9/11 Denial

Serviços Secretos Paquistaneses: “O 11 de Setembro é um inside job”

Já escrevemos aqui muito sobre os mistérios do 11 de setembro. E sobre a teoria que diz que os ataques foram um “trabalho interno” por parte de alguns interesses obscuros das alas mais direitistas do poder norte-americano.

O trabalho de um dos mais prestigiados fotógrafos italianos, Massimo Berruti inclui na introdução do seu último livro declarações polémicas de Hamid Gul, o antigo líder dos serviços secretos paquistaneses, que admite que o 11 de setembro foi ordenado por uma das múltiplas entidades de “serviços secretos” em atividade nos EUA. O general paquistanês já tinha dito numa entrevista à CNN que o 11 de setembro foi planeado, organizado e executado a partir dos EUA e não do Afeganistão. Amid Gul suspeita também que tudo fora do conhecimento das forças armadas dos EUA.

A tese não é nova e há de facto varias inconsistências intrigantes no 11 de setembro que nunca foram explicadas (especialmente quanto ao ataque ao Pentágono) que apontam para a tese de que tudo teria sido orquestrado por um grupo de radicais direitistas e ultracristãos que floresceram livremente em torno da presidência Bush e que, de facto, conseguiram transformar os EUA num Estado securitário e hipervigiado. Preparando uma operação de tomada de poder que ainda não aconteceu ou que foi abortada pelo insucesso na guerra do Iraque ou pela vitória de Obama nas últimas presidenciais.

Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1399690

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Ilha Man Satanaxia

Esta outra ilha fazia parte do já referido grupo das “Insulae de Novo Reportae”. O geógrafo Veneziano Domenico Mauro Negro chama-lhe “ilha de Mana”, Beccaria, “Satanagio” e Bianco, “Satanaxio”, o que sugere ao mesmo tempo o poder mágico do mana, a palavra man, que significa homem, e a ideia de uma mão diabólica que sai do mar.

Formaleoni (18) depois de consultar na biblioteca de São Marcos, em Veneza, o atlas de Andrea Bianco onde aparece esta ilha julga encontrar a explicação para o nome desta ilha num romance de Christoforo Armeno, intitulado “Il Pellegrinaggio di tre giovanni”. Neste romance fala-se de uma certa região da India onde, todos os dias, sai uma mão das águas, que agarra os marinheiros e os arrasta para as profundezas abissais. Como esta mão só pode ser a da Satanás aí encontra Formaleoni a origem da denominação desta ilha. Mas Nordenskiold encontra outra possível origem para esta estranha denominação, acreditando que se trata de uma corrupção do nome de um santo, de “São Anastácio”. Um atlas veneziano, datado de 1489 e conservado no Museu Britânico, representa em quase todas as folhas que cobrem o Atlântico a ilha de “Mam”, em forma de guarda-sol. (92) Também o mapa português, conhecido no Museu Britânico debaixo da designação de “Egerton 2303” e datado de entre 1508 a 1510, mostra “Mam” ao largo de Ushant.

Os icebergs largados da calote polar podem assumir formas estranhas. É possível que alguns deles, tenham podido induzir os marinheiros a ver neles uma mão. Assim poderia ter surgido esta ilha mítica.

Talvez ligada a esta ilha esteja aquela outra representada em Ramusio como “Ilha dos Demónios”, e as que Ruysch desenha como duas “Insulae Demonium” situadas entre o Labrador e a Groenlândia. A actividade vulcânica desta região pode ter explicado o seu desaparecimento e mesmo a denominação infernal. Também um mapa de 1544, atribuído por Konrad Kretschmer a Sebastian Cabot refere uma ‘Y. de Demones”, na mesma região, mas mais perto do Labrador do que em Ruysch.

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Leitura Mítico-Simbólica das Ilhas Imaginárias do Atlântico

É possível estabelecer uma série de paralelismos entre as tradições simbólicas da Alta Idade Média e os nomes, objectos e tradições associados às ilhas imaginárias do Atlântico.

IDENTIFICAÇÃO COM TEMAS MACABROS

Desde a mitilogia egipcia que o oceano ocidental é associado com a morte. Com efeito, os antigos egipcios acreditavam que existia a ocidente uma terra onde os seus mortos levavam uma segunda vida. Esta tradição passou pela Antiguidade Clássica e parece ter influenciado profundamente o imaginário medievo.

Os símbolos associados à morte são muito abundantes por entre as ilhas atlânticas, sejam elas imaginárias ou não. O caso do arquipélago açoriano é a esse respeito bem demonstrativo disso mesmo. Geralmente, a associação estabelecida entre a ave de rapina e o arquipélago explica-se pela presença dessas aves no lugar, contudo, existe uma outra explicação, uma vez que o açor era uma ave associada na iconografia cristã da Idade Media à ideia de morte.

A ilha “Man Satanaxia”, “mão de Satanás”, numa das suas possíveis interpretações, pode, dentro desta leitura simbólica ser interpretada como uma “prova da intervenção do demónio no mundo”, uma vez que a mão é encarada como um símbolo da actividade e poder.

A “Li Conigi”, “ilha dos coelhos”, geralmente associada a uma das ilhas do arquipélago açoriano, encontra-se igualmente neste grupo de ilhas “infernais”. São várias as possíveis leituras simbólicas. Relacionado com a Lua, porque dorme de dia e está vigilante de noite, e também porque ambos são símbolos de fecundidade. Talvez pela relação entre fecundidade e sexualidade, a Biblia considera-o um animal impuro. Também a cabra, da “ilha dos cabras”, é outro símbolo de fecundidade e do demónio. A ilha “Luovo” (lobo) representa um outro símbolo demoníaco, já desde a época da mitologia germânica. A simbologia cristã herda esta tradição negativa, integrando este animal no par cordeiro-lobo, em que o cordeiro simboliza o fiel, e o lobo aqueles que ameaçam a fé cristã. Finalmente, diversos contos populares relacionam-no com as bruxas e o Diabo. Finalmente, a ilha do Corvo, mantem ainda hoje o mesmo nome dos primitivos mapas italianos, representa outro símbolo “infernal” que encontramos nas ilhas do Atlântico. Ave solitária, é, por essa razão, associada no cristianismo ao apóstata e ao infiel.

EXPLICAÇÕES LIGADAS A “PARAÍSOS TERREAIS”

Inversa é a associação com o mundo dos mortos, e, com efeito existem igualmente associações entre as ilhas atlânticas e o Paraíso. A ilha da Madeira, relacionada desde os tempos clássicos com as “Ilhas Afortunadas”, é precisamente um desses casos, por sinal o mais conhecido. E com efeito, a simbologia medieva associava a madeira, com “força vital”, com aquilo que “contem e dá protecção”. Também a ilha “Perdita” é descrita como um lugar paradisíaco.

De igual modo, a “Ilha das Uvas” pode ser associada a este grupo. A videira é, desde cedo, usada como símbolo de abundância e vida. Na iconografia judaica e cristã, é considerada o simbolo do povo de Israel. No Antigo Testamento, o Messias é comparado com o próprio Messias. Por outro lado, a uva trazida pelos espiões é um símbolo de promissão, nos sarcófagos do cristianismo primitivo, simboliza o Reino dos Céus em que entrou a alma do Crucificado.

Uma possível anterior denominação da Ilha do Pico, seria a “Ilha das Pombas” dos mapas italianos. A pomba simboliza, na tradição cristã, a simplicidade e a pureza e, sobretudo, o Espirito Santo.

SIMBOLISMO DAS NAVEGAÇÕES DE SÃO BRANDÃO

Os aspectos simbólicos presentes nas lendas das navegações deste santo irlandês são tão numerosos que lhe atribuimos um capítulo a parte.

O primeiro elemento simbólico que encontramos consiste no número de acompanhantes de São Brandão. O número catorze (uma vez que é dele que se trata), representa no simbolismo cristão a duplicação do sete, um número reconhecidamente sagrado em varias culturas. É também o número da bondade e da misericórdia e, igualmente, dos catorze padroeiros.

Os três meses de provação sofridos pelos aventureiros trazem em si um número pleno de significado simbólico, o número três. Este simboliza o princípio totalizador, a mediação.

As ilhas brancas e negras que o santo e os seus companheiros avistam também possuem, na sua própria cor, um simbolismo inerente. O branco é um símbolo conhecido de pureza e perfeição. A combinação de ilhas negras e brancas, associando essas duas cores liga-se no imaginário medievo à concepção de Absoluto. Esta combinação é particularmente comum em ritos iniciáticos e religiosos. Quanto à cor branca dessas ilhas parece ligar-se ao seu carácter paradisíaco. Com efeito, no cristianismo os anjos e os bem-aventurados aparecem sempre representados com essa cor, aliás, também os cristãos recém-baptizados recebiam roupas dessa mesma cor. As ilhas de cor negra referidas na lenda também possuem um simbolismo que lhes advém da cor com que são descritas. O negro é associado à ausência de vida, ao caos e à morte. Existe também algo que a liga ao Demónio. Na tradição religiosa pré-céltica peninsular o negro é a cor das Deusas-Mães, tradição que aliás sobrevive hodiernamente nas “virgens negras” ainda adoradas nalgumas igrejas de Portugal e da Europa Meridional.

Os sete meses de provação sofridos pelos navegadores após a descoberta da ilha habitada pelos anjos caídos, tem o tantas vezes empregue e ainda mais vezes comentado místico número sete. Originalmente, o seu carácter sagrado pode encontrar-se radicado na observação neolítica do curso dos astros celestes, nomeadamente da Lua, que nas suas quatro fases, demora sete dias em cada uma delas. Simboliza a abundância e a plenitude. Na Bíblia o número aparece diversas vezes, com simbolismos por vezes divergentes. Temos aqui as Sete Igrejas, o livro dos sete selos, os sete céus habitados pelas hierarquias angélicas, os sete anos que Salomão levou a erigir o seu templo, e muitas outras referências. Mas surgem também referências de teor mais negativo: as sete cabeças da besta do Apocalipse, as sete taças da ira divina, etc. Também nos contos populares encontramos o número sete com relativa facilidade. Temos assim vários contos que mencionam “sete irmãos”, “sete corvos”, “sete cabritos”, e outros tantos.

As nozes contendo um líquido, podem ser simplesmente cocos, como mais acima já tivemos ocasião de referir, mas podem também elas ter a sua leitura simbólica. A noz equivale à amêndoa, símbolo conhecido do mistério, daquilo que está oculto, de Cristo. Mas também, surge na literatura cristã como o símbolo do Homem, em que o invólucro verde simboliza a carne; a casca dura, os ossos; e o caroço, a alma. Pode também, como dissemos, ser um símbolo de Cristo, em que o invólucro verde de gosto amargo se transforma no símbolo e a carne de Cristo depois de passar pela amargura da Paixão; a casca, a madeira da cruz; e o caroço, cujo óleo consumido produz luz, a natureza divina de Cristo.

Depois do encontro com as “nozes”, São Brandão encontra uma ilha verdejante, e logo depois, uma outra denominada “ilha da esmeralda”. Ora, a esmeralda e uma pedra plena de simbolismos, também ela. A sua cor verde, liga-se à ideia de fecundidade, o que é reforçado pela presença nessa ilha de vinhedos e árvores de fruto. Na simbologia cristã, a esmeralda simboliza a pureza, fé e imortalidade, ao fim ao cabo precisamente aqueles objectivos que o santo perseguia ao iniciar a sua busca.

Após navegações em paragens nórdicas, o santo chega finalmente à “ilha das maravilhas”, verdadeiro paraíso terreal. Aqui permanecerá durante quarenta dias. Ora, também o número quarenta não é completamente isento de significado. Com efeito, o quarenta, é o número da espera, da preparação, da penitência, do jejum e do castigo. As águas do Dilúvio de Noé cairam durante quarenta dias e quarenta noites, a cidade de Ninive fez penitência durante quarenta dias, a caminhada dos israelitas pelo deserto demorou quarenta anos; Jesus jejuou durante quarenta dias no deserto e apareceu aos seus discípulos após a ressurreição, durante quarenta dias.

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Influência das navegações cartaginesas no Atlântico

Diodoro Siculus, escrevendo no primeiro século depois da era crista, referia uma grande ilha que os Etruscos conheciam, mas que os Cartagineses, os seus descobridores guardavam ciosamente.

MOEDAS CARTAGINESAS NA ILHA AÇORIANA DO CORVO

Humboldt no seu “Examen Critique” refere que no mês de Novembro de 1749, uma tempestade violenta teria abalado as fundações de um edifício parcialmente submerso na ilha do Corvo, quando o mar amainou descobriu-se, por entre as ruínas, um vaso contendo moedas de ouro e cobre. Estas moedas foram levadas para um convento, umas ter-se-iam perdido, mas nove foram preservadas e enviadas ao padre Enrique Flores, em Madrid, que as deu a John Podolyn (82), umas apresentavam a figura de um cavalo por inteiro, outras apresentavam somente a cabeça desse animal. Pelos elementos conhecidos podemos afirmar, com certo grau de certeza, que se tratam de duas moedas fenícias do norte de África, da colónia de Cirene, e de sete moedas cartaginesas.

Alguns, como Conrad Malte-Brun, sugeriram que estas moedas podiam ter sido deixadas nos Açores por navegadores nórdicos ou árabes. Mas, como Humboldt nota com toda a pertinência, isso não confere com o facto de se tratarem exclusivamente de moedas fenícias e cartaginesas, muito mais antigas, nem tão pouco com o facto de, neste lote não constarem nenhumas moedas muçulmanas ou nórdicas, como seria lógico a acreditar nesta teoria. Por outro lado, conhecem-se as expedições regulares que a Fenícia enviava para a costa Atlântica, no comércio do Estanho e do Âmbar, é pois, perfeitamente possível, que uma tempestade tivesse empurrado um desses navios até ao Corvo. Finalmente, embora não seja impossível que moedas cartaginesas de ouro fossem ainda usadas pelos árabes, pelo seu próprio valor intrínseco, bastante mais improvável parece o uso de moedas de cobre, cujo uso só faria sentido para o próprio povo que as havia cunhado. É certo que neste grupo estavam incluídas duas moedas cartaginesas de ouro, mas em minoria clara em relação ao número de moedas de bronze.

A referência a um edificio parcialmente submerso também merece a nossa atenção. As moedas podem ter sido aí guardadas como uma reserva a usar numa próxima passagem dos navios, o que faria especialmente sentido, se não existisse uma presença regular na ilha, o que tendo em vista a sua localização no meio do oceano Atlântico seria perfeitamente natural. Outra explicação possível prende-se com a velha tradição de colocar moedas dentro da estrutura de edificios de modo a assim os proteger de catástrofes. Mas quando assim é, as moedas guardadas são geralmente de baixo valor e nunca de ouro, o que vem reforçar a primeira hipótese acima mencionada.

ESTÁTUAS EQUESTRES

Edrisi escreve que existiam diversas estátuas, a que dá o nome de “Al-Khalidat”, feitas de bronze, viradas para ocidente e colocadas sobre pedestais. A tradição afirmava existirem seis estátuas destas, estando a mais próxima em Cadiz. Uma obra de S. Morewood (“Philosophic and Stastical History of Inventions and Customs”, Dublin, 1838) refere a existência de uma delas na ilha de São Miguel. Por outro lado, Manuel de Faria y Sousa na sua “Historia del Reyno de Portugal”, inclui a seguinte passagem, traduzida para o inglês por Babcock: “In the Azores, on the summit of a mountain which is called the mountain of the Crow, they found the statue of a man mounted on a horse without saddle, his head uncovered, the left hand resting on the horse, the right extended toward the west. The whole was mounted on a pedestal which was of the same kind of stone as the statue. Underneath some unknown characters were carved in the rock” (77).

Esta referência a caracteres recorda uma descoberta numa gruta da ilha de São Miguel, durante a época dos Descobrimentos portugueses, descoberta que nos é relatada por Thevet (78). Um descendente mourisco ou judaico parece ter reconhecido nesta inscrição caracteres hebraicos, mas não foi capaz de a ler, alguns supuseram tratar-se de caracteres fenícios.

É sabido que os cartagineses erigiram diversas colunas comemorativas, por outro lado, o cavalo está presente em quase todas as suas cunhagens.

Humboldt, contudo, não crê na realidade desta tradição, julga antes que terá tido origem num rochedo cuja forma natural terá sugerido a lenda, o que não seria certamente inaudito. E, de facto, esta tese é reforçada na obra “A Trip to the Azores” de Borges de F. Henriques: “Another natural curiosity which has been defaced by the weather and the bad taste of visitors is a rock resembling a horseman with the right arm extended to the westward as if pointing the way to the new world. Some insular writers deny the existance of this rock”.

O PÉRIPLO DE HANÃO

O muito divulgado “Périplo de Hanão” (126) relata uma viagem de colonização até à costa atlântica do Marrocos, embora os historiadores tenham opiniões diversas quanto ao ponto mais a sul alcançado, permanece a certeza da sua realização. Precisamente a última parte desse poema, incluí uma referência que parece indicar uma visita às ilhas de Fernão Pó e do Príncipe:

“Na parte mais profunda, encontrava-se uma ilha, semelhante à precedente, contendo um lago; neste, havia uma outra ilha (Fernão Pó e Príncipe), cheia de homens selvagens. As mulheres, com o corpo coberto de pelos, eram mais numerosas; os intérpretes chamavam-lhes “hapax” (que alguns acreditam tratar-se de gorilas). Tendo-os perseguido, não conseguimos capturar homens, pois fugiam todos, escalando locais escarpados e defendendo-se com pedras, mas apanhamos os que as levavam, não queriam segui-los. Tendo-as morto em consequência, esfolámo-las e levamos as suas peles para Cartago. Na verdade, tendo-nos faltado os víveres, não navegámos mais para a frente.”

PORQUE NÃO EXISTEM PROVAS INQUESTIONÁVEIS ?

Embora existam diversos indícios que apontam para a presença de navegadores fenícios e cartagineses no arquipélago açoriano, não existe nenhuma prova arqueológica que o demonstre irrefutávelmente, conforme já vimos. Esta ausência poderá dever-se a um fenómeno comum ao arquipélago açoriano, e que é referido na já citada obra de F. Henriques: “In many of the islands, but especially in Flores, there are vestiges clearly indicating that formely as well as lately parts of the island have sunk or rather disappeared in the sea.” Cita, inclusivamente, o afundamente de terras ocorrido no Verão de 1847. Por outro lado, nunca deve ter existido uma colonização firme no arquipélago, assim, muitos poucos edifícios de pedra devem ter existido, além daquele já referido, uma vez que construções de madeira serviram muito melhor para as curtas estadias desses possíveis navegadores fenícios.

Como vimos mais acima, a designação de “ilha das Cabras” foi atribuída em diversos mapas a ilha de São Miguel. Julgamos ter reunido provas suficientes para tomar como quase certa a chegada de navegadores fenícios ao arquipélago açoriano, se assim efectivamente sucedeu, e devido ao problema de abastecimentos de carne fresca que preocupava todos os marinheiros da antiguidade é muito provável que aí tivessem deixado cabras, para os alimentarem em futuras passagens, assim teria nascido a denominação: “ilha das Cabras”. Contudo, a documentação da época da redescoberta do arquipélago menciona que o único mamífero que aí habitava era o morcego, não mencionando nenhuma cabra, as quais poderiam ter sido dizimadas por uma qualquer peste ou doença.

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Ilha das Uvas

Maeldun, um irlandês pré-cristão, é reputado como tendo sido o primeiro a visitar esta ilha. Maeldun terá bebido o sumo das suas uvas e caído logo depois num sono que demorou vinte e quatro horas. Ele e os seus companheiros, deixaram a ilha carregados de cachos de uvas (28). Os irmãos irlandeses Hui Corra numa viagem de penitentes também chegaram a uma ilha maravilhosa coberta de macieiras e com um rio de vinho (29).

O manuscrito irlandês “Voyage of Bran” proclamava que existiam “thrice fifty” ilhas destas. Por outro lado, na “Life of St. Columba” de Adamman’s menciona-se dois macacos que partiram em busca de ilhas desertas. O primeiro deles, de nome Baitan após uma prolongada estadia no mar alto, regressou a casa sem ter encontrado o refúgio que procurava. O segundo, Cormac, tentou encontrá-lo em três viagens sucessivas, mas sempre sem alcançar o sucesso que pretendia.

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A Ilha das Sete Cidades

INTRODUÇÃO

Martin Behaim, no seu famoso mapa-mundi de Nuremberga, datado de 1492, desenhava sobre a ilha das Sete Cidades a seguinte legenda: “Quando corria o ano 714 depois de Cristo, a Ilha das Sete Cidades, acima figurada, foi povoada por um arcebispo do Porto em Portugal, com outros seis bispos e cristãos, homens e mulheres, os quais, tinham fugido de Espanha em barcos, e vieram com os seus animais e fortunas. Foi por acaso que no ano de 1414 um navio castelhano dela se aproximou” (63). Mesmo depois da descoberta da América, Fernando Colombo, na sua “Vida do Almirante” acreditava na existência dessa ilha, e torna a contar a história em termos quase idênticos. “Contam que no oitavo século da era cristã, sete bispos portugueses, seguidos dos seus crentes, embarcaram para essa ilha, onde construíram sete cidades, e que não quiseram mais deixar, tendo queimado os seus navios para eliminar a possibilidade de regresso” (65). Sem discutir a falsidade ou veracidade desta lenda, reconhecemos contudo que o instinto de todos os povos conquistados e de sonhar com a restauração, os bretões não sonhavam com o seu Artur, os judeus não sonhavam com um Messias? Do mesmo modo, segundo Gaffarel, na Hispânia estes godos teriam fugido a ocupação muçulmana para um refúgio atlântico de onde se esperava que viessem para restaurar o reino cristão da Hispânia.

Em 1447 um português, empurrado por uma tempestade no Atlântico, teria desembarcado (1) numa ilha desconhecida, onde encontra sete cidades, nas quais os seus habitantes falavam o português (2). Este últimos teriam querido retê-lo, uma vez que não queriam manter nenhuns contactos com a sua antiga pátria, mas teria conseguido escapar, e regressado a Portugal, onde conta a D. Henrique as suas aventuras. O Navegador critica fortemente o capitão por ter fugido sem ter obtido mais informações, e o marinheiro assustado nunca mais foi visto. Esta história causou polémica na altura em que foi publicada. Alguns eruditos identificaram esta ilha com a ilha fenícia identificada por Aristóteles (3) e por Diodoro da Sicilia (4) e em numerosas cartas, onde surge com o nome de Ilha das Sete Cidades (5).

AS SETE CIDADES DE SÃO MIGUEL

Gaffarel lançou a hipótese de a Ilha de São Miguel nos Açores ser essa ilha mítica. Sem dúvida que os tremores de terra são aí frequentes. Um só ou uma sucessão deles poderiam ter destruído as cidades, mas teriam restado algumas ruínas que ainda hoje fossem visíveis. Somente o nome de Lagoa das Sete Cidades poderá ser uma leve reminiscência, isto a crer nesta hipótese.

Como escrevemos o nome de Sete Cidades sobrevive hoje no arquipélago açoriano. Buache (68) crê ser esta a genuína Sete Cidades. Humbolt (69) tem outra opinião, defendendo a associação desta lenda com a das Sete Cidades de Cibola. Esta última tese não é contudo muito credível – apesar do renome do autor – pois não parece provável que navegantes visigóticos tenham alcançado o México em 711.

Existem relatos antigos de algumas ruínas perto da Lagoa das Sete Cidades, mas, ao que sabemos, não existem actualmente vestígios dessa ordem. (70)

ASSOCIAÇÃO ENTRE AS ANTILHAS E SETE CIDADES

A história da fuga dos sete bispos é-nos contada por Las Casas (90), mas António Galvão relata-nos uma outra ligeiramente diferente no seu Tratado (Lisboa, 1563), concluindo: “E alguns pretendem que estas terras e ilhas que os Portugueses tocaram são aquelas a que agora se chama Antilhas e Nova Espanha, e avançam muitas razões para tal, as quais não menciono porque não quero ser responsável por elas, tal como as pessoas terem o hábito de dizer, de qualquer terra de que nada soubessem, tratar-se da Nova Espanha.” (91) No mapa Ruysch de 1508 existe uma grande ilha na Latitude N 37o e 40o. Chamada “Antilia Insula” tem uma grande legenda que afirma ter sido descoberta há muito tempo pelos espanhóis, cujo último rei godo, Roderico, que aqui se havia refugiado da invasão bárbara (64).

SETE CIDADES NO CONTINENTE AMERICANO

No século XVI muitos julgaram encontrar as Sete Cidades no continente americano. Um padre franciscano, Marcos de Niza (6), com base em lendas, infiltra-se em 1539 na América do Norte, mais especificamenta na Califórnia, com a esperança de encontrar um pais, chamado Cibola pelos indígenas, as sete cidades da lenda. Acompanhado por três franciscanos e de um negro que dizia conhecer o território. A expedição atinge regiões inexploradas, e narra no seu regresso que havia visto ao longe sete cidades brilhantes, das quais havia tomado posse em nome do rei de Espanha. A sua narrativa entusiasta decide o envio de uma expedição considerável, comandada por um nobre de mérito, F. Vasquez de Coronado (7); mas o pequeno exército, depois de ter passado por grandes sofrimentos, chegou ao sopé de um rochedo árido, sobre o qual se erguia com efeito Cibola, mas não a rica Cibola da lenda, e sim uma pobre aldeia índia.

Não se descobriram nem sete cidades cristãs, nem um povo guardando as velhas tradições visigóticas, mas um país nos arredores do Rio Gila, perto da fonte do Rio Del Norte. Curiosamente, a região compreendia 70 burgos repartidos por sete províncias. Parece mesmo que, hoje em dia, em Zuni, a cidade principal da antiga Cibole, se encontram índios de cabelos brancos e de rosto claro. Sobre o seu aspecto escrevia um viajante contemporâneo: (8) “Não são índios! Há muitos entre eles que tem feições tão claras como as dos mestiços. Entre as mulheres, particularmente, muitas tem a pele quase branca, os olhos cinzentos ou azuis”. Por outro lado, uma história contada por Sahagun (9), escrevia sobre a origem dos Nahuatl: “A história que contam os antigos é que eles vieram por mar do lado do norte… Conjectura-se que estes naturais terão saído de sete grutas, e que estas sete grutas são os sete navios ou galeras nas quais chegaram os primeiros colonos.” Este primeiros colonos seriam os sete bispos visigodos e os seus seguidores?

LIGAÇÃO ENTRE A ILHA IMAGINÁRIA DE ANTILIA E SETE CIDADES

M. d’Avezc conta que Antilia era conhecida, marcada e visitada no século XV; Toscanelli, segundo ele, tinha escrito à corte de Portugal as seguintes palavras: “Esta ilha de que tendes conhecimento e que vós chamais das Sete Cidades”…

O filho de Cristovão Colombo, Fernando, na “Vida de Meu Pai”, precisa por seu lado: “Alguns portugueses inscreviam-na nas suas cartas com o nome de Antilia, embora não coincidisse com a posição dada por Aristóteles; nenhum a situava a mais de 200 léguas, aproximadamente, a Ocidente das Canárias e dos Açores. Tem por certo que é a iIha das Sete Cidades, povoada por portugueses no tempo em que a Hispânia foi conquistada, ao rei Rodrigo, pelos Mouros, isto é, no ano 714 depois de Cristo”. Fernando Colombo assegura que, ainda em vida do Infante Dom Henrique, um navio atracou em Antilia/Sete Cidades; os marinheiros foram a igreja e verificaram que aí se praticava o culto romano.

Talvez seja como reflexo destas histórias que circulavam entre os marinheiros que teve início a iniciativa referenciada por Las Casas: “Alguns partiram de Portugal para encontrar esta mesma ilha [das Sete Cidades] que em linguagem vulgar se chama Antilla, e entre os que partiram estava um Diogo Detiene, cujo piloto, chamado Pedro de Velasco, natural de Palos, declarou ao dito Cristovão Colombo, no mosteiro de Santa Maria da Arrábida, que, tendo partido da ilha do Faial e prosseguindo 150 léguas com o vento lebechio (NW), descobriram, no regresso, a ilha das Flores, guiados por muitas aves que viram voando para lá, e reconheceram que eram aves terrestres e não maritimas, e assim pensaram que iam dormir a alguma terra. Em seguida, e dito que navegaram tanto para NE que tinham o Cabo Claro (na Irlanda) para E (94), onde acharam que os ventos eram muito fortes, e os ventos de oeste e para o mar muito suaves, o que acreditavam que devia ser por causa da terra que devia ali existir, a qual lhes oferecia abrigo a Ocidente; a qual não persistiram em explorar, porque já era Agosto e recearam [a aproximação do] Inverno. Ele disse que isto aconteceu 40 anos antes de Cristovão Colombo descobrir as nossas Índias (95)”.

RELAÇÃO COM A ILHA BRAZIL

Pedro de Ayala, embaixador espanhol na Grã-Bretanha, em 1498, relatando as navegações inglesas a Fernando e Isabel, escreveu, conforme menciona Babcock, as seguintes linhas: “The people of Bristol have, for the last seven years, sent out every year two, three, of four light ships in search of the island of Brasil and the seven cities” (62). E, com efeito, ao que tudo parece indicar, realizou-se pelo menos uma expedição em busca da ilha Brazil.

A primeira aparição da ilha Brazil é a do mapa de Dalorto (de 1325), onde surge como uma ilha de forma discóide. No mapa Catalão de 1375 este disco transformou-se num anel rodeando um conjunto de ilhas, para Nordenskiold nove, para Kretschmer sete. Este último número pode representar um fenómeno não raro em diversas ilhas míticas, o cruzamento entre lendas.

FERNÃO DULMO DA TERCEIRA PROCURA A ILHA DAS SETE CIDADES

Existe uma carta de doação, emitida por D. João II a Fernão Dulmo da Terceira, no ano de 1486. Este Fernão Dulmo era na verdade Ferdinand van Olm, um dos flamengos que se haviam estabelecido nos Açores. Dulmo declarara ao monarca que se propunha “procurar e achar uma grande ilha ou ilhas ou terra firme per costa (114), que se presume ser a ylha das Sete Cidades, e tudo isto as suas próprias custas e despesas”. Uma cláusula revela a importância que o monarca atribuía ao descobrimento da dita ilha: ” No caso de ele não conseguir conquistar as ditas ilhas ou terras. Nós enviaremos, com o dito Fernão Dulmo, homens e esquadras de barcos com poder Nosso para efectuar o mesmo, e o dito Fernão Dulmo será sempre Capitão General das ditas esquadras e está por Nós sempre autorizado, porque seu Rei, como Nosso súbdito” (115).

Fernão Dulmo iniciou os preparativos para a expedição chamando para o ajudar João Afonso do Estreito e pedindo que o rei o admitisse na partilha da empresa e dos lucros. Estreito forneceria duas caravelas, aprovisionadas para navegar durante seis meses, que deveriam zarpar no dia 1 de Março de 1487, Dulmo contrataria pilotos e marinheiros e pagar-lhes-ia os salários. Durante quarenta dias Dulmo seria o comandante-general, estabelecendo o rumo para as duas caravelas, e tomando para si todas as terras descobertas, depois do que Estreito seria, por sua vez, capitão-general e se apoderaria de todas as terras avistadas. Tudo isto, o monarca confirmou a 24 de Julho e 4 de Agosto de 1486. (116) Las Casas poderia referir este empreendimento, quando escrevia as seguintes linhas: “Mais adiante, um marinheiro chamado Pedro de Velasco, um galego, contou a Cristovão Colombo em Murcia que, seguindo numa certa viagem a Irlanda, estavam a navegar e a afastar-se tanto para NW, que viram terra a oeste da Irlanda, a qual eles pensaram que devia ser a que um Hernan Dolinos procurou descobrir, tal como agora se deve dizer (117)”. A referência a quarenta dias previstos é curiosa, porque bastaram trinta e seis para fazer Colombo chegar ao Novo Mundo. Mas, se não mais se ouviu falar destes navegadores e porque a sua expedição foi frustada, provávelmente pelas difíceis condições existentes no mês de Março para quem se propõe navegar na direcção Oeste, conforme nota Samuel Eliot Morison na sua obra “As Viagens Portuguesas à América”.

COLONOS PORTUGUESES NO BRASIL ANTES DE 1500?

A lenda de emigrados portugueses numa ilha Atlântica poderá ter algo a ver com repetidos relatos, embora não merecedores de muita confiança, da presença de colonos portugueses no Brasil ainda antes da chegada da armada de Pedro Álvares Cabral. O primeiro relato refere que o mais velho habitante vivo do Brasil teria declarado, no seu leito de morte em 1580, que vivera naquele país “cerca de noventa anos”. Outro relato é o de um certo Estevão Fróis, encarregado de um barco capturado pelos espanhóis: “Tinham má vontade em receber da nossa parte a prova do que alegávamos; nomeadamente, que Vossa Alteza tivera a posse destas terras [Brasil] durante vinte anos e mais, e que já João Coelho da Porta da Cruz habitante de Lisboa ali viera com outros para descobrir” (119) Estas histórias são pouco credíveis uma vez que a primeira colónia, nem sequer foi portuguesa mas francesa, fundada por Christophe Jacques, por volta de 1516. A primeira colónia nacional só se instalaria em Olinda em 1530, sob o comando de Duarte Coelho Pereira.

EM BUSCA DE ANTILIA/SETE CIDADES

Como vimos Fernando Colombo relata como “no tempo do Infante Henrique de Portugal (+-1430), um navio português foi empurrado pelo mar para esta ilha Antilla.” A tripulação foi à igreja com os ilhéus mas receou ficar detida na ilha e fugiu assim que pôde. O Príncipe ouviu a sua história e ordenou-lhes que voltassem à ilha, mas os marinheiros largaram e não tornaram mais a ser vistos. Fernando relata que a areia de Antillia era composta de um terço de ouro puro. Galvão relata uma outra visita mais tardia, ou então uma outra versão da primeira:

“In this yeere also, 1447, it happened that there came a Portugall ship through the streight of Gibraltar; and being taken with a great tempest, was forced to runne westwards more then willingly the men would, and at last they fell upon an Island which had seven cities, and the people spake the Portugall toong, and they demanded if the Moors did yet trouble Spaine, whence they had fled for the losse which they received by the death of the king of Spaine, Don Roderigo.

“The boateswaine of the ship brought home a little of the sand, and sold it unto a goldsmith of Lisbon, out of the which he had a good quantitie of gold.”

“Dom Pedro understanding this, being then governour of the realme, caused all the things thus brought home, and made knowne, to be recorded in the house of justice.”

“There be some that thinke, that those Islands whereunto the Portugals were thus driven, were the Antiles, or Newe Spaine.” (66)

Um outro relato nos chega através de Faria e Sousa, traduzido pelo Capitão John Stevens:

“Depois da derrota de Roderico os mouros espalharam-se pela província, cometendo barbáries inumanas. A maior resistência era em Mérida. Os defensores, muitos dos quais eram portugueses, que pertenciam ao Supremo Tribunal da Lusitânia, eram comandados por Sacaru, um nobre godo. Muitas acções corajosas decorreram neste cerco, mas como não apareciam reforços e as provisões começavam a escassear a cidade rendeu-se sem condições. O comandante da Lusitânia, atravessando Portugal, chegou a uma cidade costeira, onde, reunindo um bom número de navios, lançou-se ao mar, mas ignora-se a que parte do mundo eles foram. Existe uma antiga lenda de uma ilha chamada Antilla no oceano ocidental, habitada por portugueses, mas que ainda não pôde ser descoberta.” (67)

A versão do capitão Stevens acrescenta bastante à versão original. O texto original refere que os fugitivos fizeram-se ao mar para as Ilhas Afortunadas (Canárias ?), a fim de aí poderem preservar a sua raça. O texto menciona igualmente que essa ilha havia já sido alcancada pelos portugueses, sendo habitada por eles nas sete cidades que aí haviam construído: “tiene siete cividades”.

Este último relato menciona uma movimentação a partir de Mérida, o que é perfeitamente credivel, e o comando por um militar também seria admissível natural numa deslocação efectuada em tais condições. Existem portanto algumas provas factuais que podem apoiar esta versão da lenda.

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Ilhas Satíridas

No geógrafo e historiador grego Pausânias encontramos a seguinte citação: “Como gostaria de saber mais sobre os sátiros, falava deles com numerosas pessoas. O cariano Euphenos contou-me que, indo a Itália, fora apanhado por uma tempestade e atirado para o mar exterior, onde por costume não se vai. Ali há muitas ilhas desertas, e noutras ilhas povos selvagens. Eles não queriam desembarcar porque já lá tinham estado antes e conheciam os habitantes. Mas, desta vez, foram obrigados a abordar. Os marinheiros chamam a estas ilhas “Satiridas”. Os habitantes seriam vermelhos como o fogo e teriam uma cauda, comprida como a do cavalo. Quando viram o barco, aproximaram-se das mulheres que iam a bordo. Intimidados, os marinheiros acabaram por lhes dar uma mulher bárbara. Os sátiros atiraram-se a ela para satisfazer a sua lubricidade.”

E na tradução de Jones :

“I, xxiii, 5: Eufemo, o Cariano, disse que numa viagem que realizou a Itália foi desviado da sua rota por ventos que o arrastaram para os mares nunca dantes navegados por marinheiros. Declarou que havia naquelas paragens muitas ilhas desabitadas, ao passo que noutras viviam selvagens… Os marinheiros chamaram-lhes Satirides e os habitantes tinham cabelo ruivo e caudas que não eram muito mais pequenas que as dos cavalos. Assim que se aperceberam da presença dos visitantes, correram para o navio sem pronunciar palavra e assaltaram as mulheres. Os marinheiros, aterrorizados, acabaram por levar uma mulher para a ilha. Os sátiros violentaram-na não da forma usual mas de maneira muito mais chocante.”

E também Pompónio Mela, escrevia :

“Além dos sábios e de Homero, Cornelius Nepos, historiador moderno digno de crédito, afirma que a Terra é inteiramente rodeada pelo mar. Para provar esta afirmação, invoca o testemunho de Q. Metellus Celer. Este teria contado o seguinte: quando era proconsul da Gália (no 62 a.C.), o rei de Botes ofereceu-lhe como presente vários “indios”. Como Metellus Celer perguntasse donde poderiam ter vindo estes homens, responderam-lhe que “marinheiros dos mares das Indias” os haviam apanhado durante uma tempestade através dos mares intermediários, para, no fim, irem desembarcar nas costas da Germânia…”

Mais uma vez a descrição encaixa quase perfeitamente nas Canárias, especialmente a de Pompónio Mela, estranhamos somente a referência a estes “marinheiros das indias”, não porque não seja sobejamente conhecida a existência de laços comerciais entre o Império Indiano dos Guptas e o Império Romano, mas por encontrar estes marinheiros no Atlântico. Existirá porventura alguma relação com as moedas romanas encontradas na Venezuela ?

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A Ilha do Diabo

A “Raccolta” de Ramusio (19) colocava ao Norte da Terra Nova a Ilha dos Diabos. Ruysch, no seu Atlas de 1507-1508, inseria nesta região do oceano uma “insula daemonum”. Corte Real (20) dava igualmente esse nome a uma ilha da costa do Labrador (“Isola de los Demonios”). Thevet (21) na sua “Cosmographie” de 1575, narra os sofrimentos de alguns marinheiros naufragados no arquipélago dos Demónios.

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A Ilha de Buss

DESCOBRIMENTO DA ILHA DE BUSS

A descoberta desta ilha é-nos dada a conhecer por Best e foi publicada numa compilação de Hakluyt sobre a terceira viagem de Frobisher (datada de 1578). Nesta, um dos navios da expedição, o “Emmanuel” fez uma descoberta (note-se que “buss” é um tipo de pequena embarcação de pesca): “The Buss of Bridgewater, as she came homeward, to the southeastward of Frisland, discovered a great island in the latitude of 57 degrees and a half, which was never yet found before, and sailed three days along the coast, the land seeming to be fruitful, full of woods, and a champaign country.” (79)

Posteriormente surgiu o relato de uma testemunha ocular, “Thomas Wiars, a passenger in the Emmanuel, otherwise called the Busse of Bridgewater”, referido por Miller Christy (80). Esta testemunha afirma que largaram de Frisland (segundo Babcock, uma parte da Groenlândia) a 8 de Setembro e, a 12, chegaram a esta ilha, rodearam as suas costas por dois dias. Afirma que nela existia muito gelo, omitindo as referências paradisíacas do parágrafo anterior, o que reforça a credibilidade desta testemunha.

DESAPARIÇÃO DA ILHA DE BUSS

Os esforços para chegar a esta ilha, após o seu descobrimento, foram todos eles frustados. Começou-se então a sugerir hipóteses para explicar o seu súbito desaparecimento. Van Keulen, numa Carta de 1745 incluia a seguinte inscrição: “The submerged land of Buss is nowadays nothing but surf a quarter of a mile long with rough sea. Most likely it was originally the great island of Frisland”. A partir daqui a denominação “Sunken Land of Buss” ter-se-ia tornado corrente.

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A ilha mítica O’Brazile e a série Lost (Perdidos)


Imagem: http://www.hordern.com

Relia eu o excelente “Phantom Islands of the Atlantic” de Donald S. Jonhson que certo “momus” me ofertou em tempos idos quando deparo com esta passagem (traduzida):

“Em 1636, um certo capitão Rich reportou ter avistado a ilha [Brazil (não confundir com “Brasil”] para além da costa da Irlanda com “um porto, e terras cultivadas no interior”, mas quando tentou um desembarque, ela “desapareceu na neblina”. Outro relato vem de 1644 de Boullage Le Gouz, que afirmou que “a três milhas do seu navio viu a ilha fantasma, com árvores e gado”. T. J. Westropp, o autor de um artigo sobre a ilha de Brazil, afirmou t~e-la visto pessoalmente três vezes. O último avistamento ocorreu no Verão de 1872. Era “uma tarde clara, com belo pôr-do-sol dourado, quando mesmo no momento em que o Sol se punha, uma ilha negra apareceu subitamente no horizonte, longe no mar, mas não no horizonte. Tinha duas colinas, uma arborizada; entre elas, numa planície baixa, erguiam-se torres e rolos de fumo”. Outros, navegando com ele, incluindo a sua mãe, todos “viram-na ao mesmo tempo… com uma aparência tão realista.” (página 117)

“Uma carta muito longa escrita em 1675 por William Hamilton de Derry contem um dos relatos mais detalhados de O’Brazile. Endereçada ao seu primo vivendo em Londres, a carta explica porque é que um outro primo comum, Mathew Calhoon, tinha requerido a Charles I de Inglaterra a concessão de uma patente de propriedade para a ilha encantada de O’Brazile. Calhoon acreditava que “a ilha tinha sido completamente descoberta… e o encantamento quebrado.” Hamilton relata como a ilha tinha sido encontrada pelo capitão John Nisbet de Killybegs, em County Donegal, Irlanda, em 1674. Em Setembro desse ano, Nisbet Donegal, encheu vários navios com manteiga, sebo e couro e velejou para França; na viagem de regresso comprou vinhos franceses. Quando estava perto da costa da Irlanda na volta de regresso, e exactamente quando o Sol se estava a levantar, “subitamente caiu o mais terrível e espesso nevoeiro sobre o mar, que continuou durante três horas”. Então, tão subitamente como tinha surgido, levantou-se. e ele e os seus homens encontraram-se numa costa desconhecida. Estas eram águas familiares aos marinheiros, mas este lugar era-lhes completamente novo. Uma vez que o vento os estava a levar perigosamente perto de terra, com rochedos não muito longe, sondaram o fundo do mar e ancoraram com três braças de profundidade.

Quatro dos oito tripulantes foram a terra. Depois do desembarque, atravessaram “um pequeno bosque… e encontraram um vale verde muito agradável cheio com muito gado, cavalos e ovelhas alimentando-se. Viram um castelo muito forte e dirigiram-se a ele para procurarem saber onde estavam e o que deviam fazer. Mas ninguém lhes respondeu às suas pancadas na porta, nem ouviram algum som de alguma criatura – nem sequer o ladrar de um cão. Passaram o resto do dia explorando a ilha, e embora vissem muitos animais, não havia ninguém a quem perguntar onde estavam. Com a aproximação da noite, regressaram para a costa e dizeram uma fogueira para se aquecerem do frio. Imediatamente, ouviram um “som terrível e hediondo” vindo de toda a ilha, mas especialmente do castelo; terrificados, apressaram-se a ir para o navio. Na manhã seguinte, logo que o Sol subiu, um homem idoso e os seus seguidores apresentaram-se na costa da ilha. Os marinheiros aprenderam então que os antepassados do ancião tinham sido outrora príncipes nesta ilha, chamada O’Brazile, mas que ele e outros tinham sido “tiranicamente encerrados no castelo pelas artes maliciosas de um negromante” que amaldiçou a ilha, tornando-a inútil e invisível a mortais. Mas agora, o “feitiço de encantamento fora quebrado [pelo fogo], o tempo maldito tinha expirado” – eles eram agora livres do aprisionamento, e a ilha podia ser de novo visível para sempre.”

O relato em si mesmo é merecedor de alguma credibilidade… Mas sobremaneira curiosa é a referência à realidade da Ilha e em como esta se tornara invisível pela acção de um “negromante” (feiticeiro) e que depois se teria libertado desse encantamento através da ignição de um fogo nas suas margens… Hum… Isto não provoca nas vossas mentes um certo eco?

Lembram-se da explosão de luz branca em que terminou a Season 2 do Lost? E a sugestão de que a partir daí, ou durante a duração da mesma, a Ilha teria ficado novamente visível ou presente no “mundo real”? Será que esta lenda da O’Brazile serviu de inspiração aos criadores de Lost? Bem provável, já que aqui se fala de um grupo de ilhéus (a Dharma?) que é submetido e aprisionada num Castelo (uma Estação Dharma?) e que é salva por alguém vindo do mundo exterior (os Sobreviventes)… Sendo esta uma narrativa do mundo anglosaxónico, pode bem estar entre as influências dos criadores de Lost (Perdidos):

Carlton Cuse
Carlton is a writer and executive producer on LOST.
J.J. Abrams Bio
A biography of J.J. Abrams, creator and writer for LOST.
Damon Lindelof Bio
A biography of LOST creator, Damon Lindelof.
Jeffrey Lieber Bio
A biography of Jeffrey Lieber, co-creator of LOST.

Para conhecer melhor as suas biografias, clicar AQUI

E o facto da lenda se referir à Ilha Mítica “O’Brazile” terá algo a ver com a introdução do actor brasileiro Rodrigo Santoro e à aparição de dois brasileiros precisamente na última cena da Season 2 e onde estes falam um com o outro em… português do Brasil?

Coincidências?…

Acha que o mito da O’Brazile pode ser uma influência dos produtores de Lost?
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Salvagio

A norte de Antillia, no Beccario de 1435, e quase em linha vertical com esta, temos a ilha de “Saluagio” ou “Salvagio” (“u” e “v” são equivalentes). Este nome pode reflectir algumas influências do conjunto de ilhas que existem ao largo da Madeira e que, modernamente, possui precisamente esse nome. Na sua forma imita, grosso modo, a ilha de Antillia, tal como esta apresenta baías artificiais, mas desta vez três opostas. No Roselli (1468), a ilha surge na forma “Saluaega”. A ilha é também representada no mapa Bianco de 1436, embora somente na sua parte inferior devido a limitações do material.

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Reylla

Para além da Antillia, existe no mapa Beccario (1435) outra ilha de grandes dimensões, colocada aproximadamente na mesma posição real em relação a Cuba que a Jamaica (será esta a sua identificação?). Trata-se da ilha de Reylla, menor que a de Antillia, mas nem por isso de pequenas dimensões. O seu nome poderá bem significar “Rainha das Ilhas”, talvez pelo seu clima e riquezas naturais, uma vez que não é a maior do arquipélago.

O mapa Roselli de 1468, propriedade da “Hispanic Society of America”, é bastante semelhante ao Beccario de 1435, excepto ao representar a ilha de Reylla apenas parcialmente, mas esta diferença deve-se a limitações do material.

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Antilia

INTRODUÇÃO

Já o professor Florentino Paolo Toscanelli tinha mencionado Antilia no meio do oceano Atlântico, entre Cipango, a leste, e São Brandão, a oeste, abaixo da ilha mítica de Mano Satanaxia. Dava mesmo uma estimativa das distâncias: devia contar-se “vinte e seis espaços de Lisboa até Quinsay (China) e dez espaços de Antilia até Cipango (Japão)”. Um espaço era um intervalo de meridianos, ou sejam duzentas e cinquenta milhas marítimas ou, então, cinco graus. Vignaud defende que Colombo não pretendia chegar até a Ásia, mas sim a Antilia (44).

O nome Antilia aparece pela primeira vez no mapa de Beccario de 1435, aplicando-se aqui à maior de um grupo de quatro grandes ilhas. Colectivamente designadas como “Insulle a Novo Repte” (ilhas de novo assinaladas). O mapa de Benincasa (de 1482) menciona nomes para as baías da ilha, lidos por Kretschmer como Aira, Ansalli, Ansodi, Con, Anhuib, Ansesseli e Ansolli. Mas neste grupo de ilhas outra ilha possui mais topónimos, a ilha de Saluaga, tem também cinco baías, com os nomes de Arahas, Duchal, Imada, Nom e Consilla. Também o mapa anónimo de Weimar, possivelmente desenhado em 1424, mostra numa sua cópia fotográfica traços de nomes na ilha Antilia aí representada.

RELAÇÃO COM SETE CIDADES

A carta de Toscanelli de 1474 a Cristovão Colombo, recomenda a ilha de Antilia, como um ponto de repouso na viagem até Cathay. Nordenskiold no seu “Périplo” declara: “As the mention of this large island, the name of which was afterwards given to the Antilles, in the portolanos of the fourteenth century, is probably owing to some vessel being storm driven across the Atlantic (as, according to Behaim, happened to a Spanish vessel in 1414)” (75). A referência à Espanha não é limitativa, uma vez que na época quando se faziam referência a Espanha, se queria significar a Península Ibérica, e não necessariamente esse reino, a inscrição pode assim referir-se quer a um navio castelhano quer a um português.

Uma outra fonte parece também referir-se a este navio arrastado até as Antilhas: trata-se do mapa Ruysch de 1508. Aqui se indica que a ilha Antillia foi descoberta pelos espanhóis há muitos anos. Mas talvez se trate de uma redescoberta, uma vez que também menciona que foi este o refúgio do rei Roderico, que aí terá chegado no século VIII.

Observámos que diversas vezes se estabeleceu a associação entre a ilha de Antilia e a de Sete Cidades, embora alguns autores mencionem só um dos nomes e nenhum – ao que sabemos – refira as duas ilhas como realidades distintas. Poderiamos agrupar as duas secções que estabelecemos para estas duas ilhas numa só, mas porque acreditamos que com isso o trabalho perderia em organização optámos pela sua separação.

O mapa Beccario de 1435 fornece-nos bastantes informações sobre Antillia e sobre o grupo de ilhas que a rodeiam. Do seu grupo é a que esta colocada mais a Sul, e é também a maior de todas. É possível que exista alguma relação entre a Antillia deste mapa e a ilha de Cuba, esta relação é-nos sugerida pela sua forma. Trata-se de um rectângulo, estendendo-se desde a latitude de Marrocos até ao Norte de Portugal. No seu sector oriental existem quatro baías, opostas a três outras no ocidental. O seu carácter extremamente regular faz pensar na representação de baías artificiais, e o seu número – sete – faz pensar numa associação com o mito das “Sete Cidades”.

IDENTIFICAÇÃO DE PETER MARTYR DE ANTILLIA

As representações de Ruysch e de Behaim mostram Antillia no oceano profundo e isolada de qualquer outra terra, mas Peter Martyr d’Anghiera, contemporâneo e historiador de Colombo, escrevendo numa data anterior a 1511, afirma claramente que a ilha fazia parte de um arquipélago.

ANTILIA E ANTILHAS

Peter Martyr não foi o único a identificar Antilia com as Antilhas. O mapa de Canerio de 1502, incluí a legenda: “Antilhas del Rey de Castella”. Outro mapa (anónimo) da mesma época dá ao grupo de ilhas frente a América Central o nome contemporâneo de “Antilie”. Um mapa de cerca de 1518, por sua vez, incluí a inscrição: “Atilhas de Castela”. Um mapa catalão do século XV apresenta um grupo de ilhas a ocidente dos Açores, com diversos nomes, entre os quais uma com a denominação “Attiaela”.

A ANTILIA CONTINENTAL

Quando a exploração das costas americanas tinha já alcancado um nível razoável, começam a surgir representações de Antilia no continente americano. Um portulano do Museu Britânico Egerton MS. 2803) incluí o nome “Antiglia” no actual território venezuelano.

Antilia seria então a América? Pergunta-se Paul Gaffarel. A propósito de uma carta de Bianco que regista duas ilhas separadas por um estreito, Antilia e Man Satanaxio, um geógrafo alemão, Hassel, pretende que estas duas ilhas representam as duas partes do continente americano que, com efeito, se acreditava nos primeiros tempos depois do descobrimento, ser separado por um estreito. Formaleoni (15) não hesita em afirmá-lo, mas esta tese não possuí nenhum argumento sólido. A reforçar contudo este argumento surge Beccaria que numa sua carta de 1435, chama a Antilia e ao arquipélago que a rodeia “Insulae de novo repte” (repertae).

O mapa português, datado de 1508-1510, e a que já nos referimos, denominado “Egerton 2303” incluí a designação “Septem Ciuitates” já não numa ilha, mas sobre o continente americano, sinal da transferência para o Continente americano de uma lenda que começava a tornar-se incrível no meio de um oceano já razoávelmente reconhecido.

A ORIGEM DO NOME ANTILIA

Humboldt propõe “Al-tin”, do arábe “dragão”, como origem do nome “Antilia”. As navegações muçulmanas no Atlântico são conhecidas, e os dragões encontram-se entre os monstros mitológicos preferidos dos arábes. Contudo, não existe nada mais de substancial a suportar esta tese. Mas Humboldt propõe outra solução. Admite igualmente que Antilia pode surgir da junção de duas palavras portuguesas “ante” e “illa”. “Illa” e a forma arcaica de “ilha”. Da contracção destas duas palavras teria assim surgido “Antillia”, que se poderia interpretar como “ilha oposta” ou “ilha anterior”.

Alguns autores encontram uma relação entre Antilia e a Atlântida (10); outros, baseados nos seus conhecimentos das linguas orientais, pensam que Antilia correspondia ao Gezyret e Tennynn ou Ilha das Serpentes dos cosmógrafos árabes (a11): Com efeito, em algumas cartas do século XIV e XV é figurada uma ilha perto da qual esta desenhado um homem sendo devorado por uma serpente. Esta ilha é chamada de Antilia, o que pode ser a tradução do arabe Tennynn (“dragão”). Pretendeu-se ainda que Antilia fosse “ante insula”, ilha anterior, e, neste caso, Antilia não seria mais do que uma reminiscência dessa ilha misteriosa do Oceano, nomeada por Aristóteles de “antiportmos” e por Ptolomeu “aprositos”.

S. E. Morison sugere outra origem; crê este autor que o nome deriva de uma série de corruptelas dos cartografos, a partir de “Getulia”, o nome clássico da região noroeste de África. O mapa Pizzigani, de 1367, continha uma inscrição no mar, ao largo de Portugal: “Aqui há estátuas que ficam em frente as praias de Atullia”, ou seja, “Getulia”, daqui se terá derivado o nome até chegar a forma “Antillia”. Os cartógrafos portugueses identificaram-na com a das “Sete Cidades” (89). Quanto às estátuas falaremos delas mais adiante quando nos referirmos à eventual presença cartaginesa no arquipélago açoriano.

REFERÊNCIA A ILHA ANTILIA FEITA POR LAS CASAS

Las Casas num capítulo da sua “Historia de las Indias”, “na qual se contêm muitos e diversos sinais e indicações que foram dados a conhecer a Colombo por diversas pessoas”, e mais adiante, “Nas cartas marítimas feitas em tempos remotos, estavam representadas várias ilhas naqueles mares e partes, especialmente a ilha chamada Antilla e eles colocaram-na um pouco acima de 200 léguas a oeste das ilhas Canárias e dos Açores.” (88)

FERNÃO TELES EM BUSCA DE ANTILIA

Na parte final do reinado de Dom João II, um tal açoriano de nome Fernão Teles teria procurado, em vão, a ilha Antilia. Infelizmente, apesar dos nossos esforços, não conseguimos encontrar mais nenhuma referência a esta expedição.

EM BUSCA DE ANTILIA

O globo de Martin Behaim, inspirado sem dúvida na carta de Toscanelli, situava Antilia a 330 graus e Lisboa a 15 graus. Em 1190, Alexandre Anfredi, um armador de La Rochelle, envia 10 navios “para lá do Sol”. Navios que não regressam. Anfredi abre falencia. Doze anos depois, o milagre: a frota do armador surge diante de La Rochelle, carregada de ouro e especiarias.

Em 1470, o piloto Pedro de Velasco parte dos Açores. Ele procura Antilhas, “ante ilhas”, a terra mais avancada para oeste, a areia das suas praias contém um terco de ouro puro. Velasco percorreu 150 léguas e desencoraja-se perante a imensidão do mar. Em 1484, contudo, Domingo de Arco afirma ter avistado numerosas ilhas ao largo dos Açores: miragens, nuvens, “terras de manteiga” ou ilusões. Em 1570 mais de cem testemunhas afirmam terem avistado, 40 léguas a noroeste da ilha do Ferro, uma das Canárias, uma terra: duas colinas arredondadas separadas por um vale, calhetas, praias. Era, de facto, uma miragem: a costa ocidental da ilha de Palma reflectida, devido a determinadas condições atmosféricas nas nuvens. De acordo com a moda de então, julgou-se ter identificado a ilha de São Brandão.

No século XVI, Pierre de Medine, autor do “Traite de l’Art de Naviguer” escreveu o seguinte:

“Não longe da ilha da Madeira, havia uma outra ilha que se chamava Antilia e que já não se vê mais, hoje em dia…Num Ptolomeu , que tinha sido dirigida ao papa Urbano (Urbano VI), encontrei esta ilha, indicada com a seguinte legenda: Esta ilha Antilia foi outrora descoberta pelos Portugueses, mas hoje já não se avista quando é procurada. Aí foram encontradas pessoas de língua espanhola, que consta terem-se refugiado nesta ilha fugindo dos Bárbaros que invadiram a Hispânia, no reinado do rei Rodrigo, o ultimo a governar a Hispânia no tempo dos Godos. Há um arcebispo com seis outros bispos, e cada um deles tem a sua cidade própria, o que leva muitas pessoas a chamarem-lhe a ilha das Sete Cidades; o povo vive muito cristãmente, cumulado de todas as riquezas deste mundo”.

Pedro de Medina (12), cronista espanhol do século XVI, autor das “Grandezas e coisas memoraveis de Espanha”, conta que, num Ptolomeu oferecido ao Papa Urbano VI, que reinou de 1378 a 1389, surgia a ilha Antilia com a seguinte legenda: “Isla insula Antilia, aliquando a Lusitanis est inventa, sed modo, quando quaeritur, non invenitur.”. Trata-se provávelmente de uma carta suplementar, que os sábios do século XVI tinham por hábito juntar as edições de Ptolomeu, actualizando-as com as descobertas geográficas, a fim de actualizar o seu autor favorito.

ANTILIA E O ARQUIPÉLAGO AÇORIANO

Buache (13) julga encontrar Antilia nos Açores. Mas este arquipélago é desenhado já desde o século XIV, pelo menos a acreditarmos no portulano de 1351 (14). Se Antilia correspondesse a São Miguel ou a qualquer outra ilha do grupo açoreano não teria continuado a figurar nas cartas da época que já incluem os Açores, como é o caso das cartas de Bianco e nas de Behaim.

ANTILIA DESAPARECE DA CARTOGRAFIA

À medida que continua o reconhecimento do Atlântico, Antilia começa a desaparecer da cartografia. As ilhas descobertas por Colombo não são conhecidas nos primeiros cronistas espanhois, como o próprio Colombo, Gomara, Acosta e Oviedo nunca chamam às modernas Antilhas “Antilia”. Os mapas acrescentados aos Ptolomeus tão pouco. Semelhantes são as cartas de Juan de la Cosa e de Ribeiro, assim como na recolha italiana de todas as ilhas do mundo feita por Benedetto Bordone, no “Isolario” de Porcacchi, na “Cosmographie” de Andre Thevet (de 1575), na descrição das índias ocidentais de Herrera (de 1615), nunca figura o nome de Antilia. O arquipélago que exibe hoje esse nome aparece sob a denominação de Lucayas, Caraibas ou ainda Camercanas. E verdade que Pedro Martyr tinha já proposto esse nome nas suas “Oceanica”, e Americo Vespucio (“Venimus ad Antigliae insulam sese reperisse refert Columbus, sed, cosmographicorum tractu diligenter considerato, Antiliae insulae sunt illae et adjacentes aliae.”). Mas é somente a partir do século XVII as cartas de Wytfliet (16) e de Ortelius (17), que para mostrarem a sua erudição haviam feito reviver essa denominação. Mas tratam-se de casos isolados e de algum modo demonstrativos.

Surge ainda uma representação tardia num mapa de Descelier de 1546, que apresenta a ilha na região das Bermudas. O seu tamanho é aqui considerável e possuí uma costa bastante irregular. Uma breve inscrição dá-lhe o nome de Sete Cidades e refere que pertence a Portugal. Os mapas de Ortelius (de 1570) e de Mercator (de 1587) deslocam-na mais para Sul e para águas mais profundas. Após 1587, se exceptuarmos a Lagoa das Sete Cidades, o nome desaparece totalmente da Cartografia.

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I in Mar

Perto da ilha de Salvagio encontra-se, ainda neste mapa de 1435, a ilha designada como “I In Mar”, com a forma aproximada de um crescente. “I” deve ler-se como “ilha”, quanto a “Mar” reforça a nossa convicção que este mapa, quanto a este grupo de ilhas, se baseia em fontes portuguesas. A leitura de “I” como “ilha”, e reforcada quando observamos que no mapa Roselli de 1468, a ilha possuí apenas a designação “In Mar”. O seu nome poderá significar, bastante directamente, “ilha situada no oceano profundo”, o que não pode deixar de ser verdade, para uma ilha situada tão profundamente dentro do Atlântico.

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A Ilha das Sete Cidades

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Parte do mapa Desceliers de 1546 mostrando a Ilha das Sete Cidades e outras ilhas imaginárias.

Martin Behaim, no seu famoso mapa-mundi de Nuremberga, datado de 1492, desenhava sobre a ilha das Sete Cidades a seguinte legenda: “Quando corria o ano 714 depois de Cristo, a Ilha das Sete Cidades, acima figurada, foi povoada por um arcebispo do Porto em Portugal, com outros seis bispos e cristãos, homens e mulheres, os quais, tinham fugido de Espanha em barcos, e vieram com os seus animais e fortunas. Foi por acaso que no ano de 1414 um navio castelhano dela se aproximou” (63). Mesmo depois da descoberta da América, Fernando Colombo, na sua “Vida do Almirante” acreditava na existência dessa ilha, e torna a contar a história em termos quase idênticos. “Contam que no oitavo século da era cristã, sete bispos portugueses, seguidos dos seus crentes, embarcaram para essa ilha, onde construíram sete cidades, e que não quiseram mais deixar, tendo queimado os seus navios para eliminar a possibilidade de regresso” (65). Sem discutir a falsidade ou veracidade desta lenda, reconhecemos contudo que o instinto de todos os povos conquistados e de sonhar com a restauração, os bretões não sonhavam com o seu Artur, os judeus não sonhavam com um Messias? Do mesmo modo, segundo Gaffarel, na Hispânia estes godos teriam fugido a ocupação muçulmana para um refúgio atlântico de onde se esperava que viessem para restaurar o reino cristão da Hispânia.

Em 1447 um português, empurrado por uma tempestade no Atlântico, teria desembarcado (1) numa ilha desconhecida, onde encontra sete cidades, nas quais os seus habitantes falavam o português (2). Este últimos teriam querido retê-lo, uma vez que não queriam manter nenhuns contactos com a sua antiga pátria, mas teria conseguido escapar, e regressado a Portugal, onde conta a D. Henrique as suas aventuras. O Navegador critica fortemente o capitão por ter fugido sem ter obtido mais informações, e o marinheiro assustado nunca mais foi visto. Esta história causou polémica na altura em que foi publicada. Alguns eruditos identificaram esta ilha com a ilha fenícia identificada por Aristóteles (3) e por Diodoro da Sicilia (4) e em numerosas cartas, onde surge com o nome de Ilha das Sete Cidades (5).

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Parte do mapa conhecido como Egerton 2803, que mostra Sete Cidades na América do Norte e “Antiglia” na América do Sul.

AS SETE CIDADES DE SÃO MIGUEL

Gaffarel lançou a hipótese de a Ilha de São Miguel nos Açores ser essa ilha mítica. Sem dúvida que os tremores de terra são aí frequentes. Um só ou uma sucessão deles poderiam ter destruído as cidades, mas teriam restado algumas ruínas que ainda hoje fossem visíveis. Somente o nome de Lagoa das Sete Cidades poderá ser uma leve reminiscência, isto a crer nesta hipótese.

Como escrevemos o nome de Sete Cidades sobrevive hoje no arquipélago açoriano. Buache (68) crê ser esta a genuína Sete Cidades. Humbolt (69) tem outra opinião, defendendo a associação desta lenda com a das Sete Cidades de Cibola. Esta última tese não é contudo muito credível – apesar do renome do autor – pois não parece provável que navegantes visigóticos tenham alcançado o México em 711.

Existem relatos antigos de algumas ruínas perto da Lagoa das Sete Cidades, mas, ao que sabemos, não existem actualmente vestígios dessa ordem. (70)

ASSOCIAÇÃO ENTRE AS ANTILHAS E SETE CIDADES

A história da fuga dos sete bispos é-nos contada por Las Casas (90), mas António Galvão relata-nos uma outra ligeiramente diferente no seu Tratado (Lisboa, 1563), concluindo: “E alguns pretendem que estas terras e ilhas que os Portugueses tocaram são aquelas a que agora se chama Antilhas e Nova Espanha, e avançam muitas razões para tal, as quais não menciono porque não quero ser responsável por elas, tal como as pessoas terem o hábito de dizer, de qualquer terra de que nada soubessem, tratar-se da Nova Espanha.” (91) No mapa Ruysch de 1508 existe uma grande ilha na Latitude N 37o e 40o. Chamada “Antilia Insula” tem uma grande legenda que afirma ter sido descoberta há muito tempo pelos espanhóis, cujo último rei godo, Roderico, que aqui se havia refugiado da invasão bárbara (64).

SETE CIDADES NO CONTINENTE AMERICANO

No século XVI muitos julgaram encontrar as Sete Cidades no continente americano. Um padre franciscano, Marcos de Niza (6), com base em lendas, infiltra-se em 1539 na América do Norte, mais especificamenta na Califórnia, com a esperança de encontrar um pais, chamado Cibola pelos indígenas, as sete cidades da lenda. Acompanhado por três franciscanos e de um negro que dizia conhecer o território. A expedição atinge regiões inexploradas, e narra no seu regresso que havia visto ao longe sete cidades brilhantes, das quais havia tomado posse em nome do rei de Espanha. A sua narrativa entusiasta decide o envio de uma expedição considerável, comandada por um nobre de mérito, F. Vasquez de Coronado (7); mas o pequeno exército, depois de ter passado por grandes sofrimentos, chegou ao sopé de um rochedo árido, sobre o qual se erguia com efeito Cibola, mas não a rica Cibola da lenda, e sim uma pobre aldeia índia.

Não se descobriram nem sete cidades cristãs, nem um povo guardando as velhas tradições visigóticas, mas um país nos arredores do Rio Gila, perto da fonte do Rio Del Norte. Curiosamente, a região compreendia 70 burgos repartidos por sete províncias. Parece mesmo que, hoje em dia, em Zuni, a cidade principal da antiga Cibole, se encontram índios de cabelos brancos e de rosto claro. Sobre o seu aspecto escrevia um viajante contemporâneo: (8) “Não são índios! Há muitos entre eles que tem feições tão claras como as dos mestiços. Entre as mulheres, particularmente, muitas tem a pele quase branca, os olhos cinzentos ou azuis”. Por outro lado, uma história contada por Sahagun (9), escrevia sobre a origem dos Nahuatl: “A história que contam os antigos é que eles vieram por mar do lado do norte… Conjectura-se que estes naturais terão saído de sete grutas, e que estas sete grutas são os sete navios ou galeras nas quais chegaram os primeiros colonos.” Este primeiros colonos seriam os sete bispos visigodos e os seus seguidores?

LIGAÇÃO ENTRE A ILHA IMAGINÁRIA DE ANTILIA E SETE CIDADES

M. d’Avezc conta que Antilia era conhecida, marcada e visitada no século XV; Toscanelli, segundo ele, tinha escrito à corte de Portugal as seguintes palavras: “Esta ilha de que tendes conhecimento e que vós chamais das Sete Cidades”…

O filho de Cristovão Colombo, Fernando, na “Vida de Meu Pai”, precisa por seu lado: “Alguns portugueses inscreviam-na nas suas cartas com o nome de Antilia, embora não coincidisse com a posição dada por Aristóteles; nenhum a situava a mais de 200 léguas, aproximadamente, a Ocidente das Canárias e dos Açores. Tem por certo que é a iIha das Sete Cidades, povoada por portugueses no tempo em que a Hispânia foi conquistada, ao rei Rodrigo, pelos Mouros, isto é, no ano 714 depois de Cristo”. Fernando Colombo assegura que, ainda em vida do Infante Dom Henrique, um navio atracou em Antilia/Sete Cidades; os marinheiros foram a igreja e verificaram que aí se praticava o culto romano.

Talvez seja como reflexo destas histórias que circulavam entre os marinheiros que teve início a iniciativa referenciada por Las Casas: “Alguns partiram de Portugal para encontrar esta mesma ilha [das Sete Cidades] que em linguagem vulgar se chama Antilla, e entre os que partiram estava um Diogo Detiene, cujo piloto, chamado Pedro de Velasco, natural de Palos, declarou ao dito Cristovão Colombo, no mosteiro de Santa Maria da Arrábida, que, tendo partido da ilha do Faial e prosseguindo 150 léguas com o vento lebechio (NW), descobriram, no regresso, a ilha das Flores, guiados por muitas aves que viram voando para lá, e reconheceram que eram aves terrestres e não maritimas, e assim pensaram que iam dormir a alguma terra. Em seguida, e dito que navegaram tanto para NE que tinham o Cabo Claro (na Irlanda) para E (94), onde acharam que os ventos eram muito fortes, e os ventos de oeste e para o mar muito suaves, o que acreditavam que devia ser por causa da terra que devia ali existir, a qual lhes oferecia abrigo a Ocidente; a qual não persistiram em explorar, porque já era Agosto e recearam [a aproximação do] Inverno. Ele disse que isto aconteceu 40 anos antes de Cristovão Colombo descobrir as nossas Índias (95)”.

RELAÇÃO COM A ILHA BRAZIL

Pedro de Ayala, embaixador espanhol na Grã-Bretanha, em 1498, relatando as navegações inglesas a Fernando e Isabel, escreveu, conforme menciona Babcock, as seguintes linhas: “The people of Bristol have, for the last seven years, sent out every year two, three, of four light ships in search of the island of Brasil and the seven cities” (62). E, com efeito, ao que tudo parece indicar, realizou-se pelo menos uma expedição em busca da ilha Brazil.

A primeira aparição da ilha Brazil é a do mapa de Dalorto (de 1325), onde surge como uma ilha de forma discóide. No mapa Catalão de 1375 este disco transformou-se num anel rodeando um conjunto de ilhas, para Nordenskiold nove, para Kretschmer sete. Este último número pode representar um fenómeno não raro em diversas ilhas míticas, o cruzamento entre lendas.

FERNÃO DULMO DA TERCEIRA PROCURA A ILHA DAS SETE CIDADES

Existe uma carta de doação, emitida por D. João II a Fernão Dulmo da Terceira, no ano de 1486. Este Fernão Dulmo era na verdade Ferdinand van Olm, um dos flamengos que se haviam estabelecido nos Açores. Dulmo declarara ao monarca que se propunha “procurar e achar uma grande ilha ou ilhas ou terra firme per costa (114), que se presume ser a ylha das Sete Cidades, e tudo isto as suas próprias custas e despesas”. Uma cláusula revela a importância que o monarca atribuía ao descobrimento da dita ilha: ” No caso de ele não conseguir conquistar as ditas ilhas ou terras. Nós enviaremos, com o dito Fernão Dulmo, homens e esquadras de barcos com poder Nosso para efectuar o mesmo, e o dito Fernão Dulmo será sempre Capitão General das ditas esquadras e está por Nós sempre autorizado, porque seu Rei, como Nosso súbdito” (115).

Fernão Dulmo iniciou os preparativos para a expedição chamando para o ajudar João Afonso do Estreito e pedindo que o rei o admitisse na partilha da empresa e dos lucros. Estreito forneceria duas caravelas, aprovisionadas para navegar durante seis meses, que deveriam zarpar no dia 1 de Março de 1487, Dulmo contrataria pilotos e marinheiros e pagar-lhes-ia os salários. Durante quarenta dias Dulmo seria o comandante-general, estabelecendo o rumo para as duas caravelas, e tomando para si todas as terras descobertas, depois do que Estreito seria, por sua vez, capitão-general e se apoderaria de todas as terras avistadas. Tudo isto, o monarca confirmou a 24 de Julho e 4 de Agosto de 1486. (116) Las Casas poderia referir este empreendimento, quando escrevia as seguintes linhas: “Mais adiante, um marinheiro chamado Pedro de Velasco, um galego, contou a Cristovão Colombo em Murcia que, seguindo numa certa viagem a Irlanda, estavam a navegar e a afastar-se tanto para NW, que viram terra a oeste da Irlanda, a qual eles pensaram que devia ser a que um Hernan Dolinos procurou descobrir, tal como agora se deve dizer (117)”. A referência a quarenta dias previstos é curiosa, porque bastaram trinta e seis para fazer Colombo chegar ao Novo Mundo. Mas, se não mais se ouviu falar destes navegadores e porque a sua expedição foi frustada, provávelmente pelas difíceis condições existentes no mês de Março para quem se propõe navegar na direcção Oeste, conforme nota Samuel Eliot Morison na sua obra “As Viagens Portuguesas à América”.

COLONOS PORTUGUESES NO BRASIL ANTES DE 1500?

A lenda de emigrados portugueses numa ilha Atlântica poderá ter algo a ver com repetidos relatos, embora não merecedores de muita confiança, da presença de colonos portugueses no Brasil ainda antes da chegada da armada de Pedro Álvares Cabral. O primeiro relato refere que o mais velho habitante vivo do Brasil teria declarado, no seu leito de morte em 1580, que vivera naquele país “cerca de noventa anos”. Outro relato é o de um certo Estevão Fróis, encarregado de um barco capturado pelos espanhóis: “Tinham má vontade em receber da nossa parte a prova do que alegávamos; nomeadamente, que Vossa Alteza tivera a posse destas terras [Brasil] durante vinte anos e mais, e que já João Coelho da Porta da Cruz habitante de Lisboa ali viera com outros para descobrir” (119) Estas histórias são pouco credíveis uma vez que a primeira colónia, nem sequer foi portuguesa mas francesa, fundada por Christophe Jacques, por volta de 1516. A primeira colónia nacional só se instalaria em Olinda em 1530, sob o comando de Duarte Coelho Pereira.

EM BUSCA DE ANTILIA/SETE CIDADES

Como vimos Fernando Colombo relata como “no tempo do Infante Henrique de Portugal (+-1430), um navio português foi empurrado pelo mar para esta ilha Antilla.” A tripulação foi à igreja com os ilhéus mas receou ficar detida na ilha e fugiu assim que pôde. O Príncipe ouviu a sua história e ordenou-lhes que voltassem à ilha, mas os marinheiros largaram e não tornaram mais a ser vistos. Fernando relata que a areia de Antillia era composta de um terço de ouro puro. Galvão relata uma outra visita mais tardia, ou então uma outra versão da primeira:

“In this yeere also, 1447, it happened that there came a Portugall ship through the streight of Gibraltar; and being taken with a great tempest, was forced to runne westwards more then willingly the men would, and at last they fell upon an Island which had seven cities, and the people spake the Portugall toong, and they demanded if the Moors did yet trouble Spaine, whence they had fled for the losse which they received by the death of the king of Spaine, Don Roderigo.

“The boateswaine of the ship brought home a little of the sand, and sold it unto a goldsmith of Lisbon, out of the which he had a good quantitie of gold.”

“Dom Pedro understanding this, being then governour of the realme, caused all the things thus brought home, and made knowne, to be recorded in the house of justice.”

“There be some that thinke, that those Islands whereunto the Portugals were thus driven, were the Antiles, or Newe Spaine.” (66)

Um outro relato nos chega através de Faria e Sousa, traduzido pelo Capitão John Stevens:

“Depois da derrota de Roderico os mouros espalharam-se pela província, cometendo barbáries inumanas. A maior resistência era em Mérida. Os defensores, muitos dos quais eram portugueses, que pertenciam ao Supremo Tribunal da Lusitânia, eram comandados por Sacaru, um nobre godo. Muitas acções corajosas decorreram neste cerco, mas como não apareciam reforços e as provisões começavam a escassear a cidade rendeu-se sem condições. O comandante da Lusitânia, atravessando Portugal, chegou a uma cidade costeira, onde, reunindo um bom número de navios, lançou-se ao mar, mas ignora-se a que parte do mundo eles foram. Existe uma antiga lenda de uma ilha chamada Antilla no oceano ocidental, habitada por portugueses, mas que ainda não pôde ser descoberta.” (67)

A versão do capitão Stevens acrescenta bastante à versão original. O texto original refere que os fugitivos fizeram-se ao mar para as Ilhas Afortunadas (Canárias ?), a fim de aí poderem preservar a sua raça. O texto menciona igualmente que essa ilha havia já sido alcancada pelos portugueses, sendo habitada por eles nas sete cidades que aí haviam construído: “tiene siete cividades”.

Este último relato menciona uma movimentação a partir de Mérida, o que é perfeitamente credivel, e o comando por um militar também seria admissível natural numa deslocação efectuada em tais condições. Existem portanto algumas provas factuais que podem apoiar esta versão da lenda

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Tanmar

Também aparece com o nome Danmar. Faz igualmente parte do mesmo grupo de Antilia, Royllo e Man Satanaxia.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha Perdita

Na “Imago Mundi” surge a referência a uma ilha denominada “Perdita”, a qual se diz “exceder de longe todas as terras em amenidade e fertilidade”. Contudo esta ilha merece bem o seu nome porque “é desconhecida para os homens. É por vezes avistada acidentalmente mas depois não torna a ser encontrada e por isso foi chamada Perdita aqui se diz que terá chegado São Brandão” (31).

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha Não Identificada – 2

Adamman de Bremen conta a história de uma terra cheia de tesouros habitada por cíclopes e que teria sido visitada por alguns nobres frísios. (30) Mas esta história parte da explicação dada por estes senhores para justificar o tesouro que tinham no seu barco. Ora, é conhecida a aptidão dos frísios desta época pelo saque e pela pirataria, Vincent Cassidy, levanta a hipótese, muito mais plausível, de que este tesouro tenha sido originado por algum acto de pirataria do que resultado da estadia nalguma ilha misteriosa do Atlântico Norte.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha das Uvas

Maeldun, um irlandês pré-cristão, é reputado como tendo sido o primeiro a visitar esta ilha. Maeldun terá bebido o sumo das suas uvas e caído logo depois num sono que demorou vinte e quatro horas. Ele e os seus companheiros, deixaram a ilha carregados de cachos de uvas (28). Os irmãos irlandeses Hui Corra numa viagem de penitentes também chegaram a uma ilha maravilhosa coberta de macieiras e com um rio de vinho (29).

O manuscrito irlandês “Voyage of Bran” proclamava que existiam “thrice fifty” ilhas destas. Por outro lado, na “Life of St. Columba” de Adamman’s menciona-se dois macacos que partiram em busca de ilhas desertas. O primeiro deles, de nome Baitan após uma prolongada estadia no mar alto, regressou a casa sem ter encontrado o refúgio que procurava. O segundo, Cormac, tentou encontrá-lo em três viagens sucessivas, mas sempre sem alcançar o sucesso que pretendia.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha do Diabo

A “Raccolta” de Ramusio (19) colocava ao Norte da Terra Nova a Ilha dos Diabos. Ruysch, no seu Atlas de 1507-1508, inseria nesta região do oceano uma “insula daemonum”. Corte Real (20) dava igualmente esse nome a uma ilha da costa do Labrador (“Isola de los Demonios”). Thevet (21) na sua “Cosmographie” de 1575, narra os sofrimentos de alguns marinheiros naufragados no arquipélago dos Demónios.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha Não Identificada – 1

O navegador Vicente Dias quando em 1445 regressava para a Ilha Terceira terá avistado uma ilha a Oeste da Madeira. Terá efectuado três ou quatro viagens à sua procura, mas sem sucesso. Nesta sua inútil procura foi financiado por Luca di Cazzana, um rico mercador italiano residente nos Açores.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Mayda

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Parte do mapa do Novo Mundo de 1513 de um ptolomeu mostrando as ilhas de Mayda e Brazil.

 

 

A ilha de Mayda é geralmente colocada perto da Ilha Verde. À semelhança do escolho de “Green Rock” o seu nome mantêm-se ainda no de um outro escolho, situado perto do primeiro, cujo nome permanece “Maida”. Esta ilha é geralmente representada sob a forma de um crescente e a sua posição mais comum é a Oeste da parte inferior da Bretanha e aproximadamente a Sudoeste da Irlanda. O nome conhece diversas formas desde Maida, Mayd, Mayde, Asmaida e ainda Asmayda. Nos mapas do século XVI a ilha ainda é apresentada, embora esteja omissa dos mapas de Ruysh (de 1508), Coppo (de 1528) e Ribero (de 1529). A partir de meados deste século desaparece e, aparentemente, é substituída pela ilha de Man, associação que sempre parece ter existido.

 

A ILHA DE MAYDA TRANSFERE-SE PARA AS COSTAS AMERICANAS

 

O mapa Desceliers de 1546 mostra na latitude de 47 graus esta ilha, aliás, na mesma longitude de São Miguel. O mapa de Nicolao (de 1560) e Zaltieri (de 1566) transferem-na para as águas do Labrador, Nicolao chama-lhe “I man orbolunda”. Zaltieri mantêm o nome Mayda e coloca-a também claramente em águas americanas. O nome de Nicolao “orbolunda” é, para nós, um mistério, que merece uma investigação mais profunda, que não pudemos completar. Ramusio, em 1566, coloca a sua “Man” a Sul do Brasil, nas proximidades das costas irlandesas.

 

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Parte do mapa Prunes de 1553 que mostra Maida, Brazil e a Estotilândia.

SOBREVIVÊNCIA DE MAYDA EM MAPAS TARDIOS

 

A ilha sobreviveu na cartografia até tempos relativamente recentes, o mapa de Nicolaas Vischer de 1670 mostra uma “L’as Maidas” na longitude da Madeira e na latitude da Bretanha, um mapa mundi do “Atlas Universel” de M. Robert (1757) possuí uma “I.Maida” na longitude da Madeira e na longitude da Gasconha. Também uma carta do Oceano Atlântico publicada em Nova Iorque em 1814 mostra ainda Mayda na longitude 20 graus Oeste e na latitude 46 graus Norte.

 

IDENTIFICAÇÃO DA LENDA COM ALGUNS FACTOS REAIS

 

A identificação com a mais ocidental das ilhas açorianas tem sido proposta por vários autores. Mas o Mapa Laurenziano de 1351 e o “Livro do Monge Espanhol”, escrito em meados do século XIV, mostra todas as ilhas do grupo açoriano, entre as quais a ilha do Corvo juntamente com Mayda. Também Man, ilha frequentemente associada a Mayda, é diversas vezes representada com o arquipélago açoriano completo.

 

Lembremo-nos que inicialmente se pensava que o Labrador era uma ilha, o que a transforma num forte candidato a identificação com Mayda, por outro lado, mais a Sul, as Bermudas apresentam igualmente boas hipotéses na identificação.

 

ORIGEM ARÁBICA DA DENOMINAÇÃO “MAYDA”

 

Logo após a conquista da Hispânia é possível que navegadores islâmicos se tenham feito ao Atlântico. Parecem ter dado nomes a algumas das ilhas dos Açores, pelo menos é isto o que se depreende da leitura do tratado de Edrisi e de outras obras muçulmanas.

 

A ilha “Asmaidas”, um nome de ressonância arábica, aparece num mapa do Novo Mundo da edição de um Ptolomeu de 1513. Mas não se deve associar necessariamente esse prefixo talvez arábico à origem arábica do nome da ilha. Mostra-se que esta associação pode ser abusiva quando no mesmo mapa nos aparece Gomera transformada em Agomera, Madeira em Amadera, e Brasil em Obrassil. Trata-se assim, muito possivelmente, de um artifício de escrita. De qualquer modo, embora a origem árabe do nome desta ilha fique por esclarecer, o nome Bentusla (ou Bentufla) aplicado a uma ilha em forma de crescente do mapa Bianco de 1448 pode ter efectivamente, segundo Babcock, uma origem arábe.

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As Ilhas Míticas do Atlântico: Ilha Verde

Entre a Irlanda, a Terra Nova e os Açores surge nalgumas cartas, como na carta Catalã de 1367 e no Ptolomeu de 1519, a “Isla Verde”. Com a descoberta da América, as referências a esta desaparecem gradualmente, até cessarem por completo.

Parte do mapa de Sigurd Stefansson, do ano de 1590, mostrando a Groenlândia.

 

IDENTIFICAÇÃO COM A GROENLÂNDIA

 

O primeiro relato literário da Groenlândia surge-nos num autor eclesiástico, Adam de Bremen. No ano de 1069 Adam de Bremen teria falado com o rei Sweyn da Dinamarca, obtendo dele diversos artefactos oriundos desta ilha. Numa obra sua de 1076, a “Descriptio Insularum Aquilonis” dedica algumas linhas a esta ilha, as quais surgiriam depois numa obra clássica do norueguês Fridtjof Nansen “In northern mists: Artic Exploration in Early Times”, foi desta obra que extraímos o seguinte excerto: “it lies farther out in the ocean, opposite the mountains of Suedea, or the Riphen range. To this island, it is said, one can sail from the shore of Nortmannia in five or seven days, as likewise to Iceland. The people there are blue from the salt water; and from this the region takes his name. They live in a similar fashion to the Icelanders, except that they are more cruel and trouble seafarers by predatory attacks.”

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Mapa de Donnus Nicolaus Germanus (posterior a 1466) que representa a Groenlândia anexa à Europa do norte.

 

No texto de Adam de Bremem não fica clara a localização da ilha, isto apesar de algumas passagens indiquem uma posição aproximada na parte mais ocidental do Atlântico Norte, o que aliás confere perfeitamente com uma associação da “Ilha Verde” com a Groenlândia. O mapa de Coppo (de 1528), coloca junto da posição real da Groenlândia uma massa de terra alongada de Este para Oeste debaixo da designação de “Isola Verde”. No anónimo mapa catalão de 1480 surge uma “Illa Verde” alongada como no mapa de Coppo, situada aproximadamente a sudoeste da Islândia, curioso é aqui o emprego da terminologia portuguesa “illa”. Mas existem representações ainda mais tardias dessa ilha: Schoner, em 1520, refere uma “Insula Viridis”, mas numa latitude mais baixa, mais ou menos ao nível do sul da Irlanda e aproximadamente a meio do oceano Atlântico. O mapa de Nicolao de 1560 coloca a Ilha Verde nos bancos do Labrador, ou seja, ainda mais próximo da costa que a ilha Brazil também aí representada. No mapa de Zaltieri de 1566, a ilha é colocada perto do “C. Ras” (Cape Race).

 

VÁRIAS “ILHAS VERDES”

 

Embora a associação entre a “Ilha Verde” e a Groenlândia possa parecer óbvia, diversas “ilhas verdes” representadas na cartografia podem, efectivamente nada ter a ver com esta. O mapa de Peter Martyr de Anghiera de 1511 mostra uma pequena ilha tropical perto de Trinidad, possivelmente a actual Tobago, a vegetação luxuriante que ainda hoje caracteriza esta ilha das Caraíbas ter-lhe-ia merecido este nome.

 

O mapa Desceliers de 1546, mostra um “ilha verde” na mesma longitude do Labrador, colocando-a como vizinha de uma ilha de São Brandão. Ortelius, em 1570, e Mercator, em 1587, representam uma “Y Verde” a Oeste de Vlanderen, na região a Norte dos Açores. No século XVIII sobrevive ainda na cartografia, e seria somente no século seguinte que as suas aparições cessariam, sobrevivendo hodiernamente num polémico escolho denominado “Green Rock”. Embora o “Hydrographic Office” dos EUA não confirme a existência deste rochedo, guarda um relato curioso: “Captain Tullock, of New Hampshire, states that an acquaintance of his, Captain Coombs, of the ship allas, of Bath, Maine, in keeping a lookout for Green Island actually saw it on a remarkably fine day when the sea was smooth. According to the story, he went out in his boat and examined it and found it to be a large rock covered with green moss. The rock did not seem much larger than a vessel floating bottom upward, and it was smooth all around. The summit was higher than a vessel’s bottom would appear out of the water, being about twenty feet above the surface of the sea. Captain Coombs added that if the object had not been so high he would have thought it to be a cap sized vessel. A sounding taken near this spot shows a depth of 1500 fathoms exists there.”

ORIGEM DO NOME “ILHA VERDE”

 

Por volta de 985, Eric, o Vermelho, teria sido o primeiro a colonizar a região. Possivelmente usou a denominação “ilha verde” como chamariz para colonos. Esta é a opinião de Ari Frode (71)que relata o seguinte: “This country which is called Greenland was discovered and colonized from Iceland. Eric the Red was the name of the man, an inhabitant of Breidafirth, who went thither from here and settled at that place, which has since been called Ericsfirth. He gave a name to the country and called it Greenland and said that it must persuade men to go thither if it had a good name”.

Efectivamente, algumas partes da Groenlândia possuem erva. Nansen concorda com a posição de Frode, afirmando que a ilha poderia mesmo parecer acolhedora aos olhos de um islandês, desde que comparada com a sua terra natal, o que efectivamente nos parece bastante plausível.

 

EXPLORAÇÕES GROENLANDESAS

 

A descoberta da América numa expedição do filho de Eric, Leif, e a existência de uma série de outras viagens que se lhe sucederam, incluindo a colonização liderada por Thorfinn Karlsefni do Labrador, tinham como objectivo explorar as águas próximas a Groenlândia. Discute-se qual o extremo sul dessas expedições, sendo geralmente aceite que não teriam ultrapassado o Sul da Nova Inglaterra. A estas expedições seguiu-se uma expedição missionária liderada pelo bispo Eric Gnupsson, que terá partido da Groenlândia a caminho de Vinland, mas da qual se desconhecem as consequências, ignorando-se inclusivamente se terão ou não conseguido alcançar essas paragens.

 

Babcock refere que uma expedição britânica realizada em 1824 na Groenlândia teria descoberto uma pequena pedra com caracteres rúnicos numa ilha a Norte de Upernivik, na costa Noroeste da ilha. O original teria desaparecido, mas conservou-se um duplicado seu no Museu de Copenhaga. A inscrição da pedra parece datar de cerca de 1300, mas pode referir-se a acontecimentos mais remotos. Uma tradução do professor Hovgaard produziu o seguinte texto: “Erling Sigvatsson and Bjarne Thordarson and Endride Oddson built this (or these) beacon(s) Saturday after “Cagnday” (25 de Abril) and cleared (the place) (or made the inscription) 1135 (?)”.

 

Sucessivos ataques dos esquimós foram dizimando a pequena colónia nórdica na Groenlândia. Durante o século XV duas cartas papais referem-se ainda à ilha, embora de um modo já bastante vago. Em 1492 parece ter havido um esforço para restabelecer as comunicações, mas por essa altura já toda a colónia nórdica devia ter sido dizimada, provávelmente os últimos sobreviventes ter-se-ão misturado com a população esquimó, diluindo-se no seio dela e perdendo completamente a sua identidade.

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Anomalia 16: Os aviões que embateram nas Torres Gémeas eram mesmo aviões comerciais (os testemunhos)?

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Facto:

Muitas testemunhas directas dos embates dos aviões nas Torres Gémeas afirmaram que “não se tratavam de aviões comerciais”. Uma testemunha (a que surge na imagem) afirma: “It was not an arliner. It was a twin engine, big, gray plane” (MSNBC). Outra, citada em directo numa outra reportagem desse dia na Fox News, declarou: “There was a circular [blue] logo in the front of the plane. It definetly does not seem a comercial airplane.” Outra ainda: “I didn´t see any window on the side.” e uma outra, ainda: “This was not a American Airliner.”

Hipótese:

Se estes testemunhos não forem ignorados (como têm sido), isso significa que existe uma hipótese de que os dois aparelhos não fossem os aviões comerciais que nos disseram terem embatido nas Torres Gémeas, mas outros aparelhos… Semelhante, mas não completamente idênticos… Ou seja, aparelhos que num dado momento foram substituir os aparelhos reais, com passageiros reais, que foram guardados e destruídos (e os passageiros assassinados) numa das numerosas e extensas instalações secretas do Governo americano…

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Anomalia 15: Que clarão foi aquele que ocorreu antes de qualquer um dos embates dos Boeing nas torres gémeas?

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Imagens extraídas do documentário “911 In Plane Site” de William Lewis

 

Facto:

No caso do segundo Boeing, imediatamente depois do aparelho entrar com o seu nariz na Torre observa-se um clarão luminoso muito intenso que desaparece 1,5 segundos depois. Este fenómeno luminoso foi observado pelas quatro câmaras que filmaram o impacto em directo. No caso do avião que colidiu com a primeira torre, observa-se igualmente o mesmo clarão, no único filme conhecido…

 

Hipóteses:

Sendo o nariz do aparelho um local onde não existem depósitos de combustível, que clarão  foi este? Seria a ignição de um composto explosivo, dentro da própria Torre? Seria um dispositivo inserido no próprio nariz do aparelho para deflagrar o incêndio que segundos depois eclodia com imensa violência alimentado pelas toneladas de querosene que os aparelhos transportavam?

Alguns afirmam que o “flash” é apenas um reflexo… Mas se assim é, como se explica que apareça em todas as quatro filmagens, recolhidas de quatro câmaras distintas, em posições distintas?

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Anomalia 14: O que estava debaixo do ventre do Boeing 757 que embateu contra a 2ª torre do WTC?

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Imagens extraídas do documentário “911 In Plane Site” de William Lewis.

Imagem extraída do Site http://www.letsroll911.org/phpwebsite/

Facto:

Existe um objecto estranho no ventre do avião que embateu contra a 2ª torre do World Trade Center. Esta forma, não resulta de uma sombra, como demonstra a segunda fotografia, nem de uma ilusão de óptica, porque surge em dois dos quatro filmes que registam este segundo embate. A segunda imagem permite comparar o ventre de um 757 normal com aquele que embateu na Torre e este é liso… Como a maioria dos aviões civis. Em 2002, o jornal espanhol La Vanguardia publicou um estudo da Universidade de Barcelona segundo o qual esta “anomalia” era tridimensional e que não podia ser devida a uma sombra da fuselagem do avião…

Hipótese:

Ora existem vários aparelhos militares, adaptados a partir de modelos civis, como o Boeing 757, que apresentam irregularidades sob a sua fuselagem…

É o caso do E-8C Joint Stars:

e do E-10:

Fonte: http://www.letsroll911.org/phpwebsite

Este último também com dois reactores… Como os aviões que embateram nas torres gémeas…

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Anomalia 13: E os testemunhos variados (e de bombeiros) que falam de “huge explosions” dentro das Torres do WTC?

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Fonte: Documentário “911 in Plane Site”, William Lewis

 

Factos:

 

Várias testemunhas no local referem “huge explosions” ocorridas pouco antes do colapso de cada uma das torres gémeas e do edifício 7 do World Trade Center. Um jornalista da MSNB, falando em directo fala de “4 explosions heard and felt”. Um repórter da MSNBC, Rick Sanchez, falando também em directo diz: “Police found a strange device that could lead to another explosion.”

 

O bombeiro, citado na primeira imagem (uma página revista americana People), de nome Louie Cacchioll, afirmou numa entrevista à revista People: “On the last trip up a bomb went off. We think there was bombs set in the building.”

E os bombeiros filmados na segunda imagem diziam uns para os outros: “Bombs detonated, floor by floor.” On the way down” (fazendo o gesto de que as explosões tinham ocorrido, andar após andar, até ao solo) e ainda… “It was if they had detonated the building”.

Hipótese:

A preparação de uma demolição controlada demora semanas, e por vezes meses… Dependem da potência e localização judiciosas dos explosivos e exige uma detonação controlada e precisa. Isto é… Seria impossível montá-las nos minutos após os impactos dos aparelhos… Ou seja. Os acontecimentos do 9/11 eram do conhecimento antecipado de alguém que pôde colocar bombas de demolição um pouco por todos os 3 edificios?

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Anomalia 12: A dimensões do rotor encontrado junto ao Pentágono são credíveis com um motor do Boeing?

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Facto:

Uma das raras peças encontradas no exterior do Pentágono, fotografada, e classificada como um destroço do Boeing 757 que embateu no Pentágono é esta peça do interior da turbina do motor. Já foi escrito e dito que esta peça – segundo um engenheiro da Rolls Royce não “seria nenhum componente de nenhum motor da Rolls Royce que eu conheço”. Mas o estudo AQUI disponível indica o contrário…

Hipótese:

Esta é a única pista que pode apontar para a presença de um avião neste local… Mas um míssil de cruzeiro, ou um pequeno jacto também têm turbinas… De ddimensões semelhantes, especialmente no último caso… A menos que fosse uma peça isolada “plantada” no local por alguém chegado ao local já depois de extinto o incêndio no local… E sabe-se como a zona fervilhava de agentes dos Serviços Secretos e dos Militares nos minutos seguintes ao Incidente…

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