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Contra o declínio das Empresas Locais e uma exaltação das virtudas das Economias Locais


(http://www.dixonprice.com)

O declínio das empresas locais não é inevitável. É possível definir e implementar políticas que combatam a expansão e a influência das grandes corporações de todos os ramos de actividade que estão a colonizar as comunidades e a substituir negócios locais, tantas vezes familiares e geracionais por armazéns amorfos e cinzentos. Nos Estados Unidos este fenómeno é especialmente flagrante na “Walmatização” das pequenas cidades, em Portugal, são as grandes superfícies que extinguem o comércio tradicional.

O recente declínio das vendas das grandes superfícies e a transferência de clientes para redes de retalho, expôs o problema: concebidas como formas de reduzir os preços ao consumidor, as grandes superfícies apresentam hoje preços superiores aos das cadeias de desconto e prova disso pode ser encontrada na recente fuga da rede Carrefour de Portugal (ver AQUI). Óbviamente que por economia de escala conseguem preços mais baixos junto dos seus fornecedores, mas na ânsia de recolherem mais lucros, aumentam as margens, ainda mais do que as cadeias de desconto e hoje começam a deixar de ser a opção preferencial de muitos portugueses.

Os negócios locais (lojas, pequenos supermercados, cafés, sapatarias de rua, etc.) apresentam níveis de serviços, atendimento, especialização e personalização que nunca poderão ser alcançados pelas grandes superfícies. Muitos, servem de escoador principal para as quintas agrícolas e para as pequenas indústrias da sua região, e contribuem activamente para a Economia Local. A própria evidência da sua localização, junto ao bairro ou na rua, implica uma redução de consumos de combustível, já que basta sair para a rua ou atravessar a dita, para chegar aos locais onde operam, ao contrário das grandes superfícies que estão geralmente longe dos centros urbanos. Assim, se poupa nas importações de combustível, no déficit da balança comercial e se contribui para a redução das emissões de carbono…

A erosão da Economia Local patente hoje em praticamente todos os locais do chamado “Mundo Desenvolvido” é consequência directa de uma visão das coisas que reduz o Homem ao papel de mero consumidor, esquecendo que cada um de nós para ser completo, congrega em si muitos outros papéis, como o de produtor, trabalhador, empresário, ingestigador, etc.

Para que as Economias Locais possam deixar o estado de morte lenta e estagnação generalizada em que vivem actualemente é necessário que as Autarquias abandonem as políticas, velhas de décadas, que dão primazia à construção de “zonas comerciais” longe das cidades, preenchidas preferencialmente por “grandes superfíceis” ou cadeias de retalho multinacionais que esvaziam negócio das grandes cidades, mas que são mais generosas para as sempre ávidas tesourarias partidárias e onde as licenças de construção contribuem de uma forma demasiado generosa (e Dependente) para os cofres camários… É necessário recentrar a actividade comercial nas comunidades locais, criar mecanismos que favoreçam o negócio de escala familiar e que prejudiquem o negócio de “comércio em massa” e que reduzindo até as distâncias entre os espaços comerciais e as residências, reduzam também o consumo de combustíveis fósseis e o Aquecimento Global.

Estas estratégias devem ser conjugadas com uma campanha vigorosa e sistemática junto às populações para que prefiram comprar localmente aquilo que consomem localmente… Os custos ocultos de importações e dos preços baixos praticados nos grande armazéns devem ser determinados e publicitados (custos ambientais, sociais e económicos). Formas de criar um Marketing “local” e distinto das máquinas de Marketing das multinacionais, assim como Moedas Locais devem ser implementados de forma a propiciar o renascimento do tipo de Economias Locais que floresciam em Portugal na auge da nossa Idade Média, servindo de bastião para um regime monárquico que se transformava numa autêntica Federação de Municípios Livres e que é, efectivamente, a “Idade de Ouro” para o qual o Movimento Quintano pretende reencontrar o caminho…

Baseado livremente na conferência de Stacy Mitchel de 2006 “Declaration of Independents,” editada por
Hildegarde Hannum (disponível em http://www.smallisbeautiful.org/publications.html)

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Categories: Brasil, Economia, Movimento Internacional Lusófono, Política Internacional, Política Nacional, Portugal | Deixe um comentário

Porque é que os países de língua portuguesa podem ser o pólo de um novo tipo de ordem mundial, fraterna, comunitária e multicultural

Profetizava Agostinho que ao debate e ao conflito ideológico entre Oeste (Capitalismo) e o Leste (Comunismo) haveria de seguir o conflito material entre Norte (Ricos) e Sul (Pobres) e que deste conflito por verdadeiro silogismo aristotélico haveria se surgir uma nova visão do mundo e do Homem, novamente centradas no mundo natural e no Homem, como ainda hoje se pode encontrar nas sociedades primitivas e como se encontrava comumente nos municípios portugueses do reinado de Dom Dinis… Essa nova visão do mundo, enfim capaz de lidar com as exigências impostas pelo Aquecimento Global, consequência máxima de uma industralização e de um consumismo-produtivismo que procurar aumentar sempre os rácios de produção e consumo sem ter em conta que as matérias-primas são finitas e que o mundo em que vivemos é uno e fisicamente limitados, julgava encontrar Agostinho escapatória numa coligação dos países de língua portuguesa…

Esta seria essencialmente a missão de Portugal na História: lançar no mundo a semente cultura e linguística (afinal apenas aspectos diferentes da mesma realidade psicológica) que fundaria pelo mundo fora, mas sempre a Sul, novas nações e Estados capazes de depois, numa fase posterior, consigo ou sem si, se pudessem coligar e re-unir formando e re-formando um novo epicentro de Paz, Estabilidade e Comunhão, não mais obcecada com Produtividades ou Prosperidades Económicas ou Estatísticas mas preocupada com o recentramento no Homem dos ciclos económicos e das sociedades. Neste contexto, os povos mediterrâneos e, no seu seio, os portugueses, galegos e todos os países que estes espalharam pelo mundo do Brasil a Timor assumirão um papel central na criação de um novo centro que reunirá os povos oprimidos pelo materialismo desumanizante do Norte… Não mais reunindo estes povos sob o ceptro de uma superpotencia económica ou militar, já que nem Angola, nem o Brasil, nem Portugal, têm de per si esse tipo de força para imporem um tal fardo ao mundo e logo não podem gerar os receios de imperialismo conquistador que outros povos de assírios a norte-americanos criam e criaram no mundo deste sempre.

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Da dicotomia Oeste-Leste: Ideológica e a Profecia agostiniana de como esta se tornaria numa dicotomia Norte-Sul (Ricos-Pobres) e o seu cumprimento pela Globalização

Habitava em Agostinho a mesma centelha profetizante que vivia no centro do espírito de António Vieira… Uma centelha que se exprimia na profccia que o Professor fez ao seu neto Pedro Agostinho da Silva, em 1960 quando anteveu que ao antagonismo Oeste-Leste, de matriz ideológica e material se haveria de suceder um antagonismo norte-sul de matriz também material, mas já não ideológica onde se cruzariam os interesses dos povos eslavos e germânicos (nórdicos, centro-europeus e anglo-saxónicos) contra os da generalidade dos povos mais escuros e dispostos no hemisfério sul… Mas não um hemisfério sul clássico e estritamente geográfico, mas antes um hemisfério cultural e psicológico marcado pelos Pirinéus e pelos Alpes, pelas margens do Mar Mediterrâneo, enfim… Foi esta profecia que a Globalização fez cumprir… às guerras ideológicas das décadas de cinquenta (Coreia), sessenta (Vietname) e setenta (Afeganistão) haveria de suceder um regime de concórdia entre estas nações, afinal de coração tão igual, para de comum esforço se alinharem e explorarem concertadamente a metade do sul do mundo, tornando a Índia e a China em suas extensões e usando-as contra si próprias (no sentido em que as colocam contra as suas próprias populações) e contra si mesmas (no sentido em que deslocalizando a produção e o emprego), criando uma contradição irresolúvel que encerra em si mesmo a semente da sua própria destruição e antecipa a vinda de uma nova fase da vida do Homem sobre o globo: Aquela a que António Vieira chamou de “Quinto Império” e a que Agostinho ora chamaria de “Quinto Império” ora de “Império do Espírito Santo”, consoante os momentos e as oportunidades…

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A Beligerância permanente nas Sociedades e no Indíviduo nas Sociedades Contemporâneas

É sobre esta lógica dominante Produtor-Consumidor que assentam as raízes de uma beligerância persistente, extensa, mas dispersa e difusa que caracteriza neste sistema globalista as sociedades contemporâneas. O indivíduo deixa-se consumir por uma lógica auto-destrutiva que o leva a competir activamente e permanentemente com os seus semelhantes procurando obter uma maior parcela de consumo do que dos seus pares, ascendo a um patamar social superior devido a essa maior fatia de consumo, uma ânsia que leva aos descomunais e irracionais níveis de endividamento bancário de Consumo (um tipo de crédito pernicioso e imoral por natureza). O nível de beligerância interna, dentro do próprio Eu ascende a níveis insuportáveis que o levam à Loucura e à Psicose, pessoal e social. E a ânsia dos governantes para responderem às necessidades materiais crescentes dos seus governados conduzem à Guerra. Guerras por petróleo, guerras pelas melhores rotas e entrepostos comerciais, guerras pelos mais diversos recursos naturais, desde a água das guerras do futuro, ao Estanho, a primeira guerra peninsular entre gregos e fenícios. Não que a Guerra seja uma invenção da Globalização, claro… A Guerra existe praticamente desde tão cedo como a prostituição e encontrará as suas raízes no primeiro conflito que opôs dois clãs, algures no Paleolítico Inferior… Mas agora, a Guerra é “Moderna”, globalizada, mecanizada e decorre a um nível nunca antes antevisto nem testemunhado… É a guerra global das matérias-primas, motor e motriz de todos os conflitos que se sucederam ao fim das guerras ideológicas que terminaram com a Queda do Muro de Berlim e à qual ainda não sucedeu a fase seguinte: a da Guerra das Religiões e Culturas que se adivinha para o século seguinte…

É este centro esmagador que urge remover do centro das nossas vidas como primeiro passo para a libertação do indivíduo e das sociedades. Este centro desumanizado e desumanizador foi imposto pela culturas nórdicas e germânicas que desceram das frias paragens nortenhas e ocuparam não com o gládio, mas com o comércio e o câmbio as planícies mediterrâneas. Esta vida encerrada nestes estreitos limites materiais e traumatizantes porque leva o Homem a acreditar que a Felicidade vem da Satisfação de todos os Desejos e que cria uma Sociedade capaz de multiplicar infinitamente os desejos através da industria publicitária. É este ciclo Produtor-Consumidor que através da fabricação e enfabulação de Desejos nos leva a permanecer num papel passivo e alienado de consumidores que deve ser quebrado para que o Quinto Império possa primeiro ser instaurado nos nossos corações. Primeira condição essencial, para que depois este possa se estender ao mundo exterior e cumprir as profecias de António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva…

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O Esboço Agostiniano de uma “Confederação Lusósofona”: Fases, Capital e Adesão Final de Portugal

Como confessou em certa altura ao seu neto, Pedro Agostinho da Silva, o professor Agostinho sonhava com a fundação de um “Quinto Império” formado num primeiro passo pela reunião daquelas que – na época em que o pensou – eram ainda as parcelas do império colonial português, tornados independentes, com o Brasil. Nesta primeira fase, o professor não esperava que Portugal pudesse juntar-se a esta entidade, já que se debatia ainda com um regime ditatorial perverso e destituído de visão estratégica e de longo prazo… Esta proto-entidade poderia começar como uma entidade de teor meramente linguístico, passando depois a uma aliança económica, e posteriormente a uma entidade confederativa (forma de associação preferida por Agostinho em relação à federação). A sua sede deveria assentar em Cabo Verde, de forma a obviar qualquer pretensão hegemónica por parte de Angola ou do Brasil, ou dois maiores constituintes desta Confederação Lusófona, aqui, em Cabo Verde, deveria funcionar um órgão consultivo ou deliberativo comum à confederação.

Portugal entraria nessa Confederação numa fase final… Quer porque estava ainda sujeito a um regime colonialista (década de 50), quer porque só assim se poderia garantir que entrava com a mesma posição de influência relativa que os demais países confederados, mas a sua entrada seria vital para permitir o acesso económico e cultural da Confederação aos países europeus e do norte de África.

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“Portugal” como um Verbo, uma acção ou movimento para algo ou para algum lugar

A palavra “Portugal” designa na sua mais profunda e radical essência não somente um substantivo ou nome de coisa, como o “Porto do Graal” do selo afonsino, mas, também, um verbo. Um motor para algo de que o Porto é apenas um ponto de partida. “Portugal” é assim neste contexto uma coisa radicalmente diferente de todos os países europeus e de quase todos os países do mundo, já que estes nas suas matrizes culturais fundacionistas encontram sempre o estabelecimento de um território, rico ou não, mas sempre ponto de chegada para os seus destinos grupais. Portugal, é pelo contrário, um Verbo. Não um ponto de chegada, estático e imóvel como a imóvel e central França, nem como a robusta e abastada Alemanha e nem sequer como a isolada e autóctone Inglaterra (que Grã-Bretanha é coisa virtual e virtualmente inexistente). “Portugal” é um Verbo porque designa acção, movimento para um além que se sabe distante mas que se serve de justificação da própria existência e do mais profundo do seu Ser… É como se Portugal e os portugueses tivessem sido forjados pelo forno da História não para ocupar um dado território, nem para alcançar um certo patamar de desenvolvimento tecnológico e económico, mas para moverem o mundo numa dada direcção… Primeiro para sul, recuperando para a Cristandade as paragens sulistas ocupadas pelo invasor muçulmano, depois, ainda mais para sul, para o reconhecimento da costa africana e das ilhas atlânticas, e depois para a Índia e para o Brasil.

Portugal só pode existir enquanto tal, enquanto “verdadeiro Eu”, enquanto se sentir motivado por um grande desígnio e plano que ainda que possa parecer irrealizável, lhe sirva de mote para a acção. Viver, como se vive hoje em Portugal, escravizando a nação aos ditames contabilísticos embrutecedores e entediantes da eurocracia de Bruxelas é matar a alma portuguesa, forjada para voos muito mais altos… Forjada para unir – num primeiro passo – todos os povos de língua portuguesa numa única entidade supranacional e – posteriormente – todos os de língua latina, formando o protoplasma que mais tarde unirá todo o Globo numa única entidade supranacional, mas muito diversa daquela que os arquitectos malévolos do Bilderberg e da Globalização neoliberal querem impor: uma entidade paritária, multinacional e multilíngua, mas assente nas liberdades das comunidades locais, prósperas e autónomas, respeitadoras do Ambiente e dos Direitos humanos e opositora do “governo das multinacionais e das Corporações” e dos grandes grupos e interesses financeiros que hoje efectivamente administram o planeta por detrás da ficção que são os regimes parlamentares “democráticos” que fazem elejer em campanhas eleitorais cada vez mais caras, mediatizadas e superficiais…

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Sobre o “Progresso Tecnológico e o “Desenvolvimento Humano” e da falta de compatibilidade entre ambos nas sociedades globalizadas da actualidade

A época contemporânea criou nas mentes humanas a confusão entre os conceitos de “progresso tecnológico” e o de “desenvolvimento humano”. Na verdade, ambos não são sinónimos e podem – frequentemente – andar bem separados… O progresso tecnológico, cujo apogeu provável se vive hoje devia produzir tempos de lazer mais prolongados do que nunca, mas ao invés, vemos multiplicarem-se as pressões globalistas para aumentar a jornada de trabalho diária, para reduzir as férias, os períodos de descanso e repouso semanal, etc… Como sempre as multinacionais e os grupos de pressão neoliberais que incapazes de reunirem forças bastantes para formarem partidos preferem agir na rectaguarda e financiar os partidos do sistema procuram sob ameaça da deslocalização reduzir os tempos de lazer… E nestes, impõe mecanismos de docilização e de desestimulação do Pensamento, de forma a produzirem turbas amorfas e permeáveis ao “pensamento único” que infiltram sob todas as formas nas sociedades… Não pretendem forjar uma raça de pensadores e conversadores, mas uma raça de consumidores acéfala e submissa aos ditames neoliberais e sempre constrangida pelo medo do Despedimento e das reduções salariais… O Pensamento e a liberdade para o produzir que devia advir da crescente mecanização da Produção são malbaratados e desperdiçados na produção de ainda mais riqueza para um número cada vez menor de mãos, um fenómeno especialmente agudo nas chamadas “economias emergentes” do Oriente, mas sobretudo na Índia e na China, um uma riqueza renovada tem correspondido a uma redução dos direitos laborais e humanos quase sempre generalizada.

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Sobre o abastardamento do conceito de “Quinto Império” cometido aquando da realização material do “império português”

Sejamos claros. Portugal é – como já escrevemos – mais do que um Substantivo, uma Coisa Material e uma realização material, mas sobretudo um Verbo, um sentimento de movimento para uma forma de organização que as profecias de Bandarra, Vieira e Pessoa. O Movimento Quintano, com a sua proposta de relançamento do conceito de Quinto Império pretende ser uma cristalização destes conceitos agostinianos e contribuir para o cumprimento da missão portuguesa de ligar o Ocidente ao Oriente, pela via pacífica, da coesão humanitária e do respeito pelo Homem e pela Liberdade e re-ligar aquilo que a Geografia separou, cumprindo enfim o legado dos descobridores que depois os impulsos inquisitoriais e capitalistas de Dom João III haveriam de corromper.

Com efeito, o “império português” forjado no Oriente a golpe de espada e a tiro de canhão por Albuquerque e Francisco de Almeida é já uma deturpação dos princípios que levou o povo e as gentes portugueses a participarem nos irrealistas, mas motivadores projectos henriquinos de reconhecimento da costa africana e de procura de um caminho para a Índia. Estes portugueses de quinhentos e seiscentos que construiram, primeiro no Oriente, e depois no Brasil, o dito “império” foram exploradores de recursos naturais, mas também explorados e manipulados por um “capitalismo régio” e por hostes de mercadores germânicos sediados na Flandres cuja cupidez e explosiva riqueza alimentavam com o seu próprio sangue e ardor combativo. Este Império “real e corpóreo” foi aquilo que fez efectivamente perder Portugal, não o desastre de Alcácer Quibir… Ao procurar ser algo que não podia ser, porque incompatível era com a Alma Portuguesa, os portugueses cometeram o supremo pecado de agirem contra a sua mais profunda essência: o motor espiritual que levou Portugal, essa ideia e não um país, para o Oriente em busca de uma realização terrestre de um princípio imaterial e espiritual que o sentir popular de então, e Bandarra e Vieira depois proclamariam ser o “Quinto Império”.

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Agostinho da Silva: “É claro que eu acredito no Quinto Império, porque senão o acto de viver era inútil.”

“Eu sinto-me cada vez mais apaixonado,

mas por coisas que a matemática não prova que existam. (…)

É claro que eu acredito no Quinto Império,

porque senão o acto de viver era inútil.

Para quê viver se não achássemos que o futuro vai trazer-nos uma solução

que cure os problemas das sociedades de hoje?”

Agostinho da Silva, 1997.

Neste poema, Agostinho define aquilo que deve nortear as nossas vidas, se as queremos manter realmente vivas e não pretendemos desmerecer a inteligência que nos foi concedida. Em vez de vivermos como vegetais, consumindo cega e acéfalamente produtos e serviços de cuja necessidade a máquina de marketing das multinacionais e as televisões nos fazem convencer de que precisamos absolutamente para sermos “felizes”, precisamos de definir um “Norte” para a nossa vida e encontrar um rumo, superior, frequentemente e provavelmente necessariamente irrealizável a curto prazo ou que até pareça de todo irrealizável. Esse mote é para nós, o cumprimento das profecias da instalação de um “Quinto Império”, fraterno, coeso, mas multiforme e tolerante e que conceda a primazia às comunidades locais, às empresas unipessoais e de pequena e média dimensão, contra as frias e tenebrosas grandes corporações multinacionais. É o caminho para esta nova sociedade que devemos percorrer, sem ignorar as dificuldades impostas pelas poderosas e multimilionárias forças da Globalização.

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Propriedade Comunitária e Economia Cooperativista: a Alternativa

No pensamento agostiniano, o Homem não pode cumprir o seu verdadeiro destino sem realizar a sua dimensão ética, e nesta, a sua integração na comunidade. Assim, a realização pessoal é apenas cumprida através da realização da comunidade onde está integrada. Mas esta comunidade não deve ser uma comunidade “nacional”; isto é, estendida a todo o território nacional. Por “comunidade”, Agostinho entende sobretudo a comunidade local, municipal e intra-individual. Assim, não é preciso para que o projecto agostiniano se cumpra a extensão a todo o território nacional do projecto da realização do Quinto Império. Basta que um grupo de individuos se junte, funde algures uma comunidade seguindo estes princípios de liberdade, de pedagogia, de economia e se mantenha fiel aos mesmos. Agostinho da Silva encontra nestas comunidades refundadas segundo o modelo medieval português a salvação para a existência desumanizada imposta pela economia “moderna” com as suas obsessões privadas pela “propriedade”, não que esta deva ser abolida, mas sim prescindida voluntariamente e certamente que deve ser desfavorecida em favor de mecanismos que propiciem a propriedade comunitária. Agostinho da Silva favorece a propriedade comunitária e a economia cooperativista que funcionava tão bem nos municípios medievais portugueses.

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Os Princípios Agostinianos para uma “Sociedade do Futuro” (Quinto Império)

Agostinho elege a vida comunitária – ainda sobrevivente nalgumas aldeias portuguesas no século XX – e comum nas cidades e aldeias portuguesas medievais como o ideal de vida económica. O professor renega a propriedade privada, uma invenção das civilizações urbanas do Crescente Fértil, como uma forma de opressão, mas não alinha pela perniciosa e potencialmente perversa “propriedade colectiva” advogada pelos vários Estalinismos da História… Em sua alternativa propõe a generosidade, a não-propriedade, a comunhão harmónica e não-destrutiva com a Natureza e a abstenção de todas as formas de vida sujeitas à “Produção” e à “produtividade” anglo-saxónicas e germânicas e obcecadas como castrador e limitativo conceito de “Lucro” e “Crescimento”. Estes seriam – grosso modo – os princípios agostinianos para a sua sociedade do futuro à qual nós designamos de “Quinto Império”.

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Agostinho da Silva: “A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio”

…porque só há homem, quando se faz o impossível”

Nesta curta e lacónica, mas profunda e pensativa frase, resume Agostinho aquela que a parte mais importante do seu sistema de pensamento político-social… A prioridade que deve ser dada à “revolução interior”, à alteração e transmutação do Ser e da Alma do indivíduo que queira estender ao mundo concreto e exterior o “Quinto Império”. Aqui, dentro das fronteiras interiores deve começar um trabalho de coerência e consistência de comportamentos e atitudes que deve ser posteriormente a base para a aplicação exterior dos princípios de comunidade, tolerância e criatividade que servirão depois para a fase exterior e operativa da aplicação e instituição do Quinto Império no mundo.

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Do motor da Alma Portuguesa e lista sumária dos paralelismos a “Quinto Império” na Tradição portuguesa

A mais profunda e verdadeira essência da Alma Portuguesa reside no espírito universalista, forjado em época pré-históricas e históricas pelo cruzamento de tantas e tão diversas raças e credos nesta finisterra peninsular e reforçada pela primeira vez de forma determinante e fundacionista no reinado de Dom Dinis por via de uma interpretação local das doutrinas joaquimitas das Três Idades, correspondendo o Quinto Império ao Reino do Espírito Santo, profetizado por Joaquim de Flora e de forma diversa, mas idêntica pelas Trovas do Bandarra, pela Sétima Idade de Fernão Lopes, pela Ilha dos Amores de Luís Vaz de Camões e pelo “Quinto Império português” do padre jesuíta António Vieira.

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Diálogo com Rodrigo Borges sobre o Movimento Quintano

Este é o diálogo mantido com Rodrigo Borges e aqui reproduzido com a sua autorização sobre a essência, natureza e objectivos do Movimento Quintano. Fica aqui publicado o artigo de forma a aproveitar o enriquecimento de ideias que este interessante diálogo produziu e a divulgar os conceitos radicais e inovadores que estão por detrás daquilo a que temos chamado de “Movimento Quintano”, e que pretende tornar reais os conceitos políticos e sociais advogados pelo professor Agostinho da Silva e pelo economista E. F. Schumacher:

Rodrigo:

“No que consiste aderir ao Movimento Quintano? Ao meu ver uma união entre Portugal e Brasil, obrigaria Portugal a deixar a União Européia para não desestabilizá-la!”

MovV:

“Bom Dia,
Mais do que destabilizar, a União Brasil-Portugal iria Quebrar a União Europeia, fazendo sair dela Portugal (que nunca nela teve de facto lugar, económica e culturalmente) e procurando depois cativar os demais países mediterrânicos e latinos, Galiza numa primeira fase e Catalunha, Itália e as demais “Espanhas” (porque as há várias) depois…”

Rodrigo:

“Infelizmente não creio que Portugal faça alguma falta significativa à UE, uma União Latina, seria excelente, mas tremendamente difícil, creio que primeiro seja necessário haver a união da América Latina como um todo e outra União independente entre os Latinos Europeus, falando como Latino Americano que sou, jamais aceitaremos uma neocolonização européia, não preciso dizer os enormes estragos que vocês fizeram neste continente, portanto é razoável e compreensível de se esperar que nós também estejamos totalmente dispostos a desprezá-los ou explorá-los com o mesmo afinco com que nos fizeram no passado.”

MovV:

“Não fazemos… Como mercado, somos poucos (apenas 10 milhões). A “União Latina” seria apenas a última fase do projecto gisado na década de 60 pelo professor Agostinho da Silva quando vivia em Brasília. A primeira fase começaria por uma União Brasil-Portugal ou Portugal-Galiza, bem mais possíveis de cumprir que a muito ambiciosa e irrealizável a curto prazo “União Latina”. Fizemos estragos, claro… Como os romanos fizeram a nós no seu devido tempo, os invasores almorávidas de Marrocos, ou… Mas isso é restringirmo-nos ao aspecto negativo das relações entre os povos. Os portugueses nunca fizeram genocídios massivos como os castelhanos e conseguiram esse grande milagre de dar ao Brasil as condições para se manter uno e de ser hoje em potencia uma das maiores potencias mundiais… O grande exemplo que esta união poderia dar ao mundo seria a de uma união paritária, sem centralismos e com todas as partes vivendo em sã harmonia. O Portugal de hoje não é colonialista nem é temido por ninguém. E o Brasil é (apesar de tudo) um exemplo mundial de integração racial (o que se deve em boa parte tb à herança portuguesa e à sua tradição de tolerância racial).”

Rodrigo:

“Imagine o Brasil gigantescamente maior que todos os 27 países da UE em população, extensão e riquezas/recursos naturais, minerais etc., passar da noite para o dia a ter o EURO como moeda!”

MovV:

“O Euro só interessa às multinacionais e às economias do norte da Europa. Não a países como Portugal… Aliás, acreditamos nas virtudes das moedas locais (municipais) embora deva existir uma moeda transnacional, como o Euro ou o Dólar… Uma União Brasil-Portugal poderia adoptar uma ou outra para as suas relações comerciais com o exterior, mas a economia “real” e interior seria erigida em torno de moedas locais, como a “vossa” Palmas.”

Rodrigo:

“A questão é se Portugal está disposto a abrir mão do seu orgulho para virar apenas um apêndice do Brasil, mesmo que Angola e Moçambique também venham a fazer parte do reino, Brasil continuará sendo seu centro, na verdade mesmo que todas as nações Latinas se unam, pois somos a maior nação Latina do Mundo. Se um dos objetivos do Movimento Quintano é propor uma união Política, Militar e Econômica entre todos os povos Latinos, acredito que seja mas fácil começar pela econômica, com uma UL rival da UE. Podemos aprender muito com o exemplo da UE. Mas acredito que o futuro da Europa é a própria Europa completamente unida para rivalizar com China e EUA, e portanto acredito que o futuro da América Latina é a própria América Latina, uma ULA (União Latino Americana), isso não impede de ambas as organizações se apoiarem mutuamente principalmente na ciência, cultura e desenvolvimento econômico.”

MovV:

“Que orgulho?… Os portugueses são dos povos menos orgulhosos do mundo… e ainda bem! Admito que possa haver alguns portugueses com o dito, mas da nossa parte não o temos… Não nos choca (e a mim particularmente que escrevo estas linhas) ver Portugal integrado numa federação paritária com o Brasil, mas preservando a matriz essencial, que é a da federação de municípios e diluindo fortemente as competências dos Estados e, sobretudo, de Brasília e Lisboa, na soberania democrática representada pelos Municípios, na boa tradição medieval (Dom Dinis) portuguesa. A Federação Europeia é uma ideia defunta… Não existe uma noção de “nação” nem a coesão bastante… Existem apenas “interesses” por vezes em colisão… Não auguro nenhum futuro a esse projecto.”

Rodrigo:

“Jamais UE aprovaria uma coisa destas, abrir as fronteiras e ter uma cidadania completa como os Portugueses dentro da UE pior ainda, liberdade de locomoção e residência dentro da UE, uma piada.

Sendo assim, creio que as vantagens para Portugal numa eventual união com o Brasil são excelentes, em quase todos os sentidos, a única maneira ao meu ver de Portugal aparecer no cenário mundial, mas não dá para negar que o Brasil seria o centro do Reino, Portugal teria que se contentar em ser apenas um território de Ultramar do Brasil, somos quase 200 vezes o tamanho da população de Portugal, mas apesar de tudo ainda acho melhor para Portugal se unir conosco do que com a Espanha, em termos de cultura, língua e etc… Se é para ser engolido por outra nação que seja pelo menos numa de mesma língua.”

MovV:

“De facto. Projectaria mais do que Portugal, a própria lusofonia, daria ao mundo um exemplo de como dois países tão distantes podem formar uma entidade estável, pacífica e pólo de desenvolvimento humano e económico. A integração segundo o modelo simples Brasil-Portugal daria ao primeiro um peso esmagador, é certo, dada a sua dimensão comparativa demográfica e economicamente falando. Aliás, outra coisa seria puro colonialismo… Mas esta União seria apenas o primeiro passo de outras uniões lusófonas e depois de outras União latinas… Este é o essencial do projecto de Agostinho da Silva, aliás. Uma entre várias… E o peso do Brasil seria diluído porque a União regressaria ao Povo, as entidades municipais seriam o principal centro de poder e administração e os Estados centrais (ou federais) perderiam competências e poderes para os municípios… Assim se diluiria o peso de uma parte frente às demais… É que não haveria nem “Brasil”, nem “Portugal”, mas federações de municípios livres e semi-independentes, portugueses e brasileiros…

Rodrigo:

“Já pensaram aonde seria a eventual Capital? São Paulo a maior cidade talvez, não creio que portugal esteja disposto a ser absorvido pelo Brasil, mas por outro lado milhões de Brasileiros mudariam a face de Portugal, pelo menos estaria resolvido o problema da baixa taxa de natalidade e a reposição da população.”

MovV:

“Provavelmente a melhor opção seria estabelecer uma capital rotativa, ou como sugeriu em tempos Agostinho, fundar a capital em Cabo Verde…. E sim, consideramos que a emigração pode ser uma solução válida para o problema do decréscimo demográfico português. Mas não uma solução definitiva, mas apenas provisória… É que acreditamos que cada povo deve poder crescer e desenvolver-se no seu próprio território, e por território quero dizer, a sua cidade, não o seu país, já que defendemos a primazia das Economias Regionais sobre as Nacionais ou Estatais.”

Rodrigo:

“Quais as vantagens para o Brasil? Tirando a nossa moeda passar a ser o Euro também como em Portugal, o que duvido muito que algum dia aconteça. Particularmente não vejo mais nenhuma. Passaporte para a Europa duvido.”

MovV:

“O Brasil teria um pé na Europa, dar-lhe-ia um papel renovado de importância no mundo, abrir-lhe-ia os mercados ricos do norte da Europa e enfim… tornaria o Brasil (de facto a União) numa das maiores potencias económicas, políticas e militares do mundo…”

Rodrigo:

“Infelizmente há um exagero aqui, Portugal e Brasil juntos não aumentariam significativamente o PIB do Brasil, pelo contrário o Brasil é que aumentaria do PIB de Portugal como este jamais sonhou desde a nossa Independência! Militarmente falando a mesma coisa! Agora em termos de cultura, educação, universidades, ensino e pesquisa, tecnologia e política, aí sim creio que seria enriquecedor para ambos, é por isso que estou disposto a aderir ao Movimento! Mas actualmente o Brasil está mais interessado em se unificar com o nosso próprio continente Sul americano. Necessitamos investir muito ainda em infraestrutura para integrar todo o continente, mas o Mercosul, está preste a englobar a União Andina e futuramente o México, será o protótipo para a união Latino americana, este é o nosso principal foco, primeiro econômico, depois político e militar, creio que o de Portugal também deva ser a UE.”

MovV:

“Haveria um aumento do PIB, mas este seria diluído dada a imensa massa demográfica constituída pela população brasileira, é verdade… Militarmente já não seria assim… A FAP alinha com meios superiores aos da FAB (infelizmente esta deixou-se ficar para trás nos últimos anos), os F-16 MLU, no mar, a nossa Marinha não sendo das melhores e maiores da Europa é muito significativa e em terra a experiência do Ultramar e em missões humanitárias (onde o Brasil está mais ausente do que devia, excepção feita ao Haiti) e a renovação de equipamento em curso também é significativa. A potencia militar resultante seria apreciável, parece-me a mim. E sim, concordo… A grande potenciação de uma União destas seria precisamente no aspecto Cultural. Aqui, no domínio da Investigação, da Educação haveria certamente um beneficio quase imediato nesta União… O Mercosul tem um enfoque demasiado economicista, parece-me, sendo como é uma espécie de “União Europeia” da América do Sul… mas é um projecto virtuoso, com pernas para andar… Mas a ideia que tenho é que está meio encravado ou bloqueado. Não é assim?”

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Do Decaímento presente de Portugal sob os padrões de desenvolvimento europeus

É impossível não reconhecer – pelos padrões do norte da Europa – uma decadência inegável. De acordo com esses padrões, Portugal não acompanha os seus pares europeus nem no comportamento da sua Economia ao longo dos séculos, pelo menos desde o século XVIII e sobretudo pelo nível de desenvolvimento humano da sua população… Algo parece comprometer o desenvolvimento da nossa Economia e a sua paridade civilizacional com o norte da Europa. Na verdade, ao contrário destes, Portugal não é efectivamente um “País”, ou um “Estado-Nação”, como uma França ou uma Inglaterra, Portugal é antes do mais uma “alma” ou “propensão do Espírito” para uma dada direcção. Por isso, Portugal só foi capaz de ombrear com os grandes da Europa (e vencer várias vezes as suas grandes superpotencias) porque no período dos Descobrimentos e depois, no da Expansão, foi uma “ideia”, um “movimento para”… Sem um projecto nacional, ora de “Descobrimento do Caminho” ora de “Reconhecimento do Brasil”, Portugal esmoreceu e tentando ser aquilo que não era nem podia ser… Decaiu.

Este processo de decaimento e de abastardamento da Alma Portuguesa, única na sua propensão para a auto-extinção e para o estabelecimento de um ecumenismo universal areligioso que ele somente foi a maior causa para o processo dos Descobrimentos. O estabelecimento em Portugal de formas de pensamento e administração estranhas e alienígenas como o centralismo régio, a Inquisição e a intolerância religiosa, assim como o cientismo parareligioso levaram os portugueses a reforçar o fenómeno da “Saudade”, de uma pulsão subconsciente para um regresso a um “Paraíso Perdido” primordial e mais feliz que Camões retratou na “Ilha dos Amores”, alegoria para um mundo novo que devia realizar a promessa da Terceira Idade de Joaquim de Flora: o Quinto Império ou o Império do Espírito Santo.

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Consumir é um “Acto Moral” e o critério de “Proximidade Geográfica” de Consumo

Cada acto humano deve ser um “acto moral”. Neste contexto, cada visita ao supermercado deve ser uma expressão da nossa moralidade implícita. Assim, devemos evitar consumir produtos fora-de-época, e que provenham de paragens distantes, como morangos fora de época ou amendoins da China. É que para além de neste acto estarmos a desfavorecer e a contribuir para a evaporação das quintas agrícolas locais e da região onde vivemos, estamos também a contribuir para o Aquecimento Global e aumentando o consumo de combustíveis que são necessários para transportar laranjas do Chile até ao Canadá ou Kiwis da Nova Zelândia até Moscovo… É perfeitamente possível produzir e distribuir produtos equivalentes localmente, sem a dependência das agroindustrias que por dumping e pelo marketing nos impõem – sem alternativas – estes produtos nas prateleiras do comércio.

De facto, o critério de “proximidade geográfica” deve ser um dos critérios dominantes dos nossos padrões de consumo. Quanto mais distante for a origem do produto consumido menos amigável para o Ambiente foi o seu transporte; quando mais distante for a sua origem, menos auxiliámos e potenciámos as economias locais onde estamos inseridos e que nos deviam alimentar em primeiro lugar.

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Agostinho da Silva: “todos os rios partem das mesmas fontes e que os aspectos diversos apenas advêm da diversidade dos caminhos”.

A industrialização, o avanço espantoso da robótica e da técnica permitem adivinhar um tempo em que todo o Trabalho humano, repetitivo e não-criativo tenha cessado. Ao invés do cumprimento desta promessa, o que vemos é uma crescente escravização do Homem, um acentuar das desigualdades em pleno clima de crescimento económico e à multiplicação das fomes e da miséria humana um pouco por todo o mundo… O mundo gera hoje alimentos suficientes, assim como riqueza bastante para confortar e eliminar todas as fomes e desigualdades sociais e económicas existentes, mas a sua própria existência em tal ritmo de expansão materialística indica um sério, profundo e irresolúvel falhanço do sistema que nos querem impôr como “alternativa única”: a Globalização neoliberal.

Existem alternativas políticas e económicas a este sistema asfixiante e plutocrático. A tecnologia pode e deve ser usada para o Homem e não contra ele, tornando-o num escravo mecânico ou numa “máquina de consumir”. As organizações administrativas e políticas podem ser simplificadas e reduzidas a um nível local e a um nível federador comum mínimo de forma a libertar o indivíduo de instituições que por via da coacção, da ameaça e da força façam impôr a sua vontade a todos, estrangulando a criatividade e a espontaneidade própria das gentes.

Todas as formas de expressão religiosa podem ser conglomeradas num ecumenismo que busque a sua mais profunda inspiração na comunhão de crentes profetizada pelo Culto do Espírito Santo e na sua capacidade de reunir judeus, muçulmanos e cristão nas mesmas cerimónias de culto, em locais partilhados e unidos num renovado espírito de parceria e comunhão estranho aos radicalismos que hoje infectam o mundo. Como escrevia Agostinho a propósito deste ecumenismo paraclético: “todos os rios partem das mesmas fontes e que os aspectos diversos apenas advêm da diversidade dos caminhos”.

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A perda da promessa, algures após o reinado de Dom Dinis


A promessa de libertação do indivíduo e das comunidades teria sido perdida após o reinado de Dom Dinis, sobretudo durante o fátuo reinado do ultracatólico Dom João III… As promessas entrevistas pela popularização do Culto do Espírito Santo ter-se-íam diluído temporariamente perante a pressão esmagadora dos interesses económicos do norte da Europa e dos seus padrões de desenvolvimento e organização impostos exógenamente a partir deste triste reinado… A uma civilização de Liberdade e Criatividade, procura-se impôr uma civilização de Organização e Sacrifício, procurando-se transformar a Alma portuguesa, cristalizando-a numa coisa imprópria e desvirtuada, em apenas mais um emulo das sociedades desalmadas, frias e materialistas do Norte da Europa. O Capitalismo, então sob a forma do “Capitalismo Real” torna-se o padrão económico e a autonomia legal e económica dos municípios é ferozmente reduzida. O declínio instala-se e amplas camadas populacionais, pressionadas por este incremento asfixiante do poder central, emigram para o Oriente e para o Brasil, procurando estabelecer neste últimos as mesmas comunidades livres que floresceram antes no interior de Portugal.

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Os Três momentos fundamentais do Culto do Espírito Santo: a Coroação da Criança; a Libertação dos Presos e o Bodo aos Pobres, todos recheados de significado e valor intrínseco.


(http://www2.recife.pe.gov.br)

O professor luso-brasileiro identifica no tríptico dos Painéis de São Vicente o testemunho maior da vivacidade e extensão do Culto do Espírito Santo no Portugal da Expansão, um testemunho amplificado nas comunidades locais pela extensa e ampla implantação local dos Cultos do Espírito Santo, com os seus triplos momentos fundamentais: a Coroação da Criança; a Libertação dos Presos e o Bodo aos Pobres, todos recheados de significado e valor intrínseco que – sumariamente – passaremos a abordar:

A Coroação da Criança: Representa a afirmação de que a Criatividade, a Liberdade e a Espontaneidade devem ser os valores fundamentais a cultivar no ser humano, de forma a potenciar o cumprimento da sua plena humanidade. Com efeito, a criança conserva estas três características na sua força mais ampla, e o papel da Educação convencional, escolástica e “memorista” tem consistido precisamente em anular essas características na criança e – depois – no ser humano. A Coroação representa também a exaltação do “jogo” e do “sonho”, contra o “trabalho” e o “cálculo”, castradores e redutores. Esta Coroação é uma proclamação da necessidade de inversão deste processo, de forma a cumprir na terra a profecia da Terceira Idade de Joaquim de Flora.

A Libertação dos Presos: A libertação de presos que se fazia nas cadeiras na cidade onde se celebrava o Culto representava o espírito de Perdão e a libertação das ferramentas de opressão e perseguição impostas pelos Estados modernos. Acto simbólico por excelência, esta Libertação representava também a Libertação do Homem dos ditames de um Estado distante e frio, incompreensivo das realidades locais e individuais e incapaz de reformar e reeducar aqueles que por comportamentos anti sociais se viam por detrás de barras.

O Bodo aos Pobres: O Bodo aos Pobres, uma refeição em que todos podiam partilhar livremente da refeição comunitariamente oferecida, era o símbolo ou a alegoria de um momento futuro em que todos os bens seriam usufruídos em comum, em que a noção de propriedade privada seria abolida a favor de propriedade comunitária e em que não se fariam distinção de credos, raças ou economias, mas se preservaria os individualismos e idiossincrasias de cada um, já que nelas reside a verdadeira liberdade e dinamismo das comunidades. Livres, mas coesos, os partilhantes do Bodo seriam uma pré-figuração do momento em que seriam suprimidas todas as limitações impostas pela miséria e pela fome, através do estabelecimento de sistemas económicos de produção e distribuição mais racionais e equitativos que os actuais.

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O Brasil, as Quotas e sobre a classificação racial da população brasileira

“O Brazil tem um grave problema com a pobreza dos negros, mas também é um exemplo da beleza da mestiçagem. Um exemplo que é importante.”

(…)

De facto, existem desde há muito tempo estudos que colocam o Brasil como o exemplo daquilo que daqui a cem anos será a população mundial, uma nova raça das raças, contendo em si mesma todos os traços de todas as raças humanas, mas também existem estudos que colocam este exemplo mundial de tolerância e coexistência inter-racial pacífica com um problema sério e continuado e que tem a ver com a presença constante da sua população negra nos escalões mais baixos da sociedade, e a população branca nos escalões sociais e económicos mais elevados…

“Para resolver este problema, o seu Governo pôr em marcha programas de discriminação positiva, que com o presidente Lula se estenderam ainda mais. Hoje, muitas universidades têm vagas reservadas para aqueles que procedem das escolas públicas e para negros. As quotas dos negros são objecto de feroz controvérsia. Em primeiro lugar, existem objecções de princípio. Maria Teresa Moreira de Jesus, uma poeta e escritora negra, explicou-as assim: «O racismo existe, desde como te tratam numa loja até à forma como te entrevistam para um trabalho, mas basear o acesso sob a forma da raça é outra forma de racismo».

(…)

Já por aqui escrevi sobre estas polémicas políticas de Discriminação Positiva… Escrevi a favor, por essa razão não me alongarei muito nesta tema, tanto mais porque não tenho sobre esta questão uma posição absolutamente firme e inflexível, mas mantenho o cerne da minha posição essencial: Ainda que sejam efectivamente discriminatórias sobre a base racial, introduzem mecanismos de correcção sobre velhos, mas vivos, desiquilíbrios históricos. Sendo negativas, porque podem introduzir algumas injustiças, são menos injustas do que não fazer nada ou deixar o rumo das coisas ao sabor do “mercado”. Na grande balança da Justiça Social, são preferíveis a não fazer nada… E sobretudo cumprem o grande princípio da Ética Utilitarista que tento seguir: a todos de acordo não com as suas capacidades, mas de acordo com as suas necessidades.

“Existe também uma dificuldade prática: numa sociedade tão mesclada e multicolor. Como se decide quem é negro? O problema surgiu de forma muito gráfica no recente caso de dois gémeos idênticos: Alex e Alan Teixeira da Cunha, que solicitaram um lugar na Universidade de Brasília e se inscreveram no programa de quotas. Alan foi aceite por ser negro, Alex foi recusado por não o ser.”

(…)

Se calhar porque o erro está em que as quotas não devem ser estabelecidas de acordo com “raça” (um conceito desactualizado e genéticamente difícil de determinar), mas sim de acordo com o verdadeiro objectivo da política: conceder quotas no Ensino aqueles que mais dificuldade tem em aceder ao dito: isto é, quotas por níveis de riqueza económica e não por raça… A medida seria menos polémica e isenta de acusações raciais, e poderia ser facilmente ser transformada de uma “política de quotas” numa muito mais saudável “política de bolsas”, abrindo também as portas a instituições de ensino privadas.

“Alguns dos movimentos negros do país, muito activos, preferem o termo afrodescendentes. Mas um estudo científico recente sobre o ADN mitocôndrico e nuclear mostrou que mais de 85% da população – incluindo dezenas de milhões de brasileiros que se julgam “brancos” – tem uma carga genética de origem africana de mais de 10% do seu genoma.”

(…)

Mais uma expressão da propensão portuguesa em se mesclar com mulheres de outras origens… Uma das primeiras decisões de Afonso de Albuquerque ao chegar à Índia foi também a mesma decisão de muitos colonos portugueses no Brasil que misturaram o seu sangue com as escravas negras que importavam de África… Este fenómeno não ocorreu nesta escala em nenhuma possessão colonial inglesa ou holandesa, e é essencialmente português e reflecte aquilo que ainda é hoje a “alma portuguesa”: multicultural e tendencialmente disposta a encarar o outro como seu igual… Ainda que a escravatura só tenha sido abolida no Brasil em 1888, o que prejudica um tanto esta imagem, mas mantêm a visão de excepção que aqui apresentamos.

“Os dados recentes do Instituto Oficial de Geografia e Estatística indicam que aproximadamente 50% dos brasileiros se consideram como “brancos”, um pouco mais de 40% como “castanhos”, cerca de 6% como “negros” e menos de 1% como “amarelos” ou “indígenas”. Num gesto cheio de audácia, os representantes dos movimentos negros, alguns apoiados por fundações norte-americanas, propuseram que toda a população não-branca se classifique como “negra”. Assim tudo seria mais simples: branco e negro.”

(…)

“Outros afirmam, horrorizados, que isto equivaleria a importar o pior da classificação radio de tipo norte-americana e negar a mestiçagem característica do Brasil. Se é verdadeiramente necessário que existam quotas de admissão em função da côr – algo que os tribunais dos EUA acabam de declarar discriminatório – pelo menos que se inspirem no método tradicional brasileiro de identificação.”

Mas havendo também 10% de genoma africana mesmo nos ditos “brancos”… Então afinal quantos brancos verdadeiros restariam na população? Zero? E se sim, concordamos com os tribunais americanos na essência discriminatória das quotas, discordamos quanto a medida é encarada como “correcção”, ou como “mal menor que corrige um mal maior”… Na impossibilidade de anular todo o sofrimento acumulado sobre as populações africanas trazidas para as américas como escravos, não temos hoje o dever moral de compensar um pouco deste sofrimento abrindo novas oportunidades que lhes permitam vencer essas limitações? Sim, acredito que temos… Mas havendo no Brasil uma quase impossibilidade de identificar “negros verdadeiros” (ou brancos, por sinal…) então o mais correcto seria estabelecer essas quotas não por raças, mas por… níveis de riqueza.

Fonte: Timothy Garton Ash; El Pais; 15 de Julho de 2007

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Da “Alma Portuguesa”, da Superação da Mesma e do… Quinto Império

“Se para nós é claro que a plenitude exige a nadificação das particulariedades do ser sujeito, o problema reside em se considerar uma nação como um sujeito e uma consciência individual, que pudesse usufruir todas essas possibilidades éticas, espirituais e místicas de sacrifício e oblação ao outro e ao absoluto. Cremos que isso é o remanescente da visão agostiniana de um excesso de paixão lusocêntrica que colhe das suas principais fontes – Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa – e que, se até certo ponto prejudica a sua desejada aceitação e universalidade, por isso mesmo tende a depurar-se e autosuperar-se na ideia de uma realização desse sujeito nacional que seria Portugal pelo servir o bem do mundo e, ao limite, pela dissolução anuladora e plenificante no absoluto subjacente ao próprio mundo.”
Paulo Borges in “Agostinho da Silva, Pensador do Mundo a Haver”

Sem dúvida que as nações ou comunidades humanas de escala diversa conseguem ter aquilo a que chamamos “alma”, “atman” ou “consciência colectiva”, numa visão mais jungiana da coisa… Um grupo de indivíduos, reunido sob o mesmo grupo de matrizes culturais, agregado sobre uma conceptualização do mundo única e distinta dos demais, assume um “karma colectivo” e logo, penso que podemos falar com toda a legitimidade de “alma nacional” ou neste concreto “alma portuguesa”…. Sendo que a dita tem essa estranha e exótica particularidade de ser uma alma universal e universalista que pela sua própria essência implica uma superação de si mesma, e logo, uma anulação e uma transferência para uma outra entidade espiritual superior e trans-nacional… É a isto que Paulo Borges se refere quando procura explicar um dos maiores mistérios do pensamento agostiniano: o sentir e o exprimir de Agostinho implica um “nacionalismo”, strictu sensus? Sem dúvida que esta leitura é a explicação da relativa popularidade de Agostinho da Silva entre alguns movimentos extremistas ligadas à vertentes ultra-nacionalistas da Direita portuguesa, mas em Agostinho encontramos coisa diversa… A tolerância religiosa e étnica transpiram em todos os textos e palavras de Agostinho… O multiculturalismo, a crítica aos ímpetos centralistas e imperialistas de Madrid e da “Europa da gente loira” são abundantes… Tudo isso contradiz essa interpretação redutora do pensamento agostiniano…

De facto, como bem aponta Paulo Borges, em Agostinho o “amor a Portugal” parece servir sobretudo como um catalisador para um estado ou patamar de desenvolvimento espiritual colectivo superior que tornaria a limitada, obsoleta e incompleta “alma portuguesa” num Nirvana colectivo a que autores como Vieira, Pessoa e Agostinho chamaram de… “Quinto Império”, ou seja, o patamar seguinte do desenvolvimento da alma colectiva portuguesa, brasileira e… universal.

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Dom Dinis e o Culto do Espírito Santo

O Culto do Espírito Santo foi introduzido em Portugal pela mão da “Rainha Santa”, Isabel de Aragão, esposa de Dom Dinis e através das suas relações com o místico aragonês Arnaldo de Vilanova e com as correntes menos ortodoxas do franciscanismo. É o mesmo rei português, Dom Dinis, que incentivava o culto do Espírito Santo, que recusa cumprir as ordens do Papa, verdadeiro lacaio do rei francês Filipe o Belo e rejeitando estabelecer uma perseguição e destruição sistemática da ordem templária. Este grito de revolta contra uma hegemonia castradora e imperialista das então superpotências papal e francesa, marcou decisivamente a independência portuguesa e criou as raízes para uma afirmação nacional que seria o fundamento para os Descobrimentos e para a Expansão com o papel dominante na Europa que Portugal haveria de ocupar entre 1500 e 1525, sempre sobre a batuta da Ordem de Cristo, forma transmutada da extinta Ordem Templária.

O apoio de Dom Dinis ao Culto do Espírito Santo nunca poderia ter frutificado como frutificou se não se desenvolvesse em terreno fértil… A população portuguesa mantinha ainda vivas as tradições pré-romanas de igualdade e fraternidade potenciadas por este Culto paraclético. O próprio “substrato de inquietação religiosa” que Paulo Borges reconhece na heresia lusitana e galega do Priscialinismo e que se exprimiria plenamente no Cancioneiro Galaico-Português e nas várias obras do Ciclo da Graal editadas entre nós durante o Renascimento e os Descobrimentos são expressões desse mesmo sentimento onde se desenvolveu o Culto do Espírito Santo. Este sentimento apelava à reunião do Homem com a Natureza, e diminuia o peso de uma “religião organizada”, tão romana e canónica, quanto informal e espontânea era a religiosidade profunda do português medievo. Este era o mesmo português que nos municípios assumia a liderança local, à propriedade comunitária e à instauração de uma rede de “repúblicas municipais” que floresceram particulamente bem durante o reinado de Dom Dinis.

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O Tecnocratismo e a Instrumentalização do Homem e da Natureza

Assistimos actualmente ao expoente de uma civilização tecnocrática que procura expandir a sua influência a todo o globo, a todos os sectores de actividade e a toda a acção humana. O Tecnocratismo assume a forma das religiões e dos rituais, e promove um espírito consumista do qual depende para subsistir e que considera todos os seres vivos, animais e plantas, como “coisa sua”, como meios para alcançar um fim, que é o da satisfação de todos os desejos (frequentemente induzidos pelo marketing e pela publicidade) do ser humano… Para o tecnocratismo, o Homem existe para Desejar Consumir e para cumprir esse desejo, consumindo sempre mais, reduzindo a humanidade à sua mais animalesca condição devoradora… Toda a vida é subalternizada em função do papel material. Toda a acção humana é instrumentalizada para servir este autofágico ciclo Produção-Consumo de que depende o tecnocratismo.

Mas o Homem não poderá nunca realizar-se na sua plenitude através do Consumo e da acumulação crescente de bens e equipamentos… A realização pessoal é necessariamente um fenómeno interior e espiritual, diverso do materialismo que constitui um dogma do tecnocratismo e, com ele, da Globalização neoliberal… O Homem só pode realizar-se espiritualmente, pela adesão ao infinito, através da supressão da dicotomia e do antagonismo Sujeito-Objecto que caracteriza a visão Ocidental das coisas e que as religiões orientais, desde o hinduísmo ao budismo bem souberam marcar e procurar suprimir reconhecendo a vacuidade da Maya e a possibilidade da Iluminação. Esta supressão da ilusão Eu-Outro, entendendo aqui o Outro não somente como o “outro humano”, mas todo o meio natural, composto por uma diversa, mas una multiplicidade de aparências e aspectos multiforme é aquela que é vivida nas comunidades “naturais” ainda existentes no mundo, no interior das selvas e nas extensões dos desertos. Nesse aspecto, o animismo e as religiões naturalistas como a greco-romana representavam uma aproximação entre o Homem e a Natureza ao estabelecerem pontes entre elementos naturalísticos divinizados e a presença do Homem no seu seio…

As divindades naturalísticas das fontes, dos rios e das grutas, tão comuns na mitologia pré-romana da Hispânia representam assim uma forma de comunhão e pertença na Natureza que o cristianismo malbaratou com a sua “religião solar”, centralizada e “romanizada” sob o ceptro imperial da “Santa Madre Igreja”. Pouco ficou da religião verdadeira pregada nos Evangelhos, depois de passada pelo crivo redutor e organizativo da Santa Sé… A espontaneidade, a liberdade e o pensamento cultivado sob a forma de alegorias e metáforas presentes nos ensinamentos de Cristo no Novo Testamento foram absorvidos e “doutrinados” pelos Padres da Igreja, reduzindo-os a “normas”, “leis” e “regras”, que acabaram por asfixiar a sua essência libertária e conciliadora entre o Homem e a Natureza. Com a Natureza reduzida à coisa que pode e deve ser usufruída pelo Homem, tornou-se possível a tentativa ocidental da sua domesticação e as decorrentes e cada vez mais frequentes e graves “revoltas” da Natureza, sob a forma das consequências da poluição, do Aquecimento Global, das doenças alimentares, da multiplicação das pragas e das doenças contagiosas… Em cada um destes fenómenos encontramos o grito da Natureza contra um Homem tecnocrático que insiste em encará-la apenas como um meio difuso e dócil para satisfazer os seus desejos materiais crescentes… Em vez de uma presença no mundo, pensadora e contempladora, os sequazes do tecnocratismo e da sua alienação suprema que é a globalização querem fazer do Homem em vez de pensador, devorador e em vez de contemplador, um monstro abominável de eterno antagonismo contra a Natureza e o Meio Ambiente.

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As comunidades “naturais”, o “regresso à Natureza” e a crítica agostiniana


(http://www.ifch.unicamp.br)

Agostinho da Silva, na sua fase de vida “brasileira” refere a descoberta de várias pequenas comunidades índias durante o século XIX e XX que viveriam ainda em plena “Idade de Ouro”, com uma economia recolectora perfeitamente integrada no meio natural, sem desigualdades sexuais ou económicas, sem a propriedade individual nem punições infantis. Nestas sociedades, Agostinho reconhece a inexistência de estruturas administrativas, nem de religiões organizadas. Nestas sociedades, os Homens seriam mais felizes, realizados e viveriam numa maior harmonia com a Natureza do que nas ditas “avançadas” sociedades ocidentais.

A partir de um dado momento na sua História, o Homem caiu deste “paraíso terreal” de equilíbrio psicológico e harmonia para um estado desarmónico com a Natureza e consigo próprio que deu origem às psicoses e neurores que hoje infectam as mentalides colectivas (Estados e Nações) e individuais. Para Agostinho o factor que potenciou essa “Queda” foi a Fome. A necessidade do estabelecimento da agricultura no neolítico, mais as decorrentes e necessárias formas de organização política e social que daqui decorreram, assim como uma crescentes especialização do Trabalho levou o Homem a constituir estruturas urbanas cada vez mais desumanas e mais produtivas. Destes aglomerados urbanos nasceu o Estado e com ele a Guerra. Desta centralização da vida humana nasceram os problemas que hoje contagiam todas as sociedades humanas e o crescente, criminoso e suicidário afastamento da Natureza que descambou no actual fenómeno do Aquecimento Global que ameaça destruir toda a vida no globo.

A Natureza é transformada em meio produtivo e a escravização da fauna e da flora produzem um número crescente de disfunções, de problemas sanitários de que a Scrappie, a Gripe das Aves e a crise das “Vacas Loucas” são apenas exemplos… A pedagogia do sistema organiza-se para formar legiões de operários e cidadãos dóceis e obedientes que perpetuem o estado acéfalo e repetitivo das coisas… Grandes estruturas organizativas são gisadas pelos vários autoritarismos, comunista e nazi e emulados nas ditas democracias ocidentais servindo o interesse de grupos económicos e financeiros cada vez maiores, mais poderosos e ricos e exercendo um poder cada vez mais omnipotente e subterrâneo…

Contra esta involução ergue Agostinho a bandeira de uma renovada sociedade humana, mas humana e menos mecanizada, mais espiritual do que as materializadas e obcecadas com o ciclo Produção-Consumo e incentivando a Espontaneidade e a Criatividade que caracterizam as crianças e permitindo a manutenção e o florescimento destas características no adulto. Agostinho assume assim a sua crítica a todas as formas de Trabalho, Disciplina e de ciência e esforço organizados.

Mas esta nova forma de sociedade não pode ser imposta exteriormente e de forma forçada nas sociedades modernas sem que ocorra uma crise generalizada… A transformação deve partir do interior – como sublinhava Agostinho – e deve estabelecer-se primeiro no indivíduo e em grupos de indivíduos que se consigam coligar e estabelecer comunidades livres e autonómas seguindo estes princípios… Os Estados não se devem transformar a partir do exterior, por via eleitoral ou ditatorial, mas a partir do seu interior, de dentro de cada cidadão, de cada pequena comunidade local, de cada cidade rural ou do interior e só depois crescer e desenvolver as suas potencialidades e – pelo exemplo – seduzir os renitentes e desconfiados.

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Agostinho da Silva: “O facto de alguém se reconhecer, por noção própria ou alheia, como ser excepcional, é dos elementos mais corruptores que se podem imaginar para a natureza humana”

“O facto de alguém se reconhecer, por noção própria ou alheia, como ser excepcional, é dos elementos mais corruptores que se podem imaginar para a natureza humana; fatalmente se misturam às relações com os outros as tintas da piedade que, não se confundindo com a caridade, é igualmente dos piores presentes que se podem fazer ao semelhante, ou as barreiras daquela solene distância, que já nos habituámos a considerar perfeitamente normal, da parte do génio ou do simples talento.”

Agostinho da Silva

A democratização das Escolas, no seu acesso e na essência dos seu ensino, pela abertura generalizada das mesmas a todas as camadas sociais foi uma das maiores vitórias da democracia portuguesa, mas produziu também um certo de padrão de nivelamento por baixo, de crítica ao mérito e de facilismo muito sensíveis… Aqueles que se destacam nas suas performances escolares são tidos como “marrões” (nerds nas escolas anglo-saxónicas) e são considerados anti-sociais sendo apenas marginalmente tolerados pelos grupos de alunos menos bem sucedidos e enclausurados em ghettos culturais e sociais que as novelas de jovens da TVI retratam muito bem de forma absolutamente inconsciente e involuntária… Estas excepções são realçadas no seu estatuto excepcional devido a um sistema curricular pesado, rígido e complexo que favorece a memória em lugar da criatividade e da curiosidade naturais em todas as crianças, enquanto que as virtudes da memória só surgem naqueles a quem a natureza dotou com maior generosidade… Importa restaurar um certo “aristocratismo” na regência das escolas, estabelecendo mecanismos de prémio ao mérito (bolsas de estudo e apoios financeiros familiares directos em todos os níveis de Ensino) e reduzindo a carga curricular e reorientando-a para produzir um número crescente de indivíduos excepcionais e cada vez mais livres e criativos, exteriorizando pela via das artes e da criatividade técnica as pulsões negativas naturais a estas fases do desenvolvimento psicológico e social humano.

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A Língua, a Matemática e a Arte: Os Três Pilares da Educação Agostiniana


(http://www.math.hmc.edu)

Embora não fosse grande admirador das instituições formais e ainda menos das eclesiásticas, Agostinho reconhecia na regra monástica da Ordem de São Bento a virtude de incentivar a autencidade das escolhas de actividades laborais dos monges. Seria esta mesma autenticidade que a Escola devia promover nas crianças, desviando o seu ensino das normas escolásticas que ainda o regem e retirando-lhe as funções paternalistas que tem ocupado nos últimos anos devido à retirada dos papéis morais e formativos dos pais numa sociedade cada vez mais materialista e desumanizada. A Escola deve assumir como principal missão a de despertar a curiosidade e o desejo de aprender, complementando estes com as mais básicas ferramentas: a aprendizagem da língua, da matemática e das artes… Tudo o mais será oferecido às jovens curiosidades despertas quando estas o pedirem, mas já depois destas estarem devidamente municiadas com os conhecimentos fundamentais de português e matemática… A extensa e prejudicial carga horária e disciplinar seria assim reduzida drasticamente, e a acumulação estéril de informação e conhecimento improdutivo seria abolida, a favor de um sistema educativo mais ágil e leve, mais propiciativo da inteligência, do que da memorização pura e estéril, por via da Arte e da Curiosidade criativa.

A criança não deve ser um futuro elemento da cadeia produtiva, acéfalo e dócil, mas um elemento activo, dinâmico, criador de riqueza mental e cultural, bastando-se a si mesma, sem ser dependente de consumismos e paixões induzidas pelos Media docilizados pelos grandes grupos económicos. A Criança não é um alvo dos interesses economicistas que regem o mundo globalizado, mas um foco do imenso poder criativo alojado na alma humana e que deverá levar o Homem até às Estrelas, assim queira ele aderir ao chamamento da Natureza e parar de a encarar como utensílio e meio para explorar e transformar a Natureza em “Res Humana” (Coisa Humana).

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“A boa saúde do sistema político norte-americano consiste em ter tornado realidade aquilo a que Karl Popper defendia ser o ideal de uma democracia: uma institucionalidade que impedisse que os governos pudessem fazer muito mal.”


(http://www.edugraphics.net)

“A boa saúde do sistema político norte-americano consiste em ter tornado realidade aquilo a que Karl Popper defendia ser o ideal de uma democracia: uma institucionalidade que impedisse que os governos pudessem fazer muito mal. Os Estados Unidos tiveram alguns maus presidentes, cujos erros deixaram sequelas dramáticas nos campos sociais, económicos e morais. Mas esta consequências podiam ter sido infinitamente piores sem o sistema de contrapesos, e sobretudo, sem a descentralização do poder, das suas instituições não poderia ter servido de travão e correcção para esses erros.”

Fonte:Mario Vargas Llosa; El Pais; 15 de Julho de 2007

É por esta razão, por esta essência descentralizada viva ainda na democracia dos EUA que presidentes imbecis como George Bush, pouco mais do que indivíduos com um grande carisma pessoal e totalmente manietados pelos grandes lobbies industriais e financeiros não conseguiram até hoje abalar a estrutura dos EUA. É certo que nunca como hoje estiveram tão ameaçadas as liberdades cívicas americanas, já que existem hoje leis e uma conduta do Estado que interfere, invade e coloca como nunca em questão as liberdades cívicas dos cidadãos dos EUA (um plano que estava já em marcha antes do 11 de Setembro, e ao qual este veio apenas dar justificação externa). As reduções de Liberdades, Direitos e da expressão cívica têm como maior objectivo transformar os EUA numa democracia descentralizada (nos Estados federados e, mais abaixo, nos seus municípios) numa plutocracia dominada pelas grandes multinacionais que elegem, entre si, os presidentes e que transferem os centros de Poder dos órgãos eleitos para os seus Conselhos de Administração.

Contra este movimento centralizador e autoritário do “Governo das Multinacionais”, avançando sob o pretexto da “Guerra ao Terrorismo” debatem-se os “liberais” norte-americanos (conceito distinto do europeu) e sobretudo, as muito dinâmicas e activas forças autonómicas locais… Com efeito, em mais nenhum lugar do mundo, os poderes dos Estados federados são mais extensos e amplos (compare-se p.ex. com a Federação brasileira ou com a Federação russa), e em poucos outros lugares temos municípios com tão ampla autonomia e capacidade de auto-gestão… Embora tenham dos maiores estados federais do mundo, nem por isso os EUA são das federações mais centralizadas, bem pelo contrário…

E deste sistema de governo norte-americano muitos ensinamentos poderíamos tirar… A descentralização é um dos seus maiores ensinamentos e a capacidade que demonstra para absorver líderes imbecis e marionetas de grandes interesses assemelha-se à capacidade que o império romano tinha para absorver líderes de igual qualidade… Sendo que no caso romano, esta capacidade assentava numa máquina administrativa e legal sólida, e que no caso americano, a solidez e flexibilidade do sistema assenta na descentralização estrutural e na partilha de poderes… Isto apesar de todos os ímpetos centralistas e autoritários (limitações da liberdade de expressão e escutas aos cidadãos) executados pela actual administração Bush.

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Agostinho da Silva: “quando cada um de nós for aquilo que é, teremos o Quinto Império.”

Agostinho acreditava que “as escolas devem deixar de ser máquinas de fabricar adultos passando antes a viveiros de conservar crianças” ou seja, em vez de inserir de forma mais ou menos violenta e forçada “conhecimento empírico e abstracto” nas mentes infantis e juvenis, as escolas deviam procurar preservar aquilo que de melhor têm as crianças que é a espontaneidade e a criatividade, mantendo e desenvolvendo estas características até à idade adulta. Será buscando em si, numa verdadeira aventura inteiro de Descobrimento e exploração que primeiro se cumprirá o Quinto Império interior, primeiro passo para a realização exterior das profecias quintanas. Como afirmava Agostinho: “quando cada um de nós for aquilo que é, teremos o Quinto Império.”

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