fonte:
Agostinho da Silva, Textos Filosóficos II

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Agostinho da Silva e os Partidos

Agostinho da Silva (http://img.youtube.com)

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“Conviria talvez que se experimentasse desde já um outro sistema, o de não haver partido algum. Partidos são sempre máquinas de agir e o que estava ao princípio não era a ação, mas o deleite das relações lógicas e o deleite da linguagem quanto possível matemática em que elas se exprimem. No partido, a intensa opinião se fragmenta e apuramos aquilo em que diferimos dos outros homens, não aquilo em que lhe somos irmãos; guiamo-nos por um ser geral que nos supera e por ele nos substituímos; vive em nós a tribo, muito mais do que a humanidade.”
Agostinho da Silva, Ecúmena, 1964

Os Partidos Políticos são hoje o cerne dos sistemas democráticos que funcionam no Ocidente. O facto do sistema Parlamentar com representação partidária serem hoje omnipresentes pode transmitir a ilusão de que são a única forma possível de democracia. Nada mais falso. O Parlamentarismo Partidário não é a “democracia”. Os defeitos e bloqueios do sistema são conhecidos e particularmente evidentes na sociedade portuguesa da atualidade e clamam por resolução urgente.

No sistema atual encontramos elevadas (e crescentes) taxas de abstenção eleitoral, baixos índices de participação cívica, social e comunitária, uma quase total monopolização do sistema representativo por um grupo restrito e exclusivo de famílias que se alternam no poder exercendo um “rotativismo democrático” bloqueado e bloqueante.

Este é o sistema que nos rege, de forma mais ou menos contínua, de forma mais ou menos explicita ou pura, desde a implantação da República em 1911. A reforma do sistema democrático terá assim que passar pela reconstrução do cerne do mesmo: o Parlamento e, neste, das formas de representatividade. A este respeito, o MIL: Movimento Internacional Lusófono defende (em forma de Petição) a eleição de deputados independentes para a Assembleia da República, isto é, deputados eleitos fora de qualquer lista ou fidelidade partidária. Estes deputados responderiam apenas perante os seus eleitores e não perante interesses partidários. Assim se recuperaria a distância entre eleitos e eleitores.

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Agostinho da Silva e o “desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafisica”

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt/)

Agostinho da Silva (http://img.rtp.pt/)

“No político, distingo dois momentos, o do presente e o do futuro. Principiando pelo segundo desejo o desaparecimento do Estado, da Economia, da Educação, da Sociedade e da Metafisica; quero que cada indivíduo se governe por si próprio, sendo sempre o melhor que é, que tudo seja de todos, repousando toda a produção por um lado no amador, por outro lado na fabrica automática; que a criança cresça naturalmente segundo suas apetências.”
Agostinho da Silva, Textos e Ensaios Filosóficos, II

Agostinho exprime aqui o seu verdadeiro e mais profundo impulso anarquista… Supremo crente nas capacidades do indivíduo, desde que liberto das grilhetas das convenções castrantes e de uma educação condicionadora, Agostinho da Silva acreditava que seria possível abolir o Estado, substituindo-o pela liberdade individual.

Em vários textos de lavra agostiniana encontramos referencias a um Estado altamente descentralizado e de base municipalista, supremamente regido (de forma lassa e informal) por um “rei eletivo”. Este segmento demonstra que, contudo, o filósofo entendia que esta estrutura era apenas transitória, uma fase a caminho de um mundo onde o Homem seria verdadeiramente livre e plenamente cidadão e onde nada haveria a separá-lo da sua comunidade, nem Estado, nem “cidade”, nem estruturas políticas ou administrativas. Entre o Homem e a Comunidade, restaria apenas a Comunidade e o sincero desejo de nesta participar e de crescer no seu seio.

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Agostinho da Silva e o ideal da Ilha dos Amores

Agostinho da Silva (http://opatifundio.com)

Agostinho da Silva (http://opatifundio.com)

“Se o ideal último do Português é reconquistar o Paraíso e entrar naquele despojar-se de espaço e tempo a que Luís de Camões preludiou com a Ilha dos Amores, serão dispensáveis as guerras e terão sido os melhores militares os que têm visto a sua missão como sendo essencialmente a de manutenção da Paz, para que o mundo se vá construindo, não os que são tentados pelas aventuras ou pelos lucros das guerras.”
Agostinho da Silva, Educação de Portugal, 1970

Num mundo futuro – antevisto e desejado por Agostinho – a guerra será obsoleta. Mas este mundo futuro não é o – ainda – o mundo de hoje. Agostinho admite aqui, neste passo, que ainda é necessário manter exércitos ativos e preparados. Enquanto existirem exércitos no mundo (dizemos nós) não chegou ainda o tempo de desarmar nem desmobilizar exércitos. Não devemos, não podemos, usar as forças armadas para ações ofensivas, reservando-as para missões de manutenção de paz, sempre no quadro de acordos multilaterais (ONU ou CPLP) ou bilaterais (por exemplo, Timor e Portugal) ou de mandatos internacionais muito específicos, quando urge usar armas para impedir que outras armas causem danos maiores a civis.

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Agostinho da Silva: “O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante. Então, o povo português achou que digno de imperar no Espírito Santo (quer dizer, de ser o Rei, a figura principal do império futuro, da futura idade do mundo), era a criança. Com a sua imaginação, a sua alegria, a sua capacidade de perguntar, todas essas coisas.”
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

Este é o modelo de cidadão do futuro antevisto por Agostinho: eternamente questionador, apuradamente informado pela forma como a “coisa pública” é regida, este “cidadão completo” agostiniano buscava na criança a inspiração para este novo tipo de cidadania ativa na sua imaginação, eterno questionamento da realidade e intervenção ativa na sociedade civil.

A única revolução que pode produzir efeitos duradouros e perenes será aquela que for cumprida no seio de cada um de nós, na forma como conduzimos a nossa vida, como recusamos uma vida passiva e bovinizada e nos deixamos conduzir pelos arreios puxados por “fazedores de opinião”, líderes ou maiorias mais ou menos acéfalas. Cada cidadão deve ser pleno, participar ativamente na vida social, associativa, cívica ou política da sua comunidade, tornando-se num condutor da sua própria vida e na prosperidade da comunidade em que está inserido. Só pela via da Cidadania Ativa pode ocorrer o despertar da Sociedade Civil, do torpor que agora a carateriza e que se contra no cerne da atual grave crise em que Portugal se encontra hoje mergulhado.

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Agostinho da Silva: “Estes amam o povo, mas não desejariam, por interesse do próprio amor que saísse do passo em que se encontra” e “Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam que o meio”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (ebicuba.drealentejo.pt)

“Estes amam o povo, mas não desejariam, por interesse do próprio amor que saísse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as superstições e as lendas, veem-se generosos e sensíveis quando se debruçam sobre a classe inferior. (…) Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam que o meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas”.
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

Agostinho da Silva alude aqui à tradicional dicotomia esquerda-direita. Aparentemente divergentes, na verdade estes extremos do espectro político convencional refletem a mesma posição para com o “povo”: encaram-no como uma massa amorfa (as “amibas que sobrevivem” noutro texto agostiniano) que pode ser usado como pretexto para a condução de uma agenda própria e egoísta.

A reforma da participação cívica e política dos cidadãos no Estado deve assim passar por dois contornamentos essenciais a esta malsana dicotomia que está por detrás deste “rotativismo democrático” que nos tem regido desde 1975: A reforma a partir de dentro ou a reforma a partir do exterior.

A reforma a partir de dentro:
Os cidadãos devem invadir os partidos políticos, exigindo a partir dos seus órgãos e eleições internas a democratização interna dos mesmos, destruindo o poder dos “aparelhos” e Interesses de cujos benefícios os grandes partidos se tornaram em centrais de distribuição, imorais e sem ideologia. Importa restaurar a credibilidade dos Partidos reaproximando-os dos cidadãos e afastando-os dos aparelhos profissionais.

Reforma a partir do exterior:
Se não for possível reformar os partidos existentes restam apenas aos cidadãos duas formas de mudar um jogo que atualmente comporta cada vez menos democracia e mais plutocracia ou aristocracia viciosa: agir a partir de fora do Sistema. A este propósito, a candidatura presidencial de Fernando Nobre foi um bom sinal: os milhares de voluntários abnegados que agregou um pouco por todo o país e os mais de 500 mil votos que cativou expressaram um forte desejo cidadão de renovar o Sistema a partir de um “outsider“. É certo, contudo, que o que se passou depois desiludiu a maioria dos apoiantes dessa “candidatura da cidadania”, mas isso não tira nenhum mérito a uma expressão de liberdade e responsabilidade cívica que teve lugar – sem precedentes – nestas eleições presidenciais.

O sistema democrático tem que se renovar. Quebrar este marasmo e apatia abstencionista e tornar a convencer os cidadãos que o seu voto conta e muda alguma coisa. Além de formal, tem que se tornar efetivo. A democracia pode ser renovada a partir de movimentos cívicos, associações, grupos mais ou menos anónimos, comunidades locais, bem para além da formatação clássica de um “partido”. Despertemos a Sociedade Civil, livre das cadeias impostas por um sistema cristalizado e elitista e fortemente alicerçado numa comunidade livre, exigente e intensamente atuante.

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Agostinho da Silva: “A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio”
“É ilusória toda a reforma do colectivo que não se apoie numa renovação individual”
“Só existe governo exterior a nós por preguiça de nos governarmos a nós mesmos”
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva” (vários autores)

Para que a sociedade civil portuguesa desperte deste torpor pré-morte há que realizar o único tipo de revolução que produz efeitos perenes e definitivos: a revolução interior. Para tal, o individuo deve ter municiado das ferramentas intelectuais e do conhecimento empírico e teórico bastante para poder observar e julgar de forma crítica e informada a realidade que lhe é apresentada.

Em vez de um sistema de ensino baseado na “autoridade” do professor e na superioridade da cátedra, o ensino deve pugnar pelo estímulo da curiosidade natural da criança, ser intensamente experimental e prático e incluir educação cívica e comunitária. A escola deve preocupar-se sobretudo em formar cidadãos – críticos e atuantes – e não amebas dóceis e bovinizadas.

Agostinho da Silva entende por “libertar-se a sua próprio” precisamente este “grito do Ipiranga” que cada um de nós deve ser capaz de dar no seu Eu íntimo por forma a quebrar as grilhetas do “pensamento feito”, das “auctoritates” e do saber livresco e estático. Saibamos tornar nosso ser num eterno questionador por forma a que possamos no seio da nossa comunidade cumprir o nosso papel de cidadãos ativos e participantes.

Quanto mais intensa for a nossa participação na comunidade onde estamos inseridos, mas exigente, bem gerida e ativa será esta, porque – ao que se sabe – as amebas não fazem boas cidades e o Homem – animal social por excelência – realizasse de forma mais completa na sua comunidade, fora e para além de si, tornando o altruísmo e a dedicação ao Outro num dos seus principais desígnios de vida.

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Agostinho da Silva: Sobre o papel futuro dos homens de língua portuguesa

Agostinho da Silva (http://ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“Ou os homens de língua portuguesa inventam qualquer coisa, criam qualquer coisa que tire o mundo da confusão em que está hoje, da escravidão em que vive quase toda a gente, escravidão de várias espécies, e o liberte para uma vida que seja verdadeiramente humana, e até mais humana, ou então o papel dos homens de língua portuguesa vai ser muito restrito no mundo”.
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

Sabemos que vivemos numa das sociedades mais apáticas da Europa: os elevados (e crescentes) níveis de abstenção, as baixas taxas de vida associativa e comunitária indicam isso mesmo. Portugal tem que despertar desta asfixia de participação cidadã em que vegeta há décadas. Essa é a “coisa que homens de língua portuguesa têm que inventar” para “tirar o mundo da confusão em que está hoje”: em que a democracia é cada vez mais formal e aparente e menos ativa e participada.

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Agostinho da Silva: “Talvez seja bom para nós não sabermos produzir mas sabermos utilizar aquilo que os outros produzem”

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“Talvez seja bom para nós não sabermos produzir mas sabermos utilizar aquilo que os outros produzem. Os chamados povos industrializados têm produzido muita máquina e têm destruído muitas pessoas. Espero que os portugueses produzam menos máquinas mais saibam mais desenvolver pessoas.”
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

O apelo que Agostinho da Silva aqui produz é um apelo a favor de uma “vida conversável”, a uma vida imersiva em que cada um mergulhe profundamente no seu próprio Eu, desenvolvendo todas as suas capacidades (regressando à criança em nós, diria o filósofo) criativas e em que todos os membros da comunidade participam ativamente do seu governo, assumindo formas de democracia muito próximas do auto-governo.

No tipo de cidadão que Agostinho antevê para o futuro não será central ao seu modo de vida o ciclo produtor-consumidor que hoje escraviza as populações: cada individuo será acima de tudo um cidadão, plenamente desenvolvido e atuante. Acabarão as “amebas pensantes” e será a concretização na Terra do Reino do Espírito Santo de Joaquim de Fiora e da Ilha dos Amores de Camões, em que não haverá mais separação entre governados e governantes e todos alcançaremos o grau último do nosso desenvolvimento individual e coletivo.

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Agostinho da Silva: “A nossa coragem de recomeçar (…) tem de se haver com a obra de descentralizar e democratizar a administração e a organização política”

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

Agostinho da Silva (ocanto.esenviseu.net)

“A nossa coragem de recomeçar (…) tem de se haver com a obra de descentralizar e democratizar a administração e a organização política: Portugal e Brasil têm de reestabelecer o poder municipal em toda a sua plenitude, entregando-lhe o fundamental da máquina administrativa, da economia e da educação”
Agostinho da Silva em “In Memoriam de Agostinho da Silva”

Na visão reformista do filósofo a Democracia deverá transformar-se por forma a aproximar o cidadão do Estado descentralizando-se e devolvendo aos municípios os poderes que estes detinham durante a Idade Média portuguesa, antes da imposição do Cesarismo e do ideário de Maquiavel no Renascimento e da erosão do direito foraleiro promovida por Dom Manuel.

Agostinho da Silva promovia ativamente todas as formas de aproximação entre Portugal e o Brasil, tendo sido um dos fundadores da CPLP e defendendo a União Lusófona que hoje é um dos desígnios estratégicos defendidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. Esta citação do filósofo permite-nos contudo antever um aspecto dessa aproximação: Agostinho acreditava que essa união só poderia suceder pela transformação dos dois países em “federações de municípios independentes”, através de processos intensos de descentralização municipalista, em que os cidadãos aumentassem a sua presença na Sociedade Civil pela redução da distancia entre eles e o poder representativo, em sede municipalista.

Na visão agostiniana, os municípios agregariam o essencial das competências administrativas, económicas, fiscais e de educação pública. Para o Estado central restariam todas as restantes, com excepção da diplomacia, defesa e orientação geral e estratégica, competências que seriam da exclusiva responsabilidade dos organismos centrais da União Lusófona, com sede em Cabo Verde (conforme outros segmentos do filósofo).

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Agostinho da Silva: “A revolução não virá de movimentos de massas e de associacoes organizadas e conferencias internacionais e de discussões teológicas ou filosóficas”

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

Agostinho da Silva (http://www.educ.fc.ul.pt)

“A revolução não virá de movimentos de massas e de associações organizadas e conferências internacionais e de discussões teológicas ou filosóficas. Tal ideia é totalmente absurda.”
Agostinho da Silva

A Revolução virá, bem pelo contrário, do interior de cada um de nós. Antes de pensarmos em irmos para a rua, segurando cartazes e clamando gritos de ordem, devemos olhar para dentro de nós e refletir sobre o que podemos mudar acerca das nossas atitudes, o que devemos aprender por forma a sermos cidadãos mais atuantes e a contribuirmos de forma mais ativa para o necessário despertar da Sociedade Civil.

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Agostinho da Silva: “Portugal como uma rede municípios republicanos e democráticos”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“Portugal funcionou durante muito tempo, e o melhor, com uma Côrte errante, o que não implicava que não fosse sedentárias as administrações concelhias? E tinham sede em São Bento as Côrtes?”
Agostinho da Silva, citado em Visões de Agostinho da Silva de Renato Epifânio

A aproximação entre os órgãos democráticos e os cidadãos, em Agostinho, é realizada através da descentralização municipalista que o Professor defende em tantos dos seus textos. Para Agostinho, as Côrtes seriam providas não de representantes da Nobreza e do Clero (conforme sucedia na Idade Média portuguesa), mas por delegados democraticamente eleitos nos municípios e depois enviados para as Côrtes.

Estas Côrtes (de delegados uni-nominalmente eleitos, presume-se) não tinham sede, antes de deslocavam livremente de município em município, sem favorecer nem privilegiar nenhum em particular. Assim se garantiria a paridade entre todas as regiões e cidades e dispensariam as “capitais”, que sempre favorecem centralismo e desertificações do interior reforçando assim o pilar da cidadania e o despertar da sociedade civil numa sociedade demasiado centralista e onde as instituições democráticas começam a dar sinais de um preocupante envelhecimento… nomeadamente nas taxas crescentes de abstenção e no malsano “rotativismo democrático” que nos rege desde 1975.

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Agostinho da Silva: “Para Agostinho aquilo a que chamou Império sempre se pôs como algo inteiramente distinto do projeto barroco-sebastianista de Vieira”

Agostinho da Silva (http://i2.ytimg.com)

Agostinho da Silva (http://i2.ytimg.com)

“Para Agostinho aquilo a que chamou Império sempre se pôs como algo inteiramente distinto do projeto barroco-sebastianista de Vieira. Era objetivo, antes do mais, que se deveria alcançar no mais íntimo de cada um, e que, se concretizando coletiva e historicamente, haveria de ser social, política e religiosamente difuso, sem centros de poder político, e sobretudo, sem centros de poder religioso e ortodoxo.”
Pedro Agostinho, filho de Agostinho da Silva, 1991.

O filho de Agostinho da Silva deixa aqui o testemunho em primeira pessoa da mundovisão agostiniana: um mundo novo (ou “quinto império sem quinto imperador”) em que a revolução interior e pessoal a cumprir por cada cidadão seria a verdadeira revolução. Em vez de um império terreal e material, o Professor sonhava com um “império” interior e pessoal.

A expressão exterior desta revolução interior de consciências e de liberdade cidadã acabaria por ter reflexos na organização política e poderia, também, ser favorecida pela descentralização municipalista que assentava no centro da reforma do Estado proposta por Agostinho da Silva. Mas este Estado seria muito diferente das formas que hoje conhecemos: muito mais difuso, solto e controlador. Mais livre, autonómico e descentralizado. Mais humano, porque mais centrado no Homem que nas estruturas piramidais convencionais, mais próximo, porque mais descentralizado, mais responsável, porque mais vigiado de perto por cidadãos ativos e por uma sociedade civil muito mais exigente e participante.

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Agostinho da Silva: “O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (…) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O menino que não chora, nem parte, nem esbraveja, nem resiste aos conselhos há-de formar depois nas massas submissas (…) na verdade, não posso ter grande respeito pelas amibas que sobrevivem.”
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

E contudo as “amibas que sobrevivem” constituem hoje de facto a esmagadora maioria da sociedade civil portuguesa. Portugal apresenta dos índices de vida associativa e comunitário mais baixos do mundo desenvolvido e se durante muito tempo foi possível encontrar a justificação para essa anomalia no “paternalismo de Estado” e na Inquisição Católica, hoje em dia tais causas não explicam a desmobilização e o amorfismo crónico das novas gerações.

A formatação do ensino pode contudo explicar esta formação de gerações sucessivas de “amibas que sobrevivem”: o Ensino está orientado na base do Saber que é adquirido não de forma empírica mas autoritária e unidireccional. Os aspectos experimentais e laboratoriais – nos primeiros ciclos – sao raros, quando deviam ser dominantes. Os planos curriculares são extensos e irrealistas, deixando pouco tempo para o saudável questionamento e para a formacao livre, original e espontânea de pensamento. Tudo isto tem que ser mudado e no mesmo local onde os Republicanos acreditavam (com razao) ser possível forjar uma nova geração de cidadãos, ativos e conscientes: a Escola Pública.

Incentivemos pois, nos primeiros dois Ciclos, todas as formas de questionamento do Saber, de produção natural e espontanea de Saber a partir de informações e dados previamente disponibilizados às crianças, por forma a que possam tirar elas próprias as suas conclusões. Estimulemos o debate, o confronto de opiniões contrárias e o estabelecimento de consensos e acordos, logo desde tenra idade. Alimentemos a saudável curiosidade infantil com Saber e ferramentas de produção de conhecimento.

Sigamos Agostinho: não deixemos que nos matem a criança que há em nós e deixemo-nos ser permanentemente questionadores e insubmissos perante todas as formas de opressão (económica, social, mediática ou política) realizando assim a plenitude da nossa Humanidade e despertando esta Sociedade Civil passiva e inerte que carateriza o Portugal de hoje.

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Agostinho da Silva: “Sem fim a que aponte a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas”

Agostinho da Silva (http://www.nefasto.eu)

Agostinho da Silva (http://www.nefasto.eu)

“Sem fim a que aponte a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas; um dia se sucede a outro dia sem que o viver represente uma conquista, sem que a manhã que renasce seja uma criação do nosso próprio espírito e não o fenómeno que passivamente se aceita e que por hábito nos impele a um determinado número de ações; desfez-se a crença em que o mundo é formado pelo homem, em que o reino de Deus terá de ser obtido, não como uma dádiva dependente do arbítrio de um ente superior, mas como a paciente, firme, contínua construção dos seus futuros habitantes.”
Agostinho da Silva, Diário de Alcestes

Esta é a anomia, a crónica indiferença dos dias que pouco a pouco corroí a nossa sociedade, forjando gerações de “amebas que sobrevivem”, que atravessam a vida como se nunca chegassem a ter nascido.

O Homem que recusa o dever de agir concretamente na sociedade e que enjeita o cumprimento do seu lugar na sociedade é apenas meio humano, porque é pela ação que o Homem se faz e é pela plena e participada integração na sua comunidade que se obtém a felicidade que sempre resulta da realização das capacidades plenas de cada indivíduo.

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Agostinho da Silva: “O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante”

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

Agostinho da Silva (http://ebicuba.drealentejo.pt)

“O menino é um monstro de perguntas, de curiosidade, de inteligência actuante. Então, o povo português achou que digno de imperar no Espírito Santo (quer dizer, de ser o Rei, a figura principal do império futuro, da futura idade do mundo), era a criança. Com a sua imaginação, a sua alegria, a sua capacidade de perguntar, todas essas coisas.”
Agostinho da Silva, O Império do Espírito Santo entre os Homens

Este é o modelo de cidadão do futuro antevisto por Agostinho: eternamente questionador, apuradamente informado pela forma como a “coisa pública” é regida, este “cidadão completo” agostiniano buscava na criança a inspiração para este novo tipo de cidadania ativa na sua imaginação, eterno questionamento da realidade e intervenção ativa na sociedade civil.

A única revolução que pode produzir efeitos duradouros e perenes será aquela que for cumprida no seio de cada um de nós, na forma como conduzimos a nossa vida, como recusamos uma vida passiva e bovinizada e nos deixamos conduzir pelos arreios puxados por “fazedores de opinião”, líderes ou maiorias mais ou menos acéfalas. Cada cidadão deve ser pleno, participar ativamente na vida social, associativa, cívica ou política da sua comunidade, tornando-se num condutor da sua própria vida e na prosperidade da comunidade em que está inserido. Só pela via da Cidadania Ativa pode ocorrer o despertar da Sociedade Civil, do torpor que agora a carateriza e que se contra no cerne da atual grave crise em que Portugal se encontra hoje mergulhado.

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Para Agostinho da Silva, a escola do futuro deve ser “o lugar cívico da educação e de vida em que o criar vá muito além do saber em que o jogar se encontre com o trabalho”

Agostinho da Silva (http://www.revista.agulha.nom.br)

Agostinho da Silva (www.revista.agulha.nom.br)

Para Agostinho da Silva, a escola do futuro deve ser “o lugar cívico da educação e de vida em que o criar vá muito além do saber em que o jogar se encontre com o trabalho, em que a liberdade crie sua própria disciplina e em que o contemplar domine o agir, e o adorar se sobreponha ao poder”.

A Escola Pública deve ser o palco onde se forjam as novas gerações de cidadãos ativos e dinâmicos. A Escola deve ter como prioridade formar bons cidadãos e seres humanos realizados: críticos, capazes de julgarem por si próprios e livres de todas as prisões impostas pelas tiranias de vários tipos que hoje florescem nas sociedades.

Mais que “saber”, a Escola será o lugar do “criar”: o conhecimento enciclopédico e memorizado será menorizado a favor da apreensão independente e experimental de Conhecimento. Em vez de memorizadores compulsivos teremos jovens criadores, predispostos para o permanente questionamento do mundo e da sociedade.

A Escola Agostiniana, contemplativa (porque concebida para o pensamento e desenvolvimento da criatividade e inteligência), dialogante, porque favorece o ideal da “vida conversável” e limpa das formatações autoritárias da cátedra, será mais dinâmica e livre que as atuais.

Com este conceito de escola “lugar cívico da educação e da vida” teríamos uma sociedade mais ativa e participante – quase em regime de auto-governo – na Sociedade Civil e a escola em vez de palco de eternas guerrilhas corporativas poderia ser o espaço da regeneração social que os Republicanos da Primeira República quiseram fundar, mas que por via da grande instabilidade política e de dificuldades financeiras constantes, nunca conseguiram erguer.

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Agostinho da Silva: “A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo”

“A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo. Agostinho da Silva
Os anti-fascistas arrancam os auto-colantes do MIL espalhados pelas ruas (pela nossa valorização da ideia de Pátria?)
Os fascistas fustigam-nos na blogoesfera (pela nossa defesa de um Portugal lusofonamente mestiço?);
Só podemos estar no caminho certo…”

A Via Lusófona
Renato Epifânio

A separacao clássica Esquerda-Direita. A crescente incapacidade para distinguir a ação governativa dos dois grandes partidos do espetro partidocrata nacional: o bi-partido PS e PSD apontam nesse mesmo sentido: o discurso e a ação desses dois partidos, precisamente os dois maiores partidos da Esquerda e da Direita são indistinguíveis e o discurso pragmático e tecnicista é hoje maioritário nas suas intervenções públicas em relação aos temas mais marcadamente “políticos”.

A dicotomia Esquerda-Direita está esgotada, decerto, pelo desvio tecnicista do discurso partidário atual. Esvaziados de propostas e estratégias realmente divergentes, os grandes partidos limitam-se a esgrimir com fulanos: exibindo aqueles seus líderes que alegam estarem melhor preparados (pelo seu carisma ou pela sua experiência empresarial) para lidarem com as ordens recebidas do centro de poder efetivo: Bruxelas, distinguindo-se assim apenas estes Partidos pela eficácia com que vão cumprindo os ditames do norte da Europa.

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Renato Epifânio: “Agostinho da Silva não se limitou a ter boas ideias, algumas delas visionárias. à sua escala, concretizou-as”

 

A Via Lusófona

A Via Lusófona

 

“…Agostinho da Silva não se limitou a ter boas ideias, algumas delas visionárias. à sua escala, concretizou-as.
De resto, boas ideias toda a gente tem. A diferença entre os seres humanos está entre aqueles que as procuram concretizar e naqueles que, ao primeiro obstáculo, desistem.
Em última instância, tudo depende da Vontade: quem quer realmente, consegue, arranja maneira; quem tem vontade fraca, arranja desculpas para o seu fracasso”

Renato Epifânio, A Via Lusófona

Na verdade mais do que “todos temos ideias” aquilo que devemos exigir a nós próprios e reclamar aos que nos rodeiam e compartilham (supostamente) as nossas causas é que sejam consistentes para com elas e que não se limitem a discorrer nos cafés e nos círculos familiares sobre a presente situação do país e o que se pode fazer quanto a ela. Todos temos o Dever de FAZER algo para corrigir o que está errado e endireitar o que corre torto. Todos nós temos o Dever de transformarmos a verborreia inconsequente declamada em cafés e jantares e transmutá-la em intervenção cívica, voto ativo e consciente e presença e ação social em meios associativos e comunitários.

Sem que cumpramos este nosso dever cívico de intervenção consciente e empenhada não merecemos viver em Democracia e, sejamos claros, não faltará muito tempo até que nos tirem a derradeira aparência de Liberdade e Democracia que ainda vivemos.

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Agostinho da Silva ou da visão omni-abrangente e do amor superativo de ciência, arte, filosofia e política

[…] que filosofias pitorescas são essas que pretendem explicar o mundo e têm de bulhar? Uma filosofia, ao que eu entendo, tem de ser uma explicação total do universo: porque não inclui então aquele que nos aparece como adversário? […] Dirá você que uma concepção dessas, em que todos os contrários se harmonizam, só é possível em Deus. Vamos então nós desistir de chegar a Deus? Essa, para mim, é que é a grande tarefa filosófica, como é a grande tarefa da arte, da ciência, da religião e da sociologia ou, melhor, da política. Do amor também: do amor sempre, porque, se é verdadeiro, ele supera a ciência e a arte, a filosofia e a política – Sete Cartas a um Jovem Filósofo [1945 ], in Textos e Ensaios Filosóficos I, p. 262.

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Agostinho da Silva: "…tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso"

Não me preocupa no que penso nem a originalidade nem a coerência. Quanto à primeira, tudo aquilo com que concordo passa a ser meu — ou já meu era e ainda se me não tinha revelado. A minha originalidade está só, porventura, na digestão que faço. Pelo que respeita à coerência, bem me rala; o que penso ou escrevo hoje é do eu de hoje; o de amanhã é livre de, a partir de hoje, ter sua trajectória própria e sua meta particular. Mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso – Pensamento em Farmácia de Província, 1 [1977], in Textos e Ensaios Filosóficos II, p.319.

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Espécies de Revolução

“Há, talvez, duas espécies de revolução: uma é a de mudar o mundo, como tanto tem sido tentado, sempre com resultados muito aquém das levantadas esperanças, a outra a de mudar cada pessoa, já que as perspectivas da transformação oposta ou parecem muito exageradas, muito desmentidas pelos resultados no quotidiano, ou envolvem tais dificuldades ou tais riscos, mesmo vitoriosas, e sobretudo quando vitoriosas, que parece melhor tentar a alternativa. É isso o que diríamos da revolução pessoal que tem, no Ocidente, os exemplos de São Paulo ou São Francisco, no Oriente, e por exemplo também, o caso de Buda e de, quase em nosso tempo, Ramakrishna, que experimentou as três vias do hinduísmo, do cristianismo e do islão, nelas três atingindo suas metas. Quem sabe se não haveria ainda que trilhar novo caminho: o de, tomando toda a simplicidade, todo o despojamento, toda a disciplina, toda a dedicação do que foi citado – e bem sabendo de nossas inferioridades e limitações – ninguém se retirar do mundo, como muitos deles fizeram, ninguém se recolher a convento algum, mas no século permanecer, com bom humor, paciência, entusiasmo, fé no triunfo e absoluta confiança nas qualidades do homem, quaisquer que sejam as aparências. Combater sem agressividade, esperar sem se tornar passivo, acreditar haver saída para tudo, conservar-se na marcha geral, embora escolhendo o seu próprio caminho e jamais esquecendo seu rumo, abertos sempre a novas ideias e acolhedores de todos os estimulos. Sem internas quebras, navegar o que parece impossivel, sem desânimo, adiantar a tarefa sem temer o paradoxo, dar toda a eternidade à corrida do tempo, sem pressa nunca cessando a marcha. E ver em todos os companheiros não um grupo que se seguia, o que logo faz surgir hierarquias, mas o nosso amparo, o nosso incitamento: Mestres, afinal, não discípulos”

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