Telegrama enviado pela embaixada dos EUA em Lisboa a 16 de maio de 1974: “Mário Soares é inteligente e trabalhador, mas sem muitos seguidores em Portugal, já que o seu partido era uma organização de papel”.

Telegrama enviado pela embaixada dos EUA em Lisboa a 16 de maio de 1974: “Mário Soares é inteligente e trabalhador, mas sem muitos seguidores em Portugal, já que o seu partido era uma organização de papel”.
“Álvaro Cunhal é afável, inteligente, atraente e muito impressionante, na minha inocência ele impressionou-me como um homem com quem se pode falar de modo directo e franco”
Embaixador dos EUA a 11 de junho de 1974
Spínola dirigindo-se ao embaixador dos EUA a 1 de maio de 1974 sobre o governo provisório o qual “não seria credível se qualquer segmento organizado fosse excluído, quer do eleitorado, quer do governo”
“Estive preso doze vezes e exilado seis anos pela minha oposição à ditadura de direita. Qualquer pessoa que pensa que posso apoiar uma ditadura de esquerda devia ser submetida a um “exame à cabeça”.
Mário Soares, ministro do MNE em 20 de maio de 1974 numa reunião com o embaixador dos EUA
“é essencial que o PCP partilhasse as responsabilidades da governação em vez de ficar de fora a capitalizar o descontentamento com a Ação do executivo”
Mário Soares, ministro do MNE em 20 de maio de 1974 numa reunião com o embaixador dos EUA
“Nós devemos oferecer ao Partido Socialista Português ajuda técnica e ao nível da sua organização na convicção de que um governo com a sua participação é aquele que oferece a melhor perspectiva para o Ocidente”
James Callaghan, embaixada dos EUA em Lisboa escrevendo para o Departamento de Estado em 3 de maio de 1974
“Cumprindo instruções de Lisboa, fiz diligências para averiguar da possibilidade de, mão obstante o embargo, Portugal adquirir armamento necessário à defesa dos territórios coloniais, o que constituia em si mesmo indicação clara de que a politica defendida pelo general Spínola quanto à descolonização ia ser seguida”
João Hall Themido, embaixador de Portugal nos EUA em abril de 1974
Segundo Suart Nash Scott, embaixador dos EUA Spínola teria proposto sobre o Ultramar um programa em 4 pontos: “1) cessar-fogo, 2) reconstrução e desenvolvimento acelerado, 3) estabelecimento de instituições democráticas e aceleração da regionalização das estruturas politicas, económicas e sociais, 4) consulta popular (i.e., referendo, embora ele tenha evitado o termo e pode estar a deixar a porta aberta para outro método de consulta popular”.
(Se Spínola tivesse feito vingar o seu programa sobre o do MFA e do PCP e se, sobretudo, as forças militares portuguesas no terreno tivessem querido colaborar a Historia e o presente das nações africanas lusófonas seria hoje bem diferente…)
“O PCP acaba de receber da Rússia substanciais ajudas em dinheiro para fazer face à sua campanha eleitoral, de que resultara a atribuição de salários permanentes a grande parte dos seus membros”
Spínola a Nixon em 19 de junho de 1974
Em junho de 1974 o Departamento de Estado enviou a Nixon um texto onde se referia que Portugal tinha feito contactos para saber “se os EUA consideravam as ilhas de Cabo Verde como sendo estrategicamente vitais” no sentido de perceber se os EUA apoiariam Portugal na sua pretensão de separar as ilhas das negociações de paz com o PAIGC. Assim se vislumbra que, na época, havia uma corrente no governo provisório que defendia a manutenção de Cabo Verde sob administração portuguesa.
Reunião de Kissinger com funcionários do Departamento de Estado em 10 de julho de 1974:
“Kissinger: ou os militares tomam conta do poder ou a esquerda fá-lo-á.
Mr. Hartman: há uma complicação adicional, pois existem alguns elementos de esquerda no grupo militar.
Kissinger: nós estamos fora disso?
Mr. Hartman: tanto quanto sei”
(Kissinger Não sabia se os EUA estavam ou não a incitar um golpe militar em Portugal… Ou seja os EUA estavam completamente “fora do pé” quanto à crise portuguesa)
Carta do embaixador dos EUA para Washington a 18 de julho: “não há razões para acreditar que importantes interesses dos EUA viessem a estar em causa sob o regime de Spínola e Gonçalves”
Memórias do embaixador dos EUA: “a imagem negativa que se formou na capital norte-americana sobre o II Governo Provisório (Vasco Gonçalves) foi em larga medida forjada pelo establishment de direita do regime anterior” (…) “Vasco Gonçalves, embora fosse um dedicado reformista social não era um comunista”
#SabiaQue em agosto de 1974 numa reunião com Vernon Walters, o vice-director da CIA, em Lisboa, Mário Soares lhe pediria para que “os EUA ajudassem a Revolução dos Cravos a ser verdadeiramente democrática e, ao mesmo tempo, que contivesse os ultras em Espanha e na África do Sul, por forma a não haver intervenções armadas nos nossos territórios, tanto metropolitanos como africanos”?
#Sabia que em junho de 1974 e depois de uma visita a Lisboa o senador Edward Kennedy recomendou ao Congresso que este providenciasse uma verba de 50 milhões de dólares para “Portugal e os territórios africanos”, a dividir por partes iguais, por forma a ajudar “à democracia em Portugal e nas suas colónias”?
(Ou seja, seria Portugal a administração a execução desse empréstimo)
(O Congresso desceria para 20 milhões e limitaria a verba apenas à metrópole)
“Na madrugada de 28 para 29 de setembro de 1974, Spinola empreendeu um último esforco para prevalecer no processo politico português. Numa atitude inédita, chegou a por em marcha um plano para conseguir o apoio dos EUA a uma intervenção da NATO, ou mesmo da Espanha, em Portugal, procurando para o efeito contactar Richard Post através da intermediação do embaixador brasileiro, general Carlos Alberto Fontoura”
“O grupo que incluía Spinola e Galvão de Melo considerou três alternativas para prevenir o que Spinola considerava a iminente tomada “legal” do governo português pelos comunistas: 1. Spinola pedia asilo em Espanha e procurava obter o reconhecimento do governo provisório ai estabelecido 2) pedia-se à NATO que interviesse militarmente 3) pedia-se à Espanha que interviesse militarmente através da invocação do Pacto Ibérico que obrigava ambas as partes a assistir a outra para repelir uma agressão (sendo neste caso o fornecimento de armas soviéticas aos comunistas)”
Segundo a embaixada dos EUA (1974): “Costa Gomes desempenhava um papel importante porque tinha uma misteriosa capacidade para detectar para que lado soprava o vento”
Os objetivos da falhada manifestação da “maioria silenciosa” de setembro de 1975 eram segundo Galvão de Melo: “o regresso à formula original da descolonização de Spinola (isto é, referendo com uma variedade de opções, incluindo independência mas também federação com Portugal”
(Ou seja, a esta distancia, sou spinolista)
“Costa Gomes tem a flexibilidade que falta a Spinola e pode ser capaz de transformar Portugal de um governo por confrontação para um governo por acomodação”
Embaixador dos EUA em Lisboa em 1974
Kissinger para Mário Soares e Costa Gomes em 18 de outubro de 1974: “foi permitido aos comunistas controlar a mobilização popular e estes estão a tornar-se na força dominante o que é inaceitável para os EUA”. Soares protestou “os socialistas vão resistir e não nos pretendemos tornar comunistas” ao que respondeu Kissinger: “Kerensky também não pretendia”
Kissinger via – em 1974 – Costa Gomes como um “politico moderado com um enorme poder a possibilidade de o usar para fazer frente ao MFA” mas também o considerava mais como um “seguidor perspicaz” do que um “verdadeiro líder”.
“Desde outubro que tenho tentado transmitir um sentido de urgência em relação à situação portuguesa. E aqui estamos nós, em finais de dezembro (1974), ainda a deitar conversa fora e a tentar colocar lá o embaixador”
Kissinger numa reunião no Departamento de Estado deixando a ideia de que longe de ser uma diplomacia omnisciente e um Estado “que nunca erra” os EUA na crise portuguesa andavam, de facto, às apalpadelas…
Memorando da desk de Assuntos Europeus para Kissinger de 28 de novembro de 1974: “o PSD é o mais conservador dos três partidos políticos no Governo Provisório e parece estar melhor organizado do que o PS. O Departamento de Estado não tem nenhum partido favorito e deve transmitir a mensagem de que apoia todos os grupos democráticos e pro-ocidentais de Portugal”
Sá Carneiro dirigindo-se ao Departamento de Estado dos EUA em dezembro de 1974: “o PCP está bem organizado, uma vez que foi o único partido que havia funcionado durante os 50 anos de ditadura, mas apesar disso, a sua força eleitoral deve ser de apenas 10 a 15%”
Memorando de Arthur Hartman para Kissinger de janeiro de 1975: “os comunistas lançaram uma campanha para desacreditar a honestidade do processo de recenseamento dos eleitores e exigiram o adiamento indefinido das eleições”
Memorando de Arthur Hartman para Kissinger de janeiro de 1975: “os partidos parecem estar a superar algumas dificuldades da sua organização sendo a grande excepção o partido de Mário Soares que está perto da desordem completa havendo mesmo rumores de que Soares vai resignar ao cargo no governo por forma a dedicar-se a tempo inteiro ao PS”
Em janeiro de 1975 as cinco prioridades do novo embaixador Frank Carlucci eram “tornar a embaixada operacional, conhecer as figuras públicas, tornar-se visível à imprensa, trabalhar num programa na AID e estabelecer discretamente ligações com a Igreja”
“A 30 de janeiro de 1975 a embaixada dos EUA em Lisboa foi contactada por uma personalidade da direita portuguesa com o intuito de solicitar a ajuda dos EUA para montar um golpe de Estado. (….) Carlucci foi de opinião de que “os EUA não deviam ter qualquer envolvimento com os movimentos conspirativos, mesmo que anticomunistas”
A prova segundo a qual Carlucci e a embaixada dos EUA não estavam minimamente a par dos acontecimentos do 11 de marco está num relatório do embaixador americano para Washington, enviado na manha desse dia: “acabámos de ouvir relatos segundo quais eclodiu um tiroteio entre unidades militares no aeroporto de Lisboa, bem como na área circundante. As informações, que são no momento dispersas, indicam que aviões da Força Aérea portuguesa (num numero desconhecido) e helicópteros estão a atacar quartéis do exercito localizados perto do aeroporto”
Embaixador dos EUA em 13 de março de 1975: “a tentativa de golpe foi um erro tão mau e os comunistas reagiram tão rapidamente que alguns jornalistas estrangeiros estão a trabalhar na teoria de que ele foi estimulado ou mesmo organizado pelos comunistas. A embaixada considerou essa possibilidade mas não o reportou porque isso atribui maior capacidade organizativa aos portugueses, mesmo os comunistas”
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