António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016

“em 1979 quando a lei do Serviço Nacional de Saúde foi votada, o PSD e o CDS votaram contra. Foi votada com os votos do PS e do PCP”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“o SNS perdeu três mil camas e dizem que se calhar estavam a mais. Não estavam a mais. Nós temos trezentas e tal camas por cem mil habitantes. A média europeia é de 500 e tal camas. Nós precisamos de mais camas”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“a ideia de Passos Coelho era fazer um SNS só para os mais pobres, porque os pobres não podem ser clientes do sector privado. Ao setor privado só interessa da classe média para cima. Eles dizem que o setor privado fica mais barato. Fica mais barato porque não tem as despesas inerentes ao funcionamento do SNS. As urgências permanentes, o ensino, as vacinas, a medicina preventiva…”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“a ADSE é uma fonte de rendimento do setor privado. O setor privado sem a ADSE defina. Vivia do quê? Vivia dos seguros? Os seguros não funcionam”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“há falta de eficiência no SNS pela saída de muitos profissionais para o privado. Há muitos anos que defendo a criação de uma carreira pública equiparada à dos magistrados para aqueles profissionais que aceitassem a dedicação exclusiva”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“há certos sectores em que para conseguir uma consulta está um ano, porque não há especialistas. Saíram do público e foram para o privado e o privado ganhou com a incorporação desses profissionais e ao mesmo tempo ganhou com a retirada deles do setor público”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“eu deixei a política em 83 porque o poder econômico começou, nessa altura, a querer mandar – eu digo querer mandar que é um ecletismo – no poder político e começou a subsidiar as campanhas. Até aí, os candidatos pagavam do seu bolso. Pagavamos as campanhas e colavamos os cartazes. Eu era um perito a colar cartazes. Havia uns sujeitos que traziam a cola e nós íamos pelo distrito a colar cartazes. Era engraçado porque às vezes encontravamos a malta do PC ou do PSD e acabava-se a cola e pedaços cola emprestada”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“a corrupção tinha começado (década de 1980) e quando começa é como uma epidemia e não há propriamente vacina. Só a denúncia pública. Hoje está tudo comprado ou vendido. Quase tudo. Eu tenho a minha alma limpa e se tivesse ficado na política eu conservava a minha alma limpa mas podia ter alguns salpicos, porque estava limitado pela camarada e pela solidariedade que devia aos meus correligionários. Eu não podia estar a acusar o partido. Mas eu digo aí (aponta para o romance “O rio das Sombras” o caso de um sujeito que quis ser deputado dois ou três meses para ficar no currículo e pagou cem contos ao PS”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
“em 1975 quando foram as eleições para a Assembleia Constituinte todos os políticos tinham uma carreira profissional. Eram professores, empresários, vinham de profissões liberais. Todos tinha uç sítio de refúgio. Aborreciam-se com a política e voltavam ao seu posto de trabalho. Depois as coisas mudaram e hoje alguns que estão na política nunca fizeram outra coisa. É por isso que precisam dela e fazem tudo para se manterem”
António Arnaud, entrevista ao i de 2 dezembro 2016
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