Citações de Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra

“Reforços, chá e açúcar”
Pedido do general britânico cercado pelos rebeldes afegãos em Candaar (1880) ao vice-rei da Índia
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra
“A Inglaterra vale-se capciosamente do clero católico da Irlanda e da religiosidade da plebe para a manter na resignação da miséria acenando-lhe com as promessas cor de ouro da bem-aventurança”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
Artigo do jornal inglês Standard de 1877 citado por Eça de Queirós:
“Se a Irlanda vier a esquecer-se do que deve a si e à Inglaterra é doloroso pensar que no próximo Inverno, para manter a integridade do Império, a santidade da lei e a inviolabilidade da propriedade, nós teremos de ir, com o coração negro de dor, mas a espada firme na mão, levar à Irlanda, à ilha irmã, à ilha bem-amada, uma necessária exterminação”.
“A frequentação dos templos, em Inglaterra, diminui de um terço todos os dez anos, ao passo que o espírito de religiosidade cresce nas massas, tornando-se assim o sentimento religioso cada dia mais desprendido das formas caducas e perecíveis das religiões”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na estacao dos “Lecture-Season” nao ha um bairro em Londres (quase podia dizer uma rua), nem uma aldeia no resto do pais, em que se nao veja, cada noite, um sujeito, com um copo de agua, dissertando sobre um assunto, diante duma audiência compacta, atenta, interessada e que toma notas. Os assuntos são tudo – desde a ideia de Deus até à melhor maneira de fabrica graxa”
“O inglês não se divertia no continente; não compreende as línguas, estranha as comidas, tudo o que é estrangeiro, maneiras, toilettes, modos de pensar, o choca; desconfia que o querem roubar; tem a vaga crença de que os lençóis nas camas do nunca são limpos”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na vida doméstica inglesa, a novela tornou-se um objecto de primeira necessidade, como a flanela ou as fazendas de algodão; e, portanto, toda uma população de romancistas se emprega em manufacturar este artigo, por grosso, e tão depressa quanto a pena pode escrever, arremessando para o mercado as paginas mal secas no ansioso conflito da concorrência”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A humanidade (a aristocracia londrina) que tem nas artérias o famoso sangue normando, esse sangue invejado, mais precioso que o de Cristo, cantado por todos os poetas da corte, e que foi importado pelos brutamontes cobertos de ferro, e peludos como feras, que acompanhavam a estas ilhas Guilherme da Normandia”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Na vida doméstica inglesa, a novela tornou-se um objeto da primeira necessidade, como a flanela ou as fazendas de algodão; e, portanto, toda uma população de romancistas se emprega em manufacturar este artigo, por grosso, e tão depressa quanto a pena pode escrever, arremessando para o mercado as paginas mal secas no ansioso conflito da concorrência”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“O esforço humano consegue, quando muito, converter um proletariado faminto numa burguesia farta; mas surge logo das entranhas da sociedade um proletariado pior. Jesus tinha razão: haverá sempre pobres entre nós. Donde se prova que esta humanidade é o maior erro que jamais Deus cometeu”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Aqui estamos sobre este globo há doze mil anos (erro!) a girar
fastidiosamente em torno do Sol, e sem adiantar um metro na famosa estrada do progresso e da perfectibilidade: porque só algum ingénuo de província é que ainda considera progresso a invenção ociosa desses bonecos pueris que se chamam maquinas, engenhos, locomotivas, etc. e essas prosas laboriosas e difusas que se denominam sistemas sociais”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Ninguém hoje tem bastante génio para compor um coro de Esquilo ou uma página de Virgílio; como escultura e arquitectura, somos grotescos; nenhum milionário é capaz de jantar como Luculo; agitavam-se em Atenas ou Roma mais ideias superiores num só dia do que nós inventámos num século; os nossos exércitos fazem rir, comparados às legiões de Germânico”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os portugueses, só começamos a ser idiotas quando chegamos à idade da razão. Em pequenos, temos todos uma pontinha de génio”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Em Leipzig, um bando de mancebos, que se poderiam tomar por frades dominicanos, mas que eram apenas filósofos estudantes, andaram expulsando os judeus das cervejarias, arrancando-lhes assim o direito individual mais caro e sagrado ao alemão: o direito à cerveja” (sobre uma vaga anti-semita na Alemanha em 1877)
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“As cinco chagas de Jesus nada têm que ver com estas petições por toda a Alemanha, pedindo ao governo que não permita aos judeus adquirirem propriedade, que não sejam admitidos em cargos públicos e outras extravagancias góticas. O motivo do furor anti-semítico é simplesmente a crescente prosperidade da colónia judaica”
 (sobre uma vaga anti-semita na Alemanha em 1877)
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“O irlandês parece-se com o polaco em certos pontos, são ambos arrebatados, imprudentes, espirituosos, generosos e poetas. Como o polaco, o irlandês católico odeia o conquistador, sobretudo por ele ser herético de nacionalidade, misturando o ódio politico o conflito de religião”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A Inglaterra para não perturbar os interesses tirânicos dum milhar de ricos proprietários (ingleses e escoceses) deixa na miséria quatro milhões de homens. Tem todo o território irlandês ocupado militarmente. Apenas um patriota começa a ter influência na Irlanda, prende o patriota”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A brusca agressão (1877) de doze couraçados, cidadelas de ferro flutuando sobre as águas, contra as decrepitas fortificações de Mehemet-Ali, este bombardeamento duma cidade egípcia, estando a Inglaterra em paz com o Egipto, parece-se singularmente com a politica primitiva do califa Omar ou dos imperadores persas, que consistia nisto: ser forte, cair sobre o fraco, destruir vidas e empolgar fazendas”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A França e a Inglaterra (…) tendo o Egipto (endividado até ao alto das pirâmides para com as burguesias financeiras de Paris e Londres) omitindo o pagamento de alguns coupons, a França e a Inglaterra protegendo maternalmente os interesses dos seus agiotas instalaram no Cairo dois cavalheiros (…) encarregados de colher a receita, geri-la e aplicar-lhe a parte mais pingue à amortização e juros da famosa divida egípcia”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Em que gastou Ismail-Pachá as centenas de milhões que a Europa lhe emprestou, e que o pobre fellah está pagando? Em primeiro lugar, na realização de uma ideia económica – o converter o Egipto, que é um pais agrícola, numa nação industrial. O Egipto produzia o açúcar – porque o não refinaria? Possuía o algodão – porque não o teceria? E ai começou, à força de milhões, a cobrir as margens do Nilo dessas colossais fabricas, de que hoje só restam ruínas”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Quando o Egipto quis modificar o sistema que convertia o povo numa horda de servos trabalhando para os financiamentos de Paris e Londres as esquadras de França e Inglaterra apareceram logo, pedindo o desterro de Arabi, e o licenciamento do exercito, que era o instrumento e a força do partido nacional. Os árabes viram nisto um odioso abuso de força, a Inglaterra e a França querendo manter à bala os interesses dos possuidores dos títulos da divida egípcia e os privilégios dos intrusos”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“A França receia a Alemanha; a Turquia teme a Rússia; a Áustria está contida por ambas; a Itália necessita a benevolência de todas; e cada uma por seu turno treme do Sr. de Bismarque, o hediondo papão, o Júpiter trovejante do Olimpo diplomático”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“Não há, nunca houve Europa, no sentido que esta palavra tem em diplomacia. Há hoje apenas um grande pinhal de Azambuja, onde rondam meliantes cobertos de ferro, que se odeiam uns aos outros, tremem uns dos outros, e, por um acordo tácito, permitem que cada um por seu turno se adiante”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
“é isto que torna os ingleses detestados. Nunca se fundem, nunca se desinglesam. Há raças fluídas, como a francesa, a alemã que sem perderem os seus caracteres intrínsecos, tomam ao menos exteriormente a forma da civilização que momentaneamente as contêm.”
Eça de Queirós, Cartas de Inglaterra (1877)
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