Bairro Portugal Novo

“Vamos lá a falar a sério: nas Olaias, na Freguesia do Alto do Pina, foram construídas as instalações dos Serviços Sociais dos trabalhadores da Câmara Municipal de Lisboa. Estes serviços foram criados em 2003 e a construção das suas instalações e sede foram decididas em 2005. A construção do imóvel foi então orçada no valor de 7,5 milhões de euros

Nada a dizer, não fosse este investimento servir agora como cortina para ocultar uma cooperativa de habitação que pede o auxilio e a intervenção da Câmara Municipal de Lisboa há mais de 20 anos. A mesma cidade, múltiplas prioridades. Uma capital, dois sistemas. A história do Bairro Portugal Novo conta-a Marina Almeida no Diário de Notícias de 14 de Novembro de 2006: “O bairro foi construído em terrenos da Câmara de Lisboa há 24 anos por uma cooperativa que faliu passados sete anos. Desde então, ninguém paga renda e impera a lei do mais forte.” (…) “A pessoa aqui vai à terra e quando volta tem a casa ocupada ou vandalizada, se vai um velho para o hospital doente fica logo alguém à porta à espera que ele morra para ocupar a casa.” Zélia Mascarenhas, 65 anos, mora há 23 no Bairro Portugal Novo, nas Olaias. Resume numa frase a tensão diária que ali se vive – nas traseiras da esquadra da PSP, do Hotel Altis Park, paredes meias com a encosta das Olaias, em que o preço de algumas casas pode chegar aos 500 mil euros.”. . Os autarcas ignoram-no. Está tudo chamuscado de pequenas fogueiras junto das empenas dos prédios e nas entradas. Não existe um canteiro, um parque para as crianças brincarem, uma bica de água, um banco na sombra de uma árvore. O que há são janelas e portas entaipadas ou completamente destruídas, lixo espalhado por ruas que nem ruas são. Dura isto há vinte anos. Em 2005, o vereador do Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, apresentou uma proposta para reabilitação do Portugal Novo, entre outros bairros”

 


 

C Â M A R A M U N I C I P A L D E L I S B O A

GABINETE VEREADOR SÁ FERNANDES

PROPOSTA Nº 801/2005

1. Considerando a proposta nº 699/2005, apresentada na passada reunião da Câmara Municipal de Lisboa de 16 de Novembro de 2005,

3. Considerando o relatório elaborado a 15 de Julho de 2004, pela Câmara Municipal de Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil e Instituto Nacional de Habitação, sobre o Bairro Portugal Novo e outros, que junto se anexa,

4. Considerando que o referido relatório considera que é “possível transformar a actual realidade urbana e residencial numa realidade com sinal claramente positivo”,

5. Considerando que o mesmo relatório considera que é “igualmente provável haver viabilidade, também, económica, nesta acção”, de forma a configurar uma “situação residencial recomendável”,

6. Considerando que para tanto o referido relatório aponta uma série de tarefas prévias sobre a matéria,

7. Considerando que o relatório também considera que é dos resultados de uma “análise cuidadosa da situação que deverá resultar um programa circunstanciado que caracterize, com o máximo pormenor, a intervenção derequalificação urbana, edificada e doméstica” da zona,

1. Que a Câmara Municipal de Lisboa leve a efeito o levantamento ponderado das situações dos bairros das Cooperativas Bairro Horizonte,

Portugal Novo,
Unidade do Povo,

25 de Abril e

Associação de Moradores de Lisboa Nova,

acompanhado de um inquérito à satisfação dos residentes, conforme recomenda o relatório em anexo.

2. Face ao conjunto de anomalias das quais se destacam as que afectam a envolvente exterior, e com o objectivo de enquadrar de forma adequada um projecto de reabilitação que deverá permitir a beneficiação funcional e a reparação das anomalias construtivas dos edifícios, a Câmara Municipal de isboa proceda à tipificação e identificação das causas das referidas anomalias, conforme igualmente recomenda o relatório em anexo.

3. Que, uma vez que este conjunto habitacional deve ser objecto de uma profunda e eficaz acção de requalificação que vá do espaço urbano público, ao espaço comum do edifício e a alguns espaços domésticos – destacando-se, a este nível, a provável existência de fogos com uma única orientação, que poderá ser bastante negativa, a Câmara Municipal de Lisboa sobre esta matéria proceda a um estudo pormenorizado, conforme também recomenda o relatório em anexo.

4. Que os referidos estudos sejam elaborados e concluídos no prazo máximo de três meses.

5. Que se inicie desde já a respectiva negociação com o Instituto Nacional de Habitação sobre a problemática referente à propriedade dos imóveis em questão

– Câmara Municipal de Lisboa ou Instituto Nacional de Habitação – e à dívida ao Tesouro.

Lisboa, 23 de Novembro de 2005

José Sá Fernandes


O presidente da Junta do Alto do Pina defendeu a realização de uma reunião com a Câmara de Lisboa para discutir uma solução para o Bairro Portugal Novo, nas Olaias, depois dos disparos que ocorreram domingo na zona.

A PSP não registou «qualquer tipo de incidente» durante a noite e madrugada. O oficial de dia da divisão da PSD das Olaias adiantou que permanece na área it a força policial considerada «necessária e adequada».

Fernando Braamcamp revelou à agência Lusa que já informou o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, sobre os incidentes e o autarca mostrou-se disponível para uma reunião no sentido de se resolver a situação do Bairro Portugal Novo.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia do Alto Pina, o Bairro Portugal Novo «é um problema que já devia ter sido resolvido pelos organismos próprios: Câmara Municipal de Lisboa e Secretaria de Estado do Ordenamento do Território». O bairro encontra-se, na sua opinião, «degradado», não existindo «qualquer autoridade responsável pela sua manutenção».

«É um bairro que tem cerca de 25 anos, mas como não tem administração foi sendo ocupado por africanos e por pessoas de etnia cigana», frisou, explicando que os disparos ouvidos ao final da tarde naquele bairro foram motivados por uma disputa relativa a uma habitação.

A polícia manteve-se no local durante a madrugada, mas os problemas ainda estão por resolver. «Não lhe garanto que nos próximos dias não hajam actos de vingança», acrescentou o presidente da Junta.

O Cometlis esclarece que depois da PSP ter recebido vários telefonemas a relatar disparos com armas de fogo, «fez deslocar para o local vários meios policiais para pôr cobro à situação e repor a ordem e a paz públicas». Segundo o comunicado, os agentes da polícia que se deslocaram ao local ouviram ainda «sons de deflagrações por arma de fogo», tendo as Equipas de Intervenção Rápida da PSP efectuado «disparos para o ar, como meio de intimidação».

A polícia ordenou ainda o «fim da contenda e a suspensão imediata do arremesso de pedras entre os contendentes». O Comando Metropolitano da PSP de Lisboa contou ainda com o reforço por parte da Unidade Especial de Polícia, através do Corpo de Intervenção, refere o comunicado.

From <http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/olaias/tiros-bairro-portugal-novo-e-um-problema>

 


Petição 283

Pela MUNICIPALIZAÇÃO do Bairro Portugal Novo

From <http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PortugalNovo>

No Programa de Governação para a Cidade do actual mandato da Câmara Municipal consta a medida: “Intervir, no que toca à reabilitação sistemática, em áreas específicas da cidade que, por razões sociais, de degeneração do edificado, de isolamento, da falta de infraestruturas, ou ambientais, constituam zonas urbanas isoladas ou segregadas, à margem do resto da cidade, nomeadamente: (…) o Bairro Portugal Novo na freguesia do Areeiro”.

Assim sendo os subscritores desta Petição apelam

à Assembleia Municipal que recomende à Câmara Municipal que:

1. pressione o Governo por forma a que este encontre uma solução definitiva para a situação patrimonial do Bairro Portugal Novo, nomeadamente pela transferência da propriedade para o município

2. faça um cadastro por forma a saber quem são os habitantes de cada fracção do Bairro

3. Que inste a CML a começar, tão cedo quanto o possível, obras de recuperação do Bairro

à Assembleia da República que:

1. recomende ao Governo que atenda ao pedido da Câmara Municipal com a maior rapidez possível por forma a pôr termo às ocupações

2. através do Ministério da Administração Interna recomende à PSP que dote a sua esquadra das Olaias dos meios para que seja possível acabar com as ocupações de fracções

3. crie as condições para que outros bairros nas mesmas condições do Bairro Portugal Novo (antigas cooperativas de habitação que falidas (ex-SAAL)) sejam também municipalizados

Contexto:

Construído na década de 70 por uma cooperativa de habitação (ex-SAAL ou “Serviço Ambulatório de Apoio Local”), entretanto falida, este bairro situa-se perto da Rotunda das Olaias e está hoje numa situação confusa no que respeita à propriedade das habitações apresentando hoje um elevado grau de degradação e abandono. Ocupações de casas, arrombamentos seguidos de ocupação de casas de idosos recentemente falecidos, vendas e alugueres ilegais e até empréstimos com agiotagem são hoje comuns. Urge regularizar e municipalizar o Bairro por forma a terminar com estas situações e estabilizar e dar qualidade de vida a todos os moradores.

Os peticionários pedem, assim ao Governo (Secretaria de Estado da Habitação e ao IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana), a rápida municipalização do Bairro por forma a que se clarifiquem todas estas situações.


Sá Fernandes quer a câmara no Bairro Portugal Novo

INÊS BOAVENTURA

Construídos nos anos 80 por  uma cooperativa,

os 221 fogos não têm dono. Só sinais de degradação

O vereador José Sá Fernandes quer que a Câmara de Lisboa apresente, no prazo de três meses, um estudo para a “recuperação e integração no tecido urbano” do Bairro Portugal Novo, nas Olaias. Construído nos anos 80 por uma cooperativa entretanto dissolvida, o bairro enfrenta um acelerado processo de degradação, sem que ninguém assuma a sua propriedade.
Os 221 fogos foram edificados em terrenos municipais pela Cooperativa de Habitação Económica Portugal Novo, que para tal contraiu um empréstimo junto do antigo Fundo de Fomento da Habitação. Segundo um ex-presidente da direcção da cooperativa, os sócios efectuaram apenas um pagamento, ao qual se seguiu a dissolução da sociedade.

Assim sendo, resume Armindo Neves, “os fogos não têm dono”, a dívida mal começou a ser amortizado pelos cooperantes e as escrituras nunca foram realizadas. “O bairro foi abandonado pela sorte, pelo Estado e pela câmara”, lamenta o morador, que dirigiu os destinos da cooperativa durante sete anos.

É a esta situação que José Sá Fernandes quer pôr cobro, defendendo para tal que a autarquia assuma os destinos do bairro, elaborando “um estudo concreto para a [sua] recuperação e integração no tecido urbano da cidade”. O vereador eleito pelo Bloco de Esquerda vai levar à proposta, que quer ver concretizada no prazo de três meses, à próxima reunião camarária. “Não há direito de isto estar assim há 20 anos”, foi dizendo Sá Fernandes aos muitos moradores do bairro com quem ali se encontrou que ao final da tarde de ontem. A todos os que lhe perguntaram se a sua intenção era demolir os prédios ou requalificá-los, o vereador deixou uma garantia: “Não sei, mas daqui a três meses já lhe respondo.”

A proposta que o vereador vai levar à reunião de quarta-feira, com a “esperança” de que seja aprovada, condena “a gritante situação existente” no bairro nas Olaias, “cuja degradação dura e perdura há dezenas de anos”. A medida, diz o vereador que durante a campanha eleitoral visitou o Bairro Portugal Novo com a promessa ontem concretizada de lá regressar, demonstra que “uma das prioridades na cidade é o problema da reabilitação dos bairros sociais”.

Sá Fernandes salientou por várias vezes a “pequena dimensão” do bairro, que tem 221 fogos, como argumento para dizer que “é um problema que se pode resolver com rapidez”. O autarca desvalorizou a indefinição quanto à propriedade dos edifícios, afirmando que “não há problema jurídico que não se resolva, desde que haja vontade política”.

Além de requalificar o edificado que apresenta sinais muito visíveis de degradação, ou de o demolir para o reconstruir em terrenos municipais próximos, Sá Fernandes quer assegurar que os moradores têm apoio social. “Podemos começar por aqui. Já”, afirmou o vereador, defendendo uma intervenção posterior noutros bairros, como a Zona J, a Zona I e o Bairro da Condeixa.

 

From <https://www.publico.pt/2005/11/12/jornal/sa-fernandes-quer-a-camara-no-bairro-portugal-novo-48510>

 


 

Um idoso de 89 anos, que vivia sozinho num apartamento do bairro social Portugal Novo, nas Olaias, em Lisboa, foi esta terça-feira morto à facada no quarto da residência. A vítima foi assassinada momentos depois de ter regressado do café, e o cadáver foi descoberto pela filha, que alertou as autoridades policiais. A PJ investiga.

Vitorino Guerreiro foi visto pela última vez por vizinhos pelas nove da manhã de terça-feira. “Ele estendeu a roupa no estendal em frente à porta de casa, e foi depois ao café, no centro comercial das Olaias”, disse ao CM uma vizinha do idoso. O homem de 89 anos terá depois regressado a casa, um 2º andar na rua Wanda Ramos, e já não voltou a sair. A filha, que o visitava com frequência, terá tentado, sem sucesso, entrar em contacto telefónico com o progenitor. Alarmada, a mulher deslocou-se à residência, da qual tinha a chave, e entrou. Deparou-se com o cadáver de Vitorino Guerreiro, no chão do quarto. Além de sinais de agressão, tinha várias facadas pelo corpo. Aterrorizada, a filha do idoso chamou a PSP. De imediato acorreram ao local várias patrulhas que, constatando a ocorrência de um homicídio, chamaram a Polícia Judiciária. Foi criado um perímetro de segurança em redor do imóvel. Pelas 14h00, chegaram ao local vários inspetores da secção de homicídios da Polícia Judiciária. A inspeção forense ao local foi feita por elementos do Laboratório de Polícia Científica. Ao que o CM apurou não está descartada a hipótese de roubo, seguido de homicídio. No entanto, as fechaduras das portas de casa de Vitorino Guerreiro não estavam forçadas nem, aparentemente, terá sido levado nada de valor. O cenário de o idoso ter aberto a porta de casa ao autor ou autores do crime – que conhecia – ganha consistência. O cadáver foi levado do apartamento pela automaca da PSP, para ser autopsiado no Instituto de Medicina Legal.

Costumava ir a viagens Vitorino Guerreiro era conhecido no bairro Portugal Novo. Há mais de 30 anos que residia no bairro social e costumava ir, por vezes, a excursões. Separado e reformado O idoso assassinado era separado e estava reformado há muitos anos. Vivia sozinho e recebia visitas frequentes da filha e de outros familiares.

ERRADO: Bairro de realojamento O bairro Portugal Novo foi construído em 1982, pela Câmara Municipal de Lisboa. Serviu de realojamento a ex-moradores de barracas da zona.

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/filha-descobre-corpo-de-idoso-assassinado


“em que Estado está a municipalização do Bairro Portugal Novo?

É um problema muito complexo e que se arrasta já há muito tempo. Juridicamente é, basicamente, um pântano. A nossa iniciativa foi desencadeada por notícias recentes de ocupações de casas (…) ocupações de casas já ocorrem naquele bairro desde a década de 80. Recordo também que o tiroteio de 2009 resultou de uma ocupação. Recordo ainda que a dívida que existia ao INH em 2005 era de 6 milhões e hoje em dia será de 26 milhões. Se não se resolver isto a dívida nunca parará de aumentar. Sendo do interesse de todos que isto se resolva rapidamente. As pessoas também ficaram desiludidas com o facto de aquilo que se tentou fazer em 2005 não ter funcionado. Sei que agora isto está na agenda da CML e que faz parte do programa de Governo para a cidade. Seria interessante se finalmente se resolvesse um problema que já tantos e tantos anos e que afecta tanta gente morando ali alguns milhares de pessoas. Os números são incertos porque não sequer um reconhecimento de quem mora e onde.

Vizinho do Areeiro Rui Martins

“O Portugal Novo começaria por clarificar que o Bairro um processo SAAL de finais dos anos tem 70 tem um rosto e uma responsabilidade do ponto de vista da gestão, quer da dívida contraída pela cooperativa ao longo dos anos que é a administração central (…) bem como o estado de “não intervenção” tem esse rosto: governos sucessivos bem como outras entidades que têm responsabilidades nesta matéria (…) a CML está preocupada com a situação de degradação e degradante em que aquela população está sejam os cooperantes, sejam as pessoas que ao longo dos anos vieram a habitar o bairro e está totalmente disponível para, com a administração central, uma solução para as condições de habitabilidade daquele bairro (…) a CML encetou já conversações com a actual Secretaria de Estado da Habitação no sentido de encontrar em conjunto uma solução para aquela população com a assunção da responsabilidade, que há, da Administração Central neste processo ao longo destes, quase, 40 anos.”

Vereadora Paula Marques
Reunião Descentralizada da CML de 07.03.2018

https://www.youtube.com/watch?v=5sr7cjhNHZM


Numa revolução, o que pode a arquitetura? Nascido da Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, o SAAL – Serviço Ambulatório de Apoio Local – desencadeou um dos mais empolgantes processos da arquitetura do século XX. Foi uma experiência pioneira no contexto europeu que propunha a constituição de brigadas técnicas lideradas por arquitetos que, em colaboração com as populações, tinham por objetivo enfrentar as prementes necessidades habitacionais de comunidades desfavorecidas em todo o país.

Do levantamento das condições de vida ao apoio às comissões de moradores, do projeto arquitetónico ao acompanhamento dos processos de expropriação dos terrenos, as brigadas reinventaram a prática da arquitetura, projetando com os moradores e não para eles. Ativo até outubro de 1976, o SAAL concluiria nos seus vinte e seis meses de existência cerca de 170 projetos que envolveram mais de 40.000 famílias de Norte a Sul, incluindo os distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Santarém, Setúbal e Porto.

Quarenta anos volvidos sobre o início do SAAL, a sua marca continua a definir a malha espacial e social das cidades e dos bairros intervencionados e a convidar à reflexão sobre processos coletivos geradores de transformação social.

Bairro da Quinta do Bacalhau – Monte Coxo:
SAAL/Lisboa e Centro Sul

Projeto: Manuel Vicente
Brigada técnica: Afonso José Batista, Agostinho Xavier de Andrade, António Albano Leitão, António Leitão, Cristina Catela Martins Pereira, Eduardo Serrano de Sousa, Gentil Noras, José Manuel Dinis Cabral Caldeira, Manuel Augusto Lopes de Sousa, Nuno Matos Silva, Rita Cabral

Designação da Associação de Moradores:

Cooperativa de Habitação Económica Portugal Novo Constituição da Associação de Moradores:
6 de setembro de 1974

384 fogos (221)

Data da operação: setembro de 1974

Data da construção: janeiro de 1977


Cinco bairros ‘de ninguém’ em terrenos da câmara

Durante anos, mais de 800 fogos construídos por cooperativas e associações de moradores têm estado abandonados. Sem manutenção do edificado. Ninguém paga rendas e as casas degradam-se. Há cinco anos uma comissão avançou propostas para resolver problemas como o do Portugal Novo

Há mais quatro ‘bairros sem dono’, em Lisboa, cuja situação é muito semelhante à que se vive no Portugal Novo, às Olaias, em Lisboa.

Em todos – Bairro Horizonte, Bairro das Fonsecas, Bairro da Quinta da Calçada, Bairro Lisboa Nova – há rendas por pagar, degradação urbanística, e, no total dos cinco empreendimentos, o montante da dívida, ascendia, há cinco anos, a 19,5 milhões de euros.

De acordo com um relatório, de 2004, elaborado por uma comissão composta por técnicos da Câmara Municipal de Lisboa, Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e Instituto Nacional de Habitação (hoje Instituto da Habitação Reabilitação Urbana), foram construídos, em terrenos da autarquia, cinco empreendimentos por quatro cooperativas e uma associação de moradores, financiados pelo ex-Fundo de Fomento de Habitação.

“Em todos a recuperação dos créditos tem sido nula”, refere o documento a que o DN teve acesso e que tem estado na gaveta desde a altura da sua conclusão.

Helena Roseta, vereadora do movimento Cidadãos Por Lisboa, a quem foi entregue a coordenação do Programa Local de Habitação, desconhecia esta situação e garante que o PLH dará o devido enquadramento a estes novos dados. “Os 800 fogos que integram estes cinco bairros não estão incluídos no levantamento que a Fenache nos forneceu e que aponta para a existência de 1400 fogos de cooperativas em Lisboa”, sublinha a vereadora, que entende que a autarquia da capital não se pode alhear da resolução deste problema, “até porque os terrenos desses bairros são municipais, cedidos em direito de superfície”. Recorde-se que António Costa considerou, na segunda-feira, que o problema do Portugal Novo é “um caso de polícia”.

Roseta, por seu turno, defende que “o bairro deve ser sujeito a uma profunda análise urbanística, não esquecendo a componente social, antes de ser tomada qualquer decisão drástica, como a implosão”. Apesar de todas as patologias do edificado, das anomalias funcionais do bairro, a vereadora sustenta que cada vez mais a atitude perante estes empreendimentos dos primórdios da habitação social deve ser a de fazer um “urbanismo de reciclagem”. Dois destes bairros identificados no relatório (o Portugal Novo é um deles) são projectos SAAL: habitação construída no pós-25 de Abril de 1974 promovida pelos governos, em que a população se envolvia directamente no processo (através da constituição de cooperativas ou associações de moradores).

From <https://www.dn.pt/portugal/sul/interior/cinco-bairros-de-ninguem-em-terrenos-da-camara-1167439.html>

 


 

 

distribuição dos 796 fogos dos bairros ex-SAAL, todos identificados na Carta dos BIP-ZIP, Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária de Lisboa, é a seguinte:

Bairro Horizonte – BIP/ZIP 47 – Freguesia de S. João –
58 fogos

Bairro Portugal Novo – BIP/ZIP 4 – Freguesia do Alto do Pina – 221 fogos

Bairro Fonsecas e Calçada – BIP/ZIP 58 – freguesia do Campo Grande – 335 fogos,
dos quais 168 fogos da
Cooperativa de Habitação Económica Unidade do Povo e 167 fogos da Cooperativa de Habitação Económica
25 de Abril

Cooperativas do Beato – BIP/ZIP 60 – freguesia do Beato – 182 fogos, que incluem 8 fogos na Rua Perry Vidal, 64 fogos na Rua Nascimento Costa e 110 fogos na Rua Carlos Botelho

No Plano de Actividades de 1976 da CML estava prevista uma verba de um milhão de contos (5 milhões de euros) para fazer face aos gastos com este programa, 13 vezes mais do que o gasto até 1975. Com a extinção do SAAL nesse ano o processo, também em Lisboa, foi descontinuado.

Após a extinção do Programa SAAL, os bairros a que o programa dera origem evoluíram de forma muito diversificada, quer do ponto de vista da continuidade das respectivas cooperativas ou associações de moradores, quer do ponto de vista da relação entre o fogo e o cooperante ou morador original. A transmissão da propriedade do terreno municipal aos moradores não foi efectivada, houve desactivação de algumas das cooperativas, foram-se acumulando dívidas junto do ex-FFH e houve mudanças de moradores, por vezes através de transacções sem qualquer base legal. Nestas condições, a responsabilidade pelo edificado nestes bairros não foi assumida por nenhuma entidade pública. Os bairros ficaram entregues aos seus moradores, abandonados à sua sorte, tendo-se assistido a um processo crescente de degradação do património, das condições de habitabilidade e até das condições sociais e económicas dos residentes. O caso mais emblemático deste abandono é o do Portugal Novo, que acabou por concentrar situações de marginalidade que o tornam hoje um bairro bastante problemático para a segurança dos residentes e vizinhos.

A CML tentou encetar um caminho de regularização dos bairros ex-SAAL, em colaboração com o IHRU e com o LNEC. Em Julho de 2004 foi elaborado um relatório de diagnóstico pelo LNEC e pelo IHRU, o qual não teve contudo qualquer seguimento.

Em 2010, a Carta dos BIP/ZIP aprovada pela Assembleia Municipal incluía os bairros ex-SAAL e de autoconstrução no conjunto dos Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária de Lisboa.

From <http://habitacao.cm-lisboa.pt/?no=400800100930,082>

 

 

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